PORTUGAL POST ANO XVI • Nº 201 • Abril 2011 • Publicação mensal • 2.00 € Portugal Post Verlag, Burgholzstr. 43 • 44145 Dortmund • Tel.: 0231-83 90 289 • Telefax 0231- 8390351• E Mail: correio@free.de •www. portugalpost.de •K 25853 •ISSN 0340-3718
Entrevista com o Deputado Carlos Gonçalves (PSD)
“Portugal precisa agora muito mais do apoio dos seus emigrantes” “Todos os projectos para construir Portugal têm que integrar os portugueses residentes no estrangeiro. E tem que os integrar: não para que tenham pena de nós. Neste momento, quem é que precisa de quem? Acho que Portugal é que precisa de nós. Portanto, não parece que possa haver no momento que vivemos um projecto que não conte connosco. Independentemente das atitudes que sentem em Portugal em relação a eles, os emigrantes nunca deixaram de sentir Portugal, de apoiar Portugal e de ajudar Portugal.”
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Ensino português no estrangeiro com sobrevivência ameaçada Pág. 5
Partido Os Verdes alcança vitória histórica em eleições regionais alemãs Pág.6
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PORTUGAL POST Nº 201 • Abril 2011
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Agraciado com a medalha da Liberdade e Democracia da Assembleia da República Fundado em 1993
Entrevista
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Deputado Carlos Gonçalves (PSD) ao PP:
“Portugal precisa agora muito mais do apoio dos seus emigrantes”
PORTUGAL POST: Para arrancarmos, pode-nos fazer um balanço da sua visita de trabalho à Alemanha, nomeadamente, aos núcleos do PSD e autoridades Consulares de Düsseldorf e Estugarda, além de uma escala em Colónia? Carlos Gonçalves: O balanço é positivo. Mas foi uma deslocação encurtada pelo momento político em Portugal. Tenho que estar em Lisboa, na quarta-feira, para ir ao plenário da Assembleia da República por causa de uma votação muito importante. E portanto tive que encurtar. Mesmo assim estive em Colónia, Dusseldorf e estive em Estugarda neste fim-desemana de 19 e 20 Março. Tive oportunidade de fazer um grande número de contactos importantes, de modo a que possa cumprir o meu trabalho como deputado da Emigração na Assembleia da República. PP: Que áreas debateu com os seus interlocutores oficiais e partidários? C.G.: Em Colónia tive a oportunidade de me encontrar com um recém-eleito vice-presidente da Federação dos Empresários Portugueses da Alemanha, Rogério Pires. Pois, parece-me também importante que o nosso tecido empresarial das Comunidades esteja organizado. E digo isto, pois, parece-me que neste momento, mais que os Emigrantes precisam do País, é o País que precisa dos Emigrantes. Parecendo-me essencial para a Economia Portuguesa - e para Portugal - contar com as Comunidades Portuguesas na área económica. Não só na atracção das suas poupanças como é evidente fundamentais - como já foram nas últimas décadas. Mas, muito particularmente, aproveitar também este tecido empresarial das Comunidades Portuguesas numa perspectiva de investimento em Portugal. E numa perspectiva de ajudar à internacionalização, sobretudo das PME (Pequenas e Médias Empresas) portuguesas no estrangeiro. Quem melhor que um empresário português na Alemanha para ajudar uma empresa por-
Foto: Fernando Soares
É o mais “puro” dos deputados do PSD pela Emigração, e defende as cores do seu partido com visão e convicção. Criado e formado em Paris, Carlos Gonçalves está entusiasmado com a hipótese de ajudar o partido a conquistar o Poder, após seis anos do consulado de José Sócrates
Carlos Gonçalves acompanhado pelo presidente do PSD Alemanha, Artur Amorim, à direita tuguesa aqui residente!?! PP: Já tinha contactos aprofundados com a FEPA (VPU), não é verdade? C.G.:Este encontro foi fundamental com a FEPA. Há uma nova direcção, que já tinha tido a oportunidade de saudar. A conversa foi muito interessante ,disponibilizando-me como é evidente para ajudar a organização, em todos os níveis que possa livre e responsavelmente actuar. PP: E em Dusseldorf, como decorreram as visitas às Associações a visita de trabalho ao Consulado? C.G.: Em Dusseldorf, dediquei parte da minha visita em contactos com o Movimento Associativo. Tive a oportunidade de visitar a Associação Sanjorgense. Tentei contactar o Conselheiro das Comunidades Portuguesas, mas estava ausente do País. E tive a oportunidade de visitar o Consulado de Portugal em Dusseldorf, onde tive uma reunião com a sra. Cônsul. O Consulado -que tem novas instalações- por mim negociadas quando estive como Secretário de Estado das Comunidades Portuguesasainda me eram desconhecidas. Nunca tinha tido a oportunidade de ver a „obra“,apesar de ter estado várias
vezes antes na cidade. Realizei uma troca de informações com a sra.Cônsul de Dusseldorf. Reputo-a de muito importante para me aperceber quais são as preocupações da Comunidade, que já irei mencionar. As informações prestadas pela sra.Cônsul foram muitas e importantes. Em Estugarda, tive a oportunidade de participar numa reunião do Consellho Consultivo do Consulado. Foi uma conversa muito interessante com um conjunto de pessoas da Comunidade portuguesa local. O orgão consultivo- diz-me muito- pois estive ligado em 2003 a um Projecto para a Criação destes Conselhos, que infelizmente só mais tarde viria a ser aprovado no Parlamento. PP: E qual é o balanço que apurou nessas reuniões consulares tão sensivéis e importantes, que realizou em Dusseldorf e em Estugarda, precisamente? C.G.:Há, infelizmente, duas ou três questões recorrentes nesta matéria. A primeira, é o ensino. Uma grande preocupação, seja em Dusseldorf e Colónia, seja em Estugarda. Uma abertura do ano lectivo, que põe em causa a dignidade da Comunidade Portuguesa residente neste país- como
tive a oportunidade de escrever numa crónica publicada no Portugal Postque tinha um título parecido com este: Custa-me ver as gentes das Comissões de Pais e do Movimento Associativo Português - que tanto lutam pela Língua Portuguesa- tomarem conhecimento que o Estado português abre Cursos, alguns que irão só funcionar em Abril- o que é perfeitamente inaceitável pela imagem que damos junto das autoridades locais, aos quais solicitamos o maior interesse para a Língua Portuguesa; e depois, nós, não fazemos o trabalho de casa..Os pais de alguns alunos têm cada vez mais dificuldades em convencer os seus filhos para aprenderem o nosso idioma pátrio...E a imagem da Língua Portuguesa é essencial, como sabe, essencial para o País. Valemos mais pela Língua do que a nossa dimensão geográfica no Mundo, em termos externos, por causa da Língua. Se nós conseguirmos ter a relação que temos com África e a América Latina e do Sul, é pela expansão da Língua Portuguesa. E estas situações - em que tratamos mal o Ensino da Língua Portuguesa - porque nem sequer cumprimos o que está na Lei - independentemente das contenções orçamentais que possam existir.
PP: E o momento também menos bom – negativo, sejamos claros- do Movimento Associativo prendeu muito a sua atenção. Como encara esse problema estrutural e bastante dificil? C.G.: O Movimento Associativo tem dificuldades na renovação dos seus quadros e processos. Sabemos os esforços que a Federação - F.A.P.A.tem feito pela mão do sr. Vitor Estradas. É uma tarefa muito dificil. Mas é uma matéria onde se deve, realmente, impulsionar a renovação do Movimento Associativo. Realmente, temos Associações com muitas dificuldades por essa Alemanha fora. Tive oportunidade de me inteirar sobre isso em Dusseldorf. E em Estugarda também sei as dificuldades com que se debatem. E isto é uma matéria- como sabeque me levou e alguns colegas meus parlamentares a apresentar um Projecto-Lei na Assembleia da República- há já um ano e meio - no que diz respeito ao enquadramento por parte do Estado português, que já foi votado na generalidade. Mas está em discussão na especialidade, nunca mais se resolve o problema; mas, o PSD, por si próprio, não consegue resolver. E esta é outra questão que nos preocupa. (Continua na página 8 )
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Nacional & Comunidades
PORTUGAL POST Nº 201 • Abril 2011
Crise: Emigrantes preocupados, lamentam que Portugal Durão Barroso distinguido em Bochum com Prémio Steiger 2011 desperdice potencial das comunidades Os emigrantes estão preocupados com a situação política e económica de Portugal, cujos efeitos dizem estar a alastrar à diáspora, e lamentam que o país continue a desprezar o seu potencial como promotores das exportações portuguesas. "Os governos não se interessaram em dinamizar o relacionamento entre o país e as comunidades. Só agora é que se fala seriamente em desenvolver as exportações", disse Manuel Beja. O conselheiro na Suíça falava à Lusa à margem da sessão de abertura do plenário do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP). Para João Pacheco, dos Estados Unidos, Portugal "deve prestar mais atenção aos cinco milhões que vivem na diáspora" e que continuam a enviar divisas para Portugal. José Miranda de Melo, do Brasil, diz que Portugal "vive um momento grave" e que emigrantes e luso-descendentes devem ser mobilizados para servir de elo entre Portugal e os países de acolhimento, apontando como exemplo o Brasil. "Se o país encarar o Brasil
como um mercado importante [o aumento das exportações] poderá ser feito mais rapidamente, mas se houver o mesmo marasmo as coisas poderão continuar muito lentamente e o tempo é pouco para que possamos não perder esse momento bom que o Brasil atravessa", sustentou. No mesmo sentido, Joaquim Rodrigues, de Angola, vê com "muita apreensão" a situação por-
tuguesa e acredita que os emigrantes podem dar um grande contributo para a solução dos problemas. O conselheiro lamenta em particular que as missões empresariais ao estrangeiro "ignorem os empresários portugueses no terreno" que poderiam atuar como facilitadores de contactos. A situação política também preocupa os emigrantes, que apelam ao entendimento entre as várias forças políticas com vista à estabilidade. "O que é preciso é um Governo que traga estabilidade e garanta confiança", referiu. Para Manuel Beja, os acontecimentos mais recentes estão a passar uma imagem negativa de Portugal na Suíça, onde a comunidade está "muito pessimista e cética" quando ao futuro. Para o conselheiro, a solução passa por "um governo de salvação nacional". Por seu lado, José Miranda de Melo disse que os governos de salvação nacional são para os tempos de guerra e defende que o que é preciso é um "governo de salvação económica".
Turismo:
Quase 60 operadores portugueses na Bolsa Internacional de Turismo de Berlim Quase 60 operadores turísticos portugueses e as sete regiões de turismo do país participaram na Bolsa Internacional de Turismo de Berlim (ITB), o maior certame mundial do género realizado no passado mês. O “stand” português, com uma área aproximada de mil metros quadrados, foi visitado pelo secretário de Estado do Turismo, Bernardo Trindade, que no mesmo dia se reúniu com representantes dos principais operadores turísticos locais. Em termos globais, a ITB 2011, ocupou uma área bruta de 160 mil metros quadrados, o equivalente a
25 campos de futebol, conttou com mais de 11 mil expositores de 187 países, e deverá atrair cerca de 180 mil visitantes. Portugal é actualmente o 17.º destino dos turistas alemães, com uma quota de mercado de 1,4 por cento. Em 2010, entraram em Portugal 731 mil turistas alemães, mais 1,4 por cento do que no ano anterior, gerando uma receita de 788,7 milhões de euros, mais 4,7 por cento do que em 2009. O turismo alemão ocupa assim o quarto lugar a nível das receitas e o terceiro no que se refere a entradas e a dormidas em Portugal.
Em declarações anteriores, Bernardo Trindade apontou como objectivo para 2011 a recuperação deste importante mercado emissor, que nos últimos três anos registou um crescimento negativo de receitas de menos 2,4 por cento, devido à crise económica e financeira internacional. O secretário de Estado do Turismo admitiu também que a agitação social no norte de África, sobretudo em países como o Egito e a Tunísia, importantes destinos de férias dos alemães, poderá encaminhar mais turistas germânicos para Portugal, ao longo deste ano.
O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, foi agraciado, na Alemanha, com o Prémio Steiger, criado para distinguir personalidades que se caracterizaram pela frontalidade e abertura nas áreas da vida política, social, cultural e desportiva. Steiger era a designação que se dava na região da Bacia do Ruhr aos mineiros, para designar a sua lealdade e a sua união nos bons e maus momentos, e é também um símbolo de frontalidade, abertura, humanismo e tolerância. A sétima gala de atribuição dos Prémios Steiger decorreu na Jahrhunderthalle, em Bochum.
O ex-primeiro ministro português recebeu o prémio, criado por empresários de Bochum, na Bacia do Ruhr, coração da indústria mineira alemã, na categoria Integração Europeia. “O empenho de Durão Barroso na causa europeia é exemplar, com [a atribuição do prémio] queremos dar um sinal, para que o sonho europeu não fique definitivamente enterrado”, disse o organizador do evento, Sascha Hellen. O elogio de Durão Barroso esteve a cargo do presidente do Parlamento Alemão, Norbert Lammert.
Basílio Horta pede a emigrantes que invistam para apoiar país em “momento difícil“ O presidente da AICEP, Basílio Horta, apelou aos emigrantes portugueses e empresários lusoamericanos nos Estados Unidos, para que invistam em Portugal, para ajudar a ultrapassar o actual “momento difícil”. Falando em Newark para mais de uma centena de convidados, grande parte empresários de origem portuguesa num evento organizado pelas Câmaras de Comércio Luso-Americanas de Nova Iorque e Nova Jérsia incluído no lançamento oficial da nova campanha da AICEP para os Estados Unidos, Horta disse “está a altura dos portugueses não-residentes que gostam da sua pátria ajudarem Portugal”. “Se gostam de Portugal, e se querem ajudar Portugal, comprem produtos portugueses”, pediu Ba-
sílio Horta no encontro, em que estiveram presentes o novo embaixador de Portugal em Washington, Nuno Brito, a cônsul de Portugal em Newark, Amélia Paiva, e D. Duarte Nuno, o herdeiro da coroa portuguesa. “Esta campanha é fundamentalmente dirigida para dar a conhecer o que é hoje a economia portuguesa”, explicou Basílio Horta à no final do encontro. O presidente da AIECP fez questão de notar que a campanha “Portugal Innovate With Us” se destina também aos empresários de origem portuguesa residentes nos Estados Unidos, referindo que “são eles os embaixadores” portugueses no país. “Portugal precisou sempre deles, mas agora mais que nunca”, disse à Lusa.
Fotografia: João Pina entre os nomeados para o Prémio Henri Nannen 2011 O fotógrafo português João Pina foi selecionado para a lista de nomeados do Prémio Henri Nannen 2011 na categoria de foto-reportagem, indica o sítio online do galardão atribuído pelo grupo alemão de publicações Gruner-Jahr. Em sétima edição, o prémio é atribuído aos trabalhos jornalísticos publicados online e em papel na Alemanha ao longo de 2010, e o vencedor será conhecido numa
cerimónia na Deutsches Schauspielhaus, em Hamburgo, a 6 de maio. João Pina encontra-se na lista que reúne cerca de vinte finalistas nomeados, selecionados entre centenas de candidatos, pelo trabalho publicado na edição número nove de 2010 da revista Stern „Der endlose Krieg“ („Guerra sem fim“), sobre a violência no Rio de Janeiro.
Festival Eurovisão da Canção em 2011 Portugal será representado pelos “Homens da Luta” A cidade de Dusseldorf irá receber o Festival Eurovisão da Canção, o maior concurso de música do mundo. Segundo as regras do evento, o país que vence a competição pode organizar, no ano seguinte, o festival. Graças ao desempenho da cantora Lena Meyer-Landrut, a Alemanha ganhou o troféu em 2010 e
com isso a oportunidade de indicar uma cidade como sede para 2011. Após muitos debates, o local escolhido para o festival, cuja final será a 14 de Maio de 2011, acabou por ser o estádio de futebol de Düsseldorf. Dagmar Reim, directora-geral da rede de TV estatal Berlin-Brandemburg, havia encabeçado a
campanha a favor de Berlim e esclarece que a escolha se deu por razões financeiras. Também Hamburgo e Hannover eram candidatas. Düsseldorf é a capital do estado da Renânia do Norte-Vestfália e o seu estádio pode comportar 24 mil espectadores, enquanto Berlim, descontados os lugares
para as delegações europeias, só ofereceria 8 mil. Ou seja, escolheu-se a cidade cuja receita da venda de ingressos será mais alta. Recorde-se que Portugal trará a Düsseldorf a canção ‘A luta é alegria’ do grupo „Homens da Luta” que venceu a 47.ª edição do Festival RTP da Canção, que se realizou no Teatro Camões, em
Lisboa, com a votação do público a mostrar-se decisivo no resultado final. A canção vencedora tem letra de Jel e música de Vasco Duarte e foi interpretada pelos Homens da Luta que vão representar a RTP no Festival da Eurovisão 2011 na cidade de Dusseldorf, na Alemanha, em Maio.
