Portugal Post Agosto 2011

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PORTUGAL POST ANO XVIII • Nº 205 • Agosto 2011 • Publicação mensal • 2.00 € Portugal Post Verlag, Burgholzstr. 43 • 44145 Dortmund • Tel.: 0231-83 90 289 • Telefax 0231- 8390351• E Mail: correio@free.de •www. portugalpost.de •K 25853 •ISSN 0340-3718

› Entrevistas

› Nesta Edição Media Trabalhadores da RTP querem reposição imediata de emissões em onda curta Página 4

Deputado do PS pede esclarecimentos ao Governo sobre a reestruturação do grupo RTP Página 4

Ensino O mito da integração e outros Texto de Teresa Soares Página 7

Vice-Cônsul em Osnabrück, Manuel Silva, e a escritora Paula de Lemos concedem entrevistas ao nosso jornal. Pags 3 e 10 Rubrica de Informação Social

Alemães vão ajudar Vila Real no combate aos fogos florestais Pág. 8

› Subsídio para a renda de casa › Subsídio para a aquisição de habitação própria e as reformas Página 17

Boas férias! Alemanha e Portugal sondam possibilidades de emprego para enfermeiros Pág.23 Publicidade

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PORTUGAL POST Nº 205 • Agosto 2011

PORTUGAL POST

Editorial Editorial Máriodos dosSantos Santos Mário

Agraciado com a medalha da Liberdade e Democracia da Assembleia da República Fundado em 1993 DIRECTOR: MÁRIO DOS SANTOS

CORRESPONDENTES ALFREDO CARDOSO: MÜNSTER ANTÓNIO HORTA: GELSENKIRCHEN ELISABETE ARAÚJO: EUSKIRCHEN JOÃO FERREIRA: SINGEN JORGE MARTINS RITA: ESTUGARDA KOTA NGINGAS: DORTMUND MANUEL ABRANTES: WEILHEIM -TECK MARIA DOS ANJOS SANTOS - HAMBURGO MARIA DO CÉU - MAINZ MICHAELA AZEVEDO FERREIRA: BONA

COLUNISTAS ANTÓNIO JUSTO: KASSEL CARLOS GONÇALVES: LISBOA DORA MOURINHO: ESSEN FERNANDA LEITÃO: TORONTO JOSÉ EDUARDO: FRANKFURT JOSÉ VALGODE: LANGENFELD LAGOA DA SILVA: LISBOA LUIS BARREIRA, LUXEMBURGO MARCO BERTOLOSO: COLÓNIA MARIA DE LURDES APEL: BRAUNSCHWEIG PAULO PISCO: LISBOA RUI MENDES: AUGSBURG RUI PAZ: DÜSSELDOR ASSUNTOS SOCIAIS JOSÉ GOMES RODRIGUES: ASSISTENTE SOCIAL CONSULTÓRIO JURIDICO CATARINA TAVARES: ADVOGADA MICHAELA A. FERREIRA: ADVOGADA MIGUEL KRAG: ADVOGADO FOTÓGRAFOS: FERNANDO SOARES AGÊNCIAS: LUSA. DPA IMPRESSÃO: PORTUGAL POST VERLAG REDACÇÃO, ASSINATURAS E PUBLICIDADE BURGHOLZSTR.43 - D - 44145 DORTMUND TEL.: (0231) 83 90 289 FAX: (0231) 83 90 351 WWW.PORTUGALPOST.DE E MAIL: CORREIO @ FREE.DE REGISTO LEGAL: PORTUGAL POST JORNAL DA COMUNIDADE PORTUGUESA NA ALEMANHA ISSN 0340-3718 • K 25853 PROPRIEDADE PORTUGAL POST VERLAG REGISTO COMMERCIAL HRA 13654 OS TEXTOS PUBLICADOS NA RÚBRICA OPINIÃO SÃO DA EXCLUSIVA RESPONSABILIDADE DE QUEM OS ASSINA E NÃO VEICULAM QUALQUER POSIÇÃO DO JORNAL PORTUGAL POST

Embaixada a funcionar a meio gás ?

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m tempo de austeridade em que toda a gente em Portugal tem de apertar mais um furo no cinto, o último, pois não há cintos que têm furos de fio a pavio, a Embaixada de Portugal poupa involuntariamente no pessoal diplomático. Depois de ter perdido o Conselheiro Social (vai para anos) e também ter perdido o Conselheiro para Imprensa, eis que o Conselheiro para Cultura decide sair pelo seu próprio pé depois de não ter sequer aquecido o lugar. Entrando ao serviço em Maio de 2010, o Conselheiro para a cultura andou a tirar um curso intensivo de Alemão para perceber o que andava a fazer e, um ano depois, acha que o trabalho “era muito” e despede-se fazendo um jeitão ao Estado que deixou de gastar um pipa de massa em or-

denados e ajudas de custo num Conselheiro que desempenhava funções que deixava muita gente com um enorme ponto de interrogação sobre a sua utilidade. Poupa assim a Embaixada três ordenados de três Conselheiros que não existem. Poupa nisto mas gasta, e muito, noutras coisas, como por exemplo no aluguer da Embaixada (provisória) e da residência do embaixador (não sabemos se também é provisória) que aqui não há muito tempo perfazia uma renda mensal que ultrapassava os € 40.000, isto apesar do Estado português ter um terreno a custo zero onde já deveria ter sido construída a Embaixada, construção essa, digase, sempre adiada. Os milhões de euros que o Estado já gastou em rendas nestes quase vinte anos dava para construir um edifício para al-

bergar a Embaixada e talvez a residência do Embaixador. Mas lá se vai gastando em rendas e poupando involuntariamente nos Conselheiros. A continuar assim, com uma embaixada a funcionar a meio gás, dar-se-á munições àqueles que defendem a extinção das Embaixadas ( e dos cargos de cônsules, acrescentamos nós) nos países da União Europeia. Talvez seja um exercício exagerado daqueles que defendem a extinção das embaixadas nos países da UE. Mas, bem vistas as coisas, e se estamos num momento de grande contenção de despesas, não será muito tola a ideia de extinguir os cargos de cônsules-gerais na UE e fazer dos postos escritórios consulares ao estilo de Loja do Cidadão para servir os utentes.

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REDACÇÃO E COLABORADORES CRISTINA KRIPPAHL: BONA FRANCISCO ASSUNÇÃO: BERLIM FERNANDO A. RIBEIRO: ESTUGARDA JOAQUIM PEITO: HANNOVER LUÍSA COSTA HÖLZL: MUNIQUE


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Entrevista

PORTUGAL POST Nº 205 • Agosto 2011

Manuel da Silva, Vice-Cônsul de Portugal em Osnabrück

“Os consulados são sinónimo de um serviço público português, onde trabalham pessoas cuja função é, entre outras, servir a Comunidade Portuguesa com a devida e merecida qualidade”

Manuel Silva Levou a cabo recentemente a iniciativa de se colocar num Domingo de manhã à disposição dos utentes através do chat no Facebook. Pode-nos descrever essa experiência e dizernos se a iniciativa é para repetir? Este ato de passar um domingo de manhã no Chat a dialogar com os portugueses que quiseram participar nesta iniciativa, foi uma experiência que superou as minhas expectativas. Principalmente os jovens portugueses demonstraram-se muito motivados não só com questões relativas ao serviço consular, mas também no que concerne a matéria diretamente ligada a Portugal. Foi uma experiência extremamente interessante por se terem sentido com o à-vontade necessário, bem como pelo facto de, na sua maioria, terem dialogado em português. Os resultados obtidos encorajam-me a repetir esta ação uma vez que é importante manter um contacto direto com a Comunidade Portuguesa para nos apercebermos dos seus verdadeiros problemas, dos seus desejos, da imagem que têm de Portugal, a qual por vezes se limita à área onde gozam as suas férias. De igual modo pareceme importante transmitir, e o Facebook ou a experiência tida com Chat assim o comprovam, que os Consulados são serviços públicos, próximos dos cidadãos, mesmo quando alguns residem a mais de três centenas de quilómetros. Os postos consulares não se resumem meramente às suas instalações, às paredes, à decoração, mas são sinónimo de um serviço público português, onde trabalham pessoas cuja função é, entre outras, servir a Comunidade Portuguesa com a devida e merecida qualidade. Foi com o intuito de mantermos os portugueses infor-

mados a partir das suas residências que recorremos às novas tecnologias. Em Abril de 2010 criámos o portal www.viceconsuladoportugal.de, e, em meados de Abril de 2011, criámos o espaço “Vice-Consulado de Portugal Osnabrück” no Facebook, o qual já conta com aproximadamente dois mil “amigos” portugueses, sendo a sua grande maioria jovens residentes nesta área consular. Quais são as principais preocupações com que a comunidade da área se debate? Creio que as preocupações desta Comunidade não diferem de qualquer outra Comunidade na Alemanha ou até em outros países da União Europeia. A situação de pobreza, isolamento e solidão em que vivem muitos idosos portugueses parece-me ser uma das preocupações da qual poucos falam, mas que muitos sentem. Trata-se de um assunto difícil de quantificar, mas que carece de toda a atenção; por isso, tenho sensibilizado os membros do Conselho Consultivo no sentido de me informarem de qualquer situação que seja do seu conhecimento. Outra preocupação, semelhante à que todos nós vivemos, é o momento económico-financeiro difícil que o mundo atravessa. A Comunidade Portuguesa, mesmo a que está empregada, vive com algum receio do futuro, para além de estar preocupada com a atual situação de Portugal. O posto consular em Osnabrück contou, até meados de 2003, com nove ou dez funcionários. Desde essa data que tem vindo a funcionar com poucos funcionários. Considerando que serve exactamente a mesma área

consular, uma das maiores na Alemanha, o Vice-Consulado em Osnabrück parece não contar com um número de funcionários suficiente. Afinal, quantos funcionários tem o Vice-Consulado e que número de portugueses serve? É verdade que o posto consular em Osnabrück já contou com um quadro de pessoal mais numeroso, mas sublinhe-se que os grandes investimentos em meios tecnológicos, a desburocratização, e o investimento feito em formação contínua dos próprios funcionários em muito contribuíram para se conseguir servir mais e melhor, gastando menos. Penso que o mais importante para a Comunidade Portuguesa é poder contar com um serviço público de qualidade e de proximidade. É essa a minha preocupação, é esse o meu objetivo. Ora, o uso dos meios tecnológicos disponíveis, quer os que existem no posto, quer o Portal e o Facebook que criámos, contribuem para se conseguir manter um funcionamento de qualidade, apesar de este posto neste momento contar com apenas três funcionárias e eu próprio para servir aproximadamente 20 mil portuguesas e portugueses. Os postos consulares encontramse hoje apetrechados com variadíssimos meios tecnológicos. Enquanto, por exemplo, todo o processo que envolvia o pedido de Bilhetes de Identidade demorava largos meses, hoje os postos entregam os Cartões de Cidadão num prazo de uma a três semanas. O mesmo acontece com a emissão do Passaporte Eletrónico Português que demora entre 24 horas a 5 dias. Se olharmos para todos os atos de Registo Civil verificamos que os postos consulares têm atualmente condi-

ções para emitir certidões de todo o tipo (nascimento, casamento, óbito), independentemente de o requerente ter nascido em Portugal ou em qualquer outra parte do mundo. Hoje em dia qualquer assunto do Registo Civil é praticado de imediato, podendo o utente aproveitar uma deslocação ao posto para ver resolvidos variadíssimos assuntos, uma vez que os meios tecnológicos assim o permitem. Em suma poder-se-á dizer que desta modernização dos Serviços Consulares e da formação dos seus funcionários resultou uma melhor qualidade e uma maior rapidez dos serviços prestados à Comunidade Portuguesa, serviços estes, que também se tornaram menos dispendiosos. Atualmente vivemos uma situação difícil em Portugal, cuja resolução exige muito rigor e a contribuição de todos. Este Vice-Consulado não é exceção. Assim penso que, mesmo não dispondo do número desejável de funcionários, este Posto Consular está em condições de continuar a assegurar um serviço de qualidade e proximidade que a Comunidade Portuguesa bem merece. Por último, como se ressente o movimento associativo da área num momento de crise que se regista um pouco por todo o lado? O desaparecimento de muitas coletividades deve-se à transição da responsabilidade da primeira geração para as segunda e terceiras gerações. Se nas décadas de sessenta e setenta a maioria dos portugueses emigrados eram trabalhadores fabris, hoje os portugueses exercem as mais variadas profissões, com um horário de trabalho que não lhes permite prestar um serviço de voluntariado nessas coletividades. A evolução tecnológica foi outro motivo que contribuiu para uma diminuição acentuada do número de coletividades portuguesas, levando os programas de televisão portuguesa até à residência de grande parte da Comunidade Portuguesa. Mas as palavras “saudade” e “portugalidade” não desapareceram do vocabulário dos jovens portugueses. Hoje em dia existem eventos dinamizados pela Comunidade Portuguesa que até há poucos anos eram impensáveis. Há mais espetáculos, mais fadistas de renome internacional que atuam em grandes casas de música. Assistimos, também, a vários eventos, como por exemplo “Portugal Sensation” ou o “Destination PT” que anteriormente nunca se sonhara poderem acontecer. Estes eventos demonstram que os jovens portugueses possuem a vontade de se encontrar e de viverem a sua portugalidade. Optaram apenas por fazê-lo de uma forma diferente da dos seus ascendentes. Mário dos Santos

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Nacional & Comunidades

PORTUGAL POST Nº 205 • Agosto 2011

Censos 2011:

Portugal tem 4 milhões de famílias a viver em 6 milhões de alojamentos A responsável do Instituto Nacional de Estatística (INE), Alda Carvalho, apresentou os primeiros resultados preliminares do Censos 2011, e fez questão de salientar „a excelente adesão dos cidadãos“, principalmente nas respostas através da internet. As respostas ao Censos através da internet ultrapassaram metade do total, a taxa „mais elevada até agora conhecida“ a nível internacional, frisou a presidente do INE. „Constituímos 4.080 mil famílias com cerca de 2,6 membros, vivíamos em 5.880 mil alojamentos, mais 16,3 por cento relativamente a 2001, e esses alojamentos inseriam-se em 3.550 mil edifícios, o que representa um acréscimo de 12,4 por cento face a 2001“, resu-

miu Alda Carvalho. „Somos um pouquinho mais em número, mais 1,9 por cento, e temos ao nosso dispor um número significativamente superior de alojamentos e edifícios“, referiu. A população residente cresceu

1,9 por cento para 10,55 milhões de pessoas.Em 2011, as famílias registaram uma subida de 11,6 por cento, para 4.079.577, e os maiores acréscimos, tal como da população, ocorreram nas regiões do Algarve e da Madeira, com mais

24,8 por cento e 26,4 por cento, respectivamente. Nos alojamentos, a subida foi de 16,3 por cento, para 5.879.845, com um acréscimo mais acentuado também no Algarve e Madeira, com 36,9 por cento e 36 por cento, respectivamente. De acordo com as estimativas actuais, a preparação e execução dos censos envolveram um custo de 46 milhões de euros, numa operação que decorreu desde 2006 a 2011. Aquele valor representa um decréscimo de 20 por cento face ao investimento realizado em 2001, uma poupança a que não é alheia a evolução tecnológica registada na última década, como referiu Alda Carvalho.

Trabalhadores da RTP querem reposição imediata de emissões em onda curta A comissão de trabalhadores da RTP pediu à administração da empresa para repor de imediato as emissões em onda curta, argumentando que a decisão impede o acesso à informação e à língua portuguesa de milhares de portugueses. O pedido foi anunciado na sequência de uma reunião com o conselho de administração, na qual o presidente da estação confirmou aos trabalhadores ter recebido autorização para suspender a onda curta pelo anterior ministro dos Assuntos Parlamentares,

Jorge Lacão. Considerando tratar-se de uma “atitude inconstitucional, ilegítima, extemporânea e irresponsável”, a comissão de trabalhadores defende, em comunicado hoje divulgado, que a onda curta é uma “opção estratégica da difusão da língua portuguesa”. A RTP anunciou em Maio ter decidido suspender provisoriamente, a partir de 1 de Junho, as emissões da RDP Internacional em onda curta, alegando o reduzido do número de ouvintes e a necessidade de diminuir custos.

