Portugal Post Dezembro 2012

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PORTUGAL POST ANO XIX • Nº 221 • Dezembro 2012 • Publicação mensal • 2.00 € Portugal Post Verlag, Burgholzstr. 43 • 44145 Dortmund • Tel.: 0231-83 90 289 • Telefax 0231- 8390351 • E Mail: correio@free.de • www. portugalpost.de • K 25853 •ISSN 0340-3718

Entrevista

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Foto: Gonçalo Silva

Nuno Crato assina acordo em Berlim para reforçar ensino profissional //P7

Arte Filipe Mirante Paixão, Sensualidade e Luta // P3

Um português notável O Eng. José Luís de Moura, respeitada figura do turismo português, faleceu com 88 anos de idade na sua residência em Kronberg. // P9

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PORTUGAL POST Nº 221 • Dezembro 2012

PORTUGAL POST

Editorial Mário dos Santos

Agraciado com a Medalha da Liberdade e Democracia da Assembleia da República Fundado em 1993 Director: Mário dos Santos Redação e Colaboradores Cristina Dangerfield-Vogt: Berlim Cristina Krippahl: Bona Joaquim Peito: Hanôver Luísa Costa Hölzl: Munique Correspondentes António Horta: Gelsenkirchen Elisabete Araújo: Euskirchen Fernando Roldão: Frankfurt/M João Ferreira: Singen Jorge Martins Rita: Estugarda Manuel Abrantes: Weilheim-Teck Maria dos Anjos Santos: Hamburgo Maria do Rosário Loures: Nuremberga Vitor Lima: Weinheim Colunistas António Justo: Kassel Carlos Gonçalves: Lisboa Glória de Sousa: Bona Helena Ferro de Gouveia: Bona Joaquim Nunes: Offenbach José Eduardo: Frankfurt / M Luciano Caetano da Rosa: Berlim Luísa Coelho: Berlim Marco Bertoloso:  Colónia Paulo Pisco: Lisboa Rui Paz: Dusseldórfia Salvador M. Riccardo: Teresa Soares: Nuremberga Tradução: Barbara Böer Alves

Um governo desolador

U

m país desolador, social, cultural e politicamente angustiante é o que o actual Governo está a oferecer aos portugueses – aos de dentro, aos de fora e à opinião pública mundial. Cada vez que o Primeiro-Ministro (PM) fala já não é sinónimo de entrar mosca e sair outra coisa, mas sim como um juiz que não percebe nada de direito, justiça, da vida e começa a sentenciar a morte dos réus, das testemunhas, dos defensores legais, da própria assistência e, no final, suicida-se. É impossível continuar a governar da maneira como os actuais responsáveis estão a fazer. Quando se governa é suposto que se construa; que se mobilize as populações para desígnios nacionais, que a todos, mas todos, dizem respeito. Não é isso que se passa. O Governo governa contra tudo e todos, insensível aos apelos, às condições sociais das pessoas, às vozes daqueles que nele votou; sem querer falar e negociar para

cumprir “custe o que custar” objectivos que já se provou ser impossíveis de atingir. Os números da actual desgovernação são assustadores: 21% dos idosos vive na miséria, sem dinheiro para o pão e para o caixão; 1,4 milhões de desempregados, dos quais apenas 370 mil têm apoios mensais do estado; crianças com fome que estão a dar entrada em hospitais com doenças provocadas pela falta de alimentação... Não está em causa o Governo pertencer a este ou aquele partido, mas uma coisa é certa: aqueles que agora governam têm um pensamento que pertence ao pior daquilo que os defensores do capitalismo puro e duro ousam defender. Chegado a este estado, o actual Governo deixou de ter legitimidade para concretizar as suas pretensões. Já não se fala da duríssima austeridade imposta a um povo já chupado até ao tutano. Já não se fala nas medidas gravosas previstas para o ano, do desmantelamento de fun-

ções essenciais do Estado , do plano de privatizações sem salvaguardar os interesses do país e das populações, da fuga dos jovens do país, da emigração a que os portugueses em situações de desespero se entregam, chegando a países como à Alemanha com uma mão à frente e outra atrás... Para além deste rumo de empobrecimento, vem agora o PM avisar que até o ensino secundário deixa de ser um direito, mas uma venda de um serviço. Quem quiser ir para a escola vai ter que pagar! É isto que o PM disse aos portugueses numa entrevista a uma TV. Isto não é uma novidade. Quanto a nós, a medida do Governo ao criar uma propina para os jovens alunos filhos de emigrantes trazia “água no bico“. Essa medida foi criada bem ao jeito da política de propaganda do actual governo: primeiro anuncia-se para ver se resulta... Mas, neste caso concreto, a cobaia foram os portugueses residentes no estrangeiro.

