PORTUGAL POST ANO XVI • Nº 192 • Julho 2010 • Publicação mensal • 2.00 € Portugal Post Verlag, Burgholzstr. 43 • 44145 Dortmund • Tel.: 0231-83 90 289 • Telefax 0231- 8390351• E Mail: correio@free.de •www. portugalpost.de •K 25853 •ISSN 0340-3718
Leia nesta edição
Governo alemão anuncia maior plano de austeridade do pós-guerra
Alemanha Emigração está a mudar, com a chegada de muitos licenciados Página 7
VPU Empresários portugueses querem associação mais forte na Alemanha Páginas 7
O governo alemão definiu o maior pacote de redução de gastos públicos da história da República Federal da Alemanha. Até 2014 deverão ser economizados cerca de 80 bilhões de euros, valor acima do inicialmente previsto. Pág. 3
Münster Tatjana Pinto, jovem atleta luso descendente é uma “Jóia” do atletismo alemão Página 9
José Saramago Última Viagem Pág. 10
Uma batida universal à portuguesa
Os Oquestrada apresentam o álbum de estreia «Tasca Beat» na Alemanha Pág.12
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PORTUGAL POST Nº 192 • Julho 2010
PORTUGAL POST
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Mário dos Santos
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Directório Empresarial Luso-Alemão já disponível para venda ao público
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Alemanha
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Governo alemão anuncia maior plano de austeridade do pós-Guerra O governo alemão definiu o maior pacote de redução de gastos públicos da história da República Federal da Alemanha. Até 2014 deverão ser economizados cerca de 80 bilhões de euros, valor acima do inicialmente previsto.
Angela Merkel. Foto. Reuters
Os principais atingidos são os programas sociais do Governo, a indústria e o sector bancário. „São tempos graves e difíceis“, afirmou a chanceler Angela Merkel em Berlim, no final de uma reunião de dois dias com os seus ministros. Um novo aumento de impostos para os cidadãos foi descartado pela coligação governamental. Para 2011 o governo prevê economizar 13,2 bilhões de euros.
As medidas são uma tentativa de conter o crescente endividamento do Estado alemão e fazer com que a Alemanha volte a respeitar o pacto de estabilidade do euro. Principais cortes Os planos prevêem a reestruturação da Bundeswehr (Forças Armadas da Alemanha). O ministro da Defesa, Karl-Theodor zu Guttenberg, foi incumbido de apresentar, até Setembro, um plano de redução
do contingente militar, de 250 mil para 210 mil soldados. A coligação entre conservadores cristãos e liberais decidiu também reduzir gastos nos programas sociais do Governo. Entre outros cortes, o Governo não pagará mais a contribuição para a reforma de beneficiários do programa Hartz IV (destinado a desempregados). As mudanças deverão resultar numa poupança de 2 bilhões de euros por
ano. O Elterngeld, subsídio pago a quem deixa de trabalhar para cuidar dos filhos pequenos, será totalmente eliminado para os beneficiários do programa Hartz IV. Os demais passarão a receber 65% do valor do salário em vez dos actuais 67%. O teto de 1.800 euros foi mantido. As mudanças deverão trazer para o governo uma economia anual de 600 milhões de euros. Haverá cortes também no serviço público. Até o final de 2014, o Governo quer eliminar 15 mil postos de trabalho. Há cerca de 280 mil empregados no serviço público federal. Segundo o plano de poupança do Governo, os servidores do Estado também terão de renunciar a um aumento de 2,5% no subsídio de Natal, previsto para 2011. O governo espera economizar 4 bilhões de euros com os cortes no serviço público. As empresas de energia Eon, RWE, Vattenfall e EnBW – detentoras de centrais nucleares – terão de pagar um novo imposto, que soma 2,3 bilhões de euros anuais e diminuirá em parte os ganhos que elas terão caso a vida útil das centrais seja prorrogada. No sector da aviação, o Go-
verno quer cobrar uma taxa para cada passageiro que embarcar num aeroporto alemão, o que levará 1 bilhão de euros por ano para os cofres públicos. Para os bancos está prevista a criação de um imposto financeiro, que deverá ajudar a cobrir os prejuízos causados pela crise económica, a partir de 2012. A empresa pública Deutsche Bahn (transportes ferroviários) deverá reencaminhar para o Governo uma parte dos seus lucros. Até hoje, a empresa ficava com todo o dinheiro que ganhava. Merkel disse que não há alternativas ao pacote. „Não podemos permitir tudo o que desejamos se quisermos definir o futuro“, assinalou. O vice-chanceler Guido Westerwelle afirmou que o pacote é ambicioso, amplo e sólido. „Nos últimos anos nós também vivemos acima das nossas possibilidades.“ A oposição e os sindicatos criticaram os planos do governo. „Agora os trabalhadores, os reformados e as famílias são chamados a pagar a conta das negociatas dos bancos“, disse Klaus Ernst, líder do partido A Esquerda. O Partido Verde declarou que o governo prejudica os mais fracos.
mados a pagar a conta. Entretanto, o sindicatos dos metalúrgicos IG Metall e o dos prestadores de serviço Verdi anunciaram manifestações . O presidente do Verdi, Frank Bsirske, disse à emissora de televisão ARD que o governo deu „presentes bilionários aos ricos hoteleiros“ e tenta agora „recupe-
rar o dinheiro às custas dos empregados do sector público e dos desempregados“. A crítica foi uma referência à decisão de reduzir a quota do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) para os hotéis, tomada no início do governo da coalizão entre conservadores e liberais. Agências DPA e Reuters
Pacote do governo alemão poupa ricos e castiga pobres, criticam políticos e sindicatos Oposição, sindicatos e até mesmo sectores dos partidos do governo alemão fizeram duras críticas ao pacote de redução de despesas públicas anunciado no princípio do mês de Junho pela chancelaria Angela Merkel e pelo vice-chanceler Guido Westerwelle. Na opinião dos críticos, os planos do governo poupam os sectores mais ricos da sociedade alemã e prejudicam os mais pobres.A coalizão da CDU (União Democrata Cristã), CSU (União Social Cristã) e do FDP (Partido Liberal Democrático) quer economizar 80 bilhões de euros até 2014, com cortes principalmente em benefícios sociais. As medidas „são covardes, porque os causadores desta crise são poupados e os necessitados, podados“, afirmou a secretária-geral do SPD (Partido Social Democrata), Andrea Nahles, à emissora SWR. Ela disse que o partido – o maior da oposição – não vai tolerar os cortes que afectam gravemente o mercado de trabalho. „Acho que o
FDP se impôs. Isso está claro. A assinatura é de Guido Westerwelle, mas a chancelaria chama-se Angela Merkel, e ela é que tem a competência para traçar directrizes“, criticou Andrea Nahles. Por seu turno, o presidente do SPD, Sigmar Gabriel qualificou o projecto de miserável e imaturo. „Falando francamente: para os afortunados e para a clientela do FDP, mamã escolheu o programa ‘suave’ da máquina de lavar roupa“, afirmou, numa referência ao apelido de Merkel no meio político. O dirigente do Partido Verde Cem Özdemir disse que sua bancada tentará impedir a aprovação de alguns dos cortes planejados. „Onde for necessária a aprovação do Bundesrat [câmara alta do Parlamento], faremos de tudo para impedir que o governo obtenha maioria“, declarou à emissora n-tv. Alguns pontos do pacote necessitam da aprovação das duas câmaras do Parlamento. Até mesmo a ala social da CDU, partido de Merkel, criticou o
pacote. O vice-presidente da comissão de assuntos sociais do partido, Christian Bäumler, disse à agência de notícias DPA que é inaceitável que o governo pare de pagar a contribuição para a aposentadoria dos beneficiários do programa Harz 4, destinado a desempregados. „Atingidos são aqueles que não têm lobby e que menos podem se defender.“ Lamentou ainda que o governo não cobre mais dos ricos. „Acho que isso se deve ao FDP“, afirmou. Críticas veementes também partiram dos sindicatos. O presidente da central sindical DGB, Michael Sommer, anunciou protestos nas fábricas e grandes manifestações nas cidades. „A luta vai começar” afirmou à emissora rbb. „Prejudicados não foram os ombros fortes, mas os fracos“, criticou Sommer em entrevista ao jornal Rhein-Neckar-Zeitung. Para o sindicalista, o FDP impôs-se, evitando que os causadores da crise financeira fossem cha-
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Formação académica é grande diferença entre novos emigrantes e os dos anos 1960 A formação académica é a grande diferença entre os novos emigrantes e os que partiram nos anos 1960, segundo os deputados pela Emigração, que apontam ainda Angola como o novo destino dos portugueses no estrangeiro. Questionados pela Agência Lusa a propósito do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que se celebrou no passado 10 de Junho, os deputados foram unânimes a dizer que a mais recente vaga de emigração não é de agora. “Andamos a dizer que há uma vaga de emigração há, pelo menos, sete ou oito anos”, disse o deputado do PSD por Fora da Europa José Cesário. Para o deputado social democrata, “as diferenças têm a ver com os níveis de formação” porque “sai muita gente que já tem formação académica”. “Depois, há diferenças a nível etário. Já não são só os jovens de 20 anos que saem. As mulheres também emigram e começa a ver-se famílias que não hesitam em levar os filhos”, acrescentou. Quanto aos destinos, José Cesário afirmou que os tradicionais países europeus (França, Luxemburgo e Suíça) continuam a ser muito procurados, a par de Espanha, Reino Unido e Angola, que são
as novidades. Contudo, alertou para a falta de especialização dos novos emigrantes, afirmando que “perdem oportunidades” no mercado de trabalho. “Os nossos jovens não estão preparados em áreas de especialização. Não são técnicos especialistas de electricidade, serralharia, mecânica. Perdem claramente oportunidades no confronto com outras pessoas particularmente do centro e leste da Europa”, disse. Por isso, os portugueses acabam “por cair nas actividades em que sempre caíram, que é a construção civil, a hotelaria e as limpezas”, afirmou. Por seu lado, o deputado do PS pela Europa, Paulo Pisco, disse também que “há uma grande circulação não só de portugueses que vão trabalhar em diversos sectores - construção civil, hotelaria e agricultura -, mas há movimentos também que têm uma grande natureza sazonal”. Paulo Pisco destacou ainda que muitos “portugueses têm níveis de escolaridade superiores” e vão fazer investigação ou trabalhar para
multinacionais. Quanto aos destinos, afirmou que há sobretudo uma emigração para a Europa embora haja países como Angola, que está a ser muito procurado”. O deputado social democrata por fora da Europa Carlos Páscoa Gonçalves disse estarem a ocorrer “casos pontuais” de quadros já formados, “à procura de novas oportunidades” em países como os Estados Unidos, Brasil ou Índia. O deputado destacou que, entre os novos emigrantes, há “pessoas muito bem preparadas, que fizeram cursos e graduações”. Por seu lado, o deputado do PSD pela Europa, Carlos Gonçalves, disse que grande parte das pessoas continuam a emigrar “por razões económicas”. A diferença é que há “pessoas que têm alguma formação, algumas têm até uma formação de grande qualidade que, não encontrando ofertas de trabalho e perspectivas de carreira em Portugal, também emigram”, afirmou. Entre os novos destinos, o deputado destacou o Reino Unido que “tinha até há uma dezena de anos uma comunidade estimada em 80 mil” portugueses e actualmente calcula-se que sejam entre 300 a 400 mil”.
PSD apresentou projeto lei para incluir representantes dos emigrantes no Conselho Económico e Social O PSD apresentou na Assembleia da República um projeto-lei para incluir representantes das Comunidades Portuguesas no Conselho Económico e Social, uma participação “fundamental para a internacionalização” da economia portuguesa, destacou o deputado Carlos Gonçalves. Em declarações à Lusa, o deputado do PSD pela Europa afirmou que a integração de representantes dos emigrantes portugueses no Conselho Económico e Social pode saldar-se “num contributo fundamental para a internacionalização da economia portuguesa”, uma das “grandes bandeiras do actual Governo”. Representantes que devem ser “designados pelo Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Portuguesas”, o órgão consultivo do Governo para as políticas relativas à emigração e às comunidades portuguesas, precisou Carlos Gonçalves. O deputado social democrata lembrou o “importante contributo” que as remessas dos emigrantes têm e sempre tiveram na economia
portuguesa e o facto de muitos portugueses no estrangeiro serem “um dos maiores investidores em Portugal”. De acordo com o deputado do PSD pela Europa, esses investimentos ajudam ao “desenvolvimento de muitas zonas do interior” e tem também um “peso bastante importante no turismo português”. “Somos um país que só tem razão de ser integrando todos os portugueses. E essa integração, que tem de ser feita a vários níveis, tem também que integrar os portugueses que vivem fora de Portugal”, salientou. Torna-se “determinante reconhecer-lhes um papel mais activo no plano da cidadania e da participação política em Portugal”, defendeu, um objectivo que “passa também por garantir a sua inclusão no Conselho Económico e Social”, onde os seus representantes “podem dar contributos importantes” para o desenvolvimento do país. “Somos um país espalhado pelo mundo e seremos mais fortes, mais competentes e mais capazes se in-
tegráramos as comunidades portuguesas no todo nacional”, advogou o deputado, reiterando que muitos emigrantes portugueses “alcançaram lugares de destaque” lá fora e as suas opiniões “têm peso” nas decisões que são tomadas no plano nacional dos países onde residem. “Temos portugueses no estrangeiro que integram conselhos económicos e sociais deste género nos respectivos países, não nos parece correcto que tal não acontecesse em Portugal”, frisou. O deputado do PSD pela Europa mostrou-se confiante quanto à aprovação do projecto lei. “Acredito que todos os partidos políticos, e, muito particularmente, o maior grupo parlamentar, o PS, venha aprovar favoravelmente esta inclusão. Seria estranho que não o fizesse”, afirmou, instando os partidos políticos a aprovarem o diploma para o “bem dos portugueses e de Portugal”. De acordo com Carlos Gonçalves, “na próxima sessão legislativa, talvez até no seu início”, já seja possível concretizar a aprovação do projecto-lei.
