Ortografia Esta publicação contempla as normas do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, de 1990, em vigor desde 2009.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação II Encontro científico internacional de ozonioterapia / organização -1. ed. -- São Paulo : Integrativa Vet Brasil, 2020. Vários colaboradores. Bibliografia. ISBN 978-65-87010-01-4
2020 Todos os direitos reservados. Integrativa Vet Brasil
A responsabilidade de qualquer terapêutica prescrita é do profissional que a prescreve. A perícia e a experiência profissional de cada um são fatores determinantes para a condução dos possíveis tratamentos para cada caso. Os editores não podem se responsabilizar pelo abuso ou má aplicação do conteúdo compartilhado nessa obra. 2
II ENCONTRO CIENTÍFICO INTERNACIONAL DE OZONIOTERAPIA
IV SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE OZONIOTERAPIA NA MEDICINA VETERINÁRIA
São Paulo Integrativa Vet Brasil 2020
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O II Encontro Científico Internacional de Ozonioterapia e o IV Simpósio Internacional de Ozonioterapia na Medicina Veterinária, têm como finalidade a atualização dos conhecimentos dos profissionais das áreas de saúde humana e animal atuantes na área de ozonioterapia e sua combinação com medicina integrativa. Assim como a oportunidade para divulgação de suas experiências científicas e clínicas. PALESTRANTES CONFIRMADOS Dr. Benjamin Arenas Falcón Dra. Carmen Cabrera Calderon Dra. Carmen Vera Yoshimoto Dr. Eugenio Luigi Iorio Dr. Gregorio Martínez Sánchez Dr. José Luis Calunga Dr. Joshua B. A. Polanco Stuart Dra. Mariana Tebaldi Dr. Rafael Franchi Traldi Dr. Sergio Bruzadelli Dra. Silvia Menendez Cepero Dra. Vanessa Benetti Di Sessa Dra. Viviane Machado Pinto Dra. Zullyt B. Zamora Rodríguez COORDENAÇÃO GERAL: Dr. Wilfredo Irrazabal Urruchi
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COORDENAÇÃO CIENTÍFICA: Dr. Jean Guilherme Fernandes Joaquim COORDENAÇÃO DE EVENTO: Dra. Nathalia Candela COMITÊ CIENTÍFICO Dr. Jean G. Fernandes Joaquim Dr. José Scarso Filho Dr. Pierre Barnabé Escodro Dr. Wilfredo Irrazabal Urruchi DIA 05/09/2020 - SÁBADO 08h30 – 09h00 Acesso dos congressistas 09h00 – 09h20 Abertura | Dr. Jean G. F. Joaquim e Dr. Wilfredo Urruchi 09h20 – 10h20 Avanços científicos da ozonioterapia | Dr. Gregorio Martínez Sánchez 10h20 – 11h00 Tratamento de feridas em equinos com ozonioterapia | Dra. Vanessa Benetti Di Sessa 11h00 – 12h00 Enfermidades neurodegenerativas (Alzheimer, Parkinson e Esclerose múltipla) | Dra. Silvia Menendez Cepero 12h00 – 12h30 Avanços clínicos de ozonioterapia em odontologia | Dr. Sergio Bruzadelli 12h30 – 13h00 Ozonioterapia como terapia coadjuvante na prática clínica da atopia canina | Dra. Mariana Tebaldi 13h00 – 14h00 Almoço 14h00 – 19h00 Apresentação trabalhalhos e perguntas e respostas relacionadas aos trabalhos apresentados 5
DIA 06/09/2020 - DOMINGO 08h30 – 09h00 Avaliação do estresse oxidativo em medicina veterinária | Dr. Eugenio Luigi Iorio 09h00 – 09h30 Ozonioterapia em animais selvagens | Dr. Joshua B. A. Polanco Stuart 09h30 – 10h00 Ozonioterapia e estresse oxidativo em equinos | Dra. Viviane Machado Pinto 10h00 – 10h30 Ozonioterapia e acupuntura | Dr. Rafael Franchi Traldi 10h30 – 11h00 Ozonioterapia retal como tratamento complementar para pacientes com covid-19 e convalescentes | Dra. Zullyt B. Zamora Rodríguez 11h00 – 12h30 Ozonioterapia e covid-19 | Dra. Carmen Cabrera Calderon, Dr. Benjamin Arenas Falcón e Dra. Carmen Vera Yoshimoto 12h30 – 13h30 Aspectos fisiológicos da ozonioterapia em doenças respiratórias | Dr. José Luis Calunga 13h30 – 14h30 Almoço 14h30 – 18h00 Apresentação trabalhalhos e perguntas e respostas relacionadas aos trabalhos apresentados 18h00 Premiação dos trabalhos
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Trabalhos apresentados: aplicações da ozonioterapia na saúde animal 1-) Ozonioterapia como tratamento complementar em um felino com esporotricose - relato de caso 13-21 2-) Tratamento de dermatite atópica através da ozonioterapia - relato de caso 22-26 3-) Ozonioterapia como tratamento de suporte em cão com parvovirose canina - relato de caso 27-33 4-) Ozonioterapia no tratamento de otite média bilateral em felino nefrectomizado com hipercalcemia idiopática felina - relato de caso 34-39 5-) Estudo comparativo da dosagem de proteína obtida através do Sensiprot® e da tira-teste na urina de cães e gatos 40-50 6-) Perfil de susceptibilidade antimicrobiana de micro-organismos associados à mastite bovina no Estado do Paraná, frente a composições contendo óleo ozonizado 51-64 7-) Ação germicida do gás ozônio frente ao Pythium insidiosum isolado de cães e equinos 65-71 8-) Achados histológicos no endométrio de éguas exposto à mistura gasosa rica em ozônio: resultados preliminares 72-78 9-) Ação de diferentes apresentações do ozônio sobre o crescimento do Pythium insidiosum isolado de equinos 79-85 7
10-) Incorporação de óleo ozonizado em biomembrana para aplicação como agente antifungico: resultados preliminares 86-91 11-) Inativação do Pythium insidiosum com gás rico em ozônio: efeito do tempo de exposição e concentração 92-99 12-) Uso do ozônio para cicatrização de lesão pós-cirúrgica em calopsita (Nymphicus hollandicus): relato de caso 100-104 13-) Ozonioterapia no tratamento de cão com de lesão por picada de aranha-marrom (Loxosceles spp.) 105-109 14-) Ozonioterapia em ouriço-cacheiro (Sphiggurus villosus): uma nova visão de tratamento em lesões cutâneas em animais silvestres 110-115 15-) Ozonioterapia no tratamento integrativo da pitiose equina: relato de caso 116-126 16-) Ozonioterapia no tratamento de feridas por habronemose equina: relato de caso 127-132 17-) Tratamento de infecção periodontal resistente em cocker spaniel pela medicina veterinária integrativa – relato de caso 133-142 18-) Efeito da ozonioterapia uterina sobre a capacidade antioxidante total determinada por diferentes métodos em éguas saudáveis 143-158 19-) Utilização da ozonioterapia e modulador frequencial quântico no tratamento integrativo de gastrite e colite aguda em um cão - relato de caso 159-170 8
20-) Integração da ozonioterapia e quimioterapia no tratamento de mastocitoma canino – relato de caso 171-180 21-) Tratamento de artrite séptica temporomandibular através de lavado articular com solução salina ozonizada em um equino – relato de caso 181-189 22-) Associação da ozonioterapia na insuficiência renal aguda por necrose tecidual em canino relato de caso 190-205 23-) Ozonioterapia evita cirurgia de patela em filhotes
206-211
24-) Avaliação clínica da ozonioterapia complementar em animais domésticos pela utilização das vias sistêmica e tópica 212-227 25-) Aplicação perilesional de soro ozonizado após amputação em seriema (Cariama cristata) 228-235 26-) Ozonioterapia como coadjuvante na reabilitação de tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata) com i7pactação por resíduos antropogênicos 236-245 28-) Uso de ozonioterapia, acupuntura e rifamicina no tratamento do granuloma lepróide canino relato de caso 246-249 29-) Tratamento de ferida em felino com ozonioterapia tópica - relato de caso 250-253 30-) Uso da ozonioterapia no controle da dor crônica na laminite equina - relato de caso 254-256 31-) Colírio ozonizado para tratamento de úlcera de córnea em atobá-pardo (Sula leucogaster) 257-262 9
32-) Avaliação da ozonioterapia no tratamento da papilomatose bovina 263-270 33-) Uso do óleo ozonizado no tratamento de granuloma pós-traumático em região palpebral de uma ema (Rhea americana) 271-277 34-) Tratamento de ferida contaminada abdominal em felino com ozonioterapia tópica relato de caso 278-280 35-) Ozonioterapia no tratamento de enfermidades de pele em rã-gigante-do-lago- Titicaca (Telmatobius culeus): relato de caso 281-287 36-) Uso tópico da pomada a base de óleo de copaíba (Copaifera langsdorffii Desf.) ozonizado em feridas experimentalmente induzidas em ratos 288-306 37-) Uso do óleo ozonizado no tratamento de lesão por mordedura em macaco-prego-do-peito-amarelo (Sapajus xanthosternos) 307-312 38-) Ozonioterapia associada ao tratamento de criptococose canina 313-320 39-) Ozonioterapia associada ao tratamento de osteomielite em cão – relato de caso 321-335 40-) Uso da ozonioterapia na gengivoestomatite crônica felina: relato de dois casos 336-344 41-) Ozonioterapia em papagaio (Amazona aestiva): uma nova visão de tratamento em lesões aves silvestres 345-350
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42-) Ozonioterapia em carcará ( plancus): -uma nova visão de tratamento em lesões de aves selvagens 351-356 43-) Uso da ozonioterapia no tratamento de paciente hepatopata 357-359 44-) Uso da ozonioterapia como tratamento adjuvante da estomatite paradental ulcerativa crônica em canino: relato de caso 360-376 45-) Utilização da ozonioterapia e medicina veterinária tradicional chinesa no tratamento integrativo de neoplasia de células redondas múltiplo em um cão - relato de caso 377-388
Trabalhos apresentados: aplicações da ozonioterapia na saúde humana 1-) Emprego da ozonioterapia como recurso terapêutico complementar ao tratamento de úlcera varicosa - relato de caso 389-393 2-) Emprego da ozonioterapia na acne relato de caso 394-397 3-) Tratamento de paciente com osteorradionecrose utilizando a ozonioterapia como coadjuvante: relato de caso. 398-403 4-) Efeito da ozonioterapia na proliferação, viabilidade e 11
migração de osteoblastos. Estudo in vitro. 404-406 5-) Atividade anti-biofilme do óleo ozonizado contra Candida. 407-412 6-) O uso da água ozonizada na prática clínica: quais caminhos percorrer? 413-421 7-) Uso da ozonioterapia e qualidade de vida em paciente oncológico com hemipelvectomia em tratamento de radio e quimioterapia: relato de caso. 422-426 8-) Tratamento multidisciplinar de tontura associada a foco infeccioso bucal. 427-431 9-) Ozônio & sanitização de alimentos: tecnologia alternativa. 432-441 10-) O uso da ozonioterapia na doença de Alzheimer 442-444 11-) Aplicabilidade da ozonioterapia no tratamento de fistulotomia 445-449 12-) Ozonioterapia no tratamento de psoríase: relato de caso 450-453 13-) Ozonioterapia como tratamento coadjuvante no carcinoma basocelular 454-457 14-) Ozonioterapia e associações como terapêutica na gengivoplastia, uma visão integrativa 458-460 15-) Utilização de gás ozônio associado a concentrado sanguíneo plaquetário autólogo (tipo fase líquida) 461-465
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Ozonioterapia como tratamento complementar em um felino com esporotricose - relato de caso Ozoniotherapy as a complementary treatment in a feline with sporotrichosis - case report Roberto Siqueira Profissional autônomo, Graduação em Medicina Veterinária, Universidade do Grande ABC, Santo André/SP, Pós-graduação em Neurologia Clínica e Intensiva, Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, Morumbi/SP; Pós-Graduação em Clinica Médica de Pequenos Animais, Universidade de Santo amaro, São Paulo/SP. Autor para correspondência: neurozonio.treinamento@gmail.com
RESUMO A esporotricose é uma infecção de caráter micótico, granulomatosa de evolução subaguda a crônica que acomete animais e humanos. Os felinos são os que mais representam a maior fonte de infecção em face ao potencial de transmissibilidade. O ozônio tem sido recentemente criticado e enfatizado em relação à eficácia clínica e à toxicidade, respectivamente. Sem dúvida, o ozônio, em comum com o próprio oxigênio, é um dos oxidantes mais potentes. A ozonioterapia está cada vez mais sendo utilizada na medicina veterinária, ul13
timamente tem destacado os potenciais benefícios como agente terapêutico quando utilizado de acordo com protocolos bem definidos e seguros. Este presente trabalho tem como objetivo relatar um caso de esporotricose em um felino atendido em uma clínica veterinária na cidade de São Caetano do Sul, São Paulo, apontando as características das lesão bem como o diagnóstico e tratamento e o uso da ozonioterapia como tratamento complementar, utilizando as técnicas de insuflação retal, aplicações sub cutânea e aplicação tópica do óleo ozonizado. Palavras-chave:ozônio, ozonioterapia, esporotricose, felino ABSTRACT Sporotrichosis is a mycotic, granulomatous infection of subacute to chronic evolution that affects animals and humans. The felines are the ones that represent the greatest source of infection in the face of transmissibility potential. Ozone has recently been criticized and emphasized regarding clinical efficacy and toxicity, respectively. Undoubtedly, ozone, in common with oxygen itself, is one of the most potent oxidants. Ozone therapy is increasingly being used in veterinary medicine, lately has highlighted the potential benefits as a therapeutic agent when used according to well-defined and safe protocols. This paper aims to report a case of sporotrichosis in a feline attended at a veterinary clinic in the city of. State, pointing out the 14
characteristics of the lesion as well as the diagnosis and treatment and the use of ozonotherapy as a complementary treatment, using the techniques of rectal inflation, subcutaneous applications and topical application of ozonated oil. Keywords: ozone, ozone therapy, sporotrichosis, feline HISTÓRICO Foi atendido em uma Clínica Veterinária particular da cidade de São Caetano do Sul, São Paulo, um felino, sem raça definida, fêmea, de aproximadamente 03 anos, pesando 4 kg, animal errante com lesões ulcerativas em região membro torácico esquerdo e lesão de pele em região de face em proximidade de músculo masseter. Na anamnese obteve-se pouca informação sobre o animal, apenas sabe-se que já estava com as lesões, tinha acesso deliberado a rua e anteriormente passou por tratamento em colega, que não realizou exames complementares e o tratamento preconizado foi predinisolona na dose de 0,5mg/kg a cada 24horas durante 15 dias, cefalexina na dose de 20mg/kg a cada 12horas durante 20 dias, e tratamento tópico com pomada a base de dexametasona, neomicina, bacitracina, griseofulvina micronizada, benzocaína, durante 30 dias, onde foi observado piora das lesões. EXAME FÍSICO E DIAGNÓSTICO Para a confirmação diagnóstica por conta das caracterís15
Acervo pessoal - Siqueira R
ticas e localização das lesões foi solicitado coleta do material por meio de exame citológico, que mostrou quadro citológico compatível com Esporotricose.
Acervo pessoal - Siqueira R
Figura 1- Lesão em região de membro torácico esquerdo
Figura 2 - Lesão em pele em região de face em proximidade de m.masseter 16
Acervo pessoal - Siqueira R
TRATAMENTO E EVOLUÇÃO O tratamento preconizado foi itraconazol 10 mg/Kg a cada 24 horas durante 6 meses, e a ozonioterapia como tratamento complementar utilizando a técnica de insuflação retal na dose de 15 mcg/ml com volume de 20ml, 5 vezes por semana com 5 dias consecutivos de aplicações e 2 dias de descanso totalizando 20 aplicações em 4 semanas, aplicações subcutânea do gás de ozônio em região cervical e massageando o gás até a região da lesão na dose de 15 mcg/ml com um volume de 20 ml, 5 vezes por semana com 5 dias consecutivos de aplicações e 2 dias de descanso totalizando 20 aplicações em 4 semanas e aplicações do
Figura 3- Lesão em região de membro torácico esquerdo 17
Acervo pessoal - Siqueira R
Figura 3.1- Lesão em pele em região de face em proximidade de m.masseter em processo de cicatrização
óleo de girassol ozonizado com índice de peroxido 600 mEq/kg diariamente a cada 12 horas até a total cicatrização da lesão. Para obter o gás de ozônio foi utilizado gerador de ozônio da empresa ozone life - Brasil. Paciente ficou internado durante 30 dias para tratamento clínico e de ozonioterapia tópica e sistêmica onde obtivemos uma redução média de 80% das lesões e 15 dias de tratamento na casa do proprietário com tratamento clínico e óleo de ozônio tópico 2 vezes ao dia, e ao retorno do paciente para reavaliação totalizando 45 dias de tratamento foram observado cicatrização total das lesões. 18
Acervo pessoal - Siqueira R Acervo pessoal - Siqueira R
Figura 4- Lesão em região de membro torácico esquerdo em processo de cicatrização
Figura 4.1- Lesão em região de membro torácico esquerdo em processo de cicatrização 19
Acervo pessoal - Siqueira R
Figura 5.1- Paciente após 45 dias de tratamento
CONCLUSÃO A esporotricose é uma doença fúngica de caráter zoonótico comum em felinos domesticados que tem acesso a rua. A afecção está cada vez mais se disseminando pelos esta20
dos brasileiros. O diagnóstico precoce é importante para uma tentativa de tratamento dos animais infectados e controle ambiental. Com o presente relato de caso concluiu que a ozonioterapia foi de grande importância na recuperação do paciente, e concluímos que a utilização da técnica de insuflação retal do gás de ozônio com seu efeito imunomodulador e ativação do sistema imunológico, e a aplicação subcutânea com efeito sistêmico e tópico, e a aplicação do óleo de girassol ozonizado através da oxidação direta de microrganismos e regeneração tecidual juntamente com o tratamento clínico se mostrou muito eficaz no tratamento da esporotricose felina. A ozonioterapia é um método de tratamento complementar que vem crescendo na medicina veterinária por ter propriedades analgésicas, anti-inflamatórias, bactericida, fungicida, imunomoduladora, vem trazendo muitos benefícios para os animais juntamente com o tratamento convencional.
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Tratamento de dermatite atópica através da ozonioterapia - relato de caso Treatment of atopic dermatitis through ozone therapy - case report Maíra Delfalque Lopes 1*; Tiago Gonçalves do Santos 2; Matheus Ferreira de Almeida 2 1 Pós-graduada em Fisiatria: Instituto Bioethicus, Botucatu, São Paulo – Brasil. Formação em Ozonioterapia. Profissional autônomo. 2 Graduando em Medicina Veterinária: Departamento de Medicina Veterinária (ZMV), Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA-USP), Pirassununga, São Paulo – Brasil
*Autor para correspondência: mairamedicaveterinaria@hotmail.com. RESUMO Canino de 11 anos, labrador, macho, castrado, foi atendido em julho de 2018 com histórico de prurido intenso, alopecia periocular e lesões na região da cabeça. Os tutores relataram a presença de prurido desde as primeiras semanas de vida do animal, que evoluiu para lesões cutâneas em poucos meses. O animal passou por consulta com diversos médicos veterinários, incluindo dermatologistas e foi tratado com vários protocolos alopáticos diferentes, como o uso de corticosteroides, que não se demonstraram efetivos. Também foi tratado com fitotera22
pia chinesa, mas não houve melhora clínica. Os tutores se mostravam totalmente desacreditados em qualquer tratamento, por já terem tentado diversas alternativas e não observarem nenhum sucesso nas condutas anteriores. Palavras-chave: ozonioterapia, dermatite atópica, terapia integrativa. ABSTRACT An 11-year-old canine, male, neutered Labrador was seen in July 2018 with a history of severe itching, periocular alopecia and head injuries. The tutors reported the presence of pruritus since the first weeks of the animal's life, which evolved to skin lesions in a few months. The animal underwent consultation with several veterinarians, including dermatologists and was treated with several different allopathic protocols, such as the use of corticosteroids, which have not been shown to be effective. He was also treated with Chinese herbal medicine, but there was no clinical improvement. The tutors were totally discredited in any treatment, as they had already tried several alternatives and had not observed any success in previous behaviors. Keywords: ozone therapy, atopic dermatitis, integrative therapy. HISTÓRICO Canino de 11 anos, labrador, macho, castrado, foi aten23
dido em julho de 2018 com histórico de prurido intenso, alopecia periocular e lesões na região da cabeça. Os tutores relataram a presença de prurido desde as primeiras semanas de vida do animal, que evoluiu para lesões cutâneas em poucos meses. O animal passou por consulta com diversos médicos veterinários, incluindo dermatologistas e foi tratado com vários protocolos alopáticos diferentes, como o uso de corticosteroides, que não se demonstraram efetivos. Também foi tratado com fitoterapia chinesa, mas não houve melhora clínica. Os tutores se mostravam totalmente desacreditados em qualquer tratamento, por já terem tentado diversas alternativas e não observarem nenhum sucesso nas condutas anteriores. EXAME FÍSICO E DIAGNÓSTICO Durante o exame físico foi possível observar prurido, alopecia e eczema, comprometendo principalmente a região periocular, o paciente também apresentava bastante sensibilidade e dor nas lesões cutâneas. Os demais parâmetros e sistemas não apresentaram alterações. Foi então realizado biópsia de pele, assim chegando ao diagnóstico de dermatite atópica. TRATAMENTO E EVOLUÇÃO Após o animal não apresentar melhora do quadro clínico apenas com o tratamento alopático iniciou-se o tratamento com ozonioterapia, sendo administrado duas vezes 24
por semana. A terapia envolveu três formas diferentes de aplicação, sendo o gás ozônio obtido através de um gerador de ozônio medicinal (Modelo O&L Portátil – Ozone & Life): - insuflação retal: insuflado 80 mL em concentração de 15 µg/mL em fluxo de 1 L/min (tratamento sistêmico); - injetável local: infiltração do ozônio nas lesões, por via subcutânea, com um volume de 1 a 3 mL, em concentração de 8 µg/mL em fluxo de 1 L/min; - tópico: foi aplicado óleo de girassol ozonizado nas feridas 3 vezes ao dia, a fim de obter um efeito direto do ozônio.
Figura 1: Evolução do tratamento da dermatite atópica com a ozonioterapia 25
Na segunda sessão foi observado a diminuição do edema e eritema das lesões cutâneas. Após a terceira sessão foi possível notar evolução no quadro dermatológico, com melhora evidente nas feridas e os tutores relataram que o paciente já não apresentava mais sinais de prurido. Depois de um mês de tratamento, devido a melhora dos sinais clínicos, o animal passou a receber ozonioterapia apenas 1 vez por semana, ao decorrer do tratamento a melhora foi evidente, pois as feridas estavam cicatrizadas e os pelos estavam voltando a crescer nas áreas alopécicas e os tutores se demonstraram satisfeitos. Por se tratar de uma doença de etiologia hereditária, o animal necessita manter o tratamento contínuo de ozonioterapia a cada 15 dias. Porém, continua clinicamente estável e sem sinais clínicos apresentados antes do tratamento com ozonioterapia. CONCLUSÃO O uso de terapias integrativas, como a ozonioterapia, vêm ganhando cada vez mais espaço e apresentando resultados que agradam tutores e médicos veterinários, sendo uma alternativa viável de tratamento em diversos quadros clínicos, como o do caso relatado em que a ozonioterapia se demonstrou eficiente no tratamento de dermatite atópica e pode ser uma maneira efetiva de contornar casos clínicos progressivos, demonstrando que a ozonioterapia é uma alternativa viável e efetiva no leque de possibilidades da rotina clínica. 26
Ozonioterapia como tratamento de suporte em cão com parvovirose canina relato de caso Ozone therapy as support treatment in dog with canine parvovirus - case report Tiago Gonçalves do Santos 1*; Matheus Ferreira de Almeida 1; Rodrigo Ferreira Scassiotti 2; Jéssica Rodrigues Orlandin 3; Carlos Eduardo Ambrósio 4 1 Graduando em Medicina Veterinária: Departamento de Medicina Veterinária (ZMV), Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA-USP), Pirassununga, São Paulo – Brasil 2 Mestrando em Biociência Animal: Departamento de Medicina Veterinária (ZMV), Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA-USP), Pirassununga, São Paulo - Brasil 3 Doutorando em Biociência Animal: Departamento de Medicina Veterinária (ZMV), Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA-USP), Pirassununga, São Paulo - Brasil 4 Professor Titular do Departamento de Medicina Veterinária (ZMV), Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA-USP), Pirassununga, São Paulo – Brasil
* Autor para correspondência: tiagosbo@usp.br RESUMO Foi atendido em fevereiro de 2020 paciente canino, fêmea, idade estimada de 60 dias, sem raça definida. O animal apresentava diarreia intensa, falta de apetite, adipsia, 27
prostração e apatia. Havia sido realizado vermifugação recente e estava recebendo tratamento suporte com fluidoterapia, antibioticoterapia e antitóxico injetável. Após 4 dias de tratamento o animal não apresentava melhora clínica, com agravamento da prostração e da leucopenia, com desvio a esquerda por neutropenia e monocitose. Após ser diagnosticado com parvovirose através do kit rápido e sinais clínicos, foi então tratado com uma única aplicação de ringer lactato ozonizado, apresentando melhora clínica logo após a aplicação da ozonioterapia, e o animal apresentou melhora de todos os sintomas clínicos, apresentando fezes firmes após 48h do tratamento. Demonstrando assim o potencial efeito da ozonioterapia em doenças infecciosas, como a parvovirose canina, onde o animal não apresenta resposta satisfatória ao tratamento alopático. Palavras-chave: ozonioterapia, parvovirose canina, terapia integrativa. ABSTRACT Was consulted in February 2020, a canine female patient, estimated age of 60 days, mixed breed. The animal had severe diarrhea, lack of appetite, adipsia, prostration and apathy. Recent deworming has been carried out and was receiving supportive treatment with fluid therapy, antibiotic therapy and injectable anti toxic. After 4 days of treatment, the animal did not show clinical improvement, with 28
worsening of prostration and leukopenia, with deviation to the left by neutropenia and monocytosis. After being diagnosed with parvovirus using the quick kit and clinical signs, then, she was treated with a single application of ozonated ringer lactate, showing clinical improvement soon after the application of ozone therapy, and the animal presented improvement in all clinical symptoms, showing firm stools after 48h of treatment. Thus, demonstrating the potential effect of ozone therapy on infectious diseases, such as canine parvovirus, where the animal does not present a satisfactory response to allopathic treatment. Keywords: ozone therapy, canine parvovirus, integrative therapy HISTÓRICO Foi atendido em fevereiro de 2020 paciente canino, fêmea, idade estimada de 60 dias, sem raça definida, peso corporal de 2.1 kg, resgatado em situação de abandono pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Conchal – SP; residia com concomitantes com parvovirose canina. O animal apresentava diarreia intensa, falta de apetite, adipsia, prostração e apatia. Havia sido realizado vermifugação recente com Praziquantel, Pamoato de Pirantel e Febantel, e estava recebendo tratamento suporte com fluidoterapia, antibioticoterapia e antitóxico injetável. Após 4 dias de tratamento o animal não apresentava melhora clí29
nica, com agravamento da prostração e da leucopenia, com desvio a esquerda por neutropenia e monocitose. ACHADOS EM EXAME FÍSICO E DIAGNÓSTICO No exame físico observou-se sensibilidade abdominal a palpação, desidratação elevada e mucosas hipocoradas, além de hipoglicemia. Devido ao histórico e sinais clínicos foi realizado o teste para Parvovirose canina através do kit rápido SensPERT Parvovirose, confirmando o diagnóstico. O hemograma evidenciou anemia e leucopenia com desvio a esquerda por neutropenia e linfopenia, compatível com infecção viral. TRATAMENTO E EVOLUÇÃO A ozonioterapia foi realizada uma única vez através de fluidoterapia, na qual uma bolsa de Ringer com Lactato de 500ml foi acoplada ao gerador de ozônio medicinal por meio de uma mangueira de silicone esterilizada, e então a solução foi ozonizada por 5 minutos a uma concentração de 41µg/mL em fluxo de 0,125 L/min. Logo após a ozonização, essa solução foi administrada em aproximadamente 45 minutos, por via endovenosa (veia cefálica) no animal, de maneira a realizar um tratamento de forma sistêmica. Foi observada melhora da apatia, prostração e da falta de apetite poucas horas após a aplicação da ozonioterapia, de modo que o animal voltou a brincar, comer e 30
beber água. Após 24 horas, as fezes passaram de líquidas para pastosas; após 48 horas não houve quadros de diarreia e as fezes se apresentavam firmes. O animal não apresentou sensibilidade abdominal, o teor glicêmico se manteve dentro dos parâmetros normais e foi observado melhora clínica parcial em relação ao hemograma, apresentando resposta ao quadro de leucopenia, porém com reduzida resposta ao quadro anêmico. Mesmo sem sinais clínicos de parvovirose, o animal continuou recebendo o tratamento de suporte por mais 4 dias, sem ozonioterapia, a fim de finalizar o protocolo de antibioticoterapia e consequentemente diminuir os riscos de infecções secundárias, que consistiu em: - fluidoterapia: solução fisiológica de Ringer com Lactato 500 mL em infusão lenta para a manutenção da hidratação; - antibioticoterapia: inicialmente com Sulfametoxazol + Trimetropina (2-10 ml/animal, SC) associado a Ceftriaxona (25-50 mg/kg EV lenta, SID); - antitóxico injetável (2-10 ml/animal, EV, SC); - antiemético: Metoclopramida (0,2-1,0 mg/kg/q 12h/ SC); - suplementação vitamínica (B1, B12, C e K) associada a fluidoterapia. Outros fármacos de uso pontual: Dexametasona (0,251,0 mg/kg/animal/q 24h/ EV), Omeprazol (0,5-1,0 mg/kg/q 24h/ VO), Dipirona (até 25 mg/kg/q 8h/ SC). 31
Figura 1: A) Início do tratamento. B) 18 dias de tratamento C) 60 dias de tratamento
24 horas após a ozonioterapia o animal apresentava 2.4 kg de peso corporal, sendo adotada após 18 dias de tratamento com 4.5kg e sem nenhuma sintomatologia de parvovirose, retornando após 2 meses com 11kg completamente hígida. 32
CONCLUSÃO O uso de terapias integrativas de baixo custo, como a ozonioterapia, concomitante ao tratamento de suporte, demonstrou-se efetivo para o tratamento de parvovirose canina, principalmente em casos onde não há melhora do quadro clínico apenas com tratamento alopático, atestando o potencial desta terapia em animais acometidos pela parvovirose canina
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Ozonioterapia no tratamento de otite média bilateral em felino nefrectomizado com hipercalcemia idiopática felina relato de caso Ozone therapy in the treatment of bilateral medium otitis in feline nephrectomized with feline idiopathic hypercalcemia - case report Mariana Orofino Pires 1*; Marcele Bauth de Oliveira 2, Diana Fernandes Pereira Rosa 3 1- Acadêmica de Medicina Veterinária UNISUL Tubarão, SC e Pósgraduanda em Reabilitação Animal, IBRAVET, São Paulo, SP 2- MSc. Médica Veterinária, Consultório Yintang Medicina Veterinária Integrativa e Sistêmica, Florianópolis, Santa Catarina 3- Médica Veterinária, Doctor Pet, Florianópolis, Santa Catarina
* Autor para correspondência: marianapiresvet@gmail.com RESUMO Foi atendido em clínica veterinária particular na cidade de Florianópolis, SC, gato exótico, macho, de temperamento dócil, castrado, cinco anos, pesando um quilo. Apresentando como queixa principal de perda de equilíbrio e divergência no tamanho das pupilas, além disso, 34
histórico de doença renal crônica, nefrectomia de rim esquerdo e diagnóstico de hipercalcemia idiopática felina, recebendo medicação de uso contínuo (aledronato de sódio 30 mg) uma vez na semana, além de fluidoterapia semanal. O animal foi diagnosticado por meio de exame complementar de ressonância magnética craniana, indicando presença de conteúdo líquido em ambas as orelhas, sugerindo em laudo provável otite média bilateral. Como tratamento, devido ao animal ser nefrectomizado, optouse por associar a ozonioterapia, considerando a sobrecarga renal via medicamentos, visto que o protocolo alopático é prolongado, com quarenta e cinco dias de antibioticoterapia. Palavras-chave: otite média, ozonioterapia, ozônio, felino, veterinária ABSTRACT He was treated at a private veterinary clinic in the city of Florianópolis, SC, an exotic, male cat, docile in temperament, neutered, five years old, weighing a kilo. Presenting as the main complaint of loss of balance and divergence in the size of the pupils, in addition, history of chronic kidney disease, nephrectomy of the left kidney and diagnosis of feline idiopathic hypercalcemia, receiving medication for continuous use (sodium aledronate 30 mg) once in week, in addition to weekly fluid therapy. The animal was diagnosed by means of a complementary 35
examination of cranial magnetic resonance imaging, indicating the presence of liquid content in both ears, suggesting in a probable report bilateral otitis media. As a treatment, due to the animal being nephrectomized, it was decided to associate ozone therapy, considering renal overload via drugs, since the allopathic protocol is prolonged, with forty-five days of antibiotic therapy. Keywords: otitis media, ozone therapy, ozone, feline, veterinary HISTÓRICO Foi atendido em clínica veterinária particular na cidade de Florianópolis, SC, gato exótico, macho, de temperamento dócil, castrado, cinco anos, pesando um quilo. Apresentando como queixa principal de perda de equilíbrio e divergência no tamanho das pupilas, além disso, histórico de doença renal crônica, nefrectomia de rim esquerdo e diagnóstico de hipercalcemia idiopática felina, recebendo medicação de uso contínuo (aledronato de sódio 30 mg) uma vez na semana, além de fluidoterapia semanal. EXAME FÍSICO Foi observado pela tutora, que por sua vez é a médica veterinária do animal, uma alteração de equilíbrio como sinal neurológico, seguido de anisocoria. O animal foi então encaminhado para exame de radiografia de crânio, 36
onde não foram encontradas alterações, o que também ocorreu com os resultados de hemograma. Com isso buscou-se a avaliação de um médico veterinário neurologista, que encaminhou o animal para um exame de ressonância magnética do crânio, onde foi possível diagnosticar o quadro de otite média. DIAGNÓSTICO O diagnóstico foi confirmado por meio de exame complementar de ressonância magnética craniana, indicando presença de conteúdo líquido em ambas as orelhas, sugerindo em laudo provável otite média bilateral. TRATAMENTO E EVOLUÇÃO Foi instituído o tratamento padrão para o diagnóstico administrado anti-inflamatório (corticoide) e antibiótico marbofloxacina por quarenta e cinco dias. Porém, uma vez que o animal é nefrectomizado, optou-se por associar a ozonioterapia, considerando a sobrecarga renal via medicamentos, visto que o protocolo alopático é prolongado, com quarenta e cinco dias de antibioticoterapia. Para tanto, a ozonioterapia foi instituída objetivando a prevenção de dano renal. Optou-se por administrar por via subcutânea (SC) o volume de 100 mL de ringer lactato ozonizado em concentração de 25 mcg, borbulhamento durante cinco minutos, em frequência semanal, exceto nos dias onde o mesmo protocolo de fluído foi feito via 37
intra-venosa (IV) com frequência mensal; por via retal (VR) iniciou-se com concentração de 10 mcg, com aumento gradativo até 25 mcg volume de 3 ml/kg. A aplicação do gás ozônio por via local foi feita utilizando estetoscópio posicionado em ambos os ouvidos, na concentração de inicial de 16 até 25 mcg durante 3 a 5 minutos. Além da evolução positiva do quadro de otite foi constatado outras melhoras de perfil bioquímico que por sua vez não estavam sendo esperadas em virtude dos medicamentos necessários. Verificou-se redução nos índices de cálcio, antes em 14,71 mg/dL, passando para 11,8 mg/dL; cálcio iônico antes em 2,09 mmol/L, passando para 1,73 mmol/L; uréia antes em 61mg/dL, passando para 51 mg/dL e creatinina antes em 2,27 mg/dL, passando para 1,65 mg/dL, com quatro meses de tratamento, diminuindo também as doses do tratamento alopático do aledronato. Devido a isso, mesmo com otite curada as sessões de ozonioterapia passaram a ser quinzenais e depois mensais, não houve recidiva de quadro de otite. O paciente seguiu estável, recebendo de forma esporádica sessões de fluido ozonizado com objetivo de manter o perfil bioquímico durante aproximadamente três meses. Atualmente, após 8 meses de alta total, o paciente segue estável no quadro geral. O aparelho gerador de ozônio utilizado foi da marca Ozone & Life®, modelo O&L 3.0 RM.
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CONCLUSÃO O paciente progrediu de forma satisfatória na evolução clínica de otite média, revertendo o quadro de anisocoria e otite média bilateral, também foi possível redução de medicação e tempo de tratamento ao associar a ozonioterapia ao protocolo de tratamento padrão. Além disso, foram verificadas melhoras clínicas e bioquímicas de doença pregressa concomitante com a otite (hipercalcemia / nefrectomia). As melhoras foram sólidas mesmo a longo prazo.
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Estudo comparativo da dosagem de proteína obtida através do Sensiprot® e da tira-teste na urina de cães e gatos Comparative study from dosage obtained through of sensiprot® and test strip in dogs and cats urine Bruna Fernanda Lima de Souza 1*; Mariana Ferreira Rossi 2 ; Viviane Marques Guyoti 3; Julia Codo Aruk 4 ; Aline Machado de Zoppa 5 1 Aluno do curso de Medicina Veterinária da Universidade Anhembi Morumbi - Jundiaí/ São Paulo/Brasil. 2 Aluno do curso de Medicina Veterinária da Universidade Anhembi Morumbi – São Paulo – Brasil. 3 Professor esp. de Patologia Clínica da Universidade Anhembi Morumbi e orientador do projeto – São Paulo – Brasil. 4 Médico Veterinário esp. em Patologia Clínica – São Paulo – Brasil. 5 Coordenadora Clínica do Hospital Veterinário Anhembi Morumbi – São Paulo – Brasil.
*Autor para correspondência: brunaf_limasouza@hotmail.com RESUMO A proteinúria é a presença de qualquer tipo de proteína na urina que exceda o limiar renal. Ela pode ser de origem pré-renal, renal ou pós-renal e quando detectada, é importante avaliar sua origem, visando estabelecer um diagnós40
tico adequado. As tiras reagentes de avaliação química produzem apenas resultados semiquantitativos de proteinúria, não determinando sua causa. Porém, análise da proteinúria pode informar com mais sensibilidade a gravidade das lesões renais e/ou a progressão da doença quando identificada nos intervalos de referência das tiras reagentes como forma de triagem e, também, solicitado dosagem Bioquímica da proteinúria pelo reagente Sensiprot®. Palavras-chave: proteinúria; Sensiprot®; urinálise; veterinária. ABSTRACT Proteinuria is the presence of any type of protein in the urine that exceeds the renal threshold. It can be of prerenal, renal or post-renal origin and when detected, it is important to evaluate its origin, in order to establish an adequate diagnosis. The chemical evaluation reagent strips produce only semi-quantitative results of proteinuria, not determining its cause. However, analysis of proteinuria can more sensitively inform the severity of kidney injuries and / or the progression of the disease when identified in the reference intervals of the reagent strips as a form of screening and also requested Biochemical dosage of proteinuria by the Sensiprot® reagent. Keywords: proteinúria; Sensiprot®; urinalysis; veterinary. INTRODUÇÃO 41
A urinálise é a avaliação laboratorial da urina feita de forma simples, não invasiva com baixo custo que pode revelar muitos dados sobre o estado do paciente. Ela abrange o exame macroscópico, físico-químico e, também, o microscópio na análise do sedimento da urina (DALMOLIN, 2011). A proteinúria é a presença de qualquer tipo de proteína na urina desde que essa exceda o limiar renal. Ela pode ser de origem pré-renal, renal ou pós renal e quando detectada, é importante avaliar sua origem, visando estabelecer um diagnóstico adequado (GREGORY, 2003; LESS et al., 2005; GRAUER, 2011). Estudos têm demonstrado que a excreção diária normal de proteína na urina de cães e gatos é de, no máximo, 1030mg/kg (GRAUER, 2007). As tiras reagentes de avaliação química produzem apenas resultados semiquantitativos de proteinúria, não determinando sua origem (DALMOLIN, 2011). Além disso, elas detectam apenas concentrações proteicas entre 30 e 500 mg/dL, divididas em categorias muitas vezes atribuídas como cruzes (+) de acordo com o intervalo na quantidade de proteinúria. (MEYER & HARVEY, 1998; SCOTT & STOCKHAM, 2002; BARSANTI et al., 2004). A relação PU:CU (proteína urinária/creatinina urinária) é obtida dividindo-se a concentração de proteína pela de creatinina numa amostra de urina. A concentração urinária de creatinina é proporcional à concentração total de 42
soluto na urina. Logo, quando a taxa de creatinina excretada na urina é comparada com a quantidade de proteína urinária através da PU:CU, a quantidade de proteína perdida pode ser quantificada, eliminando-se a interferência do volume de urina (FINCO 1995, BRUNKER 2005). Uma única amostra já é considerada efetiva para a determinação da relação PU:CU, possuindo alta correlação com a análise da urina produzida pelo animal em 24 horas. Porém, é necessário que a proteína total e a creatinina sejam mensuradas de uma mesma amostra (CHRISTOPHER, 2003; GREGORY, 2003). O objetivo dessa avaliação é obter uma análise comparativa entre a avaliação da proteinúria dosada na Bioquímica pelo reagente Sensiprot® em relação à proteinúria identificada nos intervalos de referência das tiras reagentes e saber se é possível aproximar a magnitude de eliminação de proteína pela urina de forma correlacionada entre as duas técnicas, detectando assim com maior acurácia a gravidade das lesões renais, em resposta ao tratamento ou a progressão da doença (GREGORY, 2003). OBJETIVO Realizar a comparação da proteinúria identificada na fita reagente com a dosada por meio da Bioquímica Sensiprot®, em cães e gatos atendidos no Hospital Veterinário Anhembi Morumbi, a fim de relatar a confiabilidade na relação entre as duas técnicas utilizadas. 43
MATERIAIS E MÉTODOS Foi feito um estudo retrospectivo por meio da análise de dados obtidos através de atendimentos realizados no HOVET da Universidade Anhembi Morumbi, em cães e gatos de ambos os sexos, diversas raças e faixa etária, que solicitaram urinálise juntamente a dosagem bioquímica de proteína na urina (Sensiprot®), dentro agosto de 2018 a setembro de 2019. A finalidade deste estudo foi continuar a comparação dos resultados obtidos da avaliação urinária dos pacientes e se possível, demonstrar o grau de competência para presença da proteína na fita reagente estabelecendo um padrão com a proteinúria dosada no Sensiprot®. Esperava-se a correspondência nas variações obtidas entre os intervalos de referência da fita reagente e nas dosagens bioquímicas de animais com proteinúria. Após a coleta desses dados, foi feita a análise e correlação dos mesmos e assim a parte descritiva, que serão apresentadas, em um segundo momento, por meio de representações gráficas e tabelas, para facilitar a visualização das possíveis influências que levam ou não, à confiabilidade na análise físico-química da proteinúria. Os resultados foram divididos e analisados de acordo com a espécie, cães (73 animais), e gatos (27 animais). Posteriormente, foi realizada a divisão em subgrupos, por animais que apresentaram proteinúria negativa na tira44
teste, aqueles que apresentaram uma cruz de proteína na tira-teste (30 mg/dl), duas cruzes de proteína na tira-teste (100mg/dl), e por fim, três cruzes de proteína na tira-teste (500mg/dl). RESULTADOS No grupo dos cães, pode-se observar que animais com proteína negativa na tira teste, apresentaram uma média de 17,3 no Sensiprot®, enquanto aqueles com uma cruz de proteína obtiveram média igual a 54,2, já os animais com três cruzes de proteína, mostraram uma média de 157,4 no Sensiprot®. No grupo dos felinos, foi possível observar que animais com proteína negativa na tira-teste, demonstraram uma média de 14,3 de proteína no Sensiprot®; já animais com uma cruz de proteína na tira-teste, obtiveram 54 de média de proteína no Sensiprot®; o subgrupo com duas cruzes de proteína obteve 113 de média no Sensiprot®; enquanto que os animais com três cruzes de proteína na tira-teste obtiveram média de 150 no Sensiprot®. DISCUSSÃO E CONCLUSÃO Foi possível observar que as médias obtidas no Sensiprot® para cães e gatos, nos grupos “Proteína negativa e Proteína +”, não variaram muito, seguindo um mesmo parâmetro. Já no grupo “Proteína ++”, foi onde se apresentou a maior diferença (quase 11 pontos), deixando os 45
cães com uma média bem superior à dos felinos. E por fim no grupo “Proteína +++” também houve uma variação, porém não tão significativa quanto no anterior (cerca de 7,4 pontos). Se comparada à pesquisa anterior “Estudo comparativo da relação PU:CU com a dosagem de proteína obtida através da tira teste na urinálise de cães e gatos”, este presente estudo pôde realizar uma nova relação com um parâmetro mais fidedigno. Após a verificação da dosagem de proteína da tira-teste com a PU:CU, buscou-se estabelecer um parâmetro comparativo entre os dados, porém, a PU:CU se trata de uma relação (proteína:creatinina), e por conta desse fator, não foi possível se obter uma correlação adequada. Dessa forma, neste estudo mais atual, buscou-se estabelecer uma correspondência entre a proteína da tira teste e a proteína dosada no Sensiprot®, o mesmo aparelho que realiza a dosagem de PU:CU, mas, dessa vez sem a influência da creatinina nessa avaliação, assim acredita-se que os resultados foram mais assertivos. A análise dos dados obtidos, mostrou que houve uma diferença entre as duas espécies, sendo ela por vezes pequena, e em outros momentos mais significativa. De qualquer modo, no grupo dos cães o valor de proteína dosada no Sensiprot®, foi sempre superior quando comparado ao dos felinos. Isso pode significar que talvez, o exame detecte níveis menores de proteína em gatos, en46
quanto em cães, a proteína só é apontada se estiver em níveis mais altos. Ao mesmo tempo, deve-se levar em consideração que na pesquisa foram analisados dados de 100 animais, dos quais 73 eram cães e apenas 27 gatos, portanto, mesmo tendo trabalhado com a média de proteína, esse número ainda pode sofrer influência pela diferença entre o número de espécies. Figura 1: Tira reagente Foi possível demonsCombur Test M indicando trar por meio desse espresença de proteína na tudo, que o método de urina. Fonte: Ana Paula dosagem de proteína na Fontes, Universidade urina feito pelo SensiAnhembi Morumbi 2019 prot® é tão sensível quanto o esperado, e que a dosagem obtida na tira teste pode não ser de todo confiável, por isso deve ser acompanhada de outros exames mais específicos caso seja necessário saber a quantidade de proteína ali contida. Isso se 47
dá, justamente porque a tira teste só reage a valores proteicos altos, além disso seu uso é padronizado para seres humanos, sendo utilizada na veterinária de forma adaptada. Uma outra maneira de se obter resultados ainda mais específicos, seria realizar novos estudos aumentando o número de casos explorados, para que dessa forma, possa se estabelecer uma base maior de comparação. Como evidenciado neste estudo e, segundo outros autores, uma pequena quantidade de proteína pode ser considerada normal na urina, mas o resultado da tira reagente deve ser interpretado juntamente com a densidade urinária, pois está relacionado com a concentração da urina (DALMOLIN, 2011). Quando há um aumento marcante na glicose ou proteína na urina, a densidade pode estar aumentada, e isto pode conduzir a uma interpretação de que o paciente possui uma habilidade de concentração urinária melhor do que realmente tem. A densidade é um teste muito útil para a avaliação da capacidade de dilui48
ção e concentração renal, pois a perda da habilidade de concentração costuma ser o primeiro sinal de doença tubular renal (DALMOLIN, 2011). Além disso a tira teste detecta principalmente albumina, produzindo resultados semiquantitativos e não trazendo informações fidedignas para diagnóstico e prognóstico da proteinúria apenas usando a fita de urina. O teste apresenta resultados falso-positivos em diversas situações. Resultados falso-negativos também podem ocorrer quando a urina for muito diluída ou quando a proteinúria não for constituída por albumina. Por isso, é importante a realização de um teste alternativo, que não a albumina, para o diagnóstico de proteinúria (MORALES, 2000). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARSANTI, J. A.; LEES, G. E.; WILLARD, M. D.; GREEN, R. A. Urinary disorders. In: WILLARD, M. D.; TVEDTEN, H. Small animal clinical diagnosis by laboratory methods. 4 ed. Missouri: Saunders, 2004. p. 135-164. BRUNKER J. 2005. Protein losing nephropaty. Comp. Cont. Educ. Pract. Vet. 27:686-695. CHRISTOPHER, M. M. Urinalysis and urine sediment. In: Proceedings of the 28th World Small Animal Veterinary Association Congress, 2003, Tailândia. DALMOLIN, L. MAGNUS. A urinálise no diagnóstico de doenças renais. Disponível em <https://ufrgs.br/lacvet/restrito/pdf/magnus_urinalise.pdf> Acesso em 20 Jul 2019.
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FINCO D. 1995. Urinary protein loss, p.211-215. In: Osborne C.A. & Finco D.R. (Eds) Canine and Feline Nephrology and Urology. Lea and Febiger, Baltimore. 960p. GRAUER G.F. 2007. Measurement, interpretation, and implications of proteinuria and albuminuria. Vet. Clin. North Am., Small Anim. Pract. 37:283-295 GRAUER, G. F. Introduction: Proteinuric renal disease. Topics in Companion Animal Medicine, v. 26, n. 3, p. 119-120, 2011 GREGORY, C. R. Urinary system. In: LATIMER, K. S.; MAHAFFEY, E. A.; PRASSE, K. W. Veterinary laboratory medicine: clinical patology. Philadelphia: Blackwell Publishing Company, cap.9, 2003. p.231-257 LEES, G. E.; BROWN, S. A.; ELLOITT, J. GRAUER, G. E.; VADEN, S. L. Assessment and management of proteinuria in dogs and cats: 2004 ACVIM Forum Consensus Statement (Small Animal). Journal of Veterinary Internal Medicine, Lawrence, v. 19, n. 3, p. 377-385, 2005 MEYER, D. J.; HARVEY, J. W. Assessment of renal function, urinalysis, and water balance. In: Veterinary laboratory medicine: interpretation and diagnosis. 2.ed. Philadelphia: W.B. Saunders Company, 1998. p. 221-235 SCOTT, M. A.; STOCKHAM, S. L. Urinary system. In: Fundamentals of veterinary clinical pathology. Iowoa: Iowoa State Press, 2002. p. 277-336 MORALES, J.V.; GARCEZ, J.; WEBER, R.; KLAMT, C.; BARROS, E. Proteinúria: avaliação clínica e laboratorial. Revista HCPA, 2000. p. 264- 274.
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Perfil de susceptibilidade antimicrobiana de micro-organismos associados à mastite bovina no Estado do Paraná, frente a composições contendo óleo ozonizado Antimicrobial susceptibility profile of micro-organisms associated with bovine mastite in the state of Paraná, in front of compositions containing ozonated oil Eduardo Carazzai Budel1, Ana Paula Capistrano dos Santos2, Mariana Selhorst Broca3 1-O3 Vet ozonioterapia veterinária, Médico-veterinário e_budel@hotmail.com 2-Graduanda de medicina veterinária no Centro Universitário Autônomo do Brasil – UniBrasil. 3-Graduanda de medicina veterinária no Centro Universitário Autônomo do Brasil – UniBrasil.
RESUMO Mastite ou mamite é a inflamação da glândula mamária, cujas principais causas são os microrganismos, tais como bactérias (considerados os agentes mais importantes), fungos, leveduras e algas. Essa resposta inflamatória da glândula mamária tem por objetivos a eliminação do 51
microrganismo causador, a neutralização de toxinas e regeneração dos tecidos danificados. A cultura microbiológica do leite pode ser usada para determinar a prevalência de infecção do rebanho. Naqueles com alto nível de infecção por agentes contagiosos, a prevalência de mastite com base nos resultados de cultura tem boa representatividade. A identificação de um microrganismo envolve a cultura de uma colônia, junto com as características morfológicas Dentre os tratamentos propostos, podemos encontrar na literatura relatos de casos utilizando a ozonioterapia com bons resultados no tratamento complementar para mastite O objetivo deste experimento, visou verificar a sensibilidade in vitro das principais cepas causadores de mastite no rebanho leiteiro da região de castro e metropolitana de Curitiba, através de testes de difusão em discos inoculados com 4 diferentes composições contendo óleo de girassol ozonizado. Palavras-chave: óleo ozonizado, mastite bovina, resistência bacteriana ABSTRACT Mastitis or mamitis is inflammation of the mammary gland, whose main causes are microorganisms, such as bacteria (considered the most important agents), fungi, yeasts and algae. This inflammatory response of the mammary gland 52
aims to eliminate the microorganism that causes it, neutralize toxins and regenerate damaged tissues. Microbiological culture of milk can be used to determine the prevalence of infection in the herd. In those with a high level of infection by contagious agents, the prevalence of mastitis based on culture results is well represented. The identification of a microorganism involves the culture of a colony, along with the morphological characteristics Among the proposed treatments, we can find in the literature case reports using ozone therapy with good results in the complementary treatment for mastitis The objective of this experiment was to verify the in vitro sensitivity of the main strains that cause mastitis in the dairy herd in the castro and metropolitan region of Curitiba, through diffusion tests on discs inoculated with 4 different compositions containing ozonized sunflower oil. Keywords: ozonated oil, bovine mastitis, bacterial resistance INTRODUÇÃO A mastite bovina é uma das principais enfermidades que acometem os rebanhos leiteiros, sendo considerada um dos maiores empecilhos à sua exploração lucrativa. As maiores perdas causadas pela mastite são devido à diminuição na produção de leite, depreciação na qualidade nutritiva, custo de tratamento, custo de atendimento veterinário e laboratorial e perdas no potencial genético (DOBBINS, 1977). 53
Mastite ou mamite é a inflamação da glândula mamária, cujas principais causas são os microrganismos, tais como bactérias (considerados os agentes mais importantes), fungos, leveduras e algas. Essa resposta inflamatória da glândula mamária tem por objetivos a eliminação do microrganismo causador, a neutralização de toxinas e regeneração dos tecidos danificados. (NATIONAL MASTITIS COUNCIL. Acesso em: https://www.nmconline.org/) A cultura microbiológica do leite pode ser usada para determinar a prevalência de infecção do rebanho. Naqueles com alto nível de infecção por agentes contagiosos, a prevalência de mastite com base nos resultados de cultura tem boa representatividade. A identificação de um microrganismo envolve a cultura de uma colônia, junto com as características morfológicas. (QUINN, P.J., CARTER, M.E., MARKEY, B., CARTER, G.R. Clinical Veterinary Microbiology. WOLFE, 1994, 648p.) Diversos micro-organismos têm sido isolados e identificados com causadores de mastite no rebanho leiteiro do estado do Paraná. Segundo análise anual das amostras recebidas no ano de 2019 pelo laboratório LABVET, na região da bacia leiteira de Castro, foram encontradas espécies resistentes a utilização de antimicrobianos. Dentre elas podemos citar as bactérias do gênero Staphilococcus e Streptococcus, sendo Staphilococcus aureus o mais prevalente entre as bactérias, assim como outros patógenos emergentes como Klebsiella sp., Pseudomonas sp. e algas do gênero 54
Prototheca sp. que também chamam a atenção pelo difícil controle e pelo crescente número de casos. Filippsen et al, em publicação de 1999 concluiu: “As três cepas de Prototheca zopfii isoladas, neste trabalho, mostraram-se resistentes a todos os antimicrobianos testados in vitro. Como este micro-organismo não responde a terapias de rotina, é recomendado, como melhor método de controle da doença, a eliminação dos animais infectados” Recentemente, Kurosawa et al, em estudo semelhante realizado com a bactéria Staphilococcus aureus, determinou o seu perfil de sensibilidade a antimicrobianos “A penicilina apresentou maior porcentagem de amostras resistentes (34,48%), seguido por oxacilina (20,69%) e eritromicina (17,24%). Observou-se maior sensibilidade aos seguintes antimicrobianos: gentamicina (96,55%) e a tetraciclina (82,76%).”. Diante das implicações impostas e os prejuízos causados pela doença, diversas pesquisas têm sido realizadas com intuito de encontrar alternativas eficazes, seguras e de boa relação custo x benefício para o tratamento da mastite bovina e principalmente protocolos cuja utilização não induzam a resistência bacteriana. Dentre os tratamentos propostos, podemos encontrar na literatura relatos de casos utilizando a ozonioterapia com bons resultados no tratamento complementar para mastite. Em revisão de literatura realizada no ano de 2003, Pereira et al descreveu os resultados obtidos por diversos trabalhos 55
utilizando diretamente o gás ozônio como tratamento. Já em 2019, Quintana et al testou a utilização do óleo de girassol ozonizado como tratamento para mastite de vacas Jersey. Os resultados apresentados demostraram in vivo o efeito antisséptico do óleo sobre a bactéria Staphilococcus aureus. O objetivo deste experimento, visou verificar a sensibilidade in vitro das principais cepas causadores de mastite no rebanho leiteiro da região de castro e metropolitana de Curitiba, através de testes de difusão em discos inoculados com 4 diferentes composições contendo óleo de girassol ozonizado. MATERIAIS E MÉTODOS As análises foram realizadas no Laboratório de patologia animal – Labvet na cidade de Carambeí-PR. Para realização dos testes de difusão de disco, foram utilizadas todas as amostras positivas analisadas pelo laboratório no período de 30 de outubro de 2019 a 14 de janeiro de 2020. Ao total foram testadas 252 amostras, sendo 77 positivas para Prototheca sp, 69 para Staphylococcus aureus, 9 para Streptococcus aglactiae, 31 para Streotococcus uberis, 21 para Streptococcus bovis, 25 para Streptococcus dysgalactiae, 17 para Klebsiella sp, 2 para Pseudomonas sp e 1 para Actinobacter sp. Os ensaios seguiram o procedimento operacional padrão desenvolvido pelo laboratório, para o processo de determinação de antibiograma. Esta técnica é destinada a determi56
nação da sensibilidade bacteriana in vitro frente a agentes antimicrobianos, também conhecida por Teste de Sensibilidade a Antimicrobianos (TSA). A TSA tem por objetivo oferecer como resultados padrões de resistência ou de sensibilidade de um microrganismo a vários antimicrobianos. Seguindo a metodologia de Kirky e Bauer, as placas contendo as culturas positivas foram preparadas. Quatro discos embebidos com os respectivos óleos numerados abaixo, foram acondicionados nas placas: 1 – Óleo de girassol ozonizado 600 meq/L; 2 - Óleo de girassol ozonizado 900 meq/L 3 – Óleo de girassol 600meq/L + óleo de amêndoas ozonizado + óleo essencial de alecrim + óleo essencial de Melaleuca. 4 – Óleo de girassol ozonizado 600 meq/L + óleo essencial de Melaleuca + óleo essencial menta + vitamina E + própolis. Procedeu-se a Incubação das placas com os discos em BOD a 36 ºC (+- 1ºC) por 18 a 24 horas. Posteriormente, foram mensurados os diâmetros dos halos de inibição com a utilização de uma régua calibrada. Diferentemente dos antimicrobianos rotineiramente testados, o óleo possui maior densidade e viscosidade tornando sua difusão pela Agar mais difícil. Até o momento, também não foram definidos padrões relativos aos halos de inibição para o óleo, limitando a análise de resultados entre sensível e resistente. 57
RESULTADOS E DISCUSSÃO Para uma melhor avaliação dos dados, foi calculado a média aritmética dos valores de halo de inibição apresentados por cada um dos micro-organismos testados frente ao respectivo óleo utilizado. Os dados observados encontramse representados na tabela abaixo. MICROORGANISMO
N Halo de inibição – média (mm)
Actinobacter sp. Klebsiella sp. Pseudomonas sp. Prototheca sp. Staphylococcus aureus Staphylococcus sp Streptococcus agalactiae Streptococcus uberis Streotococcus bovis Streptococcus dysgalactiae
1 17 2 77 69 69 9 31 21 25
Óleo 1 Óleo 2 Óleo 3 Óleo 4 9 13 8 12 8 8 6 9 0 9 3 10 14 9 8 9 16 20 12 19 13 17 8 16 10 9 3 9 13 13 5 13 9 9 3 9 12 12 7 13
Diante dos resultados apresentados, observou-se que os micro-organismos encontrados foram sensíveis a todos os óleos testados, comprovando seu efeito antisséptico. Embora o teste de difusão de disco apresente resultado qualitativo, foi possível observar que os óleos testados apresentaram medidas de halo de inibição parecidas, exceto o número 03, levantando a hipótese de que este óleo teve seu efeito antisséptico diminuído pela diluição do óleo de girassol em outros compostos da formulação. Apesar de 58
apresentarem diferentes resultados entre si, nenhum microorganismo se mostrou resistente às composições testadas. Embora os dados encontrados comprovem seu efeito antisséptico e seja possível a utilização do óleo de girassol ozonizado no tratamento de mastite, antes da sua utilização deve-se levar em consideração outros efeitos produzidos pelo óleo que são característicos de seu efeito oxidante. É possível obter tanto benefícios, como a oxidação do biofilme e das endotoxinas produzidos por algumas bactérias, quanto efeitos indesejáveis como irritação no úbere do animal. Além dos efeitos citados acima, pode elencar a ação anti-inflamatória e imuno moduladora do óleo como possíveis benefícios a serem observados. Outro ponto importante quando se considera a possibilidade terapêutica utilizando composições contendo óleos ozonizados, é o caráter complementar no tratamento. A associação com outras vias de aplicação do ozônio e outras terapias podem trazer sinergismo entre as ações e assim alcançar melhores resultados no tratamento, assim como observado por ENGINLE em 2015. Embora o tratamento com os antimicrobianos, precedido de exame de cultura e antibiograma seja considerado a forma mais eficaz de tratamento, uma média de 25% das culturas realizadas pelo laboratório Labvet não apresentou crescimento de nenhum micro-organismo, sendo necessário então alguma medida alternativa para o tratamento. Mesmo o animal apresentando sinais clínicos da doença as vezes 59
não é possível identificar o agente causador da infecção. Entre as hipóteses que podem ser levantadas, no caso de cultura negativa, estão as de que o processo infeccioso já foi mitigado pelo sistema imune do animal, erro na coleta da amostra, ou se tratar de um processo inflamatório e não infeccioso, uma vez que diagnóstico de mastite se dá principalmente pela contagem de células somáticas. A contagem de células somáticas (CCS) inclui além de micro-organismos vivos também a presença de células de descamação do úbere e células imunitárias, o que poderia justificar os sinais clínicos demonstrados nos exames para diagnóstico da mastite. CONCLUSÃO Conclui-se, que a utilização dos óleos ozonizados pode ser instrumento auxiliar no tratamento da mastite bovina ou de outras enfermidades cujo agente etiológico seja o mesmo que os micro-organismos testados neste trabalho. Para tanto, se fazem necessários estudos in vivo para avaliar qual seria o melhor protocolo de utilização. REFERÊNCIAS FILIPPSEN, Laerte Francisco et al. Prevalência da mastite bovina causada por Prototheca zopfii em rebanhos leiteiros, na região norte do Paraná. Cienc. Rural, Santa Maria, v. 29, n. 1, p. 87-89, Mar. 1999. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84781999000100016&lng=en&nrm=iso>. Acesso em 18 Julho 2020. 60
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Ação germicida do gás ozônio frente ao Pythium insidiosum isolado de cães e equinos Germicide action of ozone gas against the Pythium insidiosum isolated from dogs and horses Bruna Nonato Carrijo1; Viviani Silva Rodrigues2; Francine Gabriela Guiotto2; Regina Helena Pires3; Jair Camargo Ferreira4 1-Mestranda: Programa de Pós-graduação em Ciência Animal, UNIFRAN - Franca/SP 2-Graduanda: Medicina veterinária, UNIFRAN - Franca/SP 3-Docente: Programa de Pós- graduação em Promoção da Saúde, UNIFRAN - Franca/SP 4-Docente: Programa de Pós-graduação em Ciência Animal, UNIFRAN - Franca/SP - brunancarrijo@hotmail.com
RESUMO O presente estudo teve por objetivo comparar o efeito do tratamento in vitro com gás O3 e óleo de girassol ozonizado na taxa de crescimento do P. insidiosum isolado de cães e cavalos. Oito grupos experimentais (n=5 amostras/grupo) de acordo com o tratamento e a espécie animal foram utilizados: O3-1Tto-Equino, O3-3Ttos-Equino, O3-1TtoCanino e O3-3Ttos canino, Controle-1Tto-Equino, Controle-3Ttos-Equino, Controle-1Tto-Canino e Controle3Ttos-Canino. Os grupos O3-1Tto e O3-3Ttos foram 65
expostos ao gás O3 durante 30 minutos por um ou três dias consecutivos. Os grupos Controle foram tratados com oxigênio puro. O crescimento do patógeno não foi detectado nos grupos O3-1Tto-Canino, O3-3Ttos-Canino e O33Ttos-Equino. Palavras-chave: canino, equino, germicida, ozonioterapia, pitiose ABSTRACT The present study aimed to compare the effect of in vitro treatment with ozone (O3) gas on the growth rate of Pythium insidiosum isolated from dogs and horses. Eight experimental groups (n = 5 samples / group) according to treatment and animal species were used: O3-1Tto-Horse, O3-3Ttos-Horse, O3-1Tto-Canine and O3-3Ttos canine, Control-1Tto-Horse, Control-3Ttos-Hose, Control-1TtoCanine and Control-3Ttos-Canine. The O3-1Tto and O33Ttos groups were exposed to O3 gas for 30 minutes for one or three consecutive days. Control groups were treated with pure oxygen. The growth of the pathogen was not detected in the groups O3-1Tto-Canino, O3-3Ttos-Canino and O3-3Ttos-Horse. Keywords: canine, equine, germicide, ozone therapy INTRODUÇÃO A pitiose é uma doença vascular grave com distribuição 66
mundial que acomete múltiplas espécies (MEIRELES et al., 1993; FISCHER et al., 1994; MARQUES et al., 2006). Seu agente etiológico,o oomiceto Pythium insidiosum, possui ciclo de vida semelhante ao de fungos (MENDOZA et al., 1993). Todavia, as terapias antifúngicas convencionais possuem baixa eficácia na do oomiceto, pois sua membrana plasmática não possui ergosterol (GARCIA et al., 2007). Por ser altamente reativo, o gás ozônio (O3) pode induzir a degradação de constituintes de membrana e do material genético microbiano (GUZEL-SEYDIM et al., 2004; RIPAMONTI et al. 2012). Estudos recentes realizados por nossa equipe de pesquisa sugerem que esse mecanismo de ação inespecífico faça da ozonioterapia uma alternativa para o tratamento de infecções oomicetárias em cães e cavalos (COSTA et al., 2019; RODRIGUES et al., 2019). Entretanto, é provável que a terapia deve ser adequada a particularidades de cada espécie. OBJETIVOS Logo, o presente estudo teve por objetivo comparar o efeito do tratamento in vitro com gás O3 na taxa de crescimento do P. insidiosum isolado de cães e cavalos. MATERIAIS E MÉTODOS Exemplares de P. insidiosum oriundos de lesões cutâneas 67
de cães e cavalos foram previamente isolados e cultivados em placas de Petri estéreis contendo Agar Sabouraud Dextrose 4% (ASD 4%) a 35 °C. Posteriormente, fragmentos de P. insidiosum padronizadas (5mm de diâmetro) foram submetidas ao tratamento com gás O3 (72μg O3 mL-1). Os fragmentos foram distribuídas dentre oito grupos experimentais (n=5 amostras/grupo) de acordo com o tratamento e a espécie animal: O3-1Tto-Equino, O3-3Ttos-Equino, O3-1Tto-Canino e O3-3Ttos canino, Controle-1Tto-Equino, Controle-3Ttos-Equino, Controle1Tto-Canino e Controle-3Ttos-Canino. Os grupos O3-1TtoEquino e O3-1Tto-Canino foram submetidas a um único tratamento com gás O3 por 30 minutos. As amostras dos grupos O3-3tto equino e O3-3tto canino receberam o mesmo tratamento por 3 dias consecutivos. Finalmente, os grupos Controle receberam um ou três tratamentos (1Tto e 3Ttos, respectivamente) com oxigênio puro por 30 minutos. Os tratamentos foram realizados de forma individual, acondicionamento a placa de Petri no interior de funil de vidro acoplado a gerador de O3 (O&L, Ozone&Life®) com fluxo de 125 mL gás min-1. Em seguida, as amostras foram cultivas por 14 dias a 35 °C. Amostras que não apresentaram crescimento ao longo desse período foram recultivadas em nova placa contendo ADS4% por 72 horas adicionais. As placas de petri foram fotodocumentadas diariamente nos primeiros 4 dias pós-tratamento e a cada 48 horas no período posterior. A área de crescimento do P. insidiosum 68
por calculada com auxílio do software ImageJ®. A detecção de crescimento do patógeno ao longo dos primeiros 14 dias indicou que o tratamento foi ineficaz. Foram classificados como germicidas aqueles tratamentos que resultaram em ausência de crescimento mesmo após a recultura. Por fim, a detecção de crescimento microbiano na recultura indicou a ação germistática do respectivo tratamento. RESULTADOS Após os 14 primeiros dias de cultura, o crescimento do patógeno não foi detectado nos grupos O3-1Tto-Canino, O3-3Ttos-Canino e O3-3Ttos-Equino. Já amostras do grupo O3-1Tto-Equino apresentaram taxa de crescimento semelhante aos quatro grupos Controle (1Tto-Canino, 3Ttos-Canino, 1Tto-Equino e 3Ttos-Equino; P>0.1). Adicionalmente, não foi detectado crescimento microbiano em amostras dos grupos O3-1Tto-Canino, O3-3Ttos-Canino e O3-3Ttos-Equino recultivadas por 72 horas adicionais. DISCUSSÃO E CONCLUSÃO Nossos resultados demonstram, pela primeira vez, a diferença de eficácia da ozonioterapia frente ao P. insidiosum isolado de espécies animais diferentes. Inicialmente, nossos achados confirmaram a ação germicida do gás O3 frente ao P. insidiosum isolado de cães (COSTA et al., 2019) e cavalos (RODRIGUES et al., 2019). Como a ação oxidante do O3 é inespecífica (GUZEL-SEYDIM et al., 2004; RIPA69
MONTI et al. 2012), a ausência do ergosterol na membrana plasmática do P. insidiosum não compromete sua terapêutica. Entrentanto, a detecção de crescimento microbiano no grupo O3-1Tto-Equino sugere que o tratamento da pitiose devem ser adequado conforme a espécie acometida. Devido a ineficácia dos fármacos convencionais (MENDOZA & NEWTON, 2005), o tratamento de eleição em casos de pitiose é a remoção cirúrgica do tecido acometido (HEADLEY et al., 2002). Todavia, nossos achados corroboram para a implementação da ozonioterapia para o tratamento de infecções oomicitárias. AGRADECIMENTOS CAPES (Processo 2019/150.09955), (2019/13812-0; 2019/15532-4), CNPq.