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Arte Filipe Mirante – Paixão, Sensualidade e Luta O escultor Filipe Mirante veio a Berlim de camião com as suas esculturas de mármore alentejano. No dia de 7 de Novembro, o hotel Maritim proArte, o embaixador Luís de Almeida Sampaio e o escultor convidaram alguns portugueses em Berlim para um jantar de confraternização e de convívio, com uma mostra das obras do escultor, e no fim do jantar o Trio Fado fez ouvir as suas vozes e instrumentos. Filipe Mirante, escultor, junto a uma das suas obras. Foto: PP Filipe Mirante é um escultor autodidacta alentejano – e o que nele me impressionou de imediato foi a sua autenticidade. Uma destas pessoas que ama a sua terra e que, de certa forma, se sente traído por esta, na Alemanha. Embora não pelos portugueses de Portugal mas, sim, pelos portugueses na Alemanha e, sobretudo, até esta sua última exposição, pelos representantes do Estado português. Um artista plástico que importa os seus materiais de Portugal, do seu

Alentejo, muitas vezes de Borba, o lugar onde nasceu – aquele mármore alentejano lindo, que esconde a sua beleza na natureza até as mãos calejadas do escultor depois de o trabalharem sem descanso, acariciarem por fim a sua perfeição tão esforçadamente alcançada – o escultor coberto pelo pó que escondia a sua beleza; e depois de ter talhado e polido, e ter vivido solitário com aquele bloco de pedra, que foi agreste, desvenda-lhe a beleza que os seus olhos tinham ima-

ginado. Filipe Mirante trabalha os seus blocos de mármore bruto como uma amante até à exaustão – para ele, a sua obra está sempre inacabada, é a mulher Margit que lhe diz “Basta!”. A separação é dolorosa! Nas suas obras expostas no hotel Maritim proArte, está patente a evolução do artista em três fases distintas, mas sempre femininas, embora a fase orgânica seja por vezes sexualmente indefinida e um pouco um exercício de formas entrelaçadas em movimentos de ballet. Uma primeira fase, em que o bloco foi trabalhado em figuras femininas sem perder a qualidade original de bloco de pedra, ou seja, em que se vê uma ligação nítida da natureza bruta com a arte, os pés bem assentes na terra de onde partiu, que nos tocam pela sua ancestralidade e que, de certa forma, faz lembras as estátuas da civilização dos hititas; uma segunda fase em que no bloco são talhadas e desenhadas formas orgânicas e vegetais ou abstractas sem se perder os horizontes do bloco; uma terceira fase, muito sensual, que se poderia designar por quase-erótica, em que o escultor pega num bloco e o trabalha até nos enfeitiçar com torsos femininos de uma beleza clássica idealizada, em que as formas são cinzeladas ao mais pequeno detalhe. Passando a mão numa carícia pelo torso na fotografia, a suavidade e os pormenores anatómicos parecem quase uma obra de magia e impossível de produ-

zir com este material duro. Mas Filipe Mirante é um artista que aprendeu a trabalhar a pedra com artesãos em Borba, Vila Viçosa, Estremoz e Évora; ele é um perfeccionista, que percebe do seu ofício. Os seus primeiros trabalhos reflectem algumas influências do escultor João Cutileiro. “Quando era jovem fui para Lisboa trabalhar com uma amiga num atelier de olaria. Fazia a Olívia Palito e a pantera cor-de-rosa. Rapidamente me cansei porque não tinha mais nada para aprender, e decidi-me por um material que é mais nobre”. Mais nobre, que dá luta, uma luta entre gigantes, entre a pedra e o criativo. O escultor fecha-se no seu atelier, numa quinta em Friesenheim, e vive meses na companhia daquele bloco agreste e em mutação, no meio de um barulho infernal, de rebarbadora, ar comprimido e flex, numa turbulência de poeiras iluminadas – dá-lhe os primeiros golpes e inicia a metamorfose; o escultor descobre no bloco os veios da pedra e vira-o de modo a correrem na vertical; para isso é preciso molhar a pedra e despi-la dos seus véus. “O trabalho tem de ser muito preciso, uma ferida na pedra, uma mazela – são falhas que se pagam caro. Com o ponteiro e a maceta quero mostrar a beleza natural da pedra” - afirma com aquela concentração tenaz que lhe é típica. A sua mulher Marguit acredita no sonho dele, embora já tenha havido

