Barreira Fluxo Permanência Passagem

Page 1

elemento urbano

PAULO M. DE M. DE PICOLI

BARREIRA FLUXO PERMANÊNCIA PASSAGEM

1


2


Centro Universitรกrio Estรกcio Uniseb Bacharelado em Arquitetura e Urbanismo Paulo Marinho de Mello de Picoli Orientadora Ana Machado Ferraz Ribeirรฃo Preto 2018 3


4


SUMÁRIO INTRODUÇÃO

..................................................................................9

CAPÍTULO 1. A CIDADE - AS ESCALAS MACRO E MICRO 1.1 A Cidade e a Dimensão Humana..........................................................15 1.2 Acupuntura Urbana / Urbanismo Tático..................................................19 1.3 Mobiliário Urbano e Microarquitetura.....................................................23 1.4 Laboratórios Urbanos: Centro Aberto / Casa Fora de Casa.......................26

CAPÍTULO 2. ATIVAÇÕES URBANAS.

LEITURAS PROJETUAIS

2.1 BMW Guggenheim Lab_Atelier Bow Wow.............................................66 2.2 Pavilhão do Brasil em Milão_Arthur Casas e Marko Brajovick.....................70 2.3 Festival Center Murau_Fattinger Orso......................................................74 2.4 Flederhaus_Heri&Sali...........................................................................78 2.5 Taiwan Cafe_Sou Fujimoto....................................................................82 2.6 Serpentine Gallery_Sou Fujimoto............................................................86 2.7 Branden Bus:Stop_Sou Fujimoto.............................................................90 2.8 Final Wooden House_Sou Fujimoto........................................................94 5


6


CAPÍTULO 3. SITUAÇÕES URBANAS E EQUIPAMENTO 3.1 Áreas de Intervenção......................................................................100 3.2 Leitura Morfológica.........................................................................104

CAPÍTULO 4. O ELEMENTO 4.1 Conceito x Partido..........................................................................118 4.2 Implantação Inicial..........................................................................122 4.3 Implantação Final............................................................................126 4.4 Ferramentas....................................................................................132 4.5 Plantas Técnicas..............................................................................148 4.6 Imagens.........................................................................................152

CAPÍTULO 5. REFERENCIAS 5.1 REFERENCIAL TEÓRICO...................................................................174

7


8


INTRODUÇÃO Para compreendermos de fato o que o mobiliário urbano significa para o espaço público e qual é o limite que o tangencia da arquitetura, é inevitável questionarmos algumas escalas que permeiam este discurso desde a escala Macro (cidade/Estado/País) até a Micro (Ser humano). A escala Micro por sua vez está presente em todas as escalas pois, é a partir dela que todas as outras escalas são planejadas e executadas. (Jan Ghel) Dessa maneira o objeto a ser estudado será o que está mais próximo da escala Micro porém atinge as escalas Macros a partir de seus possíveis conjuntos ou dimensões: o Mobiliário Urbano. Porém quando falamos sobre mobiliário, há um grande consenso de que este objeto de estudo se resuma somente aos elementos padrões que compõe e estruturam a cidade como postes de iluminação, bancos, placas, sinaleiros entre outros. Por um lado, este consenso não está equivocado, contudo é necessário ampliarmos esta discussão a fim de estruturar ou compor o ambiente urbano com elementos que consigam transcender os limites e propor novas discussões ou percepções assim como novas utilizações aos espaços urbanos. Mediante a este “pré-conceito” quando citamos mobiliário, é que ao longo do trabalho tenha referência como elementos urbano, dessa maneira, o entendimento sobre a discussão da proposta é ampliada e melhor compreendida. É com esta necessidade de discussão que o trabalho seguirá com o caminho de discutir primeiramente intervenções utilizando desses elementos de escala micro em um contexto Macro, com isso passaremos a discutir como e porque são interessantes estas discussões. E então, a partir destas pesquisas, discutiremos de fato o elemento e seus limites. Dessa maneira o objeto a ser estudado será o que está mais próximo da escala Micro porém atinge as escalas Macros a partir de seus possíveis conjuntos ou dimensões: o Mobiliário Urbano. 9


Dessa maneira, a conclusão deste trabalho será por meio de uma proposta de um elemento urbano, composto por peças modulares, que consiga discutir os itens apresentados e agregue as intenções de melhorias nos espaços implantados. Trazendo maior significado aos espaços que foram negligenciados pelo planejamento urbano devido a sua topografia, tratando-os como barreiras. Outra característica desta proposta é a possibilidade de criar um projeto intinerante, ou seja, o projeto não será idealizado somente para uma área, um bairro, uma cidade. A intenção é que a partir do perfil de área traçado, este elemento possa ser implantado em outros locais. O perfil de área escolhido será em vazios urbanos e áreas verdes devido a escala do projeto, permitindo maior flexibilidade de implantação e desenvolvimento, assim como conseguir possibilitar maior eficiência da proposta discutida em uma área em que não havia nenhuma – proposta. As áreas de vazios urbanos e áreas verdes deverão ter um padrão de topografia acentuada para que o desenho do objeto consiga ser implantado sem grandes alterações e que consiga propor seu objetivo. A escolha para este tipo de área é propor uma ligação entre as áreas que esta topografia “corta”, então por meio do projeto, conseguiríamos integrar as áreas e também propor atividades que antes eram impossibilitadas. Criando espaços que eram considerados barreiras para que tenham fluxo ou que antes se permaneciam para se tornarem também passagens.

10


Cresswell, Tim. Place: A short introduction.

Espaço tem sido visto como uma distinção de lugar, como uma área sem significado (…). Quando seres humanos atribuem significado ao espaço, e de alguma maneira tornam-se conectados a ele (a atribuição de um nome é um exemplo), este espaço torna-se ‘lugar’. Apesar desse dualismo dos conceitos de espaço e lugar estar presente na geografia desde a década de 70, ele tem sido confundido com a ideia de espaço social – ou o espaço produzido pela interação social – o qual em muitos aspectos tem o mesmo papel de ‘lugar’.

11


CAPÍTULO 1.

A CIDADE - AS ESCALAS MACRO E MICRO

12


13


Figura.1 - Preferências de espaços públicos dos usuários Fonte: “A Cidade para Pessoas” - Jan Gehl

14


A Cidade e a Dimensão Humana Quando consideramos o planejamento urbano, a dimensão humana é uma escala por vezes é esquecida e negligenciada, enquanto outros itens possuem maior atenção perante ao projeto como o tráfego de veículos. Essa ideologia, fortemente trabalhada principalmente no modernismo, fizeram com que as áreas de pedestres nos espaços públicos fossem de baixa prioridade. Este processo ocasionou uma mudança nas inter-relações e espaços comuns da cidade, mudando o foco para edifícios individuais. Dessa maneira, os pedestres contam com uma infraestrutura maltratada e cheia de problemáticas como risco de acidentes, proporcionando um espaço sem atrativos que antes havia função de locomoção, cultural e social em ambientes cada vez menores e descartados nestes planejamentos. Dentro dessa perspectiva Jan Gehl acredita que um planejamento preocupado com os pedestres reforça quatros objetivos chaves: vitalidade, segurança, sustentabilidade e saúde. Uma cidade com vitalidade é ocasionada por meio do sentimento de convite ao pedestre vivenciar o espaço seja para caminhar ou permanecer. Com a mesma base é possível reforçar a segurança da cidade, uma vez que ela esteja movimentada por pessoas utilizando seus espaços. A partir deste comportamento de pertencimento ao espaço surgem os outros dois objetivos: sustentabilidade e saúde. Tendo em vista a mobilidade dos pedestres por si só – entenda como deslocar-se a pé ou de bicicleta – ou por transporte público, proporcionam aspectos relacionados a sustentabilidade uma vez que a poluição deixaria de ser excessiva e os próprios cidadãos se tornariam mais saudáveis com as atividades diárias.

15


Para Jan Gehl, a maneira como se propõe as atividades e interações na cidade moldam os cidadãos assim como o inverso também é verdadeiro. Ele cita vários acontecimentos em diferentes cidades para realizar a prova desta afirmação. Uma dessas cidades foi São Francisco que teve uma de suas principais vias de tráfego fechada devido a um terremoto, e ao invés de gerar um transtorno de tráfego, os usuários logo se adaptaram a um novo deslocamento, e ao contrário do que estava previsto no projeto, foi construído um bulevar com bondes, amplas calçadas e árvores. Outra cidade citada é Londres, a qual instituiu um pedágio urbano em dos percursos que levava ao centro. O efeito dessa medida foi a redução imediata do volume de veículos, uma medida audaciosa, porém com uma proposta muito interessante, a partir desta arrecadação, o transporte público na área desenvolve-se, melhorando a experiência do usuário. A mudança do espaço do tráfego para o pedestre não é a única solução para desenvolvermos um novo uso, espaços que possuem a potencialidade de ser usufruído com diversas atividades como caminhar ou permanecer, podem ser feitos com mínimas alterações que agregam valor a este espaço como por exemplo um novo desenho para o mobiliário urbano, plantação de árvores que criem sombras durante o dia e embelezam a noite. São algumas das possibilidades de alterações voltadas a dimensão humana que possibilitam alterações de uso, movimento e atividades no local. O exemplo citado por Gehl é o porto de Aker Brygge, em Oslo, o qual teve mudanças simples como a melhoria nos bancos. Apesar das mudanças que o espaço urbano pode sofrer quando pensado para a dimensão humana, a mesma pode ser um aspecto que tangencia entre vários outros, ou seja, a dimensão humana permeia todas as escalas, pois entre essas escalas sempre está presente o pedestre, o ser humano, o cidadão. E este não é só capaz de tornar os espaços úteis e com atividades, é também um principal aspecto no que se refere a questão de atividades sociais e recreação, pois o que torna o lugar especial é justamente os acontecimentos inerentes a imprevisibilidade e espontaneidade, como conversas entre desconhecidos, bate-papos em mercados, rápidos cumprimentos. Atos que explicam esse interesse de lugares com pessoas influenciam ainda mais pessoas a utilizarem aquele lugar segundo Jan Gehl.