FAPESP
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Achados histológicos no endométrio de éguas exposto à mistura gasosa rica em ozônio: resultados preliminares Histological findings in equine endometrium exposed to ozone gas: preliminary results. Jair Camargo Ferreira 1*, Letícia Mara Cardoso 2, Sophia Panelli Marchió 2, Carlos Fonseca-Alves 3, Cezinande de Meira 3 1 - Docente: PPGCA, UNIFRAN - Franca/SP 2 - Graduanda: UNIFRAN - Franca/SP 3 - Docente: UNIP - Bauru/SP 4 - Docente: FMVZ, Unesp - Botucatu/SP
* Autor de correspondência: jair.ferreira@unifran.edu/br RESUMO O presente estudo teve por objetivo descrever os achados histológicos do endométrio equino previamente exposto ao gás enriquecido com diferentes concentrações de ozônio (O3). Os úteros de éguas foram insuflados com mistura gasosa contendo Ø, 21 e 42μg O3 mL-1 durante três minutos. Os tratamentos foram realizados a cada três dias entre D0 e D6 (D0 = primeiro dia de tratamento). Amostras endometriais foram coletadas em D0 e D7. Somente 72
alterações histopatológicas discretas foram detectadas no período de pós-tratamento. A ausência de alterações na mucosa, de infiltrado inflamatório severo e/ou de alterações degenerativas sugerem que múltiplas exposições ao gás rico em O3 não são deletérias para o tecido endometrial de éguas. Palavras-chave: angiogênese, égua, ozonioterapia, útero. ABSTRACT The present study aimed to describe the histological findings of the equine endometrium previously exposed to gas mixture with different concentrations of ozone (O3). The uterus were insufflated with a gas mixture containing Ø, 21 and 42μg O3 mL-1 for three minutes. The treatments were carried out every three days between D0 and D6 (D0 = first day of treatment). Endometrial samples were collected at D0 and D7. Only mild histopathological changes were detected in the post-treatment period. The absence of changes in the mucosa, severe inflammatory infiltrate and / or degenerative changes suggest that multiple exposures to O3 gas are not harmful to mares endometrial tissue. Keywords: angiogenesis, mare, ozone therapy, uterus. INTRODUÇÃO A higidez uterina é essencial para o adequado funcionamento do sistema reprodutivo de éguas (GINTHER, 73
2007). Por outro lado, alterações histo-morfológicas do endométrio equino foram associadas com a ocorrência de endometrite (ESTELLER-VICO et al., 2012), disfunções placentárias (ABD-ELNAEIM et al., 2006) e infertilidade (LEHMANN et al., 2011). O gás ozônio (O3) pode atuar como um estressor terapêutico quando empregado em baixas concentrações (BOCCI, 2012). Em seres humanos, a suplementação com O3 tem sido utilizada para o tratamento de tecidos isquêmicos por aumentar a circulação sanguínea e aporte de oxigênio local (DI FILIPPO et al., 2008). Adicionalmente, a ozonioterapia induz uma moderada ativação do sistema imune, estimulando a secreção de fatores de crescimento diversos sem gerar efeitos colaterais (TRAVAGLI et al., 2007). Da mesma forma, é possível que a exposição do tecido endometrial ao gás O3 seja benéfica para a perfusão sanguínea do útero. Até o momento, entretanto, não existem relatos quanto ao efeito do da insuflação uterina com O3 na arquitetura endometrial de éguas. OBJETIVOS O presente estudo teve por objetivo descrever os achados histológicos do endométrio equino previamente exposto ao gás enriquecido com diferentes concentrações de O3. MATERIAIS E MÉTODOS O estudo foi previamente aprovado pela Comissão de 74
Ética no Uso de Animais na FMVZ/UNESP (protocolo # 93/2019‐CEUA). Somente éguas cíclicas, hígidas e com idade entre 08 e 12 anos com bom estado corpóreo foram utilizadas. A coleta de dados foi realizada no Centro de Reprodução Equina do Departamento de Reprodução Animal e Radiologia Veterinária, Unesp campus Botucatu-SP. Inicialmente, as éguas foram tratadas com 5,0 mg de Dinoprost Trometamina (Lutalyse® - Pfizer, Brasil) e 10 mg de Benzoato de estradiol (Sincrodiol® Ouro Fino, Brasil) para promover a predominância estrogênica durante o período de insuflação uterina e coleta de dados. As éguas foram distribuídas dentre três grupos (Controle, ½O3 e O3; n=7 éguas/grupo) de acordo com o tratamento realizado. O útero de éguas dos grupos Controle, ½O3 e O3 foram insuflados, respectivamente, com mistura gasosa contendo Ø, 21 e 42 μg O3 mL-1 durante três minutos. Os tratamentos foram realizados a cada três dias entre D0 e D6 (D0 = primeiro dia de tratamento). A insuflação uterina foi realizada por via transcervical com auxílio de pipeta de inseminação artificial estéril acoplada à gerador de ozônio portátil modelo O&L 1.5 (Ozone & Life, Brasil). Com o auxílio de pinça de biópsia uterina, amostras de tecido endometrial foram coletadas imediatamente antes do primeiro tratamento (D0) e 24 horas após o terceiro tratamento (D7). Fragmentos endometriais com diâmetro 75
aproximado de 3mm foram coletados da junção úterocornual. As amostras foram fixadas em formalina 10% e conservadas em álcool 70º GL. Posteriormente, as amostras foram desidratadas em série crescente de álcoois e incluídos em resina plástica à base de glicol metacrilato para posterior análise histopatológica. Múltiplos cortes de 5 micrômetros de espessura foram corados pela hematoxilina - eosina para serem submetidos à microscopia óptica nos aumentos de 100 e 400 vezes. As análises de microscopia foram realizadas por patologista especialista de forma cega de qualquer informação a respeito da metodologia do estudo em questão. RESULTADOS Todas as amostras avaliadas apresentaram epitélio cilíndrico simples sustentado por tecido conjunto fibrocolágeno. Adicionalmente, não foram visualizadas alterações histológicas sugestivas de processo degenerativo nas amostras coletadas em D7. Independente do momento de coleta (D0 ou D7) e da concentração da mistura gasosa (Ø, 21 e 42 μg O3 mL-1), os fragmentos apresentaram hemorragia multifocais e discretas. Nos grupos ½O3 e O3, o número de vasos sanguíneos foi cerca de 40% maior nas amostras coletadas em D7. Porém, dilatações glandulares não foram detectadas nas respectivas amostras. Todas as amostras coletadas em D7 apresentaram infiltrado inflamatório mononuclear e discreto. Alterações 76
na condição da fibrose endometrial ao longo do tempo e de acordo com o tratamento não foram detectadas. A mucosa de revestimento endometrial de amostras coletadas em D0 e D7 foram histologicamente semelhantes. DISCUSSÃO E CONCLUSÃO Somente alterações histopatológicas discretas foram detectadas no período de pós-tratamento. A ausência de alterações na mucosa, de infiltrado inflamatório severo e/ou de alterações degenerativas sugerem que múltiplas exposições ao gás rico em O3 não são deletérias para o tecido endometrial de éguas. Adicionalmente, o aumento no número e na área dos vasos sanguíneos indicam uma ação angiogênica da insuflação uterina com concentrações baixas ou intermediárias de O3. Posteriormente, a ação angiogênica em questão será confirmada por meio de análises quantitativas. AGRADECIMENTOS FAPESP (2019/11680-9; 2019/11450-3), CAPES e CNPq. REFERÊNCIAS ABD-ELNAEIM, M. M. M.; LEISER, R.; WILSHER, S.; ALLEN, W.R. Structural and haemovascular aspects of placental growth throughout gestation in young and aged mares. Placenta v. 27, p. 1103- 1113, 2006.
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BOCCI, V.A. How a calculated oxidative stress can yield multiple therapeutic effects. Free Radical Research v. 46:p. 1068-1075, 2012. DI FILIPPO, C.; MARFELLA, R.; CAPODANNO, P.; FERRARACCIO, F.; COPPOLA, L.; LUONGO M.; MASCOLO, L.; CAPUANO, A.; ROSSI, F.; Dâ&#x20AC;&#x2122;AMICO, M. Acute oxygen-ozone administration to rats protects the heart from ischemia reperfusion infarct. Inflammation Research v. 57, p. 445-449, 2008. ESTELLER-VICO, A.; LIU, I.K.; COUTO, S. Uterine vascular degeneration is present throughout the uterine wall of multiparous mares. Theriogenology v. 78, p. 1078-1084, 2012. GINTHER, O.J. Ultrasonic imaging and animal reproduction: colorDoppler Ultrasonography. First edition. Cross Plains: Equiservices Publishing; 2007. LEHMANN, J.; ELLENBERGER, C.; HOFFMANN, C.; BAZER, F.W.; KLUG, J.; ALLEN, W.R.; SIEME, H.; SCHOON, H.A. Morpho-funcional studies regarding the fertility prognosis of mares suffering from equine endometrosis. Theriogenology v. 76, p. 1326-1336, 2011. TRAVAGLI, V.; ZANARDI, I.; SILVIETTI, A.; BOCCI, V. A physicochemical investigation on the effects of ozone on blood. Int J Biol Macromol v. 41, p. 504-511, 2007.
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Ação de diferentes apresentações do ozônio sobre o crescimento do Pythium insidiosum isolado de equinos Effect of different ozone presentations on the growth of Pythium insidiosum isolated from horses Francine Gabriela Guiotto1; Bruna Nonato Carrijo2; Viviani Silva Rodrigues1; Regina Helena Pires3; Jair Camargo Ferreira4 1-Graduanda: Medicina veterinária, UNIFRAN - Franca/SP 2-Mestranda: Programa de Pós-graduação em Ciência Animal, UNIFRAN - Franca/SP 3-Docente: Programa de Pós-graduação em Promoção da Saúde, UNIFRAN - Franca/SP 4-Docente: Programa de Pós-graduação em Ciência Animal, UNIFRAN - Franca/SP
Autor de correspondência: jair.ferreira@unifran.edu/br RESUMO O objetivo do estudo foi avaliar o efeito in vitro do gás ozônio, água destilada ozonizada e óleo de girassol ozonizado na taxa de crescimento do P. insidiosum isolado de equinos. Culturas individuais e padronizadas do patógeno foram divididas em seis grupos de acordo com o tratamento (n = 5 amostras/tratamento): água destilada ozonizada, óleo de 79
girassol ozonizado, gás ozônio, água destilada pura, óleo de girassol puro e gás oxigênio. A área de crescimento do patógeno foi mensurada digitalmente durante os primeiros 14 primeiros dias pós-tratamento. Amostras que não apresentaram crescimento pós-tratamento foram recultivadas. Os tratamentos com água destilada ozonizada e com gás rico em ozônio não inibiram o crescimento do P. insidiosum. Entretanto, o óleo de girassol ozonizado apresentou ação germicida frente ao patógeno. Palavras-chave: antimicrobiano, cavalo, germicida, ozonioterapia, pitiose. ABSTRACT The goal of the study was to evaluate the in vitro effect of ozone gas, ozonized distilled water and ozonized sunflower oil on the growth rate of P. insidiosum isolated from horses. Individual and standardized cultures of the pathogen were divided into six groups according to the treatment (n = 5 samples/treatment): ozonized distilled water, ozonated sunflower oil, ozone gas, pure distilled water, pure sunflower oil and oxygen gas. The growth area of the pathogen was measured digitally during the first 14 days post-treatment. Samples showing no growth during the first 14 days after treatment were recultured. Ozonized distilled water and ozone gas treatments did not inhibit the growth of the P. insidiosum. However, ozonized sunflower oil showed a germicidal action against the pathogen. 80
Keywords: antimicrobial, horse, germicide, ozone therapy, pythiosis. INTRODUÇÃO O Brasil é considerado o país com maior incidência de pitiose equina no mundo. Essa infecção vascular cutânea é causada pelo P. insidiosum, oomiceto para o qual as terapias antimicrobianas convencionais possuem baixa eficácia (MENDOZA; NEWTON, 2005). Consequentemente, a pitiose acarreta prejuízos econômicos expressivos à equideocultura, uma vez que a maioria dos animais acometidos se tornam inválidos ou vão a óbito (HEADLEY et al., 2002). Por ser um potente oxidante natural (USEPA, 1999), o ozônio (O3) pode ser uma alterativa para o tratamento da infecção. Quando em contato com microrganismos diversos, o O3 é capaz de degradar constituintes de membrana (RIPAMONTI et al., 2012), inativar enzimas citoplasmáticas (SEIDLER et al., 2008) e fragmentar seu material genético (GUZEL-SEYDIM et al., 2004). OBJETIVOS Baseado no acima apresentado, o presente estudo teve por objetivo avaliar o efeito de diferentes formas de apresentação do O3 (mistura gasosa, água destilada e óleo vegetal) na taxa de crescimento do P. insidiosum isolado de equinos.
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MATERIAIS E MÉTODOS Amostras de P. insidiosum com 5mm de diâmetro foram transferidas individualmente para placas de Petri estéreis contendo Agar Sabouraud Dextrose 4% (ASD 4%; Difco®, BD & Co, EUA). Em seguida, as mesmas foram distribuídas dentre seis grupos experimentais (n=5 amostras/grupo) de acordo com o tratamento realizado: H2OO3, H2O-Controle, Óleo-O3, Óleo-Controle, Gás-O3 e Gás-Controle. As amostras dos grupos H2O-O3 e H2O-Controle foram recobertas, respectivamente, com 5 mL de água destilada ozonizada por 14 dias. Imediatamente antes do tratamento, a ozonização foi realizada por meio do aborbulhamente de 500 mL de água destilada com mistura gasosa O2-O3 (72μg O3 mL-1) por sete minutos. Para tanto, foi utilizado torre ozonizadora (Ozone&Life®, São José, Brasil) acoplada a um gerador portátil de O3 (Ozone&Life®, São José, Brasil) e fluxo de 125mL gás min-1. As amostras dos grupos Óleo-O3 e Óleo-Controle foram recobertas, respectivamente, com 2 mL de óleo de girassol ozonizado (Ozone&Life®, São José, Brasil) e óleo de girassol puro por 14 dias. Amostras dos grupos Gás-O3 e Gás-Controle foram expostas, respectivamente, à mistura gasosa O2-O3 (72μg O3 mL-1) e O2 puro por 30 minutos. Para tanto, as placas de Petri foram acondicionadas individualmente no interior de funil de vidro acoplado ao gerador portátil de O3 com fluxo de 125 mL gás min-1. 82
A área de crescimento do P. insidiosum de cada placa foi mensurada (ImageJ®, National Institutes of Health, Maryland, EUA) diariamente durante os quatro primeiros dias após o início do tratamento (D0) e a cada 48 horas entre D4 e D14. No caso de ausência de crescimento, a respectiva amostra foi re-cultivada em ASD 4% por 72 horas adicionais. Foram considerados como tendo ação germicida aqueles tratamentos para os quais as amostras não apresentaram crescimento durante a segunda cultura. Já tratamentos para os quais as amostras apresentaram crescimento na segunda cultura foram considerados como tendo ação germistática. RESULTADOS As taxas de crescimento dos grupos H2O-O3 e H2OControle foram estatisticamente semelhantes (P>0,1). Amostras de P. insidiosum expostas à água destilada pura ou ozonizada preencheram completamente as placas de cultura em 5,0±1,0 dias pós-tratamento. De forma semelhante, a exposição por 30 minutos à mistura gasosa O2-O3 não inibiu o crescimento in vitro do oomiceta. As taxas de crescimento dos grupos Gás-Controle e Gás-O3 (12,0±15,8 e 13,5±22,3 mm2/dia, respectivamente) foram estatisticamente semelhantes (P>0.1). Todavia, o óleo de girassol ozonizado inibiu completamente o crescimento do P. insidiosum, enquanto que amostras do grupo Óleo-Controle apresentram taxa de crescimento semelhante (10,1±14,3 mm2/dia; P>0.1) ao dos 83
grupos H2O-Controle e Gás-Controle. Finalmente, as amostras do grupo Gás-O3 submetidas a uma segunda cultura pós-tratamento não apresentaram crescimento. DISCUSSÃ E CONCLUSÃO Tanto contato com a água destilada ozonizada como a exposição ao gás rico em O3 não inibiram o crescimento do P. insidiosum isolado de equinos. A ineficácia da água ozonizada era esperada, pois o veículo em questão apresenta baixa capacidade de retenção do O3 pós-aborbulhamento (RICE et al., 1981). Já o O3 em sua forma gasosa é um potente oxidante (USEPA, 1999), sendo capaz de inativar fungos e bactérias multirresistentes (RICE et al.,1981; HIGA et al., 2007; KIM et al., 1999). Logo, nossos resultados sugerem que a inativação do P. insidiosum isolado de equinos por meio do contato direto com gás rico em O3 exija um tempo de exposição superior a 30 minutos e/ou múltiplos tratamentos. Finalmente, o óleo de girassol enriquecido com O3 apresentou ação germicida frente ao patógeno. Considerando a prolongada estabilidade e seu alto índice de peróxido (DIAZ et al, 2006), o óleo de girassol ozonizado pode ser uma alternativa para o tratamento da pitiose equina. AGRADECIMENTOS FAPESP (2019/13812-0), CAPES, CNPq, Ozone&Life® REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 84
DÍAZ MF; HERNÁNDEZ R; MARTÍNEZ G; VIDAL G; GÓMEZ M; FERNÁNDEZA H; GARCÉS R. Comparative study of ozonized olive oil and ozonized sunflower oil. J. Braz. Chem. Soc., v. 17, n. 2, p. 403-407, 2006. GUZEL-SEYDIM ZB; GREENE AK; SEYDIM AC. Use of ozone in the food industry. Lebensmittel Wissenschaft und Technologie, v. 37, n. 4, p. 453-460, 2004. HIGA DR; CESE PC; FALCÃO RMM; CESE AC; CHANG MR; BORGES FS. Efeito do gerador de alta frequência sobre cultura de Candida tropicalis. Revista Esp. Fisioterapia, v.1, n.1, p.1-8, 2007. KIM JG; YOUSEF AE; DAVE S. Application of ozone for enhancing the microbiological safety and quality of foods: a review. Journal of Food Protection, v. 62, n. 9, p. 1071-1087, 1999. MENDOZA L; NEWTON JC. Immunology and immunotherapy of the infections caused by Pythium insidiosum. Medical Mycology, v. 43, n. 6, p. 477-486, 2005. RICE RG; ROBSON CM; MILLER GW; HILL AB. Uses of ozone in drinking water treatment. Journal of the American Water Works Association, v. 73, n. 1, p. 44-47, 1981. RIPAMONTI CI; MANIEZZO M; PESSI MA; BOLDINI S. Treatment of osteonecrosis of the jaw (ONJ) by medical ozone gas insufflation: a case report. Tumori, v. 98, n. 3, p. e72-e75, 2012. SEIDLER, V.; LINETSKIY, I.; HUBÁLKOVÁ, H.; STANKOVÁ, H.; SMUCLER R; MAZÁNEK J. Ozone and its usage in general medicine and dentistry. A review article. Prague Medical Report, v. 109, n. 1, p. 5-13, 2008. USEPA - United States Environmental Protection Agency. Alternative disinfectants and oxidants guidance manual. 1999.
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Incorporação de óleo ozonizado em biomembrana para aplicação como agente antifungico: resultados preliminares Incorporation of ozonized oil in biomembrane for application as an antifungal agent: preliminary results Julia Santana Reinaldi1; Barbara Higo1; Regina Helena Pires2; Eduardo Ferreira Molina3; Jair Camargo Ferreira4 1-Graduanda: Biomedicina, UNIFRAN - Franca/SP 2-Docente: Programa de Pós-graduação em Promoção da Saúde, UNIFRAN - Franca/SP 3-Docente: Programa de Pós-graduação em Ciência, UNIFRAN – Franca/SP 4-Docente: Programa de Pós-graduação em Ciência Animal, UNIFRAN - Franca/SP
Autor de correspondência: jair.ferreira@unifran.edu/br RESUMO O objetivo do estudo foi avaliar a ação antifúngica de hidrogel à base de poliéter (PUr1900) após incorporação de óleo de girassol ozonizado. Os hidrogéis recém-preparados foram incorporados com 10mL de óleo de girassol puro, 1mL de óleo de girassol ozonizado ou 10mL de óleo de girassol ozonizado (PUr-Controle, PUr-1mLO3 e PUr10mLO3, respectivamente). Para caracterizar a ação 86
antifúngica do hidrogel pós-incorporação foram utilizadas cepas padrões de Candida albicans ATCC 90028 e Candida tropicalis ATCC 13803. Um número incontável de UFCs foi detectado nos grupos PUr-Controle e PUr-1mLO3. Entretanto, nenhuma UFC foi detectada após 48 horas de cultura das alíquotas oriundas do grupo PUr-10mLO3. Palavras-chave: fungo, hidrogel, ozônio, poliuretano. ABSTRACT The goal of the study was to evaluate the antifungal action of polyether-based hydrogel (PUr1900) after incorporation of ozonated sunflower oil. The freshly hydrogels were incorporated with 10mL of pure sunflower oil, 1mL of ozonated sunflower oil or 10mL of ozonized sunflower oil (PUr-Controle, PUr-1mLO3 and PUr-10mLO3, respectively). Standard strains of Candida albicans ATCC 90028 and Candida tropicalis ATCC 13803 were used to characterize the post-incorporation hydrogel action. An uncountable number of CFUs was detected in the PUr-Control and PUr-1mLO3 groups. However, no CFU was detected after 48 hours of culture of aliquots from the PUr-10mLO3 group. Keywords: Fungus, hydrogel, ozone, polyurethane. INTRODUÇÃO Os hidrogéis são estruturas poliméricas hidrofílicas com alta permeabilidade e que absorvem grande quantidade de 87
água sem sofrer dissolução (ALAN, 2002). Devido à sua versatilidade, baixo custo e fácil manuseio, os hidrogéis têm sido amplamente utilizados como transportadores de medicamentos (DUBEY et al., 2006). Dentre os hidrogéis, as poliuréias apresentam excelente compatibilidade com o ozônio (O3) (AQUINO et al., 2010). As diferentes apresentações de O3, por sua vez, são capazes de inativar microrganismos devido à sua potente propriedade oxidante (GUZEL-SEYDIM et. al., 2004). O O3 possui elevado poder de inativação sobre tanto de leveduras de Candida albicans e Zygosaccharomyces bacieli como sobre esporos de Aspergillus niger (RESTAINO et al., 1995). Adicionalmente, a exposição por 30 minutos ao óleo de girassol ozonizado é suficiente para degradar o biofilme de diferentes de cepas padrões de Candida (HIGA et al., 2020). Até o momento, porém, não existem relatos quanto a incorporação de óleos vegetais ozonizados em hidrogéis. OBJETIVOS O presente estudo teve por objetivo principal avaliar a ação antifúngica de hidrogel à base de poliéter e de hexametilenodiisocianato trimer HDIt (PUr1900) após a incorporação de óleo de girassol ozonizado com alto índice de peróxido. MATERIAIS E MÉTODOS Para preparar o hidrogel Pur1900, o polioxido de etileno 88
PEO com massa molar média de 1900 g mol-1 e o isocianato hexametilenodiisocianato trimer HDI foram solubilizados em acetona de forma separada. Em seguida, ambos os reagentes foram misturados na proporção molar de 1:1. Ainda em sua forma líquida, os hidrogéis recém-preparados foram separados em três grupos experimentais de acordo com a incorporação a ser realizada: 10mL de óleo de girassol puro, 1mL de óleo de girassol ozonizado ou 10mL de óleo de girassol ozonizado (PUr-Controle, PUr1mLO3 e PUr-10mLO3, respectivamente). Posteriormente ao período de secagem, amostras de PUr1900 padronizadas (5mm de diâmetro) foram transferidas para placas de Petri. Para caracterizar a ação antifúngica do hidrogel pós-incorporação foram utilizadas cepas padrões provenientes da American Type Culture Collection (ATCC): Candida albicans ATCC 90028 e Candida tropicalis ATCC 13803. As amostras de PUr1900 foram transferidas para placas de microtitulação de 24 poços com fundo plano contendo suspensão microbiana de 103 células mL-1 por poço. Após cultura por 24 horas a 37 ºC, alíquotas da suspensão em cada poço foram transferidas para placas de petri contendo Agar Sabouraud Dextrose 4%. A habilidade antifúngica dos hidrogéis foram avaliadas por meio da contagem de unidades formadoras de colônia após cultura por 48 horas a 37 ºC. RESULTADOS Um número incontável de UFCs foi detectado nos gru89
pos PUr-Controle e PUr-1mLO3. Entretanto, nenhuma UFC foi detectada após 48 horas de cultura das alíquotas oriundas do grupo PUr-10mLO3. DISCUSSÃO E CONCLUSÃO Nosso estudo descreveu, pela primeira vez, a propriedade antifúngica do hidrogel PUr1900 incorporado com óleo de girassol ozonizado. Dentre os hidrogeis, poliuréias como a PUr1900 são leves, elásticas e resistentes à abrasão (DIVAKARAN et al., 2016). Além disso, elas podem apresentar a rigidez ou a flexibilidade requeridas para posterior utilização como membros estruturais e esponjas (RANDALL & LEE, 2002). Finalmente, devido à elevada reatividade de seus grupos isocianatos, as PUs permitem obtenção de materiais de forma rápida em baixas temperaturas (SOARES, 2012). Logo, a incorporação de substâncias com propriedades antimicrobianas como o óleo de girassol será de grande valia para medicina humana e veterinária. AGRADECIMENTOS PIBIC, CAPES, OZONE&LIFE® REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS HOFFMAN AS. Hydrogels for biomedical applications. Advanced Drug Delivery Reviews, v. 43, p. 3-12, 2002. AQUINO FG; SHELDRAKE T; CLEVELARIOC J; PIRES F. Estudo 90
do envelhecimento de poliuretanos aplicados na indústria de petróleo. Polímeros: Ciência e Tecnologia, v. 20, p. 33-38, 2010 DIVAKARAN AV; AZAD LB; SURWASE SS; TORRIS AT; BADIGER MV. Mechanically tunable curcumin incorporated polyurethane hydrogels as potential biomaterials. Chemistry of Materials, v. 28, n. 7, p. 2120-2130, 2016 GUZEL-SEYDIM ZB; GREENE AK; SEYDIM AC. Use of ozone in the food industry. Food Science and Technology, v. 37, p. 453-460, 2004. RANDALL D; LEE S. The Polyurethanes Book. New York:Wiley Ltd., 2002. SOARES MS. Síntese e caracterização de espumas de poliuretano para imobilização de células integras e aplicação na síntese de biodiesel. 2012. 117f. Dissertação de mestrado – Universidade de São Paulo, 2012.
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Inativação do Pythium insidiosum com gás rico em ozônio: efeito do tempo de exposição e concentração Inactivation of Pythium insidiosum with ozone gas: effect of exposure time and concentration Viviani Silva Rodrigues1; Bruna Nonato Carrijo2; Francine Gabriela Guiotto1; Regina Helena Pires3; Jair Camargo Ferreira4 1-Graduanda: Medicina veterinária, UNIFRAN - Franca/SP 2-Mestranda: Programa de Pós-graduação em Ciência Animal, UNIFRAN - Franca/SP 3-Docente: Programa de Pós-graduação em Promoção da Saúde, UNIFRAN - Franca/SP 4-Docente: Programa de Pós-graduação em Ciência Animal, UNIFRAN - Franca/SP Autor para correspondência: jair.ferreira@unifran.edu.br
RESUMO O objetivo do estudo foi caracterizar a taxa de crescimento do P. insidiosum isolado de cavalos submetido ao tratamento com gás rico em O3 de acordo com o tempo de exposição e com a concentração. No Experimento 1, amostras P. insidiosum foram divididas em três grupos de acordo com o tempo de exposição ao gás com 72μg O3/mL: 05, 15 ou 30 minutos. No Experimento 2, amostras 92
de P. insidiosum foram distribuídas dentre quatro grupos de acordo com a concentração da mistura gasosa: 72, 52, 32 ou Ø μg O3 mL-1. Todos os tratamentos foram realizados a cada 24 horas e por três dias. A área de crescimento do P. insidiosum foi mensurada por 14 dias. O gás com concentração máxima de O3 não foi capaz de inativar o P. insidiosum quando utilizado por um período inferior a 15 minutos. Todavia, sucessivas exposições de 30 minutos ao gás O3 apresentaram efeito germicida independente de sua concentração. Palavras-chave: antimicrobiano, cavalo, germicida, ozonioterapia, pitiose ABSTRACT The aim of the study was to characterize the growth rate of the P. insidiosum isolated from horses after treatment with gas rich in ozone according to the time of exposure and the concentration. In Experiment 1, samples of P. insidiosum were divided into three groups according to the time of exposure to ozone gas with 72μg O3/mL: 05, 15 or 30 minutes. In Experiment 2, P. insidiosum samples were distributed among four groups according to the concentration of ozone gas: 72, 52, 32 or Ø μg O3/mL. All treatments were performed every 24 hours and for three days. The growth area of P. insidiosum was measured for 14 days. The gas with maximum concentration of O3 was not able to inactivate P. insidiosum when used for less than 15 minutes. 93
However, successive 30-minute exposures to O3 gas showed a germicidal effect regardless of their concentration. Keywords: antimicrobial, horse, germicide, ozone therapy, pythiosis INTRODUÇÃO A pitiose é uma doença cutânea infecciosa causada pelo pseudofungo P. insidiosum (MENDOZA et al., 1987). Em sua maioria, os agentes antifúngicos atuam por meio da inibição da biossíntese ou na degradação do ergosterol (LEAL et al., 2002). Todavia, a membrana celular do P. insidiosum não possui ergosterol, o que reduz drasticamente a eficácia das terapias antifúngicas convencionais (MENDOZA & NEWTON, 2005; LERKSUTHIRAT et al., 2017). Considerando a relevância do cavalo para a economia nacional, torna-se essencial o desenvolvimento de tratamentos com real capacidade de inativação do P. insidiosum. Recentemente, nossa equipe de pesquisa demonstrou que a exposição ao gás com alta concentração de ozônio (O3) durante 30 minutos e por três dias inibe o crescimento in vitro do patógeno (RODRIGUES, et al., 2019). Porém, não existem relatos sobre o efeito do tempo de exposição e da concentração do O3 sobre a atividade do oomiceta. OBJETIVO O objetivo do presente estudo foi caracterizar a taxa de crescimento do P. insidiosum isolado de cavalos submetido 94
ao tratamento com gás rico em O3 de acordo com o tempo de exposição e com a concentração da mistura gasosa. MATERIAIS E MÉTODOS Exemplares de P. insidiosum oriundos de lesões cutâneas de quatro equinos foram previamente isolados e cultivados no Departamento de Microbiologia e Imunologia, Instituto de Biociências, FMVZ/UNESP Botucatu. Os kunkers isolados das massas necróticas foram fragmentadas e cultivados em placas de Petri com meio Agar Sabouraud Dextrose 4% (ASD; Difco®, BD & Co, EUA) a uma temperatura de 35°C por 24 horas. No Experimento 1, amostras de padronizadas P. insidiosum foram divididas em três grupos de acordo com o tempo de exposição à mistura gasosa O2-O3 com 72μg O3 mL1: 05, 15 ou 30 minutos (n = 5 amostras/grupo). Um último grupo tratado com oxigênio puro por 30 minutos foi utilizado como controle. Todos os tratamentos foram realizados a cada 24 horas e por três dias consecutivos. No Experimento 2, amostras padronizadas de P. insidiosum foram distribuídas dentre quatro grupos de acordo com a concentração da mistura gasosa O2-O3: 72, 52, 32 ou Ø μg O3 mL-1 (n = 5 alíquotas/grupo). Todas as amostras foram submetidas ao respectivo tratamento por 30 minutos a cada 24 horas e por três dias consecutivos. Para realizar os tratamentos dos experimentos 1 e 2, as placas de Petri foram acondicionadas individualmente no 95
interior de funil de vidro acoplado a um gerador portátil de O3 (Ozone & Life, São José, Brasil). Após o último dia de tratamento, todas as placas foram incubadas a 35 °C por duas semanas (D0-D14). A área de crescimento do P. insidiosum de cada placa foi mensurada (ImageJ®, National Institutes of Health, Maryland, EUA) diariamente durante os quatro primeiros dias pós-tratamento e a cada 48 horas entre D4 e D14. No caso de ausência de crescimento em D14, a respectiva amostra foi re-cultivada em ASD 4% por 72 horas adicionais. A ação dos tratamentos para os quais as amostras não apresentaram crescimento ao término das 72 horas de recultura foi classificada como germicida. Já tratamentos para os quais as amostras apresentaram crescimento na segunda cultura foram classificado como tendo germistáticos. RESULTADOS No Experimento 1, as taxas de crescimento do P. insidiosum exposto a oxigênio ou gás O3 por 5 minutos foi estatisticamente semelhante (P>0.1). Todavia, o tratamento durante três dias consecutivos com gás O3 por 30 ou 15 minutos de exposição inibiram completamente o crescimento do P. insidiosum. As amostras desses mesmos grupos não apresentaram crescimento após ao longo das 72 horas após o segundo cultivo. No Experimento 2, somente amostras expostas à oxigê96
nio puro apresentaram crescimento ao longo dos 14 primeiros dias pós-tratamento. Por outro lado, o crescimento do patógeno foi ausente em amostras expostas por 30 minutos e ao logo de três dias à mistura gasosa com 32, 52 ou 72μg O3 mL-1. Após serem recultivadas, as respectivas amostras de P. insidiosum mantiveram-se inativas. DISCUSSÃO E CONCLUSÃO Nosso estudo descreveu, pela primeira vez, o efeito do tempo de exposição e da concentração sobre a ação germicida do gás O3 frente ao P. insidiosum. Até mesmo o gás com concentração máxima de O3 não foi capaz de inativar o P. insidiosum quando utilizado por um período inferior a 15 minutos. Todavia, sucessivas exposições de 30 minutos ao gás O3 apresentaram efeito germicida independente de sua concentração. Devido à baixa eficácia dos fármacos convencionais, o tratamento de eleição para pitiose continua sendo a remoção cirúrgica do tecido acometido. Porém, o índice de recidivas da doença é elevado devido à grande dificuldade de detectar a presença de hifas nos tecidos adjacentes (LERKSUTHIRAT et al., 2017). Todavia, o gás O3 não necessita de alvos moleculares específicos para desencadear sua ação farmacológica (GUZEL-SEYDIM et al., 2004; SEIDLER et al., 2008; RIPAMONTI et al., 2012), sendo capaz de inativar tanto bactérias multirresistentes como fungos e vírus (RICE et 97
al.,1981; LAPOLLI et al., 2003; USEPA, 1999). É justamente a inespecificidade de seu mecanismo de ação, em associação com seu alto poder oxidante, que faz do gás O3 uma promissora alternativa para a inativação do oomiceta causador da pitiose. AGRADECIMENTOS FAPESP (2019/15532-4), CAPES; CNPq; Ozone&Life®. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS GUZEL-SEYDIM ZB; GREENE AK; SEYDIM AC. Use of ozone in the food industry. Lebensmittel Wissenschaft und Technologie, v. 37, n. 4, p. 453-460, 2004. LAPOLLI FR; SANTOS LF; HÁSSEMERM EN; AISSE MM; PIVELI RP. Desinfecção de efluentes sanitários por meio da ozonização. In. GONÇALVES, R. F. (Coord.). Desinfecção de efluentes sanitários, remoção de organismos patógenos e substâncias nocivas: aplicação para fins produtivos como agricultura, aqüicultura e hidropônica. Vitória: PROSAB, p. 169-208, 2003. LEAL AT; SANTURIO JM; MONTEIRO LEAL AB; PINTO AM; GRIEBELER J; FLORES EF; FERREIRO L; CATTO JB. Resposta sorológica de coelhos imunizados com antígenos de Pythium insidiosum associados a diferentes adjuvantes. Ciência Rural, v. 32, n. 6, p.1027-1032, 2002. LERKSUTHIRAT T; SANGCAKUL A; LOHNOO T; YINGYONG W; RUJIRAWAT T; KRAJAEJUN T. Evolution of the Sterol Biosynthetic Pathway of Pythium insidiosum and Related Oomycetes Contributes to Antifungal Drug Resistance. American Society for Microbiology Journals, v. 61, n. 4, p. 1-14, 2017.
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Uso do ozônio para cicatrização de lesão pós-cirúrgica em calopsita (Nymphicus hollandicus): relato de caso Use of ozone for post-surgical injury healing in cockatiel (Nymphicus hollandicus): case report Aricia Noelli Brega Monteiro 1; Marianna Brosch de Assis 2 1- Profissional autônoma. Pós-graduada em Acupuntura Veterinária “Instituto Jaqueline Pecker” - Campinas – São Paulo - Brasil. 2 - Profissional autônoma. Pós-graduanda em Clínica Médica, Manejo e Preservação de Animais Selvagens “Anclivepa” - Americana – São Paulo – Brasil.
Autor para correspondência: aricia_monteiro@hotmail.com RESUMO A medicina de Animais Silvestres e Pets Exóticos vem crescendo a cada dia, junto a isso, as técnicas de terapia integrativa como a Ozonioterapia devem ser rotineiras nesses animais, trazendo inúmeros benefícios. Este trabalho tem como objetivo relatar o uso do ozônio como opção para cicatrização de lesão em uma calopsita (Nymphicus hollandicus). Palavras-chave: ozonioterapia; calopsita; cicatrização; ave. 100
ABSTRACT The medicine of wildlife species and exotic pets has been increasing every day, in addition to that, the techniques of integrative therapy such as ozone therapy must be a routine practice in these animals, due to its numerous benefits. This work has the objective to report the use of ozone as an option for healing a lesion in a cockatiel (Nymphicus hollandicus). Keywords: ozone therapy; cockatiel; healing; bird. HISTÓRICO O paciente macho de aproximadamente 3 anos, da espécie Nymphicus hollandicus, chegou para atendimento com uma lesão na asa que não cicatrizava há alguns meses, em consequência disso, o animal começou a apresentar apatia e hiporexia. A tutora relata que ao adquirir o animal ele já apresentava a ferida, possivelmente causada por corte inadequado das penas. EXAME FÍSICO E DIAGNÓSTICO No dia da consulta, a ave apresentava-se prostrada e havia uma lesão inflamatória com sangramento na face interna da asa direita, que se estendia desde as falanges até a região distal do úmero. Foi realizada limpeza com água oxigenada e aplicado Bupivacaína (2 mg/kg, IM) para realização de biópsia, seguida da aplicação tópica de Vetaglós ® pomada, bandagem (gaze e atadura elástica) e 101
administração de Enrofloxacina (15 mg/kg, IM, dose única), Dipirona (25 mg/kg, SC, dose única), Tramadol (5 mg/kg, SC, dose única), Meloxicam (1 mg/kg, IM, dose única) e fluidoterapia com solução fisiológica NaCl 0,9% (50 mL/kg, SC). Deu-se continuidade ao tratamento medicamentoso com Enrofloxacina (15 mg/kg, VO, BID, 7 dias), Meloxicam (0,5 mg/kg, VO, SID, 5 dias), suplementação alimentar com Hidrovit ® (0,1 mL/100gr, VO, BID) e manejo diário da ferida. A biópsia teve como resultado uma dermatite ulcerativa associada a vasculite. Ao longo dos dias, o membro apresentou melhora e, após esse período, a bandagem passou a ser trocada a cada 48 horas por mais uma semana, mantendo a limpeza local com solução fisiológica NaCl 0,9% e aplicação de pomada a base de acetato de dexametasona. Após duas semanas e visível melhora da lesão, as penas começaram a crescer, o paciente ganhou peso e voltou a ficar ativo e se alimentar normalmente. Contudo, eventualmente o animal batia o membro na gaiola, causando recorrente sangramento e inflamação. Diante disso, optou-se por amputar a extremidade do membro, a fim de retirar o tecido cronicamente inflamado. Após procedimento, o paciente foi medicado por 5 dias com anti-inflamatório e antibioticoterapia, troca de bandagem diária e aplicação de pomada. Finalizada as medicações alopáticas sistêmicas e tópica, foi suspendido 102
o uso da bandagem e iniciado o tratamento apenas com ozonioterapia. TRATAMENTO O protocolo terapêutico empregado foi sessões semanais de ozonioterapia. Durante as sessões não houve a necessidade de contenção química do animal (Imagem 1). Aplicou-se a técnica de Bagging na concentração de 30 μg, alternando cinco minutos com aparelho ligado e cinco minutos desligado, totalizando vinte minutos de sessão. Somado a isso, utilizou-se o óleo de semente de uva ozonizado diariamente (tópico, BID).
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EVOLUÇÃO O animal apresentou uma resposta positiva ao tratamento, totalizando duas sessões para a cicatrização completa da ferida, sem manifestação de efeitos colaterais. CONCLUSÃO A ozonioterapia, utilizando a técnica de Bagging, foi capaz de cicatrizar a lesão com apenas duas sessões, associada a aplicação diária de óleo ozonizado tópico. Neste caso, essa foi a única terapia instituída e houve uma resposta superior ao tratamento convencional antes aplicado, sem causar estresse ao paciente ou efeitos colaterais.
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Ozonioterapia no tratamento de cão com de lesão por picada de aranha-marrom (Loxosceles spp.) Ozone therapy in the treatment of dogs with brown spider bite (Loxosceles spp.) Mariana Orofino Pires 1; Marcele Blauth de Oliveira 2 1- Acadêmica de Medicina Veterinária da Universidade do Sul de Santa Catarina, Tubarão. Pós graduanda em Reabilitação Veterinária, IBRA, São Paulo. 2- Médica-veterinária autônoma, MSc., proprietária do consultório YinTang medicina veterinária sistêmica e integrativa
Autor para correspondência: marianapiresvet@gmail.com RESUMO As aranhas marrom, do gênero Loxosceles spp., são comumente encontradas nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, sendo consideradas de grande importância, uma vez que causam a forma mais grave de araneísmo no país. A picada dessa aranha desencadeia um processo inflamatório, com graves reações sistêmicas, podendo levar ao óbito. A ozonioterapia é um recurso terapêutico que possui ação anti-inflamatória, anti-alérgica, analgésica, cicatrizante e imuno-estimulante, que promove a melhora na circulação sanguínea e oxigenação dos tecidos, sendo a 105
insuflação retal (IR) uma das formas de administração de grande importância. O objetivo desse artigo foi relatar o caso de um cão apresentando lesão facial, decorrente de picada de uma aranha marrom (Loxosceles spp), submetido à protocolo de ozonioterapia pelas vias: via subcutânea próximo ao local da lesão, por IR e também administração tópica de óleo ozonizado. Protocolo demonstrou efetividade de abordagem terapêutica, seguida de alta em 15 dias e quatro aplicações de ozônio. Palavras-chave: Aranha marrom, Loxosceles spp, ozonioterapia, ozônio, veterinária ABSTRACT The brown spiders, of the genus Loxosceles spp., Are commonly found in the South and Southeast regions of Brazil, being considered of great importance, since they cause the most severe form of araneism in the country. The bite of this spider triggers an inflammatory process, with severe systemic reactions, which can lead to death. Ozone therapy is a therapeutic resource that has anti-inflammatory, anti-allergic, analgesic, healing and immunostimulating action, which promotes improvement in blood circulation and tissue oxygenation, with rectal insufflation (IR) being one of the ways of administering big importance. The objective of this article was to report the case of a dog presenting a facial lesion, resulting from a bite of a brown spider (Loxosceles spp), submitted to the 106
ozone therapy protocol by the following routes: subcutaneous route near the injury site, by IR and also topical administration of ozonized oil. Protocol demonstrated effectiveness of therapeutic approach, followed by discharge in 15 days and four ozone applications. Keywords: Brown spider, Loxosceles spp, ozone therapy, ozone, veterinary HISTÓRICO Foi atendido em clínica particular na cidade de Florianópolis, Santa Catarina, cão, macho, castrado, 9,5 kg, raça lhasa apso, onze anos com lesão na face com intenso rubor, edema e dor local. Segundo a tutora, ao primeiro atendimento médico veterinário suspeitou-se de infecção proveniente de uma fístula oral, sendo submetido a sedação para tricotomia, limpeza e curetagem local, com posterior tratamento com anti-inflamatório não esteroidal (AINE - meloxicam), antibiótico (amoxilina com clavulanato de potássio), analgésico e protetor gástrico, porém com baixa evolução clínica, levando a tutora a procurar uma segunda opinião. EXAME FÍSICO Ao exame físico observou-se presença de uma lesão edemaciada e vermelha, com forte desconforto ao toque, na região inferior do olho esquerdo e foi descartada a possibilidade de fístula oral, visto que os dentes estavam 107
em bom estado. Na anamnese a tutora referiu que a lesão teve aparecimento súbito e evolução rápida com muita dor local. Ao ser questionada a tutora referiu ter encontrado em casa uma aranha de coloração marrom. Foi então sugerido que o paciente teria sido picado na porção esquerda da face por uma aranha marrom (Loxosceles spp), visto que as lesões vão de encontro com as descritas em literatura: edema e eritema (em órbita palpebral esquerda e exantema em toda porção nasolateral, orbital, infraorbital e zigomática), apresentando lesão característica de picada de aranha em estágio inicial, uma vez que ainda não havia entrado em processo necrótico. DIAGNÓSTICO Lesão facial por picada de aranha marrom (Loxosceles spp). TRATAMENTO E EVOLUÇÃO O cão foi submetido a protocolo terapêutico por ozonioterapia, com aplicação inicial do gás próximo ao local na concentração de 7 mcg, volume aproximado 1 ml. Topicamente usou-se óleo de girassol ozonizado diluído em óleo de coco aplicado três vezes ao dia, durante 15 dias. A insuflação retal iniciou em concentração de 16 mcg no volume de 3ml/kg, aumentando para 20 mcg depois 25 mcg, mantendo o volume. Uso de analgésico Dipirona 25 mg/kg duas vezes ao dia durante 4 dias, sem necessidade 108
de outros medicamentos. Foram realizadas duas sessões por semana, totalizando quatro aplicações em quatorze dias, com redução de dor local, reversão total da lesão e cicatrização satisfatória, recebendo alta após a finalização do protocolo de duas semanas. O aparelho gerador de ozônio utilizado foi da marca Ozone & Life ®, modelo O&L 3.0 RM.
CONCLUSÃO A ozonioterapia atuou de forma efetiva e rápida no tratamento da lesão gerada por picada de aranha marrom (Loxosceles spp), proporcionando reversão total do quadro de dor e cicatrização da ferida após quatro aplicações em quatorze dias.
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Ozonioterapia em ouriço- cacheiro (Sphiggurus villosus): uma nova visão de tratamento em lesões cutâneas em animais silvestres Ozone therapy in porcupine (Sphiggurus villosus): a new vision of treatment in skin injuries in wild animals Sandro Andrade Rodrigues de Paula 1, Viviane Lima Boy 2; Isabela Guimarães Fogolin 3; João Luiz Rossi Junior 4 1- Fisioterapeuta/Médico Veterinário, mestrando em Ciências Animais pela Universidade Vila Velha, Pós-graduando em acupuntura pela ABACO - Vila Velha - Espírito Santo - Brasil; 2- Graduanda em Medicina Veterinária - Universidade Vila Velha - Vila Velha - Espírito Santo - Brasil; 3- Graduanda em Medicina Veterinária - Universidade Vila Velha Vila Velha - Espírito Santo – Brasil; 4- Professor doutor do curso de Medicina Veterinária e Programa de Pós-graduação em Ciência Animal - Universidade Vila Velha - Vila Velha - Espírito Santo - Brasil.
Autor para correspondência: sandroandraderp@gmail.com RESUMO O presente relato de caso descreve o tratamento exclusivo com ozonioterapia em lesão cutânea infectada em um ou110
riço-cacheiro jovem selvagem. A injúria teve regressão completa em 45 dias. O protocolo demonstra que a metodologia utilizada pode ser uma importante alternativa no tratamento de pele de animais silvestres pois evita o uso de qualquer fármaco. Circunstância que é muito relevante para os animais e para o meio ambiente. Palavras-chave: ozonioterapia, animais silvestres, pele, meio ambiente, ouriço-cacheiro ABSTRACT The present case report describes the exclusive treatment with ozone therapy in an infected skin lesion in a wild young porcupine. The injury had a complete regression in 45 days. The protocol demonstrates that the methodology used can be an important alternative in the treatment of wild animal skin because it avoids the use of any drug. Circumstance that is very relevant to animals and the environment. Keywords: ozone therapy, wild animals, skin, environment, porcupine HISTÓRICO Um ouriço-cacheiro (Sphiggurus villosus) de aproximadamente 40 dias de vida encontrado por visitantes em uma propriedade particular, localizada na cidade de Viana no Espírito Santo no dia 1 de setembro de 2019 foi recolhido e enviado ao Hospital Veterinário Prof. Ricardo 111
Alexandre Hippler da Universidade Vila Velha no dia 04 de setembro para avaliação médica e cuidados. EXAME FÍSICO E DIAGNÓSTICO O animal deu entrada ao hospital pesando 225g. No exame físico foi observada presença de nódulo focal ulcerado bem delimitado acentuadamente aumentado de tamanho, medindo 2,3 cm, com aspecto macio à palpação, com grande quantidade de conteúdo fibrinopurulento localizado próximo à porção lombo-sacral lateral direita, caracterizando abscesso cutâneo. Apresentou mucosas normocoradas, escore corporal adequado para a idade e espécie, aparelho locomotor sem alterações, fezes e urina de aspecto e coloração regular e sem alterações nos demais sistemas e aparelhos fisiológicos. TRATAMENTO E EVOLUÇÃO Inicialmente foi feito tricotomia de toda região da lesão, limpeza com solução fisiológica e iodopovidona 10% e, posteriormente, drenagem do abscesso, onde foram retirados 3 mL de exsudato fibrinopurulento brancacento. Por se tratar de um filhote, a princípio, foi sugerido que se iniciasse o tratamento da lesão cutânea com terapia complementar utilizando o método de ozonioterapia. Em animais de vida livre, esse método oferece uma vantagem pelo fato de reduzir e/ou dispensar a utilização de fármacos, que poderiam provocar resistências bacte112
rianas, lesões gástricas ou imunossupressão, além do aumento do estresse decorrente da necessidade de contenção física rotineira. O tratamento com O3 foi iniciado no dia 13 de setembro de 2019 com duas sessões semanais, além do uso diário de óleo de girassol ozonizado tópico a fim de evitar possíveis contatos ou infecções de parasitas e/ou insetos. Durante as sessões, era realizada a mensuração e assepsia da lesão com iodo 10%, seguida da administração de 1 a 2 mL de gás ozonizado a 20 µg/mL via subcutânea em três pontos da lesão, sendo dois ao redor do local afetado e um diretamente no canal de drenagem do abscesso. As mensurações eram feitas com o auxílio de um paquímetro, medindo altura por largura. No dia 13/09/2019, na primeira sessão, a lesão apresentava dimensão de 1,6 x 2,3 cm, e foram drenados 3 mL de exsudato fibrinopurulento. Na segunda sessão, 16/09/2019 a mensuração foi de 1,3 x 1,9 cm, houve redução de aproximadamente 32% do tamanho da lesão em relação ao primeiro dia. Dia 18/09/2019 foi verificada uma dimensão de 1,2 x 1,4 cm e na quarta sessão, dia 24/09/2019, foi mensurado 1,2 x 1,3 cm e realizada drenagem da lesão, extraindo 0,3mL de exsudato. Na quinta sessão, 27/09/2019, foi aferido o tamanho de 1,2 x 0,95 cm; dia 01/10/2019 foi mensurado 0,9 x 0,65 cm e dia 04/10/2019 foi feita a última drenagem, extraindo 0,1 mL de exsudato de mesma consistência e coloração do anterior. Na sexta e última sessão (11/10/2019), foi aferido 113
um tamanho de 0,75 x 0,65 cm, indicando uma redução total de 87% em relação ao tamanho no início do tratamento. Após este período, optou se por suspensão da administração de O3 via subcutânea, alternando para o método de insuflação retal, onde foram administrados 2 mL do gás via sonda retal n° 4. Este procedimento foi realizado duas vezes por semana até o dia 25 de outubro, onde houve suspensão e término do tratamento com ozonioterapia. Esta terapia mostrou-se eficiente após o período total de 43 dias, com fechamento total da lesão e crescimento de novos pelos na área lesada, não sendo necessária a utilização de outros fármacos complementares ao tratamento. O animal foi transferido para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) para realização dos protocolos de encaminhamento referentes aos animais de vida livre, onde foi reabilitado para soltura. CONCLUSÃO O tratamento do abscesso cutâneo exclusivamente com a ozonioterapia demonstrou eficácia em consequência de seu potencial bactericida, fundamentado no seu mecanismo de ação resultante da oxidação da membrana celular e componentes citoplasmáticos, causando a morte dos microrganismos. O O3 também apresenta alta capacidade de penetração tecidual, melhorando a circulação e a oxigenação e ainda reduz a agregação plaquetária, atuando também como agente analgésico e favorecendo as respos114
tas imunológicas atravÊs do sistema reticuloendotelial. O protocolo utilizado se apresenta como uma importante alternativa no tratamento de enfermidades cutâneas em animais de vida livre.
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Ozonioterapia no tratamento integrativo da pitiose equina: relato de caso Ozone therapy in the integrative treatment of equine pythiosis: case report Cristina Gomes Zambrano 1; Caroline Quintana Braga 2; Rodrigo Stauffert dos Santos 3; Josiane Bonel 4; Sônia de Avila Botton 5; Daniela Isabel Brayer Pereira 6 1 Profissional autônomo esp. em clínica médica equina e ozonioterapia. Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil. 2 Doutoranda Programa de Pós-Graduação em Microbiologia e Parasitologia, Departamento de Microbiologia e Parasitologia, Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil. 3 Profissional autônomo esp. em clínica médica equina. Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil 4 Professor Associado, Faculdade de Veterinária, Departamento de Patologia Animal, Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil. 5 Professor Associado, Centro de Ciências Rurais, Departamento de Medicina Veterinária Preventiva, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil. 6 Professor Associado, Instituto de Biologia, Departamento de Microbiologia e Parasitologia, Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil.