Nacional & Comunidades
PORTUGAL POST Nº 201 • Abril 2011
Opinião
Maria Teresa Duarte Soares*
Rui Paz
Ensino português no estrangeiro
PCP:
Sobrevivência ameaçada
90 anos de luta tão da frente” da UE. Mas hoje que PCP fez 90 anos no dia 6 de o desastre está à vista, mais uma Março. No Sábado, dia 16 de vez se confirma que nenhum outro Abril, vai ser festejado este partido defende Portugal, os traaniversário com um jantar balhadores e o povo português na Associação Portuguesa como o PCP. Hoje que as grandes de Neuss. Toda a comunidade potências da União Europeia preportuguesa progressista da Aletendem liquidar uma parte impormanha deveria participar neste tante da nossa Constituição acto comemorativo. Fundado em retirando à Assembleia da Repú1921, cinco anos antes do golpe blica Portuguesa o direito legítimo militar que instaurou em Portugal de decidir a política orçamental a mais longa ditadura fascista da que o povo português decidir, é o Europa, o PCP sempre lutou pela PCP que mais uma vez liberdade, pelos direitos dirige a luta de resistêndos trabalhadores e pela independência e PCP festeja o cia contra o roubo dos soberania nacionais. aniversário na salários, o aumento da idade da reforma, o enNão é possível fazer a Associação cerramento das escolas e história de Portugal dos últimos 100 anos sem Portuguesa em do serviço nacional de saúde e o abandono das ter em conta a existênNeuss comunidades portuguecia e a acção do PCP. Ao sas espalhadas pelo longo de todos estes mundo. É o PCP que recusando a anos milhares de comunistas sodestruição da nossa economia e a freram torturas, a prisão e a morte capitulação dos nossos governanpara que Portugal pudesse tornartes ergue a bandeira da soberania se num país mais livre e mais nacional e aponta o caminho da justo. É esta a razão porque os coverdadeira alternativa lançando a munistas portugueses gozam de campanha “Portugal a Produzir – grande prestigio não só entre os Emprego, Soberania, Desenvolvitrabalhadores e o povo do seu mento”. país, mas também entre as forças Todos os portugueses verdademocráticas, progressistas e redeiramente democratas e patriovolucionárias do mundo inteiro. tas deveriam estar orgulhosos por O PCP foi o grande Partido da termos um Partido assim! Revolução de Abril. O Partido das transformações profundas que abriram caminho à liberdade, à Publicidade melhoria das condições de vida, ao fim da guerra colonial, à reforma agrária, às nacionalizações e ao regime democrático consagrado na Constituição da Republica Portuguesa. Nas últimas três décadas o PCP também tem sido o Partido da resistência à política de direita, à ofensiva dos sucessivos governos contra as conquistas do 25 de Abril. Uma ofensiva marcada pela entrega do sector empresarial do Estado ao capital privado e aos especuladores e que tem provocado o rápido alastrar do desemprego, da miséria e a acumulação obscena de riqueza por uma minoria parasitária. Só as três famílias mais ricas de Portugal possuem hoje fortunas no valor de seis mil trezentos e oitenta milhões de euros. O equivalente ao rendimento anual de três milhões de portugueses. Quando o PCP avisou que Maastricht, a União Monetária e o Tratado de Lisboa teriam graves consequências para a soberania e economia nacionais e para o nível de vida dos portugueses, ninguém quis acreditar. Acusaram o PCP de “utópico”, “nacionalista”, de não compreender as necessidades dos “tempos modernos”. Diziam que o importante era estar-se no “pelo-
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ormalmente, quando uma espécie animal se encontra em vias de extinção, surgem sempre campanhas defensoras da mesma, com o objetivo de preservar a espécie ameaçada. Infelizmente, tal procedimento não tem sido, até agora, adotado no respeitante ao ensino português no estrangeiro,espécie também ameaçada, visto que, depois de ter sido alvo de várias tentativas do Ministério da Educação para o extinguir ou pelo menos reduzir, se encontra agora,depois de mais de trinta de anos de existência, a atravessar um dos períodos mais críticos da sua história, sob a tutela do Instituto Camões. Desde o início de funções em Fevereiro de 2010, o IC tem seguido um regime economicista que nada augura de bom para o futuro do ensino da língua e cultura portuguesas nas comunidades. Logo no início do presente ano letivo assistiu-se à tentativa de terminar as funções dos professores de apoio, só tendo permitido o regresso dos mesmos às suas actividades, e mesmo assim com forte redução horária, depois de veementes protestos de sindicatos, pais e professores. Para o próximo ano letivo, 2011/2012, o IC tem como objetivo a redução do número de horas letivas semanais para cada grupo de alunos, atitude essa que significará menos horas de aula para a maioria dos alunos e professores condenados ao desemprego ou a terem de desistir das suas funções, dado não poderem sobreviver com os salários correspondentes a horários reduzidos. Invocando a desfavorável conjuntura económica atual e a necessidade de medidas de austeridade, ignorando porém deliberadamente os milhões de euros enviados para Portugal pelos
trabalhadores portugueses no estrangeiro,o IC prepara, para o sistema de EPE, um golpe que poderá ser fatal, visto que depois dos cursos encerrados será muito difícil voltar a abri-los. Incompreensivelmente, e de modo que só pode ser designado de discriminatório,os alunos que frequentam o ensino integrado, como é o caso da Espanha e de parte do Luxemburgo,continuarão a ter exatamente o mesmo número de horas, independentemente da quantidade de alunos por grupo, o que equivale a dizer que tanto alunos como professores têm os seus horários garantidos, pois segundo o IC não é possível fazer aí modificações, dado a elaboração de horários ser da responsabilidade das entidades escolares locais, embora os professores sejam pagos pela entidade portuguesa. Ora este procedimento é, no mínimo, injusto. Nem os alunos nem os professores escolhem o sistema a que pertencem, portanto qual é a legitimidade para alegar que haverá reduções apenas no sistema paralelo, aquele que é frequentado pelos alunos que têm uma sobrecarga maior, pois quase sempre têm de se deslocar a outra escola para as aulas de Português depois do seu dia escolar normal? Não seria esta agora a melhor altura para melhorar as condições de trabalho destes alunos e dos seus professores, permitindo, por exemplo, a constituição de grupos mais reduzidos de alunos, desde que fosse possível terem Português na escolas que já frequentam, mesmo extra- horário , o que evitaria deslocações desgastantes tanto às crianças como aos pais? Tudo se torna ainda mais incompreensível se se levar em conta que o IC está disposto a disponibilizar verbas para abertura de cursos de Português para estrangeiros nas escolas dos paí-
ses de acolhimento, cursos estes destinados a alunos alemães, suíços, franceses, etc. Esta iniciativa seria muito louvável se não fosse o seu caráter contraditório, pois reduzir as aulas para os alunos portugueses e luso-descendentes invocando a necessidade de poupança, demonstrando por outro lado disponibilidade económica para criar cursos de português para alunos de outras nacionalidades, leva a perguntar quais serão as intenções e objetivos por trás de tal procedimento e até que ponto existe realmente vontade política de servir os interesses das comunidades portuguesas. Seria certamente muito mais lógico e correto que aos filhos dos trabalhadores portugueses fosse dada prioridade em todos os assuntos respeitantes à aprendizagem da língua e cultura de origem,porém não é esta a realidade do momento, visto que ao mesmo tempo que é reduzido o ensino aos portugueses, este é-ou vai ser- oferecido a título gratuito às outras nacionalidades. Divulgar e promover a língua e cultura portuguesas, sim. Mas nunca à custa da redução do direito dos jovens e crianças , filhos de pais portugueses, a um ensino da sua língua e cultura em condições aceitáveis. Mais do que nunca, a sobrevivência do EPE encontra-se ameaçada. Uma extinção a curto prazo só poderá ser evitada por um esforço conjunto das associações, pais, alunos e professores, fazendo valer os seus interesses e demonstrando claramente a sua oposição a medidas economicistas e discriminatórias. * Maria Teresa Duarte Soares Professora de LCP e SecretáriaGeral do SPCL – Sindicato dos Professores nas Comunidades Lusíadas
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Alemanha
PORTUGAL POST Nº 201 • Abril 2011
Eleições
Plebiscito limita a dívida pública
Partido Os Verdes alcança vitória histórica em eleições regionais alemãs
Constituição alemã proíbe o Estado de fazer Dívidas a partir de 2020
Foto: DPA
António Justo
Winfried Kretschmann, de Os Verdes, em pose de vitória O estado alemão de BadenWürttemberg, um reduto que a União Democrata Cristã (CDU) governa de forma ininterrupta desde 1953, passará para as mãos da oposição social-democrata e verde, de acordo com resultados das eleições realizadas naquele Estado. Também o estado vizinho da Renânia-Palatinado, que até agora é governado pelo Partido Social Democrata (SPD), passará a ser governado por uma coligação de sociais-democratas e verdes. A CDU, partido da chancelerfederal Angela Merkel, obteve em Baden-Württemberg 39% dos votos e perdeu 5,2 pontos percentuais em relação às eleições de 2006. O partido Os Verdes deu um salto, alcançando cerca de
24% (contra 11,7% em 2006). O SPD perdeu 2,1 pontos percentuais para fechar em em cerca 23,1%. Dessa forma, verdes e socialdemocratas contam com a maioria necessária para retirar os conservadores do poder de Baden-Württemberg depois de quase 60 anos, e um político de Os verdes, o candidato Winfried Kretschmann, pode encabeçar pela primeira vez um governo regional na Alemanha. Os liberais, tradicionalmente fortes neste estado próspero e conservador do sudoeste alemão, perderam quase a metade de seu apoio eleitoral e conseguiram apenas 5,2% dos votos. O debate em torno do uso de
energia nuclear, desencadeado após o acidente na central japonesa de Fukushima, dominou a campanha. A viragem do governo Merkel, que anunciou uma moratória no plano de prolongar a vida dos reactores no país foi considerada por muitos eleitores como uma manobra eleitoral. As eleições em Baden-Württemberg eram consideradas a prova de fogo para Merkel e seus parceiros liberais na série de sete eleições regionais que encerram em Setembro com as eleições na cidade-estado de Berlim. A derrota em Baden-Württemberg foi um duro golpe para a centro-direita de Merkel, que também perdeu em outros estados, a Renânia do Norte-Vestfália e Hamburgo.
Catorze anos de prisão para homem que violou filha e enteados durante duas décadas Um alemão foi condenado a 14 anos e meio de prisão por ter violado, durante mais de 20 anos, a filha, o enteado e a enteada, de quem teve oito filhos. Detlef Spies, de 48 anos, “tratava a família como se fosse propriedade sua a quem podia fazer o que quisesse”, afirmou o presidente do tribunal, Winfried Hetger, no final do julgamento em Coblenz “Tinha uma ascendência tão grande sobre a família que não precisava de fechar fosse quem fosse… Dizia às suas vítimas que o que lhes fazia era permitido”, acrescentou o magistrado. O caso de Spies chocou a opinião pública na Alemanha, onde foi comparado com o do austríaco Josef Fritzl, condenado em 2009 a prisão perpétua por ter sequestrado e violado a filha durante 24 anos e ter tido sete filhos dela. Spies declarou-se culpado de
ter violado repetidamente entre 1987 e 2010 a filha, Jasmin, e os dois filhos da mulher, um rapaz e uma rapariga, Natacha, a quem fez oito filhos. Uma das crianças nascidas morreu pouco tempo depois de nascer. O alemão, um antigo motorista de camião no desemprego, confessou todos os crimes. Spies violou as duas raparigas a partir dos 12 anos e prostituiuas, por algumas dezenas de marcos, numa casa que tinha na aldeia de Fluterschen, perto de Coblenz. O homem também batia frequentemente nas três crianças, com um cinto ou com um chicote feito por si próprio, segundo o procurador Thorsten Kahl. “Juntando todos estes crimes, perfazemos uma pena de 500 anos e dez meses de prisão, mas a lei alemã não permite essa acumulação”, explicou o juiz ao pronunciar uma condenação a 14 anos e seis meses de prisão. O Ministério Público pediu que fossem retirados seis meses à pena máxima de 15 anos devido à confissão dos crimes.
A sentença foi recebida com exclamações de alegria na sala de audiências. Detlef Spies assistiu à leitura impassível. O processo pôs em evidência o fracasso dos serviços sociais e dos vizinhos em pôr termo aos abusos. O enteado de Detlef Spies, Bjorn, disse à imprensa no início do julgamento ter alertado os serviços sociais há vários anos e acusou-os de nunca terem denunciado o sofrimento das crianças. A investigação revelou que a polícia abriu um inquérito em 2002, mas arquivou-o depois de a filha de Spies ter negado o factos e a enteada ter recusado falar. O antigo motorista de camião acabou por ser detido a 10 de Agosto de 2010, na sequência de uma denúncia feita pela enteada. A mulher, de cerca de 50 anos, foi ouvida como testemunha no processo mas não foi processada. “Este veredicto é também uma mensagem para outras vítimas em silêncio, para que tenham coragem de falar. Só então o seu sofrimento terá fim”, disse o juiz.
Na Constituição da República Federal da Alemanha foi inscrito um parágrafo que proíbe o Estado de fazer novas dívidas a partir de 2020. A responsabilidade para com as gerações futuras exige uma limitação consequente das dívidas públicas. Estas impedem as gerações futuras de fazerem os investimentos então necessários. No Domingo, 27.03.2011, o Estado confederado do Hesse levou a efeito um referendo para o povo se pronunciar se deveria ser incluído, na Constituição deste Estado, um parágrafo travão da dívida pública. 70% dos votantes votaram “sim” e 30% “não”. CDU, SPD, FDP e Verdes tinham feito propaganda a favor da cláusula na Constituição; só o partido “Die Linke”(A Esquerda) fazia propaganda contra prevendo que tal medida disciplinar legislativa virá a ter más consequências para o Estado social. Hesse foi o primeiro Estado da RFA a realizar um plebiscito sobre a proibição de endividamento. O presidente do Estado do Hesse, Volker Bouffier (CDU), considera esta decisão como uma das mais importantes do ano. Este referendo obriga o Estado do Hesse ao cumprimento do travão das dívidas mesmo que, hipoteticamente, o Tribunal Constitucional da RFA anulasse o parágrafo introduzido na Constituição da RFA, refere o jornal HNA de 28.03.2011. A partir de 2020, o Orçamento de Estado não pode assumir novos créditos. Excepções só
serão possíveis em caso de catástrofes da natureza ou duma crise financeira grave. Segundo a União dos Contribuintes, Hesse, com uma população pouco superior a seis milhões de habitantes, atingirá os 40 mil milhões de Euros de dívidas, no Verão. Devido aos juros, a dívida aumenta 71 euros por cada segundo que passa. Com a proibição por lei de fazer dívidas, os partidos reconhecem a sua incapacidade política de fazerem o que deveriam fazer, isto é, governar com um orçamento equilibrado como faz a boa dona de casa. Com esta limitação constitucional, os partidos passam a ter um argumento válido para pouparem e não se preocuparem apenas com medidas tendentes a facilitarem a sua reeleição depois de cada legislatura! Esta é uma medida tendente a disciplinar a política partidária! A situação financeira de grande parte dos países, a nível europeu e mundial, é tão grave que gerações futuras teriam de trabalhar quase só para pagarem os juros e as dívidas públicas dos seus Estados. Esta situação terá, como consequência certa, a falência de Estados e uma reforma da moeda. Num tempo em que parte da consciência humana já não vê na guerra a solução para os problemas, terá que surgir, em vez dela uma desvalorização total da moeda para que os Estados possam começar de novo. A Alemanha dá assim o exemplo ao mundo no sentido de se autodisciplinar e de assumir responsabilidade concreta.