16


Gehl, Jan “Cidades para Pessoas”. Pág. 16

Assim como as cidades podem convidar as pessoas para uma vida na cidade, há muitos exemplos de como a renovação de um único espaço, ou mesmo a mudança no mobiliário urbano e outros detalhes podem convidar as pessoas a desenvolverem um padrão de uso totalmente novo

17


...uma manipulação arquitetônica cruzada do intelecto coletivo sensorial de uma cidade. A cidade é vista como um organismo energético sensível multidimensional, um ambiente vivo. A acupuntura urbana visa um contato com essa natureza. Sensibilidade para entender os fluxos de energia do chi coletivo sob a cidade visual e reagindo nos hot-spots deste chi. A arquitetura está em posição de produzir as agulhas de acupuntura para o chi urbano. Uma erva daninha vai enraizar na menor fenda no asfalto e, eventualmente, quebrar a cidade. A acupuntura urbana é a erva daninha e o ponto de acupuntura é o crack. A possibilidade do impacto é total, conectando a natureza humana como parte da natureza. Casagrande, Marco. Third Generation City. Pág. 6

18


ACUPUNTURA URBANA URBANISMO TÁTICO A acupuntura urbana é um termo cunhado pelo arquiteto e teórico social Marco Casagrande, e combina o design urbano com a tradicional teoria médica chinesa de acupuntura. Este método combina intervenções de pequena escala para transformar o contexto urbano em geral. Essa estratégia de uma medicina urbana visualiza as cidades como um organismo vivo e que respira, e necessita de áreas que precisam desse reparo. Vislumbra que os projetos sustentáveis são comparados as agulhas que revitalizarão o todo a partir de pontos específicos. Esta ideia vem a contrapor todo um pensamento de que quando se trata de planejamento, intervenção ou qualquer outra terminologia designada para projetos urbanos, antes necessários projetos grandiosos e que visavam somente o contexto geral. Inspirado neste pensamento Jaime Lerner acredita que algumas práticas da medicina poderiam e deveriam ser transpassadas para um planejamento urbano. Assim ao intervir em uma específica área, a mesma poderia desencadear uma reação adversa a situação em que se encontrava e também influenciar reações positivas não só na área de intervenção como em outras áreas.

19


Da mesma forma que a acupuntura urbana acredita que uma intervenção pontual é o início para conseguir sanar as problemáticas urbanísticas, o urbanismo tático é criado também para ajudar a sanar estas problemáticas porém de uma forma rápida, cooperativa e errante, ou seja, a partir de uma colaboração dos próprios habitantes que permanecem ou utilizam aquele ambiente, cooperam com possíveis intervenções que contribuam para espaço, além dessa cooperação, as táticas utilizadas são intervenções com baixo orçamento para que possibilite sua rapidez, trocando uma intervenção que visa ser mais permanente, e também sua correção. Caso a tática utiliza não consiga suprir as necessidades pretendidas, devido a maneira como foi instalada e seu baixo orçamento, é possível a correção sem ter utilizado todo orçamento. (LYNDON, 2012) Com isso, o urbanismo tático enfatiza o poder da discussão e experimentação, transformando as diretrizes do planejamento em um movimento bottom-up (de baixo para cima), onde os cidadãos, aqueles que vivenciam constantemente naquele espaço, se tornem os produtores do espaço. (DI SIENA, 2014) Desse modo, essas estratégias visam combater as imposições do planejamento urbano que traziam às cidades, como alertava Jane Jacobs, o que muitas vezes negligencia os espaços livres e públicos nas diretrizes projetuais.

20


LYNDON, Mike. Urbanismo tático 2, Pág.7-8.

O urbanismo tático é uma abordagem voluntária de construção de cidade que apresenta as seguintes cinco características, algumas delas sobrepostas: Uma abordagem voluntária e gradual para instigar a mudança; um processo de criação de ideias para os desafios do planejamento à escala local; um compromisso de curto prazo e de expectativas realistas; uma atividade de baixo risco com a possibilidade gerar recompensas elevadas; e o desenvolvimento de capital social entre cidadãos e a construção de capacidade institucional entre as organizações públicas, privadas, não luvrativas e ONG´s e os seus membros.

21


Figura.2 - Mobiliรกrios ou Microarquitetura Fonte: https://br.pinterest.com/pin/359091770274668110/?lp=true

22


MOBILIÁRIO URBANO MICROARQUITETURA Antes de entrarmos na discussão sobre os limites que tangenciam as definições de mobiliário, arquitetura e urbanismo, é importante entender a nomenclatura mobiliário, pois é uma discussão ativa e há vários pontos e contrapontos entre autores sobre esta definição. Um desses autores é Màrius Quitana Creus o qual afirma que a terminologia aplicada como mobiliário urbano é inadequada visto que esta nomenclatura vem da tradução de outras línguas como o Francês “mobilier urbain” e Inglês “StreetFurniture” o que relaciona diretamente com a concepção de decoração. Assim, o autor considera que decorar as cidades não é a principal função dos objetos como também possuem uma maior complexidade em sua função e entendimento. Com a mesma linha raciocínio, João Batista Guedes utiliza da terminologia “equipamento urbano” pois dessa maneira a expressão abrange maiores escalas que são destinados para o uso urbano. Da mesma forma trata a autora Maria Elaine Kohlsdorf contudo troca a expressão de equipamento por elemento, pois considera que o mobiliário urbano é parte integrante de elementos que complementam o espaço urbano. (Molina, 2012)

23


Além de autores, há normas e leis que descrevem o que podemos considerar para determinarmos um mobiliário urbano, como a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) define: “todos os objetos, elementos e pequenas construções integrantes da paisagem urbana, de natureza utilitária ou não, implantados mediante autorização do poder público em espaços públicos e privados” (ABNT, 1986, Pág.1). Assim como na Lei 10.098/2000, a definição permeia pelo mesmo âmbito definindo como “conjunto de objetos presentes nas vias e espaços públicos, superpostos ou adicionados aos elementos da urbanização ou da edificação”. Consideramos então que qualquer objeto ou seu conjunto implantado em espaço público é considerado mobiliário urbano, ou como trataremos nesse trabalho de elemento urbano. (JOHN; REIS, 2010) Com base nessas duas definições trazidas pela ABNT e a Lei 10.098/2000, podemos tratar os elementos urbanos como microarquitetura considerando a escala trabalhada no objeto ou em seu conjunto. A definição de Microarquitetura ainda é precária tendo em vista que esta definição se confunde com a terminologia empregada no segmento de informática contudo é possível correlacionar o nome a sua proposta. Dessa maneira, a proposta da expressão trata-se de uma arquitetura de menor porte contudo considerando os seus três pilares: Uso, Forma e Tecnologia. Também podemos considerar que a percepção da escala desse objeto surge a partir da perspectiva em que observa, ou seja, se olharmos individualmente para as ferramentas utilizadas no urbanismo tático podemos considerar como escala humana ou de mobiliário, porém, ao observar sua proposta e relação com a cidade podemos também considerar este mesmo objeto como escala urbana ou da cidade. Dessa forma, a definição da escala do objeto é somente uma questão de perspectiva e não pelo seu tamanho físico.

24


LABORATÓRIOS URBANOS

25


CENTRO ABERTO

26


Figura.3 - Playground - Largo São Francisco/SP Fonte: Centro Aberto - experiências na escala humana

27


SP Urbanismo, Centro Aberto – Experiências na escala humana, 2015, Pág.2

28

A região central da cidade sofreu, ao longo da segunda metade do século XX, um processo de desvalorização simbólica e degradação de suas condições ambientais...Tal configuração espacial não apenas produz uma sensação de insegurança aos usuários, como não atende suas demandas e necessidades cotidianas.