Autor para correspondência: cris-zambrano@hotmail.com
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RESUMO A pitiose é uma doença infecciosa emergente causada pelo oomiceto patogênico Pythium insidiosum. Afeta mamíferos, sendo o homem e os equinos as espécies mais comumente infectadas. Embora as pesquisas envolvendo protocolos terapêuticos para o tratamento tenham avançado significativamente, a doença permanece sendo uma infecção difícil de tratar, e muitos indivíduos afetados morrem ou necessitam de eutanásia. O objetivo do presente estudo foi relatar o uso da ozonioterapia como tratamento integrativo da pitiose equina. Um equino com lesão de pitiose no membro anterior esquerdo foi submetido a procedimento cirúrgico para debridação da lesão e retirada dos kunkers. Imediatamente iniciou-se o tratamento com ozonioterapia, consistindo de aplicação sistêmica e local durante 30 dias. Diariamente, 1 vez/dia, durante 90 dias administrou-se o tratamento local com óleo de girassol ozonizado. Adicionalmente, 4 doses do imunoterápico Pitium Vac®, a cada 14 dias foram aplicadas. A partir do 7º dia de tratamento observou-se o início da regeneração da ferida, evoluindo para a cura total no 90º dia de terapia. Dezesseis meses após a cura, o animal mantevese sadio sem recidiva da enfermidade. O tratamento da pitiose equina empregando a ozonioterapia, associada a cirurgia e imunoterapia pode ser constituir num protocolo com potencial terapêutico na cura da doença. Palavras-chave: Pythium insidiosum, cicatrização, óleo de girassol ozonizado 117
ABSTRACT Pythiosis is an emerging infectious disease caused by the pathogenic oomycete Pythium insidiosum. It affects mammals, with humans and horses being the most commonly infected species. Although research involving therapeutic protocols for treatment has advanced, the disease remains a difficult infection to treat, and many affected individuals die or require euthanasia. The aim of the present study was to report the use of ozone therapy as an integrative treatment of equine pythiosis. A horse with a pythiosis lesion in the left foreleg was submitted to a surgical procedure to debride the lesion and remove the kunkers. Treatment with ozone therapy was immediately started, consisting of systemic and local application for 30 days. Daily, 1 time/day, for 90 days, local treatment with ozonated sunflower oil was administered. Additionally, 4 doses of the Pitium VacÂŽ immunotherapy, every 14 days were applied. From the 7th day of treatment onwards, the regeneration of the wound began, progressing to total healing on the 90th day of therapy. Sixteen months after the cure, the animal remained healthy without recurrence of the disease. The treatment of equine pythiosis using ozone therapy, associated with surgery and immunotherapy can be a protocol with therapeutic potential in curing the disease. Keywords: Pythium insidiosum, healing, ozonated sunflower oil 118
INTRODUÇÃO A pitiose é uma doença infecciosa emergente causada pelo oomiceto patogênico Pythium insidiosum. Afeta mamíferos, sendo o homem e os equinos as espécies mais comumente infectadas. Nos equinos, a enfermidade caracteriza-se pelo desenvolvimento de lesões cutâneas/subcutâneas fibrogranulomatosas, ulcerativas, que evoluem rapidamente, formando grandes massas teciduais de aparência tumoral. No interior da lesão, observase abundante tecido conjuntivo fibroso, entrecortado por galerias preenchidas por massas branco-amareladas, de aspecto arenoso e ramificadas (kunkers). Pitiose destacase pela letalidade nas espécies afetadas e dificuldade de tratamento. Embora, nos últimos anos, as pesquisas envolvendo protocolos terapêuticos para o tratamento da enfermidade tenham avançado significativamente, a doença permanece sendo uma infecção difícil de tratar, e muitos indivíduos afetados morrem ou necessitam de eutanásia. Parte dos insucessos terapêuticos deve-se a deficiente resposta de P. insidiosum às terapias disponíveis, incluindo tratamento com fármacos antifúngicos, cirurgia e imunoterapia (Gaastra et al., 2010). Estudos recentes realizados por Zambrano et al. (2019) evidenciaram que o óleo de girassol ozonizado demonstrou excelente atividade anti-P. insidiosum in vitro. A ozonioterapia constitui-se numa técnica da medicina integrativa, podendo ser empregada por via sistêmica e local e topicamente 119
quando utilizado o óleo ozonizado. O ozônio ativa o sistema antioxidante do organismo, aumenta a imunidade e melhora a perfusão sanguínea, o que explica sua ação antimicrobiana, antineoplásica, anti-inflamatória e analgésica (RODRÍGUEZ et al., 2018). Na medicina veterinária a ozonioterapia tem sido empregada no tratamento de infecções bacterianas, fúngicas, virais e parasitárias, entre outras (Ouf et al., 2016; Rodríguez et al., 2018; Quintana et al., 2019; Kawahara et al., 2019). O objetivo do presente estudo foi relatar o uso da ozonioterapia como tratamento integrativo da pitiose equina. EXAME FÍSICO E DIAGNÓSTICO Equino, macho, 8 anos de idade, raça crioula, reprodutor e mantido em criação extensiva em campo alagadiço na zona sul do estado do Rio Grande do Sul. O animal apresentou uma lesão arredondada, proliferativa e crescimento rápido na região da articulação do metacarpo falangeana no membro anterior esquerdo com evolução de aproximadamente duas semanas. Ao exame clínico observou-se a presença de uma massa tumoral subcutânea, de aspecto irregular e presença de secreção exsudativa sanguinolenta de odor fétido (Fig.1A). Notou-se que o animal apresentava prurido no local da lesão e mordiscava-se frequentemente. Na superfície da lesão foi possível detectar a presença de pequenas massas amareladas de aspecto ramificado e consistência dura, condizentes 120
com kunkers, característicos da pitiose equina. O equino encontrava-se em estado corporal bom, parâmetros clínicos normais e apresentava claudicação leve do membro afetado. Pelos dados clínicos, presuntivamente diagnosticouse pitiose. Todavia, a confirmação diagnóstica foi realizada pela coleta de kunkers para isolamento e caracterização do agente etiológico. O material coletado foi encaminhado ao laboratório de micologia/UFPel, onde foi submetido ao cultivo e posterior identificação morfológica e molecular, o que confirmou a presença de P. insidiosum. Realizou-se também o teste de suscetibilidade in vitro do isolado obtido ao óleo de girassol ozonizado, o qual evidenciou uma concentração inibitória mínima de 1750 µg/mL. TRATAMENTO E EVOLUÇÃO Realizou-se o procedimento cirúrgico para debridação da lesão e retirada dos kunkers (Fig.1B). Previamente a cirurgia institui-se o jejum de 12 horas e o protocolo de sedação foi o seguinte: detomidina 0,02 mg/Kg; quetamina 2,0 mg/Kg e diazepam 0,2 mg/ Kg. Associou-se também lidocaína local. A cirurgia foi realizada a campo, estando o animal em decúbito lateral direito. Após a debridação da ferida iniciou-se o tratamento convencional pós operatório com analgésicos, anti-inflamatórios e antibióticos durante cinco dias associado com ozonioterapia. O protocolo do tratamento com ozonioterapia baseou-se na aplicação sistêmica (auto-hemoterapia menor e insu121
flação retal) e local, incluindo bagging e óleo de girassol ozonizado (Ozone & Life) aplicado semanalmente durante 30 dias. A ozonioterapia na forma de auto-hemoterapia menor empregou a concentração de 50µg/mL e quando utilizada a insuflação retal as concentrações variaram entre 16 e 14 µg/mL. Na terapia empregando o bagging foram utilizadas concentrações entre 50 e 30µg/mL, durante 20 minutos, sendo 10 minutos com aparelho liberando o gás ozônio e 10 minutos com o aparelho desligado. Diariamente, 1 vez/dia, durante 90 dias realizou-se o tratamento local empregando óleo de girassol ozonizado. Para isso, era feito um curativo com atadura para que o local da lesão se mantivesse fechado. Adicionalmente, administrou-se 4 doses do imunoterápico Pitium Vac®, a cada 14 dias. Para a avaliação macroscópica da lesão e sua evolução pós cirúrgica, considerou-se os seguintes parâmetros: presença de exsudato fibrinosanguinolento, trajetos fistulosos e formação de kunkers, prurido, o aspecto e contração da ferida, e a sua reepitelização. Todos esses parâmetros foram avaliados semanalmente. Aos 7 dias de tratamento, as margens e o leito da ferida apresentavam edema, hiperemia e redes de fibrina coagulada sobre a superfície da lesão (Fig.1C). Na segunda e terceira semana de tratamento, nos dias 10 (Fig.1D), 14 (Fig.1E), 20 (Fig.1F) e 30 (Fig.1G) verificou-se que o tecido cicatricial se apresentava avermelhado, brilhante, 122
Figura 1 (A, B, C): Lesão de pitiose equina tratada com terapia integrativa de cirurgia, imunoterapia e ozonioterapia: (A) Massa tumoral subcutânea arredondada, proliferativa na região da articulação do metacarpo falangeana no membro anterior esquerdo. Nota-se a presença de secreção exsudativa sanguinolenta. (B) Debridamento cirúrgico da massa fibrogranulomatosa de pitiose. Observa-se a ferida com bordas regulares e pontos hemorrágicos distribuídos na região superior da lesão. (C) 7 dias de tratamento. Observa-se tecido com edema, hiperemia e redes de fibrina sobre a superfície da lesão.
úmido e de aspecto granular (tecido de granulação), evidenciando-se reepitelização e contração das bordas da ferida. Do 40º dia de tratamento (Fig.1 H) até o 90º dia (última aplicação local de óleo de girassol ozonizado, Fig.1 I) observou-se acentuada contração e reepitelização dos bordos e leito da ferida, sendo substituídos pela formação de cicatriz rósea espessada e crescimento de pelos, 123
mostrando a cura total da doença. Em todas as fases de evolução observou-se a ausência de exsudato fibrinosanguinolento, kunkers e prurido. Dezesseis meses após a cura, o animal manteve-se sadio sem recidiva da enfermidade. CONCLUSÃO O tratamento da pitiose equina descrito neste trabalho empregando a ozonioterapia sistêmica e local, associada
Figura 1 (D, E, F, G): 10º ao 30º dia de tratamento: verifica-se processo proliferativo em que o tecido cicatricial se apresenta avermelhado, brilhante, úmido e de aspecto granular. Nota-se, também, a reepitelização e contração das bordas da ferida.
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Figura 1 (H, I): 40º a 90º dia de tratamento: evidencia-se a maturação da ferida com formação da cicatriz rosada, diminuição do diâmetro da lesão tendendo ao desaparecimento e crescimento de pelos nas bordas da lesão
a cirurgia e imunoterapia pode ser constituir num protocolo com potencial terapêutico na cura da doença. Todavia, outros casos clínicos de pitiose equina estão sendo avaliados para consolidar este protocolo. REFERÊNCIAS GAASTRA, W. et al. Pythium insidiosum: an overview. Veterinary Microbiology. v.146, n. 1-2, p. 1-16, 2010. 125
KAWAHARA, R. et al. A ozonioterapia no tratamento da imunodeficiência viral felina (FIV): Relato de caso. Nosso Clínico. Ano XXIII, n.132, nov/dez, p. 12-20, 2019. OUF, S. et al. Anti-fungal potential of ozone against some dermatophytes. Brazilian Journal of Microbiology. v.47, p.697-702, 2016. QUINTANA, M. et al. Uso de óleo ozonizado no tratamento de mastite subclínica em vaca Jersey: Relato de caso. Pubvet. v.13, n. 5, p. 1-4, 2019. RODRÍGUEZ, Z.Z. et al. Ozonioterapia em Medicina Veterinária. 1ªed. São Paulo: Multimidia Editora, 282 p., 2018. ZAMBRANO, C.G. et al. Óleo de girassol ozonizado: atividade antiPythium insidiosum. + Equina (Brazilian Journal of Equine Medicine). Ano XIII, n. 84, julho/agosto, p.18-20, 2019.
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Ozonioterapia no tratamento de feridas por habronemose equina: relato de caso Ozone therapy in the treatment of wounds for equine habronemiasis: case report Marlene Aparecida dos Reis 1; Karen Mascaro Gonçalves da Silva 2 1 Médica-veterinária, ozonioterapeuta de pequenos e grandes animais, atendimento em domicílio e na Clínica Veterinária Bicho Mania/Recife-PE, Pós-Graduanda em Clínica Médica e Cirúrgica de Felinos, pela “Faculdade Qualittas” – Recife – PE – Brasil. 2 Pós-doutorado em Medicina Veterinária, pela Universidade Federal de Pernambuco – UFRPE, Professora da disciplina de Clínica Médica e Terapêutica dos Equinos, na Universidade Maurício de Nassau – UNINASSAU e no Centro Universitário Brasileiro – UNIBRA.
Autor para correspondência: reisaparecida@hotmail.com RESUMO Palavras-chave: habronema; equino; ozonioterapia; óleo de girassol ozonizado. ABSTRACT Keywords: habronema; equine; ozone therapy; ozonized
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sunflower oil. HISTÓRICO Equino, macho inteiro, de 5 anos de idade, da raça mangalarga marchador, pelagem Alazão. Quando potro (8 meses de idade), apresentou pela primeira vez habronema na conjuntiva (3ª pálpebra), com grânulos amarelados, quando foi prescrito Neguvon®, 30g, via oral, uma vez por semana, durante 4 semanas, além de pomada oftalmológica Maxiflox D® e Cylocort®. No ano seguinte houve recidiva afetando os dois olhos, e foi realizado o mesmo protocolo. Com 3 anos de idade apareceu outra lesão, agora no boleto e em seguida na canela e no olho. Realizou o mesmo protocolo pela terceira vez. No mesmo ano apareceu uma lesão na pata, na quartela, granulou muito e em seguida surgiu uma lesão na boca, foi tratado pela quarta vez e melhorou. Quando no mesmo ano abriu mais duas lesões no boleto e na quartela, foi realizado o mesmo protocolo anterior citado. Quando houve uma granulação desacerbada e foi utilizado o sulfato de cobre para diminuir a granulação. Após quase 4 anos com maior parte do tempo o animal apresentou lesões, realizava tratamentos e todas essas recidiva, o clínico considerou que esses tratamentos não eram suficiente considerando o curto período de tempo de êxito, no máximo 3 meses no ano que o animal não estava em tratamento com terapias alopáticas e com vermifugação. 128
Assim, optou-se por encaminhar o paciente para ozonioterapia como alternativa terapêutica para tratar as lesões por habronemose. EXAME FÍSICO E DIAGNÓSTICO Na primeira consulta foi realizada a anamnese detalhada, analisado os resultados dos exames de hemograma, raspado de pele e baseando-se no histórico clínico foi solicitado um hemograma atual para início do tratamento com ozonioterapia. Foi realizado o exame clínico geral do animal e o mesmo apresentava lesão no membro posterior esquerdo, especificamente na quartela, medindo 10cm de altura x 8cm de largura. O diagnóstico de habronemose cutânea baseou-se na avaliação clínica, considerando o histórico, exames e evolução, não sendo repetido o raspado de pele, apenas o hemograma. TRATAMENTO E EVOLUÇÃO O tratamento foi iniciado com sessões a cada 3 dias (1ª a 5ª sessão) e em seguida a cada 5 dias (6ª a 8ª sessão), totalizando 8 sessões. O protocolo instituído foi a utilização das técnicas de insuflação retal – IR, autohemoterapia menor (AHTMenor) e bagging. A primeira e segunda sessões foi realizada IR [20μg] com volume de 2.000 mL; AHTMenor [50 μg] com 6 mL de ozônio e 6mL de sangue, coletado da veia jugular, homogeneizado, retirado o excesso de gás e aplicado 3mL em VG 14 (ponto de acu129
puntura relacionado à imunidade) e 3 mL injetada em via intramuscular; Bagging [40μg] 10min com o gerador on e 10min em off. A lesão foi umedecida com 1L de solução fisiológica a 0,9% em bolsa. Com o intuito de obter um efeito anti-inflamatório, imunomodulador e cicatrizante. Em seguida foi orientado o tratador a realização do curativo a cada 24h até a próxima seção, o curativo foi realizado com óleo de girassol ozonizado, algodão e compressa cirúrgica/vetrap com o objetivo de chegar ao estágio de epitelização (para não formar tecido de granulação exuberante) e fechar do boleto até o casco (para não garrotear). O óleo de girassol ozonizado foi aplicado com objetivo de ação do peróxido de hidrogênio, cetonas e aldeídos, produzidos a partir dos ácidos-graxos insaturados que causam reações químicas em cadeia, com ação bactericida e reparo tecidual e cicatrizante. Na terceira e quarta sessões foram alteradas as concentrações das técnicas de AHTMenor [28μg] e Bagging [28μg], seguindo a conduta inicial. A quinta e sexta sessões houve alteração na concentração da técnica de Bagging [18μg]. Na sétima e oitava sessão houve alteração na concentração na técnica de Bagging [15μg] e o curativo passou a ser realizado uso de algodão e bandagem elástica (vetrap), sendo a aplicação do óleo de girassol ozonizado três vezes ao dia. Após a oitava sessão a aplicação do óleo de girassol ozonizado passou a ser realizada três vezes ao dia, durante 30 dias, quando finalizou a cicatrização total da lesão e início do 130
crescimento de pelos. Foi indicado o acompanhamento do paciente a fim de monitorar qualquer indício de recidiva das lesões, o que não ocorreu até o momento (7 meses).
Figura 1 - Aspecto inicial
Figura 3 - 4a sessão
Figura 2 - 2a sessão
Figura 4 - 6a sessão 131
Figura 6 - Final da terapia
Figura 5 - 8a sessão
CONCLUSÃO O uso da ozonioterapia associada ao óleo de girassol ozonizado apresentou-se eficiente e eficaz no tratamento de ferida por habronemose cutânea em equino, em conjunto com o controle de vermes e parasitos. REFERÊNCIAS BOCCI, V. OZONE – A NEW MEDICAL DRUG. SPRINGER, 2005. RODRIGUEZ, Z. B. Z. OZONIOTERAPIA EM MEDICINA VETERINÁRIA. MULTIMÍDIA, 2018.
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Tratamento de infecção periodontal resistente em cocker spaniel pela medicina veterinária integrativa – relato de caso Treatment of resistant periodontal infection in cocker spaniel with integrative veterinary medicine – case report Nicole Ruas de Sousa 1 1 Vet Integrativa – Profissional Autônoma, esp. em Acupuntura, Fisiatria e Ozonioterapia Veterinária – São José dos Campos/SP – Brasil.
Autora para correspondência: nicruas@gmail.com RESUMO Um cão da raça cocker spaniel, 12 anos, macho, foi atendido na cidade de Botucatu/SP com histórico de doença periodontal persistente desde o três anos de idade, com formação de grande coleção de pus, úlceras bucais, dor e dificuldade em se alimentar. O animal foi submetido a três procedimentos cirúrgico periodontais para limpeza e remoção dos dentes inviáveis, foram realizados cultura e antibiograma que identificaram quatro bactérias resistentes a diversos antibióticos, e o exame histopatológico re-
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velou queilite linfoplasmocitária. Iniciou-se então tratamento com ozonioterapia com uso tópico de óleo de girassol ozonizado diariamente duas vezes ao dia e insuflação retal de 60 mL de ozônio-oxigênio semanal até que atingisse a concentração de 40 µg/mL. Juntamente com a utilização de fitoterapias chinesa e brasileira, este tratamento foi capaz de controlar a infecção resistente. O animal permanece com o mesmo tratamento até o presente momento sem recidivas. A ozonioterapia juntamente com a fitoterapia demonstrou-se eficaz no caso relatado e pode ser uma ferramenta válida em casos semelhantes. Palavras-chave: gengivite, ozônio, cães, supuração ABSTRACT A male 12-years-old Cocker Spaniel was assisted in Botucatu/SP with a history of persistent periodontal disease since it was 3-years-old. The patient presented with a collection of pus, ulcers in the mouth, pain, and difficulty of feeding. The patient underwent three surgical periodontal procedures for dental cleaning and removal of the decayded teeth. Bacterial culture and antibiotic susceptibility tests were performed, which identified four bacteria types resistant to several antibiotics. A histological exam revealed lymphoplasmacytic cheilitis. The treatment with ozone therapy was initiated with topic ozonized sunflower oil, twice a day, and 60 mL of ozone-oxygen rectal 134
insufflation once a week until it reached 40 µg/ml. Along with herbal therapy, this treatment was able to control the infection, and it remains the same until this moment without recurrence. Ozone therapy with herbal therapy was effective in this case and it can be a valid tool in similar cases. Keywords: gingivitis, ozone, dogs, suppuration RELATO DE CASO Doença periodtabelaontal refere-se à inflamação e infecção do periodonto, estrutura que sustenta os dentes e inclui a gengiva, o ligamento periodontal, o osso alveolar e o cemento. É a doença mais prevalente em carnívoros domésticos podendo chegar a 80% em cães a partir dos dois anos de idade, e se inicia com a formação de um biofilme microbiano, envolvendo inflamação da gengiva e do periodonto. Essas bactérias podem se espalhar por meio da corrente sanguínea causando bacteremia, e portanto alcançar tecidos mais distante. Sua importância se dá na consequência clínica que pode ocasionar, como desordens renal, hepática ou cardíaca. O tratamento inclui remoção mecânica dos cálculos dentários e uso de antimicrobianos como clindamicina, amoxicilina associado a clavulanato e metronidazol. Este trabalho tem por objetivo relatar o caso de um cão com de infecção periodontal resistente à diversos antimicrobianos, tratado com sucesso com ozonioterapia e fitoterapia. Um cão, macho, da 135
raça cocker spaniel, 12 anos de idade foi atendido na cidade de Botucatu/SP com histórico de infecção periodontal desde os três anos de idade. Os sinais clínicos eram secreção purulenta oral fétida (Figura 1), ulcerações na gengiva (Figura 2) e dificuldade de mastigação. O animal foi submetido a um total de três procedimentos cirúrgicos para remoção de cálculos dentários e dentes inviáveis entre março e novembro de 2018. Previamente ao primeiro procedimento o animal foi tratado com diversos antimicrobianos, dentre eles metronidazol, amoxicilina associado a clavulanato, doxiciclina e metronidazol associado a espiramicina. Após o primeiro procedimento o tratamento se manteve com metronidazol associado a
Figura 1 - Secreção purulenta drenada da região oral 136
Figura 2 - Ulcerações orais
espiramicina. Devido à recidiva foi realizado segundo procedimento periodontal, em julho de 2018, em que também foi coletado swab da secreção periodontal para cultura e antibiograma (Quadro 1), que demonstrou presença de E. coli, P. aeruginosa, Streptococcus β-hemolítico e Staphylococcus β-hemolítico. Os antibióticos testados foram amoxicilina associado a ácido clavulânico, cefalexina, ceftiofur, ceftriaxona, ciprofloxacina, enrofloxacina, levofloxacina, norfloxacina e cefovecin. Apesar do resultado do antibiograma, o animal foi tratado com cefalexina, que demonstrou resistência por E. coli e P. aeruginosa, associado ao metronidazol, não testado para 137
Quadro 1 - Resultado de cultivo e antibiograma de swab de secreção oral
(S) Sensível, (R) Resistente, (PS) Parcialmente Sensível
resistência nesse exame. No entanto, o animal apresentou sinais neurológicos característicos de reação ao metronidazol (dificuldade de locomoção e ataxia). Após mais uma recidiva foi realizado o terceiro procedimento periodontal, no qual aproveitou-se para coleta de biópsia, que
Figura 3 - Histopalógico de região oral evidenciando queilite linfoplasmocitária 138
revelou queilite linfopasmocitária (Figura 3). O animal foi novamente tratado com amoxicilina associado a ácido clavulânico, cujo antibiograma prévio demonstrou resistência por P. aeruginosa, e prednisona em fevereiro de 2019, porém em seguida foi acometido por miíase em região de gengiva de lábio inferior (Figura 4), apresentando edema com sangramento, linfoadenomegalia e aumento da secreção purulenta, foi então prescrito clindamicina e aplicação local de solução à base de clorexidine, xilitol e cúrcuma. De acordo com a proprietária, o animal voltava a apresentar secreção purulenta dentro de 15 dias após
Figura 4 - Histopalógico de região oral evidenciando queilite linfoplasmocitária 139
suspensão do antibiótico. Em fevereiro de 2019 o animal foi encaminhado para tratamento com ozonioterapia, iniciado dia 13. Foi recomendado uso de óleo de girassol ozonizado duas vezes ao dia, diariamente. Devido ao comportamento de agressividade e à dor, a aplicação local de ozônio-oxigênio não foi possível, portanto optou-se por insuflação retal semanal, no volume de 60 mL de ozônio-oxigênio na concentração de 12 µg/mL na primeira sessão, aumentando semanalmente para 19 µg/ml, 24 µg/ml, 30 µg/mL, 36 µg/mL e 40 µg/mL, mantendo nesta concentração. Foi prescrito também fitoterapia chinesa Wu Wei Xiao Du Yin e fitoterapia brasileira Echinacea TM. O animal permaneceu com antibioticoterapia à base de clindamicina até 11 de março de 2019, prescrito por colega. Após três meses do término do antibiótico, a proprietária relatou aumento do odor na boca e um pouco de aumento na salivação, porém sem coleção de pus. Optou-se então por aumentar o volume para 120 mL de ozônio-oxigênio na concentração de 40 µg/mL. Foi instituída também alimentação natural a fim de facilitar o animal em se alimentar. Como resultado não foi mais observado drenagem de secreção, a salivação apresentou-se normal, sem excesso, sem odor fétido, e ausência de úlceras bucais. Ademais, o animal passou a ter comportamento mais ativo e a se alimentar com mais facilidade. O tratamento permanece como descrito até o presente momento. 140
DISCUSSÃO A utilização de ozônio-oxigênio como agente imunomodulador já foi demonstrada, assim como sua ação antimicrobiana e antiviral. Seu uso demonstrou uma alternativa efetiva aos antimicrobianos utilizados sem eficácia no caso relatado. Devido à condição financeira da cliente, não foi possível a realização do procedimento com maior frequência, no entanto, o tratamento sistêmico com ozônio-oxigênio mesmo semanal se mostrou eficaz no presente caso. Assim como demonstrado em estudos prévios, o uso da Echinacea TM teve por objetivo o fortalecimento da imunidade do paciente a fim de que o próprio organismo pudesse combater a infecção que o acometia e dessa forma prevenir recidivas. Na visão do Medicina Tradicional Chinesa, uma infecção bacteriana é considerada invasão de calor e umidade. Wu Wei Xiao Du Yin é uma fórmula magistral que clareia calor, purga o fogo, alivia a toxicidade e reduz edema, carbúnculos e furúnculos da região do alto do corpo, sendo bem indicada e demonstrando bons resultados nesse paciente. A resistência bacteriana aos antimicrobianos tornou-se um problema de saúde pública, e a escassez de opções de antimicrobianos eficazes nos leva a buscar outras opções terapêuticas no tratamento de infecções resistentes, que podem ser utilizadas em diversas espécies animais.
141
CONCLUSĂ&#x192;O A ozonioterapia juntamente com a fitoterapia demonstrou-se eficaz no caso relatado e pode ser uma ferramenta vĂĄlida em casos semelhantes.
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Efeito da ozonioterapia uterina sobre a capacidade antioxidante total determinada por diferentes métodos em éguas saudáveis Effect of intrauterine ozone therapy on total antioxidant capacity determined by different methods in healthy mares Daniela Fernandez Montechiesi 1; Fernanda Saules Ignácio 2; Lidiana Zanetti Amatti 1; Giovanna Gati de Souza 1; Luana Venâncio Garcia 1; Breno Fernando Martins de Almeida 1 1 - Departamento de Medicina Veterinária, Centro Universitário das Faculdades Integradas de Ourinhos (Unifio), Ourinhos, SP, Brasil. 2 - Departamento de Medicina Veterinária, Faculdade Eduvale, Avaré, SP, Brasil.
Autor para correspondência: bfmalmeida@fio.edu.br RESUMO O interesse pela aplicação da ozonioterapia na medicina veterinária tem crescido muito nos últimos anos. Acredita-se que os efeitos benéficos da ozonioterapia sejam basicamente gerados pelo leve estresse oxidativo causado ao interagir com os componentes extracelulares e intrace143
lulares. Na reprodução equina, são escassos os trabalhos sobre a utilização da ozonioterapia em útero de éguas e não há relatos sobre o efeito sistêmico desse tratamento. O estresse oxidativo pode ser avaliado pela mensuração de marcadores como a capacidade antioxidante total (CAT), frequentemente utilizada para avaliar o estado antioxidante de amostras biológicas em resposta a moléculas oxidativas produzidas, uma vez que esse método mede todas as substâncias antioxidantes presentes no plasma e a interação entre eles. Com o objetivo de determinar se a ozonioterapia uterina causa alteração da CAT em éguas saudáveis, bem como determinar o melhor método para sua avaliação, 10 éguas previamente expostas ao estrógeno foram tratadas com ozonioterapia intrauterina por três dias consecutivos. O tratamento consistiu em 2 lavagens com 1 litro por vez de solução ringer com lactato ozonizada por 5 minutos na concentração de 63 µg de O3/mL imediatamente antes da aplicação, seguida de insuflação uterina com a mistura gasosa ozônio-oxigênio na dose de 125 µg de O3/kg, utilizando a concentração de 39 µg/mL e mantida por 5 minutos após a insuflação. Amostras de soro foram obtidas imediatamente antes do protocolo de ozonioterapia (basal) e no terceiro e último dia de tratamento 30 minutos após a ozonioterapia (Dia 3). O estresse oxidativo foi avaliado pela mensuração da CAT por quatro diferentes metodologias. A ozonioterapia intrauterina reduziu níveis de CAT-ABTS (média±desvio144
padrão, 0,45±0,04 vs. 0,26±0,05 mmol/L, p<0,0001), CAT-ABTS+HRP (0,51±0,06 vs. 0,35±0,07 mmol/L, p=0,0039), CAT-CUPRAC (0,59±0,11 vs. 0,44±0,05 mmol/L) e CAT-FRAP (454,5±133,1 vs. 338,1±36,84 µmol/L, p=0,0098) no dia 3 em comparação ao momento basal. A ozonioterapia com solução ozonizada e insuflação uterina induziu estresse oxidativo sistêmico evidenciado pela redução da capacidade antioxidante total sérica, independentemente do método de análise. Palavras-chave: ozônio sistêmico, estresse oxidativo, equinos, intrauterino, absorção ABSTRACT Interest in the application of ozone therapy has increased in veterinary medicine over the last years. It is believed that the beneficial effects of ozone therapy are basically generated by the slight oxidative stress caused by the interaction with extra and intracellular components. In equine reproduction, there are few studies on the intrauterine use of ozone therapy in mares and there are no reports on the systemic effect of this treatment. Oxidative stress can be assessed by measuring markers such as total antioxidant capacity (TAC), often used to assess the antioxidant status of biological samples in response to produced oxidative molecules, since this method measures all antioxidant substances present in plasma and the interaction between them. In order to determine whether uterine 145
ozone therapy causes changes in TAC in healthy mares, as well as to determine the best method for its evaluation, 10 mares were treated with intrauterine ozone therapy for three consecutive days. The treatment consisted of 2 washes with 1 liter at a time of ringer's solution with ozonated lactate for 5 minutes in the concentration of 63 µg of O3/mL immediately before application, followed by uterine insufflation with the ozone-oxygen gas mixture at a dose of 125 µg of O3/kg, using the concentration of 39 µg/mL and maintained for 5 minutes after insufflation. Treatment started one day after intramuscular injection of benzoate of estradiol. Serum samples were obtained immediately before the first day of ozone therapy treatment (baseline) and on the last day of treatment 30 minutes after ozone therapy (Day 3). Oxidative stress was assessed by measuring TAC by four different methodologies. Intrauterine ozone therapy reduced TAC-ABTS levels (mean±standard deviation, 0.45±0.04 vs. 0.26±0.05 mmol/L, p<0.0001), TAC-ABTS+HRP (0.51±0.06 vs. 0.35±0.07 mmol/L, p=0.0039), TAC-CUPRAC (0.59±0.11 vs. 0.44±0.05 mmol/L) and CAT-FRAP (454.5±133.1 vs. 338.1±36.84 µmol/L, p=0.0098) on day 3 compared to baseline. Ozone therapy with ozonized solution and uterine insufflation induced systemic oxidative stress, evidenced by the reduction in total serum antioxidant capacity, regardless of the method of analysis. Keywords: systemic ozone, oxidative stress, horses, in146
trauterine, absorption INTRODUÇÃO O interesse pela aplicação da ozonioterapia na medicina veterinária tem crescido muito nos últimos anos. Devido aos seus efeitos antimicrobianos, o que faz desta técnica uma alternativa ao uso de antibióticos, reduzindo riscos de desenvolvimento de resistência microbiana (TORMIN et al. 2016). O ozônio medicinal, uma mistura de oxigênio e ozônio, com menos de 5% da mistura sendo representada pelo ozônio e o restante é oxigênio (BOCCI, 2006), além de prático e barato, pode ser aplicado por diferentes vias e métodos, como a auto-hemoterapia maior ou menor, a insuflação nas cavidades corporais retal, vaginal, uterina e canal auditivo, o bagging realizado sobre a área a ser tratada além das aplicações intramusculares e subcutâneas (BHATT et al., 2016). Os efeitos benéficos da ozonioterapia são basicamente gerados pelo leve estresse oxidativo causado ao interagir com os componentes extracelulares e intracelulares. Contudo, os benefícios terapêuticos do tratamento só podem ser obtidos quando utilizados dentro de uma janela terapêutica (BHATT et al., 2016). Todas essas características fazem da ozonioterapia uma técnica de interesse tanto na clínica médica (COELHO et al., 2015, VENDRUSCOLO et al., 2018) quanto na reprodução (ZOBEL et al. 2014). Na reprodução equina, traba147
lhos experimentais (FACTOR et al., 2017, CAMPOS et al., 2018) e relatos de caso (MONTECHIESI e IGNÁCIO, 2018) têm sugerido que a ozonioterapia pode ser uma alternativa para o tratamento de endometrites em éguas, a maior causa de infertilidade na espécie (revisado por RUA et al., 2016). O ozônio é um oxidante poderoso devido à sua molécula ser altamente reativa podendo inativar microrganismos, melhorar a resposta imune e induzir analgesia (DURIČIĆ et al., 2015). No entanto, alguns desses efeitos ainda são controversos in vivo, uma vez que a dose indicada para uso sistêmico não foi comprovadamente suficiente para destruir agentes infecciosos sem causar danos teciduais significativos e estresse oxidativo exacerbado (BOCCI, 2006). O atual desafio de pesquisadores é determinar doses seguras, eficazes e seus efeitos no organismo. O estresse oxidativo é definido como um desequilíbrio entre oxidantes e antioxidantes no organismo, em favor dos oxidantes (SIES, 1997). As espécies reativas responsáveis pelo estresse oxidativo são necessárias para a manutenção da homeostase celular, pois são moléculas responsáveis pelos processos de sinalização celular. No entanto, um desequilíbrio nos níveis dessas moléculas pode levar a distúrbios graves nas funções celulares. Portanto, essas moléculas têm funções positivas e negativas (SHIVA et al., 2004). O estresse oxidativo pode ser ava148
liado pela mensuração de marcadores como a capacidade antioxidante total (CAT), frequentemente utilizada para avaliar o estado antioxidante de amostras biológicas em resposta a moléculas oxidativas produzidas, uma vez que esse método mede todas as substâncias antioxidantes presentes no plasma e a interação entre eles (EREL, 2004). OBJETIVO O presente trabalho tem como objetivo determinar se a ozonioterapia uterina causa alteração da capacidade antioxidante total sistêmica em éguas saudáveis, bem como determinar o melhor método para sua avaliação. MATERIAIS E MÉTODOS O experimento foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética no Uso de Animais do Centro Universitário das Faculdades Integradas de Ourinhos, tendo sido aprovado conforme protocolo CEUA-Unifio 02/2020. Foram utilizadas 10 éguas saudáveis, idade de 3-10 anos, pesando entre 320-400Kg, acíclicas, mantidas em um haras na cidade de Cerqueira Cézar, SP. A ozonioterapia foi realizada em três dias consecutivos, iniciada um dia após aplicação de 2,5mg de benzoato de estradiol (Sincrodiol®, Ourofino Saúde Animal, Brasil) por via intramuscular. A ozonioterapia uterina consistiu em cada dia de lavagem com solução ringer com lactato (JP Farma, Riberão Preto, SP, Brasil) ozonizada seguida de insuflação uterina 149
com a mistura gasosa ozônio-oxigênio. Para tal, foi realizada a antissepsia da região perineal das éguas com detergente neutro e secagem com papel toalha. Para ambos os procedimentos, foi utilizado cateter de silicone estéril 32 FR (Bioniche Animal Health, Canadá), que após transpassar a cérvix, teve o balão insuflado com 40 mL de ar com a finalidade de manter a solução ozonizada e posteriormente o gás dentro do útero. Para a lavagem uterina, um litro de solução de ringer com lactato foi ozonizada por 5 minutos a uma concentração de 63 µg de O3/mL e fluxo de 0,125 L/min imediatamente antes da aplicação. O útero de cada égua foi lavado duas vezes com 1 L de solução ozonizada por vez, mantida por 5 minutos, sendo massageado por palpação retal e o líquido recuperado em seguida. Por fim, o útero foi insuflado com mistura gasosa de ozônio-oxigênio na dose de 125 µg de O3/kg, utilizando a concentração de 39 µg/mL, sendo o cateter mantido por 5 minutos dentro do útero das éguas após a insuflação. O ozônio foi gerado usando um gerador portátil (O&L 1.5, Ozone & Life®, São José dos Campos, SP, Brasil) em todos os procedimentos. Para determinar se a ozonioterapia causa alteração nos parâmetros de estresse oxidativo sistêmicos em éguas e em qual momento, amostras de soro foram obtidas imediatamente antes do protocolo de ozonioterapia (basal) e no terceiro e último dia de tratamento 30 minutos após a ozonioterapia (Dia 3). As amostras foram obtidas por 150
punção da veia jugular, sendo armazenadas em tubo com ativador de coágulo e gel separador (Tubo para Sorologia com Gel Separador VACUETTE® 5 mL CAT, Greiner Bio-One GmbH, São Paulo, Brasil). Após a colheita, os tubos foram mantidos em temperatura ambiente por 30 min, tempo necessário para retração do coágulo. Posteriormente, as amostras foram centrifugadas por 10 min à 3000 rpm para obtenção do soro, que foi fracionado e armazenado sob proteção da luz a -20ºC até as análises laboratoriais por um período máximo de um mês. O estresse oxidativo foi avaliado pela mensuração da CAT por quatro diferentes metodologias: pelo método de inibição do cátion ABTS (CAT-ABTS) descrito por Erel (2004), pela inibição do cátion ABTS associado à peroxidase (CAT-ABTS+HRP) descrito por RUBIO et al. (2016a), pela capacidade antioxidante cúprica redutora (CAT-CUPRAC) conforme RUBIO et al. (2016b) e pela capacidade de redução férrica do plasma (CAT-FRAP) segundo método de BENZIE e STRAIN (1996) modificado por RUBIO et al. (2017). As variáveis foram testadas quanto à normalidade pelo Teste de Shapiro-Wilk e as diferenças entre os momentos foram testadas utilizando teste de t pareado ou Wilcoxon. Todas as análises estatísticas foram efetuadas em programa computacional (GraphPad Prism, v.6.00 para Windows, GraphPad Software, La Jolla, CA, USA, graphpad.com), sendo considerados significantes quando p<0,05. 151
RESULTADOS A ozonioterapia intrauterina reduziu níveis de CATABTS (média±desvio-padrão, 0,45±0,04 vs. 0,26±0,05 mmol/L, p<0,0001), CAT-ABTS+HRP (0,51±0,06 vs. 0,35±0,07 mmol/L, p=0,0039), CAT-CUPRAC (0,59±0,11 vs. 0,44±0,05 mmol/L) e CAT-FRAP (454,5±133,1 vs. 338,1±36,84 µmol/L, p=0,0098) no dia 3 em comparação ao momento basal (Tabela 1).
Tabela 1 – Média±desvio-padrão dos níveis de CATABTS, CAT-ABTS+HRP, CAT-CUPRAC dosados do soro sanguíneo de éguas imediatamente antes (momento basal) e três dias após aplicação intrauterina de ozônio.
CAT-ABTS (mmol/L)
Momento basal
3 dias após O3 intrauterino
0,45±0,04 a
0,26±0,05 b
CAT-ABTS+HRP (mmol/L) 0,51±0,06 a CAT-CUPRAC (µmol/L)
454,5±133,1
0,35±0,07 b a
338,1±36,84 b
Letras minúsculas diferentes indicam diferença estatística (P<0,05) na mesma linha.
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DISCUSSÃO Este estudo teve como objetivo verificar se a ozonioterapia intrauterina causa estresse oxidativo em éguas. Para tal, foi realizada a avaliação de marcadores de estresse oxidativo no momento exatamente antes do início do tratamento e após a última aplicação no terceiro dia consecutivo de tratamento. O estresse oxidativo foi detectado ao fim do tratamento pela redução da CAT, baseada nos níveis de CAT-ABTS, CAT-ABTS+HRP, CAT-CUPRAC e CAT-FRAP. Raros são os estudos em que marcadores de estresse oxidativo foram avaliados em equinos submetidos à ozonioterapia. Um estudo falhou em demonstrar mudanças nos níveis de d-ROMs, o qual mediu radicais alcoólicos e hidroperoxila livres derivados de hidroperóxidos presentes na amostra. No entanto, os autores observaram um aumento dos antioxidantes 3 e 7 dias após o uso da auto-hemoterapia maior, o qual reduziu o índice de estresse oxidativo (TSUZUKI et al., 2016). No presente estudo, a CAT sofreu redução após a lavagem uterina com soro ringer com lactato ozonizado seguido de insuflação com ozônio medicinal na dose de 125 µg de ozônio/kg. Considerando que TSUZUKI et al. (2016) administraram o ozônio pela via sanguínea, os resultados indicam que o estresse oxidativo causado diretamente na circulação induz maior resposta antioxidante, levando a um aumento no potencial antioxidante biológico, no entanto, chama a 153
atenção o fato de não aumentar os níveis de d-ROMs. Ainda, de acordo com os autores, o estresse oxidativo induzido pela ozonioterapia é baixo e transitório, resultados similares foram observados embora parcialmente avaliados pelo presente estudo. Em ratos, os efeitos da ozonioterapia sobre marcadores de estresse oxidativo são controversos. Enquanto um estudo demonstrou que a aplicação intrarretal de ozônio aplicada por 5 dias foi suficiente para levar ao aumento da CAT (ONAL et al., 2015), outro estudo demonstrou que duas doses diferentes de ozônio aplicadas por via intraperitoneal e durante dez dias resultou na redução da CAT (SIMOS et al., 2011). Em humanos com comprometimento da artéria coronária e evidente redução de valores de CATFRAP, a ozonioterapia por insuflação retal contribui para o aumento da CAT-FRAP, embora não a valores normais (MARTINEZ-SANCHEZ et al., 2012). Aparentemente, via, método e duração da ozonioterapia influenciam diretamente na resposta corporal ao estresse oxidativo. No presente estudo, independentemente do método utilizado, a ozonioterapia com solução ozonizada e insuflação uterina promoveu a redução da CAT no terceiro e último dia de tratamento. Sendo assim, qualquer método de avaliação da CAT pode ser utilizado para avaliar o estresse oxidativo induzido pela ozonioterapia intrauterina em éguas sob ação estrogênica. A importância de se usar diferentes metodologias de avaliação da CAT se mantém, 154
uma vez que cada método avalia diferentes antioxidantes, consequentemente, diferentes mecanismos do estresse oxidativo e diferentes espécimes podem produzir diferentes resultados. Os achados do presente estudo devem considerar a influência hormonal no momento do tratamento e determinada previamente pelos pesquisadores. O estrógeno promove aumento do infiltrado leucocitário uterino e apresenta importante função vasoativa (MCKINNON et al., 2011), funções importantes que fazem dessa influência, seja natural (estro em éguas cíclicas) ou induzida (aplicação de estrógenos exógenos), a preferida por médicos veterinários e pesquisadores para acesso uterino e aplicação de tratamentos locais (FERRIS, 2017), e que pode ter interferido na resposta sistêmica ao estresse oxidativo. Conclui-se que a ozonioterapia intrauterina realizada por três dias consecutivos em éguas saudáveis estrogenizadas induziu estresse oxidativo sistêmico evidenciado pela redução da capacidade antioxidante total sérica, independentemente do método de análise. REFERÊNCIAS BENZIE, I.F.F.; STRAIN, J.J. The ferric reducing ability of plasma (FRAP) as a measure of “antioxidant power”: The FRAP assay. Anal. Biochem., v.239, p.70-76, 1996. https://doi.org/10.1006/abio.1996.0292 BHATT, J.; BHAT, A.R.; DHAMA, K.; AMARPAL. An overview of ozone therapy in equine – na emerging healthcare solution. J. Exp. Biol. Agric. Sci., v.4, p. S203-S210, 2016. 155
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Utilização da ozonioterapia e modulador frequencial quântico no tratamento integrativo de gastrite e colite aguda em um cão - relato de caso Utilization of ozone therapy and quantum frequency modulator in the integrative treatment of gastritis and acute colitis in a dog - case report Fabíola Cardoso Knupp 1; Rafael Franchi Traldi 2 1- Médica Veterinária, pós-graduanda em medicina veterinária integrativa pela Anclivepa-SP - Maringá/ Paraná/ Brasil. 2- Médico-veterinário pesquisador do IBO3A – Campinas/ São Paulo/ Brasil.
Autor para correspondência: fabiknupp@gmail.com RESUMO A colite aguda é uma doença inflamatória em cólon muito comum nos cães, tendo como principais causas as infecções bacterianas, manejo dietético errado e parasitoses, sendo que a causa subjacente tende a ser autolimitante. Os sinais clínicos mais comuns apresentam-se como hematoquezia, muco nas fezes, tenesmo e vômitos com pouca frequência. Já a gastrite aguda é causada comumente pela ingestão de alimentos estragados ou contaminados, corpos estranhos, plantas tóxicas, agentes 159
químicos e fármacos irritantes. O sinal clínico mais comum é êmese com presença ou ausência de alimentos. Foi atendido um cão, macho, de um ano de idade, da raça lhasa apso, castrado, 7 Kg, pelagem longa branca e preta, com êmese, hematoquezia com presença de muco nas fezes, apatia e hiporexia e histórico de hepatopatia aguda. No exame físico foi constatado abdominalgia em regiões epigástrica e hipogástrica, desidratação de até 5%, normotermia. Alterações em exame ultrassonográfico sugestivo de gastrite, colite e linfonodos cólicos reativos/ inflamatórios. Já em exames laboratoriais clínicos, apresentou-se hemoconcentração leve e aumento de fosfatase alcalina. A ozonioterapia foi o tratamento de eleição por suas características anti-inflamatórias, agindo na modulação do estresse oxidativo no trato gastrointestinal pelo sistema GALT. Em sinergia com a técnica de acupuntura, aplicando localmente em acupontos, através da mistura oxigênio-ozônio e solução de cloreto de sódio 0,9% ozonizada, podemos diminuir doses medicamentosas e até mesmo o tempo de tratamento. O modulador quântico de eleição age equilibrando o pH de todo o trato gastrointestinal, sem efeitos colaterais conhecidos. Palavras-chave: ozonioterapia, modulador quântico, gastrite, colite aguda, cão. ABSTRACT Acute colitis is a very common inflammatory colon di160
sease in dogs, having as main causes bacterial infections, wrong dietary management and parasites, the underlying cause tending to be self-limiting. The most common clinical signs are haematochezia, mucus in the stool, tenesmus and vomiting infrequently. Acute gastritis is commonly caused by eating spoiled or contaminated food, foreign body, toxic plants, chemical agents and irritating drugs. The most common clinical sign is emesis with presence or absence of food. A male dog was attended, one-year-old Lhasa Apso breed, neutered, 7 kg, long white and black coat, with emesis, hematochezia with mucus in the stool, apathy and hypoxia and a history of acute liver disease. Physical examination revealed abdominal pain in the epigastric and hypogastric regions, dehydration of up to 5% and normothermia. Changes in ultrasound examination suggestive of gastritis, colitis and colic reactive / inflammatory lymph nodes. In clinical laboratory exams, there was mild hemoconcentration and increased alkaline phosphatase. Ozone therapy was the treatment of choice for its anti-inflammatory characteristics, acting on the modulation of oxidative stress in the gastrointestinal tract by the GALT system. In synergy with the acupuncture technique, applying locally to acupoints, through the oxygen-ozone mixture and 0.9% ozonized sodium chloride solution, we can reduce medication doses and even the treatment time. The quantum frequency modulator of choice, works by balancing 161
the pH of the entire gastrointestinal tract and without known side effects. Keywords: ozone therapy, quantum modulator, gastritis, acute colitis, dog. HISTÓRICO No dia 23/04/2020 foi atendido em domicílio um cão, macho, de um ano de idade, da raça Lhasa Apso, castrado, pelagem longa branca e preta, pesando 7 Kg, com êmese de coloração amarelada e líquida, hematoquezia com presença de muco nas fezes, apatia e hiporexia. Tutor relatou que animal já apresentou hepatopatia aguda, já resolvida, e que não queria usar medicações alopáticas no tratamento.
Figura 1 - Presença de muco nas fezes 162
EXAME FÍSICO E DIAGNÓSTICO No exame físico foi constatado abdominalgia em regiões epigástrica e hipogástrica, desidratação de até 5%, normotermia. Em exame ultrassonográfico apresentou-se com espessamento de parede gástrica, medindo 0,60cm de espessura e camada mucosa ecogênica e padrão de camadas mantidos, sugerindo gastrite; cólon com discreto conteúdo gasoso e líquido, e parede espessada, medindo 0,42cm de espessura, com padrão de camadas mantido, porém camada mucosa ecogênica, sugerindo colite; e, linfonodos cólicos reativos/ inflamatórios com dimensões levemente aumentadas, contornos regulares e ecogênicos levemente heterogêneos. Já em exames laboratoriais clínicos, apresentou-se hemoconcentração leve (hematócrito 59,2%) e aumento de fosfatase alcalina (384,9 U/L).
Figura 2 - Observação ultrassonográfica do espessamento de parede do cólon, sugerindo colite 163
Figura 3 - Observação ultrassonográfica dos linfonodos cólicos reativos
Figura 4 - Observação ultrassonográfica do espessamento de parede do estômago, sugerindo gastrite 164
TRATAMENTO E EVOLUÇÃO Na primeira semana de tratamento, nos dias 28/04/2020 e 01/05/2020 foram realizados um primeiro protocolo: enema de óleo de girassol ozonizado da marca Ozone&life® diluído em solução de cloreto de sódio 0,9%, na proporção de 1:1, com volume total de 21 mL (3 ml/kg), aplicado por meio de uma seringa de 20 ml, acoplada a uma sonda uretral tamanho 6, com sua extremidade lubrificada com óleo ozonizado de mesma fabricante, inserindo-a de 5 a 10 cm no reto do animal, duas vezes na semana em conjunto com ozoniopuntura (aplicação de gás da mistura oxigênio-ozônio em pontos de acupuntura), nos pontos IG-11, IG-10 e E-36, bilateralmente, com concentração de 5 mcg/ml, volume de 1 ml por ponto. A ozoniopuntura foi realizada por meio de um scalp tamanho 27 GA e seringa de 10 mL. O gerador de ozônio utilizado durante todo o tratamento foi da fabricante Philozon®, modelo Medplus V. Ainda, no ponto de acupuntura VG-14, foi feito a aplicação de 2 ml de solução de cloreto de sódio 0,9% ozonizada (aquapuntura ozonizada). A solução de cloreto de sódio 0,9% foi ozonizada na concentração de 60 mcg/ml durante 10 minutos. Durante essa semana, animal apresentou um episódio de hematoquezia, dois dias após a aplicação do primeiro enema ozonizado. Não houve relato de vômitos e abdominalgia, paciente apresentou apetite normal e peso corporal se manteve o mesmo. 165
Na segunda semana de tratamento foi estipulado um segundo protocolo: insuflação retal da mistura gasosa de oxigênio- ozônio de concentração 15 mcg/ml e volume de 5 ml/Kg, duas vezes na semana. Para tal, a aplicação do gás era realizada por meio de uma seringa de 20 ml, acoplada a uma sonda uretral tamanho 6, com sua extremidade lubrificada com óleo ozonizado da fabricante Ozone&life®, inserindo-a de 5 a 10 cm no reto do animal. Manteve-se o protocolo de ozoniopuntura anterior, uma vez na semana. Foram realizados nos dias 06/05, 08/05, 12/05, 14/05, 17/05, 19/05, 24/05, 26/05, 31/05 e 02/06/2020. A ozoniopuntura foi realizada nos dias 06/05, 12/05, 17/05, 24/05, 31/05/2020. Durante esses dias, foi relatado que o animal não apresentou êmese, as fezes com formato cilindro, úmidas e de consistência macia, peso corporal manteve-se 7 Kg, apetite bom e ausência de apatia. Para equilíbrio de pH gástrico e cólico, utilizou-se o modulador frequenciador quântico Azianon®/Fisioquantic® (2,5 mL, via oral, uma vez ao dia, durante um mês). Os exames foram repetidos após um mês do fim do tratamento, no dia 13/07/2020, com valores de fosfatase alcalina normalizados (47,7 U/L - valores de referência 10,0 a 96,0 U/L). Em imagens de ultrassonografia, o cólon apresentou parede normoespessa com padrão de camadas mantido, medindo 0,14cm de espessura e estômago com parede normoespessa com padrão de camadas mantido, medindo 0,30 cm de espessura. 166
Figura 5 - Observação ultrassonográfica da parede normoespessa do estômago, após tratamento
Figura 6 - Observação ultrassonográfica da parede normoespessa do cólon, após tratamento. 167
Figura 7 - Resultados dos exames de hemograma e bioquĂmica clĂnica no dia 24/04/2020 168
Figura 8 - Resultado dos exames de hemograma e bioquímica clínica do dia 13/07/2020, pós tratamento 169
CONCLUSÃO A ozonioterapia, nas formas aplicadas, mostrou-se efetiva no tratamento da gastrite e da colite aguda do paciente, com resolução dos sinais clínicos e normalização de parâmetros em exames laboratoriais e de imagem. É sabido que o ozônio é um agente oxidante com potencial anti-inflamatório e, se utilizado de maneira correta tem baixas chances de efeitos colaterais, sem acúmulo no organismo, de aplicabilidade de forma simples, barata e com grande custo benefício. Já o Azianon® age equilibrando o pH do trato gastrointestinal, de fácil administração, sem se acumular no corpo e sem efeitos colaterais até então descritos, agindo em sinergismo com a ozonioterapia.
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Integração da ozonioterapia e quimioterapia no tratamento de mastocitoma canino – relato de caso Integration of ozone therapy and chemotherapy in the treatment of canine mastocytoma - case report Vaneska Mattos da Silva Rego 1; Alessandra Herlein Muri 2 1 – Médica Veterinária Autônoma, esp. em Dermatologia pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia USP e Ozonioterapeuta habilitada pelo Instituto Bioethicus – Natal/RN/Brasil 2 – Mestre pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia Unesp Jaboticabal, Pós Graduada em Oncologia pelo Instituto Qualittas – Natal/RN/Brasil
Autor para correspondência: vanmattos@bol.com.br RESUMO Foi atendido no Hospital Veterinário Reino Animal na cidade de Natal- RN, cão, fêmea , SRD, 08 anos de idade , apresentando um nódulo ulcerado irregular na base dorsal da cauda, medindo aproximadamente 6 cm de diâmetro com histórico de recidiva, segundo o tutor há menos de 1 mês havia sido removido um pequeno nódulo desse mesmo local, o qual não foi realizado avaliação histopatológica. O animal foi então submetido a avaliação clínica, laboratorial e exames de imagem pré cirúrgico e 171
posteriormente realizado cirurgia para remoção do nódulo, juntamente com linfonodectomia e análise histopatológica. O exame histopatológico diagnosticou MASTOCITOMA DE ALTO GRAU / GRAU III, com METÁSTASE DE MASTOCITOMA ALTO GRAU EM LINFONODO e margens cirúrgicas comprometidas. O animal foi encaminhado para a Clínica Veterinária Oncológica SanVet para tratamento quimioterápico adjuvante, o protocolo preconizado foi vimblastina e glicocorticoide. Após a segunda sessão de vimblastina os exames laboratoriais apresentaram importantes alterações e o animal foi encaminhado para tratamento integrativo de ozonioterapia, a fim de melhorar os indicadores bioquímicos e hematológico e dar suporte para seguimento à quimioterapia. Os protocolos utilizados foram de dez sessões semanais de insuflação do gás via intra retal (IR) e quatro sessões semanais de auto hemoterapia menor ozonizada (AHTMeO). A ozonioterapia foi eficaz na modulação do estresse oxidativo, modulando o sistema imunológico e reequilibrando a função hepática, reduzindo os efeitos colaterais da quimioterapia e controlando a síndrome paraneoplásica. No entanto, a ozonioterapia e a quimioterapia não foram capazes de evitar a recidiva do mastocitoma. Palavras-chave: ozonioterapia, quimioterapia, mastocitoma, canino
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ABSTRACT Was attended at the Veterinary Kingdom Animal Hospital in the city of Natal- RN, dog, female, SRD, 08 years old, presenting an irregular ulcerated nodule at the dorsal base of the tail, measuring approximately 6 cm in diameter with a history of recurrence, according to the tutor less than 1 month, a small nodule had been removed from that same site, but histopathological evaluation was not performed. The animal was then submitted to clinical, laboratory and pre-surgical imaging exams and subsequently surgery to remove the nodule, along with lymph node and histopathological analysis. Histopathological examination diagnosed HIGH-GRADE / GRADE III MASTOCYTOMA, with HIGH-GRADE MASTOCYTOMA METASTASIS IN LYMPH NODE and compromised surgical margins. The animal was referred to the SanVet Veterinary Oncological Clinic for adjuvant chemotherapy treatment, the recommended protocol was vinblastine and glucocorticoid. After the second vinblastine session, laboratory tests showed important changes and the animal was referred for integrative ozone therapy treatment, in order to improve biochemical and hematological indicators and provide support for follow-up chemotherapy. The protocols used were ten weekly sessions of gas insufflation via intra-rectal (IR) and four weekly sessions of auto ozone minor hemotherapy (AHTMeO). Ozone therapy was effective in modulating oxidative stress, modu173
lating the immune system and rebalancing liver function, reducing the side effects of chemotherapy and controlling paraneoplastic syndrome. However, ozone therapy and chemotherapy were not able to prevent mastocytoma recurrence. Keywords: ozone therapy, chemotherapy, mastocytoma, canine HISTÓRICO Foi atendido no Hospital Veterinário Reino Animal na cidade de Natal- RN, cão, fêmea , SRD, 08 anos de idade , apresentando um nódulo ulcerado irregular na base dorsal da cauda, medindo aproximadamente 6 cm de diâmetro com histórico de recidiva, segundo o tutor há menos de 1 mês havia sido removido um pequeno nódulo desse mesmo local, o qual não foi realizado avaliação histopatológica. O animal foi então submetido a avaliação clínica, laboratorial e exames de imagem pré cirúrgico e posteriormente realizado cirurgia para remoção do nódulo, juntamente com linfonodectomia e análise histopatológica. EXAME FÍSICO No exame físico o animal apresentava um nódulo ulcerado irregular na base dorsal da cauda, medindo aproximadamente 6 cm de diâmetro com histórico de recidiva e 174
sem outras alterações no exame físico. Os exames bioquímicos e hematológico pré operatório se apresentaram dentro dos valores normais de referência: Ureia 36,0mg/dl; Creatinina 1,1mg/dl; ALT (TGP) 76,0UI/L; Colesterol 202,0mg/dl; Triglicerídeos 105,0mg/dl; HEMOGRAMA: Hematócrito 59%; Leucocitos 10.000/mm²; Plaquetas 499 x10³/mm³, Proteína total 9,20 g/dl. DIAGNÓSTICO O laudo histopatológico por meio da biopsia excisional, diagnosticou MASTOCITOMA DE ALTO GRAU / GRAU III, com METÁSTASE DE MASTOCITOMA ALTO GRAU EM LINFONODO e margens cirúrgicas comprometidas, com figuras de mitose: 08 (10 campos/40x). O animal foi então encaminhado para a Clínica Veterinária Oncológica SanVet para tratamento quimioterápico adjuvante. TRATAMENTO E EVOLUÇÃO O protocolo quimioterápico preconizado foi vimblas175
tina 2,0 mg/m² com intervalos de 7 dias nas 4 primeiras sessões e intervalo de 14 dias nas 4 sessões seguintes totalizando 8 sessões e glicocorticoide na dose de 1 mg/kg durante 15 dias passando para a dose de 0,5 mg/kg durante 10 semanas. Os exames laboratoriais foram repetidos após sete dias da primeira sessão de quimioterapia, onde observamos importantes alterações: ALT (TGP): 260 U/L (21–73 U/L); Fosfatase Alcalina: 1.665U/L 1.665 (20-156 U/L); HEMOGRAMA: Hematócrito 45% (37-55%); Leucócito 3.470/mm³ (6.000–17.000/mm3); Plaquetas 409.000 mm³ (200.000-900.000/mm3). Tendo em vista o resultado dos últimos exames e os efeitos colaterais comumente observados com a quimioterapia, após a segunda sessão de vimblastina o animal foi encaminhado para tratamento integrativo de ozonioterapia, afim de melhorar os indicadores bioquímicos e hematológico e dar suporte para seguimento à quimioterapia. Após duas sessões de quimioterapia foi iniciado o tratamento com ozônio, para a produção da mistura gasosa O2/O3 foi utilizado o equipamento OZONELIFE®. Os protocolos utilizados foram de dez sessões semanais de insuflação do gás via intra retal (IR) e quatro sessões semanais de auto hemoterapia menor ozonizada (AHT176
MeO), com coleta do sangue na jugular e aplicação intramuscular no membro posterior, alternando o membro a cada semana, seguindo a seguinte sequência de administração semanal: 1ª Sessão: IR: concentração 13 µg/mL e volume total 120 mL AHTMeO: concentração 20 µg/mL e volume total 2,5 mL 2ª Sessão: IR: concentração 15 µg/ml e volume total 120 mL AHTMeO: concentração 30 µg/ml e volume total 2,5 mL 3ª Sessão: IR: concentração 17 µg/mL e volume total 120 mL 4ª Sessão: IR: concentração 20 µg/mL e volume total 120 mL AHTMeO: concentração 30 µg/ml e volume total 2,5 mL 5ª à 10ª Sessão: IR: concentração 20 µg/ml e volume total 120 mL AHTMeO: suspendida Em geral, após três dias da sessão de ozonioterapia e um dia antes da próxima sessão de quimioterapia o animal era monitorado com exames bioquímicos e hematológico apresentando hematócrito, plaquetas e proteínas plasmáticas Totais sempre dentro dos valores normais de referência e abaixo relatado somente a evolução dos parâmetros alterados anteriormente nos exames: Antes da 1ª Sessão de ozonioterapia: Leucócitos: 3.470 (6.000–17.000/mm3) 177
ALT (TGP): 260 (21–73 U/L) Fosfatase Alcalina: 1.665 (20-156 U/L) Após a 1ª Sessão: Leucócitos: 10.540 (6.000–17.000/mm3) ALT (TGP): 314 (21–73 U/L) Fosfatase Alcalina: 1.778 (20-156 U/L) Após a 2ª Sessão: Leucócitos: 6.860 (6.000– 17.000/mm3) AST (TGO): 54 (21–45) Fosfatase Alcalina: 829 (20-156 U/L) Após a 4ª Sessão: Leucócitos: 9.010 (6.000–17.000/mm3) AST (TGO): 54 (21–45) Fosfatase Alcalina: 488 (20-156 U/L) Após a 6ª Sessão: Leucócitos: 8.700 (6.000–16.000/mm3) ALT (TGP): 75 (10–88 U/L) Fosfatase Alcalina: 146 (20-106 U/L) Após a 8ª Sessão: Leucócitos: 9.800 (6.000–17.000/mm3) ALT (TGP): 79 (10–88 U/L) Fosfatase Alcalina: 129 (20-106 U/L) Após a 9ª Sessão: ALT (TGP): 76 (21–73 U/L) Fosfatase Alcalina: 179 (20-156 U/L) O animal também foi suplementado com: Promum Dog Neo-P – Organnact (3 gramas ao dia), Spirulina – Nutrisana (1 cápsula 2 vezes ao dia), Vitamina D (5 gotas ao dia), Ograx-3 500 mg – Avert (1 cápsula ao dia) e composto manipulado de Vitamina C 50mg, Vitamina E 75 UI e Vitamina A 1.800 UI (1 dose 2 vezes ao dia, exceto no dia da 178
Insuflação intrarretal de ozônio
ozonioterapia). Desta forma a ozonioterapia foi mantida durante 10 sessões. Após a primeira sessão de ozonioterapia o tutor relatou ter observado o animal somente um pouco febril e durante todo o restante do tratamento não apresentou qualquer desconforto ou sintoma clínico, contudo, após a 8ª sessão de ozonioterapia e 7ª sessão de quimioterapia, apresentou formações nodulares eritematosas, edemaciadas, de tamanhos 179
variados na região abdominal ventral, sendo necessário mudança de protocolo para terapia de resgate com Lomustina via oral na dose de 80 mg/m². Animal segue em tratamento com taxas hematológicas estáveis. CONCLUSÃO Conclui-se que a ozonioterapia foi eficaz na modulação do estresse oxidativo, modulando o sistema imunológico e reequilibrando a função hepática, reduzindo os efeitos colaterais da quimioterapia e controlando a síndrome paraneoplásica. No entanto, como terapia complementar, não foi capaz de tratar o mastocitoma ou mesmo de evitar sua recidiva neste caso.