Desemprego desceu em Fevereiro, apesar de rigoroso inverno O número de desempregados na Alemanha desceu ligeiramente em Fevereiro, situando-se nos 3,317 milhões, menos 33 mil pessoas do que no mês anterior, apesar do rigoroso inverno, que afectou a actividade de alguns sectores industriais. Quanto à taxa de desemprego passou de oito por cento para 7,9 por cento, anunciou a Agência Federal do Trabalho, em Nuremberga. Em termos homólogos (comparação com igual mês do ano anterior) há agora menos 326 mil desempregados, e a taxa de desemprego desceu dos 8,7 por cento registados em Fevereiro de 2010 para 7,9 por cento. O presidente da BA, Frank-Juergen Weise, manifestou-se satisfeito com os resultados que anunciou, sublinhando que o número de trabalhadores inscritos
na previdência social e as vagas para novos empregos continuam a crescer. O número de trabalhadores, porém, diminuiu 591 mil em Fevereiro, na comparação em cadeia (com o mês anterior), e situa-se agora nos 40,2 milhões, comunicou o Instituto Federal de Estatística (Destatis). Os especialistas alemães sublinharam que este recuo se deve a razões sazonais, e está dentro dos padrões normais para o período correspondente. Já a comparação homóloga, com Fevereiro de 2010, revela que há agora mais 466 mil trabalhadores no activo, segundo o Destatis. Devido à boa conjuntura, os analistas consideram possível que ao longo deste ano seja ultrapassada a barreira dos 41 milhões de trabalhadores no activo. FA
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PORTUGAL POST Nº 201 • Abril 2011
Opinião Carlos Gonçalves*
O empreendedorismo nas Comunidades Portuguesas
P
ortugal vive hoje uma grave crise económica e financeira com impacto directo na degradação da qualidade de vida dos seus cidadãos e no agravamento perfeitamente visível da imagem do país a nível externo traduzido nas dificuldades crescentes em conseguir financiamento fora do país. Neste momento tão complicado torna-se ainda mais importante que Portugal conte com todos os portugueses para um esforço de recuperação e que conte fundamentalmente com aqueles que residem no estrangeiro e sempre se mostraram disponíveis para ajudar o país nos momentos mais difíceis porque tem
passado a Democracia Portuguesa. Os portugueses da nossa Diáspora e nomeadamente aqueles radicados na Alemanha alcançaram já, em muitos casos, importantes posições económicas que lhes permitem realmente ser fundamentais para o nosso país, caso as autoridades portuguesas saibam como tirar proveito dessa mais valia. Os empresários portugueses da Alemanha, fortalecidos já por uma Federação empresarial, de mérito reconhecido e grande dinamismo, são um trunfo que Portugal pode utilizar neste momento mais complicado que vivemos em termos económicos, através do potenciamento da rela-
ção com os empresários radicados aqui em Portugal, promovendo a troca de investimentos e de produtos. Para isso é necessário que as instituições portuguesas que trabalham nesta área do investimento económico e da internacionalização da economia tenham a capacidade de saber atrair estes empresários com ver-
“Os empresários portugueses da Alemanha, fortalecidos já por uma Federação empresarial, de mérito reconhecido e grande dinamismo, são um trunfo que Portugal pode utilizar neste momento mais complicado que vivemos em termos económicos”
dadeiros programas de incentivos ao investimento em Portugal, conseguindo ultrapassar as numerosas barreiras burocráticas que na maior parte dos casos se criam aos processos desencadeados por esses empresários. Ao mesmo tempo era necessário que o Governo tivesse tido ao longo destes já seis anos uma política económica direccionada para as nossas Comunidades, mas na verdade o que se verificou ao longo deste tempo foi a ausência de iniciativas legislativas destinadas às empresas e aos jovens empresários portugueses residentes no estrangeiro. O que se verificou foi até, pelo contrário, a adopção de um conjunto de medidas
que acabaram por ter um efeito exactamente contrário e que levaram a uma diminuição até das remessas das famílias portuguesas da Diáspora. Mais uma vez pego neste tema da capacidade de todos os nossos compatriotas residentes no estrangeiro para ajudarem ao desenvolvimento de Portugal. Mais uma vez deixo aqui um apelo às autoridades portuguesas para criarem uma verdadeira política para as Comunidades que as promova dentro do nosso país e lhes dê as capacidades para se afirmarem como merecem. * Carlos Gonçalves é deputado do PSD eleito pelo Círculo eleitoral da Europa
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Comunidade
PORTUGAL POST Nº 201 • Abril 2011
Entrevista com o deputado Carlos Gonçalves
Festa do XIV Aniversário do Centro Português de Fellbach
“O eng° José Sócrates convive mal com as Comunidades”
Augusto Canário & Amigos galvanizam cartaz de grande qualidade
(continuação da página 2) A grave crise dos Recursos Humanos dos Consulados PP: E outras matérias que o tenham sensibilizado através dos contactos empreendidos? C.G.:Outra matéria que foi ventilada, tanto em Dusseldorf como em Estugarda, é a questão dos Recursos Humanos dos Consulados, com uma particularidade que me diz muito como sabe - porque fui dirigente sindical dos Trabalhadores Consulares. Não só como Secretário de Estado como também nas funções de deputado, já várias vezes apontei os caminhos para a resolução deste problema, que é a questão das chefias intermédias. Temos um grande problema de Recursos Humanos nos serviços consulares e diplomáticos, mas temos sobretudo um problema gravíssimo pela falta de quadros para representarem funções de Vice-Cônsul e de Chanceler. Neste momento, Düsseldorf não tem nenhum vice-cônsul nem nenhum chanceler; portanto a Cônsul não tem ninguém para a substituir - nem sequer na assinatura de documentação. E neste momento, em Estugarda, caminhamos para a mesma situação porque a única funcionária desse posto vai-se aposentar. Portanto, é uma situação muito complicada: o Consulado pode ser obrigado a parar, de um momento para o outro, por algum imponderável. PP: Como vê o desempenho do
António Braga, o actual Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas? Acha que ele participa daquela nuvem de „ obstinada inacção „ com que, Passos Coelho, o líder do seu partido, adjectiva a gestão do actual Governo de José Sócrates? C.G.: O problema não é propriamente o Secretário de Estado, António Braga. Que, evidentemente, poderá ter algumas responsabilidades. Tem a ver com a postura que este Governo tem no seu todo. E muito particularmente, o sr. Primeiro Ministro, a postura que assumiu em relação aos portugueses residentes no estrangeiro. O eng° Sócrates convive mal com as Comunidades. Não sei porquê, e gostaria de saber. Não teve em seis anos de governação o mínimo incentivo que se aponte - para as Comunidades Portuguesas. O próprio Ministro dos Negócios Estrangeiros- que calcorreia o Mundo - e a que reconheço muito mérito nalgumas iniciativas da nossa politica externa - não tem qualquer preocupação por esta área. Não tem um momento para que atenda esta questão. Portanto, falar do Secretário de Estado é uma forma de falar do que se não realiza, apesar de ser o nosso mais directo interlocutor. Mas é um problema bem mais grave é um País – que através do Governo e do seu Primeiro Ministro- não percebe as Comunidades Portuguesas. No meu partido, e regozijo-me, todos os líderes nacionais visitam as Comunidades Portuguesas; e aqui expresso o reconhecimento aos militantes do meu par-
tido que obrigam os lideres a visitarem os núcleos espalhados pelo Mundo. Os militantes do PSD no estrangeiro não aceitam que o seu líder não venha ter com eles. PP.: Mas no documento que circula no interior do PSD do eng°. Carrapatoso - Mais Sociedade - não se vislumbra também nenhuma referência às Comunidades? C.G.:Há muitos anos que luto para que as Comunidades Portuguesas façam parte integrante do todo nacional. Ou seja, quando discutimos os problemas do País, deviamos estar a discutir os problemas do País no seu todo. Que incluiria, imediatamente, as Comunidades Portuguesas. Nós, eu, você, o PORTUGAL POST, cometemos este erro- que é um erro da experiência- que quando não somos nós a falar, ninguém se lembra de nós. E, portanto, quando se imagina, a solução dos problemas de Portugal, nós, à partida, sentimos que não estamos lá. Todos os projectos para construir Portugal têm que integrar os portugueses residentes no estrangeiro. E tem que os integrar: não para que tenham pena de nós. Neste momento, quem é que precisa de quem? Acho que Portugal é que precisa de nós. Portanto, não parece que possa haver no momento que vivemos um projecto que não conte connosco. Independentemente das atitudes que sentem em Portugal em relação a eles, os emigrantes nunca deixaram de sentir Portugal, de apoiar Portugal e de ajudar Portugal. F. Almeida Ribeiro
O célebre grupo minhotoconcertina, desgarradas e outros efeitos...- vão ser o extra momento fenomenal da grande festa do XIV Aniversário do prestigiado Centro Português de Fellbach,que irá decorrer no FestHalle-Schmiden daquela cidade dos arredores de Estugarda. O evento terá início às 19 horas do dia 9 do corrente mês de Abril, de acordo com o que o P.Post apurou junto de fonte da organização. Buffet volante com especialidades assegurará o retemperar de forças para a dança e o convívio fraternal. Por certo que o gigantesco pavilhão municipal irá encher para ver, ouvir e dançar ao som do magnifico grupo Augusto Canário & Amigos, e do conjunto Dance2, que interpretará até de madrugada os hits mais entusiásticos do momento. A exibição do Rancho
Folclórico Estrelas de Fellbach, do Centro, e dos Grupos „ caseiros „ de Dança Moderna, MiniSplash e The Funmkys marcaram também o ritmo do grande acontecimento. O grande show de Augusto Canário& Amigos está, por certo integrado, no Tour 2011, intitulado „ Biba a Rambóia !“. O Centro Português de Fellbach, fundado em 28 de Fevereiro de 1997, pertence à „ jóia da coroa „ dos Centros e Associações de Estugarda. Sempre apostou na via democrática plena e transparente para erguer o seu meritório historial. Nunca tomou caminhos espúrios e fez frente com pondunor e galhardia à adversidade, mercê da garra e bairrismo do núcleo de fundadores. O P.Post associa-se com muito orgulho à passagem do XIV Aniversário do C.P. de Fellbach. Publicidade
Dia 9 de Abril Grande Festa em Fellbach
REPORTAGEM Pelas 19 horas na Festhalle-Schmiden, Hofäckerstr.2- 70736 Fellbach-Schmiden. Participação do Rancho Folclórico Estrelas de Fellbach, grupos de dança moderna, Mini Splash e The Funnkys Baile com o conjunto músical DANCE 2 Preço dos bilhetes: Pré-venda 14 € no dia da festa 17 €, sócios com cotas actualizadas 10 € Informacões: João Almeida: 01733203814 José Loureiro: 01723463611
Portugal Post Verlag Um grupo de alunos do 11º ano dependente do Instituto Camões, curso a funcionar na escola bilingue em Hamburgo, visitou a Assembleia da República no passado dia 11 de Março de 2011, acompanhado pela Professora Maria Rosa Barros, onde foi recebido pelos deputados Carlos Gonçalves e José Cesário. Na foto: o Deputado Carlos Gonçalves, ao centro, acompanhado pelos jovens alunos.
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Comunidade
PORTUGAL POST Nº 201 • Abril 2011
Rancho Folclórico Infantil de Mainz festejou o seu 35º aniversário
Por questões de impossibilidade, não nos foi possível publicar na passada edição as conclusões do encontro que se realizou em Hamburgo no passado dia 5 de Fevereiro entre a responsável pela coordenação do ensino, Sílvia Pfeifer, professores e encarregados de educação e a presença do Cônsul-Geral e de Alfredo Stoffel, membro do Conselho das Comunidades (CCP). O encontro, que decorreu no Consulado-Geral de Portugal em Hamburgo, serviu fundamentalmente para informar a comunidade sobre a situação do ensino na área de jurisdição do consulado. Sílvia Pfeifer fez questão de destacar que privilegia o contacto directo com as pessoas, de modo a auscultar as preocupações e, por outro lado, dar resposta às questões com que as pessoas de debatem. Neste contexto, no que diz respeito à contratação de professores a responsável teve de informar os presentes dos obstáculos burocráticos que tem enfrentado, nomeadamente no processo de recrutamento e contratação local de professores. A este propósito, Sílvia Pfeifer disse-nos, à margem do encontro, que sentiu um “grande descontentamento provocado pela falta de um professor que serve três comunidades distintas “ e que as “justificações que me têm sido dadas até ao momento para a não abertura dos cursos são insuficientes para responder às necessidades e ansiedades da comunidade”. “Por isso, eu penso que a única coisa que posso dizer neste mo-
Foi no passado dia 12 de Março que se Realizaram as celebrações do 35° aniversário do Rancho Folclórico Infantil de Mainz num salão de festas em Nackenheim e em que estiveram presentes vários ranchos das cidades vizinhas. Para animar o serão, o grupo musical Ciclete de Wiesbaden abrilhantou o baile. Este rancho fundado em 1976 em Kostheim-Mainz, por dois irmãos, o Rev.Padre António Cabral (entretanto falecido) e sua irmã Olívia Cabral, Muitas têm sido as crianças
Foto: Fernando Soares
Comunidade em Hamburgo manifesta preocupação com o ensino do português aos jovens alunos
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Aspecto da mesa da reunião. Da esq., Alfredo Stoffel, Cônsul-Geral, António José Alves de Carvalho, e Silvia Pfeifer, Coordenadora-Geral do Ensino mento e que me proponho agir e recolher mais informação junto das entidades responsáveis pelos cursos e continuar, como tenho feito até agora, a tentar junto dos órgãos competentes a pressionar para que o professor seja colocado nesta região que tem o curso em aberto mas também nas outras áreas consulares da Alemanha no total são seis vagas ainda por preencher”, acrescentou. Por seu turno, Alfredo Stoffel, membro do Conselho das Comunidades Portugueses, também presente no encontro, disse ao PP que „existe pouca vontade política e falta de clareza na resolução dos problemas que atingem o ensino do português na Alemanha“. Sobre as informações que a Coordenadora prestou à comunidade, Alfredo Stoffel referiu que „as justificações apresentadas pela coordenadora, a meu ver, não acalmou os ânimos da comunidade”. „Este problema do ensino já vem de longa data, não é de agora e é altura de perguntar às entidades oficiais portuguesas o que es-
peram fazer no ensino da língua portuguesa no estrangeiro. Reduzir tudo a questões económicas e justificar as falhas por falta de dinheiro é muito pouco“, disse o conselheiro. Questionando os resultados da reunião Alfredo Stoffel foi bem claro: „o que eu e a comunidade gostávamos é que alguém falasse e esclarecesse claramente as coisas, sem muitos rodeios e desculpas por falta de verbas. A comunidade portuguesa está aberta a um diálogo claro e directo. Quando membros do governo dizem que se deve dar mais valia àlusofonia e sobretudo valorizar as comunidades na diáspora, a meu ver, deixar as coisas em aberto como estão, leva-me a duvidar que não seja só a falta de dinheiro o grande obstáculo. Creio que estamos perante uma estratégia para desmotivar os alunos e a comunidade na luta pela a continuidade do ensino do português no estrangeiro“
que vão passado por este grupo ao longo dos seus longos 35 anos. Miúdos entre os 4 e 13 anos de idade vão aprendendo e divulgando a música e danças tradicionais do Norte a Sul de Portugal. Deixa-se aqui uma palavra de reconhecimento à senhora Fátima Torres e aos ensaiadores Norberto Guerreiro e Isabel Nunes pelo seu esforço e trabalho. Eles têm levado estas crianças a participar em festivais com grande sucesso e participaram já com uma actuação no programa das manhãs da RTP Praça da Alegria. Maria do Céu, corresponte
Comunidade lusa elege os mais bonitos e as mais bonitas de Rhein-Main
Maria dos Anjos Santos, correspondente
GENTE MARCO MATIAS Depois de ter sido descoberto num CastingShow realizado pelo canal televisivo ZDF em 2003, o cantor Marco Matias é uma destacável figura da Comunidade lusa na Alemanha. Nascido em 1975 em Solingen, Marco Matias pisou os mais famosos palcos da música na Alemanha, tendo conseguido o segundo lugar numa final do Festival da Eurovisão da Alemanha com o conhecido título A Miracle of Love. Destaque ainda para a sua participação no concurso Deutschland sucht den Superstar (DSDS). Refira-se ainda e edição do Single com o título Rhythm of Love em que canta em duo uma outra cantora (Nicole Süßmilch). Neste momento, Marco Matias faz, juntamente com o músico Restrepo, uma digressão pela Alemanha para apresentar o novo album “Dia da Esperança” Foto: Cortesia Marco Matias
Foi no dia 19 de Março que se realizou um jantar-convivio da comunidade lusa de Rhein-Main para escolher a Miss e Mister dos 4 aos 22 anos. Foram inscritos cerca de 40 jovens de ambos os sexos. Na abertura do evento assistimos à actuação do Rancho Infantil de Mainz, sendo que logo a seguir começaram a desfilar os príncipes e princesas mais pequenos. Este foi um grande momento da noite com os miúdos vestidos a rigor com um ou outro que se distinguia. Terminado o desfile, o júri classificou primeiro as meninas: 1º lugar ficou Maria João, 2º. Nadine Falcão Teixeira, 3º.Natalie Martins. Os meninos foram classificados da seguinte forma: 1º Markus Sing, 2º Florian Saraiva, 3º Tiago. Com um momento de música pelo meio, começou depois o desfile das candidatas e dos candidatos a Miss e a Mister. O público assistiu e muito se especulava
sobre quem sairia dali escolhida como a rainha da noite. O jurí atento à beleza das concorrentes decidiu a votação. Eleita Miss Comunidades Rhein- Main foi Jessica Gomes e as suas damas de honor Andrea Oliveira e Jessica Figueiredo. Já na eleição para Mister, Ricardo Mendes e seus acompanhantes Domingos Simões e Joel Teixeira foram os escolhidos. Eram já 02h00 quando a festa terminava também com muita música . No final, a organização ficou feliz com o resultado do evento, tendo agradecido a presença de dois jornalistas da RTP internacional e de todos quantos ajudaram ao êxito do espectáculo. A organização pensa dar continuidade a esta iniciativa, tendo já assegurado o patrocínio de algumas empresas que cooperaram com a organização e a quem muito se agradece. Maria do Céu, correspondente
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Entrevista
PORTUGAL POST Nº 201 • Abril 2011
José Eduardo: Quase 50 longos anos a viver e a trabalhar na Alemanha
“Considero este País a minha segunda Pátria”
Impunha-se ouvir José Eduardo, funcionário da Tap durante quatro décadas, sindicalista aguerrido e membro do Conselho das Comunidades. Trata-se, sem sombra de dúvidas, de uma das mais cativantes e exemplares das personalidades da Comunidade lusa. Que não tem muitas, infelizmente. E onde os vícios e pruridos crescem como cogumelos... A todos os níveis.
