Portugal Post Fevreiro 2011

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PORTUGAL POST ANO XVII • Nº 199 • Fevereiro 2011 • Publicação mensal • 2.00 € Portugal Post Verlag, Burgholzstr. 43 • 44145 Dortmund • Tel.: 0231-83 90 289 • Telefax 0231- 8390351• E Mail: correio@free.de •www. portugalpost.de •K 25853 •ISSN 0340-3718

Mais de 90% dos eleitores ficaram em casa

Cavaco ganha na Alemanha

Associativismo Afinal quantas associações existem na Alemanha?

Estado português atribui € 10.000 a associação em Allgäu Página 8

Negócios RMF-Rodrigues GmbH na vanguarda de persianas telecomandadas e janelas PVC Página 10

• Gestor da Fonseca GmbH: Queremos consolidar a nossa aposta na excelência !

Alemanha precisa de jovens portugueses com formação média e superior Pág 12 Página 11

Consultório Social

Alemanha: o que mudou (vai mudar) em 2011 Pág. 17

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PORTUGAL POST Nº 199 • Fevereiro 2011

PORTUGAL POST

Editorial Mário dos Santos

Agraciado com a medalha da Liberdade e Democracia da Assembleia da República Fundado em 1993 DIRECTOR: MÁRIO DOS SANTOS

CORRESPONDENTES ALFREDO CARDOSO: MÜNSTER ANTÓNIO HORTA: GELSENKIRCHEN JOÃO FERREIRA: SINGEN JORGE MARTINS RITA: ESTUGARDA JOSÉ PINTO NASCIMENTO: DÜSSELDORF KOTA NGINGAS: DORTMUND MANUEL ABRANTES: WEILHEIM -TECK MARIA DOS ANJOS SANTOS - HAMBURGO MICHAELA AZEVEDO FERREIRA: BONA ZULMIRA QUEIROZ: GROß-UMSTADT COLUNISTAS ANTÓNIO JUSTO: KASSEL CARLOS GONÇALVES: LISBOA DORA MOURINHO: ESSEN FERNANDA LEITÃO: TORONTO HELENA GOUVEIA: BONA JOSÉ EDUARDO: FRANKFURT JOSÉ VALGODE: LANGENFELD LAGOA DA SILVA: LISBOA LUIS BARREIRA, LUXEMBURGO MARCO BERTOLOSO: COLÓNIA MARIA DE LURDES APEL: BRAUNSCHWEIG PAULO PISCO: LISBOA RUI MENDES: AUGSBURG RUI PAZ: DÜSSELDORF TERESA COLAÇO: COLÓNIA ASSUNTOS SOCIAIS JOSÉ GOMES RODRIGUES: ASSISTENTE SOCIAL CONSULTÓRIO JURIDICO CATARINA TAVARES: ADVOGADA MICHAELA A. FERREIRA: ADVOGADA MIGUEL KRAG: ADVOGADO FOTÓGRAFOS: FERNANDO SOARES AGÊNCIAS: LUSA. DPA IMPRESSÃO: PORTUGAL POST VERLAG REDACÇÃO, ASSINATURAS E PUBLICIDADE BURGHOLZSTR.43 - D - 44145 DORTMUND TEL.: (0231) 83 90 289 FAX: (0231) 83 90 351 WWW.PORTUGALPOST.DE E MAIL: CORREIO @ FREE.DE

As comunidades e as eleições á lá vai o tempo em que as comunidades batalhavam pelo direito ao voto em eleições em Portugal. A última batalha ganha foi quando nos concederem o direito em participar nas eleições presidenciais. A primeira vez que votamos para as presidenciais foi em 2001. Desde aí para cá as comunidades participam em todas as eleições. Este direito foi conseguido com muita persistência - e luta também - das organizações das comunidades. Durante todas as eleições (legislativas, presidenciais, europeias e para o Conselho das Comunidades Portuguesas) em que as comunidades participaram com o seu voto, a contribuição dos emigrantes em todos os processos eleitorais foi paupérrima, isto é, com níveis de abstenção que envergonham a democracia. Sempre que há eleições, e depois de contados os votos, voltamos ao mesmo problema: a abstenção dos eleitores. Nestas últimas eleições,

J

por exemplo, a abstenção subiu para valores acima dos 90%. Depois de tantos desaires, os legisladores têm que se debruçar sobre esta “calamidade” e encontrar soluções não apenas para diminuir a abstenção como também para levar mais compatriotas a recensearem-se. O argumento que pode explicar o desinteresse das comunidades pelos processos eleitorais terá origens no alheamento das pessoas do processo democrático devido à distância geográfica e, por outro lado, a um sentimento de abandono pela classe politica que nos governa. Mas, quanto a nós, o que explica a abstenção tem a ver com a ausência de uma forma simples e eficaz que leve os cidadãos a participarem nas eleições. Será falso afirmar que os portugueses estão alheados da vida do país e desligados da sua terra . Desde há alguns anos para cá que a ligação sentimental dos portugueses de todas as gerações à sua pátria retrata-se em tão diversas manifestações, como seja, por exemplo, a sua

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fortíssima e apaixonada ligação à selecção nacional de futebol. Daí se conclua que o “amor” a Portugal existe. Já se discutiu o bastante e já se diagnosticou o suficiente para perceber os elevados níveis de abstenção, bem como o falhanço total no recenseamento dos cidadãos. Num mundo em que o avanço tecnológico ultrapassou barreiras inimagináveis e com um Governo em Portugal que faz do avanço tecnológico uma das suas principais prioridades, criando modelos simplex para quase tudo, tornar o processo de recenseamento e os actos eleitorais muito mais fáceis, recorrendo, por exemplo, ao recenseamento e voto electrónico, com, aliás, já se faz em alguns países, dar-se-ia um enorme passo para a participação dos emigrantes na vida democrática do país. Neste contexto, o PORTUGAL POST já convidou um jornal colega da França, o Luso Jornal, para, em conjunto, lançarmos, com outros OCS das comunidades, um processo de petição a favor do voto electrónico.

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REDACÇÃO E COLABORADORES CRISTINA KRIPPAHL: BONA FRANCISCO ASSUNÇÃO: BERLIM FERNANDO A. RIBEIRO: ESTUGARDA JOAQUIM PEITO: HANNOVER LUÍSA COSTA HÖLZL: MUNIQUE


Destaque

PORTUGAL POST Nº 199 • Fevereiro 2011

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Resultados das eleições presidenciais na Alemanha Manuel Alegre

Francisco Lopes

Fernando Nobre

Defensor Moura

JM Coelho

388 votos

196 votos

103 votos

69 votos

5votos

4 votos

50,72

25,62

13,46

9,02

0,65

0,52

Cavaco Silva

Inscritos Votantes Cavaco Silva Manuel Alegre F. Lopes F. Nobre D. Moura JM Coelho Votos Nulos

Estugarda 3196 228

Düsseldorf 3091 183

Percentagem Nº Votos

Percentagem Nº Votos

55,26% 27,63% 7,02% 8,33% 0,88% 0,88% 0,00%

41,67% 16,67% 30,05% 10,00% 0,56% 0,56% 1,64%

126 63 16 19 2 2 0

75 30 55 18 1 1 3

Votos em branco: 0,78% 6 votos Votos nulos: 0,13% 1 voto

Frakfurt 1931 147

Osnabrück 3026 182

Percentagem Nº Votos

Percentagem Nº Votos

Percentagem Nº Votos

Percentagem Nº Votos

58,24% 27,62% 6,08% 7,18% 0,55% 0,00% 0,55%

60,17% 22,88% 11,86% 5,08% 0,00% 0,00% 0,84%

17,24% 43,83% 12,07% 22,41% 1,72% 1,72% 3,33%

Ver ta b

ela em

baixo

Hamburgo 880 119 106 50 11 13 1 0 1

Berlim 164 60 71 27 14 6 0 0 1

919 10 26 7 13 1 1 2

Mais de 90% dos eleitores ficaram em casa

Cavaco ganha na Alemanha

C

avaco Silva foi o candidato presidencial mais votado pelos eleitores portugueses na Alemanha, com 388 votos (50,72 por cento) recolhidos, depois de concluído o apuramento em cinco dos seus consulados onde funcionaram assembleias de voto. Em segundo lugar estava Manuel Alegre, com 196 votos (25,62 por cento), seguindo-se por Francisco Lopes, com 103 votos (13,46), Fernando Nobre, com 69 votos (9,02), Defensor Moura, com cinco votos (0,65), e José Manuel Coelho, com quatro votos (0,52). A contagem em Berlim, Dusseldorf, Estugarda, Hamburgo e Osnabrueck já estava encerrada, faltando ainda apurar resultados na assembleia de voto de Frankfurt, onde estavam inscritos 1.931 eleitores, num universo de 12.468 recen-

seados na Alemanha. O número total de votantes, ainda sem Frankfurt, foi de 772, e a abstenção atingia 92,67 por cento, acima dos 88,3 por cento registados nas presidenciais de 2006. Registaram-se ainda seis votos brancos e um voto nulo. Em Berlim, votaram 60 (abstenção: 63,41 por cento) dos 164 eleitores inscritos, 26 dos quais em Manuel Alegre, 13 em Fernando Nobre, 10 em cavaco Silva, sete em Francisco Lopes, um em Defensor Moura e um em José Manuel Coelho. Entre os 3091 portugueses recenseados em Dusseldorf, houve 183 votantes (abstenção: 94,08 por cento), 75 dos quais em Cavaco Silva, 55 em Francisco Lopes, 30 em Manuel Alegre, 18 em Fernando Nobre, um em Defensor Moura e um em José Manuel Coelho. Em Estugarda, dos 3196

Assembleia de Voto de Frankfurt Engloba as Assembleias de Voto de Frankfurt (Alemanha) Bratislava (Eslováquia) Bucareste (Roménia) Budapeste (Hungria) Liubliana (Eslovénia) Praga (República Checa) Viena (Áustria)

Aspecto da mesa de voto no consulado em Düsseldorf. Foto: António Horta/PP

Nº inscritos: Nº de votantes:

2085 222

Cavaco Silva Defensor Moura Francisco Lopes José Manuel Coelho Manuel Alegre Fernando Nobre Votos em branco: Votos nulos:

118 1 7 5 60 24 6 1

inscritos votaram 228 (abstenção: 92,87 por cento), 126 em Cavaco Silva, 63 em Manuel Alegre, 19 em Fernando Nobre, 16 em Francisco Lopes, dois em Defensor Moura e dois em José Manuel Coelho. Em Hamburgo, entre 880 recenseados votaram 119 eleitores (abstenção: 86,48 por cento), 71 em Cavaco Silva, 27 em Manuel Alegre, 14 em Francisco Lopes, seis em Fernando Nobre, enquanto defensor Moura e José Manuel

Coelho ficavam em branco. Dos 3206 eleitores inscritos em Osnabruck, votaram 182 (abstenção: 94,32 por cento), dos quais 106 em Cavaco Silva, 50 em Manuel Alegre, 13 em Fernando Nobre, 11 em Francisco Lopes e um em Defensor Moura, José Manuel Coelho não recolheu qualquer voto. Em Frankfurt é impossível quantificar o número de votos para cada um dos candidatos devido à recolha e mistura dos boletins provenientes das

mesas dos países do leste europeu com menos de 100 eleitores inscritos como sejam Bratislava (Eslováquia), Bucareste (Roménia), Budapeste (Hungria) Liubliana (Eslovénia), Praga (República Checa) Viena (Áustria). (Ver caixa ao lado) Em 2006, Cavaco Silva obteve 813 votos na Alemanha, à frente de Manuel Alegre (218), Mário Soares (214), Jerónimo Sousa (113), Francisco Louça (51) e Garcia Pereira (três).


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Nacional & Comunidades

PORTUGAL POST Nº 199 • Fevereiro 2011

Deputado do PS considera necessária uma reflexão sobre financiamento do Conselho das Comunidades O deputado socialista Paulo Pisco, eleito pela Emigração pelo círculo da Europa, declarou , em Lisboa, que há a necessidade de uma reflexão sobre o actual financiamento do Conselho das Comunidade Portuguesas (CCP). Paulo Pisco falava à Agência Lusa no final de uma reunião dos deputados da Emigração com os representantes do Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas (CPCP), que decorreu hoje no Parlamento. “Há um aspecto relativo ao financiamento do CCP que eu acho que, provavelmente, mereceria outra atenção. Eu pessoalmente acho que o CCP, a nível do trabalho local, poderia ter outro tipo de apoio e financiamento”, sublinhou o deputado socialista. Pisco referiu que a estrutura, o funcionamento e o financiamento do CCP foram temas da reunião. O deputado disse ainda que muitos conselheiros do CCP gastam dinheiro dos seus próprios bolsos para desenvolverem as actividades do organismo, uma situação que não considera correcta. “Neste aspecto, provavelmente, haveria lugar a uma reflexão em ajustar os instrumentos financeiros, os meios financeiros, para um melhor desempenho da actividade do CCP”, referiu Paulo Pisco. “Admito que sim, que há falta de verbas, considerando este modelo de funcionamento (do CCP), que nós votamos contra ele. É um modelo de funcionamento caro,

porque privilegia o trabalho em comissão, com muitas reuniões em Portugal. Mas esta foi a opção que o Governo quis fazer”, referiu o deputado José Cesário (PSD), que participou também na reunião. O presidente do Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas (CPCP), Fernando Gomes, declarou que há falta de verbas para o CCP (contando entre 120 a 150 mil euros/ano), o que limita a actuação do organismo. Fernando Gomes considerou a reunião com os deputados “muito positiva”, apontando ainda que uma das questões abordadas foi como o CCP é pouco ouvido, pouco consultado pelas entidades governamentais. O deputado Paulo Pisco discordou da afirmação, dizendo que o CCP é sempre ouvido “por diversos organismos, instituições e

também pelos deputados.” Os conselheiros do CCP lamentaram que o projecto de lei do PSD para a integração de dois representantes do Conselho das Comunidades Portuguesas no Conselho Nacional de Educação (CNE) tenha sido chumbado na Assembleia da República, na sexta-feira, apelando para a alteração desta decisão. “Faremos tudo neste sentido, estamos disponíveis para fazer um projecto com outros partidos, que visa o objecto daquele que apresentamos e foi reprovado”, disse o deputado José Cesário. Outros temas foram tratados na reunião, como o Netinvest (programa de foro económico lançado há dois anos e que ainda não arrancou), o ensino do português no estrangeiro, as deportações, a participação dos portugueses da diáspora nas eleições.

Presidente do Conselho Permanente defende orçamento próprio e fontes de financiamento claras para CCP O Conselho das Comunidades Portuguesas deve ter um orçamento próprio e formas de financiamento definidas claramente para que possa delinear as suas actividades e servir os propósitos para que foi criado, defendeu o presidente do Conselho Permanente. Em declarações à Agência Lusa, Fernando Gomes explicou que o Conselho das Comunidades “não pode continuar a funcionar sem ter um orçamento próprio e uma forma clara de financiamento”. “Não podemos manter a actual lei em que, em termos de orçamento, estamos no mesmo saco de outros organismos e instituições e que não nos permite perceber claramente qual o dinheiro disponível para actuar”, afirmou Fernando Gomes. Fernando Gomes defende a definição de um “orçamento claro

e de formas de financiamento que sejam conhecidas de todos para que em conjunto se possam defi-

nir as actividades do Conselho das Comunidades Portuguesas”. “O Conselho funciona por direito próprio, estipulado por lei, com funções determinadas que dão responsabilidades às pessoas e é preciso criar as melhores condições possíveis para que funcione bem”, afirmou. Outro ponto crítico na opinião de Fernando Gomes é a recusa do Governo em incluir dois membros do Conselho das Comunidades no Conselho Nacional de Educação, matéria que “deve ser discutida por todos, mas que faria todo o sentido dado que as políticas de educação definidas em Lisboa também influenciam as escolas nas comunidades do exterior”. “Estão com problemas de orçamento e com receio de terem de pagar, porque se calhar a nossa opinião vale menos que a dos assessores políticos pagos a recibo verde”, ironizou.

RTP displicente com a RTP - I O deputado do PS eleito pelas Comunidades, Paulo Pisco, em declarações à Agência Lusa, acusou a RTP de olhar para os portugueses no estrangeiro com “displicência” ao aceitar, sem questionar, o fim das emissões da RTP Internacional para a Europa através do CanalSat.?“A RTP, ao aceitar que isto tenha acontecido sem procurar minimizar os estragos, revela bem a atitude displicente com que a direcção de informação encara as suas emissões na RTP Internacional”, afirmou o deputado. Em causa está o facto de, em Julho, a plataforma francesa CANALSAT ter decidido retirar os canais internacionais do satélite Astra, entre os quais a RTP-I.?Para Paulo Pisco, a RTP de! veria ter tentado minimizar os efeitos que essa decisão causou nos portugueses residentes na Europa, nomeadamente em Espanha. “A suspeita de que haveria algum tipo de perturbação para os espectadores habituais da RTP-I confirmou-se. Registaramse pedidos de informação de uma dezena de países, o que significa

que houve uma grande perturbação”, disse.?Paulo Pisco realça ainda que a RTP admitiu, na resposta a um requerimento que fez sobre este assunto em Julho, uma perda das audiências na RTP-I. “O que me insatisfaz é perceber, mais uma vez, que há uma degradação da relação entre a RTP-I e as comunidades portuguesas, levando a que haja, nalguns casos, algum tipo de custos para os portugueses que deixaram de aceder à RTP-I, sem que haja qualquer tipo de compensação”, disse.?“Isto vem dem! onstrar mais uma vez uma certa indiferença que a direc! ç ão de informação tem demonstrado relativamente às emissões da RTP-I e uma perda da quota de mercado num domínio já muito competitivo”, acrescentou.? Na sua resposta ao requerimento, sobre a qual o deputado só teve conhecimento na semana passada, a RTP informa que se tratou de uma “reflexão entre a manutenção da qualidade da recepção e um custo avultado que decorria da permanência no CanalSat”.