Cavaco volta a apelar a união de todos os portugueses e elogia exemplo „inspirador“ dos emigrantes
O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, apelou à união de todos os portugueses “onde quer que se encontrem”, voltando a elogiar o exemplo “inspirador e mobilizador” daqueles que vivem no estrangeiro. “É hora de apelar à união de todos os portugueses, onde quer que se encontrem”, afirmou Cavaco Silva, na tradicional mensagem às comunidades portuguesas, por ocasião do Dia de Portugal. Voltando a apontar os portugueses da diáspora e os luso-descendentes como um “exemplo” ao mesmo tempo “comovente, inspirador e mobilizador”, Cavaco Silva lembrou a forma como quem vive no estrangeiro persiste em manter vivos os laços que os ligam a Portugal e ao mesmo tempo estabelece laços nos países de acolhimento. “Alegramo-nos com o prestígio que aí alcançaram, prestigio que em muito contribui para a afirmação de Portugal no mundo”, notou, elogiando ainda a forma como entre os portugueses residentes no estrangeiro “reina um espírito de clara solidariedade” em relação aos mais atingidos pela crise que afecta os países onde trabalham. “O vosso exemplo é inspirador e mobilizador para os portugueses que residem em território nacional. E, so-
bretudo, nos tempos de crise que vivemos, também a acção da diáspora pode dar um importante contributo para que Portugal vença as dificuldades do presente e reencontre o caminho de crescimento económico sustentado e de melhoria das condições de vida dos cidadão”, acrescentou.Pois, continuou, o contributo dos emigrantes portugueses pode ser uma “mais valia” e serão sempre “bem vindos” se decidirem apostar em Portugal, “investindo, criando riqueza, gerando emprego”. Além disso, poderão também ser um ponto de contacto para que as empresas portuguesas aumentem as exportações e para que mais estrangeiros visitem Portugal. “A chave da recuperação económica reside no aumento das exportações de bens e serviços. A partilha de conhecimentos e informações entre portugueses que vivem em território nacional e aqueles que vivem e trabalham em outras partes do mundo é da maior relevância para a realização deste objectivo”, sustentou. Por isso, reforçou o chefe de Estado, é tempo dos portugueses se unirem, para que as novas gerações os recordem como pessoas que, nos momentos decisivos, “não viraram a cara e estiveram à altura do que a situação lhes exigia”. Publicidade
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Opinião António Justo A praga da divída pública ameaça os Estados
Uma Comparação entre a Alemanha e Portugal SITUAÇÃO NA ALEMANHA
A
dívida do estado Alemão é de 1.716.987 milhões de euros. Devido aos juros, a dívida aumenta 4.481 € por segundo. A cada um dos cidadãos alemães corresponde uma dívida de 21.003 €. E isto num estado com uma economia forte!... O Estado não tem reserva. A poupança do Estado não chega sequer para amortizar os juros. Na Alemanha, até hoje só o chanceler Konrad Adenauer (1949-57) conseguiu uma reserva de poupança de 4.000 milhões €. O endividamento da Alemanha ainda merece um certo desconto. O preço da União da Alemanha com as transferências anuais de milhares de milhões de euros da Alemanha ocidental para a Alemanha socialista (antiga DDR) é horrendo. Além disso, segundo as estatísticas, um terço do que os alemães produzem, num ano, são gastos com o estado social (assistência à saúde, desemprego, etc.). Na Alemanha o governo seguia a regra de que as novas dívidas a fazer de ano para ano não podiam ultrapassar os investimentos que o Estado faz. Tem orientado o endividamento ao crescimento do PIB. Entretanto o Tribunal Constitucional alemão exigiu um travão para o endividamento. Como consequência do travão das dívidas imposto pela Constituição, os Governos terão de cumprir o determinado a partir de 2011, isto é, com
o tempo, terão de se safar sem recorrer a créditos. A Alemanha federal terá de reduzir até 2016, as dívidas novas, a um máximo de 0,35% do PIB. A seguir-se a lógica da prática governativa, até agora, isto significarás que, a longo prazo, os governos aumentarão os impostos para contrabalançarem o travão das dívidas. Em vez disso seria necessário um Estado mais magro e políticos menos gulosos! Por outro lado a situação mundial é mesmo má: a dívida externa total no mundo é de 98% do PIB mundial. Isto imprime, no comportamento dos países, uma dinâmica de endividamento e de inflação crescente. SITUAÇÃO EM PORTUGAL A dívida pública do Estado português cresce assustadoramente passando de 125,9 mil milhões € em 2009 para 142,9 mil milhões € em 2010 (isto é, para 85,4% do produto interno bruto). O endividamento privado da economia portuguesa atingiu 115% do PIB em 2009. As pessoas e empresas privadas endividam-se perante os bancos nacionais e os bancos nacionais endividam-se perante os bancos estrangeiros. As nações dos bancos credores, como no caso da Alemanha, vêem-se obrigadas a apoiar as nações à beira da falência para que estas possam amortizar as dívidas dos seus bancos e assim impedir que a insolvência destes atinjam os seus. Quando as dívidas privadas e do Es-
tado se efectuam na circulação interna do país, a situada não é muito má; o problema surge no momento em que as dívidas são contraídas no estrangeiro. Neste caso vale a lógica da economia privada. Por isso, a comparação entre países com dívidas carece de objectividade linear e conduz ao erro. As dívidas do Estado reprimem os investimentos privados. Segundo se pode verificar no diagrama do NY Times ( http://www.nytimes.com/interactive/2010/05/02/we ekinreview/02marsh.html ) os empréstimos/dividas são maioritariamente intra-europeus. O mal está para os países que têm de recorrer a crédito internacional. Para a EU (União Europeia) o problema não é grande porque o proveito fica nela (nos países credores). No que respeita ao PIB per capita com poder de compra, como refere o DN, numa escala dos países, a média europeia situa-se no índice 100; o Luxemburgo atinge o índice 268, a Alemanha 116, a Grécia 95, Portugal 78 e em situação pior que Portugal temos apenas os 8 países europeus do antigo bloco socialista. Privadamente os portugueses encontram-se super-endividados tal como o Estado. Os portugueses têm investido em produtos consumistas e o Estado tem seguido uma política aleatória de investimentos em projectos de prestígio não produtivos. As políticas em curso são insuficientes e contra-produtivas porque sobrecarregam o consumidor e as pequenas e médias empresas. Portugal perma-
nece incorrigível e os governos são irresponsáveis e não têm competência para governar um país que apesar da sua posição marginal tem grandes potencialidades que continuarão a ser desaproveitadas. Na Europa, os impostos directos e indirectos são de tal ordem elevados que, feitas bem as contas, 75% do que uma pessoa ganha fica para o Estado. De ano para ano os Governos recorrem a empréstimos servindo-se deles para descontar parte dos juros dos créditos anteriores. A montanha das dívidas cresce continuamente sem haver amortização mesmo nos anos das vacas gordas. Combate-se a crise das dívidas com novas dívidas. Já ninguém conta com a possibilidade de as pagar. Um princípio financeiro diz que as dívidas de hoje são os impostos de amanhã. O Estado financia-se através de impostos e de dívidas. O endividamento adia a carga para o futuro devido aos juros e amortizações a saldar. Em cada orçamento de família as despesas não devem superar as entradas. Os governos contam com a falência fazendo valer uma política partidária apenas interessada em adiar a catástrofe! Para dançarinos do poder o stress da dívida conduz a irracionalidades mas não a insónias. Uma dona de casa que se comportasse no governo da casa como os governos se comportam com o orçamento do Estado, já há muito estaria sujeita ao escárnio dos vizinhos, não teria fiadores e encontrar-se-ia em
apuros com a justiça. Os políticos exploram o estado como se este fosse rico; permitem-se mordomias, carros de serviço de luxo, funções acessórias em conselhos ficais de bancos, de empresas, contribuindo assim para a corrupção das instituições. Não se preocupam com o futuro dos outros, com o futuro da civilização. A bancarrota e a guerra são as soluções conhecidas do passado. As elites não se preocupam porque sabem que as falências e a guerra são pagas pelos trabalhadores e pelos soldados rasos. Os que provocam as insolvências safam-se a tempo! O Estado e os seus políticos são esbanjadores vivendo em conivência com os poderosos. Apesar do momento crucial em que nos encontramos dão-se, descaradamente, ao luxo de aumentar os seus ordenados! Poupam naqueles que não se podem defender. Com o tempo não restará ao povo outra opção senão sair para a rua em defesa da justiça e da democracia. Infelizmente a lei da vida parece dar razão aos que fazem uso da violência e da exploração. O Governo português dá o exemplo. Vive da polémica gerando polémica confinandose a legislação polémica, muitas vezes de carácter ideológico e orientada à cimentação dum espírito de pobreza em que alguns boçais autoritários orientam o destino dum povo obrigado ao fado de sonhar e a emigrar! O preço da falência dos bancos foi a credibilidade da política, o preço da crise dos estados será a democracia.
Opinião Paulo Pisco*
Portugal no esplendor da sua grandeza
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ortugal, a Língua Portuguesa e o mundo são a nossa pátria. Ao longo da nossa História fomos ganhando raízes nos lugares mais inesperados do planeta. E fomos deixando as nossas marcas, dispersas por tantos continentes. Levámos a aventura na alma. A curiosidade. O espírito científico. A fé. Muita fé: na religião, nos Homens, na Humanidade. Há um impulso irresistível que nos leva a partir. E a estar bem onde chegamos. O universalismo corre-nos nas veias. A força de uma nação feita na descoberta de novos povos e territórios. A tolerância, a abertura, a capacidade de compreender os outros. Uma humildade sem fim. Uma simpli-
cidade muito nossa, muito discreta. E isto são qualidades, não defeitos. Os portugueses sempre aceitaram misturar-se sem preconceitos nem sobranceria. E isto é profundamente generoso e humano. Camões, Eça, Pessoa, Saramago. Portugal no esplendor da sua grandeza. Confesso o cansaço de ouvir todos aqueles que insistem em só nos ver em ponto pequeno. Em só ver dramas e dificuldades. Não os compreendo. O derrotismo é um lugar estranho. Dificuldades sempre houve e sempre haverá. Mas é para isso que cá estamos: para as enfrentar e resolver. Mas se calhar este rezingar é o sintoma de uma busca inconsciente de uma certa forma de perfeição.
Um Portugal que teve futuro desde o tempo de D. Afonso Henriques e que terá futuro nos séculos vindouros. Vemos o mundo em cada português espalhado pelos continentes. Portugal é toda esta nação que da Europa ao Oriente, de África às AméNão somos perfeitos. É verdade. Mas nenhum povo é. Somos o que somos e temos de nos aceitar assim. Com orgulho e alegria. Sem complexos. Quero ver Portugal assim. Pela positiva, mesmo quando as crises nos fustigam. Mesmo quando nos querem desmoralizar. Os Velhos do Restelo são vozes tristes e deslocadas no Portugal moderno que hoje somos.
ricas foi construindo países ao longo de muitas gerações e afirmando aquela que é a sexta Língua mais falada. Somos uma das nações mais cosmopolitas, que mais culturas e saberes foi integrando com a passagem do tempo. Não somos perfeitos. É verdade. Mas nenhum povo é. Somos o que somos e temos de nos aceitar assim. Com orgulho e alegria. Sem complexos. Quero ver Portugal assim. Pela positiva, mesmo quando as crises nos fustigam. Mesmo quando nos querem desmoralizar. Os Velhos do Restelo são vozes tristes e deslocadas no Portugal moderno que hoje somos. Acredito em nós e na nossa capacidade para vencer. A longa História da
nossa emigração, inseparável da História de Portugal, é a história de um povo vencedor. Um povo que sempre deu o melhor de si próprio, tanto no país como fora e que o continua a fazer. Que deixou marcas na vida e nos costumes que ainda hoje são recordadas com afecto. São um verdadeiro exemplo todos os que um dia partiram para o desconhecido e venceram, muitos sem dinheiro nem escola. Um exemplo luminoso de coragem, determinação, perseverança, sabedoria e confiança. Portugal e todas as gerações de Portugueses só podem ser vistos assim. Como vencedores. * Deputado do PS eleito pelas Comunidades
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Comunidade - Alemanha
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Essen Projecto Intercâmbio põe crianças a dialogar em português O Projecto Intercâmbio (PI) foi idealizado por crianças que frequentam o curso de Língua e Cultura Portuguesas (LCP) em Essen, NRW, está a ser desenvolvido em parceria com o projecto de investigação em antropologia ‘Crianças na Diáspora Portuguesa’ e com o apoio do Centro Recreativo Desportivo Português de Essen e.V..
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“O Curso de LCP – Essen é constituído por cerca de 30 alunos com idades compreendidas entre os 6 e os 17 anos, distribuídos pelo 1º e 10º ano de escolaridade do ensino regular alemão. São maioritariamente portugueses, mas também existem brasileiros e angolanos. Frequentam as aulas de LCP uma vez por semana, aprendem a Língua Portuguesa e um pouco de Cultura e de História, tanto de Portugal, como dos restantes países lusófonos, especialmente do Brasil e de Angola, uma vez que a interacção entre eles próprios lhes permite essa possibilidade”, explica Mónia Miranda Gibson, professora do curso. A ideia do INTERCÂMBIO surgiu durante uma aula do grupo dos mais velhos, numa conversa sobre o que seria igual ou diferente na sua vida, comparando-a com a de crianças que vivem em Portugal ou em outros lugares do mundo. Realizar uma viagem a um país onde a comunidade portuguesa estivesse presente, foi a primeira ideia que surgiu: “Tinha que ser uma viagem relacionada com a escola, com Portugal e organizada por nós. Um intercâmbio! Sugerimos nós, imediatamente. Começámos logo a trabalhar para que este projecto se realizasse” (João, 15). O objectivo do PI é conhecer e interagir com outras crianças portuguesas, luso-descendentes e lusófonas, que morem em outros países e partilhem interesses semelhantes. O INTERCÂMBIO pode acontecer em viagens e visitas mútuas e, também, no contacto contínuo facilitado pelos meios de comunicação actuais. “Eu gosto de participar no PI porque posso dar as minhas ideias” (Valentin, 11); “O interessante é nós trabalharmos todos juntos para conseguir alguma coisa” (Tobias, 12); “Gosto muito da ideia de irmos a um país conhecer alunos que também têm aulas de Português” (Tamara J., 13); “Eu gosto do PI porque nós fazemos coisas diferentes” (Lara, 11);
“Eu gosto de ir às aulas de Português porque nós não só aprendemos a língua e cultura portuguesas mas também fazemos projectos como o PI” (Tamara T., 12); “É uma ideia óptima porque há muitas crianças que são portuguesas e não conhecem o país materno” (João, 15); “Acho importante e interessante nós sabermos como é que crianças da nossa idade vivem em outros países” (Rebecca, 15). Para a antropóloga Ângela Nunes, “o horário reduzido do curso de LCP condiciona o aproveitamento da riqueza cultural e social presente neste grupo. O PI expande essa possibilidade, trazendo a estas crianças oportunidades de convívio que vão do extra-escolar local ao global, motivado pelo interesse de darem a conhecer a sua vivência transnacional e conhecer a de outros. Isto reforça a auto-estima e o orgulho da sua pertença linguística e cultural, e convida-as a um novo olhar sobre si mesmas, suas raízes e seu futuro, imprimindo dinamismo e criatividade à vivência da sua diáspora”. Para angariar fundos os participantes fazem rifas, vendem bolos e café em eventos, organizaram uma tarde de cinema no 25 de Abril, têm pedido donativos nas festas do Centro Português e organizaram um Portfólio para enviar a potenciais financiadores. O PI tem um blogue com informações sobre os participantes, o dia a dia do projecto e as suas várias iniciativas, fotografias, e onde é possível comunicar com o grupo!
O próximo evento é um amigável concurso de dança, dia 10 de Julho, às 19:00, no Centro Recreativo Desportivo Português de Essen. Venham divertir-se! O PI agradece pela presença e apoio de todos!