Portugal Post: O que o levou a rumar para a Alemanha, salvo erro, no início dos anos 60? José Eduardo: Estávamos em 1963. No ano seguinte eu ia completar os 20 anos e por isso como qualquer outro jovem daquela idade eu tinha apenas uma saída, ia para a guerra. Este era um tema muito discutido em nossa casa, uma vez que o meu irmão mais velho já tinha feito a guerra na Índia, um outro irmão nosso estava na altura em Angola, e um terceiro já estava na tropa. Nessa altura que morreu em Angola um grande amigo da nossa família. Foi então que decidi que não iria para a guerra. Restava-me para isso uma única possibilidade, que era sair de Portugal. O meu irmão mais velho estava na altura estudar na Alemanha. Pedi-lhe para me levar também para lá. Caso tal não fosse possível, eu estava decidido a tentar a fuga para a França. Como disse o tema guerra colonial era muito discutido em nossa casa e eu tinha consciência
de que se tratava de uma guerra injusta. Por isso em vez de ir lutar e talvez morrer por uma causa que não era minha e que considerava injusta, acabei por emigrar para a Alemanha. Pensava ficar apenas até à altura em que passaria à reserva, o que acontecia aos 27 anos. Porém a lei foi alterada e acabei por ficar toda uma vida neste País que me acolheu. Aqui vivo portanto há quase cinquenta anos e não obstante nunca ter querido nacionalizar-me alemão, confesso que me sinto aqui como estando em casa. Considero este País de acolhimento como a minha segunda Pátria. PP: Quais as linhas de força maiores do seu ideário humano, da sua vontade de mudança ininterrupta alicerçada numa ética superior em prol do bem estar dos outros membros da Comunidade? J.E:Eu costumo dizer que há coisas que nascem connosco. Ou melhor, aprendem-se quando ainda estamos na barriga das nos-
sas mães. Eu tive a sorte de nascer balho. Aos poucos fui ganhando Pode-nos revelar os factos numa família em que se dava colegas para o sindicato, pensámais salientes impostos pela muito valor aos outros. Quando mos em constituir um BR e Revolução na vida e cultura vim para a Alemanha, o meu pai quando a maioria estava sindicalida Comunidade? Qual a sua fez questão em me levar à estação zada, o nosso Sindicato propôs neparticipação no Movimento do Comboio, a conhecida “Estação gociações para um contrato Associativo lusitano ao longo da minha Vida”, que dista cinco colectivo de trabalho. Assim, e destas décadas? quilómetros da nossa terra. Duquase de repente vi-me metido J.E.: Quando se deu o 25 de rante o percurso, deu-me uma numa comissão sindical e num Abril, esta revolução não foi nenlinda lição, que nunca esqueci Conselho de Empresa. Pertenci a huma surpresa para mim. Nessa nem esquecerei. Falou-me do estes dois órgãos até ao dia e que altura já militava no Partido Soamor ao próximo, da grande rime reformei. cialista e também no SPD. Tinha queza que são os nossos amigos, e Depois e como sabemos todas estado em Portugal pela Páscoa e, da importância de nos preocuparas outras actividades vêm por nos contactos que tive com alguns mos não apenas com nós próprios, acréscimo. Um sindicalista sente amigos, nomeadamente no Jornal mas também com os outros. Deque a sua actividade não morre no República fiquei com a sensação pois, já na Alemanha, compreendi sindicato ou na empresa. Por isso, de que havia qualquer coisa no ar. muitas das coisas de que o meu quando começaram a surgir as Devo no entanto confessar que pai me falou naquele dia. Na alprimeiras tentativas no sentido de aquele foi para mim um dos dias tura a única estrutura portuguesa se criarem associações portuguemais felizes da minha vida. na Alemanha era o Consulado sas, aderi a essas iniciativas com Quando nos apercebemos de que Geral de Portugal em Hamburgo. todo o coração. Antes mesmo de era um Movimento irreversível, Infelizmente eu entrei com o pé vir para a TAP já ajudara a criar festejámos. Estávamos na altura esquerdo neste País e, pouco uma das mais antigas associações em preparação para o 1º de Maio, tempo depois de cá ter chegado portuguesas na Alemanha, Centro onde pela primeira vez em Franktive um acidente de trabalho Português de Mannheim. furt, os portugueses iam participar grave, no qual perdi um rim. No Gostava no entanto de aqui rede uma forma organizada, e dehospital manipularam as coisas e ferir que, não obstante todas as monstrar a nossa solidariedade “diagnosticarem-me” uma doença muitas outras actividades que para com os trabalhadores em de nascença como causa para a sempre desenvolvi, nunca deixei Portugal. O 1º de Maio era proiperda daquele órgão. Pedi a ajuda de cumprir com todas as minhas bido no nosso País. Entretanto dáaquele Consulado Geral, que obrigações profissionais. se o 25 de Abril e então tivemos nunca se dignou responder-me. Quanto ao que mais me orque alterar tudo o que estava feito, Senti-me lançado aos bichos e gulha, devo dizer que sempre fui no que respeita aos cartazes que nem sei se, não fosse o apoio do muito orgulhoso na profissão que passaram ser de apoio à revolução meu irmão teria conseguido soescolhi e na Empresa para onde dos cravos. Recordo com muito breviver. Por isso, quando no ano trabalhei quase quarenta anos. orgulho a forma como, integrados seguinte começaram a chegar milOrgulho-me ainda, e muito, de na manifestação do DGB, fomos hares de portugueses, senti aplaudidos ao longo de todo o que poderia ser útil, aju- Na altura a única estrutura por- percurso. À tarde, e durante dando no que me fosse possíos festejos no DGB, fomos tuguesa na Alemanha era o forçados a intervir para falarvel. Consulado Geral de Portugal mos da Revolução dos CraPP: Integrando a TAP, vos. O mundo estava rendido a nível laboral e como em Hamburgo. Infelizmente eu à forma como o MFA tinha membro do Conselho de entrei com o pé esquerdo neste conseguido derrubar o fasEmpresa, durante décacismo, usando cravos em vez das, nunca se furtou a País e, pouco tempo depois de de balas. participar na vida cívica Durante vários meses cá ter chegado tive um acidente quase e cultural da Comuninão tive fins-dedade. Como equilibrou de trabalho grave, no qual perdi semana, uma vez que demos essas múltiplas actividaapoio aos militares do MFA um rim. des? De que é que mais se que vieram à Alemanha tenorgulha nessa longa matar explicar a Revolução aos ratona de mais de quatro détodos os muitos amigos que connossos compatriotas. É que nessa cadas? segui fazer em toda a Alemanha e altura, usando a arma do boato, os J.E.:Em Janeiro de 1971 intede todo o trabalho desenvolvido saudosistas do velho regime, tengrei os quadros da TAP Portugal em todas as actividades em que tavam a todo o custo convencer os na Alemanha. Vivíamos ainda o me meti, conselho de empresa, coemigrantes a não enviarem dinperíodo fascista em Portugal. missão tarifária, associações porheiro para Portugal, asfixiando Nessa altura eu já tinha adquirido tuguesas, associações de amizade dessa forma a economia do País. consciência de classe. Já era sindialemães estrangeiros, conselhos calizado e já participava nas rede estrangeiros, autarquia, etc. Foi PP: Ajudou a construir uniões dos trabalhadores. Por isso um trabalho duro mas sinto-me dois Jornais, o Diálogo do estranhei muito que numa emmuito honrado por ele. Emigrante e esteve muito lipresa com cerca de 60 trabalhadogado ao Correio de Portugal, res não houvesse quase ninguém PP: Viveu „ por dentro „ o hoje Portugal Post. O que o sindicalizado, não houvesse um 25 de Abril 1974 em Franklevou a colaborar e a lutar Conselho de Empresa (BR), nem furt, em especial, e na ressem falhas pela sua implantamuito menos um Contrato de Tratante Alemanha, em geral. ção? fi
“Vim para a Alemanha em 1963 para não ir para a guerra”
José Eduardo quando tinha 30 anos J.E.:Uma das coisas que mais me custou a habituar nesta vida de emigrante foi a falta de notícias do nosso País. Com a minha entrada para a TAP as coisas mudaram, já que recebíamos diariamente alguns jornais portugueses. No entanto a grande maioria dos nossos compatriotas vivia aqui num isolamento total. O aparecimento do Diálogo do Emigrante, propriedade das Missões Católicas veio colmatar essa lacuna. Tínhamos na altura em Frankfurt um missionário português bastante progressista. A direcção do jornal foi-lhe entregue e, como primeira medida decidiu convidar um grupo de leigos, no qual eu estava incluído, para o corpo redactorial do jornal. Verificámos depois que no que respeitava à parte administrativa aquilo era um caos absoluto. Não havia contabilidade e, como documentos entregaramnos uma caixa de sapatos cheia de talões do correio para pagar assinaturas e nem sequer havia lista de assinantes. Começaram a chover as reclamações dos assinantes que tinham pago mas que não recebiam o jornal. Decidiu-se então que eu assumiria a administração do jornal, naturalmente que como voluntário. Durante um ano passei os fins-de-semana na missão a organizar os ficheiros de assinantes e actualizar os pagamentos. Quando tudo estava a funcionar os missionários decidiram, sem me
perguntar, mudar a direcção do jornal mas mantinham-me como administrador. Recusei e, com muita pena vimos partir o jornal e todo um ano de trabalho. Acho que acabou por desaparecer. Depois ajudei a criar o Jornal Batalha que se manteve em actividade graças à carolice de meia dúzia de pessoas, mas que acabou também por desaparecer. Apareceu depois o Correio de Portugal, mais tarde Portugal Post, que veio tapar uma lacuna. É que do meu ponto de vista, um jornal é importantíssimo para a comunidade. As notícias que no chegam pela RTPi, bem como pelos jornais nacionais, acabam por não focar os temas da emigração e muito menos informar sobre aqueles que são os nossos direitos. Por isso abracei com muito entusiasmo este projecto do Portugal Post e, sempre que foi possível dei a minha colaboração. Para quem quer conhecer bem a problemática da Emigração na Alemanha, Portugal Post é uma ferramenta indispensável. É pena que por os responsáveis em Portugal não dêem aos Jornais da Emigração a devida atenção. A meu ver este tipo de jornais deveria ser subvencionados. PP: Foi autarca num Município alemão. E há três mandatos foi eleito para o Conselho das Comunidades. Como encarou essas missões? E quais os aspectos mais importantes da sua missão como conselheiro comunitário? J.E.:Considero que uma das maiores conquistas dos trabalhadores emigrantes residentes nos Países da União Europeia foi o direito ao voto nas eleições comunais. É pena que muitos dos nossos compatriotas ainda não tivessem compreendido isso. Considero também muito importante a possibilidade de podermos ser eleitos. Quando há cerca de 12 anos me convidaram para integrar uma
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Entrevista
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lista de candidatos, aceitei o desafio e hoje devo dizer que foram 12 anos muito enriquecedores. É certo que isto obriga a um grande espírito de sacrifício, sabendo-se desde logo que não traz qualquer recompensa monetária. No entanto haverá maior recompensa do que a de termos a noção de estarmos a fazer algo para o bemestar de todos? A participação em eleições é muito importante. Sobretudo nos municípios, em que tudo se sabe, é importante constatar-se se determinada comunidade participa ou não. Uma comunidade pode influenciar resultados eleitorais,
“A grande maioria dos nossos compatriotas vivia aqui num isolamento total” pelo que os autarcas são obrigados a terem essa comunidade em consideração. Por isso tenho apelado aos nossos compatriotas para que participem nas eleições comunais. Quem não participa não conta. Quanto ao Conselho das Comunidades, devo dizer que é o organismo onde mais frustrado me tenho sentido. Tenho a sensação de que aquele organismo existe apenas porque consta da Lei, no entanto não vejo qualquer vontade do poder político em o tornar viável. Antes tínhamos os conselhos regionais que, pelo menos nos aproximavam dos eleitores e nos permitia ouvi-los. Agora aqueles conselhos foram extintos e os conselheiros estão agrupados por comissões temáticas, o que a princípio até acreditei que tornaria o Conselho mais útil. Pensava que as comissões teriam possibilidades de discutir os diversos temas com técnicos competentes de forma a tentarmos remediar algumas coisas que nos parecem estarem erradas e serem lesivas dos interesses dos emigrantes. A
comissão onde estou integrado tem levantado alguns problemas em que os emigrantes estão a ser penalizados, nalguns caso por deficientes interpretações da Lei, no entanto até agora as nossas dúvidas nunca foram esclarecidas. Há casos graves, relacionados com a Segurança Social que continuam por resolver e, não vejo qualquer vontade de que sejam alguma vez resolvidas. E, uma das razões porque dificilmente se resolverão está relacionada com a forma arrogante e por vezes pouco profissional com que os técnicos das matérias em dúvida encaram as nossas questões. E, desta forma, os emigrantes continuam sujeitos a duplas tributações, a descontes duvidosos nos cálculos das suas reformas de Portugal, a descontos em sede de IRS sobre reformas recebidas no estrangeiro, a serviços de saúde que os discriminam dizendo terem apenas direito a urgências, etc. etc. Mas devo dizer que a culpa da deficiente eficácia do CCP não se pode apenas atribuir ao poder político, mas também ao próprio Conselho, nomeadamente ao Conselho Permanente. Quem tiver oportunidade de ver a ordem de trabalhos para o próximo Plenário, compreenderá certamente o que quero dizer. Quando me candidatei ao CCP fi-lo acima de tudo a pensar na defesa dos interesses de mais de cinco milhões de portugueses espalhados pelo Mundo. Hoje, quando olho para trás e vejo que nada foi feito, e confesso que me sinto extremamente frustrado. Acho que este meu sentimento é sentido por uma grande parte dos conselheiros eleitos, sobretudo aqueles que o fizeram a pensar nas comunidades que representamos. Devo no entanto dizer que, enquanto o meu mandato durar, não desistirei de lutar para que todos os portugueses, independentemente do lugar onde vivam, sejam tratados como portugueses de plenos direitos. F. Almeida Ribeiro
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Viagens
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O Alentejo, a Primavera e a crise Os campos verdejam em hino primaveril. Sigo pela paisagem alentejana, sem obrigações, uns dias caídos do céu, dum céu muito azul que espanta a minha alma cinzenta e invernosa, um sol esplendoroso e, ao serão, será uma lua cheia a nascer vermelha e enorme. Abro as janelas da casa de província para que o calor entre às braçadas como quem colhe flores. Sentada na varanda olho um limoeiro carregado de frutos e oiço um adejar e pipilar de aves felizes e ainda as vozes de velhos à esquina, eles de boné bem enterrado, elas de xailinho ao ombro não vá o vento começar a soprar. São iguais aos velhos dos meus tempos de menina, como se os de outrora não tivessem morrido nem outros tivessem vindo substituí-los. Encontro um que na altura era rapaz novo, levava-me pela mão ao jardim público porque eu comia mal, juntava uma bola de comida na boca e, quando chegávamos bem lá ao fundo do jardim, ele diziame: vá, cospe. E, aos pulinhos, pela mão, voltava junto aos avós para anunciar alegre e consciente da mentira: comi tudo...Recordo com ele essa cena, gabo-lhe a bengala com cabo encastoado em prata e, ao despedir-me, desejo ao octogenário muita saúde. Ah, se eu pudesse agarrar nos limões gigantes do outro lado da rua e os levasse na bolsa ou na