Mariano Pinto: “As cadeias estão cheias de pobres” O bastonário da Ordem dos Advogados (OA), Marinho Pinto, disse que a Justiça portuguesa trata „mal“ os pobres e lembrou que „cadeias estão cheias de pobres“ e „não de ricos“, embora atualmente os „crimes não escolham classe“. António Marinho Pinto falava no final do I Encontro Nacional de Organizações Não Governamentais de Direitos Humanos em Portugal, com o tema “A pobreza: violação dos Direitos Humanos”, realizado na OA e que teve a presença do secretário de Estado da Justiça e da Modernização Judiciária, José Magalhães, e da presidente da Associação Pro Dignitate, Maria Barroso, entre outros. Após denunciar que há anos que existe em Portugal uma Justiça para ricos e outra para pobres, Marinho Pinto sublinhou que existe uma „criminalidade muito nociva“, mas que „uma classe mais elevada não é punida com a mesma severidade“ com que é a

pequena criminalidade. „Uma mulher que furtou um pó de arroz num supermercado esteve à beira de ser julgada, mas alguns crimes económicos, burlas e desaparecimento de milhões dos bancos demoram anos a averiguar e vamos ver o que acontece“, disse o bastonário. Em sua opinião, mais importante do que encontrar „responsáveis“ por esta situação, é „preciso encontrar soluções“ e criar „mecanismos para que a Justiça seja uma Justiça de olhos vendados em relação à condição social das pessoas, quer das vítimas, quer dos suspeitos“. Na sua intervenção oficial, Marinho Pinto considerou que a República é o regime que confere aos Direitos Humanos e à dignidade da pessoa humana o destaque que estes merecem. No campo do Direito salientou a importância do sistema de apoio judiciário da OA às pessoas mais carenciadas.

Imigração: Nacionalidade portuguesa atribuída a 31 mil crianças O ministro da Presidência do Conselho de Ministros, Pedro Silva Pereira, anunciou que desde que a lei da nacionalidade entrou em vigor foi atribuída nacionalidade a 31 mil crianças filhas de imigrantes em situação legal. “Desde que a lei da nacionalidade entrou em vigor foi dada a nacionalidade a 31 mil crianças nascidas em território português”, afirmou Pedro Silva Pereira, na comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais. Trata-se de filhos de imigrantes “em situação legal em Portugal

há pelo menos cinco anos”, especificou o ministro, sublinhando que a nova lei da nacionalidade, em vigor há quatro anos, constituiu uma “solução humanista e responsável porque não constitui nenhuma chamada à imigração ilegal”. “Havia uma situação de exclusão destas crianças”, frisou As 31 mil crianças que receberam nacionalidade portuguesa – 7750 por ano – incluem também as crianças filhas de cidadãos naturalizados, especificou Pedro Silva Pereira.


Comunidade

PORTUGAL POST Nº 199 • Fevereiro 2011

Banca: Remessas dos emigrantes aumentam em outubro para 180,08 ME

Presidenciais:

As remessas dos emigrantes aumentaram 0,6 por cento em outubro para 180,08 milhões de euros, face ao mês homólogo de 2009, e 2,8 por cento face a setembro, divulgou hoje o Banco de Portugal. De acordo com o Boletim Estatístico do Banco de Portugal, 62 por cento do total das remessas dos emigrantes portugueses teve origem em países da União Europeia (111,66 milhões de euros), com especial incidência para França (70,459 milhões de euros), Alemanha (10,155 milhões de euros) e Espanha (8,310 milhões de euros). Fora da UE, as remessas dos emigrantes tiveram sobretudo origem na Suíça (40,173 milhões de euros), EUA (8,757 milhões de euros) e Canadá (2,614 milhões de euros).

Os deputados da Assembleia da República pela Emigração lamentaram a fraca participação dos emigrantes nas eleições presidenciais e indicaram o Cartão do Cidadão e a falta de desdobramento das mesas de voto como algumas das causas. Quando faltavam apurar 11 dos 71 consulados portugueses, os números oficiais indicavam que votaram 10.915 dos 206.795 eleitores inscritos, o que representa uma abstenção na ordem dos 95 por cento. Para o deputado do PSD por Fora da Europa José Cesário, estes são “níveis de participação extremamente baixos e reveladores de um grande afastamento das comunidades relativamente a Portugal”. “Estamos fartos de dizer que é preciso fazer um esforço muito grande de informação e de aproximação a esta gente”, disse à agência Lusa, acrescentando que “não foi feita nenhuma campanha específica de divulgação destas eleições fora de Portugal”. José Cesário alertou ainda para um problema criado com o Cartão do Cidadão e que impossibilitou muitos portugueses no estrangeiro de votar. “As pessoas vêm a Portugal, tiram os documentos de identificação e, automaticamente, ficam recenseados cá. Contribuem para a abstenção aqui e, ainda por cima, são pessoas que eram ativas lá e desaparecem dos cadernos

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Deputados pela Emigração lamentam baixa participação no estrangeiro

eleitorais”, sublinhou. “Tenho nota de imensos casos de pessoas que se dirigiram às assembleias de voto e não puderam votar”, garantiu. Segundo o deputado, as conservatórias “não acolhem muito bem” quando é dada uma morada no estrangeiro, por isso, os emigrantes optam por dar a morada portuguesa sem “imaginarem as consequências disso”. Para o deputado do PSD pela Europa, Carlos Gonçalves, além do problema criado com o Cartão do Cidadão, que considera “dramático”, há ainda que ter em conta

a falta de desdobramentos das mesas. “Foi prometido pelo PS que haveria condições e que ninguém deixaria de votar por falta de mesas de voto. O consulado de Paris, que é uma área com grande população, normalmente tinha três assembleias de voto, passou a ter apenas uma”, disse o deputado. Segundo Carlos Gonçalves, “Versalhes teve apenas 86 votos e pior do que isso foi Reims, que tem cerca de cinco mil eleitores, alguns a 400 quilómetros de Paris, onde estava a mesa de voto, e que

não teve um único voto”. “Ficou provado que não havia vontade nenhuma de desdobramento das mesas de voto. Não há nenhuma vontade do actual Governo em alargar a participação dos portugueses no estrangeiro”, sublinhou. O deputado defendeu que era “fundamental” optar-se por outras formas de voto, como o voto electrónico ou por correspondência, em complemento com outro tipo de votação, para alargar o número de participantes. Carlos Gonçalves lançou ainda um apelo: “Esqueçam os partidos e pensem nas comunidades portuguesas, que é para isso que se faz política, para resolver os problemas das pessoas independentemente da cor política”. Para o deputado do PS pela Emigração, Paulo Pisco, a fraca participação dos emigrantes deixa-o “desapontado”. “Falta as pessoas terem esse impulso cívico que as leva a compreender que o direito de voto é também um dever. E que é o símbolo mais forte da nossa democracia, da capacidade que portugueses têm de condicionar os destinos do seu país”, afirmou. Paulo Pisco ressalvou ainda que os deputados, o Governo e os movimentos das comunidades estão “empenhados” em fomentar uma participação cada vez maior e em despertar nos portugueses no estrangeiro o “impulso cívico”.

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Consulados:

Deputado questiona Governo sobre actualização dos vencimentos de professores e funcionários diplomáticos O deputado José Cesário (PSD), eleito pela Emigração pelo círculo de fora da Europa, questionou o Governo, através do envio de três perguntas, sobre a actualização dos vencimentos de professores, funcionários diplomáticos e consulares. “O que está em causa é o seguinte, o Governo recentemente decidiu fazer uma actualização salarial de alguns funcionários consulares em postos colocados na embaixada e dois consulados em Inglaterra”, disse o deputado. Segundo Cesário, o Executivo tomou a medida, que admite ser justa, “porque considerou que a situação tinha-se degradado, uma vez que para além das reduções salariais que estão a existir na administração pública portuguesa, houve uma assinalável desvalori-

zação do euro face à libra”. “Nós sabemos que há outras situações concretas idênticas em vários países, na Suíça, nos Estados Unidos, no Brasil, na África do

Sul, países fora da zona euro, em que vários funcionários são confrontados, neste momento com perdas salariais que andam entre os 25 e 30 por cento”, referiu ainda o deputado do PSD. O parlamentar sublinhou que “existem neste momento situações que tenderão a ser dramáticas nalguns destes países, de que é exemplo a Suíça, envolvendo funcionários diplomáticos, consulares e professores, alguns dos quais estarão mesmo a equacionar a exoneração das funções que exercem”. “O que nós queremos saber é se o Governo, no momento que tomou aquela decisão relativamente a Londres, avaliou estas outras situações e o que pensa fazer, se pensa fazer alguma coisa para as corrigir”, finalizou o deputado.

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PORTUGAL POST Nº 199 • Fevereiro 2011

Opinião Rui Paz

Impedidos de Votar

Muitos eleitores que nos dias 22 e 23 de Janeiro se deslocaram aos consulados para votar foram impedidos de cumprir o seu dever cívico.

uitos eleitores que nos dias 22 e 23 de Janeiro se deslocaram aos consulados para votar foram impedidos de cumprir o seu dever cívico. A incapacidade do Governo de reagir em tempo útil às alterações introduzidas pela nova lei eleitoral, a não previsão da confusão que o chamado cartão de cidadão iria criar em todo o processo eleitoral, a falsa e incompleta informação dada aos eleitores no estrangeiro através da página da internet do Ministério de Administração Interna, o caos e a desactualização dos cadernos eleitorais onde ainda constam os mortos e donde foram retirados muitos eleitores vivos teriam numa empresa minimamente responsável conduzido

M

imediatamente ao despedimento de chefias e técnicos por manifesta incompetência. Mas no caso da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas e do Ministério da Administração Interna tanta irresponsabilidade já se transformou no pão nosso de cada dia e não terá quaisquer consequências para os governantes que estão na origem deste e de outros erros gravíssimos. Será que, a exemplo das medidas que têm vindo a ser tomadas com o objectivo de acabar com o ensino do português no estrangeiro, a rede consular ou o CCP, também se pretende acabar com o direito de voto dos portugueses residentes no estrangeiro? É que não há desculpa possível para tanto desprezo pelas Comunidades numa questão tão importante como é o cum-

primento do dever cívico. O mais grave é que os mandatários da candidatura de Francisco Lopes alertaram para o caos que se estava a gerar logo que tiveram acesso aos cadernos eleitorais e verificaram a desordem que ali reinava. Alertada a Comissão Nacional de Eleições, CNE, esta transmitiu imediatamente tais preocupações à Direcção Geral da Administração Interna. A qual em vez de tentar reparar o mais depressa possível os erros cometidos se embrulhou em desculpas relacionadas com a retroactividade das leis. A verdade é que muitos portugueses residentes no estrangeiro ao consultarem a página da internet do MAI encontraram lá a confirmação de que eram cidadãos eleitores, com o respectivo número e

consulado onde podiam exercer o seu direito de voto. Mas, para muitos, aquela informação era falsa, uma vez que não constavam dos cadernos eleitorais para a presidência da república, apesar de já terem votado em eleições anteriores. É difícil encontrar palavras para qualificar o descalabro e a desorganização que obrigou tantos compatriotas a percorrer por vezes longas distâncias apenas para constatarem que o MAI dá informações erradas e incompletas. Também para as Comunidades Portuguesas é cada vez mais necessária uma viragem na política nacional para que sejam levadas a sério e não utilizadas exclusivamente como uma fonte de remessas ou palco de exibição para governantes e deputados incompetentes.

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Agora que as eleições já decorreram, e ninguém me pode acusar de apelar à abstenção, decidi-me a escrever esta carta. Há algo relacionado com esse tema, eleições, e nomeadamente votação presencial, que acho incorrecto. Não é necessário possuir dotes especiais nenhuns para saber que uma das notícias do Vosso,“meu“ Jornal, será: Grande abstenção nas Eleições Presidenciais, na Comunidade Portuguesa. Eu pergunto só, é se alguém se admira que assim seja? Pergunto se alguém espera honestamente que as pessoas se desloquem, como no meu caso, cerca de 200 Km., para ir votar. Isto ainda sem pôr em causa, a importância destas eleições, a seriedade pessoal de alguns dos candidatos ou o empenhamento político de algumas forças partidárias... Eu lembro-me ainda dos argumentos utilizados para tornar o voto presencial: Ninguém poderia garantir que os que preenchiam o boletim de voto seriam os próprios eleitores... Ora, eu pergunto, se sendo o voto por correspondência possível na Alemanha, alguém já se tenha lembrado de pôr a verdade democrática neste país em causa? Eu acho também suspeito, cada vez que se subestima a inteligência do povo para justificar certas medidas. O resultado são normalmente atropelos à Democracia. É assim que eu o considero, porque neste caso aqueles que

habitam longe dos Consulados são simplesmente discriminados. Isto é para mim uma distorção da Democracia e de direitos de cidadãos portugueses. Para se ir votar num caso destes, é mesmo necessário uma dose enorme de Idealismo, o que perante a classe política que temos, não será muito fácil de encontrar, sem querer ofender ninguém, em pessoas num perfeito estado de espírito. Pergunto também, onde estão as tais prometidas mesas de voto noutros locais? Promessas para acalmar as pessoas? Ou será que no futuro, teremos para o efeito subsidios de deslocação, dos quais os senhores deputados vão prescindir? Ponho em causa ainda, se a informação que os potenciais eleitores têm sobre a realização de eleições é suficiente? Nem todos lêem o Portugal Post. Outras comunidades estrangeiras, como a italiana, são nesse aspecto melhor informadas. Não adianta estar sempre com frases, em lindos discursos, como: Os emigrantes são os melhores Embaixadores de Portugal no mundo e depois, na prática, estar sempre a criar dificuldades às pessoas. Poderia enumerar outros casos, mas fico por aqui. Garanto que a minha crítica tem uma intenção construtiva e é completamente alheia a quaisquer interesses partidários. Muito obrigado pela atenção prestada e com os melhores cumprimentos! José Lopes Denzlingen


Comunidade

PORTUGAL POST Nº 199 • Fevereiro 2011

Opinião Carlos Gonçalves*

Ensino do português na Alemanha: uma afronta à Comunidade Portuguesa

Foto: arquivo PP

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ensino da língua e da cultura portuguesa é hoje em dia uma das vertentes mais importantes que o Estado português deve assumir em termos externos de forma a potenciar o valor da nossa língua no Mundo e a consolidar as ligações entre Portugal e a sua Diáspora. De facto, considero que a língua portuguesa é hoje uma verdadeira mais valia que Portugal pode e deve aproveitar para reforçar a nossa posição no sistema internacional e nos diversos fóruns onde temos assento de forma a fazer valer as nossas posições num espaço global cada vez mais competitivo. Nesse sentido o PSD apresentou já, nesta legislatura, um Projecto de Resolução expressando as suas ideias de fundo sobre esta área, que traduzem uma visão de fundo para toda a organização do ensino do português no estrangeiro e que têm em vista modernizá-lo e torná-lo mais apelativo para as gerações mais jovens dos nossos compatriotas que vivem fora de Portugal. O que se passa na Alemanha, com a abertura de concursos para a contratação de docentes é pura e simplesmente inadmissível. Como é possível que depois das aulas terem começado no Verão pas-

sado ainda se esteja nesta altura a abrir concursos privando, dessa forma, um elevado número de alunos de terem as aulas de português. Tenho alertado repetidamente para esta situação, quer através de Perguntas ao Governo, quer até na própria Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, aproveitando a presença do Ministro dos Negócios Estrangeiros, mas a verdade é que a situação vai-se arrastando e nada é resolvido. Ao mesmo tempo parece-me ser igualmente estranho que diversos responsáveis políticos da área do Governo se tenham vindo

congratular publicamente com a abertura recente destes concursos, quando o ano lectivo na Alemanha se iniciou em Agosto ou Setembro demonstrando um claro desconhecimento da realidade das nossas Comunidades e neste caso concreto, da Comunidade portuguesa residente na Alemanha. Esta situação é uma clara afronta à dignidade das Comunidades Portuguesas. Como é possível explicar aos pais dos alunos ou às autoridades alemãs da área do ensino que os cursos de português ainda estejam por abrir quando praticamente estamos a meio do ano lectivo? Esta situação pela sua gravi-

dade deve fazer, de uma vez por todas, reflectir aqueles que continuam a não entender verdadeiramente os problemas por que passam os portugueses que residem fora de Portugal, no sentido de se encontrarem as políticas que vão ao encontro das necessidades da nossa Diáspora. Finalmente termino deixando mais um exemplo da postura, que considero errada, em particular do Partido Socialista, nesta matéria tão importante como o ensino da língua portuguesa, que ontem, na Assembleia da República, durante a discussão de um Projecto de Lei do PSD para incluir dois elementos do Conselho das Comunidades Portuguesas no Conselho Nacional de Educação, manifestou a clara intenção de não ir ao encontro da nossa pretensão e do desejo da maioria dos actores na área do ensino da língua. Com esta posição o partido que apoia o actual Governo demonstrou uma vez mais que, sempre que está em causa o aumento da representatividade das Comunidades Portuguesas no nosso país, tem sempre dúvidas, suscita dificuldades, encontra obstáculos e nunca vai ao encontro dos interesses daqueles que só nos discursos de circunstância têm lugar. É preciso mudar esta realidade…e muito rapidamente!