Comunidade - Alemanha
PORTUGAL POST Nº 192 • Julho 2010
Emigração para a Alemanha está a mudar, com a chegada de muitos licenciados
Berlim é uma cidade preferida pelos “novos” emigrantes licenciados Este emigrante sublinha que o país de origem vai ter de esperar por ele “nos próximos anos”, e que as condições que a Alemanha lhe oferece “não são comparáveis às que existem em Portugal”, quer quanto à progressão na carreira, quer quanto às recompensas financeiras. E dá um exemplo elucidativo, um jovem como ele, que termina o curso universitário e começa a trabalhar num museu de Berlim, ganha, logo de entrada, o mesmo que um director de departamento de um museu em Portugal. André Isidro, 29 anos e licenciado em Estudos Europeus, prefere sublinhar as perspectivas profissionais que encontrou em Berlim,
onde implementa projectos para uma grande multinacional da área das comunicações integradas. A facilidade em arranjar emprego em Berlim surpreendeu-o, e embora soubesse que era mais fácil do que em Lisboa, um mês depois de estar na capital alemã já tinha iniciado um estágio na empresa onde está, que mais tarde lhe ofereceu um contrato fixo. “Entretanto, tenho vários colegas de curso que também vieram para Berlim, e outros conhecidos com cursos universitários que já encontrei aqui, vieram à procura de uma perspectiva de trabalho e de uma vida diferente, e têm-se saído bem”, sublinha André. Carlos Faísca, 65 anos, tem uma
história bem diferente: saiu de Portugal nos anos sessenta, para não ter de fazer o serviço militar e ir para a Guerra nas Colónias, e começou por ter uma vida bem dura no país de acolhimento. “Comecei por trabalhar numa fábrica de chumbo, em Hamburgo, estive lá um ano e meio, e depois fui para a marinha mercante alemã, fui marinheiro durante muitos anos, até me estabelecer com um restaurante na Alemanha”, conta o reformado, entretanto a viver em Loulé, sua terra natal. Mas agora viaja frequentemente entre Portugal e a Alemanha, porque os dois filhos ficaram a viver no país onde nasceram, lamenta este emigrante da primeira geração. FA
Associação Portuguesa em Solingen vai ter nova vida em novas instalações “Estamos muito contentes por em breve termos novas instalações”, diz-nos, Manuel Lisboa, o porta voz da Associação Portuguesa em Solingen, cidade alemã conhecida pela sua indústria de cutelaria. Prevista para o próximo mês de Setembro, a mudança vai requerer dos sócios da Associação uma esforço suplementar. Empacotar, carregar caixotes escadaacima-escada-abaixo do segundo andar das actuais instalações para as novas situadas no Südpark (Parque Sul), mais concretamente para o edifício da “Lebenshilfe”. “Estaremos, finalmente, em condições dignas para receber
Empresários portugueses querem associacão mais forte na Alemanha A Associação dos Empresários Portugueses na Alemanha (VPU) está „à procura de uma presença mais forte“ na Alemanha, que passa por mudanças estruturais e pela redefinição de objectivos, disse o presidente, Simeon Ries.
O paradigma da emigração portuguesa para a Alemanha está a mudar, com a chegada nos últimos anos, a metrópoles como Berlim ou Munique, de muitos licenciados de diversas áreas, atraídos por um mercado de trabalho mais compensador. Tal como os seus compatriotas que começaram a emigrar para a Alemanha nos anos sessenta, para voltar a pôr de pé uma indústria arrasada pela guerra, a saída de Portugal dos novos emigrantes foi também motivada pela falta de perspectivas de um emprego compatível em Portugal, que retarda também eventuais planos de regresso à pátria. “Penso que dificilmente regressarei a Portugal, apesar de o meu pensamento estar lá todos os dias”, diz Manuel Faria, que chegou à Alemanha em 1976, começou a trabalhar numa expedição, e acabou por se tornar comerciante. “Aquilo que se vê de Portugal não é nada animador, e tenho mais garantias sociais na Alemanha, o que me faz ter receio de regressar um dia”, diz o emigrante de 58 anos, natural de Barcelos. Luís Batalha, formado em antropologia social, a trabalhar no Museu das Comunicações de Berlim, ainda não tem 10 anos de Alemanha, mas partilha algumas das preocupações do seu compatriota.
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todas as pessoas, inclusivamente, visitantes com deficiência já que há um elevador para tornar o acesso mais simples”, disse Manuel Lisboa a um jornal local. A Associação Portuguesa em Solingen já há muito que ultrapassou as fronteiras das suas origens. Hoje, aos fins-de semana é difícil encontrar lugar nas mesas ocupadas não apenas por famílias lusas como ainda por forasteiros de outras nacionalidade. Fundada nos idos de 1975 e, actualmente, com 78 sócios, sendo alguns deles alemães, a Associação muda porque “quer contribuir para a sua própria integração na sociedade que nos acolhe”, refere Manuel Lisboa
Manuel Lisboa, à dir., em conversa com dois dos directores da Associação
Aspecto de Frankfurt/Main, cidade onde a VPU se sediou Após a mudança operada na direcção da VPU, devido à morte do seu fundador, Duarte Branco, em 2007, esta associação empresarial está a estudar as hipóteses de se transformar na câmara de comércio luso-alemã na Alemanha, revelou ainda Ries. Trata-se no entanto, de „um processo que ainda está em fase de arranque“, e para o qual será necessário granjear o apoio do Governo português, e da opinião pública alemã, sublinhou o presidente da VPU. Para já, a VPU decidiu, em cooperação com o AICEP, relançar as suas actividades, que têm estado praticamente paradas, nos últimos anos, e promover, na nova sede após a mudança de Bona para Frankfurt, no ano passado -, um seminário sobre o papel das empresas portuguesas na Alemanha. O encontro, que decorreu no passado dia 8 de Junho, em Frankfurt, contou com a presença de representantes de cerca de 30 empresas portuguesas e alemãs, e abriu com uma saudação da Embaixada de Portugal. Seguiu-se uma descrição das actividades do AICEP, da Sonae Sierra e da Caixa Geral de Depósitos na Alemanha, a cargo dos seus principais responsáveis. A encerrar os trabalhos, o presidente da VPU moderou uma mesa redonda intitulada „Com Os Pés na Terra“, com a participação de profissionais liberais e representantes de pequenas empresas lusas sedeadas na Alemanha.
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PORTUGAL POST Nº 192 • Julho 2010
Caixa Geral de Depósitos apoia estudantes e celebrações do 10 de Junho
Abílio Ferreira, vice - cônsul de Portugal em Frankfurt, a premiada Stefanie Monteiro e Carlos Pereira, delegado da CGD em Estugarda.
Teve lugar a 27 de Maio passado no Consulado de Frankfurt a entrega simbólica da bolsa de estudo oferecida pela Caixa Geral de Depósitos a Stefanie Alves Monteiro. Stefanie foi a 2° melhor classificada e frequenta a Universidade de Mainz. Gostaria de ser professora de química e de francês. Esta bolsa, denominada Bolsa Caixa Geral de Depósitos, é uma das 6 atribuídas em 2009 no âmbito
do programa de bolsas de estudo organizado pela Embaixada de Portugal na Alemanha, tendo as cinco restantes bolsas sido oferecidas pela Direcção Geral de Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas. Este programa, iniciado em 2005, visa promover a valorização da comunidade portuguesa na Alemanha, e conta com a participação da Caixa pela terceira vez. Já em 2010 a CGD
Benfiquistas de Stuttgart em festa!
Largas dezenas de benfiquistas da comunidade portuguesa de Stuttgart celebraram, no passado dia 5 de Maio, nas boas instalações da Associação Desportiva Velhas Glórias, que fez 38 anos de existência recentemente, o triunfo do Sport Lisboa e Benfica como Campeão Nacional 2010/2011 .O jantar efusivo e de
grande confraternização clubista, foi liderado pelos mais velhos e prestigiados benfiquistas lusos da cidade-capital do Estado do Baden-Würtemberg,, Manuel Gomes e Jorge Madeira. Todos esperam para o ano repetir o grande evento, como é proverbial. FAR
ofereceu 10 leitores de CDs no âmbito de iniciativa do Serviço de Apoio Regional do Ensino de Estugarda. Para além de apoios a várias iniciativas locais da comunidade portuguesa na Alemanha por ocasião do 10 de Junho, a Caixa Geral de Depósitos apoiou as celebrações do 10 de Junho organizadas pelos Consulados de Stuttgart e de Hamburgo.
Astra deixa de emitir a RTPI Desde o passado dia 30 de Junho que RTP internacional deixou de pertencer ao pacote do satélite Astra. A notícia chegou-nos através de inúmeros leitores preocupados com e surpreendidos com o aviso que Astra fazia em nota de rodapé durante a transmissão da RTPi. Sobre a decisão do Astra, a RTP informou o PORTUGAL POST “não ter nada a ver com a decisão da empresa gestora do satélite”. Um elemento das relações públicas do canal português informou que “não há qualquer alteração à emissão da RTPi via satélite. A Astra decidiu retirar a RTP do seu pacote de oferta, no entanto continuamos como sempre a emitir para a Europa com os seguintes parâmetros de recepção HOTBIRD 8 – (Banda Ku, Digital) Cobertura: Europa Posição Orbital: 13º Este Transponder: 111 Frequência: 10 723MHz Polarização: Horizontal FEC: ? Symbol Rate: 29,900 MS/s PID Vídeo: 1003 PID Áudio: 1203 PID Teletexto: 1103 Emissão Rádio: PID RDPi (estéreo): 1230 PID Antena 1 (mono): 1235
Groß-Umstadt Padre Jorge Gouveia,
solidário e amigo de todos
Com os seus 72 anos, o nosso querido e carismático Padre Jorge Gouveia já é mais do que um Padre: é amigo, psicólogo e um homem de boa vontade . É um amigo que dá todos os dias um pouco de si a tantos quantos o conhecem, principalmente aos membros seus conterrâneos desta comunidade de Groß-Umstadt. A pedido dos idosos da sua aldeia, Freixo da Serra , construiu um lar para acolher os mesmos, e deste modo evitar-se o abandono, o sofrimento, a dor, a solidão a que tantos infelizmente estão sujeitos. E após 15 anos de duro trabalho, peregrinando por este mundo para tornar real este sonho dos idosos, que são a sua prioridade. Com poucos recursos, e após muito trabalho de secretaria conseguiu algum apoio estatal, juntou mais de meio milhão de euros de “esmolas” em prol da terceira idade. Mesmo assim ainda não se sente cansado na sua missão de ajudar quem precisa. Antes, sente-se animado para que a sua obra cresça sempre cada vez mais. E, dar e dar-se é a sua missão neste mundo, senão veja-se: - Ultimamente ofereceu ao lar “ Sra do Ó” - Dez televisões para os quartos dos utentes deste lar - Uma moderna vedação com portões automáticos - Seis bancos de granito serrano para o jardim, com estofos, criados pelo mesmo doador, referentes a terceira idade. - Painéis de energia solar - Estantes para a biblioteca do lar
que ele mesmo fundou. Quem mora em Groß-Umstadt, e se levanta cedo, pode ver o Padre Jorge vagueando pelas ruas, pois começa o dia pela costumeira visita ao Hospital, informando-se se encontra algum português ali internado, para poder então ir visitá-lo e dar-lhe um pouco da sua companhia e e conforto durante as horas de dor. Frequenta também todos os clubes e cafés portugueses onde se mistura com os seus manos semelhantes, para poder sempre se inteirar do modo como por cá o nosso povo vive. Senta-se ao balcão onde conversa com este e com aquele. Depois percorre as mesas, sentase junto de alguém e, por fim, senta-se só numa mesa, onde não raramente as pessoas as pessoas se juntam a ele. Muitos de atingimos a terceira idade sem condições materiais para um resto de vida digno. Por isso, é bom que se agradeça já, hoje e agora, ao homem que construiu uma residência, que acolheu de imediato, após a sua conclusão, 24 idosos. Não se deve esquecer que o lar oferece boas condições para os idosos que são portadores de deficiências motores, estando os quartos equipados com televisão e telefone. O padre Jorge gostaria muito de aumentar o lar , e criar ainda um outro lar para acolhimento de crianças deficientes, mas dinheiro não há e os proprietários dos terrenos pedem quantias exuberantes... Zulmira Queiroz Correspondente
Jogo amigável FC do Porto vem a Münster para defrontar a equipa local A equipa principal do FC do Porto desloca-se à cidade de Münster para disputar um jogo amigável com o SC Preußen 06 e.V. Münster , equipa que milita na terceira divisão alemã, concretamente na Regional Liga. O Jogo serve também de treino à equipa alemã que ficou em sexto ligar na classificação da terceira divisão. O Jogo tem início às 15h00 do dia 11 de Julho. Ainda que jogo-treino, será a estreia do novo treinador do FC Porto, André Villas-Boas. Sem contar com algumas peças fundamentais da sua equipa devido ao MundiaL 2010, o FC do Porto desloca-se à Alemanha a convite da equipa alemã. O jogo será realizado no estádio do SC Preußen 06 e.V. Münster na Hammerstr.
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PORTUGAL POST Nº 192 • Julho 2010
Jovem atleta luso descendente é uma “Jóia” do atletismo alemão
Moto-Tugas à conquista das curvas
Para acompanhar Tatjana Pinto no seu passo longo, rasgado e veloz tem de se ter o que ela tem: estofo de campeão. Segundo os entendidos em atletismo, a jovem luso descendente residente em Münster reúne aos seus 17 anos todas as condições para se tornar tornar numa grande atleta na Alemanha. Veloz, tão veloz com o vento, Tatjana tem o melhor tempo na categoria dos 100 metros com 11, 46 s. Quer dizer: o melhor tempo de todos as atletas juniores A da Alemanha. O que espanta os especialistas desta modalidade é que a jovem Tatjana tem, também, o terceiro melhor tempo das atletas seniores da Alemanha, conseguido numa prova em que participou com as suas concorrentes seniores. Os especialistas dizem que ela pertence à nova geração de grandes atletas da Alemanha. A velocista foi para já seleccionada para representar a Alemanha (tem, naturalmente, a dupla nacionalidade) no próximo campeonato do mundo de atletismo a realizar, durante este mês, no Canadá. Para além de dois treinadores que tem à sua volta no clube que a acolheu, o LG Ratio, em Münster, Tatjana também é acarinhada pelo maratonista português residente na mesma cidade, António
A sensação de sentir o vento a bater no rosto, montado numa moto, é um prazer que não se apaga com a idade, confirma um dos veteranos do grupo motards Moto-Tugas, o Alentejano Luís Alabassa com sessenta e quatro anos de idade que, desde jovem, descobriu este prazer e nunca necessitou de espada para cortar o vento. Os amantes das motas e da liberdade que elas proporcionam ao deslizar pelo asfalto e na conquista de curvas têm seguidores em todo mundo e em todas as faixas etárias. O mesmo se nota há algum tempo no seio da comunidade portuguesa, onde curiosamente está a surgir uma nova forma associativa, os chamados Clubes de Motards. Entre alguns já organizados na Alemanha, destacamos nesta edição o Clube Moto-Tugas de Dortmund, fundado em 2006 e que conta actualmente com três dezenas de sócios residentes em diversas cidades, O Clube não tem sede própria, organiza encontros e reuniões com os sócios nas mais diversas localidades, como Associações, cafés ou restaurantes. Os encontros são a nível de cidades, evitando assim a deslocação de todos os sócios para um só local, em cada cidade há um responsável que comunica por meios electrónicos com a Direcção. Um dos principais cuidados dos fundadores deste Clube foi o de deixar a porta aberta a todos que queiram ser sócios, independente da nacionalidade cor ou religião Por ocasião do 36° Aniversário do C.P. Unidos a Gelsenkirchen, num almoço de confraternização, o PP Falou com o actual presidente do Clube Moto-Tugas, Artur Regalado, natural de Aveiro e residente em Meschede.