É neste contexto em que o projeto Centro Aberto é criado, de maneira com que transforme os espaços preexistentes por meio da renovação de suas formas de uso. Este projeto não pretende criar novos espaços e somente a transformação. A promoção da diversificação das atividades com intuito de aumentar o envolvimento de pessoas é objetivo final para que se crie uma percepção de maior segurança e de pertencimento e identificação com os centros, especificamente, neste primeiro momento, com o centro de São Paulo. O processo do trabalho incluiu diversos profissionais juntamente com a população para criar um processo colaborativo e de maior efetividade. Foi organizado pela São Paulo Urbanismo, empresa pública responsável pelos projetos urbanos do município (SP Urbanismo,2015). E teve como participação especial do escritório dinamarquês Gehl Archictects. Mediante a todo levantamento de dados e estudo, foi proposto dois projetos pilotos: Largo São Francisco e Largo Paissandu, assim estes dois projetos serviram de teste para experimentação e comprovação da teoria. Para haver a comprovação de que as soluções eram viáveis e compatíveis a realidade, foram realizadas pesquisas antes e durante a intervenção. A pesquisa antes da intervenção considerou os seguintes fatores: Aumento de atividades, número de pedestres, menos travessias fora da faixa e entrevistas para entender quais os usos do local e a percepção de segurança. Já a pesquisa durante a intervenção foi avaliada a partir de duas perspectivas: Da cidade e do usuário. A primeira avalia de um ponto mais abrangente, verificando os problemas gerais e pontos específicos do local gerando informações para uma discussão assim como atividades ou itens que não foram previstos anteriormente.

29


Figura.4 - Largo São Francisco/SP Fonte: Centro Aberto - experiências na escala humana

Figura.5 - Largo São Francisco/SP Fonte: Centro Aberto - experiências na escala humana

Um dos pontos levantados para uma melhor operação, manutenção e conservação foi criação de uma equipe de apoio ao local dividida em quatro departamentos: Zeladoria, monitoria, operação do mobiliário portátil e apoio as equipes de campo. Estes departamentos garantem e contribuem para que a intervenção seja controlada e melhor usufruída, como limpeza, disponibilizar de forma organizada os equipamentos de utilidade pública além da administração das atividades para que todas tenham as mesmas oportunidades. O Centro Aberto concebeu um cardápio com ferramentas que podem ser utilizadas mediante a necessidade do local e que agrupadas potencializam as atividades, ou seja, podem ser utilizadas algumas opções que unidas darão maior força ao projeto ao invés de prejudicar. As ferramentas são:

30

Figura.6 - Largo São Francisco/SP Fonte: Centro Aberto - experiências na escala humana


FERRAMENTAS URBANISMO TÁTICO

Figura.7 - Caixa de Ferramentas Fonte: Centro Aberto - experiências na escala humana

31


Figura.8 - Caixa de Ferramentas Fonte: Centro Aberto - experiĂŞncias na escala humana

32


Figura.10 - Caixa de Ferramentas Fonte: Centro Aberto - experiĂŞncias na escala humana

33


Figura.11 - Caixa de Ferramentas Fonte: Centro Aberto - experiĂŞncias na escala humana

34


Figura.12 - Caixa de Ferramentas Fonte: Centro Aberto - experiĂŞncias na escala humana

35


Figura.13 - Caixa de Ferramentas Fonte: Centro Aberto - experiĂŞncias na escala humana

36


Assim a caixa de ferramentas sugere várias propostas que o projeto possa utilizar, e estejam de acordo com as três ações estratégias para ativação dos espaços urbanos: Proteção e priorização de pedestres, suporte à permanência e novos usos e atividades. Dessa forma, melhorar a acessibilidade e segurança dos pedestres com implantação de uma boa sinalização e espaços próprios a estas preocupações como ciclovias, faixa de pedestre. Também com a proposta condições de permanência mais adequados para o descanso e o lazer, e novas atividades a fim de criar um maior interesse ao uso da área.

37


OS PROJETOS PILOTOS

38


100 100

Figura.14 - Mapa Fonte: Centro Aberto - experiĂŞncias na escala humana

500 500

1000 1000

39


Figura.15 - Largo Paissandu antes Fonte: Centro Aberto - experiĂŞncias na escala humana

Figura.16- Largo Paissandu depois Fonte: Centro Aberto - experiĂŞncias na escala humana

40

ANTES

DEPOIS


LARGO PAISSANDU Data do projeto: 2014 Projeto de arquitetura: Martin Corullon, Gustavo Cedroni, Helena Cavalheiro, Isadora Marchi, Luís Tavares, Flávio Bragaia, Renata Mori, Marina Pereira, Camille Laurent, Marina Cecchi, Isadora Scheneider e Rafael de Sousa Área do terreno:6850 m² Paissandu; 2610 m² São Francisco Área construída: 759 m² Paissandu; 579 m² São Francisco

Para este local, foi concluído por meio das pesquisas a grande necessidade de melhorar os aspectos de acesso e permanência no local pois é uma área com intensa movimentação de transporte público ao seu redor, criando uma barreira para o espaço interior. Contudo, sua potencialidade de movimentação proporciona ao projeto tratar a experiência de mobilidade e espera do transporte público. Com isso, o projeto propôs situações de espera com qualidade proporcionados pela projeção de sombras, assentos e atividades. Além das melhorias na quadra, a intervenção foi realizado ao longo do trecho da Avenida São João com a implantação de faixas de pedestres em cruzamentos e pontos estratégicos, além de ampliar o canteiro antes utilizado como estacionamento de veículos, o local passou a ter um caráter de praça. 41


Figura.17- Largo São Francisco antes Fonte: Centro Aberto - experiências na escala humana

Figura.18- Largo São Francisco depois Fonte: Centro Aberto - experiências na escala humana

42

ANTES

DEPOIS


LARGO SÃO FRANCISCO Data do projeto: 2014 Projeto de arquitetura: Martin Corullon, Gustavo Cedroni, Helena Cavalheiro, Isadora Marchi, Luís Tavares, Flávio Bragaia, Renata Mori, Marina Pereira, Camille Laurent, Marina Cecchi, Isadora Scheneider e Rafael de Sousa Área do terreno:6850 m² Paissandu; 2610 m² São Francisco Área construída: 759 m² Paissandu; 579 m² São Francisco

Neste espaço foi consolidado atividades complementares ao do espaço Largo Paissandu, fornecendo suporte à permanência do espaço. Na proposta o objetivo foi atrair os usos de seu entorno para o interior da praça. Como foi identificado na pesquisa, a presença de crianças que utilizam o espaço era considerável foi proposto um playground dando condições, juntamente a boa iluminação, uma utilização durante a noite. Além do playground, as condições oferecidas pela inserção de mobiliário fixos ou portáteis em conjunto a paisagem reformulada, criaram um espaço de permanência agradável de grande aprovação dos usuários. Nesta intervenção, as principais mudanças foram relacionadas as atividades e apropriação do espaço, pois como é percebido na foto de antes, o local era restrito através das grades azuis, além de não proporcionar espaços convidativos para outras atividades como cinema e dança. Toda essa nova perspectiva tem como principal objeto o deck de madeira no lugar das antigas grades, é por meio dele e de seus desníveis as atividades ocorrem. 43


Figura.19- Largo SĂŁo Francisco Fonte: Centro Aberto - experiĂŞncias na escala humana

44


SP Urbanismo, Centro Aberto – Experiências na escala humana, 2015, Pág.2

A vida urbana depende das pessoas aivando o espaço público. Pedestres são uma parte fluida da cidade, dando vida aos espaços por um tempo determinado. Quanto mais tempo casa pessoa fica no espaço público, mais vida urbana é acumulada nestas áreas. Por isso, ofertar oportunidades para estar e conviver com outras pessoas torna-se muito importante para criar uma cidade mais acolhedora.

45


CAIXA DE FERRAMENTAS UTILIZADAS

46


Como pudemos notar, as duas intervenções apesar de estarem em locais diferentes, são parte da mesma intervenção em um eixo do centro da cidade de São Paulo, mesmo que o projeto venha trazer as três ações estratégicas, o mesmo discurso de priorização da escala humana, a caixa de ferramentas possui diversas soluções que podem ser utilizadas. Contudo, para estes dois projetos conseguimos identificar alguns pontos em comum tanto na utilização de materiais quanto de algumas ferramentas da caixa.

47


Figura.20 - Usuários pedindo informações Fonte: Centro Aberto - experiências na escala humana

Figura.21 - Container Fonte: Centro Aberto - experiências na escala humana

48


CONTAINER

O container apesar de ser um objeto comum hoje em dia na construção, faz parte de um importante ponto para a intervenção: Operação, manutenção e conservação. Já que o espaço é utilizado para realizar o armazenamento dos mobiliários portáteis assim como centro de administração e de informações sobre o espaço e atividades. O container é dividido em duas partes: a primeira para o armazenamento dos mobiliários, o segundo para a informação e funcionários que dão apoio ao local.

Figura.22 - Pessoas olhando as informações do mural Fonte: Centro Aberto - experiências na escala humana

49


Figura.23 - Largo SĂŁo Francisco/SP Fonte: Centro Aberto - experiĂŞncias na escala humana

50


DECK DE MADEIRA

O deck de madeira tem como principal objetivo criar espaços que possam possibilitar atividades que os usuários estiverem à vontade assim como proporcionar um poder de visão mais abrangente para seu entorno. Possibilita inclusive as atividades previstas na intervenção, como o cinema no Largo São Francisco. Essa microarquitetura, utiliza-se muito bem da topografia, criando níveis que geram tanto um espaço de permanência quanto de atividade.