Cônsul-Geral de Portugal em Estugarda ao PP

Permanências Consulares em Munique e Singem devem manter-se Em Singen e Munique correu o rumor público do fim das Permanências Consulares. O PP ouviu diversos membros da Comunidade que se mostraram inconformados e incrédulos com tal hipótese. O caso das Permanências Consulares- bimensais- em Munique e Singen ganhou visibilidade no interior da Comunidade residente naqueles pólos maiores da Baviera. O vazio criado pela exoneração do antigo Cônsul Honorário de Portugal na capital bávara e a centralização em Lisboa da emissão dos três documentos essenciais da vida „ oficiosa „ do Emigrante causaram perturbações inerentes no processo de apoio consular ambulatório, segundo apurou o nosso jornal junto de elementos privilegiados da colónia de Munique . Ouvimos também o dr. Manuel Samuel, Cônsul-Geral em Estugarda, sobre tão momentoso problema que desdramatizou a situação: „Solicitámos ao MNE para o ano de 2011 a realização das Per-

manências Consulares, que compreende a nossa expensa a deslocação de um funcionário e, no caso de Munique, estamos a tentar que ele possa atender a Comunidade na Câmara, em instalações por aluguer. Em Singen iremos manter o nosso serviço na autarquia. Em principio, estamos a contar que Lisboa autorize porque é a política do MNE manter as Permanências em funcionamento“. „ Esta questão das Permanências é importante porque se trata de um acompanhamento que tem sido dado à Comunidade. O acompanhamento é uma questão fundamental. Por causa das falsificações „ científicas „ dos nossos dias, os serviços emissores oficiais de documentos- Cartão do Cidadão, B. Identidade e Passaporteviram-se obrigados a uma concen-

tração logística preventiva, o que reduziu o impacto dos serviços ambulatórios do Consulado „, acrescentou. „As Permanências fazem parte de um acompanhamento técnico da Comunidade.:Estar presente junto das pessoas para prestar apoio Social que serve de Informação básica e evitar uma deslocação antecipada ao Consulado de Estugarda., que só se verifica para actos presenciais indispensáveis. Para isso deslocamos o Técnico Social a Munique e a Singen. Portanto, as Permanências nunca foram interrompidas e vão-se manter. Estamos à espera que sejam programados os custos e pensamos arrancar brevemente“, disse-nos por fim. Em Singen e Munique correu o rumor público do fim das Permanências Consulares. O PP ouviu diversos membros da Comunidade que se mostraram inconformados e incrédulos com tal

hipótese. Há questões técnicas a resolver, sobretudo em Munique. Porque as instalações onde funcionavam as Permanências- Missão Católica- não são as mais adequadas, segundo uma fonte que reclamou o anónimato. As instalações em Singen- na sede da autarquia alemã- também são apontadas como não funcionais a cem por cento. Todo o processo veio despoletar a necessidade de ser nomeado um novo Cônsul Honorário de Portugal em Munique, questão que as autoridades de Lisboa na Secretaria de Estado das Comunidades evitam perspectivar e analisar. Há ano e meio que Munique não tem Cônsul Honorário e a Comunidade lusa local e regional não pode ficar sujeita a fazer quatro centenas de quilómetros (ida e volta) caso necessite de um documento oficial urgente. F.A..R.

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Comunistas na Alemanha contentes com os resultados eleitorais Num comunicado enviada à redacção do PP, o Organismo de Direcção dos Comunistas Portugueses residentes na Alemanha (ODN) diz congratular-se pelo resultado alcançado por candidato Francisco Lopes no total das seis áreas consulares da Alemanha. Segundo o PCP, o candidato comunista duplica a percentagem de votos em relação às eleições presidenciais anteriores, “passando de 7% (2006) para 13,5% (2011)”. Os comunistas portugueses na Alemanha destacam ainda resultado alcançado na área consular de Dusseldorf “onde a candidatura de Francisco Lopes obtém o dobro da votação de 2006, sendo o segundo candidato mais votado e subindo de 9,41% para 30%, tendo provocado ali a perda da maioria absoluta de Cavaco Silva que baixou de 65% para 41%” O PCP chama ainda a atenção para o facto de “numerosos eleitores, que, depois de terem percorrido por vezes grandes distâncias, foram impedidos de votar, apesar de constarem como votantes nas páginas da internet do Ministério da Administração Interna, são mais uma prova da incompetência, da irresponsabilidade e do desprezo do Governo pelas comunidades.” O comunicado realça os 90 anos da sua fundação “com a sua história gloriosa da resistência contra o fascismo, com o seu contributo incomensurável na grande revolução libertadora do 25 de Abril e posteriormente na luta contra as políticas anti-sociais, antidemocráticas e antipatrióticas dos sucessivos governos - é necessário reforçar este grande partido, não só votando nele, mas também aderindo ao PCP para que a luta por um Portugal mais justo, mais digno, mais livre e democrático seja ainda mais forte e mais eficaz.”, conclui o comunicado.


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Comunidade

PORTUGAL POST Nº 199 • Fevereiro 2011

Afinal quantas associações existem na Alemanha? Com esta interrogação dirigimo-nos aos consulados para apurar o número de colectividades lusas neste pais. Esta necessidade de apurar o número exacto de associações deveu-se ao facto de nos chegar amiúde informações sobre o encerramento de colectividade recreativas, culturais e desportivas na Alemanha. Sendo núcleos importantes para o convívio social dos seus associados, o papel das associações portuguesas (no estrangeiro) ultrapassa, em muitos casos, a sua própria vocação. Não poucas as vezes em que as associações estando bem integradas socialmente nas localidades onde estão, elas funcionam como um importante instrumento de promoção de cultura e do modo de ser português, ajudando desta forma a que os cidadãos das localidades de acolhimento despertam para a nossa cultura, língua e até para o interesse turístico pelo nosso país. Pena é que esta função não seja reconhecida por quem de direito. Mas isso é outra história. Hoje, o número de associações diminuiu consideravelmente. No final dos anos 90 contava-se mais de 200 as associações em actividade. E se voltarmos mais atrás, aos anos 80, contavam-se quase 300 as associações existentes

neste país. Mas o mundo, as pessoas e os seus interesses muito mudaram e quando chegamos ao ano de 2004 o número de colectividades divulgado após um recenseamento era de 175. Em 2011, no princípio do ano, portanto, contavam-se, segundo dados recolhidos em todos os consulados, exactamente 145, sendo a tendência para diminuir. Aliás, de alguns consulados informaramnos que este número pode até ser mais baixo “porque todos os dias encerram associações”, disse-nos um fonte consular. Assim, temos que na área de jurisdição da secção consular de Berlim (que abrange quase toda a ex-RDA) o número de associações é zero. Ao nos dar esta informação, a responsável pela secção consular, Lúcia Portugal Núncio, manifestou alguma admiração por não existir qualquer actividade em Berlim, Leizig, Halle, Dresden, etc. Já em Frankfurt, do consulado, informaram-nos a existência de 30 associações, sendo que em 2004 haviam cerca de 40. Em Düsseldorf, a área consular mais populosa da Alemanha,

disseram-nos que neste momento existem 48 colectividades, “inclusive ranchos folclóricos”. Sendo esta uma área com grande potencial em termos de iniciativas associativas, convém lembrar que as grandes cidades desta área como Dortmund, Dusseldorf, Colónia perderam ou não têm associações. Recorde-se que, segundo dados divulgados em 2004, esta área já teve muito mais do que cinquenta agremiações. No que se refere a uma outra região com muitos portugueses, a a área consular de Estugarda que abrange os Estados de BadenWürttemberg e Baviera, são trinta e uma as associações registadas no consulado. Em 2004, eram mais dez, isto é, quarenta e uma. A seguir vem a área consular de Frankfut com trinta associações, perdendo 9 de 2004 até a este momento. Em Hamburgo são, segundo o consulado local, „sete associações mais quatro clubes desportivos. Isto é, onze colectividades. Em 2004 havia igual número de agremiações naquela área. Segue-se a área consular de Osnabrück com 25 associações, perdendo de 2004 até ao presente momento sete agremiações. Feitas as contas, a comunidade lusa neste país conta com cerca de cento e quarente e cinco agremiações espalhadas pela Alemanha, menos trinta do que em 2004.

Estado português atribui € 10.000 a associação em Allgäu

Segundo o nosso jornal consegui apurar, O ConsuladoGeral de Portugal em Estugarda vai apoiar “Os Leões de Wangen im Allgäu” com uma verba de 10.000 €, afundo perdido, para as obras de remodelação das respetivas instalaçõe O pedido formulado pelo Centro Cultural Português “Os Leões de Wangen im Allgäu” foi apresentado ao Consulado-Geral e submetido ao Ministério dos Negócios Estrangeiros. Na senda de outros subsídios financeiros recentemente atribuídos a várias instituições do movimento associativo nesta área de jurisdição consular, as autoridades portuguesas decidiram reconhecer e incentivar o esforço daquele Centro Cultural, que apre-

sentou um projeto credível de investimento, tendente a melhorar a sua ação, nomeadamente social e recreativa, para usufruto dos portugueses residentes na região de Wangen im Allgäu. O Consulado-Geral de Portugal em Estugarda diz em comunicado que aproveita esta ocasião para reiterar o seu habitual apelo ao movimento associativo português no Bade-Vurtemberga e na Baviera para que continue a desenvolver o apoio social, recreativo, cultural e desportivo à nossa Comunidade, podendo sempre contar com a colaboração deste posto consular, em particular para a instrução de pedidos de apoio financeiro, bem elaborados e justificados, a dirigir às autoridades portuguesas, com vista a alargar a intervenção do associativismo junto de todos os portugueses residentes no sul da Alemanha.

Bolsas de Estudo para Estudantes Universitários – Ano 2010/11

No seguimento da notícia que publicamos, na passada edição, que dava conta da „escassez de pessoal“ no Consulado de Hamburgo, o Portugal Post falou com o Cônsul Geral de Portugal António José Alves de Carvalho. Reconhecendo que o Consulado trabalha actualmente em condições difíceis, o cônsul-geral informou-nos que tal acontece devido a razões de saúde e força maior que levaram o chanceler o vice-cônsul a ausentarem-se desde Julho do ano passado. Por outro lado, a ausência de uma outra funcionária por razões de saúde do marido reflecte numa quebra de prestação de serviços consulares. Assim, o posto viu-se privado de três elementos essenciais na área da chancelaria, contabilidade e arquivo, passando a funcionar a dois terços da sua plenitude, com apenas três elementos dos seis iniciais. Os utentes são sem dúvida os mais prejudicados, que por vezes só dispõem de um ou dois funcionários no atendimento de cancelaria e traduções. O com-

A Embaixada de Portugal em Berlim informa que se encontra aberto, até ao próximo dia 15 de Março, o prazo de candidatura às Bolsas de Estudo para Estudantes Universitários portugueses que completaram o Ensino Secundário Liceal alemão em 2010 e ingressaram no Ensino Superior na Alemanha no ano lectivo 2010/11. Esta iniciativa foi concebida como um incentivo aos jovens portugueses para a frequência do Ensino Superior na Alemanha que tenham obtido as melhores notas no final do Ensino Secundário Liceal. Os estudantes interessados deverão enviar uma carta de candidatura à Embaixada de Portugal em Berlim acompanhada dos documentos mencionados no Regulamento em anexo. A presente iniciativa da Embaixada de Portugal em Berlim conta com o financiamento de cinco bolsas pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas), assim como com o patrocínio da Caixa Geral de Depósitos, concedido através do seu Escritório de Representação na Alemanha, para o financiamento de uma das Bolsas. As Bolsas de Estudo a atribuir, num máximo de 6 (seis), são no montante de 2.000 (dois mil) Euros cada uma.

Foto: Arqui PP

Consulado Geral de Portugal em Hamburgo sem pessoal para corresponder às necessidades

Maria dos Anjos entrevista o cônsul em Hamburgo passo de espera triplicou e, daí, o inevitável nervosismo de quem acorre ao consulado. Interrogado sobre que medidas urgentes a tomar para resolver a situação, António Carvalho, não apresentou soluções de curto prazo que acalme as preocupações dos utentes. “Após o meu regresso, de férias, em Agosto, alertei o Ministério dos Negócios Estrangeiros onde encontrei sempre a disponibilidade e colaboração para a resolução deste problema. Também

contamos com a estreita colaboração da Embaixada de Portugal em Berlim de onde se desloca periodicamente um técnico de contabilidade para manter em boa ordem o funcionamento deste posto“, disse-nos o cônsul. Recorde-se que este assunto já mereceu, na Assembleia da República, uma pergunta ao Governo pelo deputado da oposição Carlos Gonçalves. Maria dos Anjos Santos Hamburgo


Comunidade

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Recenseamento eleitoral

Fala o Leitor

Osnabrück sobe ao pódio Uma das causas para a fraca participação dos portugueses em eleições tem a ver com o número de portugueses que estão recenseados para votar. Sem medidas impostas pelos governos que façam com que mais se inscrevam nos cadernos eleitorais, os portugueses alheiam-se cada vez mais do processo democrático do país que são as eleições. Para além da incapacidade das entidades oficiais em trazer mais portugueses para os cadernos eleitorais, as razões para que os portugueses se sintam desmotivados e, sobretudo, alheados da vida política do seu país, tem a ver com outras análises de cariz mais sociológico. Mas isto não implica a conclusão que se possa tirar que indica que o alheamento dos portugueses emigrantes tem a ver com o ostracismo a que é votado por todas as entidades politicas e ainda pela comunicação social que não percebe nada da realidade das comunidades. Para estas últimas eleições estavam inscritos na Alemanha 12.468 eleitores. Fazendo uma ronda pelas áreas consulares, constamos que cabe ao vice-consulado de Osnabrück o primeiro lugar no pódio no que diz respeito ao número de inscritos nos cadernos eleitorais com 3206 inscritos num universo de cerca de 15.800 portugueses registados naquele posto, o que não deixa de merecer um sublinhado especial pelo facto de esta área não ser que que mais

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Simpósio Cultural sobre o Arquitecto Manuel Jose Herigoyen

Uma iniciativa que muito prestigiou a comunidade

O portugueses regista. Para que os inscritos nos cadernos eleitorais tenha atingido este número, o vice-consulado tem a preocupação de chamar a atenção de cada utente para o recenseamento eleitoral, sendo este o segredo do êxito daquele posto. No panorama do número de inscritos para votar, surge a área consular de Estugarda com 3190 recenseados no universo de 33. 184 Nacionais divididos pelos Estado de Baden-Württemberg e Baviera. Na posição a seguir com maior número de recenseados surge a área consular em Dusseldorf com cerca de 3091 recenseados nos cadernos eleitorais num universo de 29.305 portugueses. Embora não abrangendo todo o Estado da NRW, a área de jurisdição do Consulado-geral em Dusseldorf é a mais populosa em termos de residentes nacionais.

Hamburgo, que tem, falsamente, a fama de ser a região com mais número de portugueses, tem apenas 880 portugueses inscritos nos cadernos eleitorais. A população portuguesa naquela área conta com cerca 10.152 portugueses divididos pelos Estados de Hamburgo, Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Schleswig-Holstein e ainda agumas regiões da Baixa Saxónia. Em Frankfurt registam-se 1931 eleitores espalhados pelos Estados de Hessen, Renânia do Platinado e Sarre. Nestas regiões, segundo dados estão inscritos no vice-consulado em Frankfurt cerca de 20.931 portugueses. Por último, a área da secção consular em Berlim regista 164 recenseados num universo de 5.021 portugueses inscritos do posto consular. Recorde-se que a área de Berlim abrange quase toda a região da ex-RDA.