Justificações que não convencem a comissão de trabalhadores que lembra que a RTP investiu “quase 6 milhões de euros na onda curta entre 2003 e 2006” e defende ser possível reduzir a despesa “sem pôr em causa o cumprimento do serviço público de rádio e televisão”. “Nalguns casos, como ocorre com quem trabalha no mar, quem está em regiões mais inacessíveis ou anda na estrada, essa decisão terá um impacto evidente e criará maior isolamento”, alerta a comissão, referindo que “a adminis-

Portugal é o 9.º país do mundo onde cidadãos manifestam maior predisposição para a emigração

Emigração:

Portugal é o nono país no mundo onde o seus cidadãos manifestam maior predisposição para a emigração, segundo um estudo recentemente divulgado. De acordo com o estudo realizado pela empresa de estudo de mercados internacional (GfK) que abrangeu 29 países, com 27 por cento da população portuguesa activa está disposta a mudar para outro país para encontrar um emprego melhor. Os resultados do estudo revelam que o risco de fuga de cérebros é uma ameaça em todo o mundo, mas que atinge mais alguns países. A América Central e a América do Sul são os mercados mais atingidos por esta predisposição para a emigração uma vez que perto de seis em 10 trabalhadores mexicanos (57 por cento), metade da força de trabalho da Colômbia (52 por cento) e dois quintos dos trabalhadores do Brasil e do Peru (41 e 38 por cento, respectivamente) estão dispostos a procurar melho-

A CGTP alertou os trabalhadoresportugueses que pretendam emigrar para a necessidade de saber as condições em que vão trabalhar para evitarem passar por situações idênticas às dos portugueses detidos em Angola. “A CGTP alerta os trabalhadores que são efetivamente emigrantes para que acautelem os seus interesses e questionem as empresas que os contratam, para saberem o estatuto com que vão e se a empresa tem os documentos de acolhimento necessários”, disse Carlos Trindade, do executivo da central sindical aos jornalistas. O sindicalista comentou em conferência de imprensa o caso

res carreiras além-fronteiras. Mas, acrescenta o estudo, a tendência está longe de se limitar aos mercados em desenvolvimento: a Turquia surge em 3.º lugar, com 46 por cento, a Hungria, em 7.º lugar, (33 por cento) seguida pela Rússia (29 por cento) e – empatados no 9.º lugar – Portugal e o Reino Unido, com 27 por cento cada. Até mesmo nos EUA e no Canadá – países tradicionalmente caracterizados pelo seu relativo desinteresse em viver no estrangeiro – um quinto dos seus trabalhadores afirma que está disposto a mudar de país para conseguir emprego melhor, com, respetivamente, 21 e 20 por cento. O GfK International Employee Engagement Survey inclui as opiniões de 30,556 adultos empregados em 29 países. Em Portugal, este estudo foi realizado durante os dias 11 e 22 de fevereiro, a uma amostra de 547 indivíduos.

tração da RTP sabe que pode reduzir na despesa sem pôr em causa o cumprimento do serviço público”. Para a entidade representativa dos trabalhadores da estação, a redução de despesas pode passar “por exemplo, por retirar as 66 viaturas (com combustível e manutenção) atribuídas aos cargos superiores da empresa que custam mais de 600 mil euros por ano” ou na “aplicação de tetos salariais nas novas contratações” e “renegociação imediata de salários avultados”.

Trabalhadores devem saber condições em que saem dos 42 trabalhadores portugueses detidos por trabalharem ilegalmente em Angola. Os portugueses, que trabalhavam para a empresa portuguesa PREBUILD, têm de deixar o país no prazo de oito dias por falta de visto. Carlos Trindade, responsável na direção da Intersindical pelos assuntos de emigração, defendeu que o Estado português deve sancionar “este tipo de empresas” e estabelecer protocolos com o governo angolano para evitar situações idênticas. O sindicalista referiu que a emigração em Portugal aumentou com o agravamento da crise económica, em particular para Angola e países da União Europeia, e que muitos trabalhadores aceitam trabalho através de empresas de construção civil, trabalho temporário ou de prestação de serviços, que lhes ficam com os passaportes e os colocam nos países como turistas e não como emigrantes.

FLASH Economia portuguesa contrai-se 2,3% este ano e 1,7% em 2012 Portagens da Ponte 25 de Abril pagas em Agosto O Governo decidiu reintroduzir o pagamento de portagens na Ponte 25 de Abril durante o mês de agosto.

Paulo Pisco O deputado do PS eleito pelo Círculo da Europa, Paulo Pisco, será na XII Legislatura membro efectivo na Comissão dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas e membro suplente na Comissão dos Assuntos Europeus. A Comissão dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas será presidida pelo ex-ministro da Justiça, Alberto Martins. São ainda membros efectivos da Comissão dos Negócios Estrangeiros os seguintes deputados: Augusto Santos Silva, Basílio Horta, Laurentino Dias, Maria de Belém Roseira e Pedro Silva Pereira. Os membros suplentes são: Ana Paula Vitorino, Carlos Enes, Eduardo Ferro Rodrigues, Manuel Seabra, Pedro Farmhouse, Rosa Maria Albernaz e Vitalino Canas.

Proposta do PSD O Grupo Parlamentar do PSD apresentou , na Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, uma proposta para a criação de uma subcomissão das Comunidades Portuguesas, reconhecendo, dessa forma e, mais uma vez, a importância da Diáspora Portuguesa para o nosso País.

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Nacional & Comunidades

PORTUGAL POST Nº 205 • Agosto 2011

O deputado Paulo Pisco (PS) disse que o Governo deve esclarecer como a reestruturação do grupo RTP, incluindo a privatização de um canal, vai influenciar na qualidade do serviço público de televisão, nomeadamente nos canais internacionais. O deputado entregou um requerimento na Assembleia da República dirigido ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, questionando-o sobre a nova política para o serviço público de televisão. “O principal objectivo (do requerimento) é esclarecer uma série de questões que estão relacionadas com o anúncio previsto da privatização de um canal público”, disse o deputado socialista. Segundo o deputado, o esclarecimento deve ocorrer porque é necessária uma “transparência muito grande entre o Estado e os grupos económicos que têm interesse na área da comunicação social.” Paulo Pisco referiu que os membros do actual Governo tiveram reuniões com grupos dos meios de comunicação, nomeadamente a Ongoing e a Cofina, antes e depois das eleições de Junho. “(O esclarecimento é necessá-

rio) também porque a privatização de um canal e a anunciada contenção de despesas no grupo RTP, que vem no programa de Governo, significa que haverá uma grande transformação no financiamento disponível e que afectará a estrutura do grupo e terá um impacto também naquilo que é o serviço público”, disse. Segundo o deputado, o programa do Governo diz que o Grupo RTP deverá ser reestruturado também de maneira a obterse uma forte contenção de custos operacionais já em 2012, criando assim condições, tanto para a re-

dução significativa do esforço financeiro dos contribuintes, quanto para o processo de privatização. “Na medida que haverá um impacto no serviço público de televisão, é necessário saber de que forma isso vai afectar também os canais internacionais. Tenho sempre manifestado uma grande preocupação relativamente à qualidade dos canais internacionais, particularmente a RTP-Internacional (RTP-I) e também a RTPÁfrica”, referiu. Assim, o deputado questiona o primeiro-ministro sobre que tipo

de contactos houve ou eventuais compromissos foram assumidos com os referidos grupos económicos interessados na privatização da RTP. Paulo Pisco também quer saber que impacto terá a “forte contenção de custos e a privatização de um canal público” nos canais internacionais (RTP-I e RTP-África), particularmente na linha editorial e nos conteúdos. O socialista deseja saber ainda que definição de serviço público estará subjacente às emissões dos canais internacionais RTP-I e RTP-África.

Instituto Camões:

O português pode dar emprego “noutros lugares do mundo” A língua portuguesa “está a explodir em muitas regiões do mundo”, abrindo “perspectivas de emprego”, se não em Portugal, “noutros lugares do mundo”, afirma a presidente do Instituto Camões (IC).

Ana Paula Laborinho fez estas declarações à imprensa, à margem do colóquio internacional “Percursos, trilhos e margens: recepção e crítica das Literaturas Africanas em Língua Portuguesa” realizado no pólo de Lisboa do Centro de Estudos Sociais (CES), onde deixou um “apelo aos mais jovens” para aderirem às “formações em língua portuguesa”. É preciso “agarrar” a oportunidade de a língua portuguesa estar

“a explodir em muitas regiões do mundo”, defende. Após “um enorme decréscimo dos estudos nestes domínios”, há agora “perspectivas de emprego” nesta área, embora em Portugal não haja “tantos lugares”, frisa. Assegurando que esta será uma aposta do IC, Ana Paula Laborinho reconhece, porém, que o dinheiro para o fazer “nunca é muito”. Já no campo das políticas, acredita que não haja grandes alterações com o novo Executivo PSD-CDS/PP, que manteve no Programa do Governo, assinala, a promoção da língua portuguesa, nomeadamente como activo económico. A responsável pelo IC considera que as literaturas estão actualmente num “ponto crítico”. “O espaço que era ocupado pelas lite-

raturas há uns anos tem vindo a perder-se e isso é uma constatação em muitos países europeus”, nomeadamente “ao nível curricular”, concretiza. A predominância das áreas técnicas “tem levado a uma fragilização das Humanidades” a nível “global”, refere. “São actualmente áreas menos escolhidas”, mas Ana Paula Laborinho, ela própria professora de Literatura, acredita que esta “crise das Humanidades” tem os dias contados. “Acredito profundamente que momentos de crise como aqueles que vivemos fazem retomar o lugar das Humanidades, porque cada vez há mais apelos a que se pense, a que haja uma reflexão, a que se possa pensar o futuro a partir do passado”, explica. “Uma sociedade globalmente em crise

precisa de se pensar e as Humanidades são esse espaço de pensamento”, sustenta. Nos Estados Unidos, exemplifica, “já se começa a perceber que mesmo para as organizações técnicas as formações em Humanidades são mais-valias, pela sua visão transversal”, porque as organizações não sobreviverão “sem massa crítica” e “só com uma perspectiva estritamente técnica”. O colóquio internacional sobre as literaturas africanas de língua portuguesa começou na quintafeira e termina hoje, tendo proposto uma reflexão a académicos, editores (Caminho, Afrontamento e D. Quixote) e representantes de instituições culturais envolvidos na produção e divulgação das literaturas africanas de língua portuguesa.

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Deputado do PS pede esclarecimentos ao Governo sobre a reestruturação do grupo RTP

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Informação Consular

Cartão de Cidadão O cartão de cidadão constitui título bastante para provar a identidade do titular perante quaisquer autoridades e entidades públicas ou privadas, sendo válido em todo o território nacional. O cartão de cidadão contém os dados de cada cidadão relevantes para a sua identificação e incluio número de identificação civil, o número de identificação fiscal, o número de utente dos serviços de saúde e o número de identificação da segurança social. A obtenção do cartão de cidadão é obrigatória para todos os cidadão nacionais, residentes em Portugal ou no estrangeiro, a partir dos 6 anos de idade ou logo que a sua apresentação seja exigida para o relacionamento com algum serviço público. A obtenção do cartão de cidadão é facultativa para os cidadãos brasileiros a quem, nos termos do Decreto-Lei n.º 154/2003, de 15 de Julho, tenha sido concedido o estatuto de igualdade de direitos e deveres previsto no previsto no Tratado de Amizade, Cooperação e Consulta entre a República Portuguesa e a República Federativa do Brasil, assinado em Porto Seguro em 22 de Abril de 2000, aprovado pelo Resolução da Assembleia da República n.º 83/2000 e ratificado pelo Decreto do Presidente da República n.º 79/2000, de 14 de Dezembro.

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Opinião Carlos Gonçalves*

O Parlamento e o papel das Comunidades Portuguesas

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assados cerca de dois meses do final da campanha eleitoral para as eleições legislativas, o principal balanço que faço da mesma, resultante do contacto que tive com os nossos compatriotas durante as visitas que efectuei a diversos países europeus, nomeadamente Alemanha, Suíça, Reino Unido e França, foi a de que todos esses portugueses estavam genuinamente preocupados com a situação difícil que Portugal atravessa. Se é certo que não esqueciam as questões mais tradicionais que, infelizmente, se repetem sistematicamente, como é o caso do ensino do português, com os sucessivos atrasos no inicio dos anos lectivos ou a ausência de professores ou o caso dos problemas relacionados com o movimento associativo, todos eles me transmitiam a sua apreensão pela situação económica vivida em Portugal e demonstravam

uma enorme vontade de contribuir para participar numa solução para a saída da crise. Neste sentido congratulo-me, apesar de reconhecer que o Programa do Governo já o reconhecia, pela consciência que parece agora estar a consolidar-se da importância que as Comunidades possuem para ajudar Portugal a encontrar novamente um rumo de sucesso que permita ultrapassar a grave situação a que foi conduzido pelos Governos socialistas. Como Deputado sempre defendi que a Assembleia da República deveria ter em maior consideração esta realidade e este potencial, tantas vezes pouco aproveitado por Portugal, que existe nas Comunidades Portuguesas. Essa minha luta embateu, quase sempre, na indiferença e no desinteresse de outros parlamentares que verdadeiramente não conseguiam entender a evolução verificada na nossa Diáspora.

Neste sentido, eu e os meus colegas de bancada tivemos oportunidade de reafirmar essa mesma importância durante as reuniões que temos tido no âmbito da Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas tendo em vista a elaboração do Plano de Actividades para a próxima Legislatura, de forma a dar a esta área da Governação o destaque que realmente merece. Assim e dando seguimento a

Como Deputado sempre defendi que a Assembleia da República deveria ter em maior consideração esta realidade e este potencial, tantas vezes pouco aproveitado por Portugal, que existe nas Comunidades Portuguesas.

toda uma postura de apoio às Comunidades, o GP PSD apresentou, esta semana, a proposta da constituição de uma subcomissão das Comunidades Portuguesas procurando dar expressão a todo o seu trabalho em prol das nossas Comunidades espalhadas pelo Mundo, reconhecendo nelas uma extensão do nosso país e um actor fundamental, nestes tempos de maior dificuldade, em termos políticos, económicos, sociais e culturais. Não escondo que foi com alguma surpresa que, após a apresentação da nossa proposta na reunião da Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas se ouviu um conjunto de intervenções bastante positivas sobre o valor e o papel dos portugueses que residem no estrangeiro mas que no momento de realmente apoiar a nossa iniciativa nada de concreto adiantaram preferindo guardar as suas posições para momentos posteriores.

O PSD vai assim ao encontro de tudo aquilo que tem defendido nesta matéria e daquilo com que se comprometeu na campanha eleitoral, demonstrando com esta proposta uma forma, realmente diferente, de ver e entender as Comunidades, conseguindo passar dos simples discursos de circunstância para verdadeiras acções com impacto. Esta foi sempre a minha postura e a atitude agora tomada é a melhor resposta para aqueles que chegaram a argumentar, durante o período de formação do actual Governo, que o PSD teria a intenção de acabar com a Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas. Na verdade, nunca tivemos essa intenção e provamos agora que até queremos ir bem mais longe para defender os interesses de todos os portugueses residentes no estrangeiro. * Deputado do PSD eleito pelo círculo da Europa

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PORTUGAL POST Nº 205 • Agosto 2011

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Maria Teresa Duarte Soares* Ensino

O mito da integração e outros Com a mudança de governo e as inevitáveis mudanças dos responsáveis por vários cargos, surgem as também inevitáveis alusões ao sistema de Ensino Português no Estrangeiro e às possíveis soluções para melhoria do mesmo. Deixando de parte o fato, inegável, de que o EPE desde há muitos anos deixou de ter melhorias e agora se encontra em patente degradação, resultante da nova rede de ensino, orientada unicamente pelos princípios economicistas do Instituto Camões, é legítimo fazer a pergunta sobre o que se entende por “integração”, termo que tinha deixado de ser utilizado e que agora renasce como um tipo de remédio santo para sanar os males e muitos são eles - que afligem o EPE. Integração de quê e para quê? E para quem? Com que objetivos? Até hoje, nunca houve respostas concretas a estas perguntas. Integração é realmente uma palavra bonita, de caráter positivo e de cariz político correto, por isso é atirada para o ar e apregoada como solução para situações que aqueles que a indiscriminadamente a utilizam nunca se deram ao trabalho de conhecer. Se por “integração”se referem à criação de cursos de Língua Portuguesa, como língua estrangeira, nas escolas dos países de acolhimento, é útil esclarecer que, e felizmente, grande parte dos alunos dos atuais cursos de Língua e Cultura Portuguesas domina, de novo felizmente, a sua língua de origem de modo muito razoável, não necessitando por isso de a aprender como língua estrangeira, o que seria aliás extremamente desmotivante, pois como falantes regulares da língua teriam de “voltar atrás”e começar pelas noções básicas, visto que, criando-se cursos de Português como língua estrangeira, teriam estes de começar pelo nível de iniciação. É também necessário levar em conta que a tão apregoada “integração” não se encontra livre de propósitos economicistas, pois a existência do Português como disciplina no currículo escolar de um ou vários países seria um ótimo pretexto para encerrar cursos já existentes a cargo do governo português, passando a responsabilidade económica para as entidades estrangeiras, o que, convenhamos, iria ao encontro dos desejos de vários elementos políticos, dado que seria uma maneira de conseguir fugir àquele incómodo ditame da constituição portuguesa, que determina o direito a cursos de lín-

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gua e cultura para luso-descendentes, pertencendo o encargo ao governo português. Será importante lembrar, relativo a “integração” o que já sucedeu em França, nos fim dos anos oitenta, com a abertura, por duas escolas secundárias em Paris, de cursos de Português como língua estrangeira. Tal procedimento foi imediatamente usado pelos responsáveis em Portugal como pretexto para encerrar grande número de cursos de 2° e 3° ciclo, alegando que os alunos de nacionalidade portuguesa já poderiam aprender a sua língua com o estatuto de língua estrangeira no sistema francês, o que obrigou vários pais a recorrer ao ensino associativo, pois desejavam que os seus filhos fizessem progressos e não retrocessos na aprendizagem. Os referidos cursos, de tão vistosa”integração”, há muito que deixaram de existir, por falta de interesse dos alunos franceses em aprender português. Há também quem apregoe a “integração” como alternativa preferível aos cursos que funcionam na parte da tarde, depois do horário escolar normal, e em que alunos oriundos de várias localidades e várias escolas se juntam numa escola central para assistir ás aulas de português.