alma ou em qualquer outro canto dum recordar vindouro. À hora do almoço, no jardim, um grupo de três mulheres e um homem cuidavam de canteiros à torreira do sol que ainda não aquece demasiado. Conversavam, depois baixavamse, apanhavam umas ervinhas, de novo trocavam impressões, agarrados a ancinhos e vassouras, tudo isto em câmara lenta, com uma
demora invejável, todo o tempo do mundo à disposição. Outro ritmo, outro tempo mesmo – talvez com este vagar a morte também custe a chegar. Como é que esta gente olhará o primeiro-ministro, de cuja boca jorram palavras, frases sem ponto nem vírgula a alegar razões para os seus procedimentos? Fala como se estivesse à mesa do café a deba-
ter com amigos em lengalenga que os telejornais não cortam. Quem sabe, uma das razões para o estado do país, a verborreia, um paleio sem fim. Talvez a classe política tivesse de aprender com os velhos da província. E poderia adquirir uma certa calma, e simplesmente ficar calada e ir trabalhar. Neste princípio de primavera
perpassa pelas conversas um malestar geral, todo virado para dentro, mesmo que lá fora o mundo esteja a desabar. É um desatino de queixas, uma amálgama que mete a canção dos Deolinda mais o aumento dos impostos mais o pânico do desemprego e a greve dos transportes e a educação (a má educação) e a falta de profissionalismo e de futuro – um ror de desgraças, lembradas a eito por quem ainda tem algo de seu. Há projectos, há clareza de objectivos, há sugestões, há alternativas? Não, não há, é sempre o mesmo fadinho...isto está mal enquanto o governo afirma não haver crise, mas afinal que sim – para a compensar vende ao desbarato, escandalosamente, património, prisões, hospitais, pelos quais paga depois rendas altíssimas aos novos proprietários, realmente e literalmente um mau governo. E a crise cá está, ou dela a percepção, contamina os pensares e os dizeres, paralisa actividades e ideias... ...mas o peixe estava uma delícia, o cineteatro renovado vai acolher sessões culturais, o pequeno museu mostra uma exposição inteligente e a este sol que me aquece as costas, vou levá-lo na mala junto aos boiões de doce caseiro e aos limões e a esta aragem cheirosa vinda da serra. Luísa Costa Hölzl Publicidade
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Imigracão
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Chineses não falam a língua nem convivem com os portugueses mas são os mais bem integrados A maioria dos portugueses considera que os chineses são os imigrantes mais bem integrados apesar de não dominarem a língua nem conviverem com os cidadãos nacionais, revela um estudo, que alerta para a perceção de um “legítimo” crescimento de racismo. Uma equipa de investigadores do Observatório da Imigração analisou o racismo em Portugal estudando os discursos de quatro grupos de diferentes estratos sociais e escalões etários. No final, concluiu que “entre os participantes grassa a convicção de que o racismo tem vindo a aumentar de forma legítima”, devido à ideia subjacente de que os imigrantes são responsáveis pelo aumento da criminalidade, do desemprego e da descida dos salários. Havia ainda a “perceção de que os imigrantes recebem mais apoios sociais do que os portugue-
ses”, revela o relatório “Discursos do racismo em Portugal: Essencialismo e inferiorização nas trocas coloquiais sobre categorias minoritárias” divulgado em Lisboa. Os discursos eram diferentes consoante os grupos sociais em que decorriam as conversas: os jovens e a classe média-alta recusaram fazer generalizações e criticar comportamentos grupais, ao contrário do que aconteceu com os grupos médio-médio e médiobaixo. Para os mais novos e classe social mais alta é através da educação e do estatuto social que se
consegue definir as pessoas. No entanto, há uma minoria que reúne o consenso dos quatro grupos: os ciganos. A equipa de investigadores ficou preocupada com o “despudor de todos os participantes em articular um discurso racista em relação aos ciganos”, lembrou Edite Rosário, uma das autoras do estudo. Em todos os grupos de discussão, a justificação repetiu-se: as pessoas são hostis em relação aos ciganos porque eles se isolam. À exceção do grupo de estatuto médio-alto, todos os outros consideraram que a integração se faz em termos económicos e, por isso,
apontaram a comunidade chinesa como a mais bem sucedida. Já o grupo de estatuto médio-alto considera que os mais bem integrados são os europeus de leste, por estarem mais dispostos a trabalhar e terem a preocupação de aprender português. Aos diferentes grupos de imigrantes foram atribuídas diferentes qualidades e defeitos: os chineses ficaram como os mais bem integrados. Edite Rosário lembrou que os elementos do grupo de classe média-média disseram que „não se conhecem chineses desempregados: eles trabalham aos sábados, domingos
e feriados“. O grupo de classe média-baixa também escolheu os chineses apesar de „não saberem falar português, nunca os verem a passear na rua nem a conversar com outras pessoas“, recordou a investigadora. Ao contrário dos chineses e indianos, que são vistos como “ameaças económicas”, existem ainda “algumas minorias que são iguais e não gostam de trabalhar” (os ciganos e os romenos). Os ciganos e os “pretos” são também vistos como ameaças físicas e há até quem tenha dito que os brasileiros “matam como quem bebe um copo de água”. Houve ainda quem defendesse que „todos viveriam muito melhor se as pessoas ficassem no seu país de origem“. A apresentação do relatório, que decorreu em Lisboa, foi presidida pela alta comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural, Rosário Farmhouse. Publicidade
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Histórias da História
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Padre António Vieira. O imperador da palavra. Joaquim Peito
Numa minúscula capela de um palácio de Lisboa, um jovem sacerdote começou, pelo vigor das suas palavras, a evidenciar-se. Corria o ano de 1641. Capelão da Casa dos Duques de Cadaval, Padre António Vieira (16081697), de seu nome, depressa percebeu que a oratória poderia ser uma arma de afirmação pessoal. Dotado de notável talento para a escrita e para a comunicação, projetou, a partir daí, uma das mais prodigiosas carreiras da história europeia. É impossível “meter” o padre António Vieira em poucas linhas, de tal forma a sua figura é complexa e a sua vida rica em aventuras. Aqui tento, fazer um pequeno esboço da sua personalidade. Pregador, missionário, político, visionário, reformador. Acima de tudo, criador de uma escrita inigualável, a não perder, hoje como no século XVIII. Este incomparável artista da prosa em português, este “imperador da língua portuguesa”, como lhe chamou Fernando Pessoa, era mestiço. Sim. Ele era verdadeiramente mestiço. Vieira é um produto desse estranho império que foi o império Publidade
colonial português, nada imaculado nem santo, tal como os outros impérios coloniais, mas portador de caraterísticas muito próprias. Só assim se poderá entender um caso como o do padre António Vieira. O homem que marcou culturalmente o século VIII português, o confidente e conselheiro de um rei e de uma rainha regente, o maior orador em língua portuguesa, o primeiro inimigo jurado da Inquisição, o padre que a rainha Cristina da Suécia quis (em vão) para seu pregador e confessor, o patriota que punha Portugal acima de tudo, veio de uma família modesta e tinha sangue negro. O avô paterno, criado dos condes de Unhão, meteuse de amores com uma mulata (ou negra), serviçal da casa. Foram os dois despedidos em nome da moral, mas depois disso casaram-se. Estão a ver a história.... Foi em Lisboa, perto da Sé, que António Vieira nasceu no dia 6 de Fevereiro de 1608. Naturalmente, foi batizado na Sé e diz a tradição, na mesma pia em que fora batizado Santo António de Lisboa. Coincidências da história. Não é! Em 1615, com sete anos de idade, partiu com a sua família para a Baía, talvez por o seu pai ter sido nomeado secretário do governo da Baía. Iniciou os seus estudos no colégio da Companhia de Jesus, revelando, inicialmente, algumas dificuldades de aprendizagem. Em Março de 1623, sentiu a sua vocação para a vida reli-
giosa, mas perante a oposição dos seus pais, fugiu da casa paterna e refugiou-se no colégio dos Jesuítas, onde após dois anos de noviciado fez os primeiros votos e tomou a seu cargo o ensino. Como noviço, foi brilhante nos estudos, apesar de, logo no ano seguinte, se iniciar um período conturbado, com o ataque holandês a Salvador da Bahia, comandado por Jacob Willekens. Os jesuítas retiraram-se da cidade e foram para os arredores, enquanto o bispo, D. Marcos Teixeira, arregaçava as mangas episcopais para organizar a defesa e infernizar a vida ao invasor. E terá sido durante essa primeira permanência no sertão brasileiro que António Vieira descobriu a sua segunda vocação, de missionário. Vieira já é conhecido e respeitado em terras brasileiras. E quando, em Fevereiro de 1641, chega ao Brasil a notícia da Restauração da Independência, o governador, marquês de Moltavão, envia a Lisboa uma delegação para proclamar a lealdade à nova dinastia; dela fazem parte um filho seu, D. Fernando Mascarenhas e dois jesuítas – um deles é o padre António Vieira. O desembarque fezse em Peniche dada a violenta tempestade que sofreram. Foram mal recebidos, porquanto o povo não gostava da Marquesa de Montalvão, seguidora de Castela, e amotinou-se, tendo agredido os recém-chegados. Mais tarde, já em Lisboa, o padre António Vieira foi bem recebido por D. João IV que confiava nele e o tinha por confessor e conselheiro. Muio rapidamente, torna-se a grande “estrela” da sociedade lisboeta. E depressa a corte se rende ao fascínio, à força, à intencionalidade dos sermões de Vieira. Para conseguir ouvir os seus sermões, era preciso marcar lugar com antecedência na igreja de São Roque. Mas alguns como Bons Anos, São Roque, Nossa Senhora da Graça, Quarta-feira de Cinzas provocaram grandes e sérias polémicas. O Imperador do Quinto Império Os portugueses de hoje apenas têm uma pálida ideia dos perigos que enfrentava o Portugal restaurado. Poucos reinados terão sido tão atormentados como o de D. João IV. A independência fora reconquistada, sim, mas a economia estava arruinada, as finanças em baixo, o exército e a marinha depauperados. Roma recusava-se a reconhecer a dinastia de Bragança, os holandeses atacavam o império em todas as frentes,
Cada estadia sua em Lisboa torna-se uma aragem de perturbação. Quando Portugal perde a independência, pega em D. Sebastião e faz dele um mito para a resistência; abre as Trovas de Bandarra e faz delas uma bíblia para a esperança. Lança a utopia do Quinto Império lusíada. Fernando Pessoa, que lhe retoma o tema, chama-lhe o Imperador da Língua Portuguesa. A Palavra e a Utopia
Brasil, África e Oriente. Os espanhóis preparavam-se para invadir o reino e impor novamente o seu rei, Filipe IV. Ora, é em todos estes setores críticos que o novo rei de Portugal consulta o padre António Vieira. Para o visionário do Quinto Império, muito dos seus conselhos são bem sensatos e realistas. Quanto à estratégia militar, advoga a guerra puramente defensiva: é a única guerra justa e legítima e é também aquela que, no momento, Portugal tem condições materiais para a travar. Quanto à economia, Vieira dá um passo espantoso: defende a proteção dos cristãos-novos e dos judeus, o regressso destes ao reino com os seus capitais, o que o leva, automaticamente, a atacar a Inquisição. Recomenda também a criação de companhias de comércio para o Brasil e para a Índia. E, enfim, no campo diplomático, aceita de D. João IV a incumbência de várias missões, umas discretas outras secretas, que o levam a França, a Inglaterra, à Holanda (onde se encontra com judeus portugueses emigrados) e a Roma.Viaja assim pela Europa, em busca de alianças para Portugal e tentando criar animosidades contra a Espanha. O rei gostava tanto do Padre António Vieira que chegou a afirmar que o Padre António Vieira que era „O maior homem do mundo“. Admirado nas principais cortes europeias verá, mais tarde, os salões do Vaticano recebê-lo com honras raras. Mas, em contrapartida, acumularam-se os ódios e as invejas contra António Vieira, mesmo por parte dos jesuítas, porque ele punha os interesses da coroa acima dos da Companhia. Quanto à Inquisição e seus aliados, começaram a construir metodicamente a sua contra-ofensiva.
Incomodado com o ambiente hipócrita da capital, o padre António Vieira em 1652 embarcou para o Brasil, para onde fora em criança e onde se ordenara na Companhia de Jesus. Ia digirir os missionários jesuítas em São Luís do Maranhão. No NovoMundo, que o apaixona, a causa dos índios, cuja liberdade encontra nele um defensor único, galvaniza-o para sempre. Envolveu-se na defesa da liberdade e emancipação dos índios, questionava a escravidão e a desigualdade. Pregou a tolerância racial. Em Portugal, conseguiu que fosse criada uma lei de proteção dos indígenas. Com eles aprendeu uma série de dialetos amazónicos e com os escravos aprendeu kimbundu. Como missionário e padre, pregou a fé junto dos índios e dos escravos negros. Entre 1655 e 1661, António Vieira desenvolveu uma atividade impresionnte: percorreu, em missão, a bacia hidrográfica do Amazonas, redigiu um catecismo em língua indígena, e, em 1659, escreveu o seu tratado Quinto Império do Mundo, Esperanças de Portugal. É a sua grande obra profética e visionária – muito visionária. Os sermões e cartas que deixou são considerados verdadeiros monumentos da literatura barroca e da ciência política. Também deixou fragmentos de um livro de profecias, que tinha o nome de Clavis Prophetanum, publicado em 1718 sob o título de “História do Futuro” (que não completa). Retirado na Baía, já com a idade de 73 anos, não pára de escrever, pregar e trabalhar. Com 80 anos é nomeado Visitador Geral dos Jesuítas e não deixa de fazer projetos, de entrar em negociações, de combater pelas suas ideias, de se ocupar com a publicação dos seus sermões. É espantosa a energia deste homem que, ao longo da sua vida, sofreu naufrágios, desterros e a prisão, várias quedas em desgraça e muitas desilusões. Morreu a 18 de Julho de 1697, com 89 anos. Uma das suas últimas cartas foi para um colega, a pedir-lhe que completasse os escritos inacabados. Foi, sem dúvida, um dos homens mais notáveis do seu tempo e de Portugal. Um dos maiores mestres da nossa língua, um homem cuja inteligência vastíssima abrangia todos os assuntos e resplandecia em todos os campos. Um verdadeiro super herói português.