51


Figura.24 - Largo SĂŁo Francisco/SP Fonte: Centro Aberto - experiĂŞncias na escala humana

52


MOBILIÁRIOS PORTÁTEIS BALIZADORES/ASSENTOS

Com a mesma estratégia que o aluguel de bicicletas, a intervenção prevê a utilização de cadeiras de praia e guarda-sol que podem ser retirados no contêiner. Utilizando de uma variação de cores, o mobiliário cria um ambiente colorido e alegre, aumentando a perspectiva do usuário em relação a renovação do espaço. Além de promover a segurança da via para não permita a invasão de veículos, servem como assentos informais para o usuário.

53


CASA FORA DE CASA

54


Figura.25 - Encontro 4 Fonte: Casa Fora de Casa

55


Figura.26 - Praça Wilson Valente Chaves Fonte: Casa Fora de Casa

Figura.27 - Praça Martim Cererê Fonte: Casa Fora de Casa

Wilson Valente Chaves

Martim Cererê

PRAÇA 56

PRAÇA


Figura.27 - Praça Bacião das Artes Fonte: Casa Fora de Casa

PRAÇA Bacião das Artes

Figura.28 - Praça Espaço Cultural Fonte: Casa Fora de Casa

PRAÇA Espaço Cultural

AS PRAÇAS ANTES

57


Figura.29 - Áreas de Intervenção Fonte: Casa Fora de Casa

58


AS PRAÇAS O projeto Casa fora de casa utiliza as estratégias do urbanismo tático por meio de “linguagens artísticas” para a criação de identidade ao local, assim estimula a apropriação da população aos espaços públicos. A primeira edição ocoreu no setor sul da cidade de Goiânia. A implantação ocorreu em 4 pontos de áreas verdes no bairro, são eles: Praça Wilson Valente Chaves Praça de Martim Cererê Bacião das Artes Praça Espaço Cultural O motivo pelo qual o projeto foi concebido com a intenção de provocar um pensamento que a cidade é a nossa casa, e dessa forma construir um posicionamento consciente sobre os espaços a fim de tornarem mais seguros e aprazíveis. A melhor maneira para atingir esses resultados é trazer a população como “agente principal e protagonista da mudança”, fomentando um olhar crítico e atitudes proativas. Antes de iniciar as atividades e propostas, foram realizados levantamentos para identificar os usos que são realizados nesses espaços assim como uma pesquisa sobre as impressões da população em relação a estes espaços.

59


1 Figura.30 - Schetcrawl Fonte: Casa Fora de Casa

3

5 60

Figura.31 - Reconhecer e criar Fonte: Casa Fora de Casa

4

Figura.32 - MultirĂŁo de limpeza Fonte: Casa Fora de Casa

Figura.34 - Apreciar Fonte: Casa Fora de Casa

2

Figura.33 - Fazer e brindar Fonte: Casa Fora de Casa


OS ENCONTROS Em cada uma das áreas foi realizado uma sequência de encontros que contribuísse ao final do processo, a concretização dos objetivos deste projeto. Foram realizados 5 encontros. A: Encontro 1 - encontro de desenho - Sketcrawl: este encontro proporcionou a realização de desenhos ao ar livre a partir da observação do ambiente. Promove o encontro de pessoas que gostam de desenhos, o intuito é a prática de observação e vivenciar o espaço. Por meio dos desenhos, os usuários tendem a observar os detalhes que antes era despercebido, aumentando o conhecimento em relação ao espaço B: Encontro 2 - Reconhecer e criar: “oficinas de placemaking para o levantamento de problemas e potencialidades da área e ideação de propostas de intervenções”Pág.16. Neste encontro ocorreu um roteiro de identificação do espaço, através de ferramentas como matriz CSD (Certezas, Suposições e Dúvidas, de reconhecimento e observações, o encontro então no engajamento dos usuários a pensar em soluções C: Encontro 3 - Multirão de limpeza: Neste encontro, o multirão de limpeza nas áreas que iriam receber as intervenções foram realizados. Com este processo o projeto aumenta a conscientização sobre a produção do lixo e como o mesmo é tratado pela população. D: Encontro 4 - Fazer e Brindar: É nesse momento onde a produção começa a ser realizada e usufruida pelos usuários. Por meio da “arte urbana com papel, arte urbana com tecido, Marcenaria para mobiliário urbano temporário, música a partir de instrumentos construídos com material reciclado, rotas e sinalização..” entre outras atividades que este encontro se torna a realizada as propostas. E: Encontro 5 - Apreciar: O último encontro tem como objetivo de fato celebrar e usufruir todas as intervenções, assim como, ajustar detalhes finais e avaliar o que foi feito. Tudo sob uma perspectiva crítica construida ao longo do processo dos encontros anteriores. Esta fase com diversos programas culturais, principalmente, dança e música. 61


Figura.35 - Usuário desenhando Fonte: Casa Fora de Casa NQU

NQV

Figura.37 - Festival de música Fonte: Casa Fora de Casa Figura.36 - População usando os mobiliários Fonte: Casa Fora de Casa

62


RESULTADOS

Figura.39 - População usando as praças Fonte: Casa Fora de Casa

Figura.38 - Street Art Fonte: Casa Fora de Casa

Figura.40 - População se conhecendo Fonte: Casa Fora de Casa

63


CAPÍTULO 2.

ATIVAÇÕES URBANAS: LEITURAS PROJETUAIS

64


65


BMW GUGGENHEIM LAB Data do projeto: 2012 - 2013 Projeto de arquitetura: Atelier Bow-Wow Localização: New York, Berlim e Mumbai Área: 182m² - 184m²

O projeto do BMW Guggenheim Lab é um laboratório móvel que tem como objetivo discutir experiências, explorar novas ideias e projetos urbanos. Começou com uma colaboração entre a Fundação Solomon R. Guggenheim e o Grupo BMW porém entre os anos de 2011 a 2014 este experimento viajou por três cidades diferentes: Nova Iorque, Berlim e Mumbai. O espaço se divide entre partes de discussão, como urbanismo, centro comunitário e um local de encontro. Essas discussões permeiam por temas que exploram como a população se relaciona com a cidade e seus espaços públicos. As tratativas das questões relacionadas ao urbanismo contemporâneo são lideradas por profissionais das diversas áreas como arquitetos, arte, design, ciência, tecnologia, educação e sustentabilidade que venham a ser discutidos com atividades grátis, projetos e discurso público. Para cada cidade implantado o projeto, a materialidade e alguns programas são modificados ou alterados para a realidade de cada local, de forma a criar uma conexão com o seu entorno.

66


Figura.41 - BMW Guggenheim Lab Fonte: http://www.bmwguggenheimlab.org/

67


Em Nova Iorque, o laboratório foi implantado no First Park. O programa desenvolvido inclui tours, workshops, debates, mesa redonda, exibições, performances, experimentos e palestras sobre como o ambiente urbano pode ser mais responsivo a população e discutir as noções que permeiam o conforto individual e coletivo. Já em Berlim, o local escolhido foi no Prenzlauer Berg, localizado no complexo Pfefferberg. Neste experimento, o foco foi oferecer programas gratuitos e colaborativos que Figura.42 - BMW Guggenheim Lab New York discutissem o poder do “fazer” para ativar uma mudança Fonte: http://www.bmwguggenheimlab.org/ urbana. Foram 97 mesas redondas, 101 workshops, 14 exibições, 5 eventos especiais e 27 explorações práticas pela cidade com ferramentas e ideias para modificar estes ambientes urbanos. Em Mumbai, a localização foi no terreno do Byculla museu, contou com uma série de projetos, acadêmicos e studios colaborativos como também propostas de design que refletissem as condições e desafios da cidade de Mumbai. Uma das problemáticas da cidade é a relação entre o pedestre e veículos, dessa maneira, a maior parte de sua existência foi desenvolver ideias e pensamentos Figura.43 - BMW Guggenheim Lab Berlim Fonte: http://www.bmwguggenheimlab.org/ que pudessem contribuir com esta dificuldade. A tipologia do laboratório foi a mesma que das últimas duas edições, porém, neste caso a estrutura foi diferente. Ao invés da utilização das estruturas em fibras de carbono, foram utilizados canos de bambu assim como o fechamento da estrutura chamada de “caixa de ferramentas” (Toolbox) foi utilizado uma espécie de linha de tecidos, criando a mesma permeabilidade visual que as chapas perfuradas nas edições anteriores. Outra diferença é que a instalação acabou sendo permanente, mesmo que as atividades foram encerradas pelos responsáveis pelo projeto, a estruFigura.44 - BMW Guggenheim Lab Mumbai tura em bamboo permaneceu. 68

Fonte: http://www.bmwguggenheimlab.org/


69


PAVILHÃO DO BRASIL DE MILÃO Data do projeto: 2015 Projeto de arquitetura: Studio Arthur Casas e Atelier Marko Brajovic Localização: Ingresso EXpo, Via Giorgio Stephenson, 107, 20157 Milão, Itália Área: 3.674m²

Arthur Casas, 2015

70

... foi combinar arquitetura e cenografia que proporcionasse aos visitantes experiência capaz de transmitir os valores brasileiros e as aspirações de nossa agricultura e pecuária diante do tema proposto: alimentando o mundo com soluções. Mais que um edifício temporário, a imersão sensorial integra momentos lúdicos, informações científicas de ponta, interação e aprendizado. A ideia da rede flexível, fluída e descentralizada permeia todos os aspectos do edifício e representa a pluralidade do Brasil. Em meio a construções de mais de 130 países, nosso pavilhão propõe um respiro, a intenção de uma praça que convida ao encontro e à descoberta.