Tatjana recebe visita de vice-cônsul em Osnabrück , Manuel Silva. Na foto: Alfredo Cardoso, Conselheiro das Comunidades, Tatjana Pinto, Manuel Silva e Henrique Monteiro entre treinadores e membro da direcção do clube a que Tatjana pertence
Henrique, que tem impulsionado e apoiado a carreira da atleta lusa. Ao que pudemos apurar, foi António Henrique que chamou atenção para o talento de Tatjana Pinto.Depois disto, o membro do Conselho das Comunidades Portuguesas, Alfredo Cardoso, teve a ideia de sugerir a jovem para se candidatar aos “Prémios Talento” instituído pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, o qual visa reconhecer o mérito dos portugueses e lusodescendentes residentes no estrangeiro, que se destacaram nos
domínios das artes do espectáculo ou visuais, associativismo, ciência, comunicação social, desporto, divulgação da língua portuguesa, empresarial, humanidades, literatura, política e profissões liberais. A candidatura de Tatjana foi apresentada via vice-consulado em Osnabrück e os seus proponentes estão muito optimistas com os argumentos que a candidatura apresenta. Ainda durante este mês, a Secretaria de Estado divulgará a lista dos seleccionados a candidatos
GENTE ALFREDO CARDOSO merece aqui um destaque e um louvar pelos 25 anos de carreira enquanto árbitro de futebol federado na Fussball – und Leichtathletik-Verband Westfalen e. V.. O único árbitro português na Alemanha a dirigir jogos oficiais, Alfredo Cardoso acumula o prestigio de ter sido sempre exemplar. Ao PP disse, que nunca, nos seus 25 anos de árbitro, teve um problema sequer, nem pelo facto de ser estrangeiro a dirigir equipas jogos entre equipas alemãs. A sua carreira valeu-lhe um louvor da federação onde estava federado. Hoje, Alfredo Cardoso é um homem que dedica o seu tempo de forma altruísta dedicando-o às pessoas e à comunidade. É membro do Conselho Mundial das Comunidades Portuguesas e é nesta função que semana a semana visita as colectividades lusas da sua área para incentivar os seus dirigentes na senda difícil do associativismo. O PORTUGAL POST teve-o sempre como um amigo e um colaborador da primeira hora. São dele muitas informações da comunidade lusa da área de Münster que serviram para divulgar as suas actividades no nosso jornal
PP - O que que levou a criar os Moto-Tugas? Artur Regalado - em 2006, por altura do Mundial, organizou-se um corso de acompanhamento da Selecção Portuguesa do aeroporto de Münster até ao Hotel onde a selecção ficou instalada.A partir daí nasceu a ideia de formar o Clube. PP - Como surgiu o nome do clube e a ideia e o distintivo? A.R. – Foi fácil e unânime: Moto é claro e Tugas que provém de Portugas. PP - Como se financiam? A.R. - Os sócios pagam uma cota mensal e temos um ou outro patrocinador. PP -A propósito, nos vossos cartazes e no vosso Site encontrase uma Agência Funerária como patrocinador, isto não é um bocado macabro? AR- penso que não, o próprio Gerente é sócio activo no clube. PP - Tiveram algumas dificulda-
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des em organizar o Clube? A.R. - Pelo contrário, até tivemos algumas ajudas. PP- Refiro-me às dificuldades com algum dos dois grandes Clubes de Motards que dominam a cena Motard na Alemanha? A.R. - Em principio não. A única coisa que nos aconselharam foi não ter como distintivo a bandeira alemã ou nome alemão nos nossos coletes. PP - Mantêm contacto com algum deles? A.R.- Não, nós somos um grupo pacífico que só queremos desfrutar do nosso tempo livre. PP- Quantas nacionalidades fazem parte do Clube ? A.R.- Por enquanto só duas, portuguesa e alemã PP - Qual a cidade com mais sócios ? A.R. - Meschede é a cidade com mais sócios, seguida de Gelsenkirchen PP - Qual a marca de Motos mais presente no Clube? A.R. - Honda, sem dúvida PP - E a mais potente? A.R- Uma Kawasaki ZZR 1400 PP - Quantos quilómetros. percorrem durante o ano? A.R. - O ano passado percorremos á volta de seis mil . PP - Vão participar na famosa concentração em Portugal, no Algarve? A.R. - Alguns de nós vão estar presentes, como já aconteceu noutros anos. PP - Quais são os vossos objectivos para o futuro? A.R.- Criar uma sede própria e angariar mais sócios PP - Quais os próximos eventos planeados? A.R. - Em Setembro, um passeio à Suiça PP - Quer deixar uma mensagem aos leitores do PP amantes do ruído das motos? A.R. - Claro que sim, visitem ou acompanhem uma das nossas saídas ou eventos e venham comprovar a amizade que existe entre os nossos associados, além disso visite a nossa mpágina na Net em www.mototugas.de Antonio Horta Correspondente Gelsenkirchen
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Despedida
PORTUGAL POST Nº 192 • Julho 2010
José Saramago - Última Viagem A página da fundação de José Saramago estava negra. Com letras bran- frase simples, sem arrebiques nem grandes demonstrações de emoção cas, em português e em espanhol, informava-nos que o escritor havia e por isso mesmo, nesse despojamento, fechando em tom saramaguiano falecido nesse dia - 18 de Junho de 2010 - no seio da sua família. Uma uma longa e profícua vida de 87 anos. Luísa Costa Hölzl
O rapazinho ribatejano, nascido em 1922, levado pelos pais, em busca de melhor vida, para a capital , onde viveram em quartos alugados e onde ele cursou a escola comercial por não haver dinheiro para pagar o liceu, onde aprendeu e seguiu o ofício de serralheiro para depois, num árduo caminho, ir subindo até chegar a responsável de produção da editora Estúdios Cor e aprendendo nas letras e na vida até se tornar escritor, sim, esse homem que herdara do pai uma alcunha com nome de planta e dos avós o respeito por todo o ser vivo, chegara ao fim dos seus dias. Nesse mesmo serão, por acaso, eu tinha sido convidada a fazer uma palestra sobre Lisboa literária, com leituras de poemas e extractos de narrativas. O público alemão já sabia da morte do escritor e eu dediquei-lhe aquela hora literária. Uns dias antes já eu escolhera uma curta Publicidade
O povo despediu-se de José Saramago. Foto: Lusa
passagem do seu romance „História do Cerco de Lisboa“ de 1989. O protagonista vai reescrever a história desse cerco dos cristãos aos mouros, corrigindo-a e assim dando espaço àqueles que não entram nunca nos compêndios de história e não são nomeados nem em discursos oficiais nem em lápides, porque são os derrotados e a humanidade só arquiva as vitórias e os nomes dos vitoriosos. Também „Todos os Nomes“ de 1997 se centra sobre um arquivo que reduz vidas humanas a números e documentos, mas que a ficção tem o poder de reanimar. Ao dar aos sem-nome existências de papel, Saramago recupera vidas e histórias anónimas e reinventa a História. Saramago contou que foi em Lavre, ao viver alguns meses com a população alentejana, que se des-
cobriu inteiramente e profundamente como escritor e se decidiu a sê-lo exclusivamente; aquele povo levou-o a reconhecer que a História da humanidade é composta das histórias da „arraia-miúda“ que têm sido sempre sonegadas e ficaram por narrar. Elas deverão ser reveladas e postas a nu pelo escritor. Por isso no „Memorial do Convento“ de 1982 a longa passagem do carregamento da pedra gigante, que constituirá a varanda, desde Pêro Pinheiro até Mafra, incide o foco não sobre o rei que mandou, pela sua vontade e força, construir o convento, mas sobre aqueles que o construíram mesmo, que foram explorados, escravizados e encontraram a morte para o fazer. As ficções de Saramago cruzam espaços e tempos, inventam situações estranhas como toda
uma cidade que cega ou a península ibérica que se desliga da Europa ou a decisão da morte em não agir. O narrador de Saramago conduz-nos pelos meandros e labirintos das histórias e vai opinando, pesando as palavras, comentando os acontecimentos, num jogo de espelhos que enreda o leitor e o encanta. O penúltimo livro, de 2008, conta a viagem do elefante Salomão que o rei português D.João III resolve oferecer ao seu primo Maximiliano em Viena: o pobre do elefante atravessa meia Europa. Um romance em que notamos a quase ingénua alegria de efabular do escritor, ao fim de uma longa vida de empenho social e político: Saramago narranos, pelo prazer de narrar, os trâmites dessa viagem insólita, metáfora, quem sabe, da viagem da própria vida, também ela for-
çada e insólita. José Saramago também foi poeta, deixo-vos pois esta quadra, muito pessoanamente „ao gosto popular“:
Viajo no teu corpo. Só teu corpo? Mas quão breve seria essa viagem Se no limite dela a alma nua Não me desse do corpo a certa imagem. Uma pequena quadra de „Provavelmente Alegria“ de 1970, num tempo em que a escrita ainda não o tinha tomado por completo. Os deuses ou o deus em que ele não acreditava bafejaram-no de imaginação criativa e do potencial maravilhoso da língua portuguesa. Sorte nossa que lhe herdámos a obra! Ao escritor que se cumpriu prestemos homenagem com a leitura do que nos legou.
Portugueses no Mundo
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Portugueses dominaram caça à baleia nos Estados Unidos até fim do negócio Os portugueses dominaram a caça à baleia nos Estados Unidos desde a década de 1920 até à proibição desta actividade na década de 1980, revela uma nova obra publicada sobre o tema. “Se no século XVIII a presença portuguesa nas baleeiras americanas rondava 40 por cento, a partir de 1920, quando a caça já não era muito atractiva economicamente para os pescadores norte-americanos e era trabalho muito duro, essa presença aumentou para mais de 60 por cento e a maioria dos barcos passaram a ser capitaneados por portugueses”, explicou o autor, o professor universitário norte-americano Donald Warrin. Intitulado “So End This Day: The Portuguese in American Whaling, 1765-1927”, o livro é uma edição do Centro de Estudos Portugueses da Universidade de Massachusetts Dartmouth e demonstra a preponderância dos portugueses na actividade até à proibição internacional da caça à baleia para fins comerciais. Investigador da presença portuguesa na América, Warrin é autor também de uma obra sobre os portugueses no Faroeste, editada em
português pela Bertrand. Foi durante a pesquisa para este livro que descobriu a grande quantidade de nomes portugueses na pesca da baleia e decidiu estudá-la. O livro documenta mais de trezentas viagens nas quais participaram portugueses e cabo-verdianos em portos como New Bedford, Nantucket, Provincetown, New London, São Francisco, incluindo uma lista exaustiva com os nomes de todos os capitães de origem portuguesa ou cabo-verdianas que capitanearam baleeiras norte-americanas. “O primeiro português numa baleeira norte-americana remonta ao ano de 1765 e foi um lisboeta chamado Joseph Swazey, um nome americanizado e o primeiro mestre que está devidamente registado chamavase Joseph Folger, da ilha do Pico”, explica. Na Califórnia, foram também muitos os capitães de origem portu-
Obra que retrata dois navios baleeiros em mar revolto num excelente jogo de luz. Escondida por detrás da ondulação encontra-se uma escuna de pesca, nestes mares bastante frequentados. Várias vezes vieram estes navios de caça à baleia aos Açores para embarcarem pescadores locais o que impulsionou também a emigração para a Nova Inglaterra, especialmente New Bedford, centro baleeiro da região por alturas do séc. XIX. guesa e cabo-verdiana, nomeadamente John Rogeres, o avô do conhecido professor da universidade de Harvard, Francis Rogers,William F. Joseph e um cabo-verdiano de nome Gonzalez (nome adaptado de Gonçalves), entre outros referidos no livro. E foram estes pescadores das baleeiras norte-americanas, a maioria deles emigrantes clandestinos, que acabou por determinar a fixação de
comunidades açorianas nos Estados Unidos. “De certa forma, a pesca da baleia foi uma forma de os açorianos emigrarem para os Estados Unidos, pois a maioria servia apenas uma campanha e ficava no país”, diz. Warrin diz que durante muito tempo a contribuição portuguesa nesta atividade americana foi “praticamente ignorada”. Ao longo da investigação, afirma,
o que mais o impressionou foi a “coragem e perseverança destes pescadores de origem portuguesa e cabo-verdiana num tipo de pesca muito perigoso e pouco rentável”, em que as viagens demoravam três a quatro anos, no século XIX. O livro foi recentemente apresentado no Museu da Baleia de New Bedford e na Sociedade Histórica de Stonington, cidades históricas dos baleeiros açorianos. Publicidade
12 Entrevista
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Uma batida universal à portuguesa
Os Oquestrada apresentam o álbum de estreia «Tasca Beat» na Alemanha Em 2001, a banda portuguesa Oquestrada, fazendo justiça ao nome, lançou-se à estrada e andou de cidade em aldeia, de sala de baile em sala de espectáculo, do país para o exterior. Ao fim de sete anos, gravou o CD «Tasca Beat», numa cedência aos fãs que coleccionou país e mundo fora esta mistura de música profundamente portuguesa com hip-hop, jazz, flamenco e funaná, para referir apenas algumas da fontes a que vão beber as composições. Tudo facilitado pelas raízes
que a banda tem em Almada, «o lado do cu do Cristo-Rei», como os cinco jovens descrevem numa canção este bairro periférico lisboeta, com a sua enorme população imigrante. Aos Oquestrada devemos a «canção emigrante», que sai do país à procura do que há de melhor, mas regressa sempre fielmente às suas raízes. Neste Verão, a banda vai actuar em várias localidades alemãs. O Portugal Post falou com a vocalista Marta Mateus. procura do desconhecido é uma força anímica, esplendorosa, que nos dias que correm faz muita falta, porque as pessoas estão muito acomodadas.
Cristina Krippahl
PP – O que está por detrás do projecto Oquestrada? MM – Quando começámos, quisemos ir à procura de uma música que falasse de um passado português próximo, mas que ao mesmo tempo desse pistas para um futuro mais harmonioso. Também fomos à procura de um país e de um público, porque o mercado musical estava na altura fechado sobre si mesmo, pouco se inovava, e não tínhamos espaço nesse mercado, apesar de termos público. Conseguimos o nosso objectivo de descobrir um país e fazê-lo dançar ao som de um fado diferente.
PP – O trecho «Creo» é um bom exemplo desse cantar línguas estrangeiras «à portuguesa?» MM – Este trecho surgiu num restaurante, onde um grupo de espanhóis estava a tentar comunicar com portugueses. Acabei por escrever esta letra para falar de um amor ibérico. Há aqui uma vontade de conhecer o outro, mas ela não dura muito. Por isso escrevo: «creio que te amo, mas amanhã não tenho pachorra para ti». É expressão da falta de investimento mútuo nesta relação. E é uma maneira de cantar os portugueses: os espanhóis dizem que não falam português, mas nós dizemos que falamos espanhol, e inventamos um «portuñol» sem qualquer vergonha, o que é muito engraçado. Daí a letra em portuñol.
PP – Como foi a transição da «rua» para o estúdio ao fim de sete anos de digressão? MM – Durante todos estes anos procurámos uma sonoridade própria e única. Quando fomos para o estúdio, já tínhamos algumas certezas do que queríamos, o nosso som já estava maturado. Portanto, a transição foi pacífica. PP – O CD «Tasca Beat» tem um subtítulo: «Sonho Português». Que sonho é esse? MM – Acaba por ser esta tasca imaginária que é um sítio íntimo, mas com uma batida comum, com um «beat», que unifica todas as pessoas que queiram estar neste local.
Por exemplo, nós cantamos em muitas línguas, mas sempre «à portuguesa». E o sonho português é esta curiosidade que os portugueses têm em falar outras línguas e comunicar. É algo que nos distingue e acaba por ser expressão do sonho de sair daqui,
apesar de não sairmos, ou então só quando é necessário, como emigração forçada. E os Oquestrada dizem às pessoas: emigrem por opção. Nós celebramos esta identidade emigrante que está em todos nós. Esta capacidade de cada pessoa de sair do país de ir à
PP – Aliás, o humor é uma parte importante da vossa música. MM – Nós tentamos criar um certo humor musical, apesar de não ser uma preocupação. Quando não temos vergonha do que estamos a fazer, o humor quase aparece sozinho. Portugal é um país muito crítico e, de certa forma, inseguro. As pessoas têm medo de arriscar, do ridículo, de «ficar mal na fotografia». Nós nunca tivemos esses medos.
