PORTUGAL POST Director: Mário G. M. dos Santos ANO XVI • Nº 181 • Agosto 2009 • Publicação mensal • 2.00 € Portugal Post Verlag, Burgholzstr. 43 • 44145 Dortmund • Tel.: 0231-83 90 289 • Telefax 0231- 8390351•E Mail: correio@free.de •www. portugalpost.de •K 25853 •ISSN 0340-3718
Crise aumentou desemprego de portugueses na Alemanha em quase 17 por cento O impacto da crise económica entre a comunidade portuguesa na Alemanha traduziu-se num aumento do desemprego de cerca de 17 por cento e na quebra das receitas em parte da gastronomia, que abrange muitos pequenos
empresários. Em Outubro de 2008, havia 4.295 portugueses desempregados na Alemanha, num universo de quase 42 mil trabalhadores inscritos na previdência social. Pág. 7
Leia nesta edição Munique Cônsul Honorário de Portugal contestado pela comunidade local Página 3
Legislativas 2009
Eleições Legislativas 2009
Dora Mourinho integra lista do Partido Socialista pelo círculo eleitoral da Europa liderada por Paulo Pisco Dora Mourinho de 42 anos de idade, residente em Essen (NRW), que surge em terceiro lugar na lista pelo círculo eleitoral de Europa, é formada em Ciências Sociais pela universidade de Göttingen e é tida como independente próxima do Partido Socialista. Página 4.
Mulheres lideram listas da CDU nos círculos da emigração Página 4
Governo cumpre promessa Escritório Consular em Osnabrück elevado a Vice-Consulado Página 19
Serviço PP
Estou insolvente.
E agora? Processo de insolvência de pessoas singulares. Recomeçar de novo. Página 16
Três portugueses candidatam-se às eleições autárquicas em Gelsenkirchen (NRW) Pág. 8
Bar Cod
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PORTUGAL POST nº 181 • Agosto 2009
PORTUGAL POST
Editorial Mário dos Santos
Agraciado com a medalha da Liberdade e Democracia da Assembleia da República Fundado em 1993 DIRECTOR: MÁRIO DOS SANTOS
CORRESPONDENTES ALFREDO CARDOSO: MÜNSTER ANTÓNIO HORTA: GELSENKIRCHEN JOÃO FERREIRA: SINGEN JORGE MARTINS RITA: ESTUGARDA JOSÉ PINTO NASCIMENTO: DÜSSELDORF KOTA NGINGAS: DORTMUND MANUEL ABRANTES: WEILHEIM -TECK MICHAELA AZEVEDO FERREIRA: BONA PAULO ALEXANDRE: HAMBURGO ZULMIRA QUEIROZ: GROß-UMSTADT COLUNISTAS ANTÒNIO JUSTO: KASSEL DORA MOURINHO: ESSEN FERNANDA LEITÃO: TORONTO JOSÉ EDUARDO: FRANKFURT JOSÉ VALGODE: LANGENFELD LAGOA DA SILVA: LISBOA LUIS BARREIRA, LUXEMBURGO MARCO BERTOLOSO: COLÓNIA MARIA DE LURDES APEL: BRAUNSCHWEIG PAULO PISCO: LISBOA RUI MENDES: AUGSBURG RUI PAZ: DÜSSELDORF TERESA COLAÇO: COLÓNIA ASSUNTOS SOCIAIS JOSÉ GOMES RODRIGUES: ASSISTENTE SOCIAL CONSULTÓRIO JURIDICO CATARINA TAVARES: ADVOGADA MICHAELA A. FERREIRA: ADVOGADA MIGUEL KRAG: ADVOGADO FOTÓGRAFOS: PAULO FERREIRA E FERNANDO SOARES AGÊNCIAS: LUSA. DPA IMPRESSÃO: PORTUGAL POST VERLAG PUBLICIDADE: TELMA BONITO REDACÇÃO, ASSINATURAS E PUBLICIDADE BURGHOLZSTR.43 - D - 44145 DORTMUND TEL.: (0231) 83 90 289 FAX: (0231) 83 90 351 WWW.PORTUGALPOST.DE E MAIL: CORREIO @ FREE.DE REGISTO LEGAL: PORTUGAL POST JORNAL DA COMUNIDADE PORTUGUESA NA ALEMANHA ISSN 0340-3718 • K 25853 PROPRIEDADE PORTUGAL POST VERLAG REGISTO COMMERCIAL HRA 13654 OS TEXTOS PUBLICADOS NA RÚBRICA OPINIÃO SÃO DA EXCLUSIVA RESPONSABILIDADE DE QUEM OS ASSINA E NÃO VEICULAM QUALQUER POSIÇÃO DO JORNAL PORTUGAL POST
Valorizar as comunidades
N
ão há muito tempo que o Secretário das Comunidades Portuguesas, António Braga, dizia num tom magoado que os membros do Governo não davam a devida valorização aos portugueses que vivem no estrangeiro. Dizia ele que o Governo se devia empenhar na „revalorização dos portugueses que vivem no estrangeiro“, com “acções concretas“. “Estou a salientar que a realidade dos portugueses que vivem fora de Portugal não pode ser desconsiderada e, muito menos, esquecida”, acrescenta António Braga. Este “esquecimento” por parte do Governo de que fala António Braga pode-se também estender aos partidos, a todos eles, à comunicação social, que só fala dos emigrantes quando “há sangue” ou dramas ao gosto do sensacionalismo, e a toda a sociedade portuguesa que ainda está imbuída de estereótipos bastantes negativos sobre os portugueses que vivem no estrangeiro, vulgo emigrantes . Em todas as legislaturas, a Secretaria de Estado das Comunidades tem sido sempre o parente
pobre, isto para não dizer outra coisa, dos respectivos governos. A Secretaria de Estado das Comunidades é tratada como um Secretaria de Estado de segunda, como, de resto, de segunda são tratados os portugueses residentes no estrangeiro. Às vezes não se sabia (sabe) bem quais as competências do Secretário de Estado cujo papel era (é) de andar por aí a visitar as comunidades e a “levar na cabeça” de tutti quanti. Ele tinha (tem) de ouvir que “o povo emigrante não tem professores nem escola”; que “os trabalhadores emigrantes são vitimas da dupla-tributação; que ”o tempo de tropa dos ex-militares não conta para a reforma”... Em suma, o Secretário de Estado tinha (tem) de enfrentar as queixas e a arcar com a contestação resultante dos problemas que tinham (têm) origem em outros ministérios. Depois de ouvidas tantas queixas, o Secretário de Estado tem de ir bater à porta dos outros ministérios quase que pedinchando isto e aquilo, ministérios que não têm ouvidos nem sensibilidade para as questões dos emi-
grantes. Por isso tem razão António Braga quando diz que ”a realidade dos portugueses que vivem fora de Portugal não pode ser desconsiderada e, muito menos, esquecida”. Seja qual for o partido que saia vencedor nas próximas eleições, ele tem de mexer no papel e nas competências da Secretaria de Estado, isto é, tem de lhe dar poder, mesmo que para isso tenha de haver mexidas orgânicas do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Caso contrário, andamos sempre nisto, isto é, com a Secretaria de Estado das Comunidade a ser o alvo mais fácil da contestação sempre que haja problemas. E, não vale a pena atirar areia aos olhos das pessoas como fez o PSD com o “seu Ministro dos Negócios Estrangeiros e das Comunidades” no Governo de Barroso /Santana Lopes cujas competências eram a de ter competências nenhumas em matéria de Comunidades. Posto isto, vamos estar atentos ao que dizem os programas eleitorais dos partidos sobre esta matéria.
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REDACÇÃO E COLABORADORES CRISTINA KRIPPAHL: BONA FRANCISCO ASSUNÇÃO: BERLIM FERNANDO A. RIBEIRO: ESTUGARDA HELENA GOUVEIA: BONA JOAQUIM PEITO: HANNOVER LUÍSA COSTA HÖLZL: MUNIQUE
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PORTUGAL POST nº 181 • Agosto 2009
Cônsul Honorário de Portugal em Munique contestado pela comunidade
O empresário alemão do ramo Imobiliário, Jürgen Adolf, residente em Munique, e que cumulativamente exerce, há cerca de 15 anos, as funções de cônsul honorário no estado da Baviera, está a ser alvo de um pedido de afastamento através de um abaixo-assinado que corre no interior da comunidade portuguesa que reside no Sul da Alemanha, segundo apurou o nosso jornal. O protesto foi já enviado às autoridades nacionais, MN Estrangeiros e SECP, em Lisboa. Igualmente, o texto foi enviado para o Embaixador e o Consulado-Geral de Estugarda. Na circular do abaixo-assinado é destacado o facto, citamos, que „ infelizmente, não é possível apontar ao Sr.
Jürgen Adolff qualquer gesto em prol de Portugal ou dos portugueses“. O texto recolhe até Setem-
bro o máximo de assinaturas dos nossos compatriotas espalhados pela Baviera, em número que atinge
cerca de duas mil almas, adiantou a referida fonte. Dada a importância capital do acontecimento, transcre-
vemos na íntegra o teor do abaixo-assinado. F. Almeida Ribeiro
Substituição do Cônsul Honorário em Munique, Baviera (Alemanha) Os abaixo-assinados cidadãos portugueses residentes no Estado Federal da Baviera, na República Federal Alemã, estão particularmente descontentes e desiludidos com a prestação do Senhor Cônsul Honorário de Portugal em Munique, Sr. Jürgen Adolff, de cidadania alemã, dignatário do posto desde 1994. „ O estatuto e a credibilidade inerente ao posto que ocupa, oferecida ao Sr. Jürgen Adolff por Portugal e pelos Portugueses, tem-lhe permitido um aproveitamento pessoal nas actividades comerciais que exerce, nomeadamente no sector Imobiliário. „ Como contrapartida à confiança e responsabilidade de-
positadas no Senhor Jürgem Adolf por Portugal e pelos Portugueses, é-lhe exigido que represente os interesses económicos e culturais da Nação Portuguesa, bem como que apoie e proteja os cidadãos nacionais que a ele recorram. „ Infelizmente, não é possível apontar ao Senhor Jürgen Adolff qualquer gesto em prol de Portugal ou dos Portugueses que não seja a recente cedência do espaço onde, uma vez por mês, o funcionário consular, vindo de Estugarda, exerce a sua actividade. De igual modo, não é possível enumerar nenhuma acção promovida pelo Sr. Jürgen Adolff no sentido de apoiar interesses, actividades ou
acontecimentos relacionados com Portugal ou com Portugueses. „Os abaixo-assinados desconhecem a razão subjacente ao facto de o cargo de Cônsul Honorário de Portugal em Munique ser exercido há mais de quinze anos por um cidadão alemão, quando residem no Estado Federal da Baviera vários cidadãos portugueses, aqui radicados há longa data, com intervenção reconhecida ao mais alto nível nas esferas política, económica, académica e cultural, disponíveis para desempenhar o referido cargo. „ Toda a comunidade portuguesa, desde aqueles que ocupam posições de chefia em empresas próprias ou terceiras, até aos trabalhadores
qualificados amplamente reconhecidos pelo seu brio e qualidade profissionais, merecem ser representados por alguém que reconheça e apoie a sua dinâmica e espírito de iniciativa no estado mais rico do país mais rico da Europa. „ Conscientes que este pedido se fundamenta no exercício de uma cidadania empenhada e participativa, os signatários esperam de V. Excias a substituição do actual Cônsul Honorário de Portugal em Munique por uma personalidade que realmente esteja empenhada em promover o intercâmbio económico e cultural entre Portugal e o Estado Federal da Baviera, dignificando com o seu desempenho todos os Portugueses„.
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PORTUGAL POST nº 181 • Agosto 2009
Portugueses continuam a escolher Angola, mas crise já provoca regressos antecipados Nos últimos três anos, 30 mil portugueses chegaram a Angola para trabalhar, mas os primeiros sinais de que o país não é o “El Dorado” tão falado começam a surgir. Responsáveis ligados ao sector empresarial português admitiram que se multiplicam os casos de portugueses que foram obrigados a regressar a Portugal. Mas isso está longe de demover os portugueses a partirem para Angola como as cifras oficiais e as estimativas, também oficiais, apontam. De acordo com dados do Consulado Geral de Portugal em Luanda, actualmente estão inscritos cerca de 72 mil portugueses, 15 mil dos quais nos últimos três anos. Mas, porque a inscrição consular não é obrigatória, a estimativa é que por cada inscrito exista um que
25 milhões de vacinas contra a gripe A na Alemanha A partir do Outono, 25 milhões de alemães vãolevar gratuitamente a vacina contra a gripe A, revelaram as autoridades deste país país. O governo alemão encomendou 50 milhões de vacinas para os seus cidadãos. A campanha de vacinação ocorrerá em duas fases. Numa primeira fase a prioridade será dada a doentes crónicos, asmáticos, obesos, bombeiros, polícias e funcionários nos serviços de emergência médica.
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não o faz, totalizando à volta de 30 mil os novos membros da comunidade portuguesa em Angola, explicou o Cônsul Geral em Luanda, Pedro Silva Rodrigues. Dados sobre os regressos “forçados” não existem mas podem ser muitas centenas no último ano, porque, como explicou uma fonte ligada aos investimentos portugueses em Angola,“os casos que passam de boca em boca sobre regressos inusitados vão-se multiplicando”. Apesar disto, os números da Agência Nacional para o Investimento Privado em Angola (ANIP) não enganam quanto à importância que o país tem para os investidores portugueses. Em 2007, esse investimento chegou aos 235 milhões de dólares, com 247 projectos aprovados, e, em 2008, subiu para os 615 milhões de dólares. Além dos grandes investimentos, como os das construtoras, sector bancário ou telecomunicações, existem centenas de projectos de
pequena e média dimensão, desde as madeiras e móveis, medicamentos ou maquinaria, que exigem mão-de-obra qualificada não existente em Angola e são um forte impulso para a emigração portuguesa. Um dos exemplos desta realidade é o de José Castro, técnico qualificado na área da climatização e refrigeração que partiu há um ano da cidade de Viseu, em Portugal, e rapidamente teve sucesso profissional em Angola. José Castro explica o motivo do sucesso: “O mercado angolano tem muita falta de técnicos qualificados nestas áreas”. Mas nem tudo são rosas e o emigrante José Castro diz ter conhecimento de que “são ainda bastantes” os portugueses que chegam a Angola e têm de regressar porque “não trazem na bagagem as respostas que o mercado pretende” em matéria de qualificação. Outro exemplo é o de Carlos M. que está em Luanda há dois anos como quadro médio de uma em-
presa ligada à importação de produtos alimentares e admitiu à Lusa que tem “um excelente contrato”, que lhe permite ganhar “muito mais que em Portugal”. Mas Carlos M. considerou que o cenário de hoje “não é o mesmo de há dois anos”, efeitos da crise económica e financeira mundial. “As coisas estão a mudar. Há sinais disso que são evidentes, como o facto de algumas pessoas que conheço e que estavam em empresas importantes, terem regressado a Portugal nas últimas semanas”, disse. O Governo já informou que um número significativo de projectos de obras públicas foram anulados ou colocados em “standby” até que a crise esmoreça. As autoridades angolanas confirmam ainda outro dado negativo para os investidores estrangeiros. A crise provocou uma grande escassez de divisas no mercado, levando a maiores dificuldades nas transferências de dinheiro para o exterior.
