Portugal Post Março 2011

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PORTUGAL POST Eleições NRW 2010

Director: Mário G. M. dos Santos ANO XVI • Nº 188 • Março 2010 • Publicação mensal • 2.00 € Portugal Post Verlag, Burgholzstr. 43 • 44145 Dortmund • Tel.: 0231-83 90 289 • Telefax 0231- 8390351• E Mail: correio@free.de •www. portugalpost.de •K 25853 •ISSN 0340-3718

Doze portugueses eleitos para os Conselhos de Estrangeiros na Renânia do Norte e Vestfália

Leia nesta edição PORTUGAL POST falou com Cônsul-Geral de Portugal em Hamburgo

Página 9

Alemanha Tribunal declara inconstitucional a lei alemã de ajuda social Hartz IV Página 11

Os eleitos. Em cima, da esq.:Anabela Barata, Hilden,Armindo Fragata, Leverkusen,António Horta, Gelsenkirchen,António Machado, Burscheid, Elisabete Pinrto Araújo, Euskirchen, Carlos da Mota, Eschweiler. Em baixo, da esq.: Dania Cancela Morewira, Eitorf, Melanie Ferreira Martins, Euskirchen, Manuel Botelho, Solingen, Manuel Machado, Münster, Paulo de Jesus Pinto, Euskirchen e Sara Neto Alves, Rheine. Pág. 5

Aviação Frank Zehle é o novo delegado da TAP Portugal na Alemanha

Tributação de rendimentos obtidos na Alemanha Quando um português é tributado em Portugal pelos rendimentos auferidos na Alemanha, apenas porque mantém em Portugal o agregado familiar, deve tal tributação ser anulada. Leia mais na pág.3

Deputado Carlos Gonçalves denuncia escassez de recursos humanos nos consulados de Estugarda e Frankfurt

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O deputado social democrata pelo círculo da Europa Carlos Gonçalves criticou a escassez de recursos humanos nos consulados de Estugarda e Frankfurt, na Alemanha, que „não tem mãos a medir“ para atender a comunidade portuguesa ali residente. Pág. 7 Publicidade

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PORTUGAL POST nº 188 • Março 2010

PORTUGAL POST

Editorial Mário dos Santos

Agraciado com a medalha da Liberdade e Democracia da Assembleia da República Fundado em 1993 DIRECTOR: MÁRIO DOS SANTOS

CORRESPONDENTES ALFREDO CARDOSO: MÜNSTER ANTÓNIO HORTA: GELSENKIRCHEN JOÃO FERREIRA: SINGEN JORGE MARTINS RITA: ESTUGARDA JOSÉ PINTO NASCIMENTO: DÜSSELDORF KOTA NGINGAS: DORTMUND MANUEL ABRANTES: WEILHEIM -TECK MARIA DOS ANJOS SANTOS - HAMBURGO MICHAELA AZEVEDO FERREIRA: BONA ZULMIRA QUEIROZ: GROß-UMSTADT COLUNISTAS ANTÓNIO JUSTO: KASSEL CARLOS GONÇALVES: LISBOA DORA MOURINHO: ESSEN FERNANDA LEITÃO: TORONTO JOSÉ EDUARDO: FRANKFURT JOSÉ VALGODE: LANGENFELD LAGOA DA SILVA: LISBOA LUIS BARREIRA, LUXEMBURGO MARCO BERTOLOSO: COLÓNIA MARIA DE LURDES APEL: BRAUNSCHWEIG PAULO PISCO: LISBOA RUI MENDES: AUGSBURG RUI PAZ: DÜSSELDORF TERESA COLAÇO: COLÓNIA ASSUNTOS SOCIAIS JOSÉ GOMES RODRIGUES: ASSISTENTE SOCIAL CONSULTÓRIO JURIDICO CATARINA TAVARES: ADVOGADA MICHAELA A. FERREIRA: ADVOGADA MIGUEL KRAG: ADVOGADO FOTÓGRAFOS: PAULO FERREIRA E FERNANDO SOARES AGÊNCIAS: LUSA. DPA IMPRESSÃO: PORTUGAL POST VERLAG

A missão dos Conselhos Consultivos Depois de Estugarda, Dusseldorf e Osnabrück, o consulado em Hamburgo anunciou a constituição dos membros do Conselho Consultivo nomeados pelo Cônsul-Geral daquela área consular. Com a nomeação dos Conselhos Consultivos, a comunidade tem agora instrumentos que lhe permitem fazer-se ouvir junto das autoridades consulares que, por sua vez, devem fazer chegar às entidades governamentais as preocupações transmitidas pelos Conselhos. Para além destes órgãos, que podem contribuir para a participação da comunidade na resolução dos problemas a nível regional, a comunidade tem ainda os membros eleitos do Conselho das Comunidades (CCP) que têm a missão de saber dos problemas com que os portugueses residentes neste país se debatem e de os transmitir ao Governo. É cedo ainda para avaliar da eficácia dos chamados Conselhos Consultivos.

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Seja como for, nunca a comunidade teve tão representada junto das entidades oficiais como agora está. Mas não basta ser apenas membro dos Conselhos Consultivos só para assistir às reuniões e ficar em bicos de pés. É preciso que os seus membros fiquem atentos ao que se passa e sejam o eco das preocupações da comunidade. Pelo que nos foi dado a conhecer, todos os membros dos Conselhos Consultivos já empossados são elementos empenhados nas áreas que representam e podem prestar uma contribuição positiva para a coesão e bem estar da comunidade. Nos conselhos já empossados, a preocupação dos cônsules e vice-cônsules foi escolher e nomear pessoas ligadas a actividades como o ensino, o movimento associativo, a acção social, as missões católicas, etc. Pareceu-nos, porém, que sectores como os empresariado e negociantes deveriam figurar nos ditos con-

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selhos. E isto por razões que tem a ver com o potencial que o sector representa e que, de alguma maneira, é importante para a economia portuguesa. Lembramos, por exemplo, do apelo que o Presidente da República fez aquando da sua visita à Alemanha há um ano: “Portugal necessita, hoje mais do que nunca, da ajuda da sua diáspora. Contamos com o vosso apoio para projectar o nosso país, com a colaboração de todos para que possamos aumentar as exportações de produtos e serviços portugueses, para promover a nossa terra como destino turístico de excelência”. Estas palavras do Presidente fazem hoje, mais do que nunca, sentido por mor da situação económica e financeira em que Portugal se encontra. Assim, corresponder ao apelo do Presidente é também uma prioridade e uma missão de todos quantos fazem parte dos Conselhos Consultivos.

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REDACÇÃO E COLABORADORES CRISTINA KRIPPAHL: BONA FRANCISCO ASSUNÇÃO: BERLIM FERNANDO A. RIBEIRO: ESTUGARDA HELENA GOUVEIA: BONA JOAQUIM PEITO: HANNOVER LUÍSA COSTA HÖLZL: MUNIQUE

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PORTUGAL POST nº 188 • Março 2010

D ESTAQUE

Tributação de rendimentos obtidos na Alemanha Destacamos aqui os casos dos cidadãos portugueses que residem na Alemanha e aí obtiveram os seus rendimentos derivados de trabalho dependente e por conta de outrem

exclusivo critério de dependência formal, sem correspondência na realidade, e susceptível de gerar situações de extrema injustiça. Segundo a interpretação legal mais correcta, como o têm reconhecido os tribunais superiores em Portugal, é de afastar a aplicação de legislação fiscal portuguesa sobre os casos destes cidadãos nacionais, nomeadamente os residentes na Alemanha, ou seja, quando um português seja tributado em Portugal pelos rendimentos auferidos na Alemanha, apenas porque mantém em Portugal o agregado familiar, deve tal tributação ser anulada. Ora à luz dos princípio e regras das Convenções Internacionais celebradas entre os Estados em matéria Fiscal, deve a sujeição a imposto em Portugal ainda que a pretensão seja pela Administração Fiscal formulada junto desses contribuintes, somente ser atendida, quando permaneçam no território nacional interesses patrimoniais ou pessoais directos. Assim, devem os cidadãos portugueses que residam habitualmente na Alemanha e aí desempenhem sua actividade profissional, impugnar judicialmente as liquidações de impostos a pagar em Portugal, sobre os rendimentos na Alemanha, caso não possuam em Portugal outra ligação que não seja o agregado familiar. Se tiver dúvidas escreva para Catarina.Tavares@BPO.pt Advogada

Catarina Tavares A sujeição fiscal a tributação em IRS sobre rendimentos em Portugal, como é sabido não se cinge aos rendimentos auferidos por portugueses em Portugal. Como prática recorrente, à imagem do que se prevê em diversos Estados, designadamente na Alemanha, o Estado Português pode arrogar-se de uma pretensão tributária sobre os rendimentos de estrangeiros obtidos em Portugal ou ainda dos rendimentos obtidos por portugueses no estrangeiro, desde que preenchidos determinados critérios legalmente estipulados. Destacamos aqui os casos dos cidadãos portugueses que residem na Alemanha e aí obtiveram os seus rendimentos derivados de trabalho dependente e por conta de outrem, situação essa que tem vindo a gerar pretensões e liquidações ilegais pelos Serviços de Finanças portugueses, especialmente, quando um dos cônjuges no ano fiscal em causa fosse considerado residente em Portugal. Para isso, acrescentamos, bastaria que o respectivo cônjuge ao ano Publicidade

fiscal em causa permanecesse-se em Portugal por mais de 183 dias, ou seja, 183 dias e uma manhã a título de exemplo. Nestes casos, a Administração Tributária portuguesa entende preenchidos os pressupostos para que o cônjuge não residente em Portugal, seja por “arrastamento” legal considerado residente em Portugal, ficando sujeito às regras de IRS. Sabendo que nas situações que envolvem situações jurídicas de cariz Fiscal em mais de um Estado, o que sucederia no nosso caso de cidadão português residente na Alemanha, as Convenções Internacionais celebradas entre Estados procuram evitar que o cidadão fique sujeito a uma dupla tributação, isto é, que sobre os rendimentos auferidos num país (por exemplo a Alemanha), além do imposto aí pago, paguem novo imposto sobre esses mes-

mos rendimentos em Portugal. No nosso caso, que aqui retomamos, os cidadãos portugueses

Quando um português é tributado em Portugal pelos rendimentos auferidos na Alemanha, apenas porque mantém em Portugal o agregado familiar, deve tal tributação ser anulada. que são na Alemanha sujeitos a impostos, porque aí é o seu Estado de residência e onde obtêm os seus rendimentos, tem sido alvo de liquidações de IRS, para pagamento do imposto adicional sujeito a taxas superiores em

Portugal. Nesses casos, por via de aplicação das referidas convenções internacionais, ao imposto a pagar em Portugal pela totalidade dos rendimentos auferidos, em termos globais, cabe deduzir o eventual montante já pago na Alemanha, sobrando para pagamento aquele que resulta da aplicação da taxa portuguesa menos a parte de imposto já pago na Alemanha. Este mecanismo convencional não deve no entanto ser aplicável quando a aplicação das normas Fiscais portuguesas, ainda que como se viu em concorrência com as normas Fiscais alemãs, se deve exclusivamente ao facto de o cidadão português ser tido por residente, não por aplicação de nenhum critério legal que fixe sobre si a residência fiscal em Portugal, mas sim sobre o seu cônjuge. Estaremos perante um

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PORTUGAL POST nº 188 • Março 2010

Segundo director Obra Católica Migrações

Chegam muitos portugueses qualificados aos países europeus Continuam a chegar muitos emigrantes portugueses aos países europeus, a maioria dos quais jovens qualificados mas sem oportunidades profissionais em Portugal, alertou o director da Obra Católica Portuguesa de Migrações, Frei Francisco Sales Diniz. Este foi o diagnóstico feito no encontro dos sacerdotes que exercem junto das comunidades portugueses em França, Suíça, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Alemanha, e Reino Unido, que se reuniram em Londres desde. “Os problemas com a nossa emigração são quase sempre os mesmos, apesar de estarem mais acentuados com a nova vaga de emigração”, afirmou Frei Francisco Sales Diniz O grosso dos emigrantes está, segundo a observação do clero, a

chegar à Suíça, Luxemburgo, Reino Unido e França, mas é difícil quantificar em números devido à falta de inscrição nos consulados ou junto das autoridades nacionais. Esta “nova vaga”, descreveu Sales Diniz, é composta por “pessoas com formação, muitas vezes com cursos superiores, cursos profissionais ou cursos técnicos, que não têm saída profissional em Portugal” e que precisam de procurar emprego fora para pagar as prestações da hipoteca da casa em Portugal. O director da OCPM advertiu em particular para a construção do túnel ferroviário nos Alpes, para onde espera que se desloquem “alguns milhares de portugueses”. Um dos empreiteiros, adiantou, “é uma empresa ligada a trabalhadores portugueses” e a própria “igreja francesa já nomeou um diá-

cono para acompanhar essa situação”. Mas não são apenas as comunidades portuguesas no estrangeiro a enfrentar problemas, a própria Igreja sofre da falta crescente de sacerdotes, pelo que é frequente o recurso a padres brasileiros, dos países africanos de língua portuguesa e até outras de nacionalidades. Diniz Sales referiu que o trabalho das missões no estrangeiro é “acompanhar comunidades sem criar guetos” e ajudar na integração no país de acolhimento e na igreja local. “Muitas vezes as igrejas locais gostariam que a integração fosse mais rápida, mas é um processo que precisa de passar por uma primeira, segunda, terceira geração que nós temos obrigação de acompanhar”, vincou.

Secretário de Estado das Comunidades destaca potencialidades dos gabinetes de apoio ao emigrante O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, António Braga, destacou as „potencialidades de enriquecimento mútuo“ propiciadas pelos gabinetes de apoio ao emigrante, durante a assinatura do protocolo que criou na Mealhada mais uma destas estruturas. „Há um universo de oportunidades extraordinário para desenvolver e explorar“, defendeu o governante na cerimónia nos Paços do Concelho, ao sublinhar que se devem „explorar estas potencialidades de enriquecimento mútuo“. Apoiar os emigrantes que pretendem regressar à terra natal e auxiliar os que querem emigrar são as principais valências do gabinete, criado ao abrigo de um protocolo celebrado entre a Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e Comu-

nidades Portuguesas e o Município da Mealhada (Aveiro). „Os emigrantes insistem em manter-se ligados a casa, cabe ao Estado criar condições para isso através da língua, da cultura e também no domínio da economia e do tecido empresarial“, referiu António Braga, ao salientar o papel do recentemente criado programa Netinvest no „estímulo às parcerias“ entre empresários locais e empresários da diáspora. Para o presidente da Câmara da Mealhada, Carlos Cabral, „a intervenção das autarquias no domínio social é cada vez mais importante“. „Temos intervenções em diversas áreas, faltava-nos sem dúvida o desenvolvimento deste trabalho. Somos um concelho muito especial: numa primeira fase, preocupámonos imenso com a imigração, procurámos acolhê-los e integrá-los.

Somos também um país de emigrantes. Faltava algo neste município que pudesse estar ao serviço dos que regressam ao país ou dos que, estando no estrangeiro, precisam de contactar com o país de origem“, afirmou Carlos Cabral. De acordo com o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, existem já cerca de 90 gabinetes de apoio ao emigrante e mais sete dezenas encontram-se „apalavrados“. „É um serviço de extraordinária oportunidade social, para se integrarem no regresso a Portugal, ou para se informarem quando pretendem sair“, sintetizou. No protocolo lê-se que cerca de 90 por cento dos portugueses que regressam o fazem para a freguesia de onde partiram e que no concelho da Mealhada „sempre se verificou um elevado índice de

Funcionários dos consulados juntam-se à greve da Função Pública contra congelamento dos salários Os trabalhadores dos serviços externos do Ministério dos Negócios Estrangeiros vão aderir à greve da função pública de 04 de Março, em protesto contra o congelamento dos salários e das carreiras, anunciou o sindicato do sector. „Farto de congelamentos, o pessoal dos Serviços Externos do MNE (consulados, embaixadas, missões e centros culturais) vai aderir à greve já marcada pela Frente Comum de Sindicatos para o dia 04

de Março“, afirma o Sindicato dos Trabalhadores Consulares e das Missões Diplomáticas (STCDE). Afirmando que esta foi uma „decisão unânime“ dos corpos gerentes, o STCDE relembra em comunicado que „as carreiras estão congeladas desde o século passado, a progressão está congelada desde 2004, agora viria o terceiro congelamento dos salários desde 2003“. „O Governo prefere poupar nos salários em vez de actuar con-

tra a fuga aos impostos e poupar na propaganda e nas acções de fachada“, lê-se na mensagem. O STCDE diz ainda que já confrontou o Governo com o facto de não haver recuperação do poder de compra perdido nos últimos cinco anos pelos trabalhadores dos serviços externos e com o facto de haver mais de duas centenas de trabalhadores que nem sequer auferem o valor do salário mínimo nacional.