GENTE A POETISA MARIA DO ROSÁRIO nascida em Odemira residente em Nuremberg desde 1987 anunciou o lançamento de mais um livro com o título “Um sumário da minha vida no século passado" depois de ter publicado o título Atlantikblau und Olivengrün" . Os dois livros da autora têm encontrado êxito junto do público na Alemanha e em Portugal. Com uma poesia onde se acentua a sua sensibilidade repartida pela terra onde nasceu e a terra que a acolheu, Maria do Rosário Loures tem a vantagem de traduzir aquilo que escreve para alemão, encontrando a medida certa das palavras para exprimir o seu estado de alma na língua de goethe e de Camões. Não próxima edição se falará mais a fundo da poesia desta autora. Onde se pode adquirir os livros desta autora? Aqui www.ediumeditores.org Foto: da autora

Simpósio Cultural sobre o Arquitecto Manuel Jose Herigoyen que se realizou em Munique no passado dia 29 de Outubro, foi uma iniciativa louvável, sobre a qual Portugal, bem como a Comunidade Portuguesa na Alemanha, devem estar gratos pela forma como este contribuiu para promover a imagem do nosso País fora de portas. Este Simpósio pretendeu ser também uma iniciativa de maior aproximação entre o Estado Português e o Estado da Baviera. As ligações entre estes dois estados são já bastante antigas e a vida e obra de Herigoyen foram também um importante contributo para fortificar esses laços. Manuel José de Herigoyen nasceu em 1746, em Belas nos arredores da cidade de Lisboa e estudou no colégio das Necessidades. Em 1804 foi contratado pelo Príncipe de Ratisboana (Regensburg) como responsável máximo por todas as obras do principado. Em 1810, o Rei Maximiliano José I nomeou M.J. Herigoyen como Alto-Comissário das Obras Régias da Baviera. Faleceu em 1917, em Munique, tendo trabalhado até aos últimos dias da sua vida. O Simpósio teve lugar num dos mais nobres locais de Munique, a Königssaal do Palácio Montgelas, actualmente integrado no prestigiado Hotel Bayerischer Hof, em Munique, também obra do próprio Herigoyen, e contou com varias altas personalidades, quer da Baviera, quer de Portugal. Entre estas personalidades salientamse as presenças do Secretário de Estado da Cultura de Portugal, Dr. Elísio Summavielle (em substituição da Ministra da Cultura, impedida de se deslocar a Munique por motivos da aprovação do Orçamento de Estado), do Ministro de Estado da Baviera para a Ciência, Investigação e Arte, Dr. Wolfgang Heubisch, do Embaixador de Portugal em Berlim, José Costa Pereira, entre outros. De destacar também que das 150 pessoas inicialmente previstas, compareceram a este evento mais de 200 pessoas. A realização deste simpósio foi da iniciativa do Círculo de Amigos de Herigoyen, liderada por José Rodrigues dos Reis, contando também com o importante apoio de Sissy Prinzessin zu Bentheim und Steinfurth e do Dr. Hermann Reidel, ambos também grandes amigos de Portugal, bem como com a colaboração da cantora Micaela di Catalano, do jovem arquitecto

Pedro Castro e do empresário José Fonseca. Embora este circulo de Amigos do Herigoyen não esteja ainda efectivamente formalizado, é de louvar a forma empenhada e persistente, como este grupo de pessoas conseguiu concretizar um evento com esta qualidade, apesar dos limitados recursos disponíveis. A organização do evento contou também com um apoio muito próximo do Consulado de Portugal em Estugarda, pela pessoa do Cônsul Geral, Dr. Gomes Samuel, e com um importante Patrocínio da Siemens, acompanhado de um grande empenho pessoal do próprio Engenheiro Pires de Miranda, Administrador da Siemens AG, em Munique. O simpósio teve ainda o patrocínio do Restaurante Lisboa Bar, da Sociedade Agrícola Herdade dos Lagos e do Banco Santander Totta. Lamentável que em relação a este evento tenham saído algumas notas menos rigorosas e pouco favoráveis, em exemplo de algum do mau jornalismo que se faz em Portugal, no qual se pretende dar mais importância à noticia, e a aos interesses de quem está por trás dela, do que aos próprios eventos. Também é de lamentar a reduzida cobertura que o evento teve por parte dos media nacionais, os quais, na sua generalidade, têm favorecido mais a intriga e a cobertura de casos sensacionalistas, inundando o publico de noticias de pouca qualidade, numa atitude que pouco tem contribuído para o enriquecimento cultural do País e para o seu desenvolvimento. Numa altura de crise, como a actual, é de absoluta importância a forma como a Comunidade Portuguesa deve estar unida em torno do objectivo comum de procurar melhorar a situação nacional, devendo prestar a devida atenção àquilo que nos pode valorizar. Gostaria ainda de partilhar o sentimento da generalidade daqueles que estiveram presentes no Simpósio e deixar o apelo para que futuras iniciativas como esta sejam realizadas, continuando a contribuir desta forma, não só para uma maior aproximação entre os estados da Baviera e de Portugal, como também para uma maior valorização da comunidade Portuguesa na Baviera. António Bento Professor da Universidade de Coimbra Cientista convidado do Max-PlanckInstitut fuer Physik, Muenchen


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Negócios

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RMF-Rodrigues GmbH na vanguarda de persianas telecomandadas e janelas PVC

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Emigrante criou de raiz o seu sucesso numa PME, situada nos arredores de Estugarda. Caso singular de grande relevância e excepcional combatividade. Num sector de alta concorrência, Serafim Rodrigues soube apostar na qualidade, rigor e fiabilidade. Fomos encontrar o gerente no seu escritório do atelier industrial que dirige. Fundou a firma há 21 anos depois de ter estudado e de se ter capacitado com vontade férrea de vencer. Aprendeu a acreditar e imporse só pela qualidade. Operou nesse sentido e soma sucessos. Tem já uma unidade industrial semelhante nos arredores de Aveiro. São duas décadas de desafio e conquista palmo-apalmo., com os pés muito bem assentes no chão. Grande exemplo, sem dúvida nenhuma. “Tirei a minha profissão (Ausbildung), depois realizei um estágio técnico com estudos paralelos de Economia. Com tudo isso, aos 28 anos, decidi e pensei - trabalhar para

os outros porquê !?!-e decidi abrir uma empresa. Comecei com uma empresa pequenina. Foi crescendo e segue em frente. Temos já uma filial em Portugal, na zona de Vagos, para a fabricação de janelas PVC, sobretudo. O produto é todo alemão: trabalhamos com materiais de alta qualidade. E cumprimos rigorosamente os prazos.“ confirma-nos com orgulho e determinação. Serafim Rodrigues está integradíssimo nas Federações do sector onde ganhou competitividade. Não pára de aprender. Dialoga com s seus parceiros e participa em seminários e workshps de Informação e Gestão. Vai tentar entrar no mercado angolano, em

breve. Com conta, peso e medida, que é a sua divisa exemplar. Sabe muito bem o que quer e para onde quer ir. É um empresário modesto, sincero e implacável na defesa e promoção da sua visão de rigor e honestidade. „Estamos associados em várias entidades patronais e técnicas ligadas ao sector da Serralharia e Caixilharia, Toldos e Portas blindadas. Tanto aqui como em Portugal, onde encontra parceiros e ideias para qualificar o produto. Temos Seminários, encontros técnicos, convívios . Vamo-nos ajudando uns aos outros. O nosso ramo é muito grande: estores, janelas, portas. Temos muitos sectores que nos esforçamos por desenvolver. Temos clientes portugueses, ou que residem no espaço europeu: Suiça, França, Bélgica, Alemanha, Luxemburgo, principalmente „, apontou. Chaves do seu sucesso: „ Pontualidade e qualidade são as nossas regras de base incon-

tornáveis. Aquilo que prometemos, cumprimos. Cumprimos tanto com o material como com o calendário das datas de execução. Nunca pedimos dinheiros adiantados: isso, cremos, é fundamental. Porque uma empresa que funciona nesses moldes técnico-financeiros ganha quota no mercado altamente concorrencial. „, revelou-nos com desassombro. “Em Portugal, infelizmente, olha-se muito para o que está abaixo do risco. E não o que está acima do risco. Numa obra, lá, o que faz a proposta mais baixa é o que ganha. Não se olha a material, não se olha a qualidade, não se respeitam prazos. E depois existe ainda uma feroz concorrência e os materiais são muito diferentes. Os nossos materiais são todos de marca registada alemã, e são materiais de altíssima qualidade. E torna-se, portanto, muito dificil vender esses materiais“, sinteiza, por fim. F. Almeida Ribeiro

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Negócios

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Pedro Correia, líder-gestor da Fonseca GmbH

Queremos consolidar a nossa aposta na excelência ! nais. Os gigantes armazéns da sede de Singen permitem uma capacidade logística na ordem das dezenas de milhares de metros cúbicos, com as condições térmicas de controlo científico certificadas. „Fazemos um Planeamento Estratégico, a cinco anos. Realizamos revisões anuais. Estamos agora a trabalhar num novo Plano Estratégico. Até agora cumprimos basicamente os pontos mais importantes do primeiro. Tivemos a capacidade de criar um lay-out, um logo e uma filosofia para as nossas Lojas. Tivemos a capacidade através da Net de criar a Feinesverpackt. Temos 3000 clientes registados com uma quantidade de páginas vistas invulgar. Trabalhamos no envio mais de 500grandes produtos dos 4 mil que comercializamos na empresa. „, afirma, sem margem para contestação.

Pedro Correia, gestor e lider da Fonseca GmbH, empresa de ponta do sector da Distribuição Alimentar lusa na Alemanha, arrisca-se a ser um dos mais inovadores e batalhadores dos líderes empresariais de extracção portuguesa do momento. Credenciado, a título universitário e experiência profissional, informado e com férrea vontade de comando, afável e sincero, racionaliza o lançamento de uma cadeia de Supermercados e Cafetarias com a chancela da firma até 2015. Este ano espera abrir mais um Super/cafetaria em Konstanz; e estuda as regiões de Berlim e de Zurique para investir com a marca-farol do grupo, cuja facturação deverá rondar os 10 milhões de Euros. O negócio On Line -com taxas surpreendentes de crescimento - e a entrada no fornecimento à Grande Distribuição alemã são outros vectores capitais da sua gestão ousada, moderna e super-dinâmica. Como o escreveu Jack Wels, o gestor dos gestores do séc.XX,, os melhores gestores são os que se „ preocupam apaixonadamente com quem trabalham - com o seu crescimento e o seu sucesso. Eles são verdadeiros, francos e íntegros, optimistas e humanos „.Para os funcionários e clientes, claro está. Gerindo riqueza e criando sinais de sucesso e prestígio. Não esquecendo ninguém. Pedro Correia encaixa-se à maravilha neste

Foto: Arquivo

Jovem gestor temperado pela prática da negociação, defende o valor das ideias e da ética como suplementos activos e insubstituíveis do progresso económico e humano.

Pedro Correia, gestor da Fonseca GmbH quadro de excelência, rigor e inovação. Há sete anos consciencializou-se do incontornável desafio que a sua família lhe remeteu: continuar a gesta comercial lançada pelo sogro. Com o conselho e a prudência jurídica de sua esposa, tem somado sucessos e conquistado quotas aliciantes de mercado no país mais rico da Europa. “A empresa quase que triplicou o seu turn-over (resultados globais) desde 2003, que foi quando eu e a minha esposa assumimos plenos poderes. Num panorama de crise envolvendo os últimos cinco anos - de que se fala tanto - as coisas têm crescido bem, convenhamos. Em 2005, realizámos o primeiro Documento Estra-

tégico da Empresa, que definiu as áreas prioritárias de intervenção: criação de Lojas próprias ( retalho), a entrada no Negócio On Line e também a experiência de negociarmos como fornecedores para a grande Distribuição Alemã . Criámos uma filosofia, um layout, para lançarmos os nossos supermercados com cafetarias „, apontou. O segredo do sucesso da Fonseca GmbH é insofismável. Passa por uma Gestão de Objectivos realista e sustentada. Sem crédito a onerar e incentivando uma criatividade impressionante na contratação e acompanhamento de funcionários de elevada competência profissional, hoje a rondar as quatro dezenas de profissio-

Somos uma empresa alemã que concorre no Mercado global A lógica da Excelência que envolve a Estratégia de Gestão e Marketing da Fonseca Gmbh tem sólidas referências , implementa rigor técnico-financeiro e um protocolo ético muito forte. No nosso entender, isso explica o sucesso imparável da firma. Assim, sublinhámos ao nosso interlocutor as traves - mestras de uma estratégia vencedora: Ganha sempre o mais sério, o que mais empenhado está em vencer, o que tem mais valores, o que tem mais Qualidade na gestão e serviços. O que defende os preços justos e quitáveis. Os

bons resultados nascem da conjugação dessas referências nucleares e incontornáveis. Ele concordou e sublinhou ainda: „ A certo momento as empresas ganham vida própria, não é? Deixam de ser unicamente as pessoas que lá estão mais as suas circunstâncias, as suas relações „. „A verdade é que três das principais rupturas que criámos aqui dentro foram: Em 1° lugar, as pessoas não são insubstituíveis; em 2°, a antiguidade não é um posto; em 3° lugar, havia um pouco aquela noção de que esta empresa Fonseca em Singen iria ter sempre dificuldades em recrutar mão-deobra com qualidade. Conseguimos fixar bons Recursos Humanos. A Fonseca GmbH é uma empresa alemã e lida de igual para igual na contratação de funcionários de elevado potencial. E a verdade é que, hoje em dia, temos plena capacidade em fixar bons Recursos Humanos. E isso, para nós, era o problema fundamental „,vincou. Por fim, Pedro Correia acrescentou ainda um tese na sua estratégia de sucesso.“ A nossa aposta é uma aposta na Especialidade. Identificamo-nos como especialistas em produtos alimentares e bebidas do Sul da Europa. E é por isso que ultrapassámos o conceito de „ Comércio Étnico „, de intervenção nacionalista restrita e fechada. Tentámos conceber uma Loja que pode ser maximizada com a presença de clientes portugueses, mas não tem necessariamente que viver dependente. Tivemos muito cuidado no desenvolvimento deste conceito. E entendemos que, em termos de público, podemos contactar e concorrer no mercado aberto alemão „, concluiu. F.Almeida Ribeiro

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Alemanha

PORTUGAL POST Nº 199 • Fevereiro 2011

Segundo reportagem do canal ZDF

Alemanha Suicídios e criminalidade entre precisa de jovens jovens problemáticos enviados portugueses com para Portugal formação média e superior A Alemanha enviou nos últimos anos crianças e jovens problemáticos para serem reeducados em Portugal por associações privadas, mas entre eles têm surgido casos de criminalidade e até de suicídio, revelou a televisão pública ZDF. Na reportagem surge uma alemã que trabalhou durante oito anos para uma das associações dizendo que os relatórios que fazia sobre a evolução do comportamento dos jovens “eram censurados” para que eles não fossem reenviados para a Alemanha e a associação não perdesse o subsídio do Estado. A ex-educadora, que não é identificada na reportagem, acusa as associações de serem “uma verdadeira máfia social”, que só têm interesse em manter os jovens em Portugal o máximo de tempo possível, para receberem dinheiro da assistência social alemã. A jornalista da ZDF entrevistou também portugueses perto de Lagos e em Aljezur que lhe relataram vários delitos cometidos por

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jovens alemães – que em Aljezur terão mesmo incendiado um clube de motards - a cargo de educadores das mesmas associações. Um jovem alemão toxicodependente, Gordon, de 22 anos, confessa também à ZDF que teve 17 tutores desde que chegou a Portugal, há cinco anos, e que alguns deles também eram consumidores drogas. As ajudas do Estado alemão para a reeducação de Gordon, pagas a uma associação privada em Portugal, atingiam 3.800 euros por mês e cessaram quando ele completou 18 anos, diz-se na reportagem. Gordon decidiu, mesmo assim, ficar em Portugal, por já não ter família na sua pátria e por ter alguém que o ajuda financeiramente no país de acolhimento. A ZDF entrevistou também dois pedagogos que cuidaram de jovens alemães em Portugal, entretanto regressados à Alemanha, que contam que o caso mais problemático foi o de um jovem que

já tinha tentado suicidar-se na Alemanha e que depois também tentou matar-se em Portugal, engolindo lâminas. Além disso, o canal público alemão falou com o presidente do Instituto de Segurança Social (ISS), Edmundo Martinho, que confirmou que já houve dois casos de suicídio entre jovens alemães problemáticos, além de vários delitos cometidos por estes. O mesmo responsável revelou também que várias associações alemãs que fazem este trabalho já estão na mira do Ministério Público português. “Há vários casos de jovens em estado crítico, entregues à sua sorte, e casos de criminalidade”, afirmou o presidente do ISS. “Esta situação só é boa para as autoridades alemãs, que se livram dos jovens problemáticos, e para as associações que tomam conta deles, que ganham bom dinheiro, mas é má para os jovens”, disse ainda Edmundo Martinho. FA.

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Os democratas-cristãos alemães (CDU/CSU) estão a debater formas de angariar jovens portugueses com formação média e superior para o seu mercado de trabalho, para suprir a falta de quadros na Alemanha e ajudar Portugal a reduzir o desemprego. “Acho que seria benéfico para ambos os países, porque Portugal tem um desemprego elevado entre os jovens, e na Alemanha a falta de força de trabalho qualificada é cada vez mais premente”, disse à Lusa o vice-presidente do grupo parlamentar da CDU, Michael Fuchs. O político conservador, esclareceu, no entanto, que “se trata de uma ideia que está a ser debatida a nível da CDU”, e também do outro partido do governo os Liberais, “mas não há ainda planos concretos sobre formas dee angariação” por exemplo. Quanto às áreas de recrutamento, “as novas tecnologias são um dos domínios com mais falta de especialistas, mas há muitos outros setores para os quais se podem angariar jovens trabalhadores estrangeiros, já com cursos superiores ou com o ensino médio concluído, para fazerem a formação profissional aqui”, sublinhou Fuchs. “Sublinho, no entanto, que ainda não falámos de medidas práticas”, acrescentou o deputado democrata-cristão. Em declarações à Lusa, o presidente da Câmara Alemã da Indústria e o do Comércio (DIHK), Heinrich Driftmann, afirmou que mais trabalhadores portugueses, sobretudo com elevadas qualificações, “naturalmente que serão bem-vindos”. O empresário sublinhou que a

Alemanha “precisa de bons cérebros, tanto nacionais, como estrangeiros”, acrescentando que, para suprir “pelo menos parcialmente, as necessidades de força de trabalho qualificada da maior economia europeia, não basta reforçar as contratações na União Europeia, é preciso contratar técnicos em todo o mundo. Por seu turno, um porta-voz da Confederação Alemã dos Empregadores (BDA) considerou “prematuro” comentar planos a nível partidário ou parlamentar para angariar jovens trabalhadores em Portugal e Espanha, por exemplo. O mesmo responsável lembrou, no entanto, que, até 2030, faltarão no mercado alemão 5,2 milhões de trabalhadores, dos quais 2,4 milhões com cursos superiores. Só no domínio das matemáticas e da engenharia, no ano de crise de 2009 faltavam 63 mil especialistas e, se não forem tomadas medidas, até 2020 faltarão 230 mil. A evolução demográfica, caracterizada por uma baixa taxa de natalidade nos últimos anos, agravará a situação, e em 2030 deverá haver apenas 42 milhões de pessoas na idade ativa, entre os 20 e os 65 anos, menos um quinto do que atualmente, segundo o Instituto Federal de Estatística (Destatis). Na Alemanha existem quase sete milhões de imigrantes, um terço dos quais oriundos da Turquia, de longe o país com a maior comunidade estrangeira, e perto de 116 mil portugueses, a maioria dos quais da primeira geração, que começou a chegar em meados dos anos sessenta. FA

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Concurso quer mobilizar portugueses no estrangeiro para intervenção social em Portugal Sob o lema „Lá se pensam, cá se fazem“, as fundações Gulbenkian e Talento lançam o concurso „Faz-Ideias de Origem Portuguesa“, uma iniciativa que pretende mobilizar os portugueses no estrangeiro para a intervenção social em Portugal.