Também aí, infelizmente, é obrigatório esclarecer que o “remédio integração” não resulta, dado que a comunidade portuguesa se encontra muito dispersa, havendo muitas vezes em cada escola apenas um ou dois alunos portugueses, o que impossibilita lecionar os mesmos nas escolas que frequentam e muito menos integrar as aulas de português no horário normal. Embora o ensino paralelo não seja uma solução ideal é, devido às condicionantes existentes, o único modo de muitos jovens e crianças filhos de portugueses poderem adquirir e melhorar os conhecimentos da sua língua e cultura de origem. Haveria, realmente, uma possibilidade de integração - desta vez sem aspas - das aulas de português no horário escolar normal dos alunos. Bastaria que, numa escola em que houvesse um mínimo de 7 ou 8 alunos portugueses, se pudesse formar um grupo letivo com direito a algumas horas de aula por semana. Tal procedimento, que traria grandes vantagens para os alunos e também para os pais, pois evitaria tempo perdido em deslocações a outra escola, tem possibilidades praticamente nulas de se tornar realidade, pois o número mínimo de alunos para formar um grupo

letivo tem subido constantemente ao longo dos anos, de 10 para 15 e, atualmente, segundo as diretrizes do IC, bastam 3 horas para lecionar 18 ou 20 alunos de todos os níveis. Tal significa que uma integração no horário, que traria benefícios inestimáveis aos alunos, falhou, falha e continuará a falhar por um único motivo, o aumento de custos que implica. Realmente, é muito mais fácil integrar o Português no currículo e deixar que sejam outros a arcar com as despesas, e mais fácil ainda, como preconizado por um político responsável pelas comunidades, aproximar mais o sistema de ensino na Europa ao de fora da Europa. Claro. No sistema fora da Europa, isto é, Canadá, Estados Unidos, Austrália, etc, o ensino é pago pelos encarregados de educação, sem sequer um subsídio do governo português e sem qualquer tipo de certificação reconhecida. Sistema muito desejável, devido aos custos baixos ou nulos. Há quem diga que Portugal é um país pobre. Talvez seja. Mas o que é, sem dúvida, é um pobre país, com políticos que não prezam ,não respeitam e não dão valor à sua própria língua e cultura além-fronteiras. *Professora de LCP


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Comunidade

PORTUGAL POST Nº 205 • Agosto 2011

Alemães vão ajudar Vila Real no combate aos fogos florestais

Voluntários da Organização Não Governamental (ONG) europeia @fire, sedeada em Osnabrück, Alemanha, vão ajudar o município de Vila Real no combate aos incêndios florestais, mediante um protocolo de colaboração que vai ser assinado na segundafeira. O número elevado de incêndios que todos os anos deflagra na região Norte, com particular incidência no território de Vila Real, e a redução de 11 por cento sofrida no dispositivo de combate a fogos vem, segundo nota divulgada hoje pela autarquia, “expor carências de meios humanos e a necessidade de respostas alternativas para uma melhor intervenção em casos similares”. Por isso mesmo, a câmara assinou um protocolo de cooperação institucional com a organização alemã @fire - Resposta Internacional a Desastres Naturais. Já em 2005 e 2006, os voluntários alemães ajudaram no combate às cha-

mas no concelho e distrito de Vila Real. Desde o final da década de 1970, que a autarquia transmontana desenvolve uma relação de amizade com o município alemão de Osnabrück. Em 2005, os dois municípios assinaram um acordo de geminação e nesse mesmo ano, em que o distrito transmontano foi fustigado pelas chamas, a ONG europeia @fire ofereceuse para ajudar. Nesse verão, uma equipa de nove elementos fez parte do dispositivo de combate a incêndios em Vila Real. Em Agosto de 2006, 33 elementos de quatro corporações de bombeiros de Osnabrück e 10 elementos da ONG @fire regressaram a Vila Real, em auxílio das corporações de bombeiros de Vila Real, ajudando mais uma vez no combate aos incêndios que deflagravam no distrito. Nesse mesmo ano, as corporações alemãs e portuguesas treinaram em conjunto na cidade transmontana, tro-

cando tácticas e técnicas e partilhando experiências. A ONG alemã funciona com um corpo de voluntários e mantém-se no activo através de doações de instituições ou particulares, tendo ajudado em catástrofes naturais que ocorreram na Tailândia, Paquistão e Haiti. Segundo dados do Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente (SPENA), da GNR de Vila Real, desde o início do ano e até hoje, foram dados 681 alarmes de incêndio no distrito, dos quais 512 correspondem a incêndios florestais que resultaram numa área ardida de 1.415,53 hectares. As autoridades contabilizaram ainda 15 incêndios agrícolas, 35 reacendimentos, 75 falsos alarmes, 42 queimas e queimadas e duas outras ocorrências. No mesmo período, dos 63 alertas lançados para o concelho de Vila Real, 53 dizem respeito a incêndios florestais que queimaram 212,6 hectares.

Munique Mário Gil anima festa no restaurante “ O Castelo” O restaurante “O Castelo”, em Munique, celebrou o seu terceiro aniversário com a participação do cantor Mário Gil, intérprete da famosa canção “Pelos Caminhos de Portugal” A festa de aniversário prolongou-se pela noite adentro, não faltando a alegria acompanhada por muitos e variados sabores gastronómicos de Portugal. Recorde-se que o “O Castelo” é um dos raros restaurantes portugueses existentes na cidade de Munique, primando pela qualidade e pela apresentação de pratos tradicionais portugueses. O local é visitado todos os dias por portugueses que ali trabalham ou que passam por Munique. Por isso, já sabe, se viver em Munique ou estiver de passagem não se esqueça de fazer uma vista ao restaurante “O Castelo” e delicie-secom os sabores tradicionais e regionais da cozinha portuguesa.

Não é necessário ser-se português para se fazer muito pela cultura e a língua portuguesas

É uma quase normalidade na nossa sociedade que muitas das pessoas que investem uma boa parte da sua vida e da sua energia em prol de uma causa de interesse público, em trabalho persistente e empenhado anos e anos a fio, passem despercebidas e nunca venham a receber um agradecimento, nem daqueles que directamente beneficiaram , nem daqueles que aliviaram a sua responsabilidade através desse trabalho. Felizmente há excepções. De facto, para além dos alunos, pais e professoras portuguesas da Escola Secundária Max-Planck (Max-PlanckGymnasium), o estado português vai prestar homenagem pública ao trabalho desenvolvido pela directora desta escola , senhora Ilka Engler (na foto), que desde há

anos tem vindo a empenhar-se no desenvolvimento do projecto “Português no Max-PlanckGymnasium”, assegurando através da sua intervenção a nível de escola e junto das autoridades alemãs e portuguesas a continuação de um projecto que é, hoje ainda, pioneiro na integração de alunos de origem lusófona e no ensino do Português como língua estrangeira. Como reconhecimento do trabalho iniciado em 1995 e chegado agora a seu termo, Ilka Engler foi agraciada com o grau de Oficial da Ordem de Mérito atribuída pela Presidência da República Portuguesa, tendo sido homenageada publicamente na festa de despedida que se realizou no salão de festas da escola no próximo dia 15 de Julho.

Embaixada sem Conselheiro Cultural A Embaixada de Portugal perde o Conselheiro para a Cultura. Francisco Miguel Fialho de Brito iniciou as suas funções em Maio de 2010, tendo vindo substituir Luís Tibério que, para além do cargo da cultura acumulava também o da imprensa, e que também já cessou funções. Francisco Miguel Fialho de Brito terá apresentado a sua demissão em Maio último por razões pessoais, dizem-nos da Embaixada. Há, no entanto, quem diga que o ex-Conselheiro Cultural despediu-se “porque pensava que a sua remuneração era baixa para o tra-

balho que tinha”, disse-nos uma fonte bem colocada. Tentando indagar os membros do Conselho das Comunidades Portuguesas, o PP chegou à fala com o conselheiro Fernando Genro que nos disse nada saber sobre a demissão do responsável pela cultura na embaixada, dizendo que “a inexistência de um Conselheiro Cultural na embaixada é uma perda, muito embora não se sabia ao certo o que é que ele fazia”, acrescentou Fernando Genro. O ex- Conselheiro pertencia ao mapa de pessoal do Instituto de Turismo de Portugal.

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Comunidade em Hamburgo ganha um novo grupo de teatro Quando se fala na vida comunitária e associativa portuguesa em Hamburgo, confesso que os comentários terminam angustiadamente em ...“está pela hora da morte“. Os portugueses de agora chegam à Alemanha por motivos bem diferentes dos de outrora, já não trazem na bagagem o saudosismo , dificuldades de adaptação, incapacidade linguística e até mesmo o característico espírito patriota do português. A nova geração de portugueses embora mantenha as mesmas ambições e empenho na luta pelo „ganhapão“, são pessoas com maiores capacidades de integração até com maior abertura no que concerne à união e convivência com pessoas de outras raças. A vida associativa teve sempre o papel de manter essa forte ligação entre os que cá estão e suas origens. Hoje, conflitos e obstáculos de vária ordem, principalmente financeiros, têm abalado os alicerces dessas estruturas. Oiço, muitas vezes, antigos dirigentes associativos falarem orgulhosamente de suas proezas no passado. Mas a conversa termina sempre com uma carga de desânimo, com exemplos que caracterizam o conflituoso relacionamento entre portugueses que por cá andam hoje. As festividades do dia 10 de Junho, Dia de Portugal e das Comunidades, passou a ser comemorado em Hamburgo com um objectivo adicional.

Se antes os portugueses percorriam as ruas principais de Hamburgo (desde da Missão Católica Portuguesa ao Museu Etnográfico) com grupos folclóricos e símbolos vários da Pátria Portuguesa, hoje pouco podem eles orgulhosamente mostrar aos alemãs e a outras comunidades. Fugindo sempre aos entraves financeiros dos últimos tempos, a organização tem-se mostrado empenhada em salvaguardar o património cultural e linguístico português, bem como construir a ponte de ligação entre gerações. „ O objectivo não é tão somente divulgar aspectos da cultura portuguesa, mas sim incutir nesta nova geração de filhos e netos portugueses, o valor de todo um património“...disse-me Adelina Sedas, da associação Elbatejo, co-organizadora dos festejos do 10 de Junho. Nesta dinâmica, surgiu a ideia de, em conjunto com elementos do grupo folclórico „Retalhos de Portugal“ se criar o grupo de teatro „Retalhos em Cena“. Com texto, cenografia, guarda-roupas e coordenação de Adelina Sedas e Justa Correia, a peça „Antigamente era Assim“ já subiu ao palco várias vezes, arrebatando rasgados aplausos e elogios. Para além de ter a notável faceta de unir no mesmo palco pais, filhos e até netos, sendo uma peça bem recheada de bom humor.

„Os elementos do grupo, para além de interpretarem o papel que lhes cabe, têm aprendido muito sobre a componente linguística, a história e aspectos tradicionais do dia-a-dia português.Tem sido uma verdadeira escola, principalmente para estes jovens, que falam mais alemão e pouco sabem, infelizmente, sobre as suas origens“, adiantou Adelina Sedas. Para qualquer „alfacinha“, a peça é um pouco o (re)viver de cenas caricatas e típicas de uma Lisboa à moda antiga, com os pregões das vendedeiras e varinas; tímidamente romântica pelas manobras dos namoradinhos; ousada e maldosa pelo aproximar de bocas e ouvidos das alcoviteiras; mística pela insistência das „ciganas da sina“; de vida zonza do eterno bêbado e as peripécias durante um bailarico no largo do bairro. „Os Retalhos de Portugal“ é um grupo “ainda adolescente que acaba de comemorar os seus 15 anitos, mas tem muito que dar e fazer de futuro. Esta peça de teatro, que não foi fácil pôr de pé, é a prova que com persistência e sobretudo muita força de vontade, tudo é possível, para nós e pelos outros“ confidenciou-nos Justa Correia, um dos elementos do grupo. Maria dos Anjos Santos Correspondente

GENTE

Marcha de São João em Euskirchen

No sábado, dia 2 de Julho, a Escola Primária “Franziskusschule” em Euskirchen festejou o seu “Sommerfest” com uma grande participação de alunos e pais, portugueses e brasileiros. Entre 1968 e 1969, com a instalação de muitos portugueses na cidade de Euskirchen, a “Franziskusschule“ tornou-se a escola dos portugueses e ficou conhecida como tal. Nos primeiros anos havia nesta escola pelo menos uma turma constituída só por alunos portugueses, que tinham, ao contrário dos amigos e colegas alemães, as aulas em língua portuguesa e só depois é que tinham algumas poucas horas de aulas em língua alemã, ao contrário do sistema que se conhece hoje. De dois em dois anos a „Franziskusschule“ festeja o seu „Sommerfest“, que inclui sempre a participação da parte portuguesa. Este ano a presença portuguesa e brasileira não estava ape-

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HUGO VIEIRA DA SILVA é um realizador português que tem agora um filme seu em mais de vinte salas de cinema da Alemanha ( ver notícia na edição online do PP ). Nascido no Porto, em 1074, vive há cerca de oito anos em Berlim, estudou na Escola Superior de Teatro e Cinema/Lisboa, foi estudante convidado da Hochschule für fersehen und Film München e foi bolseiro do Nipkow program Berlin. Em 2006 realizou a sua primeira longa-metragem, “Body Rice” e é considerado uma das promessas do cinema português

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Informação Consular

nas marcada pelos petiscos tradicionais – rissóis, pastéis de bacalhau, bôla, pataniscas, sardinha, frango assado e o caldo verde, mas também pela “Marcha de São João”, organizada pela professora Joana e com a ajuda dos pais. Em trajes tradicionais ou a imitar, com o manjerico à cabeça e belos arcos enfeitados com fitas, flores e lampiãos coloridos, os alunos portugueses e brasileiros marcharam ao toque da música e apresentaram aos visitantes presentes um pouco da cultura e da tradição portuguesa. Esta presença e apresentação da parte portuguesa não chamou apenas a atenção e o interesse dos visitantes pela cozinha e as tradições portuguesas como também demonstrou a aceitação e a integração dos portugueses e brasileiros com a sua cultura e as suas tradições nas festas alemãs em Euskirchen. Elisabete Araújo Correspondente

Todos os nacionais têm o direito e o dever de promover a sua inscrição no recenseamento. Sendo eleitores têm o dever de verificar se estão inscritos e, em caso de erro Inscrição no recenseamento ou omissão, requerer a respectiva rectieleitoral ficação. A inscrição no recenseamento tem efeitos permanentes e só pode ser cancelada nos casos e nos termos previstos pela lei. O recenseamento é único para todas as eleições por sufrágio directo e universal. Ninguém pode estar inscrito mais de uma vez no recenseamento.Podem inscrever-se no recenseamento eleitoral: Os cidadãos maiores de 18 anos de idade; Os cidadãos com 17 anos, a título provisório, passando automaticamente eleitores efectivos no dia em que perfaçam 18 anos. Local de inscrição: o consulado da área de residência Documentos a apresentar para a inscrição: Bilhete de identidade ou Cartão de Cidadão; Cartão de eleitor, caso se encontre inscrito em Portugal ou em qualquer posto consular.


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Entrevista

PORTUGAL POST Nº 205 • Agosto 2011

Escritora Paula de Lemos

“Eu não sou alemã, mas também já não sou bem portuguesa” Também muito me honrou que esse prémio tenha sido entregue numa data cabalística, a 25 de Abril, premiando um livro que é na sua essência também ele revolucionário, crítico, uma novela que é uma caricatura mordaz, irónica e humorística de/sobre Portugal. Um livro que fazendo rir a bandeiras despregadas, coloca simultaneamente questões éticas, ideológicas, políticas e sociais que transcendem qualquer “nacionalismo” ou “patriotismo”. Enfim, um livro que é uma é uma sátira, uma caricatura de Portugal, um livro que dispõe bem, mas que incomoda, e isso faz parte do meu estilo, não há voltas a dar-lhe... (risos).

Gostaria que nos falasse sobre a sua participação na III Bienal de Culturas Lusófonas 2011 – Encontro de Escritores Lusófonos, realizado em Portugal pela Câmara Municipal de Odivelas, tendo como tema principal a “Literatura Lusófona na Diáspora da Europa Ocidental. A Universalidade do Autor Lusófono: uma Diáspora de Interculturalidade?” Eu intitulei a minha comunicação “Um Escritor Sem Livros”, pois o que faz um escritor sem livros num encontro de escritores? Um escritor traz ou carrega sempre livros consigo, lembro-me bem de uma cena com a Agustina Bessa-Luís. Eu tinha-a convidado para uma conferência na Universidade de Trier e fui buscá-la à estação. Ela nem conseguia pegar na mala que trazia, eu tentei ajudá-la mas aquilo pesava que nem chumbo! E aí perguntei-lhe: “Ó Agustina, você traz aí consigo todos os livros que escreveu?” E ela soltou uma sonora gargalhada. Dizia eu a um amigo, pouco tempo antes do Encontro de Escritores, o que faço eu num encontro de escritores, se não tenho livros nem para oferecer, nem para vender, uma vez que estão todos esgotados? E ele respondeu com ar contrito: “um escritor sem livros é como uma ave sem penas!” “Trata-se de uma expressão idiomática que eu desconheço?” perguntei, duvidando, como estrangeira que sou na Alemanha, dos meus próprios conhecimentos linguísticos. “Não, saiu-me assim!” respondeu ele e eu suspirei de alívio. Para que se compreenda, há que dizer que as minhas línguas de trabalho poético e ficcional são o português e o alemão. Mas verdade, verdadinha, é que me senti, e sinto, como um pato sem penas... Na sua opinião, existe ou não literatura das comunidades, isto é, de autores “emigrantes”? Existe uma literatura das comunidades, sem dúvida, uma literatura algo “marginal” relativamente à literatura “nacional”. Uma literatura que tem temas próprios (ou não), que é influenciada, do ponto de vista linguístico, pelas línguas oficiais dos países nos quais se está inserido. Confesso que tenho alguma dificuldade com o termo “emigrante”, infelizmente eu não tenho o estatuto de “emigrante”, teria mais vantagens se o tivesse ou tivesse tido... (risos). Eu não emigrei para a Alemanha, eu vim para aqui

Foto: Peter Schlör

Residente em Trier há cerca de 15 anos, a escritora Paula Lemos, nascida em 1962, concedeu esta entrevista ao nosso jornal após ter participado num encontro em Portugal de alguns escritores da diáspora em representação da Alemanha.