Opinião por Fernanda Leitão Cuidado, gentes da província! Numa descuidada passeata pela interbecão do jornalismo, há muita gente net, caíu debaixo dos meus olhos esta fina, civilizada e de bom carácter. Há saraivada dada à estampa no SOL: milhões de pessoas da Província que “O Processo chamado “Face Oculta” vivem em cidades maiores, mais lutem as suas raízes longínquas num fexuosas do que Lisboa, embora não nómeno que podemos designar por “desnecessariamente mais bonitas, e não lumbramento”. Muitos dos envolvidos no vivem de expedientes nrm de boca caso, a começar por Armando Vara, são aberta. Entre esses milhões de expapessoas nascidas na Província que vietriados, há centenas ocupando altos ram para Lisboa, ascenderam a cargos cargos na banca, nas empresas, no políticos de relevo e se deslumbraram. poder municipal, na política, e não Deslumbraram-se, para começar, com o consta que sejam corruptos. O autor poder em si próprio. Com o facto de da saraivada parece, ele sim, um “desmandarem, com os cargos a distribuír lumbrado” com aquilo que considera pelos amigos, com a subserviência de uma fortaleza inexpugnável: um jornal muitos subordinados, com as mordoteúdo e manteúdo por um sócio de mias, com os carros de luxo, com os uma angolana que compra tudo chauffeurs, com os salões, com os novos quanto vê em Portugal, mais dois anconhecimentos. Deslumbraram-se, degolanos ensopados em milhões. O pois, com a cidade. Com a dimensão da que foi trombeteado como um acto cidade, com o luxo da cidade, com as de “libertação” por Felícia Cabrita, a luzes da cidade, com os divertimentos da babada biógrafa de Pinto da Costa, cidade, com as mulheres da cidade. Ora, quando chamada a depor numa copara homens que até aí tinham vivido missão parlamentar que mais parece, sempre na Província, que até aí tinham nesta quaresma, o baile dos trapauma existência obscura, limitada, ligados lhões. Resta-nos aguardar que o joràs estruturas partidárias locais, este salto nal passe a publicar saraivadas simultâneo para o poder político e para contando a verdade do que se passa a cidade representou um cocktail exploem Angola. Porque, enfim, ninguém sivo”. pode acreditar que por lá haja cenInterrompo a transcrição para sura e asfixia democrática. fazer alguns comentários a esta prosa de prego-e-racha, sem es- O que foi trombeteado como um acto tilo nem graça, quase a lembrar de “libertação” por Felícia Cabrita, a as da agit-prop usadas pelo”sol babada biógrafa de Pinto da Costa, da terra” de má memória. Para quando chamada a depor numa comiso autor, nascer na Província é são parlamentar que mais parece, nesta ser inferior, atrasado, genetica- quaresma, o baile dos trapalhões mente esquisito e, portanto, vulnerável à cidade que fascina e corA mim mais me parece cisma rompe. Na província, segundo ele, contra quem é da Província. Já um fatodos estão mortinhos por se cormiliar do autor da saraivada, num romperem na cidade, o que não é tempo em que ainda andava muito licaso dos alfacinhas de gema, todos gado ao PC, cismou contra um prosem excepção, incorruptíveis.A honra fessor de português na Universidade e a força de carácter é, de acordo de Amesterdão, transmontano honcom esta saraivada, apanágio dos nasrado, escritor de mérito e respeicidos à beira Tejo. Deve ser por isso tado, cidadão que nunca comeu da que falam de cátedra e se comportam gamela partidária, pondo a correr a como donos de tudo, incluindo dessa difamação de que ele seria da pide. E Província donde vêm os maraus e a não há muitos meses, um outro famipaparoca. Porque o lado maçador é liar do autor da saraivada, através da esse, a paparoca e a água vêm da ProRTP, visto e ouvido por milhões de víncia, mais os braços para trabalhapessoas em Portugal e no estranrem. Uma fatalidade que já deu o que geiro, pôs nas ruas da amargura o deu, em 1975, quando o PC mais o cônsul Aristides Sousa Mendes, um Movimento das Forças Armadas debeirão, deixando claro que o tinha cidiram, também, insultar a inteligênpor pessoa desonesta, enquanto encia e o patriotismo da Província: os da deusava a perseguição movida por Sadita cortaram as estradas, em Rio lazar ao diplomata que salvou da Maior e como já estavam com a mão morte largos milhares de judeus. na massa, incendiaram as carrinhas Estas cismas,às vezes, passam de geque transportavam os jornais pejados ração em geração. de insultos, ao mesmo tempo que o Para finalizar, recomendo ao Tio Abílio fazia mocas ao torno, para autor da saraivada que não repita geo que desse e viesse. Foi o princípio neralizações que insultam. Que saia do fim dos autoproclamados donos de Lisboa e verifique que toda esta do país. balbúrdia apenas interessa a políticos Não sei se o autor da prosa cocarreiristas e jornalistas que vivem nhece bem a Província ou que espédos políticos. Quem, na Província, cie de gente conhece ele no interior pega na enxada, se desdobra nas fádo país. Posso adiantar-lhe que, na bricas, quem tem de labutar para pôr Província, há um grande número de na mesa o pão da família, reage mal a gente culta, a meter num chinelo os estas confusões. Deixe a Justiça trasapateiros que teimam em tocar o rabalhar.


Nacional & Comunidades

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Geminação Leichlingen - Funchal

Três bombeiros alemães no Funchal para ajudar nas operações de socorro A cidade de Leichlingen (NRW), que tem um acordo de geminação com Funchal, Na ilha da Madeira, prontificou-se a corresponder a um apelo de ajuda vindo do presidente da Câmara do Funchal, Miguel Albuquerque, enviando Uma equipa de três bombeiros ao Funchal com diverso material de socorro para apoiar as operações em curso na capital madeirense, na sequência do temporal que atingiu a ilha. Logo após a chegada ao aeroporto do Funchal, os três bombei-

ros alemães iniciaram a preparação do transporte de equipamentos e materiais até à cidade do Funchal. Os bombeiros alemães transportaram mangueiras, bombas de água e equipamento de remoção de escombros, entre outros materiais de socorro. Recorde-se que a geminação entre Leichlingen e Funchal data de desde 1996, sendo que desde essa data tem existido várias iniciativas e visitas promovidas pelas duas cidades

Opinião

Um pouco de respeito

Sábado de manhã. O telefone perturba o aconchego da leitura do jornal. Levanto-me do sofá. Do outro lado dizem-me:“liga a televisão”. Obedeço. Imagens terríveis, daquelas que dispensam todas as palavras. Num arrebatamento da natureza a montanha desce até ao mar. Fernão de Ornelas, Visconde de Anadia, Avenida Arriaga. As ruas da cidade a que aprendi a chamar minha são cursos de água ferozes, arrastando carros, arrastando destroços, destroçando existências. A lama invadiu a baixa do Funchal, túneis transformaram-se em Amazonas, parques de estacionamento são lagos profundos. Casas incrustadas na encosta desabaram, estradas tornaram-se vias sem rumo. Os que se esquivaram ao fio do acaso olham sonâmbulos, incrédulos. A Madeira encheu-se de refugiados do temporal, de desabrigados, de mortos. Demasiados. A culpa depressa é atribuída: a natureza, o aluvião inusitado, as alterações climáticas. Não dá muito jeito admitir que esta tragédia poderia ter sido prevenida, minorada. A incúria cobrou o seu pesado tributo. Impermeabilização de solos, construção em leito de cheias, desordenamento territorial, má gestão das florestas são algumas das causas da tragédia madeirense. Causas humanas. Causas políticas. Uma brandura de enganos. E no meio da tentação da normalidade, na Quinta da Vigia a preocupação é“desdramatizar”. Demonstrando um desprezo ver-

gonhoso pelos que morreram – já se sabe, os mortos não votam – Alberto João Jardim exclama que “não vale a pena dramatizar a situação lá para fora”, até porque “não houve nenhum caso grave com o sector do turismo”. AJJ acreditava candidamente que bastava ele abrir a boca para que os media internacionais se calassem – como fazem alguns media madeirenses – para não afectar a “Madeira que fica bem nas fotografias”, a “Madeira” acarinhada pelo Governo Regional. A tentativa de amordaçamento não lhe saiu bem, a Madeira saltou para as páginas da imprensa de todo o mundo. E também os erros. A pobreza mais grossa e mais crua da Madeira, a outra, a invisível, a que não se senta no Golden Gate a bebericar refrescos e conspirar baixinho, está aí, exposta pela violência das águas, à mercê da caridade. A propósito de outra tragédia Clara Ferreira Alves escreveu o seguinte “ aquela morte enterrada em tristeza e terra molhada, aquela morte que é morte de pobre. Só os pobres morrem assim, devolvidos à terra antes de baixarem ao túmulo”. Podia ter sido escrito para a Madeira Não se aprendeu nada com a catástrofe de 1993 ? E agora? Que lições se vão tirar desta catástrofe? Qual é o plano de desenvolvimento para as zonas afectadas? Os madeirenses que morreram e os que foram afectados merecem um pouco de respeito. Merecem qualquer coisa chamada dignidade. Helena Ferro de Gouveia

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NRW 103 cidades elegeram Conselho de Estrangeiros (Integrationsrat) Doze portugueses eleitos No passado dia 7 de Fevereiro realizaram-se eleições em 103 cidades da Renânia do Norte e Vestfália (NRW) para eleição do Conselho de Estrangeiros (“Integrationsrat” ou “Integrationsausschuss”). Nestas eleições, a cidade de Dusseldorf, que é a capital da NRW bateu o recorde da abstenção com uma participação eleitoral a rondar os 4,67%, ou seja, de 94 510 eleitores apenas 4.413 fizeram o uso de voto. Nas 103 cidades deste Estado em que se registaram eleições, há, de acordo com os dados disponíveis, a constatar a eleição de 12 portugueses/as, que, concorrendo, conseguiram a eleição para os respectivos Conselhos de Estrangeiros. De entre os portugueses concorrentes a estas eleições, há a sublinhar a lista “Camões”, em Euskirchen, que conseguiu eleger dois elementos. Nesta mesma cidade, há um outro português que consegue ser eleito numa lista individual. A participação dos portugueses neste processo eleitoral não é coisa de monta. Muitos não percebem que no “Integrationsrat” existe a possibilidade, não apenas de debater e ajudar a resolver problemas ligados aos estrangeiros, como ainda conseguir ter acesso a verbas estipuladas para distribuir por associações que realizem eventos que contribuem para a integração dos cidadãos. Como tem sido habitual, a comunidade turca obtém o maior número de lugares. Há cidades em

Os eleitos (da esq.): Elisabete Barata, Hilden, Sara Alves, Rheine, Dania Cancela Moreira, Eitorf, Armindo Barata, Leverkusen

(da esq.) Carlos da Mota,Eschweiler, António Horta, Gelsenkirchen, Manuel Botelho, Solingen, Antonio Machado, Burscheid.

(da esq.)Manuel Machado, Münster, Paulo de Jesus Pinto, Melanie Ferreira Martins e Elisabete Pinto Araújo, Euskirchen,

Os doze membros eleitos nestas eleições foram: Anabela Barata, Hilden, Armindo Fragata, Leverkusen, António Horta, Gelsenkirchen, António Machado, Burscheid, Elisabete Pinrto Araújo, Euskirchen, Carlos da Mota, Eschweiler, Dania Cancela Morewira, Eitorf, Melanie Ferreira Martins, Euskirchen, Manuel Botelho, Solingen, Manuel Machado, Münster, Paulo de Jesus Pinto, Euskirchen e Sara Neto Alves, Rheine. que foram unicamente eleitos cidadãos turcos para este grémio. A informação sobre estas eleições também deixa muito a desejar por parte das autoridades alemães. Muitos dos estrangeiros que receberam o boletim de voto nem sa-

biam para que fim este era, e outros ainda nem sabiam que havia eleições, havendo também quem votasse o boletim no lixo pensando que se tratava de alguma publicidade. António Horta

Secretário de Estado diz que o ensino do português enquanto língua materna vai continuar O secretário de Estado das Comunidades, António Braga, garantiu que o Ensino do Português no Estrangeiro (EPE) enquanto língua materna vai continuar e que a rede vai ser aumentada. „Não há modalidade do EPE que acabe.Todas têm o seu lugar“, assegurou. António Braga reafirmou ainda que é objectivo do Governo alargar a rede do ensino no estrangeiro ao Canadá e Estados Unidos e, por essa via, „chegar melhor“ aos emigrantes portu-

gueses. O secretário de Estado falava na sequência da ida, na terça feira, da presidente do Instituto Camões (IC), Ana Paula Laborinho, à Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas

para esclarecer o alegado fim do ensino do português no estrangeiro enquanto língua materna em alguns países. Na Assembleia da República, Ana Paula Laborinho assegurou que a estratégia do ensino do português no estrangeiro passa pela expansão e qualificação dos cursos existentes e não pela sua descontinuidade. „Não haverá encerramento de nenhum curso existente. Reitero que não vai haver descontinuidade de nada“, afirmou.


Opinião

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PORTUGAL POST nº 188 • Março 2010

Opinião Paulo Pisco*

Orgulho sem preconceitos

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o âmbito do debate sobre a identidade nacional que decorre em França, o Governo de Nicolas Sarkozy apresentou iniciativas para cultivar “o orgulho de ser francês”. Embora aquele debate comporte perigos pela facilidade com que resvala para o racismo e a xenofobia, a necessidade de cultivar o orgulho nacional não é nada de negativo, bem pelo contrário, desde que nunca ponha em causa o respeito pelas outras nacionalidades. Em Portugal e entre as nossas comunidades seria bom também se aprendêssemos a valorizar aquilo que de melhor a nossa história, a cultura e o país têm, assumindo sem complexos o orgulho de sermos portugueses e aquilo que somos na actualidade, isto é, uma nação moderna que procura a todo o custo e da melhor maneira possível o desenvolvimento. E temos razões para nos orgulharmos da nossa história, que é riquíssima e possui um legado cultural de grande valor disperso

pelos cinco continentes. Segundo o propósito do Governo através do Ministério dos Negócios Estrangeiros, este ano de 2010 será caracterizado pela aproximação ao nosso legado cultural espalhado pelo mundo e pela nossa afirmação através da Língua e da cultura portuguesa. Com efeito, as solicitações para que Portugal esteja representado em iniciativas que ocorrem um pouco por todo o mundo são, porventura, muito superiores à nossa capacidade para nos fazermos representar. Mas isso é a prova mais evidente do legado importante que deixámos no mundo e da consideração que esses países mantêm em relação a Portugal, seja em África ou na Ásia com países como o Japão, a Coreia ou a China, com os quais neste e no próximo ano teremos importantes iniciativas conjuntas. Para que este desígnio estratégico seja atingido, no final da anterior legislatura foram aprovados pelo Governo um conjunto de diplomas legislativos da maior impor-

tância para que o país pudesse este ano fazer da Língua e da cultura o seu principal vector de afirmação, desde a reforma do Instituto Camões à aprovação do Quadro de Referência do Ensino do Português no Estrangeiro ou a criação de um Fundo para a Língua. Com efeito, à força de passarmos o tempo a criticar e a exigir mais, acabamos por não valorizar

O Instituto Camões tem, agora, necessariamente, de estar mais receptivo ao envolvimento das nossas comunidades nas suas actividades de promoção da Língua e da Cultura portuguesa, e isto é uma novidade absoluta em relação ao passado.

aquilo que temos e que, neste caso concreto, é algo extraordinário. Desde logo, devemos sublinhar que a expansão e qualificação do ensino do português no estrangeiro é um instrumento fundamental para a realização daquela estratégia e envolve directamente as nossas comunidades. Pela primeira vez, o Estado vai tutelar também o ensino do português em países como os Estados Unidos, Canadá e Venezuela, depois de recentemente o ter alargado a países como a África do Sul, Namíbia e Suazilândia. Neste esforço de afirmação, a Secretaria de Estado das Comunidades terá um papel fundamental na sua orientação estratégica através do Instituto Camões, que passou a ter a responsabilidade pela gestão e orientação de todos os graus de ensino, do básico às universidades, para dar maior coerência à nossa afirmação no mundo. Ou seja, o Instituto Camões tem, agora, necessariamente, de estar mais receptivo ao envolvimento das nossas comunidades nas suas actividades de pro-

moção da Língua e da Cultura portuguesa, e isto é uma novidade absoluta em relação ao passado. E é importante sublinhar também outro aspecto, sobretudo para aqueles que são pessimistas militantes e acham que nunca se faz nada. Os números da actividade do Instituto Camões relativamente aos últimos anos reflectem uma presença no mundo que merece louvor. Entre 2004 e 2008, o Instituto Camões passou de 41 para 69 o número de países em que está presente. Por outro lado, nesse período, passou de 121 instituições com as quais tinha projectos de cooperação para 294. Quanto ao número de professores, incluindo leitores, formadores e docentes ao abrigo de protocolos de cooperação, passou de 135 em 2004 para 621 em 2008. Tudo isto durante os quatro anos de anterior legislatura do Governo liderado por José Sócrates. *Paulo Pisco,Deputado do PS eleito pelas Comunidades Publicidade

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Comunidade - Alemanha

PORTUGAL POST nº 188 • Março 2010

Deputado Carlos Gonçalves denuncia escassez de recursos humanos nos consulados de Estugarda e Frankfurt O deputado social democrata pelo círculo da Europa Carlos Gonçalves criticou a escassez de recursos humanos nos consulados de Estugarda e Frankfurt, na Alemanha, que „não tem mãos a medir“ para atender a comunidade portuguesa ali residente.

„A Alemanha é um país que está a pagar a clara ausência de uma política de recursos humanos do Ministério dos Negócios Estrangeiros no que diz respeito aos seus consulados na vertente administrativa de apoio a comunidade“, criticou o deputado no final de uma visita a este país em meados do Fevereiro. Durante a sua vista, o deputado manteve contactos com representantes da comunidade portuguesa e elementos do movimento associativo das áreas consulares de Frankfurt e Dusseldorf, que lhe transmitiram „uma situação muito difícil“. „Os consulados na Alemanha estão em rotura [de] pessoal. O consulado de Estugarda está numa situação extremamente difícil de atendimento depois do início do serviço de emissão do cartão de cidadão“, frisou Carlos Gonçalves, explicando que o „vice-consulado em Frankfurt passa por uma situação praticamente idêntica“. Independentemente de o cartão de cidadão ser „um benefício“, o pessoal „não chega para dar conta do recado e há grandes dificuldades“, acrescentou. O deputado social democrata pelo círculo da Europa lembrou que „já avisou várias vezes para a situação da escassez de recursos humanos nos consulados de Portugal“, situação que tem vindo a ser „esquecida pelo Governo“.

Carlos Gonçalves, o terceiro a partir da direita, na companhia de elementos locais, militantes do PSD e membros da Comunidade aquando da sua passagem pelo Centro Cultural Desportivo em Arnsberg .