A ideia é desafiar os portugueses espalhados pelo mundo, estimados em cinco milhões pelas estatísticas oficiais, a conceberem „um projecto na área do empreendedorismo e da inovação social, a concretizar em território português“, refere o texto da apresentação do concurso. O projecto a implementar deverá necessariamente ser apresentado por emigrantes portugueses ou luso-descendentes que deverão constituir uma equipa em que pelo menos um elemento deverá ser um cidadão português a residir em Portugal. Luísa Vale, directora do programa de Desenvolvimento Humano da Fundação Gulben-

kian, disse à que a iniciativa representa „um passo no sentido de aproximar a diáspora daquilo que são as preocupações hoje em dia em Portugal“. „Temos problemas para resolver e provavelmente aqueles que deixaram cá o coração e que têm uma ligação ainda afectiva com este território têm uma vantagem sobre nós que é olharem para isto a partir de fora. Ou seja, com algum distanciamento e portanto também com alguma capacidade de descobrir soluções onde parece não haver nenhum caminho“, disse Luísa Vale. As candidaturas para a primeira fase do concurso decorrerão entre 04 de janeiro e 31 de Março de 2011, sendo as

ideias pré-seleccionadas anunciadas até ao 15 de Abril de 2011. O projecto vencedor será anunciado a 30 de Junho de 2011. As candidaturas deverão abranger áreas como ambiente e sustentabilidade, inclusão social, diálogo intercultural e envelhecimento, áreas que Luísa Vale considera „marcantes“ no século XXI. São áreas „que vão condicionar tudo quanto são políticas públicas porque são marcantes deste século. Esta primeira década mostrou que é por aqui que vai haver as rupturas é por aqui que poderá haver também as grandes respostas“, disse. No final, o projecto selec-

cionado será apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian com um montante máximo de 50 mil euros. Luísa Vale adiantou que a divulgação do concurso será feita principalmente através das redes sociais, o que, acredita, permitirá chegar a um público mais jovem e aberto a relações à distância e cria „enorme“ expectativa relativamente à participação. „Tenho a expectativa que vamos receber muitas e boas ideias, muitos e bons projectos e que vai ser muito entusiasmante“, disse, acrescentando que se houver mais do que um bom projecto será necessário encontrar financiadores para fazer avançar os restantes.

Actualmente existem 2,3 milhões de portugueses a viver no estrangeiro No final do século XIX, o Brasil era o principal destino (entre 1886 e 1950, 1.246.000 portugueses chegaram ao Brasil). Hoje, são os brasileiros a maior comunidade imigrante em Portugal (107.253 em 2008), revela o Atlas das Migrações, coordenado pelo sociólogo Rui Pena Pires, uma encomenda da Gulbenkian e da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República. O documento faz uma retrospectiva com informação cronológica, geográfica e sociológica. “Os portugueses não saíram por vocação mas por acidentes da história. A História explica muito”, diz Pena Pires, confessando-se “céptico [em relação] às explicações culturalistas” sobre a emigração, seja a portuguesa ou outra. A saída não se deve a “uma característica geral comum a todos os portugueses”, mas a questões económicas e ao passado colonial, explica. Desde 1900 que um terço do crescimento demográfico português foi absorvido pela emigração, revela o Atlas. A consequência directa foi um decréscimo acentuado do crescimento demográfico potencial. O país conseguiu atrasar essa quebra com a chegada de África dos portugueses residentes nas ex-colónias, a partir de 1975, recorda Pena Pires. Mas não só, houve uma “imigração africana lusófona”, entre 1980 e 1990, essa in-

tensificou-se com o aumento das obras públicas e construção civil. O investigador aponta que se trata de uma imigração pouco qualificada. Contudo, “Portugal não poderia hoje viver sem o contributo da imigração”, diz o Atlas.

Vários sectores de actividade poderiam ficar “semi-paralisados”, como a construção civil, os serviços pessoais e doméstidos, a restauração, hotelaria e comércio. Mas também o emprego altamente qualificado como os quadros estrangeiros de empresas

multinacionais. Se desde o final do século XIX, os portugueses procuravam os países do outro lado do Atlântico, com o Brasil à cabeça, e com uma emigração pouco qualificada. Actualmente há uma nova emigração mais virada para o

espaço europeu, resultado da maior circulação promovida pela entrada na União Europeia e mais qualificada. Além dos países europeus, Angola foi o destino escolhido por mais de 74 mil portugueses, no início do século XXI.


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Geschichten aus der Geschichte

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Luís Vaz de Camões. Der Dichterprinz Joaquim Peito

„Es war einmal ein Portugiese aus Portugal. Der Name Luís soll reichen, die ganze Nation hat von ihm gehört. Der Krieg bricht aus, und Portugal ruft nach Luís, dass er an Bord gehe. Er zog kämpfend in den Krieg und verlor ein Auge für Portugal. (...) Am Schluss blieb ein Buch.“ In: (Almada Negreiros, „Luís - ein Dichter rettet schwimmend das Gedicht“) Man weiß fast nichts genau über das wahre Leben von Luís de Camões, diesem Reisenden, Gelehrten, Humanisten, Troubadour nach traditioneller Art, ausgehungerten Edelmann, „in einer Hand die Feder und in der anderen das Schwert“, der während eines Schiffbruchs schwimmend ein Manuskript rettete, das große Werk seines Lebens. Aber eine Sache ist sicher: Inmitten allem, was man bis heute über die Angelegenheit gesagt und geschrieben hat, überwiegt die Größe seiner Poesie immer als sein größtes Vermächtnis an künftige Generationen und an die portugiesische Sprache! Er grübelte über und übernahm die Erfahrung einer gesamten Zivilisation, deren Widersprüche er am eigenen Leib erfuhr und versuchte, durch das künstlerische Schaffen zu überwinden. Und es gibt noch eine andere Sache, die sicher ist: Sein Leben war derart voll von überraschenden Wendepunkten und Abenteuern, dass Camões nach den Maßstäben seiner Zeit gut ein Superheld hätte sein können, so wie jene, die heute den Alltag unserer Kinder bevölkern. Das Gesicht des Prinzen Luís de Camões, Nationalheld sowie größter und meistbewunderter portugiesischer Dichter, war dennoch unbekannt und unverstanden von seinen Zeitgenossen. Er musste im Elend sterben, bevor man ihm die gerechte und verdiente Wertschätzung als „Der Dichter, Symbol Portugals“ zugestand. Man nannte ihn „Den Dichterprinz“. Er ist zweifellos ein wenig bekannter Prinz: Sein Gesicht, seine Persönlichkeit sind schlecht porträtiert. Im Grunde haben wir nur ein vages Bild von ihm... „Luís Vaz de Camões war von mittlerer Statur, dick und voll im Gesicht und einer dermaßen überladen an der Vorderseite, hatte eine lange Nase, in der Mitte erhöht und dick an der Spitze, das

Fehlen des rechten Ohres machte ihn ausgesprochen hässlich. Als Jüngling hatte er derart blondes Haar, dass es in Richtung Safrangelb ging, und obwohl er in seiner Erscheinung nicht graziös war, unterhielt er sich mühelos, fröhlich und gesprächig, wie man in seinen Mottos und esparsas (alte Gedichtform mit sechssilbigen Versen, Anm. des Übersetzers) sehen kann, obschon er sogleich in fortgeschrittenem Alter zu einem dermaßen Melancholischen wurde.“ Der Grund für dieses unvollkommene Porträt ist der Mangel an sicheren Belegen. Es ist sehr schwierig, eine Biografie von Camões herzustellen, da nun einmal die aufkommenden Probleme in Bezug auf sein Leben zahllos sind. Es fehlen konkrete Daten über viele grundlegende Aspekte seines Lebenswegs. Eines der ersten Probleme, mit dem sich die Gelehrten konfrontiert sehen, bezieht sich auf Geburtsdatum und -ort des Dichters. So tauchen verschiedene Daten auf, die zwischen den Jahren 1517 und 1525 variieren.

sens; trotzdem besteht die Frage fort: Wo, wie und wann konnte Camões ein derart gigantisches Bündel an kulturellem Wissen erwerben? Kein anderer portugiesischer Dichter wird sich in der Materie des rassischen Verhaltens derart portugiesisch zeigen. Camões rühmte die „Rasse“ der Portugiesen, aber als vorzüglicher Portugiese und wahrhaftiger „Lusitanier“ verliebte er sich (reichliche Male) in Frauen aller Farben und sozialen Klassen. Sollte es eine Legende sein, so wie es scheint, seine Liebe zur Infantin D. Maria, Tochter D. Manuels I? Niemand weiß es mit Sicherheit. Die Zweifel bestehen bis zum heutigen Tag...und die Fantasie ebenso.

Der „TRINCA-FORTES“ („Der Dreimalstarke“) Es gibt Anspielungen darauf, dass obwohl Camões sich am Hofe

Was den Geburtsort angeht, sind die Meinungen auch nicht einstimmig. Einige schlagen Coimbra, andere Alenquer oder Santarém vor, jedoch erhält Lissabon die Gunst der Mehrheit der Biografen. Eine andere wichtige Frage, über die die Gelehrten debattieren, bezieht sich auf die soziale Herkunft Camões’. Viele Gelehrte bringen die Hypothese vor, dass Luís Vaz de Camões aus einer Adelsfamilie komme, konkreter mit der Familie des Vizekönigs von Indien verbunden sei. Solch eine Tatsache wird ihm erlaubt worden sein in Übereinstimmung mit höheren Studien in Coimbra, Studien, die durch keinerlei Dokument bestätigt sind. Indessen sind die Lusiaden der wahre Beweis seiner bedeutenden Gelehrsamkeit. Es ist nicht nur die Kenntnis der portugiesischen Sprache; Camões zeigte sich vor allem in den „Os Lusíadas“ als Meister der Geschichte Portugals, der Weltgeschichte, der Geografie, der Astronomie, der klassischen Mytologie, der antiken und modernen Literatur. Sicherlich war er ein Mann der Renaissance, der Epoche der Unversalität des Wis-

meiner Gelehrsamkeit“. Und weiter unten erklärt er mit Bitterkeit: „Ich irrte in der gesamten Rede meiner Jahre; / Tat Dinge, für die das Glück / Meine schlecht gestützten Hoffnungen bestrafte“. Er war in Indien (in Goa) und in Macau, wo er verschiedene öffentliche Ämter administrativer Art ausübte. Während seines Aufenthalts im Orient wurde er Opfer eines Schiffbruchs an der Mündung des Flusses Mecom in China, worauf der Dichter sich in Lied X der Lusiaden bezieht. Und ebenfalls in Lied X deutet Camões die Tatsache an, dass er unschuldig in Goa gefangen gehalten wurde und danach unter Anschuldigungen, er habe in der Ausübung seiner Funktion Unregelmäßigkeiten begangen, nach Portugal zurückkehrte. Sogleich wurde er in Portugal vom König empfangen, wo er 1572 die Lusiaden veröffentlichte. In der Folge seines grandiosen Werkes erhielt er von D. Sebastião eine jährliche Rente, die ihn nicht davor bewahren konnte, im Elend zu leben. Im letzten Brief, den Luís de Camões geschrieben haben wird, noch aus Indien an D. Francisco de Almeida, sagt der Dicher bereits sein Ende voraus: „... und so werde ich das Leben beenden, und alle werden sehen, dass ich so segensreich für mein Vaterland war, dass ich nicht nur in ihm sondern mit ihm starb.“ Abgesehen von den Lusiaden wurde zu seinen Lebzeiten nur drei oder vier andere Gedichte veröffentlicht. Der größte Teil seines lyrischen Werkes, wie etwa Mysterienspiele und Briefe, blieb über viele Jahre unveröffentlicht.

bewegte, war er verschiedene Male Gefangener; er kämpfte als Soldat in Nordafrika um 15491551 herum, wo er verletzt wurde und auf einem Auge blind blieb. Der Ruf als Unerschrockener und Bohemien, großer Gefühlsmensch und großer Liebhaber sowie die regelmäßigen Schlägereien, in die er in den Gassen des nächtlichen Lissabons verwickelt war, brachten ihm den Spitznamen „TrincaFortes“ („Dreimalstarker“) ein. Er war übrigens wegen all dieser Dinge Gefangener in Lissabon. In einem herausragenden Sonett (einem der bekanntesten) gibt er selbst zu: „meine Fehler, Pech, feurige Liebe/ vereinigen sich in

Der Tod Frei José Índio, Mönch des Karmelitenordens, sah ihn sterben und beschrieb empört die letzten Momente des großen Dichters: „was gibt es Bedauernswerteres, als ein solch großes verschwendetes Genie. Ich sah ihn

in einem Krankenhaus Lissabons sterben ohne ein Leichentuch, um sich zu bedecken.“ Im Jahre 1579 wird Lissabon von der Pest heimgesucht. In einem dunklen Raum befindet sich Luís de Camões ausgestreckt im Bett. Er hat hohes Fieber, und es zweifelt bereits niemand mehr, dass er ein weiteres Opfer der Krankheit ist. Im Mund ein Geschmack, der eine Mischung aus Ingwer, Zimt, Kümmel und Safran ist: ein Mittel gegen die Pestilenz. Dona Ana de Macedo folgt allen bekannten Rezepten: Sangria und sogar Serpilhosaft gemischt mit Muttermilch. So, nimmt man an, starb Luís Vaz de Camões am 10. Juni 1580. Seine Beerdigung wurde auf Kosten eines Adeligen, D. Goncalves Coutinho, abgehalten, der veranlasste, dass einige Zeit später über seinem Grab die folgende Inschrift platziert wurde: „Hier ruht Luís de Camões, Dichterprinz seiner Zeit. Er lebte in Armut und Elend und so starb er.“ Dies ist das Leben des größten portugiesischen Dichters, Autor eines Werkes von unvergleichlichem Wert, „Die Lusiaden“ (1572), „Rimas“ (1595), „El-Rei Seleuco“ (1587), „Auto de Filodemo“ (1587) und „Anfitriões“ (1587)., wobei man sein Werk zwischen dem Klassizismus und dem Manierismus einordnet. Dennoch ist es schwierig, das was Realität ist, von dem, was im Verlaufe seines Lebens geschaffener Mythos und romantische Legende ist, zu unterscheiden. Die Ungewissheiten und Lücken dieser Biografie, die mit dem dramatischen Charakter einiger berühmter Episoden (real oder fiktiv) verbunden sind: unmögliche Liebschaften, berühmte Geliebte, Verbannung, die Not und die anderen Geschehnisse voll von symbolischem Wert: Der Epos „Die Lusiaden“ während eines Schiffbruchs schwimmend gerettet. Ein Leben umhüllt von Legenden. Man hat keine Gewissheit über alle Daten. Viele basieren auf Vermutungen. All dies ermöglichte die Kreation eines legendären Sphäre um Camões herum, die zum Banner eines gedemütigten Landes wurde. (Übersetzt aus dem Portugiesischen von Aiko Thedinga)

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Histórias da História

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Luís Vaz de Camões. O Príncipe dos Poetas Joaquim Peito

teria enviado, ainda da Índia a D. Francisco de Almeida, o poeta pressagiava já o seu fim “... e assim acabarei a vida e verão todos que fui tão abençoado à minha pátria que não somente contentei de morrer nela mas de morrer com ela.” Além de os “Lusíadas!, só três ou quatro poemas de Camões foram publicados durante a sua vida. A maior parte da obra lírica, tal como autos e cartas permaneceu inédita ao longo de vários anos.