O pavilhão é composto por duas partes: a primeira é o grande corredor, e o segundo, uma galeria lateral. O grande corredor tem como objetivo criar experiências aos visitantes que ali poderiam passar, por meio da trama feita de corda, eles poderiam criar suas próprias experiências em relação ao andar e sentar já que os autores possibilitaram dois caminhos diferentes assim como espaços ao longo da trama. No caso destes espaços, a trama foi tensionada de maneira a estar alinhada de forma que o programa abaixo fosse sustentado por esse espaço. Essa ligação ocorre ao longo de todo o percurso, a medida que o programa se desenvolve ao longo da área a trama acompanha o programa abaixo, condicionando alturas que geram no resultado final um volume irregular com alguns pontos alinhados. Já a galeria, proporciona com seu programa a oportunidade de demonstrar a arte de vários artistas. Figura.45 - Esquema de diagramação Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/766586/pavilhao-do-brasil-expo-milao-2015-studio-arthur-casas-plus-atelier-marko-brajovic

71


Figura.46 - PavilhĂŁo lado norte Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/766586/pavilhao-do-brasil-expo-milao-2015-studio-arthur-casas-plus-atelier-marko-brajovic

72


Figura.47 - Pavilhão Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/766586/pavilhao-do-brasil-expo-milao-2015-studio-arthur-casas-plus-atelier-marko-brajovic

Figura.48 - Pavilhão Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/766586/pavilhao-do-brasil-expo-milao-2015-studio-arthur-casas-plus-atelier-marko-brajovic

Figura.49 - Pavilhão Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/766586/ pavilhao-do-brasil-expo-milao-2015-studio-arthur-casas-plus-atelier-marko-brajovic

73


FESTIVAL CENTER MURAU Data do projeto: 2012 Projeto de arquitetura: Fattinger Orso Localização: Murau

O festival contou com várias atrações, dentre as demais, o objeto a ser analisado será a escadaria. Essa escadaria conta com diversas atividades e experiências que o usuário pode usufruir como sentar, admirar, desenhar, comer, descansar dentre tantas possibilidades, esta microarquitetura foi o centro de todo o festival, pois nele não abrigava o programa descrito acima, mas também servia como ponto de informação no espaço abaixo como também contemplava máquinas de venda de bebidas e comidas. Em seu ponto mais alto e central, encontra-se uma haste que abriga um relógio, iluminação, alto falantes e coordenadas dos ventos (biruta). Sua estrutura principal é formada por três volume em degraus, contudo, a partir deste partido, criaram-se planos e espaços que contribuíram para que um espaço reduzido conseguisse abrigar tantos programas. Em sua estrutura, é possível identificar o uso de tinta lousa, e materiais que possibilitem o desenho ao longo de toda estrutura.

74


Em um desses espaços foi criado um ambiente de compartilhamento, onde é possível utilizar de alguns objetos pregados na parede e também objetos soltos como a mesa de ping pong. No outro espaço, foi criado um ambiente de informação, é nele que se concentra tanto as informações sobre o festival e as atividades como também foi dedicado o uso para desenhar o mapa da cidade como também agregar informação com panfletos pregados logo ao lado. A partir de uma perspectiva, conseguimos visualizar bem o “tema” daquele ambiente, por mais que o balcão de informações esteja em um plano mais distante, neste ponto de vista visualizamos como um ponto só. Em seu terceiro espaço, foi projetado para o livre desenho, nesse não tinha nenhum obstáculo ou alguma utilização que não proporcionasse o desenho, por mais que a estrutura como um todo pudesse ser desenhada, foi destinado um ambiente só para isso. Figura.50 - Espaço de jogos

Figura.51 - Espaço de informação

Figura.52 - Espaço de interação

Fonte: http://www.fattinger-orso.com/projects/festivalzentrum.html

75


Figura.53 - O elemento

76


Fonte: http://www.fattinger-orso.com/projects/festivalzentrum.html

Figura.54 - O elemento e o monumento

A RELAÇÃO COM O EXISTENTE

77


FLEDERHAUS Data do projeto: 2010 Projeto de arquitetura: Henri&Sali Localização:Vienna, Austria Área: 315m²

O projeto Fladerhaus, em uma tradução literal do alemão significaria “casa dos morcegos” contudo a referência nominal parte da perspectiva de movimentação recorrente assim como criar uma comparação a maneira como os morcegos dormem (pendurados ao teto) tratando da redes alocadas ao longo dos pavimentos. O principal objetivo deste elemento efêmero é criar novas percepções sobre os espaços exitentes como também agregar novas atividades que antes não eram possíveis como a permanência. A aproximação do usuário com o elemento foi bem trabalhada em seu desenho, já que o mesmo nos remete a uma casa, propondo um sentimento confortável como se o usuário estivesse em sua casa. Por se tratar de uma estrutura efêmera, o elemento teve que utilizar metodologias de fácil montagem e desmontagem, dessa maneira foi utilizado como estrutura de fechamento em sua maior porção e madeira compensada, já a estruturação do objeto aconteceu por meio de uma estrutura metálica locazada ao centro ao longo de todos os pavimentos. A permeabilidade da visão então ocorre nas duas maiores faces sempre direcionadas as melhores paisagens, enquanto nas outras faces encontram-se fechadas para proteção dos usuários. 78


Figura.55 - Felderhaus Fonte:https://www.archdaily.com/148401/flederhaus-heri-salli

79


Figura.57 - Fachada frontal Figura.58- As redes

Figura.56 - Esquema 1 do arquiteto - possibilidades de disposição das redes Fonte:https://www.archdaily.com/148401/flederhaus-heri-salli 80


Figura.59 - Caixa Central

Figura.60 - Caixa central + Redes

Figura.62 - Esquema 2 do arquiteto - possibilidades de disposição das redes Figura.61 - croqui do arquiteto

81


TAIWAN CAFE Data do projeto: 2013 Projeto de arquitetura: Sou Fujimoto Localização:Taiwan Área: 598,5m²

between between between between

architecture and landscape furniture and archicture inside and outside nature and architecture

É com esta discussão que Sou Fujimoto projeta o Taiwan Cafe, este projeto conta a criação de vários planos os quais abrigam espaços para os usuários usufruirem por meio de várias escadas interligandas. Além de contar com a criação de espaços, os mesmos estão permeando entre várias árvores que ao mesmo tempo que criam o ambiente verde, também criando sombras aos espaços projetados. A permeabilidade tanto visual quanto física existente no projeto é o seu maior valor, pois cria percepções sobre o entorno totalmente diferentes, proporcionando várias possibilidades de experiências diferentes em cada ponto. A estrutura de sustentação escolhida foi a metálica devido a possibilidade de criar vãos maiores, tanto as estruturas tradicionais como viga e pilar quanto as escadas são estruturais, as escadas sobre essa perspectiva é um item fundamental para a estruturação. Por se tratar de um espaço comercial, junto a estes espaços está localizado o volume de apoio, que conta com os programas tradicionais de cafeteria e bistrô, como a cozinha e banheiros. 82


Figura.63 - Maquete do arquiteto Fonte: https://www.designboom.com/architecture/a-network-of-staircases-defines-taiwan-cafe-by-sou-fujimoto-01-22-2014/

83


Figura.64 - Pavimento tĂŠrreo

Figura.65 - Pavimento Superior

84 Fonte: https://www.designboom.com/architecture/a-network-of-staircases-defines-taiwan-cafe-by-sou-fujimoto-01-22-2014/


Figura.66 - Maquete

Figura.67 - Maquete

85


SERPENTINE GALLERY Data do projeto: 2013 Projeto de arquitetura: Sou Fujimoto Localização: Hide Park, Londres Área: 142m²

Neste outro projeto de Sou fujimoto, a permeabilidade e criação de espaços se repete, porém em uma implantação com um entorno totalmente diferente como também sua estruturação. Ao mesmo tempo em que o elemento é estruturado, é também protegido. Uma modulação a partir de cubos, que repetidos, tornaram um objeto de escala humana para uma estrutura rígida e ao mesmo tempo “frágil”. A concretização destas duas características foi possível por meio da utilização de barras finas, proporcionado pelo emprego do aço, o qual agregou o resultado final. Com a constituição de uma estrutura complexa, foram projetados diferentes espaços os quais os usuários poderão encontrar seu local que melhor encaixe, dessa maneira, o projeto consegue atender a diversos gostos a partir de um módulo padronizado, pois possibilita aos usuários que pretendem permanecer ou sentar ou passear terem a experiência com o elemento sem precisar optar por outras soluções para atender essas diversas atividades, gostos ou como preferir denominar.