PCP acusa Governo de “forte ataque” aos portugueses no estrangeiro O PCP acusou o Governo de ter desferido nesta legislatura „fortes ataques às justas aspirações“ dos emigrantes portugueses com medidas como a reestruturação da rede consular. „Foi um Governo que avançou com a reestruturação da rede consular em vez de aproximar a rede consular dos seus emigrantes. Afastou-a, fechou-a, não tendo em conta os aumentos dos fluxos migratórios que estão a ocorrer neste momento o que é absolutamente injusto e imoral“, disse o deputado do Partido Comunista Português (PCP) Jorge Machado. O deputado falava numa acção de rua em frente à estátua de homenagem aos emigrantes portugueses, junto à estação ferroviária de Santa Apolónia, em Lisboa. Na acção, convocada para „prestar contas“ da actividade parlamentar
do PCP no que diz respeito à emigração, Jorge Machado recordou o trabalho do partido nas propostas de reforço de verbas no Orçamento de Estado, os oito Projectos de Lei e os cinco Projectos de Resolução apresentados, além de mais de 70 perguntas dirigidas ao Governo, frisando que a apresentação destas propostas alternativas demonstram „que é possível uma política diferente também para a emigração“. Nesse sentido, Jorge Machado apelou à eleição nas próximas legislativas de um deputado comunista pelos círculos eleitorais da Emigração, na Europa e fora da Europa, com o objectivo de „quebrar“ com as políticas do Governo e „afirmar uma política alternativa, de esquerda, e que tome medidas para respeitar os portugueses que trabalham no estrangeiro“. „Temos tido deputados do PS e
PSD eleitos pela emigração nos últimos 30 anos que têm prestado um mau serviço aos emigrantes. Eles e os seus governos têm permitido que se tenha afastado da emigração um conjunto de serviços essenciais. Acreditamos que a eleição de um deputado pelo círculo da Europa e fora da Europa constituiria um belíssimo passo para quebrar com estas políticas“, declarou o deputado comunista. Jorge Machado assumiu como prioridades do PCP nesta matéria o reforço do ensino do português no estrangeiro, parar com a reestruturação consular em curso e aumentar a representação de Portugal junto das comunidades emigrantes, para que estas tenham um „ponto de contacto“ com o país. Contactado pela Lusa, o gabinete do secretário de Estado das Comunidades, António Braga, não quis comentar as críticas do PCP.
Comissão política do PS aprova listas de candidatos pelas comunidades A Comissão Política do PS aprovou as listas de candidatos pelos Círculo de Fora da Europa e da Europa. A lista do PS pelo Círculo Fora da Europa é encabeçada pelo actual deputado eleito pelos Açores, Renato Leal. Segue-se o empresário e membro do Conselho das Comunidades, José Duarte, de Santos/S. Paulo. Em terceiro lugar está Maria das Dores Faria, que reside na Venezuela e é ma-
deirense. O quarto lugar é ocupado por José Rocha Diniz, de Macau, jornalista e licenciado em História. Pelo Círculo da Europa, o cabeçade-lista é Paulo Pisco, director do Departamento Internacional e de Comunidades do PS, graduado em Estudos Europeus na Universidade Livre de Bruxelas e deputado na XIV Legislatura, eleito pelo Círculo da Europa. Segue-se Lurdes Rodrigues, re-
sidente em Paris e actualmente a desempenhar funções na missão da OCDE. Em terceiro lugar está a socióloga Dora Mourinho, da Alemanha, residente em Essen. O quarto lugar é ocupado por Carlos Ferreira, secretário sindical residente em Sion, Suíça. O mandatário da listas é António Braga, actual secretario de Estado das Comunidades.
Hugo Almeida apoia candidato socialista à Câmara da Figueira da Foz
Hugo Almeida, jogador do Werder Bremen, aceitou ser o mandatário para a juventude da candidatura de João Ataíde à presidência da Câmara Municipal da Figueira da Foz. Na apresentação pública o jogador da Selecção Nacional disse ter sido „com muito agrado“ que aceitou o convite desta candidatura suportada pelo Partido Socialista local. Hugo Almeida disse que „esta é uma grande cidade que pode ter melhores condições para a prática desportiva, condições que eu não tive. É essa a minha esperança“. O candidato socialista João Ataíde destacou a importância deste apoio recordando que „o Hugo é um independente como eu mas que acredita neste projecto, nesta candidatura“. O futebolista, disse o candidato, „representa a esperança e simboliza uma das nossas prioridades: a aposta na formação desportiva“. Ficou a promessa que caso o PS vença as eleições de Outubro próximo, será construído em Buarcos, terra natal do mandatário para a juventude, um campo de futebol de piso sintético que será baptizado com o nome de „Hugo Almeida“. ?Esta apresentação contou com a presença de vários socialistas e apoiantes da candidatura de João Ataíde, caso do líder local da Juventude Socialista. Refira-se que Hugo Almeida, de 25 anos de idade, começou a jogar futebol no Grupo Desportivo de Buarcos.Vestiu a camisola da Naval 1.º de Maio até 2000, altura em que foi transferido para o Futebol Clube do Porto. Jogou ainda pelo União de Leiria e Boavista.
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Eleições Legislativas 2009
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Socióloga Dora Mourinho, de Essen, na lista Mulheres lideram listas da CDU nos círculos da emigração do Partido Socialista pela emigração Dora Mourinho integra a lista de candidatos pelo Partido Socialista pelo círculo eleitoral da Europa às eleições do próximo dia 27 de Setembro em Portugal. A lista, que é encabeçada por Paulo Pisco, conta ainda com candidatos residentes em França e na Suíça. Dora Mourinho de 42 anos de Idade, residente em Essen (NRW), que surge em terceiro lugar na lista, é formada em Ciências Sociais pela universidade de Göttingen e é tida como independente próxima do Partido Socialista. Esta portuguesa, mãe de uma filha, conta no seu longo curriculum uma passagem pelo Parlamento Europeu como assessora de um deputado do SPD alemão. Foi ainda Técnica de Serviço Social na Embaixada de Portugal, em Bona, em 1993, docente nas universidades de Göttingen, Hamburgo e Essen e investigadora no campo da sociologia das migrações. É ainda autora do primeiro estudo empírico na Alemanha sobre a descriminação de estrangeiros no acesso ao
lugar de trabalho e colunista do PORTUGAL POST. Convidada pelo Partido Socialista para integrar a lista devido aos seus profundos conhecimentos em questões como a imigração e integração, bem como em áreas da formação e educação dos jovens, Dora Mourinho é também reconhecida pelos seus méritos e competência aos quais se junta o conhecimento dos problemas que afectam a comunidade. Nascida em Silves, Algarve, Dora Mourinho chegou à Alemanha em 1971, com quatro anos, quando os seus pais decidiram emigrar para este país, para o Ruhrgebiet, que foi até fins dos anos 80 o coração industrial da Europa. Europa que, para Dora Mourinho, “é um continente de possibilidades graças às vantagens que hoje a mobilidade oferece às pessoas nos campos profissional e até particular”, diz-nos. Europeia convicta, esta portuguesa que gosta de dizer que é ”filha do Ruhrgebiet”, destaca as potencialidades dos portugueses residentes no exterior, sublinhando que “se deve olhar para nós, os que aqui vivemos,
Perguntas a... PORTUGAL POST - Divulgados que estão os nomes das listas pelas Comunidades, quais as propostas políticas em que o PS vai apostar para convencer o eleitorado a votar no partido? Paulo Pisco - Depois do excelente trabalho que foi feito pela Secretaria de Estado das Comunidades, é necessário dar agora maior peso às políticas para as Comunidades Portuguesas no seio do Governo, com uma nova articulação entre sectores, e aprofundar a acção em domínios como a juventude, movimento associativo, políticas sociais, economia e cultura. É necessário alargar o âmbito das políticas sociais, por exemplo, ter um novo olhar sobre as novas gerações e sobre a cidadania e a ligação dos portugueses às instituições nos países de acolhimento, dar uma projecção maior à produção nas artes e letras, criar condições para que o movimento associativo possa ter um papel ainda mais relevante para a valorização das comunidades. PP - A lista de candidatos com pessoas ligadas às comunidades significa uma maior preocupação do PS relativamente às questões das comunidades? Paulo Pisco - O PS sempre se distinguiu pelo seu trabalho efectivo em prol das comunidades. Acontece que agora o PS, através do Departamento Internacional e de Comunidades, tem uma ligação mais forte a regular com as suas estruturas, apoiando-as e procurando criar pon-
como um factor de desenvolvimento nas relações culturais e comerciais entre Portugal e Alemanha”. Neste sentido, diz “que, afinal, não é errado dizer que somos embaixadores de Portugal”. No capítulo da integração, Dora Mourinho diz ainda que é “importante que a comunidade tenha plena consciência que é parte integrante da sociedade que a acolhe”, e que daí resulte “uma maior capacidade de agir, desenvolvendo sucessivamente as suas potencialidades de modo a que alcance um nível tão elevado quanto possível na participação da construção permanente da sociedade onde se insere”. Diz-nos ainda que se candidata porque vê no ”PS o partido que melhor pode responder aos anseios das pessoas, dialogante e de uma esquerda que sabe enfrentar os problemas do tempo em que hoje vivemos”. Apela ainda para que ”todos votem nas próximas eleições porque votando estamos a contribuir para a nossa afirmação como cidadãos conscientes e construtores do presente e do futuro”, considera.
Paulo Pisco Cabeça de lista do PS pelo Círculo da Europa
Paulo Pisco. Foto: PS tes com as sociedades de acolhimento e com Portugal. A composição das listas reflecte também a opinião e as sugestões das secções do partido nas comunidades. As listas, tanto do Círculo da Europa como de Fora da Europa, foram feitas em estreita colaboração com as estruturas do partido. PP - O PS vai bater-se pela eleição de dois candidatos pelo círculo da Europa? Paulo Pisco - O PS vai bater-se para mostrar aos nossos compatriotas que merecemos o seu voto. A nível do Governo, o PS fez talvez a legislatura mais reformista desde o 25 de Abril. Transformámos o País e isso pode ser comprovado com factos. Julgo que os Portugueses se podem orgulhar do nosso Primeiro-Ministro, José Sócrates, que governou com ambição, coragem e sentido da responsabilidade. E nas comunidades passou-se a mesma coisa. O Governo fez uma reforma e modernização consular que
dignifica a imagem do país no estrangeiro, resolveu problemas bicudos como os que havia em Genebra, no Luxemburgo. Mudou o Consulado de Hamburgo para novas e mais acolhedoras instalações, ao ponto de agora haver mais portugueses que o solicitam. Deu uma nova visibilidade às novas gerações, com programas como o “Talentos” ou “Lusavox”, abriu novos caminhos no âmbito da economia. Alargou os cursos de Língua e Cultura Portuguesa, entre várias outras coisas. Partimos, por isso, convictos que o trabalho do Governo é merecedor da confiança dos nossos compatriotas. Cabe-lhes a eles decidir. PP - Quando for eleito, em que domínios é que vai centrar o seu trabalho no Parlamento? Paulo Pisco- Muito sinteticamente, refiro apenas três domínios essenciais. O primeiro, é lutar para corresponder às expectativas dos nossos compatriotas quanto às políticas para as comunidades e na sua ligação com Portugal. O segundo é fazer tudo para que os portugueses que vivem fora do país se possam sentir tão naturalmente como se estivessem em Portugal. O terceiro, é contribuir para mudar a mentalidade portuguesa que ainda vê, de forma totalmente incompreensível e despropositada, os portugueses que vivem fora do país com alguma sobranceria e nalguns casos até indiferença. É preciso que, em Portugal, as Comunidades sejam melhor compreendidas e mais respeitadas.
Candidatos e mandatário pela emigração da CDU. Foto: CDU
Uma operária da indústria relojoeira na Suíça e uma bolseira de sociologia na Venezuela encabeçam as listas da CDU às eleições legislativas de 27 de Setembro nos círculos da emigração, onde esta força nunca elegeu deputados. Maria Melo Galvão, 53 anos, mais conhecida por São Belo, residente em La Chaux de Fonds, Suíça, lidera a lista de candidatos pelo círculo da Europa, composta também pelo dirigente associativo Raul Lopes (França), pela arquitecta Vera Pontes (Bélgica) e pelo presidente da Comissão de Ex-Militares no Luxemburgo, Manuel Gomes da Silva. Operária no sector da relojoaria, Maria Melo Galvão, candidata-se pela segunda vez à Assembleia da República - em 2005 foi a número dois do professor residente na Alemanha Luciano Caetano da Rosa - , depois de ter integrado também as listas da CDU às eleições para o Parlamento Europeu de 07 de Junho. Integra a Comissão de Integração de Estrangeiros no Cantão de Neuchâtel e é membro do Conselho das Comunidades Portuguesas, órgão de consulta do Governo para
questões de emigração. É ainda presidente do rancho folclórico „Rosas de Portugal“ e membro da direcção da Federação Portuguesa de Folclore na Suíça. No círculo Fora da Europa, a CDU estreia este ano a socióloga Inês Zuber, 29 anos, bolseira de doutoramento em Caracas, na Venezuela. Membro da Associação de Bolseiros de Investigação Científica, Inês Zuber é vereadora suplente da Câmara Municipal de Lisboa e membro do Organismo de Direcção da Cidade de Lisboa, do PCP. O engenheiro civil e presidente do Centro Cultural 25 de Abril de São Paulo (Brasil) Ildefonso Garcia, o professor universitário em Luanda (Angola) Ludgero Escoval e a funcionária pública em Brisbane (Austrália) Deonilde Marques Pereira, completam a lista de candidatos da CDU pelo círculo Fora da Europa. Nos círculos da Emigração, estão em disputa quatro dos 230 lugares da Assembleia da República e a CDU nunca conseguiu eleger deputados neste círculo. Actualmente, três dos deputados eleitos nestes círculos são do PSD (dois fora da Europa e um na Europa) e um é do PS (Europa).
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Comunidades
PORTUGAL POST nº 181 • Agosto 2009
Testemunhas de Jeová reúnem-se em Congresso Foi com visível entusiasmo e numa atmosfera cordial que terminou a série de congressos internacionais das Testemunhas de Jeová na Alemanha organizados sob o tema “Mantenha-se Vigilante!” realizada nos dias 11 e 12 de Julho passado. Os congressos foram realizados simultaneamente em Berlim, Hamburgo, Dortmund, Frankfurt e Munique. Num comunicado enviado à redaccão do PP, é dito que “os organizadores ficaram positivamente surpreendidos com o número consideravel de visitantes que estiveram interessados nesse programa de quatro dias”. Divulgam ainda que no estádio de futebol em Dortmund “estiveram pessoas 51.257 oriundas de cinco idiomas”. Entre os presentes, os organizadores contaram 942 testemunhas provenientes dos vários países de língua portuguesa vindos de toda a Alemanha. “A razão dessa reunião foi considerar a mensagem urgente da Bíblia, que descreve o fim de todo mal”, considera o comunicado. Já no sábado, dia 11, os presentes puderam assistir ao “baptismo” de
Vista parcial da assistencia no Congresso em Dortmund
331 pessoas que manifestaram, desta forma, “a sua devoção a Deus e dessa maneira se juntaram às fileiras das Testemunhas de Jeová”. O evento terminou no domingo, 12 de Julho, pelas 16h30. Foram muitos os visitantes que se mostraram impressionados com o evento religioso. José Valgode, membro das Testemunhas de Jeová
presente no evento, disse ao PP que „esperamos muito que todos estejam atentos ao cumprimento das profecias bíblicas.Vivemos num tempo dramático, porém também extremamente prometedor.” Segundo os responsáveis das Testemunhas de Jeová, em toda a Alemanha contam-se cerca de 1000 os portugueses que praticam esta religião.