„Não posso deixar de estar preocupado. Ainda há pouco tempo

levantámos essa questão. Já avisámos várias vezes e apresentamos

Governo vai abrir vagas para funcionários consulares ao longo do ano O secretário de Estado das Comunidades, António Braga, garantiu que eventuais faltas de funcionários nos consulados poderão ser colmatadas ao longo do ano, com a abertura de vagas para pessoal administrativo. „Há um balanço a fazer porque programas como o SIRIC (Sistema Integrado de Registo e Identificação Civil) vieram libertar muitas tarefas, mas ao longo do ano haverá abertura de vagas para o pessoal administrativo“, disse o governante. Defendendo uma „racionaliza-

ção dos recursos“, o secretário de Estado sublinhou ainda que a „gestão dos recursos humanos por parte do Ministério dos Negócios Estrangeiros tem de corresponder ao esquema financeiro de contenção de meios“. António Braga falava na sequência de um requerimento apresentado pelo deputado do PSD pela Emigração Carlos Gonçalves, que visitou os consulados de Estugarda e Frankfurt, na Alemanha e veio criticar a falta de funcionários consulares naqueles postos.

propostas [para resolver a situação], mas aparentemente não fomos ouvidos e a comunidade portuguesa é que está a ser prejudicada“, lamentou. „Esperamos o mais breve possível, através de iniciativa parlamentar, chamar a atenção do governo para esta questão“, afirmou. Outra das prioridades durante a sua visita a Alemanha, adiantou Carlos Gonçalves, foi „verificar como está a correr a modificação da tutela do ensino português no estrangeiro relativamente a aplicação local“. Apesar de o processo „ainda estar num período inicial“ o deputado disse ter verificado „desde já alguns problemas“ que irão ser analisados „mais profundamente“, escusando-se, no entanto, a adiantar mais pormenores sobre o assunto.

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BREVES Grupo “Gerações”

Mais de 10 anos ao serviço do fado

O grupo de fados Gerações volta aos palcos para continuar a valorizar e a divulgar a canção nacional. Agora com a voz de Elisabete Ferreira, acompanhada por Ivo Guedes na guitarra portuguesa, João Inocêncio à viola e, no baixo, Victor Fonseca. O grupo, que está pronto a actuar em qualquer parte da Alemanha , consagra o seu reportório ao fado tradicional, dando-lhe voz com a única finalidade de o mostrar ao público, quer seja alemão ou português. Com músicos experientes e apaixonados pelo fado, o “Gerações” tem conquistado aplausos nas suas muitas actuações que vêm fazendo desde 1998, data da sua fundação. As informações sobre condições e marcação de datas para actuações podem ser obtidas através do TLM 0173 – 29 38 194 E-Mail: ivo1980@gmx.net.

Santander Totta apoia ensino do Português O banco Santander Totta, representado por Rogério Pires, entregou um donativo aos Serviços de Apoio Regional ao Ensino em Estugarda (SARE). O donativo servirá para aquisição de leitores de CDs para os trinta professores portugueses que leccionam naquela área. Rogério Pires disse ao PP que os leitores de CDs vão ser utilizados nas aulas de Português da forma que os professores acharem mais úteis. Rogério Pires e o responsável pelo SARE em Estugarda, João Mendes, combinaram que no final do ano escolar será entregue um prémio ao melhor aluno de Português do 12º. Foto Legenda: (da esq.) João Mendes, responsável pelo SARE, Rogério Pires, responsável pela Santander Totta na Alemanha, e Francisco Costa, promotor externo local do Santander Totta

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PORTUGAL POST nº 188 • Março 2010

Ronda pelas comunidades

Offenbach também foi destino de portugueses versa. Não há dúvida que as ofertas que tem sido dadas e dirigidas a todas as idades tem formado a todos alicerçando-os nos perenes valores que levam a uma atitude mais solidária. O Sr. Correia recebe a revista editada por ele e pelos seus colaboradores. Nessa opúsculo com o titulo “Comunidade Cristã” não se limitam simplesmente a dar realce às actividades da Comunidade Católica Portuguesa, mas procuram dar uma visão actual e bem fundamentadas do mundo de hoje.

Offenbach tem uma história milenária e muito rica. Como cidade independente remonta ao ano 561. Tem servido como plataforma e passagem de muitos povos. Hoje continua a ser paradeiro de muitos povos. Cerca de 30 % dos seus habitantes tem passaporte estrangeiro. Segundo consta, é a cidade alemã que possui uma maior concentração de estrangeiros ultrapassando de longe Frankfurt e Estugarda. Os Turcos representam a grande maioria ultrapassando em muito os italianos que ocupam o segundo lugar, seguindo então os gregos, os oriundos da antiga Jugoslávia, polacos, marroquinos, entre muitos outros. A comunidade portuguesa conta-se entre esses muitos outros. Esta poderá ultrapassar os mil habitantes.

Os serviços sociais também mereceram uma visita

José Correia, 45 anos em Offenbach As indústrias mais marcantes O calçado e a indústria de peles e couro ocupou, no seu passado recente, a maior parte dos seus habitantes. Offenbach ainda hoje é conhecia nos palcos do mundo industrial como a capital do calçado e das peles. A Gold Pfeil ainda tem aqui a sede. Offenbach é anfitriã da maior feira internacional das peles. Hoje ainda existem algumas fábricas na periferia da cidade. O sabão de Offenbach, da Firma Kapus foi e continua a ser um emblema de orgulho e de luxo. Em Portugal, estando atento, e nas lojas da especialidade, ainda o pode encontrar e usar claro. A Höchst – Naftol - foi a fábrica que mais atraiu os compatriotas. Que o diga o Sr. José Correia. Não queremos esquecer a Lavis, uma empresa metalúrgica vocacionada para grandes estruturas metálicas, sobretudo pontes. O Rowenta, que entretanto fechou as suas portes, deu a muitos lares portugueses o seu pão. O nosso interlocutor: rasgos duma vida Fomos conhecer o Sr. José Correia no seu mercado português “o que melhor serve”, como o intitula uma placa colocada por altura de um dos seus aniversários de existência. Já lá vão mais de 30 anos. É um espaço acolhedor onde os seus clientes são bem recebidos sempre com um sorriso nos lábios. Não fosse o Sr. Correia uma pessoa que continua a merecer pelos seus anos de dedicação à comunidade portuguesa um espaço especial para muitos. Uma grande parte da clientela são alemães, que já se acostumaram aos ricos sabores portugueses. Especialmente no Verão eles não es-

quecem de comprar ali a sua sardinha e grelhá-la, regando-a com o fresco e apetitoso vinho verde. De perto ele seguiu o incrementar da comunidade portuguesa desde os seus primórdios. Ele já vive em Offenbach há 45 anos. Veio de Lisboa mas a suas raízes estão no norte de Portugal onde nasceu. Apesar de ter trabalhado meio século numa grande empresa de Frankfurt o bicho do comércio nunca o deixou. Já em Lisboa e enquanto trabalhava em vendas, estudava nos seus parcos tempos livres e de noite. Enfim muito cedo ele soube conquistar com suor o seu espaço na sociedade. Não queremos aqui deixar desapercebidos outras casas de portugueses que continuam a emprestar as nossas cores e tão bem nesta região. A Casa Portuguesa na Waldstr. O restaurante Tasquinha da Jacinta. A Casa Aveirense que se tem expandido com medida e com segurança. Se alguma faltar que nos perdoem, pois o nosso objectivo é, além de outros, elevar o portuguesismo nestas paragens que apesar da distancia geográfica esta cada vez mais presente. Clube Operário Português: o desporto e a cultura O senhor Correia viu nascer o COP (Clube Operário Português de Offenbach) provocando também o seu crescimento, embalando-o com muito carinho e dedicação. Foram tantos os anos, que quase lhe perdeu a conta. Desde secretário a presidente e enquanto as forças o permitiram, esteve sempre ao seu lado. Recorda-se com saudade dos tempos passados, das festas e eventos que levaram a cabo. A res-

sonância do Clube ultrapassava as fronteiras estaduais. Os torneios de futebol também sob a sua co-responsabilidade provocavam o convívio sereno de tantos compatriotas e famílias. As cores e os ritmos do folclore ecoavam com êxito nas paredes do Clube transbordando-as para actuações múltiplas. A crise das associações é geral e bateu também à porta COP obrigando-os a recorrer a um espaço mais exímio e a limitar o mais possível as suas actividades. São as rajadas são rajadas de vento árido. Esperamos que as organizações tenham a capacidade de deixar-se limpar e cristalizar, colocando prioridades e deixando-se adequar a novas exigências em que a nossa cultura milenária ecoe mais alto e que o voluntariado e o serviço ganhe um maior impulso. Comunidade Católica: uma comunidade viva e aberta Passamos pela Missão Católica. Lembra-se dos primeiros anos, do P. José Cabral, que se ufana de ter sido seu amigo, da mesma idade, tendo-o conhecido quando ainda era aluno do seminário de Mainz. Saudades lhe deixou o seu irmão e seu sucessor no cargo, o P. Francisco que, pouco antes de lhe ter sido detectado a doença que o ceifou, lhe confidenciou o seu mal estar de saúde convidando-o a beber um copo. Mesmo que não seja directamente um praticante, a vida dá as suas voltas... admira enormemente o trabalho da Missão Católica no seu actual Assistente Pastoral, o Sr. Joaquim Nunes, uma pessoa muito bem preparada e muito aberta aos problemas da emigração e da pessoa humana. Ele sabe adequar a vida à fé e vice-

Existem também os serviços sociais da Caritas, que foram ainda obra do P. José Cabral. Assistiu ao seu nascimento, apadrinhado pelo Sr. Apolinário Madeira, seu responsável. Ele foi incansável ajudando uns e outros. Hoje tem uma outra desenvoltura e aceitação, a sua eficiência é e estrutura é mais global. Procuram uma maior integração das pessoas na sociedade acolhedora, libertando-as das amarras da dependência. Escola e integração Offenbach pode-se orgulhar ter uma professora de português que vai acompanhando os nossos filhos, no meu caso os meus netos e a manterem ainda as suas raízes lusitanos bem vivas. Tudo positivo, pois a nossa integração só se pode materializar com a riqueza cultural e linguística dos nossos antepassados. Desde os anos setenta que os filhos dos portugueses em Offenbach tem e continuam a ter esta oportunidade. Vale a pena viver o presente na situação concreta Muito ficou por dizer sobre esta simpática e milenária cidade. Não queremos de forma alguma, através deste trabalho, ferir susceptibilidades, elevando ou deixando de lado alguma que outra instituição ou pessoa. A nossa pretensão é percorrer os muitos e belos recantos desta Alemanha onde vivem e labutam os nossos muitos compatriotas. A história, tantas vezes milenária e a situação geográfica desses lindos recantos, poderão ser um pequeno véu mostrando-nos que vale a pena viver o presente na situação concreta de cada um e em cada lugar. Apelamos aos leitores, que seguiram o desenvolvimento da comunidade onde vivem de colaborem nesta rubrica. José Correia e José de Vila Nova

Comemorações dos 40 anos do Centro Português de Singen começaram com chutos femininos

Em Singen, todos se lembram que o futebol masculino dominava os aniversários do Centro. Os tempos são outros e as mulheres, ao longo dos anos, desejam e adquiriram mais integração e emancipação. Hoje dão uma vida nova no desporto da colectividade. Solidários ou não os homens em minoria entregaram as chuteiras ao futebol juvenil feminino. Chuteiras em pés leves e elegantes, deram o pontapé de abertura do programa do 40° aniversário do Centro Português de Singen. Nos dias 6 e 7 de Fevereiro, Singen foi palco de um evento de se lhe tirar o chapéu. Isto dito por forasteiros. O Centro promoveu dois torneios de futebol juvenil feminino, trazendo a esta cidade 67 clubes vindos dos vários quadrantes da Região do sul do Bad Vürttem-

Da esq., Presidente do Centro, Sr. António Frade e o Director Juvenil Paulo Reis

berg. Mais de 670 atletas participaram no evento. O CPS fez-se representar com 55 atletas que integravam 6 equipas - um mar de lindas garotas acompanhadas por 135 treinadores/as e outros tantos adjuntos/as e um número elevadíssimo de apoiantes. Tudo foi em grande. Pena foi constatar a pouca presença de sócios e membros da comunidade, como de resto lembrou o presidente do CPS, dizendo que não está nos seus planos “manter o Centro aberto unicamente para beber uns copos”. Quem assistiu a esta iniciativa, não esquecerá as alegrias vividas entre atletas, espectadores e organização. Entidades públicas, políticas e sociais que acompanharam o evento tomaram notas, e louvaram a organização, em especial o trabalho do Director - Desportivo Juvenil, o sr. Paulo Reis, João Ferreira Correspondente em Singen


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Comunidade - Alemanha

PORTUGAL POST nº 188 • Março 2010

Cônsul-Geral de Portugal em Hamburgo empossou Conselho Consultivo

Clube Filatélico de Estugarda celebra 35 anos de existência Grande exposição de filatelia

A COMPOSIÇÃO DO CONSELHO da esquerda: Adelino Pina, Carlos Marques, Isabel Arnedo, Maria José Amado Kock, Cônsul-Geral,António Alves de Carvalho, Salomé Andrade Pohl, Jorge Figueiredo (SARE), Fernando Bulhão e Manuel Loureiro) Foto: Fernando Soares à O Cônsul-Geral de Portugal em Hamburgo, António Alves de Carvalho, nomeou e empossou o Conselho Consultivo junto do respectivo consulado. A reunião, que teve lugar nas instalações do Consulado-Geral, no dia 30 de Janeiro passado, serviu para nomear elementos representativos da comunidade ligados à missão católica, grupos de folclore, associações, clubes desportivos, bem como alguns membros nomeados por inerência, como sejam o próprio CônsulGeral, que preside ao Conselho Consultivo, a Técnica dos Serviços Sociais e o responsável pelos Serviços de Apoio Regional ao Ensino. No dizer do Cônsul-Geral, o Conselho Consultivo (CC) será voz da comunidade através dos seus representantes neste órgão. O Cônsul disse também ao

PORTUGAL POST que logo a tomada de posse do CC se iria reunir com os seus elementos, de acordo com o que está previsto na lei de regulamento consular. Para além da primeira da reunião, o CC reunirse-á ordinariamente três vezes por ano, mas caso se entenda, pode reunir extraordinariamente um terço dos seus membros sob convocação do seu presidente. Interrogado sobre o balanço dos problemas e preocupações que encontrou na comunidade, o Cônsul-Geral António Carvalho disse ao PP que já tomou “conhecimento da dimensão, estrutura e perfil da comunidade portuguesa nesta área de jurisdição Consular”. “Com tranquilidade, consciência e responsabilidade, tenho estado a avaliar as principais preocupações e ansiedades da Comunidade. Seria

pretensão da minha parte dizer que detectei todas, mas já detectei algumas prioridades nas áreas de assistência social às pessoas mais idosas e que fazem parte da primeira geração de emigrantes. Ansiedades e preocupações sobre a continuidade do ensino da língua portuguesa, associativismo e integração“ São questões sobre as quais o CônsulGeral vai estar atento. “Vamos procurar trabalhar juntos e com a comunidade portuguesa no sentido de compreender e absolver melhor as causas ou a origem de alguma apatia no movimento associativo local”, incrementando e incentivando “as gerações mais novas, com estímulos e propostas alucinantes“, concluiu. Maria dos Anjos Santos, Correspondente em Hamburgo

GENTE ADRIANA MOLDER, BERLIM Esta artista plástica premiada, conhecida pelo seu característico desenho de retrato, tem vindo a expor na Alemanha, Portugal e em Espanha, em mostras individuais e colectivas.Desenvolve, desde 2001, o desenho de retrato baseado na imagem fotográfica, com recurso à técnica da tinta-da-china sobre papel esquisso. Recentemente, passou a utilizar o vídeo e a fotografia como meio, usando a cor e a imagem em movimento, projectando ou imprimindo imagens sobre aquele mesmo tipo de papel.Nascida em Lisboa, frequentou sucessivamente os cursos de Realização Plástica do Espectáculo (Escola Superior de Teatro e Cinema), Desenho e Avançado de Artes Plásticas (Arco), tendo sido bolseira em Lisboa, Budapeste e Berlim.As obras da artista fazem parte do espólio artístico de diversas instituições, bem como de colecções privadas em Portugal, Alemanha, Brasil, Reino Unido e Estados Unidos.Vive e trabalha em Berlim

No âmbito do 35º aniversário, o Clube Filatélico de Estugarda vai organizar mais uma grande exposição filatélica que será o principal evento do ano de 2010 em que serão levadas a cabo uma série de iniciativas integradas nas festas do seu aniversário. Tido como o único clube de filatelia além fronteiras, o Clube Filatélico de Estugarda já granjeou reconhecimento internacional, concretamente na Alemanha. Para termos em conta a reputação do Clube Filatélico também em Portugal, os Correios de Portugal anunciaram a criação de um carimbo para evocar os 35 anos de actividade daquele que é a mais original colectividade portuguesa na Alemanha. Para além de ser um local de encontro dos amantes da filatelia, O Clube conta nas fileiras dos seus associados gente que não sendo coleccionadores aderiu ao Clube. No entanto, e como nos referiu um

Serafim Rodrigues, Presidente do Clube Filatélico

dos sócios das colectividade, o presidente do Clube, Serafim Rodrigues, está atento ao evoluir dos tempos e apela aos jovens, que o Clube quer e atrair para as suas fileiras, para continuarem a obra que se iniciou há 35 anos.