86


Figura.68 - Serpentine Gallery Fonte: https://www.designboom.com/architecture/a-network-of-staircases-defines-taiwan-cafe-by-sou-fujimoto-01-22-2014/

87


88 Fonte: https://www.designboom.com/architecture/a-network-of-staircases-defines-taiwan-cafe-by-sou-fujimoto-01-22-2014/


Figura.72 - Serpentine Gallery

Figura.69 - Serpentine Gallery

Figura.70 - Serpentine Gallery

Figura.73 - Serpentine Gallery

Figura.71 - Serpentine Gallery

Figura.74 - Serpentine Gallery

89


BRANDEN BUS:STOP Data do projeto: 2014 Projeto de arquitetura: Sou Fujimoto Localização: Krumback, Austria

A escolha deste projeto para realizar a leitura, foi pela proposta que este trabalho tenta discutir: Mobiliário x Arquitetura x Urbanismo. Este projeto foi um dos sete ponto de ônibus a serem projetados, e foi escolhido pelo seu diferente desenho assim como sua relação com entorno. Este elemento propõe também a criação de espaços a partir de pavimentos e utiliza-se da mesma materialidade. Contudo, a concepção da estrutura tem sua relação com o entorno próximo, realizando uma ligação com a vegetação. Dessa maneira foram utilizados pontas de aço fincadas no chão e projeta a alocação dos gravetos de maneira a aproveitar para criar patamares que possibilita o usuário a observar ou permanecer por meio das várias percepções. Mais do que um mobiliário este elemento dependendo do ponto de vista analisado consegue permear entre as escalas independente de seu tamanho. Mais do que um ponto de ônibus, o elemento também pode ser considerado em outras definições comopor exemplo um mirante.

90


Figura.75 - Branden Bus Stop

Fonte: https://www.dezeen.com/2014/08/20/sou-fujimoto-bus-stop-krumbach-closed-to-prevent-possible-accidents/

91


92


Figura.76 - Branden Bus Stop Figura.77 - Branden Bus Stop Figura.79 - Branden Bus Stop

Figura.78 - Branden Bus Stop

93


FINAL WOODEN HOUSE Data do projeto: 2008 Projeto de arquitetura: Sou Fujimoto Localização: Kumamoto, Japão Área: 15m²

No caso desse elemento, a proposta tem diversas discussões no que se refere a arquitetura e urbanismo mas a discussão que iremos identificar são as diversas percepções sobre o espaço, da mesma forma como ocorre nos projetos anteriores, este elemento utiliza-se da criação de espaços que podem possuir múltiplas funcionalidades basta que o usuário utilize como preferir. Desta vez, o material escolhido para a construção foi a madeira, e como próprio autor diz: “A madeira é de fato tão versátil, que pensei: por que não criar uma arquitetura em que uma regra, cumpre todas essas funções. Vislumbrei a criação de uma nova espacialidade que preservasse condições primitivas de uma entidade harmoniosa, ao invés de várias funções e papéis diferenciados.” Dessa forma, o elemento permite várias utilizações basta que o usuário realize. Além da materialidade e programa empregado, a implantação encaixa o elemento tanto na escolha da materialidade como a disposição das toras de madeira, infuenciando diretamente em suas aberturas para as paisagens de maior valor.

94


Figura.80 - Final Wooden House Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/01-17107/final-wooden-house-sou-fujimoto

95


Figura.81 - Vista Lateral

Figura.82 - Vista Lateral

Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/01-17107/final-wooden-house-sou-fujimoto Figura.83 - Vista Frontal

96

Figura.84 - Vista Frontal


Figura.80 - Final Wooden House

Figura.85 - Final Wooden House Figura.86 - Final Wooden House

Figura.87 - Final Wooden House Figura.88 - Final Wooden House

Figura.89 - Final Wooden House

97


CAPÍTULO 3.

SITUAÇÕES URBANAS E EQUIPAMENTO

98


99


3.1

LYNCH, Kevin. A imagem da cidade.1999.Pág.52

Fonte: Google Earth

100

Os limites são os elementos lineares não usados ou entendidos como vias pelo observador. São as fronteiras entre duas fases, quebras de continuidade lineares: praias, margens de rios, lagos, etc., cortes de ferrovias, espaços em construção, muros e paredes. São referências laterais, mais que eixos coordenados. Esses limites podem ser barreiras mais ou menos penetráveis que separam uma região de outra, mas também podem ser costuras, linhas ao longo das quais as duas regiões se relacionam e se encontram. Ainda que possam não ser tão dominantes quanto o sistema viário, para muitos esses elementos limitrófes são importante características organizacionais...


ÁREA DE INTERVENÇÃO Por se tratar de um elemento urbano que busca possibilitar diversas implantações a partir de módulos, ou como iremos definir como ferramentas posteriormente, foram levantadas três possibilidades de áreas que podemos considerar como barreiras, cada qual com sua topografia porém sempre partindo da premissa que a área esteja entre duas fases como Lynch descreve na citação ao lado. Antes de apresentar as áreas é importante entendermos alguns pontos que tentaremos discutir e propor no desenvolvimento do projeto. O primeiro item seria barreiras que foi definido previamente ao lado, dessa maneira entederemos barreiras com o princípio de um zona de fronteira passiva como descreve Jacobs (JACOBS, 1967). O segundo item que seria fluxo, tem como principal definição neste estudo o movimento que ocorre nas duas fases simultaneamente porém de forma oposta, esse movimento em grande parte se dá por carros já que vimos nos capitulos anteriores que o planejamento atual prioriza dentre outros meios de transporte ao invés do pedestre. Os itens permanência e passagem, respectivamente, como item quarto e quinto, estão referidos as atividades urbanas do pedestre nos espaços urbanos, em um parâmetro geral são as duas ações que o cidadão realiza na cidade. Conforme escrito acima, temos três possibilidades de barreiras identificadas na cidade de Ribeirão Preto/SP, contudo iniciaremos a proposta discutindo e moldando as ferramentas para a terceira área demonstrada a seguir. Foi escolhida a terceira área devido a grande identidade com a problemática discutida neste trabalho, porém conta com diversos pontos de possibilidades que precisam de uma melhor comunicação entre si, de maneira que ao analisarmos um possível caminho para o pedestre se locomover entre os equipamentos, identificamos um limite já “desbravado clandestinamente” pelos usuários quando analisamos um caminho dentro da mata. Com isso, estes fatores foram responsáveis pela escolha desta área. 101


ÁREA 1

Fonte: Google Earth

PARQUE GENARO 102

Fonte: Google Earth

AVENIDA MAURÍLIO BIAGI TRECHO


ÁREA 2

Fonte: Google Earth

ÁREA 3

ÁREA VERDE JARDIM MOSTEIRO 103


3.2

104


LEITURA MORFOLÓGICA

Fonte: Google Earth

105


N

50 0 106

150

100


USO DO SOLO

LEGENDA COMÉRCIO PRESTAÇÃO DE SERVIÇO INSTITUCIONAL RESIDENCIAL ÁREA VERDE

Em um levantamento sobre o uso do solo é pretendido identificar quais os usos que o etorno possui seja em sua predominância ou especificamente por unidade. No caso da área prevista para intervenção é possível identificar um uso relativamente misto entre os usos identificados. A área conta com um dos parques da cidade de Ribeirão Preto, assim como possui algumas concetrações das secretaria do município. Dessa maneira podemos concluir que a área possui uma movimentação grande comparado algumas áreas residenciais da cidade como Boulevard. É possível entender o porque dessa movimentação pelos usos presentes, como institucional e área verde, a qual possui o uso para atrair pessoas e não ser somente uma área grande com vegetação. A área escolhida para o projeto está no centro desses usos, sendo um ótimo exemplo de uma área com potencial porém prejudicada pela percepção como barreira devido a sua topografia, com isso o projeto terá uma importante função de criar essas conexões entre as áreas.

107


N

50 0 108

150

100


GABARITO Neste mapa é possível identificar a predominância ou não das alturas de implantaçãos, e assim identificar a percepção que este espaço possui seja em relação a incidência solar, ou ventos predominantes. No caso do entorno da área é possível indentificar a predominância de edifícios de 1 a 2 pavimentos, contudo não é desprezível no estudo, a presença de de pavimentos com mais de 2 pavimentos pois apesar de ter 3 edifícios com mais de 5 pavimentos somente, a densidade populacional que reside e que se movimenta na região é alta. Da mesma forma que no mapa anterior é possível identificar que a área possui uma ocupação quase totalitária, sobrando somente algumas áreas a serem construídas, que ou são estacionamentos ou áreas sem uso.