“Era uma vez um português de Portugal. O nome Luís há-de bastar toda a nação ouviu falar. Estala a Guerra e Portugal chama Luís para embarcar. Na Guerra andou a guerrear e perde um olho por Portugal. (…) Ficou um livro ao terminar” in: (Almada Negreiros, “Luís um poeta salva a nado o poema”) Quase nada se sabe, ao certo, sobre a verdadeira vida de Luís de Camões, esse viajante, letrado, humanista, trovador à maneira tradicional, fidaldo esfomeado, “numa mão a pena e noutra a espada”, salvando a nado num naufrágio, manuscrita, a grande obra da sua vida. Mas uma coisa é certa: em tudo o que até hoje se disse e escreveu sobre o assunto, a grandeza da sua poesia prevaleceu sempre como o seu maior legado às gerações vindouras e à Língua Portuguesa! Camões assumiu e meditou a experiência de toda uma civilização cujas contradições viveu na sua carne e procurou superar pela criação artística. E há ainda outra coisa que é certa: a sua vida foi tão recheada de peripécias e aventuras que, para os padrões da sua época, Camões bem poderia ter sido um super-herói como os que hoje povoam o dia-a-dia das nossas crianças. O Rosto do Príncipe Herói nacional, o maior e mais admirado poeta português, Luís de Camões foi contudo ignorado e incompreendido pelos seus contemporâneos. Teve de morrer na miséria para lhe ser concedido o valor justo e merecido “O poeta, símbolo de Portugal”. Chamaramlhe “O Príncipe dos Poetas”. É, sem dúvida, um príncipe mal conhecido: o seu rosto, a sua personalidade, estão mal retratados. No fundo, só temos dele uma vaga imagem... “ Luís Vaz de Camões era de média estatura, grosso e cheio no rosto e algum tanto carregado de fronte, tinha o nariz cumprido, levantado no meio e grosso na ponta, afeiava-o grandemente a falta do olho direito. Sendo mancebo, teve o cabelo tão loiro que atirava a açafroado e ainda que não fosse gracioso na aparência, era na conversação muito fácil, alegre e dizidor, como se vê em seus motes e esparsas, posto que já sobre a idade deu algum tanto em melancólico” O motivo desse retrato imperfeito é a falta de documentação segura. É muito difícil estabelecer

uma biografia de Camões, uma vez que são inúmeros os problemas levantados a respeito da sua vida, faltam dados concretos sobre muitos aspetos fundamentais do seu percurso. Um dos primeiros problemas com que os estudiosos se depararam refere-se à data e lugar de nascimento do poeta. Assim apontam-se datas diversas que variam entre o ano 1517 a 1525. Quanto ao lugar de nascimento as opiniões também não são unânimes propondo uns Coimbra, outros Alenquer ou Santarém, obtendo porém Lisboa o favor da maioria dos biógrafos. Outra questão importante com que se debatem os estudiosos diz respeito à proveniência social de Camões. Muitos estudiosos avançam a hipótese de Luís Vaz de Camões ser oriundo de família da nobreza, mais concretamente ligado à família de vice- reis da Índia. Tal facto ter-lhe-ia permitido aceder aos estudos superiores em Coimbra, estudos esses que não são comprovados por qualquer documento. No entanto os Lusíadas são a prova real da sua vasta erudição. Não é só o conhecimento da língua portuguesa; Camões mostrou-se, sobretudo em “Os Lusíadas”, um mestre em história de

Portugal, história universal, geografia, astronomia, mitologia clássica, literatura antiga e moderna. Certamente, ele era um homem do Renascimento, a época da universalidade do saber; ainda assim, a pergunta subsiste: onde, como e quando pôde Camões adquirir uma tão gigantesca bagagem cultural? Nenhum outro poeta português se terá mostrado tão português em matéria de comportamento racial. Camões exaltou a “raça” dos portugueses, mas, como excelente português, um verdadeiro “lusitano”, apaixonou-se (abundantemente) por mulheres de todas as cores e de todas as classes sociais. Será lenda, ao que parece, o seu amor pela infanta D. Maria, filha de D. Manuel I? Ninguém o sabe ao certo. As dúvidas permanecem até aos dias de hoje...e a fantasia também. O “TRINCA-FORTES” Refere-se ainda que Camões frequentou a corte, esteve preso por diversas vezes; combateu, como militar, no Norte de África, por volta de 1549-1551, onde ficou ferido e ficou cego de um olho. A fama de destemido e boémio, grande sentimental e grande apai-

xonado e as constantes brigas em que se envolvia pelas ruelas de Lisboa noturna, deram-lhe a alcunha de “Trinca-Fortes”. Esteve, aliás, preso em Lisboa por causa disso tudo. Num magnífico soneto (um dos mais conhecidos), ele próprio confessa que “Erros meus, má fortuna, amor ardente / Em minha perdição se conjugaram”. E, mais adiante, declara com amargura: “Errei todo o discurso dos meus anos; / Dei causa a que a Fortuna castigasse / As minhas mal fundadas esperanças”. Esteve na Índia (em Goa) e em Macau onde desempenhou diversos cargos públicos de natureza administrativa. Durante a sua estadia no Oriente, foi vítima de um naufrágio na foz do rio Mecom, na China que o poeta refere no canto X dos Lusíadas. E também no canto X, Camões alude ao facto de ter estado injustamente preso em Goa, regressando posteriormente a Portugal sob acusações de irregularidades cometidas no exercício da sua função. Já em Portugal foi recebido pelo rei, onde publica os Lusíadas em 1572. Na sequência da sua grandiosa obra, recebeu do rei D. Sebastião uma escassa tença (pensão anual) que não o impediu de viver na miséria. Na ultima carta que Luís de Camões

A Morte Frei José Índio, frade Carmelita, viu-o morrer e descreveu indignado, os últimos momentos do grande poeta: “que cousa mais lastimosa que ver um tão grande engenho mal logrado. Eu vi-o morrer num hospital de Lisboa sem ter um lençol com que cobrir-se.” Em 1579 a peste assola a cidade de Lisboa. Num quarto escuro, encontra-se Luís de Camões estirado na cama. Tem muita febre e já ninguém duvida que é mais uma vítima da doença. Na boca, um gosto, misto de gengibre, canela, cominhos e açafrão: remédio contra a pestilência. Dona Ana de Macedo segue todas as receitas conhecidas: sangria e até sumo de serpilho misturado com leite de mulher. Assim, presume-se, em 10 de Junho de 1580 Luís Vaz de Camões morre, sendo o seu funeral realizado a expensas de um nobre, D. Gonçalves Coutinho, que mandou colocar algum tempo mais tarde sobre a sua sepultura a seguinte transcrição: “Aqui jaz Luís de Camões, príncipe dos poetas do seu tempo. Viveu pobre e miseravelmente e assim morreu. Eis a vida do maior poeta português, autor de uma obra de valor inigualável, “Os Lusíadas” (1572), “Rimas” (1595, “El-Rei Seleuco” (1587), “Auto de Filodemo” (1587) e “Anfitriões” (1587), situando-se a sua obra entre o Classicismo e o Maneirismo. No entanto, é difícil distinguir aquilo que é realidade, daquilo que é mito e lenda romântica, criados em torno da sua vida. As incertezas e lacunas desta biografia, ligadas ao caráter dramático de alguns episódios famosos (reais ou fictícios): amores impossíveis, amadas ilustres, desterros, a miséria e a outros acontecimentos cheios de valor simbólico: A epopeia “Os Lusíadas” salvos a nado, no naufrágio. Uma vida envolta em lendas. Não se tem a certeza de todos os dados, sendo muitos deles baseados em suposições. Tudo isto proporcionou a criação de um ambiente lendário à roda de Camões que se tornou bandeira de um país humilhado.


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Catarina Tavares Advogada em Portugal Rua Castilho, n.º 44, 7º 1250-071 Lisboa advogados@bpo.pt Telf.: + 351 21 370 00 00

Os Novos Direitos nas Uniões de Facto em Portugal Catarina Tavares

O regime das uniões de facto está previsto na Lei n.º 7/2001 de 11 de Maio, e veio a ser alterado no ano corrente, a 30 de Agosto de 2010 pela Lei n.º 23/2010. Com este ultimo diploma vem a consagrar-se algumas alterações que muito aproximam o regime das uniões de facto aos casamentos. Prevê-se já a possibilidade de também os unidos de facto poderem ter direito às pensões de sobrevivência do companheiro/a com quem tenham vivido e haja falecido, sem necessidade de instauração de qualquer processo judicial para o efeito. De facto, anteriormente quem tivesse vi-

vido em união de facto, ainda que fosse por largos anos, teria que instaurar acção contra a Segurança Social ou Caixa Geral de Aposentações para que tais entidades fossem condenadas a pagar a pensão de sobrevivência, processo judicial este que para além de moroso implicava custos de instrução e de taxas de justiça. Normalmente só ao fim de dois a três anos se conseguiria tal condenação e a partir de então se atribuía a pensão. Ficamos assim a ganhar em tempo e custos e proveito para o beneficiário, resta-nos esperar como será a prática da Segurança Social e Caixa Geral de Aposentações. O novo regime prevê ainda uma equiparação às pessoas casadas do regime aplicável às férias, feriados, faltas, licenças e de preferência na colocação dos trabalhadores da Administração

Pública, bem como, relativamente às pessoas vinculadas por contrato de trabalho. Em matéria fiscal, aplicar-seá aos unidos de facto o regime do imposto sobre o rendimento das pessoas singulares com as mesmas condições aplicáveis aos sujeitos passivos casados. Ao nível de direitos sociais, é conferida, para além da pensão de sobrevivência já referida, o direito a uma prestação por morte resultante de acidente de trabalho ou doença profissional, bem como, pensão de preço de sangue e serviços excepcionais e relevantes prestados ao país, atendendo sempre aos regimes gerais e especiais em vigor aplicáveis. Relativamente à casa de morada de família, caso exista contrato de arrendamento e ruptura entre o casal, poderá haver

acordo sobre a transmissão ou concentração do contrato a favor de um deles. Já no caso de morte do unido de facto proprietário da casa morada de família, o sobrevivo poderá lá permanecer pelo prazo de cinco anos ou mais consoante a duração da união de facto. Caso sejam, comproprietários da casa morada de família os direitos de permanência assistirão, em pleno, ao sobrevivo. Não obstante, caso o sobrevivo não habite na casa durante mais de um ano, o seu direito caducará, a não ser que a ausência seja fundamentada com motivo de força maior. Outra limitação ocorre se o sobrevivo tiver casa própria na área do respectivo concelho da casa de morada de família. Após o decurso do prazo anteriormente referido, o sobrevivo poderá permanecer no imóvel na

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posição de arrendatário, sendo que, durante o tempo que lhe for conferida a habitação, terá sempre direito de preferência. O diploma prevê ainda um aditamento com a epígrafe “prova da união de facto”, ou seja, o preceito estabelecerá a forma de se realizar a prova da existência de união de facto. Acrescenta-se ainda que o diploma veio alterar ainda o código civil, relativamente, à indeminização por danos não patrimoniais, incluindo no seu preceito os unidos de facto, bem como, à questão de alimentos, prevendo aqui também a união de facto. Para finalizar, registam-se também alterações ao regime geral de segurança social e no Estatuto das Pensões de Sobrevivência, atendendo à inclusão das pessoas que vivam em união de facto.

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PORTUGAL POST Nº 199 • Fevereiro 2011

José Gomes Rodrigues Assistente Social Diplomado Especialista para as questões sociais do PORTUGAL POST

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O que mudou (vai mudar) em 2011 O novo ano 2011 nasceu num clima de incertezas. Depois da EU ter lançado a mão à Grécia e à Irlanda, para não caírem no precipício duma bancarrota, coloca-se em causa a estabilidade do Euro. Medidas restritivas são lançadas com a esperança de travarem a derrapagem financeira. Cortes e mais cortes com o intuito de deter as despesas são apregoados nos palcos políticos das diversas nações europeias. São diversos os factores que provocaram e provocam esta derrapagem. Bombeiam-se caudais de dinheiro em instituições financeiras muitas delas condenadas à agonia . Ninguém nos sabe dizer qual o rumo desta viagem. É neste clima que as alterações legais se efectuaram. Vamos percorrer aquelas que nos poderão tocar mais de perto. As informações que daremos aos leitores são fruto duma atenta e continuada leitura dos diversos meios de comunicação social. Mesmo assim não deixam de ser conclusivos. Despesas com a nossa saúde Com o surgir do novo ano aumentará a quotização para a saúde em 15,5% para todas as caixas de saúde. A participação do patrão continua inalterável nos 7,30% e o empregado verá diminuído o seu ordenado em 8,20%. Este aumento não justificará a mudança de caixa. Este passo só é possível desde que a Caixa aplique aos segurados um pagamento suplementar ou aumente o complemento anterior. Anteriormente, os segurados deveriam permanecer no mínimo três anos na mesma caixa antes de poderem transitar para outra. Esta clausula foi alterada para um ano. Após o ano, os segurados poderão transitar para outra caixa, desde que as condições o justifiquem. No futuro, os segurados poderão pagar antecipada-

* O adeus à carta de impostos * Reforma e tributação * Ajuda social ao desemprego: Hartz IV * Subsidio de paternidade ou maternidade * Outras alterações importantes

mente as facturas com a saúde, apresentando depois as despesas à caixa que devolverá o dinheiro despendido.

ção do seu estatuto de tributário e não mais os serviços da câmara. 3. Classe de impostos. A

com a maior exactidão possível. Recordamos os nossos leitores que já nos debruçamos no passado sobre este assunto. Ajuda social ao desemprego: Hartz IV

Se optar por esta possibilidade, tenha cuidado, pois não deixa de ser um risco. A caixa poderá não restituir a totalidade das despesas. O adeus à carta de impostos O tempo do papel acabou para a carta de impostos. No futuro esta já não será enviada via correios pelos serviços camarários, como anualmente acontecia nos meses de Setembro e Outubro. Os empregados por conta de outrém terão de estar atentos e observar algumas regras: 1. alterações familiares os tributários deverão transmitir às finanças todas as alterações havidas, tais como: alteração da residência, do estado civil, do número de filhos e da respectiva quantia livre de impostos. Para tal existem requerimentos próprios junto das diversas repartições de finanças. 2. Competência: No futuro só a secção de finanças da sua zona de residência será competente para qualquer altera-

alteração da classe de impostos, em virtude da alteração do seu estado civil, ou para usufruir dos benefícios fiscais que poderão advir na combinação da carta de impostos (IV/IV), deve ser feita somente através dum requerimento escrito junto das finanças. A alteração da quantia livre de impostos obedece à mesma clausula. 4. Nota importante: os que iniciam o seu percurso profissional deverão, junto das finanças, solicitarem um certificado de impostos para que este seja apresentado ao patrão. Este será então facultado em forma de papel.

As discussões sobre o aumento ou não desta ajuda, assim como a modalidade de pagamento, tem sido tema na imprensa. Mas, importa informar que ainda não se chegou a um acordo, apesar de alguns meios de comunicação social terem já adiantado soluções sem ainda terem sido aprovadas. Certo é que a discussão do aumento mínimo de 5 € da ajuda base individual e mensal está na base de muitas discussões. Procura-se um compromisso entre todas as forças políticas e centros de decisões. Para os jovens em formação profissional e para alunos cujos pais se encontram nesta situação financeira, estão a procurar-se soluções condignas que promovam uma motivação salutar de forma a singrar melhor profissionalmente na vida. A ultima decisão é esperada ao longo do presente ano. Tudo leva a crer que o mês de Março seja propicio para uma

decisão conclusiva. A ver vamos! Uma alteração não menos importante que é conveniente ter presente, é que a partir do novo ano o tempo em que se recebe esta ajuda social não aumentará a sua reforma no futuro, o que anteriormente não acontecia. Subsídio de paternidade ou maternidade Os pais ( o pai ou mãe) que tenham auferido um ordenado superior a 1240 € líquidos, receberão, a partir de Janeiro do ano a decorrer, 65% do ordenado e não mais os 67% anteriores, ao optarem por ficarem em casa para cuidarem do seu filho. Os que estiverem desempregados e usufruírem da ajuda social ao desemprego (Hartz IV) permanecerão, infelizmente, de mãos vazias. Mais alterações importantes Tanto o gás como a electricidade vão sofrer neste ano um aumento considerável. O leitor tem a possibilidade de comparar as ofertas destes produtos no mercado e alterar a situação, procurando as empresas que lhes ofereçam maiores vantagens financeiras. Apesar de tudo desejamos a todos os leitores saúde e muita paz e que a esperança de melhores dias nunca nos abandone. Que o optimismo seja uma constante nas nossas vidas!

Reforma e tributação Os que entrarem na reforma no presente ano (2011) devem tributar 62% da sua reforma total. Claro que há uma quantia isenta de impostos que anualmente será indicada pelas finanças. Este Capítulo merece um tratamento especial que, a seu tempo, iremos, se a saúde e o tempo nos permitir, explicitar

i

PEDIMOS AOS NOSSOS LEITORES para nos colocarem as suas perguntas e sugestões por escrito usando o correio ou, melhor ainda, o correio electrónico. Pedimos também para mencionarem o vosso número de telefone fixo para, sendo necessário, entrarmos em contacto convosco. As questões e sugestões dos leitores podem ser enviadas para as seguintes direcções: correio@free.de ou rodrigues50@hotmail.de Fax 0231 8390351 Ou ainda para a morada do nosso jornal Obrigado.