PP – Os elementos da banda assumem papéis no palco. A Marta é a Miranda, a mulher dos subúrbios «de cantiguinha na boca». Que papel tem na vossa música a formação como actores dos dois elementos que fundaram a banda, a Marta e o Jean-Marc Dercle? MM – Nós vemos a música como espectáculo, não como algo fechado num CD ou numa caixa de som. E os elementos da banda são escolhidos também pela sua biografia. Para nós, mais importante do que um bom executante é alguém com uma vida interessante e com um coração com muita história.
Oquestrada na Alemanha 16 de Julho em Kassel, 20h00 * 17 de Julho em Estugarda, no Marktplace Open Air Festival, 20h30 20 de Julho em Oldenburg, Kultursmmer, 20h00 31 de Julho em Düsseldorf, 15h00 31 de Julho em Koblenz no Festival Festung Ehrenbreitstein, 21h30 06 de Agosto em Jena no Jena Kulturarena, 20h00 07 de Agosto em Wennigsen, Alte Kornbrennerei, 20h00 * Nas informações em que não são indicados os locais de actuação, sugerimos os interessados a dirigirem-se a locais de venda de bilhetes e informações de espectáculos nas respectivas cidades.
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PORTUGAL POST Nº 192 • Julho 2010 AS MAIORES FORTUNAS DA ALEMANHA
A família por trás da BMW Susanne Klatten, de 43 anos, mãe de três filhos, herdou a fortuna do seu pai, o lendário industrialista Herbert Quandt, fundador do império de carros de luxo BMW. Quando Quandt morreu, em 1982, ele deixou Susanne, o filho mais novo, Stefan, e sua terceira esposa, Johanna Quandt, comandando a BMW e outros bens. Os três controlam a maioria das acções da BMW. Além dos 12,5% de acções herdadas pela BMW, Susanne recebeu do pai acções da Altana, uma das maiores e mais bem-sucedidas empresas químico-farmacêuticas da Europa. Herbert Quandt também deixou heranças para os filhos dos seus dois primeiros casamentos. Hoje em dia, a riqueza de Klatten é calculada em torno de 7,8 bilhões de euros, o que a posiciona em quarto lugar na lista dos mais ricos alemães, como foi publicado pela Manager Magazine. Já a quantia de Stefan Quandt, irmão de Susanne, foi avaliada em 5,5 bilhões de euros. Ele é o número 11 da mesma lista. Embora muito reservado, o elegante bilionário de 38 anos frequentemente compõe a lista dos solteirões mais cobiçados. Johanna, mãe de Klatten, foi a
secretária que trabalhou mais tempo com Herbert Quandt, além também de ter sido a sua última e terceira esposa. Ela possui uma fortuna estimada em 4,2 bilhões de euros. Na lista das mulheres mais ricas do mundo, Klatten ocupa o oitavo lugar e Johanna, o décimo. Depois de terminar o ensino médio, Susanne Klatten estudou Ad-
ministração e Economia em Frankfurt e mais tarde fez mestrado em Administração em Lausanne, na Suíça. Porém, muito do que ela aprendeu foi através de estágios realizados nas empresas de sua própria família. Para conseguir essas posições, ela usou nomes fictícios. Na fábrica da BMW em Regensburg, na Baviera, Klatten fez um es-
tágio usando o nome de Susanne Kant. Foi na fábrica que ela encontrou o engenheiro Jan Klatten, que não fazia ideia quem ela era. „Eu queria saber se ele realmente me amava“, mencionou ela. O casal casou-se em 1990. Klatten possui uma excepcional vida privada. Quase nunca é entrevistada, nem vista em público. O desejo pela privacidade talvez seja atribuída a uma tentativa de sequestro que sofreu aos 16 anos. Quando ela está em público, observadores frequentemente comentam que Klatten, a vistosa mulher de cabelos curtos e largo sorriso, tem elegância para se vestir, mas não tem estilo. Muito pouco é sabido sobre a sua vida pessoal, excepto que ela, o marido, e os três filhos vivem em Munique. Ela concedeu apenas uma única entrevista em sua carreira, para a biografia de Quandt feita por Rudiger Jungbluth. De acordo com o tablóide Bild, ela contou a Jungbluth que sua vida é „multifacetada“. De 1989 a 1990, Klatten trabalhou como assistente administrativo da gerência do grupo de media Hubert Burda. Depois de aprofundar os seus estudos em Boston, começou a assistir a encontros corporativos da empresa. Em 1993,
ingressou no conselho fiscal da Altana e transformou a companhia em uma corporação de classe mundial. Em 1997, ela e seu irmão assumiram o posto da mãe na BMW. Hoje, ela concentra a sua energia quase que exclusivamente na empresa. Como membro da presidência, Klatten ajudou a companhia a recuperar do fracasso da compra da Rover, no ano 2000. Quando as consequências do erro se salientaram, Klatten sentiu a necessidade de remover o então presidente da BMW, Bernd Pischetsrieder. Durante a Segunda Guerra Mundial, o crescimento súbito da fortuna da BMW aconteceu com o trabalho forçado de prisioneiros, que frequentemente trabalhavam em condições miseráveis. Hoje, a fundação de Quandt dá dinheiro para projectos de caridade e para os sobreviventes de trabalhos forçados e suas famílias. Susanne e o irmão Stefan ainda herdarão as acções de sua mãe, que completará 80 anos. „Nós não estamos mantendo as nossas acções para nossos egos“, disse Klatten à revista Stern. „Nós queremos as coisas tranquilas, as pessoas gostam disso.“ Cortesia DW Publicidade
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Histórias da História
PORTUGAL POST Nº 192 • Julho 2010
O MASSACRE DOS TÁVORAS Uma história de sexo, sangue e luta pelo poder que horrorizou Portugal e o Mundo Ainda hoje o Marquês de Pombal, o ministro absoluto, é uma das figuras mais polémicas, controversas e carismáticas da história portuguesa: Joaquim Peito
SEBASTIÃO JOSÉ de Carvalho e Meio (1699-1782) nasceu em Lisboa numa família da pequena nobreza. A família não era propriamente rica, os irmãos eram muitos (onze, mais exactamente) e ele teve de se ocupar com a gestão do património. Em finais de 1738, o cardeal D. João da Mota, secretário de D. João V (este rei parece nunca ter visto com bons olhos o futuro marquês), nomeou Sebastião José de Carvalho e Melo ministro plenipotenciário em Londres. Começava, portanto assim, a sua carreira na diplomacia portuguesa. Mas fosse por falta de qualidades diplomáticas, fosse por falta de sorte, foi demitido do seu posto em Londres e deram-lhe, cinco anos depois, nova missão em Viena de Áustria, cargo que exerceu até 1748. No seu regresso a Portugal, contava com um grupo de amigos bem colocados na corte, mas D. João V continuava a não gostar dele e nenhuma porta lhe foi aberta. Mas as coisas iam mudar… Oito meses após o regresso de Sebastião a Lisboa, D. João V falecia. E quando o novo rei, D. José I, reformou o governo, nomeou, para surpresa quase geral, o ex-diplomata para o cargo de secretário dos Negócios Estrangeiros.A inteligência e a energia de Sebastião não tardaram a imporse e em breve o rei lhe confiava assuntos de grande importância, como o problema das minas do Brasil, o dos tabacos e açúcar brasileiros e do comércio de diamantes. Como se vê, todas estas questões estavam relacionadas com o Brasil. E é também sobretudo a propósito do Brasil que se abrirá o furioso conflito com os jesuítas, que se opuseram activamente à sua política brasileira, porque esta punha em causa os domínios da Companhia no continente sul-americano. Em 1759 expulsou os jesuítas e, em 1761, conseguiu fazer condenar o padre Malagrida, a última vítima mortal da Inquisição em Portugal. O grande terramoto de 1755 Foi essa tragédia que, num tempo mínimo, lançou Carvalho e Melo para o poder absoluto. Foi ele o único a manter a cabeça fria, a saber quais as medidas a tomar. A confiança oferecida pelo rei a Sebastião Carvalho, segundo alguns escritores, fica por conta da frase que ele, Pombal, teria dito em resposta a D. José I (ainda sob impacto da tragédia e confuso quanto ao que deveria ser feito para recomeçar a reconstruir Lisboa): “é preciso enterrar os mortos e cuidar dos vivos”! As medidas enérgicas que tomou depois do terramoto de 1755 fizeram dele o mais importante ministro de D. José I. A partir de 1756, o seu poder foi quase absoluto e começou com um programa político de acordo
pombalistas e antipombalistas ainda discutem. O que é indiscutível é que Pombal marcou profundamente a nossa História.
com os princípios do Século das Luzes ou Iluminismo. Aboliu a escravidão, reorganizou o sistema educacional, elaborou um novo código penal, introduziu novos colonos nos domínios coloniais portugueses e fundou a Companhia das Índias Orientais. Aquilo a que chamamos hoje a Lisboa pombalina, obra da sua energia e da competência da equipa de engenheiros que ele reuniu, é certamente a herança mais importante que nos deixou. Sobre as suas reformas económicas, políticas e educativas, pode-se dizer bem e mal. Mas quanto à cidade reedificada, essa, é a sua grande e indiscutível obra. Logo em 1756, passa a ser secretário do Reino, o que equivale a primeiro-ministro. A partir daí, o seu poder não pára de crescer e crescerá ainda mais com o atentado contra o rei D. José I, em 1758. O regicídio A oportunidade surgira a 3 de Setembro de 1758. Por volta das onze da noite, quando o rei voltava ao paço da Ajuda, vindo de um encontro amoroso clandestino, surgiram, no lugar onde está hoje a Igreja da Memória, três cavaleiros. Soaram tiros. D. José I foi atingido no braço e na anca direita mas salvou-se - e encarregou o ministro Sebastião José de descobrir e castigar de forma exemplar quem tentara matá-lo. Todos na corte sabiam que o rei, de 44 anos, era amante de Teresa de Távora e Lorena, 35 anos, mulher do 4.° marquês de Távora, Luís Bernardo, da mesma idade - de quem também era tia. Os casamentos entre familiares próximos eram comuns na nobreza, bastando para isso obter uma dispensa do papa. O patriarca dos Távoras era o 3º marquês, D. Francisco de Assis, 55 anos, ex-vice-rei da Índia. Quando soube da relação adúltera do soberano com a sua irmã e nora, ficou magoado. O suficiente para tramar um regicídio? Os marqueses de Távora, o conde de Atouguia, o duque de Aveiro e vários outros acusados são presos e torturados. Os acusados foram condenados por „crime de lesa-majestade, alta traição, rebelião e parricídio“: “o rei é o pai da nação”. Foram executados a 13 de Janeiro de 1759 com requintes de crueldade, onde hoje está um pelourinho, a dois passos da casa dos pastéis de Belém. Primeiro a Marquesa Leonor de Távora foi decapitada. Em seguida foi o seu marido a cumprir a pena, tendo sido morto com golpes no coração. Por fim, os restantes foram mortos enforcados ou queimados vivos. A tudo isto assistiu o Reformador, o Rei D. José I com a sua corte horrorizada pela carnificina. No final do espectáculo macabro, todos os corpos foram queimados, as cinzas deitadas ao mar
Sebatião José de Carvalho e Meio (1699-1782) e o lugar foi salgado para que nada mais ali crescesse. Diga-se que todo processo não se distinguiu pela transparência. Ao mesmo tempo, Carvalho e Melo acusa os jesuítas, que já haviam sido expulsos do paço real, de terem inspirado e encorajado os conspiradores. Mais tarde, depois de subir ao trono, D. Maria I ficou tão afectada pelos eventos que mandou reabrir o processo. Os juízes concluíram que os Távoras estavam inocentes. Como consequência, a rainha D. Maria I aboliu a pena de morte (excepto em estado de Guerra) em Portugal. Sobre este acontecimento o escritor francês Victor Hugo (1786) escreveu a propósito da abolição da pena de morte em Portugal (o primeiro país europeu a fazê-lo).