LEGENDA DE 1 A 2 PAVIMENTOS DE 3 A 4 PAVIMENTOS MAIS DE 5 PAVIMENTOS

109


N

50 0 110

150

100


FIGURA FUNDO Neste caso conseguimos identificar que a área do entorno está com seus lotes bem ocupados tendo somente algumas sobras de terrenos sem construção, é conclusivo também que as áreas classificadas como áreas verdes em sua maioria não possuem quase nenhuma construção, proporcionando espaços para novas propostas que consigam atender as demandas que forem julgadas necessárias sem prejudicar as diretrizes ambientais impostas ao local. A permeabilidade da área fica por conta das áreas verdes localizadas a nordeste do mapa.

LEGENDA ÁREA CONSTRUÍDA

111


N Fonte: Google Earth

112


EQUIPAMENTOS HIERARQUIA VIÁRIA FÍSICA E FUNCIONAL

A área conta vários equipamentos que dão suporte ao entorno, enquanto os pontos de ônibus estão predominantemente nas vias ateriais: Treze de Maio, Av. Meira Junior e Rua Capitão Salomão. Os equipamentos em sua maioria são voltados a educação, sendo eles: SENAI, SENAC e ETEC. Já o equipamento que predomina em relação ao tamanho físico é o bosque municipal o qual abriga um teatro de arena, a cava do bosque e está próximo ao teatro municipal, equipamentos que fomentam a movimentação intensa que a região possui, citada anteriormente. O entorno da área de implantação conta então com um cenário favorável a ser explorado pelo planejamento urbano.

LEGENDA

SENTIDO VIÁRIO VIA LOCAL

PONTOS DE ÔNIBUS

VIA COLETORA VIA ARTERIAL

X

EQUIPAMENTOS URBANOS

113


1

4

Figura.90 - Santa Lydia

2

Figura.93 - Senac

5

Figura.91 - Etec

3

Figura.94 - Teatro Municipal

6

Figura.92 - Senai

Figura.95 - Bosque Municipal

7 Figura.96 - Secr. da Cultura

114

Fonte: Google Earth - Street View


11

8

Figura.97 - Praça Alto S. Bento

Figura.100 - Sete Capelas

12

9

Figura.101 - 2° Dist. Policial

Figura.98 - Praça

13

10

Figura.99 - Sec. do Planejamento

Figura.102 - Cava do Bosque

14

Fonte: Google Earth - Street View

Figura.103 - Teatro de Arena

115


CAPÍTULO 4. O ELEMENTO

116


117


4.1 CONCEITO X PARTIDO Tendo em vista as questões teóricas levantadas, as referências projetuais e as leituras morfológicas do local partimos para a conceituação e partido do projeto. A escolha deste local deu-se pelas propriedades específicas, tanto topográficas como ao entorno, como descrito nos capítulos anteriores. Dessa maneira, a intenção deste elemento tem como principal objetivo criar possibilidades aos locais ditos como barreiras, a ressignificação para estas áreas com este perfil. Por se tratar de um elemento que deverá atender as variantes como topografia, entorno, paisagem de cada área possível, o objeto deverá ser passível a estas variantes de maneira que não tenha que ser criado novas soluções para atender determinada situação. Além de possuir a premissa citada acima, o elemento deverá agregar várias funções e possibilitar aos usuários criarem suas funções e utilizar conforme julgarem necessários. Ao analisar as referências projetuais, a maioria utilizadas neste trabalho tem como característica a utilização de materiais que permitem serem moldados como peças de encaixe, facilitando a montagem e desmontagem nos casos com o objetivo de ser intinerante. Dessa maneira, podemos pensar em utilizar a estrutura metálica por dois motivos: conseguir vencer grandes vãos e resistência as intemperes. Além da materialidade, podemos julgar como melhor solução para as necessidades do projeto, trabalhar com modulação de maneira a criar módulos, que serão chamados de ferramentas, que replicados da forma que for necessário conseguirá se adaptar facilmente. A intenção é que a partir de uma modulação possamos criar um elemento que consiga entregar várias ferramentas para as necessidades de programa que for julgada ideal para os locais de implantação. Da mesma forma que nos projetos citados: Centro Aberto e Casa Fora de Casa, o elemento terá a função de ativar estas barreiras a fim de ressignificar a percepção sobre estes espaços.

118


1

1 4

2 3

Figura.104 - Google Earth Figura.105 - Google Earth - Street View

VISÕES SOBRE O TERRENO

2

Figura.106 - Google Earth - Street View

4

Figura.108 - Google Earth - Street View

3

Figura.107 - Google Earth - Street View

119


ESTRUTU

FERRAM

CONCEPÇÕ

120


URA DAS

MENTAS

ÕES INICIAIS

121


4.2 IMPLANTAÇÃO INICIAL O terreno da área escolhida para implantação possui uma topografia dinâmica, composta por áreas mais declives e outras mais suaves. Outra característica é que o terreno faz divisa com o bosque municipal de forma que devemos nos preocupar com a tratativa desse limite a fim de interagir com o espaço vizinho sem prejudicar esse limite. Talvez pela forma como se apresenta a vegetação na área, esse limite seja trabalhado por meio dessa vegetação já que a mesma caracteriza o lugar e também cria um aspecto de proteção, priorizando a ligação desejada entre a Via São Bento e a Rua da Redenção. A parte central do terreno é onde se concetra a topografia mais inclinada, gerando um intenso vão na ligação e poderia ser voltado para as atividades de permanência e atividades que necessitem de uma paisagem ao fundo como um teatro de arena já que os aspectos físicos proporcionam uma perspectiva mais abrangente em relação a cidade. A face leste onde está presente o limite com o equipamento urbano, seria interessante deixar um espaço sem intervenção de forma a não criar um limite com o elemento, e assim deixar essa função a vegetação existente. O lado Oeste está próximo a avenida treze de maio, a qual possui um intenso fluxo de carro, e talvez não seja interessante proporcionar espaços com o elemento nessa área devido a esta intesidade, podendo ser prejudicial a experiência ao local e aos usuários. O lado Sul já conta com algumas construções residenciais existentes, de forma a abrir duas saídas/entradas para que consigamos realizar a ligação das fases. Já o lado Norte conta com toda sua face livre de construção, e esta em frente ao equipamento Sete Capelas, dessa maneira temos uma face totalmente livre para trabalhar o começo/fim da ligação.

122


LEGENDA TOPOGRAFIA INTENSA LIMITE ENTRE AS ÁREAS TOPOGRAFIA INTENSA MÉDIA

VIA

SÃO

BEN

TO

LIM

ITE

DA

ÁR

EA

EB

OS

QU

EM UN

IC

IPA

L

POSSIBILIDADES DE LIGAÇÃO

CONSTRUÇÕES

EXISTENTES

RUA DA REDENÇ ÃO

PREDOMINÂNCIA DA DIREÇÃO DOS VENTOS

123


VIA

SÃO

BEN

LIM

ITE

A

SE R

TR

AB

AL

HA

DO

PO

RV

EG ETA Ç

ÃO

PLANO DE MASSAS

ÁREA EXISTENTE CONSTRUÍDA

RUA DA REDENÇ ÃO

124

TO


VOLUMETRIA

125


4.3

IMPLANTAÇÃO FINAL

A partir da leitura inicial da implantação do elemento, foi discutido a escolha da área, sendo que até então o elemento seria implantado ao longo de toda área verde como descrito no plano de massas, porém foi compreendido que a área de implantação na verdade seria colocada na mancha verde, represnetada como limite entre a área verde e a área do Bosque Municipal. A compreensão veio por meio da identificação de um caminho - representado ao lado - já existente, feito pelos usuários que utilizam este local, como também, o limite imposto entre essas áreas é representado com uma cerca porém já que a proposta discute sobre os limites, nada melhor que implatarmos como um ponto de ligação, ou melhor, de transição entres as áreas público e privada. Sendo assim, o plano de massas foi recompreendido de maneira a levar em consideração eventos que antes não estavam sendo considerados. Um destes eventos foi justamente este caminho “clandestino”, o que revela a intenção de uma utilização sem mesmo possuir um equipamento. Outro evento considerado também relacionado com o caminho é o uso no período noturno de casais que permeiam a vegetação para se relacionar. Sendo assim ao analisar a visão macro sobre o terreno, conseguimos criar um ponto de ligação extremamente orgânico com o traçado existente, constituindo a melhor demarcação para implantação do elemento proposto neste trabalho.