Evento do Clube Filatélico de Estugarda 35º Aniversário Dias 27 e 28 de Março Exposição Filatélica subordinado ao tema „ 100 anos da Implantação da República de Portugal“ com a abertura prevista para as 12h30 h sábado, 27. Prevê-se a presença do presidente da Federação portuguesa de Filatelia, Pedro Vaz Pereira, do Cônsul-Geral de Estugarda, Manuel Gomes Samuel, e ainda de um representante da autarquia local. O local do festejos será na conhecida „ Sängerhalle „ em Stuttgart Untertürkheim. Publicidade

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PORTUGAL POST nº 188 • Março 2010

A “igreja dos portugueses” de Freiburg

Centro Português de Fellbach

Igreja é também ponto de encontro da Comunidade

Consulado-Geral de Estugarda distingue rigor e honestidade da Colectividade

Todos os quinze dias, os Portugueses de Freiburg assistem à missa na igreja da Paróquia de St. Konrad. Mas já muita gente a conhece como a “Igreja dos Portugueses”. Tarcisio da Rocha Feltraus é um padre brasileiro que está a passar uns anos na Alemanha para estudar alemão. “A pedido do Padre Cabral, que é o responsável pela Comunidade, eu tenho celebrado missas aqui, quando ele não pode” explicou ao Portugal Post. “Para mim é um momento de grande alegria estar aqui com a Comunidade portuguesa, a celebrar a fé” diz o padre brasileiro. No fundo, a missa é um pretexto de encontro para a Comunidade. “Esta é uma forma de encontrar quase toda a Comunidade que mora na cidade” diz Armindo Silva. “Este é um ponto de encontro para todos nós. A gente vê-se, comunicamos uns com os outros” confirma por seu lado Joaquina Rosa Silvério. No final da missa, na praça em frente da igreja, trocam-se cumprimentos, marcam-se encontros, prometem-se telefonemas.“Como aqui não há nenhum Centro português, como há tão poucos eventos portugueses, é sempre bom vir aqui, para encontrar os amigos, e também rezar, claro” afirma Armindo Silva. Quando se vive a cerca de três mil quilómetros do país, todos os meios são bons para guardar um contacto com as raízes. “Sempre fomos educados assim, já em garotos íamos à igreja em Portugal” justifica Joaquina Rosa Silvério. “Para mim, um domingo sem missa, nem me sinto bem” acrescenta Maria dos Santos, outra das muitas fiéis que frequenta a igreja. “Já era assim em Portugal e aqui, ainda bem que temos esta missa em português, para podermos continuar a praticar a nossa devoção” acrescenta. “Se nós somos católicos, se temos fé em Deus, é natural que vamos à missa, não acha?” pergunta Maria Ferreira, membro do Grupo

“Rezar em Português tem muito mais sabor” coral da igreja. “E esta é também uma forma de transmitir a nossa religião aos nossos filhos, que cá vão continuar”. Muitos dos Portugueses que encontrámos, diz-nos que “o alemão é uma língua difícil de se compreender e de falar”. Por isso, a missa na língua de Camões é fundamental. “Acredite que há aqui pessoas há mais de 20 anos e que continua a não saber falar alemão” dizem. Mas também há quem argumente de outra forma: “Rezar em Português tem muito mais sabor” remata o padre no fim da eucaristia dominical. “Eu sou Brasileiro, estou aqui há 11 meses, e rezar em português tem outro significado, acredite” diz ao Portugal Post. “E compreendo que para a Comunidade portuguesa se passe a mesma coisa que se passa comigo: rezar é na língua materna, na língua do coração”. “O alemão já nós o suportamos durante a semama” diz com alívio Armindo Silva. “Se nos pudermos ver livres dele ao fim-de-semana,

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tanto melhor” e ri. O próprio Padre motiva os paroquianos a rezar com a “língua dos sentimentos” e explica que “também eu quando rezo em alemão, parece não ter o mesmo significado”. Quanto à segunda geração, mais integrada na sociedade alemã, prefere, evidentemente, frequentar as igrejas alemãs. “Durante muito tempo tive de ir com os meus filhos à missa alemã, porque eles preferiam” explica Maria dos Santos. “Agora, eles acabaram por ir para Portugal e eu vim logo para esta missa por ser em língua portuguesa”. Mas é Maria Ferreira quem confessa que “quando vou a uma missa em alemão, rezo o que sei em alemão, muito pouco, e o que não sei, rezo em português”. Joaquina Rosa Silvério mora nos arredores de Freiburg. “Lá onde moro, vou mais à missa alemã do que à portuguesa” explica. “Antigamente tínhamos lá missa em português todos os meses. Aquilo era como se fosse uma festa para todos nós, convivíamos todos com os Padres, que já cá não estão” relembra com emoção. Agora desloca-se regularmente a Freiburg para rezar na língua que a viu nascer. “É mais fácil e faz-me muito melhor” argumenta. Mas cada vez há menos fiéis na igreja. A sociedade em que vivemos é cada vez mais individualista e as igrejas são, em geral, demasiado grandes para os paroquianos que têm. Freiburg não é excepção. “Durante o ano há menos gente, mas por altura das festas de Natal e da Páscoa, por exemplo, a igreja está

cheia” diz confiante Joaquina Rosa Silvério. “Claro que nem toda a gente terá disponibilidade para vir à missa, muitos têm outros compromissos. Depois, haverá uns que vêm numa semana e outros que vêm na outra”. Tarcisio da Rocha Feltraus compreende as dificuldades da sociedade de hoje em encontrar um sentido para a vida. “No momento actual, com tanta oferta de coisas para fazer e também com a televisão, as pessoas ficam um pouco perdidas”. Mas o Padre acredita que “as pessoas buscam acertar e oxalá encontrem o caminho”. A Comunidade Católica Portuguesa de Freiburg faz duas festas por ano, uma em Maio e outra em Dezembro, e o Grupo coral da missa portuguesa está devidamente organizado. Como há missa aos domingos, todos os quinze dias, o Grupo ensaia aos sábados, antes da missa, canções religiosas portuguesas e brasileiras. “Porque o nosso Mestre é Brasileiro...” diz a sorrir Maria Ferreira, apontando para o caderno onde guarda meticulosamente as canções do reportório. Lá dentro da igreja está a imagem de Nossa Senhora de Fátima, com um escudo português gravado na base. Ficam algumas flores e muitas velas acesas. Quem sabe se algum pedido particular, na esperança que possa ser atendido até à próxima missa, dali por quinze dias. Texto e foto: Carlos Pereira / LusoJornal

O Consulado-Geral de Portugal em Estugarda acaba de conferir uma verba de apoio a investimentos ao Centro Português de Fellbach, colectividade situada na grande coroa da capital da Mercedes-Benz. Trata-se de uma distinção merecida atribuída ao mais bem gerido, equipado e dinâmico dos pólos associativos lusos do Baden-Württenberg.: O Centro mobiliza cerca de 150 sócios activos, paga escrupulosamente os seus impostos e activa meia-dúzia de pólos musicais, o que é realmente de assinalar. Em declarações ao nosso jornal, José Loureiro, o presidente da Colectividade, revelou-nos ainda que participa actualmente num estágio sobre Gestão e Administração de Centros, iniciativa da autarquia onde se implanta o pólo sociocultural português, fundado há 14 anos. José Loureiro e a sua equipa estão confiantes no futuro. Destaca a alta perfomance atingida pelos diversos grupos musicais do Centro. E o trabalho em profundidade levado a cabo no Rancho Folcórico“ Estrelas de Fellbach“, com uma secção Juvenil incorporada. É de realçar a série de grupos temáticos ligados à Dança Moderna e Hip-Hop, para Juvenis e Adolescentes. Um Duo Musical de envergadura, o J/F e a Banda Expression completam a oferta de qualidade musical movida em torno do Centro. O líder do Centro tenciona organizar este ano uma Excursão para os associados. E cumprir o plano anual com a Caminhada da Primavera, por altura da Páscoa, e o Passeio-Convívio em Bicicleta em Maio. José Loureiro indica o único caminho para o reforço da vida associativa: o estreitar dos laços de cooperação com as autoridades alemãs do sector e a prestação escrupulosa de todos os passos do controlo fiscal indispensável na economia e gestão da Colectividade. F. Almeida Ribeiro

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Alemanha

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Tribunal declara inconstitucional a lei alemã de ajuda social Hartz IV Numa sessão realizada no passado dia 9 de Fevereiro, o Tribunal Constitucional Federal declarou a lei de ajuda social os cidadãos mais carenciados (Hartz IV) do país inconstitucional. A lei, que combina ajuda social de longo prazo e subsidio de desemprego, é, de acordo com o tribunal, „incompatível com a Constituição“, que prevê para todos os cidadãos o direito a uma „existência digna“. „As regras, da forma como estão, não são suficientes“, afirmou o presidente do tribunal, Hans-Jürgen Papier. „Essas regras são inconstitucionais“, disse. Papier afirmou que as quantias garantidas a adultos e crianças não são suficientes para „garantir um mínimo de existência humanamente digna“. O tribunal classificou como carente de transparência a maneira como a ajuda é calculada. O cálculo é feito levando em conta gastos estatísticos dos que têm menores rendimentos. Essas cifras, entretanto, contêm descontos percentuais para gastos como casacos de pele e viagens de avião, despesas que, na opinião dos juízes do Supremo alemão, dificilmente são feitas pelas classes carenciadas. Enquanto outras necessidades, como gastos com educação, não são considerados no cálculo, criticam os

magistrados. O tribunal deu ao governo um prazo até o final do ano para mudar o modo como a ajuda é calculada. Os economistas acreditam que a reforma exigida pelo tribunal provavelmente aumentará sensivelmente os gastos do governo, que, no ano passado, gastou 45 biliões de euros no plano de ajuda social Hartz IV . Cerca de dois milhões de crianças que vivem em famílias beneficiárias de ajuda social do Governo podem ter agora esperança de re-

ceber um melhor apoio do Estado, sobretudo depois que a Justiça alemã determinou que os gastos com educação infantil devem ser levados em consideração. Sobretudo o sistema de cálculo usado no caso de beneficiários menores de idade, em que a dedução da quantia para crianças é feita a partir de uma parcela do valor que cobriria as necessidades básicas de um adulto foi um ponto criticado pelos juízes. „Crianças não são pequenos adultos“, afirmou a corte. O veredicto do tribunal sediado em Karlsruhe foi elogiado por re-

presentantes de oposição, governo, além de entidades assistenciais. A ministra alemã do Trabalho, Ursula von der Leyen, classificou a decisão como uma vitória para a educação das crianças. A decisão foi consequência de um processo movido por três famílias em 2005. Elas argumentaram que a quantia de 207 euros a que crianças com menos de 14 anos tinham direito na época era determinada arbitrariamente e que não cobria um mínimo para garantir a existência delas. Segundo dados mais recentes,

Alemã de 85 anos é julgada por tráfico de drogas

CD com dados bancários faz com milhares se entregem ao fisco alemão

Uma idosa de 85 anos está a ser julgada em um tribunal da cidade de Wuppertal. Ela é acusada de traficar quilos e quilos de heroína e cocaína. A aposentada, da cidade de Solingen, confessou o crime e é tida como a traficante de drogas mais velha da Alemanha. Hannelore M. está a ser julgada juntamente com quatro outros réus, entre eles, seu filho, de 50 anos, e seu neto, de 28 anos. „A minha mandante reconhece sua culpa“, disse a advogada da idosa A octogenária foi presa em Agosto passado, depois de ter estado por diversos meses sob observação policial realizada por um grupo especial de investigação. Os policias encontraram no apartamento da idosa, entre outras provas, quase três quilos de heroína, no valor de 70 mil euros, cocaína e duas armas de fogo. A procuradoria acusa a idosa de traficar heroína da Holanda desde Março de 2008, em companhia de seu filho, viciado em dro-

Mais de 3 mil sonegadores de impostos entregaram-se voluntariamente às autoridades alemãs nas últimas semanas. A enxurrada de confissões é atribuída à notícia de que o governo da Alemanha está prestes a comprar um CD com dados de mais de 1,5 mil sonegadores que têm dinheiro não declarado em contas na Suíça. De acordo com reportagem publicada jornal Die Welt, 3.220 cidadãos recorreram às autoridades fiscais para fazer queixa contra si próprios. Cada um deles deve pagar entre 100 mil e 150 mil euros, em média, de impostos atrasados. Segundo o jornal, o dinheiro arrecadado desta forma pelo fisco alemão deve superar os 480 milhões de euros. Segundo a lei alemã, sonegadores arrependidos que se entregam às autoridades fiscais antes de serem alvos de investigações

gas. Ela transportava a mercadoria, de carro, embalada em pacotes de café, até Solingen, onde comercializava a droga. Segundo a acusação, a idosa optava também por aceitar a prestação de serviços domésticos ou de jardinagem como pagamento, ao invés de receber dinheiro. Mais tarde, quando as viagens à Holanda foram assumidas por seu neto, a aposentada passou a guardar heroína em casa, onde também escondeu o dinheiro do tráfico. Ao todo, ela é acusada de ter transportado, juntamente com seus cúmplices, entre 200 e 500 gramas de drogas em cada viagem à Holanda, somando mais de 11 quilos de droga traficada. A acusada esperou o julgamento em liberdade, pois confessou o crime logo após sua prisão. Caso sejam condenados, os réus podem ter de cumprir entre cinco a 15 anos de prisão. O sentença está prevista para o final deste mês.

não sofrem punições, escapando, deste modo, a serem alvo de processo. Para isso, basta que paguem os impostos atrasados dentro de um prazo definido, acrescidos de juros, naturalmente. O governo alemão anunciou no começo do mês estar disposto a comprar um CD com dados de transacções bancárias não declaradas ao fisco de 1,5 mil clientes alemães de bancos suíços. Um informador anónimo estaria pedindo 2,5 milhões de euros pelas informações, que teriam sido obtidas ilegalmente. Em 2008, o governo alemão havia comprado dados roubados sobre clientes do banco LGT, em Liechtenstein, por cinco milhões de euros.

aproximadamente 6,7 milhões de alemães (dos quais 1,7 milhão com menos de 14 anos) são beneficiários de ajuda social, sendo que 4,9 milhões são considerados capazes de trabalhar. O plano de benefícios sociais Hartz IV foi uma reforma levada a cabo pelo governo de centro-esquerda de Gerhard Schröder em 2003 e 2004. Schröder pagou um alto preço político pela impopularidade das medidas, sofrendo uma derrota eleitoral em 2005 para a actual chanceler alemã Angela Merkel, após uma série de derrotas em eleições estaduais. Muitos economistas acreditam que o plano Hartz ajudou a amortecer o mercado de trabalho alemão durante a crise financeira, quando houve queda de produtividade de cerca de 5%, enquanto a taxa de desemprego aumentou menos que o esperado. No entanto, o programa continua sendo um tema controverso na Alemanha, tanto sob o aspecto político como social, com os que recebem Hartz IV sendo frequentemente estigmatizados. Críticos também argumentam que aqueles que recebem os benefícios têm dificuldade para voltar ao mercado de trabalho. Portugal Post com agencias

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12 Aulas de Português

PORTUGAL POST nº 188 • Março 2010

Rapazes e Raparigas

Ana Luísa Amaral, Às vezes o paraíso, Lisboa 1998

Menino não entra para a Universidade

Visitações ou o poema que se diz de mansinho

Os rapazes abandonam cada vez mais o ensino quando acabam a escolaridade obrigatória. E muitas vezes não é por falta de capacidades, mas pelo facto das escolas privilegiarem as raparigas. Nos 27 países da União Europeia, só a Alemanha mantém, no ensino superior, valores equilibrados de participação dos dois sexos. Será que o “velho” modelo de turmas só masculinas ou só femininas afinal é o mais adequado para evitar uma geração de excluídos? Ou será que uma geração de papás e mamãs tem de abrir os olhos e educar os “monstrinhos” para não lhes comprometer o futuro? Na hora de escolher o liceu para a minha filha mais velha não hesitei: uma escola exclusivamente feminina. Adoptada às necessidades especiais das raparigas e ao seu ritmo de aprendizagem. Os resultados são mais, muito mais que satisfatórios. Para poder dar resposta a alguns comentários trocistas comecei a ler tudo o que me aparece em mãos sobre ensino de género. Recentemente o jornal português “Público” publicou um extenso artigo sobre uma “futura classe de excluídos” no ensino misto : os rapazes. De acordo com o diário estudos feitos em vários países europeus têm vindo a reconhecer que as mudanças introduzidas nas últimas décadas no sistema de ensino e de avaliação dos alunos estão a contribuir a para afastar da escola um número cada vez maior de rapazes. O fenómeno, que é comum à maioria dos países ocidentais, Portugal incluído, está a alargar o fosso entre rapazes e raparigas no sistema educativo. As raparigas têm hoje melhores notas e vão mais longe nos estudos, os rapazes desistem, muitos deles no final da escolaridade obrigatória. Dos 27 países da União Europeia, só a Alemanha mantém, no ensino superior, valores equilibrados de participação dos dois sexos. A Alemanha é um dos poucos países dos 27 apostar quer em escolas exclusivamente femininas ou masculinas ou em turmas separadas.

Luísa Costa Hölzl

Uma corrida a contra-relógio Os números do abandono escolar fizeram soar campainhas de

alarme. Segundo o director do instituto britânico de políticas para o ensino superior, Bahram Bekhradnia, citado pelo “Público”, a Europa encontra-se numa corrida contrarelógio. “Penso que corremos o perigo de estar a criar uma nova classe baixa”, constituída só por rapazes, diz, depois de um estudo recente daquele organismo ter confirmado a dimensão crescente do fosso entre raparigas e rapazes, e lançado algumas pistas inquietantes sobre os motivos que explicam o fenómeno. O problema não são os bons resultados obtidos pelas raparigas, mas as fracas classificações dos rapazes e aquilo que isso implica: a responsabilidade da escola nesta situação, o que isto está a provocar neles e nelas, e as consequências sociais do insucesso escolar masculino. Isto está a acontecer não por os rapazes se terem tornado, de repente, mais estúpidos, mas em grande medida, avisam os investigadores, por eles estarem a ser ensinados e avaliados num sistema que valoriza as características próprias das raparigas e penaliza as dos rapazes. Para os professores, na sua esmagadora maioria mulheres, o modo como as raparigas se comportam e trabalham é „mais conforme com as suas representações do bom aluno ou aluno ideal“ - o que poderá conduzir a uma „sobreavaliação“ das alunas e a uma „discriminação“ dos alunos. O que o estudo diz ainda, é um dado que me parece fundamental, é que a “atitude”, o comportamento dos rapazes, estará a comprometer irreversivelmente os resultados da sua avaliação. O sociólogo francês Christian Baudelot defende que, antes de mais, aquilo que é pedido pela escola é a interiorização das suas regras, mas que estereótipos sociais ainda dominantes valorizam nos rapazes o desafio, a violência e o uso da força - um verdadeiro „arsenal antiescolar“. Apetece perguntar onde andam os papás e as mamãs dos meninos? As raparigas, pelo contrário, são socializadas na família em moldes que facilitam a adaptação às exigências escolares: mais responsabilidade, mais autonomia, mais trabalho.