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Tratamento de artrite séptica temporomandibular através de lavado articular com solução salina ozonizada em um equino – relato de caso Treatment of temporomandibular septic arthritis by ozonized saline solution flushing in equine – case report Jullie Souza de Santana Santos¹; Tales Sousa Barbosa¹; Ana Vitória Dias do Nascimento¹; Thayná Almeida Santos¹; Maria Amélia Fernandes Figueiredo². 1- Discente de graduação em Medicina Veterinária, Universidade Estadual de Santa Cruz – Ilhéus - Bahia - Brasil 2-Prof. Adjunto, Departamento de Ciências Agrárias e Ambientais – Universidade Estadual de Santa Cruz – Ilhéus – Bahia – Brasil.
Autor para correspondência: mel@uesc.br RESUMO A artrite séptica é uma importante enfermidade na espécie equina por seu caráter progressivo e erosivo. Um quadro de artrite séptica deve ser considerado emergencial e de atenção imediata. Relata-se o caso de uma égua, mestiça, que apresentou ferimento na região temporal es181
querda da cabeça, inicialmente tratado como ferida superficial, com antissepsia local e antibioticoterapia sistêmica, sem resultado. Encaminhado para exame especializado, o equino apresentava aumento de volume na articulação temporomandibular esquerda e um ferimento linear sobre o local de onde drenava secreção mucopurulenta, desconforto à palpação local, apatia, caquexia e disorexia. As imagens radiográficas mostraram radiopacidade na região da ATM. A artrocentese guiada por ultrassom confirmou que a secreção purulenta era proveniente da articulação temporomandibular esquerda, fechando o diagnóstico de artrite séptica. Optouse pelo tratamento com soro ozonizado, através de lavado articular guiado por ultrassom, com o equino em estação, sob sedação com detomidina e bloqueio local com lidocaína. Foram realizadas três intervenções intercaladas de 48 horas. Ao final do tratamento, observou-se regressão do quadro e completa cicatrização. Palavras-chave: artrocentese, artropatia, cavalo, ortopedia, ozonioterapia. ABSTRACT Septic arthritis is an important disease in the equine due to its progressive and erosive evolution. Septic arthritis must be considered emergency and demands immediate attention. We report the case of a cross-bread mare that presented a wound in the left temporal region, initially 182
treated as a superficial wound, with local antisepsis and systemic antibiotic therapy, with poor results. Referred for specialized examination, the mare presented stiffness of the left temporomandibular joint and a linear wound draining mucopurulent secretion, pain on local palpation, apathy, cachexia and dysorexia. Radiographic images showed radiopacity in the TMJ region. Ultrasound-guided arthrocentesis confirmed that the purulent secretion came from the left temporomandibular joint, diagnosing septic arthritis. Therapy was performed by ultrasoundguided articular lavage using ozonized saline solution, with the horse under detomidine sedation and local block with lidocaine. Three sessions of therapy with 48-hour intervals were performed. At the end of the treatment, there was regression of the infection and complete healing. Keywords: arthrocentesis, arthropathy. horse, orthopedy, ozone therapy. HISTÓRICO Relata-se o caso de uma égua mestiça, de sete anos, que apresentou ferimento na região temporal esquerda da cabeça devido a acidente com arame farpado, que a princípio foi avaliado e tratado como ferida superficial, apenas com antissepsia local. Uma semana depois do acidente observou-se que o local da perfuração apresentava aumento de volume e drenava uma secreção purulenta espessa. O animal mostrava visível desconforto com 183
dificuldade de se alimentar. Por falta de profissional capacitado para exame e intervenção mais especializados na ocasião, optou-se por realizar antibioticoterapia sistêmica com cloridrato de ceftiofur (2,2 mg/kg/dia IM por 7 dias). A princípio o animal apresentou pequena melhora, com redução do desconforto e da secreção, porém após a suspensão do antibiótico voltou a agravar o quadro, evoluindo para a perda progressiva da condição corporal. Optou-se então pelo encaminhamento para exame especializado. EXAME CLÍNICO E DIAGNÓSTICO No atendimento, realizado na clínica de grandes animais do Hospital Veterinário da UESC, o equino apresentava escore corporal 2, aumento de volume na articulação temporomandibular esquerda e um ferimento linear sobre o local, com cerca de 8 cm, de onde drenava secreção mucopurulenta. O animal apresentava desconforto à palpação local, apatia, caquexia e disorexia. Suspeitou-se de artrite séptica da articulação têmporo-mandibular (ATM), e recomendou-se então exames de imagem da região. As imagens radiográficas mostraram radiopacidade na região da ATM, sugestiva de conteúdo líquido denso (Figura 1). À ultrassonografia observou-se presença de conteúdo hiperecóico e heterogêneo na articulação (Figura 2). Procedeu-se a artrocentese guiada por ultrassom, que confirmou que a secreção purulenta era proveniente da 184
ATM esquerda, fechando o diagnóstico de artrite séptica pela clínica apresentada. Devido ao quadro severo e avançado optou-se pela instituição imediata do tratamento, sem aguardar o resultado do exame de cultura da secreção.
Figura 1 - Radiografia latero-lateral da cabeça mostrando radiopacidade na ATM - Maria Amelia Fernandes Figueiredo 185
Figura 2 - Ultrassonografia da articulação temporo-mandibular mostrando conteúdo hiperecoico e heterogêneo sugestivo de pus - Maria Amelia Fernandes Figueiredo
TRATAMENTO E EVOLUÇÃO Uma vez que o equino já tinha sido submetido a antibioticoterapia sistêmica, optou-se por realizar o tratamento por lavado da articulação utilizando solução salina ozonizada na concentração de 40 μg/mL, com uso de 186
aparelho de ozônio medicinal. O procedimento foi realizado com o animal em estação, sob sedação com detomidina 1% (20μg/kg IV) e bloqueio anestésico local com lidocaína a 2%. Após sedação, era feita a antissepsia cirúrgica do local, e punção da articulação guiada por ultrassom
Figura 3 - Posicionamento das agulhas guiado por ultrassom - Maria Amelia Fernandes Figueiredo 187
(Figura 3), posicionando-se uma agulha 40G na posição dorsal, na região entre o arco zigomático e a base da orelha, e uma segunda agulha na região lateral da têmpora, caudal ao côndilo mandibular (Figura 4). Utilizou-se a cada lavado 500 mL da solução salina, que era ozonizada imediatamente antes do procedimento. Foram realizadas três intervenções com intervalo de 48 horas. Após o procedimento o local era mantido aberto, sem curativo, apenas se aplicando spray repelente. Observou-se melhora significativa já após a primeira aplicação, com o equino mostrando disposição e apetite. Ao final do tratamento, observou-se regressão do quadro e completa cicatrização, sem recidivas. CONCLUSÃO O tratamento da artrite séptica unicamente com solução salina ozonizada mostrou-se efetivo no caso apresentado, sendo uma opção interessante especialmente em animais submetidos a tratamento prévio ineficaz com antibióticos, diante do risco de desenvolvimento de resistência microbiana.
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Figura 4 - Lavado articular com solução salina ozonizada - Maria Amelia Fernandes Figueiredo 189
Associação da ozonioterapia na insuficiência renal aguda por necrose tecidual em canino - relato de caso Association of ozone therapy in acute renal insufficiency for canine tissue necrosis - case report Vaneska Mattos da Silva Rego 1 ; Sílvia Aparecida Cavalcanti de Queiroz 2 1 – Médica Veterinária Autônoma, esp. em Dermatologia pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia USP e Ozonioterapeuta habilitada pelo Instituto Bioethicus – Natal/RN/Brasil 2 – Médica Veterinária Autônoma da Clínica Veterinária Canis e Catus, esp. em Dermatologia pela Equalis – Natal/RN/Brasil
Autor para correspondência: vanmattos@bol.com.br RESUMO Foi atendido na Clínica Veterinária Canis e Catus na cidade de Natal- RN, cão, fêmea , SRD, 07 anos de idade, 18 Kg, apresentando uma grande placa de edema em região lateral direita de tórax e abdômen e hipertermia, segundo o tutor decorrente de aplicação de soro subcutâneo com vitaminas que o mesmo fez em casa por conta própria. O quadro evoluiu com presença de sufusão em pele abdominal e inguinal, membros posteriores e membro torácico direito edemaciados, ofegância e fasciculações 190
musculares. A avaliação laboratorial e os exames bioquímicos e hematológico diagnosticaram doença renal aguda e infecção persistente. O animal foi internado e o protocolo aplicado foi: fluidoterapia intravenosa de manutenção, metronidazol, ceftriaxona, carprofeno, dipirona, tramadol, omeprazol, citrato de maropitant. Antes de estabilizar o quadro o animal foi retirado do internamento pelo tutor, por impossibilidade financeira de manter o tratamento interno, e foram mantidas as medicações por via oral em casa. Neste momento o animal apresentava acentuado edema nos quatro membros, com sinal de Godet positivo quadripedal, fístulas e início de áreas necrosadas em região tóraco-lombar lateral direita e abdômen lateral direito, inapetente, contudo, estava ativo e apresentava normoúria e normoquesia. Tendo em vista o resultado dos exames e o quadro dermatológico instalado, ao ser retirado da internação, o animal foi encaminhado para tratamento integrativo de ozonioterapia, a fim de melhorar os indicadores bioquímicos e hematológico, dando suporte para o tratamento medicamentoso e para auxiliar no tratamento dermatológico. Foram realizadas dez sessões de ozonioterapia. Os protocolos utilizados foram: insuflação do gás via intra retal (IR), aplicação subcutânea perilesional do gás (SC), uma sessão de Bagging, aplicação de Ringer Lactato ozonizado intravenoso (RL-IV) e subcutâneo (RL-SC) e auto hemoterapia menor ozonizada (AHTMeO). Após a quinta sessão de ozonioterapia o animal foi 191
submetido a novos exames laboratoriais, demonstrando acentuada melhora na bioquímica renal e hematológico. Mesmo contra as recomendações clínicas o tutor decidiu por conta própria submeter o animal ao procedimento de cirurgia e anestesia para debridamento e redução das feridas abertas. Na sequência houve discreta piora dos parâmetros bioquímicos e hematológico e a retomada das sessões, semanais, de ozonioterapia. Ao fim, a ozonioterapia foi eficaz na modulação do estresse oxidativo, modulando o sistema imunológico e reequilibrando a hematopoiese, também auxiliando no reequilíbrio do sistema circulatório e auxiliando no reestabelecimento das funções renal e hepática. Palavras-chave: ozonioterapia, insuficiência renal aguda, necrose tecidual, edema de membros, hepatopatia ABSTRACT Was attended at the Canis e Catus Veterinary Clinic in the city of Natal- RN, dog, female, SRD, 07 years old, 18 kilos, presenting a large edema plaque in the right side of the chest and abdomen and hyperthermia, according to the tutor, resulting from the application of subcutaneous serum with vitamins, performed by the tutor himself at home. The condition evolved with the presence of suffusion in the abdominal and inguinal skin, swollen posterior and right thoracic limbs, shortness of breath and muscle fasciculations. Laboratory evaluation, biochemical and 192
hematological tests diagnosed acute kidney disease and persistent infection. The animal was hospitalized and the protocol applied was: maintenance intravenous fluid therapy, metronidazole, ceftriaxone, carprofen, dipyrone, tramadol, omeprazole, maropitant citrate. Before stabilizing the condition, the animal was removed from hospital by the tutor, due to the financial impossibility of maintaining the internal treatment, and medications were kept orally at home. At this time, the animal had marked edema in all four limbs, with a positive Godet sign in all four limbs, fistulas and the beginning of necrotic areas in the right lateral thoraco-lumbar region and in the right lateral abdomen, however, it was active and urinated and defecated normally. In view of the results of the exams and the dermatological condition installed, upon removal from hospital, the animal was referred for integrative ozone therapy treatment, in order to improve biochemical and hematological indicators, providing support for drug treatment and to assist in dermatological treatment. Ten ozone therapy sessions were held. The protocols used were: gas insufflation rectal (IR), subcutaneous perilesional application of gas (SC), a session of Bagging, application of intravenous (RL-IV) and subcutaneous (RL-IV) ozonated lactate ringer and auto hemotherapy less ozonized (AHTMeO). After the fifth ozone therapy session, the animal underwent new laboratory tests, showing a marked improvement in renal and hematological biochemis193
try. Against the clinical recommendations the tutor decided on his own to submit the animal to surgery and anesthesia for debridement and reduction of open wounds. In the sequence, there was a slight worsening of the biochemical and hematological parameters and the resumption of weekly ozone therapy sessions. In the end, ozone therapy was effective in modulating oxidative stress, modulating the immune system and rebalancing hematopoiesis, also helping to rebalance the circulatory system and helping to reestablish kidney and liver functions. Keywords: ozone therapy, acute renal insufficiency, tissue necrosis, member edema, hepatopathy HISTÓRICO Foi atendido na Clínica Veterinária Canis e Catus na cidade de Natal- RN, cão, fêmea , SRD, 07 anos de idade, 18 Kg, apresentando uma grande placa de edema em região lateral direita de tórax e abdômen, segundo o tutor decorrente de aplicação de soro subcutâneo com vitaminas que o mesmo fez em casa por conta própria. Animal com histórico de sorologia para Leishmaniose positiva e uso contínuo de alopurinol e domperidona. EXAME FÍSICO No exame físico o animal apresentava prostração, placa de edema em região lateral direita de tórax e abdômen e hipertermia (40 oC). No exame hematológico apre194
sentava monocitose com desvio a esquerda e neutropenia. Em um primeiro momento foi aplicado fluidoterapia intravenosa, tramadol e compressas geladas nas lesões e prescrito tratamento por via oral, devido a recusa pelo tutor em manter o animal internado. Foi prescrito: metronidazol, cefalexina, tramadol, dipirona, omeprazol e carprofeno. Em casa o animal evoluiu com vômitos, sialorreia, apatia, anorexia, tremores musculares e ofegância, o tutor tentou manter com alimentação e hidratação por via oral forçadas e mesmo acrescentando sucralfato e probiótico ao protocolo anterior foi imprescindível o internamento do animal no dia seguinte. Neste segundo momento o animal retornou à clínica para internação, com presença de sufusão em pele abdominal e inguinal, membros posteriores e membro torácico direito edemaciados, hipercorada, hidratada, normotérmica (39,2 oC), ofegante e com fasciculações musculares. O animal foi então submetido a avaliação laboratorial e os exames bioquímicos e hematológico diagnosticaram doença renal aguda e infecção persistente. O protocolo de internamento foi: fluidoterapia intravenosa de manutenção, metronidazol, ceftriaxona, carprofeno, dipirona, tramadol, omeprazol, citrato de maropitant. O animal foi retirado do internamento pelo tutor, após 6 dias de tratamento, segundo este por impossibilidade financeira de mantê-lo. Ao exame físico neste momento o 195
animal apresentava acentuado edema nos quatro membros, com sinal de Godet positivo quadripedal, fístulas e início de áreas necrosadas em região tóraco-lombar lateral direita e abdômen lateral direito, inapetente, contudo, estava ativo e apresentava normoúria e normoquesia. Foi mantido o protocolo do internamento com as mesmas medicações prescritas por via oral. DIAGNÓSTICO No início da internação o animal foi então submetido a avaliação laboratorial e os exames bioquímicos e hematológico diagnosticaram doença renal aguda e infecção persistente. Os exames laboratoriais apresentaram importantes alterações: ALT (TGP): 118 U/L (10–88 U/L); Creatinina 9,7 mg/dl (0,5-1,5 mg/dl); Ureia 227 mg/dl (21-60 mg/dl); HEMOGRAMA: Hematócrito 29,8% (37-55%); Hemácias 3,93 milhões/mm3 (5,5-8,5 milhões/mm3); Hemoglobina 9,93 g/dl (12-18g/dl); Leucócito 19.300/mm³ (6.000–17.000/mm3); Bastonetes 6% / 1.158 mm³ (0-3% / 0-300mm³); Segmentados 51% / 9.843 mm³ (60-77% / 3.000-11.500 mm³); Linfócitos 25% / 4.825 mm³ (12-30% / 1.000-4.800 mm³); Monócitos 18% / 3.474mm³ (3-10% / 150-1.350 mm³); 196
Plaquetas 375.000 mm³ (200.000-500.000/mm3) TRATAMENTO E EVOLUÇÃO Tendo em vista o resultado destes exames e o quadro dermatológico instalado, ao ser retirado da internação, o animal foi encaminhado para tratamento integrativo de ozonioterapia, afim de melhorar os indicadores bioquímicos e hematológico, dando suporte para o tratamento medicamentoso e para auxiliar no tratamento dermatológico. Foi iniciado o tratamento com ozônio e para a produção da mistura gasosa O2/O3 foi utilizado o equipamento OZONELIFE®. Os protocolos utilizados foram: cinco sessões, em dias alternados, três vezes por semana, seguindo com mais cinco sessões semanais, de insuflação do gás via intra retal (IR); quatro sessões, em dias alternados, três vezes por semana, seguindo com mais três sessões semanais, de aplicação subcutânea perilesional do gás (SC); uma sessão de Bagging; cinco sessões, em dias alternados, três vezes por semana, de aplicação de Ringer Lactato ozonizado intravenoso (RL-IV) e subcutâneo (RL-SC); e cinco sessões em dias alternados, três vezes por semana, de auto hemoterapia menor ozonizada (AHTMeO), com coleta do sangue na jugular e aplicação intramuscular no membro posterior, alternando o membro a cada sessão seguindo a seguinte dosagem sequencial de administração:
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1ª Sessão: IR: concentração 10 µg/mL e volume total 160 mL AHTMeO: concentração 30 µg/mL e volume total 2,5 mL SC: concentração 15 µg/mL e volume total 60 mL RL-IV: soro ozonizado por 10 minutos em concentração 61 µg/mL e volume total de 200ml infundido em até 15 minutos RL-SC: soro ozonizado por 10 minutos em concentração 61 µg/mL e volume total de 300 mL infundido rapidamente Nesta ocasião o tutor foi devidamente orientado para realizar em casa repetidas sessões de drenagem linfática dos membros. E orientado para manter fluidoterapia intravenosa diária sob orientação veterinária. 2ª Sessão: IR: concentração 13 µg/ml e volume total 180 mL AHTMeO: concentração 30 µg/mL e volume total 2,5 mL SC: concentração 15 µg/ml e volume total 60 mL RL-IV: soro ozonizado por 10 minutos em concentração 61 µg/ml e volume total de 200mL infundido em até 15 minutos RL-SC: soro ozonizado por 10 minutos em concentração 61 µg/mL e volume total de 300 mL infundido rapidamente Após 48 horas foi realizada esta segunda sessão de 198
ozonioterapia e já era notável a intensa e surpreendente melhora do edema nos quatro membros, com ausência de sinal de Godet. Houve também acentuada melhora do edema na região tóraco-lombar lateral direita e abdômen lateral direito e definia-se duas áreas extensas de necrose tecidual cutânea nestas regiões. Além disso, o tutor notou intenso relaxamento do animal quando chegou em sua residência após a primeira sessão de ozonioterapia e melhora acentuada do quadro em geral, aceitando melhor a alimentação oferecida. 3ª Sessão: IR: concentração 16 µg/ml e volume total 180 mL AHTMeO: concentração 30 µg/ml e volume total 2,5 mL SC: concentração 21 µg/mL e volume total 60 mL RL-IV: soro ozonizado por 10 minutos em concentração 61 µg/mL e volume total de 200 mL infundido em até 15 minutos RL-SC: soro ozonizado por 10 minutos em concentração 61 µg/mL e volume total de 300 mL infundido rapidamente Nesta ocasião o tutor continuava relatando melhora geral do quadro, animal sem uso de tramadol e mantendo-se aparentemente sem dor. Delimitavam-se duas áreas de necrose tecidual na região tóraco-lombar lateral direita e abdômen lateral direito.
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4ª Sessão: IR: concentração 20 µg/mL e volume total 180 mL AHTMeO: concentração 30 µg/ml e volume total 2,5 mL SC: concentração 25 µg/mL e volume total 60 mL RL-IV: soro ozonizado por 10 minutos em concentração 61 µg/mL e volume total de 200 mL infundido em até 15 minutos RL-SC: soro ozonizado por 10 minutos em concentração 61 µg/ml e volume total de 300 mL infundido rapidamente Em 24 horas após esta quarta sessão de ozonioterapia o animal passou a se alimentar espontaneamente. Apresentou grandes fístulas na região tóraco-lombar lateral direita e abdômen lateral direito. 5ª Sessão: IR: concentração 20 µg/mL e volume total 180 mL AHTMeO: concentração 30 µg/mL e volume total 2,5 mL RL-IV: soro ozonizado por 10 minutos em concentração 61 µg/mL e volume total de 200 mL infundido em até 15 minutos RL-SC: soro ozonizado por 10 minutos em concentração 61 µg/mL e volume total de 300 mL infundido rapidamente Após a quinta sessão de ozonioterapia o animal foi submetido a novos exames laboratoriais, demonstrando 200
acentuada melhora na bioquímica renal e hematológico: Creatinina 0,7 mg/dl (0,5-1,5 mg/dl); Ureia 41 mg/dl (21-60 mg/dl); HEMOGRAMA: Hematócrito 39,4% (37-55%); Hemácias 4,38 milhões/mm3 (5,5-8,5milhões/mm3); Hemoglobina 13,13 g/dl (12-18 g/dl); Leucócito 12.800/mm³ (6.000–17.000/mm3); Bastonetes 2% / 256mm³ (0-3% / 0-300mm³); Segmentados 53% / 6.784mm³ (60-77% / 3.00011.500mm³); Linfócitos 34% / 4.352mm³ (12-30% / 1.000-4.800mm³); Monócitos 11% / 1.408mm³ (3-10% / 150-1.350mm³); Plaquetas 421.000 mm³ (200.000-500.000/mm3). Porém neste momento apresentou importante alteração bioquímica hepática, sendo que a fosfatase alcalina não foi aferida anteriormente para comparação: ALT (TGP): 178 U/L (10–88 U/L); Fosfatase alcalina: 1.560 UI/L (20-106 UI/L). Mediante o resultado dos exames laboratoriais e da evolução clinica favorável, o tutor foi orientado para evitar o procedimento cirúrgico e anestésico para debridamento das feridas abertas e aguardar a cicatrização por segunda intenção, sendo indicado o procedimento de Bagging e aplicação de Óleo Ozonizado nas feridas. Foi realizada a primeira sessão de Bagging. Bagging: concentração 47 µg/mL, área perilesionada e 201
feridas umedecidas com água bidestilada, aparelho ligado por 15 minutos e desligado por 15 minutos. Logo após a quinta sessão de ozonioterapia o tutor decidiu por realizar o procedimento cirúrgico de debridamento e fechamento das feridas abertas em outra clínica e retornou para dar continuidade na ozonioterapia com os seguintes exames: Creatinina 0,9mg/dl (0,5-1,5mg/dl); Ureia 42mg/dl (21-60mg/dl); Fósforo 5,1 md/dL (2,6-6,2 md/dL); ALT (TGP): 104 U/L (10–88 U/L); Fosfatase alcalina: 283 UI/L (20-106 UI/L); HEMOGRAMA: Hematócrito 34,5% (37-55%); Hemácias 4,05 milhões/mm3 (5,5-8,5milhões/mm3); Hemoglobina 11,5g/dl (12-18g/dl); Leucócito 26.200/mm³ (6.000–17.000/mm3); Bastonetes 0% / 0mm³ (0-3% / 0-300mm³); Segmentados 69% / 18.078mm³ (60-77% / 3.00011.500mm³); Linfócitos 17% / 4.454mm³ (12-30% / 1.000-4.800mm³); Monócitos 12% / 3.144mm³ (3-10% / 150-1.350mm³); Plaquetas 668.000 mm³ (200.000-500.000/mm3). Então, foi mantido o protocolo de IR e aplicação SC ao redor da ferida cirúrgica, afim de auxiliar na cicatrização. 6ª Sessão: IR: concentração 20 µg/ml e volume total 180 mL 202
SC: concentração 25 µg/ml e volume total 60 mL 7ª Sessão: IR: concentração 20 µg/ml e volume total 180 mL SC: concentração 25 µg/ml e volume total 60 mL 8ª Sessão: IR: concentração 20 µg/ml e volume total 180 mL SC: concentração 25 µg/ml e volume total 60 mL 9ª Sessão: IR: concentração 20 µg/mL e volume total 180 mL Neste momento houve a total cicatrização da ferida cirúrgica e os pontos já haviam sido retirados pelo colega da outra clínica. 10ª Sessão: IR: concentração 20 µg/mL e volume total 180 mL Após esta sessão de ozonioterapia foram repetidos os exames laboratoriais, apresentando evolução favorável: Creatinina 1mg/dl (0,5-1,5mg/dl); Ureia 37mg/dl (2160mg/dl); Fósforo 5,1 md/dL (2,6-6,2 md/dL); ALT (TGP): 55 U/L (10–88 U/L); Fosfatase alcalina: 230 UI/L (20-106 UI/L); HEMOGRAMA: Hematócrito 45,4% (3755%); Hemácias 5,37 milhões/mm3 (5,5-8,5milhões/mm3); Hemoglobina 15,13g/dl (12-18g/dl); Leucócito 11.500/mm³ (6.000–17.000/mm3); Bastonetes 0% / 0mm³ 203
(0-3% / 0-300mm³); Segmentados 98% / 11.270mm³ (6077% / 3.000-11.500mm³); Linfócitos 1% / 115mm³ (1230% / 1.000-4.800mm³); Monócitos 1% / 115mm³ (3-10% / 150-1.350mm³); Plaquetas 640.000 mm³ (200.000-500.000/mm3).
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O animal também foi suplementado com composto manipulado de Vitamina C 50mg, Vitamina E 50UI e Vitamina A 2.500UI ao dia, exceto no dia da ozonioterapia, no entanto esta suplementação só foi iniciada pelo tutor após a quinta sessão de ozonioterapia. Em contato recente com o tutor, este refere que o animal segue aparentemente hígido até a data presente e que a última sorologia para leishmaniose realizada foi não reagente. CONCLUSÃO Conclui-se que a ozonioterapia foi eficaz na modulação do estresse oxidativo, modulando o sistema imunológico e reequilibrando a hematopoiese, também auxiliando no reequilíbrio do sistema circulatório, reduzindo importante quadro edematoso em 24 horas e auxiliando no reestabelecimento da função renal e da função hepática.
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Ozonioterapia evita cirurgia de patela em filhotes Ozone therapy avoids patella surgery in puppies Rika Yamane 1 1- Médica-veterinária autônoma, acupunturista, fitoterapeuta, terapeuta neural e ozonioterapeuta – Curitiba/PR/Brasil.
Autora para correspondência: acupunturaemcaesegatos@gmail.com RESUMO Duas pacientes jovens da espécie canina, ambas com luxação de patela medial foram submetidas a protocolos de ozonioterapia com aplicações intra-articular e intra-retal, seguindo o protocolo cubano, em que se realizam 20 sessões, sendo no mínimo 2 vezes por semana, com descanso de 3 meses para então repetir o ciclo de 20 sessões. Os tratamentos com ozonioterapia das duas pacientes com luxação patelar de grau III foram bem-sucedidos a ponto de não necessitar de intervenção cirúrgica. Palavras-chave: luxação de patela, ozonioterapia, filhote ABSTRACT Two young patients of the canine species, both with dislocation of the medial patella, were submitted to ozone 206
therapy protocols with intra-articular and intra-rectal applications, following the Cuban protocol, in which 20 sessions are held, at least twice a week, with rest of 3 months and then repeat the cycle of 20 sessions. Ozone therapy treatments for the two patients with grade III patellar luxation were successful to the point that they did not require surgical intervention. KEYWORDS: patellar luxation, ozone therapy, puppy. HISTÓRICO Duas pacientes jovens da espécie canina, ambas com luxação de patela medial buscaram na mesma época tratamento menos invasivo, a fim de evitar cirurgia ortopédica. A primeira paciente (A) é uma border collie fêmea castrada de 12 meses, com 14,6 kg. É muito ativa e começou a claudicar e suspender o membro posterior esquerdo, necessitando de ajuda para reposicionar a patela. A segunda paciente (B) é uma spitz alemã fêmea fértil de 8 meses, com 2,5 kg e muito ativa. Duas semanas antes da consulta sofreu uma queda do sofá e desde então não apoiava mais o membro posterior esquerdo. EXAME FÍSICO E DIAGNÓSTICO A paciente A estava com artrose nas duas articulações fêmoro-tibiais, segundo ortopedista. Não realizaram exame de raio-x, porém foi explicado que o membro di207
reito estava pior, levando a uma compensação e consequente deslocamento da patela esquerda, que ocorria em média 10 vezes ao dia e era necessário manipular para reposicioná-la. Foram receitados Meloxicam, Dipirona e Condroton, associado com repouso de 15 dias e 6 meses de fisioterapia. Se ao final de 6 meses a paciente continuasse com o problema seria recomendada uma intervenção cirúrgica. Diante da dificuldade de fazer repouso e pós-operatório por se tratar de uma paciente hiperativa, a tutora optou por um tratamento alternativo. Segundo laudo radiográfico, a paciente B apresentava uma luxação patelar de grau III e possível avulsão de crista tibial, o que levava a patela a se deslocar em torno de 16 vezes ao dia, sendo necessária a manipulação para reposicioná-la. A clínica que estava acompanhando havia recomendado anti-inflamatório por 20 a 30 dias, complexo regenerador e colágeno do tipo UC-II a longo prazo. Com a finalidade de evitar uso excessivo de medicamentos e possível cirurgia numa paciente tão jovem, foi encaminhada para tratar com terapias alternativas. TRATAMENTO E EVOLUÇÃO Em ambas as pacientes o tratamento de eleição foi a ozonioterapia com aplicações intra-articular e intra-retal, seguindo o protocolo cubano, em que se realizam 20 sessões, sendo no mínimo 2 vezes por semana, com descanso de 3 meses para então repetir o ciclo de 20 sessões. 208
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Foram feitas aplicações intra-articulares a 15 µg/mL e intra-retal a 20 µg/mL nas primeiras 4 sessões, e a cada 4 sessões foram aumentadas para 20 e 25, 25 e 30, 30 e 35 respectivamente, e nas últimas a 30 e 40 µg/dL até o fim do tratamento. Durante o tratamento, foram suspensos quaisquer tipos de suplementos ou vitaminas com efeitos antioxidantes, e foram oferecidas fórmulas de Fitoterapia Chinesa: Gui Lu Er Xian Jiao para tonificar a energia vital e otimizar o desenvolvimento, e Qing E Wan Jia Wei para fortalecer os ossos, ligamentos e cartilagens. A paciente B tomou também o Zheng Gu Zi Jin Dan para ativar a circulação, eliminar estase sanguínea, promover neovascularização, estimular a regeneração e a cicatrização tecidual e calcificação óssea, já que houve uma fissura na tíbia. A paciente A iniciou o tratamento em 21/05 e após 2 sessões relatou que a patela passou a escapar 4 vezes ao dia, ou seja, reduziu para 40%. A paciente B iniciou o tratamento em 29/05 e após uma única sessão relatou que o número de vezes em que a patela se deslocava reduziu em 50%. Ambas foram melhorando no mesmo ritmo, e antes de atingir a metade do tratamento, as patelas não se deslocavam mais. Apenas a paciente A, dependendo da posição, chegou a escapar de vez em quando, mas a patela se reposicionava por si, sem manipulação. Apesar da melhora rápida já nas primeiras sessões, foi determinado manter o tratamento até completar 20 ses210
sões, porque além do efeitos anti-inflamatório e analgésico obtidos de imediato, com a repetição e acúmulo a cada aplicação, o organismo é estimulado a produzir antioxidantes e anti-inflamatórios naturais, gerando assim um resultado a longo prazo. CONCLUSÃO Os tratamentos com ozonioterapia das duas pacientes com luxação patelar de grau III foram bem-sucedidas a ponto de não necessitar de intervenção cirúrgica. A dificuldade de realizar o repouso nas duas pacientes jovens e ativas não atrapalharam o desempenho do tratamento, e foi possível observar que mesmo com 12 kg de diferença no peso, os ritmos de recuperação em ambas foram equivalentes.
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Avaliação clínica da ozonioterapia complementar em animais domésticos pela utilização das vias sistêmica e tópica Clinical evaluation of complementary ozone therapy in domestic animals by systemic and topical administration Márcia Anésia Coelho Marques dos Santos¹; Messias da Silva Fabiano¹; Hoseyas Henryck Nunes Borges¹; Helen Roberta Amaral da Silva 2; Silmara Sanae Sakamoto de Lima 3 1. Acadêmicos do Curso de Medicina Veterinária - Centro Universitário Católica do Tocantins – UniCatólica – Palmas – Tocantins – Brasil 2. Médica-veterinária da Clínica Veterinária Católica do Tocantins – Centro Universitário Católica do Tocantins – UniCatólica – Palmas – Tocantins – Brasil. 3. Professora do Curso de Medicina Veterinária – Centro Universitário Católica do Tocantins – UniCatólica – Palmas – Tocantins – Brasil
Autor para correspondência: marciamae3@hotmail.com; marcia.santos@a.catolica-to.edu.br RESUMO A ozonioterapia pode ser aplicada por vias de administração que dependem do processo patológico, indicação clínica e condição geral do paciente, sendo as principais 212
divididas em forma tópica ou locoregional. O presente trabalho teve por objetivo avaliar os efeitos clínicos da ozonioterapia nos animais domésticos acometidos por patologias de origem neurológica, ortopédica, dermatológica e oftalmológica, utilizando-se as vias de administração tópica, sistêmica ou combinação de ambas. Quinze animais entre caninos, felinos e ovinos foram divididos em grupos neurológico/ortopédico, dermatológico, oftalmológico e odontológico. Um protocolo de tratamento individualizado foi estabelecido de acordo com a patologia e severidade da lesão, com reavaliações semanais ou quinzenais, sendo empregado via insuflação retal, paravertebral, subcutânea, tópica com óleo ozonizado, água ozonizada e colírio ozonizado. Dos animais avaliados, 86,6% eram cães, 6,7% gatos e 6,7% ovinos. Todos os animais tiveram acompanhamento semanal ou quinzenal, divididos por áreas, sendo 40% dermatológicos, 33% ortopédicos/neurológicos, 20% oftalmológicos e 7% odontológicos. Dentre os 15 animais, três foram eutanasiados e um veio a óbito. Dos 11 casos remanescentes, apenas dois permanecem em tratamento até o presente momento para controle e manejo do quadro patológico. Os demais tiveram resposta satisfatória no início da terapia e não retornaram para dar continuidade às sessões ou alegaram não ter condições de comparecerem aos retornos. Desses, quatro tiveram alta, sendo um por ferida e os três casos de úlcera de córnea. Constatou-se 213
que os pacientes apresentaram resposta positiva à ozonioterapia e tais benefícios farmacológicos foram dependentes da correta dose administrada de oxigênio-ozônio. Conclui-se que a ozonioterapia mostrou-se eficiente em todos os tratamentos em que foi utilizada, sendo os casos oftalmológicos e dermatológicas os mais efetivos, além de desempenhar excelente efeito analgésico. Palavras-chave: animais, tratamento clínico, ozônio. ABSTRACT Ozone therapy can be applied through administration routes that depend on the pathological process, clinical indication and general condition of the patient, the main ones being divided into topical or locoregional forms. The present study aimed to evaluate the clinical effects of ozone therapy in domestic animals affected by pathologies of neurological, orthopedic, dermatological and ophthalmological origin, using topical, systemic or both administrations. Fifteen animals, including canines, felines and sheep, were divided into neurological / orthopedic, dermatological, ophthalmological and dentistry. An individualized treatment protocol was established according to the pathology and injury level, with weekly or fortnightly follow-up and rectal, paravertebral, subcutaneous and topical (ozonated oil) application. Of the animals evaluated, 86.6% were dogs, 6.7% cats and 6.7% sheep. All animals were monitored weekly or fortnightly, divided by areas, 214
40% dermatological, 33% orthopedic / neurological, 20% ophthalmological and 7% dentistry. Among the 15 animals, three were euthanized and one died. Of the 11 remaining cases, only two remain under treatment to the present date for control and management of the pathological condition. The others had a satisfactory response at the beginning of therapy and did not return to continue the sessions or claimed to be unable to attend the returns. Of these, four were discharged, one due to a wound and the three cases of keratitis. It was found that the patients had a positive response to ozone therapy and such pharmacological benefits were dependent on the correct dose of oxygen-ozone administered. It was concluded that ozone therapy was efficient in all treatments in which it was used, with ophthalmological and dermatological cases being the most effective, in addition to having an excellent analgesic effect. Keywords: animals, clinical treatment, ozone therapy INTRODUÇÃO A ozonioterapia pode ser utilizada sob diversas vias de aplicação que dependem das características do processo patológico a ser tratado, da indicação clínica e da condição geral do paciente (BOCCI et al., 2011; SMITH et al., 2017), sendo as principais vias divididas em forma tópica ou locoregional (BOCCI et al., 2009; RODRÍGEZ et al., 2017). Essa terapia complementar pode ser administrada 215
de forma direta no sítio da lesão ou em combinação com outros meios como sangue (PINHEIRO, 2016), soluções cristalóides (RIBEIRO, 2019) e até mesmo produtos originados dos componentes hematológicos, como o plasma rico em plaquetas (FIORELA; SCHWARTZ, 2013; MARTINEZ et al., 2020). A forma gasosa do ozônio não é adequada para alguns tipos de tratamentos tópicos, porém a molécula pode ser estabilizada para este uso, como adição ao ácido oleico. Dessa forma, o óleo ozonizado tem sido destinado para tratamento de feridas, infecções bacterianas e virais herpéticas, úlceras cutâneas, queimaduras tróficas, celulites, abscessos, fissuras anais, fístulas, doenças fúngicas, furunculose, gengivite e vulvovaginite (SPADEA et al., 2018). Já para o uso oftálmico, tem-se uma fórmula específica, já que o gás poderia causar irritação ao tecido da córnea. Assim, o óleo de girassol lipossômico ozonizado se torna biocompatível ao epitélio ocular, sendo administrado para estimular a cicatrização de lesões e infecções oculares em humanos e animais (SPADEA et al., 2018). A ozonioterapia tem sido uma alternativa terapêutica em muitos casos clínicos, com potencial viricida, fungicida, bactericida e parasiticida (BOCCI, 2010), já que o ozônio possui efeito germicida e leva a morte dos agentes patogênicos pela ação oxidativa na membrana celular e nas substâncias citoplasmáticas (OZTOSUN et al., 2012; FREITAS, 2011; SILVA et al., 2014; YANZA; MONTERO, 2017). Assim, 216
tem-se suscitado a atenção de diversos estudiosos por sua eficiência como tratamento complementar de baixo custo em relação a outras terapias tradicionais e com a vantagem de fácil aplicabilidade, o que incrementa o número de adeptos a seu uso na medicina humana e veterinária. Estudos indicam a possibilidade de melhora no bem estar (BOCCI et al., 2011) e na qualidade de vida dos pacientes (MORETTE, 2011). No entanto, por se tratar de uma modalidade ainda recente na medicina veterinária, já que seu uso é derivado da medicina humana, pesquisas devem ser conduzidas para que a comunidade científica possa ser melhor elucidada e orientada sobre os seus benefícios e seus possíveis efeitos colaterais. OBJETIVO O presente trabalho tem por objetivo avaliar os efeitos clínicos da ozonioterapia nos animais domésticos acometidos por patologias de origem neurológica, ortopédica, dermatológica e oftalmológica, utilizando-se as vias de administração tópica, sistêmica ou combinação de ambas. MATERIAIS E MÉTODOS O estudo vem sendo conduzido desde 2019 na Clínica Veterinária da Católica do Tocantins, situada no Campus de Ciências Agrárias e Ambiental, do Centro Universitário Católica do Tocantins, Palmas - TO. Possui aprovação na Comissão de Ética e Uso nos Animais (CEUA-UniCa217
tólica), com protocolos N. 084/2018 e N. 061/2019. Quinze animais entre caninos (13), felino (1) e ovino (1), ambos os sexos, idades e raças variadas foram divididos em sistemas neurológico/ortopédico, dermatológico, oftalmológico e odontológico. Após a avaliação clínica, laboratorial e de imagem, foi estabelecido um protocolo de tratamento individualizado e personalizado de acordo com a patologia e severidade da lesão, com reavaliações semanais ou quinzenais. Assim, cada animal teve sua ficha clínica elaborada de forma individual com exame físico, anamnese e resultados de exames de imagem e laboratorial, registro fotográfico e anotações de protocolo e evolução clínica. Os animais selecionados receberam aplicações semanais ou quinzenais de ozônio por via intra-retal (IR), via subcutânea (SC), BAG, água ozonizada (com água deionizada), óleo ozonizado e colírio ozonizado (1 mL óleo ozonizado Ozone&Life para 9 mL de solução salina 0,9% estéril), como tratamento único ou associado ao tratamento clínico convencional, conforme necessidade e protocolo de atendimento. Para as sessões, utilizou-se gerador de ozônio O&L 1.5 – Portátil (Marca Ozone&Life) e torre para água ozonizada de 1,5 litros (Ozone&Life), além de seringas e agulhas livres de látex (marca TERUMO), óleo ozonizado (marca Ozone & Life) e lubrificante à base de água (K-Y). As vias empregadas foram a de insuflação retal (IR), paravertebral, subcutânea (SC), tópica com óleo ozonizado e água 218
ozonizada, além de tópica/oftálmica com colírio ozonizado. A descrição dos casos, vias de administração, dose e volumes, estão descritos juntamente com os dados do paciente e situação atual do tratamento apresentados no Quadro 1, em resultados. RESULTADOS Dos animais avaliados, 86,6% (13/15) eram cães, 6,7% (1/15) gatos e 6,7% (1/15) ovinos. Em cada caso clínico foi realizado anamnese, exame físico detalhado, preenchimento da ficha clínica, colhido material para exames laboratoriais (hemograma completo, função renal, função hepática e urinálise, se indicado). Dependendo do caso clínico, houve avaliação de imagem (RX e Ultrassom). Todos os animais tiveram acompanhamento semanal ou quinzenal, divididos por áreas, sendo 40% (6/15) dermatológicos, 33% (5/15) ortopédicos/neurológicos, 20% (3/15) oftalmológicos e 7% (1/15) odontológicos. As sessões eram agendadas de acordo com a disponibilidade do tutor e a gravidade do quadro. Dentre os 15 animais, três foram eutanasiados durante o acompanhamento clínico e a critério do tutor, por apresentarem teste sorológico positivo para leishmaniose visceral (dois pacientes) e outro por metástase por provável linfoma. A ovelha veio a óbito durante procedimento anestésico de curetagem da fístula. Assim, dos 11 casos remanescentes, apenas dois permanecem em tratamento até o presente momento para con219
trole e manejo do quadro patológico. Os demais pacientes que tiveram resposta satisfatória no início da terapia não retornaram para dar continuidade às sessões ou alegaram não ter condições de comparecerem aos retornos e quatro tiveram alta, sendo um por ferida e os três casos de úlcera de córnea. Os dados de cada paciente, protocolos utilizados e sua situação atual estão descrito no Quadro 1. DISCUSSÃO/CONCLUSÃO A ozonioterapia é um tratamento complementar conhecida por utilizar o ozônio medicinal no tratamento de diversas doenças e em quantidades e concentrações que variam conforme o tipo de enfermidade (BORELLI; BOCCI, 2011; BOCCI et al., 2011; SMITH et al., 2017), visando resultados terapêuticos para melhora na qualidade de vida e bem estar do paciente (BOCCI et al., 2011). Constatou-se que os pacientes apresentaram resposta positiva à ozonioterapia e tais benefícios farmacológicos foram dependentes da correta dose administrada de oxigênio-ozônio (concentração e volume) (BOCCI et al., 2009; RODRÍGUEZ et al., 2017), já que é importante controlar a dosagem do gás para se evitar um estresse oxidativo grave irreversível por superdosagem (RODRÍGUEZ et al., 2017). A escolha da via de administração em cada caso clínico foi baseada na anamnese, exame clínico e diagnóstico dos pacientes em doses preconizadas por Rodríguez et al. (2017), em que justifica a escolha de 220
Quadro 1 - Relação do número de animais com respectivo diagnóstico e protocolo de ozonioterapia (via de administração, concentração em g/K, volume em mL, frequência e local de aplicação). Clique aqui para ampliar
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acordo com as características do processo patológico e da condição geral do paciente, podendo ser utilizada de forma isolada ou combinada. A ação esperada do O3 medicinal, quando administrado por essas vias, sistêmica e tópica, é a formação de segundos mensageiros que provocam estresse oxidativo controlado, para a melhora da resposta antioxidante, imunológica e circulatória (VIEBAHN-HÄNSLER et al., 2012). Já para uso como solução de lavagem ou borrifação com efeito calmante sobre a pele, o gás ozônio foi misturado à água bidestilada deionizada, mas também há recomendações de seu uso com solução de ringer lactato (LEITE, 2019). Quando se utiliza a via tópica, segundo Freitas (2008, 2011), observa-se a inativação de microrganismos por ação direta do ozônio, com ruptura das membranas celulares e o uso de água ozonizada evitaria a proliferação de microrganismos através da desinfecção e limpeza da ferida, sendo, portanto, de ação bactericida. Para o colírio, o óleo ozonizado também possui ação contra fungos e bactérias, agindo como cicatrizante, anti-inflamatório e antisséptico. Portanto, tanto a água ozonizada quanto o óleo ozonizado podem acelerar o fechamento de uma ferida de difícil cicatrização quando aplicados de forma frequente (BOCCI, 2000; RODRÍGEZ et al., 2017), essa ação pôde ser visualizada na maioria dos casos em que uma ferida crônica e contaminada resultou em tecido de granulação saudável após a limpeza local com água e 222
óleo ozonizados e na alta dos casos oftálmicos. Tais resultados também puderam ser apresentados por Leite et al. (2019) em que obtiveram completa cicatrização de ferida após 43 dias de tratamento com solução de ringer lactato ozonizado (60 μg/mL por 5 minutos) e baggings de ozônio na concentração de 40 μg/mL por 30 minutos. O colírio ozonizado vem sendo utilizado como alternativa no tratamento de algumas oftalmopatias dentro da medicina humana e veterinária (HUGUES-HERNANDORENA et al., 2016; NOBLET et al., 2012; SPADEA et al., 2018; VIGNA; MENENDEZ-CEPERO, 2007). Entretanto, para o uso oftálmico, tem-se uma fórmula específica, já que o gás poderia causar irritação ao tecido da córnea, por isso a fórmula utilizada como colírio foi diluída em solução salina estéril para se obter uma concentração de colírio ozonizado a 10%. Essa possibilidade de uso oftálmico é justificada pelo fato do óleo de girassol lipossômico ozonizado se tornar biocompatível ao epitélio ocular, sendo administrado para estimular a cicatrização de lesões e infecções oculares em humanos e animais (SPADEA et al., 2018). Em relação ao colírio à base de ozônio, Spadea et al. (2018) ainda afirmam ser uma forma válida de terapia alternativa e adequada para tratar doenças oftálmicas externas, apresentando resposta antiinflamatória, bactericida e de reparo tecidual. A ozonioterapia, independente da via utilizada, possui como vantagem sua excelente relação custo/benefício, visto que 223
é uma terapia muito acessível (baixo custo), relativamente segura e com resultados excelentes capazes de melhorar a qualidade de vida do paciente e com poder de atrair novos adeptos (tutores). Porém, uma das maiores dificuldades na terapia é manter a assiduidade do tutor para a realização das sessões que podem ser diárias, semanais, quinzenais. No presente estudo, verificou-se exatamente isso, uma excelente aceitação por parte dos tutores, porém uma baixa assiduidade. A o zonioterapia é considerada um procedimento restaurativo que pode ser utilizada como método de terapia complementar, podendo ser associada aos tratamentos convencionais. Assim, quando indicada e realizada e/ou orientada de forma correta, por profissional capacitado e com formação adequada, possui baixo risco, poucas contra-indicações e efeitos secundários mínimos (BOCCI et al., 2009). Conclui-se que a ozonioterapia mostrou-se eficiente em todos os tratamentos em que foi utilizada, sendo os casos oftalmológicos e dermatológicas os mais efetivos, além de desempenhar excelente efeito analgésico em patologias do sistema locomotor e quadros inflamatórios de gengivite em felinos. A melhora dos casos clínicos foi evidente na terapia isolada ou combinada com tratamento convencional e doses, volume e vias de aplicação foram variados e dependentes da resposta de cada paciente, necessitando-se de protocolo individualizado. 224
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Aplicação perilesional de soro ozonizado após amputação em seriema (Cariama cristata) Perilesional injection of ozonized saline solution after amputation in a red-legged (Cariama cristata) Isabella Kaysel Menegaldo 1; Danaê Fernanda Avanze Cação 2; Gustavo Bauer Costa da Silva 2; Renata Guardia Evangelista 3 1 - Kaysel Vet – Campinas – São Paulo – Brasil. 2 - Amazoo Pets – Campinas – São Paulo – Brasil 3 - Up Reabilitação Animal – Mogi Mirim – São Paulo – Brasil.
Autor para correspondência: isabellakmenegaldo@outlook.com RESUMO Relato de caso de seriema (Cariama cristata) adulta de vida livre que sofreu fratura cominutiva bilateral de tibiotarso decorrente de trauma por atropelamento. Após tentativa de cirurgia ortopédica houve infecção no coto de amputação, sendo tratada com a aplicação subcutânea de soro ozonizado. Palavras-chave: Cariama cristata, aves, amputação, infecção, ozonioterapia 228
ABSTRACT Case report of a free-living adult seriema (Cariama cristata) who suffered a bilateral comminuted fracture of the tibiotarsus due to a hit-and-run trauma. After an attempt at orthopedic surgery, there was infection in the amputation stump, which was treated with the subcutaneous application of ozonated serum. Keywords: Cariama cristata, birds, amputation, infection, ozone therapy HISTÓRICO Uma seriema (Cariama cristata) adulta, de vida livre, foi encontrada no dia 22 de abril de 2020 em uma rua da cidade de Campinas-SP com histórico de atropelamento. A ave foi resgatada e encaminhada à clínica Amazoo Pets para atendimento veterinário. EXAME FÍSICO E DIAGNÓSTICO Ao exame físico foi constatada prostração, moderada desidratação, fratura fechada multifocal de tibiotarso esquerdo e fratura exposta cominutiva de tibiotarso direito, com início de necrose no tecido exposto. As fraturas foram confirmadas e devidamente localizadas pelo exame radiográfico. Os valores de frequência cardíaca e respiratória, temperatura corporal, pressão arterial e glicemia estavam dentro dos parâmetros fisiológicos para a espécie. 229
TRATAMENTO E EVOLUÇÃO O tratamento inicial constituiu-se de fluidoterapia com solução de cloreto de sódio 0,9% (10ml/kg/h, IV), terapia analgésica e anti-inflamatória com meloxicam (2 mg/kg, IM, SID), dipirona sódica (25 mg/kg, IM, TID) e cloridrato de tramadol (4mg/kg, IM, BID), e antibioticoterapia com ceftriaxona (40 mg/kg, IM, SID). Foi realizada sedação leve para realização da limpeza da fratura exposta e imobilização dos membros posteriores com tala provisória. O animal foi internado e mantido sob aquecimento. No dia 28 de abril, foi realizada cirurgia para estabilização das fraturas com alocação de pino intramedular e fixador externo bilateral. No pós-operatório, o protocolo de analgesia e antibioticoterapia foi mantido, e iniciou-se o tratamento complementar com laserterapia nos membros acometidos. Assim, foi realizada terapia fotodinâmica (9J) com azul de metileno (0,005%, SID) para efeito antimicrobiano, laser vermelho (4J, SID) sobre a incisão cirúrgica para estímulo da cicatrização, e por último a luz infravermelha (9J, SID) para consolidação óssea e controle da dor. No dia 14 de maio, foi realizado exame radiográfico para controle da cirurgia ortopédica, e no dia 22 foram retirados os pinos intramedulares e os fixadores externos. O membro posterior esquerdo apresentou processo de cicatrização óssea satisfatória. No entanto, durante a remoção do pino intramedular do membro posterior direito, obser230
vou-se a presença de secreção purulenta, a qual foi colhida e enviada para análise de cultura e antibiograma. O resultado do exame apontou o isolamento da bactéria Escherichia coli, com resistência aos 22 antibióticos testados. Neste momento, foi considerada pela equipe veterinária a realização da eutanásia da seriema devido ao mau prognóstico. Antes da tomada de decisão, foram realizados hemograma, hemocultura e perfil bioquímico (ácido úrico e aspartato aminotransferase [AST]). Na avaliação sanguínea constatou-se anemia e discreto aumento nos níveis de ácido úrico e AST, porém não foram isolados fungos ou bactérias na hemocultura. Por não ser constatado um quadro de septicemia, optou-se pela amputação alta do membro posterior direito, realizada no dia 30 de junho. No entanto, nos dias seguintes do procedimento, o coto apresentou-se com coloração enegrecida, odor fétido e presença de secreção purulenta. Devido à resistência microbiana a todos os antibióticos testados no exame, optou-se pelo tratamento alternativo com a ozonioterapia, já que o ozônio e seus subprodutos apresentam propriedades antimicrobianas por oxidação direta dos microorganismos, além de terem efeitos revitalizantes e cicatrizantes por melhorar a perfusão, a oxigenação e a regeneração tecidual. Assim, no dia 06 de julho, iniciou-se a aplicação perilesional de solução fisiológica 0,9% ozonizada (47µg/mL durante 7 minutos, 3 mL, SC, SID) no coto da amputação. 231
Nos 7 dias seguintes, observou-se uma rápida melhora no aspecto da região acometida, evidenciada pelo clareamento cutâneo, ausência de odor e secreção, e presença de tecido cicatricial nos bordos da ferida cirúrgica. Deuse continuidade a esse protocolo por mais 15 dias, resultando em revitalização do tecido, retorno da coloração normal da pele, ausência de processo infeccioso, e processo gradual de cicatrização do coto com retração da ferida. Novo hemograma foi realizado no dia 10 de agosto, no qual não foram observadas alterações, apontando a recuperação do animal. CONCLUSÃO A aplicação perilesional de solução fisiológica ozonizada no coto da amputação foi altamente eficaz no tratamento da infecção local, além de proporcionar melhora significativa na revitalização tecidual da região acometida. O tratamento com a ozonioterapia reascendeu as esperanças da equipe veterinária em relação à sobrevivência da seriema, a qual conseguiu se recuperar, mostrando a importância desta terapia sobre processos infecciosos, principalmente em casos com ampla resistência microbiana. Não foram observados efeitos colaterais durante a terapia, concluindo-se que a técnica relatada é segura e pode ser uma via alternativa ou complementar muito eficaz no tratamento de feridas e infecções locais em aves. 232
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Ozonioterapia como coadjuvante na reabilitação de tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata) com impactação por resíduos antropogênicos Ozone therapy as an adjuvant in the rehabilitation of a Hawksbill turtle (Eretmochelys imbricata) with anthropogenic residues constipation Isabella Kaysel Menegaldo 1,2; Paula Baldassin 3; Max Rondon Werneck 3 1 - Kaysel Vet – Campinas – São Paulo – Brasil 2 - CTA Serviços em Meio Ambiente – Araruama – Rio de Janeiro – Brasil. 3 – Instituto Bw para conservação e medicina da fauna marinha – Araruama – Rio de Janeiro – Brasil.
Autor para correspondência: isabellakmenegaldo@outlook.com RESUMO Relatar o caso de uma tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata) com impactação intestinal por resíduos antropogênicos, reabilitada com a associação de tratamentos convencionais e ozonioterapia. O tratamento sistêmico e local da ozonioterapia apresentou resultados positivos no 236
auxílio da desimpactação intestinal e na desinflamação e cicatrização da mucosa cloacal da tartaruga-de-pente, demonstrando que o ozônio pode ser uma importante ferramenta como terapia coadjuvante à medicina convencional na reabilitação de tartarugas marinhas. Palavras-chave: Eretmochelys imbricata, impactação, resíduos antropogênicos, ozonioterapia, reabilitação ABSTRACT To report the case of a hawksbill turtle (Eretmochelys imbricata) rehabilitated from anthropogenic residues constipation, using association of conventional treatments and ozone therapy. Systemic and local ozone therapy showed positive results in the intestinal disimpaction, as well as in inflammation control and healing of the hawksbill turtle cloacal mucosa, demonstrating that ozone can be an important and effective tool as an adjunct therapy to conventional medicine in sea turtles rehabilitation. Keywords: Eretmochelys imbricata, constipation, anthropogenic residues, ozone therapy, rehabilitation HISTÓRICO Uma tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata) juvenil, de vida livre, sexo indeterminado, foi resgatada na praia Manguinhos Sul em Armação de Búzios-RJ no dia 27 de abril de 2018, através do Projeto de Monitoramento de Praias, e encaminhada para atendimento veterinário no 237
Centro de Reabilitação e Despetrolização de Animais Marinhos de Araruama-RJ (CRD Araruama). EXAME FÍSICO E DIAGNÓSTICO Ao exame físico, o animal apresentou-se prostrado, severamente desidratado, magro, com olhos ressecados e moderada carga epibiôntica (algas e cracas) sobre a pele e a carapaça. Não foram observadas lesões externas. Foi realizada coleta de sangue para exames complementares, nos quais detectou-se policitemia (hematócrito = 65%) e leucocitose, apontando hemoconcentração devido à desidratação. No exame radiográfico de cavidade celomática foi possível visualizar a presença de grande quantidade de conteúdo em alças intestinais com elevada radiopacidade. O resultado dos exames e a condição clínica da tartaruga sugeriram quadro de impactação intestinal por ingestão de resíduos antropogênicos. TRATAMENTO E EVOLUÇÃO O tratamento inicial constituiu-se de fluidoterapia com solução de Ringer Lactato (15 mL/kg, IV, SID), polivitamínico (2 mL, IV, SID) e protetor hepático (2mL, IV, SID) por 10 dias, e antibioticoterapia sistêmica com associação de sulfametoxazol e trimetoprim (20 mg/kg, IM, SID) por 7 dias. Ao ser alocada em tanque de água individual, a tartaruga apresentou flutuabilidade positiva, não conseguindo afundar e ficando o tempo todo estática e 238
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prostrada, apenas levantando a cabeça para respirar. Como não se alimentava sozinha, instituiu-se dieta líquida via oral por sonda orogástrica, constituída de solução fisiológica (NaCl 0,9%) batida com peixe. Com o intuito de lubrificar e auxiliar o trânsito gastrointestinal, era adicionado óleo mineral junto à alimentação, a cada 2 dias. Durante 20 dias com esse protocolo, a tartaruga apresentou quadro de constipação intestinal, excretando no dia 12 de maio um resíduo linear (fio de nylon). Foi feito novo hemograma, que ainda apontava desidratação (hematócrito = 48%). Optou-se então por dar continuidade à reposição hídrica e iniciar um tratamento complementar com ozonioterapia por 4 semanas, devido aos seus efeitos anti-inflamatório, antioxidante, imunomodulador, desintoxicante e ativador do metabolismo celular. Assim, instituiu-se a fluidoterapia com Ringer Lactato (10ml/kg, IV, SID), sendo que uma vez na semana era utilizado o Ringer Lactato ozonizado (53 ug/mL durante 7 minutos). Além disso, foi feito enema com solução fisiológica 0,9% seguida de óleo mineral três vezes por semana. No dia 4 de junho, o animal apresentou fezes retidas na ampola cloacal. Foi realizada a remoção manual das fezes, as quais estavam severamente ressecadas e continham resíduos antropogênicos (plásticos) entremeados, e observou-se a presença de inflamação e tecido caseoso aderido na mucosa cloacal. Com isso, o enema passou a 240
ser feito com solução fisiológica 0,9% ozonizada (68 ug/mL durante 7 minutos) seguida de óleo ozonizado intracloacal a cada 48 horas, durante 10 dias. Nos primeiros
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6 dias a tartaruga expeliu grande quantidade de fezes consistentes e ressecadas, e ao final da semana seguinte já apresentava fezes normais. A mucosa cloacal estava normocorada e não havia mais tecido caseoso aderido. A alimentação com dieta líquida à base de peixe e suplementação vitamínica foi mantida até que ela começasse a se alimentar voluntariamente de peixes e camarões, ao final do mês de junho. No dia 19 de julho, a tartaruga apresentava bom estado geral, alimentando-se e defecando normalmente, e foi 242
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transferida para um tanque de água com maior profundidade para estimular as atividades natatórias, com o intuito de normalizar o quadro da flutuabilidade. O seu escore corporal ainda era ruim, então iniciou-se uma dieta de engorda com peixes, camarão e cápsulas de óleo de fígado de bacalhau. No início de setembro observou-se que o animal começou a afundar, apresentando flutuabilidade negativa. Após três meses, ele foi considerado apto à soltura pela avaliação clínica e hematológica. Assim, no dia 10 de dezembro de 2018, a tartaruga foi reintroduzida ao oceano. CONCLUSÃO O tratamento complementar com a ozonioterapia, incluindo as vias de aplicação sistêmica (Ringer Lactato ozonizado intravenoso) e local (enema com soro fisiológico 0,9% ozonizado e aplicação intracloacal de óleo ozonizado), apresentou resultados benéficos no auxílio da desimpactação intestinal e na desinflamação e cicatrização da mucosa cloacal da tartaruga-de-pente. Durante todo o período de reabilitação, não foram observadas reações adversas com a aplicação da ozonioterapia. Embora este caso apresente um único indivíduo tratado, os resultados foram positivos com a associação das terapias instituídas, demonstrando que, assim como em animais domésticos e humanos, o ozônio pode ser uma importante ferramenta como tratamento coadjuvante à medicina convencional na reabilitação de tartarugas marinhas. 244
AGRADECIMENTOS O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Campos (PMP-BC/ES) é uma condicionante ambiental exigida pelo IBAMA no âmbito do licenciamento ambiental das atividades de exploração e produção de petróleo da Petrobras nas bacias de Campos e do Espírito Santo. Essa atividade é desempenhada em todo o litoral do Espírito Santo e Rio de Janeiro (até Saquarema).