momentos de desalento. Os blocos são caros, a distância e o transporte encarecem ainda mais o material das esculturas, e um projecto que tenha um tema pode demorar anos a produzir. Filipe Mirante cerra os dentes e vai para a frente - tem um tipo de “drive” que o faz sobreviver ao que João Cutileiro designou por “a máquina de trituração do mundo das artes plásticas que leva muitos artistas ao abismo”. Mas Filipe Mirante tem uma visão: continuar a desvendar os segredos do mármore e os seus próprios, esculpir a pedra da sua paixão e honrar a arte que aprendeu no seu Alentejo. O escultor tem trabalhado em vários projectos locais e participado em simpósios internacionais de escultura. As suas obras estão patentes ao público no seu atelier e no átrio de entrada do hotel Maritim proArte, no centro de Berlim. O Senhor Robert Klimsch, o director do hotel, é um apaixonado pelas artes plásticas que se orgulha das centenas de objectos de arte expostos nas suas instalações. Os hóspedes parecem partilhar do seu entusiasmo fotografando e comentando os artefactos à sua volta. Filipe Mirante chegou há uns anos à capital com a sua arte e os seus mármores estão sem dúvida expostos no sítio certo. Cristina Dangerfield-Vogt Em Berlim PUB


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Nacional & Comunidades

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Ramalho Eanes

Ex-presidente Ramalho Eanes considera inaceitável haver crianças a passar fome O ex-presidente da República Ramalho Eanes considerou “inaceitável e inadmissível” que haja pessoas, sobretudo crianças, a passar fome em Portugal. “É inaceitável, é inadmissível, já não em termos democráticos, mas em termos de sociedade, em termos de humanização, que haja cidadãos, sobretudo crianças, que não tenham direito àquilo que é fundamental”, nomeadamente o direito à alimentação, disse o antigo presidente da República, à margem das comemorações do 37.º aniversário do 25 de Novembro de 1975. Também presente nas comemorações, o ex-chefe de Estado-Maior do Exército disse, à margem da iniciativa, que vê com “grande apreensão” as dificuldades que os portugueses estão a viver e que “são fruto das circunstâncias” que o país vive. “Valeu a pena tudo aquilo que se construiu até hoje”, após o 25 de Abril de 1974, mas “todos aqueles que viveram este período vêem com grande

apreensão as dificuldades que o país vive hoje”, afirmou o general Pinto Ramalho. Estas dificuldades dizem respeito a todos os portugueses, que precisam de entender a razão dos sacrifícios que estão a fazer, a sua finalidade e, sobretudo, terem “a percepção de que esses sacrifícios valem a pena”, sublinhou. “Se houver dúvidas em relação a isso, se houver um sentimento de que não há equidade nos sacrifícios e que os sacrifícios não vão na direcção que pretendemos ou esperamos que seja a resolução dos problemas do país” é legítimo que os portugueses se questionem sobre o que se está a passar, disse. Para Pinto Ramalho, “é legítimo” que os portugueses se interroguem quando são postas em causa “conquistas da sociedade”, como o acesso ao ensino, à saúde, à justiça e “à melhoria efectiva das suas condições de vida”. “Todos os portugueses, incluindo os militares, anseiam por ter uma per-

spectiva clara daquilo que são os sacrifícios”, disse, esperando que “o país não retroceda”. Segundo defendeu, “só faz sentido fazer sacrifícios e reformas se daí resultar qualquer coisa que seja mais positivo, mais agregador, que fomente a coesão nacional, o desenvolvimento e o bem-estar das pessoas”. O antigo presidente da República considerou que este é o momento para pensar e perceber que “só a democracia permite viver em paz” e que “os homens sejam cidadãos e, nessa qualidade, se relacionem com todos os outros com respeito, com tolerância e civilmente”. Para Ramalho Eanes, “a autêntica democracia é um propósito tão elevado que poucos são os povos que conseguem chegar lá”, mas revelou que desejava essa democracia para Portugal. “É isso que quero para o meu país, por todas as razões, porque sou português, nasci aqui e porque vou continuar aqui mesmo depois de morrer através dos meus filhos”, frisou.