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Geschichten aus der Geschichte
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Pater António Vieira. Der Imperator des Wortes. Joaquim Peito
In einer kleinen Kapelle eines Palastes in Lissabon, begann sich ein jugendlicher Priester durch die Kraft seiner Worte hervorzutun. Wir befinden uns im Jahr 1641. Der Kaplan des Hauses der Herzöge von Cadaval, Pater António Vieira (1608-1697), begriff schnell, dass die Redenskraft dieses Priesters eine persönliche Bestätigung sein könnte. Ausgestattet mit einem bemerkenswerten Talent für das Schriftliche und die Kommunikation plante der Kaplan von da an eine der wundersamsten Karrieren der europäischen Geschichte. Es ist unmöglich das Leben des Paters António Vieira in wenigen Zeilen zu behandeln aufgrund seiner komplexen Persönlichkeit und seines abenteurreichen Lebens. In dieser Abhandlung versuche ich eine Skizze seiner Persönlichkeit zu zeichnen, Prediger, Missionar, Politiker, Visionär, Reformer. Über allem steht allerdings eine unvergleichliches literarisches Werk, nicht zu vergessen, heutzutage wie im 18. Jahrhundert. Dieser unvergleichliche Künstler der portugiesischen Prosa , dieser „Imperator der portugiesischen Sprache“, als den Fernando Pessoa ihn bezeichnete, war Mestize. Ja, kaum zu glauben, aber er war wirklich Mestize. Veira ist ein Produkt dieses seltsamen Imperiums, das auf den Namen portugiesisches Kolonialreich hörte, welches weder makellos noch heilig war. Dies galt ebenso wenig für die anderen Kolonialreiche, jedoch wies das portugiesische deutlich eigene Züge auf. Nur unter dieser Bedingung wird es möglich sein, einen Fall, wie den des António Vieira, zu verstehen. Der Mann der das portugiesische 18. Jahrhundert kulturell geprägt hat, der Vertraute und Ratgeber des regierenden Königshauses war, der beste Redner in portugiesischer Sprache, erster geschworener Feind der Inquisition, der Mann der erfolglos vom schwedischen Königspaar versucht wurde abgeworben zu werden, um als Prediger und Beichtvater zu dienen, ein Patriot, der Portugal über alles stellte, stammte aus einem bescheidenen Elternhaus und hatte schwarzes Blut. Sein Opa väterlicherseits, welcher Diener der Grafen von Unhão war, ging eine Beziehung mit einer Mulatin oder Schwarzen ein, welche Bedienstete im Hause der Grafen war. Beide wurden daraufhin aus moralischen Beweggründen von ihrem Dienst entbunden. Jedoch heirateten beide nach diesem Zwischenfall und die Geschichte nahm ihren Lauf…. António Vieira wurde am 6. Februar des Jahres 1608 in Lissabon in der Nähe des Doms geboren. Natürlich wurde er im Dom getauft, und zwar der Tradition nach im gleichen Taufbecken wie Santo António von Lissabon. Welch Überschneidung der Geschichte, nicht wahr! Im Jahre 1615, im Alter von sie-
Prediger, Missionar, Politiker, Visionär, Reformer. Über allem steht allerdings eine unvergleichliches literarisches Werk, nicht zu vergessen, heutzutage wie im 18. Jahrhundert. Dieser unvergleichliche Künstler der portugiesischen Prosa , dieser „Imperator der portugiesischen Sprache“, als den Fernando Pessoa ihn bezeichnete, war Mestize ben Jahren, machte sich Vieira mit seiner Familie nach Bahía in Brasilien auf, vielleicht weil sein Vater zum Sekretär des dort ansässigen Gouverneurs ernannt wurde. Vieira begann seine Schulzeit an der Privatschule „Companhia de Jesus“, in welcher anfangs Lernschwierigkeiten auftraten. Im März des Jahres 1623, spürte er jedoch seine Berufung für das religiöse Leben aber angesichts des Widerstands seiner Eltern lief er von zu Hause fort und flüchtete in die Privatschule der Jesuiten, wo er nach zwei Jahren als Noviziat seine ersten Wünsche äußerte und sich von da an um das Erziehungswesen kümmerte. Als Noviziat war er brillant in der Lehre, obgleich im folgenden Jahr eine aufregende Periode mit dem holländischen Invasionsversuch auf Salvador de Bahía, angeführt von Jacob Wilekens, folgen sollte. Die Jesuiten zogen sich aus der Stadt zurück und verlagerten ihre Arbeit ins städtische Umfeld, während der Bischof D. Marcos Teixeira die kirchlichen Ärmel hochkrempelte und damit begann, die Verteidigung der Stadt zu organisieren und den Invasoren das Leben zur Hölle zu machen. Es wird wohl in dieser ersten Aufenthaltszeit Vieras im brasilianischen Buschland gewesen sein, als er seine zweite Berufung, als Missionar, zu erkennen glaubte, Vieira ist bereits bekannt und respektiert auf brasilianischem Boden. Und als im Februar des Jahres 1641 die Nachricht der Restauration der Unabhängigkeit in Brasilien eintrifft, schickt der Markgraf von Moltavão
eine Delegation in die portugiesische Hauptstadt um die Loyalität gegenüber der neuen Dynastie zu proklamieren. Diese besteht aus einem seiner Söhne, D. Fernando Mascarenhas und zwei Jesuiten- eine von ihnen war der Pater António Vieira. Die Abfahrt wurde aufgrund eines starken Unwetters in Peniche durchgeführt. Sie wurden schlecht empfangen, da das Volk den Markgraf nicht besonders mochte, da er als Anhänger Kastiliens galt. Von daher war das Volk aufgehetzt und griff die gerade angekommenen an. Etwas später, bereits in Lissabon, wurde António Vieira von D. João IV. empfangen, welcher ihm vertraute und zudem diente Vieira ihm als Beichtvater und Ratgeber. Zügig verwandelte sich Vieira in das „Sternchen“ der Gesellschaft Lissabons. Alsbald erlag auch der Königshof der Faszination aufgrund der Kraft seiner Predigten. Um seine Predigten anhören zu können, musste im Voraus ein platz in der Kirche São Roque reserviert werden. Trotzdem provozierten einige Tage wie Bons Anos, São Roque, Nossa Senhora da Graça oder Quarta-feira de Cinzas große Tumulte. Der Imperator des fünften Imperiums Die Portugiesen von Heute haben in der Regel kaum eine Vorstellung davon, mit welchen Problemen sich das restaurierte Portugal konfrontiert sah. Nur wenige Herrschaften werden wohl so qualvoll wie die des D. João
IV gewesen sein. Die Unabhängigkeit war wiedererlangt, aber die Wirtschaft war ruiniert, die Finanzen am Boden, das Heer und die Marine waren demoralisiert. Darüber hinaus weigerte sich Rom die Dynastie Braganças anzuerkennen, die Holländer attackierten das Imperium von allen Seiten, nämlich in Brasilien, Afrika und im Orient. Zu allem Überfluss bereiteten sich die Spanien ebenso auf eine Invasion vor, um erneut ihren König, Philipp IV, als Monarchen einzusetzen. In dieser allgemein kritischen Situation konsultiert der portugiesische König António Vieira. Für den Visionär des fünften Imperiums sind viele dessen Vorschläge besonnen und realistisch. Im Bezug auf die militärische Ausrichtung, verteidigt Vieira den puren, defensiven Krieg; gerecht und legitim als einziger und auch der, den Portugal im Moment aus materiellen Konditionen bremsen kann. Im Bezug auf die Wirtschaft macht Vieira einen erschreckenden Schritt: er verteidigt den Schutz der Neu-Christen und der Juden, die Rückkehr dieser ins Königreich mit ihrem gesamten Vermögen, was automatisch dazu führt, dass er die Inquisition attackiert. Ebenso rät er zur Bildung von Handelsgesellschaften für Brasilien und Indien. Und schließlich, im diplomatischen Bereich, nimmt er von D. João IV viele Missionsaufträge an, von denen einige geheim und anderen öffentlich sind. Diese führen ihn nach Frankreich, England, Holland (dort trifft er eingewanderte portugiesische Juden) und nach Rom. So reist er durch Europa auf der Suche nach portugiesischen Bündnispartnern und ebenso um Animositäten gegen Spanien zu schüren. Der König schätze Vieira so sehr, dass er zur Aussage bereit ist, dass Vieira „der beste Mann der Welt“ sei. Geschätzt an den wichtigsten europäischen Königshöfen, sollte man später die Empfänge des Vatikans sehen, die ihn mit merkwürdigen Ehren ausstatteten. Im Gegenzug aber häuften sich der Hass und der Neid gegen António Vieira, sogar in Reihen der Jesuiten, weil er die Interessen der Krone über die der jesuitischen Gemeinschaft stellte. Im Bezug auf die Inquisition und ihre Verbündete, begannen diese ebenso mit einer Gegenoffensive. Jeder Aufenthalt Vieiras in Lissabon wandelte sich zu einen Hauch von Störung. Als Portugal die Unabhängigkeit einbüßt, greift man auf D. Sebastião zurück und macht aus ihm einen Mythos des Widerstandes; er öffnet die „Trovas de Bandarra“ und macht aus ihnen eine Bibel der Hoffnung. Er führte die Utopie des fünften lusitanischen Imperiums ein. Fernando Pessoa, der das Thema erneut aufnimmt, nennt ihn den Imperator der portugiesischen Sprache. Das Wort und die Utopie Beunruhigt durch das hypokriti-
sche Umfeld der Hauptstadt, macht sich der Pater António Vieira im Jahr 1652 per Schiff nach Brasilien auf, wo er als Kind hingefahren war und wo er die Gesellschaft der Jesuiten geordnet hatte. Dort koordinierte er nun die Mission der Jesuiten in São Luís de Maranhão. In der „Neuen Welt“, welche ihn wegen der Indianer begeistert, die in ihm einen einzigen Verteidiger für dessen Freiheit haben, hat sich Vieira für alle Zeiten verewigt. Er involvierte sich in der Verteidigung der Freiheitsrechte und in die Emanzipation der Indianer, hinterfragte die Ungleichheit und die Versklavung. Außerdem stand er für die Toleranz der indigenen Völker ein. In Portugal schaffte er es, dass ein Gesetz eingeführt wurde, welches die indigene Bevölkerung schützte. Mit ihnen erlernte er eine Vielzahl von amazonischen Dialekten und dank der Sklaven lernte er kimbundu. Als Missionar und Vater, predigte er den Glauben der indigenen Bevölkerung und der schwarzen Sklaven. Zwischen 1655 und 1661 entwickelte Vieira eine beeindruckende Aktivität: er durchfuhr im Zuge einer Mission das Becken des Amazonas verfasste einen Katechismus in indigener Sprache und im Jahr 1659 schreib er seine Abhandlung mit dem Titel Quinto império do mundo. Esperanças de Portugal. Es handelt sich hierbei um sein großes prophetisches und visionäres Werk-sehr visionär. Die Predigten und Briefe, die er hinterließ, sind wirkliche Monumente der baroken Literatur und politischer Wissenschaft, Er hinterließ auch Fragmente eines Buchs mit Prophezeiungen, welches den Namen Clavis prophetanum trug und im Jahr 1718 unter dem Titel História do futuro.(jedoch nicht vollständig erschien). Zurückgezogen in Bahía, bereits im Alter von 73 Jahren, hört er nicht auf zu schreiben, zu predigen oder zu arbeiten. Mit 80 Jahren wird er zum Visitador Geral der Jesuiten ernannt und lässt in seiner Projektarbeit nicht nach, also in Verhandlungen einzutreten oder für seine Ideen zu kämpfen oder die Veröffentlichungen seiner Predigten voranzutreiben. Die Energie dieses Mannes ist erstaunlich, der im Laufe seines Lebens, Schiffsbrüche Verbannung und Gefängnis durchmachen musste, sowie zahlreiche Unglücke und Desillusionierungen. Er verstarb am 18 Juli 1697, im Alter von 89 Jahren. Einer seiner letzten Briefe war an einen Kollegen gereichtet, den er darum bat, die unvollendeten Schriften zu vollenden. Er war zweifelsohne einer der bemerkenswertesten Personen seiner Zeit und Portugals. Einer der Meister unserer Sprache, ein Mann dessen unerschöpfliche Intelligenz alle Bereiche umfasst und dessen Glanz immer strahlt. Ein wahrer portugiesischer Superheld. (Übersetzt aus dem Portugiesischen von Robert Santana do Cabo (Universität Göttingen)
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O consultório jurídico tem a colaboração permanente dos advogados Catarina Tavares, Lisboa, Michaela Azevedo dos Santos, Bona, Miguel Krag, Hamburgo
Catarina Tavares Advogada em Portugal Rua Castilho, n.º 44, 7º 1250-071 Lisboa advogados@bpo.pt Telf.: + 351 21 370 00 00
Direito do Trabalho- Contratos a Termo Miguel Krag, Advogado
Hoje em dia, quase cada 12º contrato de trabalho é efectuado a termo, ou seja, é concluído por um determinado período de tempo, como 6 meses ou 1 ano. A tendência dos empregadores em celebrar apenas este tipo de contratos tem continuado a aumentar pois, desta forma e pelo menos durante um certo período de tempo, não terão de se submeter à legislação que rege os despedimentos ilícitos, desde que cumpram determinados pressupostos. Contudo, como se tem comprovado na prática dos gabinetes de advogados, os empregadores cometem muitas vezes erros que levam a que a estipulação de um determinado prazo não tenha validade. Assim, ao contrário do que consta do contrato, este não será a termo, mas sim a termo indeterminado. Por
tal, no caso de persistirem demais pressupostos (em especial, 6 meses de actividade e uma empresa com mais de 10 trabalhadores), o empregador só poderá proceder a um despedimento se houver motivo para tal, o que, no caso de uma correspondente acção judicial, levará muitas vezes ao pagamento de uma indemnização ao trabalhador. Existem duas espécies de contratos a termo: os que têm um motivo concreto (por exemplo, substituição de trabalhadores que não podem trabalhar durante um certo período de tempo) e os que não têm qualquer motivo concreto. É destes que trataremos hoje. A primeira condição para que tal contrato tenha validade, é a de a pessoa contratada não ter trabalhado anteriormente para o empregador. Se o tiver feito, mesmo que tenha sido há muitos anos, o
contrato a termo não será válido e passará a ser considerado contrato a termo indeterminado. Além disso, o prazo da vigência do contrato terá de ser fixado por escrito. Se o empregador e o trabalhador combinarem oralmente que este exercerá a sua actividade durante um determinado período de tempo, começando o mesmo desde logo a trabalhar e só depois o contrato ser assinado, então já será tarde. A combinação efectuada oralmente sobre o contrato a termo não terá qualquer validade e o contrato passará a ser a termo indeterminado. Os contratos a termo sem motivo concreto só são permitidos por um período máximo de 2 anos (existem excepções para empresas fundadas de novo e para trabalhadores com mais de 52 anos). Durante este período de tempo, o prazo do contrato
poderá ser prolongado 3 vezes, no máximo. Também aqui os empregadores cometem muitas vezes erros. Por exemplo, se um trabalhador for contratado de 01-01-2010 a 31-12-2010 e o contrato não for prolongado durante esta vigência, mas depois, digamos a 02-01-2011, a limitação temporária do contrato não terá validade perante a lei. O mesmo poderá acontecer se não se tratar de um simples prolongamento, mas se forem efectuadas alterações decisivas no contrato. Também sucede frequentemente que os empregadores excedem o limite de dois anos, o que também torna o contrato a termo em contrato a termo indeterminado. Resumindo, poderá dizer-se que um contrato a termo sem motivo concreto é, para os empregadores, um bom meio para ajustarem um “período experi-
mental” que poderá ir até dois anos e que lhes permite não terem de se sujeitar à legislação que rege os despedimentos ilícitos. Mas correm o risco de cometer diversos erros, o que, na prática, sucede frequentemente. No caso de o empregador não cumprir os pressupostos prescritos para um contrato a termo, a vigência deste passará a ser indeterminada. Por sua vez, as acções contra despedimentos injustificados que serão então possíveis, levam frequentemente os empregadores a estarem de acordo com o pagamento de indemnizações. Assim, não haverá dúvidas que, em tais casos, fará todo o sentido que o trabalhador encarregue um advogado com experiência neste campo de verificar se, apesar de estar escrito no contrato que o mesmo é “a termo”, não se tratará afinal de um vínculo laboral a termo indeterminado.