A saudade e o facto de viver longe de Portugal influencia a sua escrita? Não. De forma alguma. Acho que até melhora a minha escrita... (risos). A distância relativamente a Portugal, assim como a distância relativamente à Alemanha, país onde vivo e trabalho há cc. de 15 anos, e onde serei sempre estrangeira, a “Ausländerin”, até pelo facto de ter ter tido a amabilidade de introduzir na língua alemã as fricativas em final de palavra, os “sches” portugueses (risos), possibilitam-me uma visão crítica dos dois países, das

duas línguas e respectivas culturas. Claro que isso faz de mim uma esquizofrénica em potência, algo perigosa... (risos). São os temas dos meus livros temas portugueses? Relacionam-se eles de alguma forma com Portugal e tudo o que lhe é inerente (a língua, a cultura, a História, etc.)? “Jein”, responderia em alemão, uma mescla de sim e de não. Alguns sim, outros não. Alguns temas são propositadamente escolhidos (caso de um poema sobre as fricativas em português, pois o editor queria à viva força incluir no livro um poema que fizesse referência a Portugal); outros surgem por acaso, como foi o caso do conto “Gelüste”, ou seja, de um conto sobre o Luxemburgo; e, por último, outros nada têm a ver com Portugal.

LIVROS PUBLICADOS - Entre Dunas (Ed. Espiral Maior, A Corunha, Galiza, 2001, ISBN 84-9562501-6), escrito em colaboração com uma colega e escritora galega, Marga Romero, livro de poesia erótica que, retomando a poesia trovadoresca, atesta na época contemporânea um diálogo entre duas amigas, duas mulheres que se debruçam sobre uma História - a Fundação da Nacionalidade, o estabelecimento de fronteiras entre a Galiza e Portugal -, e uma língua, o Galego-Português, que têm em comum. Ambas trovam sobre temas contemporâneos, temas femininos e algo feministas, comprovando, uma certa “universalidade” da História. - Adeus Portugal (ed. Colibri, Lisboa 2003, ISBN 972-772-390-X), obteve em Portugal o Primeiro Prémio de Novela do „Prémio Revelação Manuel Teixeira Gomes 2002“ promovido pela Câmara Municipal de Portimão em colaboração com a Delegação Regional de Cultura do Algarve e com o apoio do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas. - Sabotage in Blau (ed. Trèves, 2001, ISBN 3-88081-444-9), um livro de contos e poesia em alemão,que inclui um conto em Alemão, Mélusine oder das Rätsel der Schöpfung“ („Melusina ou o enigma da criação“), que recebeu o „Primeiro Prémio Literário do Luxemburgo 1998“ do Instituto Goethe do Luxemburgo (in Mélusina, Éditions Phi, Luxemburger Literaturpreis 1999, com colagens da pintora Anne Weyer, ISBN 3-88865-180-8). - “Delpho”, conto em alemão, Prémio da Editora DeKi (Herxheim, Alemanha) („Auszeichnung des Kurzgeschichtenwettbewerbes des DeKi Verlags – Herxheim”), publicado na antologia Konfettiküsse (Band 1, Verlag DeKi e.K., Herxheim, 2003, pp. 237-251 - ISBN 3-937143-01-7). - gehen wir zu dir?, livro de poesia erótica intitulado com desenhos do artista berlinense Sven Hoffmann (Editora „Kleine Schritte“ , Trier, 2004 - ISBN 389968-113-4), que é dedicado a um “monstro” da literatura alemã, Wilhelm Busch (1832-1908).

O seu livro “Adeus Portugal”, que foi, diga-se, premiado em Portugal, tem a ver com o tema emigração? Não. Tem a ver com o facto de se viver num país estrangeiro, numa língua e numa cultura que não são as da língua materna. Tem a ver com a perspectiva, isto é, com o facto de se ver um país, neste caso Portugal, como se fosse através de um binóculo... (risos). Foi um prémio que me trouxe uma satisfação pessoal muito grande, até porque Manuel Teixeira Gomes (1860-1941), figura literária de extrema importância, era um “estrangeirado” para a sua época. E uma das coisas que o torna bem simpático a meus olhos é o seu carácter lúdico: não só era “uma excepção no panorama dos presidentes da 1ª República”, pois “todas as noites jogava às cartas com o seu secretário”, como teve a coragem de escrever em 1934 as suas Novelas Eróticas. Ora dois dos meus livros são também livros eróticos... (risos).

num intercâmbio entre universidades, através do Instituto Camões. E, além do mais, eu sou Germanista, estudei alemão na Universidade de Lisboa, quer dizer, eu já dominava a língua fluentemente, eu dava aulas de Literatura Alemã numa Universidade portuguesa... E isto conduz-me a uma das questões que abordei no Encontro: Quando se está inserido numa cultura e numa língua, que não são as mesmas da língua materna, o que é que resta? Eu diria, no meu caso, e a nível da ficção, que é, por um lado, o carácter crítico, provocado pela distância, quer em relação a Portugal, quer em relação à Alemanha (ou seja, eu não sou alemã, mas também já não sou bem portuguesa, isto é, esse hibridismo, essa esquizofrenia, levam-me

a não pertencer, em última instância, nem a um lado, nem a outro); e, por outro lado, o carácter lúdico, o humor, a malícia da minha língua e cultura maternas.

Enquanto autora, acha que pelo facto de viver fora de Portugal tem alguma dificuldade em impor os seus trabalhos nas editoras portuguesas ou isso não é nenhum entrave? Claro que sim! Tenho dificuldade em Portugal e na Alemanha (risos), pois não pertenço nem a um, nem a outro lado. Mesmo com prémios, os livros esgotam-se e não são feitas 2as. edições, porque os editores pulam de contentamento quando um livro se esgota. Porque não querem correr o risco de uma segunda edição que possa estagnar. Um livro é publicado, quase apenas quando é premiado (ou quando se trata de um escritor de renome), e acabou. Não há grande futuro. Eu escrevo em duas línguas radicalmente diferentes, em português e alemão, e isso piora as chances de publicar. Como escritora, como se define: romancista, novelista, poetisa... Acho que sou um pouco de tudo e de nada (risos), escrevo novelas (“Adeus, Portugal!”), contos (“Melusina”, em alemão, que ganhou o prémio no Luxemburgo) e poesia em português e alemão .... (os meus outros dois livros). Só não escrevo teatro. Ainda não me deu para aí, embora a fantochada mundial até tenha substrato q.b. ... (risos). Escreve também em alemão ou traduz aquilo que escreve em português? Escrevo nas duas línguas e, no meu caso, não traduzo nada. Tudo tem a ver com a ideia inicial, ela surge em português ou em alemão e daí resulta um texto em português ou em alemão, à custa do uso dos respectivos dicionários... (risos). Quando é que pensa editar a sua próxima obra e que tema aborda? Quando receber o próximo prémio (risos)! Tenho dois romances em mãos, um em português, sobre as diferenças culturais e linguísticas entre Portugal e a Alemanha (muito divertido) e um em alemão sobre uma figura histórica... e mais não posso nem devo dizer... (risos). Mário dos Santos


Reportagem

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Maputo – Beira, uma viagem no tempo

Ruinas do passada e a pobreza do presente

José G. Rodrigues com a lenda do futebol luso Mário Coluna

José G. Rodrigues com amigos defronte ao bar Eusébio

Como o nosso enviado José Gomes Rodrigues viu Moçambique de hoje numa viagem intença de emoções. Do Maputo, bairro da Polana onde me encontrava alojado, numa casa de requinte colonial, partimos às 12h30 duma Quarta-feira de Abril, no musculoso jipe da marca Toyota Hilux, financiado pelo governo regional da Região Valenciana. É necessária experiência e perícia para levar a cabo a aventura de palmilhar 1200 Km, distância que separa esta cidade à cidade da Beira. O condutor é um Missionário italiano, que conhecia há alguns meses e que ganhou a minha admiração e o meu respeito, o P. Ottorino, a quem os anos calejaram nestas peripécias. A presença das ONGs com os seus jipes especiais são uma constante a acompanhar-nos permanentemente. Os relógios aqui parecem ter parado. Este é uma dádiva a ser vivida sem pressas e com uma grande dose de paciência. Denota-se que as ruas e avenidas, tanto de Maputo, como das de outras cidades foram rasgadas de forma a prever um futuro promissor mas interrompido pela independência e atrasado pela guerra fratricida, cujos vestígios ainda se deparam. Deixámos para trás o antigo Quartel Geral Militar que acolheu, nos anos sessenta e setenta, milhares de soldados Portugueses, antes de marcharem para outras paragens do extenso território ou no seu regresso à metrópole. As janelas sem vidros e as portas escancaradas, dão a sensação de que o brio militar terá há muito sido apagado. Depois de passar o bairro de Malhangalene, não longe do aeroporto internacional, vislumbra-se à nossa esquerda o Cemitério Central, onde repousam os restos mortais de muitos soldados lusos, caídos nessa nefasta guerra colonial. O Bairro do Benfica estende-se a seguir à nossa direita e à nossa esquerda. É um aglomerado extenso de barracas, mal alinhadas onde tudo se vende e as pessoas parecem peregrinar como se dia de grande feira se tratasse. Tudo se vende e tudo se impinge. O barulho ensurdecedor e a poeira acompanham-nos ao longo de quilómetros sem fim. “Chapas” fechados e de caixa aberta, onde os passageiros se apertam mutuamente para um destino que só eles sabem. Os “machimbombos” que os anos e o muito uso fizeram esquecer a idade. O rufar esquisito dos motores de com-

bustão compulsiva, vão poluindo, com o seu fumo negro, o ambiente e preenchem imensos espaços na ampla estrada, concebida para ser autoestrada. Tudo isto confunde a visão e os hábitos do europeu, familiarizado com a ordem e as regras rigorosas da defesa do meio ambiente. A voz da sobrevivência e a satisfação das necessidades fundamentais falam mais alto que tudo o resto, enganando as leis que apesar de existirem, não se podem de forma alguma cumprir. É a única via terrestre de escoamento humano e de mercadorias da capital para o centro e norte do país. Mesmo assim, e logo no inicio da aventura, fomos molestados pela policia de trânsito. Teríamos excedido a velocidade permitida, contradição das contradições! E lá estava o radar, empunhado por dois policias, rodeados por sete companheiros e companheiras, ostentando rigorosamente o seu fardamento, que destoa com o vestir simples, mas colorido, dos transeuntes. Como de guerra ainda se tratasse, alguns estavam munidos de armas de grande calibre apontadas para o carro “infrator”. Educadamente e humildemente, o P. Ottorino, já familiarizado nestas andanças, troca algumas palavras com o chefe que, com um sorriso franco nos lábios, nos manda seguir e educadamente, nos deseja uma boa viagem. Estádio de futebol uma obra a destoar Dum momento para o outro, surge-nos à nossa direita uma obra arquitetónica imponente, como uma mancha branca a destoar no aglomerado de barracas estendidas ao redor. Era o Estádio Nacional a ser construído por uma empresa chinesa. Será para enganar a pobreza visível? Xai Xai, a antiga João Belo, cumprimenta-nos com uma linda ponte metálica sobre o rio Limpopo. É um sinal, entre tantos, do tempo dos portugueses. O uso da ponte para a entrada na cidade é gratuita, exigindo-se à saída o seu correspondente pagamento. Casas do estilo português, mas que não conheceram mais cor, nem obras de remodelação, faz-nos esquecer os anos. À saída da cidade, os formiguei-

ros humanos adensam-se, assim como as barracas feitas de cartão, de restos de aglomerados de madeira e de zinco. Imensas pessoas caminham, nas diversas direcções, algumas transportando pesos sobre a cabeça, e há sempre alguém que vende algo, desde fruta, animais, comida e artesanato. A ânsia da venda, é tão grande que o cuidado é pouco para evitar algum acidente e atropelamento. Compramos um cacho de bananas, com as quais enganamos a fome durante o trajecto. Percorridos que foram uns 500 Km de estrada coberta com um recente e ténue traço de alcatrão e, como a noite se adensava, antes de seguirmos a segunda etapa, parámos para atestar o depósito do nosso querido jipe e enganar a fome num restaurante de “requinte” sobranceiro à baia de Inhambene. O serviço em qualquer restaurante é geralmente lento e o cliente é obrigado a exercitar a sua paciência. Neste não houve excepção. O dono, um moçambicano de origem indiana, mostrava-se impaciente com a passividade dos empregados. Ainda houve tempo para um pedaço de conversa e degustar um café Delta que ele gentilmente nos ofereceu. A toda a hora esperava-se para jantar, o Ministro do Turismo, que, estando de visita à região, aproveitou para inaugurar o novo aeroporto de Vilanculos, obra arquitetónica também chinesa. A presença deles é bem notória e pelo seu modo de estar, tem provocado no povo simples uma certa nostalgia da época colonial portuguesa. A monotonia das planícies e das retas sem fim A viagem continuou e cada vez se tornava mais monótona, turbulenta e perigosa para quem, como eu, não está habituado a transitar na imensidão das planícies e por rectas infindas. O alcatrão começou a rarear. Os buracos, que, de vez em quando mais pareciam crateras, obrigavam a uma continua gincana involuntária, pondo em exercício as habilidades do mais atento condutor. Dançava-se um batuque com ritmos improvisados e involuntários. No longínquo horizonte avistavam-se esporadicamente o cin-

tilar tímido de luzes, parecendo assinalar uma aldeia escondida no mato que se avizinha com a encurtar da distância. Com uma estrada este estado de deterioração, uma marcação central ou lateral e com o desconhecimento do volume e do tipo do condutor da outra viatura do lado contrário, vemo-nos muitas vezes obrigados a estacionar à berma da estrada deixando-nos resguardar pelo capim que a envolve. Atravessámos pontes construídas ainda na época colonial, algumas semi-destruídas, como a do rio Save que divide a província de Inhambane e a de Sofala. São rastos visíveis da presença centenária de Portugal, que a Renamo, durante a nefasta guerra civil que assolou o pais durante mais duma década. Ocasiões houveram em que fomos obrigados a parar por soldados bem armados e fardados com as cores do mato. Jovialmente e, após tentativa gorada de suborno para, segundo eles, a compra de pão e de alimentos para a família, mandava-nos seguir viagem. Batem-nos a pala, depois de ter reconhecido o condutor, pessoa bem conhecida nos meandros sociais e políticos da região. Estávamos então a 500 Km da cidade da Beira.

branco, o perigo de assalto era realista. São raros os brancos que deambulam por estas paragens. Branco é quase sinónimo de riqueza. Continuamos então sempre pela estrada nacional Nr.1, ainda rasgada pelos portugueses no tempo colonial. O pouco asfalto que sobrava parecia ser ainda desse tempo. Em algumas partes procurou-se remendar, mas noutras partes os poços-crateras eram um perigo constante para um condutor incauto. Se chovesse a água transforma o terreno em autênticos poços, impossibilitando a circulação. Compreendem-se as razoes da presença de marcas como Toyota, marcas indianas, chinesas e outras desconhecidas na nossa Europa e o péssimo estado de conservação das viaturas. O dia iniciava paulatinamente e preguiçosamente a nascer. A escuridão dava lugar a uma ténue claridade. A temperatura exterior conservava o calor abafado que preanunciava altas temperaturas. As pessoas, como formigas em fila, uns nas suas bicicletas chinesas carregando enormes fardos, mulheres de pé descalço empunhando na cabeça molhos de produtos diversos, iniciavam a sua caminhada rumo à cidade.