Este poema da Ana Luísa Amaral, nascida em Lisboa em 1956 e a viver no Porto, docente universitária e conceituada investigadora, na área dos estudos ditos femininos ou feministas, está inserido numa colectânea de mais de cinquenta poemas, por sua vez integrando o capítulo “Revisitações”. Revisitar significa visitar de novo, alguém, alguma coisa de nós ausente já há muito tempo. Alguma coisa de que temos saudade. De facto, muitos poemas de Ana Luísa revisitam as nossas memórias, recordações da infância, dum tempo desaparecido, remexem na memória colectiva da nossa cultura greco-romana e judaico-cristã, contêm imagens ou iconografias que quase desapareceram do nosso presente, mas que a lírica tem a capacidade de buscar para de novo as representar, as reescrever. Mas aqui não temos uma revisitação, o título indica-o: temos uma visitação. A poeta, porventura concentrada nessa sua temática do revisitar, à procura de „coisas de luz antiga“, tentando atravessar os „trajectos da memória“ (dois títulos de poemas), é interrompida pelo muito real. O real que ocupa o espaço, que toma o seu espaço sem olhar a nada, esse real que irrompe na lírica de Amaral e que alguns críticos (masculinos) não realizam, pois querem-na, a ela, à poeta e a ela, à lírica, sempre em esferas transcendentes, em compartimentos estanques. Censuram o contexto familiar, particular dos textos. Que Ana Luísa se serviria de palavras macias e que ficaria pelo quotidiano e pelo doméstico. Será? Temos aqui uma cena, daquelas que quase se contam em estilo de anedota, imagina tu bem, eu sem conseguir dormir, levantei-me cedíssimo, a emendar uns textos, a consultar catrapázios e, de repente, aquela marota, descalça na soleira da porta, pé ante pé, chega-se ao meu colo, sobe por mim acima, aninha-se muito caladinha, um sorrizinho matreiro e adormece. E o que faz a poeta? Descreve nesse código fulgurante da poesia - versos em cadência rítmica, recorrências vejam-se as variações à volta de „manso“ -, aliterações, oposições semânticas. A cena, de facto tão caseira, tão banal, tão comum, é modelada ou melhor, remodelada poeticamente e ganha através dessa feitura uma qualidade, um poder que a simples narração do facto não teria nunca.

De mansinho ela entrou, a minha filha. A madrugada entrava como ela, mas não tão de mansinho. Os pés descalços, de ruído menor que o do meu lápis e um riso bem maior que o dos meus versos. Sentou-se no meu colo, de mansinho. O poema invadia como ela, mas não tão mansamente, não com esta exigência tão mansinha. Como um ladrão furtivo, a minha filha roubou-me inspiração, versos quase chegados, quase meus. E mansamente aqui adormeceu, feliz pelo seu crime. Pois o poema relaciona a presença da menina com o trabalho intelectual da mãe: ela entra com a madrugada, aparece ainda mais devagarinho que a própria alvorada (e nós sabemos como a luz do novo dia é lenta a aparecer), o ruído do seu andar é mais suave que o instrumento de escrita, o lápis, em contrapartida o riso é maior que os versos. O riso da criança não conhece entraves, expande-se como a água da nascente, o que não acontecerá sempre aos versos. Ela invade o espaço da lírica, parece naquele momento exigir mais atenção do que qualquer palavra que porventura será inscrita no papel, ela inscreve-se no próprio espaço da lírica, numa invasão mansa, suave, delicada mas que não deixa de ser exigente. O corpo da criança irrompe no corpo do texto. E assim rouba a inspiração à poeta. Que deixa de ser poeta para ser só colo, esse espaço-continuação do útero, nunca negável à própria cria. Este poema dá-nos parte do próprio processo de criação. Os

atributos desse devir criativo que é a escrita - o lápis, os versos (2x), o poema, a inspiração - tudo ali se conjuga para que esta possa fluir, para que tome forma, para que as palavras se juntem, se dêem novos contornos, significados surpreendentes e para que tudo vá desaguar num discurso eminentemente lírico, isto é, que, segundo o estudioso Carlos Reis, concretiza um processo de interiorização, que representa uma atitude marcadamente subjectiva e cujo material linguístico se rege pelo princípio da motivação, não sendo pois aleatório nem arbitrário. Voltando à pequena historieta da menininha que corre para a mãe, se acolhe ao seu colo e interrompe assim a actividade intelectual da mulher, é o próprio discurso lírico que vai enformar este momento do quotidiano, que vai pois modelizar liricamente (o tal contar e cantar de que falava o poeta espanhol Antonio Machado ) essa ínfima parcela do real, que através dos versos se vai desligar do concreto e que em letra de forma chega até nós para nos tocar, nos fazer sorrir, nos fazer lembrar alguma cena semelhante das nossas próprias vidas. É à lírica que cabe esse papel transformador e encantatório de pegar no real e transcendê-lo, de focar uma cena quiçá banal e elevá-la a um tom de magia. Ao descrever o „crime“ da filha, o roubo da imaginação, o eu enuncia um poema novo, o poema do nãopoema, aquele que descreve na sua concisão o contexto sócio-cultural da mulher, a situação de trabalho da mulher-poeta, obrigada a pousar o lápis para dar o colo. Respondendo ao mansinho da filha com a secular mansidão das mulheres. E com um poema encantador.

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Cultura

PORTUGAL POST nº 188 • Março 2010

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NÚMERO DE EMISSORAS: 145 /// CONSUMO DIÁRIO DE TV: 207 MINUTOS

As emissoras de TV na Alemanha A Alemanha é campeã de exportação – também no sector da televisão. As suas produções de TV são apreciadas internacionalmente e deram à televisão alemã a fama de produzir programas de qualidade. Ao mesmo tempo, o mercado alemão de TV está entre os de maior concorrência no mundo. Característica especial: o sistema dual, dividido entre emissoras de direito público e emissoras privadas. Em comparação internacional, a Alemanha possui algumas das maiores emissoras de TV: as duas redes de direito público (ARD e ZDF), bem como dois grupos privados de TV (RTL e ProSiebenSat.1). A ARD é uma rede de nove canais regionais de TV que operam com o canal nacional Das Erste, cobrindo cerca de 35 milhões de domicílios na Alemanha. A emissora Zweites Deutsches Fernsehen (ZDF) transmite a sua programação para todo o país. As emissoras de direito público e privadas oferecem uma programação completa – de noticiário actual e documentações, séries, filmes de TV e longas-metragens, bem como programas de entretenimento. A oferta da ARD e da ZDF é complementada com canais especiais e tematicos, como, por exemplo, o canal de documentação e informação Phoenix e o canal infantil KIKA, bem como com ofertas internacional, como o canal alemão-francês Arte e o canal cultural 3sat – uma cooperação com as tele-

visões austríaca e suíça. O grupo privado de mídia RTL Deutschland faz parte do Grupo RTL europeu e pertence ao grupo Bertelsmann.Ao lado de outros, opera os canais RTL, RTL II e VOX. ProSiebenSat.1 pertence aos investidores financeiros KKR e Permira. O grupo, que opera entre outros os canais SAT.1, ProSieben e Kabel Eins, fundiu-se em 2007 com o grupo europeu SBS. No sector de pay TV, há ainda o grupo Sky Deutschland, que é controlado pela Rupert Murdoch News Corpo-

ration. ARD e ZDF são financiadas a partir das taxas de radiodifusão, que todo cidadão é obrigado a pagar, quando dispõe de um aparelho receptor de rádio ou televisão. Além disto, elas detêm receitas de publicidade. Mas a publicidade comercial só é permitida aos dois canais públicos de segunda a sábado, no horário que vai das 17h00 às 20h00. Em 2008, a ARD recebeu 5,35 bilhões de euros das taxas de radiodifusão, com os quais também financia as suas emissoras regionais de rádio. A ZDF, que não pos-

sui emissoras de rádio, recebeu 1,73 bilhão de euros. A receita publicitária total das emissoras de direito público (inclusive rádio) rondava os 500 milhões de euros por ano, antes da crise económica. Os canais privados de sintonização gratuita ainda tiveram receitas de publicidade em 2006 de 4,9 bilhões de euros . Não existem na Alemanha debates abertos, como na Grã-Bretanha, sobre a possibilidade de as emissoras privadas receberem uma parte da taxa de radiodifusão. As emissoras

privadas têm pouco interesse nisto, pois tal possibilidade imporia condições relativas à programação: as emissoras de direito público na Alemanha têm de garantir uma chamada oferta básica de informação. Por outro lado, às emissoras privadas será possível a partir de 2010 uma receita adicional através de product placement em séries, shows e transmissões desportivas. Isto é uma consequência das novas directrizes da UE para os serviços de mídia. Para ARD e ZDF continuará existindo a proibição de product placement. Na aceitação do público, a rede nacional da ARD continuava recentemente na liderança. No ano de 2008, Das Erste teve audiências na ordem dos 13,4%, seguido pela ZDF com 13,1%, RTL com 11,8% e SAT.1 com 10,3%. Na importante faixa etária de público entre 14 e 49 anos de idade, a vitoriosa foi geralmente a RTL que teve, em 2008, audiências de 15,7% do mercado. Ela enfrenta agora a concorrência da ZDF. A emissora de Mainz inaugurou, em Novembro de 2009, o seu novo canal digital ZDFneo. A meta é atrair mais telespectadores jovens, com programas humorísticos próprios e séries americanas, e aumentar assim a participação nesta faixa relevante do mercado, até agora de apenas cerca de 5%. Michael Ridder Cortesia DW Publicidade


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Cultura

PORTUGAL POST nº 188 • Março 2010 Publicidade

Música: Katia Guerreiro aqueceu Filarmónica de Berlim em noite gélida

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se terem visto antes. “Conhecemo-nos hoje, na altura dos ensaios, durante a tarde, e em cinco minutos ficou definido o que queríamos tocar à noite”, disse Katia Guerreiro em Berlim.

O público aderiu inteiramente, chamando os artistas ao palco no final com “bravos” e fortes aplausos, para bisar duas vezes, e a fadista não escondeu a sua satisfação por cantar em local tão prestigiado. “Esta é uma sala mítica, um sítio quase religioso para os músicos, pisar o palco da Filarmónica de Berlim é atingir o pico da montanha”, observou Katia Guerreiro. A fadista confessou também que antes do concerto sentiu “alguma ansiedade, por não saber que reaccção iria ter de um público tão elitista, tão musicalmente educado”. O resultado da cooperação musical luso-turca, porém, foi um sucesso, e Katia Guerreiro disse que esperava ter “conseguido derreter algum gelo em torno da Filarmónica”, na noite gélida de Berlim, com a temperatura nos 10 graus centígrados negativos. FA

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Cerca de mil espectadores acorreram à Filarmónica de Berlim para assistir ao concerto de Katia Guerreiro, que “agarrou” o público com vários clássicos do Fado, arrancando aplausos a fazer esquecer a noite gélida. A fadista partilhou o palco da Sala de Música de Câmara da Filarmónica de Berlim com o cantor turco Ahmet Aslan, que abriu o concerto e voltou a subir ao palco no final para cantar com Katia Guerreiro. O espectáculo intitulado “Alla Turca - Huzun e Melancolia - Canções de Portugal e da Anatolia” foi uma iniciativa da Orquestra Filarmónica de Berlim e do seu maestro residente, Simon Rattle, para promover o intercâmbio de culturas musicais. O entendimento entre a fadista portuguesa, os seus guitarristas, o cantor turco e respectivos músicos foi quase instintivo, apesar de nunca

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PORTUGAL POST NA ESCOLA O TEXTO

que aqui publicamos é uma contribuição de alunos do 4º ano do curso de Língua e Cultura Portuguesas em Singen (na foto) escrito sob a orientação do professor Luís Alberto Gomes Lopes. O texto dos alunos é uma participação a que eles chamam "Notícias dos pequenos jornalistas de Singen". Fica o nosso obrigado e incitamento a mais contribuições de outros pequenos “jornalistas“.

No passado dia 20 de Dezembro de 2009 realizou-se no Salão de St. Anna em Singen, a Festa de Natal do Curso de Português do 1ºciclo. Já há muito tempo que a escola portuguesa não realizava uma actividade como a deste ano que envolveu alunos, pais, familiares, amigos e muitos interessados na novidade. Num curto espaço de tempo, mais precisamente um mês, os alunos apresentaram um bom espectáculo que agradou a todos. Do programa fizeram parte um “Auto de Natal”, declamação de poemas, canções de Natal, participações de alunos tocando instrumentos como guitarrra, flauta transversal e trompete, Karaoke em português, entrega de prendas, e a “Orquestra de Garrafas”, projecto musical do nosso professor Luís Lopes. Esta iniciativa contou com a colaboração do Centro Português de Singen, F.C. Magriços, Bar do Centro Português de Singen, Magrest gmbh, Karstadt, Fonseca gmbh, “Os Conquistadores”, encarregados de educação e algumas personalidades locais que fizeram questão em ajudar na concretização deste sonho. Graças à colaboração de todos podemos ter refeições, bebidas e animação suficientes para servir os que nos vieram visitar. Foi um momento bonito de encontro familiar falado em português que queremos ver repetido e melhorado no próximo ano lectivo. Texto dos Alunos do 4º ano do Curso de Língua e Cultura Portuguesas Singen Revisão: Prof. Luís Alberto Gomes Lopes


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Gaita-de-foles mirandesa reconhecida oficialmente como ícone cultural O mesmo isolamento que obriga a viajar por estradas espanholas para chegar a Miranda do Douro preservou a originalidade de ícones culturais como a gaita-de-foles mirandesa, que viu reconhecidas as suas singularidades. A delegada regional da Cultura do Norte, Helena Gil, proclamou, no encerramento do I Congresso Internacional da Gaita-de-Foles, em Miranda do Douro, o reconhecimento e padronização da gaita mirandesa. Este reconhecimento simbólico significa que a partir de agora passa a haver normas para a construção e timbre deste instrumento tradicional transmontano. O padrão foi encontrado no âmbito de um projecto de investigação, apoiado pelo Ministério da Cultura, que no último ano recolheu 25 exemplares, alguns com 200 anos, das mais tradicionais gaitas mirandesas. Com este trabalho, o coordenador do projecto Jorge Lira, espera contribuir para revitalizar e preservar a tradicional gaita mirandesa que estava a desaparecer e a ser substituída por congéneres de outros países, nomeadamente pela gaita galega da vizinha Espanha. Há quase trinta anos, Zé Preto, como é conhecido na sua aldeia da

Freixiosa, deu um contributo importante para recuperar a gaita mirandesa. Construiu a primeira aos 15 anos e contabilizou entre „70 a 80“ para diversas zonas do país, Espanha e até Itália. O timbre deste instrumento ficou-lhe no ouvido desde criança, numa época em que era o som da gaita-de-foles que animava festas, romarias e convívios populares. Dividiu a sua vida entre a docência de História e a construção das gaitas até que foi colocado longe de casa e ficou com menos tempo para o tradicional instrumento. Continua a trabalhar nos tempos livres e férias na arte que aprendeu também com a ajuda de velhos gaiteiros e construtores. Pretende agora contribuir para o trabalho de padronização com mais um exemplar, o mais tradicional que viu até hoje, construído com o típico odre de pele de cabrito, madeira e chifres. Eram assim as primeiras gaita que fez. Os chifres ia buscá-los ao matadouro do Cachão para fazer os anéis que colocava dentro da cana de madeira da gaita. As peles eram-lhe fornecidas por um cabreiro da aldeia.

Hoje em dia, as regras de sanidade animal obrigam a que os animais sejam abatidos nos matadouros e fazem com que a tradição já não seja o que era. As peles dos matadouro são aproveitadas para outros fins e já não servem para o „saco“ que o fôlego do gaiteiro enche de ar e que vai sendo libertado, produzindo a sonoridade da gaita com a ajuda do acessório principal que é a ponteira, a responsável pela parte melódica do instrumento. A pele de cabrito, outrora curtida com sal e cinza de forma artesanal, tem sido substituída por materiais sintéticos, que garantem os entendidos não prejudicam a sonoridade. O projecto de investigação que levou à padronização recolheu 25 ponteiras, que vão ser a partir de agora replicadas, e que os promo-

tores acreditam guardarem os sons mais originais da gaita mirandesa. „O isolamento destas terras assegurou que a originalidade da gaita prevalecesse até aos dias de hoje sem influências exteriores“, assegurou Jorge Lira. Banhado pelo Douro Internacional e encostado à fronteira com a região espanhola de Castela e Leão, o Planalto Mirandês é considerado ainda hoje dos mais isolados do Nordeste Transmontano. Faltam estradas que obrigam a que os automobilistas viajem entre Bragança e Miranda do Douro, pelas „carreteras“ espanholas, por serem mais confortáveis do que as nacionais portuguesas. O mesmo isolamento preservou, no entanto em terras de Miranda particularidades culturais que levaram à distinção da gaita-de-foles e que, há nove anos, reconhecerem

o falar destas gentes como a segunda língua oficial de Portugal- o mirandês. „Precipitado“ é como o presidente da Associação para o Estudo e Divulgação da Gaita-de-Foles, Francisco Pimenta, considerou o reconhecimento e padronização deste instrumento. O representante desta associação nacional, com sede em Lisboa, entende ser necessária „prudência“ e mais estudos, embora considere o trabalho feito „meritório“. O trabalho foi liderado pelo grupo de música tradicional mirandesa Galandum Galundaina, que tem na gaita a sua principal sonoridade. Da comissão científica fizeram parte várias entidades, entre elas a associação sedeada em Lisboa. O coordenador do projecto, Jorge Lira não reconhece „representatividade“ à associação e acusa o presidente de „não ter feito o trabalho que lhe foi destinado neste processo“. „Este é um património genético que seria lamentável deixá-lo perder pela incapacidade de o normalizar e sermos substituídos na nossa originalidade por instrumentos provenientes de outros locais da Europa, que são respeitáveis, mas que não são nossos“, declarou. Publicidade

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Sagrada Cruz de Caravaca Formato: 14 X 21cm Páginas: 140 Preço: € 25.00 A “Santíssima e Vera Cruz de Caravaca” é uma das mais importantes relíquias cristãs. Consiste num fragmento da madeirada cruz em que Cristo morreu. Esse fragmento encontra-se desde o século XIII na cidade de Caravaca, perto de Múrcia, em Espanha. O fragmento é conservado dentro de um relicário.O importante na relíquia não é o formato externo da Cruz, que constitui apenas o recipiente, mas o seu conteúdo, o Santo Lenho, que encerra em si todo o significado da mensagem e da acção terrena de Jesus Cristo. Desejamos advertir que qualquer reprodução dessa Cruz terá somente o valor de trazer à lembrança a original “Vera Cruz”, e as orações a ela dirigida deverão ter a intenção de venerar o fragmento de madeira como símbolo do sacrifício de Cristo.