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PORTUGAL POST Nº 201 • Abril 2011
José Gomes Rodrigues Assistente Social Diplomado Especialista para as questões sociais do PORTUGAL POST
Caríssimos Estou preste a entrar na reforma. Decidi reformar-me aos 63 anos. Sei que serei penalizado, mas decidi assim, pois a minha saúde não é das melhores. Os filhos estão crescidos e cada um já tem a sua vidinha em ordem e um trabalho regular. Ainda não queremos regressar por agora, pois temos intenção de permanecer aqui algum tempo ainda para usufruir da alegria de ver crescer os nossos netinhos e darmos uma mão onde formos solicitados. Durante o tempo que ficarmos aqui, posso fazer algum trabalho sem que a minha reforma me seja diminuída? Como vós sabeis a reforma não será muito alta e, qualquer migalha que entre, é sempre bem vinda. Desde já agradeço a publicação da resposta, mas sem identificação. Leitor devidamente identificado Parabéns pelo passo que ireis dar. É uma nova fase nas vossas vidas, que convém programar devidamente, não só materialmente. Não se deve, de forma alguma, menosprezar a visão qualitativa desta fase tão importante. O tempo até vos irá sobrar e, será necessário usá-lo o melhor possível, dedicando-se a actividades que nos enriqueçam. É a verdadeira oportunidade de realizar e viver os sonhos que deixaram de ser vividos pela falta de tempo no passado. Este tempo é propício a darmos asas à nossa criatividade, participando em grupos de trabalho, em excursões, passeios, e muito mais. O serviço altruísta, através do voluntariado é outro aspecto a não descorar. É no sentir-se útil ao outro que nos realizamos como pessoas. Bom, mas não foi este discurso que o leitor nos pediu. São estas, simplesmente, algumas achegas que irei também eu, caros amigos, tentar pôr em pratica. Numa outra edição do nosso jornal vamos dedicar algumas linhas a esta fase que não deixa de ser a coroação duma vida marcada por tantos esforços e sacrifícios. Alegramo-nos convosco, mas de todo o coração. Vamos, então, passar a responder à questão que nos pôs. A questão posta é muito comum e muito actual. Cada vez são em maior número as pessoas que escolhem entrar na reforma com antecedência. Somam já na Alemanha nove milhões as pessoas que, entre os 60 e os 65 anos, escolheram a reforma como forma de vida ou foram empurrados, por diversos motivos, para esta fase. Claro que, tanto o compatriota como cada reformado, tem a pos-
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* Pensão por idade e trabalho remunerado * Trabalho suplementar e reforma antecipada * Caixa de doenças em Portugal e na Alemanha * Ajuda social especial é possível o “Grundsicherung” sibilidade de ganhar mais algum para suprir, em parte, a diferença financeira de que estão sujeitos. Como é sabido, por cada mês que se antecipa a idade da reforma, há uma penalização no valor de 0,3% mensal, da reforma a que teria direito, até à idade regulamentar de reforma. Esta penalização permanece durante toda a vida, sem possibilidade de retrocesso. Trabalho suplementar e reforma por idade Desde que a pessoa em questão tenha ultrapassado os 65 anos, poderá trabalhar o tempo que achar conveniente, podendo desfrutar dum ordenado normal e conveniente. Só que terão de pagar impostos sobre esse ordenado e também a devida quotização parcial para o seguro social. Convém realçar também, que, desde 2005, uma parte da reforma, atualmente 62 % juntamente com outras possíveis receitas têm de ser declaradas às finanças, podendo, sendo o caso, ter de devolver alguns impostos ao fisco. Convém realçar também que estas pessoas, na altura em que deixam de trabalhar, receberão também um prémio financeiro mensal pelos descontos suplementares executados durante este tempo. Trabalho suplementar e reforma antecipada Antes de completar os 65 anos de idade, o ordenado mensal não pode ultrapassar os 400 euros mensais. Ao ultrapassar esta soma, poderá ser nocivo para a sua reforma. Esta poderá ser-lhe retida ou encurtada até um terço, mesmo que o ordenado do “minijob” superar nem que seja simplesmente um euro.
Um reformado que aufira uma reforma de 1. 200 € mensais e ultrapassar os 400 € mensais numa ocupação mínima será penalizado com uma redução de um terço. Desta forma, recebera somente 800 € em vez dos 1.200 € de jubilação. Á sua reforma, no valor inicial de 1200 €, foi-lhe cortado 400 € que corresponde ao tal um terço de 1. 200 €. O corte será efectuado nos meses em que ultrapasse esses ganhos. Conforme o ordenado a auferir, também pode ser encurtada a sua reforma de dois terços, de metade, podendo mesmo ver suprimida da sua totalidade o valor da reforma. Antes de aceitar uma oferta de trabalho, é conveniente informarse, junto dos seguros, sobre quais as consequências financeiras para a pessoa em questão e para o pagamento da pensão.
doença. Ele trabalhou na Alemanha com descontos obrigatórios durante 15 anos. A caixa de doenças, logo após seis meses de baixa e após ter sido detectada a doença, mandaram-no para umas termas. Depois deste tempo aconselharam-no a requerer a reforma. Tentámos atrasar o requerimento, mas nada feito. O próprio Assistente Social português, então em serviço, em vez de nos ajudar a atrasar esse pedido aconselhou-nos também a meter os papéis. Hoje tenho uma pensão de viuvez mínima, insuficiente para sobreviver. Acham ter sido justo? Não poderíamos ter atrasado o requerimento, de forma a ganhar mais temo, aumentando assim a o valor da reforma? Leitora devidamente identificado Cada coisa no seu lugar
Perspectivas para o futuro O ministério competente para estes assuntos está a pensar alterar esta lei. O objetivo desta alteração é proporcionar aos reformados que possam, com um trabalho remunerado paralelo à reforma, viverem uma vida normal financeiramente. Não poderão, isso sim, com as duas fontes ultrapassarem o ordenado que antes da reforma auferiam. Ao ultrapassarem esse ordenado, a reforma poderá ser encurtada percentualmente. Se a soma com as duas fontes de rendimentos, ultrapassar em 100 € o ordenado anterior receberá 100 € menos de reforma. A ver vamos! II Ex.mos senhores Sou viúva há três anos. O meu marido faleceu, após uma longa
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Tentamos compreender o seu estado de animo, cara compatriota. Lamentamos a morte prematura do seu querido esposo e a sua dor. Cada coisa deve colocarse no seu lugar. O pagamento da baixa é feito com a condição duma melhoria de saúde tal, que se preveja num futuro próximo, que o doente possa ser integrado novamente no mercado de trabalho. Tudo leva a crer, pela descrição da compatriota, e infelizmente, que as esperanças de sobrevivência seriam ínfimas, senão nulas. O período de baixa durante três anos não pode ultrapassar o ano e meio, sempre pela mesma doença. É este o período considerado suficiente para uma melhoria e uma integração no trabalho. Findo este tempo, a lei prevê outras fontes de sobrevivência para casos em que a doença possa durar mais tempo. É o caso de requerer o seguro de desemprego, sem que seja necessá-
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rio rescindir o contrato de trabalho. Findo o período mais longo de convalescença, poderá ser integrado na mesma empresa. Caixa de doenças em Portugal e na Alemanha: a diferença Convém recordar que a caixa de doença na Alemanha é uma caixa de solidariedade, paga pelos seus sócios e utentes e não obedece ao sistema a que a caixa portuguesa nos habituou. Esta ao contrário da alemã, é totalmente estatal e é alimentado pela tributação de todos os portugueses em Portugal. O Assistente Social não lhe podia ter dado outro conselho que não fosse o da Caixa de doenças. Seguindo o teor do seu atuar, a senhora estaria e cometer uma certa injustiça para com os outros associados da caixa e hoje estaria a receber uma pensão maior, a expensas da caixa de doenças, o que ultrapassa a lógica e o teor da realidade. A reforma é paga pela caixa de pensões e não pela caixa de doenças que tem cada uma a sua função. Ajuda social especial é possível. o “Grundsicherung” Se a pensão é ínfima, como a senhora afirma, então tem a possibilidade de requerer uma ajuda social junto da sua câmara. Esta ajuda chama-se “Grundsicherung” e nasceu para os casos semelhantes ao da senhora e mesmo dos que recebem uma pensão normal, mas que não abrange os parâmetros para uma vida financeira normal. É claro que, para esta ajuda, existem condições que é necessário ter em conta. Sobre estas condições já nesta página e no passado as descrevemos Não há como manter uma consciência solidária para viver tranquilo e em harmonia. A felicidade esta também relacionada com uma consciência pacificada consigo mesmo e com a sociedade. Que viva muitos anos e que seja sempre feliz, mesmo com as carências que cada pessoa humana possui.
PEDIMOS AOS NOSSOS LEITORES para nos colocarem as suas perguntas e sugestões por escrito usando o correio ou, melhor ainda, o correio electrónico. Pedimos também para mencionarem o vosso número de telefone fixo para, sendo necessário, entrarmos em contacto convosco. As questões e sugestões dos leitores podem ser enviadas para as seguintes direcções: correio@free.de ou rodrigues@live.de Fax 0231 8390351 Ou ainda para a morada do nosso jornal Obrigado.
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IMPORTANTE Às associações, clubes, bandas , etc.. As informações sobre os eventos a divulgar deverão dar entrada na nossa redacção até ao dia 15 de cada mês Tel.: 0231 - 83 90 289 Fax :0231-8390351 Email: correio@free.de
Citações do mês Deus criou o homem e, não o achando bastante solitário, deu-lhe uma companheira para o fazer sentir melhor a sua solidão Valéry , Paul A honra é como a neve, que, perdida a sua brancura, nunca mais se recupera Duclos , Charles
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Endereços Úteis Embaixada de Portugal Zimmerstr.56 10117 Berlin
Tel: 030 - 590063500 Telefone de emergência (fora do horário normal de expediente):
0171 - 9952844 Consulado -Geral de Portugal em Hamburgo Büschstr 7 20354 - Hamburgo
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Maria da Piedade Frias Telefone: 0711/8889895 piedadefrias@gmail.com
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Fernando Genro Telefone: 0151- 15775156 fernandogenro@hotmail.com
Consulado-Geral de Portugal em Düsseldorf Friedrichstr, 20 40217 -Düsseldorf
AICEP Portugal Zimmerstr.56 - 10117 Berlim Tel.: 030 254106-0
Tel: 0211/13878-12;13
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1.04.2011 – OLDENBURG – Concerto com Telmo Pires. Local: Cadillac. Início: 20h30 2.04.2011 – BREMERHAVEN. Concerto com Telmo Pires. Local: Theater im Fischereihafen. Início:20h.00 2.04.2011 – HAMBURGO - Concerto com a artista cabo-verdiana MARYSA, radicada em França. Apresentação do álbum " SENSUAL". Início: 22:30h com os DJ J-Cash & DJ N'Djoco c/ Kisomba, Zouk, Kuduro, Funaná, Decalé, etc... Local: Restaurante SPORTING Wandalenweg 4 20097 Hamburg 7-10.04.2011 – RHEINE - semana de cultura “Leiria-Rheine” , com um grande programa de intercâmbio cultural: gastronomia, musica, economia, meio ambiente
9.04.2011 – FELBACH – Grande festa de Aniversário do Centro Português em Felbach. Actuação do popular cantor Augusto Canário & Amigos. Participação do Rancho Folclórico Estrelas de Fellbach, grupos de dança moderna, Mini Splash e The Funnkys Baile com o conjunto músical DANCE 2 . Local: Festhalle-Schmiden, Hofäckerstr.2- 70736 Fellbach16.04.2011 – NEUSS – Festejos dos 90 anos do Partido Comunista Português. Inscrições na Associação Portuguesa de Neuss ou junto de membros do PCP. Breitegasse 3A Tel. 02131 296847 15-17. 04.2011 – HAMBURGO Basar da Páscoa. Local:- Museu Etnológico de Hamburg. Rothenbaumchaussee 64, 20148 Hamburgo
24.04.2011- MAINZ - Baile da Páscoa. Local: U.D.P. Mainz. 24.04.2011 – MINDEN- Centro Portugues de Minden Baile da Pascoa, Local: Kulturhalle, Mittelfeldstr, 32457 Neesen com BANDA LUSITANA. Info: 0571/9725680 ou www.bandalusitana.de
Grupo de Fados Gerações Actuações em qualquer parte da Alemanha e em todos os tipos de eventos
Contacto: 0173-2938194 Publicidade
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Ronda pelas comunidades
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A cidade de Bad Kreuznach e os Portugueses Lameiras, Lapa, Mendes foram os obreiros da comunidade. Isto só para nomear alguns, pois o rosário de nomes poderia continuar sem fim, que me perdoem os que não mencionei. O Padre sempre provocou a união entre todos, respeitando a diversidade de cada grupo, honras lhe sejam dadas. Em 1978, numa manhã de muita neve, nasceram os serviços sociais da Caritas. Tentaram ser uma presença solidária procurando dar respostas às diversas perguntas sociais da comunidade. O seu primeiro assistente, e autor destas linhas, depois de 25 anos de ausência, ainda hoje, com alegria lá se desloca em visita e é ainda recebido como um filho pródigo que regressa ao regaço do pai. É no Clube Português e na Eucaristia que abraça os amigos de longe data.
Jose Gomes Rodrigues, Neuss
Situação geográfica
A sua história Na divisão da cidade antiga e da cidade moderna, o rio alarga-se e, na sua ponte antiga, as casas antigas parecem suspensas na antiga ponte. São comércios diversos e restaurantes em pleno funcionamento. Desde a ponte sobre o rio Nahe e erguendo os olhos para Norte, denota-se com uma fortificação romana em ruínas. A sua re-
Integração a diversos níveis
Foto: J.G.R.
Situada no vale do Rio Nahe, rio que verte as suas águas a 12 km no gigante Reno, na linda cidade de Bingen, maior centro ferroviário da zona centro sul da Alemanha. A meio caminho da romântica cidade de Trier podemos contemplar Idar Oberstein, uma cidade muito especial que cresceu com a industria da extracção e tratamento de pedras preciosos. Ainda existem, em plena laboração, oficinas que se dedicam à lapidagem e preparação dessas preciosidades. A verdejante floresta do Hunsrück, e, mais a Norte, a colcha verde da região do Eifel, dão-lhe um clima tão ameno a agradável que, além desta cidade, outras duas bem perto se transformaram em deliciosas zonas balneárias e termais: Bad Munster e Bad Sobernheim. Estas cidades não perdoam aos seus forasteiros uma estadia agradável de alguns dias. São muitos os compatriotas que tiveram a ocasião de aproveitar os benesses deste clima para dar um salto qualitativo à sua saúde corporal e psíquica. O visitante, ao entrar em Bad Kreuznach, fica atónito e, por uns momentos, tem a impressão de estar numa vila das nossas varandas do Douro. A cidade parece uma flor envolta no verde dos vinhedos que a rodeiam. As vinhas são as suas pétalas. Nas aldeias que a rodeiam abundam, e não são poucas, as adegas do bom néctar que se distingue dos habituais vinhos. A mão lusa não é estranha a esta labuta. É o Nahewein, vendido nas melhores casas comerciais da especialidade. Setembro e Outubro são os melhores meses para visitar e deambular pela cidade. Deleita-se com a azáfama das vindimas, das festas e das provas do vinho. Vale a pena dar qualidade ao seu tempo visitando esta cidade e arredores.
Aspecto de Bad Kreuznach construção deu origem a um hotel de luxo. Já no século V antes de Cristo ai se estabeleceu o povo celta, também presente na nossa história. Os vestígios da presença romana são inúmeros. Em 1235 Bad Kreuznach foi reconhecida como cidade com uma certa independência financeira e política do resto do país. Nesse tempo esta vetusta cidade foi palco de muitas intrigas e guerras. Mudou de domínio diversas vezes, tendo sido dividida em vários ducados. O próprio bispado de Mainz, tentou conquistá-la para assegurar melhor o caminho para a o romana cidade de Trier, cidades com uma notória influência religiosa. A guerra dos trinta anos deixou também aqui a sua marca. Soldados suecos, franceses e até espanhóis deixaram máculas de sangue. Na Igreja evangélica de S. Paulo Karl Marx, ideólogo do Comunismo, casou com Jenny von Westfalen. Muitos políticos de renome, como Ataturk, Charles de Gaule, Adenauer, entre outros, encontraram nos seus muitos hotéis e palácios, palco de encontros de alto nível político. As forças aliadas americanas mantiveram, até há bem pouco tempo, milhares de militares em diversas bases. Até 2002 parecia viver-se aqui como que entrincheirados num outro estado, a América.