O grande cruzamento de vias

A cidade da Beira acorda para nos receber

Respiramos fundo quando pelas 2h30 horas da madrugada chegámos ao grande cruzamento das vias que separavam o movimento do trânsito para a Beira, Nampula, Tete, Zimbábue e Pemba. Era o cruzamento de Inchope. As luzes intensas, a enorme fila de camiões, machimbombos, o barulho ensurdecedor, eram um convite a uma paragem obrigatória. O som da música rítmica africana, nas imensas barracas dia e noite movimentadas eram um convite a um pé de dança. Deveria ser uma Manica, Laurentina ou Dois M. O calor abafado era convidativo. Fui aconselhado pelo bom companheiro de viagem a não descer do jipe. Entabular um pedaço de conversa com os transeuntes e beber uma fresca “Manica”, a cerveja da região, foi a tentação que me invadiu. Esta era uma hora perigosa e, sendo

Depois de ter passado a cidade do Dondo, aparece sem se contar, o maior bairro feito de cana, juncos, capim, cartão e outros materiais que, para nós, seriam desperdícios. Estendia-se tanto à esquerda, como à direita da via, mais parecendo um tapete sem fim no horizonte monótono dum céu ainda estrelado e quente. Era o cartão de visitas da cidade daBeira. O lusco fusco da tenra manhã tinha já despertado e feito levantar os seus habitantes já pressurosos, como de formigas se tratasse. Era o bairro da Manga, um dos muitos bairros populares que servem de dormitórios das gentes de parcos recursos. A maioria dos habitantes da cidade, cerca de 80% ,procuram este tipo de bairro para viver, ou sobreviver? A via transformou-se, dum mo-

(continua na página 12)


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Cultura

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hotel ver mar Alguém derramou um punhado desordenado de poemas Sobre as pedras nuas dos caminhos (...) Estes dois versos do poeta José António Gonçalves (1954 – 2005), da Madeira, poderia servir de epígrafe à pequena antologia de poemas lusófonos contemporâneos „hotel ver mar“. Michael Kegler, amante da língua portuguesa e das culturas provindas dos vários cantos do mundo a falar português, tradutor, incansável promotor de tudo o que diz respeito a esta (nossa) esfera artística, iniciador e organizador da página novacultura.de e que, todos os dias, ali nos alicia com novidades literárias e culturais, resolveu em boa hora homenagear o Festival Correntes d´Escritas que, este ano, teve em fevereiro a sua décima segunda edição. Todos os anos acorrem à Póvoa de Varzim escritores provindos de vários continentes para, em mesas redondas, falarem entre si e com um público apaixonado por palavras („as palavras vivas dos poetas“, Ivo Machado), por versos, por romances. Não são encontros académicos, antes de amizade, como Michael Kegler frisa no seu posfácio, por isso o livro é todo ele uma homenagem a estes encontros profícuos. Como leitores na Alemanha estamos gratos pela iniciativa, já que a antologia reúne vozes que aqui continuam desconhecidas. O editor Teo Mesquita, outro corajoso entusiasta, não receou a edição bilingue que traz a vantagem de dar prazer a todos nós, falantes dos dois idiomas ou não, aos amigos alemães e até a estudantes da língua que assim acedem a textos que conseguem entender cabalmente. Os agradecimentos finais englobam informações sobre os autores escolhidos e sobre o título, atlântico, poético e real, pois o hotel com este nome

existe no bairro poveiro A-Ver-o-Mar, nome encantatório e inspirador da escritora Luísa Dacosta. Do Brasil há dois poetas, de África seis, da Galiza dois e de Portugal onze – a escolha reflete pois os afetos do organizador que não necessita de olhar a equilíbrios político-culturais para apresentar as vozes que, ao folhearmos a antologia, nos vão dando imagens saborosas dos encontros e desencontros do amor, das estações do ano com seus esplendores e suas dores, das errâncias pelo mundo fora, dos dias que poderão conter „o momento de encantar as serpentes, de

Como alfacinha a minha preferência vai para o poema „Lisbona“ do moçambicano, há anos residente em Portugal, Luís Carlos Patraquim. Hino a Lisboa, homenagem, mas às avessas, que, lembrando Cesário Verde („ó meu poeta das naturezas mortas e das casas de ferragens“) fazse eco, pelo tom coloquial e brincalhão, do poeta Cesariny e claro, de Fernando Pessoa („ó pequena rua triste onde não cabe o universo“). A „Branca Lisbona“ deixou de ser cais de partida para um sonho ou pesadelo de império. Nesta pequena „ode marítima“ o „estuário largo“ é a „ultramarina enseada / Onde desaguam os imbondeiros“. Por isso Patraquim, modificando uma expressão camoniana, apela à cidade: „abre-te à turba que chega, canora e não belicosa“. Também nós, leitores de versos, não somos belicosos, antes pacíficos e ficamos felizes quando podemos afirmar como o brasileiro Paulinho Assunção que „a poesia esteve ontem aqui em casa.(...) música, talvez. Um silêncio, quase.“ Nos dias que correm não há muito sossego para ler poesia. Por outro lado, os textos são curtos e profundos e podem ser lidos entre duas estações de metro e as suas palavras que, segundo Ivo Machado, os poetas semeiam, irão acompanhar-nos pelo dia fora. Ofereçamos pois de lemhotel ver mar, Gedichte aus Angola, Brasilien, brança este „punhado de poeGalicien, Guinea-Bissau, Mosambik, Portugal mas“. Que eles nos encantem, a und São Tomé e Príncipe. Herausgegeben und nós e aos nossos amigos alemães: übersetzt von Michael Kegler. Santo Tirso 2009 „Heute erwachten die Bürgeraplainar os socalcos das montanhas, / steige im Weiß / der Poesie, die das de aprender novos cânticos(...)“ (José Morgentau in Licht tauchte“. Ou, no António Gonçalves). Alguns poemas original de José António Gonçalves contam-nos pequenas histórias, como „Hoje as calçadas amanheceram com a das empregadas fabris de João Luís o branco / da poesia a iluminar-lhes o Barreto Guimarães ou a do „vende-se orvalho da madrugada.“ rapaz“ de Luís Filipe Cristóvão, espéAssim o desejamos, que o branco cie de mini-currículo ou cartão de vida poesia nos ilumine os dias. sita entre o irónico e o melancólico. Luísa Costa Hölzl PUB

Moçambique (Continuação da pág. 11)

mento para o outro, numa extensa Avenida, invejando qualquer cidade cosmopolita europeia. Rodeada de frondosas árvores que se elevam dum chão poeirento e desnivelado, dando assim um ar cosmopolita e desleixado da cidade da Beira, que se aproximava. Eram as cinco da manha. O bairro da Passagem de Nível, do Esturro e de Matacuene, entre outros vão ficando para trás, para dar lugar ao de Ponta Gea, já melhor iluminado aparentando um estilo diferente e mais europeizado. As minhas muitas e pequenas histórias e anedotas que, como um rosário sem conta, fui relatando na viagem sem fim, procurando manter calmo e desperto o condutor-herói que teimava em chegar ainda na madrugada ao destino, deram lugar a um silencio para dar lugar a uma enorme curiosidade que me invadia em ver e descobrir os mais recônditos sítios da cidade. Em casa apesar dos milhares de quilómetros de distância Às cinco em ponto, como o meu anfitrião se tinha proposto, chegámos sãos e salvos ao destino. No portão da casa senhorial esperava-nos o vigilante nocturno, que, com um longo sorriso rasgado nos lábios, nos abriu o portão, ajudando-nos a transportar a bagagem e os cartões que abarrotavam o assento de trás da viatura. Respirámos fundo, passámos pela cozinha para um refresco. A “Manica” que o perigo durante a viagem me subtraiu de saborear, lá estava no frigorífico à minha espera. Subi as escadas para o primeiro andar, ansioso duns lenços brancos para repousar o corpo maçado da viagem. Enquanto esperava que o sono me invadisse, deixo deambular a imaginação interiorizando as tantas emoções e recordações que a vigem me proporcionou. Afinal estava numa casa que outrora teria pertencido a uma família portuguesa de fartos recursos financeiros, obrigada a abandonar o pais ao abrigo da famigerada lei emana logo após a independência, a lei 24/20. Em

24 horas teriam de abandonar o pais com somente 20 quilos de bagagem. Debandaram aos milhares, deixando para trás haveres e sonhos. Quarto amplo, casa de banho com azulejos, mármore e louça tipicamente portuguesa. Ainda restos de móveis do estilo desse tempo que o caruncho e o tempo poupou. As paredes nunca mais teriam visto um pincel, nem a mão dum pedreiro ou habilidoso. O sonho é na verdade um remédio salutar para sufocar e trabalhar as emoções. Sonhei e senti-me em casa. Levantei-me, já o sol ia alto e o calor apertava. Abrindo as janelas, todas envoltas numa rede fina, não vá o mosquito entrar e trazer a nefasta malária. Estava no Bairro das Palmeiras, enfrente dum estádio desmoronado que em tempos era do Sporting da Beira. Do Oceano Indico separame uns cinquenta metros. O tipo de casas envolventes parece eliminar as distancias duma cidade lusa adormecida no tempo. Poucos dias depois já quase toda a cidade da Beira com os numerosos bairros me era familiar, desde o bairro do Maquinino, de Chaimite, de Macuti, da Praia Nova e da linda costa marítima que envolve a cidade com o seu enorme porto de mar internacional. A história comum que nos irmanou para sempre Por estranho que pareça, senti-me sempre em casa, apesar das distancias, do clima e da cor da pele. Nunca me senti estrangeiro nos dois meses que passei por estas terras. Era um deles e eles também assim se sentiam. Esqueci quem era para ser um deles. Irmão de muitos irmãos que a historia cruzou e selou. Tentei, sem deixar de ser quem sou, mostrar-lhes que o ser português ultrapassava as fronteiras que o passado procurou fingir. Vale a pena viver esta experiência de vida como irmãos com uma história comum. Moçambique não deixa de ser uma fascinação continua. Quem lá esteve, só descansa quando voltar de novo. Prometo voltar, mas com mais tempo e numa atitude de serviço.

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Sociedade

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Padre Neto, entre a paixão a Cristo e a devoção ao rock alternativo É classificado como um „excêntrico“ pelos padres mais clássicos por gostar de rock alternativo e por percorrer quilómetros no seu automóvel para ouvir as bandas preferidas nos festivais de verão portugueses. Foi em Timor Leste, há três anos, que Miguel Neto, 32 anos, teve a certeza que queria ser padre. Hoje celebra missas em Quarteira, no Algarve, mas é através do rock alternativo dos Radiohead ou dos ritmos eletrónicos dos Chemical Brothers que afasta o „stress“ e se distrai. Aos 14 anos entrou pela primeira vez numa discoteca pela mão dos dois irmãos mais velhos. Aos 16 questionou-se pela primeira vez sobre Deus e entrou no Seminário em Faro. Aos 20 teve uma namorada. Mais tarde, decide ir para Évora estudar Teologia, mas foi em Timor, ao som de „Força“ dos Da Weasel ou „Era uma vez (E não sei mais)“ dos Rádio Macau que encontrou a „luz“ para a sua vocação sacerdotal, explica. As rádios Antena 3 e Comercial são uma espécie de „santuário“ onde regressa todos os dias para escutar as novidades musicais, mas para o padre Miguel a melhor banda do mundo são os

Lusa

Radiohead, que, com o seu rock alternativo, „não vão na onda, mas marcam a onda“. As músicas „2+2=5“, „Karma Police“ ou „Paranoide Androide“ são as melodias prediletas e a „maior angústia existencial“ de Miguel Neto é ainda não ter conseguido vê-los ao vivo. Com uma camisa azul bebé de uma marca desportiva, o sacerdote confessa à agência Lusa que também venera o som dos Nirvana e Pearl Jam, uma paixão de adolescente. No verão de 2010 foi até Oei-

ras para ver ao vivo os Pearl Jam, no festival Optimus Alive, conta, confessando que „Just Breathe“ é a canção que o consegue pôr a chorar. Mas a música e as bandas não preenchem os pensamentos de Miguel Neto durante a celebração das missas. „Também não vou montar uma tenda de adoração a Deus no Optimus Alive ou no Super Bock Super Rock“ (SBSR), lança, com um sorriso, acrescentando que a música serve para quebrar o „stress“ e se „distrair“, e que nunca

sentiu que existisse um „conflito“ entre os seus especiais gostos musicais e a vocação religiosa. „Quando vou a um concerto dos Chemical Brothers eu não estou à espera de sentir o mesmo quando vou ao Santuário de Fátima“, afirmou, lamentando ter falhado o concerto daquela banda inglesa no Optimus deste ano. Este fim-de-semana próximo, o eclesiástico desejava ver Portishead e os Arcade Fire no SBSR, mas com missas para celebrar às 07:00 em Quarteira, não se pode ir a concertos em Lisboa, explica.

„Adoro o último álbum dos Arcade Fire e dos Portishead, a música ‘Glory Box’ é à que mais gosto de regressar“, desvenda o católico roqueiro, que em Timor chegou a emprestar um CD dos Beatles a D. Basílio Nascimento, bispo de Baucau. A música „Força“ Da Weasel, ou „Era uma vez“ dos Rádio Macau também o emocionam, pelos tempos vividos em terra timorense onde sentiu que tinha de se entregar a Deus. Se tivesse de fazer uma „playlist“ das 10 melhores bandas, o padre enumera: Radiohead, Pearl Jam, Portishead, Massive Attack, Arcade Fire, Xutos e Pontapés, Da Weasel, Rádio Macau, Rodrigo Leão e Rui Veloso. Mas The National, Chemical Brothers, David Fonseca ou Foo Fighters podiam também fazer parte da lista. „The Pretender“ dos Foo Fighters e onde o ex-Nirnava Dave Grohl canta „E se eu disser que nunca me vou render?“, é a música que Miguel Neto coloca no „ipod“ para ouvir quando faz exercício físico. „É uma música mais a abrir e ‘pouco católica’, mas que gosto de escutar quando faço caminhadas junto à marina de Vilamoura“, relatou. PUB

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Histórias da História

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D. Luísa Francisca de Gusmão. A Rainha mais portuguesa de todas estrangeiras

Joaquim Peito Luísa Francisca de Gusmão, nascida em 13 de Outubro de 1613 em San Lucar de Barrameda, fruto do casamento entre João Manuel Peres de Gusmão, 8º duque de Medina-Sidónia, e de Joana Lourença Gomes de Sandoval e Lacerda, os dois nobres mais poderosos da Andaluzia, era espanhola de nascimento, mas veio revelar-se uma monarca bastante ciosa dos interesses portugueses. Em Portugal, desde o nascimento do país no ano 1143, tivemos muitas rainhas estrangeiras, casadas com os nossos reis. Mas bem poucas se terão tornado tão portuguesas como D. Luísa de Gusmão. Ela portou-se como uma verdadeira portuguesa a partir do momento em que se casou com o duque de Bragança em 1633. Este casamento real revelou-se na altura, o grande acontecimento social do século. Sobre a sua infância e adolescência, sabemos que as viveu feliz, rodeada de criados e servidores, de mestras e mestres de louvores, línguas, música e humanidades. Em 1621, aquando da subida ao trono do Rei Filipe IV, a incorporação de Portugal na coroa espanhola avançava a passos largos. Dois dos três objetivos definidos inicialmente já tinham sido alcançados: a união dos dois países através da monarquia dualista jurada em Tomar e a anexação territorial operada durante o reinado de Filipe III. Faltava um terceiro e importante ponto: confundir os vassalos de ambos os países com uma política de casamentos e uniões entre nobres de ambos os lados da fronteira. O CASAMENTO Ironicamente, em 1632, Luísa Francisca de Gusmão foi prometida a um primo, o oitavo duque de Bragança, D. João, mais velho nove anos e que viria a ser o único amor. O homem forte (primeiro-ministro) do

rei Filipe IV de Espanha, o condeduque de Olivares, seu tio, pensava ser essa a melhor maneira de manter Portugal sob a Coroa de Castela, numa altura em que os portugueses davam sinais cada vez mais claros de quererem recuperar a sua independência. Daí não é de estranhar o facto de que o possível casamento entre Luísa de Gusmão e o Duque de Bragança tenha sido encarado como uma oportunidade única para unir duas das casas ducais mais importantes de Espanha e de Portugal e, dessa forma, refrear as tentativas de rebelião portuguesas contra a dinastia Filipina. Este plano, como sabemos, e para o nosso bem nacional, falhou em pleno. Ora vejamos o que a história nos conta! Todos estariam bastante longe de imaginar que D. Luísa Francisca de Gusmão, espanhola de gema, não só não apoiaria a política de anexação de Portugal como chegaria mesmo a incitar o seu marido no seu afã revoltoso contra o domínio espanhol e a aceitar a coroa que lhe fora oferecida com o intuito de restaurar a independência. A nova duquesa de Bragança não se limitou a casar com o duque, casou também com o país. Conta-se que, quando ela nasceu, um astrólogo mouro anunciou que ela viria a ser rainha. Verdade ou não, D. Luísa de Gusmão empenhou-se em concretizar tal profecia. E assim aconteceu. Tornou-se mais tarde rainha de Portugal. As suas ambições políticas levaram-na a influenciar o marido no sentido de se opor ao domínio Filipino no nosso país. Era preciso avançar para a revolução, e depressa. D. João, um pouco amedrontado, hesitou inicialmente em aceitar o trono e terá sido ela quem o convenceu (e convenceria noutras ocasiões em que o marido pensou abdicar) com uma frase retocada ao longo dos tempos e que, se calhar, nunca foi proferida. “ mais acertado morrer reinando do que acabar servindo”, como, escreveu o conde de Ericeira; ou, na versão mais popular, “mais vale ser rainha por um dia do que duquesa toda a vida”. Uma lenda, algo tonta, que ainda hoje corre. O Duque aceita o desafio e em 15 de Dezembro de 1640 é aclamado