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Uso de ozonioterapia, acupuntura e rifamicina no tratamento do granuloma lepróide canino - relato de caso Use of ozone therapy, acupuncture and rifamicin in the treatment of canine lepróid granuloma - case report Valesca Inez Schneider 1; Viviane Machado Pinto 2; Cristina Bergman Zaffari Grecellé 2; Mariângela Costa Allgayer 2;Gabriela Ilha J. Rodrigues 3 1-Aluna de graduação de Medicina Veterinária da ULBRA.; 2-Professor do curso de Medicina Veterinária da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA- Canoas); 3-Aluna do PPG- Residente na área de Clínica de pequenos animais do HV-ULBRA.
Autor para correspondência: viviane.pinto@ulbra.br RESUMO Este trabalho relata o tratamento com medicina integrativa de um canino, macho Yorkshire Terrier de sete anos de idade que chegou ao Hospital Veterinário da ULBRA para atendimento já com citológico e diagnóstico de granuloma lepróide canino (GLC). Estava sendo tratado com enrofloxacina (BID) e cefovecin sódico (a cada 15 dias) há 60 dias, sem sucesso. Foi realizado tratamento com 246
ozonioterapia por insuflação retal duas vezes por semana, em doses crescentes sendo 3, 4 e 5 mL/kg e concentrações crescentes de 15 na primeira a 25 mcg/mL por 90 dias, oleo ozonizado duas vezes ao dia nas lesões, acupuntura uma vez por semana e rifamicina tópica duas vezes ao dia. O tratamento associado com ozonioterapia por insuflação retal e óleo ozonizado tópico, acupuntura e rifamicina tópica foi eficaz no tratamento do granuloma lepróide canino, promovendo o desaparecimento completo das lesões. Palavras-chave: granuloma leproide canino, terapia integrativa, ozonioterapia ABSTRACT This paper reports the treatment with integrative medicine of a canine, a seven-year-old male Yorkshire Terrier who arrived at the ULBRA Veterinary Hospital for assistance with cytology and diagnosis of canine leproid granuloma (CLG). It has been treated with enrofloxacin (BID) and cefovecin sodium (every 15 days) for 60 days, without success. Treatment with ozone therapy was performed by rectal insufflation twice a week, in increasing doses of 3, 4 and 5 ml / kg and increasing concentrations from 15 in the first to 25mcg / ml for 90 days, ozonated oil twice a day in the lesions, acupuncture once a week and topical rifamycin twice a day. The treatment associated with ozone therapy by rectal insufflation and topical 247
ozonated oil, acupuncture and topical rifamycin was effective in the treatment of canine leproid granuloma, promoting the complete disappearance of the lesions. Keywords: canine leproid granuloma, interactive therapy, ozone therapy INTRODUÇÃO O granuloma lepróide canino (GLC) é uma lesão cutânea provocada por Mycobacterium, com etiopatogenia indefinida e tratamento que inclui antibióticos da classe dos ansamicínicos, como a rifampicina (VO) e rifamicina (tópica) associada a ressecção cirúrgica. Este trabalho relata o tratamento com medicina integrativa de um canino, macho Yorkshire Terrier de sete anos de idade que chegou ao Hospital Veterinário da ULBRA para atendimento já com citológico e diagnóstico de granuloma lepróide canino (GLC). Estava sendo tratado com enrofloxacina (BID) e cefovecin sódico (a cada 15 dias) há 60 dias, sem sucesso. EXAME CLÍNICO Ao exame clínico apresentou lesões nodulares na região interdigital direita entre II e III dígito medindo 0,5 x 0,5cm, na face lateral da orelha direita medindo 1,0 x 1,0 cm ambas de consistência macia e na região dorsal do focinho medindo 1,0 x 1,0 cm, esta de consistência mais firme e pequena fissura ao redor do nódulo. Foram reali248
zados exames hematológicos e bioquímicos onde os resultados estavam dentro da normalidade para a espécie. TRATAMENTO E EVOLUÇÃO Foi realizado tratamento com ozonioterapia por insuflação retal duas vezes por semana, em doses crescentes sendo 3, 4 e 5ml/kg e concentrações crescentes de 15 na primeira a 25 mcg/mL por 90 dias, óleo ozonizado duas vezes ao dia nas lesões, acupuntura uma vez por semana e rifamicina tópica duas vezes ao dia. Após 30 dias as lesões do dígito e orelha haviam regredido em torno de 70% e a lesão no focinho 50%. O tratamento seguiu por mais 60 dias quando observou-se ausência completa das lesões. CONCLUSÃO O tratamento associado com ozonioterapia por insuflação retal e óleo ozonizado tópico, acupuntura e rifamicina tópica foi eficaz no tratamento do granuloma lepróide canino, promovendo o desaparecimento completo das lesões.
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Tratamento de ferida em felino com ozonioterapia tópica - relato de caso Feline wound treatment with topical ozone therapy case report Caroline Neves Alves Tcatch 1; Valesca Inez Schneider 2; Viviane Machado Pinto 3 1 MV. Professora do curso de Pós-graduação em Fisiatria e Reabilitação Veterinária do Instituto Bioethicus e Qualittas; 2 Aluna de graduação de Medicina Veterinária da ULBRA.; 3 Professor do curso de Medicina Veterinária da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA- Canoas)
Autor para correspondência: viviane.pinto@ulbra.br RESUMO Este trabalho relata o tratamento de ferida contaminada na região abdominal de um felino Siamês, fêmea de 2 anos, com ozonioterapia tópica. A felina havia sido adotada e após 3 semanas apareceram dois nódulos nas mamas M4 e M5 inguinais direita, foi operada e após 3 dias do procedimento cirúrgico, houve deiscência dos pontos e a ferida ficou completamente aberta, com grande profundidade, apresentava secreção purulenta, pequenas áreas com necrose e algia intensa. A paciente foi tratada 250
exclusivamente com ozonioterapia. Foi realizado bagging (com a mistura gasosa O2 + O3) 5 minutos com aparelho ligado e 5 minutos desligado, com concentração de 52 mcg/ml três vezes por semana, por duas semanas; duas vezes por semana, por duas semanas e após, uma vez por semana, por quatro semanas. Além disso, era realizado curativo com óleo ozonizado, quatro vezes por dia. Palavras-chave: Ferida contaminada, Ozonioterapia ABSTRACT This paper report the treatment of a contaminated wound in the abdominal region of a 2 year old Siamese feline, with topical ozone therapy. The feline had been adopted and after 3 weeks 2 nodules appeared in the right inguinal M4 and M5 breasts, it was operated and after 3 days of the surgical procedure, there was dehiscence of the stitches and the wound was completely open, with great depth, with purulent secretion, small areas with necrosis and several pain. The patient was treated exclusively with ozone therapy. Bagging (with the O2 + O3 gas mixture) was performed 5 minutes with the device on and 5 minutes off, with a concentration of 52mcg / ml three times a week, for 2 weeks; twice a week for 2 weeks and afterwards once a week for 4 weeks. In addition, an ozonized oil dressing was performed 4 times a day. Keywords: contaminated wound, ozone therapy 251
INTRODUÇÃO O ozônio medicinal promove uma resposta biológica melhorando a circulação sanguínea, oxigenação de tecidos isquêmicos através do aumento dos níveis da enzima 2,3 Difosfoglicerato dentro do eritrócito, além disso promove ação oxidante local promovendo diminuição de patógenos. EXAME CLÍNICO Este trabalho irá relatar o tratamento de ferida contaminada na região abdominal de um felino Siamês, fêmea de 2 anos, com ozonioterapia tópica. A felina havia sido adotada e após 3 semanas apareceram dois nódulos nas mamas M4 e M5 inguinais direita, foi operada e após 3 dias do procedimento cirúrgico, houve deiscência dos pontos e a ferida ficou completamente aberta, com grande profundidade, apresentava secreção purulenta, pequenas áreas com necrose e algia intensa. TRATAMENTO E EVOLUÇÃO A paciente foi tratada exclusivamente com ozonioterapia. Foi realizado bagging (com a mistura gasosa O2 + O3) 5 minutos com aparelho ligado e 5 minutos desligado, com concentração de 52 mcg/mL três vezes por semana, por duas semanas; duas vezes por semana, por duas semanas e após, uma vez por semana, por quatro semanas. Além disso, era realizado curativo com óleo ozo252
nizado, quatro vezes por dia. Após a primeira semana, a ferida não apresentava mais exsudato purulento e começou a formar tecido de granulação e alívio da dor. No decorrer das semanas, a ferida estava cada vez menor até sua completa cicatrização, após oito semanas. Durante as sessões, a paciente ficava tranquila sem demonstrar nenhum desconforto. Sendo assim, levando em consideração que a ozonioterapia tem ação bioxidativa com efeitos antimicrobianos, promove neoangiogênese, aumenta a irrigação local, causa aumento local de fibroblastos e acelera a formação de tecido de granulação, diminuindo o tempo de cicatrização, conclui-se que a ozonioterapia tópica pode se apresentar como alternativa para a cicatrização de feridas extensas contaminadas.
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Uso da ozonioterapia no controle da dor crônica na laminite equina - relato de caso Use of ozone therapy to control chronic pain in laminitis equine - case report Geane Maciel Pagliosa 1, Erica Cristina Bueno 1, Liliane Aparecida Oliveira de Paula 1, Eduardo Michelon do Nascimento 1, Fransael Franklyn Araújo da Silva 1, Maristela de Cássia Seudo Lopes 1 1 Departamento de Ciências Veterinárias- Universidade Federal do Paraná - Setor Palotina
Autor para correspondência: maristela.cassia@ufpbr.br RESUMO Um equino, macho, PSI de corrida, sete anos, 510 kg, foi encaminhado com claudicação severa de 20 dias de evolução, após transporte. As sessões de oxigenoterapia / ozônio foram realizadas duas vezes por semana, totalizando 20 sessões. Dois meses após o início do tratamento com ozonioterapia associado ao casqueamento, o equino demonstrou melhora significativa da condição corporal e melhor deambulação com melhora do escore de claudicação (OBEL grau II). A terapia com oxigênio/ozônio, asso254
ciada ao casqueamento foi satisfatória no auxílio do controle da dor em casos de laminite crônica em equinos. Palavras-chave: cavalo, claudicação, ozônio, casco, analgesia. ABSTRACT One horse, male, running PSI, seven years, 510kg, was referred with severe claudication of 20 days of evolution, after transportation. Oxygentherapy/ozone sessions were performed twice a week, totaling 20 sessions. Two months after the start of treatment with ozone therapy associated with trimming, the equine demonstrated significant improvement of body condition and improved deambulation with improvement of claudication score (Grade II OBEL). The oxygen/ozone therapy associated with trimming was satisfactory in aid of pain control in cases of chronic laminitis in horses. Keywords: horse, lameness, ozone, hoof, analgesia HISTÓRICO Um equino, macho, PSI de corrida, sete anos, 510 kg, foi encaminhado com claudicação severa de 20 dias de evolução, após transporte. EXAME CLÍNICO o animal alternava o apoio nos membros anteriores, e possuía depressões supracoronárias palpáveis, sensibili255
dade à pressão da sola na região de pinça, pulsos digitais palpáveis e temperatura elevada em todos os cascos. O exame radiográfico revelou deslocamento da falange distal em todos os dígitos, apresentando-se protraída nos membros pélvicos. O animal foi diagnosticado com laminite crônica e claudicação grau IV em todos os membros. TRATAMENTO E EVOLUÇÃO O protocolo terapêutico inicial foi fenilbutazona (4,4mg/kg/IV) por 5 dias, seguido de firocoxibe (0,1mg/kg VO) por mais um mês, além de casqueamento corretivo e bandagem com material macio na sola. Como não foi controlado significativo da dor com o firocoxibe, foi instituída a administração intramuscular (pré, escapular e pós escapular), peritendinosa e em pontos de acupuntura (PONTO IG11) da terapia com oxigênio / ozônio (40mcg/ml), como terapia anti-inflamatória e analgésica. As sessões de oxigenoterapia/ ozônio foram realizadas duas vezes por semana, totalizando 20 sessões. Dois meses após o início do tratamento com ozonioterapia associado ao casqueamento, o equino demonstrou melhora significativa da condição corporal e melhor desambulação com melhora do escore de claudicação (OBEL grau II). Com base neste relato, conclui-se que a terapia com oxigênio/ozônio, associado ao casqueamento foi satisfatória no auxílio do controle da dor em casos de laminite crônica em equinos. 256
Colírio ozonizado para tratamento de úlcera de córnea em atobá-pardo (Sula leucogaster) Ozonated eye drops for corneal ulcer treatment in brown booby (Sula leucogaster) Isabella Kaysel Menegaldo 1,2; Paula Baldassin 3; Max Rondon Werneck 3 1 - Kaysel Vet – Campinas – São Paulo – Brasil 2 - CTA Serviços em Meio Ambiente – Araruama – Rio de Janeiro – Brasil. 3 - Instituto Bw para conservação e medicina da fauna marinha – Araruama – Rio de Janeiro – Brasil.
Autor para correspondência: isabellakmenegaldo@outlook.com RESUMO Atobá-pardo (Sula leucogaster) juvenil, de vida livre, diagnosticado com úlcera de córnea em olho esquerdo pelo teste de fluoresceína, apresentando anemia moderada e discreta leucopenia por linfopenia. Tratamento inicial com fluidoterapia, suplementação vitamínica e antibioticoterapia sistêmica com doxiciclina VO, por 7 dias. Para o olho acometido, instituiu-se terapia tópica com 2 gotas BID de colírio ozonizado devido às suas pro257
priedades antimicrobiana, anti-inflamatória, revitalizante e cicatrizante. Após 12 dias deste protocolo com ozonioterapia tópica, observou-se resolução completa da úlcera corneal, sem a necessidade de medicamentos oftálmicos adicionais. A ave foi reabilitada e reintroduzida à natureza. Palavras-chave: Sula leucogaster, aves marinhas, úlcera de córnea, colírio ozonizado, ozonioterapia ABSTRACT Free-living juvenile brown booby (Sula leucogaster) diagnosed with corneal ulcer on left eye through Fluorescein test, presenting mild anemia and lymphopenia. Initial supportive care was based on oral fluid therapy, vitamins and antibiotics (Doxycicline) for 7 days. The affected eye was treated with 2 drops of topical ozonated eye drops due to its antimicrobial, anti-inflammatory, revitalizing and healing properties. After 12 days of this ozone therapy protocol, the corneal ulcer was completed healed, with no need of additional ophthalmic drugs. The animal was rehabilitated and released back to nature. Keywords: Sula leucogaster, seabirds, corneal ulcer, ozonated eye drops, ozone therapy HISTÓRICO Um atobá-pardo (Sula leucogaster) juvenil, de vida livre, sexo indeterminado, foi resgatado na praia de Itaipu 258
em Niterói-RJ no dia 21 de janeiro de 2019, através do Programa de Monitoramento de Praias, e encaminhado para atendimento veterinário ao Centro de Reabilitação e Despetrolização de Animais Marinhos de Araruama-RJ (CRD Araruama). EXAME FÍSICO E DIAGNÓSTICO Ao exame físico, o atobá apresentou-se alerta e responsivo, com boa condição corpórea, presença de ectoparasitas (família Menoponidae), frequência cardíaca = 248 bpm, frequência respiratória = 16 mpm, temperatura corpórea = 40,5 ºC, mucosas normocoradas e discreta opacidade corneal em olho esquerdo. No entanto, os reflexos pupilar, corneal e de aproximação estavam presentes. Foi realizado o teste de Fluoresceína em ambos os olhos, no qual foi diagnosticada úlcera de córnea no olho esquerdo. Foi realizada coleta de sangue para a realização de exames complementares. No hemograma foram constatadas discreta anemia e discreta leucopenia por linfopenia. Na bioquímica sérica, os valores de glicose e proteínas totais estavam dentro da normalidade para a espécie. TRATAMENTO E EVOLUÇÃO O tratamento suporte constituiu-se de fluidoterapia com solução de NaCl 0,9% (50 mL, VO), suplementação vitamínica com Hemolitan® (0,2mL, VO, SID), e antibioticoterapia sistêmica com doxiciclina (50 mg/kg, VO, 259
SID) por 7 dias. Para a úlcera de córnea, o tratamento instituído foi a administração tópica de colírio ozonizado (solução 1:10 - 0,3 mL de óleo de girassol ozonizado diluído em 3 mL de NaCl 0,9%) no olho acometido (2 gotas, BID) por 7 dias. Não foram administrados outros medicamentos oftálmicos, tendo em vista as propriedades antimicrobiana, anti-inflamatória e cicatrizante do óleo ozonizado. O animal foi mantido em recinto interno individual até o término do protocolo de antibioticoterapia, recebendo alimentação à base de peixes, duas vezes ao dia. No sétimo dia de tratamento, o animal foi transferido ao viveiro coletivo com acesso ao tanque de água salgada, onde se apresentou ativo, interagindo com outros animais, porém com impermeabilização incompleta das penas. Foi realizado novamente o teste de Fluoresceína no olho esquerdo, onde notou-se uma redução de aproximadamente 70% da úlcera de córnea, restando apenas resquícios pontuais da lesão. Deu-se continuidade à instilação do colírio ozonizado por mais cinco dias, totalizando 12 dias de tratamento. No 13º dia, o resultado do teste de Fluoresceína foi negativo, evidenciando a cicatrização completa da córnea. Os exames de sangue foram realizados novamente para reavaliação, nos quais não foram observadas alterações nos valores de hemograma e bioquímica sérica, evidenciando a recuperação do quadro hematológico com a terapia instituída. O atobá ficou mais 260
um mês em reabilitação até a completa impermeabilização das penas. Assim, com a reabilitação satisfatória da ave, evidenciada pela avaliação clínica, sua capacidade de voo e impermeabilização positiva, concluiu-se que o animal estava apto à soltura, sendo reintroduzido à natureza. Vale ressaltar que, embora as recomendações para instilação do colírio ozonizado geralmente sejam de 5 a 6 vezes ao dia, a resolução da úlcera de córnea neste caso foi obtida com sucesso mesmo administrando-se duas vezes ao dia, e que possivelmente poderia ter acelerado ainda mais o processo cicatricial com uma frequência maior de aplicações.
CONCLUSÃO A utilização do colírio ozonizado foi eficaz no tratamento da úlcera de córnea no atobá-pardo, resultando na reepitelização completa do tecido corneal, sem a necessidade de medicamentos tópicos adicionais. Este é o pri261
meiro relato sobre o uso da ozonioterapia em Sula leucogaster, e corrobora com estudos que demonstram os efeitos benéficos do ozônio em afecções oculares tanto em humanos quanto em animais, demonstrando que o colírio ozonizado pode ser uma excelente terapia de baixo custo e alta eficácia na reabilitação de aves marinhas com úlceras corneais. AGRADECIMENTOS O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da PETROBRAS de produção e escoamento de petróleo e gás natural no Polo Pré-Sal da Bacia de Santos, conduzido pelo Ibama.
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Avaliação da ozonioterapia no tratamento da papilomatose bovina Evaluation of ozone therapy for bovine papillomatosis Haissa Mabel Oliveira Vieira 1; Poliana de Castro Melo 2; Maria Amélia Fernandes Figueiredo 3 1 - Mestranda: Departamento de Ciências Agrárias e Ambientais – Itabuna – Bahia – Brasil 2 - Professora Adjunta do Departamento de Ciências Agrárias e Ambientais – Itabuna – Bahia – Brasil 3 - Professora Adjunta do Departamento de Ciências Agrárias e Ambientais – Itabuna – Bahia – Brasil
Autor para correspondência: mel@uesc.br RESUMO A papilomatose bovina é uma doença infectocontagiosa causada por um vírus DNA que se manifesta principalmente em animais de até dois anos, produzindo lesões superficiais de projeções digitiformes. O estudo foi realizado em fazendas de gado leiteiro no sul da Bahia, utilizando-se bovinos com diagnóstico clínico de papilomatose, para avaliar a eficácia da ozonioterapia. Utilizouse 18 bovinos, divididos em três grupos de tratamento: controle, tratamento por autohemoterapia (1) e ozonioterapia por insuflação retal e autohemoterapia menor (2). 263
Os tratamentos foram aplicados com intervalos de sete dias durante seis semanas. Os dados foram submetidos a análise de variância e Teste Tukey. Os resultados sugerem efeito positivo da ozonioterapia sobre o estado inflamatório de bovinos portadores de papilomatose, sendo necessário maiores estudos para avaliar a eficácia da ozonioterapia para remissão do quadro clínico da doença. Palavras-chave: bovinocultura, epidemiologia, ozônio, resposta imune. ABSTRACT Bovine papillomatosis is a chronic, infectious disease caused by a fibroepithelial DNA virus that manifests in animals under two years old. This study was carried out in dairy cattle farms, located in the south of the state of Bahia, using cattle with clinical diagnosis for papillomatosis, without previous treatments, in order to evaluate the effectiveness of ozone therapy for bovine papillomatosis. Eighteen cattle were used, divided into three treatment groups: control group, treated by autohemotherapy (1) and ozone therapy by rectal insufflation and minor autohemotherapy (2). Treatments were applied at seven-day intervals for six weeks. Results were analyzed by ANOVA and Tukey test. The results suggest a positive effect of ozone therapy on the inflammatory state of cattle with papillomatosis, but further studies are needed to eva264
luate the effectiveness of ozone therapy for remission of the disease's clinical condition. Keywords: cattle, epidemiology, ozone, immune response INTRODUÇÃO A papilomatose bovina é uma doença infectocontagiosa, crônica, causada por um vírus DNA, de natureza fibroepitelial, pertencente à família Papillomaviriade, gênero Papillomavirus, e tem como característica se manifestar principalmente em animais imunodeficientes e com idade inferior a dois anos (CORRÊA; CORRÊA, 1992). O vírus causa infiltração de células basais do epitélio, produzindo lesões tumorais superficiais em pele e mucosas, causando projeções digitiformes. Existem diversos tratamentos relatados na literatura, como vacina autógena, vacina espécie-específica remoção cirúrgica e autohemoterapia (SMITH, 1990; CORRÊA; CORRÊA, 1992; SILVA et al., 2001; VERÍSSIMO et al., 2002) mas a maioria se mostrou inconstante nos resultados. O tratamento com autohemoterapia é um dos mais utilizados, principalmente devido à facilidade de aplicação e ao baixo custo. Nesse contexto, sugere-se a ozonioterapia como um tratamento alternativo e complementar, por apresentar como uma de suas principais propriedades a ação imunomoduladora (ZAMORA et al., 2005; BOCCI, 2004; BOCCI et al. 2006). 265
HIPÓTESE E OBJETIVOS Objetivou-se testar a possibilidade do uso da ozonioterapia como opção de tratamento da papilomatose bovina, avaliando a resposta clínica e hematológica de bovinos naturalmente infectados submetidos a dois protocolos de ozonioterapia sistêmica. MATERIAIS E MÉTODOS O presente estudo foi realizado em fazendas de gado leiteiro, localizadas no sul do estado da Bahia, onde foram utilizados bovinos com diagnóstico clínico confirmado para papilomatose, sem tratamentos prévios, a fim de ser avaliada a eficácia da ozonioterapia como tratamento da papilomatose bovina. No estudo, foram utilizados 18 bovinos, que foram divididos em três grupos de tratamento, que foram distribuídos de forma aleatória nos grupos, priorizando-se no equilíbrio dos grupos as variáveis idade e sexo. Para o grupo controle, não foi administrado nenhum tratamento, e foram observados quanto à possibilidade de regressão espontânea. No grupo dois, foi utilizado como tratamento a autohemoterapia, e no grupo três foi administrado a ozonioterapia através da insuflação retal e autohemoterapia menor. Os grupos foram tratados com intervalos de sete dias entre as aplicações, durante seis semanas. Antes de iniciar os tratamentos, realizou-se a coleta de amostras de sangue para exames de hemograma, repetidos ao término do período de trata266
mento. Os animais foram avaliados semanalmente quanto aos aspectos macroscópicos dos papilomas: cor, localização, tamanho, aspecto e quantidade, classificando-se a infecção como leve, moderada e intensa. Foram utilizados como critérios para mensurar a eficácia de cada tratamento, ou a possível regressão espontânea: Resposta excelente, com regressão de 80% dos papilomas; Resposta boa, com 70% a 79% de regressão; Resposta regular, com 69% a 60% de regressão; e resposta ruim, com regressão inferior a 60% dos papilomas. O tratamento foi considerado eficaz se a resposta fosse classificada como excelente ou boa, e ineficaz, com a reposta classificada como regular ou ruim. Procedeu-se a avaliação estatística, referente à contagem de papilomas e os resultados obtidos nas análises hematológicas, pré-tratamento e pós-tratamento, sendo verificados pela análise de variância (ANOVA) referente aos tratamentos, no nível de 1% de probabilidade, seguido pelo teste de comparação entre médias dos tratamentos (Teste Tukey), no nível de 5% de probabilidade. RESULTADOS E DISCUSSÃO A partir dos resultados obtidos, observou-se resposta positiva nos grupos tratados, com maior regressão dos papilomas, porém a diferença entre os grupos não foi significativa estatisticamente. Entretanto, quando se compara o grupo tratado com hemoterapia e o grupo que recebeu 267
ozonioterapia, a autohemoterapia se mostrou mais eficaz, com maior percentual de regressão e resposta de tratamento mais rápida (Tabela 1). É importante porém observar que devido ao tipo de distribuição feita entre os grupos, houve uma concentração maior de animais com infecções classificados como intensas no grupo submetido à ozonioterapia. Sendo assim, para o grupo ozonioterapia houve um desafio de tratamento maior, quando comparado com o grupo autohemoterapia. Na avaliação dos resultados de hemograma observa-se que para no grupo ozonioterapia, houve regressão considerável em todos os parâmetros inflamatórios avaliados, confirmando o efeito antinflamatório da ozonioterapia. Essa observação corrobora com o descrito por Viglino (2008), que relata que a ozonioterapia atua na redução da inflamação aguda e crônica através da sua ação sobre mediadores químicos da inflamação que inibem a formação do ácido araquidônico e síntese de prostaglandinas. CONCLUSÃO Foi possível observar no presente estudo efeito positivo da ozonioterapia na regressão clínica da papilomatose bovina, porém esse efeito não diferiu daquele obtido com o uso da hemoterapia utilizada no tratamento convencional. A ozonioterapia produziu melhora significativa nos parâmetros hematológicos referentes ao estado 268
inflamatório no grupo tratado. Sendo assim, sugere-se a necessidade de realização de estudos abrangendo maior número de animais que possibilite melhor padronização dos grupos, para melhor avaliar a eficácia da ozonioterapia como agente terapêutico, além de esclarecer os tipos de cepas virais envolvidas nos animais acometidos com Papilomatose bovina que possam influenciar nesses resultados. REFERÊNCIAS CORREA. W. M.; CORRÊA, C. C.M. Enfermidades infecciosas dos mamíferos domésticos. 2ª ed. Rio de Janeiro: Medsi, 843 p, 1992. BOCCI, V. Ozone as Janus: this controversial gas can be either toxic or medically useful. Mediators of Inflamation, n. 13, v.1, p.3-11, 2004. BOCCI, V. Scientific and Medical Aspects of Ozone Therapy. Archives of Medical Research, v. 37, p. 425435, 2006. SILVA. L. A. F.; SANTINI, A.P.I.; FIORAVANTI, M. C. S. Papilomatose bovina: comparação e avaliação de diferentes tratamentos. A Hora Veterinária. v.21, n.121, p. 55-60, 2001. SMITH, B.P. Moléstia virais. In: Tratado de medicina interna de grandes animais. São Paulo: Manole., v. 2, p.1260-1262, 1990. VERÍSSIMO, A.C.C; SILVA, L.A.F.; FILHO, P.R.L.V. Avaliação da eficácia da cirurgia associada a diferentes protocolos medicamentosos no tratamento da Papilomatose peniana bovina. In: V CONGRESSO BRASILEIRO DE CIRURGIA E ANESTESIOLOGIA VETERINÁRIA. Anais da Revista Brasileira de Ciências Veterinária Rio de Janeiro, v.9, n.1, p. 266-268, 2002. ZAMORA, Z. B.; BORREGO, A.; LÓPEZ, O. Y. et al. Effects of 269
ozone oxidative preconditioning on TNF-Îą release and antioxidantprooxidant intracellular balance in mice during endotoxic shock. Mediators Inflammation, v. 1, p. 16-22, 2005.
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Uso do óleo ozonizado no tratamento de granuloma pós-traumático em região palpebral de uma ema (Rhea americana) Ozonized oil use in the treatment of post-traumatic granuloma in an ema´s (Rhea americana) eyelid region Fernando Troccoli 1; Bárbara Cristina da Silva Meireles 2; Eliana Mazula Lessa 3; Aline Silva Rocha 4; Raiane Machado da Silva 5; Bernardo de Paula de Miranda 6 1- Médico-veterinário coordenador do Bioparque do Rio, Rio de Janeiro - Brasil 2- Médica Veterinária Assistente de Coordenação do Bioparque do Rio, Rio de Janeiro - Brasil 3- Médica Veterinária Assistente de Coordenação do Bioparque do Rio, Rio de Janeiro - Brasil 4- Profissional Autônoma, esp. em Acupuntura Veterinária, Rio de Janeiro - Brasil. 5- Tratadora e auxiliar veterinária do Bioparque do Rio, Rio de Janeiro - Brasil 6- Estagiário bolsista do Bioparque do Rio, Rio de Janeiro – Brasil
Autor para correspondência: srocha.aline@gmail.com RESUMO Uma ave da espécie Rhea americana (Ema), macho, 16 anos, foi atendida no Bioparque do Rio apresentando gra271
nuloma com hiperqueratose decorrente de injúria traumática em região palpebral inferior causada, provavelmente, por um outro indivíduo da mesma espécie. A partir da avaliação do médico veterinário oftalmologista, foi identificada a presença de granuloma e depósitos de queratina que desencadearam um quadro de hiperqueratose em região inferior da pálpebra esquerda, sem acometimento do globo ocular. O único tratamento instituído foi colírio ozonizado preparado a partir da adição de 3 gotas de óleo ozonizado (Ozone & Life®) em 10 mL de solução fisiológica a 0,9% administrado 2 vezes ao dia. No terceiro dia de tratamento houve remissão quase por completa das lesões palpebrais, entretanto, no quarto dia, o animal apresentou uma leve piora do quadro por um provável trauma ocasionado na grade do recinto. O tratamento foi realizado por um total de 9 dias, havendo redução por completa do granuloma, ficando presente ainda uma pequena quantidade de hiperqueratose. Concluiu-se que a utilização do colírio preparado a partir da adição do óleo ozonizado à solução fisiológica foi eficaz na regressão do granuloma pós-traumático em região palpebral de ema. Mostrou-se, ainda, uma técnica simples e de fácil administração, apresentando como benefício um mínimo estresse da ave por não ter sido necessária a realização de contenção da mesma durante o procedimento. Palavras-chave: ave, colírio, ozônio, pálpebra 272
ABSTRACT A bird of the species Rhea americana (Ema), male, 16 years old, was admitted at Bioparque do Rio showing a granuloma with hyperkeratosis due to traumatic injury in the bottom eyelid region caused, probably, by another individual of the same species. From the Veterinary Ophthalmologist evaluation, were identified the presence of granuloma and keratin deposits that triggered a hyperkeratosis situation in the bottom left eyelid region, without ocular globe affection. The only treatment instituted was ozonized eye drops prepared with the addition of 3 ozonated oil (Ozone & Life®) drops in 10mL of physiologic solution at 0,9% administered 2 times a day. On the third day of treatment there was an almost complete remission of the eyelid injuries. However, on the fourth day, the situation worsened due to a trauma, likely caused by the cage grid. The treatment was applied for at least 9 days, with complete reduction of the granuloma yet with a little portion of hyperkeratosis still present. The conclusion was that the use of eye drops prepared from the ozonated oil addition to the physiologic solution was effective in the regression of the post-traumatic granuloma in the ema’s eyelid region. It turned out to be a simple technique easily administered, showing as a benefit a minimum level stress for the bird because the bird’s restraint during the procedure was not necessary. Keywords: bird, eye drops, ozone, eyelid 273
HISTÓRICO Uma ave da espécie Rhea americana (Ema), macho, 16 anos, foi atendida no Bioparque do Rio apresentando granuloma com hiperqueratose decorrente de injúria traumática em região palpebral inferior. O animal convivia em recinto misto de terra com outros 2 exemplares da mesma espécie e com aproximadamente trinta e cinco cervos-de-timor (Rusa timorensis). Por motivos clínicos decorrentes de claudicação devido a um aumento de volume articular na região tibiotarso-tarsometatarso do membro pélvico direito, a ave foi afastada de seu recinto e direcionada a outro com espaço menor, ficando isolada dos demais animais e permitindo, assim, o tratamento adequado e a restrição dos movimentos. Após melhora do quadro clínico, foi encaminhada de volta ao recinto com os outros animais e, então, observou-se uma pequena perseguição a ela por outro macho da mesma espécie, sem que houvesse nenhum tipo de agressão. Isso pode ser explicado pelo fato de estar se aproximando a época reprodutiva fazendo com que estes animais apresentem um comportamento mais agressivo. No dia seguinte, foi observado que havia uma lesão traumática na região palpebral do olho esquerdo. EXAME FÍSICO E DIAGNÓSTICO A ema precisou novamente ser manejada e conduzida para um recinto de menor tamanho para avaliação clínica 274
e tratamento. Foi contactado um médico veterinário oftalmologista que identificou a presença de granuloma e depósitos de queratina que desencadearam um quadro de hiperqueratose em região inferior da pálpebra esquerda, sem acometimento do globo ocular. Isso pode ter ocorrido pela agressão de outra ema ou cervo no momento da alimentação, já que o cocho de alimentação é coletivo ou, ainda, a lesão pode ter sido causada por poeira carreada pelos fortes ventos nos dias anteriores, visto que o recinto é de terra. TRATAMENTO E EVOLUÇÃO Por se tratar de um animal que possui elevados níveis de estresse quando submetido à contenção, o único tratamento instituído foi colírio ozonizado preparado a partir da adição de 3 gotas de óleo ozonizado (Ozone & Life®) em 10 mL de solução fisiológica a 0,9%. O colírio foi aplicado a distância na região afetada com auxílio de seringa, 2 vezes ao dia, durante 9 dias. No segundo dia de tratamento, observou-se significativa redução das lesões palpebrais, havendo remissão quase por completa no terceiro dia. No quarto dia, houve uma leve piora do quadro, possivelmente, por um trauma ocasionado na grade do recinto. Em razão disso, o tratamento com o colírio foi mantido por mais 4 dias e no nono dia o tratamento foi suspenso devido ao animal apresentar sinais de irritabilidade ao instilar a solução na região ocular, sendo então 275
mantido apenas em observação. Neste momento, a lesão já se apresentava com redução por completa do granuloma, ficando presente ainda uma pequena quantidade de hiperqueratose. CONCLUSÃO De acordo com o resultado obtido no presente relato, concluiu-se que a utilização do colírio preparado a partir da adição do óleo ozonizado à solução fisiológica foi eficaz na regressão do granuloma pós-traumático em região palpebral de ema. Mostrou-se, ainda, uma técnica simples e de fácil administração, apresentando como benefício um mínimo estresse da ave por não ter sido necessária a realização de contenção da mesma durante o procedimento.
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Tratamento de ferida contaminada abdominal em felino com ozonioterapia tópica - relato de caso Abdominal contaminated wound treatment in feline with topical ozone therapy - case report Sabrina Baldissera Faganello 1; Viviane Machado Pinto 2; Karine Gehlen Baja 2; Maria Inês Witz 2; Valesca Inez Schneider 3 1 MV. Proprietária da Clínica Veterinária Molly’s; 2 MV. Dra. Professora da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA) – Canoas/RS; 3 Aluna de graduação em Medicina Veterinária da ULBRA.
Autor para correspondência: viviane.pinto@ulbra.br RESUMO Tratamento com ozonioterapia tópica em um felino, Siamês, 2 anos, com ferida contaminada devido a lesão por mordedura, na região abdominal. A ozonioterapia tópica, através do bagging e óleo ozonizado, foi eficaz na cicatrização de ferida extensa, contaminada, sendo uma alternativa de baixo custo e grande eficiência na descontaminação e cicatrização de feridas. Palavras-chave: ferida contaminada, ozonioterapia, felino 278
ABSTRACT This work will report the treatment with topical ozone therapy in a feline, Siamese, 2 years old, with a contaminated wound due to a bite injury, in the abdominal region. Topical ozone therapy, through bagging and ozonated oil, was effective in healing extensive, contaminated wounds caused by feline bites, being a low-cost and highly efficient alternative for decontamination and wound healing. Keywords: ozone therapy, contaminated wound, feline HISTÓRICO O ozônio medicinal (O2 + O3) é utilizado por vias específicas, melhorando a circulação sanguínea. A dose e concentração vai depender da doença e condições do paciente. Este trabalho irá relatar o tratamento com ozonioterapia tópica em um felino, Siamês, 2 anos, com ferida contaminada devido a lesão por mordedura, na região abdominal. A felina foi internada, após ser atacada por cães, apresentando laceração da pele e tecido subcutâneo de toda região abdominal ventral. TRATAMENTO E EVOLUÇÃO No primeiro momento, foi realizada a limpeza da ferida com solução fisiológica e após foi realizada síntese dos tecidos. No segundo dia foi feito curativo realizando a limpeza da ferida com solução fisiológica e após óleo de girassol ozonizado. Foi feito o uso de antibiótico 279
(amoxicilina com clavulanato, na dose de 15 mg/kg BID) durante 10 dias, e para o tratamento da dor foi utilizado tramadol, 0,1 mg/kg a cada oito horas, durante 3 dias. No sexto dia, após o procedimento de síntese, houve deiscência dos pontos e presença de muito exsudato purulento. Neste momento, foi optado por realizar o tratamento como ferida aberta, somente com ozonioterapia tópica. Foi realizado bagging, 5 minutos com o aparelho ligado e 5 minutos com aparelho desligado, na concentração de 50 mcg/mL, 3x na primeira semana. Todos os dias eram realizados curativos com óleo ozonizado, apenas uma vez ao dia. Após quatro dias não apresentava mais exsudato purulento, a paciente estava mais ativa e comendo normalmente. Na segunda semana de tratamento, começou a formar tecido de granulação, então foram realizados bagging com concentração de 20 mcg/mL, 3 x por semana. Na terceira e quarta semanas, eram realizados bagging 2 vezes por semana, na concentração de 15 mcg/mL. Durante as sessões a paciente ficava tranquila, sem qualquer desconforto. Por ser uma lesão extensa, a paciente ficou internada durante os 30 dias de tratamento. DISCUSSÃO A ozonioterapia tópica, através do bagging e óleo ozonizado, foi eficaz na cicatrização de ferida extensa, contaminada, sendo uma alternativa de baixo custo e grande eficiência na descontaminação e cicatrização de feridas. 280
Ozonioterapia no tratamento de enfermidades de pele em rã-gigante-dolago-Titicaca (Telmatobius culeus): relato de caso Ozone therapy in the treatment of skin disease in titicaca lake giant frog (Telmatobius culeus): case report Lilian Karnopp 1; Carmen Capuñay Becerra 2; Eduardo Tafur Zuazo 3 1- Médica-veterinária, pós-graduada em clínica médica de pequenos animais e endocrinologia. sócia-proprietária da empresa Ozoonivet – Ozonioterapia Veterinária/ São Lourenço do Sul - RS- Brasil. 2- Médica-veterinária, Parque Zoológico Huachipa, Ate- Lima- Peru. 3- Médico-veterinário, Parque Zoológico Huachipa, Ate- Lima- Peru.
RESUMO O presente artigo tem por finalidade relatar o uso da ozonioterapia, realizada através da ozonização de água destilada, para o tratamento de enfermidades de pele diagnosticada em exemplares da espécie Telmatobius culeus, pertencentes ao plantel do Parque Zoológico Huachipa. O objetivo do tratamento foi encontrar um método alternativo ao tratamento convencional, que podem apresentar resistência. Também fornecer doses e tempo de tratamento utilizando a ozonioterapia em anuros, e assim 281
contribuir com a conservação da espécie, utilizando um tratamento eficaz e sem apresentação de efeitos colaterais. Palavras-chave: ozonioterapia; animais selvagens; zoológico; conservação. ABSTRACT The purpose of this article is to report on the use of ozone therapy, carried out through the ozonation of distilled water, for the treatment of skin diseases diagnosed in specimens of the species Telmatobius Culeus, belonging to the squad of Parque Zoologico Huachipa. The aim of the treatment was to find an alternative method to conventional treatment, which may show resistance. Also provide doses and treatment time using ozone therapy in anurans, and thus contribute to the conservation of the species, using an effective treatment and without any side effects. Keywords: ozone therapy; wild animals; zoo; conservation. HISTÓRICO Telmatobius culeus é uma espécie endêmica do planalto peruano-boliviano, de distribuição restringida ao lago Titicaca e lagunas adjacentes, a altitudes de cerca de 3.810 m. Atualmente é categorizada no “Apêndice I” da CITES e em “Perigo Crítico” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). No Peru também é considerada ameaçada (DS N°004-2014-MINAGRI), 282
devido a diversas ameaças que enfrenta como: A contaminação do lago, a caça ilegal para a preparação de extratos com fins medicinais, a presença de espécies exóticas invasoras, entre as principais (RAMOS RODRIGO, 2019). Se caracteriza por seu grande tamanho frente a outros anuros da região, podendo chegar a ter 160mm de tamanho céfalo-caudal, podendo chegar a 180200 mm, com peso até 380 g (Ramos et al., 2000; Andrade et al.,2018). Os dedos anteriores são livres e os posteriores semi-unidos, adaptações morfológicas e fisiológicas condicionadas pelo ambiente que lhes permite compensar condições ambientais de baixa concentração de oxigênio da água, baixas temperaturas (<10 ºC) e trocas bruscas de pressão atmosférica (FORTÚBEL, 2007; Andrade et al.,2018). A pele é altamente vascularizada e pregueada como resposta evolutiva para uma melhor difusão cutânea do oxigênio da água, já que é completamente aquática e respiram principalmente através da pele, que apresenta modificações de vascularização descritos em relação aos hábitos aquáticos extremos. (PÉREZ, 2002; BARRIONUEVO, 2017; Andrade et al.,2018). Para preservar a rãGigante-do-lago-Titicaca se executam investigações e projetos de conservação no lago. No Peru, desde 2007, se tem um projeto de conservação que funciona através de alianças entre o Parque Zoológico Huachipa, a Universidade Peruana Cayetano Heredia, o Zoológico de Denver nos Estados Unidos e o financiamento da Fundação de 283
Conservação de Espécies da Alemanha. Desde 2007, criam em cativeiro vários exemplares e em 2011 registraram o nascimento de alguns girinos, é a primeira vez que a espécie se reproduz em cativeiro (PÁUCAR, 2012; VALVERDE,2019). Na medicina veterinária, há uma busca incessante de formas alternativas de tratamento economicamente viáveis e eficientes. A ozonioterapia é um exemplo, e já vem sendo amplamente utilizada na medicina humana na Europa, na Ásia e em Cuba (Scrollavezza et al., 1997; Ogata e Nagahata, 2000; Hernández e González, 2001; Haddad et al.,2009). Atualmente, tem despertado o interesse da medicina veterinária nessas mesmas regiões e em outros países da América Latina e nos Estados Unidos, como uma alternativa ou complemento dos protocolos terapêuticos tradicionais pela sua eficiência e baixo custo (Haddad et al.,2009). O ozônio medicinal é obtido através de um equipamento gerador de ozônio. O oxigênio (O2) conectado através de um cilindro com o gás acoplado ao aparelho sofre descargas elétricas, se transformando em duas moléculas de oxigênio atômico (O), que se unem novamente a moléculas de oxigênio, originando o O3. A utilização do gás ozônio como método terapêutico é justificado por suas propriedades viricida, fungicida e bactericida, baseado no seu mecanismo de ação resultante da oxidação da membrana celular e componentes citoplasmáticos, causando a morte dos microrganismos.O O3 também apresenta alta capacidade de 284
penetração tecidual melhorando a circulação e a oxigenação, reduz a agregação plaquetária, atua como agente antiálgico e favorece as respostas imunológicas através do sistema reticuloendotelial (MATOS NETO et al., 2012; Vilarindo et al.,2013). O ozônio é um gás parcialmente solúvel em água e, tal como a maioria dos gases, aumenta sua solubilidade á medida que a temperatura decresce (Langlais et al., 1991; Wysok et al., 2006; Silva et al.,2011; COELHO,2015). Essa solubilidade em meio aquoso depende, entretanto, do conteúdo de matéria orgânica, sendo que quanto menor a concentração de matérias orgânicas presentes no meio, maior será p tempo de meia vida do ozônio em água e maior a eficiência do tratamento (COELHO,2015). EXAME FÍSICO E DIAGNÓSTICO Foi relatado a equipe de médicos-veterinários do Parque Zoológico Huachipa, pelo tratador responsável pelo setor de anuros, que sete exemplares da espécie Telmatobius Culeus do plantel do Zoológico apresentavam alterações clínicas e comportamentais. Ao exame físico, realizado pelo médico veterinário responsável, foi constatado: inapetência, aumento de volume abdominal, flotação e presença de uma substância branca ao redor da pele do dorso dos exemplares examinados. Outros casos já haviam sido reportados anteriormente. Devido aos sinais clínicos apresentados, o diagnóstico sugerido foi de Qui285
tridiomicose, porém não foi obtido a confirmação, devido ao laboratório credenciado pela instituição não possuir materiais para a realização de cultura fúngica específica. TRATAMENTO Após o exame clínico e identificação de enfermidade de pele, utilizando um exemplar da espécie em questão, foi realizada a ozonização de 500 mL de água destilada com o paciente submerso, na concentração de 20 µg/mL, com fluxo contínuo por cinco minutos, uma vez ao dia, totalizando 15 dias de tratamento. A dose para a ozonização da água destilada foi utilizada para que se obtivesse um efeito fungicida e cicatrizante, sem alterar a microbiota saprófita da pele e sem alterar os parâmetros respiratórios do paciente, já que essa espécie possui respiração exclusivamente cutânea.
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EVOLUÇÃO DO CASO Durante o tratamento com a ozonização de água destilada foi observado a regressão progressiva dos sinais clínicos anteriormente diagnosticados e ao final dos 15 dias de tratamento, o exemplar apresentou a remissão total dos sinais clínicos, voltando a se alimentar, reduzindo significativamente a distensão abdominal e não apresentando mais nenhuma alteração de pele, retornando assim ao tanque comunitário. Durante o tempo de tratamento até o final dele, não houveram sinais clínicos de efeitos colaterais. CONCLUSÃO A partir dos resultados satisfatórios observados utilizando a ozonioterapia como tratamento para enfermidade de pele em um exemplar de rã-gigante-do-lago-Titicaca (Telmatobius culeus),podemos considerá-lo um aliado na conservação dessa espécie, tendo em vista a recuperação clínica total, sem apresentação de efeitos colaterais, podendo assim contribuir com novas pesquisas em diversas espécies de anuros, ampliando assim os tipos de tratamentos possíveis para enfermidades que venham a ameaçar a saúde clínica desses animais. Este estudo abre portas para novas pesquisas, vindo a poder tornar-se uma nova ferramenta de conservação de espécies.
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Uso tópico da pomada a base de óleo de copaíba (Copaifera langsdorffii Desf.) ozonizado em feridas experimentalmente induzidas em ratos Effects of topical application of pure and ozonized copaiba (Copaifera langsdorffii Desf.) ointment on experimentally induced wounds in rats Sueli M. Silva 1, Maria A. Silva 2, Clarisse S. Coelho 3,4, Vinicius R. C. Souza 4 1 – Médica-veterinária autônoma, Mestre em Ciência Animal - Vitória – Espírito Santo – Brasil, 2 – Professora – Universidade Estadual Norte Fluminense (UENF) – Campos – Rio de Janeiro – Brasil, 3 – Professor – Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias – Lisboa – Portugal, 4 – Professora Adjunta do Departamento de Anatomia, Patologia e Clínicas Veterinárias – Universidade Federal da Bahia (UFBA) – Salvador – Bahia – Brasil.
Autor para correspondência: viniciuscuna@yahoo.com RESUMO Esse estudo objetivou investigar os efeitos do uso tópico do óleo de copaíba (Copaifera langsdorffii Desf.) puro e ozonizado no tratamento de feridas cutâneas experimentalmente induzidas em ratos, visando novas alternativas 288
terapêuticas na referida espécie. Para tal, foram usados 22 ratos da linhagem Wistar (Ratus norvergicus), hígidos, machos, adultos, pesando entre 300-500 gramas. Foram considerados aptos após minucioso exame que envolveu a avaliação clínica (sem dermatopatias) e distribuídos em três grupos experimentais, nos quais foram induzidas cirurgicamente quatro feridas cutâneas na região lombar de 04 mm cada. As lesões foram tratadas diariamente com pomada pura - placebo (controle; GC), óleo de copaíba puro (GCP) e óleo de copaíba ozonizado (GCO). Avaliação macroscópica e mensuração de área da ferida e avaliação histopatológica foram feitos nos dias da cirurgia e com 3, 7, 14 e 21 dias, sendo registrado também o tempo até a cicatrização total das feridas. Observou-se um grau de contração de 70,20%, 77,52% e 67,91% respectivamente, para os grupos GC, GCP e GCO principalmente no 14º dia. Concluindo a partir das análises macroscópica e histopatológica que o óleo de copaíba e o óleo de copaíba ozonizado tiveram contribuição de forma significativa no processo de reparação tecidual nos ratos usados. Palavras-chave: copaíba, cicatrização, ratos, feridas, ozonioterapia ABSTRACT The aim of this research was to demonstrate the effects of topical application of ozonized copaiba andiroba oil (Copaifera langsdorffii Desf.) on surgically induced wounds 289
in rats, trying to establish new alternatives for wound healing by second intention. With this purpose, 22 Wistar rats were used in three experimental groups. Four lesions were surgically performed in the lumbar area of each animal. Lesions were daily treated with pure ointment (control group; GC), pure copaiba oil (GCP) and ozonized copaiba oil (GCO). Macroscopic observations and area measurements and histopathologic analysis were done on all three groups at the surgery day and after 3, 7, 14 and 21 days, also recording the time for complete healing. It was possible to observe a wound contraction of 70.20%, 67.91%, e 77.52%, respectively, on the groups GC, GCP e GCO on the 14th day. It was possible to conclude that both pure and ozonized copaiba ointment contributed positively to wound healing in rats. Keywords: copaiba, healing process, rats, wounds, ozone therapy INTRODUÇÃO A cicatrização constitui um conjunto dinâmico de alterações teciduais importantes na manutenção da integridade do organismo, que envolve inflamação, quimiotaxia, proliferação celular, diferenciação e remodelação. Surge como resposta tecidual às lesões, sejam induzidas por traumatismo ou por procedimentos cirúrgicos, constituindo-se componente necessário ao processo de reparação por proporcionar mecanismos pelos quais o tecido 290
lesado é preparado para a reconstrução (GARROS et al., 2006). Segundo Martins et al. (2006), a cicatrização das feridas é processo altamente complexo, apresentando várias fases. São vários os estudos realizados com o objetivo de comprovar a eficácia de óleos de origem vegetal e fitoterápicos na cicatrização de feridas em humanos e diversas espécies animais, sendo possível destacar as pesquisas com óleo de andiroba (Carapa guianensis Aubl.) puro e ozonizado; a administração tópica da cana de açúcar (MONTEIRO et al., 2007); sementes de jaqueira (VITORINO FILHO et al., 2007); gel de babosa (SOUSA et al., 2013); alecrim do campo (PASINI et al., 2013); extrato de Passiflora edulis (GARROS et al., 2006). Tal fato comprova que a busca por tratamentos alternativos das feridas cutâneas tem sido intensificada nos últimos anos (MONTEIRO et al., 2007). Dentro desse contexto, são diversos os relatos com o óleo de copaíba buscando comprovar suas qualidades como poder anti-inflamatório, bactericida, antitumoral (MONTES et al., 2009). Mais recentemente, a oxigênio/ozonioterapia foi incluída como protocolo principal ou complemento terapêutico (ARAUJO et al., 2017). Portanto, considerando as novas possibilidades terapêuticas que representam o óleo de copaíba e a mistura oxigênio/ozonioterapia, esse trabalho teve por finalidade 291
avaliar os efeitos do uso tópico de pomada a base de óleo de copaíba (Copaifera langsdorffii Desf.), puro e ozonizado, no tratamento de feridas cutâneas experimentalmente induzidas em ratos. A hipótese a ser confirmada é de que ambas sejam eficazes no tratamento, representando novas alternativas terapêuticas no processo de cicatrização da pele na referida espécie. MATERIAIS E MÉTODOS O presente projeto de pesquisa teve aprovação da Comissão de Ética, Bioética e Bem-estar Animal (CEUA UVV-ES), sendo registrado sob o número 4814/2014. 22 ratos, machos, da linhagem Wistar (Ratus norvergicus), hígidos, foram usados no experimento. Os animais pesavam entre 300-500 gramas, com idade entre 03 e 13 anos, e foram considerados aptos após minucioso exame que envolveu a avaliação clínica (sem dermatopatias). Foram mantidos em caixas de polipropileno com cama de maravalha, recebendo limpeza diária. Administrou-se alimentação apropriada com ração (Purina Labina) e água ad libitum. O ambiente manteve temperatura e umidade controladas e um fotoperíodo de 12 horas. O óleo de copaíba (Copaifera langsdorffii Desf.) foi adquirido da região do Alto de Trombetas, comunidade da Tapagem, Oriximiná - Pará. Para ozonização de 100 mL de óleo de copaíba, foi utilizado um equipamento gerador de ozônio (Ozone & Life, modelo O&L3.0RM®). 292
Este equipamento produz ozônio, tendo como gás insumo o oxigênio medicinal (pureza de 99,5%). As concentrações de produção de ozônio variam em função do fluxo de oxigênio e do potenciômetro do equipamento. Para o processo de ozonização do óleo foram utilizadas as seguintes condições: fluxo de O2 de 1,0 L/min e a concentração de ozônio de 25,0 mg-O3/L, durante um tempo de 5 minutos. As pomadas testes (com óleo de copaíba – GCP e com óleo de copaíba ozonizada – GCO) e placebo (GC) foram manipulados no laboratório de Produção Farmacêutica da UVV. As pomadas testes foram obtidas a partir da incorporação em gel de natrozol a 1,0% (peso/peso) de óleo de copaíba e óleo de copaíba ozonizado, utilizando solução tween 80 a 0,5% como tensoativo. O produto final foi armazenado em bisnagas de alumínio opacas, revestidas internamente por superfície plástica, fechadas com tampa rosqueável. Os conservantes utilizados foram solução de parabenos e ácido sórbico (ALLEN et al., 2005). A preparação do placebo (GC) seguiu rigorosamente os mesmos passos da preparação e acondicionamento da pomada teste. Os geles receberam códigos que identificaram a concentração de 1,0%, bem como o placebo. Os ratos foram submetidos a jejum alimentar de oito horas, com livre acesso à água. A sedação foi realizada com Cloridrato de Xilazina a 2% (1,0 mg/Kg, IM), seguida da indução e manutenção com Cetamina (30,0 mg/Kg, IM), conforme descrito por Magalhães et al. 293
(2008). Após a tricotomia do dorso e antissepsia com polivinilpirrolidona iodo a 1% (PVP-I), foram realizadas 4 feridas no dorso de cada animal usando um punch de 6 mm. A pele foi incisada removendo o fragmento circular constituído de pele e tecido subcutâneo subjacente. A ferida foi protegida com uma bandagem de gaze estéril e esparadrapo. Cada animal recebeu uma injeção intraperitoneal de morfina na dose de 10mg/kg, após o procedimento, para controle da dor. Os animais foram mantidos em gaiolas individuais, monitorados por 12 horas quanto à evolução das lesões e do estado geral. Os animais foram aleatoriamente selecionados para compor três grupos (grupo controle (n=7), GC, com pomada sem princípio ativo; grupo (n=8), pomada a base de óleo de copaíba GCP, grupo tratado (n=7), GCO, com pomada a base de óleo de copaíba ozonizado). Para tal, os animais receberam identificação e um sorteio foi realizado para composição dos grupos. O início do tratamento ocorreu 12 horas após a indução cirúrgica das lesões e foi mantido diariamente até a cicatrização total das feridas. Inicialmente foi feita a limpeza das mesmas com gaze embebida em solução isotônica de cloreto de sódio (NaCl a 0,9%). Em seguida, foi feita aplicação dos tratamentos supracitados com auxílio de gaze nas feridas. Diariamente, os animais foram avaliados quanto ao estado geral, presença de lesões, frequência de defecação e micção, presença de apetite e avaliação da ferida cirúrgica. 294
As feridas foram submetidas a avaliações macroscópicas e microscópicas (histopatológicas). A avaliação macroscópica incluiu observação da presença de edema, hiperemia, exsudação, tecido de granulação e crostas, mensuração de área (usando paquímetro universal marca Vonder®), e registro fotográfico (usando uma câmera digital, marca Sony, modelo Cyber-Shot DSC-H9, 16,2 mega) a uma distância de cerca de 30 cm para obtenção de um bom foco, conforme descrito por Magalhães et al. (2008). Tais avaliações foram realizadas nos momentos 0 (logo após o procedimento cirúrgico) e após 3, 7, 14 e 21 dias. As medidas obtidas na mensuração foram usadas para estimar a área das feridas, conforme orientado por Prata et al. (1988) e Magalhães et al. (2008), usando a seguinte equação: A = π x R x r, onde A representa a área, R representa o eixo maior e r representa o eixo menor. O grau de contração das feridas foi calculado por equação proposta por Ramsey et al. (1995): Percentagem de contração = 100 x (F0 – FA) / F0, onde F0 representa a área original da ferida e FA representa a área no momento da avaliação, feita com 14 dias. Nesses mesmos animais, as lesões lombares foram destinadas a biópsias realizadas nos momentos 0 (logo após o procedimento cirúrgico) e com 3, 7, 14 e 21 dias após. Para não haver influência das biópsias sobre a mensuração 295
de área, cada ferida foi biopsiada em um momento, assim discriminados: ferida 1 no dia 3, ferida 2 no dia 7, ferida 3 no dia 14 e ferida 4 no dia 21. Após a realização da biópsia, as feridas continuavam em tratamento, mas sua área não era mais avaliada. Para tal, os animais receberam o mesmo protocolo feito na indução das feridas. A avaliação histológica foi feita sem o conhecimento do tratamento que o animal recebia, para evitar a indução de resultados (WENDT, 2005). O fragmento biopsiado compreendeu os limites da ferida e tecido íntegro, usando punch de 6 mm. Após a retirada, os fragmentos foram imersos em frascos contendo formol a 10%, onde permaneceram por 12 horas e identificados com o dia da retirada, o número do animal, sendo encaminhados ao laboratório de Patologia Veterinária. As peças histológicas foram processadas e feitos os cortes em parafina na espessura de 4 μm com auxílio de um micrótomo (LEICA RM 2125 RT; Leica Licrosystems). Posteriormente, os mesmos foram corados com Hematoxilina Eosina (HE), sendo observados em microscopia óptica nos aumentos de 100x e 400x (Olympus DX51, Olympus). Na lâmina foram analisadas a presença de células predominantes na reação inflamatória (infiltrado de células polimorfonucleares - PMN), formação de tecido de granulação, neovascularização e fibrose. A análise dos resultados foi realizada utilizando-se o programa estatístico computadorizado GraphPad InStat 296
(versão 3.0). Devido à distribuição gaussiana dos dados registrados, os dados foram avaliados através de testes paramétricos (análise de variância – ANOVA), seguido da comparação entre médias (teste de Tukey) com nível de significância de 5%. Nessas análises, levou-se em consideração a influência dos tratamentos sobre o processo de cicatrização. RESULTADOS Os animais foram avaliados diariamente durante todo o período do experimento e não demonstraram quaisquer alterações na avaliação clínica geral. No Quadro 1 estão apresentados os valores médios e desvios-padrão das áreas das feridas lombares até o 14o dia de avaliação, onde é possível observar a redução significativa da área da ferida para todos os grupos estudados (p<0,0001). Na comparação entre os momentos para os diferentes tratamentos, houve diferença significativa na área das feridas somente no dia 3 da avaliação (p<0,0001), onde é possível constatar um aumento da área do grupo controle (GC). Nos demais momentos não houve diferença significativa (p=0,0769 no dia 7; p=0,1974 para o dia 14). O grau de contração registrado nas feridas foi de 70,20%, 67,91%, e 77,52%, respectivamente, para os grupos GC, GCP e GCO no 14o dia. No 21o dia, não havia mais ferida em nenhum grupo experimental. 297
Não foram observados sinais de autoagressão ou de mordedura de animais sobre a área cruenta. A manipulação dos animais foi a mesma em ambos os grupos, não produzindo estresse que interferisse no processo de cicatrização, assemelhando-se ao registrado por Martins et al. (2006). No 3º dia de tratamento do GC observou-se distúrbio vascular, edema, área morta, escassas células inflamatórias e epiderme espessa, reepitelizacão mais pronunciada, diferentemente do grupo com óleo de copaíba ozonizado, onde observou-se perfeita reepitelização, fibrose do derma superior e tecido vitalizado. No 14º dia de avaliação pode-se observar uma maior diferença entre os grupos testados. Neste momento, as feridas do GCP apresentaram fibrose do derma com retração, reepitelização perfeita, reparação perfeita, regeneração epidérmica, epiderme mais espessa (caranculas) e congestão leve. No grupo GCO observou-se epiderme espessa, reepitelização mais pronunciada, fibrose do derma superior e profundo, perfeita cicatrização, reparação modelada e perfeita. DISCUSSÃO De acordo com Mawaki et al. (2007), quando se pretende realizar um estudo com animais utilizando o modelo experimental de lesões cutâneas, uma das primeiras decisões a serem tomadas é a forma da ferida, realizando desenhos circulares, quadrados ou, simplesmente, inci298
sões cirúrgicas. A escolha do tamanho das feridas foi baseada em trabalhos realizados de forma semelhante, como reportado por Martins et al. (2003). Quando se deseja uma cicatrização mais lenta, com formação de maior quantidade de tecido de granulação, conhecida como união secundária ou por segunda intenção, as lesões quadradas ou circulares são mais sugeridas. Portanto, nesse estudo foram realizadas feridas circulares, conforme sugerido por Mawaki et al. (2007). Semelhante da técnica operatória utilizada por Matias et al. (2006), a ferida foi realizada no dorso dos animais para que não houvesse interferência dele no mecanismo de cicatrização. A ferida foi estudada por observações macro e microscópicas nos dias considerados mais significantes para o estudo do processo de reparação tecidual da pele de ratos. Os animais foram avaliados diariamente quanto ao estado geral, presença de lesões, frequência de defecação e micção, presença de apetite e avaliação da ferida cirúrgica. O acompanhamento clínico dos animais foi realizado até o fechamento total das feridas. Esses períodos foram ligeiramente superiores ao descrito por Barroso et al. (2010), que citaram período de 14 dias para cicatrização de pele por segunda intenção em ovinos, semelhante ao descrito por Salgado et al. (2007) que reportaram 21-23 dias nas feridas tratadas com enxerto de pele parcial, e Paim et al. (2003) que citaram 20 dias para a cicatrização 299
de enxerto autólogo de pele em malha, na reparação de feridas carpometacarpianas de cães. A avaliação macroscópica também foi realizada diariamente até a cicatrização completa e a mensuração do halo das lesões a cada 7 dias, concluíndo que a retração centrípeta foi beneficiada nos quatorze primeiros dias, e que a avaliação histológica é uma técnica aperfeiçoada e bem estabelecida para a análise do processo de cicatrização. As lesões foram analisadas por avaliação de sangramento, exsudação, secreções, formação e adesão das crostas, epitelização junto às bordas, edemas e a formação de tecido de granulação, conforme descrito por Linardi (2012) e Martins et al. (2003). Todas as amostras enviadas para a Patologia foram coletadas com a ferida no centro. Na terceira semana quase todas as feridas encontravam-se no mesmo estádio cicatricial, ou seja, na fase de maturação, mostrando tecido conectivo bem formado e rico em fibras colágenas e ordenadas, semelhante ao reportado por Petroianu et al. (2001). Na literatura, encontram-se trabalhos em que os períodos de análise de cicatrização variam de três a 21 dias. Nesse estudo, foram escolhidos os períodos de 7, 14 e 21 dias, porque entre o 3º e o 7º as fases do processo não são muito diferentes e, no 21º dia, já existe cicatrização de ferida cirúrgica, podendo permitir comparação fiel. A escolha dos dias 7, 14, e 21 do pós-operatório foi baseada no trabalho de Araujo et al. (2017), que não observou altera300
ções em relação a outros dias referidos por alguns pesquisadores. O mesmo observou que no dia 21 já havia um completo fechamento da ferida, o que tornou desnecessário o registro da área da lesão após esse período, conforme foi observado no presente experimento. Microscopicamente, verificou-se o efeito significativo positivo na cicatrização do grupo experimento em relação ao controle no 7 e 14 dias, no que diz respeito à reepitelização da ferida cirúrgica. Como reportado por Monteiro et al. (2007), que no 7º dia de tratamento encontraram presença de piócitos, fibroblastos, necrose e áreas hemorrágicas no GC, na presente pesquisa tais achados foram observados no 3o dia. Semelhante ao protocolo feito por Trindade et al. (2010), usando o metronidazol na dose de 50mg/kg/dia, em uso tópico, observou-se que as feridas dos grupos diminuíram sua área de modo significante com o evoluir do tempo. Porém, quando os grupos foram comparados entre si não houve diferença em nenhum dos momentos, demonstrando a contração da ferida com cicatrização por segunda intenção, repetindo outros resultados, apesar de as vias de administração não serem as mesmas. Matias et al. (2006) fizeram uso do extrato aquoso do mesocarpo de Orbignya phalerata (Babaçu) em feridas cutâneas de ratos e sugeriram que o mesmo contribui positivamente para o processo de cicatrização. Aqui, neste trabalho, observou–se também que o uso da pomada a 301
base de óleo de copaíba ozonizado e na forma pura não demonstrou nenhuma reação adversa e que apresentou uma leve atividade anti-inflamatória. Doses menores às utilizadas no presente estudo mostraram-se ineficazes. Um fator que influi muito no uso da copaíba é a facilidade de obtenção da mesma, praticidade de manipulação, aplicabilidade nos animais e baixo custo. No presente trabalho, observou-se o que não houve efeito significante no processo de cicatrização, coincidindo com outros estudos da literatura, que também demonstram resultados semelhantes. Contudo, algumas questões podem ser levantadas para melhor caracterizar a ação cicatrizante e também melhorar seu efeito, tais como: qual a melhor concentração do óleo? Qual a melhor dose? Qual a melhor posologia? Qual(is) elemento(s) que é(são) responsável(is) pelo efeito cicatrizante? Assim, novos estudos com estes objetivos podem e devem ser estimulados para que, ao final, se possa dar maior credibilidade científica à este e a trabalhos posteriores. Os resultados desse trabalho, ainda que baseados em uma amostragem pequena, estimulam a realização de outros estudos que mostrem a atuação do óleo de copaíba ozonizado no processo de cicatrização de feridas, observando a toxicidade tecidual e reação inflamatória. Novas vias de administração, como a utilização direta do gás, e concentrações diferentes de ozônio devem ser verifica302
das. Além disso, sua eficácia deve ser posta à prova em comparações com outras formas de tratamento. Quadro 1. Valores médios e desvios-padrão das áreas das feridas lombares experimentalmente induzidas em ratos tratadas com pomada sem óleo (GC), pomada a base de óleo de copaíba (GCP) e pomada a base de óleo de copaíba ozonizado (GCO) Dia 0
Dia 3
Dia 7
Dia 14
p
GC (n=7) 113,040,00a* 127,3835,05aA 77,5224,46b 33,699,36c <0,0001 GCP (n=8) 113,040,00a 95,5029,05aB 65,0527,24b 36,2825,09c <0,0001 GCO (n=7) 113,040,00a 92,0129,02bB 60,4422,18c 25,418,08d <0,0001 * Letras minúsculas diferentes na mesma linha denotam diferença significativa entre as médias (p < 0,05) obtido pelo teste de Tukey. / Letras maiúsculas diferentes na mesma coluna denotam diferença significativa entre as médias (p < 0,05) obtido pelo teste de Tukey.