18 Agenda Tome Nota

PORTUGAL POST Nº 199 • Fevereiro 2011

IMPORTANTE

Citações do mês

Às associações, clubes, bandas , etc.. As informações sobre os eventos a divulgar deverão dar entrada na nossa redacção até ao dia 15 de cada mês Tel.: 0231 - 83 90 289 Fax :0231-8390351 Email: correio@free.de

Deus criou o homem e, não o achando bastante solitário, deu-lhe uma companheira para o fazer sentir melhor a sua solidão Valéry , Paul A honra é como a neve, que, perdida a sua brancura, nunca mais se recupera Duclos , Charles

Fevereiro 2011

Endereços Úteis Embaixada de Portugal Zimmerstr.56 10117 Berlin

Tel: 030 - 590063500 Telefone de emergência (fora do horário normal de expediente):

0171 - 9952844 Consulado -Geral de Portugal em Hamburgo Büschstr 7 20354 - Hamburgo

Conselho das Comunidades Portuguesas: Alfredo Cardoso, Telelefone: 0172- 53 520 47 AlfredoCardoso@web.de Alfredo Stoffel Telefone: 0170 24 60 130 Alfredo.Stoffel@gmx.de José Eduardo, Telefone: 06196 - 82049 jeduardo@gmx.de

Tel: 040/3553484 Vice-Consulado de Portugal em Osnabrück Schloßwall 2 49080 Osnabrück

Tel:0541/40 80 80 Consulado-Geral de Portugal em Düsseldorf Friedrichstr, 20 40217 -Düsseldorf

AICEP Portugal Zimmerstr.56 - 10117 Berlim Tel.: 030 254106-0

Tel: 0211/13878-12;13

Federação de Empresários Portugueses (VPU) Hanauer Landstraße 114-116 60314 Frankfurt Tel.: +49 (0)69 90 501 933 Fax: +49 (0)69 597 99 529

Tel: 069/979880-44;45 Consulado-Geral de Portugal em Stuttgart Königstr.20 70173 Stuttgart

5.02.2011 – GSCHWEND – Concerto de Ana Moura, Local: Rathaus Gschwend, Steingasse. Info: www.bilderhaus.de

4.02.2011 – AALEN – Abertura da exposição sobre aristides de Sousa Mendes. Local Rathaus Aalen, Markplatz 30

8 e 22. O2. 2011 – BerlimCiclo de cinema portuguêsDia 8, Rosa de Alfama de Henrique mendes. Dia 22, Amália, o filme de Carlos Coelho da Silva. Local: Lisbia Bar am Boxi. Krossenerstr.20. Início: 20h00

Maria da Piedade Frias Telefone: 0711/8889895 piedadefrias@gmail.com Fernando Genro Telefone: 0151- 15775156 fernandogenro@hotmail.com

Vice-Consulado de Portugal em Frankfurt Zeppelinalle 15 60325- Frankfurt

4.02.2011 – LANGENFELD- Mas macht Portwein so Bessonders? Comferência de Axel Probst No âmbito do projecto “ Bem vindo Portugal”, ano dedicado a Portugal, organizado pela autarqui local. Local: Kulturzentrum. 133. Início: 19h30

Federação das Associações Portuguesas na Alemanha (FAPA) Postfach 10 01 05 D-42801 Remscheid

Tel. 0711/2273974

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8/10. 02.2011 – BERLIM. Actuação de Mísia. Local: TIPI am Kanzleramt. Groß Querallee. Início: 20h00

17.02.2011 – LANGENFELD – Portugal eines Landes im Eandel, Conferência de Dr. Joaquim Peito. Local: Kulturzentrum, Hauptstr. 133. Início: 19h30 18.02.2011 – OSNABRÜCK- Der Nor-

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den Portugals. Conferência de Werner Tobias. Local: Volkshochschule. Bergstr 8. Início: 19h30 25 2 02,2011- BERLIM Concerto de Telmo Pires, Fado adentro. Local: Passionskirche, Marheinekeplatz 1. Início: 20h00 27 2 02,2011- DRESDEN Concerto de Telmo Pires, Fado adentro. Local: Staatsschauspiel Dresden, Theaterstr. 2, marheinekeplatz 1. Início: 20h00

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A Associação União Lusitana Rhein Neckar, em Weinheim, irá realizar no próximo dia 3 de Abril de 2011 nas suas instalações a segunda edição da taça dos campeões de sueca. Este torneio é principalmente destinado a equipas que possam representar Associações, Casas Portuguesas, instituições, Empresas, Comissões de Pais ou mesmo Portugueses em representação de localidades da Alemanha ou de um outro qualquer País que queiram visitar-nos e disputar uma magnifica Taça com as nossas três equipas , melhores classificadas no campeonato de 2010 que se disputou na nossa Associação. ( máximo de inscrições de 32 equipas ). Teríamos muito gosto em receber os nossos compatriotas para disputar esta Taça, e assim lutar, ( com fair-play, claro !!! ) pelo título de equipa campeã das campeãs, sem esquecer o convívio à boa maneira portuguesa. Na primeira edição estiveram presentes representantes de 8 cidades, nas quais 4 associações (Centro Português de Singen, Portuguesa dos Desportos de Kaiserslautern, Centro Português de Altensteig e claro as três equipas da casa a representar a nossa associação) entre muitas outras. Para obter mais informação sobre a participação neste Torneio ( Taça dos Campeões de Sueca ) Pode contactar por email uniaolusitana@t-online.de Por telefone 06201- 18 73 47 ou 0176-21820657 Na Foto: Equipa detenOu ainda para quem está mais perto da nossa Associação em tora do trofeu da 1ª ediHändelstr. 38 69469 Weinheim ao Fim-de-Semana ção – Prazo limite de inscrições (19-03-2011) Esta iniciativa tem o apoio do Banco Montepio (representação na Alemanha) Os Antunes Venha jogar....

2ª Taça dos Campeões ( Sueca)


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A CASA DA RÚSSIA
 John le Carré Preço: 13,50 Publicado em 1989, apresenta os meandos de espionagem e contra-espionagem entre o Ocidente e a antiga União Soviética. John le Carré arrasta-nos, uma vez mais, para o seu mundo secreto e faz dele o nosso. Em Moscovo, Leninegrado, Londres e Lisboa, numa ilha da costa do Maine que pertence à CIA, e no coração do próprio Barley Blair, Carré desenvolve não apenas uma história de espionagem, mas uma alegoria do amor individual confrontado com atitudes colectivas de beligerância. TRAVESSIA DE VERÃO Truman Capote PREÇO: 11.50 Obra póstuma e inédita, Travessia de Verão é um primeiro romance precoce e seguro que mostra o sentido implacável da narração de um dos maiores escritores do século XX. Os seus fraseados imaculados, a sua crua ironia e a sua visão das subtilezas das diferenças de classe anunciam os futuros triunfos de Capote. Digno de um lugar em qualquer estante de um leitor de Capote, este é, em todos os sentidos, um tesouro perdido e reencontrado.

AVENTURAS DE SHERLOCK HOLMES Preço: 11.50 Aventuras de Sherlock Holmes é uma colectânea de 12 contos de aventuras publicada em 1892. Os contos foram originalmente publicados na revista Strand Magazine, nos anos de 1891 e 1892.

CONTOS POPULARES PORTUGUESES Preço: 11.50 Contos Populares Portugueses são contos de todos os tempos e de todas as idades. Uma obra que nos devolve o imaginário e o maravilhoso da nossa cultura popular, e de que faz parte, entre outras, «História da Carochinha», «A Formiga e a Neve», «O Coelhinho Branco», «A Raposa e o Lobo», «O Compadre Lobo e a Comadre Raposa» e «Os Dois Irmãos».

Cupão de Encomenda Formas de pagamento Junte a este cupão um cheque à ordem de PORTUGAL POSTVERLAG e envie-o para a morada do jornal ou, se preferir, podepagar por débito na sua conta bancária. Se o desejar, pode ainda receber a sua encomenda à cobrança contra uma taxa que varia entre os 4 e os 7 € que é acrescida à sua factura. Não se aceitam devoluções.

NOTA Nos preços já estão incluídos os custos de portes correio e IVA PORTUGAL POST SHOP Tel.: 0231 - 83 90 289

Miguel Torga Bichos Preço: € 11.50
 «Querido leitor: São horas de te receber no portaló da minha pequena Arca de Noé. Tens sido de uma constância tão espontânea e tão pura a visitá-la, que é preciso que me liberte do medo de parecer ufano da obra, e venha delicadamente cumprimentar-me uma vez ao menos. Não se pagam gentilezas com descortesias, e eu sou instintivamente grato e correcto (…)» Manuel Alegre Preço: € 11,50 As memórias de infância. Os cheiros, as vozes, as emoções de um tempo em que o tempo não tem fim e o significado está presente nas mais pequenas coisas. Todas elas ficam sempre, como marcas na alma, princípios que norteiam a vida. A nostalgia dos lugares mágicos da infância. De Alma, vila encantada onde convive tradição e subversão, melancolia e audácia, crendices, ideologia e futebol... Pela voz audaciosa de quem não receia dar-se a conhecer, chegam-nos ecos de um Portugal dividido entre a República e a Monarquia, um país que era, á época, o mundo de uma criança expectante e atenta. De Alma, partiu toda a sua vida.

Música Camané - Do amor e dos dias, Deolinda - Dois selos e um carimbo, Mariza - Fado Tradicional,

+ Livros A Fúria das Vinhas – Francisco Moita Flores, Aldeia Nova – Manuel da Fonseca, A Morte de Ivan Ilitch – Lev Tolstoi, A República dos Corvos – José Cardoso Pires, As Intermitências da Morte – José Saramago, A Trança de Inês – Rosa Lobato de Faria, Aventuras de João Sem Medo – José Gomes Ferreira, Aventuras de Sherlock Holmes – Arthur Conan Doyle, Balada da Praia dos Cães – José Cardoso Pires, € Capitães da Areia – Jorge Amado, Contos da Montanha – Miguel Torga, Enquanto Salazar Dormia… – Domingos Amaral, Gaibéus – Alves Redol, Gente Feliz com Lágrimas – João de Melo, Histórias Extraordinárias – Edgar Allan Poe, Mau Tempo no Canal – Vitorino Nemésio, Novos Contos da Montanha – Miguel Torga, O Anjo Ancorado – José Cardoso Pires, O Delfim – José Cardoso Pires, Primeiro as Senhoras – Mário Zambujal, Saber Emagrecer – Prof.ª Isabel do Carmo, Travessia de Verão – Truman Capote,

Eça de Queirós A CIDADE E AS SERRAS Preço: 11.50

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Astrologia, Karma e Felicidade Preço, 20,99 € Autor: Cristina Candeias Formato: 14x21cm A astróloga residente do programa "Praça da Alegria", de Jorge Gabriel, tornouse um fenómeno nacional, com as suas previsões em directo. Este é o seu primeiro livro. O livro que nos ensina a atravessar o deserto para encontrar o oásis e a felicidade plena. É necessário reflectir sobre quem fomos, o que somos e o que temos de vir a ser. Só depois de aceitarmos os nossos processos demudança a vida se nos revelará.

A Cidade e as Serras
Eça de Queiros
 O romance foi publicado em 1899 (um ano antes da morte de Eça) na Revista Moderna, e saiu em livro em 1901. Pertence à última fase do escritor, quando Eça se afasta do realismo e deixa a crítica dura que fazia à sociedade portuguesa da época.

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Vidas

PORTUGAL POST Nº 199 • Fevereiro 2011

Quando o destino troca as voltas à vida Quando pensei escrever para os senhores do jornal estava na dúvida se deveria enviar para ser publicado. Para ser sincera, a escrita é o meu desabafar para o papel. Normalmente quando escrevo penso logo destruir e rasgar tudo. Mas agora acho que não vou rasgar mas sim enviar. Às vezes, quando leio a histórias que o jornal publica, fico muito triste e choro porque elas me tocam muito. O que aconteceu comigo. O que aconteceu comigo não é nada de especial, penso eu. Fiquei grávida com 16 anos. O homem que me engravidou tinha naquela altura 18 anos e era lá de uma vila próxima da de onde eu morava. Tentei até quando pude esconder a gravidez dos meus pais e vizinhos por que sabia se eles descobrissem derreavam-me o corpo com porrada. O rapaz que me engravidou nunca mais o vi. Para ser sincera, só o vi uma vez e essa vez foi num celeiro para onde ele me arrastou para fazer o que fez. Apesar de ter apenas 16 anos, fui voluntariamente para o celeiro que o conhecia bem por ser de um lavrador onde eu às vezes trabalhava à jorna para ajudar os meus pais e os meus irmãos. Em casa éramos 8 irmãos. Os meus pais viam-se negros para sustentar todas aquelas bocas. Foi por isso que me deixei levar para o celeiro na esperança que tivesse a partir daquele momento um homem para casar e sair de casa.

Mas não. As coisas saíramme ao contrario e tive de aguentar. Penosamente, via a barriga crescer e eu tentava disfarçar o mais possível. Pensei então em arranjar um homem à vista de todos. E arranjei. Passadas umas semanas os meus pais olharam para a minha barriga e eu já não podia mais disfarçar. A minha mãe, que deus tem, meteu as mãos à cabeça e gritou Ai rapariga, o que foste fazer!... Quando o meu pai chegou a casa não demorou muito para que tirasse o cinto das calças e me chicoteasse com ele. Com o corpo todo manchado com os sinais da ira do cinto do meu pai, ele foi dizendo Agora quero que me digas quem te pôs nesse estado, e já!, ameaçou. Sem alternativa, disse que era o rapaz com que eu agora andava. Sem perder um minuto, o meu pai saiu de casa direitinho à casa do meu namorado. A seguir não sei o que se passou, mas daí para diante começaram os preparativos do casamento civil antes que eu desse à luz. Casada e arrumada, como o meu pai dizia, dei à luz uma rapariga que muito satisfez o meu homem, convencido que ele estava de que era o pai do bebé. Passaram cerca de oito meses e já me encontrava sozinha porque o meu marido me deixou devido aos rumores que corriam na vila que diziam que eu não lhe era fiel e que a filha não era dele, o que eu sempre desmentia.

Memória futura

Pressionado pela própria família e com a vergonha de ser apontado como homem enganado, ele deixou-me dizendo para que nunca o voltasse a procurar. O tempo passou, e muito depressa. Eu era conhecida na vila por ter enganado o homem e que me metia na cama com este e com aquele, o que não era verdade. Porque ninguém já me queria, quero dizer, não havia homem que me quisesse para construir uma vida a dois e os que se acercavam de mim pensavam que eu abria logo as pernas. Um dia, desesperada, fui ter com o meu marido e, a chorar lágrimas sinceras, pedi-lhe perdão por tudo, dizendo-lhe até o que tinha acontecido e que deu origem à gravidez e pedia-lhe pela sua saúde e por todos os santos para que voltasse para nossa casa. Resoluto, ele disse que não, e que eu deveria mesmo desaparecer da vida dele. Resignada, voltei para casa e a partir daí a minha vida foi uma tortura. As mulheres olhavam para mim como se eu fosse uma puta, desviando-se quando eu passava e os homens acercavamse da mim porque pensavam que eu era uma mulher fácil. O tempo ia passando e eu tinha apenas a minha mãe que às vezes às escondidas de meu pai, que não me deixava entrar em casa dele, me vinha ver e me consolava. Até que um dia conheci um homem que, para meu espanto,

Nós queremos publicar aqui as fotografias que fazem viver as suas recordações das férias, na associação, no trabalho, com os amigos, no restaurante, nas festas, etc. O envio das fotos pode ser feito por e-mail ou por carta (com a garantia de restituirmos todas as fotos que recebermos)

1997 Decorria o ano de 1997, há cerca de 14 anos, quando o PP acompanhou o es-Secretário de Estado José Lello em vistas relâmpagos a diversos estaleiros da ex-RDA onde trabalhavam milhares de portugueses vindos naquela altura de Portugal. Angariados por sub-empreiros e outros falsos empresários, centenas e centena de trabalhadores ou trabalhavam em condições ilegais ou, iludidos com promessas, chegavam, trabalhavam e não recebiam. Muitos trabalhadores nessa condições foram enganados por muitos compatriotas seus. Na foto: José Lello, um colega jornalista, Francisco Assunção, e dois trabalhadores

disse-me que me queria porque eu era ainda uma mulher na força da idade.; que não se importava do que diziam de mim e que dizia que, se eu quisesse, poderíamos fazer uma vida a dois. Fiquei tão contente por alguém me querer e dizer que queria construir uma vida comigo que não fiquei em mim. Passei então a recebê-lo em casa porque me dizia que a sua era pequena demais e que até estava a pensar construir uma para onde iríamos viver. O tempo passou assim. Eu estava feliz. E pensava que tinha arranjado homem para a vida. Nisto fiquei grávida dele. Dois meses antes de eu dar à luz o homem desapareceu. No dia em que ele desapareceu estava combinado encontrarmo-nos em num café ao lado dos correios da vila para irmos ver um terreno onde ele pensava construir casa. Isto foi o que me disse. Esperei uma, duas, três, quatro horas com um filho na barriga e outro nos braços. Mas não veio nem nunca mais voltou. Desesperada, ao outro dia fui a casa onde ele me disse que morava e uma velhota que o conhecia bem disse-me que ele tinha ido para a França mais a mulher e dois filhos pequenos que tinha. Esta notícia cegou-me, pois era tanta a tristeza que ia no meu coração. Não quis acreditar e mesmo assim sentei-me na soleira da porta onde ele tinha morado na vã esperança que ele voltaria. Desgraçada e com um sentimento grande de abandono por todos e por tudo, fui desabafar com a minha mãe que era o meu único consolo. Dei à luz um filho e depois de me recompor fui informar-me se alguém sabia do destino em França do homem que me tinha engravidado. Queria ao menos que ele participasse com as suas responsabilidades de pai. Parti para França. Parti para França não apenas à procura do homem mas para sair da terra que não tinha nenhum respeito por mim, tendo as coisas piorado após a segunda gravidez. E quando souberam que eu não sabia onde estava o pai da criança, então, sim, já era de puta para cima e ninguém me dava trabalho nem crédito. O meu pai e os meus irmãos não queriam saber de mim. Decido partir com os dois filhos. Não mão levava um endereço em Nancy que era ou seria o do

homem que me tinha deixado com um filho nos braços. Cheguei a Nancy e percebi então que nunca deveria ter saído de casa. Como não sabia o que tinha de fazer fui a uma igreja com o endereço na mão. Devo dizer que muito me ajudaram. Pegaram em mim e num carro do padre e deslocamo-nos à rua onde ficava a casa do endereço escrito no papel. No prédio moravam lá duas famílias portuguesas que me informaram que o homem tinha ido para Lyon com a família porque lá morava um irmão dele. Desisti do homem e pedi aos meus compatriotas ajuda para me estabelecer na cidade. Disse assim como assim poderia recomeçar a minha vida em França. Arranjaram-me um quarto numas águas furtadas e comecei a viver em Nancy. Fazia limpezas e quando tinha trabalho entregava os meus filhos a uma ama portuguesa . A minha vida corria bem. Ninguém me conhecia e não tinha a má fama que tinha em Portugal. Foi assim que arranjei um homem que foi muito meu amigo e deu-me a estabilidade que eu precisava . Ele era soldador e batia muito a Alemanha para onde um dia viemos viver e onde hoje ainda estou. Mas o destino trocou-me mais uma vez à minha vida. Eu, os meus filhos e o homem que tinha conhecido vivíamos como se fosse uma família a sério: ele pai dos filhos e eu uma mãe e esposa que vivia para ele, para os filhos, a casa e o trabalho. Pois já estávamos a viver na Alemanha, quando num mês de Fevereiro, um dia de muita neve e gelo, ele voltava para casa depois de ter andado uma semana a soldar no norte da Alemanha e teve um acidente em que perdeu a vida. Assim, depois de tanta e tanta profunda tristeza e desgosto por esta má sina, disse para comigo que ficaria só a viver para e com os meus filhos que hoje já são grandes e têm uma vida boa, a vida que eu também queria e que nunca a tive. Mara Rosa

Pedimos aos leitores que nos enviam correspondência para esta rubrica para não se alongarem muito nos textos que escrevem. A redacção reserva o direito de condensar e de trabalhar os textos. Obrigado.