como D. João IV, Rei de Portugal e D. Luísa de Gusmão como Rainha. A partir do momento em que o marido foi aclamado rei, ela foi sempre a rainha de Portugal, pensando e atuando como portuguesa. E isto tornouse bem visível na forma como participou na governação, em vida do marido, mas, sobretudo, durante o período em que exerceu diretamente o poder, como regente, justamente numa altura em que estava particularmente acesa a Guerra com a Espanha. NADA FÁCIL A sua vida, deve-se dizer, não foi fácil. Primeiro, haveria de sofrer com o marido, menino rico, habituado a amores levianos, ela que foi a educada segundo a severa moral cristã da época. Segundo, como mãe e também já como rainha, teve de enfrentar o choque e o desgosto, ambos terríveis. Luísa de Gusmão foi para Lisboa 15 dias após a Restauração, levando consigo os três filhos; a mais nova, com quatro meses, é a Catarina que há de ser rainha da Inglaterra. Três anos depois, nasceu Afonso que haveria de ser rei; para grande desgosto de Luísa, o primogenitor, o princípe herdeiro D. Teodósio, inteligente e destemido, em que se depositavam tantas esperanças, morreria aos 19 anos de uma doença pulmonar. Era o filho preferido e era também o melhor deles todos. Nesse ano de 1653, veria ainda morrer a filha Joana, 19 meses mais nova. Dos sete que gerou, apenas três chegaram a adultos: Ana nascida em 1635 respirou só algumas horas e o mesmo aconteceu a Manuel, em 1640, um ano depois de outro aborto. O ultimo, Pedro, que seria rei ao destronar o irmão, nasceu em 1648. De todos eles, é Afonso quem lhe dá mais problemas. Aos quatro anos, teve uma doença prolongada ficando hemiplégico, o que não o inibe de se meter em sarilhos, constantemente, durante a adolescência. Uns dizem que ele também sofria de um atraso mental, outros que era apenas rebelde. Independentemente da verdade, o que é um facto é que, por morte de D. João IV em 1656, foi rei aos 13 anos e a mãe nomeada regente. Mais uma

vez, tratou-se de um momento difícil, esse em que passou a exercer o poder de facto. E ela enfrentou-o da melhor forma que soube e pôde. Em primeiro lugar, havia a Guerra com a Espanha e os constantes assaltos holandeses ao império português, na Ásia e no Brasil; depois, havia o novo rei, D. Afonso VI, que foi aclamado rei com apenas 13 anos de idade e que não estava preparado para governar. Entre 1656 e 1662, ano do golpe palaciano que colocou Afonso VI no trono, Luísa reinou com grandes dificuldades, desgastando-se em lutas internas e com Castela que só haveria de reconhecer a independência de Portugal em 1668. Foi neste mar encapelado que D. Luísa de Gusmão teve de navegar. Não foram poucas as vezes que a Rainha desempenhou um papel activo na governação do reino, sobretudo quando o marido se deslocava à fronteira no Alentejo afim de repelir as constantes tentativas de invasão militar por parte dos espanhóis. Após a morte do marido, em 1656, D. Luísa assume, por vontade testamental de D. João IV, a regência do reino em nome do seu filho Afonso VI que foi aclamado rei com apenas 13 anos de idade e que não estava preparado para governar. Seria a sua relação com o filho que marcaria o resto da vida de D. Luísa de Gusmão. A Rainha era da opinião de que Afonso não estava nem estaria nunca preparado par governar o país, sobretudo numa época de constante assédio castelhano. No entanto, Afonso VI e os seus homens de confiança, sobretudo, a péssima influência dos irmãos Conti, dois aventureiros italianos que haviam conquistado a confiança e o pobre espírito do soberano, eram de opinião contrária e esperavam apenas a desculpa perfeita para reclamar o poder.E assim aconteceu. D. Afonso, sob a orientação de D. Luís de Vasconcelos e Sousa, 3.º conde de Castelo Melhor, avança e reclama o poder por maioridade. D. Luísa de Gusmão, regente em exercício ainda resiste e tenta passar o poder para o seu outro filho D. Pedro, mas acaba por claudicar e é afastada imediatamente do poder e

enviada para um convento. Sempre tratada com respeito e veneração pelo seu filho D. Afonso VI e por todos os que o rodeavam, D. Luísa era vista, no entanto, como um perigo e uma potencial ameaça para o poder instituído, pelo que foi sempre vigiada e mantida à margem da vida política nacional. Começava uma nova era. Poder-se-á apontar alguns erros na sua governação, mas não se poderá negar-lhe vários méritos, entre os quais um grande sentido de Estado e uma perfeita noção do dever. Aos 52 anos adoece, no convento das carmelitas em Xabregas onde se recolhera em 1663. A 26 de Fevereiro de 1666, um dia antes da nefrite a matar, “Dona Luísa Raínha de Portugal, e dos Algarves dáquem e dálem mar em África senhora da Guiné, e da Conquista da Etiópia Arábia Pérsia e da Índia“ deixa em testamento a alma a Deus e a benção aos filhos D. Catarina, que veio a ser rainha de Inglaterra e D. Pedro, que viria a tirar o poder ao irmão (tal como lhe tirou a mulher) e que reinaria sob o nome de D. Pedro II e, ao filho Rei, dizendo que não espera dele outra coisa, pede mercês para os criados e fidalgos que a serviram. “Iam fechar-se-lhes os olhos com o último desejo de ver os filhos e o irremediável desgosto de não os chegar a ver”. D. Catarina encontrava-se em Londres, D. Afonso e D. Pedro andavam a caçar e atrasaram-se. No dia 31 de Julho de 1946, o seu caixão, na Igreja de S. Vicente de Fora (Lisboa), foi aberto para “serem obtidas possíveis informações históricas” e verificar os estragos de 1888, quando o túmulo se encontrava no Convento das Grilas e foi violado durante uma altercação popular. A conclusão a que chegaram foi a de que a rainha era uma mulher alta para a época, o seu esqueleto media 1,68 metros. Convirá, aqui, corrigir o ditado popular “De Espanha, nem bom (mau) vento, nem bom (mau) casamento”. Atualmente os seus restos mortais jazem no Panteão dos Bragança, no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa, para onde foram trasladados desde Xabregas. PUB 4


PORTUGAL POST Nº 205 • Agosto 2011

Geschichten aus der Geschichte

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Dona Luísa Francisca de Gusmão. Die portugiesischste Königin unter allen Ausländerinnen Joaquim Peito

Luísa Francisca de Gusmão, wurde am 13. Oktober 1613 in San Lucar de Barrameda geboren; sie war Spross aus der Ehe von Juan Manuel Peres de Gusmán, dem 8. Herzog von Medina-Sidónia, und Joana Lourença Gomes de Sandoval y Lacerda, den mächtigsten Adligen Andalusiens, also Spanierin von Geburt. Als Monarchin indes erwies sie sich als recht eifrige Verfechterin portugiesischer Interessen. Es gab in Portugal seit der Unabhängigkeit des Landes im Jahre 1143 viele ausländische Königinnen, mit denen sich unsere Könige vermählt hatten. Aber sehr wenige haben wohl so sehr portugiesisches Wesen angenommen wie D. Luísa de Gusmão. Seit dem Augenblick, in dem sie 1633 den Herzog von Bragança geehelicht hatte, betrug sie sich als wahre Portugiesin. Diese königliche Heirat erwies sich seinerzeit als das große soziale Ereignis des Jahrhunderts. Wir wissen von ihr, dass sie eine glückliche Kindheit und Jugend erlebte, umgeben von Dienern und Bediensteten, Gouvernanten und Lehrern, die sie in höfische Sitten, Sprachen, Musik und Geisteswissenschaften einführten. Als im Jahre 1621 König Philipp IV. den spanischen Thron bestieg, war die Eingliederung Portugals in die spanische Krone bereits in vollem Gange. Zwei oder drei der anfänglich festgelegten Ziele hatte man schon erreicht: die Vereinigung der beiden Länder durch die in Tomar beschworene duale Monarchie und die territoriale Annektierung im Laufe der Herrschaft Philipps III.. Es fehlte noch ein dritter wichtiger Punkt: die Lehnsherren beider Länder sollten sich durch eine Politik der Heiraten und anderer Abkommen zwischen dem Adel auf beiden Seiten der Grenze verbinden. DIE EHE Bezeichnenderweise war nun Luísa Francisca de Gusmão 1632 einem Vetter versprochen worden, D. João, dem achten Herzog von Bragança, der neun Jahre älter war als sie und ihre einzige Liebe werden sollte. Der starke Mann (und Premierminister) Königs Philipps IV. von Spanien, Erz-Herzog von Olivares, Luísas Onkel, glaubte, dies sei die beste Manier, Portugal unter der Krone Kastiliens zu halten, gerade zu einer Zeit, in der die Portugiesen immer klarere Zeichen aussandten, dass sie ihre Unabhängigkeit zurückbekommen wollten. Daher ist es nicht verwunderlich, dass eine mögliche Ehe zwischen Luísa de Gusmão und dem Herzog von Bragança als einzigartige Chance galt, die beiden wichtigsten herzoglichen Häuser Spaniens und Portugals zu vereinen und damit die portugiesi-

schen Rebellionsversuche gegen die Dynastie der Philipps von Spanien im Zaum zu halten. Dieser Plan ging, wie wir wissen, zu unserem nationalen Wohle gründlich schief. Nun, schauen wir, was die Geschichte zu erzählen weiß! Keiner dachte wohl im entferntesten daran, dass D. Luísa Francisca de Gusmão, von echtem spanischem Geblüt, nicht nur die Politik der Annexion Portugals nicht unterstützen, sondern sogar ihren Gemahl in seinem aufrührerischen Eifer gegen die spanische Herrschaft auch noch bestärken würde, die Krone anzunehmen, die ihm in der Absicht angeboten worden war, die Unabhängigkeit wieder zu erlangen. Die neue Herzogin von Bragança hatte sich nicht nur mit dem Herzog vermählt, sie vermählte sich auch dem Lande. Es wird erzählt, als sie geboren wurde, habe ihr ein maurischer Astrologe geweissagt, sie würde Königin werden. Wahr oder nicht wahr, D. Luísa de Gusmão bemühte sich, die Prophezeihung wahr werden zu lassen. Und so geschah es. Sie wurde später Königin von Portugal. Ihre politischen Ambitionen ließen sie ihren Gatten bewegen, sich der Herrschaft der Philipps in unserem Land zu widersetzen. Man musste mit der Revolution vorankommen, und das schnell. Der etwas ängstliche D. João zögerte anfangs, den Thron anzunehmen und es war wohl sie, die ihn mit ihrem Wort überzeugte (und ihn bei weiteren Gelegenheiten, bei denen ihr Gemahl an Rücktritt dachte, überzeugen sollte), ein Wort, das im Laufe der Geschichte immer wieder hervorgeholt, aber vielleicht nie ausgesprochen worden war: “Es ist richtiger, als König zu sterben als als Diener zu enden“, wie der Graf von Ericeira schrieb; oder in der volkstümlicheren Version: „es ist besser, einen Tag Königin zu sein als das ganze Leben lang Herzogin“. Eine etwas einfältige Legende, die aber heute noch die Runde macht. Der Herzog nahm die Herausforderung an und wurde am 15. Dezember 1640 als D. João IV. zum König von Portugal ausgerufen und D. Luísa de Gusmão als Königin. Von dem Augenblick an, in dem ihr Gemahl König wurde, war sie immer Königin von Portugal, dachte und handelte wie eine Portugiesin. Das wurde sehr deutlich an der Art und Weise, wie sie sich an den Regierungsgeschäften ihres Gatten beteiligte, vor allem aber während der Zeit, in der sie als Regentin die Macht selbst ausübte, just zu einer Zeit, in der es im Krieg mit Spanien besonders heiß herging. ES WAR NICHT EINFACH Ihr Leben, muß man sagen, war

nicht leicht. Erstens wird sie wohl darunter gelitten haben, dass ihr Mann als reiches Söhnchen an Liebschaften gewöhnt, sie aber in der strengen christlichen Moral ihrer Zeit erzogen worden war. Zweitens musste sie als Mutter und auch später als Königin Schicksalsschläge und Herzeleid hinnehmen, beide gleichermaßen furchtbar. Luísa de Gusmão kam 14 Tage nach der Restauration nach Lissabon und brachte ihre drei Kinder mit; das Jüngste war die erst vier Monate alte Catarina, die Königin von England werden würde. Drei Jahre später wurde Afonso geboren, der spätere König; zu Luísas großem Herzeleid musste der Erstgeborene und Thronerbe, D. Teodósio, ein intelligenter und furchtloser junger Mann, auf dem so viele Hoffnungen ruhten, mit 19 Jahren an einer Lungenkrankheit sterben. Er war ihr Lieblingssohn und auch der Beste von allen. Im selben Jahr 1653 sollte sie auch noch die 19 Monate jüngere Tochter Joana sterben

sehen. Von den sieben Kindern, die sie geboren hatte, erreichten nur drei das Erwachsenenalter; Ana, die 1635 geboren wurde, lebte nur wenige Stunden, ebenso Manuel, geboren 1640, ein Jahr nach einer weiteren Fehlgeburt. Der Jüngste, der spätere König Pedro, der seinen Bruder absetzen würde, kam 1648 zur Welt. Von allen Kindern bereitete ihr Afonso die meisten Sorgen. Mit vier Jahren war er lange krank und blieb halbseitig gelähmt, was ihn nicht hinderte, sich in der Jugend ständig in Ungelegenheiten zu verwickeln. Manche sagen, er sei geistig zurückgeblieben, andere versichern, er sei nur rebellisch gewesen. Was immer die Wahrheit war, Fakt ist, dass er nach dem Tode D. Joãos IV. im Jahre 1656 mit 13 Jahren zum König gemacht und die Mutter zur Regentin ernannt wurde. Wieder einmal war es ein besonders schwieriger Moment, in dem sie die Macht de facto ausübte. Aber sie stellte sich dieser Aufgabe nach bestem Wissen und Gewissen. Da war zunächst der Krieg mit Spanien und die ständigen Überfälle der Holländer auf das portugiesische Imperium in Asien und Brasilien; dann der neue König, D. Afonso VI.,

der mit erst 13 Jahren zum König proklamiert wurde und auf das Regieren nicht vorbereitet war. In den Jahren von 1656 bis 1662, dem Jahr der Palastrevolution, die Afonso VI. auf den Thron hob, regierte Luísa mit großen Schwierigkeiten, rieb sich auf in internen Kämpfen und im Krieg mit Spanien, das erst 1668 die Unabhängigkeit Portugals anerkannte. In dieser aufgepeitschten See war es D. Luísa de Gusmão, die das Schiff zu steuern hatte. Nicht selten hatte die Königin eine aktive Rolle in der Leitung des Reiches gespielt, vor allem dann, wenn ihr Gemahl sich an die Front im Alentejo begab, um die ständigen Versuche militärischer Invasion der Spanier zurückzuschlagen. Nach dem Tode des Gatten 1656, übernahm D. Luísa, dem testamentarischen Willen D. Joãos IV. folgend, die Regentschaft des Reiches im Namen ihres Sohnes Afonso VI., der mit nur 13 Jahren zum König ausgerufen, aber zum Regieren nicht ausgebildet war. Es war die Beziehung zu ihrem Sohn, die den Rest des Lebens von D. Luísa de Gusmão prägen sollte. Die Königin war der Meinung, dass Afonso zur Regierung des Landes nicht taugte noch jemals taugen würde, vor allem in einer Zeit ständiger Bedrängnisse durch Kastilien. Indessen waren Afonso VI. und seine Vertrauten, vor allem die Gebrüder Conti und der sehr schlechte Einfluss dieser beiden italienischen Abenteurer, die das Vertrauen und den armen Geist des Souveräns erobert hatten, gegenteiliger Meinung und warteten nur auf die richtige Ausflucht, um die Macht zu beanspruchen. Und so kommt es. Unter dem Einfluss von D. Luís de Vasconcelos e Sousa, dem 3. Grafen von Castelo Melhor, prescht D. Afonso vor und verlangt die Macht aufgrund der Volljährigkeit. D. Luísa de Gusmão, die amtierende Regentin, leistet noch Widerstand und versucht, die Macht auf ihren anderen Sohn, D. Pedro, zu übertragen, aber schließlich zögert sie und wird sofort der Macht entkleidet und in ein Kloster geschickt. Sie wurde von ihrem Sohn D. Afonso VI. und von allen, die sie umgaben, stets mit Respekt und Verehrung behandelt, aber D. Luísa galt als Gefahr und potentielle Bedrohung für die Machthaber, weswegen sie ständig überwacht und am Rande des politischen Lebens im Land gehalten wurde. Es begann eine neue Ära. Sicher kann man einige Fehler in ihrer Regierungsführung aufzeigen, aber etliche Verdienste kann man ihr nicht absprechen, darunter großes Staatsverständnis und vollendetes Pflichtbewußtsein. Mit 52 Jahren erkrankt sie im Karmeliterkloster Xábregas, wohin sie sich 1663 zurückgezogen hatte. Am 26. Februar 1666, einen Tag

bevor die Nierenentzündung sie das Leben kostet, überlässt “Dona Luísa, Königin von Portugal und der Algarven diesseits und jenseits des Meeres, in Afrika Herrin von Guinea und der eroberten Gebiete Äthiopiens, Arabiens, Persiens und Indiens“ ihre Seele Gott und ihren Segen den Kindern D. Catarina, die Königin von England geworden war, D. Pedro, der später seinem Bruder die Macht entreißen (wie er ihm die Frau genommen hatte), und unter dem Namen D. Pedro II. regieren würde, und ihrem Sohn, dem König; dabei sagte sie, sie erwarte von diesem nichts anderes, sie bäte um Nachsicht für ihre Bediensteten und Edelleute, die ihr gedient hatten. “Ihre Augen schlossen sich langsam mit dem letzten Wunsch, ihre Kinder zu sehen und der unweigerlichen Enttäuschung, dass sie sich nicht mehr sehen durfte“. D. Catarina war in London, D. Afonso und D. Pedro auf der Jagd und verspäteten sich. Am 31. Juli 1946 wurde ihr Sarg in der Kirche S. Vicente de Fora (Lissabon) geöffnet, um „mögliche historische Informationen zu gewinnen“ und von 1888 herrührende Schäden festzustellen, als der Sarkophag sich im Kloster der Nonnen von Grilas befand und bei Volkswirren gewaltsam geöffnet worden war. Man kam zu dem Schluss, dass die Königin eine für ihre Zeit große Frau gewesen war, ihr Skelett maß 1,68 m. Hier muss man das populäre Sprichwort korrigieren „Aus Spanien kommt weder guter (schlechter) Wind noch gute (schlechte) Heirat“. Heute ruhen ihre sterblichen Überreste im Pantheon derer zu Bragança, im Kloster São Vicente de Fora in Lissabon, wohin sie von Xábregas aus überführt worden sind. (Übersetzung aus dem Portugiesischen von Barbara Böer Alves)


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Consultório Miguel Krag, Advogado Portugal Haus Büschstr.7 20354 Hamburgo Leopoldstr. 10 44147 Dortmund Telf.: 040 - 20 90 52 74

PORTUGAL POST Nº 205 • Agosto 2011

O consultório jurídico tem a colaboração permanente dos advogados Catarina Tavares, Lisboa, e Miguel Krag, Hamburgo

Catarina Tavares Advogada em Portugal Rua Castilho, n.º 44, 7º 1250-071 Lisboa advogados@bpo.pt Telf.: + 351 21 370 00 00

Portugal Pensão de alimentos a filhos maiores Catarina Tavares, Advogada

A pensão de alimentos enquadra a regulamentação do poder paternal de filho menor, habitualmente referenciada, no caso de divórcio ou separação de pessoas e bens. Entende-se por pensão de alimentos, a quantia em dinheiro que deverá prover aos gastos com alimentação, vestuário, saúde e educação do filho, a que um dos pais, geralmente, aquele que não fica com a guarda do filho, fica obrigado. A lei estipula que os pais ficam desobrigados a prover o sustento dos filhos e de assumir as suas despesas, na medida em que os filhos estejam em condições de suportar aqueles encargos, nomeadamente, pelo produto do seu trabalho ou outros rendimentos.