126


FLUXO - PASSAGEM

REPOSICIONAMENTO DA ÁREA DE IMPLANTAÇÃO 127


MEMORIAL JUSTIFICATIVO Nas concepções iniciais das ferramentas, foi idealizado a intenção de que a partir de planos, poderia ser criado um plano para cada intenção de uso do usuário, esta ideia foi levada até a concepção final como poderemos visualizar nos desenhos de apresentação das ferramentas. A estrutura em base é totalmente constituída por estrutura metálica, de maneira a vencer o peso que a própria estrutura juntamente com a utilização dos usuários gerassem. De uma forma bem pragmática com um desenho alinhado, a estrutura principal dos planos horizontais segue um desenho em cruz apoiado em um desenho quadricular. Para que o elemento não agredisse fortemente o solo a ser implantado, foi definido a utilização de uma chapa metálica perfurada que permita a circulação dos usuários como também criar uma permeabilidade do elemento em relação a natureza local. Esta escolha fortaleceu-se ainda mais devido a intenção de conectar o usuário a propria natureza. O elemento de estrutura, inicialmente, era constituído por um pilar de 0,40m de diâmetro e que se encaixasse ao centro dos planos, porém essa escolha criava um ponto negativo em relação a implantação pois aparentemente agredia o solo que estava implantado. Dessa forma, foi escolhido utilizar a mesma linha de pensamento da ferramenta poste, a qual retratava em seu desenho um leitura sobre as características da vegetação existente, fina e comprida. A partir dessa premissa, a estrutura foi reduzida a uma barra de 0,05x0,05x4,00m que sustentará cada plano com pelo menos três barras. Com isso, a imagem geral do elemento ficou mais limpa e aparentemente menos agressiva a implantação. Essas barras de sustentação também podem ser utilizadas como estrutura para corrimão principalmente nas áreas das escadas. Posteriormente, foi identificado a necessidade de criar também um plano padrão 2,00x2,00m, ou seja, metade do plano padrão inicial para que em determinados encaixes das peças houver a necessidade de uma modulação menor. A partir dessa criação, foi criada o Plano Horta Individual, que pode ser implantado ao longo do elemento como implantado nas áreas dos encontros Extrovertido e Vizinhança. 128


129


ENCONTRO 1: EXTROVERTIDO O primeiro encontro tem como objetivo possuir programas mais culturais e abrangentes, de forma que o próprio local é o mais próximo a zona pertecente de maiores equipamentos voltados a essas atividades na área como o teatro municipal. Com esta linha de pensamento foram definidos os seguintes itens: área para apresentações, áreas de convívio, cinema livre e painéis culturais.

ENCONTRO 2: INTROVERTIDO Já o segundo encontro está localizado ao centro da proposta, e por possuir uma densidade vegetal maior foi pensado propiciar espaços de autoreflexão seja para ler um livro ou somente contemplar a paisagem ao redor. De uma certa forma, esta possibilidade auxilia nas atividades noturnas citadas anteriormente fornecendo uma privacidade para não prejudicar a vizinhança que possui uma reclamção a estas atividades.

ENCONTRO 3: VIZINHANÇA No terceiro encontro a vizinhança está bem próximo a esta zona e dessa maneira foi projetado elementos que contribuam para o dia a dia da vizinhança, aumentando a possibilidade de convivência e harmonia assim como criar um ambiente mais seguro. Seriam itens como: horta comunitária, escorregador, espaço para crianças - painéis interativos e espaços mais iluminados. 130


OS ENCONTROS A partir dessas compreensões que ocorrem no local, foi criado um plano de massas com base nas análises em conjunto dos itens apresentados até então. Com isso, separamos nosso elemento em três áreas que será chamado de encontros. Cada encontro foi proposto uma modulação que permitisse a utilização da atividades de intenção.

EXTROVERTIDO

ÁR

EA

DE

TR

AN

SIÇ

INTROVERTIDO

ÁR

EA

DE

ÃO

TR

AN

VIZINHANÇA

SIÇ

ÃO

131


4.4

FERRAMENTAS

As ferramentas criadas para essa implantação foram desenvolvidas para que a utilização não se prenda somente a esta área, assim como, poderão ser criadas novas ferramentas para utilização neste próprio local como a utilização da estrutura de sustenção/corrimão seja a estrutura para plataformas para deficientes físicos acessarem as áreas planas do elemento. Outro objetivo é deixar aberta a novas possibilidades de fechamento dos planos assim como a materialidade que neste caso foram usadas chapas perfuradas como fechamento dos planos e na cor representada pelo aço corten. A utilização destes fechamentos e materiais deu-se pelo solo, pois ao implantarmos um elemento acima no solo, criamos duas áreas: a cobertura e piso. Ou seja, com a utilização da perfuração criamos uma percepção ao usuário que está no elemento de estra caminhando sobre solo logo abaixo porém para o usuário que permanece diretamente no solo, possibilito uma cobertura mesmo que permeável. A iluminação através dos postes tem seu desenho bem sútil, a fim de realizar uma releitura da vegetação existente a fim de passar despercebido por quem utiliza o espaço no período noturno. As lixeiras foram desenhadas pensando na relação com o formato dos planos que a mesma seria anexada, criando um objeto aparenetemente maciço porém leve em seu peso para que possibilite a retirada do dejetos sem dificuldade. A junção destas ferramentas são estruturadas principalmente pelas barras, porém o reforço estrutural também pode ser realizado através de soldas já que a propria materialidade possibilidade essa vedação. No mais, a implantação para esta área contou com as seguintes ferramentas: 132

plano circulação 4x4 plano circulação 2x2 plano banco plano grafite-brincadeira plano cinema plano escada plano arquibancada plano horta plano cachepô plano cobertura plano rede plano iluminação plano escorregador lixeira iluminação vertical


133


4.00

4.00

0.15

0.10

4.00

ESC. 1-50

PLANO CIRCULAÇÃO 4X4 134

4.00


PLANO CIRCULAÇÃO 2X2 2.00

ESC. 1-50

2.00

2.00

0.10

0.10 2.00

135


2.00

2.00

2.00

0.10

0.10 2.00

ESC. 1-50

0.90

136

PLANO CACHEPÔ


0.80

2.40

0.80

D2 0.45

D2

4.00

PLANO BANCO ESC. 1-50

0.15

0.10

4.00

4.00

137


0.50

D3

4.00

D3

podendo ser configurado pela metade caso necessรกrio

4.00 0.08 4.00

D3

1.00

0.08 0.02

138

D3

0.05

PLANO ESCADA ARQUIBANCADA

ESC. 1-50


5.50

0.10

6.00

PLANO CINEMA

ESC. 1-50

139


5.80 4.70 0.15

2.65

2.58

2.51

5.80 0.45 0.45

4.70

0.45

2.70 4.50

0.45

3.70

PLANO COBERTURA

ESC. 1-50 140

0.50


PLANO GRAFITE BRINCADEIRA

4.00

0.10

ESC. 1-50

6.00

141


1.40

PLANO HORTA

0.50

1.50

0.40 0.60

ESC. 1-50

1.50

0.20

2.00 0.70

0.60

0.50

1.50

0.60

0.15

1.05

0.85

0.90

0.80

1.10

1.00

0.10

4.00

142

4.00


0.50

3.00

0.50

D1 D1 4.00

PLANO ILUMINAÇÃO

ESC. 1-50

0.15

0.10

4.00

4.00

143


4.00

PLANO REDE

4.00

ESC. 1-50 3.70

0.15

144


LIXEIRA ESC. 1-25

0.09

0.40 0.18 0.50 0.65

0.65

1.24

0.50

0.12 0.08

145


0.03 1.50 1.20

2.50

ILUMINAÇÃO VERTICAL 146

ESC. 1-25


PLANO ESCORREGADOR

0.20

ESC. 1-50

8.20

8.00

0.25

0.20

0.20

147


4.5 PLANTAS TÉCNICAS

148


A

A

B

B

IMPLANTAÇÃO 1:200


CORTE BB 1:200


CORTE AA 1:200

151


4.6 IMAGENS

152


153


154


155


156


157


158


159


160


161


162


163


164


165


166


167


168


169


170


171


CAPÍTULO 5. REFERENCIAS

172


173


5.1 REFERENCIAL TEÓRICO

174


GEHL, Jan. Cidades para Pessoas. São Paulo. Perpectiva.2013 GEHL, Jan; GEMZOE, Lars (2002). Novos Espaços Urbanos, Barcelona. Gustavo Gili TAVARES, Silvia. Placemaking, urbanismo e o futuro dos espaços públicos. < http:// www.placemaking.org.br/home/tag/ativacao-espacos/ > acessado em Junho/2018 Cresswell, T. (2004). Place: A Short Introduction. Oxford, UK: Wiley. CASAGRANDE, Marco. Third Generation City LERNER, Jaime. Acupuntura Urbana.2003 LYNDON, Mike. Urbanismo Tático 2. 2012 < https://issuu.com/streetplanscollaborative/docs/tactical_urbanism_vol._2-portuguese > acessado em Junho/2018 DI SENA, Domenico. Tactical Urbanism. < http://urbanohumano.org/ blog/2014/12/02/tactical-urbanism/ > acessado em Junho/2018 JACOBS, Jane. Morte e vida das grandes cidades. 1961 MOLINA, Maria Claudia. El Modelo. 2012 ABNT 9283/86 < https://pt.slideshare.net/sheyqueiroz/nbr-928386-mobilirio-urbano > acessado em Junho/2018 Lei 10.098/2000 < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L10098.HTM > acessaso em Junho/2018 JOHN, Naiana; REIS, Antonio. Percepção, estética e uso do mobiliário urbano. 2010 Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano. Centro Aberto – Experiências na escala urbana. 2015 Sobreurbana. Casa fora de casa. Ed.1; Viva setor sul. 2016 175


176


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Issuu converts static files into: digital portfolios, online yearbooks, online catalogs, digital photo albums and more. Sign up and create your flipbook.