Orações aos Anjos da Guarda Formato: 14 X 21 cm. Páginas: 144 Preço: 20,99 € Na primeira parte desta obra encontrará um vasto número de orações aos anjos da guarda, que certamente serão do seu inteiro agrado. Na segunda parte deliciar-se-á com a listagem completa dos 72 anjos protectores. Cada um destes anjos confere características particulares mao modo de ser e de amar dos seus protegidos. Conheça o seu anjo e as características que ele lhe imprime na sua vida. Estes seres celestiais estão constantemente ao nosso lado, para nos proteger ou para nos afastar dos perigos.


Kultur

PORTUGAL POST nº 188 • Março 2010

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Jüdische Traditionen in Belmonte

In der Beira, einer Grenzregion im Norden Portugals, fanden jene Juden Zuflucht, die aus Spanien geflüchtet waren, bis auch sie sich nach nur fünf Jahren zwischen Exil oder Konvertierung entscheiden mussten. Doch das hat viele portugiesische Juden, die sogenannten „Marannen“, nicht daran hindern können, ihre Religion weiterhin auszuüben - jetzt im Verborgenen.

Erst mit Beginn der 1980er Jahre traten die sogenannten „neuen Christen“, jene vor Jahrhunderten konvertierten Juden, an die Öffentlichkeit und bekannten sich zu ihren traditionellen Wurzeln. 1996 schließlich stifteten reiche marokkanische und nordamerikanische Juden dem Ort Belmonte eine Synagoge. Heute gibt es nur noch wenige portugiesische Juden und ihre geheimen Riten gehen langsam verloren. Doch einige Mitglieder halten noch an ihnen fest. „Früher gab es das Krypto-Judentum, also die versteckte jüdische Religion, innerhalb der christlichen, katholischen Welt“, sagt der Geschichtsprofessor David Canelo. „Heute finden wir noch immer Spuren dieses Krypto-Judentums, aber diesmal innerhalb des Judentums. Beide Male ist es vor den Augen der beiden großen Religionen versteckt - einmal vor dem Christentum, einmal vor dem Judentum. Immer gaben die Eltern ihren Kindern die Bots-

chaft weiter, wie wichtig es sei, eine solche Religion mit all ihren Bräuchen geheim zu praktizieren: das Passahfest, die Gebete und so weiter ...“ José Henrique liest heute noch auf Ladino, einer Mischung aus Hebräisch, Spanisch, Portugiesisch und ein wenig Französisch. Wenn er ein wenig Zutrauen gefasst hat, erzählt der freundliche Herr von den heimlichen Zusammenkünften aus seiner Kindheit und von den Fleischgerichten, die sie heimlich gegessen haben, als gerade kein Rabbi da war, um nicht vor Hunger zu sterben. In Belmonte lobt man gerne die guten Beziehungen zwischen den Christen und den Marranen. José Henrique spricht dagegen von Angst: „Natürlich ist die Zeit der Inquisition vorbei, aber die Angst ist geblieben. Selbst in der Zeit danach haben sich noch viele grausame Dinge ereignet. Es gab den Krieg. Hier in Belmonte wurden wir zwar nicht unterdrückt. Aber es gab dieses Misstrauen ...

Ja, die Angst rührt von weit, weit her.“ Ein gutes Drittel der portugiesischen Bevölkerung würde heute zu den ursprünglich spanischen Juden zählen. Obwohl sie die Verbindung zu ihrem Ursprung längst verloren haben, pflegen viele Portugiesen - egal, ob konvertiert oder nicht - die kulinarischen Bräuche ihrer Vorfahren. Hier zeigt sich, mit welcher Kunst die Krypto-Juden ihre Religion im Geheimen praktizierten. Etwa am Beispiel der „Alheira“, einer ganz speziellen Wurstsorte: Frau Antonia kennt das Rezept genau: „Wir nehmen ein Kaninchen und ein Hähnchen, schneiden beides in kleine Stücke, nehmen ein wenig Fett und frittieren beides zur gleichen Zeit. Danach geben wir Salz hinzu, so wie es zu unserer Tradition gehört, aber auch Gewürze und Pfeffer. Man vermischt alles. Genau so, als ob es Schweinefleisch wäre.“ Die „Alheira“ ist nichts anderes als eine koschere Wurst, die man im

Norden Portugals überall bekommt. Die jüdischen Gemeinschaften in Portugal leben heute im Licht der Öffentlichkeit. Seit etwa zwanzig Jahren kehren unter dem Einfluss der Rabbiner immer mehr portugiesische Juden nach Israel zurück. Der Filmemacher Jorge Neves, Gründer der LadinoVereinigung in Porto, zeichnet ein differenziertes Bild: „Aus Sicht der Christen waren wir Juden, aber für die Juden waren wir das lange nicht. Heute haben wir diese Barrieren glücklicherweise überwunden.“ In weniger als einer Generation wird die Kultur der marranischen Portugiesen vermutlich ausgestorben sein. Doch es gibt bereits Versuche, sie wieder aufleben zu lassen. Die Arbeit der Historiker hat gerade erst begonnen. Die Ladino-Sprache ist wieder im Kommen. Die portugiesische Musikgruppe „Rosa negra“ jedenfalls singt voller Nostalgie vom „fado ladino“.


PORTUGAL POST

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17 anos ao Serviço da Comunidade Luso­Alemã

Receba mensamente em casa o seu PORTUGAL POST

Ao passar mais um ano, o 17º, de existencia e publicação ininterrupta, o jornal PORTUGAL POST já há muito se afirmou como o porta-voz da Comunidade portuguesa na Alemanha. Como um órgão de informação, que já conquistou um lugar no panorama da imprensa portuguesa da emigração, o PP é hoje um jornal que constitui um verdadeiro património da Comunidade lusa residente neste país. Plural, sério, crítico e atento, o PP já há muito que ganhou a confiança de todos e quer continuar com todos vós.

Parabéns ao Portugal Post pelo bom serviço prestado à comunidade

Ein unverzichtbares Medium “Seit 17 Jahren ist die Portugal Post für die über 100 000 in Deutschland lebenden Portugiesen ein unverzichtbares Medium, das aktiv das Gemeinschaftsgefühl fördert und als einzige Zeitschrift einen Überblick gibt über ihre Aktivitäten in den deutschen Städten. Dass die Portugal Post dabei der Hansestadt Hamburg mit ihren speziellen jahrhundertelang gewachsenen Beziehungen zu Portugal besonderes Augenmerk widmet, freut mich natürlich besonders. Die Portugal Post ist aber auch für all jene, die sich, wie zum Beispiel die Portugiesisch-Hanseatische Gesellschaft, für die Vertiefung der Beziehungen beider Länder einsetzen, eine gute Informationsquelle. Uly Foerster, Chefredakteur Lufthansa Magazin, Hamburg”

Devemos estar informados Nunca percebi porque é que o meu pai sempre tinha uma assinatura do jornal da sua terra em Portugal quando, afinal, vivemos na Alemanha e sobre aqui que devemos estar informados. Descobri o Portugal Post há uns meses e cheguei à conclusão que este é um meio importante informação sobre o que se passa com a comunidade portuguesa no país em que passamos a maior parte vida. E sem o PP talvez não saberia que até existe um "Bairro Portugues"/"Portugiesenviertel" em Hamburgo ou que vai haver eventos como o festival da juventude, com muitas bandas portuguesas.. Nélia Brito, Gestora de projectos e Administradora do www.lusindex.de, forum virtual da comunidade luso-alemã

Trabalho sério e rigoroso O Portugal Post cumpre 17 anos de publicação. Foi um tempo de sucesso, construído na base dum trabalho sério e rigoroso que lhe foi granjeando credibilidade e prestígio. A isenção e pluralismo na abordagem dos temas políticos, como instrumento de intervenção democrática, a apologia dos valores cívicos e a motivação e empenho em prol das aspirações e anseios das comunidades portuguesas, fizeram do Portugal Post um título de referência para a generalidade dos seus leitores, os portugueses residentes na Alemanha. Aí, sempre eles encontraram um amparo, uma palavra, o respaldo amigo e o conselho avisado para que ultrapassassem as dificuldades e constrangimentos que sempre afectam quem vive longe da sua terra.Ao jornal, aos seus leitores e, em especial, ao seu director, Mário dos Santos, os meus melhores votos de sucesso e longa vida. José Lello, deputado do PS e ex-Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas

O Portugal Post presta um inestimável serviço à comunidade portuguesa na Alemanha A universalidade dessa relevante contribuição é reflectida em cada edição, que tem artigos escritos por autores representativos vindos de todas as partes da Alemanha. As opiniões divergentes sobre temas actuais e do interesse da comunidade, com certeza contribuem para o debate de ideias, divulgando e despertando ao mesmo tempo o espírito crítico dos leitores. Parabéns. Michaela Azevedo Ferreira Advogada, Bonn

O Portugal Post, para quem que como eu se quer manter ao corrente de tudo o que à emigração portuguesa na Alemanha diz respeito, tornou-se leitura obrigatória. Tive o prazer de acompanhar a evolução do jornal desde que há 17 anos apareceu e com ele aprendi muitos dos conhecimentos que hoje tenho sobre a emigração portuguesa neste País. A isenção com que o jornal tem vindo a tratar de todos os assuntos da actualidade, sem nunca perder de vista a defesa dos interesses dos seus leitores bem como de todos os emigrantes em geral, merecem o nosso apreço e respeito. É por isso que não tenho dúvidas em recomendar a leitura do Portugal Post a todos aqueles que querem estar bem informados quer sobre os nossos problemas quer ainda sobre o que se passa no nosso País. Está de parabéns o Portugal Post pelo bom serviço prestado à comunidade. De parabéns estão também os leitores em geral e os assinantes em particular, por terem escolhido e assinado este jornal. José Eduardo Membro do Conselho das Comunidades Portuguesas

O porta-voz da comunidade portuguesa na Alemanha Desde há anos que acompanho a publicação do Portugal Post, que tem sido para mim uma importante fonte de informação. Considero muito importante haver um jornal como o Portugal Post na Alemanha principalmente por duas razoes: 1. Como somos uma comunidade bastante pequena e dispersa por várias partes da país em que vivemos o Portugal Post é um elo de comunicação e de troca de informação entre as várias comunidades; 2. uma vez que os hábitos de leitura dentro da comunidade variam muito, também entre as gerações, o Portugal Post é um contributo importante para manter o contacto com a língua portuguesa escrita, particularmente para os lusos-descendentes. Para concluir, o Portugal Post constitui uma plataforma e é o porta-voz da comunidade portuguesa na Alemanha. Dora Mourinho, Socióloga

Glückwunsch Portugal hat unzählige Freunde in Deutschland: Viele haben schon Urlaub gemacht zwischen Minho und Algarve, dort gearbeitet oder studiert. Andere schätzen Pessoa oder Saramago, sind Fans von Mariza oder Madredeus, Figo oder Cristiano Ronaldo, lieben Pastéis de Nata oder Bacalhau. Noch wichtiger: viele Deutsche mögen Portugal, weil sie portugiesische Kollegen, Nachbarn oder Freunde haben, weil die Kinder mit Portugiesen zur Schule gehen oder weil der Espresso im nettesten Café oder Restaurant in der Nähe Bica heißt. All diese Menschen sollten eigentlich die "Portugal Post" lesen, um auf dem Laufenden zu bleiben und um die Portugiesen in Deutschland noch besser zu verstehen. Am schönsten wäre es aber, wenn die deutschen Freunde Portugals sich mehr mit eigenen Texten und Ideen an der Zeitung beteiligen würden. Dann könnten die nächsten siebzehn Jahre "Portugal Post" noch stärker im Zeichen von Dialog und Miteinander stehen. Marco Bertoloso Leiter der Abteilung Zentrale Nachrichten beim Deutschlandfunk

Uma grande responsabilidade Ao longo destes 17 anos, o Portugal Post tem desempenhado no seio da comunidade portuguesa um papel importante. Apesar de todas as limitações e deficiências, a existência de um órgão de informação em língua portuguesa com notícias de uma comunidade tão dispersa, como é o caso da comunidade portuguesa na Alemanha, é em princípio um bem para a comunidade. Mas esta situação também lhe confere uma grande responsabilidade. O Portugal Post poderá valorizar ainda mais a sua função junto da comunidade se apoiar de uma forma construtiva a componente mais dinâmica do movimento associativo português na Alemanha, a FAPA e se abrir mais as suas páginas aos sectores de esquerda que lutam por soluções mais justas e democráticas para a comunidade portuguesa na Alemanha. Rui Paz, Professor de música e Membro do Conselho das Comunidades Portuguesas


Angola • Brasil • Guiné-Bissau • Cabo-Verde • Moçambique • Portugal • São Tomé e Principe • Timor Leste

Lusofonia

Jovens portugueses escolhem Guiné-Bissau para viver, porque é mais fácil trabalhar com gosto Vanda Medeiros, Marta Ceitil e Diogo Costa Cabral são três jovens portugueses que optaram por viver na Guiné-Bissau, onde podem ter uma “vida boa e saudável” e é “mais fácil trabalhar com gosto”, apesar do emprego ser precário. Os três, com idades compreendidas entre os 29 e os 33 anos, não conseguem explicar exactamente porque escolheram a Guiné-Bissau, mas garantem que a opção não foi feita com base na tentativa de “salvar o mundo”. “A opção era trabalhar em Portugal, mas a Guiné apareceu na minha vida”, afirma Vanda Medeiros, 33 anos, licenciada em Filosofia. Em Bissau desde 2002, Vanda já fez de tudo um pouco, desde observação eleitoral, até à formação de professores. Actualmente trabalha com uma organização governamental espanhola, mas já esteve um ano e meio numa ilha do arquipélago dos Bijagós a trabalhar com um padre num projecto de alfabetização e a ganhar 300 euros por mês. Para Diogo Costa Cabral, 32 anos, licenciado em gestão e com um mestrado em desenvolvimento e ajuda humanitária, as coisas não foram muito diferentes. Um projecto de verão levou-o à Guiné em 2002 e acabou por ficar, deixando para trás uma carreira numa corretora. “Acabo sempre por voltar para

Diogo Costa Cabral (C) acompanhado por Vanda Medeiros e Marta Ceitil são três jovens portugueses que optaram por viver na Guiné-Bissau, onde podem ter uma "vida boa e saudável" e é "mais fácil trabalhar com gosto", apesar do emprego ser precário, em Bissau. Foto : Marisa Serafim, Lusa

a Guiné por razões que não sei explicar”, diz. “Eu levo uma boa vida em Bissau. Não digo que em Portugal não levasse, mas era mais difícil. É claro que é difícil estar longe da família e dos amigos, mas temos uma coisa que em Portugal não temos que é

A Associação Cabo-Verdiana de Hamburgo ajuda crianças em Cabo-Verde A Associação Cabo-verdiana de Hamburgo entregou no princípio do mês de Fevereiro mais uma ajuda no valor de € 600 para as crianças da escola de Rincão no Concelho de Santa Catarina, Ilha de S. Tiago, Cabo Verde. A cerimónia de entrega do dinheiro foi organizada em cooperação com a Delegacia do Ministério de Educação e a Direcção de Associação dos Professores de S. Catarina e Picos, tendo contado com a presença do presidente da Associação de

Hamburgo, Estanislau Furtado, bem como da Delegada do Ministério de Educação, do Gestor da escola de Rincão, dos C o o r d e n a d o r e s , professores, encarregados de educação e alunos. Para alegria das crianças, foram oferecidas ainda duas bolas de futebol. Recorde-se que primeiro pacote de ajuda em materiais escolares valor de €. 1000, foi entregue em Janeiro passado a uma escola da Ilha do Sal e outra na ilha de S. Nicolau.

tempo”, explica Diogo Costa Cabral. “Mesmo sem ganhar muito dinheiro, conseguimos uma vida boa, saudável e divertida”, diz, sublinhando, no entanto, que hoje em dia já se começa a preocupar em ter casa e a pensar na reforma.

Para Marta Ceitil, a relação com a Guiné-Bissau começou com as férias.Veio três vezes de férias para o país e começou a ficar “interessada e deu-se o verdadeiro clique”. “Estava a trabalhar na Roff e estava cansada. O trabalho não me fazia muito sentido”, explica. “Não é mais fácil arranjar trabalho, mas a verdade é que é mais fácil trabalhar com gosto na Guiné. Em Lisboa não faço a diferença e na Guiné acho que o nosso trabalho faz a diferença e temos liberdade para dar asas à criação. Não há limites à criatividade”, diz Vanda Medeiros.Para as famílias daqueles jovens, a decisão passou de estranha a aceite na totalidade e todos afirmam ter o “apoio” necessário. “Eu tinha um futuro promissor e foi um bocadinho complicado largar o trabalho em Lisboa. Ao princípio estava com medo de contar e dizer ‘mãe, pai, vou para a Guiné e vou despedir-me’ e surpreendentemente apoiaram-me e estão super orgulhosos”, acrescenta Marta Ceitil. Os três jovens portugueses aconselham a quem pretende ir para o país, que não hesite em experimentar. “É preciso vir sem ser com o espírito de vir ajudar todos. Perceber que nós não estamos cá para ajudar ninguém. Assim como ajudamos, somos ajudados”, explica Vanda Medeiros.