“Está pois a pena de morte abolida nesse nobre Portugal, pequeno povo que tem uma grande história (…) Felicito a vossa Nação. Portugal dá exemplo à Europa. Desfrutai de antemão essa imensa glória. A Europa imitará Portugal. Morte à morte! Guerra à guerra! Viva a vida! Ódio ao ódio! A liberdade é uma cidade imensa da qual todos somos concidadãos”. O ano de 1759 é o do triunfo absoluto de Sebastião José. Em Janeiro são suplicados os nobres acusados do atentado contra D. José I. Depois vem o confisco dos bens da Companhia de Jesus. Em Junho, o rei confere ao seu primeiro-ministro o título de conde de Oeiras. No mês seguinte, os jesuítas são expulsos do Brasil. É o início do período áureo. Considerada no seu conjunto, a
governação de Sebastião José de Carvalho e Melo, conde Oeiras (só em 1769 recebeu o titulo de marquês de Pombal), é de qualidade desigual e o seu legado é também heterogéneo. Foi responsável por reformas que desenvolveram a economia e o ensino. O Marquês tomou uma série de medidas para valorizar a produção nacional, libertando o país da dependência de Inglaterra, proibiu a cultura do Vinho do Porto em terras próprias para cereais, subsidiou a criação de fábricas de vidros, louças e cordoaria fundou a primeira refinação de açúcar, reorganizou a real fábrica da seda, dando um grande contributo para o arranque da indústria portuguesa. No lado negativo, haverá que apontar várias medidas económicas ou educacionais que, sendo espectaculares na aparência, não tiveram os resultados esperados. Mas, sobretudo, é preciso assinalar a brutalidade dos métodos, que foi impressionante, mesmo para a época. As prisões encheram-se. Já ficou referido o suplico dos Tavoras e do duque de Aveiro. Para o escritor Charles Boxer, “Pombal não admitia nenhuma tirania além da sua”. E se é verdade que Pombal caiu logo após a morte de D. José em 1777, já é falso que D. Maria I se empenhasse em persegui-lo, embora tivesse razões pessoais para o fazer. Pelo contrário, tentou ignorá-lo, deixá-lo tranquilo no seu cantinho, mas foi a voz dos agravados (e eram muitos) que falou mais alto e levou à instauração do processo que o condenou por abuso de poder, mas que apenas o sentenciou ao exílio para fora de Lisboa. Morreu na sua propriedade rural em Pombal no dia 8 de Maio de 1782 aos 82 anos de idade. Publicidade
Geschichten aus der Geschichte
PORTUGAL POST Nº 192 • Julho 2010
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DAS MASSAKER VON TÁVORAS Eine Geschichte von Sex, Blut und einem Machtkampf, der Portugal und die Welt in Angst und Noch heute ist der Marquis von Pombal, der unumschränkte Minister, eine der umstrittensten, kontroversesten und charismatischsten Figuren der portugiesischen
Joaquim Peito
SEBASTIAO JOSÉ de Carvalho e Melo (1699-1782) wurde in Lissabon in einer Familie des niederen Adels geboren. Die Familie war eigentlich nicht reich, die Geschwister waren zahlreich (elf, genauer gesagt), und er hatte sich um die Verwaltung des Eigentums zu kümmern. Gegen Ende des Jahres 1738 ernannte der Kardinal D João da Mota, Sekretär D. Joãos V (dieser König scheint den zukünftigen Marquis nie mit Wohlwollen angesehen zu haben), Sebastião José de Carvalho e Melo zum bevollmächtigten Gesandten in London. So begann er also seine Karriere in der portugiesischen Diplomatie. Doch sei es aufgrund eines Mangels an diplomatischen Qualitäten oder eines mangels an Glück, so wurde er von seinem Posten in London entlassen, und man gab ihm fünf Jahre später eine neue Mission im österreichischen Wien, ein Amt, das er bis 1748 ausübte. Bei seiner Rückkehr rechnete er mit einer Gruppe gut gestellter Freunde bei Hofe, aber D. João V mochte ihn weiterhin nicht und keine Tür wurde ihm geöffnet. Aber die Dinge sollten sich ändern… Acht Monate nach Sebastiãos Rückkehr nach Lissabon starb D. João V. Und als der neue König, D. José I die Regierung reformierte, berief er den Ex-Diplomaten zur Überraschung nahezu aller in das Amt des Sekretärs für äußere Angelegenheiten. Die Intelligenz und Energie Sebastiãos benötigten nicht lange, um zu imponieren, und der König betraute ihn bald mit Angelegenheiten von großer Wichtigkeit, wie etwa dem Problem der Minen in Brasilien, dem des brasilianischen Tabaks und Zuckers und des Diamantenhandels. Wie man sieht, standen alle diese Fragen in Beziehung mit Brasilien. Und es war übrigens vor allen Dingen über Brasilien, dass mit den Jesuiten ein furioser Konflikt entbrannte. Sie widersetzten sich aktiv seiner Brasilien-Politik, da letztere die Herrschaftsbereiche der Gesellschaft Jesu auf dem südamerikanischen Kontinent gefährdete. 1759 vertrieb er die Jesuiten, und 1761 brachte er es fertig, den Jesuitenpater Gabriel Malagrida, einen armseligen antimarquisianischen Visionär, verurteilen zu lassen - das letzte Todesopfer der Inquisition in Portugal. Das große Erdbeben von 1755 Jene Tragödie war es, die Carvalho e Melo in kürzester Zeit zur uneingeschränkten Macht katapultierte. Er war der einzige, der einen
kühlen Kopf bewahrte und wusste, welche Maßnahmen zu treffen waren. Das Vertrauen, das Sebastião Carvalho seitens des Königs entgegengebracht wurde dokumentiert laut einiger Autoren der Satz, den er, Pombal, als Antwort zu D. José I (noch immer unter dem Einfluss der Tragödie und verwirrt bezüglich dessen, was unternommen werden müsse, um den Wiederaufbau Lissabons zu beginnen) gesagt haben soll: „Es ist notwendig, die Toten zu begraben und die Lebenden zu versorgen“! Die energischen Maßnahmen, die er nach dem Erdbeben von 1755 ergriff, machten ihn zum wichtigsten Minister D. Josés I. Von 1756 an war seine Macht fast uneingeschränkt, und er begann ein politisches Programm, das in Einklang stand mit den Prinzipien des Jahrhunderts der Lichter oder dem Zeitalter der Aufklärung. Er schaffte die Sklaverei ab, gestaltete das Bildungssystem um, arbeitete ein neues Strafgesetz aus, führte neue Kolonisten in das portugiesische Kolonialreich ein und gründete die Companhia das Índias. Das was wir heute das pombal`sche Lissabon nennen, das Werk seiner Energie und der Kom-
Das Vertrauen, das Sebastião Carvalho seitens des Königs entgegengebracht wurde dokumentiert laut einiger Autoren der Satz, den er, Pombal, als Antwort zu D. José I (noch immer unter dem Einfluss der Tragödie und verwirrt bezüglich dessen, was unternommen werden müsse, um den Wiederaufbau Lissabons zu beginnen) gesagt haben soll: „Es ist notwendig, die Toten zu begraben und die Lebenden zu versorgen“!
petenz der Mannschaft von Ingenieuren, die er versammelte, ist sicherlich das wichtigste Erbe, das er uns hinterließ. Über seine wirtschaftlichen, politischen und Bildungsreformen kann man sich positiv oder negativ äußern. Aber was den Wiederaufbau der Stadt angeht, so ist jenes sein großes und unbestreitbares Werk. Gleich im Jahr 1756 wurde er Sekretär des Königreichs, was gleichbedeutend ist mit dem Premierminister. Von dort an hörte seine Macht nicht auf anzuwachsen, und sie wuchs sogar noch mehr mit dem Attentat an König D. José I 1758. Der Königsmörder Die Gelegenheit ergab sich am 03. September 1758. Gegen elf Uhr abends, als der König von einem heimlichen Liebestreffen kommend zum Palácio Nacional da Ajuda zurückkehrte, tauchten an der Stelle, wo sich heute die Erinnerungskirche
Geschichte: Pombalisten und Antipombalisten diskutieren noch immer. Was unbestreitbar ist, ist dass Pombal unsere Historie tief geprägt hat.
Sebatião José de Carvalho e Meio (1699-1782)
befindet, drei Ritter auf. Es ertönten Schüsse. D. José wurde am Arm und an der rechten Hüfte getroffen, aber er rettete sich und beauftragte den Minister Sebastião José, denjenigen, der ihn zu töten versucht hatte aufzuspüren und beispielhaft zu bestrafen. Jeder am Hofe wusste, dass der 44-jährige König der Liebhaber Teresa de Távora e Lorenas war, 35jährig, Frau des 4. Marquis von Távora, des gleichaltrigen Luís Bernardo, dessen Tante sie außerdem war. Die Hochzeiten zwischen nahen Verwandten waren verbreitet im Adel, es genügte hierfür eine Erlaubnis des Papstes zu bekommen. Der Patriarch von Távoras war der 3. Marquis, D. Francisco de Assis, 55 Jahre alt, Ex-Vize-König von Indien. Als er von der ehebrecherischen Beziehung des Souveräns mit seiner Schwester und Schwiegertochter erfuhr, war er schmerzerfüllt. Ausreichend, um einen Königsmord anzuzetteln? Die Marquis von Távora, der Graf von Atouguia, der Herzog von Aveiro und verschiedene andere, die man des Königsmordes beschuldigte, wurden gefangen genommen und gefoltert. Die Beschuldigten wurden wegen Majestätsbeleidigung, Hochverrats, Rebellion und Vatermordes verurteilt: „Der König ist der Vater der Nation“. Sie wurden am 13. Januar 1759 mit vollendeter Grausamkeit hingerichtet, dort wo heute ein Pranger steht, der sich zwei Schritte vom Haus der Pastéis de Belém befindet. Zuerst wurde die Markgräfin Leonor de Távora enthauptet. Danach musste ihr Ehemann, der durch Stiche ins Herz starb, seine Strafe verbüßen. Schließ-
lich wurden die Restlichen erhängt oder lebendig verbrannt. Der Reformator, der König D. José I, wohnte all dem mit seinem von dem Blutbad entsetzten Hofstaat bei. Am Schluss der makabren Vorstellung wurden sämtliche Leichen verbrannt, die Asche ins Meer gestreut und der Ort versalzen, damit dort nie wieder etwas wachsen könne. Man sagt, dass der gesamte Prozess sich durch seine Transparenz nicht hervorhob. Zur selben Zeit beschuldigte Carvalho e Melo die Jesuiten, die bereits vom königlichen Hof vertrieben worden waren, die Verschwörer inspiriert und ermutigt zu haben. Später war D. Maria I nach ihrer Thronbesteigung derart betroffen von den Vorgängen, dass sie den Prozess neu eröffnen ließ. Die Richter kamen zu dem Schluss, dass die Távoras unschuldig waren. Als Konsequenz schaffte die Königin, D. Maria I, die Todesstrafe (abgesehen vom Kriegszustand) in Portugal ab. Über dieses Geschehnis schrieb der französische Schriftsteller Victor Hugo (1786) anlässlich der Abschaffung der Todesstrafe in Portugal (dem ersten europäischen Land, das dies tat). „Es ist also die Todesstrafe abgeschafft worden in jenem noblen Portugal, dem kleinen Volk, das eine große Geschichte hat (…) Ich gratuliere Ihrer Nation. Portugal ist ein Beispiel für Europa. Nutzt jenen immensen Ruhm im Voraus. Möge Europa Portugal nacheifern. Tod dem Tod! Krieg dem Krieg! Es lebe das Leben! Hass dem Hass! Die Freiheit ist eine riesige Stadt, die wir alle gemeinsam bewohnen“. Der unumschränkte Minister Das Jahr 1759 war das des abso-
luten Triumphs Sebastião Josés. Im Januar wurden die Adeligen, die man des Attentats an D. José I beschuldigte, verurteilt. Darauf folgte die Konfiszierung des Vermögens der Gesellschaft Jesu. Im Juni verlieh der König seinem Premierminister den Titel des Grafen von Oeiras. In den folgenden Monaten wurden Jesuiten aus Brasilien vertrieben. Es war der Beginn einer Blütezeit. In ihrer Gesamtheit betrachtet war die Regierungszeit Sebastião José de Carvalho e Melos, Graf von Oeiras (erst 1769 erhielt er den Titel des Marquis von Pombal), von einer unerreichten Qualität, und sein Vermächtnis ist außerdem heterogen. Er war verantwortlich für Reformen, die die Wirtschaft und die Bildung weiterentwickelten. Der Marquis ergriff eine Reihe von Maßnahmen, um die nationale Produktion aufzuwerten, indem er das Land aus der Abhängigkeit von England befreite, den Anbau von Portwein auf für Getreide geeignetem Land verbot, den Bau von Glas-, Tonwaren- und Seilerwarenfabriken subventionierte, gründete die erste Zuckerraffinerie, gestaltete die königliche Seidenfabrik um, womit er einen großen Beitrag zum Anlaufen der portugiesischen Industrie leistete. Auf der Kehrseite wird auf verschiedene wirtschaftliche oder bildungsbezogene Maßnahmen hinzuweisen sein, die spektakulär erscheinen, aber nicht die gewünschten Resultate brachten. Vor allem aber ist die Brutalität seiner Methoden, die selbst für die Zeit beeindruckend war, hervorzuheben. Die Gefängnisse füllten sich. Auf die Todesstrafe für die Távoras und den Herzog von Aveiro wurde bereits Bezug genommen. Für den Autor Charles Boxer „ließ Pombal keine Tyrannei zu außer der eigenen“. Und falls es wahr sein sollte, dass Pombal gleich nach D. Josés Tod 1777 stürzte, dann ist es schon falsch, dass D. Maria I sich dafür einsetzte, ihn zu verfolgen, obwohl sie persönliche Gründe gehabt hätte, dies zu tun. Ganz im Gegenteil, sie versuchte, ihn zu ignorieren, ließ ihn in Frieden in seinem Eckchen, aber sie war die Stimme der Leidtragenden (und es waren viele), die am lautesten sprach. Sie führte die Einleitung des Prozesses, der ihn wegen Machtmissbrauchs aburteilte, aber der Urteilsspruch lautete lediglich Exil außerhalb Lissabons. Er starb auf seinem ländlichen Anwesen am 08. Mai 1782 im Alter von 82 Jahren.
(Übersetzt aus dem Portugiesischen von Aiko Thedinga)
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PORTUGAL POST Nº 192 • Julho 2010
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Alemanha Direito do Trabalho - Contratos a Termo Miguel Krag, Advogado
H
oje em dia, quase cada 12º contrato de trabalho é efectuado a termo, ou seja, é concluído por um determinado período de tempo, como 6 meses ou 1 ano. A tendência dos empregadores em celebrar apenas este tipo de contratos tem continuado a aumentar pois, desta forma e pelo menos durante um certo período de tempo, não terão de se submeter à legislação que rege os despedimentos ilícitos, desde que cumpram determinados pressupostos. Contudo, como se tem comprovado na prática dos gabinetes de advogados, os empregadores cometem muitas vezes erros que levam a que a estipulação de um determinado prazo não tenha validade. Assim, ao contrário do que
consta do contrato, este não será a termo, mas sim a termo indeterminado. Por tal, no caso de persistirem demais pressupostos (em especial, 6 meses de actividade e uma empresa com mais de 10 trabalhadores), o empregador só poderá proceder a um despedimento se houver motivo para tal, o que, no caso de uma correspondente acção judicial, levará muitas vezes ao pagamento de uma indemnização ao trabalhador. Existem duas espécies de contratos a termo: os que têm um motivo concreto (por exemplo, substituição de trabalhadores que não podem trabalhar durante um certo período de tempo) e os que não têm qualquer motivo concreto. É destes que trataremos hoje. A primeira condição para que tal contrato tenha validade, é a de a pessoa contratada não ter trabalhado anteriormente para o em-
pregador. Se o tiver feito, mesmo que tenha sido há muitos anos, o contrato a termo não será válido e passará a ser considerado contrato a termo indeterminado. Além disso, o prazo da vigência do contrato terá de ser fixado por escrito. Se o empregador e o trabalhador combinarem oralmente que este exercerá a sua actividade durante um determinado período de tempo, começando o mesmo desde logo a trabalhar e só depois o contrato ser assinado, então já será tarde. A combinação efectuada oralmente sobre o contrato a termo não terá qualquer validade e o contrato passará a ser a termo indeterminado. Os contratos a termo sem motivo concreto só são permitidos por um período máximo de 2 anos (existem excepções para empresas fundadas de novo e para trabalhadores com mais de 52 anos). Durante este período de tempo, o
prazo do contrato poderá ser prolongado 3 vezes, no máximo. Também aqui os empregadores cometem muitas vezes erros. Por exemplo, se um trabalhador for contratado de 01-01-2010 a 31-122010 e o contrato não for prolongado durante esta vigência, mas depois, digamos a 02-01-2011, a limitação temporária do contrato não terá validade perante a lei. O mesmo poderá acontecer se não se tratar de um simples prolongamento, mas se forem efectuadas alterações decisivas no contrato. Também sucede frequentemente que os empregadores excedem o limite de dois anos, o que também torna o contrato a termo em contrato a termo indeterminado. Resumindo, poderá dizer-se que um contrato a termo sem motivo concreto é, para os empregadores, um bom meio para ajustarem um “período experimen-
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tal” que poderá ir até dois anos e que lhes permite não terem de se sujeitar à legislação que rege os despedimentos ilícitos. Mas correm o risco de cometer diversos erros, o que, na prática, sucede frequentemente. No caso de o empregador não cumprir os pressupostos prescritos para um contrato a termo, a vigência deste passará a ser indeterminada. Por sua vez, as acções contra despedimentos injustificados que serão então possíveis, levam frequentemente os empregadores a estarem de acordo com o pagamento de indemnizações. Assim, não haverá dúvidas que, em tais casos, fará todo o sentido que o trabalhador encarregue um advogado com experiência neste campo de verificar se, apesar de estar escrito no contrato que o mesmo é “a termo”, não se tratará afinal de um vínculo laboral a termo indeterminado.