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Opinião Paulo Morais
Filhos e enteados Um terço dos portugueses vive no estrangeiro. São cerca de cinco milhões de compatriotas nossos que o país maltratou e maltrata. A rede consular, que deveria garantir a sua ligação em permanência ao país, actua numa lógica de funcionalismo público tradicional, repelindo quem se lhes dirige. Os escassos e incompetentes serviços dos consulados portugueses só são comparáveis em ineficácia às nossas câmaras ou conservatórias, que encerram para férias quando os emigrantes nos visitam em Agosto, e mais necessitariam de tratar de um qualquer assunto oficial. Por sua vez, o corpo diplomático tem uma postura imperial. Na sua maioria, os embaixadores desprezam os emigrantes e limitam-se a integrar uma ridícula brigada da mão fria, de copo gelado em punho em cada festa de fim de tarde. A nível governamental, sucessivos executivos tratam dos assuntos das comunidades através do ministério dos... estrangeiros. Ainda por cima, através da secretaria de estado de menor peso protocolar. Os emigrantes são assim tratados como estrangeiros, e ainda por cima como estrangeiros de segunda! Deste modo, o Estado português trata parte dos seus filhos como enteados. Em termos de representação política, a situação chega a ser humilhante. Os cerca de quatro milhões e novecentos mil portugueses e luso-descendentes elegem apenas quatro dos 230 deputados. Mais de trinta por cento da população, representada por menos de dois por cento do Parlamento. Não admira pois que os emigrantes se alheiem dos escrutínios e que nas últimas eleições presidenciais tenham votado apenas... dezoito mil. Para romper com este modelo arcaico e até antidemocrático, bastaria copiar as boas práticas das regiões e países europeus. A Galiza, aqui tão perto, confere aos galegos que residam em Buenos Aires o mesmo peso eleitoral dos que vivam em Santiago. Votam no seu círculo, exactamente nas mesmas condições que os residentes. E decidem governos. O Estado português continuará a aviltar e ignorar os nossos emigrantes. Mas a nação portuguesa sobreviverá, estará onde estiver um português. E o país só será completo com os seus emigrantes. Lembremo-nos disto neste Verão, quando num terreiro duma qualquer aldeia, à volta dum coreto, dançarmos as belas músicas populares portuguesas.Vivendo no Porto, Viseu, Paris ou Newark - somos todos Portugal. Como país, bem melhores que o nosso estado. E como povo, bem maior que o nosso chão. Paulo Morais Ex-Vice-Presidente da CM Porto (cortesia Jornal de Notícias) Publicidade
Comunidade Alemanha
PORTUGAL POST nº 181 • Agosto 2009
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Crise aumentou desemprego de portugueses na Alemanha em quase 17 por cento O impacto da crise económica entre a comunidade portuguesa na Alemanha traduziu-se num aumento do desemprego de cerca de 17 por cento e na quebra das receitas em parte da gastronomia, que abrange muitos pequenos empresários. Em Outubro de 2008, havia 4.295 portugueses desempregados na Alemanha, num universo de quase 42 mil trabalhadores inscritos na previdência social. No total, a comunidade portu-
guesa na Alemanha tem cerca de 114 mil pessoas, concentradas nas regiões mais industrializadas, o sul, o oeste e o noroeste do país. Em plena crise, há agora 5172 portugueses desempregados, mais 17 por cento do que há oito meses, segundo dados de Junho, publicados pela Agência Federal do Trabalho. Os serviços sociais dos consulados portugueses já notam sinais das dificuldades entre a comunidade, como disseram vários responsáveis.
“Temos verificado que o poder de compra baixou muito, e agora, quando as pessoas vêm pedir documentos, a primeira pergunta que fazem é quanto é que custam”, disse o responsável pelos serviços sociais do escritório consular de Osnabruck, Manuel Silva. Neste cidade da Baixa-Saxónia, a falência da Karmann, em Abril, lançou no desemprego cerca de 50 portugueses, os “sobreviventes” das largas centenas que chegaram a trabalhar
Crise lançou Carlos Alves no desemprego após 23 anos na fábriica Karmann em Osnabrück
nos anos oitenta no prestigiado fabricante de veículos convertíveis para marcas como a Volkswagen, Mercedes e BMW. Em Hamburgo, onde vivem cerca de oito mil portugueses, a situação também é crítica, “as pessoas estão a apertar o cinto, e notámos, por exemplo, que há empregadas domésticas sem trabalho porque os patrões deixaram de lhes poder pagar”, disse Maria José Cocq, responsável pelos serviços sociais do consulado. Na área consular de Estugarda, centenas de trabalhadores portugueses têm sido afectados pelo recurso ao regime de trabalho parcial em grandes empresas como a Daimler (Mercedes), observam os respectivos serviços sociais. “As pessoas tornaram-se mais cuidadosas a lidar com o dinheiro, embora os que tenham entrado em trabalho parcial recebam praticamente o mesmo, graças aos subsídios do Estado”, disse Abílio Rodrigues, técnico dos serviços sociais em Estugarda, onde residem cerca de 25 mil portugueses. Para fazer face a estas situações, “é preciso pôr técnicos dos serviços sociais a trabalhar no terreno, sem esperar que as pessoas apareçam nos consulados a pedir ajuda porque aí
normalmente já é tarde”, disse Alfredo Stoffel, do Conselho das Comunidades Portuguesas. Também os restaurantes portugueses estão a ser afectados e a palavra de ordem é aguentar até passar a crise, com a ajuda da família, e sem admitir mais empregados, ou até dispensando alguns. “Desde que começou a crise, ficámos sem metade dos clientes, quer portugueses, quer alemães, e levámos um rombo nas receitas”, disse Ana Ruas, proprietária do Restaurante “Ti Zé”, num bairro operário de Dortmund. Já Carlos Vasconcelos, dono do Restaurante Porto, numa zona turística de Hamburgo, a que até já chamam Portugiesenviertel (Bairro dos Portugueses), por causa dos numerosos restaurantes lusos, não tem razões de queixa da crise. “Tivemos uma ligeira quebra em Janeiro e Fevereiro, os meses mais frios, mas isso é normal, acontece todos os anos, e agora até estamos a ter mais gente do que é habitual, provavelmente porque muitos alemães decidiram fazer férias no próprio país, e abdicar de viagens ao estrangeiro”, observa o jovem gastrónomo. Francisco Assunção
Um português ligado à história da Karmann Carlos Alves trabalhava há quase 23 anos na Karmann, em Osnabruck, Alemanha, julgava que tinha emprego para o resto da vida profissional, e em Abril, quando viu a carta de despedimento, nem queria acreditar. A firma alemã, que fabricava veículos convertíveis para prestigiadas marcas como a Volkswagen, a Daimler e a BMW, ficou gradualmente sem clientes, e há três meses abriu falência, fechando também a secção de “bate-chapas”, onde trabalhava Carlos Alves. Inicialmente, o operário português nem fazia parte da lista de mais de mil pessoas despedidas, e ainda pensou que conseguiria ficar mais algum tempo. “Mas depois a Comissão de Trabalhadores veio ter comigo e disse que, afinal, tinham-se esquecido de que uma das pessoas despedidas era bombeiro da fábrica, e como estes estão protegidos pela lei laboral, tocava-me a mim”, disse . Com mulher e duas filhas já adultas, mas ainda a estudar, e encargos com compra de casa na Alemanha, ficou em situação delicada, mas não coloca a hipótese de regressar a Portugal.
“Os meus pais já voltaram, mas a minha mulher quer ficar aqui, talvez possamos regressar quando entrarmos para a reforma”, diz o operário. A crise veio dar a estocada final na Karmann, despediu perto de 1400 trabalhadores, entre os quais cerca de 50 portugueses, e manterá apenas cerca de 200, entre engenheiros e pessoal especializado no fabrico de capotas para automóveis. No período áureo, em meados dos anos oitenta, a firma de Osnabruck projectava e fabricava praticamente todos os convertíveis das marcas alemãs de maior prestígio, do Golf descapotável ao Mercedes CLK, além dos modelos da BMW, e empregava cerca de 400 portugueses. “Nunca pensei que isto pudesse acontecer”, diz Carlos Alves, que, quando saiu de Portugal, em 1973, já tinha trabalhado na Guérin e na Toyota, no Porto. Quando chegou a Osnabruck, para se juntar aos pais, concluiu o ensino secundário e logo que acabou o curso profissional de canalizador, em 1986, arranjou emprego na Karmann. Primeiro foi soldador, e depois ponteador (unir as chapas dos carros), até se tornar bate-chapas, como sempre desejou.
Ultimamente, ganhava quase dois mil euros líquidos por mês, e tinha um horário de trabalho que lhe permitia estar em casa todos os dias à noite com a família, fazer fins-de-semana e férias, sem grandes preocupações. O desemprego foi um choque. Em Outubro, deixa definitivamente de receber ordenados da Karmann, quando acabar o prazo de seis meses que a lei estipula em casos de despedimento colectivo. Com 43 anos e ainda mais de 20 até à reforma, Carlos Alves diz que não é “pessoa para ficar em casa a receber ajudas do Estado”. Começou logo à procura de trabalho e conseguiu um contrato a prazo de seis meses, mas as condições não se comparam às que tinha na Karmann. “É uma firma de colocação de relva sintética, chego a estar duas semanas fora de casa, ando pelo país a dormir em ‘roulotes’, trabalho mais de 12 horas por dia”, conta este português de Guimarães. “Vou tentar arranjar uma coisa melhor, sobretudo que me permita estar de novo junto da família, mas um emprego como na Karmann nunca mais vou ter”, desabafa Carlos Alves. FA
Agostinho Araújo é outro nome português ligado à história da Karmann, onde começou a trabalhar em Maio de 1974, um ano depois de ter chegado à Alemanha. Natural da Foz do Douro (Vila do Conde), começou primeiro na AudiNSU, em Heilbronn e Neckarshulm, até que o chefe de pessoal da Karmann apareceu para contratar pessoal. Aceitou a vantajosa proposta, e pouco depois já estava a trabalhar na Karmann de Osnabrück, na construção do antigo Scirocco, e também do Karmann Ghia, duas antênticas lendas da Volkswagen. O forte da Karmann eram os convertíveis, que saíam de Osnabruck com os símbolos da VW, Mercedes ou BMW, mas eram totalmente projectados e construídos em Osnabrueck. Corriam os finais dos anos setenta, “a Karmann estava muito forte naquela altura, mas os problemas já começaram com o “carocha” da Volkswagen”, conta Agostinho Araújo. O sustentáculo da Karmann sempre foi a marca de Wolfsburgo, descontado um breve interregno para dar primazia à construção de “jeeps” de uma marca asiática, “o que não correu lá muito bem, além de não ter agradado à Volkswagen”, recorda o emigrante português. Agora, prestes a entrar na reforma, e já sem estar ao serviço, viu no mês passado sair da fábrica de Osnabrück o derradeiro carro fabricado inteiramente pela Karmann, um Mercedes CLK. Com 63 anos, o montador de automóveis, assim se designa a sua profissão, tinha nos últimos anos a tarefa de verificar que não entrava água nos descapotáveis feitos na Karmann. “Foram trinta e seis anos na empresa, mas tudo tem um princípio e um fim”, reconhece Agostinho Aráujo. Aos 63 anos, só está à espera que se conclua o processo para lhe pagarem a pensão de reforma alemã, e depois regressará a Portugal com a mulher. Quando lança um olhar para trás, não esconde a nostalgia, mas também algum alívio, porque os tempos que aí vêm, cá e lá, não auguram nada de bom. “Para a juventude, isto está cada vez pior aqui, mas lá em Portugal ainda está pior”, constata o antigo mecânico da Guerin e da Toyota, no Porto, onde começou a sua ligação à indústria automóvel. FA
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Comunidade Alemanha
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Três portugueses candidatam-se às eleições autárquicas em Gelsenkirchen
Os três portugueses canditatos às autarquias em Gelsenkirchen: Mariana Hora Neth, Luis António Raposo de Matos e António Horta Dois irmãos e um primo candidatam-se às eleições autárquicas a realizar a 30 de Agosto próximo em Gelsenkirchen (NRW). António M. de Matos Horta, a sua irmã Mariana Horta Neth e o primo Luís António Raposo de Matos fazem parte de uma lista de eleitores formada por cinco pessoas oriundas de quatro nacionalidades, entre eles o português António Horta, a que deram o nome de BIG – Bürgerinitiative Gelsenkirchen que tem como objectivo ser a terceira força política local. O BIG propõe também um candidato a Presidente da Câmara Municipal, um jovem alemão filho de pais turcos, Ali Reza Akiol, e o português António Horta à presidência da junta da freguesia (Bezirksbürger-
meister) de Ückendorf, uma freguesia daquela cidade onde o FC Porto conquistou a Taça dos Campeões Europeus em 2004 . António Horta depois de formar o grupo político BIG convenceu a irmã e o primo a candidatarem-se por duas outras áreas eleitorais de Gelsenkirchen. Fazendo parte há vários anos do Ausländerbeirat, ou como se fiz hoje, Integrationsrat, António Horta disse ao PP que “ cheguei à conclusão que estes grémios não tem poderes políticos, remetendo-se apenas a dar conselhos os quais , na maioria dos casos, ficam por ser escutados, fazendo deste grémio um álibi ou, se se quiser, um farsa da politica alemã para as questões dos estrangeiros, principalmente em Gelsenkirchen”. António Horta diz também não “compreender o motivo dos parti-
dos alemães que continuam a evitar terem nas listas em lugares elegíveis cidadãos europeus ou mesmo estrangeiros que optaram pela nacionalidade alemã”. António Horta acusa os grandes partidos, principalmente do SPD e a CDU, de “mais tarde ou mais cedo poderem vir a arrepender-se por não terem inserido nas suas listas em lugares elegíveis nomes estrangeiros”. Horta diz que “os grandes partidos têm medo de perder votos de cidadãos alemães dos grupos etários mais avançados caso haja nomes estrangeiros nas suas listas, perdendo assim milhares de votos de cidadãos europeus ou daqueles que obtiveram a nacionalidade alemã”, Daqui a 15 a 20 anos um nome estrangeiro na Alemanha é a coisa mais natural deste mundo, como hoje são os nomes que terminam em ski, oriundos dos polacos
emigrantes que, há umas largas dezenas de anos emigraram para este país”, diz António Horta. O candidato pelo BIG deposita ainda grandes esperanças nos jovens portugueses que aqui nasceram e recorda que ”o melhor exemplo para nós portugueses é de lermos uma edição do Portugal Post de há dez anos atrás e de uma edição deste ano. Há dez anos não havia ou era raríssimo encontrar um advogado na Alemanha de língua portuguesa, hoje podemos e com grande orgulho ler os vários anúncios de advogados portugueses. Através deste exemplo podemos fazer uma ideia dos jovens que se formam anualmente das grandes comunidades estrangeiras na Alemanha, os quais já estão e vão estar cada vez mais em maior número a modificar o panorama político nas autarquias. O tempo do Zé Povinho estar agra-
decido por terem sido aqui recebidos já está ultrapassado, isto sem esquecer que nós fomos aqui recebidos porque necessitavam urgentemente de nós. As gerações de estrangeiros que aqui nascem vão certamente empenhar-se politicamente e vão transformar o panorama partidário alemão”, refere A. Horta. António Horta diz ainda estar “optimista que na próxima legislatura haja na Câmara Municipal de Gelsenkirchen, no mínimo, três lugares ocupado por estrangeiros.” Por último, António Horta deixa um apelo à comunidade portuguesa “não só de Gelsenkirchen para participarem activamente na vida política local, uma vez que aqui vivemos e temos o direito devemos de participar nela nem que para isso se tenha que formar um partido ou grupo político.”