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Consultório

PORTUGAL POST nº 188 • Março 2010

Miguel Krag, Advogado Portugal Haus Büschstr.7 20354 Hamburgo Leopoldstr. 10 44147 Dortmund Telf.: 040 - 20 90 52 74

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Direito do Trabalho Despedimento por razões mínimas

D

tual, descreveremos neste e no próximo artigo quais as prevaricações supostamente insignificantes que poderão levar a uma advertência de iminente despedimento ou a uma rescisão do contrato de trabalho. Se, no caso de um acto ilícito que atente contra a propriedade/os bens da entidade patronal, a advertência de iminente despedimento ou a rescisão do contrato de trabalho é, na maioria dos casos, indiscutível, já a nível político e nos media se discute actualmente se não se poderão fazer excepções a este princípio, caso o objecto subtraído

ser de valor material insignificante (despedimentos por razões mínimas). De acordo com a jurisprudência consolidada, será decisiva para a legalidade de um despedimento devido a um acto não permitido, a resposta à questão de o comportamento do trabalhador ter abalado ou não a confiança indispensável à continuação do vínculo laboral. A decisão será tomada de acordo com a totalidade das circunstâncias de cada caso em si, não dependendo apenas do valor do objecto em causa. Terá igualmente importância decisiva, o tempo de serviço na empresa e a forma de com-

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De alguns meses para cá, têm merecido especial atenção dos meios de comunicação, processos em tribunais de trabalho, cujo objecto são despedimentos efectuados por motivos irrisórios. São pano de fundo destes processos, despedimentos levados a cabo pela entidade patronal devido a prevaricações relativamente insignificantes do trabalhador que, na sua maioria, atentam contra os bens do empregador. Para que os leitores do Portugal Post fiquem esclarecidos sobre a situação jurídica ac-

portamento no passado. No caso “Emmely”, o despedimento foi considerado legal. A empregada da caixa de um supermercado havia alegadamente subtraído dois talões de depósito no valor de 1,30 €. Pelo contrário, o Tribunal de Trabalho de Mannheim declarou ilegal um despedimento devido a um empregado do lixo ter levado para casa uma cama de criança que tinha sido deitada fora. Não é só através destes exemplos que poderemos concluir que não é possível proceder-se a uma apreciação generalizada do despedimento por razões mínimas. A ques-

tão primordial consiste em saber-se se, devido à prevaricação do trabalhador, a confiança da entidade patronal na honestidade do mesmo sofreu um abalo e um agravo que se manifestará de forma continuada. Os tribunais decidem esta questão de forma diversa. Assim, um acto ilícito que atente contra os bens da entidade patronal poderá ser sempre uma razão para um despedimento. Por isso, antes de se provar uns petiscos do “büffet” do chefe, seria melhor perguntar primeiro se ele dá ordem. Miguel Krag, Advogado

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Catarina Tavares, Advogada em Portugal Rua Castilho, n.º 44, 7º 1250-071 Lisboa E-Mail- advogados@bpo.pt Telf.: 00 351 21 370 00 00

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PORTUGAL POST nº 188 • Março 2010

José Gomes Rodrigues

Assistente Social Caritas Neuss

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Indemnizações pelo lugar de trabalho perdido Ex.mos senhores Admiro muito o vosso jornal em especial as informações do nosso jornal sobre direito em geral. Não só as vossas informações na página social mas também as informações jurídicas dos advogados que duma forma sucinta e útil tem escrito. Sou assinante e posso dizer com certo orgulho, quase desde o inicio do jornal. Ainda ele tinha um outro nome. Recorto e guardo todas as informações. Já possuo alguns dossiers cheios das vossas informações que ao longo dos anos tendes editado. Já os meus filhos, já homens e cada um com o seu trabalho e a sua família feita quando tem dúvidas lá vão vasculhar esse fonte tão rica de informação. Estou prestes a abandonar o meu tempo de trabalho. Existem contudo burburinhos na empresa que irão ser despedidos vários trabalhadores por falta de encomendas. Fala-se em indemnizações que os companheiros, a serem despedidos, irão receber. Nem os sindicatos ou o conselho da empresa não são unânimes nas declarações que lançam para a rua. Poderão informar-me sobre este capitulo. Infelizmente está a ser o “pai nosso de cada dia” um pouco por toda a Alemanha. Desde já o meu agradecimento. Leitor devidamente identificado Caríssimo compatriota, obrigado pelo apreço e por termos comparticipado na compilação da sua biblioteca informativa, que deve estar muito recheada de informações úteis. Espero que ela possa constituir uma fonte informativa para muitos outros compatriotas e não só. É um prazer para nós. Colocamos este tema em forma de perguntas e respostas, procurando transcrever as perguntas que são mais comuns. Consideração inicial As interrogações em volta das indemnizações a pagar pelo patrão ou empresa ao trabalhador candidato ao desemprego, são geralmente consideradas como um

bónus pela perda do lugar de trabalho. Estas indemnizações estão sujeitas a algumas condições que gostaríamos de esclarecer convenientemente de forma a evitar falsas interpretações ou decisões inconvenientes em detrimento dos sujeitos em questão. A legislação que procura regulamentar este capitulo do direito laboral tem sofrido algumas alterações colocando em dúvida muita gente. Vamos então à questão: Há um direito a uma indemnização pela perda do lugar de trabalho? Poderá haver desde que o patrão tenha contemplado no despedimento e o trabalhador candidato ao desemprego não tenha interposto uma acção contra esse despedimento, deixando caducar o prazo para interpor essa acção. Este prazo é de 21 dias úteis de trabalho ou sejam quatro semanas, desde a altura em que recebeu por escrito o despedimento. Poderá recorrer do despedimento apesar de lhe ter sido feita uma oferta de indemnização? Antes de aceitar o despedimento e a oferta deste bónus, será mesmo conveniente recorrer a um advogado, perito em direito de trabalho. Este terá de em primeiro lugar averiguar a conformidade com o despedimento e se o montante da indemnização estaria de acordo com as circunstancias e as interpretações das leis laborais vigentes. Se decidir pelo caminho da justiça, então a oferta de indemnização ficará congelada. Esta poderá ser em tribunal reajustada ou mesmo negada. Negada se a empresa decidir readmitir o empregado. Qual é o ordenado que serve de base para o cálculo da indemnização? Será o último ordenado auferido

ou então a media mensal do ano civil transacto. A quantia da recompensa está estabelecida por alguma lei? A lei prevê que a indemnização seja igual a meio mês de ordenado, multiplicado pelos anos que trabalhou na empresa. Se num ano terá trabalhado o máximo de seis meses estes contarão como que fosse um ano. Exemplificando, se um operário tivesse trabalho numa empresa quatro anos e seis meses completos e tivesse um ordenado médio no último ano de 3000 € mensais, teria a receber a quantia de 7500 € de indemnização. Qual é o máximo que se poderá obter duma indemnização? A lei não descreve o montante máximo a receber. O total depende da maneira como é conduzida a controvérsia. Se se processa contra o despedimento para defender o seu lugar de trabalho, a quantidade de compensação deverá ser em principio, decidida em tribunal. Neste caso, o pagamento pode efectuar-se desde que a empresa não veja qualquer possibilidade de o incorporar novamente ou mesmo o despedido não veja também condições para essa possibilidade. Convém repetir e matizar que, num processo de tribunal de trabalho, o único que se procura defender é o seu próprio lugar de trabalho. A indemnização é uma sucedânea da questão global. Tenham cuidado na apresentação do problema. Sendo este o caso, os tribunais têm usada a seguinte medida na atribuição da recompensa. Para os trabalhadores em geral é considerado o pagamento da indemnização até ao máximo de 12 até 18 meses de ordenado, desde que tenham mais de cinquenta anos de trabalho. Convém também acrescentar que este quantia é paga

isenta de descontos sociais. Será possível que, com a indemnização sejam assumidos os descontos para a segurança social? Também é possível. Este caso dá-se quando a indemnização é derivada da redução do tempo de trabalho. Esta recompensa não esta ligada à perda do lugar de trabalho mas sim a uma recompensa pela perda do poder de compra do trabalhador em virtude da vir a sofrer uma baixa de ordenado. Geralmente esta compensação é paga durante o período de trabalho e não numa só vez. Os trabalhadores mais idosos receberão o mesmo que os mais jovens? Seguindo as determinações de tribunais ulteriores, esta sua afirmação condiz não só com a realidade. Os mais idosos poderão até receber uma indemnização menor. É o caso do encerramento duma empresa em que os trabalhadores com 58 anos ou mais são contemplados

no plano social com indemnizações inferiores aos colegas mais jovens. A razão é simples e, em diversos aspectos lógica igualmente. Como esses estão mais perto do tempo de reforma, o prejuízo financeiro é inferior do que a de um trabalhador mais jovem. O tempo de espera para a reforma é neste caso mínimo. Uma vez determinada e aceite a indemnização, esta não poderá ser rejeitada mais tarde? De forma alguma, desde que tenha aceite o despedimento e a oferta da recompensa, nada há a fazer a não ser aceitar. Tenham cuidado nas condições de aceitação dessa recompensa. O Instituto de Emprego poderá ver no acto a aceitação do despedimento o que poderá vir a ser penalizado com o corte de tempo no seguro de desemprego. Por isso, ao ser-lhe apresentado tal oferta pense bem nas possíveis consequências não se deixando incandescer por essa oferta para que não possa a vir a ser prejudicial.

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PEDIMOS AOS NOSSOS LEITORES para nos colocar as suas perguntas e sugestões por escrito usando o correio ou, melhor ainda, o correio electrónico. Pedimos também para mencionarem o vosso número de telefone fixo para, sendo necessário, entrarmos em contacto convosco. As questões e sugestões dos leitores podem ser enviadas para as seguintes direcções: jose.rodrigues@caritas-neuss.de Tel.: 02131 269320 - fax 02131 269 336. correio@free.de: Tel. : 0231 8390289 - fax 0231 8390351 Obrigado. Publicidade

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PORTUGAL POST nº 188 • Março 2010

Citações do mês

Agenda Tome Nota

A educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces Aristóteles Não posso dar-me a quem me não sabe prender Natalie Barney ,

Março 2010 Concertos de Ana Moura 11.03.2010 – REUTLINGEN – Local: Kulturzentrum Franz.K, Unter den Linden 23, 72762 Reutlingen. Início: 20h00 13.03.2010 – BONA – Local: Brückenforum, Friedrich-BreuerStr. 17, 53225 Bonn. Início: 20h00 14.03.2010 –DORTMUNDLocal: Domicil, Hansastr. 7-11, 44137 Dortmund. Início: 20h00 17.03.2010 –BERLIM- Local: Admiralspalast, Friedrichstr. 101, 10117 Berlin.Início: 20h00 18.03.2010 –HAMBURGO – Local: Kultur- und Kommunikationszentrum Fabrik, Barnerstr. 36, 22765 Hamburg. Início: 20h00 19.03.2010 –HANNOVER – Local: Kultur- und Kommunikationszentrum Pavillon, Lister Meile 4, 30161 Hannover.Início: 20h00 21.03.2010 – BREMEN – Local: Kulturzentrum Schlachthof, Findorffstr. 51, 28215 Bremen. Início: 20h00 23.03.2010 –MAINZ – Local: Frankfurter Hof, Augustinerstr. 55, 55116 Mainz . Início: 20h00 24.03.2010 MUNIQUE – Local: Muffatwerk – Club Ampere, Zellstr. 4, 81667 München. Início: 20h00 25.03.2010 –KARLSRUHE – Local: Kulturzentrum Tollhaus, Schlachthausstr. 1, 76131 Karlsruhe. Início:20h00

1-12. 03.2010 – SASSNITZ Terra Nova – Terra do Bacalhau . Exposição de fotografia sobre a pesca do bacalhau. Local: Sparkasse Rügen Filiale Sassnitz , Hauptstr. 27 , 18546 Sassnitz

bito do Festival Internacional de Literatura lit.Cologne . Moderação: Kersten Knipp Leitura em alemão: Michael Wittenborn . Local: Kulturkirche Köln Siebachstr. 85 , 50733 Köln

6.03.2010 – NEUÖTTING Trio Fado Concerto. Local: Stadtsaal Neuötting , Ludwigstr.62 , 84524 Neuötting

26.03.2010 – HAMBURGO Onde o Mar encontra a Terra . Inauguração da exposição de fotografia de Hans-Jürgen Odrowski . Local: ConsuladoGeral de Portugal , Büschstr. 7 , 20354 Hamburg

6.03.2010 – ESSEN – Jantar Festa de Aniversário do PCP. Local: Centro Português de Essen. Início: 18h00 (aberto à Comunidade). Giradetstr. 21 45131 Essen Tel: 0201-780488 6.03.2010 – BREMERHAVEN – Festa com o artista Ricardo Saul. Actuação do conj. Banda Lusitana. Org.: CTP de Bremerhaven. Info: 0471/415637 7.03.2010 –MUNIQUE – Mariza Concerto. Local, Philharmonie im Gasteig, Rosenheimer Str.

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5 , 81667 München. Início: 20h00 9.03.2010 – BOCHUM – Mariza Concerto. Local: Jahrhunderthalle Bochum, An der Jahrhunderthalle 1, 44793 Bochum. Início: 20h00 12.03.2010 – LUDWIGSHAFEN - Mariza Concerto Local:Theater im Pfalzbau, Berliner Str. 30, 67059 Ludwigshafen. Início: 20h00 11.03.2010 – BERLIM - Leitura do romance “Equador” com a presença do escritor Miguel Sousa Tavares. Local: Europäisches Haus Unter de, Linden 78 , 10117 Berlin

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16.03.2010 – COLÓNIA - António Lobo Antunes.Leitura do romance Mein Name ist Legion (Meu Nome é Legião), no âm-

27.03.2010 – BRAUNSCHWEIG – Sinal Concerto com Talmo Pires (canto) e Maria Baptist (piano). Local: Residenzschloss , Roter Saal , Schlossplatz 1 , 38100 Braunschweig. 27 -28. 03.2010 – ESTUGARDA – Exposição filatélica “100 Anos República Portuguesa” no âmbito do 35º aniversário do Clube Filatélico Estugarda

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A CASA DA RÚSSIA John le Carré Preço: 13,50 Publicado em 1989, apresenta os meandos de espionagem e contra-espionagem entre o Ocidente e a antiga União Soviética. John le Carré arrasta-nos, uma vez mais, para o seu mundo secreto e faz dele o nosso. Em Moscovo, Leninegrado, Londres e Lisboa, numa ilha da costa do Maine que pertence à CIA, e no coração do próprio Barley Blair, Carré desenvolve não apenas uma história de espionagem, mas uma alegoria do amor individual confrontado com atitudes colectivas de beligerância. TRAVESSIA DE VERÃO Truman Capote PREÇO: 11.50 Obra póstuma e inédita, Travessia de Verão é um primeiro romance precoce e seguro que mostra o sentido implacável da narração de um dos maiores escritores do século XX. Os seus fraseados imaculados, a sua crua ironia e a sua visão das subtilezas das diferenças de classe anunciam os futuros triunfos de Capote. Digno de um lugar em qualquer estante de um leitor de Capote, este é, em todos os sentidos, um tesouro perdido e reencontrado.

AVENTURAS DE SHERLOCK HOLMES Preço: 11.50 Aventuras de Sherlock Holmes é uma colectânea de 12 contos de aventuras publicada em 1892. Os contos foram originalmente publicados na revista Strand Magazine, nos anos de 1891 e 1892.

Manuel Alegre Preço: € 11,50 As memórias de infância. Os cheiros, as vozes, as emoções de um tempo em que o tempo não tem fim e o significado está presente nas mais pequenas coisas. Todas elas ficam sempre, como marcas na alma, princípios que norteiam a vida. A nostalgia dos lugares mágicos da infância. De Alma, vila encantada onde convive tradição e subversão, melancolia e audácia, crendices, ideologia e futebol... Pela voz audaciosa de quem não receia dar-se a conhecer, chegam-nos ecos de um Portugal dividido entre a República e a Monarquia, um país que era, á época, o mundo de uma criança expectante e atenta. De Alma, partiu toda a sua vida.

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A Cidade e as Serras
Eça de Queiros
 O romance foi publicado em 1899 (um ano antes da morte de Eça) na Revista Moderna, e saiu em livro em 1901. Pertence à última fase do escritor, quando Eça se afasta do realismo e deixa a crítica dura que fazia à sociedade portuguesa da época. Anónio Lobo Antumes Os Cus de Judas Preço: € 11.50
 António Lobo Antunes nasceu em Lisboa, em 1942. Estudou na Faculdade de Medicina de Lisboa e especializou-se em Psiquiatria. Exerceu, durante vários anos, a profissão de médico psiquiatra. Em 1970 foi mobilizado para o serviço militar. Embarcou para Angola no ano seguinte, tendo regressado em 1973. Em 1979 publicou os seus primeiros livros, Memória de Elefante e Os Cus de Judas, seguindo-se, em 1980, Conhecimento do Inferno. Estes primeiros livros são marcadamente biográficos, e estão muito ligados ao contexto da guerra colonial; imediatamente o transformaram num dos autores contemporâneos mais lidos e discutidos, no âmbito nacional e internacional. Miguel Torga Bichos Preço: € 11.50
 «Querido leitor: São horas de te receber no portaló da minha pequena Arca de Noé. Tens sido de uma constância tão espontânea e tão pura a visitá-la, que é preciso que me liberte do medo de parecer ufano da obra, e venha delicadamente cumprimentar-me uma vez ao menos. Não se pagam gentilezas com descortesias, e eu sou instintivamente grato e correcto (…)»

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Aprenda aProteger-se Orações para Todos os Males Contra a Inveja e Mau-Olhado Formato: 14x21cm Formato: 15,5 X 23 cm Páginas: 90 Paginas: 156 Preço: 22,00 € Preço: 19,90 € Por razões de saúde, familiares, afectivas, materiais ou espirituais, Nas alturas de maior fragilidade, há que todos mpassamos em algum momcriar uma protecção efectiva contra os mento por situações difíceis. Nesta possíveis efeitos das energias negativas. obra encontrará uma centena de oraNeste livro damos-lhe conhecimento de ções adequadas a cada caso. Orações mantigos amuletos, fórmulas, rituais prátipara encontrar mcompanheiro/a, cos, orações e rezas especiais mpara que possa repelir esse encantamento para conseguir casar-se com o seu namaligno. morado, pela paz da família, contra doenças, etc.

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CONTOS POPULARES PORTUGUESES Preço: 11.50 Contos Populares Portugueses são contos de todos os tempos e de todas as idades. Uma obra que nos devolve o imaginário e o maravilhoso da nossa cultura popular, e de que faz parte, entre outras, «História da Carochinha», «A Formiga e a Neve», «O Coelhinho Branco», «A Raposa e o Lobo», «O Compadre Lobo e a Comadre Raposa» e «Os Dois Irmãos».

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Como Cortar Trabalhos de Bruxaria Formato: 14x21cm Páginas: 152 Preço: 25,00 € Um ritual de magia negra posto em acção contra alguém pode prejudicar avítima e destruir a sua vida de forma brusca e surpreendente. Todas as áreasestão sujeitas a ficar afectadas. Tudo à sua volta parece ruir. E, mais graveainda, a vítima de magia negra não consegue encontrar forças para reagir. Neste livro de carácter prático, a autora apresenta rituais fáceis de executar quepermitem criar uma aura de protecção.