CONCLUSÃO Foi possível concluir a partir da análise dos resultados que tanto a pomada a base de óleo de copaíba pura quanto sua forma ozonizada contribuíram de forma significativa no processo de reparação tecidual nos ratos usados. Tais resultados sugerem seu uso como alternativa no tratamento de feridas cutâneas em animais. REFERÊNCIAS Araújo, A.L.; Teixeira, F.A.; Lacerda, T.F.; Flecher, M.C.; Souza, V.R.C.; Coelho, C.S. Effects of topical application of pure and ozonized andiroba oil on experimentally induced wounds in horses. Braz. J. Vet. Res. Anim. Sci, v.54, n.1, p.66-74, 2017. Barroso, J. E. M.; Ximenes, F. H. B.; Leite, C. R.; Mustafa, V. S.; 303
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Uso do óleo ozonizado no tratamento de lesão por mordedura em macaco-pregodo-peito-amarelo (Sapajus xanthosternos) Use of ozonized oil in the treatment of bite injury in golden-bellied capuchin monkey (Sapajus xanthosternos) Bárbara Cristina da Silva Meireles 1; Fernando Troccoli 2; Eliana Mazula Lessa 3; Carlos Rafael Urbina López 4; Raiane Machado da Silva 5; Aline Silva Rocha 6 1- Médica Veterinária Assistente de Coordenação do Bioparque do Rio, Rio de Janeiro - Brasil 2- Médico Veterinário coordenador do Bioparque do Rio, Rio de Janeiro - Brasil 3- Médica Veterinária Assistente de Coordenação do Bioparque do Rio, Rio de Janeiro - Brasil 4- Tratador e auxiliar veterinário do Bioparque do Rio, Rio de Janeiro - Brasil 5- Tratadora e auxiliar veterinária do Bioparque do Rio, Rio de Janeiro - Brasil 6- Profissional Autônomo, esp. em Acupuntura Veterinária, Rio de Janeiro - Brasil.
Autor para correspondência: srocha.aline@gmail.com RESUMO Um exemplar de macaco-prego-do-peito-amarelo (Sapajus xanthosternos), macho, de 25 anos de idade do plantel 307
do Bioparque do Rio, apresentou uma lesão por mordedura em membro posterior direito. O indivíduo relatado neste trabalho estava defendendo sua posição de dominância do grupo, o que acarretou disputas. Foi encaminhado para o setor veterinário do Bioparque para tratamento adequado. Poucos meses após ter recebido alta médica, o animal sofreu novas lesões por mordedura em mão esquerda, recebendo tratamento no próprio recinto. Os ferimentos foram condizentes com mordedura de aspecto lácero-cortante e profundo com tecido ao redor edemaciado. O animal recebeu tratamento com anti-inflamatório, analgésico, antibiótico e curativo com óleo ozonizado. O macaco-prego-de-peito-amarelo é endêmico do Brasil e considerado criticamente em perigo de extinção. A preservação da saúde dos indivíduos é importante para a manutenção e conservação da espécie. O uso do óleo ozonizado foi efetivo para o tratamento das lesões garantindo a rápida recuperação e a integridade deste importante indivíduo. Palavras-chave: extinção, macaco-prego, mordedura, ozonioterapia ABSTRACT A male specimen of the golden-bellied capuchin monkey (Sapajus xanthosternos), a 25-year-old male from the Bioparque do Rio squad, showed a bite injury on his right hind limb. The individual reported in this work was de308
fending his position of dominance of the group, which led to disputes. He was referred to the veterinary sector at Bioparque for proper treatment. A few months after being discharged, the animal suffered new injuries by biting his left hand, receiving treatment at his own enclosure. The wounds were consistent with a lacerating and deep bite with swollen tissue around it. The animal received treatment with anti-inflammatory, analgesic, antibiotic and dressing with ozonated oil. The golden-bellied capuchin monkey is endemic to Brazil and considered critically endangered. Preserving the health of individuals is important for the maintenance and conservation of the species. The use of ozonized oil was effective for the treatment of injuries, guaranteeing the rapid recovery and integrity of this important individual. Keywords: extinction, capuchin monkey, bite, ozone therapy HISTÓRICO Um exemplar de macaco-prego-do-peito-amarelo (Sapajus xanthosternos), macho, de 25 anos de idade, integrante do plantel do Bioparque do Rio, apresentou uma lesão por mordedura em membro pélvico direito. O animal é o macho alfa do grupo familiar que é composto por outros 8 indivíduos que possuem contato visual e próximo através de uma tela com outros 6 animais da mesma espécie do recinto ao lado. O processo de definição da 309
hierarquia é um processo natural do grupo social de primatas que deve ser acompanhado para que se consiga amenizar possíveis conflitos, que possa vir a causar danos e injúrias. O indivíduo relatado neste trabalho estava defendendo sua posição de dominância do grupo, o que acarretou disputas com seu grupo social e com os demais animais do recinto ao lado até a definição final de sua dominância. Em uma destas disputas o indivíduo sofreu uma lesão em membro posterior direito, onde foi necessário contê-lo quimicamente e encaminhado para o setor veterinário do Bioparque para tratamento adequado. Poucos meses após ter recebido alta médica, o animal sofreu novas lesões por mordedura em falange distal do dedo indicador da mão esquerda, sendo contido fisicamente com auxílio de um puçá e novamente encaminhado para o setor veterinário até a cura das feridas e seu retorno para o recinto de origem. Houve uma terceira lesão após um mês, só que desta vez de forma leve, em dedos indicador e médio, sendo tratado no próprio recinto. EXAME FÍSICO E DIAGNÓSTICO Os ferimentos são condizentes com mordedura de aspecto lácero-cortante e profundo com tecido ao redor edemaciado. TRATAMENTO E EVOLUÇÃO Após observada a lesão, o animal foi contido quimica310
mente com 10 mg/kg de cloridrato de cetamina (IM) e 0,4 mg/kg de midazolam (IM) e encaminhado para tratamento no setor veterinário onde foi realizada a assepsia e curativo da lesão que se caracterizava por um corte profundo em membro posterior direito. Foi administrado 2 doses de antibiótico com intervalo de 72h (pentabiótico® /IM), anti-inflamatório (meloxicam/SC) por 3 dias e analgésico por 4 dias (dipirona+tramadol)/VO). Optou-se por não realizar sutura da ferida devido a contaminação da mesma, deixando assim a cicatrização ocorrer de dentro para fora através de curativos diários com 3-5 gotas de óleo ozonizado (Ozone & Life®) diretamente na ferida até cicatrização do membro que ocorreu por volta dos 28 dias, em seguida, o animal foi retornado de volta ao recinto de origem. Três meses depois, voltou a apresentar lesão por mordedura em dedo médio de membro torácico esquerdo com área edemaciada. Foi novamente encaminhado para tratamento no setor veterinário e prescrito anti-inflamatório (ibuprofeno/VO) por 10 dias, 2 doses de antibiótico com intervalo de 48h (amoxicilina/IM) , analgésico (dipirona/VO) por 5 dias e curativos com óleo ozonizado por 11 dias até a completa cicatrização, quando retornou a seu grupo social. Um mês depois voltou a apresentar lesão leve em dedo indicador e médio do membro anterior esquerdo sendo optado pelo tratamento no próprio recinto com anti-inflamatório por 3 dias (ibuprofeno/VO) e curativos com óleo ozonizado por 5 dias 311
até a completa cicatrização. CONCLUSÃO O macaco-prego-de-peito-amarelo é endêmico do Brasil com distribuição nos estados da Bahia, Minas Gerais e Sergipe. É considerado criticamente em perigo de extinção e a preservação da saúde dos indivíduos é importante para a manutenção e conservação da espécie. O uso do óleo ozonizado foi efetivo para o tratamento das lesões sendo prescrito por ser seguro e de baixo custo garantindo a rápida recuperação e a integridade deste importante indivíduo.
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Ozonioterapia associada ao tratamento de criptococose canina Ozone therapy associated in treatment of canine cryptococcosis Vandréa Cobianchi de Aguiar 1; Ana Claudia Voges 2; Camila Del Carmen Coca Fiorito 3; Thalita Rodrigues Michelucci Machado 4; Tamirys Bonicio de Lima 5 1-Profissional autônomo, esp. em Acupuntura Veterinária, Mogi das Cruzes – SP 2-Profissional autônomo, esp. em Oftamologia Veterinária, Civet Especialidades, Suzano – SP 3-Profissional autônomo, veterinária clínica, na Clínica Veterinária TechVet, Suzano - SP 4-Profissional autônoma, com esp. em Neurologia Veterinária, Hospital Veterinário Santa Inês, São Paulo – SP. 5-Profissional autônoma, com esp. em acupuntura e fisioterapia veterinária, Zen Pet, Suzano – SP.
Autor para correspondência: vandrea_aguiar@yahoo.com.br RESUMO Descreve-se um caso, de um animal, da espécie canina, fêmea, SRD, um ano e dez meses de idade, com diagnóstico de criptococose, com acometimento neurológico e oftálmico. Associando nove meses de tratamento com ve313
terinários: clínico, neurologista e oftalmologista, a quatro meses de tratamentos da medicina veterinária integrativa: acupuntura, fisioterapia e ozonioterapia, o animal veio a ter evoluções e qualidade de vida durante esse período, até ocorrer uma situação de estresse, que piorou a condição clínica do mesmo, levando-o à óbito. Palavras-chave: cão, criptococose, ozonioterapia ABSTRACT Describe a case of a canine female, mixed breed, one year and ten months old, with cryptococcosis diagnosis, presenting neurological and ophthalmic involvement. Were performed nine months of treatments clinical, neurological and ophthalmic associated with four months of treatments with integrative veterinary medicine composed by acupuncture, physiotherapy and ozone therapy. During this time, the animal showed clinical improvement with a good quality of life. However, the animal suffered a stressful situation, worsening its clinical condition, leading the dog to die. Keywords: dog, criptococcosis, ozone therapy INTRODUÇÃO A criptococose é uma enfermidade micótica sistêmica, que pode acometer cavidade nasal, tecidos paranasais e pulmões, podendo também atingir sistema nervoso central (SNC), olhos, peles e outros órgãos. A criptococose 314
afeta homens, animais domésticos e silvestres. Não há predisposição de raça, sexo ou faixa etária para cães e gatos afetados pela criptococose. Os sintomas da criptococose em pequenos animais geralmente estão mais relacionados com o trato respiratório superior, os animais com criptococose nasofaríngea podem apresentar dispneia e tendência à respiração oral. Dentre os sintomas no sistema nervoso central (SNC), quase sempre se observa depressão, alterações comportamentais, convulsões, andar em círculos, ataxia, paresia, inclinação de cabeça, hiperestesia cervical, anosmia e cegueira; os sintomas vão depender da região afetada. Os sinais observados nos olhos são coriorretinite granulomatosa, neurite óptica, blefarospasmo, midríase, podendo ser evidenciada hemorragia ou cicatriz na retina ao exame de fundo de olho. Outros sinais inespecíficos que também podem surgir são letargia, perda de peso e ocasionalmente febre. (Jericó et al.,2015) A disseminação da infecção e o estabelecimento do quadro clínico do animal têm estreita relação com a imunidade do hospedeiro (Larsson et. al., 2003). HISTÓRICO Animal da espécie canina, fêmea, SRD, pelagem preta, idade de um ano e dez meses, Suzano – SP, apresentou os primeiros sinais de problemas respiratórios e aumento de linfonodo mandibular direito, em março/2019, sendo 315
então coletadas amostras para citologia e exame histopatológico dos mesmos, pela veterinária clínica, e ambos os exames confirmaram o diagnóstico de Criptococcus spp, sendo prescrito então Itraconazol 100 mg (7 mg/kg/SID) durante 60 dias, e posteriormente, houve aumento de dose para Itraconazol 200 mg (14 mg/kg/SID) durante 30 dias. Em maio/2019, a paciente teve a narina direita obstruída pelo fungo, sendo submetida à rinoscopia, onde foi observada perda anatômica das conchas, e estenose total de coana direita, sendo feita cirurgia para correção em seguida. Em junho/2019, a paciente apresentou quadro de cegueira bilateral, foi encaminhada para análise oftálmica, após anamnese, foi verificada importante coriorretinite (figura 1) e alguns pontos de hemorragia retiniana, após tratamento tópico (colírio Pred Fort ® – uma gota em cada olho, de QID a SID, uso contínuo), a paciente apresentou melhoras do quadro oftálmico, voltando a enxergar alguns dias depois, permanecendo somente cicatrizes da coriorretinite. (figura 2). Ainda no mês de junho a paciente também foi passou por avaliação neurológica, já que a mesma estava com ataxia vestibular e bem letárgica. Foi feita a coleta de líquor e PCR, apresentando alta celularidade inflamatória para Criptococcus: 2100 células/mm3 (normal até 5 células/mm3), sendo então prescrita inicialmente, a adminis316
Figura 1: Coriorretinite ativa (hiporeflexividade característica – antes do tratamento)
Figura 2: Cicatrizes secundárias à coriorretinite (após tratamento) 317
tração de Fluconazol 70 mg (5 mg/kg/BID), Itraconazol 130 mg (10 mg/kg/BID) e Prednisolona 2,2 mL (0,5 mg/kg/SID /12 dias), com o intuito de obter maior resposta do paciente, suspendeu a Prednisolona, alterou as doses para Fluconazol 172 mg (13 mg/kg - BID) e manteve Itraconazol 130 mg (10 mg/kg/BID), estas foram as doses que permaneceram até o final do tratamento. A paciente teve um quadro de piora no início de agosto, tanto da parte oftálmica (apresentando nistagmo horizontal, retorno da coriorretinite e amaurose em olho direito),
quanto da parte neurológica, vindo a ter síndrome vestibular bastante acentuada e nível de consciência reduzido, a neurologista sugeriu então a associação da ozonioterapia para complementar o tratamento. Ao mesmo tempo que se iniciou o tratamento de ozonioterapia, a paciente também passou a fazer sessões de acupuntura e fisioterapia semanalmente. EXAME FÍSICO E DIAGNÓSTICO No dia 20/08/2019 foi feito atendimento domiciliar após cerca de cinco meses de evolução do quadro. No momento da avaliação, a mesma estava apática e letárgica, também apresentava hemiparesia facial do lado direito, com “head tilt” para este mesmo lado e leve ataxia vestibular, tendo dificuldade para manter-se em estação, realizar defecação e hiporexia há cerca de uma semana. TRATAMENTO E EVOLUÇÃO O protocolo terapêutico de ozonioterapia utilizado foram sessões semanais, de 20/08/2019 a 22/10/2019 (10 sessões), e, conforme houve evolução da paciente, foram feitas mais cinco sessões de ozonioterapia com frequência quinzenal, até 17/12/2019, utilizando as vias: retal, subcutânea e autohemoterapia menor, com sangue ozonizado, em pontos de acupuntura. As vias, concentrações e quantidades de ozônio aplicadas inicialmente foram: Via retal: 15 ug/mL – 60 mL; via 318
subcutânea: 8 ug/mL – 20 mL, sendo distribuídos em pontos de acupuntura: VB20, E36, IG10 e BH. A partir da segunda sessão, foram aplicados: Via retal: 15 ug/mL – 120 mL; Via subcutânea: 12 ug/mL – 60 mL, distribuídos em pontos de acupuntura: VB20, E36, IG10, BH, VG2, B40, B23 e B20 e auto-hemoterapia menor: 44 ug/mL de ozônio em 3mL de sangue ozonizado, aplicando no VG14. Este mesmo protocolo foi mantido para as demais sessões feitas, e a cada sessão o animal passou a se tornar mais independente para as atividades de ingestão de água, alimentação, defecação, sem mais necessitar do auxílio do tutor. Com o decorrer das sessões de ozonioterapia, em conjunto com os demais tratamentos, observou-se nítida melhora da paciente, retorno às atividades habituais, interação com os tutores, corridas e diminuição do “head tilt”. A mesma manteve-se estável até 25/12/2019, quando, após um episódio de estresse, gerado por fogos de artifício, observou-se a involução do tratamento, retorno `a perda da visão, inapetência e êmese constante. A paciente também desenvolveu o quadro de megaesôfago, e veio à óbito em 03/01/2020. CONCLUSÃO Através deste relato observa-se a importância do trabalho de uma equipe com diferentes especialidades com o mesmo intuito, de melhorar a qualidade de vida da pa319
ciente, e, consequentemente, de seus tutores. A ozonioterapia, associada aos demais tratamentos, pode ter contribuído para a evolução e manutenção da paciente num quadro estável, durante o tempo de tratamento da mesma. Necessitam-se de mais trabalhos, com a divulgação de resultados, para aumentar o conhecimento acerca da associação da ozonioterapia no tratamento da criptococose canina. REFERÊNCIAS JERICÓ et al., Fungos dimórficos e relacionados com micoses profundas: Criptococose. In: Jericó et al., 1 ed. Tratado de Medicina Interna de Cães e Gatos. Rio de Janeiro: Editora Roca, 2015. p. 784-786, vol 1. LARSSON et. al. Criptococose canina: relato de caso. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, Belo Horizonte, v. 55, n.5, out.2003. Disponível em: <www.scielo/br>. Acesso em: 02 ago.2020.
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Ozonioterapia associada ao tratamento de osteomielite em cão – relato de caso Ozone therapy associated with treatment of osteomyelitis in dog – case report Caroline Bagne Zorzi ¹ 1-Profissional autônoma, esp. em acupuntura veterinária, fitoterapia chinesa e ozonioterapia – Jundiaí/São Paulo/Brasil.
Autor para correspondência: carolinezorzi4@hotmail.com RESUMO O relato de caso exalta a importância para as técnicas de insuflação retal e aplicação perilesional por via subcutânea de ozônio, associada ao tratamento convencional da osteomielite em cães. Neste caso, obtiveram-se resultados positivos comprovados pela rápida recuperação, apoio do membro acometido e recuperação da massa muscular. Portanto, a ozonioterapia coadjuvante ao tratamento da osteomielite proporcionou o aumento da perfusão e oxigenação tecidual, controle de dor, redução da inflamação e aceleração do processo de cicatrização óssea. Palavras-chave: ozonioterapia, osteomielite, acupuntura, fitoterapia chinesa 321
ABSTRACT The case report highlights the importance for the techniques of rectal insufflation and perilesional application via subcutaneous ozone, associated with the conventional treatment of osteomyelitis in dogs. In this case, positive results were obtained, proven by rapid recovery, support of the affected limb and recovery of muscle mass. Therefore, ozone therapy in support of osteomyelitis treatment provided increased tissue perfusion and oxygenation, pain control, reduced inflammation and accelerated bone healing process. Keywords: ozone therapy, osteomyelitis, acupuncture, chinese herbal medicine HISTÓRICO Paciente macho, sem raça definida, de coloração amarela, 9 anos, apresentou sinais de claudicação intermitente após exercícios físicos prolongados. Ao exame físico identificou-se a ruptura do ligamento cruzado cranial de membro pélvico esquerdo (MPE) no ano de 2015. No mesmo ano, passou por procedimento cirúrgico de TPLO (técnica cirúrgica de osteotomia de nivelamento do platô tibial) para estabilização da articulação femorotibiopatelar. Após cinco anos da realização de procedimento cirúrgico em 19/02/2020, o paciente voltou a apresentar claudicação intermitente, e optou-se pela remoção da placa 322
óssea. Em 31/03/2020 houve piora da claudicação, porém associada ao aumento de volume articular no referido membro. Havia evidente sensibilidade dolorosa com aumento de temperatura tecidual. Como consequência houve desuso do membro, que cursou com atrofia muscular. Foi realizado exame radiográfico, orientada a terapia com a utilização de antibióticos, porém sem melhora clínica significativa. Portanto, optou-se pela realização de biópsia óssea que direcionou o tratamento para osteomielite. Em decorrência da não utilização do membro, no período pós operatório, o paciente apresentou sarcopenia importante e foram notados sinais de dor pelos tutores,
Figura 1 - Vídeo de cão com dificuldade de apoio do membro pélvico esquerdo acometido por osteomielite https://youtu.be/JS2gIkmIcjk 323
principalmente em momentos em que o animal realizava posicionamento específico para urinar – movimento de adução e flexão do MPE. Portanto, em conjunto com os demais profissionais envolvidos no caso, optou-se pela associação da Medicina Integrativa. Utilizando técnicas integrativas, dentre elas se destaca a Ozonioterapia, com o objetivo de proporcionar e intensificar o potencial de controle bacteriano, redução da inflamação local, controle de dor e remodelamento com recuperação de matriz óssea. EXAME FÍSICO E DIAGNÓSTICO Durante a avaliação física, antes da primeira sessão realizada no dia 13/05/2020, notou-se atrofia importante do músculo bíceps femoral com contração do músculo sartório, andar sem apoio completo de membro pélvico esquerdo com pinçamento e semiflexão em momentos de estação. Também foi possível identificar aumento de temperatura tecidual e de volume da articulação com espessamento importante de cápsula articular da articulação femorotibiopatelar. O paciente apresentou também linfadenomegalia de linfonodo poplíteo esquerdo e demonstrou sinais de dor diante à avaliação de extensão e flexão do membro acometido com restrição de movimentos. Associando técnicas da Medicina Tradicional Chinesa, foram reativos os Pontos de Assentimento B18, B20, B23 e também os Pontos de Alarme VB25 e F13. Por se tratar 324
Figura 2 - Sarcopenia em membro pélvico esquerdo associada à dor, 15 dias após início do tratamento alopático
de um procedimento classificado como trauma cirúrgico, proporciona estagnação das substâncias Qi (energia) e Xue (sangue), e a infecção bacteriana concomitante promove também deficiência de Yin do Rim. Através da avaliação da língua, notou-se coloração rósea pálida e o pulso encontrava-se profundo e tenso. 325
Figura 3 - Aumento do volume da articulação femorotibiopatelar de MPE, 15 dias após início do tratamento alopático
Em radiografia realizada no dia 31/03/2020 foi constatada fissura patológica, secundária a processo neoplásico, tendo como diagnóstico diferencial osteomielite, sinais de osteoartrose e efusão articular. Os achados radiográficos que levaram à suspeita diagnóstica foram: lesão óssea agressiva, de caráter misto, lítico e proliferativo junto à epífise proximal da tíbia, esclerose e aumento de volume de partes moles adjacentes ao platô tibial, irregularidade óssea junto à metáfise distal femoral, aumento de volume de partes moles intra-articulares e osteófitos proximal e distal patelar. E em biópsia realizada no dia 23/04/2020 foi encontrado em microscopia perda de arquitetura tecidual óssea, 326
Figura 4 - Radiografia realizada no dia 31/03/2020, achados radiográficos compatíveis com fissura patológica, lesão óssea agressiva de caráter misto, lítico e proliferativo proximal à tíbia, aumento de volume de partes moles, com irregularidades ósseas distal ao fêmur e presença de osteófitos. 327
decorrente de extenso foco de necrose, fragmentação e compactação das trabéculas ósseas, moderada inflamação e migração de macrófagos, linfócitos, plasmócitos, células multinucleadas e discretos neutrófilos, sem alterações de celularidade hematopoiética e não foram observados indícios de malignidade na presente amostra. O diagnóstico de conclusão da biópsia foi descrito como osteomielite crônica associado a extensos focos necro hemorrágicos. Foi sugerida pelo laboratório a realização de demais exames microbiológicos, como cultura bacteriana e fúngica – não realizados – para que os achados fossem realmente compatíveis com um agente infeccioso específico. Considerando também as alterações clínicas e de imagem para direcionamento diagnóstico. TRATAMENTO E EVOLUÇÃO O tratamento alopático instituído pelos clínicos após remoção do implante cirúrgico foi a associação de Cloridrato de Clindamicina a cada 24 horas durante 30 dias e Levofloxacino a cada 24 horas durante 15 dias. Dentro da medicina integrativa, instituíram-se as técnicas de Acupuntura e Eletroacupuntura, Fitoterapia Chinesa e Ozonioterapia. Foi realizado em 13/05/2020 o agulhamento dos acupontos B18, B20, B23, VG4, Bai Hui, B54, VB34, F3, BP6 e E36, concomitante à eletroacupuntura em B54 + E36 e utilizou-se a técnica de moxa328
Figura 5 - Última sessão com demais terapias associadas à Ozonioterapia, realizada em 24/06/2020. Demonstração da colocação de agulha seca nos pontos de acupuntura F3, E36 e B54
bustão (Artemisia vulgaris) local para redução da inflamação e controle de dor e edema. Por via oral foi instituída o fitoterápico chinês Zheng 329
Gu Zi Jin Dan, indicada para casos em que haja estagnação de sangue causada por trauma externo no sistema osteomuscular. Entre suas ações é capaz de promover neovascularização, elimina a dor e acelera o processo de calcificação óssea. A ozonioterapia foi realizada através de insuflação retal no volume de 3 mL/kg e na concentração de
Figura 6 - Ganho de massa muscular, diminuição do volume articular da articulação femorotibiopatelar do membro pélvico esquerdo, observada na última sessão de ozonioterapia realizada em 05/08/2020 330
19µg/mL e a administração perilesional no volume de 5 mL por ponto e na concentração de 6µg/mL. Após a primeira sessão, foi notada melhora em 2 dias da condição de marcha e diminuição do tempo de permanência com o membro semiflexionado. Após uma semana da primeira sessão, o animal já apresentava apoio total do membro e diminuição de momentos de semiflexão MPE. Foram realizadas sessões quinzenais em 27/05/2020, 10/06/2020 e 24/06/2020, onde foi mantido o protocolo terapêutico instituído anteriormente com as demais técnicas e a ozonioterapia. A última sessão onde as técnicas foram associadas foi em 24/06/2020, devido ao paciente estar mais ativo e não aceitar colocação de agulhas.
Figura 7 - Diminuição do espessamento articular e ausência de restrição de movimentos 331
Após a terceira sessão, o mesmo apresentou apoio completo do membro acometido, ausência de sensibilidade dolorosa e diminuição de volume articular, porém ainda com espessamento de cápsula articular e sarcopenia/tremores musculares em músculo bíceps femoral. Optou-se por incluir ao tratamento o fitoterápico chinês Gui Pi Tang (归脾汤), que possui entre suas ações tonificação de baço (órgão que dentro da Medicina Tradicional Chinesa, responsável pela transformação e transporte da energia vinda dos alimentos), Qi e Xue. Foram recomendadas mais 3 sessões de ozonioterapia com intervalo de 15 dias entre elas. As aplicações foram mantidas por insuflação retal com o volume de 3 mL/kg e na concentração de 13µg/mL e perilesional no volume de 5 mL por ponto e na concentração de 6µg/mL, sessões realizadas em 08/07/2020, 22/07/2020 e 05/08/2020. No decorrer das sessões, pôde-se notar que a terapia instituída proporcionou grande avanço e aceleramento no controle de dor, redução do processo inflamatório, tendo em vista que não foram associadas medicações para controle de dor e anti-inflamatórios. A última sessão foi realizada no dia 05/08/2020, onde o paciente apresentou-se ativo, com uso completo de MPE, com redução de volume articular, temperatura local normal e ausência de sensibilidade dolorosa para movimentos de extensão, flexão, adução e abdução. O exame radiográfico de controle foi realizado em 14/08/2020 e 332
apresentou entre os achados radiográficos: alteração morfológica e da trabeculação óssea da região epifisária proximal da tíbia, proliferação óssea tendendo a regular em côndilos femorais e em terço proximal da diáfise da tíbia.
Figura 8 - Radiografia realizada no final do tratamento em 14/08/2020, achados radiográficos compatíveis com remodelamento ósseo de epífise proximal de tíbia e tuberosidade tibial, com remodelamento dos côndilos femorais e aspecto de osteoartrose associada à osteoartrite 333
A impressão diagnóstica foi de remodelamento ósseo de epífise proximal da tíbia e tuberosidade tibial, remodelamento dos côndilos femorais e os aspectos radiográficos foram compatíveis com osteoartrose, secundária à osteoartrite.
Figura 9 - Sequência de vídeos mostra a reabilitação funcional do membro após adocão de técnicas integrativas (acupuntura, fitoterapia chinesa e ozonioterapia). A integração da ozonioterapia no protocolo de tratamento foi importante para proporcionar o aumento da perfusão e oxigenação tecidual, controle de dor, redução da inflamação e aceleração do processo de cicatrização óssea https://youtu.be/3m105YsoLLA 334
CONCLUSÃO O presente relato evidenciou sucesso terapêutico para tratamento da osteomielite, utilizando técnicas da medicina integrativa em associação ao tratamento convencional. Houve ótimo controle álgico e redução da inflamação local, proporcionando melhora rápida da funcionalidade do membro acometido, assim como, a interrupção da atrofia muscular ocasionada pelo desuso. No decorrer das sessões, com a aplicação de ozônio nas técnicas de insuflação retal e perilesional, foi possível observar que a cápsula articular perdeu o aspecto grosseiro apresentado anteriormente e que o paciente deixou de apresentar restrição de amplitude nos movimentos, sugerindo assim calcificação óssea total. No entanto, ressalta-se que, são necessários demais exames complementares microbiológicos, como cultura e antibiograma, para que haja correto emprego antimicrobiano. A identificação do patógeno também está ligada à melhores resultados de doses versus concentrações de ozônio a serem utilizadas e é fator importante de direcionamento do tratamento com intuito de controle bacteriano/fúngico.
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Uso da ozonioterapia na gengivoestomatite crônica felina: relato de dois casos Ozone therapy in feline chronic gingivostomatitis: case reports César Prado 1* , Bruna Carboni 2 , Jéssica Rodrigues Orlandin 3, Valter Travagli 4 1 Esp. em acupuntura veterinária, Fisioanimal – SP; 2 Esp. em odontologia veterinária, Vet Place – SP; 3 Doutoranda - Programa de Biociência Animal - Universidade de São Paulo – SP e Doutoranda - Programa de Bioquímica e Biologia Molecular - Universidade de Siena – Itália; 4 Professor Titular - Programa de Biotecnologia e Ciências Farmacêuticas - Universidade de Siena – Itália.
*Autor para correspondência: vet.cesar@yahoo.com.br RESUMO A gengivoestomatite crônica felina é uma doença multifatorial, caracterizada por uma resposta imunológica anômala frente uma estimulação antigênica crônica, tendo como tratamento indicado a exodontia de pelo menos todos os dentes pré-molares e molares, com o uso ou não de terapia medicamentosa. Este trabalho relata o uso da ozonioterapia em dois casos de gengivoestomatite crônica felina após exodontia. O protocolo utilizado nos dois 336
casos incluiu vias locais e sistêmicas, durante 11 e 17 sessões. Após o tratamento os dois animais tiveram melhora clínica, com controle de dor, normorexia, ausência de sialorreia, e melhora em qualidade de vida e nível de atividade, apesar de inflamação em cavidade oral caudal. A melhora foi mantida por um longo período. Palavras-chave: calicivirus, complexo gengivite-estomatite felina, ozônio, auto-hemoterapia ABSTRACT Feline chronic gingivostomatitis is a multifactorial condition, characterized by an anomalous immunological response to chronic antigenic stimulation. Treatment involves dental extractions of at least all premolar and molar teeth, alone or combined with medical therapy. The current paper reports the use of ozone therapy in two cases of feline chronic gingivostomatitis after teeth extractions. The protocol used in both cases included local and systemic routes, during 11 and 17 sessions. At the end of the therapy, the animals presented clinical improvement, with pain control, normoxia, absence of sialorrhea, and an improvement in the quality of life and activity level, despite mild caudal oral cavity inflammation. This improvement lasted in long-term observation. Keywords: calicivirus, feline gingivostomatitis complex, ozone, autohemotherapy 337
CASO 1 Histórico Um felino, fêmea, SRD, 4 anos, 4kg, deu entrada no serviço de odontologia veterinária apresentando sialorreia, diminuição de apetite, prostração, halitose intensa e inflamação gengival em região de dentes pré-molares, molares e incisivos, sendo diagnosticado com gengivoestomatite crônica felina. Há anos foi tratado em clínico com administração de anti-inflamatórios e analgésicos sem sucesso. O animal foi então submetido ao procedimento de exodontia de pré-molares e molares, apresentando melhora clínica significativa. Porém, quatro meses depois, teve recidiva de sialorreia e inflamação em arco glossopalatino, não respondendo de forma satisfatória ao tratamento com Metilprednisolona (Depo-medrol®; 1mg/kg). Foi indicado exodontia de dentes caninos, porém tutor foi relutante. Paciente foi então encaminhado para a ozonioterapia. EXAME FÍSICO E DIAGNÓSTICO O animal apresentava lesões eritematosas em região gengival e arco glossopalatino, prostração e sialorreia, quadro compatível com o diagnóstico de gengivoestomatite crônica felina. TRATAMENTO E EVOLUÇÃO O tratamento com ozonioterapia foi realizado semanal338
mente (com exceção de duas sessões com espaçamento de duas semanas) por 11 sessões, no período entre 06/09/2019 a 27/11/2019. As técnicas utilizadas foram: solução fisiológica NaCl 0,9% ozonizada para limpeza oral (SSO3-o; 20mL) e por via subcutânea (SSO3-sc; 100mL); insuflação retal (IR; concentração de 15 a 35µg/mL e volume de 10 a 60mL); e auto-hemoterapia menor em ponto de acupuntura (AHTm; VG16 - concentração de 20 a 35µg/mL e volume de 1,5mL). O tratamento se deu no seguinte protocolo: 1ª sessão: SSO3-o + IR (15µg/mL, 10mL); 2ª sessão: SSO3-o + IR (15µg/mL, 20mL); 3ª sessão: SSO3-o + IR (15µg/mL, 20mL) + SSO3-sc (100mL); 4ª sessão: SSO3-o + IR (20µg/mL, 20mL) + SSO3-sc (100mL); 5ª e 6ª sessão: IR (20µg/mL, 20mL) + SSO3-sc (100mL) + AHTm (20µg/mL, 1,5mL); 7ª sessão: SSO3-o + IR (25µg/mL, 20mL) + SSO3-sc (100mL) + AHTm (25µg/mL, 1,5mL); 8ª sessão: SSO3-o + IR (30µg/mL, 40mL) + AHTm (30µg/mL, 1,5mL); 9ª sessão: SSO3-o + IR (35µg/mL, 45mL) + AHTm (35µg/mL, 1,5mL); 10ª sessão: SSO3-o + IR (35µg/mL, 55mL) + AHTm (35µg/mL, 1,5mL); 11ª sessão: SSO3-o + IR (35µg/mL, 60mL) + AHTm 339
(35µg/mL, 1,5mL). A partir da terceira sessão o animal mostrou leve melhora no eritema no eritema e cessação da sialorreia e ausência de halitose. A partir da sexta sessão, a tutora referiu que o animal estava bastante ativo, fazendo brincadeiras que só fazia quando filhote. O animal então se manteve estável, com discreta melhora do eritema gengival e arco glossopalatino, porém sem nenhum outro sinal clínico. Após nove meses da última sessão, a tutora refere que animal continua estável e ativo.
CASO 2 Histórico Um gato, macho, SRD, 3 anos, 4kg, castrado, foi levado ao serviço de odontologia, encaminhado por especialista em felinos, com o diagnóstico de calicivirose. Animal 340
apresentava intensa ao abrir a boca, além de lesões eritematosas e ulcerativas em mucosa gengival de dentes caninos, pré-molares e molares, sendo diagnosticado com gengivoestomatite crônica felina. Na ocasião, o animal foi submetido ao tratamento com exodontia de pré-molares e molares. Após o procedimento houve melhora clínica, porém com recidivas a cada 2 a 3 meses, aproximadamente, melhorando apenas com a aplicação de Metilprednisolona (Depo-medrol®, 1mg/kg). Foi indicada extração dos dentes caninos, porém tutor optou por mantê-los e então o animal foi então encaminhado para o tratamento com ozonioterapia. EXAME FÍSICO E DIAGNÓSTICO O animal estava apresentando dor intensa ao abrir a boca (de forma espontânea em casa e na avaliação física), sialorreia, hiporexia e prostração e eritema com sangramento em região gengival de dentes caninos, pré-molares, molares e de arco glossopalatino, quadro compatível com gengivoestomatite crônica felina. TRATAMENTO E EVOLUÇÃO O tratamento com ozonioterapia se deu após aproximadamente um ano após a exodontia e foi realizado semanalmente por cinco sessões, no período entre 09/10/2019 a 07/11/2019, com pausa de quatro semanas, retornando no dia 05/12/2019, de forma quinzenal por 2 sessões e a 341
cada três semanas por mais cinco sessões até o dia 25/03/2020. Por conta da quarentena causada pela pandemia da COVID-19, houve uma pausa no tratamento, retornando após seis semanas (07/05/2020) sendo mantida a frequência por mais cinco sessões, num total de 17 sessões. As técnicas utilizadas foram: aplicação local subcutânea em região de ramo de mandíbula bilateral (Local-sc; 5µg/mL – 10mL), solução fisiológica NaCl 0,9% ozonizada para limpeza oral na (SSO3-o; 20mL); insuflação retal (IR; concentração de 15 a 35µg/mL e volume de 10 a 60mL); e auto-hemoterapia menor em ponto de acupuntura (AHTm; VG16 - concentração de 25 a 35µg/mL e volume de 1 a 1,5mL). O tratamento se deu no seguinte protocolo: 1ª e 2ª sessões: local + SSO3-o + IR (15µg/mL – 20mL); 3ª e 4ª sessões: local + SSO3-o + IR (15µg/mL – 30mL); 5ª sessão: local + SSO3-o + IR (25/mL – 40mL) + AHTm (25µg/mL – 1mL); Pausa de quatro semanas; 6ª sessão: local + SSO3-o + IR (25/mL – 40mL) + AHTm (23µg/mL – 1mL); 7ª e 8ª sessões: local + SSO3-o + IR (25/mL – 40mL) + AHTm (25µg/mL – 1mL); 9ª sessão: local + SSO3-o + IR (25/mL – 40mL) + AHTm (25µg/mL – 1,5mL); 10ª à 12ª sessão: local + SSO3-o + IR (25/mL – 40mL) + AHTm (30µg/mL – 1,5mL); 342
Pausa de seis semanas; 13ª à 17ª sessão: local + SSO3-o + IR (25/mL – 40mL) + AHTm (40µg/mL – 1mL); Até a segunda sessão animal ainda apresentava hiporexia, sialorreia e dor espontânea ao abrir a boca, porém estava mais ativo e começou a brincar, não sendo possível avaliar a boca do animal de forma satisfatória para avaliação. O animal continuou melhorando progressivamente, com retorno da atividade normal, normorexia, ausência de sialorreia, porém com episódios isolados de dor ao abrir a boca. A partir da 10ª sessão animal já permitia abrir a boca para avaliação sem dor, apresentando melhora discreta do eritema gengival e de região de arco glossopalatino. Além disso, os tutores referiram que animal começou a farejar mais a casa (comportamento que não realizava desde que o animal foi adotado) e manteve toda a melhora clínica por todo o final do tratamento.
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CONCLUSÃO A ozonioterapia possui efeito anti-inflamatório, analgésico e imunomodulador, dentre outros. Por este motivo, ela pode ser considerada como um tratamento complementar na gengivoestomatite crônica felina, uma vez que esta é causada por uma reação imunológica aberrante do organismo. No presente relato de casos, a ozonioterapia, aparentemente, teve um efeito positivo no controle da doença, considerando seu uso isolado desde o início do tratamento e os resultados duradouros. Desta forma é possível considerar a ozonioterapia como promissora no manejo da gengivoestomatite crônica felina, podendo ser mais bem avaliada em futuros estudos controlados e randomizados. REFERÊNCIAS LEE, D. Bin; VERSTRAETE, F. J. M.; ARZI, B. An Update on Feline Chronic Gingivostomatitis. 2020. Disponível em: <https://doi.org/10.1016/j.cvsm.2020.04.002>. Acesso em: 13 ago. 2020.
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Ozonioterapia em papagaio (Amazona aestiva): uma nova visão de tratamento em lesões aves silvestres Ozone therapy in parrot (Amazona aestiva): a new treatment vision in silvester birds injuries Sandro Andrade Rodrigues de Paula 1; Ghabryel Marques Viola 2; Cassio Alexandre Costa Magalhães Junior 3; Flaviana Lima Guião Leite 4 1- Fisioterapeuta/médico-veterinário, mestrando em Ciências Animais pela Universidade Vila Velha, pós-graduando em acupuntura pela ABACO - Vila Velha - Espírito Santo - Brasil; 2- Graduando em Medicina Veterinária - Universidade Vila Velha - Vila Velha - Espírito Santo - Brasil; 3- Graduando em Medicina Veterinária - Universidade Vila Velha Vila Velha - Espírito Santo – Brasil; 4- Professora Doutora do curso de Medicina Veterinária e Programa de Pós-graduação em Ciência Animal - Universidade Vila Velha - Vila Velha - Espírito Santo - Brasil.
Autor para correspondência: sandroandraderp@gmail.com RESUMO Um papagaio (Amazona aestiva) com várias feridas localizadas no dorso, asa esquerda e tórax foi tratado no Setor 345
de Animais Silvestres do Hospital Veterinário Professor Ricardo Alexandre Hippler da Universidade Vila Velha. O protocolo de ozonioterapia foi estabelecido por meio de aplicações subcutâneas ao redor das lesões, sendo realizadas duas vezes por semana. O tratamento de feridas em aves selvagens de vida livre ou cativeiro com a utilização de ozonioterapia demonstra resultados promissores, por ser um procedimento seguro para o animal, com resultados satisfatórios em relação ao processo cicatricial, com o tempo de tratamento relativamente diminuído em relação a outros protocolos, possibilitando a destinação da ave quer seja a devolução do animal à natureza ou outro encaminhamento. A ozonioterapia demonstrou-se eficaz mesmo em áreas de grande movimentação como as asas, com a vantagem da diversidade das vias de administração possibilitando aplicações mais confortáveis para o paciente e para o médico-veterinário. Palavras-chave: psitacídeos, feridas, animais selvagens ABSTRACT A parrot (Amazona aestiva) with several wounds located on the it”s back, left wing and chest was treated at the Wild Animal Sector of the Veterinary Hospital Professor Ricardo Alexandre Hippler of Universidade Vila Velha. The ozone therapy protocol was established through subcutaneous applications around the lesions, being performed twice a week The treatment of wounds birds with 346
ozone therapy shows promising results, as it is a safe procedure for the animal, with satisfactory results in the healing process, with the treatment time relatively reduced in relation to to other protocols, enabling the destination of the bird whether is the return of the animal to nature or other routing. Ozone therapy has been shown to be effective even in areas of high movement such as the wings, with the advantage of the diversity of administration routes, enabling more comfortable applications for the patient and the veterinarian. Keywords: parrots, wounds, wild animals HISTÓRICO Um papagaio (Amazona aestiva) foi atendido no Setor de Animais Selvagens do Hospital Veterinário Professor Ricardo Alexandre Hippler da Universidade Vila Velha em novembro de 2019, pesando 285 gramas, encaminhado pelo IBAMA. EXAME FÍSICO E DIAGNÓSTICO A ave foi entregue voluntariamente pelo tutor ao Cetas - IBAMA – ES com um curativo extenso, que imobilizava a asa esquerda e envolvia todo o peitoral e dorso do animal. No procedimento de remoção do curativo observou-se odor fétido e a pele apresentava vários ferimentos serossanguinolentos localizados no dorso, na asa esquerda e no peito da ave. Foram encontradas linhas de 347
pigmentação escura em várias penas, indicativas de estresse crônico. Foram coletados sangue e fezes para análises hematológicas e coproparasitológicas respectivamente. Não foram encontradas lesões do sistema ósteo-articular ao exame radiográfico. A ave apresentava um quadro de obesidade e nos exames hematológicos constatou-se a existência de alterações hepáticas importantes, compatíveis com fornecimento de dieta inadequada, provavelmente constituída somente de sementes de girassol. O exame coproparasitológico apresentou resultado negativo, e foram encontrados alguns piolhos durante o exame físico. TRATAMENTO E EVOLUÇÃO Logo na admissão da ave no Setor de Animais Selvagens, após a remoção dos curativos, os ferimentos foram limpos delicadamente com soro fisiológico e gaze estéril, após a remoção dos debris foi aplicada água oxigenada. Após as coletas de amostras, foi feito o tratamento antiparasitário a base de ivermectina e instituída dieta adequada, pobre em gorduras. A ave recebeu um colar elizabetano para não interferir nos ferimentos. Dois dias após a admissão da ave foi estabelecido o protocolo de ozonioterapia através de aplicações subcutâneas ao redor das lesões, sendo realizadas duas vezes por semana através da aplicação de 1 mL de ozônio (O3), na concentração de 10mcg/mL, dividida em dois pontos de cada 348
ferimento, sendo 0,5 mL em cada ponto. Foi utilizada seringa de 3 mL, com agulha 26G ½, sendo realizada a assepsia do local com álcool 70%. No momento da segunda aplicação já foi possível observar melhora no aspecto das feridas indicando evolução satisfatória do processo cicatricial. Após 4 semanas, a ave conseguiu tirar o colar elizabetano e interferiu nas feridas, causando sangramento principalmente na ferida do dorso. Iniciou-se um novo ciclo de ozonioterapia com a concentração de O3 aumentada para 20 mcg/mL, sendo as aplicações efetuadas da mesma forma descrita anteriormente. Também foi acrescentado ao tratamento a utilização da aplicação de 1 mL de O3 na concentração de 10mcg/mL, pela via intrarretal, utilizando-se seringa de 3 mL com uma sonda uretral número 04, introduzida através da cloaca, sendo depositado 1 mL de O3 no reto do animal por insuflação. O protocolo de aplicação subcutânea e insuflação retal foi repetida sete vezes durante o mês de dezembro nos dias 02, 05, 09, 12, 16, 19 e 23. Durante todo o período de tratamento, após as aplicações de ozônio, foi feita a aplicação de óleo ozonizado nas feridas. Houve uma evolução do processo cicatricial de forma rápida, na quinta sessão do protocolo realizado no dia 09 de dezembro observou-se mudanças no aspecto das feridas, onde se podia observar retração das bordas, áreas de reepitelização e diminuição do exudado. Especialmente na ferida da região dorsal da asa esquerda houve uma pequena retração das bordas, um 349
reavivamento das mesmas e mudança da coloração do centro apresentando coloração mais rósea. Na ferida da região peitoral, ocorreu diminuição do exudato, e pequena retração das bordas. Na última sessão realizada no dia 23 de dezembro, a ferida da região peitoral estava cicatrizada com sua região central na fase final do processo de epitelização demonstrando o início do crescimento das penas, as feridas da região dorsal e da asa esquerda estavam no final do processo cicatricial já com retração considerável da ferida faltando apenas a reepitelização de cerca de 10% da área correspondente às feridas iniciais. CONCLUSÃO O tratamento de feridas em aves selvagens de vida livre ou cativeiro com a utilização de ozonioterapia demonstra resultados promissores, por ser um procedimento seguro para o animal, com resultados satisfatórios em relação ao processo cicatricial, com o tempo de tratamento relativamente diminuído em relação a outros protocolos, possibilitando a destinação da ave quer seja a devolução do animal à natureza ou outro encaminhamento. A ozonioterapia demonstrou-se eficaz mesmo em áreas de grande movimentação como as asas, com a vantagem da diversidade das vias de administração possibilitando aplicações mais confortáveis para o paciente e para o médico-veterinário.
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Ozonioterapia em carcará (Carcara plancus): uma nova visão de tratamento em lesões de aves selvagens Ozoniotherapy in a carcará (Carcara plancus): a new vision of treatment in wild bird injuries Sandro Andrade Rodrigues de Paula 1, Ghabryel Marques Viola 2; Cassio Alexandre Costa Magalhães Junior 3; Flaviana Lima Guião Leite 4 1- Fisioterapeuta/médico-veterinário, mestrando em Ciências Animais pela Universidade Vila Velha, pós-graduando em acupuntura pela ABACO - Vila Velha - Espírito Santo - Brasil; 2- Graduando em Medicina Veterinária - Universidade Vila Velha - Vila Velha - Espírito Santo - Brasil; 3- Graduando em Medicina Veterinária - Universidade Vila Velha Vila Velha - Espírito Santo – Brasil; 4- Professora doutora do curso de Medicina Veterinária e Programa de Pós-graduação em Ciência Animal - Universidade Vila Velha - Vila Velha - Espírito Santo - Brasil.
Autor para correspondência: sandroandraderp@gmail.com RESUMO Foi atendido no Setor de Animais Selvagens do Hospital Veterinário da Universidade Vila Velha um carcará (Caracara plancus, Miller, 1777) com intensa emaciação, 351
perda acentuada de massa muscular peitoral, lesão cutânea na região de quilha do esterno e lesões multifocais de aspecto necrótico e edemaciado na região dos coxins plantares, compatíveis com um quadro de pododermatite ulcerativa (bumblefoot). Foi instituído tratamento com limpeza e antissepsia diária das feridas, aplicação de óleo de girassol ozonizado tópico e ozonioterapia injetável e por insuflação retal. A ozonioterapia tem propriedade bactericidas e fungicidas, sendo uma alternativa no tratamento de feridas em animais selvagens devido às variadas formas de aplicação, diminuindo o tempo de manipulação e estresse dos animais. Palavras-chave: aves de rapina, manejo de feridas, animais selvagens ABSTRACT In the Wild Animal Sector of the Veterinary Hospital of Universidade Vila Velha, a carcará (Caracara plancus, Miller, 1777) with intense emaciation, marked loss of pectoral muscle mass, skin lesion in the keel region of the sternum and multifocal necrotic lesions in the region of the foot pads, compatible with ulcerative pododermatitis (bumblefoot). The treatment was conducted with daily cleaning and antisepsis of the wounds, application of topical ozonated sunflower oil and injectable ozone therapy and rectal insufflation. Ozone therapy has bactericidal and fungicidal properties, being an alternative in the 352
treatment of wounds in wild animals due to the varied forms of application, reducing the time of handling and stress of the animals. Key words: birds of prey, wound management, wild animals HISTÓRICO Foi atendido no Setor de Animais Silvestres do Hospital Veterinário Prof. Ricardo Alexandre Hippler da Universidade Vila Velha no dia 11 de outubro de 2019, um carcará (Caracara plancus, Miller, 1777), sem histórico de origem, encaminhado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) para atendimento médico veterinário especializado e realização de exames radiográficos, sob a suspeita de lesão óssea em membros torácicos e pélvicos. O carcará é uma espécie de ave pertencente à Ordem Falconiformes, não ameaçado de extinção, sendo também conhecido como caracará, carancho, caracaraí (Ilha do Marajó), gavião-de-queimada e gavião-calçudo. EXAME FÍSICO E DIAGNÓSTICO Ao exame físico, constatou-se intensa emaciação, perda acentuada de massa muscular peitoral e uma lesão cutânea traumática de forma elíptica, superfície plana e com secreção serossanguinolenta na região de quilha do esterno, compatível com abrasão no solo, provavelmente 353
causada pela falta de equilíbrio que o animal apresentava. Observou-se descamação e lesões multifocais de aspecto necrótico e edemaciado na região dos coxins plantares, compatíveis com um quadro de pododermatite ulcerativa (bumblefoot). A pododermatite ulcerativa é uma doença inflamatória, que envolve cepas de Staphylococcus, Pseudomonas e Escherichia coli (E. coli) , sendo S. aureus a causa mais comum. Caso seja tratada de forma rápida e agressiva, pode ser resolvida sem causar danos significativos ou de longo prazo a uma ave. Em alguns casos, no entanto, animais afetados por bumblefoot avançado e não tratado podem se tornar sistemicamente infectados e suas vidas insustentáveis. Em aves de rapina, o bumblefoot ocorre normalmente por conta de práticas de manejo inadequadas, como poleiros incompatíveis com o peso e tamanho dos pés da ave ou até ausência de tais poleiros, obrigando os animais a ficarem apoiados no solo por longos períodos, o que é antinatural para tais espécies. Ao exame radiográfico não houve alterações condizentes com comprometimento ósseo. TRATAMENTO E EVOLUÇÃO O tratamento foi instituído com limpeza e antissepsia diária das feridas, utilizando solução fisiológica 0,9% e digluconato de clorexidina 4%, ozonioterapia com injeção de 1 mL do gás em cada pé, dividido em dois pontos distintos (0,5 mL em cada ponto), na concentração de 10 354
μg/mL, duas vezes por semana, totalizando 7 aplicações, além da utilização de óleo de girassol ozonizado tópico sobre as feridas dos pés e da quilha do esterno, uma vez ao dia. Diante da instituição da terapia nos dias 11, 14 e 17 de outubro, observou-se no dia 18/10 a retração da borda da ferida da quilha do esterno e cessação da secreção serossanguinolenta, já os pés apresentavam menor descamação, diminuição do edema e das crostas nas solas, mantendo então o tratamento nos dias 21, 24, 28 e 31 de outubro. No dia 19 de novembro, adicionou-se então ao protocolo o método de insuflação retal de gás ozonizado no volume de 1,5 mL na concentração de 10 μg/mL, além de aumentar a concentração utilizada pela via subcutânea para 20 μg/mL. À partir da observação de uma boa evolução do quadro, no qual o animal se alimentava sozinho e com cicatrização quase que completa das feridas da quilha do esterno e dos pés, o animal foi encaminhado novamente ao Cetas-Centro de Triagem de Animais Selvagens-IBAMA, pois este possui melhor estrutura física e ambientação adequada, com maior área para vôo e poleiros adequados, reduzindo assim o estresse, melhorando o bem-estar da ave para finalizar sua recuperação e ser então destinada pelo órgão federal. CONCLUSÃO A ozonioterapia apresenta propriedades bactericida e fungicida, sendo uma eficiente alternativa no tratamento 355
de feridas em animais selvagens devido às variadas formas de aplicação, diminuindo o tempo de manipulação e estresse dos animais. No presente relato de caso, o resultado se apresentou de forma satisfatória com o uso do ozônio nos métodos de aplicação por via subcutânea, tópica e por insuflação retal, regredindo significativamente as lesões.