Unidos a Gelsenkirchen festejaram o 35° Aniversário Foi uma festa bonita aquela que o Centro Português Unidos a Gelsenkirchen (C.P.U.G.) organizou para festejar o seu 35° aniversário. Graças ao empenho da nova Direcção do C.P.U.G., que tem à sua frente o jovem e dinâmico presidente Hélder Silva, a festa foi realizada no pátio instalações da associação, que normalmente serve como parque de estacionamento e que se transformou numa zona de baile e convívio lembrando um dos becos de Alfama enfeitado em noite de Santos Populares, com muita luz, cor, cheirinho a febras e sardinha assada. Quem participou gostou de
ver a actuação do Grupo Folclórico e Infantil de Hagen, o grupo de dança “Onda Azul” e, para animar o baile, o duo musical FM Radio, dois grandes músicos da cena musical portuguesa na Alemanha. À noite, o serão de fados foi diferente de todas os outros ao contar com a presença do grupo de fados de Coimbra „Praxis Nova“. Apesar da entrada ser gratuita, a sala poderia estar ainda mais cheia. Durante a noite a organização angariou uma pequena quantia de dinheiro que revertiu a favor de
uma senhora invisual e carenciada em Portugal Tal como outras colectividades, o C.P.U.G. também atravessando desde há alguns anos uma
certa crise financeira. Mas isso não impede que a sua direcção continuem a fazer tudo para que os sócios e amigos deste centro não venham um dia encontrar as portas fechadas, daí que seja necessário que os seus frequentadores continuem a visitar o centro e a consumirem. Se em tempo de crise não se poder beber quatro cervejas, então que se bebam duas. E assim se vai aguentando a porta aberta, caso contrário depressa se chega onde ninguém o deseja.
A crise associativa é preocupante, mas é com jovens à frente das associações que se pode salvar o que resta. Aqueles que já estão cansados de cargos directivos devem continuar a visitar as colectividades e serem seus clientes assíduos e apoiantes destes jovens sem comentários negativos que possam favorecer o desinteresse dos mais jovens. Como respeito mútuo, a nova massa Associativa e novos directores também devem ter a devida consideração por quem trabalhou voluntariamente vários anos numa associação, sem esquecer que „Roma e Pavia não se fizeram num dia“ Antonio Horta
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Governo cumpre promessa
Escritório Consular em Osnabrück elevado a Vice-Consulado Cumprindo uma promessa eleitoral, o Governo do Partido Socialista anuncia a passagem do Escritório Consular em Osnabrück a Vice-Consulado. A elevação a Vice-Consulado do posto em Osnabrück foi publicada no Diário da República e corresponde a uma aspiração da comunidade local que teve de esperar quatro anos para ver cumprida a promessa do Partido Socialista. Despromovido pelo então Secretario de Estado das Comunidades do Governo do PSD José Cesário, que inicialmente pretendia encerrar o consulado, dando origem a uma movimento de manifestações de protesto da comunidade, o Escritório Consular passa assim a ViceConsulado e, no dizer do membro do Conselho das Comunidades Portuguesas daquela área, Alfredo Cardoso, “constitui um motivo de contentamento com muito significado para toda a nossa comunidade porque este anúncio é o resultado da luta de todos pela manutenção daquele posto consular”. Alfredo Cardoso elogia ainda a “palavra dada por este Governo que não esqueceu o que prometeu”. Questionado ainda sobre a importância desta medida, o conselheiro diz “que é uma mais valia para a comunidade da área estimada em
“Os Campinos de Remscheid” Festejam 30º aniversário com arraial português
cerca de 15000 pessoas haver um Vice-Consulado.Alfredo Cardo destaca o trabalho dos actuais quatro funcionários “que fazem um trabalho de excelência e que prestam um serviço à comunidade utente que é de louvar”. Também o ex-conselheiro Nelson Rodrigues, um dos destacados membros da ex-comissão contra o encerramento do Consulado em Osnabrück, elogia o cumprimento da promessa do Governo dizendo que “para quem andou a lutar para que a comunidade tivesse um posto consular isso é uma boa notícia”. Nelson Rodrigues disse ainda ao PP que “o cumprimento desta pro-
messa por parte do Partido Socialista deve merecer o reconhecimento por parte dos eleitores”. Também “não deixa de ser a prova de que vale a pena lutar pelos nossos direitos”, acrescenta N. Rodrigues. Para ocupar o lugar de ViceCônsul, o actual técnico dos serviços social Manuel Silva pode vir a ser a pessoa ideal para o lugar. Ao que o nosso jornal conseguiu apurar, Manuel Silva, que tem desempenhado um trabalho reconhecido por todos à frente do Escritório Consular, será o candidato mais bem colocado para desempenhar aquelas funções.
GENTE
O grupo folclórico “Os Campinos de Remscheid” promove nos próximos dias 29 e 30 deste mês um arraial no âmbito do 30º aniversário o grupo. Conhecido como um dos mais consistentes grupos de folclore que, a par de outros grupos, tem contribuído para a divulgação das danças e cantares tradicionais portuguesas na Alemanha, “Os Campinos” representam, tal como o nome deixa antever, a região do Ribatejo conhecida pelo trajar típico dos campinos com os seus barretes vermelhos e verdes. Liderado por Vítor Estradas, também presidente da Federação de Associações Portuguesas na Alemanha, o grupo “Os Campinos” gostaria que o seu próximo arraial tivesse a presença em massa da co-
munidade, não apenas por se tratar dos festejos do seu aniversário, como também se trata de uma festa completamente dedicada à cultura tradicional lusa “Durante os dois dias vamos ter quatro ranchos (dois cada dia) a participar na festa do nosso aniversário, fora disso vamos ter várias actividades como Baile, Fados, Capoeira, Bullriding, Grupo Coral e actividades (Montar “Pony”, Maquilhagem, Parcours de jogos infantis) para crianças”, divulga um comunicado enviado à redacção do PP . A festa realiza-se na Haus Lindenhof, Lindenhofstr.13, em Remscheid. No Sábado o programa inicia-se às 16h00, prolongando-se até à 01h00. Domingo, a festa (re)começa as 14h00 e finda às 21h30.
Fala o Leitor No seguimento da divulgação de algumas celebridades portuguesas na Alemanha, esta é a vez de Nicole da Silva, Cantora, modelo e actriz . Começando a sua carreira a cantar, Nicole da Silva é hoje, segundo algumas revistas da especialidade, tida como uma das mais bonitas artistas na Alemanha. Esta Jovem luso-descendente, que já posou nua para o Playboy e ainda recentemente foi capa da conhecida revista para homens Maxim , revelou-se como actriz na telenovela da ARD "Verbotene Liebe", Nicole da Silva que colaborou com o PORTUGAL POST e foi ainda Miss Portugal – Alemanha, é uma das mais mediáticas figuras da comunidade lusa na Alemanha. www.nicoledasilva.de
Dá gosto ler o Portugal Post Senhor Mário dos Santos, Sendo assinante relativamente nova leio o PP com bastante atenção. Assim, gostei bastante do artigo Joaquim Peito sobre o novo livro de Saramago: „ A Viagem do Elefante“. Certamente, este livro, que ainda não li no original, já estará em vias de tradução pela respectiva tradutora habitual. Sou admiradora de José Saramago, com quem uma vez tive o prazer de trabalhar a fazer interpretação no „Literatur im Römer“, por ocasião da Feira do Livro em Frankfurt quando Portugal era o país em destaque em 1997 (salvo erro) e Saramago ainda não ganhou o Prémio Nobel como toda a gente esperava. Assim, como gosto do autor e gostei do artigo fiz uma tradução do artigo para o alemão (minha língua materna) que lhe ofereço para utilizar onde quiser e achar conveniente, se o autor do artigo concordar, está claro. Posso imaginar que o Senhor tenha contactos com a imprensa alemã onde poderia ser colocado ou com outras entidades. Deixo isto ao
seu critério e agradeço se me quiser responder. Já agora também queria acrescentar uma nota de admiração pelo Senhor, e colaboradores se houver, e a sua actuação no Portugal Post. O que mais me tem agradado é o cuidado que tem com a língua portuguesa, pois é raro encontrar um jornal português com nenhumas ou tão poucas gralhas como o PP. Dá prazer de o ler. Obrigada. Visto que já não acontece o mesmo quando imprimem alguns poucos trechos em alemão, seja anúncios, seja outra coisa, não o queira tomar por impertinência, mas por séria oferta, quando lhe ofereço uma leitura de correcção de textos alemães, se assim achar conveniente. É uma oferta sem qualquer compromisso, uma fraca tentativa de honrar também a minha língua materna e um tributo à minha „quase-línguamaterna“, o português. Sem mais, obrigada pelo seu trabalho, sou com melhores cumprimentos Barbara Böer Alves
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Tradições
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Uma tradição popular vista por um alemão Estamos a 15 de Agosto de 2008, um dia esplêndido de calor estival. Já desde manhã cedo a juventude da paróquia de Santa Maria do Rosário em Caneçada decora o caminho, um largo tapete de flores, que vai da praça principal até lá ao cimo, onde se encontra a igreja da paróquia: ornamentos graciosos, retratos religiosos, simbologias cheias de fantasia, todas feitas com materiais naturais locais. Por Dr. Dr. Eberhard Fedtke
Um idílio com cerca de 200 m de comprimento, que vai até ao ilustre portal da igreja, constituído por produtos de jardim, dos campos, dos bosques e da flora das terras do Minho, transformados com muito bom gosto por amadores experimentados, sobre a terra plana, em decorativas formas artísticas de imagens de santos e crucifixos. Vejo muitas costas curvadas e pessoas de joelhos. Paus de bambú, com mais de 5 m de altura erguem-se de ambos os lados do maravilhoso tapete de flores, fixados no chão e ligados no topo, formando assim arcos decorativos que oferecem sombra e harmonia de forma dinâmica. Eles abrem-se como portais a todos aqueles que caminham sobre a linda profusão de flores. No início da faixa de flores, na praça principal, como imagem de entrada, uma jovem com mãos de mestre escreve com bagos de milho, sobre uma superfície de areia escura, as palavras “CRISTO CHAMOU-ME”.
vidados e de todos os paroquianos. A festa terá o seu início às 15 horas. Com um sorriso, o Sr. Manuel diz-me que estou cordialmente convidado. Depois de 150 anos, diz ele, realçando um detalhe histórico, a localidade volta a ter um padre oriundo da terra. Doze foram para o seminário. Um conseguiu chegar até à sua ordenação. Oxalá não tenha que se esperar outros 150 anos até à próxima Missa Nova em Canecada, interponho eu respeitosamente, ao que o Senhor Manuel aquiesce, acenando com a cabeça. Depois de uma troca de olhares, está combinado. Hoje à tarde estarei aqui presente. A seguir, o Senhor Manuel volta às suas actividades organizacionais e de controlo. Com carinho, homens, mulheres e moças aprontam os últimos ornamentos. Aqui e acolá põem uma
já se encontra a abarrotar de gente. Convidados de honra do clero, colegas do seminário de Braga, os pais, familiares, amigos e vizinhos de Canecada e de localidades circundantes encontram-se de pé ou sentados, encostados uns aos outros, deixando a Casa de Deus, decorada solenemente, completamente apinhada. Bons lugares também se encontram cá fora no adro. Confortavelmente ao sol, assistimos à missa através de um forte altifalante. Pode-se ouvir tudo muito bem, o coro solene, os discursos dos dignatários e a homilia do Padre Rui. Este, muito inspirado e conforme a cerimónia, faz a retrospectiva da sua formação. Entrou no seminário no dia 24 de Setembro de 1995. Hoje, dia 15 de Agosto, ele agradece a todos aqueles que sempre o encorajaram, acompanharam, estimularam e fortaleceram o seu apetrechamento
deveras orgulhosos. O jovem Padre, de estatura imponente, ultrapassa o pai em altura em mais de quinze centímetros. Este, tal como a sua esposa, estão vestidos com os seus melhores fatos de domingo. O elegante vestido da mãe, com um estampado de flores grandes e com muito tule nos ombros, combina perfeitamente com o tapete sobre o qual o seu filho deu entrada na igreja. Entabulamos conversa e discutindo sobre questões relativas à nova geração de padres, o Padre Rui repete aquilo que eu já ficara a saber pelo Senhor Manuel, que do grupo inicial de 12 seminaristas ele era o único que concluíra a sua formação para padre. Eu consolo-o, contandolhe que este ano, na nossa grande diocese de Aquisgrana (Aachen), apenas um candidato re-
Querendo saber quem seria o responsável pela criação desta obra de arte visual, quem atentamente aqui e ali incentiva e que com voz firme dirige e coordena toda a ornamentação, quem que com olhos de lince vigia para que nenhum dos espectadores, parados à volta ou por um instante detendo-se a observar encantados, não pisem o valioso tapete; e querendo saber ainda qual seria o motivo desta obra prima e que festa religiosa iria ter lugar, fui informado por alguém que por ali andava diligentemente, de que um filho da terra iria celebrar no dia de hoje a sua Missa Nova. Escuto atenciosamente e fico a saber, através do meu interlocutor ocasional, que se trata do tapete tradicional para a entrada do novo sacerdote na Igreja. É ele então quem vai caminhar sobre esta pompa de flores, folhas, ramos, frutas, louro e ornamentos coloridos de toda a espécie. Parece a bíblica entrada em Jericó, imagino eu cá para comigo. Até pode ser que seja essa a intenção. Quem vai hoje caminhar para a sua primeira Missa é o Padre Dr. Rui Manuel Saraiva Pereira. O seu nome encontra-se gravado numa plaqueta fixada sobre uma pedra, em frente ao pelourinho na praça principal, onde nós nos encontramos. Para a paróquia é uma honra dedicar ao filho da terra um monumento comemorativo. O acontecimento fica assim marcado para sempre. Uma cultura de imagem completa prestada por esta pequena localidade – é de se lhe tirar o chapéu! O meu interlocutor, como fico a saber no decorrer do dia, dia este que ainda se vai prolongar por muito mais tempo, é o Presidente da Junta, Senhor Manuel, chefe da administração municipal da freguesia. Incentivado por tanta curiosidade de um forasteiro, orgulhoso ele falame do Padre Rui: este frequentara o seminário em Braga, recebera a sua ordenação sacerdotal a 20 de Julho de 2008, e hoje celebrará aqui em Caneçada, sua terra natal, a sua primeira missa, a Missa Nova, na companhia dos seus pais, amigos, familiares, de muitos padres con-
flor, afastam-se para de mais longe apreciarem criticamente os seus trabalhos; com a cabeça confirmam-se mutuamente e por fim, arrumam os seus moldes, modelos, cortes de papelão, material de trabalho, assim como flores e restos de galhos. Eu permito-me tirar algumas fotografias da pomposa faixa e verifico que a palete completa da riqueza floral do verão português se encontra aqui representada. Por sorte faz um tempo de sol. Nem é de se imaginar como seria se chovesse ou se estivesse vento. Mesmo no verão, um tempo desses não seria nada de anormal aqui em cima, a uma latitude de 500 metros, à beira do cume do parque nacional de Peneda-Gêres. Mas o céu está a favor do novo padre. Nem a mais leve brisa toca o deslumbrante tapete de flores, perante o qual eu me encontro encantado. Muito antes das 3 horas, a pequena igreja
espiritual para padre. É uma lista muito longa, começando pelos seus pais e acabando no actual Pároco, o Padre Luís. Duas horas mais tarde, após ter terminado a missa, presenciamos um espectáculo magnífico de fogo de artifício. Bolas de luz, fantásticas imagens luminosas de fogo, foguetes e morteiros silvam, sibilam e rebentam sobre as nossas cabeças, de tal forma que sentimos vontade de tapar os ouvidos. Este é um antigo costume português: para qualquer ocasião festiva que se possa imaginar tem de haver foguetes, detonações coloridas como expressão sonora de alegria. Hoje, um dia histórico para esta pequena localidade, existe uma razão plausível para se deitar foguetes a sério. O Senhor Manuel, que parece ter simpatizado com o seu convidado da Alemanha, apresenta-me ao Padre Dr. Rui e aos seus pais,
cebeu a sua ordenação - e isto depois de ter exercido uma outra profissão, tendo sentido a vocação sacerdotal só mais tarde. Não é a altura propícia nem a melhor ocasião para se aprofundar temas melindrosos relacionados com a cada vez maior falta geral de presbíteros, os altares cada vez mais desertos, a centralização de paróquias, a entretanto inversão dos fluxos missionários. Hoje é dia de festa! “Infelizmente, eles não querem”, resmunga ainda o Senhor Manuel na direcção daqueles que desistiram antes de terminarem a sua formação. O Padre Rui muda delicadamente de assunto, até porque entretanto nós já somos quase os últimos que se encontram na praça principal. Ele convida-me para a sua festa, que está agora para começar. Não contava com tal surpresa e olhando para o meu traje, replico espontaneamente não estar adequadamente vestido para a ocasião.