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Vidas

PORTUGAL POST nº 188 • Março 2010

Ficar por cá, para sempre Entre o Douro e o Minho há muitas famílias de lavradores que, com os seus solares e as suas quintas, fizeram desta região uma das mais típicas de Portugal. É também nesta região onde se encontram as origens muito antigas da emigração portuguesa, mais concretamente para o Brasil que foi um dos destinos de muitos minhotos e durienses. Na minha família, oriunda do Minho, é, desde há muitos anos uma família de emigrantes. Primeiro para o Brasil, depois, passados longos anos para a França e alguns para a Alemanha, onde eu me encontro hoje depois de chegar aqui em 1962. Quando cheguei aqui havia trabalho a rodos. A Alemanha estava em plena reconstrução depois de ter sido abalada pela guerra. Os emigrantes na altura eram maioritariamente italianos e por isso a minha primeira mulher foi italiana, irmã de colegas com quem na altura trabalhava num gigante da indústria do aço. O meu trabalho aqui era e foi sempre na ferrugem e na ferrugem passei a minha vida e ganhei a minha reforma. Saí de Portugal com um passaporte de turista, válido para três meses e desses três meses se fizeram 48 anos de

permanência aqui na Alemanha que é hoje o meu país. Tal como alguns dos meus antepassados que emigraram para o Brasil e por lá ficaram tornando-se brasileiros, eu posso dizer que me tornei num alemão, pois, ao fim de tanto tempo considero a Alemanha como a minha terra. A minha ligação a Portugal não é como a maioria dos emigrantes. O tempo cavou uma distancia entre mim e Portugal. Construi uma família e uma descendência que nada os liga à minha terra de nascimento. Posso dizer que a minha relação com Portugal é uma espécie de amor que já passou e é apenas uma vaga recordação. Fiquei quase 25 anos sem pôr o pé em Portugal. Depois de chegar aqui, só em 1987 visitei

memória coisas que não são agradáveis. A vida naquele tempo era muito dura e muito raramente víamos a cor do dinheiro. Arrastávamos os tamancos pelas ruas cheias de lama e de pedras por onde passavam carros de bois aos salavancos. Enfim, coisas de outros tempos. Contacto com portugueses aqui não tenho.Verdade também seja dita que aqui onde eu moro não há portugueses e o meu contacto com Portugal e os portugueses é através do jornal Portugal Post . Tinha 20 anos quando aqui cheguei. Hoje não posso viver muito tempo fora daqui. Das vezes que fui a Portugal ia com grande ansiedade e com desejos de estar por lá a gozar o Sol e aquelas coisas bonitas da

O tempo cavou uma distância entre mim e Portugal. Portugal e com muitas curiosidades de ver a terra e alguns parentes. Depois desse ano lá voltei por três vezes, três vezes que levei a família para passar férias e visitar alguns parentes distantes que ainda lá terei. Quando penso no tempo que vivi em Portugal vem-me à

Memória futura

natureza que ainda há por lá. Mas ao fim de duas semanas já sentia que tinha que vir embora e as saudades afinal não eram de Portugal mas da Alemanha. Não sei se se passa o mesmo com portugueses que lá vão. Mas facto é que me senti deslocado e estranho, ou talvez

Nós queremos publicar aqui as fotografias que fazem viver as suas recordações das férias, na associação, no trabalho, com os amigos, no restaurante, nas festas, etc. O envio das fotos pode ser feito por e-mail ou por carta (com a garantia de restituirmos todas as fotos que recebermos)

Recordar é viver Sandra, Dortmund, (à direita) com irmã e amigos algures na Alemanha no ano de

2003 No v a a R ubr ic

estrangeiro. Afinal, uma semana ou duas chegava para eu reviver um pouco da minha juventude e ter contacto com o país. Por isso digo sinceramente que não sinto muitas saudades. Hoje, as férias passo por aqui. Os meus filhos e netos vão para outros lugares e, muito raramente, consigo convence-los a ir a Portugal. Acontece que quando eles lá vão tenho de ouvir as queixas: que os portugueses são uns desastrados a conduzir, que não respeitam a natureza, que não limpam as ruas e não percebem porque passam os dias de festa metidos nos centros comerciais quando há muitos lugares ao ar livre para passear ou andar, etc., etc.. Não devo ser o único português que perdeu a sua terra e por cá fica, para sempre. Quando eu saí de Portugal era a pensar que um dia deveria voltar com um bom pé-demeia, tal como nos sonhos dos meus antepassados “brasileiros”. Mas o destino pregounos uma partida e, afinal, o que queríamos não era o pé-demeia mas sim a estabilidade de uma vida que viemos a conhecer aqui. Nunca comprei nem construi casa em Portugal. Se o tivesse feito perguntaria hoje para

que é que me servia. Penso que muitos emigrantes pensam o mesmo. Afinal o sonho da casa é aqui, porque é aqui que está o nosso destino e foi aqui que encontramos a serenidade que Portugal não dava há 48 anos e parece que ainda hoje não dá. A casa que comprei foi aqui e foi aqui que construi a minha família e criei raízes para o futuro. Os meus descendentes por aqui continuarão e não me sinto decepcionado por isso. Portugal não nos soube, a mim e aos meus, conquistar. Perdeu-nos como perdeu tantos e tantos e hoje quando leio no jornal Portugal Post que muitos se queixam por as crianças não terem escola portuguesa e, por causa disso, também receiam que seja por falta de escola que Portugal venha a perder as novas gerações. A. Marques. Revisão: redacção do PORTUGAL POST

Pedimos aos leitores que nos enviam correspondência para esta rubrica para não se alongarem muito nos textos que escrevem. A redacção reserva o direito de condensar os textos. Obrigado.

ESCREVA-NOS e conte-nos a história da sua vida Sabemos que há mulheres e homens que desejam comunicar as suas aventuras ou até mesmo histórias sobre a sua vida ou que querem relatar experiências e contar casos de que foram testemunhas ou os principais protagonistas. Todos, uns mais que outros, temos uma história para contar, como por exemplo, como cá chegamos; a nossa dificuldade em compreender a língua; os sonhos que acalentamos para aguentar estar num país tão diferente; o choque cultural, o primeiro dia de trabalho e, porque não, as dificuldades por que passamos. Nós queremos contar a sua vida, o bom e o mau. Escreva-nos como sabe e pode e a sua história poderá ser um valioso testemunho da nossa presença neste país. Não se esqueça de nos enviar as fotografias que deseja ver publicadas. Morada: PORTUGALPOST Burgholzstr.43 44145 Dortmund Fax: (0231) 83 90 351 E mail: correio@free.de


Passar o Tempo

PORTUGAL POST nº 188 • Março 2010

CONSULTÓRIO ASTROLÓGICO E-mail: mariahelena@mariahelena.tv TELEFONE: 00 351 21 318 25 91 Por Maria Helena Martins

CARNEIRO Amor: Procure dar mais atenção aos seus verdadeiros amigos. Saúde: Tenha confiança em si mesmo, valorize-se mais e cuide do seu corpo. Dinheiro: Cuidado, não alimente intrigas no local de trabalho. TOURO Amor: Partilhe essa boa disposição que o invade com quem o rodeia. Saúde: dê maior atenção aos seus rins, beba mais água diariamente. Dinheiro: É possível que venha a obter aquela promoção que tanto esperava. GÉMEOS Amor: Os momentos de romantismo estão favorecidos. Invista mais no seu relacionamento. Saúde: Estará em plena forma. Aproveite para se dedicar a um novo hobby. Dinheiro: Cuidado com as dívidas. Esteja mais atento às suas contas. CARANGUEJO Amor: Encontra-se num período menos favorável, mas não desespere que é passageiro. Saúde: A sua auto-estima anda um pouco em baixo, anime-se e cultive os pensamentos positivos. Dinheiro: Boa altura para investir naquilo de que mais gosta, mas com cuidado que a vida está difícil. LEÃO Amor:A sua relação poderá passar por um período menos positivo em que deve manter a calma, pois tudo

Previsões para Março de 2010

se resolverá pelo melhor. Saúde: Deve tentar libertar-se dos hábitos que só prejudicam a sua saúde. Dinheiro: O equilíbrio financeiro estará presente na sua vida neste momento.

ros, poderá sair prejudicado. Saúde: Tenha um maior cuidado com os seus ouvidos. Estará mais sensível a infecções. Dinheiro: evite precipitar-se, pense bem antes de investir as suas economias.

VIRGEM Amor: Não desiluda um amigo que gosta muito de si. Saúde: Tendência para dores musculares. Faça uma sessão de massagens. Dinheiro: Boa altura para comprar casa ou para mudar de ocupação.

CAPRICÓRNIO Amor: Alguém para quem você é muito importante dar-lhe-á um bom conselho. Saúde: Cuidado com o aumento de peso, faça exercício físico com regularidade. Dinheiro: Efectuará bons negócios, mas não assine nada sem pensar duas vezes.

BALANÇA Amor: A sua sensualidade natural irá apimentar a sua relação de uma forma surpreendente. Saúde: Descanse as horas necessárias para se poder sentir bem física e psicologicamente. Dinheiro: Cuidado com os gastos supérfluos que faz ao agir por impulso, sem parar para pensar. ESCORPIÃO Amor: Aproveite bem todos os momentos que tem para estar com a sua cara-metade. Saúde: Poderá sentir alguma fadiga física. Dinheiro: Conserve bem todos os seus bens materiais. Zele pelo que é seu. SAGITÁRIO Amor: estará cheio de confiança em si próprio e ela ajudá-lo-á a alargar a sua rede social. No entanto, não se deixe influenciar por tercei-

AQUÁRIO Amor: evite ser possessivo ou ciumento. Respeite o espaço do seu par. Saúde: melhore o seu descanso diário dormindo mais horas, para poder ter um maior rendimento sem cansar tanto o seu corpo. Dinheiro: tenha mais cuidado, não gaste o seu dinheiro em coisas de que afinal nem precisa. PEIXES Amor: Não dê tanta atenção a quem não merece. Rodeie-se apenas das pessoas que o compreendem e que gostam realmente de si. Saúde: Cuide da sua imagem. Inicie uma dieta. Dinheiro: embora deva empenharse, evite o desgaste excessivo na sua actividade laboral, pois será recompensado na devida altura. Acredite mais em si.

Um canibal apanha um avião. Durante o voo vem a hospedeira e pergunta-lhe: — O senhor deseja a ementa? — Não, traga-me a lista dos passageiros! Um tipo diz a um amigo: — Há três anos, fui de férias para a Grécia e a minha mulher ficou grávida. Há dois anos, fui para a Turquia, e a minha mulher ficou grávida. No ano passado, fui para as Baleares e ela voltou a ficar grávida. Agora, acabou! Este ano, ainda não sei para onde vou, mas desta vez ela vai comigo! Quatro turistas portugueses vem para o Brasil, alugam um carro e começam a correr pela Via Dutra. Logo são parados por um guarda que se aproxima da janela e pergunta: - Muito bonito! Por acaso posso saber o nome dos quatro elementos? O Manuel responde rápido: - Ora, essa é fácil: terra, fogo, água e ar! Estão três miúdos (um francês, um inglês e um português) a discutir, quando diz o francês: — O meu pai é o mais rápido de todos: é piloto do Concorde e vai de Paris a Nova Iorque em três horas! O inglês discorda: — Nada disso! O meu pai é que é o mais rápido: é piloto de Fórmula Um e atinge trezentos à hora em dez segundos! Chega, finalmente, a vez do português: — Ora, os vossos pais são umas lesmas, comparados com o meu: é funcionário público, sai do trabalho às cinco da tarde e às quatro já está em casa.

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Endereços Úteis Embaixada de Portugal Zimmerstr.56 10117 Berlin Telefone 030 - 590063500 Telefax 030 - 590063600 Consulado -Geral de Portugal em Hamburgo Büschstr 7 - 20354 - Hamburgo Tel: 040/3553484 Vice-Consulado de Portugal em Osnabrück Schloßwall 2 - 49080 Osnabrück Tel:0541/40 80 80 Consulado-Geral de Portugal em Düsseldorf Friedrichstr, 20 - 40217 -Düsseldorf Tel: 0211/13878-11;12;13 Vice-Consulado de Portugal em Frankfurt Zeppelinalle 15 - 60325- Frankfurt Tel: 069/979880-44;45 Consulado-Geral de Portugal em Stuttgart Königstr.20 - 70173 Stuttgart Tel. 0711/2273974 Consulado Honorário de Portugal em Munique Maximiliansplatz 15 - 80333 München Tel. 089-29163131

Conselho das Comunidades Portuguesas: Alfredo Cardoso, Telelefone: 0172- 53 520 47 AlfredoCardoso@web.de Alfredo Stoffel Telefone: 0170 24 60 130 Alfredo.Stoffel@gmx.de José Eduardo, Telefone: 06196 - 82049 jeduardo@gmx.de Maria da Piedade Frias Telefone: 0711/8889895 piedadefrias@gmail.com Rui Clemente Paz Telefone: 0173 - 5351651 ruipaz@gmx.de AICEP Portugal Zimmerstr.56 - 10117 Berlim Tel.: 030 254106-0

Federação de Empresários Portugueses (VPU) Hanauer Landstraße 114-116 60314 Frankfurt Tel.: +49 (0)69 90 501 933 Fax: +49 (0)69 597 99 529

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Astrologia, Karma e Felicidade Preço, 20,99 € Autor: Cristina Candeias Formato: 14x21cm Páginas: 112 A astróloga residente do programa "Praça da Alegria", de Jorge Gabriel, tornouse um fenómeno nacional, com as suas previsões em directo. Este é o seu primeiro livro. O livro que nos ensina a atravessar o deserto para encontrar o oásis e a felicidade plena. É necessário reflectir sobre quem fomos, o que somos e o que temos de vir a ser. Só depois de aceitarmos os nossos processos de mudança a vida se nos revelará.

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Economia e Negócios

PORTUGAL POST nº 188 • Março 2010

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Deutsche Bank garante que não ajudou Portugal a esconder níveis de défice

Sonae Sierra ganha concurso para quarto centro comercial na Alemanha

A delegação da TAP Portugal em Frankfurt anunciou Frank Zehle como o novo Delegado da companhia nacional para a Alemanha. Frank Zehle, 44 anos, começou sua carreira na Lufthansa em 1984, tendo ainda desempenhado alguns cargos de direcção em várias cadeias de hotéis internacionais. Foi ainda chefe de Marketing da Varig, no Brasil. Falando fluentemente português, Frank Zehle diz estar “feliz” por, depois de 10 anos, voltar à aviação comercial. Numa nota enviada ao PORTUGAL POST, o novo delegado da TAP Portugal diz que quer colocar ao serviço da companhia portuguesa o seu conhecimento do mercado europeu da aviação e a sua experiência que adquiriu na América Latina. Frank Zehle refere-se também à oferta de qualidade da TAP Portugal que tem vindo a crescer nos últimos anos, acrescentando que companhia nacional tem potencial para crescer na Alemanha e no leste europeu. No que se refere ao mercado dos portugueses e luso-alemães, Frank Zehle lembrou ao PP os dois voos diários a partir de Hamburgo

O maior banco alemão, o Deutsche Bank, veio a público garantir que não ajudou Portugal a reduzir os níveis de défice orçamental através de swaps cambiais ou outras transacções com derivados. „O banco nunca procedeu em quaisquer actividades com derivados que tivessem como objetivo a optimização da dívida e do défice de Portugal, à luz dos princípios do Eurostat“, afirmou o porta-voz do banco, Ronal Weichert, citado pela Bloomberg. A resposta do banco alemão surge após o jornal económico norte-americano The Wall Street Journal ter indicado que haveriam transacções entre o Deutsche Bank e Portugal, que incluíam, citando o banco, „swaps cambiais completamente normais“ e que estariam dentro do „quadro de gestão de dívida dos países“.

O presidente executivo da Sonae Sierra, Álvaro Portela, anunciou que a empresa ganhou o concurso para um novo centro comercial em Garbson, que será o quarto centro comercial da empresa na Alemanha. „A Sonae Sierra ganhou o concurso internacional e, neste momento, está-se a desenvolver o processo de licenciamento que é longo e complexo“, afirmou Álvaro Portela, em conferência de imprensa para apresentação do terceiro centro comercial da Sonae na Alemanha, que abre sexta-feira ao público. Em declarações aos jornalistas, o presidente da Sonae Sierra disse que, no decorrer do próximo ano, o projecto do novo centro comercial „no centro de uma nova cidade, nos arredores de Hannover, deve ter licenciamento e financiamento assegurado no próximo ano para avançar“.

Frank Zehle “cidade que tem uma grande comunidade portuguesa”, bem como os voos a partir de Frankfurt e Munique. Para alem destes voos “a TAP Portugal oferece ligações de comboios a partir de várias cidades da Alemanha para passageiros que residem longe dos aeroportos de Hamburgo, Frankfurt e Munique”, produto denominado Rail & Fly em parceria com a Deutsche Bahn. Com este produto, o passageiro pode viajar gratuitamente à partida

de todas as estações com a Deutsche Bahn AG para Frankfurt, Hamburgo e Munique onde poderá obter ligações com os voos da TAP Portugal. Esta oferta está disponível apenas em conjunto com voos operados pela TAP à partida destes três aeroportos alemães. O Rail & Fly Inklusive tem que ser reservado e emitido junto com os voos da TAP Portugal. O Rail & Fly Inklusive é valido para todos os comboios regulares da Deutsche Bahn, incluindo InterCityExpress (ICE), InterCity (IC) e EuroCity (EC), bem como para transportes públicos entre estações e aeroportos, excepto para comboios especiais como o Thalys e „car-sleeper trains“. Ainda numa curta declaração ao PORTUGAL POST, Frank Zehle inclui o mercado de passageiros da comunidade portuguesa “muito importante”, a quem vai dar atenção, apesar da companhia nacional de aviação não ter produto específico para o mercado étnico, mas que é considerado um mercado especial pelas ligações afectivas, já que também é necessário conquistar as pessoas pelo coração.

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