(Einkommensteuer Erklrärung) Paulo S. Coelho Frankfurt am Main Hanauer Landstr. 213 60314 Frankfurt Tel.: 069 976 946 81 Direito de Trabalho consultoria fiscal contabilistica e jurídica para empresas Escritório Frankfurt am Main Hanauer Landstr. 213 60314 Frankfurt 069 976 946 99 telefone 069 976 946 98 fax
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PORTUGAL POST Nº 192 • Julho 2010
José Gomes Rodrigues
Assistente Social Caritas Neuss
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Desemprego e reforma antecipada Caríssimo Director e redacção do PP Já há muito que sou mais dos vossos fiéis leitores. Agrada-me o jornal. As colunas jurídicas e de informação social continuam a merecer o meu agrado e constituem uma mais valia. Não sou politico que morre de amores por um ou por outro partido. A politica não é como o Futebol. Quando não se esta contente convém mudar-se. Há quem me chame politico de “meia tigela”, mas orgulho-me de ser assim. Cansa-me e chego a aborrecer-me quando sou obrigado a ler artigos que usam uma linguagem repetitiva. Aprecio e leio com prazer no vosso jornal artigos que me ajudem a formar uma consciência livre, aberta e isenta. Admiro os vossos comentaristas e a abertura critica e a isenção politica que o PP tem demonstrado. Quando leio esses artigos, parece encontrarme como num oásis no meio do deserto. Agora permitam uma informação social, podendo também editar a correspondente resposta, pois pode ser útil a outros compatriotas.Trabalhei quase 30 anos na mesma empresa. Estou nas vésperas da reforma com os meus 61 anos bem vividos. Acabo de entrar no desemprego normal, provocado pela fecho da empresa. O meu intuito é pegar quanto antes na minha reforma e regressar a Portugal e tratar dos haveres que com muito sacrifício angariei. O funcionário do Instituto de Trabalho, do “Arbeitsamt” parece que engraçou com a minha pessoa. Não é que ele me obriga mensalmente a apresentar, pelo menos seis pedidos de emprego mensais! Às vezes até me dá vergonha, pois a resposta negativa é a única que logicamente tenho levado. Estou à porta duma depressão nervosa. Os meus antecedentes de saúde não
são dos melhores. Será normal o que me fazem? Leitor devidamente identificado Caríssimo amigo, obrigado pela sua missiva e por ter tecido tantas considerações positivas ao nosso e vosso jornal. O amigo não se considere de forma alguma politico de “meia tigela”. Parece ser um cidadão responsável, que sabe o que quer. Tem razão, a politica não deveria ser como o futebol, se assim fosse estaríamos constantemente num impasse, e não avançaríamos. Familiarizar-se a uma só cor pode ser até irritante, mas para outros não. Constitui um símbolo duma sociedade ideal que se anseia ver realizada. O jornal procura, com o apoio dos seus leitores, manter esse espaço como o senhor chama e bem, de Oásis no deserto. Faz muito bem usufruir num futuro próximo do seu esforço de tantos anos, descansando na pátria e recuperar as tantas forças dispensadas. A questão que o senhor nos expõe mereceu da nossa parte um estudo e pedido de informação junto das legitimas fontes informativas. Vamos responder-lhe por partes: Desemprego e reforma – disposições anteriores Antes da entrada em vigor da nova lei, a assim chamada “Hartz IV”, ou “Arbeitslosengeld II, em Janeiro de 2005, os desempregados, depois de um ano de desemprego e tendo atingido os 58 anos de idade, poderiam, junto do “Arbeitsamt”, assinar uma declaração, indicando que se comprometiam a requerer a reforma o mais rápido possível ao atingir a idade correspondente. Nessa declara-
de 35 anos. Nesta contagem, os tempos que descontados nos países da Europa Comunitária são reconhecidos para o apuramento do tempo total. O pedido antecipado também tem o seu preço, pois vai-lhe ser reduzida a quantia de reforma a receber. Convém informar-se junto da entidade de Seguros para a Reforma, directamente ou através da Câmara da sua cidade.
ção ainda tinha uma frase importante ou seja, desde que a reforma lhe fosse paga na sua totalidade, sem os recortes pelo requerimento antecipado. Mesmo que recebesse a ajuda ao desemprego (“Arbeitslonsenhilfe”) a possibilidade de assinar essa declaração era, não só possível mas até mesma desejável, pela repartição de trabalho. A partir da assinatura da declaração, já não necessitavam de estar á disposição do mercado de trabalho. Depois de três meses, após a assinatura da declaração, o desempregado não podia, de forma alguma anular o documento e era obrigado a requerer a reforma com a antecedência devida, caso contrário deixaria de receber a ajuda ao desemprego ou o seguro ao desemprego. Este era o processo usado com a legislação anterior. O que mudou com a introdução da ajuda social ao desemprego? O que estava em questão era o parágrafo 428 do SGB III que, com a introdução da ajuda social para desempregados, (Hartz
IV)esta legislação já não tem o efeito que antes possuía. Convém esclarecer que a ajuda social aos desempregados actual é financiada por dinheiros púbicos, pelos impostos e não deriva da quotização do seguro de desemprego, como o era antes com o ALH (Arbeitslosenhilfe). Actualmente o paragrafo em questão tem uma nova leitura e só se aplica a desempregados que preenchiam as condições anteriores antes de 1 de Janeiro de 2008 e que tenham atingido antes dessa data a idade de 58 anos. Lamentavelmente o compatriota já não é contemplado com esta nova clausula. Possibilidades disponíveis Como a lei não prevê, no seu caso, esta facilidade e, como é sua intenção requerer a reforma, logo que lhe seja possível, aconselhamo-lo a falar com o funcionário responsável pelo seu caso e explicar-lhe com toda a abertura os seus anseios e planos. No seu caso, a lei permite que possa requerer a reforma por idade após ter completado os 63 anos, desde que tenha descontado o mínimo
Outra possibilidade seria requerer a reforma por invalidez, caso o seu médico esteja de acordo. Lamentamos o comportamento do funcionário. Nestes casos ele deveria até facilitar mais o cliente. É a lei pela lei e não consegue descortinar que a lei foi feita para as pessoas e não vice-versa. Contra este comportamento nada há a fazer a não o dialogo e a provocar a compreensão. Olhar o horizonte com optimismo Não vale a pena viver amargurado e cair numa tristeza depressiva. Olhe o horizonte com mais optimismo. O que são dois anos, comparados com uma vida de sacrifícios contínuos e de tantas dificuldades passadas? Viva positivo, pois o seu sonho esta prestes a realizar-se. Alimente o seu espírito com boas leituras, com uma vida cultural mais intensiva. Recupere o que a vida dura de trabalho desses anos o proibiram de fazer. Desejamos que o seu sonho se torne realidade e que não seja mais adiado. Muitas felicidades, conte com a nossa solidariedade e disponibilidade. Publicidade
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18 Agenda Tome Nota
PORTUGAL POST Nº 192 • Julho 2010
IMPORTANTE
Citações do mês É curioso ver que quase todos os homens de grande valor têm maneiras simples; e que quase sempre as maneiras simples são tomadas como indício de pouco valor Leopardi , Giacomo
Às associações, clubes, bandas , etc.. As informações sobre os eventos a divulgar deverão dar entrada na nossa redacção até ao dia 15 de cada mês Tel.: 0231 - 83 90 289 Fax :0231-8390351 Email: correio@free.de
Engatar uma mulher é de certeza mais fácil do que ver-se livre dela Balzac , Honoré de
Julho 2010 03.07,2010 – DÜSSELDORF Arraial " Open Air" com folclore e baile animado pelo conj. FM Radio. Muita e agradáveis surpresas. Das 15h00H às 21h30 Local da Festa : Bürgerhaus Benrath , Telleringstr.56 40597 Düsseldorf - Benrath para mais informacoes: www. quinasdeportugal.com ou 0173-7366540 10.07.2010 – GÜTERSLOH – Gütersloh International. Am: 10.07.2010 von 14:30 Uhr bis 00:00 Uhr.Veranstaltungsort: Stadthalle Gütersloh. Kultur Räume Gütersloh, Friedrichstraße 10. 33330 Gütersloh 10.07.2010 – ESSEN – Concurso amigável „Vamos Dançar” aberto a todas as idades e a todo o tipo de danças. Venham dançar e divertir-se connosco!!! Venham bater palmas, balançar o pé e abanar a cabeça Local: Centro Português de Essen, Girardetstr.21, 45131 Essen. Org. Projecto Intercâmbio 18.07.2010 – FELBACH - Festa de Verão ao ar livre a partir das 10h00 . no parque da Associação de Felbach, Stuttgartstr. 112, 70736 Fellbach.
Programa músical: abertura com um grupo da fanfarra, duo músical J&F Top-Som, Band Expression, grupos de dança Hip.Hop, Mini Splash e The-Funnkys. Gastronomia portuguesa com grilhados, bom vinho e animação. 19.07.2010 – BERLIM – Actuação do grupo de fados “Trio Fado”. Local:Amphitheater & Strandbar Mitte, im Monbijoupark, Monbijoustraße 25.07.10 - LOLLAR – Actuação do grupo de fados Trio Fado Local: Hofkonzert Kirchberg. Início: 16h00. Info: Tel: 06406-1250
Oquestrada na Alemanha 16 de Julho em Kassel, 20h00 * 17 de Julho em Estugarda, no Marktplace Open Air Festival, 20h30 20 de Julho em Oldenburg, Kultursmmer, 20h00 31 de Julho em Düsseldorf, 15h00 31 de Julho em Koblenz no Festival Festung Ehrenbreitstein, 21h30 06 de Agosto em Jena no Jena Kulturarena, 20h00 07 de Agosto em Wennigsen, Alte Kornbrennerei, 20h00
Portugal Post Verlag Grafik | Design | Print | Broschüren | Plakate | Flyer | Bücher | Postkarten | Visitenkarten | Briefbögen Burgholzstr. 43 • 44145 Dortmund Tel.: 0231 - 83 90 289 portugalpost@free.de
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NOTA Nos preços já estão incluídos os custos de portes correio e IVA PORTUGAL POST SHOP Tel.: 0231 - 83 90 289
José Saramago Ensaio sobre a Cegueira - Preço: € 28,90 «Um homem fica cego, inexplicavelmente, quando se encontra no seu carro no meio do trânsito. A cegueira alastra como "um rastilho de pólvora". Uma cegueira colectiva. Romance contundente. Saramago a ver mais longe. Personagens sem nome. Um mundo com as contradições da espécie humana. Não se situa em nenhum tempo específico. É um tempo que pode ser ontem, hoje ou amanhã. As ideias a virem ao de cima, sempre na escrita de Saramago. A alegoria. O poder da palavra a abrir os olhos, face ao risco de uma situação terminal generalizada. A arte da escrita ao serviço da preocupação cívica.» (Diário de Notícias, 9 de Outubro de 1998)
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José Saramago Levantado do Chão - Preço: € 31,50
«De Nordeste a Noroeste, caminhos que vão dar às "Meninas de Castro Laboreiro", à "História do soldado José Jorge" ou ao Monte Evereste de Lanhoso. Depois, as "Terras baixas, vizinhas do mar". Encontramos nelas "Um Castelo para Hamlet", e descobre-se que nem todas as ruínas são romanas. Viaja-se ainda pelas "brandas beiras de pedra", com as "novas tentações do demónio" e "o fantasma de José Júnior". Um convite, entretanto, a parar em todo o lado, entre Mondego e Sado, para observar "artes da água e do fogo" ou as chaminés e laranjais. E um passeio pela "grande e ardente terra de Alentejo". Aí, "a noite em que o mundo começou"; aí, "uma flor da rosa"; aí, onde "é proíbido destruir os ninhos". E mais o sol, o pão seco e o pão mole do Algarve, com "o português tal qual se fala". "Pelos caminhos de Portugal / Eu vi tantas coisas lindas vi o mundo sem igual", canta o cancioneiro popular, e assim faz Saramago, com a diferença essencial que a qualidade da sua escrita está bastantes furos acima. Uma viagem, se não pelo Portugal profundo, pelo menos por uma forma profunda de ver Portugal.» (Diário de Notícias, 9 de Outubro de 1998)
«A transformação social. A contestação. Personagens em diálogos. As cruentas desigualdades sociais. Surgem as perguntas proibidas. Vai-se adquirindo consciência e espaço, para que tudo se levante do chão. Um livro composto por 34 capítulos. No 17.º está a tortura e a morte de Germano Santos Vidigal. Germano, o nome que significa irmão, o homem da lança. Apesar de vencido, o sacrifício da sua vida indica o caminho. "Já o encontraram. Levam-no dois guardas, para onde quer que nos voltemos não se vê outra coisa, levam-no da praça, à saída da porta do sector seis juntam-se mais dois, e agora parece mesmo de propósito, é tudo a subir, como se estivéssemos a ver uma fita sobre a vida de Cristo, lá em cima é o calvário, estes são os centuriões de bota rija e guerreiro suor, levam as lanças engatilhadas, está um calor de sufocar, alto..» (Diário de Notícias, 9 de Outubro de 1998)
Se em O Evangelho Segundo Cristo José Saramago nos deu a sua visão do Novo Testamento, em Caim regressa aos primeiros livros da Bíblia. Num itinerário heterodoxo, percorre cidades decadentes e estábulos, palácios de tiranos e campos de batalha pela mão dos principais protagonistas do Antigo Testamento, imprimindo ao texto o humor refinado que caracteriza a sua obra. Caim revela o que há de moderno e surpreendente na prosa de Saramago: a capacidade de fazer nova uma história que se conhece do princípio ao fim. Um relato irónico e mordaz no qual o leitor assiste a uma guerra secular, e de certa forma, involuntária, entre o criador e a sua criatura. José Saramago Viagem a Portugal - Preço: € 28,40
José Saramago As intermitências da morte Preço: € 12,00 No dia seguinte ninguém morreu». Assim começa este novo romance de José Saramago. Colocada a hipótese, o autor desenvolve-a em todas as suas consequências, e o leitor é conduzido com mão de mestre numa ampla divagação sobre a vida, a morte, o amor, e o sentido, ou a falta dele, da nossa existência.