Ora, também é claro que deixa de existir uma obrigação legal de suportar uma pensão de alimentos, quando o menor alcança a sua maioridade. O mesmo acontece relativamente ao poder paternal, que aos 18 anos faz extinguir uma série de direitos e obrigações, que se haviam estipulado desde o nascimento do filho. Não obstante, a obrigação de prestar alimentos, acarreta uma excepção prescrita pela lei, que se aplica nos casos em que o filho maior, ainda não tiver completado a sua formação profissional. Ora, nestes casos, os pais poderão ser obrigados a prover ao sustento do filho maior, na medida em que tal lhes seja razoável exigir e durante o tempo normalmente requerido para que aquela formação se complete. Imaginemos um curso

superior, que habitualmente, é concluído com 23 anos. É necessário intentar uma acção de prestação de alimentos pelo maior contra o progenitor visado, acção essa que deve ser apresentada na Conservatória de Registo Civil. O filho deverá juntar documentação que comprove as suas despesas, nomeadamente, as oriundas da formação profissional, rendas, despesas com deslocações e alimentação. Subsequentemente, o progenitor visado será notificado pela Conservatória para apresentar a sua oposição. Se nada fizer dar-se-ão como provados os factos, sendo a acção procedente, Caso decida apresentar oposição, será agendada uma tentativa de conciliação, onde haverá possibilidade de se chegar a acordo. Caso, não se viabilize o acordo, o processo será

remetido para tribunal. Em tribunal, haverá contraposição entre a necessidade efectiva do filho maior, o aproveitamento da formação profissional, a existência ou não de rendimentos e a capacidade económica do progenitor visado. É exigida uma análise objectiva da razoabilidade entre os dois pólos opostos. Não negligenciando, outros segmentos, como a relação e vínculo existente entre filho e progenitor. Retêm-se assim que enquanto a pensão de alimentos a filho menor é sempre obrigatória para os progenitores, devendo estes, fazer tudo o que estiver ao seu alcance para prover à educação e necessidades do menor; os alimentos a filho maior, poderá não ser viabilizado, caso se entenda que o filho poderá suster ele próprio às suas despesas.

Acima de tudo, Informação. Assine o PORTUGAL POST. Agora também disponível em versão digital (PDF). Em qualquer lugar, tem agora acesso a toda a informação que se encontra na versão em papel do seu PORTUGAL POST Veja em www.portugalpost. de

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PORTUGAL POST Nº 205 • Agosto 2011

José Gomes Rodrigues

Exmos senhores do Portugal Post Estamos prestes a entregar o requerimento para a reforma. Sei que teremos de viver muito apertados financeiramente. A minha reforma e a da minha esposa não devem ultrapassar os 1.000 € mensais. Teremos de recorrer a todas as ajudas legais à disposição para poder levar uma vida digna.. De Portugal ou de outro país não temos direito a qualquer pensão, pois também não descontamos nada para a segurança social. O regresso a Portugal está posto de lado, pois além dos filhos viverem aqui, em Portugal não temos família e o apartamento que compramos através de um empréstimo bancário ainda não foi saldado definitivamente. Ouvi dizer que havia um subsídio de arrendamento, mesmo para reformados. Poderiam informar-nos como este subsídio é processado? Desde já aceitem a minha gratidão e aproveito para dar-vos os parabéns pelo serviço que estais prestando à comunidade através das vossas informações tão úteis! Leitor devidamente identificado Obrigado pelo elogio. Queremos estendê-lo aos leitores assíduos do jornal. Pois são eles a razão da nossa existência. Por isso procuramos responder o melhor possível às suas necessidades e anseios. O nosso lema tem sido marcado pelo serviço aos compatriotas através deste meio de comunicação social. Queremos simplesmente ser fiéis a este compromisso O aumento do valor das reformas tem sido mínimo tendo até na última década simplesmente estagnado. Como o aumento constante do custo de vida não foi acompanhado pelo consequente aumento das reformas, esta realidade provocou e está provocando um empobrecimento notório nesta população que é um número considerável. Tudo leva a crer que o futuro será ainda mais tenebroso. Os ordenados praticados ultimamente por empresas de empréstimo de pessoal são tão baixos, que o operário é obrigado a requerer um complemento social para poder viver com o seu agregado familiar. O número do

3

› Subsídio para a renda de casa › Subsídio para a aquisição de habitação própria e as reformas contingente que vive e dispensas estatais, o assim chamada Hartz IV, levarão a uma redução drástica das reformas. Esta situação irá engrossar ainda mais as fileiras dos que, no fu-

direito a todo o cidadão que cumpre com os necessário requisitos. Segunda as últimas estatísticas, beneficiam já deste subsídio

pois a concessão é dada somente a partir da entrega do requerimento junto da câmara. O montante a conceder depende do número dos elementos do agregado familiar, do nível da

que se consideram para este cálculo, este é o quinto escalão, ou seja, o segundo maior. Vamos exemplificar com um caso muito simples: Um reformado a viver só em Düsseldorf que tenha rendimentos no valor de 933 € e que pague uma renda de casa de 385 € , aqui incluem-se os custos com os condomínios mas excluem-se os gastos com o aquecimento mensalmente a quantia de 14 € para atenuar as despesas com a renda de casa. Se os rendimentos fossem de 900€ a quantia de subsídio a receber seria segundo a tabela a usar, de 31 €. PESSOAS COM DEFICIÊNCIA Para estas pessoas são consideradas outros benefícios que aumentará consideravelmente a quantia a receber de ajuda à renda de casa ou ao pagamento dos juros para a aquisição de habitação própria. SERÃO TIDOS TAMBÉM EM CONTA NESTA AJUDA?

turo, irão viver no limiar da pobreza. O compatriota simplesmente pediu um esclarecimento sobre a ajuda às rendas de casa, o que iremos fazer. Queremos lembrar mais uma vez que existem outros benefícios para os que recebem uma pensão cujo valor é inferior aos que são abrangidos pela ajuda ao desemprego ou Hartz IV. Já nestas páginas nos debruçamos sobre o assunto. SUBSÍDIO À RENDA DE CASA E A PENSÃO O subsidio da renda de casa ou até a ajuda ao pagamento do credito à aquisição de habitação, que se regulam pelas mesmas leis, tem sido um dos recursos financeiros a que se tem recorrido para enfrentar a vida com um pouco mais de dignidade. Este subsídio é um

45% dos agregados familiares cujos rendimentos dependem da reforma. Este apoio financeiro também dirigido aos reformados consta já duma das mais clássicas ajudas para aumentar o budget mensal dos pensionistas. QUEM PODE USUFRUIR DESTE DIREITO? Este subsídio é estatal e não regional ou da responsabilidade dos respectivos estados federados. São contempladas as famílias, ou pessoas individuais, que dele necessitem seja para atenuar os altos custos da renda mensal a pagar, ou para mitigar o crédito que se tenha feito para aquisição de habitação própria. A ajuda é proporcionada, em principio só por um ano. Um novo requerimento é necessário, ao findar a concessão anterior. Procurem os interessados não deixar passar muito tempo,

renda de casa no lugar onde se habita e de todas os recursos financeiros da família. A dimensão da casa tem de estar de acordo com o número dos familiares e o seu valor mensal deve obedecer a uma tabela de preços de renda que é acordada pelas autoridades em questão. Estas clausulas evitam o pagamento de luxos ou dimensões exagerados.

Tanto o recheio da casa como os valores imóveis ou a própria viatura não são, geralmente considerados, a não ser que haja um exagero e não obedeça à normalidade do cidadão em geral. Convém lembrar que nem todas as cidades interpretam por igual estas cláusulas, podendo diferenciar-se nas suas apreciações e decisões a tomar. IMPORTANTE

CÁLCULO DOS RECURSOS FINANCEIRO

1. Não se atrasem em entregar o requerimento. Mesmo que falte algum documento! Entreguem mesmo assim com a condição de os entregar logo que vos seja possível. Pois só haverá dinheiro no mês em que este é entregue na câmara.

O requerimento para a obtenção deste subsidio pode ser concedido mesmo para quem viva só e tenha um rendimento mensal de 933 € e possua a sua residência habitual na cidade de Düsseldorf. Neste cálculo incluem-se outras possíveis receitas, tais como juros, rendas e outros. Esta quantia base é válida para regiões como Colônia e Düsseldorf . De seis escalões

2. não se esqueçam de apresentar todos os rendimentos que se usufruem, mesmos os que possam ter em Portugal, como sejam as reformas, rendimentos que poderão vir de algum bem imobiliário e mesmo de juros pelo possível capital que terão depositado. A nossa experiência tem demonstrado que as consequências poderão ser bastante dolorosas.


18 Agenda Tome Nota

PORTUGAL POST Nº 205 • Agosto 2011

IMPORTANTE As informações sobre os eventos a divulgar deverão dar entrada na nossa redacção até ao dia 15 de cada mês Tel.: 0231 - 83 90 289 Fax :0231-8390351 Email: correio@free.de

Endereços Úteis Embaixada de Portugal Zimmerstr.56 10117 Berlin

Tel: 030 - 590063500 Telefone de emergência (fora do horário normal de expediente):

0171 - 9952844 Consulado -Geral de Portugal em Hamburgo Büschstr 7 20354 - Hamburgo

Tel: 040/3553484 Vice-Consulado de Portugal em Osnabrück Schloßwall 2 49080 Osnabrück

Tel:0541/40 80 80 Consulado-Geral de Portugal em Düsseldorf Friedrichstr, 20 40217 -Düsseldorf

Tel: 0211/13878-12;13

Citações do mês

Às associações, clubes, bandas , etc..

Alfredo Stoffel Telefone: 0170 24 60 130 Alfredo.Stoffel@gmx.de José Eduardo, Telefone: 06196 - 82049 jeduardo@gmx.de Maria da Piedade Frias Telefone: 0711/8889895 piedadefrias@gmail.com Fernando Genro Telefone: 0151- 15775156 fernandogenro@hotmail.com

"Quando gastamos tempo demais a viajar, tornamo-nos estrangeiros no nossopróprio país. Descartes , René Todas as riquezas do mundo não valem um bom amigo. Voltaire

Agosto 2011 5.08.2011 – BERLIM- Maria João Pires. Concerto com a orquestra Juvenial da Bahia. Local: Konzerthaus Berlin, Gendarmenmarkt. 6.08.2011 – SOMMERACH – Actuação do grupo Trio Fado. Local. Villa Sommerach, Nordheimerstr. Início: 20h00 13.08.2011 – WOLFSBURG – Actuação de António Zambujo. Local: Autostadt Wolfsburg, Stadtbrücke. Início: 20h00 14.08.2008 – WUPPERTAL

–Actuação da fadista Cristina Branco. Local: skulpturenpark-waldfrieden, Hirschstr. 12. 20.08.2011 – BERLIM – Actuação do grupo Trio Fado. Local. Tertanum Residenz, Passauerstr 5-7. Início: 19h30 29.08.2011 – SOMMERACH – Actuação do grupo Trio Fado. Local. Amphitheater & Strandbar Mitte, Monbijoustr. 3. Início: 20h50

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Tel. 0711/2273974 Conselho das Comunidades Portuguesas: Alfredo Cardoso, Telelefone: 0172- 53 520 47 AlfredoCardoso@web.de

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 O romance foi publicado em 1899 (um ano antes da morte de Eça) na Revista Moderna, e saiu em livro em 1901. Pertence à última fase do escritor, quando Eça se afasta do realismo e deixa a crítica dura que fazia à sociedade portuguesa da época. Jorge Amado Capitães da Areia Preço: € 11,50 Capitães da Areia é o livro de Jorge Amado mais vendido no mundo inteiro. Publicado em 1937, teve a sua primeira edição apreendida e queimada em praça pública pelas autoridades do Estado Novo. Em 1944 conheceu nova edição e, desde então, sucederam-se as edições nacionais e estrangeira, e as adaptações para a rádio, televisão e cinema. Jorge Amado descreve, em páginas carregadas de grande beleza e dramatismo, a vida dos meninos abandonados nas ruas de São Salvador da Bahia, conhecidos por Capitães da Areia.

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PORTUGAL POST Nº 205 • Agosto 2011

Afinal havia uma outra Olá ! O que eu vou contar será para muita gente como foi para mim um caso anormal e insólito. Ocorreu-me escrever-vos porque li num do vossos jornais uma história de uma senhora que me tocou muito e fiquei muito sensibilizado. Eu era casado ia para 3 anos. A minha mulher de nacionalidade polaca conhecia numa empresa onde eu trabalhei. Quando nos conhecemos éramos os dois da mesma idade, sendo que eu vinha de um divórcio da minha primeira mulher que conheci nas férias em Portugal e que depois se veio juntar a mim. Esse meu primeiro casamento não foi nada feliz, tendo durado apenas dois anos, seguindo-se de um divórcio, como já disse. Depois do divórcio nunca mais tive contacto com a minha exmulher e como não tínhamos filhos não havia necessidade de qualquer contacto. Sabia apenas que ela morava e na cidade onde resido e residi quando também era casado com a minha segunda mulher de nacionalidade polaca, mulher que ficou ligada ao destino do meu primeiro casamento. Foi quando decorria o processo de divórcio com minha primeira mulher (a portuguesa) que conheci a minha segunda (a polaca). Um dia , por coincidência, encontrámo-nos os três, quando a minha segunda me fez companhia enquanto eu tirava umas coisas de casa onde tinha vivido com a minha primeira mulher. Como eu já referi, o meu primeiro casamento não foi feliz. Bom, nos dois primeiros anos as coisas foram absolutamente normais e creio até que estávamos convencidos que o casamento era para a vida. Estava apenas um pouco triste por a minha mulher não me

dar um filho, mas de resto era tudo normal. A partir aí do segundo ano a minha mulher comportavase de maneira muito estranha. A sua relação comigo era assim de distanciamento e comecei a sentir que ela também evitava a intimidades e o contacto físico, o que motivou algumas discussões, como é normal. Comecei a desconfiar que ela tivesse uma relação com alguém, mas não queria acreditar. Tentei saber com que companhias ela andava, mas as únicas saídas dela eram sempre na companhia de uma vizinha. Muitas vezes lhe perguntei o que se passava com ela e a resposta era um nada, que não se passava nada e dizia-me que não sabia o que me tinha posto na cabeça por insistir nas perguntas. Mas facto é que ela recusava o contacto físico, e quando havia sentia que eu lhe era indiferente. A partir daí começaram haver discussões por tudo e por nada e fiquei convencido que esta sua atitude só se compreendia quando alguém tinha uma relação extra-conjugal. Um dia, depois de ter, em vão, tentado contacto físico perguntei-lhe directamente se ela tinha alguém. Disse-me e jurou que não, que era tudo invenção da minha cabeça, não acreditei a e nossa relação começou a esfriar. Aguentando esta situação durante algum tempo, houve um dia que eu lhe disse que não poderíamos continua assim e que a nossa relação não era de facto como a de um qualquer casal normal. Decidimos o divórcio sem que ela ficasse muito preocupada com isso. Saí de casa e mudei-me para um apartamento. No último ano em que ainda vivíamos juntos, conheci

a minha segunda mulher. Começamos por ter encontros e a nossa relação acabou por eu decidir sair de casa onde eu vivia com a minha primeira mulher. Foi assim neste entrementes que eu me casei de novo com a minha segunda mulher que sempre julguei ser-me fiel e que de certo ponto me era, mas não totalmente. Como pode ser isso possível? Eu explico. Não éramos um casal perfeito, mas estava-mos muito bem um com o outro. Como trabalhávamos na mesma empresa saímos de casa e vínhamos para casa juntos, cozinhávamos, jantávamos e durante a semana saíamos sempre à quarta-feira para irmos com amigos jogar Bowling. Aos fins de semana também tínhamos programa juntos. Às vezes ela saía com amigas e eu ou ficava em casa ou ia até à associação dos portugueses beber uma cerveja portuguesa e ver os jogos de futebol na tv. Como ela conhecia a minha primeira mulher, às vezes dizia-me que a tinha visto ali e acolá e eu não dava grande importância a isso. Um dia, um sábado à tarde, saí com a intenção de ir ao centro da cidade fazer umas compras e não é para meu espanto que as vejo ao longe juntas em grande cavaqueira e muito chegadas uma à outra. Fiquei espantado. Em casa perguntei à minha mulher que encontro era aquele com as duas como se fossem grandes amigas naquela fofoquice. Disse-me que não, que se tinham apenas encontrado por acaso e se tinham reconhecido e que não podia ser antipática só porque era a minha ex-mulher.