A comunidade lusa O que atraiu a vinda dos compatriotas portugueses nos finais dos anos sessenta para esta cidade, foi a necessidade de mão de obra para a firma de pneus Michelin, que tinha iniciado a sua produção. Após o cumprimento do contrato de trabalho obrigatório, muitos, não resistindo à saudade da família e à aridez humana, regressaram a Portugal ou espalharam-se por outras cidades de maiores aglomerados humanos. Outros enveredaram para outras empresas da região. A Bretz, indústria mobiliária de notório poder financeiro, empregou na década seguinte algumas dezenas de trabalhadoras e trabalhadores portugueses. Depois do seu encerramento, em meados da década de oitenta, foram espalhando-se um pouco por outras pequenas empresas da região. A industria de plásticos e a industria de sistemas electrónicos para a industria automóvel, foram outras possibilidade de trabalho. A restauração, o trabalho de vinicultura e os serviços constituíram e constituem ainda o ganha pão de muita gente. Quem viveu alguns anos nessa simpática cidade, como eu vivi, poderia desdobrar um rosário de histórias sobre as aventuras desses tempos. Vieram no inicio só homens das diversas zonas do
pais. Gentes, aventureira, vinda recentemente das aventuras das campanhas em Africa. A cidade possuía e possui muitos bares onde estes se juntavam. Era o “Campainhas” o “Copa cabana”, a “Cave” de Bad Münster, entre outros. Muitos conheceram aí as suas futuras mulheres alemãs, mesmo arranhando mal o idioma. A linguagem do amor batia mais forte. O espírito de camaradagem era reinante, eu que o diga! As noitadas multiplicavam-se. Não vou mencionar nomes, pois, numa cidade como esta, todos se conheciam pelo nome próprio. Pouco a pouco, as mulheres e os filhos foram engrossando a comunidade. Em 1975 foi fundada a Missão Católica que compreendia toda a diocese de Trier, englobando cidades como Saarbrücken, Sinzig, Merzig, Mendig e outras. Eram quatro exímios quartos, mas que aglutinava a comunidade e onde todos se sentiam acolhidos, não fosse o seu responsável, o P. Antonio Barbosa, homem de bem, sempre bem disposto e acolhedor. Tempos houve em que as pessoas tentavam dividir-se em diversos grupos e interesses, era o centro Cultural, o Clube Português e a Missão. Festas, passeios, fins de semana, eram organizados com o apoio de muita gente de bem, Costa, Jaria, Ventura, Cruz, Germanos, Simões, Gonçalves, Ferreira, Cabral, Alves,
Integração é outra palavra que a comunidade soube bem administrar. Hoje existem portugueses em lugares de destaque, seja na política local, na função publica, no desporto a até à frente de algumas empresas até constituindo pequenas empresas. A juventude procurou também singrar no plano profissional, procurando ultrapassar as fronteiras geográficas desta cidade. Hoje existem regressados que conseguiram, e bem, romper com a passividade herdada dos progenitores. É o caso do Vitor Dias que em Famalicão dirige uma clínica e laboratório dentário, empregando uma dezena de especialistas. O conselho de estrangeiros teve por muito tempo a assinatura do Sr. Bicho. A história desta comunidade não pode, de forma alguma, passar à margem dele. É uma comunidade bem vista e respeitada a todos os níveis, seja eclesiástico, social e político. Os seus membros mantêm laços emocionais que o tempo e o espaço não romperam. Vale a pena dar qualidade ao seu tempo, visitando esta cidade e arredores. A comunidade portuguesa irá recebê-lo de braços abertos. Disto eu tenho a firme certeza e nunca se arrependerá!
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Vidas
PORTUGAL POST Nº 201 • Abril 2011
Pensava encontrar o homem dos sonhos e... Olá Portugal Post. Espero que esta minha pequena história sirva de exemplo para mim e de experiência que eu quero transmitir para que outras mulheres tenham cuidado com os contactos na net e não caiam no que eu caí. Tenho 45 anos e encontrome divorciada já há 8 anos. O meu divórcio foi uma coisa complicada porque forcei a separação depois de anos de ser maltratada pela parte de meu ex marido, um dia não aguentei e deixei a casa e fui morar para casa de uma amiga . Também aí começou um período de vergonha, colocando a minha amiga numa situação nada agradável quando ele ia fazer barulho à sua porta gritando para que eu fosse para casa e que se não fosse a bem ia a mal. Um dia ameacei-o com a policia tendo a minha amiga como testemunha e foi desta forma que ele deixou de fazer aquelas cenas à porta da casa da minha amiga. Após dois anos de separação comecei o processo de divórcio. Felizmente que não tinha filhos e isso tornou as coisas mais simples. Divorciada daquela besta (desculpem-me o termo), bebi uma taça de espumante sozinha num café depois de receber a confirmação do divórcio. E assim me mantive. Nos primeiros tempos sentia-me bem; tinha o meu mundo e a minha casa onde eu me recolhia
com gosto depois do trabalho. Comecei às vezes a sentir um pouco de solidão. Era pior quando os fins de semana eram longos ou no inverno quando os dias parecem noite. Enfim, tinha também a necessidade de ter ali alguém para falar e sentia muita falta de carinhos, ternura e de palavras amigas. Por essa altura, ia já no segundo ano de divórcio e no quarto de separação, comprei um computador pensado que podia ajudar a passar o tempo. A ideia de comprar o computador foi boa. Depois instalei a internet e foi como se um novo mundo se abrisse. Mas isso não alterou em nada a situação da minha solidão. Quando desligava o computador, tudo voltava à mesma. Então inscrevi-me num salão de ginástica para ocupar o tempo que eu passava em casa sozinha e porque não podia estar permanentemente agarrada ao computador. A ginástica fazia-me bem. Saía de lá mais leve e limpa da ferrugem. Para falar, ainda tinha a minha amiga com a qual às vezes me encontrava. Mas como tinha dois filhos, o seu tempo não era assim muito nem eu a queria estar sempre a aborrecer com as minhas chamadas telefónicas ou encontros. Assim a minha vida continuava. Não que estivesse triste de todo. Mas que a solidão dói, ai isso é que dói! Nesse entrementes ainda conheci alguém no ginásio. Era um homem que até nem era an-
Memória futura
tipático e tinha, segundo me disse, 51 anos. Saímos do ginásio junto e íamos beber um café e falávamos de coisas assim muito banais. Faltava, no entanto, aquela atracção que levam duas pessoas a ter uma amizade mais forte. Depois do café, cada um ia para o seu carro e voltávamo-nos a encontrar na próxima ida ao ginásio. Às vezes, em casa, ainda pensava telefonar-lhe, mas não, não o fazia porque sinceramente não sabia que lhe dizer. Um dia descobri na net um fórum onde as pessoas se conheciam e se contactavam. Os que lá apareciam era gente dos países latinos: de Portugal, do Brasil, Espanha e até de países da América do Sul. As coisas funcionavam de maneira a que também recebêssemos no email informação sobre homens com um perfil que nós déssemos como o desejado para conhecermos. Também se podia contactar directamente online e havia salas chat para conversas particulares onde eu às vezes falava e partilhava coisas com parceiros que segundo o que diziam e a foto que mostravam eram homens bastantes interessantes. Foi num desses momentos que conheci um homem que me dizia morar numa cidade da Baviera. Dizia-me que era de Braga, que tinha 49 anos que era separado havia 3 anos. Assim nos conhecemos e falávamos, ou melhor, escrevíamos todos dias à noite. Falávamos de
Nós queremos publicar aqui as fotografias que fazem viver as suas recordações das férias, na associação, no trabalho, com os amigos, no restaurante, nas festas, etc. O envio das fotos pode ser feito por e-mail ou por carta (com a garantia de restituirmos todas as fotos que recebermos)
1998 Ainda a sede da associação F.C. Magriços, em Singen, estava em construção quando recebe a visita do então Secretario de Estado das Comunidades, José Lello. Este era um tempo de grande pujança do associativismo português na Alemanha, o que fazia com que os políticos se interessassem pelas associações visitando-as de modo a receberem dividendos políticos traduzidos em votos. Na foto, José Lello foi recebido pelos dois primeiros responsáveis que na altura comandavam os destinos da associação que é uma das raras colectividades com sede própria. Foto: PP / arquivo
tudo e já nos tratávamos por tu e falávamos com muito à vontade. Uma dia ele começou a fazer-me perguntas assim intimas e eu deixava-me ir só porque já dizíamos um ao outro coisas assim carinhosas. Queria muito conhecê-lo, mas ele não dava o passo para que nós pudéssemos falar ao telefone ou até marcarmos um encontro num dia de fim de semana, até porque eu morava e moro a cerca de 270 quilómetros da cidade onde ele dizia que vivia. A fotografia que ele pôs no seu perfil era a de um homem bem parecido que até aparentava ser mais novo. Falávamos, como eu disse, todos os dias sempre à mesma hora. Aos fins de semana durante o dia nunca estava em linha, só à noite. O que ele me contava sobre a sua vida é que era casado mas vivia separado e muito triste porque a mulher dele nunca o tinha compreendo. Trabalhava nos correios e tinha três filhos que viviam com a mulher. Tinha uma vida material muito boa, com casa aqui só para ele e outras duas em Portugal e que o seu sonho, dizia ele, era encontrar e uma mulher como eu, livre ,bonita (eu enviava-lhe muitos fotos que tirava com a minha máquina e as punha no computador) e que o aceitasse tal como era. Como eu lhe enviava fotos minhas, ele começou a pedir-me que me fotografasse de todas as maneiras e feitios e depois dizia “não, não faças, estava a brincar”, mas a brincar é que ele mas levava. Até que um dia disse que não aguentava mais estar assim ao computador a escrever (escrevia um português muito mau porque dizia que estava aqui na Alemanha há muito tempo, mas o facto é que também não sabia escrever alemão) pediu-me o número de telefone e eu dei-lhe o número de telemóvel. Passaram-se os dias e, curiosamente, pensei eu na altura, ele deixou de aparecer no fórum da internet. Esperei cerca de quinze dias até que ele apareceu e disse que tinha estado fora, em Portugal. Continuamos as conversas normais até que ele se declarou e disse que durante esses quinze dias tinha sentido muito a minha falta; que tinha saudades minhas e que olhava sempre para as minha fotos e que cada vez que olha sentia desejos disto e daquilo. Enfim, pediu-me fotos assim mais intimas e respondi-lhe que não, que queria
antes que nos conhecêssemos pessoalmente. Em resposta a este pedido, disse-me que tinha muito que fazer mas que ia ver, talvez que daí a dias. E assim foi. Marcou um encontro numa cidade a meio de caminho entre a sua e a minha. O local era um pequeno hotel e avisei-o que o primeiro encontro era mesmo para o café. Disse-me para não me preocupar. No dia do encontro, vesti-me bem e comecei a viagem contente por ir ao seu encontro. A minha intenção era mesmo conhece-lo e falar a ver se a química entre nós resultava. Cheguei ao local, uma espécie de pensão muito manhosa que tinha também um café. Pensei não entrar. O aspecto da pensão era muito ruim, mas já que ali estava entrei. No interior do café estava apenas uma velhota sentada no interior do balcão com um gato preguiçoso ao colo. Sentei-me e pedi um café. Eu mesmo tinha chegado meia hora atrasada e estranhei o facto de ele ainda não estar. Oiço uns passos que desciam do andar de cima e surge um homem, pequenino, com uma farta barriga, quase obsceno e assim muito mal encarado, com a camisa aberta até ao meio da barriga e um fio muito grosso que parecia de ouro em volta do pescoço. Dirigiu-se-me e disseme Olá, és a Ester? Fiquei parva e sem palavras. O homem, que já tinha alugado um quarto, não era nada, mas nada da fotografia. Sentou-se e pediu também uma café. Eu não sabia sinceramente o que dizer tal era a decepção. O palerma já tinha alugado quarto e estava convencido que me podia deitar levar assim sem mais nem menos. Fiquei tão irritada e revoltada que me levantei, paguei o café, e dirigi-me para o meu carro e voltei para casa triste, chorando de raiva e de tristeza por tão tamanha decepção e por lhe ter tido enviado algumas fotos que vim a envergonhar-me quando vi o fulano pela primeira vez. Maria Ester
Pedimos aos leitores que nos enviam correspondência para esta rubrica para não se alongarem muito nos textos que escrevem. A redacção reserva o direito de condensar e de trabalhar os textos que nos enviam. Obrigado.
Passar o Tempo
PORTUGAL POST Nº 201 • Abril 2011
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CONSULTÓRIO ASTROLÓGICO E-mail: mariahelena@mariahelena.tv TELEFONE: 00 351 21 318 25 91
Previsões para Abril de 2011
Por Maria Helena Martins
CARnEIRO Amor: Há uma tendência geral para a melhoria da sua vida afectiva neste período, pode encontrar o amor ou estabilizar num relacionamento já existente. Saúde: Não surgirão nenhumas surpresas nesta fase, no entanto é conveniente manter a vigilância e evitar excessos. Dinheiro: Trabalhe com mais afinco para atingir os seus fins. TOURO Amor: É provável que atravesse um período um pouco conturbado. Procure ouvir a sua voz interior, no silêncio do seu coração encontrará as respostas que tanto procura. Saúde: A sua saúde manter-se-á estável. Dinheiro: Pessoas de grande influência poderão surgir no seu meio laboral. Agarre as oportunidades! GÉMEOS Amor: Sentir-se-á liberto para expressar os seus sentimentos e amar livremente. Viva o amor sem receios e seja feliz! Saúde: Em vez de ter pensamentos negativos, consulte o seu médico se nota que alguma coisa não está bem na sua saúde. Dinheiro: Momento muito favorável sob o aspecto financeiro, saiba aproveitá-lo o melhor possível. CARAnGUEJO Amor: Esteja atento pois o amor pode surgir na sua vida quando e de onde menos você esperar. Saúde: Neste campo nada o preocupará. Dinheiro: fase pouco favorável, evite despesas que não tem a certeza de conseguir suportar.
LEÃO Amor: evite que a teimosia possa criar mal-entendidos entre os seus familiares. Saúde: Estará em plena forma física, aproveite para se dedicar a um novo passatempo! Dinheiro: Tudo decorrerá dentro da normalidade na sua vida profissional. VIRGEM Amor: Não deixe que os seus amigos que vivem mais afastados se sintam distantes de si, organize um jantar ou uma festa que permita a todos um reencontro. Saúde: tenha alguns cuidados com o seu sistema digestivo. Dinheiro: Tenha atenção no seu local de trabalho com os falsos amigos, pois nem sempre as pessoas que nos sorriem são as mais verdadeiras. BALAnÇA Amor: A sua capacidade de entrega e sensualidade estarão em destaque e podem trazer muita animação à sua vida amorosa. Saúde: Sentir-se-á muito dinâmico e determinado, cheio de força de vontade para enfrentar os desafios. Dinheiro: poderá receber uma ajuda da parte de um colega de trabalho. ESCORPIÃO Amor: As discussões poderão clarificar algumas dúvidas que estavam pendentes na sua relação de casal. Tenha cuidado com o que diz para não ferir os sentimentos da pessoa amada. Saúde: Deverá cuidar melhor da sua pele. Beba mais água e ponha um hidratante. Dinheiro: Reinará a estabilidade neste campo. SAGITÁRIO
Amor: Apague de uma vez por todas as recordações do passado que o fazem sofrer. Você merece ser feliz! Saúde: evite tomar medicamentos sem pedir conselho ao seu médico ou farmacêutico. Dinheiro: Esta é uma boa altura na sua vida para fazer uma doação de caridade. Se tem o que lhe basta, ajude quem mais precisa. CAPRICÓRnIO Amor: evite que outras pessoas se intrometam na sua relação afectiva dando primazia ao diálogo frontal e sincero com o seu par. Saúde: procure dar mais atenção à sua saúde, pois na verdade quando julgamos estar bem podemos estar a negligenciar o nosso corpo. Dinheiro: Período pouco favorável a grandes investimentos. AQUÁRIO Amor: Organize uma festa com os seus amigos mais íntimos. O convívio será bastante apreciado por todos. Saúde: Adopte uma postura mais tranquila. Dinheiro: Procure ser mais tolerante com os pontos de vista das pessoas com quem trabalha. Juntos poderão atingir os objectivos traçados mais facilmente. PEIXES Amor: Não entre em depressão pois tudo na vida tem uma solução e mais cedo ou mais tarde verá resolvidas as questões que o afligem. Saúde: Estará com o sistema nervoso um tanto instável, procure encontrar formas de descontrair e serenar a sua mente. Dinheiro: a sua vida profissional estará dentro da normalidade, não haverá surpresas a este nível.
Mulher Previdente Uma mulher levou à igreja duas velas acesas: pôs uma na imagem de S. Miguel e a outra na imagem do Diabo. Vendo aquilo, o padre repreendeu-a: — Que está fazendo, mulher? Não vê que é ao Diabo que está alumiando? — Pois que importa, senhor padre? É bom ter amigos em cima e em baixo, porque não sabemos aonde iremos parar!
Rapaz Poupado A filha ao contar ao pai que tinha um namorado, ele começa logo a perguntar: - Ao menos é um rapaz poupado? - É papá, olha ainda na semana passada quando lá fui a casa e os pais dele não estavam, a primeira coisa que ele fez foi apagar a luz! Os Queixos Amarrados O homem apresenta-se com um lenço atado, dando a volta por cima da cabeça e por baixo do queixo, apertado. — O que foi isso? — Pergunta-lhe um amigo — Dói-te a cabeça? Os dentes? Ou foi algum desastre? — Nada disso. Morreu a minha sogra. — Então?... morreu-te a sogra... e porquê é que trazes os queixos amarrados? — É para não me rir!
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