Sorrindo, ele ignora as minhas objecções e energicamente diz-me que devo seguir o seu carro. A aparência exterior não é importante, profere ele ainda. Nós andamos durante um bocado em direcção a Cerdeirinhas, dirigindo-nos à Quinta do Barbêda, uma propriedade do seu tio destinada a férias no campo. Quando chegamos, já se encontram lá cerca de 250 pessoas reunidas para tomar parte numa mescla que inclui um fausto banquete digno duma Missa Nova, um festival e folclore. Paira no ar uma atmosfera de estreia. O meu traje inadequado não incomoda em absolutamente nada, visto não ser o único que traz uma vestimenta desportiva. Acomete-me a sensação de que toda a localidade e vizinhança se encontram aqui presentes para observar não só quem tem nome e posição de destaque. A variedade é grande. Dou uma volta pelo idílio e paro em frente à mesa do Presidente da Junta, que distingo entre os convidados e o qual, com um gesto convidativo, me pergunta o que quero beber. Sem necessidade de pensar muito, um vinho verde, claro. Que pergunta, aqui e agora, em pleno Minho! As bebidas alcoólicas oferecidas como boasvindas propiciam uma boa-disposição geral. Elas inspiram as línguas e fazem com que os interlocutores sintam uma maior simpatia recíproca. Como ouvinte e espectador, é de se aperceber de como a autenticidade e simplicidade da vida social campestre em Portugal se reflecte aqui neste evento. Tudo acontece obedecendo aos processos simples das estruturas de vida que estão enraízadas nas tradições e inseridas na natureza. O cerne é cunhado por famílias já aqui estabelecidas há muito tempo, com uma estrutura de rede extensa mas de malhas apertadas, e na chefia comunal está o omnipresente presidente da Junta. O senhor Manuel é cumprimentado atenciosamente por todos, alguns casualmente com uma pancadinha nas costas, outros jovialmente com um abraço, dependendo da sua procedência social. Entretanto ele já me apresentou uma série de caras novas. Como já de manhã, durante a preparação do tapete de flores, verifico que se confirmam as regras de jogo características e sem disfarce: uns poucos têm o que dizer e os restantes têm de ouvir e compreender. Funciona. No meio deste jogo de forças público, a autoridade da igreja bem como a aura da adoração de santos proporcionam, aqui na Praça de São Bento, energias elementares e conceitos unificadores. Eles mantêm as pessoas assentes na terra e ajudam a compreender a sua vida, de uma forma pragmática e o mais possível sem lamentos, como um espaço reinado por Deus. Tradições religiosas solidificadas mantêm-se na sua forma pura. Dominam uma harmonia e afabilidade benéficas. Hoje, sente-se naturalmente uma sensação de alívio profundo por, de um recanto sonhador como é Canecada, ter surgido um padre depois de 150 anos de espera. Todos, jovens e idosos, têm este orgulho bem expresso nos seus rostos, na sua maioria fortemente bronzeados. Em todo o lado nota-se o entusiasmo, o sincero interesse interior e exterior pelo aconte-
Tradições
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Uma tradição popular vista por um alemão cimento e sobretudo a apreciação absoluta dedicada ao personagem principal. Ali está o Padre Rui, no meio das brincadeiras de crianças exuberantes, vestidas elegantemente, e objecto da curiosidade e expectativa dos adultos, em muitos dos quais eu vejo um brilho nos olhos. Como se tivesse sido posto em cena por mão invisível, ele é o fulcro absoluto. É evidente o seu agrado e satisfeito, dá uma volta. Toda a sua fisionomia demonstra a sua vontade de nesta tarde travar um diálogo de despedida com todos os presentes. Com um copo de cerveja na mão – quase não posso acreditar nos meus olhos – e um sorriso descontraído nos lábios, ele passeia-se de mesa em mesa, um autêntico filho do Minho, paraíso do vinho, e sem qualquer medo de contacto físico, abraça este e aquele, aperta sem parar mãos e ombros e às senhoras, conforme o ritual português, muito bem educado e elegante, dá um beijinho à esquerda e outro à direita. Para a figura de pai falta-lhe ainda a idade, o que é compreensível para um neo-presbítero, mas ele é, de uma forma consciente e propositada e com o seu charme juvenil, a figura marcante de todo o acontecimento – o que é muito eficaz para tornar a sua igreja mais atraente. Um homem moderno da Igreja, opino eu, receptivo, eloquente, ambicioso e auto-confiante. Claro que se nota que ele abandonou a vida despreocupada de estudante de teologia para assumir a posição sóbria de reverendo responsável. No entanto, e conforme o hábito dum clérico moderno, ele comporta-se de maneira agradavelmente informal: despe o seu casaco e apenas o branco da volta o distingue dos demais que, tal como ele, ali se encontram de camisa azul claro. Entusiasmável, persuasivo e animador, ele conversa com todos à sua volta e aproveita visivelmente a abordagem pessoal e estratégias firmes de convicção como importante instrumento para, como membro do quadro eclesiástico em
desfilam da direita e da esquerda na sua directempos de indiferença e desilusão, manter bem vindo expressamente da cidade fina de Barcelos. ção. Ele põe o braço sobre os seus ombros num unido o rebanho de Deus. Principalmente junto Visto corresponder à mentalidade festiva portugesto protector, e logo o fotógrafo dispara, e a aos jovens, ele tenta ganhar simpatias para guesa de não se impor nenhum limite em relamesma pessoa que já na igreja filmara toda a assim preservá-los do desprendimento ilusório ção ao que se come ou bebe, e a perfeição bem cerimónia, põe a sua máquina de filmar a zumgerado pelas estimulações mundanas, oferecomo a qualidade da hospitalidade regional se bir. Esta cerimónia de abraços do Padre recendo um programa inteligente como contrapeso ao vazio das diversões A festa idílica termina para mim pelas duas pete-se inúmeras vezes, com os familiares, colegas seminaristas, e também confeccionadas, que também aqui se torda manhã. Realizo tranquilamente que a oscomseus os seus amigos do desporto, que se ponam cada vez mais atraentes para os jovens da aldeia. Tudo isto vai fazer parte minha força visual já não está completa- sicionam como uma equipa. Forma-se de uma fila para a fotografia com ele. do trabalho a exercer exclusivamente por mente intacta. O vinho verde por vezes sim- facto Alguns, ou porque são mais tímidos ou reele, como pároco do Concelho de Celorico do Basto, na paróquia Borba da Monta- plesmente faz bem, ao corpo e à alma. Há verenciosos ficam para trás, mas esses o nha, em acumulação com as duas paró- coisas que têm de ser ditas. A festa conti- Padre chama para ao pé de si. A mim dáme a impressão de se tratar de uma invenquias vizinhas de São Miguel e Tecla. Esta será, conforme explicado pelo Senhor Ma- nua a pulsar de forma transbordante ao tariação total dos convidados, mas claro nuel, a sua primeira paróquia, onde ele meu redor, embriagando visivelmente os que são apenas fotos calorosas de despedida e de recordação. Eu aproveito para assumirá como sacerdote a responsabilidade pela comunidade. Ele com certeza sentidos. A disposição é óptima, a tempe- fazer observações interessantes. Raparigas não continuará a andar apenas por cima ratura da animação perfeita. Bebe-se bem, novas em idade casadoura adoram-no. Ele realmente duma aparência notável. Uma de ornamentos e louro. Espera-o um duro dança-se animadamente e enfrenta-se a va- édelas flirta com ele, aconchega-se a ele portrabalho religioso. A sua primeira paróquia não fica longe de Canecada e dá-lhe riedade exuberante de sobremesas em que na brincadeira quer ser fotografada vezes. Ele aceita a brincadeira e mana possibilidade de manter o contacto com forma de tortas, bolos, doçarias e frutas duas tém o seu sorriso até ao fim desta cena a sua família e terra natal. Isso quando o pouco tempo que lhe sobrar dos seus car- para viver nesse sentido a solidariedade da charmosa. Mães com filhas em idade de gos acumulados por centralização das três vizinhança e harmonia, isto no meio da namoro olham pensativas para ele como se lamentassem que mais um candidato na paróquias o permitir. habitual confusão apaixonada de vozes. flor da idade para casar deixe de estar disponível, apesar de ele já há muito tempo A próxima tarefa da comunidade em não pertencer mais a esse grupo. Homens abrafesta, que está cada vez com melhor disposição, medirem através do que não é possível comer, çam-no ou dão-lhe carinhosamente a mão, e nalé a de proceder à degustação da mesa repleta ou seja, do que sobra, a comunidade em festa guns parece-me expressar-se uma ligeira de prazeres culinários que está a ser preparada regala-se abundantemente com a variedade melancolia, uma emoção que curiosamente só no momento. Semelhante a uma grande onda imensa. E isto tudo sem problemas de reabastese faz reparar nos homens. Alguns têm lágrimas vai-se aproximando a ementa farta de especiacimeto de comidas e bebidas até de madrugada. nos olhos. Será que eles estão a pensar que uma lidades portuguesas. Tudo o que se possa imavida sem mulher é realmente a alternativa de ginar em termos de culinária regional é servido Mas, além das ofertas de comidas e bebivida melhor? Quem sabe. nas mesas pelos zelosos empregados. De madas que inundam as nossas capacidades palaneira que nos são apresentados 30 a 40 pratos tais, o que parece bater o recorde são as Para o Padre Rui esta dose excessiva de diferentes com petiscos requintados, que - no fotografias intermináveis que o Padre Rui faz fotos não é um teste de rijeza física. Ele mansentido da própria palavra - são para ser intecom os seus convidados. Fica-se com a impressão tém-se sempre bem disposto, tranquilo e caloriorizados. A acompanhar servem-se as bebidas de que, à despedida, todos querem ou devem roso e transmite ao seu redor, sobretudo em comuns da região, os vinhos insuperáveis do tirar uma fotografia com ele. Ele fica paciente e relação aos convidados femininos, uma atmosMinho sempre em primeira linha. Responsável tranquilo à beira da piscina que ali se encontra, fera apaixonada, quando vêm para tirar a fotopela cerimónia cheia de variedade é um catering enquanto todos os aspirantes a uma fotografia Publicidade
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grafia com ele, para usufruirem desse momento. No fim, eu brinco com ele, dizendo que muitas destas fotografias terão um valor acrescido em termos de recordação, a partir do momento em que ele seja bispo. O Padre Rui comenta a minha observação com um sorriso benévolo. Porque não haveria de suceder assim, porque não? Todos nós começamos pelo início e a Promissão ensina, como podemos comprovar na leitura, que os caminhos do Senhor são impenetráveis. As fotografias iriam realmente ter um crescimento espontâneo do seu valor, termino eu o meu pensamento brincalhão. Claro que não falta música festiva para dançar. Quando se abranda a primeira “leva” da refeição exuberante, aparece uma banda a dois, que prepara o espaço do som com um equipamento técnico, como se fossem estar 20 músicos em acção. Mas antes de começar o baile, há uma serenata de sete colegas seminaristas do colégio do Padre Rui que, acompanhados pela guitarra, lhe cantam uma canção alegre. Segue-se muita alegria e muitos aplausos. Logo a seguir começam a dançar com grande energia, o que depois da comida opulenta serve para desgastar as calorias ingeridas - é de se compreender. À meia-noite segue-se a segunda parte do fogo de artifício. Esta onomatopeia da alegria portuguesa tem de ser, como já foi dito, o máximo possível colorida e intensa. Foguetes voltam a estalar, rebentar, crepitar, sibilar e silvar sobre as nossas cabeças. Fogo de artifício significa, em cada fase de uma festa, um ritual especial em Portugal. Com este céu nocturno, o espectáculo se torna ainda mais imponente do que à tarde após a Missa Nova. A festa idílica termina para mim pelas duas da manhã. Realizo tranquilamente que a minha força visual já não está completamente intacta. O vinho verde por vezes simplesmente faz bem, ao corpo e à alma. Há coisas que têm de ser ditas. A festa continua a pulsar de forma transbordante ao meu redor, embriagando visivelmente os sentidos. A disposição é óptima, a temperatura da animação perfeita. Bebe-se bem, dança-se animadamente e enfrenta-se a variedade exuberante de sobremesas em forma de tortas, bolos, doçarias e frutas para viver nesse sentido a solidariedade da vizinhança e harmonia, isto no meio da habitual confusão apaixonada de vozes. É óbvio que me aproveito abundantemente da sobremesa gostosa e vou conhecendo cada vez mais aldeões. Depois retiro-me silenciosamente, com a certeza de ter participado num evento fascinante, uma magnífica festa religiosa composta pela Missa Nova e por uma segunda parte cheia de fantasia. Eu parto com a convicção de que tenho de me impor alguns dias ascéticos de abstinência, mas ainda não tenho a certeza absoluta de que quero abdicar uma semana de alguns copinhos de vinho verde, um néctar delicioso. O dia de hoje louvo-o e registoo interiormente como um dia em que ajudei significativamente a esquecer a árida caminhada de 150 anos sem novo sacerdote e uma Missa Nova em Canecada. E isto incluíndo um programa completo de Missa Nova e festa da aldeia, o que continua a repercutir-se no meu íntimo e a dar-lhe sentido. Eu participei com uma contribuição eclesiástica e outra mundana, disso tenho eu a certeza.