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Achei a explicação normal e não dei mais importância ao sucedido. Continuávamos assim a nossa vida e fazíamos sempre o que tínhamos feito sem haver alteração na nossa relação que, pensava eu, de grande normalidade. É verdade que já não saíamos assim sempre juntos e que ela saía mais sozinha mas sempre durante o dia, dizendo que se ia encontrar com amigas ou uma amiga, o que não era mentira. A nossa relação conjugal era assim como a de tantos outros casais. No contacto físico e na intimidade era aquilo que eu penso ser normal. Um dia, durante o período da Páscoa, disse-me que ia passar o fim-de-semana longo a Maiorca com uma amiga. Ofereci-me para levá-la ao aeroporto o que ela recusou, achando eu estranho porque ela pedia-me sempre para a levar aqui e ali. Como o aeroporto ficava longe, insisti dizendo que a levava e que depois a iria buscar quando regressasse. Não, que não, não valia a pena porque ela encontrar-se-ia com a sua amiga na cidade e que depois as duas iriam no U-Bahn. Achei muito estranho e a sua recusa despertou em mim uma desconfiança sobre ela que eu até ali não tinha. Quando ela foi não me saiu da

cabeça a sua recusa e comecei a pensar que no meio daquilo poderia estar mais alguém e que ela não estaria a ser fiel. Aquele fim-de-semana longo foi um martírio para mim. Vinha-me à cabeça tudo e mais alguma coisa e não poderia conceber que ela naquele momento estivesse a gozar as férias com alguém. Decidi então ir ao aeroporto esperála, ou melhor, vigiá-la para ver com quem ela vinha. Foi com grande admiração e espanto que a vi chegar acompanhada pela minha exmulher, e o que mais me espantou é que vinham assim muito chegadas e de mãos dadas como se fossem duas irmãs. Retirei-me sem que elas se apercebessem da minha presença e fiquei a matutar naquele insólito encontro. Nada lhe disse. A partir daquele dia comecei a estar atento às suas saídas e dias mais tarde confirmou-se aquilo que eu entretanto começava a desconfiar: é que as duas eram namoradas. Leitor identificado

Pedimos aos leitores que enviam correspondência para esta rubrica para não se alongarem muito nos textos que escrevem. A redacção reserva o direito de condensar e de trabalhar os textos que nos chegam. Obrigado.

ESCREVA-NOS e conte-nos a história da sua vida Sabemos que há mulheres e homens que desejam comunicar as suas aventuras ou até mesmo histórias sobre a sua vida ou que querem relatar experiências e contar casos de que foram testemunhas ou os principais protagonistas. Todos, uns mais que outros, temos uma história para contar, como por exemplo, como cá chegamos; a nossa dificuldade em compreender a língua; os sonhos que acalentamos para aguentar estar num país tão diferente; o choque cultural, o primeiro dia de trabalho e, porque não, as dificuldades por que passamos. Nós queremos contar a sua vida, o bom e o mau. Escreva-nos como sabe e pode e a sua história poderá ser um valioso testemunho da nossa presença neste país. Não se esqueça de nos enviar as fotografias que deseja ver publicadas. Morada: PORTUGALPOST Burgholzstr.43 • 44145 Dortmund • Fax: (0231) 83 90 351 • E mail: correio@free.de


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PORTUGAL POST Nº 205 • Agosto 2011

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Previsões para Agosto de 2011

Por Maria Helena Martins

CARNEIRO Amor: Avalie os prós e os contras de uma relação que se mostra saturada. Não se deixe manipular pelos seus próprios pensamentos! Saúde: Relaxe. Deixe as coisas fluírem naturalmente. Dinheiro: Possíveis mudanças no sector profissional. TOURO Amor: Uma crise conjugal poderá fazer com que a sua relação seja reforçada. Domine a sua agitação, permaneça sereno e verá que tudo lhe sai bem! Saúde: período marcado pela alegria e boa disposição. Dinheiro: Concentre-se nos planos que traçou para este mês. Caso contrário corre o risco de prejudicar o bom desempenho do seu trabalho. GÉMEOS Amor: Se desconfia de algo, fale abertamente sobre as suas dúvidas com a pessoa que tem a seu lado. Não perca o contacto com as coisas mais simples da vida. Saúde: Imponha um pouco mais de disciplina alimentar a si próprio. Dinheiro: Deve ter mais atenção com a forma como gere as suas economias. CARANGUEJO Amor: Prepare um jantar romântico com a sua cara-metade e desfrute cada momento que estejam juntos. Que o Amor e a Felicidade sejam uma constante na sua vida! Saúde: Proteja o seu sistema imunitário através daquilo que come. Dinheiro: Iniciará um momento de viragem na sua vida profissional, imponha as suas ideias e faça com que as respeitem. LEÃO

Amor: Deixe que a sua cara-metade tenha uma palavra a dar na forma como a vossa relação se tem desenvolvido. Seja menos autoritário. Que a leveza de espírito seja uma constante na sua vida! Saúde: Psicologicamente, estará um pouco instável. Não acumule dentro de si tantas preocupações. Dinheiro: Trabalhe com determinação e afinco mas de forma que não prejudique o seu bem-estar. VIRGEM Amor: A sua cara-metade poderá dar-lhe uma notícia muito agradável. A vida é uma surpresa, divirta-se! Saúde: Aproveite o tempo livre e vá dar um passeio ao fim do dia. O contacto com a Natureza fará com que se sinta revigorado. Dinheiro: Dedique mais tempo ao descanso e não pense tanto nos problemas profissionais. Lembre-se que amanhã é um novo dia. BALANÇA Amor: Deixe a timidez de lado para conquistar a pessoa que ama. Fale a verdade, de modo carinhoso. Saúde: Está sujeito a pequenos acidentes domésticos. Dinheiro: Seja perspicaz e poderá obter bons resultados num negócio rentável. ESCORPIÃO Amor: Os seus amigos vão dar-lhe toda a atenção de que precisa. Cultive o relacionamento interpessoal e verá que obterá benefícios. Saúde: Perigo de fracturas. Atenção a degraus. Dinheiro: Uma actividade extra poderá estabilizar as suas finanças. SAGITÁRIO Amor: É possível que sofra uma desilusão. Convide os seus amigos para

sair, espaireça, não fique em casa. Trate-se com amor! Saúde: poderá cometer um pequeno excesso de vez em quando. Não se prive sempre das delícias de que mais gosta. Satisfaça a sua gula, desde que seja com conta, peso e medida. Dinheiro: Esqueça as tristezas dedicando-se no trabalho. Mãos à obra, tem muito trabalho pela frente. CAPRICÓRNIO Amor: Viva romanticamente e demonstre à pessoa amada que pode acreditar nas suas intenções. Que a alegria de viver esteja sempre na sua vida! Saúde: Aproveite ao máximo a vitalidade que sentirá nestes dias. Dinheiro: Poderá ser-lhe atribuída uma tarefa de grande responsabilidade. AQUÁRIO da Fortuna, que significa que a sua sorte está em movimento. Amor: Demonstre ao máximo o seu romantismo, deixe-se conduzir pela intuição. Permita-se a si próprio a visão da alegria e sinta-a diariamente. Saúde: Em vez de ter pensamentos negativos, consulte o seu médico e seja mais optimista. Dinheiro: Seja astuto e conseguirá aquela promoção que deseja. PEIXES Amor: Evite uma relação amorosa que já não o faça feliz. O seu bemestar depende da forma como encara os problemas. Saúde: Alguns problemas familiares poderão fazer com que se sinta triste. Cuide da sua saúde. Não é uma questão de querer, é um dever. Dinheiro: Deverá evitar ter problemas com identidades bancárias.

É Preciso Gravata Um português caminha pelo deserto a gritar: — Água... Água... Estou a morrer de sede! Entretanto, avista um homem que vem na direcção dele: — Amigo, água... Ajude-me! — Lamento, mas só vendo gravatas! E o homem continua o caminho, desesperado, à procura de água. Já de rastos, avista um bar no deserto. — Água, por favor! Diz o porteiro: — Aqui só entra quem tiver gravata! Cabelos Secos Diz um alentejano à mulher: - Ó Maria, prepara uma roupa que eu quero tomar banho p'ra depois tratar dos negócios! E a mulher prepara a roupa e põe-na na casa de banho. Vai o homem tomar banho, começa a correr água e grita: - Ó Maria, traz-me o champô porra! - Ah homem, então o champô tá aí na casa de banho! - diz a mulher. - Ah, isto é para cabelos secos e eu já molhei a cabeça!

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Economia

PORTUGAL POST Nº 205 • Agosto 2011

Alemanha e Portugal sondam possibilidades de emprego para enfermeiros A Agência Federal de Trabalho Alemã (BA) está a cooperar com as autoridades portuguesas para a sondar as possibilidades de emprego para enfermeiros portugueses na Alemanha, disse à Lusa uma porta-voz. “Falámos com os nossos parceiros da Eures [portal europeu para a mobilidade profissional] sobre as áreas em que a Alemanha precisa de quadros técnicos, e eles disseram-nos que há potenciais candidatos no domínio dos enfermeiros”, disse à Lusa Beate Raabe, do gabinete de imprensa da Agência de Mediação de Trabalhadores Especializados Estrangeiros (ZAV), uma instituição da BA. “Iniciámos já um projecto, e estamos sondar empregadores alemães, de

hospitais e sobretudo de instituições que prestam cuidados continuados, para saber se precisam destes especialistas”, explicou Beate Raabe. No entanto, adiantou “não é possível, de momento, quantificar nem a oferta nem a procura de enfermeiros portugueses, quer para hospitais, quer para instituições que prestam cuidados continuados”, acrescentou a mesma responsável. A porta-voz da ZAV acrescentou ainda que não é possível quantificar os enfermeiros portugueses a trabalhar na Alemanha porque não existe uma estatística que alie a profissão à nacionalidade. “Além disso, os trabalhadores portugueses, como cidadãos da União Euro-

peia, gozam do direito de livre circulação, e não têm por isso, de se registar como tal, em nenhuma repartição”, explicou Beate Raabe. A Agência Federal do Trabalho (BA) alemã referiu que “há um grande interesse” por parte de enfermeiros portugueses em trabalhar na Alemanha, mas o grande obstáculo é a falta de conhecimentos da língua germânica. A Alemanha tem falta de mão de obra em alguns sectores qualificados e poderia recorrer a especialistas de países europeus que neste momento têm um elevado desemprego entre quadros técnicos, casos da Espanha, Portugal, ou da Grécia, disse a diretora da, Monika Varnhagen, ao jornal Die Welt. PUB

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Casal Garcia tem uma nova campanha televisiva

O novo spot televisivo de Casal Garcia é uma viagem que começa em 1939, data em que se inicia a produção deste vinho, e que retrata, no decorrer da história apresentada, a autenticidade e a partilha de emoções indissociáveis da marca Casal Garcia. A banda sonora, bem como os cenários escolhidos, espelham a origem e tradição da marca Casal Garcia que, ao longo do tempo, tem sido um embaixador dos Vinhos Verdes em todo o mundo. As três versões do anúncio televisivo, foram produzidas numa envolvência de descontracção, alegria e convívio, reforçando a brand essence e o posicionamento da marca Casal Garcia. O spot desta nova campanha televisiva, que será difundida na RTP Internacional termina com a assinatura “Haja Alegria. Haja Casal Garcia.”», património da marca.

Merkel: Alemanha tem o dever histórico“ de apoiar o euro A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou que a Alemanha tem o “dever histórico” de apoiar o euro e saudou o acordo alcançado na quinta-feira para um segundo plano de ajuda à Grécia. Esse acordo, disse Merkel em conferência de imprensa em Berlim, é um “passo significativo” que vai ajudar a Europa e apoiar a moeda única europeia. “Sabemos que o problema de um é um problema de todos”, disse

Merkel.A chanceler disse também, contudo, que o novo plano de ajuda à Grécia é “um caso único” e descartou a participação do setor financeiro privado europeu em eventuais futuros pacotes de ajuda para outros países da Zona Euro. “O euro é bom para nós, o euro é parte do êxito económico alemão e uma Europa sem o euro é impensável”, disse. A chefe do Governo alemão afirmou, por outro lado, que não é de esperar uma solução especta-

cular nem rápida para o problema da Grécia, mas “um processo de diferentes passos sucessivos” para resolver os problemas do país. Merkel disse-se no entanto convencida de que a Europa vai sair desta crise mais forte do que era. Os 17 países da Zona Euro aprovaram na quintafeira, em Bruxelas, um novo plano de ajuda a Atenas no valor de 159 mil milhões de euros e a flexibilização dos juros e dos prazos nos créditos concedidos à Grécia. PUB

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Última

PORTUGAL POST Nº 205 • Agosto 2011

Crónica Cristina Krippahl

A exemplo dos emigrantes

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ankaj Ghemawat é considerado um “guru” nos meios de gestão empresarial. Recentemente, o professor para Estratégias Globais da IESE Business School de Barcelona, esteve em Portugal para um seminário com empresários lusos. Este especialista contou ao jornal alemão, “Handelsblatt”, que a sua sugestão de que as firmas portuguesas saiam à procura de mercados em países emergentes como o Brasil, para equilibrar a falta de competitividade praticamente sem solução na Europa, deparou com categórica rejeição. Os empresários portugueses queixaram-se muito das dificuldades de investir no Brasil, apontando burocracia, baixos rendimentos, situação legal complicada, e uma miríade de outras excelentes razões para não se mexerem. Remata Pan-

kaj Ghemawat , textualmente: “Ocorreu-me que os portugueses que desencadearam a época dos Descobrimentos provavelmente tinham uma atitude muito diferente”. Tem razão, o professor. A atitude que os portugueses tinham então, adoptaram-na e conservaram-na os empresários nórdicos, com destaque para os alemães. A história de sucesso das pequenas e médias empresas alemãs deve-se precisamente ao espírito empreendedor de quem não está à espera do Estado para lhe resolver os problemas, mas se aventura pelo mundo fora, convicto de que tem bons produtos para colocar nos mercados internacionais. Tanto é assim que os exportadores alemães começam a voltar as costas à Europa, o seu principal mercado durante décadas, e procuram estabelecer-se nas regiões de desenvolvimento

mais acelerado, como a China e a Índia, onde as dificuldades práticas a superar não serão decerto menores do que no Brasil. Esta é apenas uma das tais diferenças culturais profundas que existem na Europa, e que são invocadas com cada vez

De olhos postos na reacção violenta dos gregos às consequências da crise, e à inércia e resignação dos portugueses, o resto da Europa começa a acreditar que as diferenças culturais são profundas demais, e que foi um erro aprovar a adesão de Lisboa (e Atenas) ao clube do euro

maior frequência por quem acredita que a Alemanha e Portugal não cabem na mesma zona monetária. E que serve de argumento a quem exige a retirada de Portugal e da Grécia da Eurolândia, para salvar uma das maiores conquistas políticas, económicas e financeiras do pós-guerra: o euro. Para já, o debate é meramente académico. As medidas acordadas pelos 27 estados membros da União Europeia numa reunião de emergência em Bruxelas, no passado dia 21 de Julho, são de molde a, pelo menos, permitir que a Grécia, Portugal e a Irlanda ganhem algum tempo no projecto de saneamento das contas públicas. Mas apesar de haver poucas dúvidas quanto às capacidades da Irlanda de dar a volta por cima, o mesmo não se aplica aos outros dois países. De olhos postos na re-

acção violenta dos gregos às consequências da crise, e à inércia e resignação dos portugueses, o resto da Europa começa a acreditar que as diferenças culturais são profundas demais, e que foi um erro aprovar a adesão de Lisboa (e Atenas) ao clube do euro. Cabe aos portugueses impedir que este discurso se alastre à política e se transforme em tema de campanha eleitoral, altura em que provavelmente será tarde demais para travar o processo de abandono do euro. Basta para isso mostrarem um pouco de coragem e empreendedorismo. Poderiam seguir o exemplo dos emigrantes, que sempre partiram pelo mundo à procura dos mercados de trabalho onde eles existem, superando para isso as maiores dificuldades, em vez de esperar que lhes caísse no colo a solução para todos os males. PUB

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