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Das Evangelium nach Jesus Christus, 12,50 Das Memorial, €12,50 Das steinerne Floß, € 12,50 Die portugiesische Reise, € 12,50 Die Stadt der Blinden, € 12,50 Eine Zeit ohne Tod, € 12,50 Hoffnung im Alentejo, € 12,50
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Vidas Um encontro sem querer
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Caros amigos do jornal PORTUGAL POST, Vou tentar passar para o papel uma estranha história que não há muito tempo se passou comigo. Saí de casa de madrugada. Não conseguia dormir: sentia-me angustiado pelo que se tinha passado no trabalho com dois pacientes e, por isso, não pregava olho. Seriam três horas da madrugada quando me pus diante da TV na tentativa de adormecer ao ver um qualquer programa aborrecido. Nada. Estava tão desperto que parecia que tinha tomado cafeteiras de café puro. Como não sabia que fazer, fumei como um danado enquanto o sono não aparecia. Em vão, ainda caminhei de janela em janela da casa para passar o tempo e procurar o desejo de me deitar e adormecer. E facto é que continuava desperto como um vampiro. Vesti-me e decidi ir dar uma volta pelo quarteirão. A noite não estava fria. O mês de Maio já se fazia sentir mesmo de madrugada. Quando cheguei à rua passavam já das três e meia. Pus o pé no passeio e perguntei a mim mesmo E agora, para onde vou? Pus-me a caminho em direcção ao rio. Caminhava devagar, sem pressa de chegar porque não tinha destino. Na rua, de quando em vez passava veloz algum carro para logo desaparecer na próxima curva. Passou também por mim um distribuidor de jornais que me atirou um sonoro Guten Morgen. Parei por duas vezes dominado pela dúvida se deveria continuar naquele insólito passeio ou se deveria voltar para trás, ir para casa e tentar adormecer. A minha sorte é que no dia a seguir não estava ao serviço, sendo por isso que não me preocupava muito com a questão de levantar cedo ou nem sequer pregar olho toda a noite e a seguir ter de trabalhar. Caminhava lentamente, sem pressa. Nisto pensei ainda descobrir algum Bistro ou Bar que tivesse aberto, coisa que é possível
nos dias de hoje. A noite, ou melhor, a madrugada, estava suave e agradável. Passei por um jardim e sentei-me num banco para fumar mais um cigarro. Não havia ninguém. Para além do som entrecortado de uma outra ambulância que passava de tempos a tempos, o silêncio pesava sobre a madrugada. Levantei-me e tornei a caminhar em direcção à ponte que me levava à outra margem, para os lados da estação, onde eu podia engolir uma aguardente de maçã ou um outro conhaque para chamar o sono e o cansaço. Foi que na ponte para onde me dirigia avistei um vulto de alguém que se debruçava sobre o paradão. Quando me aproximei vi que a pessoa mantinha as mãos na cabeça numa atitude que parecia de desespero. Dando pela minha presença, o vulto iniciou a sua caminhada em direcção contrária àquela que eu seguia. Fosse quem fosse, caminhava com os olhos colados ao chão, sem olhar para qualquer lado. Ao passar por mim, quase que me atropelava, não fosse eu a desviar-me e teria vindo contra mim. Ainda assim quase me tocou, de raspão. Levantou a cabeça e pediu-me desculpa. Vi então que era uma mulher e pareceu-me que chorava. Disse-lhe Não tem de quê e perguntei-lhe se estava bem ou se tinha alguma preocupação. Nada, não tenho nada, disse-me. É melhor ir para casa, dormir que amanhã é um novo dia, aconselhei. Mas ir para onde? Interrogou-se. Se eu pudesse... Acrescentou. Disse-lhe que para os lados da estação havia quartos baratos podendo lá passar a noite. Depois de lhe ter dito isto fiquei com a impressão que não era essa a sua intenção e, sem me dizer porquê, disse que tinha medo. Venha comigo, disse-lhe. Caminhámos em direcção à outra margem. Lá, algures, se
Memória futura
PORTUGAL POST Nº 192 • Julho 2010
situava a estação de comboios e, com sorte, podia encontrar um local aberto. Dito e feito. No interior da estação haviam vários Bistros abertos. Entramos num. Quase vazio, o Bistro dava guarida a três ou quatro passageiros da noite que matavam o tempo diante de copos de cerveja. Uma empregada matrona, com um decote quase indecente e um sorriso malandro nos lábios, serviu-me um conhaque e, à minha inesperada companheira, um Milchcafé bem quente. Foi difícil arrancar-lhe qualquer palavra sobre a sua situação. Era uma mulher bonita, embora houvesse qualquer coisa no seu rosto de muito triste. A cor dos seus olhos era cor de cinza e aparentava ter 35 anos de idade. Sobre as suas origens, foi-me dizendo que tinha nascido na Rússia e que vivia aqui na Alemanha ia para 9 anos. Falava bem alemão e, das raras vezes que tentou sorrir, o seu rosto inspirava uma simpatia bastante agradável. Pouco a pouco o cansaço ia tomando conta mim. Tinha passado um dia difícil e,
Disse-lhe que precisava de descansar agora que tinha sono. Paguei a despesa à empregada com o decote exagerado e perguntei à minha momentânea companheira se precisava de dinheiro para alugar um quarto. Respondeu-me com silêncio. Levanteime para sair. Ela continuava sentada. Desejei-lhe boa sorte, cumprimentei-a e saí.
Nós queremos publicar aqui as fotografias que fazem viver as suas recordações das férias, na associação, no trabalho, com os amigos, no restaurante, nas festas, etc. O envio das fotos pode ser feito por e-mail ou por carta (com a garantia de restituirmos todas as fotos que recebermos)
1999
Na foto tirada e publicada na edição de Abril de 1999 no PORTUGAL POST sorriem para o fotografo um grupo de mulheres que se encontravam em Dortmund para criarem e bordarem um tapete de Arraiolos que concluíram com uma festa entre as senhoras organizada pela Caritas
no hospital onde eu trabalho, as coisas tinham corrido muito mal. No banco de operações, onde eu assisto um cirurgião, tinham passados dois pacientes que não tinham resistido à operação devido ao adiantado estado da doença. Talvez tenham sido esses casos a origem da minha insónia e, de certa maneira, tenham contribuído para o meu estado. Era sempre assim quando morriam pacientes em operações nas quais eu participava como assistente-enfermeiro. Disse-lhe que precisava de descansar agora que tinha sono. Paguei a despesa à empregada com o decote exagerado e perguntei à minha momentânea companheira se precisava de dinheiro para alugar um quarto. Respondeu-me com silêncio. Levantei-me para sair. Ela continuava sentada. Desejei-lhe boa sorte, cumprimentei-a e saí. Na rua, não dei mais do quer vinte passos e o arrependimento de ter deixado a mulher sem a ajudar tomou conta de mim. Voltei para trás, ao bistro, e disse-lhe Venha daí. Chegados a minha casa disse-lhe que ela podia dormir na minha cama que eu ficaria na sala, no fofá. Recusou. Não, não, por favor, eu posso ficar aqui a um canto no sofá, disse. Dei-lhe roupa de cama e indiquei-lhe a casa de banho. Enfiei-me no meu quarto e dava graças a Deus por sentir sono. Dormi. Acordei seriam 10h00 da manhã. Uma leve dor de cabeça fez com que eu fechasse de novo os olhos e tentasse dormir. Uma hora depois decidi levantar-me e dirigi-me à cozinha para fazer um café. Encontrei-a sentada no sofá com a cabeça encostada aos joelhos, aninhada como se quisesse esconder de qualquer perigo. Fiz-lhe um café e, à luz do dia, vi quanto era bonita mesmo com o ar cansado posto a nu pelas, ainda que leves, olheiras que lhe
sombreavam o olhar. A custo, foi-me dizendo o que lhe acontecera. Tinha passado dois dias muito difíceis depois da morte do seu amigo com quem vivia e não conseguia voltar a casa porque as recordações a faziam sofrer. Por isso, tinha andado pelas ruas sem saber o que fazer até que me encontrou. O seu amigo/marido tinha 38 anos e foi-lhe diagnosticado uma doença que o levou. A sua aflição e tristeza foi tanta que não teve forças para lhe fazer o funeral, deixando-o entregue ao hospital onde estava internado e acabou por falecer. Disse-me que lhe custava muito ir para casa porque as lembranças do seu amigo ainda eram muito vivas e não conseguia estar em casa. Tinha medo, disse. Não podia habituarse à morte do seu homem e estar em casa. Era muito penoso Percebi o que sentia e não sabia que dizer-lhe quando a escutava a contar a sua história. Pensei que raio de sina era a minha que me punha em confronto com o destino trágico e amargo das pessoas, fosse no hospital, no lugar de trabalho, ou fora dele!... Nessa manhã, a mulher despediu-se com um obrigado nos lábios, sem nunca ter olhado para trás. Dela nem o nome soube. Partiu e eu voltei ao rame-rame, entre o hospital e a minha casa com intervalos de convívio com os amigos a quem nunca contei esta história. Autor / Leitor Identificado Pedimos aos leitores que nos enviam correspondência para esta rubrica para não se alongarem muito nos textos que escrevem. A redacção reserva o direito de condensar e de trabalhar os textos. Obrigado.
ESCREVA-NOS e conte-nos a história da sua vida Sabemos que há mulheres e homens que desejam comunicar as suas aventuras ou até mesmo histórias sobre a sua vida ou que querem relatar experiências e contar casos de que foram testemunhas ou os principais protagonistas. Todos, uns mais que outros, temos uma história para contar, como por exemplo, como cá chegamos; a nossa dificuldade em compreender a língua; os sonhos que acalentamos para aguentar estar num país tão diferente; o choque cultural, o primeiro dia de trabalho e, porque não, as dificuldades por que passamos. Nós queremos contar a sua vida, o bom e o mau. Escreva-nos como sabe e pode e a sua história poderá ser um valioso testemunho da nossa presença neste país. Não se esqueça de nos enviar as fotografias que deseja ver publicadas. Morada: PORTUGALPOST Burgholzstr.43 44145 Dortmund Fax: (0231) 83 90 351 E mail: correio@free.de
Passar o Tempo
PORTUGAL POST Nº 192 • Julho 2010
CONSULTÓRIO ASTROLÓGICO E-mail: mariahelena@mariahelena.tv TELEFONE: 00 351 21 318 25 91 Por Maria Helena Martins
CARNEIRO Amor: Vai precisar muito do carinho do seu par. Procure ter uma vida de paz e amor. Saúde: Estará cheio de energia. Dinheiro: Esteja atento pois poderá ter boas oportunidades de trabalho. TOURO Amor: Poderá sentir saudades da sua infância. Ao aceitar o passado todas as mágoas se dissiparão e você viverá em paz! Saúde: Cuidado com o aparelho digestivo. Dinheiro: Tenha cuidado com os falsos amigos, pois nem sempre as pessoas que nos sorriem são as mais verdadeiras. GÉMEOS Amor: A paixão poderá invadir o seu coração. O optimismo é próprio de quem procura estar bem com a vida fazendo com que os outros também estejam. Saúde: Estável. No entanto, esteja atento. Dinheiro: Seja cauteloso, não gaste de mais. CARANGUEJO Amor: Tenha paciência com os defeitos dos outros. Lembre-se que também os tem. Por muitos erros que os outros possam cometer, não os critique, dê-lhes antes a oportunidade de os corrigirem! SAÚDE: Poderá sofrer de dores de cabeça. Dinheiro: Nada o preocupará. LEÃO Amor: A sua relação estará em profunda
Previsões para Julho de 2010
harmonia. Olhe tudo com amor, assim a vida será uma festa! Saúde: Cuidado com o sistema nervoso. Dinheiro: A sua vida financeira tem tendência para melhorar significativamente.
frutos da alegria. Saúde: Faça alguns exercícios físicos mesmo em casa. Dinheiro: Não deixe para amanhã aquilo que pode fazer hoje.
VIRGEM Amor: Antes de falar, pense bem naquilo que vai dizer. Não julgue o seu próximo, procure não pensar mal das pessoas! Saúde: Faça análises com maior regularidade. Dinheiro: Poderá ter a oportunidade de aumentar a sua capacidade financeira.
CAPRICÓRNIO Amor: Um amigo poderá declarar uma paixão por si. Domine a sua agitação, permaneça sereno e verá que tudo corre bem! Saúde: Cuide melhor da sua alimentação. Dinheiro: Pode ter uma nova proposta de trabalho.
BALANÇA Amor: Invista e dê mais de si na sua relação. A sua felicidade depende de si! Saúde: Não se desleixe e zele por si. Dinheiro: Pense bem antes de pôr em causa o seu dinheiro.
AQUÁRIO Amor: Tente adaptar-se a uma nova vida, não esteja dependente de ninguém. Que o seu sorriso ilumine todos em seu redor! Saúde: Lembre-se que se não estiver de boa saúde dificilmente conseguirá atingir os seus objectivos, cuide mais de si! Dinheiro: Pense bem antes de pôr em marcha qualquer tipo de projecto.
ESCORPIÃO Amor: Estará muito sensível. Levará a mal certas coisas que lhe digam. Não dê tanta importância a assuntos triviais. Dê sempre em primeiro lugar um bom exemplo de conduta! Saúde: Imponha um pouco mais de disciplina alimentar a si próprio. Dinheiro: Tendência para gastos excessivos. SAGITÁRIO Amor: Não seja mal-humorado para os que lhe são queridos. Plante hoje sementes de optimismo, amor e paz. Verá que com esta atitude irá colher mais tarde os
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Endereços Úteis Embaixada de Portugal Zimmerstr.56 10117 Berlin Telefone 030 - 590063500 Telefax 030 - 590063600
Telefone de emergência (fora do horário normal de expediente): 0171 - 9952844 Consulado -Geral de Portugal em Hamburgo Büschstr 7 - 20354 - Hamburgo Tel: 040/3553484 Vice-Consulado de Portugal em Osnabrück Schloßwall 2 - 49080 Osnabrück Tel:0541/40 80 80 Consulado-Geral de Portugal em Düsseldorf Friedrichstr, 20 - 40217 -Düsseldorf Tel: 0211/13878-11;12;13 Vice-Consulado de Portugal em Frankfurt Zeppelinalle 15 - 60325- Frankfurt Tel: 069/979880-44;45 Consulado-Geral de Portugal em Stuttgart Königstr.20 - 70173 Stuttgart Tel. 0711/2273974
Conselho das Comunidades Portuguesas: Alfredo Cardoso, Telelefone: 0172- 53 520 47 AlfredoCardoso@web.de Alfredo Stoffel Telefone: 0170 24 60 130 Alfredo.Stoffel@gmx.de José Eduardo, Telefone: 06196 - 82049 jeduardo@gmx.de Maria da Piedade Frias Telefone: 0711/8889895 piedadefrias@gmail.com Rui Clemente Paz Telefone: 0173 - 5351651 ruipaz@gmx.de AICEP Portugal Zimmerstr.56 - 10117 Berlim Tel.: 030 254106-0 Federação de Empresários Portugueses (VPU) Hanauer Landstraße 114-116 60314 Frankfurt Tel.: +49 (0)69 90 501 933 Fax: +49 (0)69 597 99 529 Federação das Associações Portuguesas na Alemanha (FAPA) Postfach 10 01 05 D-42801 Remscheid Tel.: 02191-26247 (Presidente)
PEIXES Amor: Apague de uma vez por todas as recordações do passado que não o fazem feliz, esteja em paz consigo. Olhe em frente e verá que existe uma luz ao fundo do túnel! Saúde: Não se auto-medique, procure o seu médico. Dinheiro: boa altura para fazer um investimento desde que analise bem a situação. Invista com cuidado.
Astrologia, Karma e Felicidade Preço, 20,99 € Autor: Cristina Candeias A astróloga residente do programa "Praça da Alegria", de Jorge Gabriel, tornouse um fenómeno nacional, com as suas previsões em directo. Este é o seu primeiro livro. O livro que nos ensina a atravessar o deserto para encontrar o oásis e a felicidade plena. É necessário reflectir sobre quem fomos, o que somos e o que temos de vir a ser. Só depois de aceitarmos os nossos processos de mudança a vida se nos revelará.
Cupão de Encomenda a: PORTUGAL POST SHOP na Pág.19 Quatro turistas portugueses vem para o Brasil, alugam um carro e começam a correr pela Via Dutra. Logo são parados por um guarda que se aproxima da janela e pergunta: - Muito bonito! Por acaso posso saber o nome dos quatro elementos? O Manuel responde rápido: -Ora, essa é fácil: terra, fogo, água e ar! O director da penitenciária reúne os presos no pátio e fala ao megafone: - Atenção, vamos fazer uma faxina para limpar este presídio, porque amanhã o governador vem aí. No meio do pátio, um dos presos comenta: . Até que enfim que o apanharam! Uma rapariga que trabalhava num escritório foi a um restaurante almoçar. Como estavam todas as mesas ocupadas, sentou-se numa em que já estava uma velhota. Começaram em silêncio, sem trocar palavra, até que a rapariga, terminada a refeição, acendeu um cigarro. - Preferia cometer o adultério do que fumar em público! — observou a velha com dignidade. - Eu também — concordou calmamente a rapariga. — Mas só tenho uma hora para o almoço.
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Agradecemos a iniciativa da PORTUGAL POST de relançar o anuário da economia portuguesa na Alemanha, como colectânea da presença empresarial. Servirá como amostra da diversidade, potencialidade e capacidade da nossa comunidade, mas também como ferramenta de comunicação, de cooperação e construção da ponte económica, cultural e espiritual entre Portugal e Alemanha. Simeon Ries, Presidente da Federação de Empresários Portugueses na Alemanha (VPU)
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