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Sociedade
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Manuel Alegre despede-se do Parlamento após 34 anos como deputado O ‘histórico’ socialista Manuel Alegre despediu-se do hemiciclo da Assembleia da República ao fim de 34 anos, na recta final de uma Legislatura onde foi notório o seu afastamento do PS em alguma matérias. Deputado desde a Constituinte e o parlamentar com mais anos em exercício de funções, Manuel Alegre não falhou a eleição em nenhuma das dez Legislaturas que decorreram desde 1976, deixando a sua marca em momentos importantes, como na redacção do Preâmbulo da Constituição. Nas três últimas Legislaturas, o deputado, poeta e um dos fundadores do PS exerceu também o cargo de vice-presidente da Assembleia da República. Contudo, ao longo destes 34 anos de Parlamento, foi nos últimos quatro que se registou um maior afastamento em relação às proPublicidade
postas defendidas pelos socialistas, que culminou com o anúncio a 15 de Maio da sua decisão de não voltar a integrar as listas do PS nas legislativas de 27 de Setembro, apesar de se manter no partido. Na altura, o ‘histórico’ socialista alegou divergências políticas com a actual linha do partido, considerando que não seria “digno dos combates” que travou “impor condições e exigências a quem quer que seja”. “Entendi que a grande exigência era comigo mesmo e que, nestas condições, não poderia ser candidato a deputado”, justificou Manuel Alegre, reconhecendo que “obviamente há divergências” com a linha que está a ser seguida pelo PS de José Sócrates. Mais recentemente, há cerca de duas semanas, Manuel Alegre admitiu que a “razão principal” da sua saída das listas do partido é
a aprovação do Código de Trabalho, que classificou como algo “muito negativo”. Porém, além do Código do Trabalho, outros diplomas levaram Manuel Alegre a romper com a disciplina de voto imposta pela bancada socialista, nomeadamente no caso do casamento entre homossexuais ou na proposta de suspensão da avaliação dos professores. Já fora do Parlamento, nas últimas eleições presidenciais Manuel Alegre foi ainda mais longe na clivagem com o PS, apresentando-se como candidato independente contra o candidato apoiado pelo PS, Mário Soares. Para o futuro, Manuel Alegre apenas promete uma coisa: “vou tomar posição pelo PS, mantendo todas as divergências e apesar de todas as diferenças sou do PS e manterei a minha posição pelo PS”. Entre as recordações
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que leva dos 34 anos, “quase metade da vida”, passados na Assembleia da República, o ‘histórico socialista’ destaca “com emoção” os momentos da “construção, da fundação da democracia na Assembleia Constituinte”, os “primeiros momentos em que havia uma grande convicção e um grande idealismo”, a sensação de que se estava “a construir um país novo, a fazer história”. A partir de agora, já “mais solto”, como admitiu quando anunciou a sua decisão de não voltar a entrar nas listas socialistas, Manuel Alegre, que garante não ser “um político calculista”, continuará a travar as batalhas que entender. „As batalhas que é preciso travar eu costumo travá-las. Na altura se verá“, afirmou há cerca de dois meses, quando questionado sobre uma eventual candidatura nas próximas eleições presidenciais de 2011.
Madeira Tapas Bar Um dos mais dinâmicos dos empresários do Import /Export de origem portuguesa, sobretudo do ramo Alimentar, o Joaquim Madeira, acaba de abrir um bar de Comidas & Petiscos em Estugarda.Trata-se de uma aposta sólida e corajosa, em primeiro lugar. Com a sua humildade e optimismo, o Quim, como é por todos conhecido, arranjou um espaço confortável e caloroso para dar a conhecer os „ mimos“queijos, enchidos e iguariasque descobre pelo interior de Portugal. Os amigos mais chegados e, sobretudo o clan Madeira- há mais de 40 anos em Estugarda- uniram-se para galvanizar o novo desafio do aguerrido Quim. Ele tem um apurado sentido do „ forno „ e conhece o que é bom: marisco, bacalhau e cabrito na grelha. A carta de Vinhos- a preços moderados- inclui o Curral-da-burra (Dão), o célebre Quinta da Pacheca (Douro), o Coelheiros ( Ribatejo) e os Alentejanos de Jorge Bhöm, em grande destaque. O lote dos Vinhos Verdes é também pujante, com destaque para o Muralhas (Monção) e os da Aveleda e Ponte de Lima. Ambiente simpático, familiar e solidário: F.A.R.
Portugueses no Mundo
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Ana Campos, a única portuguesa no Suriname, encontra “sítio ideal” para criar os filhos Ana Campos Healy é a única portuguesa a morar no Suriname e, apesar das saudades da distante terra natal, diz que este país sul-americano é o sítio ideal para criar os filhos em liberdade e segurança. „Sou a única portuguesa a viver no Suriname. É claro que tenho saudades de Portugal e da minha família, mas agrada-me muito morar aqui“, diz à Agência Lusa Ana Campos Healy, acrescentando que viaja em férias a Portugal „sempre que possível“, mantendo assim vivos os laços com a terra natal. Há seis anos a morar no Suriname, na cidade de Paramaribo (capital), Ana considera a vida „muito tranquila, apesar do país ser ainda relativamente pobre“. „É o melhor lugar para criar os meus filhos (um de três anos e outro de seis meses), com mais liberdade e menos perigos, pois temos uma vida mais sossegada
aqui, diferente da Europa. O clima é tropical, muito agradável“, diz a portuguesa, de 34 anos, nascida em Moçambique. Ana Campos Healy saiu muito jovem de Portugal para viver na Holanda, país onde esteve a estudar e a trabalhar durante sete anos. „Conheci o meu marido, que é natural do Suriname, na Holanda. Ainda vivemos 11 meses em Portugal, mas decidimos mudar-nos para cá para ajudar nos negócios da família dele“, explica a portuguesa, que actualmente trabalha com o marido no ramo do mobiliário. Contudo, em relação aos estudos, reconhece que será melhor para as crianças „completar o liceu e a faculdade em algum país europeu“, motivo que a faz querer tirar a documentação portu-
guesa para os filhos. „Neste ponto, tenho tido muitos problemas, já que não temos
embaixada ou consulado português no Suriname. Temos de nos deslocar à Venezuela ou ao Brasil para tratar da documentação e isto não é propriamente fácil.Ainda não consegui a documentação portuguesa para as crianças“, lamenta, referindo-se à „muita burocracia“. A portuguesa destaca ainda a multiculturalidade no Suriname, onde vivem indianos, javaneses, ameríndios, descendentes dos escravos africanos, chineses, libaneses, holandeses, brasileiros. „Convivo bastante com os brasileiros (cerca de 25 mil no país) e estou sempre a participar nas celebrações na embaixada do Brasil, local onde posso falar a minha língua e conviver com uma cultura que é próxima da minha, que tem muita coisa em comum“, re-
fere. Ana também se orgulha das suas raízes em áreas que foram colonizadas por judeus portugueses, há cerca de 500 anos, no Suriname. „Temos antigas áreas de plantações, sobretudo de cana-deaçúcar, com mão-de-obra escrava vinda de África, que foram colonizadas por judeus portugueses e vemos, tanto nestas localidades como no cemitério judeu, inscrições em português mais antigo. É muito bom encontrar referências da nossa cultura num país estrangeiro“, diz. Ana Campos diz não se sentir muito isolada, já que está sempre a actualizar-se sobre os principais factos que ocorrem em Portugal, através de um canal português, na televisão por cabo, e fala diariamente com os pais pela internet. O Suriname localiza-se ao norte da América do Sul, é uma ex-colónia holandesa (tornou-se independente em 1975), tem uma população bastante reduzida (450 mil pessoas) e as principais actividades económicas são a extracção mineral e a agricultura.
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Sport
PORTUGAL POSTnº 181 • Agosto 2009
Colónia: Maniche assina por duas épocas Maniche assinou contrato com o Colónia para as próximas duas épocas. O médio português, de 31 anos, chega à Bundesliga a custo zero, terminado o vínculo ao At. Madrid. Para o presidente do Colónia, Wolgang Overath, o momento é de total satisfação. «Maniche é um grande nome do futebol europeu. Estamos orgulhosos de tê-lo connosco. Com a sua classe e expe-
riência vai ajudar-nos a chegar mais longe», comentou. Também o treinador, Zvonimir Soldo, está optimista com a contratação de mais um português, depois de Petit. «Estou satisfeito por podermos contar com Maniche. Há já algum tempo que o observávamos e estou convencido que é um jogador que se enquadra na nossa equipa», defendeu.
Jogadores portugueses na Bundesliga Hugo Almeida: W. Bremen Petit: Colónia Daniel Fernandes: Bochum Sérgio Pinto: Hannover Alex: Wolfsburgo
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Economia
PORTUGAL POST nº 181 • Agosto 2009
Federação de Empresários Portugueses na Alemanha inaugura nova sede em Frankfurt.
Aspecto do edificio onde está instalada a sede da VPU. Foto PP
A Federação de Empresários Portugueses na Alemanha (VPU) inaugurou as novas instalações da sua sede na cidade de Frankfurt. Segundo a VPU, estiveram presentes na sessão de inauguração cerca de 100 empresários, representantes de empresas e entidades portuguesas e alemãs. O presidente da VPU, Simeon Ries, um balanço das actividades realizadas pela Federação e opontou objectivos e desafios o seu futuro. O evento contou com a participação e intervenção do Embaixador de Portugal na Alemanha, José Caetano da Costa Pereira, bem como de representantes da Câmara Municipal da cidade de Frankfurt, de outras entidades alemãs, de representantes das Câmaras de Comércio Luso-Francesa e Luso-Luxemburguêsa e do Centro de Negócios de Berlim da aicep Portugal Global. Conforme informações fornecidas ao PP pelos seus actuais responsáveis, a Federação de Empresários Portugueses na Alemanha actualmente tem cerca de 60 sócios. Publicidade
Aumenta a importação de vinhos portugueses para Alemanha A Associação Alemã de Viticultura publicou os dados sobre a importação alemã de vinhos no período de Maio de 2008 a Abril de 2009. Conforme estes dados, a importação alemã de vinhos portugueses atingiu numa fase conjuntural crítica da economia alemã taxas de crescimento de 8,8% em valor e de 12,5% em volume, ultrapassando assim de longe o crescimento do total das importações de vinhos neste mercado (0,9% em valor, -2,7% em volume). Entre os 10 maiores fornecedores do mercado alemão, Portugal actualmente representa o país com a maior taxa de crescimento do valor dos vinhos fornecidos, seguido pela Áustria e pela África do Sul.
É de salientar que os vinhos brancos portugueses atingiram taxas de crescimento de 38% em valor e 34,6% em volume, enquanto a importação alemã de vinhos tintos portugueses aumentou 14,8% em valor e 16,1% em volume. Ao mesmo tempo, a importação alemã de vinhos fortificados portugueses cresceu no período mencionado 11,1% em valor e 2,3% em volume, atingindo um valor de 18 milhões de Euros. No período em análise a Alemanha importou vinhos portugueses com um valor total de 34 milhões de Euros. Portugal continua a ocupar no mercado alemão a 9ª posição entre os países fornecedores com uma quota de importação de 1,7% (valor)
e 1,2% (volume). Este desenvolvimento positivo tem a sua base na cada vez maior qualidade de vinhos portugueses bem como nos esforços no sector de marketing por parte dos exportadores nacionais e nas actividades promocionais de vinhos portugueses no mercado alemão. Com um volume de importação 13,9 milhões de hl no período em análise, a Alemanha representa o maior importador mundial de vinhos e situa-se com um volume de consumo de cerca de 20 milhões de hl no 4º lugar do ranking dos maiores mercados consumidores de vinho do mundo. Fonte: Aicep-Portugal Global
BES defende que grandes obras públicas devem avançar rapidamente Ricardo Salgado, presidente do BES, defendeu que os grandes projectos de investimento em Portugal, como o novo aeroporto de Lisboa e o comboio de alta velocidade (TGV), devem arrancar o mais rapidamente possível. „Esta não é uma questão política, até porque quem arrancou primeiro com o projecto foi o partido que agora está na oposição. É desejável que possamos, tão depressa como possível, lançar estas obras [TGV e novo aeroporto]“, defendeu o presidente do BES. „Os grandes investimentos públicos não têm nada a ver com política, mas sim com a estratégia de desenvolvimento do país“, sublinhou Ricardo Salgado.
„A capacidade de resistência à crise é sustentada pelos mercados externos. Portugal pode ser um país periférico no quadro europeu, mas em termos mundiais, tem uma posição geoestratégica central, sobretudo na relação com os países emergentes“, argumentou. „Não tenham dúvida que vamos assitir no Atlântico Sul a um grande desenvolvimento económico“, referiu, apontando para a recente visita de Lula da Silva ao continente africano. „Portugal tem condições para funcionar como uma porta de entrada dos produtos e matérias-primas desse eixo no Atlântico Sul na Europa, pela via marítima para o Norte da Europa e pelo Mediterrâneo para
o Sul“, defendeu Ricardo Salgado. „É fundamental o novo aeroporto de Lisboa e é fundamental o comboio de alta velocidade (TGV) para associar à nossa economia as regiões mais ricas de Espanha, que são Madrid e Catalunha“, sublinhou, recordando que nos últimos sete anos houve um acréscimo de 40 por cento no número de empresas portuguesas que exportam para o mercado espanhol. „Temos de acelerar a integração ibérica. Não faz sentido estarmos na União Europeia sem pensarmos na integração ibérica. Não me venham dizer que com aumento das relações comerciais entre Portugal e Espanha não vamos ter um aumento dos fluxos de transporte“, afirmou.
A Esquerda exige 200 mil milhões de Euros para criar dois milhões de empregos O Die Linke (A Esquerda) aprovou o programa eleitoral paras as legislativas de setembro, em que se exige investimentos de 200 mil milhões de Euros para criar dois milhões de empregos no sector público e na indústria.
Em congresso em Berlim, o partido liderado por Oskar Lafontaine propôs também o aumento do escalão máximo de IRS de 45 para 53 por cento, e a introdução de um imposto sobre as grandes fortunas e sobre ganhos em bolsa para financiar o seu pacote de estímulos laborais. O programa eleitoral do Die Linke, intitulado “Consequente no Plano Social - Pela Democracia e pela Paz”, foi votado favoravelmente pela grande maioria dos 500 delegados, registando-se apenas sete votos contra
e quatro abstenções. Lafontaine e o líder parlamentar dos neocomunistas, Gregor Gysi, que encabeçarão a lista de candidatos às legislativas, apelaram à unidade do partido, e conseguiram que o congresso rejeitasse centenas de propostas de alterações ao programa eleitoral, grande parte das quais da ala moderada. O mesmo sucedeu com a proposta de um salário mínimo de 10 Euros por hora, que foi aceite por grande maioria, mas alterada na versão inicial, para ir ao encontro das preocupações manifestadas por destacadas figuras do Die Linke no leste alemão. Assim, o Congresso aceitou que este objectivo seja alcançado em duas etapas, a primeira através da introdução de um limite sallarial mínimo de 8,71 Euros por hora, idêntico ao praticado em França.