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Uso da ozonioterapia no tratamento de paciente hepatopata The use of ozone therapy in the treatment of a hepatopathic patient Luyze Duarte Wollmann 1; Semíramis Azevedo Soave 2; Ricardo de Bem Pacheco 3 1 - Graduanda em Medicina Veterinária – Universidade Ritter dos Reis (UniRitter) – Porto Alegre – Rio Grande do Sul – Brasil. 2 – Médico Veterinário em Consultório Particular – Porto Alegre – Rio Grande do Sul – Brasil. 3 – Médico Veterinário em Consultório Particular – Vitalvet Centro de Reabilitação, SPA e Fitness Veterinário – Porto Alegre – Rio Grande do Sul – Brasil.
Autor para correspondência: lu_wollmann@hotmail.com RESUMO Doenças crônico-degenerativas estão sendo cada vez mais diagnosticadas, e o fígado tem sido alvo de uma série delas, seja de origem genética, consequência de doenças, medicamentos, obesidade, ou maus hábitos alimentares, as hepatopatias tem se tornado cada vez mais frequentes entre os cães. No tratamento de algumas, é possível se obter a cura completa, enquanto que para outras ocorre apenas a amenização das consequências e dos 357
sintomas. A ozonioterapia tem se mostrado eficaz no controle dos sinais clínicos secundários das hepatopatias, bem como na biomodulação de alguns processos metabólicos e auxílio no controle das doenças hepáticas. Seus efeitos antioxidantes, imunomodulador e potencializador da oxigenação dos tecidos tem beneficiado cada vez mais pacientes com as mais diversas patologias. Neste relato de caso, apresentamos a evolução de um paciente canino fêmea da raça Beagle atualmente com 10 anos de idade, que desde filhote apresentava quadros quase diários de vômitos, diarréias, fezes esverdeadas e enegrecidas, soluços, dentre outros sintomas relacionados ao trato gastrointestinal. Além dos sinais e sintomas, a paciente sempre apresentou altos níveis séricos para as enzimas alanina aminotransferase (ALT) e fosfatase alcalina (FA); ultrassonografia evidenciando alterações importantes no parênquima hepático, incluindo formações císticas cujo laudo histopatológico sugeriu a hipótese de hiperplasia hepatocelular multifocal. Foi encaminhada pelo clínico geral responsável para tratamento, optando-se por protocolos utilizando a ozonioterapia em sessões duas vezes por semana: auto-hemoterapia menor (AHm) ozonizada, insuflação retal, Ringer lactato ozonizado e aplicação intramuscular paravertebral, seguindo uma sequência alternando as vias e evoluindo as doses. Dois meses após o início do tratamento, houve remissão completa dos sintomas, apesar dos níveis de ALT e FA permanecerem au358
mentados; e 2 anos após, observou-se que com a modificação das vias e das doses, a paciente permaneceu assintomática e os níveis séricos de ALT e FA permaneceram acima dos valores de referência, porém mais estáveis e menores ao longo das análises realizadas. Conclui-se que o tratamento com a mistura gasosa de oxigênio e ozônio nas vias e doses propostas demonstrou ser capaz de interromper sintomas de hepatopatia grave e devolver ótima qualidade de vida à paciente, com resultados superiores aos métodos convencionais. Entretanto, novos estudos ainda são necessários para definir protocolos e otimizar a conduta e os resultados clínicos. Palavras-chave: cães, enzimas hepáticas, hepatopatia, ozonioterapia, paciente hepatopata ABSTRACT Chronic-degenerative diseases are been diagnosed with more frequency, and the liver has been a target of a number of them. Whether of genetic origin, a consequence of other diseases, medications, obesity, or poor eating habits, liver diseases have become increasingly frequent among dogs. In the treatment of some, it is possible to obtain a complete heal, while for others only the decrease of symptoms and consequences. Ozone therapy has shown effectiveness for the control of secondary clinical signs of liver disease, as well as for biomodulation of some metabolic processes and aid in the control of liver 359
diseases. Its antioxidant, immunomodulatory and tissue oxygenation effects have benefited more and more patients with the most diverse pathologies. In this case report, we present the evolution of a Beagle breed female canine patient, with currently 10 years old, that presented almost daily episodes of vomiting, diarrhea, greenish and blackish stools, hiccups, among other symptoms related to the gastrointestinal tract, since she was a puppy. In addition to the signs and symptoms, the patient always had high serum levels for alanine aminotransferase (ALT) and alkaline phosphatase (AF) enzymes; ultrasonography showing important changes in the liver parenchyma, including cystic formations that, when submitted to histopathological analysis, suggested the hypothesis of multifocal hepatocellular hyperplasia. The responsible general practitioner referred the patient for treatment, conducted twice a week using the following ozone therapy protocols: ozonated minor auto-hemotherapy (AHm), rectal insufflation, ozonated Ringer lactate and paravertebral application by intramuscular via, alternating routes of administration and doses. Two months after the start of the treatment, there was complete remission of symptoms, even with the maintenance of ALT and AF levels above the reference ones. Two years later, it was observed that with changes in routes of administration and doses, the patient remained asymptomatic and the serum levels of ALT and FA remained above the refe360
rence values, but more stable and lower throughout the analyzes performed. It was concluded that the treatment with the mixture of oxygen and ozone gases and that the proposed routes of administration and doses demonstrated to be able to interrupt symptoms of severe liver disease and give back the patient an excellent quality of life, with results superior to conventional methods. However, further studies still needed to define protocols and optimize clinical conducts and results. Keywords: dogs, hepatopathic patient, liver enzymes, liver disease, ozone therapy HISTÓRICO Nos últimos anos, o aumento da qualidade e expectativa de vida dos cães vem ocasionando o surgimento de vários distúrbios metabólicos, dentre eles as hepatopatias. Estas, em sua grande maioria, estão presentes na forma crônica e com manifestações clínicas que surgem apenas após grande parte de acometimento do fígado. O diagnóstico de hepatite crônica em cães é estabelecido pelo The World Small Animal Veterinary Association (WSAVA) – Liver Standardization Group conforme os achados histológicos, como: apoptose ou necrose hepatocelular, variável infiltrado mononuclear ou células inflamatórias mistas, além de regeneração e fibrose. Atualmente, não há um exame único que diagnostique com elevada precisão a doença hepática ou sua causa base, e por 361
esta razão existe a necessidade do paciente se submeter a diversos exames, a fim de apurar da melhor forma o correto funcionamento do sistema hepático. Dentre estes exames, podemos citar o perfil bioquímico sérico - sendo relevante a avaliação de enzimas associadas à função hepática como alanina amino tranferase (ALT), fosfatase alcalina (FA) e gama glutamil transferase (GGT) -, urinálise, análise fecal, radiografia e ultrassonografia abdominal e histopatológico. A ALT é uma enzima que está livre no citoplasma dos hepatócitos, sendo considerada hepato-específica para cães e gatos, e sua presença na corrente circulatória indica uma lesão celular. Já a FA é uma enzima de indução sintetizada não somente no fígado mas também em alguns outros órgãos e tecidos, e o aumento na sua produção e seus níveis séricos podem sugerir maior atividade osteoblástica, colestase, uso de drogas como corticoides e doenças crônicas, inclusive neoplasias. A proposta de se utilizar da ozonioterapia como tratamento de doenças hepáticas se mostrou eficaz em estudos anteriores, observando-se melhora nos valores dos exames bioquímicos e aumento da qualidade de vida, além desta técnica também ser capaz de atuar como ativador imunológico quando administrado em vias específicas, contribuindo para a manutenção do bem estar do paciente. Conforme a indicação e a condição clínica do paciente, a mistura gasosa oxigênio-ozônio pode ser 362
administrada sob as formas de insuflação retal, tratamento tópico, injeção intra-articular ou subcutânea, autohemoterapia (AHm) maior ou menor, dentre outras. O fundamento teórico desta técnica consiste na reação do gás ozônio com os ácidos graxos insaturados presentes nas membranas celulares, originando peróxidos hidrófilos estimulantes. Estes por sua vez estimulam o metabolismo do oxigênio e levam à um aumento na sua disponibilidade para os tecidos. Ocorre também uma estimulação da produção de enzimas que atuam como sequestrantes de radicais livres e protetores da parede celular, além de vasodilatadores como a prostaciclina. O ozônio administrado em concentrações maiores também aumenta a produção de interferons; reduz a liberação de fator de necrose tumoral (TNF) e interleucina-2 (IL-2), modulando as reações inflamatórias e imunológicas; e modula o estresse oxidativo nos tecidos, uma vez que ativa a enzima superóxido dismutase. Porém quando utilizado de formas e concentrações equivocadas, pode causar problemas como a oxidação em excesso; geração de radicais livres; e peroxidação de lipídios alterando a permeabilidade da membrana, o que resulta em lesão ou eventual morte celular. Logo, sua utilização precisa ser criteriosa e requer conhecimento aprofundado na técnica. Visto que doenças crônico degenerativas tem como consequências alto potencial de promover estresse oxidativo, desestruturação citoplasmática, aumento nos níveis 363
de morte celular e predisposição ao surgimento de mutações, a ozonioterapia foi elencada para o tratamento da paciente hepatopata do presente caso clínico. EXAME FÍSICO E DIAGNÓSTICO Em consulta no dia 08/05/2018, foi atendida na Vitalvet Centro de Reabilitação, SPA e Fitness Veterinário em Porto Alegre – RS, Brasil, a canino fêmea da raça Beagle, 7 anos de idade. A tutora relatou histórico de distúrbios gastrointestinais, que incluíam episódios de vômitos frequentes, com frequência semanal a quinzenal nos últimos 5 anos. Nos seus primeiros 2 anos de vida, a tutora relatou episódios de vômitos quase que diários, atribuindo a diminuição da frequência dos episódios à passagem para dieta exclusivamente por alimentação natural. Além desta queixa, relatou também outros sintomas associados ao trato gastrointestinal, tais como: fezes amolecidas e com coloração atípica (esverdeadas ou enegrecidas) hematoquezia, gases e soluços. Paciente fora encaminhada pelo clínico geral responsável, com exames prévios do perfil bioquímico realizados a cada 3 meses aproximadamente desde 2016, observando-se níveis alterados das enzimas ALT e FA (Figura 1). Foi realizado também uma análise histopatológica em 07/10/2017, cujo laudo relatou hiperplasia hepatocelular e desorganização dos cordões de hepatócitos, permeados por áreas de congestão e intensa colestase; além de altera364
ção morfológica dos hepatócitos, que se encontravam moderadamente degenerados e tumefeitos. Na região da veia porta, destacou-se intensa dilatação portal, estase vascular e discreta migração linfoplamocitaria intersticinal. Não foram observadas características de malignidade na totalidade da amostra, sendo o diagnóstico sugerido o de hiperplasia hepatocelular multifocal associado a hepatite linfoplasmocitária periférica.
Figura 1) Valores dos níveis séricos de ALT e FA previamente ao início do tratamento com ozonioterapia.
Em ultrassonografia realizada em 12/01/2018, o fígado se apresentava com dimensões aumentadas, contornos ligeiramente irregulares, parênquima heterogêneo e grosseiro com a ecogenicidade predominantemente hipoecogênica. Ainda, observou-se a presença de área cística em topografia de lobo esquerdo medial medindo aproximadamente 0,81 cm x 0,68 cm. 365
TRATAMENTO E EVOLUÇÃO O tratamento iniciou-se em 10/05/2018, sendo realizadas sessões, duas vezes na semana, utilizando o seguinte protocolo: 1º dia da semana: AHm menor ozonizada quinzenalmente (3,0 mL de sangue coletados do animal, ozonizados na concentração de 35 µg/mL), seguida por insuflação retal em concentrações variadas ([10-17 µg/mL]) no volume de 5,0 mL/kg. Nas semanas em que não eram realizadas as sessões AHm, eram feitas aplicações de 250 mL de Ringer lactato ozonizado por via subcutânea na concentração de ozônio de 35 µg/mL; 2º dia da semana: aplicações de ozônio por via retal ([10-17 µg/mL]) no volume de 5,0 mL/kg, associada à aplicação de 1,0 mL de ozônio em pontos paravertebrais por via intramuscular ([10-17 µg/mL]). Foram realizados dois novos exames do perfil bioquímico da paciente (01/08/2018 e 03/10/2018). Durante os 5 primeiros meses do início do tratamento constatou-se inicialmente um pequeno aumento nos níveis séricos de ALT e FA, e posteriormente uma redução significativa nos mesmos (Figura 2). Além disso, a tutora relatou que desde o segundo mês do início do tratamento a paciente não apresentou episódios de diarreia, vômito, ou qualquer outro sintoma relacionado ao trato gastrointestinal. O protocolo se manteve o mesmo do 5º ao 7º mês de tratamento, apenas alterando a realização de AHm para 366
mensal devido ao estresse ao qual a paciente era submetida nas coletas, e observou-se um aumento nos níveis sérios das enzimas exame bioquímico realizado dia 28/01/2019 (Figura 2). Com isto, optou-se pela manutenção do protocolo inicialmente sugerido, porém com as seguintes modificações: AHm [42 µg/mL] e 150 mL de Ringer lactato ozonizado pela via intravenosa ([52 µg/mL]). Em novo exame bioquímico realizado no dia 18/06/2019, observou-se estabilização do nível da ALT e queda no nível da FA (Figura 2), com a manutenção da paciente assintomática. Optou-se por manter o protocolo dos últimos meses como referência para a continuidade do tratamento e manutenção do bom estado clínico do animal. No dia 16/10/2019 foi feito novo acompanhamento ultrassonográfico, relatando fígado de contornos definidos e margens regulares, com dimensões aumentadas (hepatomegalia), ecotextura homogênea e ecogenicidade aumentada (hepatopatia esteroidal ou infiltração gordurosa). Observou-se arquitetura vascular dilatada, compatível com cardiopatia, e presença de pelo menos dois nódulos hiperecogênicos em parênquima hepático de contornos definidos e margens regulares, ecotextura homogênea e medindo até 0,49 cm cada, sugestivos de nódulo regenerativo ou neoplasia). Ainda, notou-se a presença de estruturas cavitárias dispersas em parênquima hepático (1,25 cm X0,88 cm), compatíveis com cistos. O último exame de perfil bioquímico realizado, dia 367
06/02/2020 (Figura 2), demonstrou leve diminuição dos níveis sérios das enzimas ALT e FA; e não houve relato de novos sintomas relacionados ao trato gastrointestinal por parte da tutora. A paciente segue em tratamento com ozonioterapia, sendo mantido o mesmo protocolo descrito acima.
Figura 2) Valores dos níveis séricos de ALT e FA após o início do tratamento com ozonioterapia
Figura 3) Evolução dos níveis séricos de ALT e FA previamente ao início do tratamento com ozonioterapia e durante a realização do mesmo 368
A Figura 3 é um comparativo demonstrando a variação dos níveis séricos das enzimas ALT e FA dois anos antes do início da terapia com ozônio e dois anos após o estabelecimento do tratamento. CONCLUSÃO O relato de caso demonstra ótima evolução clínica da paciente após início da terapia com gás ozônio. Apesar da não redução dos valores das enzimas hepáticas estudadas à valores de referência, houve relato do tutor afirmando a remissão completa dos sintomas presentes na paciente logo nos primeiros meses e também apresentou um contínuo declive dos níveis de FA e uma certa estabilização nos valores de ALT ao longo dos exames realizados. Segundo o tutor, nunca houve estabilidade e ausência dos sintomas associados ao trato gastrointestinal anteriormente ao tratamento ozonioterapia. Observou-se também uma relação entre os resultados observados nos exames bioquímicos e os protocolos clínicos utilizados no tratamento, sugerindo-se uma influência dos mesmos na variação e decréscimo dos níveis enzimáticos. Visto isso, conclui-se que a terapia complementar com ozônio se mostrou segura e eficaz na remissão dos sintomas secundários ao distúrbio hepático da paciente em questão, além de reduzir a oscilação e os níveis séricos de ALT e FA, mesmo com o agravamento da degeneração do fígado. Novos estudos ainda são necessários para definir protocolos e otimizar a conduta e os resultados clínicos. 369
Uso da ozonioterapia como tratamento adjuvante da estomatite paradental ulcerativa crônica em canino: relato de caso Use of ozone therapy as an adjuvant treatment of chronic ulcerative paradental stomatitis in canine: case report Bárbara Baracchini¹; Rauana Teixeira da Rosa²; Viviane Machado Pinto³ 1 - Profissional autônomo, Ozonioterapeuta, pós-graduada em nível de esp. em Clínica Médica de Equinos - Santa Maria/RS/Brasil; 2 - Profissional autônomo, pós-graduanda em Odontologia de pequenos animais - ANCLIVEPA - SP e proprietária da Clínica médica e Odontológica Lovet - Santa Maria/RS/Brasil; 3 - Professora do curso de Medicina Veterinária da Universidade Luterana do Brasil - ULBRA - Canoas - RS - Brasil.
Autor para correspondência: barbarab.vet@hotmail.com RESUMO A estomatite paradental ulcerativa crônica (EPUC) é um distúrbio da mucosa oral pouco conhecido que está associado a uma morbidade significativa. Apresenta uma perda local ou multifocal da integridade da mucosa das camadas epiteliais superficiais em áreas específicas da 370
cavidade oral, caracterizada por úlceras dolorosas da mucosa oral de tamanho, padrão, aparência, distribuição e etiologia variados. No caso relatado, está associada à origem infecciosa pela doença periodontal e também idiopática, devido à reação de hipersensibilidade à placa ou ao dente. No tratamento de casos idiopáticos crônicos, além de medicamentoso, recomenda-se extração dentária total para se remover a origem da reação (placa ou dente). A ozonioterapia é uma técnica que utiliza O2+O3 de forma sistêmica com ação analgésica, anti-inflamatória e imunomoduladora e na forma tópica com objetivo de promover ação antimicrobiana e regeneração dos tecidos. O objetivo deste trabalho é relatar o uso da ozonioterapia sistêmica e tópica como um condicionamento pré-cirúrgico para tratamento de EPUC. Palavras-chave: estomatite, ozonioterapia, condicionamento, cão, EPUC ABSTRACT Chronic ulcerative paradental stomatitis (CUPS) is a little-known disorder of the oral mucosa that is associated with significant morbidity. It presents a local or multifocal loss of the integrity of the mucosa of the superficial epithelial layers in specific areas of the oral cavity, characterized by painful ulcers of the oral mucosa of varying size, pattern, appearance, distribution and etiology. In the reported case, it is associated with the infectious origin 371
due to periodontal and also idiopathic disease, due to the hypersensitivity reaction to the plaque or the tooth. In the treatment of chronic idiopathic cases, in addition to medication, total tooth extraction is recommended to remove the origin of the reaction (plaque or tooth). Ozone therapy is a technique that uses O2 + O3 systemically with analgesic, anti-inflammatory and immunomodulatory action and in topical form with the objective of promoting antimicrobial action and tissue regeneration. The objective of this work is to report the use of systemic and topical ozone therapy as a pre-surgical conditioning for the treatment of CUPS. Keywords: stomatitis, ozone therapy, conditioning, dog, CUPS INTRODUÇÃO A estomatite paradental ulcerativa crônica (EPUC) é um distúrbio da mucosa oral pouco conhecido que está associado a uma morbidade significativa. Apresenta uma perda local ou multifocal da integridade da mucosa das camadas epiteliais superficiais em áreas específicas da cavidade oral, caracterizada por úlceras dolorosas da mucosa oral de tamanho, padrão, aparência, distribuição e etiologia variados. No caso relatado, está associada à origem infecciosa pela doença periodontal e também idiopática, devido à reação de hipersensibilidade à placa ou ao dente. No tratamento de casos idiopáticos crônicos, além 372
de medicamentoso, recomenda-se extração dentária total para se remover a origem da reação (placa ou dente). A ozonioterapia é uma técnica que utiliza O2+O3 de forma sistêmica com ação analgésica, anti-inflamatória e imunomoduladora e na forma tópica com objetivo de promover ação antimicrobiana e regeneração dos tecidos. O objetivo deste trabalho é relatar o uso da ozonioterapia sistêmica e tópica como um condicionamento pré-cirúrgico para tratamento de EPUC. EXAME CLÍNICO E DIAGNÓSTICO Foi atendido na clínica Lovet em Santa Maria-RS, um canino fêmea, da raça Teckel, 5 anos de idade, alimentada com ração. Ao exame clínico foi observado linfonodomegalia bilateral de linfonodos submandibulares e queda de pêlos. A cavidade oral apresentava mucosa congesta, intensa halitose, hipersalivação viscosa, doença periodontal grave, e lesões nodulares ulceradas com perda da integridade da mucosa. Realizou-se exame complementar de citologia aspirativa por agulha fina (CAAF) de linfonodos e de lesões nodulares da cavidade oral. O exame citológico foi sugestivo de processo inflamatório crônico da mucosa oral, com predominância de infiltrado inflamatório de neutrófilos degenerados e linfócitos. Em linfonodos, apresentou-se infiltrado moderado de plasmócitos e neutrófilos, exame sugestivo de linfonodos reativos a qualquer tipo de resposta antigênica local ou generali373
zada. No exame histopatológico de biópsia incisional ratificou-se padrão de lesão inflamatório composto por macrófagos, linfócitos, plasmócitos e grande quantidade de neutrólfilos degenerados. Confirmando assim, em conjunto com os parâmetros clínicos, o diagnóstico de estomatite paradental ulcerativa crônica associada com doença periodontal grave. No hemograma constatou-se anemia normocítica normocrômica, com desvio à esquerda e hiperproteinemia. TRATAMENTO E EVOLUÇÃO Foi instituído um tratamento com ozônio, que consistiu em um protocolo inicial para condicionamento pré-cirúrgico, sendo um total de 4 sessões com intervalo médio de 5 dias entre as aplicações. Em todas as sessões era realizado limpeza da cavidade oral com solução salina ozonizada (SSO3) a 47 mcg/mL, seguido de aplicação de óleo de girassol ozonizado. Na primeira sessão foi realizado aplicação de solução de ringer lactato ozonizado (35 mL/kg IV) a uma concentração de 33 mcg/mL e autohemoterapia menor ozonizada (2 mL) a 10mcg/mL, aplicado por via intramuscular (IM). Na segunda sessão a aplicação sistêmica foi com insuflação retal (6 mL/kg) a uma concentração de 10 mcg/mL e autohemoterapia menor ozonizada (2 mL) a 16 mcg/mL IM. Na terceira sessão a aplicação sistêmica foi com solução de ringer lactato ozonizado (35 mL/kg IV) a uma concentração de 374
38 mcg/mL e autohemoterapia menor ozonizada (2 mL) a 20 mcg/mL . Na quarta sessão foi realizado insuflação retal (6 mL/kg) a 16 mcg/ml e autohemoterapia menor ozonizada (2 mL) a 22 mcg/mL . Ao final da 4ª sessão repetiu-se a coleta de sangue para exame de hemograma. A ozonioterapia foi a única terapia empregada durante o período entre os exames de hemograma (18/06/20 a 14/07/20). Constatou-se no 2º exame de hemograma a recuperação do quadro anêmico do animal. E ao exame clínico observou-se redução do tamanho dos linfonodos submandibulares, redução do tamanho e inflamação das úlceras, redução de cálculo dental, significativa redução da halitose e sialorréia, pelagem íntegra e com brilho. Então, foi instituído isoladamente o tratamento alopático durante 7 dias, composto por amoxicilina + clavulanato de potássio (25 mg/kg VO BID), prednisona (1,0 mg/kg VO SID), meloxicam (1,0 mg/kg VO SID) e digluconato de clorexidina 0,12% tópico. Posteriormente foi realizada cirurgia para extração dentária total e radiografia intraoral. Após doze dias, a mucosa oral estava cicatrizada sem alterações, sem halitose, sem hipersalivação. DISCUSSÃO Podemos concluir que o uso da ozonioterapia no tratamento adjuvante da estomatite paradendal ulcerativa crônica, promoveu um condicionamento pré-cirúrgico satisfatório, consequentemente evitando complicações 375
pós-operatórias e acelerando o processo de cicatrização. Obteve-se ação anti-inflamatória e antimicrobiana com o ozônio, além da reversão do quadro anêmico, e sem efeitos colaterais no animal estudado. O ozônio medicinal pode ser um aliado eficaz e seguro ao segmento odontológico veterinário. REFERÊNCIAS ANDERSON, JG.; PERALTA, S.; KOL, A.; KASS, P.H.; MURPHY, B. Clinical and histopathologic characterization of canine chronic ulcerative stomatitis. Vet Pathol 2017; 54(3): 511-519. BOCCI, V. Ozone A new medical drug Dordrecht, The Netherlands: Springer; 2011 FREITAS, A.I.A. Eficiência da Ozonioterapia como protocolo de tratamento alternativo das diversas enfermidades na Medicina Veterinária (Revisão de literatura). PUBVET, Londrina, V.5, N. 30, Ed. 177, Art. 1194, 2011. ISCO3 (2020) Declaração de Madrid sobre Ozonioterapia, 3rd ed. Madrid. www.isco3.org. Comitê Científico Internacional de Ozonioterapia LOPRISE, H. B. Odontologia em pequenos animais: consulta em 5 minutos. Rio de Janeiro: Revinter, 2005. 772p. ZAMORA, Z.B.; GONZÁLEZ, E.F.; LEDEA, O.E.; URRUCHI, W.I. Ozonioterapia em medicina veterinária, 2018; 282p.
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Utilização da ozonioterapia e medicina veterinária tradicional chinesa no tratamento integrativo de neoplasia de células redondas múltiplo em um cão relato de caso Utilization of ozone therapy and chinese traditional veterinary medicine in the integrative treatment of multiple cutaneous and subcutaneous mast cell tumor in a dog - case report Fabíola Cardoso Knupp 1; Rafael Franchi Traldi 2; Andrea Cecília Mercaldi Favero 3 1- Médica Veterinária, pós-graduanda em medicina veterinária integrativa pela Anclivepa-SP - Maringá/ Paraná/ Brasil. 2- Médico Veterinário pesquisador da IBO3A – Campinas/ São Paulo/Brasil. 3- Médica Veterinária Integrativa , coordenadora da pós graduação em Medicina Veterinária Integrativa Anclivepa-SP, São Paulo/ São Paulo/ Brasil.
Autor para correspondência: fabiknupp@gmail.com RESUMO A neoplasia de células redondas é o tipo de neoplasia cutânea e subcutânea mais comum em cães. É assim chamada pela característica morfológica das células tumorais 377
e são classificadas, quanto a sua origem embrionária, como neoplasias mesenquimais, sendo que o de maior incidência são os mastocitomas, linfomas e histiocitomas. A diferenciação das neoplasias se dá principalmente através da imuno-histoquímica, com marcadores celulares específicos, tendo em vista que os exames de hispatologia e histoquímica podem ser inconclusivos pela similaridade morfológica das células, sobretudo quando estas apresentam-se em maior grau de indiferenciação. O tratamento convencional é a rescisão cirúrgica, quimioterapia ou radioterapia. Foi atendido em domicílio um cão macho, da raça Shih Tzu, de 7 anos de idade, castrado, de pelagem longa branca e marrom, pesando 5 Kg, com múltiplos nódulos pelo corpo, com evolução de 4 meses. Em exame físico, foi constatado múltiplos nódulos pelo corpo em regiões cutâneas e subcutâneas, de característica macia, algumas móveis e outras não móveis, de coloração avermelhada, quente ao toque, não dolorosa, com alopecia local e de diferentes tamanhos, ainda, algumas massas apresentaram-se ulceradas. Em exame histopatológico, observou-se alterações em miscroscopia compatíveis com neoplasia de células redondas, de origem maligna indeterminada, com possível diferencial para mastocitoma. O tratamento estipulado teve como intuito a redução de tamanho dos nódulos, a diminuição da inflamação, imunomodulação e ação antitumoral, ações essas já descritas através da ozonioterapia, com sinergismo entre as técnicas 378
bases da medicina veterinária tradicional chinesa como a acupuntura, dietoterapia e fitoterapia chinesa. Palavras-chave: ozonioterapia, medicina veterinária tradicional chinesa, neoplasia de células redondas, cão. ABSTRACT Round cell tumors is the most common type of skin and subcutaneous cancer in dogs. It is so called due to the morphological characteristic of tumor cells and is classified, in terms of its embryonic origin, as mesenchymal neoplasms, and the most prevalent being mast cells, lymphomas and histiocytomas. The differentiation of neoplasms occurs mainly through immunohistochemistry, with specific cellular markers, considering that the tests of hispathology and histochemistry can be inconclusive due to the morphological similarity of the cells, especially when they present in a greater degree of undifferentiation.Conventional treatment is surgical termination, chemotherapy or radiation therapy. A 7-year-old Shih Tzu male dog, with a white and brown long coat, weighing 5 kg, was treated at home, with multiple nodules throughout the body, with an evolution of 4 months. On physical examination, multiple nodules were found throughout the body in cutaneous and subcutaneous regions, soft in character, some mobile and others non-mobile, reddish in color, warm to the touch, non-painful, with local alopecia and different sizes, even some masses were ulcerated. 379
Histopathological examination revealed changes in miscroscopy compatible with round cell neoplasia, of undetermined malignant origin, with a possible differential for mastocytoma. The stipulated treatment was aimed at reducing the size of the nodules, reducing inflammation, immunomodulation and antitumor action, actions already described through ozone therapy, with synergism between the basic techniques of traditional Chinese veterinary medicine such as acupuncture, diet therapy and Chinese herbal medicine. Keywords: ozone therapy, traditional Chinese veterinary medicine, Round cell tumors, dog. HISTÓRICO No dia 27/07/2020 foi atendido em domicílio um cão macho, da raça Shih Tzu, de 7 anos de idade, castrado, de pelagem longa branca e marrom, pesando 5 Kg, com múltiplos nódulos pelo corpo, com evolução de 4 meses. Em consulta anterior com um clínico veterinário, foi diagnosticado através de histopatologia neoplasia de células redondas de característica maligna. Tal veterinário indicou tratamento com quimioterapia, mas o tutor preferiu realizar tratamento paliativo integrativo em primeiro momento. EXAME FÍSICO E DIAGNÓSTICO Em exame físico, foi constatado múltiplos nódulos 380
pelo corpo em regiões cutâneas e subcutâneas, de característica macia, alguns móveis e outras não móveis, de coloração avermelhada, quente ao toque, não dolorosa, com alopecia local e de diferentes tamanhos. Foram observadas lesões ulceradas em regiões de interdígitos de membro torácico esquerdo e direito, em lábio inferior e, em região lateral esquerda de tórax, uma massa maior com características inflamatórias, não móvel, dura à palpação. Pela pulsologia, segundo a medicina veterinária tradicional chinesa, o pulso apresentava-se rápido, superficial e cheio, caracterizando padrão de calor em excesso e de patologias superficiais. Em exame histopatológico, foram coletados 1 amostra de nódulo das seguintes regiões e tamanhos: base da cauda, aproximadamente 3,0 cm; interdigital MTD, aproximadamente 1,5 cm e; em lábio inferior, aproximadamente 0,5 cm. Pela microscopia, os nódulos de base da cauda e de lábio inferior obtiveram características compatíveis com neoplasia de células redondas, tendo possível diagnóstico diferencial para mastocitoma e, o nódulo de interdígito com características compatíveis com neoplasia maligna de origem indeterminada, sendo observadas 67 figuras de mitose em 10 campos de maior aumento (400x). Em exame histoquímico com coloração de Giemsa, o resultado foi inconclusivo, sendo necessário exame de imuno-histoquímica para diferenciação celular e classifi381
cação da massa tumoral, exame esse de elevado valor, sendo negada a realização pelo tutor do animal. Em exame ultrassonográfico realizado no dia 01/07/2020 não houve alteração em estômago, fígado e baço. Exames laboratoriais do dia 01/07/2020, apresentaramse elevados níveis de ureia (136,6 mg/dL) e glicose (129,1 mg/dL), não houve alterações em hemograma e leucograma. TRATAMENTO E EVOLUÇÃO Na primeira semana, foi dado início ao tratamento com acupuntura, utilizando pontos para circulação de energia e sangue, retirada de calor excessivo e aumento da imunidade – F-3, E-36, IG-11 e VG-14, bilateralmente, nos dias 27/07/2020, 29/07/2020 e 01/08/2020, sendo que o ponto VG-14 foi estimulado com agulha de acupuntura apenas no primeiro dia. A ozonioterapia foi realizada nos dias 29/07/2020, 01/08/2020 e 05/08/2020 das seguintes formas: uso de solução Ringer com Lactato ozonizado a 60 mcg/ml, durante 10 minutos, aplicado subcutâneo no volume de 20 mL/Kg no ponto VG-14, o restante dessa solução ozonizada foi utilizada para a limpeza das feridas dos nódulos cutâneos interdígitos dos membros torácicos esquerdo e direito e lateral esquerdo em região torácica; óleo ozonizado da fabricante Philozon® para curativo dos nódulos cutâneos interdígitos dos membros torácicos 382
esquerdo e direito, após a limpeza com soro ozonizado. Foi prescrito dietoterapia chinesa para paciente oncológico, com proporção das categoriais nutricionais de proteína 35%, carboidrato 30%, frutas e legumes 35%, baseado na necessidade diária de 146,4 g/dia, sendo que os carboidratos de eleição foram os de cadeia longa e baixo índice glicêmico (batata doce, Inhame, cará, Mandioca, Mandioquinha salsa). Tutor relatou que o animal apresentou apetite seletivo em boa parte do tratamento, aceitando poucos legumes e frutas e mais proteína, dando início integral ao cardápio sugerido no dia 02/08/2020. Como fitoterapia chinesa, foi prescrito Ling Zhi - Ganoderma lucidum, uma cápsula, duas vezes ao dia, da linha Tradicional Herbal – Medicina Tradicional Chinesa da fabricante Catalmedic Indústria Farmacêutica Ltda., sendo que cada cápsula contém 350 mg do extrato seco. O Ganoderma lucidum é um cogumelo comumente utilizado em terapia oncológica chinesa e é considerado um nutracêutico antitumoral. O início desse tratamento foi dado no dia 01/08/2020. Na sessão do dia 08/08/2020, manteve-se o protocolo de acupuntura e foi aplicado como auto-hemoterapia menor ozonizada 1 mL de sangue ozonizado a 30 mcg/mL, com 5 mL da mistura gasosa de oxigênio-ozônio em VG-14, com auxílio de um scalp 21 GA e seringa de 10 mL. Em 12/08/2020, foi realizado apenas acupuntura du383
rante a sessão, estimulando o ponto VG-14 com agulha de acupuntura, com intuito de realizar a auto-hemoterapia intermediária ozonizada apenas uma vez na semana, sendo essa realizada através de um scalp 21 GA e seringa de 10 ml no dia 15/08/2020, ozonizando 5 mL de sangue em 5 mL da mistura gasosa de oxigênio-ozônio a 30 mcg/mL. Neste mesmo dia, foi acrescentado o ponto B21 além dos pontos estimulados na sessão anterior. As agulhas de acupuntura utilizadas durante todo o tratamento foram da marca Dux Acupuncture®, tamanho 0,25 x 15 mm, modelo safe color. O gerador de ozônio medicinal utilizado foi da fabricante Philozon®, modelo Medplus V. A evolução foi de forma positiva, sendo observado em cada sessão a remissão total de grande parte dos nódulos em regiões dorsal, ventral, lateral, lábio inferior e de
Figuras 1 – Observação durante o tratamento da redução de tamanho dos nódulos e o desaparecimento total destes em região abdominal 384
Figuras 2 – Redução de tamanho dos nódulos em região lateral direita
Figuras 3- Regressão e cicatrização de nódulo localizado em região torácica esquerda 385
Figuras 4 – Regressão do nódulo em lábio inferior
Figuras 5- Observação da redução de tamanho e cicatrização em andamento dos nódulos em interdígitos do membro torácico esquerdo 386
membros torácicos e pélvicos, diminuição do calor ao toque e da inflamação com apenas três semanas de tratamento, como demonstrado em imagens em anexo. Os nódulos interdígitos reduziram de tamanho desde o início do tratamento com limpeza de solução de ringer com lactato e óleo ozonizado, sendo que o tratamento para remissão e cicatrização das feridas segue em andamento até presente data, avaliando possível retirada cirúrgica, se necessário. CONCLUSÃO Até o presente momento, a terapia estipulada está sendo efetiva no tratamento da neoplasia, com redução de tamanho e da inflamação de nódulos grandes, desaparecimento total de grande parte dos nódulos em região dorsal,
Figuras 6 - Observação da involução e cicatrização em andamento dos nódulos em interdígitos do membro torácico direito 387
ventral, lábio inferior e de membros e, cicatrização das massas tumorais de interdígitos. Sabe-se que o ozônio age na modulação da resposta inflamatória, na imunomodulação, é um potente cicatrizante e tem efeito antitumoral, justificando sua eleição para tratamento. A dietoterapia é um ponto crucial para a terapia oncológica, com atenção maior aos níveis e tipo de carboidratos ofertados, visando a produção de níveis aceitáveis de glicose e lactato. A acupuntura age em sinergia com a ozonioterapia na modulação da resposta imune e anti-inflamatória. O ganoderma lucidum possui citotoxicidade específica, reduz angiogênese e a proliferação celular, modula resposta imunológica e otimiza a fosforilação oxidativa.
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Emprego da ozonioterapia como recurso terapêutico complementar ao tratamento de úlcera varicosa - relato de caso Employment of ozone therapy as a complementary therapeutic resource to the treatment of variotic ulcer - case report Bruno Franco de Godoi 1 1- Profissional autônomo, fisioterapeuta Águas de Lindóia/São Paulo/Brasil.
Autor para correspondência: ft_bruno@yahoo.com.br RESUMO Paciente de 87 anos, acometida de úlcera varicosa a cerca de 38 anos, com histórico de diversos tratamentos anteriores, nos quais apresentaram pouca melhora e recidiva da lesão. Observou-se melhora significativa da lesão após a adoção de protocolos com ozônio medicinal: insuflação retal (IR); bag local; auto-hemoterapia menor (AHTM); e aplicação de óleo de girassol ozonizado na região. Palavras-chave: úlcera varicosa, ozonioterapia, maléolo medial. ABSTRACT 87-year-old patient, suffering from varicose ulcer for 389
about 38 years, with a history of several previous treatments, in which he presented little improvement and lesion recurrence. Significant improvement of the lesion was observed after the adoption of protocols with medicinal ozone: rectal insufflation (RI); local bag; minor autohemotherapy (AHTM); and application of ozonized sunflower oil in the region. Keywords: varicose ulcer, ozone therapy, medial malleolus. HISTÓRICO A úlcera varicosa (UV) é uma doença que acomete indivíduos desde os tempos antigos, onde já haviam registros de tentativas de cura. Acomete principalmente membros inferiores, mais comumente na região do maléolo medial, causando perda parcial da capacidade funcional do membro afetado. A paciente E.B., 87 anos, não apresentava diagnósticos prévios de doenças crônicas, manifestava um quadro de úlcera varicosa na região do maléolo medial e face anterior do pé esquerdo há cerca de 38 anos. Os sintomas acometidos pela paciente foram apresentados como: dor, dificuldade para caminhar, hemorragias distais graves ocasionadas pela ruptura de veias ao redor da região comprometida, levando a internação hospitalar. Durante esse período, realizou tratamento com acompanhamento médico, juntamente com diversos fármacos, além de utilização de micro espuma, 390
no entanto houve pouca melhora e recidiva da lesão. EXAME FÍSICO E DIAGNÓSTICO Paciente diagnosticada com úlcera varicosa há cerca de 38 anos, o prontuário da paciente constava diversos tratamentos, que foram pouco efetivos na resolução do problema. A intervenção cirúrgica não foi cogitada pela equipe médica, realizando apenas intervenções com fármacos, além de tratamentos convencionais em períodos específicos ao decorrer dos anos, os quais também não foram eficazes na cura efetiva da doença. Dessa forma, tornou-se frustrante a procura por soluções do problema, de modo que a paciente optou por uma terapia alternativa. Na primeira avaliação da paciente, em 29/10/2019, constatou-se, através de anamnese física, histórico pregresso e familiar, e registros fotográficos, que apresentava claudicação, dor persistente e sinais inflamatórios nas duas úlceras, sem aparente infecção; na região do maléolo medial, a ferida apresentava 6 x 6,5 cm; já na região da face anterior, a medida era de cerca de 2 x 4 cm. A paciente relatou que apresentava dor do tipo queimação, a qual não era contínua, e nesses episódios fazia o uso de analgésicos do tipo dipirona. Diante do quadro apresentado, foi proposto como recurso terapêutico a ozonioterapia como método complementar ao tratamento convencional já realizado pela mesma.
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TRATAMENTO E EVOLUÇÃO Diante do diagnóstico realizado com a paciente, recomendou-se a utilização de ozonioterapia, um recurso terapêutico que utiliza uma mistura de gases, composta por 95% de oxigênio (O2) e 5% de ozônio (O3), apresentando ação anti-inflamatória, analgésica, antimicrobiana, antisséptica, melhorando a circulação periférica e a oxigenação, e modulando o estresse oxidativo. Pode ser usado como complemento no tratamento de diversas patologias, dentre elas as lesões de pele, doenças malignas, virais, autoimunes, para regeneração, revitalização e estética. Neste trabalho, utilizou-se de técnicas de ozônio medicinal, sendo elas insuflação retal (IR), com ação sistêmica visando diminuição do quadro inflamatório, incremento da oxigenação tissular e aceleração do reparo tecidual; bag local, agindo como câmara hiperbárica, visando a regeneração local; auto-hemoterapia menor (AHTM), com ação anti-inflamatória e imunomoduladora; e aplicação de óleo de girassol ozonizado na região, agindo como anti-inflamatório e cicatrizante. O protocolo adotado foi de 50 sessões de IR e bag local, seguidos de 10 sessões de AHTM. Para as aplicações da insuflação retal, as dosagens utilizadas foram modificadas a cada 5 sessões, em ordem de concentração e volume. Já na utilização da bag local, foi utilizada a água ozonizada para preparação do local, assim como na sua 392
finalização, e a concentração do ozônio medicinal foi reduzida à medida que a ferida da paciente apresentava melhora. A respeito do óleo de girassol ozonizado, recomendou-se a aplicação diária, 2 vezes ao dia CONCLUSÃO A partir do quadro da paciente E.B. de úlcera varicosa a cerca de 38 anos, com histórico de diversos tratamentos anteriores, nos quais apresentou pouca melhora e recidiva da lesão, pôde ser observado, a partir da utilização do protocolo apresentado acima, uma melhora significativa da lesão. A partir da 5ª sessão, notou-se a presença do tecido de granulação na ferida como um todo. Na 10ª sessão do protocolo, a ferida apresentava medidas de 6 x 4 cm na região do maléolo medial e 1 x 3,5 cm na face anterior, com progressão geométrica dos resultados observados. A resolução completa da lesão na face anterior do pé esquerdo pôde ser observada após 7 meses do início do tratamento, enquanto que na região do maléolo medial observa-se a ferida em última fase de cicatrização.
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Emprego da ozonioterapia na acne - relato de caso Ozone therapy employment in acne - case report Bruno Franco de Godoi 1 1- Profissional autônomo, fisioterapeuta Águas de Lindóia/São Paulo/Brasil.
Autor para correspondência: ft_bruno@yahoo.com.br RESUMO Paciente diagnosticada com acne há cerca de 6 anos, apresentando diversos tratamentos anteriores, que apresentavam melhora, porém com recidiva da lesão. Instituiu-se protocolo terapêutico baseado na autohemoterapia menor, infiltrações locais de ozônio medicinal e uso tópico de óleo de girassol ozonizado. Palavras-chave: acne, ozonioterapia, auto hemoterapia menor, óleo de girassol ozonizado. ABSTRACT Patient diagnosed with acne about 6 years ago, presenting several previous treatments, which showed improvement, but with lesion recurrence. Therapeutic protocol based on minor autohemotherapy, local infiltration of medicinal ozone and topical use of ozonized sunflower 394
oil was instituted. Keywords: acne, ozone therapy, minor autohemotherapy, ozonated sunflower oil. HISTÓRICO A acne é uma doença de pele que decorre de uma inflamação ou infecção das glândulas sebáceas, propiciando cravos, espinhas, cistos, caroços e cicatrizes. Aparece na puberdade induzida pelo início da produção de hormônios estrógenos e andrógenos, aparecendo com maior frequência no rosto, peito e costas, devido ao maior número de glândulas sebáceas nessas regiões. A acne pode ter graus variados, de acordo com a inflamação, sendo mais grave quando apresenta cistos, caroços e muitas lesões. A paciente M.L.S.V., 20 anos, apresentava diagnósticos prévios de quadros de acne há cerca de 6 anos, reincidente. Os sintomas acometidos pela paciente foram apresentados como: dor, vermelhidão, inchaço e baixa autoestima. Durante esse período, realizou intervenções com acompanhamento médico, juntamente com diversos fármacos, além de auto hemoterapia, no entanto houve melhora com recidiva da lesão. EXAME FÍSICO E DIAGNÓSTICO Paciente diagnosticada com acne há cerca de 6 anos, apresentando diversos tratamentos anteriores, que apresentavam melhora, porém com recidiva da lesão. Dessa 395
forma, a recidiva da inflamação fez com que a paciente buscasse novos métodos terapêuticos, visando a melhora efetiva do quadro. Na primeira avaliação da paciente, em 14/02/2020, constatou-se, através de anamnese física, histórico pregresso e familiar, e registros fotográficos que apresentava graus variados de cistos e espinhas inflamadas no rosto. A paciente relatou que apresentava alodínia local. Diante do quadro apresentado, foi proposto como recurso terapêutico a ozonioterapia/auto hemoterapia menor. TRATAMENTO E EVOLUÇÃO Diante do diagnóstico da paciente, foi sugerido a utilização da ozonioterapia – composta por um conjunto de recursos terapêuticos baseado na utilização de uma mistura de gases, 5% do gás ozônio (O3) e 95% de oxigênio (O2) – através da auto hemoterapia menor, o uso local de óleo de girassol ozonizado e a aplicação local. Pode ser usado como complemento no tratamento de diversas patologias, dentre elas as lesões de pele, doenças malignas, virais, autoimunes, para regeneração, revitalização e estética, apresentando ação anti-inflamatória, analgésica, antimicrobiana, antisséptica, melhorando a circulação periférica e a oxigenação, e modulando o estresse oxidativo. Neste trabalho, utilizou-se de técnicas, sendo elas a auto-hemoterapia menor (AHTM), com ação anti-infla396
matória e imunomoduladora; a aplicação de óleo de girassol ozonizado na região, agindo como anti-inflamatório e cicatrizante; e a aplicação local subcutânea nos pontos onde apresentava maior inflamação, modulando o estresse oxidativo do local, agindo como anti-inflamatório. O protocolo adotado foi de 10 sessões de AHTM, com 10 mL de gás na concentração de 29 gamas, 1 vez na semana. A respeito do óleo de girassol ozonizado, recomendou-se a aplicação diária, 3 vezes ao dia. Para a aplicação de gás local subcutâneo, 1 mL por ponto na concentração de 3 gamas. CONCLUSÃO A partir do quadro da paciente M.L.S.V de acne há cerca de 6 anos, com histórico de diversos tratamentos anteriores, nos quais apresentou melhora, porém com recidiva da lesão, pôde ser observado, a partir da utilização do protocolo apresentado acima. A partir da 1ª sessão, notou-se uma diminuição da dor, vermelhidão e inchaço, com melhora progressiva a cada aplicação. A resolução completa da lesão pôde ser observada após os 4 meses do início do tratamento, porém o acompanhamento da paciente está sendo realizado mensalmente, através da manutenção com aplicação local até o início da nova sequência de AHTM.
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Tratamento de paciente com osteorradionecrose utilizando a ozonioterapia como coadjuvante: relato de caso Treatment of a patient with osteoradionecrosis using ozone therapy as an adjunct: case report Francisco Ubiratan Ferreira de Campos 1; Juliana Cama Ramaciatto 2; Carlos Goes Nogales 3; Paulo de Camargo Moraes 1; Luiz Alexandre Thomaz 1 1 - Doutor/São Leopoldo Mandic 2 - Doutora/Unicamp 3 - Doutor/USP
Autor para correspondência: camposkiko@yahoo.com.br RESUMO Diversas condutas terapêuticas são descritas para o tratamento de lesões oncológicas na região de cabeça e pescoço. No tratamento do câncer bucal, a radioterapia pós ou pré-operatória são opções muito utilizadas. A radiação destrói as células neoplásicas mais também células sadias podendo resultar no aparecimento de uma osteorradionecrose. A paciente L.M.C, compareceu a clínica de Estomatologia da São Leopoldo Mandic para avaliação de 398
uma lesão na região posterior da mandíbula no lado esquerdo com queixa de dor durante a mastigação, na abertura bucal e gosto desagradável na boca. Durante a anamnese relatou um histórico oncológico com tratamento por radioterapia. Ao exame clínico e radiológico foi diagnosticada a lesão de osteorradionecrose. A proposta de tratamento foi a utilização da ozonioterapia de 3 formas: mistura gasosa Oxigênio/Ozônio, água ozonizada e óleo ozonizado. O tratamento obteve êxito sendo que a paciente foi acompanhada posteriormente clínica e radiograficamente por 3 anos, evidenciando estabilidade tecidual e ausência de sintomatologia. Palavras-chave: ozonioterapia, osteorradionecrose, tratamento. ABSTRACT Several therapeutic approaches are described for the treatment of oncological lesions in the head and neck region. In the treatment of oral cancer, post or preoperative radiotherapy are widely used options. Radiation destroys neoplastic cells but also healthy cells, which can result in the appearance of Osteoradionecrosis. Patient L.M.C attended the Stomatology clinic of São Leopoldo Mandic to evaluate a lesion in the posterior region of the mandible on the left side with complaints of pain during chewing, in the mouth opening and unpleasant taste in the mouth. During the anamnesis, he reported an oncological 399
history with radiotherapy treatment. On clinical and radiological examination, the lesion of Osteoradionecrosis was diagnosed. The treatment proposal was the use of Ozone Therapy in 3 ways: oxygen / ozone gas mixture, ozonated water and ozonated oil. The treatment was successful and the patient was followed up clinically and radiographically for 3 years, showing tissue stability and absence of symptoms. Keywords: ozone therapy, osteoradionecrosis, treatment. HISTÓRICO Paciente L.M.C, 57 anos, sexo feminino, melanoderma, compareceu a clínica de Estomatologia da São Leopoldo Mandic. Relatou ter sido submetida a uma cirurgia em 2006 para retirada de um tumor na glândula parótida. O diagnóstico foi obtido após a biopsia ser enviado para exame histopatológico e foi de carcinoma epidermóide. Foram realizadas 22 sessões de radioterapia, finalizando o tratamento para o carcinoma epidermóide. 10 anos após concluir o tratamento, foi indicada a exodontia do terceiro molar inferior (dente 38). EXAME FÍSICO E DIAGNÓSTICO A paciente queixava-se de dor durante a mastigação, abertura bucal e gosto desagradável na boca. Durante o exame clínico ficou evidenciada lesão na região posterior da mandíbula no lado esquerdo com supuração. Foi soli400
citado um exame radiológico panorâmico e a lesão foi diagnosticada como osteorradionecrose. TRATAMENTO E EVOLUÇÃO Foi proposto o tratamento com Ozonioterapia quinzenal utilizando irrigação da cavidade com 250 mL de água ozonizada na concentração de 08mg/mL, injeção da mistura gasosa oxigênio/ozônio na concentração de 20mg/mL com 20 mL de volume borbulhando dentro da lesão quando havia presença de secreção purulenta, na região ao redor da lesão foi realizada injeção da mistura oxigênio/ozônio na concentração de 5 mcg/mL em 03 pontos vestibulares similar a anestesia local e 02 pontos na lingual sendo utilizado um volume de 1 ml por ponto e por último curativo preenchendo a cavidade com óleo de girassol Ozonizado. Na décima quinta sessão, foi observada novamente pequena secreção purulenta na região e foi adicionado ao tratamento a antibioticoterapia com Clindamicina 300 mg de 08 em 08 horas durante 07 dias. Na trigésima sessão de Ozonioterapia, observou-se que a região afetada estava cicatrizada no nível na margem gengival sem nenhum defeito ósseo aparente, com ausência de processo infeccioso, dor ausente. Foi realizado um controle radiográfico da paciente, após 3 meses . Após os 2 meses foi realizado controle da lesão, podendo-se concluir que a região se manteve estável , desta forma a paciente foi orientada a retornar em março de 2018 401
novamente para novos exames radiográficos, fotos e exame clínico . A paciente foi reavaliada pela última vez em 05 de junho de 2019, apresentando-se sem alterações e queixas.
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CONCLUSÃO As possibilidades terapêuticas ainda não são um consenso quando se trata de patologias como a ORN, desta forma, é possível concluir que a ozonioterapia, apresentou-se como uma excelente alternativa de tratamento melhorando a qualidade de vida da paciente, principalmente na sintomatologia dolorosa já após a primeira consulta e obteve uma cicatrização completa de tecidos moles e duros com acompanhamento de 03 anos, mostrando a estabilidade dos tecidos, entretanto são necessários mais estudos clínicos para podermos padronizar qual a melhor estratégia clínica terapêutica.
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Efeito da ozonioterapia na proliferação, viabilidade e migração de osteoblastos. Estudo in vitro Effect of ozone therapy on osteoblast proliferation, feasibility and migration. In vitro study Francisco Ubiratan Ferreira de Campos 1; Manoel Arthur Dias de Oliveira Antonino 2; Julio Cesar Joly 3; Marcelo Sperandio 4; Juliana Cama Ramaciatto 3 1- Doutor/ São Leopoldo Mandic 2- Mestrando/São Leopoldo Mandic 3- Doutor/Unicamp 4- Doutor/King’s College London
RESUMO Estudo in vitro que teve como objetivo avaliar o efeito da ozonioterapia na proliferação e viabilidade de osteoblastos. Na odontologia, a regeneração óssea tem ganhado destaque devido a procedimentos de reabilitação e/ou estéticos. Palavras-chave: ozonioterapia, osteoblasto, regeneração óssea ABSTRACT In vitro study that aimed to evaluate the effect of ozone therapy on osteoblast proliferation and viability. In den404
tistry, bone regeneration has gained prominence due to rehabilitation and / or aesthetic procedures. Keywords: ozone therapy, osteoblast, bone regeneration INTRODUÇÃO A ozonioterapia tem se mostrado como uma alternativa promissora para o tratamento de várias condições, despertando assim o interesse de profissionais de saúde de diversas áreas. Na odontologia, a regeneração óssea tem ganhado destaque devido a procedimentos de reabilitação e/ou estéticos. Atualmente, a estimulação da consolidação óssea tem sido alcançada com a aplicação de estímulos químicos, como biomateriais e proteínas biomorfogênicas. Alguns estudos demonstraram que o Ozônio (O3) tem propriedades antimicrobianas, porém, ainda não se conhece a eficácia da ozonioterapia como adjuvante na cicatrização e reparo ósseos. OBJETIVO Este estudo teve como objetivo avaliar o efeito da ozonioterapia na proliferação e viabilidade de osteoblastos MATERIAIS E MÉTODOS Os osteoblastos receberam seis doses diferentes de O3 (0, 1, 5, 10, 30 e 60 µg/mL) e foram avaliados em intervalos de tempo de 24, 48 e 72 horas. As análises foram feitas através de contagem automatizada (Vi-Cell, Beck405
man Coulter), seguida de análise de viabilidade celular por MTT. Os dados foram analisados e comparados por meio de ANOVA a 2 critérios e teste de Tukey (P<0,05). RESULTADOS
CONCLUSÃO A ozonioterapia parece ser uma opção promissora para procedimentos de regeneração óssea, uma vez que causou aumento da proliferação, viabilidade e mineralização dos osteoblastos nos primeiros 7 dias.
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Atividade anti-biofilme do óleo ozonizado contra Candida Anti-biofilm activity of ozonated oil against Candida Barbara Higa 1; Jair Camargo Ferreira 2; Regina Helena Pires 3 1 – Graduanda, Biomedicina, Universidade de Franca (UNIFRAN) – Franca – SP - Brasil 2 – Docente-pesquisador, Programa de Mestrado em Ciência Animal, UNIFRAN - Franca- SP- Brasil 3 – Docente--Pesquisador, Programa de Mestrado e Doutorado em Promoção da Saúde, UNIFRAN - Franca- SP- Brasil.
Autor para correspondência: barbara.higa94@gmail.com RESUMO Propõe-se avaliar a atividade antifúngica do ozônio contra biofilmes gerados por espécies de Candida. Foram utilizadas as cepas C. albicans ATCC 90028, C. glabrata ATCC 2001, C. krusei ATCC 6258, C. orthopsilosis ATCC 96141, C. parapsilosis ATCC 22019, C. tropicalis ATCC 13803. Considerando a alta prevalência de infecções por Candida spp e sua resistência aos medicamentos, especialmente a espécie C. krusei, o estudo mostrou que o óleo ozonizado pode ser explorado como estratégia de controle de doenças associadas aos biofilmes de Candida spp. 407
Palavras-chave: Candida spp.; biofilme; ozônio. ABSTRACT It is proposed to evaluate the antifungal activity of ozone against biofilms generated by Candida species. The strains C. albicans ATCC 90028, C. glabrata ATCC 2001, C. krusei ATCC 6258, C. orthopsilosis ATCC 96141, C. parapsilosis ATCC 22019, C. tropicalis ATCC 13803 were used. Considering the high prevalence of infections by Candida spp and its resistance to drugs, especially the species C. krusei, the study showed that ozonated oil can be exploited as a strategy to control diseases associated with the biofilms of Candida spp. Keywords: Candida spp.; biofilm; ozone. INTRODUÇÃO Espécies de Candida constituem a microbiota humana e de animais, principalmente da pele, da mucosa oral, genital e respiratória, do canal auditivo externo e do sistema digestivo. Em situações de desequilíbrio microbiota-hospedeiro, Candida spp. pode se multiplicar, invadir tecidos e causar infecções denominadas candidíases, as quais podem se disseminar por todo o sistema digestório, reprodutor e olhos de aves, por exemplo. C. albicans tem sido relatada como a espécie mais frequente nos casos de infecção em humanos enquanto que em animais prevalecem C. krusei e C. rugosa, embora outras espécies ditas, 408
conjuntamente, de Candida não-albicans têm apresentado um aumento na sua incidência. Além disso, Candida spp. é capaz de formar biofilme, estrutura comunitária de células microbianas protegidas por uma matriz polissacarídica e proteica, sintetizada pelas células as quais se aderem tanto às superfícies bióticas quanto abióticas. Tais comunidades microbianas têm sido associadas à mastite, às infecções de feridas crônicas ou aos dispositivos médicos como cateteres endovenosos ou uretrais. Além disso, microrganismos filiados ao biofilme têm grande capacidade de resistir tanto aos tratamentos antimicrobianos como ao sistema imune do hospedeiro se comparados a sua forma livre (células planctônicas). Compostos com ação antimicrobiana como o ozônio tem aumentado sua aplicabilidade na medicina tanto humana como veterinária, embora sua efetividade contra biofilmes fúngicos seja pouco estudada. OBJETIVO Propõe-se avaliar a atividade antifúngica do ozônio contra biofilmes gerados por espécies de Candida. MATERIAIS E MÉTODOS Foram utilizadas as cepas C. albicans ATCC 90028, C. glabrata ATCC 2001, C. krusei ATCC 6258, C. orthopsilosis ATCC 96141, C. parapsilosis ATCC 22019, C. tropicalis ATCC 13803. O ozônio, incorporado ao óleo de 409
girassol, foi obtido comercialmente. Os biofilmes foram formados em placas de microtitulação de 96 poços, durante 24h a 37 ºC e, a atividade anti-biofilme do óleo ozonizado, foi avaliada nos tempos de 0, 5, 10, 15, 20, 25, 30, 60 e 120 minutos. A viabilidade celular das células tratadas foi obtida pelo método de plaqueamento em ágar, sendo calculado o número de Unidades Formadoras de Colônias (UFC) por mililitro (mL). RESULTADOS Após 24 horas de incubação, todas as cepas de Candida formaram biofilme com contagens médias de células de 1,22x1011 ± 6,03x1010. O tratamento dos biofilmes com óleo não ozonizado (controle) mostrou contagens similares com média de 1,12x1011 ± 1,65x1010UFC/mL. Atividade fungicida (99,9% de redução de UFC/mL) contra os biofilmes de C. albicans foi observado após 60 minutos de tratamento; contra os biofilmes de C. krusei, após 10 minutos de tratamento e, contra os biofilmes das demais espécies, após 30 minutos. DISCUSSÃO Os biofilmes de Candida spp. são resistentes a vários antifúngicos e sua eliminação desempenha um papel importante no tratamento da doença. Os resultados mostraram que C. krusei foi a espécie mais sensível ao ozônio, desde que 10 minutos de exposição causou a morte das le410
veduras contidas no biofilme. Previamente, Berenji et al. (2014) mostrou que o óleo ozonizado foi mais eficiente contra C. krusei que contra C. albicans e C. glabrata. O azeite ozonizado danifica DNA e RNA de C. albicans conforme relatado por Geweely (2006). C. krusei foi a espécie mais frequentemente identificada em vacas com mastite clínica no estudo de Du et al. (2014) sendo 100% das cepas resistentes ao fluconazol, fluorocitosina, itraconazol e cetoconazol; 57% à nistatina e 14% à anfotericina B. CONCLUSÃO Considerando a alta prevalência de infecções por Candida e sua resistência aos medicamentos, especialmente a espécie C. krusei, o estudo mostrou que o óleo ozonizado pode ser explorado como estratégia de controle de doenças associadas aos biofilmes de Candida spp. REFERÊNCIAS BERENJI, F.; RAJABI, O.; AZISH, M.; MINOOCHEHR, N. Comparing the effect of ozonized olive oil with clotrimazole on three Candida species C. albicans, C. glabrata, C. krusei. J. Microbiol. Res., v. 2, n. 1, p.9-13, 2014. COSTERTON, J.W. et al. Microbial biofilms. Annu. Rev. Microbiol., v. 49, p. 711-745, 1995. DU, J.; WANG, X.; LUO, H. et al. Epidemiological investigation of non-albicans Candida species recovered from mycotic mastitis of cows in Yinchuan, Ningxia of China BMC Vet. Res., v. 14, p. 251, 411
2018. GARDNER, A. J.; PERCIVAL, S. L.; COCHRANE, C. A. Biofilms and role to infection and disease in veterinary medicine. In: PERCIVAL, S. L. et al. (eds). Biofilm and veterinary medicine. Springer-Verlag:Berlin, 2011, p. 111-112. GEWEELY, N. S. Antifungal activity of ozonized olive oil (Oleozone). Int. J. Agri. Biol., v. 8, n. 5, p. 671-8, 2006. ŞEKER, E.; ÖZENÇ, E. In vitro biofilm activity of Candida species isolated from Anatolian buffaloes with mastitis in Western Turkey. Veterinarski Arhiv., v. 81, n. 6, p. 723-730, 2011. WYSOK, B.; URADZIŃSKI, J.; GOMÓŁKA-PAWLICKA, M. Ozone as an alternative disinfectant: a review. Pol. J. Food Nutr. Sci., v. 56, n. 1, p. 3-8, 2006.