Passar o Tempo

PORTUGAL POST Nº 199 • Fevereiro 2011

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Previsões para Fevereiro de 2011

Por Maria Helena Martins

CARNEIRO Amor: Procure dar mais atenção aos seus verdadeiros amigos. Saúde: Tenha confiança em si mesmo, valorize-se mais e cuide do seu corpo. Dinheiro: Cuidado, não alimente intrigas no local de trabalho. Números da Sorte: 2, 3, 24, 29, 33, 36

sar por um período menos positivo em que deve manter a calma, pois tudo se resolverá pelo melhor. Saúde: Deve tentar libertar-se dos hábitos que só prejudicam a sua saúde. Dinheiro: O equilíbrio financeiro estará presente na sua vida neste momento.

TOURO Amor: Partilhe essa boa disposição que o invade com quem o rodeia. Saúde: dê maior atenção aos seus rins, beba mais água diariamente. Dinheiro: É possível que venha a obter aquela promoção que tanto esperava.

VIRGEM Amor: Não desiluda um amigo que gosta muito de si. Saúde: Tendência para dores musculares. Faça uma sessão de massagens. Dinheiro: Boa altura para comprar casa ou para mudar de ocupação.

GÉMEOS Amor: Os momentos de romantismo estão favorecidos. Invista mais no seu relacionamento. Saúde: Estará em plena forma. Aproveite para se dedicar a um novo hobby. Dinheiro: Cuidado com as dívidas. Esteja mais atento às suas contas.

BALANÇA Amor: A sua sensualidade natural irá apimentar a sua relação de uma forma surpreendente. Saúde: Descanse as horas necessárias para se poder sentir bem física e psicologicamente. Dinheiro: Cuidado com os gastos supérfluos que faz ao agir por impulso, sem parar para pensar.

AQUÁRIO Amor: evite ser possessivo ou ciumento. Respeite o espaço do seu par. Saúde: melhore o seu descanso diário dormindo mais horas, para poder ter um maior rendimento sem cansar tanto o seu corpo. Dinheiro: tenha mais cuidado, não gaste o seu dinheiro em coisas de que afinal nem precisa.

CARANGUEJO Amor: Encontra-se num período menos favorável, mas não desespere que é passageiro. Saúde: A sua auto-estima anda um pouco em baixo, anime-se e cultive os pensamentos positivos. Dinheiro: Boa altura para investir naquilo de que mais gosta, mas com cuidado que a vida está difícil.

ESCORPIÃO Amor: Aproveite bem todos os momentos que tem para estar com a sua cara-metade. Saúde: Poderá sentir alguma fadiga física. Dinheiro: Conserve bem todos os seus bens materiais. Zele pelo que é seu.

PEIXES Amor: Não dê tanta atenção a quem não merece. Rodeie-se apenas das pessoas que o compreendem e que gostam realmente de si. Saúde: Cuide da sua imagem. Inicie uma dieta. Dinheiro: embora deva empenhar-se, evite o desgaste excessivo na sua actividade laboral, pois será recompensado na devida altura. Acredite mais em si.

LEÃO Amor: A sua relação poderá pas-

SAGITÁRIO Amor: estará cheio de confiança em si próprio e ela ajudá-lo-á a

alargar a sua rede social. No entanto, não se deixe influenciar por terceiros, poderá sair prejudicado. Saúde: Tenha um maior cuidado com os seus ouvidos. Estará mais sensível a infecções. Dinheiro: evite precipitar-se, pense bem antes de investir as suas economias. CAPRICÓRNIO Amor: Alguém para quem você é muito importante dar-lhe-á um bom conselho. Saúde: Cuidado com o aumento de peso, faça exercício físico com regularidade. Dinheiro: Efectuará bons negócios, mas não assine nada sem pensar duas vezes.

O Casamento dos Padres Dois cónegos conversam: — Achas que ainda veremos, antes de morrer, o casamento dos padres? — Acho que não. Mas os nossos filhos, talvez...

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Encomenda de Livros Como Cortar Trabalhos de Bruxaria Formato: 14x21cm Páginas: 152 Preço: 25,00 € Um ritual de magia negra posto em acção contra alguém pode prejudicar avítima e destruir a sua vida de forma brusca e surpreendente. Todas as áreasestão sujeitas a ficar afectadas. Tudo à sua volta parece ruir. E, mais graveainda, a vítima de magia negra não consegue encontrar forças para reagir. Neste livro de carácter prático, a autora apresenta rituais fáceis de executar quepermitem criar uma aura de protecção.

Aprenda a Proteger-se Contra a Inveja e Mau-Olhado Formato: 15,5 X 23 cm Paginas: 156 Preço: 19,90 € Nas alturas de maior fragilidade, há que criar uma protecção efectiva contra os possíveis efeitos das energias negativas. Neste livro damos-lhe conhecimento de mantigos amuletos, fórmulas, rituais práticos, orações e rezas especiais mpara que possa repelir esse encantamento maligno.

Astrologia, Karma e Felicidade Preço, 20,99 €

Autor: Cristina Candeias A astróloga residente do programa "Praça da Alegria", de Jorge Gabriel, tornouse um fenómeno nacional, com as suas previsões em directo. Este é o seu primeiro livro. O livro que nos ensina a atravessar o deserto para encontrar o oásis e a felicidade plena. É necessário reflectir sobre quem fomos, o que somos e o que temos de vir a ser. Só depois de aceitarmos os nossos processos de mudança a vida se nos revelará.

Orações aos Anjos da Guarda Formato: 14 X 21 cm. Páginas: 144 Preço: 25,00 € Na primeira parte desta obra encontrará um vasto número de orações aos anjos da guarda, que certamente serão do seu inteiro agrado. Na segunda parte deliciar-se-á com a listagem completa dos 72 anjos protectores. Cada um destes anjos confere características particulares mao modo de ser e de amar dos seus protegidos.

Engano não é Pecado A senhora aproximou-se do confessor e perguntou-lhe: — Hoje, vendo-me ao espelho, achei que sou bonita. Diga-me, meu padre, eu pequei? —Não tem importância, minha filha. Um engano não é pecado.

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Por razões de saúde, familiares, afectivas, materiais ou espirituais, todos mpassamos em algum momento por situações difíceis. Nesta obra encontrará uma centena de orações adequadas a cada caso. Orações para encontrar mcompanheiro/a, para conseguir casar-se com o seu namorado, pela paz da família, contra doenças, etc.

—Uma mulher entra numa farmácia e diz… —Por favor, quero comprar arsénico. —O farmacêutico pergunta: —Qual a finalidade? —Matar o meu marido. —Mas, não posso vender isso para esse fim! —A mulher abre a mala e tira uma fotografia do marido na cama com a mulher do farmacêutico... —Ah, não sabia que a senhora tinha receita...

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O paraíso da cerveja

PORTUGAL POST Nº 199 • Fevereiro 2011

Weizenbier O título de „país das cervejas“ foi conquistado em virtude das mais de 1200 cervejarias activas na produção de mais de 5 mil marcas. Contando as bebidas não alcoólicas, a cerveja é a terceira mais consumida (depois de água e café). As cervejas na Alemanha classificam-se não só pelas cores, sabores, aromas, mas também pelo teor alcoólico e pelo tempo de fermentação. Dependendo do processo de fabricação, elas tomam as suas características especiais, podem até se tornar menos calóricas – as lights (Leichtbier). No caso da Diätpils (pilsen dietética) por exemplo, os hidratos de carbono (açúcares) são transformados em álcool. Com isto, sua percentagem alcoólica é multiplicada, mas posteriormente reduzida ao normal. Para quem não quer nem saber de álcool, existem as produzidas sem ele na categoria da alkoholfreies Bier. Para ser classificado como tal, o produto deve ser totalmente livre ou conter um baixo teor alcoólico, que não pode passar do 0,5%. Quem vai para a Baviera, o paraíso das cervejarias ao ar livre (Biergärten), e „pede uma“, recebe a Weissbier (ou Weizenbier). A cerveja de trigo, com um aroma floral, é servida em copos grandes de meio litro.

Schwarzbier Uma cerveja mais turva chamada de Lager é benquista não só na Baviera, Baden-Württemberg e nas regiões do Rio Ruhr, como também tem apreciação internacional. Seu sabor é um tanto forte e adocicado, com leve aroma de malte. Ela passa por um processo de repouso e fica armazenada durante um longo período, quase completando as quatro estações do ano. A cerveja preta (Schwarzbier) tem a cor dominante originada pelo uso do malte torrado. Até metade do século passado, esta cerveja era a mais popular. Hoje, as claras são as mais consumidas. A Pils é o tipo de cerveja mais consumido no país. É servida em copos em forma de tulipa ou troféu e famosa pela sua coroa cremosa de espuma. A cerveja Bock contém em média 7% a 7,5% de álcool, tem uma cor bem dourada e origens bávaras. Não é encontrada com facilidade por ser uma especialidade de temporada, sendo geralmente mais vendida em dias festivos, conhecida também como „bock de Natal“. Em Düsseldorf, que tem a fama de maior balcão do mundo, bebe-se a Alt, que é mais escura e tem um paladar mais amargo, muito apreciada no verão. Esta cerveja é servida em copos de 0,2 litros. A Berliner Weisse é a favorita

Berliner Weiße

Prost dos berlinenses: com um sabor um tanto ácido, ela tem cor um pouco turva e é servida em taças. Apreciada também quando adoçada com glucose de frutas silvestres, como a framboesa e a aspérula. É a exótica entre as cervejas pelo seu visual colorido. As cervejas mais escuras misturadas com coca-cola ou refrigerantes de sabor limão levam o nome de Russ, já quando levam a cerveja do tipo Lager ou pilsen são chamadas de Bierbowle ou Radler. Quando as cervejas mais claras são misturadas com refrigerante de sabor laranja, chamam-se Alster. Existem as misturadas com tequila ou bebidas energéticas com alto teor de cafeína e também com sumo de banana ou de cereja (por exemplo a Bananenweizen ou a Kirschweizen). A Kölsch não é só cerveja, já é tradição para a cidade de Colónia. Foi declarada como especialidade regional pela União Europeia em 1997. É servida num copo estreito de 0,2 litros. Nunca se deve recusar uma Kölsch, isto já é quase uma ofensa para um Köbes (assim são chamados os “garçons” nos recintos típicos da região). Na região de Bamberg, o malte é defumado, o que dá um sabor típico à cerveja daquela cidade. Na cidade de Schorschbräu,

Altbier

a cerveja Donnerbock diferenciase das outras por ser a mais forte de todas com os seus 13% de álcool. Muitos grupos, sociedades e clubes se dedicam aos estudos da cerveja na Alemanha, como por exemplo os „entendidos“ da equipa da página eletrónica www.bier.de. Neste site eles recomendam saborear a cerveja com a temperatura entre 7 a 9 graus centígrados. Aconselham a não gelar a bebida bruscamente e nem guardá-la em freezer. Na hora do brinde, os alemães costumam se olhar no fundo dos olhos e clamam o „Prost“, o “à nossa” em Portugal .Enquanto uns se dedicam a coleccionar selos, moedas, isto e aquilo, os fanáticos por cerveja surpreendem com as suas manias. Guardar o paladar na memória parece não bastar, os cabazinhos das garrafas, garrafas e emblemas são eternizados dentro das casas dos coleccionadores. Nem os copos são perdoados. Outros enchem as estantes com centenas de latas, anúncios, bonezinhos, camisetas e ainda existem aqueles que enchem as caves e as garagens com barris. O coleccionador Bernd Speer é um deles, conseguiu juntar em quase 30 anos 1600 emblemas de cervejas, mas não se dá por satisfeito e no seu site ele faz um apelo, pois na sua colecção ainda faltam mil marcas.

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Pils

A cerveja conquistou seu espaço na gastronomia e vem sendo usada em muitas receitas requintadas ou bem caseiras na Alemanha – as variedades vão desde os pratos principais até as sobremesas. Dependendo da região, ela aparece nos cardápios retocando várias receitas de sopas, omeletes, assados, cozidos e até bolos. O duque Guilherme 4º, da Baviera, decretou em 1516 o preceito de pureza (Reinheitsgebot), que vigora até hoje na Alemanha e só permite o uso de quatro elementos para a fabricação da cerveja: malte, água, lúpulo e fermento. Por volta de 4000 a.C., os sumérios, um povo que habitava a região entre os rios Tigres e o Eufrates, já usavam cereais e leveduras, como a cevada, para fazer pães. Esta mistura de grãos era amolecida em potes de água até germinar. Os ingredientes entravam em processo de fermentação e o líquido com teor alcoólico gerado já era bem similar à cerveja dos dias de hoje. O Egito ainda mantém o sistema produzindo a bouza, uma cerveja rústica. Crê-se então que, desde aquela época, os habitantes já saboreavam a bebida fermentada. Provavelmente, a fórmula da cerveja dos germânicos foi inspirada nas receitas milenares destes primeiros criadores do „prazer“. Cortesia DW Publicidade


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Última

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Crónica por Cristina Krippahl

Orgulhosamente sós O FMI interveio por duas vezes em Portugal: em 1977 e em 1983. Das duas vezes o país deixara de ter acesso a divisas necessárias para financiar as importações quando os credores, receosos de perderem o seu dinheiro, lhe recusaram mais empréstimos sem o aval do FMI. Este impôs várias medidas de austeridade a Lisboa que incluíram cortes em subsídios, subida de impostos, desvalorização do escudo, impostos retroactivos sobre os vencimentos e o c ongelamento do 13º mês.

É

o novo mantra político: não, muito obrigado, Portugal não precisa de ajuda de fora para sair do buraco financeiro em que se meteu. Muito menos – por quem somos! - de deixar entrar portas adentro o Fundo Monetário Internacional (FMI). Esta atitude tem um pequeno defeito de fabrico: sem a intervenção externa maciça do Banco Central Europeu (BCE), que por várias vezes nos últimos comprou dívida pública portuguesa para manter artificialmente baixos os juros, o país já teria ido à falência. Para não mencionar as tentativas desesperadas de vender a dívida a chineses e árabes. A afirmação de que Portugal consegue resolver o problema sozinho caiu por terra há muito. Não obstante, os responsáveis insistem com pânico na voz e no gesto, e contrariando todas as análises de economistas independentes, que nunca por nunca Portugal recorrerá ao Fundo Europeu para a Estabilidade Fi-

nanceira (EFSF) e à ajuda do FMI. A questão que se coloca é, porquê? Por uma questão de prestígio nacional? Que é, sem dúvida, uma coisa bonita, mas não põe comida na mesa, não paga a renda da casa e não cria empregos. O FMI interveio por duas vezes em Portugal: em 1977 e em 1983. Das duas vezes o país deixara de ter acesso a divisas necessárias para financiar as importações quando os credores, receosos de perderem o seu dinheiro, lhe recusaram mais empréstimos sem o aval do FMI. Este impôs várias medidas de austeridade a Lisboa que incluíram cortes em subsídios, subida de impostos, desvalorização do escudo, impostos retroactivos sobre os vencimentos e o congelamento do 13º mês. É claro que as medidas não foram recebidas com jubilo por parte da população. Mas a verdade é que, por duas vezes, a economia portuguesa recuperou num espaço de meses e entrou posteriormente em fase de expansão. A imagem

de Portugal não saiu arranhada, pelo contrário, as medidas aumentaram a confiança não apenas dos credores, mas também dos investidores. Infelizmente, quando o FMI saiu do país, regressou a mentalidade do Estado como self-service para quem pode e manda e às custas da nação. O prestígio do país, aos olhos dos seus responsáveis, parece ser coisa muito relativa. Hoje, mesmo sem a intervenção do FMI, Portugal já se vê obrigado a proceder a uma série de medidas muito dolorosas para a população. Outras virão, porque estas ainda não bastam para reganhar a confiança dos mercados financeiros. Não obstante, chegou-se ao cúmulo de proclamar um «sucesso» o facto da taxa média ponderada das Obrigações do Tesouro a 10 anos ter sido de «apenas 6,716% » no leilão de dívida pública em Janeiro. Recorde-se que, pouco antes, o Ministro das Finanças declarara que uma taxa de 7% seria motivo suficiente para considerar recorrer ao fundo de res-

gate europeu. Já 6,716% são um «sucesso»? A dívida interna e externa do Estado representa 113% do PIB, ou seja, 132,5 mil milhões de euros em 2009. Nesta soma ainda não estão incluídos os 50 mil milhões de euros de dívida privada, metade da qual é subscrita pelo Estado. Para honrar esta dívida, em 2009 o Estado gastou mais de cinco mil milhões de euros só em juros. São somas que cresceram e crescerão significativamente em 2010 e 2011com a subida das taxas de juro. A maioria dos especialistas considera que o Governo português está simplesmente a adiar o inevitável, acumulando, entretanto, mais e mais dívidas, e hipotecando o futuro das gerações vindouras. A vergonha não consiste em aceitar ajuda externa para resolver os problemas, a vergonha consiste em ter deixado o país resvalar para esta situação. A bancarrota de facto do país é o reflexo da bancarrota moral das suas elites políticas e económicas. Publicidade


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