No que se refere ao rendimento mínimo garantido, a direcção nacional aceitou que o aumento de 352 Euros para 500 Euros, a partir da próxima legislatura, exigido no projecto inicial de programa eleitoral, seja feito de forma gradual, nos próximos quatro anos. Durante o congresso, a ala mais radical, formada sobretudo por militantes esquerdistas da parte ocidental da Alemanha, propôs também a inclusão no programa eleitoral da semana de 30 horas de trabalho, o que a maioria dos delgados rejeitaram, considerando a sugestão irrealista. O congresso rejeitou igualmente inscrever no programa eleitoral a formulação “o capitalismo fracassou enquanto sistema”, mas foi exigida mais comparticipação dos trabalhadores nas decisões que digam respeito às suas empresas, e também o direito a fazer greves políticas. FA
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Açores: Empresa alemã ‘promete’ abastecer ilha Graciosa a partir de energias renováveis
Uma empresa alemã vai simular, em Berlim, a exploração do sistema eléctrico da ilha Graciosa, nos Açores, numa experiência inédita que visa desenvolver um projecto que permita o fornecimento de electricidade „quase totalmente“ com origem nas energias renováveis. „Trata-se de demonstrar ao mundo que é possível num pequeno sistema eléctrico ter uma penetração de energia renovável próxima dos 100 por cento“, revelou Francisco Botelho, administrador da Empresa de Electricidade dos Açores (EDA). A demonstração começou a 2 de Julho numa „espécie de laboratório“ instalado num pavilhão com cerca de 1.200 metros quadrados pela empresa Sólon Laboratoires AG, actualmente designada Younicos, que pertence ao Grupo SOLON, um dos maiores fornecedores alemães de painéis fotovoltaicos. Neste espaço, segundo Francisco Botelho, vão estar instalados vários equipamentos, entre os quais duas baterias japonesas, de última geração, com grande capacidade de armazenamento de energia, e um grupo termoeléctrico a gasóleo, semelhante ao que existe na Graciosa, que servirá de complemento da produção renovável. A estes equipamentos juntam-se ainda simuladores de produção eólica e do consumo de energia eléctrica naquela ilha açoriana. Segundo Francisco Botelho, „caso se conclua pela viabilidade deste projecto“, ele poderá vir a ser instalado na Graciosa e noutras ilhas do arquipélago, „aumentando a penetração das energias renováveis“. Publicidade
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Estou insolvente. E agora? Processo de insolvência de pessoas singulares. Recomeçar de novo.
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A exoneração dependerá de pedido expresso do insolvente e implicará a cessão aos credores, através de um fiduciário, durante os 6 anos (em Portugal: 5 anos) subsequentes ao encerramento do processo de insolvência, do rendimento disponível do insolvente; Durante o período referido na alínea anterior, o insolvente ficará sujeito a um conjunto de deveres destinados a assegurar a efectiva obtenção de rendimentos para cessão aos credores, designadamente as obrigações de exercer uma profissão remunerada, não a abandonando sem motivo legítimo, de procurar diligentemente tal profissão quando desempregado, não recusando desrazoavelmente algum emprego para que seja apto, bem como de informar o tribunal e o fiduciário de qualquer mudança de domicílio ou de condições de emprego e ainda sobre as diligências realizadas para a obtenção de emprego; Prevê a lei que qualquer pessoa singular, que preencha os requisitos le-
gais para o efeito, possa requerer a exoneração do seu passivo (sujeitando-se a um período de 6 anos em que procederá a pagamentos aos seus credores, na medida do seu rendimento disponível). Findo tal prazo, ainda que as dívidas não estejam completamente satisfeitas, a pessoa singular ver-se-á exonerada de todo esse passivo, podendo recomeçar uma „vida normal“. A figura da “exoneração do passivo restante” constitui assim uma nova oportunidade de reabilitação económica das pessoas singulares insolventes. Como consequência directa de sujeição a este regime, o devedor insolvente e pessoa singular tem que: - Permanecer por um período de seis anos - designado período da cessão adstrito ao pagamento dos créditos da insolvência que não hajam sido integralmente liquidados; - Durante esse período assume, entre outras obrigações, a de ceder o seu rendimento disponível a um fiduciário
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lei alemã tal como a lei portuguesa prevêem um regime que visa intervir directamente nas situações de sobre endividamento de pessoas singulares, permitindo a estas, quando não consigam, no decurso do processo de insolvência pagar todas as suas dívidas, não ficarem oneradas com as mesmas para sempre. Qualquer pessoa singular, que preencha os requisitos legais para o efeito, poderá requerer a exoneração do seu passivo. Talvez devido ao „estigma social associado“, poucas são as pessoas que preferem recorrer ao processo de insolvência para resolver as suas situações de incumprimento, apesar das vantagens que daí podem retirar. Sendo certo que, afastada a possibilidade de chegar a acordo com os credores (solução sempre preferível), deixar o caso chegar ao ponto em que estes vão a tribunal executar e pedir a penhora dos bens é sempre mais penoso, moroso e despendioso para o devedor.
que receberá os montantes entregues pelo devedor e procederá ao pagamento dos credores nas proporções que lhes caiba. No termo dos seis anos, tendo o devedor insolvente cumprido, para com os credores, todos os deveres que sobre ele impendam, é proferido um despacho final de exoneração, que o liberta de eventuais dívidas pendentes de pagamento – seja qual for o montante. Todavia, para que o insolvente possa beneficiar deste regime, exige-se, que tenha tido um comportamento, anterior ou actual, pautado pela licitude, honestidade, transparência e boa-fé, no que respeita à sua situação económica, e aos deveres associados ao processo de insolvência, tornando-se assim merecedor de uma “nova oportunidade”. Este “fresh start” previsto apenas para as pessoas singulares dotadas de “boa fé” que se encontrem em situação de insolvência existe e tem tido sucesso em países como os Estados
Unidos e a Alemanha – nos quais o legislador português terá ido buscar inspiração. Todavia, e apesar de a lei estar em vigor desde 1999 (em Portugal desde 2004), continua a ser desconhecido para a maioria dos cidadãos que, através do processo judicial de insolvência, é-lhes permitido proceder à liquidação das suas dívidas faseadamente durante seis anos e a final, se cumprirem e actuarem de boa fé, exoneram-se das dívidas que persistam e não tenham sido liquidadas. É crucial entender que a exoneração do passivo restante não tem como fim a satisfação dos credores da insolvência. Esta medida, específica da insolvência de pessoas singulares, tem como objectivo primordial conceder uma segunda oportunidade ao indivíduo permitindo que este se liberte do passivo que possui e que não consiga pagar no âmbito do processo de insolvência.
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PORTUGAL POST nº 181 • Agosto 2009
José Gomes Rodrigues
Assistente Social Caritas Neuss
> O preço da nossa saúde
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> Tratamento no estrangeiro > Receitas médicas > Dupla quotização
Ex. mos senhores do Portugal Post Permitam que exprima o meu sincero agradecimento por esta página social que me tem informado convenientemente sobre diversos aspectos das leis que nos regem. Encheu-me as medidas o artigo de resposta àquele pai que pediu alguns conselhos sobre o possível enredo em que se encontraria o filho. A formação profissional dos filhos foi outro dos capítulos que serviu muito bem para me orientar e coloquei o artigo devidamente cortado na escrivaninha dele. Obrigado. Dou-me conta que cada vez mais nos vimos presos por tantos parágrafos e que não é fácil, não só libertar-nos deles, mas ainda mais chegar a ver claro e ter certezas sobre a lei. Isto vem a proposto das leis que regem a segurança social no que respeita à assistência médica. Poderia indicarnos uma linha geral por onde nos poderíamos ver mais claro esta legislação? Agradecíamos imenso que nos proporcionassem este mapa elucidativo. Um abraço a todos os colaboradores do Portugal Post na pessoa do seu director. Desde logo que podem colocar esta carta e a respectiva resposta. Leitor devidamente identificado Caríssimo leitor Obrigado pelos elogios encetados, destes gestos simpáticos e reconhecidos também vive o Portugal Post em particular e qualquer ser humano em geral. Tem razão o amigo leitor em descrever as dificuldades em entender e interpretar a lei como uma teia difícil de desatar. Lamentamos mas não nos é compatível, não só por falta de espaço, mas porque nos levaria muito longe dar-lhe uma resposta cabal e seria necessário termos uma formação muito especifica e global de direito geral. Apresentar um mapa que colocasse esse emaranhada teia duma forma compreensível, é difícil. O que temos feito é dar respostas muito práticas a perguntas muito concretas que os nossos leitores nos tem formulado. Para uma resposta o mais cabal possível, vamos transcrever algumas decisões de tribunais regionais e estaduais que poderão elucidar alguns aspectos da Segurança Social. As notas que estão no fim de cada decisão jurídica referem-se à decisão dos respectivos tribunais para que, quem tiver interesse em rever todo o texto, poderá fazê-lo directamente usando a Internet. QUANTO CUSTA A NOSSA SAÚDE As alterações constantes da legislação que regula. A nossa saúde perante as diversas caixas, são tantas que provocam uma certa insegurança. Existem pacientes que procuram evitar tratamentos ou com receio da factura que possam receber. Para inculcar maior confiança nos que necessitam de maior assistência médica, transcreveremos algumas decisões de tribunais sociais que po-
derão responder a questões diversas. TRATAMENTO NO ESTRANGEIRO É POSSÍVEL?
lítico depois dum acidente de barco num determinado lago onde esse desporto estava estritamente proíbido (LsozG Nieders.: L 9K 77/05). QUEM PAGA AFINAL A AMBULÂNCIA
Se um segurado na Alemanha necessitar de assistência médica num país da Comunidade Europeia, a Caixa é obrigada a reembolsar o paciente, mas somente conforme os gastos que faria no seu próprio país de origem. Neste caso o país de origem seria a Alemanha. Foi a decisão emanada por um tribunal com a seguinte número do processo: SozG NRW: 11 KR 14/07. PODEMOS ESCOLHER EM CASO DE NECESSIDADE UMA CLÍNICA? Somente em casos especiais isto é possível. É o caso de alguém pedir um tratamento de termas ou uma reabilitação e que lhe sejam concedidas pela respectiva caixa. Neste caso, ela poderá escolher a cidade ou a clínica em particular se o paciente em tratamentos anteriores tenha tido óptimas experiências nessas mesmas estancias já que o seu curriculum e respectiva documentação médica estaria ainda arquivada. Sendo assim a Caixa é obrigada a assumir todos as despesas nessa escolhida clínica (hessisches LsozG: L 1 KR 2/5).
Conforme a lei, a caixa só paga o transporte de doentes, somente quando o tratamento e a necessidade do transporte for justificado pelo hospital ou médico ou então que a frequência de tratamento seja necessário durante um determinado e longo período. Qual o tempo e quantas vezes por semana, depende da interpretação que a caixa fizer. Normalmente é aceite como justificativo como mínimo 1 vez por semana (BsozG B 1 KR27/07 R) NA DESLOCAÇÃO PARA O TRABALHO EVITE FAZER ALTERAÇÕES NO ITINERÁRIO Se um operário, em vez de recorrer a caminhos mais curtos e que normalmente usa para se deslocar ao trabalho se desviar primeiro a uma bomba de gasolina, e se durante esta pequena viagem sofrer uma acidente de viação, o seguro da empresa não se responsabiliza por esse paciente. Procure, por isso para evitar dissabores não se desviar do seu itinerário habitual (Hessisches LsozG: 3 u 195/07)
SEGURO DE ACIDENTE EM CASO DE PASSEIO ESCOLAR PROBLEMAS COM AS RECEITAS MÉDICAS Um acidente que tenha acontecido durante um passeio escolar, mesmo que tenha sido causado por culpa própria, está coberto pelo seguro de acidentes da escola.. Foi o que se passou com um estudante que ficou para-
CHAMAMOS A ATENÇÃO dos leitores que nos queiram colocar as suas perguntas e sugestões devem faze-lo por correio ou, melhor ainda, por correio electrónico. Devem também mencionar o vosso número de telefone fixo para, sendo necessário e em caso de urgência nos comunicarmos consigo. As suas questões e sugestões podem ser envidas para as seguintes direcções: correio@free.de: Tel. : 0231 8390289 - fax 0231 8390351 jose.rodrigues@caritas-neuss.de Tel.: 02131 269320 - fax 02131 269 236 Desde já, muito gratos por este esforço e serviço que poderão deste modo facilitar e aligeirar a vida a outros leitores. Agradecidos!
Não se escandalize e não se lamente se o seu médico não vai ao seu encontro, se ele e mesmo a seu pedido não lhe receita mais ou outros medicamentos . Segundo as medidas de restrição ao saírem fora do estabelecido, eles podem serem chamados à responsabilidade. Podem até ser-lhe exigido pela caixa de doença o pagamento duma certa indemnização. SozG Rheinland-Pfalz L 5 KA2/06 DUPLA QUOTIZAÇÃO É LEGAL Aos segurados reformados é-lhes exigidos, pela caixa de doenças, que da reforma da empresa lhes seja descontado uma parte para o seguro de doença. Esta situação tem causado um certo mal-estar em alguns reformados. Houve alguém que não estando conforme, processou a caixa por esta lhe ter exigido esse desconto, alegando para tal um comportamento discriminatório. O tribunal declarou que essa medida não era de forma alguma discriminatória e considerou legal este procedimento. BsozG: B 12 KR 7/08R Publicidade
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PORTUGAL POST nº 181 • Agosto 2009
Sugestão de leitura: Título: A tragédia da rua das flores Autor: Eça de Queiroz Encomenda: PORTUGAL POST
Agenda Tome Nota Agosto 2009 02.08.2009 - NÜRNBERG – Concerto do grupo Toques do Caramulo, Início: 17h00, Local: Festival Nürnberger Bardentreff, Trödelmarkt, 90403 Nürnberg
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será apresentado por Eveline Valtink (Hofgeismar), Armin Diedrichsen (Ahrensburg) e Jochem Wolff (Kassel). Acompanhamento musical: Duo Canção – Thomas Goralczyk (piano) e Judith Kamphues (meiosoprano) Local: Evangelische Akademie Gesundbrunnen 34369 Hofgeismar 29-30. 08.2008 REMSCHEID- Arraial Português no âmbito do 30º aniversário do grupo folclórico “Os Campinos de Remscheid”. Local: Haus Lindenhof, Lindenhofstr, 13 – Remscheid. Mais informações: www.oscampinos.de 1-30.08. 2009 – HAMBURGO - As Viagens Portuguesas e os Encontros das Civilizações . Exposição de cartazes do Instituto Camões . Universität Hamburg Centro de Língua Portuguesa / Instituto Camões Phil 663 , Von-Melle-Park 6 , 20146 Hamburg Fado instrumental – Klangpoesie des Südens Concertos Jan Dijker (guitarra portu-
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Conte-nos a história da sua vida
Afinal ele não era o homem da minha vida Exmos Senhores, Foi depois de muito meditar que resolvi enviar estas páginas onde falo duma parte da minha vida desde que cheguei à Alemanha. Peço aos senhores que corrijam esta carta pois o meu português não é assim muito bom. Tinha 23 anos quando aqui cheguei casada com o meu ex que me tinha conhecido em Portugal quando ele ia passar férias. Na altura quando a família do meu ex-marido e a minha própria nos incitaram a casar eu pensei que a proposta de casamento era o melhor para a minha vida. Os meus pais eram de poucas posses e na vila onde vivia sentia-me sem futuro. Quando casei conhecia o meu marido de duas vezes que ele tinha ido à terra de férias. Quando ele partia escrevíamo-nos e às vezes telefonávamo-nos. Ele era 11 anos mais velho do que eu mas era muito bem parecido e de boas falas. O meu casamento foi para mim naquela altura uma festa bonita. Com a família dele e a minha mais os amigos os convidados eram mais de 100. O meu marido na altura fazia muito questão de casarmo-nos em Fátima e, a muito custo por via das poucas posses dos meus pais, que se endividaram para eu ter um casamento digno, casamo-nos e fizemos a nossa boda num hotel de Fátima. Uma semana depois da boda de casamento já eu estava aqui com o meu ex-marido numa pequena terra onde ele vivia (e vive) e onde também moravam os pais dele. Nos primeiros tempos achei a Alemanha muito bonita. A pequena cidade onde vivíamos era calma, muito arrumada, com muito verde
{…} Alugámos um apartamento e eu fiquei a tratar da casa enquanto ele trabalhava. Os primeiros dois anos foram bons. Não digo que era feliz mas estava bem e já não sofria com as carências que em Portugal tinha. O meu ex ia trabalhar e logo que acabava voltava para casa. Muitas vezes o meu marido fazia horas extraordinárias e quando voltava para casa comia qualquer coisa e deitavase. Com o tempo a família do meu ex deixou de me visitar e assim comecei a sentir-me desolada, a sentir-me só e triste. Quando eu saia à rua não via ninguém e depois de uma volta ao bairro chegava a casa mais triste do que quando saía . Às vezes ia um pequeno parque ver algumas mães com filhos a brincar. Pensava chegar à conversa mas tinha o problema de não compreender nem de falar a língua. Assim, ficava todo o dia em casa a fazer isto e aquilo. Quando ia à rua era para sair com ele para visitar os seus ou ir a um supermercado às compras e assim comecei a desejar ficar grávida porque pensava que isso ia ocupar-me e dar-me que fazer. Passavam os meses e não havia meio de engravidar até que disse ao meu exque tinha de encontrar qualquer coisa para fazer porque não suportava estar só e sem nada fazer. A vida dele era casa-trabalhocasa. Tinha a paranóia da poupança e não saía mais porque não queria gastar dinheiro. Eu não conhecia ninguém, nem ninguém nos visitava.A nossa vida era estar em casa e muito raramente saíamos. De repente comecei a ver o meu marido com outros olhos e achava-o diferente cada dia que pas-
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Só, 67 anos, 1,65 m, meigo, honesto, livre e independente, da área de Matosinhos, não fumador, a residir na Alemanha (NRW), procura Senhora com qualidades atrativas, só, sem encargos, mais ou menos da idade, compatível, para amizades ou algo mais. Se sim, escreva hoje mesmo . Carta com foto é gentil, na resposta a este jornal Refª A 205
43 anos, deseja conhecer senhora dos 35 a 45 anos divorciada, separada ou viuva, para fazer amizade ou algo mais. Caso sério. Resposta a este jornal, se for possivel com foto, Refª A104.