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O uso da água ozonizada na prática clínica: quais caminhos percorrer? The use of ozonated water in clinical practice: still a way to go Káryta Jordana Santos de Paula 1; Márcia Helena de Souza Freire 2 1 Enfermeira. Mestranda: Departamento de Enfermagem - Universidade Federal do Paraná (UFPR) – Curitiba – Paraná – Brasil. 2 Enfermeira. Doutora em Saúde Pública. Professora Adjunto da Graduação e Pós-graduação do Departamento de Enfermagem –UFPR – Curitiba – Paraná – Brasil.
Autor para correspondência: karytajordana@gmail.com RESUMO O objetivo deste estudo é propor uma reflexão sobre o uso da água ozonizada na prática clínica em saúde.Tratase de um estudo descritivo-reflexivo sobre o uso de água ozonizada na prática clínica em saúde. A alta degradação do O3 em meio aquoso dificulta a padronização de doses e água a ser utilizada. Estudos com água ozonizada, cujos métodos de determinação de concentração e tempo de ozonização não são claros, produzem resultados dúbios e passíveis de questionamentos, dificultando a desmistificação e consolidação da ozonioterapia, como terapia inte413
grativa na prática clínica. Nesta perspectiva, mais estudos acerca de dosagem e concentrações do O3, bem como, de seus subprodutos devem ser realizados, a fim de fornecer doses seguras para aplicação desta modalidade de ozonioterapia. Palavras-chave: ozônio, prática clínica baseada em evidências, práticas de saúde complementares e integrativas ABSTRACT The objective of this study is to propose a reflection on the use of ozonized water in clinical health practice. It is a descriptive-reflective study on the use of ozonized water in clinical health practice. The high degradation of O3 in aqueous media makes it difficult to standardize doses and water to be used. Studies with ozonized water, whose methods of determining concentration and time of ozonation are not clear, produce dubious results and open to questioning, making it difficult to demystify and consolidate ozone therapy as an integrative therapy in clinical practice. In this perspective, more studies about the dosage and concentrations of O3, as well as, of its byproducts should be performed, in order to provide safe doses for the application of this ozone therapy modality. Keywords: ozone, evidence-based practice, complementary therapies
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INTRODUÇÃO São conhecidos os benefícios da água ozonizada em diversos seguimentos, inclusive na Odontologia onde já é bastante difundida, no entanto, na prática clínica em humanos ainda é pouco utilizada. Os parâmetros para avaliar concentrações de ozônio (O3) e seus subprodutos são escassos, e não garantem a segurança para uso da água ozonizada. Em razão disto, ela é preterida e os pesquisadores e profissionais da saúde optam por utilizar vias de aplicação sistêmicas e/ou o óleo ozonizado, cujas concentrações do ozônio e/ou seus subprodutos são mais acessíveis e claras. Conforme Schwartz et al. (2011) explanam, um dos desafios da água ozonizada é a instabilidade do O3 em soluções aquosas, devido sua alta reatividade. A taxa de decomposição do O3 em soluções aquosas é de 5 a 8 vezes maior do que na fase gasosa e, depende em grande escala da pureza da água, da temperatura ambiente e da água, assim como do pH do meio. Soluções aquosas com impurezas, orgânicas e/ou inorgânicas, provocam variação no pH e, portanto, a saturação final de O3 dependerá da qualidade da água. Mesmo com a expansão da Ozonioterapia, sobretudo em território brasileiro, ainda se convive com a lacunas entre a pesquisa e a prática. Para o desenvolvimento de pesquisas clínicas no tratamento de lesões de mucosas há que se obter concentrações seguras do O3 em meio 415
aquoso, para que os resultados sejam fidedignos e aplicáveis à prática clínica. Assim, o objetivo deste estudo é propor uma reflexão sobre o uso da água ozonizada na prática clínica em saúde. MATERIAIS E MÉTODO Trata-se de um estudo descritivo-reflexivo sobre o uso de água ozonizada na prática clínica em saúde. RESULTADOS E DISCUSSÃO O Protocolo de Madrid, em sua última edição (2020), descreve especificações gerais para preparo de água bidestilada ozonizada. E define que concentrações baixas de ozônio (10 a 20 µg/Nml) em água bidestilada devem ser aplicadas para úlceras gastrointestinais e nos casos em que a ingestão é sugerida. Já as doses altas (80 µg/Nml) são recomendadas para uso externo, como descontaminação de feridas. Apesar do desenvolvimento de antibióticos, o controle de infecções por bactérias da pele ainda é uma questão não resolvida. A disseminação de bactérias resistentes, devido ao uso generalizado de antibióticos, e o aumento progressivo do número de cepas resistentes se tornou uma preocupação de saúde mundial. Portanto, o O3, por possuir propriedades bactericidas sem causar resistência bacteriana, pode ser usado como uma nova contramedida frente às infecções e apresentar efeito importante como 416
tratamento adjuvante em casos de queimaduras, úlceras por pressão, úlceras secundárias à diabetes descompensada e preparação de pele para enxerto, por exemplo (HORIUCHI, 2020). O uso da hidrozonioterapia associada aos cremes e óleos ozonizados, induz a neoangiogênese aumentando o aporte sanguíneo no local da ferida, evita a proliferação de microorganismos e assim, promove desinfecção e limpeza, bem como, promove adaptação do tecido inflamado ao estresse oxidativo (CARDOSO, FILHO E PICHARA et al., 2010). Breidablik et al. (2020) analisaram descontaminação da flora transitória de mãos contaminada com E. coli artificialmente exposta às ações: a) do álcool; b) da água ozonizada; e, c) da água + sabão. Evidenciaram que água + sabão são mais efetivos se comparado com água ozonizada e álcool. Neste estudo, foi utilizado sabão antibacteriano não alcoólico, álcool a 85% e a concentração de O3 utilizado na água ozonizada foi de 0,8 ppm, sendo que a técnica de lavagem das mãos foi supervisionada por uma enfermeira. Ainda conforme os autores supracitados, a água ozonizada foi mais eficaz que a aplicação de álcool nas mãos. Deste modo, a água ozonizada pode ser utilizada como uma alternativa para higienização de mãos, visando incentivo econômico e ambiental, contrapondo-se ao sabão e álcool que necessitam de embalagens e transporte. 417
Um ensaio clínico randomizado que comparou o banho de assento com água de torneira e banho de assento com água ozonizada (utilizando concentrações de 1 ppm, 2 ppm e 4ppm) em pacientes após hemorroidectomia, mostrou que o uso de banho de assento com água ozonizada reduziu a dor e acelerou a cicatrização da ferida cirúrgica (KIM et al., 2020). Pesquisas como as de Kim et al. (2020) e Breidablik et al. (2020), fornecem as concentrações de ozônio utilizadas, evidenciando que doses baixas de ozônio possuem efeito bactericida e é capaz de reduzir a dor e promover cicatrização tecidual. Em contrapartida, em estudo que avaliou a eficácia da água ozonizada na formação precoce de placas e infecção gengival em pacientes jovens saudáveis, os autores não encontraram diferença estatisticamente significativa entre o grupo de intervenção e controle. O mesmo valeu-se de concentração de ozônio de 70 µg/ml em água bidestilada (NICOLINI et al., 2020), uma concentração alta de O3, conforme o Protocolo de Madrid. Acredita-se que a solução pode ter provocado um efeito tóxico e não preventivo, na formação de placas bacterianas e da infecção gengival. Corroborando com este julgamento, Bocci (2006) enfatiza que concentrações baixas de O3 podem ter efeitos estimulantes e benéficos, enquanto que, as concentrações altas podem ser tóxicas, reforçando ser crítico o conceito 418
de ‘concentração ideal de ozônio’ para resultados terapêuticos. Loprete e Vaiano (2017) confirmaram a validade do tratamento com água ozonizada combinada à insuflação retal de mistura de O2/O3 para controlar os sintomas de pacientes com disbiose intestinal. No entanto, os autores citam que utilizaram a concentração de 40 µg /ml, com frequência de três vezes por semana, na insuflação retal; enquanto que, a água ozonizada ingerida pelos participantes da pesquisa (125ml, três vez ao dia) é citada apenas como água hiperozonizada, sem referenciar valores. Hayashi et al. (2019) avaliaram os efeitos da água ozonizada em modelo animal com mucosite induzida por quimioterapia. Os autores evidenciaram diminuição significativa da contagem das unidades formadoras de colônia no grupo que recebeu água ozonizada para lavagem da cavidade oral. O peso dos animais tratados com água ozonizada foi maior no 16º dia (estatisticamente significativo) sugerindo que a ingestão alimentar foi maior devido à regressão precoce da mucosite e menor sintoma de dor. Porém, no método, não consta a concentração de ozônio utilizada no estudo, evidenciando uma vulnerabilidade do mesmo. É notável a fragilidade do uso da água ozonizada para fins terapêuticos. A alta degradação do O3 em meio aquoso dificulta a padronização de doses e água a ser utilizada. Estudos com água ozonizada, cujos métodos de 419
determinação de concentração e tempo de ozonização não são claros, produzem resultados dúbios e passíveis de questionamentos, dificultando a desmistificação e consolidação da Ozonioterapia, como terapia integrativa na prática clínica. Nesta perspectiva, mais estudos acerca de dosagem e concentrações do O3, bem como, de seus subprodutos devem ser realizados, a fim de fornecer doses seguras para aplicação desta modalidade de Ozonioterapia. REFERÊNCIAS BREIDABLIK, H. J.; LYSEBO, D.E.; JOHANNESSEN, L.; et al. Effects of hand disinfection with alcohol hand rub, ozonized water, or soap and water: time for reconsideration? Journal of Hospital Infection, v. 105, n. 2, p. 213-215, 2020. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jhin.2020.03.014 CARDOSO, C. C.; FILHO, E. D.; PICHARA, N. L.; et al. Ozonoterapia como tratamento adjuvante na ferida de pé diabético. Rev Méd Minas Gerais. 2010; 20(N. Esp.): 442-445. Disponível em: <http://rmmg.org/artigo/detalhes/1184>. Acesso em: 09 ago. 2020. HAYASHI, K.; ONDA, T.; HONDA, H.; et al. Effects of ozone nanobubble water on mucositis induced by cancer chemotherapy. Biochemistry and Biophysics Reports, v. 20, 2019. DOI: 10.1016/j.bbrep.2019.100697 HORIUCHI, Y. Ozone sterilization: Renewed potential for combating bacterial infections in severe burns, decubitus, and leg ulcers. Infection Control & Hospital Epidemiology, 2020, p. 1–2. DOI: 10.1017/ice.2020.157 International Scientific Comittee of Ozone Therapy (ISCO3). Declara-
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Ozonioterapia em paciente diabetico – tratamento para inflamação local na área de ción de Madrid sobre la Ozonioterapia. 3ª Edição. Madrid: 2020. implantação do cateter em pa-
KIM, J. H.; KIM, D. H.; BAIK, S. Y.; et al. Pain control and early wound healing effect using sitz bath with ozonised water after haemorrhoidectomy. Journal of Wound Care, v.29, n. 5, 2020. DOI: https://doi.org/10.12968/jowc.2020.29.5.289 LOPRETE, F.; VAIANO, F. The use of ozonated water and rectal insufflation in patients with intestinal dysbiosis.Figura Ozone Therapy, v. 2, n 4304, 2017. DOI: 2 1 Figura https://doi.org/10.4081/ozone.2017.7304 NICOLINI, A. C.; ROTTA, I. S.; LANGA, G. P. J.; et al. Efficacy of ozonated water mouthwash on early plaque formation and gingival inflammation: a randomized controlled crossover clinical trial. Clinical Oral Investigations, Figura2020. 3 DOI: https://doi.org/10.1007/s00784020-03441-y
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Uso da ozonioterapia e qualidade de vida em paciente oncológico com hemipelvectomia em tratamento de radio e quimioterapia: relato de caso Use of ozone therapy and quality of life in oncological patients with hemipelvectomy in radio treatment and chemotherapy: case report Patrícia Helen Nunes Bernado 1; Maria Claudilene de Andrade Ramos 2 1- Graduação em Fisioterapia pela Associação de Ensino Superior do Piauí, AESPI 2- Graduação em Fisioterapia pela Faculdade Uninassau-Teresina-PI
Autor para correspondência: pat.sell.2010@gmail.com RESUMO Este estudo apresenta o caso de um paciente portador de condrossarcoma recidivante, submetido à hemipelvectomia com amputação do membro inferior esquerdo, diagnosticado em setembro/2019. Paciente masculino, 65 anos, foi realizado cirurgia radical no tratamento de condrossarcoma convencional grau III, com desarticulação do quadril esquerdo. Devido à neoplasia seguiu-se com o tratamento de quimioterapia e radioterapia, simultaneamente foi realizado o tratamento de ozonioterapia como 422
principal e o método de auto-hemoterapia menor, com início em outubro/2019, seguindo o protocolo de Madrid com freqüência de três vezes na semana para ozonioterapia retal, auricular e abdominal, sendo uma vez na semana auto hemo menor; após quatro meses como dose de manutenção a terapia de ozônio seguiu com uma vez por semana e a auto hemo menor a cada dez dias. Palavras-chave: fisioterapia, ozonioterapia, câncer. ABSTRACT This study presents the case of a patient with recurrent chondrosarcoma, who underwent hemipelvectomy with amputation of the left lower limb, diagnosed in September / 2019. A 65-year-old male patient underwent radical surgery to treat conventional grade III chondrosarcoma, with left hip disarticulation. Due to the neoplasm, chemotherapy and radiotherapy treatment was followed, simultaneously the ozone therapy was the main treatment and the auto-hemotherapy method was reduced, starting in October / 2019, following the Madrid protocol three times in the week for rectal, auricular and abdominal ozone therapy, with auto haemorrhage once a week; after four months as a maintenance dose, the ozone therapy was continued once a week and the auto-hemoglobin reduced every ten days. Keywords: physical therapy, ozone therapy, cancer. 423
INTRODUÇÃO A ozonioterapia atua como modulador imunológico, gerando um ambiente inadequado a células tumorais e proporcionando benefícios potenciais ao paciente submetido a tratamento radioquimioterápico. O câncer é uma das principais causas de mortalidade em todo o mundo. A quimioterapia e radioterapia tentam matar células tumorais por diferentes mecanismos mediados por um aumento intracelular de radicais livres. No entanto, esses radicais livres, podem levar células saudáveis um estresse oxidativo precoce, resultando em mais danos teciduais. A alternativa para minimizar os danos desses tratamentos não impede que o paciente sofra os efeitos colaterais da química antitumoral. A hemipelvectomia é a remoção de parte da pelve e tem sido indicada no tratamento cirúrgico de tumores malignos. OBJETIVO Avaliar o possível papel da terapia com ozônio no tratamento de um paciente oncológico e a qualidade de vida, mediante aos efeitos da radio e quimioterapia. Relato de Caso: Este estudo apresenta o caso de um paciente portador de condrossarcoma recidivante, submetido à hemipelvectomia com amputação do membro inferior esquerdo, diagnosticado em setembro/2019. Paciente masculino, 65 anos, foi realizado cirurgia radical no tratamento de con424
drossarcoma convencional grau III, com desarticulação do quadril esquerdo. Devido à neoplasia seguiu-se com o tratamento de quimioterapia e radioterapia, simultaneamente foi realizado o tratamento de ozonioterapia como principal e o método de auto-hemoterapia menor, com início em outubro/2019, seguindo o protocolo de Madrid com freqüência de três vezes na semana para ozonioterapia retal, auricular e abdominal, sendo uma vez na semana auto hemo menor; após quatro meses como dose de manutenção a terapia de ozônio seguiu com uma vez por semana e a auto hemo menor a cada dez dias. Foi aplicada a versão brasileira do questionário de qualidade de vida SF-36, ficha evolutiva do paciente, exames laboratoriais e análise do sangue vivo. RESULTADOS E DISCUSSÃO A terapia com ozônio pode ser proposta como uma alternativa de terapia adjuvante viável em oncologia para pacientes recebendo radioquimioterapia. O uso de ozonioterapia nesses casos aumenta a ação da quimioterapia e ao mesmo tempo reduz os efeitos colaterais, como náuseas, vômitos, infecções oportunistas, úlceras bucais, perda de cabelo e fadiga. Esses efeitos terapêuticos positivos da terapia com ozônio pode causar um maior aumento físico e mental, bem-estar resultando em melhoria da qualidade de vida. 425
CONCLUSÃO Conclui-se com esta pesquisa que a Ozonioterapia foi um recurso eficaz no tratamento do paciente oncológico, devido a sua ação sistêmica no organismo melhorando a qualidade de vida e diminuído os efeitos no organismo da quimioterapia e radioterapia. No entanto, são necessários mais estudos clínicos randomizados em seres humanos para compreender os detalhes do metabolismo da terapia com ozônio e as vias celulares envolvidas.
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Tratamento multidisciplinar de tontura associada a foco infeccioso bucal Multidisciplinary treatment of toner associated with bucal infectious focus Luciana Storck¹; Marc Storck²; Juarez Andrade³; Andressa Santos⁴ 1 Profissional autônomo Dentista, Mestre em Patologia Tropical Coordenadora Acadêmica da Pós Graduação Faserra – Instituto de Ensino Superior Blauro Cardoso de Matos – Serra – ES – Brasil - Coordenadora do Curso de Pós Graduação Latu Sensu em Harmonização Oro Facial Faserra – Instituto de Ensino Superior Blauro Cardoso de Matos – Serra – ES – Brasil 2 Profissional autônomo Médico, Esp. em Medicina de Família e Comunidade – Vila Velha – ES – Brasil 3 Profissional autônomo Dentista, Esp. em Implantodontia – Vila Velha – ES – Brasil 4 Profissional autônomo Dentista – Vila Velha – ES – Brasil
Autora para correspondência: lucianamodestorck@gmail.com RESUMO No presente relato, o paciente LCM, 66 anos, pardo, padre, declarou sofrer com tontura há 35 anos. O médico solicitou avaliação odontológica. Em exame clínico bucal, foi detectada a presença de focos infecciosos nos 427
quatro dentes incisivos superiores. Foi indicada a remoção dos quatro dentes comprometidos, indicamos instalação de quatro implantes de zircônia e reabilitação com prótese sob implante de zircônia, procedimentos estes, realizados em três etapas, respeitando os prazos de cicatrização óssea após exodontia e prazo de osteointegração após implantes. Durante o transoperatório optou-se pelo uso da ozonioterapia em duas formas tópicas, água e óleo ozonizados, além da aplicação interna do gás em baixas concentrações como estímulo biomodulador e em altas concentrações, como ativo antimicrobiano. Também usamos laser de baixa potência para modular inflamação e estimular a cicatrização. Nenhum efeito colateral ou prejuízo ao paciente foi observado após as terapias combinadas. A cicatrização se deu sem complicações e com evolução rápida. A melhora da sintomatologia de tontura foi completamente sanada após as exodontias e curetagem dos alvéolos infectados. Palavras-chave: ozonioterapia, implante cerâmico, laserterapia, fitoterapia, odontologia biológica ABSTRACT In the present report, the patient LCM, 66 years old, brown, priest, declared to suffer from dizziness 35 years ago. The doctor requested a dental evaluation. In clinical oral examination, the presence of infectious foci was detected in the four upper incisor teeth. The removal of the 428
four compromised teeth was indicated, we indicated the installation of four zirconia implants and rehabilitation with prosthesis under zirconia implantation, these procedures, performed in three stages, respecting the bone healing periods after extraction and the post-implantation osteointegration period. During the operative period, ozone therapy was used in two topical forms, ozonated water and oil, in addition to the internal application of the gas in low concentrations as a bio-modulating stimulus and in high concentrations, as an antimicrobial active. We also use a low-power laser to modulate inflammation and stimulate healing. No side effects or harm to the patient were observed after the combined therapies. Healing occurred without complications and with rapid evolution. The improvement in the symptoms of dizziness was completely remedied after extractions and curettage of the infected alveoli. Keywords: ozone therapy, ceramic implant, laser therapy, phytotherapy, biological dentistry HISTÓRICO A literatura vem fundamentando o uso de práticas integrativas dentre elas a ozonioterapia, laserterapia e fitoterapia como coadjuvantes aos tratamentos de quadros inflamatórios e infecciosos, alcançando resultados superiores em comparação às terapias convencionais.
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EXAME FÍSICO E DIAGNÓSTICO No presente relato, o paciente LCM, 66 anos, pardo, padre, declarou sofrer com tontura há 35 anos. Fez um tratamento médico prévio com suplementos e modulação hormonal, apresentando uma melhora significativa do quadro de tontura. O médico solicitou avaliação odontológica. Em exame clínico bucal, foi detectada a presença de focos infecciosos nos quatro dentes incisivos superiores. Foi solicitado exames de sangue e imagem (radiografia e tomografia). Enquanto aguardávamos os resultados, foi feito um teste terapêutico com Procaína a 0,7% (terapia neural), na região comprometida, observando-se a melhora completa dos sintomas de tontura por três dias consecutivos. Optamos por fazer a confirmação da relação da tontura com o foco infeccioso bucal através do exame da biorressonância nipônica. TRATAMENTO E EVOLUÇÃO Uma vez confirmada a relação, foi indicada a remoção dos quatro dentes comprometidos, indicado instalação de quatro implantes de zircônia e reabilitação com prótese sob implante de zircônia, procedimentos estes, realizados em três etapas, respeitando os prazos de cicatrização óssea após exodontia e prazo de osteointegração após implantes. Antes dos procedimentos cirúrgicos para remoção dos elementos dentários comprometidos e instalação dos implantes, Indicamos uma suplementação com ativos 430
anti-inflamatórios, antioxidantes e reparadores. Durante o transoperatório optou-se pelo uso da ozonioterapia em duas formas tópicas, água e óleo ozonizados, além da aplicação interna do gás em baixas concentrações como estímulo biomodulador e em altas concentrações, como ativo antimicrobiano. Também usamos laser de baixa potência para modular inflamação e estimular a cicatrização. Nenhum efeito colateral ou prejuízo ao paciente foi observado após as terapias combinadas. A cicatrização se deu sem complicações e com evolução rápida. A melhora da sintomatologia de tontura foi completamente sanada após as exodontias e curetagem dos alvéolos infectados. Três meses após as exodontias foi solicitado nova tomografia para avaliação da cicatrização óssea e planejamento da cirurgia para instalação dos implantes cerâmicos, os quais foram instalados sem intercorrências e sem voltar a sintomatologia de tontura. CONCLUSÃO Pode-se concluir com os resultados do presente relato, que o uso da ozonioterapia e suas associações foi eficaz no tratamento desses processos inflamatórios e infecciosos orais, contribuindo com a melhora da saúde e qualidade de vida do paciente em questão.
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Ozônio & sanitização de alimentos: tecnologia alternativa Ozone & food sanitization: alternative technology Káryta Jordana Santos de Paula 1; Márcia Helena de Souza Freire 2 1 Enfermeira. Mestranda. Programa de Pós-Graduação em Prática do Cuidado em Saúde da Universidade Federal do Paraná (UFPR) – Curitiba – Paraná – Brasil. 2 Enfermeira. Doutora em Saúde Pública. Professora Associada da Graduação e Pós-graduação do Departamento de Enfermagem – DENF/ UFPR – Curitiba – Paraná – Brasil.
Autor para correspondência: karytajordana@gmail.com RESUMO Trata-se de um estudo descritivo-reflexivo sobre o uso do ozônio como sanitizante dos alimentos. O tratamento com ozônio é um método químico de descontaminação de alimentos que envolve a exposição de alimentos contaminados (frutas, vegetais, bebidas, especiarias, ervas, carne, peixe, entre outros) ao gás em fases aquosas e/ou gasosas. Durante a ozonização, a inativação dos microrganismos é alcançada por meio de pressão constante, taxa de fluxo e concentração do ozônio especificado. No entanto, é imprescindível que mais estudos sejam realiza432
dos para que possamos utilizar o ozônio com segurança e eficácia técnica. Palavras-chave: ozônio; alimentos; segurança e qualidade dos alimentos, nidústria de processamento de alimentos, microbiologia de alimentos ABSTRACT This is a descriptive-reflective study on the use of ozone as a food sanitizer. Ozone treatment is a chemical method of food decontamination that involves the exposure of contaminated foods (fruits, vegetables, drinks, spices, herbs, meat, fish, among others) to gas in aqueous and / or gaseous phases. During ozonation, the inactivation of microorganisms is achieved by means of constant pressure, flow rate and specified ozone concentration. However, it is essential that more studies are carried out so that we can use ozone safely and technically. Keywords: ozone, food, food quality, food- processing industry, food microbiology INTRODUÇÃO A segurança de frutas e hortaliças tem sido foco de muitos trabalhos que utilizam métodos físicos, químicos ou biológicos para reduzir ou eliminar patógenos destes produtos. Frutas, vegetais e hortaliças são alimentos que entram em contato com vários tipos de microrganismos desde o plantio até o seu consumo. A falta de saneamento 433
desses produtos após a colheita pode causar altas perdas devido à deterioração e/ou microrganismos patogênicos. Praticamente não existem fungicidas pós-colheita ou bactericidas com um amplo espectro de ação que não têm efeitos residuais tóxicos e são seguros (BAIA, 2020). Para minimizar tais problemas, o uso de desinfetantes é um dispositivo eficiente contra esses microrganismos. O cloro é o agente higienizador mais prevalente devido ao seu amplo espectro, baixo custo e práticas bem estabelecidas. A escolha do procedimento mais efetivo para descontaminação microbiana, deterioração e decomposição deve considerar a eliminação de microrganismos patogênicos sem causar impactos nas características nutricionais e sensoriais do produto, mantendo qualidade visual e textura do alimento (SOUZA et al., 2018). No entanto, a inevitável formação de subprodutos de desinfecção com cloro, como trihalometanos (THMs) e ácidos haloacéticos (HAAs), é considerada uma das principais ameaças à segurança alimentar. Desinfetantes alternativos, como dióxido de cloro (IO2) e ozônio, estão se tornando populares como um substituto para os tratamentos tradicionais pós-colheita (BAIA, 2020). Têm sido desenvolvidas pesquisas com objetivos de aplicação do gás ozônio para inativar microrganismos em produtos frescos como frutas, vegetais, carnes, aves, peixes e ovos; e produtos secos, como cereais, leguminosas e especiarias. 434
O ozônio como um poderoso agente antimicrobiano é atraente como conservante alternativo, para a indústria alimentícia com descontaminação da água e, das superfícies dos equipamentos. As propriedades e sua decomposição rápida, com pouco efeito residual, faz do ozônio um componente importante para servir este nicho como sanitizante e assim, otimizar a conservação das frutas, hortaliças e grãos. (PANDISELVAM et al, 2017). MATERIAIS E MÉTODO Trata-se de um estudo descritivo-reflexivo sobre o uso do ozônio como sanitizante dos alimentos. DISCUSSÃO Autores afirmam que, nos últimos anos, é crescente a ênfase e tendência para o armazenamento seguro de frutas, vegetais e alimentos grãos na indústria de processamento de alimentos, minimizando as perdas quantitativas e qualitativas (PANDISELVAM et al, 2017). A vida útil dos produtos frescos, no entanto, é limitada e determinada por sua qualidade inicial na colheita e subsequentes condições de armazenamento (SOUZA et al., 2018). O tratamento com ozônio é um método químico de descontaminação de alimentos que envolve a exposição de alimentos contaminados (frutas, vegetais, bebidas, especiarias, ervas, carne, peixe, entre outros) ao gás em fases aquosas e/ou gasosas. Durante a ozonização, a inati435
vação dos microrganismos é alcançada por meio de pressão constante, taxa de fluxo e concentração do ozônio especificado (BRODOWSKA, NOWAK, SMIGIELSKI, 2018). O ozônio é um agente antimicrobiano forte, bem como, um otimizador de germinação quando utilizado em sementes. O ozônio, em quantidade limitada, aumenta a taxa de germinação, por outro lado, o excesso de ozônio também pode causar alguns efeitos negativos, como retardo no tempo de germinação (PADISELVAM et al., 2020). Cavalcante et al. (2014a) testaram a sanitização de alface americana contaminada artificialmente com E. coli, as hortaliças foram submetidas à descontaminação em água ozonizada na concentração de 1mg/L, por 01 minuto. Este processo foi capaz de reduzir 4,5 ciclos logarítmicos na população de E. coli inoculadas nas alfaces. Teste semelhante foi aplicado em suspensões contendo E. coli e B. subtilis. Os resultados mostraram que água (de abastecimento público) ozonizada nas concentrações 0,6; 0,8 e 1mg/L nos tempos de contato de 1, 3 e 5 minutos resultou em diferentes níveis de inativação de E. coli e de esporos de B. subtilis, porém todos os dados mostram o ozônio como sanitizante eficaz contra os microrganismos (CAVALTANTE et al., 2014b). Ferreira et al. (2017) evidenciaram que a água ozonizada foi capaz de retardar a perda de massa fresca, man436
ter os níveis de pH e variáveis relativas à cor de morangos após colheita. Neste estudo, os autores ressaltam que o pH da água ozonizada influenciou na eficácia contra bactérias mesófilas aeróbicas e fungos. Além disso, entre as revisões sobre o ozônio, há pouca ou nenhuma informação detalhada sobre o efeito do ozônio sobre os antioxidantes presentes, um dado importante visto que os antioxidantes presentes em frutas e vegetais são primordiais na dieta humana (SHEZI et al., 2020). Por outro lado, a estrutura e as características físicoquímicas dos alimentos são fatores que podem influenciar a eficácia do ozônio aplicado. Os impactos do tratamento do ozônio precisam ser estudados especificamente para cada tipo de alimento. A qualidade dos alimentos em termos de composição, as propriedades físico-químicas e quantidade dos componentes (como amido e proteína) e a capacidade de germinação de diferentes grãos alimentares são frequentemente estudadas (SALVADOR et al., 2020), e devem ser melhor investigadas para segurança do uso do ozônio na indústria alimentícia. Conforme Quevedo-Léon et al. (2020), a pandemia COVID-19 e, as incertezas sobre seu modo de transmissão, também preocuparam a indústria alimentícia. Os autores relacionam alguns desinfetantes que inativam o vírus SARS-CoV-2 como cloro, hipoclorito de sódio, ozônio e luz ultravioleta. No entanto, concluem que são necessárias mais pesquisas para explorar novas aplica437
ções para esses desinfetantes e, para melhor utilizar os recursos destes sanitizantes com segurança e qualidade técnica. Para Padiselvam et al. (2020) a aplicação do ozônio para desinfecção depende de diversos fatores como a população e o tipo de micróbios, sua fisiologia, estrutura de aplicação e outros parâmetros físicos, como pH e temperatura. Além disso, é muito pertinente considerar que quando o ozônio usado inapropriadamente pode levar a consequências perniciosas para os objetos vivos. Por isso, é imprescindível padronizar o período de tratamento, as doses de ozônio, as condições de temperatura e pH, principalmente em se tratando de meio aquoso. O efeito sinérgico das tecnologias híbridas (uma combinação de ozônio e outros métodos físicos, incluindo ondas ultrassônicas, por exemplo) para melhorar a eficiência de descontaminação do ozônio na superfície dos alimentos é uma tendência futura (PADISELVAM et al., 2020). Além dos efeitos antimicrobianos do ozônio frente à descontaminação dos alimentos, há um movimento crescente da demanda do consumidor por produtos orgânicos, fato este que impulsiona a indústria alimentícia, e seus fornecedores, a encontrar alternativas sustentáveis e livres de resíduos (PANDISELVAM et al., 2017). Portanto, a ozonização de alimentos na indústria vem sendo amplamente considerada e discutida, vários traba438
lhos abordam o uso do ozônio gasoso ou solução aquosa ozonizada para melhor controle microbiológico de alimentos após sua colheita. Este manejo pós-colheita com ozônio, caracteriza-se como uma tecnologia de processamento alimentar econômica e ecológica para preservar a qualidade dos alimentos. No entanto, é imprescindível que mais estudos sejam realizados para que possamos utilizar o ozônio com segurança e eficácia técnica. REFERÊNCIAS BAIA, G. M.; FREITAS-SILVA, O.; JÚNIOR, M. F. Understanding the Role of Chlorine and Ozone to control Postharvest Diseases in Fruit and Vegetables: a review. Current Nutrition & Food Science, v. 16, n. 4, p. 455-461, 2020. DOI: https://doi.org/10.2174/1573401315666190212161209 BRODOWSKA, A. J.; NOWAK, A.; SMIGIELSKI, K. Ozone in teh food industry: Principles of ozone treatment, mechanisms of action, and applications: Na overview. Critical Reviews in Food Science and Nutrition, v. 58, n, 13, p. 2176-2201, 2018. DOI: https://doi.org/10.1080/10408398.2017.1308313 CAVALTANTE, D. A.; JUNIOR, B. R. C. L.; TRIBST, A. A. L.; et al. Sanitização de alface americana com água ozonizada para inativação de Escherichia coli O157:H7. Segurança Alimentar e Nutricional, v. 21, n. 1., p. 373-378, 2014a. DOI: https://doi.org/10.20396/san.v21i1.1662 CAVALTANTE, D. A.; JUNIOR, B. R. C. L.; TRIBST, A. A. L.; et al. Inativação de Escherichia coli O157:H7 e Bacillus Subtilis por água ozonizada. B Ceppa, v. 32, n. 1, p. 105-112, 2014b. FERREIRA, W.F.S.; ALENCAR, E. R.; ALVES, H.; et al. Influence of
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pH on the efficacy of ozonated water to control microorganisms and its effect on the quality of stored strawberries (Fragaria x ananassa Duch.). Ciência e Agrotecnologia, v. 41, n. 6, p. 692-700, 2017. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1413-70542017416013317 PADISELVAM, R.; MAYOOKHA, V. P.; KOTHAKOTA, A.; et al. Impact of Ozone Treatment on Seed Germination - A Systematic Review. Ozone: Science & Engineering, v. 42, n. 4, 2020. DOI: https://doi.org/10.1080/01919512.2019.1673697 PANDISELVAM, R.; SUNOJ, S.; MANIKANTAN, M. R.; et al. Application and Kinects of Oozone in Food Preservation. Ozone: Science & Engineering, v. 39, n. 2, p. 115-116, 2017. DOI: https://doi.org/10.1080/01919512.2016.1268947 QUEVEDO-LÉON, R.; BASTÍAS-MONTES, J. M.; ESPINOZATELLEZ, T.; et al. Inactivation of Coronaviruses in food industry: The use of inorganic and organic disinfectants, ozone, and UV radiation. Scientia Agropecuaria, v. 11, n. 2, p. 257-266, 2020. DOI: http://dx.doi.org/10.17268/sci.agropecu.2020.02.14 SALVADOR, G. D.; HOMES, T.; CANEVER, S. B.; et al. Application of ozone on rice storage: A mathematical modeling of the ozone spread, effects in the decontamination of filamentous fungi and quality atributes. Journal of Stored Products Research, v. 87, 2020. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jspr.2020.101605 SHEZI, S.; MAGWAZA, L. S.; MDITSHWA, A.; et al. Changes in biochemistry of fresh produce in response to ozone postharvest treatment. Scientia Horticulturae, v. 269, 2020. DOI: https://doi.org/10.1016/j.scienta.2020.109397 SOUZA, L. P.; FARONI, L. R. D.; HELENO, F. F.; et al. Effects of ozone treatment on postharvest carrot quality. Food Science and Technology, v. 90, p. 53-60, 2018. DOI: https://doi.org/10.1016/j.lwt.2017.11.057
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O uso da ozonioterapia na doença de Alzheimer The use of ozone therapy in Alzheimer's disease Elisângela Matos Tôrres1;Adriane Soares Lopes Pinto 2; Edna Alves da Cruz 3; 1- Mestre na Área do Cuidar no Desenvolvimento Humano pela UFBA. Esp. em UTI. 2- Enfermeira em emergência. 3- Enfermeira oncológica e hiperbarista. Esp. em Saúde Quântica. São Paulo/SP/Brasil.
Autor para correspondência: lisozonio@gmail.com RESUMO O objetivo deste trabalho foi relatar um caso clínico sobre a aplicabilidade da ozonioterapia em um paciente com a doença de Alzheimer. Quando iniciou o tratamento com a ozonioterapia ela apresentou-se pré-diabética, com exame de glicose de 110 mg/dl em jejum. Na anamnese a paciente apresentou episódio emético associado com crise hipertensiva, orientada a fazer uso do óleo ozonizado oral e reavaliação cardiológica que teve como resultado a inserção de diurético tiazídico e sem êmese. O esquema terapêutico ainda não foi conclusivo, pois estamos no primeiro ciclo, entretanto é notória a melhora da circula441
ção sanguínea, coloração e algia dos MMII. Padrão respiratório mais eficaz por conta do aumento da saturação de oxigênio, normalização do índice glicêmico, controle da ansiedade e ingestão de alimentos, maior disposição na realização de atividades de vida diária. Palavras-chave: ozonioterapia, ozônio, cuidado, enfermagem ABSTRACT The aim of this study was to report a clinical case on the applicability of ozone therapy in a patient with Alzheimer's disease. When she started treatment with ozone therapy, she was pre-diabetic, with a glucose test of 110 mg / dl on an empty stomach. In the anamnesis, the patient presented an emetic episode associated with a hypertensive crisis, oriented to make use of oral ozonated oil and cardiac reassessment that resulted in the insertion of a thiazide diuretic without emesis. The therapeutic scheme has not yet been conclusive, as we are in the first cycle, however the improvement of blood circulation, color and pain in the lower limbs is notorious. More effective breathing pattern due to increased oxygen saturation, normalization of the glycemic index, control of anxiety and food intake, greater willingness to perform activities of daily living. Keywords: Alzheimer, ozone therapy, ozone, care, nursing 442
RELATO DE CASO O envelhecimento da população no Brasil e no mundo é um fenômeno bastante discutido por seu impacto e consequências diretas no sistema de saúde e perfil das doenças. Um dos principais resultados do crescimento desta parcela da população é o aumento na incidência de demências, especialmente, a doença de Alzheimer.O ozônio pode atravessar a barreira hematoencefálica para atacar patógenos de todos os tipos que danificam as células gliais neurais. O objetivo deste trabalho foi relatar um caso clínico sobre a aplicabilidade da ozonioterapia em um paciente com a da Doença de Alzheimer. Trata-se da J. S, 77 anos de idade, sexo feminino, cor parda, pedagoga, viúva, aposentada e pensionista, católica, natural de Belo Horizonte, MG. Atualmente reside com a filha e 02 netos. O início dos sintomas de Alzheimer surgiu há 25 anos após o marido sofrer um AVE tornado-se um dependente total e nos últimos 15 anos a depressão se agravou com o falecimento do marido. Foi encaminhada pelo médico geriatra, sem internações prévias em decorrência a patologia em questão. Os antecedentes patológicos descrevem que fez cirurgia de varizes, mamoplastia, abdominoplastia, tratamentos estéticos. Portadora de hipertensão arterial e depressão. Nega uso de álcool, tabaco ou outras drogas. Atualmente, apresenta compulsão alimentar devido à ansiedade, incontinência urinária e fecal, perda de memória recente, mobilidade restrita. Refere algia e is443
quemia nos MMII. Sono preservado. Aparência tranquila, apesar de Joana relatar episódios de agitação, nervosismo. Esquece dos períodos que realiza sua alimentação, o qual faz repetições desordenadas de sua ingesta alimentar. Quando iniciou o tratamento com a ozonioterapia ela apresentou se pré-diabética, com exame de glicose de 110 mg/dl em jejum. Na anamnese a paciente apresentou episódio emético associado com crise hipertensiva, orientada a fazer uso do óleo ozonizado oral e reavaliação cardiológica que teve como resultado a inserção de diurético tiazídico e sem êmese. A primeira sessão foi realizada a concentração de 15 e volume de 100 mg. Após pesquisar e discutir o caso, seguiu-se de 1 a 5 sessões concentração de 35 µg e volume de 150 mL, 6 a 10 sessões concentração de 40 µg e volume de 200 mL, 11 a 15 sessões concentração de 40 µg e volume de 250 mL, 16 a 20 sessões concentração de 40 µg e volume de 300 mL. Fazer intervalo de 60 dias e repetir o ciclo. São 3 ciclos, no terceiro ciclo fazer intervalo de 120 dias. O esquema terapêutico ainda não foi conclusivo, pois estamos no primeiro ciclo, entretanto é notória a melhora da circulação sanguínea, coloração e algia dos MMII. Padrão respiratório mais eficaz por conta do aumento da saturação de oxigênio, normalização do índice glicêmico, controle da ansiedade e ingestão de alimentos, maior disposição na realização de atividades de vida diária.
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Aplicabilidade da ozonioterapia no tratamento de fistulotomia Applicability of ozone therapy in the treatment of fistulotomy Elisângela Matos Tôrres 1; Luciana Della Barba 2; Edna Alves da Cruz 3 1-Mestre na Área do Cuidar no Desenvolvimento Humano pela UFBA. Esp. em UTI. 2-Enfermeira Esp. em Dermatologia. Araçatuba SP 3-Enfermeira Oncológica e Hiperbarista. Esp. em Saúde Quântica. São Paulo/SP/Brasil.
Autor para correspondência: lisozonio@gmail.com RESUMO A fístula anorretal ou anal é uma comunicação anormal entre o reto ou canal anal e a região externa do ânus, nádega ou períneo. A principal causa é a infecção das criptas anais (pequenos orifícios que abrigam glândulas no canal anal), levando a formação de abscessos e perpetuação do processo infeccioso.O objetivo deste é apresentar a eficácia da ozonioterapia na cicatrização pós-cirurgia, decorrente do procedimento de fistulotomia. Palavras-chave: ozonioterapia, ferida, fístula, enfermagem 445
ABSTRACT The anorectal or anal fistula is an abnormal communication between the rectum or anal canal and the external region of the anus, buttock or perineum. The main cause is the infection of the anal crypts (small holes that house glands in the anal canal), leading to the formation of abscesses and perpetuation of the infectious process. The objective of this is to present the effectiveness of ozone therapy in post-surgery healing, resulting from the fistulotomy. Keywords: ozone therapy, wound, fistula, nursing INTRODUÇÃO A fístula anorretal ou anal é uma comunicação anormal entre o reto ou canal anal e a região externa do ânus, nádega ou períneo. A principal causa é a infecção das criptas anais (pequenos orifícios que abrigam glândulas no canal anal), levando a formação de abscessos e perpetuação do processo infeccioso. OBJETIVO O objetivo deste é apresentar a eficácia da ozonioterapia na cicatrização pós-cirurgia, decorrente do procedimento de fistulotomia. Paciente D.L.F., idade 36 anos, do gênero feminino, branca, solteira, colaboradora no rancho Estância Santa Helena, com renda familiar de 1 salário mínimo, natural de Araçatuba SP. Atualmente recebendo o 446
benefício de licença médica do INSS. A queixa principal foi algia intensa local, apresentava-se ansiosa durante a anamnese, lúcida, orientada, corada, eupneica, afebril, normotensa, boa expansibilidade torácica, bulhas normofonéticas em dois tempos, sem sopros. Abdome globoso, indolor à palpação. Extremidades perfundidas e aquecidas. Ferida localizada na região anal, no lado esquerdo do glúteo, classificada com bordas empalidecidas, com odor fétido e grande quantidade de exsudato purulento. TRATAMENTO O plano terapêutico foi BAG, hidrozonioterapia, aplicação tópica de óleo Ozonizado. Da 1ª a 19ª sessões, foram utilizadas dosagens de 40 mcg/mL para tratar a infecção e a partir da 20ª sessão, com o surgimento do tecido de granulação, foram utilizadas dosagens de 20 mcg/mL. O início ocorreu dia 06/08/2018 e o término foi 29/10/2018, foi prescrito 20 sessões mas para finitude do tratamento foi acrescido mais 24, totalizando de 44 sessões, as primeiras 3 sessões por semana depois duas sessões. No início deste tratamento existia uma lesão infeccionada, de odor forte, com muita dor local, evacuações realizadas sem o controle da paciente, muito constrangimento. Na primeira semana a paciente já referiu melhora das sensação álgica e odor. Na segunda semana ainda tinha drenagem de exsudato e a partir da 3ª semana o tecido de granulação já foi visualizado. Mantendo as sessões com 447
Figura 2: surgimento de tecido de granulação na segunda semana de tratamento
Figura 1: primeira semana do tratamento com paciente referindo alĂvio da dor e do odor 448
Figura 3: aumento gradativo do tecido de granulação a partir da quarta semana de tratamento
Figura 4: evolução gradativa da cicatrização
as técnicas já descritas, a regeneração tecidual foi cada dia mais expressiva e na 44ª sessão houve o fechamento completo da lesão. O processo de cicatrização de uma fístula anal ocorre gradativamente, eliminando primeiramente toda a infecção, para depois dar início ao surgimento de tecido de granulação e cicatrização completa.
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Figura 5: cicatrização completa na 44a sessão
Ozonioterapia no tratamento de psoríase: relato de caso Ozone therapy in the treatment of psoriasis: case report Karolina Rodrigues Costa Leite Porto Enfermeira IESMT
Autor para correspondência: krodriguesp@hotmail.com RESUMO Paciente com placas de psoríase há 8 anos na região dos cotovelos. O tratamento planejado incluiu as vias da autohemoterapia menor, insuflação e curativos com água ozonizada e óleo de girassol ozonizado. Palavras-chave: enfermagem, doença auto-imune, ozonioterapia ABSTRACT Patient with psoriasis plaques for 8 years in the elbow area, the patient never underwent specific treatment for the condition. The planned treatment included the minor auto-hemotherapy pathways, insufflation and dressings with ozonated water and ozonized sunflower oil performed in the office. Keywords: Nursing, autoimmune disease, ozone therapy 450
HISTÓRICO Paciente masculino, 42 anos, casado, com suporte de rede familiar na mesma cidade em que habita, Cuiabá -MT, engenheiro do trânsito (profissão), relata o histórico patológico: sem internações ou tratamento de qualquer comorbidade, paciente é ativo nas atividades físicas realiza corrida duas a três vezes por semana e pilates duas vezes por semana, sua alimentação é regular prefere carnes, arroz, feijão e tem consciência que pode melhorar a ingesta de frutas, verduras e legumes. Possui espiritualidade e é ativo na sua prática, seu sono está preservado, nega alergias alimentares ou a medicamento, não é tabagista, nem etilista. Passou por uma reeducação alimentar para redução de peso há quatro anos e vem mantendo com as atividades físicas. Queixa principal: placas de psoríase há 8 anos na região dos cotovelos, o paciente nunca realizou um tratamento específico para a patologia. DIAGNÓSTICO No exame físico os parâmetros dos sinais vitais se apresentaram em taxas satisfatórias e dentro da normalidade para a idade do paciente, o exame céfalo caudal diagnosticou que as regiões do crânio, face, pescoço e tireoide não apresentaram alterações, abdome plano, membros superiores preservados, diagnosticado presença de placas eritematosas escamosas na região de ambos cotovelos. Sendo o cotovelo direito o primeiro a apresentar a placa em 2012 451
e três anos depois em 2015 surgiu no esquerdo. Neste ano de 2020 iniciou placa eritematosa no dorso da mão direita, membros inferiores preservados e sem alterações. TRATAMENTO E EVOLUÇÃO O tratamento planejado incluiu as vias da auto-hemoterapia menor (uma vez por semana), insuflação retal (três vezes por semana) e curativos com água ozonizada e óleo de girassol ozonizado realizados estes no consultório. O primeiro ciclo de auto-hemoterapia menor se totalizou em seis sessões onde foi realizada uma vez por semana com inicio de 10 mcg de forma crescente até atingir a mcg de 25mcg. O primeiro ciclo da insuflação retal totalizou quinze aplicações, realizadas três vezes por semana, iniciado com 15 mcg crescente até atingir 35 mcg. O curativo em consultório: gaze embebida com água ozonizada/40mcg por 5 minutos, três vezes por semana seguida de óleo ozonizado. Para uso home care foi indicado o uso tópico do óleo de girassol ozonizado duas vezes ao dia. Na terceira semana relata o paciente que a coceira e desconforto nas placas desapareceram, constatei a diminuição da placa eritematosa e iniciado o processo de regeneração da pele afetada por ela, após a totalização do primeiro ciclo foi realizado um intervalo de 45 dias no tratamento e iniciado o segundo ciclo que está sendo de manutenção com a auto-hemoterapia menor uma vez por semana. 452
CONCLUSÃO Por se tratar de uma terapia complementar a ozonioterapia neste caso se fez única já que o paciente não faz uso de nenhum tratamento farmacológico, sendo assim a responsável pela cura e regeneração completa do local afetado pelas placas eritematosas atingindo o principal objetivo que é tratar a psoríase, proporcionando melhor qualidade de vida ao paciente devido a melhora da oxigenação tecidual, imunomodulação e propriedades anti-bactericidas e anti-fúngicas.
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Ozonioterapia como tratamento coadjuvante no carcinoma basocelular Ozone therapy as a coadjuvant treatment in basocellular carcinoma Elisângela Matos Tôrres 1; Edna Alves da Cruz 2 1- Mestre na Área do Cuidar no Desenvolvimento Humano pela UFBA. Esp. em UTI. 2- Enfermeira Oncológica e Hiperbarista. Esp. em Saúde Quântica. São Paulo/SP/Bras.
Autor para correspondência: ednaalves510@gmal.com RESUMO O objetivo foi descrever um relato de experiência da eficácia do uso tópico de ozonioterapia (água ozonizada e óleo ozonizado) como terapia coadjuvante com PHMB na redução do tempo de cicatrização, redução carga bacteriana e melhor qualidade de vida em paciente com carcinoma basocelular. Palavras-chave: câncer, ozônio, enfermagem, carcinoma, cuidado. ABSTRACT The objective was to describe an experience report of the effectiveness of the topical use of ozone therapy (ozona454
ted water and ozonated oil) as adjunctive therapy with PHMB in reducing the healing time, reducing bacterial load and better quality of life in patient with Basal Cell Carcinoma. Keywords: cancer, ozone, nursing, carcinoma, care. INTRODUÇÃO O câncer de pele pode surgir em qualquer idade, mas é a partir dos 60 anos que atinge o maior número de pessoas, sendo que os tipos mais comuns de tumor maligno de pele são: o carcinoma basocelular (CBC), seguidos do carcinoma espinocelular (CEC) e do melanoma. OBJETIVO O objetivo foi descrever um relato de experiência da eficácia do uso tópico de ozonioterapia (água ozonizada e óleo ozonizado) como terapia coadjuvante com PHMB (polihexanida) na redução do tempo de cicatrização, redução carga bacteriana e melhor qualidade de vida em carcinoma basocelular. HISTÓRICO H.M. / Idade – 73 anos / Sexo – M / Cor – Branca/ Escolaridade – Primário / Estado civil – Casado / Ocupação – Empresário/ Renda familiar - Ignorado Religião – Católico / Naturalidade – RS. Trabalhou por 21 anos, ficando muito exposto ao sol. Nega tabagismo, hipertensão, dia455
betes ou outras doenças crônicas. Com lesão cutânea em membro inferior esquerdo há um ano, após trauma em jogo de futebol. Fazia uso de medicamentos anti-inflamatórios e analgésicos (Torsilax) e fez uso tópico de Phytoscar (fitoterápico). Há 17 anos aproximadamente descobriu uma Leucemia Linfocítica Crônica (LLC) e desde essa época até hoje realizou de 2 a 3 quimioterapia por via oral. Aproximadamente 8 anos atrás foram realizadas 25 a 30 sessões radioterapia no tumor na pele da cabeça. Teve tumor de pele no braço o qual foi realizado na época cirurgia. Em 28/09/18 foi realizado cirurgia no tumor de pele do nariz. Antes do estudo eram necessárias trocas diárias de curativo devido o exsudato abundante e a presença queixa álgica importante. TRATAMENTO Optou-se pela modificação de conduta, após avaliação da enfermeira, preparo do leito da lesão com lavagem de água ozonizada, curativo não aderente com polihexanidabiguanida gel. Em 72 horas foi observado uma melhora no leito da lesão com diminuição do exsudato na cobertura e um melhor controle álgico. Presença de exsudato seropurulento. Foi realizado desbridamento mecânico após 5 sessões de lavagem com água ozonizada. Cobertura tópica com curativo não aderente com polihexanidabiguanida gel e creme de barreira com óleo ozonizado. Baseado nas evidências científicas do processo de enfer456
magem e da avaliação do enfermeiro estomaterapeuta foi elaborada sistematização da assistência. O tratamento utilizou a água ozonizada, óleo ozonizado e PHMB em gel (polihexanida). A primeira sessão foi no dia 12/10/2018 e a última dia 02/11/2018. O tratamento demonstrou eficácia e relatamos como diagnósticos de enfermagem presentes, imagem corporal, controle da dor, tratamento das lesões e da infecção. Entre as prescrições de enfermagem, destacamos: ajudar o paciente a separar aparência física de sentimentos de valor pessoal, conforme apropriado; realizar uma avaliação completa da dor; investigar o conhecimento do paciente e suas crenças em relação à dor e cuidados de feridas (desbridamento, terapia antimicrobiana phmb gel; cobertura tópica com barreira óleo ozonizado e PHBM gel (polihexanida) no leito da lesão; determinar as expectativas do paciente quanto à imagem corporal; conviver com a lesão.
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Ozonioterapia e associações como terapêutica na gengivoplastia, uma visão integrativa Ozone therapy and associations as therapeutic in gingivoplasty, an integrative view uciana Modesto Loureiro Storck Profissional autônomo Dentista, Mestrado em Patologia Tropical Coordenadora Acadêmica da Pós-graduação Faserra – Instituto de Ensino Superior Blauro Cardoso de Matos – Serra – ES – Brasil Coordenadora do Curso de Pós-graduação Latu sensu em Harmonização Oro Facial Faserra – Instituto de Ensino Superior Blauro Cardoso de Matos – Serra – ES – Brasil
Autor para correspondência: lucianamodestorck@gmail.com Resumo Palavras-chave: ozonioterapia, gengivoplastia, odontologia biológica Abstract Keywords: ozone therapy, gingivoplasty, biological dentistry
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HISTÓRICO A aparência gengival desempenha papel importante na estética do sorriso e pode vir a influenciar a relação do indivíduo na sociedade. A gengivoplastia é uma técnica cirúrgica minimamente invasiva para correção do sorriso gengival. Na cirurgia odontológica o ozônio tem sido proposto como uma alternativa antisséptica, anti inflamatória e imunomoduladora. O ozônio quando utilizado em cirurgias bucais, contribui no processo de reparo através do estímulo à vascularização e maior oxigenação local. A água ozonizada foi utilizada como agente irrigante durante todo procedimento reduzindo a ocorrência de complicações infecciosas após a cirurgia. Este estudo teve por objetivo relatar um caso clínico de harmonização estética do sorriso com abordagem multidisciplinar integrada, envolvendo cirurgia plástica periodontal e ozonioterapia. Achados em exame físico e diagnóstico O presente caso clínico foi realizado em uma paciente do gênero feminino A C L P, 14 anos de idade. Ao exame clínico apresentava sondagem gengival de 2 a 3 mm presença de coroa clínica curta comprometendo a estética do sorriso. Foi solicitado exames de sangue e imagem (radiografia), Indicamos uma suplementação com ativos anti-inflamatórios, antioxidantes e reparadores. TRATAMENTO E EVOLUÇÃO Durante o transoperatório optou-se pelo uso da ozonio459
terapia em duas formas tópicas, água e óleo ozonizados, além da aplicação interna do gás em baixas concentrações como estímulo biomodulador e em altas concentrações, como ativo antimicrobiano. O tecido gengival de proteção foi removido e a superfície dental submetida à raspagem e alisamento radicular. Concluída essa etapa, o tecido gengival foi suturado (nylon monofilamento 5.0) de modo a posicionar a margem gengival ao nível da junção amelocementária, proporcionando assim o novo contorno gengival. Concluída a cirurgia, foi aplicada sobre a área óleo ozonizado e realizada a prescrição pós-operatória de analgésico e indicação do óleo ozonizado três vezes ao dia (Dipirona sódica 500 mg/ óleo ozonizado Ozone & Life), bem como cuidados locais. Nenhum efeito colateral ou prejuízo a paciente foi observado após as terapias combinadas. A cicatrização se deu sem complicações. A sutura foi removida após 10 dias. CONCLUSÃO A terapêutica adotada mostrou-se eficaz como alternativa acessível de tratamento, permitiu melhor equilíbrio da harmonia estética do sorriso e a satisfação do paciente. Procedimentos cirúrgicos aliados a ozonioterapia têm proporcionado resultados satisfatórios, tornando a ozonioterapia um instrumento indispensável na clínica diária do cirurgião dentista.
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Utilização de gás ozônio associado a concentrado sanguíneo plaquetário autólogo (tipo fase líquida) Use of ozone gas associated with autologous plaquetary blood concentrate (liquid phase type) Margarida Maria Guimarães Campos¹ 1- Profissional Autônomo, esp. em Prótese Dental-Divinópolis/Minas Gerais/Brasil. Autor para correspondência:
Autor para correspondência: espacoozoniocare@gmail.com RESUMO Tratamento com uso complementar de gás ozônio O3/O2 e I-PRF. Paciente CGC, sexo masculino, idade 52 anos, leucoderma, em atividade física moderada , peso e altura de acordo com idade. Queixa perda de cabelos, alopécia da idade, ligada também a estresse oxidativo. Tratamento associando, mistura gasosa de O2/O3 e sessões de I-PRF, para repilação de alopécia. Foram feitas 10 sessões tópicas na região, e em conclusão tivemos um bom repilamento capilar e satisfação do paciente. Palavras-chave: ozônio, concentrado plaquetário , alopécia, I-PRF 461
ABSTRACT Treatment with complementary use of ozone gas O3 / O2 and I-PRF. CGC patient, male, age 52 years, white, in moderate physical activity, weight and height according to age. Complaints of hair loss, age alopecia, also linked to oxidative stress. Combining treatment, gas mixture of O2 / O3 and sessions of I-PRF, for the repilation of sexrelated alopecia. 10 topical sessions were made, and in conclusion we had a good capillary repilation and patient satisfaction Keywords: ozone, platelet concentrate, alopecia, I-PRF HISTÓRICO Conheci a ozonioterapia ,pela via de aprendizagem da Odontologia Integrativa. Na busca por entender e melhorar a HOF (especialidade da odontologia), a importância da modulação hormonal fisiológica, ortomolecular. Ademais, por ter percebido que no Brasil a odontologia, já aprovava e autorizava o uso em sua área de atuação. A habilitação veio na sequência- 2018 (MEC, CFO). Neste processo tivemos aplicação e treinamento em calva, faces e intra oral e extra oral. EXAME FÍSICO E DIAGNÓSTICO Paciente parcialmente calvo sem, histórico de doenças sistêmicas, sem alergias relatadas. Diagnóstico de alopecia intermediária ligadas a idade e ao sexo masculino e 462
características genéticas. TRATAMENTO E EVOLUÇÃO Paciente CGC, sexo masculino, idade 52 anos, leucoderma, em atividade física moderada, peso e altura de acordo com idade. Queixa principal perda de cabelos, alopecia de idade, ligada também a estresse oxidativo. Todas as sessões são iniciadas com a antissepsia da área de aplicação e isolamento por meio de elásticos da região dos olhos, quando do uso do gás ozônio; buscando contenção e proteção. As aplicações têm intervalos de 7 dias e, quando usamos os concentrados plaquetários, associados ou não a mistura de O2 e O3, mínimo de 14 dias entre sessões. Primeira aplicação de I-Prf (concentrado sanguíneo plaquetário, em fase líquida; em dez 2018, em toda região da calvície parcial ; Segunda sessão aplicação de Ozônio em 10 a 15 pontos, na área com calvície parcial, volume total de 28 mL a 5 mg (O2/O3). Queixa de inchaço pelo paciente que relatou que o gás, mesmo com nossa observância em conter o gás com o uso de elásticos, aumentou por edema a região perio e supra orbitária, mas sem grandes complicações. Terceira sessão e as seguintes, no total de 10 sessões. Na área determinada pela área calva, e o feedback do paciente mantivemos em 10 mL a 5 microgramas as sessões seguintes (total de 10 sessões tópicas). Nada relatado de 463
dor, inchaço ou outras intercorrências . As aplicações com I –PRF, foram feitas após coleta sanguínea e centrifugação das células voltadas a reparo e defesa (plaquetas e células brancas)feita em 2 sessões; e com auxílio de “triway” foi feita a mistura deste concentrado ao ozônio( O2/O3). E a injeção realizada de imediato em 10 pontos distribuídos na região afetada, com distância de 1 a 2 cm entre os pontos. Este paciente recebeu a orientação de usar o “NAAR” que é um composto de fácil comercialização e que ajuda a promover a melhora de meio interno para meio externo, como um suplemento, com indicação para melhoras de pele, capilar e de unhas. Orientação também de uso de fenasterida 1,00 mg, 1 comprimido por dia, durante o tempo de tratamento. Preferiu, no entanto, usar a biotina manipulada. Também recomendei o uso de minoxidil a 10% na região, uso de óleo de coco (uso tópico) , e uso de shampoos que favorecessem o crescimento e repovoamento capilar da região .Foi orientado a tomar sol, alimentação balanceada e exercitação física moderada, controle do estresse. Ao final fizemos 6 aplicações de ozônio retal, para otimizar a parte sistêmica. CONCLUSÃO Como conclusão deste tratamento tivemos uma repilação considerável, e também a melhoria dos fios e bulbos 464
capilares que povoavam a região estimulada pelo gás ozônio (O2/O3) e I-PRF. Na aplicação local não houve nenhum relato de intercorrência. Apenas na aplicação retal, após cerca de um mês uma dor, inespecífica foi notada. Mas ao ser investigada por especialista gastroenterologista, nenhum mal foi identificado. Tratou com dimeticona, sem outros relatos. Foi notada grande melhora no aspecto geral dos cabelos, aumento de número de fios do crescimento geral, evitando assim um enxerto capilar (cirúrgico) pelo resultado obtido.
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