sava. Mais do que viver a vida, a única coisa que o atormentava era o dinheiro que eu gastava quando ia às compras. Dizia-me para eu poupar e o único dinheiro que me dava era para comprar apenas o que ele escrevia numa lista ou então dizia-me que esperasse por ele para irmos às
Para poupar dizia-me para lavar e secar os filtros da máquina de café para voltar a utiliza-los, lavar os sacos de plástico e quando o pão ganhava bolor cortava a parte estragada e comíamos a parte que aparentemente estava boa. compras ao Lidl. Para poupar dizia-me para lavar e secar os filtros da máquina de café para voltar a utiliza-los, lavar os sacos de plástico e quando o pão ganhava bolor cortava a parte estragada e comíamos a parte que aparentemente estava boa. Tinha um Mercedes novo em folha, mas raramente íamos passear de carro porque dizia que era um disparate ir por aí gastar gasolina e dinheiro. Ele passava mais o tempo a tratar e a lavar o carro do que utilizá-lo. Enfim, a nossa vida era a casa diante da TV. E como ele não queria ver a RTP eu tinha que ver os canais alemães sem perceber nada de nada. Foi assim que lhe pedi para me deixar ir aprender alemão. E senti que foi contra a sua vontade que disse que sim. Passados alguns tempos, tinha encontrado um curso para
poesias de amor e de outros sentires
Ausência Num deserto sem água Numa noite sem lua Num país sem nome Ou numa terra nua Por maior que seja o desespero Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.
Cavalheiro Sophia de Mello Breyner Andresen
principiantes na Volkschule numa outra localidade a onde me deslocava de S-Bahn. Foi um tempo maravilhoso. Finalmente tinha encontrado gente e tinha que fazer sem ser a vida normal de casa. Para meu espanto, aprendi muito rapidamente alemão e conquistei amigos.Tinha finalmente a minha vida preenchida. Tinha encontros com os meus novos amigos e saía muitas vezes para me encontrar com amigas. O meu marido não estava muito de acordo com estas minhas saídas e começaram as discussões e os desacordos. Que eu não podia andar por aí em passeatas e encontros enquanto ele trabalhava de manhã à noite, etc. etc.. Foi então que me pus à procura de trabalho e, durante três dias por semana, frequentava um curso de informática do Arbeitsamt. Passados uns tempos tinha conseguido um trabalho numa empresa de venda de artigos para e comida de animais. Já não pensava em ficar grávida. Um dia ele atirou-me à cara as culpas por nós ainda não termos filhos. Fiquei atormentada com esta acusação. A partir daí quase que me entregava todos os dias a ele. Queria à viva força ficar grávida mas...nada! E assim se se passaram três anos. Com o tempo, fui-me dedicando ao trabalho e subi de posto. Ganhava bem. Claro que já não tinha tempo para me dedicar à casa como antes e por isso fiz-lhe a proposta para distribuirmos o trabalho de casa – eu cozinhava e ele limpava. O que eu lhe fui dizer!!! Berrou a perguntar se eu estava
boa da cabeça ! E que iria pensar a família dele e os amigos se o vissem a limpar! Que não, isso não. Que ninguém me mandava ter arranjado trabalho e acusou-me mais uma vez de não querer ficar grávida ... que não percebia como eu não lhe conseguia dar um filho. Não tive outro remédio senão calar-me e, depois do trabalho, cumprir todas as tarefas de casa e cozinhar para ele enquanto via a TV ou se punha diante do seu Mercedes a limpar pequenas sujidades. O tempo foi passando e a nossa relação foi esfriando devido também às ordens que me dava e à sua mania de poupar. Se eu comprava um vestido novo era acusada de ser gastadora, etc. Até que um dia o médico me disse que estava grávida. Corri para casa contente para lhe dar a boa nova logo que chegasse do trabalho. Nesse dia ao fim da tarde telefonoume a dizer que vinha mais tarde e que não me deitasse porque queria falar comigo. Fiquei pensativa. Nunca me tinha telefonado para me comunicar a dizer que vinha tarde. Na verdade é que esperei e esperei e não veio. De manha não fui trabalhar e, preocupada, telefonei aos pais que me responderam nada saber. Nessa mesma manhã, ele telefonou e disseme que lhe custava muito dizer que me ia deixar e, assim sem mais explicações, ia buscar as suas coisas. Para encurtar e para não dizer aqui a cena que eu fiz, o homem foise embora sem saber que eu estava grávida. Mais tarde vim a saber que tinha ido para uma alemã e vivia com ela em sua casa. Leitora Identificada
ESCREVA-NOS e conte-nos a história da sua vida Sabemos que há mulheres e homens que desejam comunicar as suas aventuras ou até mesmo histórias sobre a sua vida ou que querem relatar experiências e contar casos de que foram testemunhas ou os principais protagonistas. Todos, uns mais que outros, temos uma história para contar, como por exemplo, como cá chegamos; a nossa dificuldade em compreender a língua; os sonhos que acalentamos para aguentar estar num país tão diferente; o choque cultural, o primeiro dia de trabalho e, porque não, as dificuldades por que passamos. Nós queremos contar a sua vida, o bom e o mau. Escreva-nos como sabe e pode e a sua história poderá ser um valioso testemunho da nossa presença neste país. Não se esqueça de nos enviar as fotografias que deseja ver publicadas. Morada: PORTUGALPOST Burgholzstr.43 44145 Dortmund Fax: (0231) 83 90 351 E mail: correio@free.de
CONSULTÓRIO ASTROLÓGICO E-mail: mariahelena@mariahelena.tv TELEFONE: 00 351 21 318 25 91 Por Maria Helena Martins Carneiro Amor: Cuide da sua aparência física para conquistar quem tanto deseja. Seja o primeiro a dar o exemplo! Saúde: Poderá surgir uma gripe inesperada, previna-se. Dinheiro: Poderá conseguir atingir o seu objectivo, com a ajuda de patrocínios que irão surgir. Touro Amor: Uma boa conversa com o seu companheiro fortalecerá a vossa relação. A força do impulso está em si e só você pode criar as circunstâncias propícias à realização dos seus projectos. Saúde: Cuidado com os rins, beba muita água. Dinheiro: Poderão surgir boas oportunidades, não as deixe fugir. Gémeos Amor: Poderá sentir-se confuso em relação aos sentimentos pelo seu parceiro. Não deixe que os assuntos domésticos interfiram na sua vida amorosa. Saúde: Não terá que se preocupar, está em plena forma. Dinheiro: Um amigo poderá solicitar a sua ajuda profissional, não se negue a ajudá-lo. Caranguejo Amor: Deixe de lado as tristezas e aproveite mais efusivamente os momentos bons que a vida lhe oferece. Esteja aberto aos desafios que a vida lhe coloca, aceite-os e enfrente-os com coragem. Saúde: Cuidado com a sua circulação
Previsões para Agosto 2009
sanguínea. Dinheiro: Período sem alteração nas finanças.
Saúde: Poderá sofrer de dores de dentes. Dinheiro: Nada o preocupará.
Leão Amor: Um amigo irá declarar-lhe uma paixão por si. Que a compreensão viva no seu coração! Saúde: Cuide melhor da sua alimentação. Dinheiro: Pode ter uma nova proposta de trabalho.
Sagitário Amor: Seja mais carinhoso com o seu par. Que os seus mais belos sonhos se tornem realidade. Saúde: Faça exames de rotina. Dinheiro: Não se deixe abater por uma maré menos positiva nesta área da sua vida, pois nem tudo está perdido.
Virgem Amor: Poderá sentir uma atracção por um amigo. Seja honesto consigo próprio, não tenha receio de reconhecer os seus erros e traçar novas rotas de vida, só assim poderá alcançar a felicidade que tanto deseja e merece! Saúde: Não seja hipocondríaco. Dinheiro: Cuidado com os gastos supérfluos. Balança Amor: Saia mais com os amigos e divirta-se. Exercitar a arte de ser feliz é muito divertido! Saúde: O seu sistema nervoso anda um pouco alterado, tente manter a calma. Dinheiro: Tenha em atenção os gastos inesperados. Escorpião Amor: Os defeitos também fazem parte da personalidade, não espere encontrar alguém perfeito. Seja paciente quando o comportamento dos outros não corresponder às suas expectativas.
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Passar o Tempo
PORTUGAL POST nº 181 • Agosto 2009
Capricórnio Amor: Procure dar atenção às verdadeiras amizades. Que a verdadeira sabedoria entre no seu coração! Saúde: Tenha mais confiança e valorize-se mais. Dinheiro: Cuidado com as intrigas no local de trabalho. Aquário Amor: O seu coração poderá ser invadido pela saudade, o que o vai deixar melancólico. Procure sempre o que é bom e belo dentro de si. Saúde: Previna-se contra constipações. Dinheiro: Nada o preocupará. Peixes Amor: As pessoas mais velhas da sua família sentem a falta do seu carinho e atenção, não se esqueça delas. Viva a sua vida para que o seu exemplo possa servir de modelo aos outros! Saúde: Cuidado com os acidentes domésticos. Dinheiro: Com trabalho e esforço conseguirá atingir os seus objectivos.
Empregado Conversa entre o empregado e o chefe: - Chefe, os nossos arquivos estão a abarrotar, posso deitar fora os que têm mais de 10 anos? - Sim, mas antes tira uma cópia de tudo. Na aula: - Quanto pesa a Terra? - perguntou o professor ao Zezinho. Como não sabia a resposta exacta, o Zezinho respondeu: - Essa é uma pergunta muito interessante mas...já agora, com pessoas ou sem pessoas?
Um dia no veterinário, o médico pergunta ao dono dum cão: - Como se chama o seu cão? O dono responde: - Já disse. - Desculpe qual é o nome do cão? - Já disse. O veterinário já irritado pergunta: - Você está a brincar... olhe que eu tenho mais que fazer. Afinal como é que se chama o cão? E o dono responde tranquilamente: - O meu cão chama-se Jadisse.
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PORTUGAL POST nº 181 • Agosto 2009
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“Dia da Língua Portuguesa e da Cultura” fixado em 05 de Maio O Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua portuguesa (CPLP) aprovou , na Cidade da Praia, a data de 05 de Maio como o „Dia da Língua Portuguesa e da Cultura“ do espaço lusófono, a celebrar obrigatoriamente todos os anos. A iniciativa pretende reforçar os papéis do Português e da Cultura lusófona no mundo, contando com o apoio do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP), através da planificação e execução de programas de promoção, defesa, enriquecimento e difusão do idioma oficial da comunidade. O Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa aprovou também, em Cabo Verde, a nova visão estratégica de cooperação, que visa sobre-
Delegações dos países da CPLP que se reuniram em Cabo Verde. Foto Lusa
tudo dar maior coerência e eficácia ao alinhamento da cooperação comunitária entre os „oito“. Segundo disse o director de
Cooperação da CPLP, Manuel Lapão, a nova visão estratégica da cooperação no espaço da CPLP „terminará com os projectos des-
garrados e passam a existir projectos sectoriais“, como o recente do Plano Estratégico de Cooperação em Saúde (PECS). „As reuniões ministeriais têm capacidade de criar fundos autónomos para os seus projectos e o que defendemos é que essa situação não se verifique sempre que os desembolsos estejam colocados dentro do fundo especial, que é o instrumento financeiro que já existe para o efeito“, disse Manuel Lapão. Durante a reunião, foi decidido também que Portugal vai receber no início do próximo ano a primeira reunião dos ministros da Coordenação dos Assuntos do Mar e dos Oceanos CPLP. Na reunião ficou ainda definido o desenvolvimento de vários projectos, nomeadamente o da criação de um Centro de Estudos Marinhos da CPLP, a cargo de Cabo Verde,
sendo que Portugal e Brasil se prontificaram a liderar o processo de extensão da plataforma continental, e o Brasil e Angola deverão tratar da questão da exploração dos recursos Marinhos. Em declarações aos jornalistas, o secretário de Estado da Defesa e dos Assuntos do Mar português, João Mira Gomes, explicou que os projectos serão desenvolvidos até à reunião em Portugal. João Mira Gomes explicou ainda que a resolução sobre a estratégia da CPLP para os Oceanos foi discutida no encontro, mas a sua aprovação ficou adiada para 2010. „Há um consenso sobre o documento, mas chegámos à conclusão que seria apropriado aprová-lo na primeira reunião formal dos ministros responsáveis pelos Assuntos do Mar da CPLP“, avançou o secretário. Publicidade