Remessas de emigrantes vão crescer 15% este ano, prevê secretário de Estado As remessas de emigrantes deverão atingir este ano 2.700 milhões de euros, um crescimento de 15 por cento que o secretário de Estado das Comunidades disse ser „revelador de confiança no nosso sistema financeiro“. „É quase tanto como o país recebe da União Europeia, de fundos estruturais“, sublinhou José Cesário, que falava na Fundação Cupertino de Miranda, no Porto, ao encerrar o semi-

nário „A Emigração Portuguesa na Europa - Desafios e Oportunidades“. Para enfatizar o potencial económico da população emigrante, o governante afirmou que no I Salão do Imobiliário Português, realizado recentemente em França, „houve empresas nacionais que venderam mais do que comercializam cá durante um ano inteiro“. „Temos aqui, portanto, uma oportunidade extraordinária, sob todos os pontos de vista, que mau seria se con-

tinuássemos a desaproveitar“, frisou. José Cesário secundou as palavras do primeiro-ministro, proferidas na abertura do mesmo seminário, no sentido de o país tentar evitar a massificação da emigração, mas sublinhou também que a opção pelo trabalho no estrangeiro „representa, muitas vezes, um universo extraordinária de oportunidades“, num mundo globalizado em que os migrantes geram já uma riqueza equivalente à da quinta maior economia do mundo.

Orçamento de Estado 2013

José Cesário diz que é suficiente para manutenção dos principais projectos consulares O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, garantiu que o orçamento consular previsto para 2013 permitirá prosseguir os principais projectos do sector, com destaque para as permanências consulares. „Ainda não me vou pronunciar sobre as consequências do Orçamento do Estado, mas para já posso dizer que temos os instrumentos indispensáveis e orçamento suficiente para garantir o desenvolvimento dos principais projectos em curso, particularmente o que dá mais alcance, que são as permanências consulares“, afirmou o secretário de Estado. Cesário recordou que o projecto, iniciado em Maio desde ano e já implantado em mais de cinco países, entre eles França, Alemanha, Estados Unidos, Canadá e Brasil, não repre-

senta novos custos, e sim novas receitas para o Estado. „[A expansão das permanências consulares] implica aumento da receita, porque o investimento já está feito, os equipamentos já estão pagos, o único que é preciso fazer agora é pagar a despesa dos funcionários“, explicou. As permanências consulares são representações móveis, equipadas para prestar os mesmos serviços que um consulado, com o objectivo de atender aos cidadãos que se encontram em municípios menores, onde não se justifica a manutenção de uma sede oficial. Cesário garantiu, no entanto, que as permanências não são vistas como uma opção para substituir actuais consulados, na tentativa de reduzir custos. „Os consulados têm outras

funções, nomeadamente a representação do Estado e, portanto, não é substituível por equipamentos móveis. Não está em causa hoje nenhuma substituição desse tipo“, avançou. Evitando comentar sobre em que área incidirão os cortes anunciados hoje no Orçamento do Estado para 2013, Cesário comentou apenas que alguns „edifícios desaproveitados“ no exterior poderão ser colocados à venda. „Há vários edifícios que estão à venda neste momento e outros que poderão ser colocadas em breve, mas isso é uma matéria sobre a qual eu não me pronuncio, não é a minha competência. Em todos os casos, são postos à venda apenas nas situações em que [representações, consulados, residências] já foram desactivados“, completou.

Os novos emigrantes Ao fim de 15 anos praticamente esquecida, a emigração voltou à ribalta com a crise de 2008. Para o coordenador do Observatório da Emigração, esta atenção deve-se mais ao perfil daqueles que emigram e menos aos números. „Finalmente chegou às famílias que contam (…) Isto é, chegou aos ‘nossos’. Já não são só ‘eles’ que emigram“, disse o coordenador científico do observatório, Rui Pena Pires, durante um debate sobre „A actual situação migratória de Portugal“. Afirmando não querer ser cínico, o investigador admitiu ser essa a sua explicação para a percepção do aumento da emigração num momento em que, dizem os números, ela está a cair. Segundo os dados do Observatório, a emigração portuguesa aumentou até 2007 - saíram nesse ano 59.912 pessoas para Espanha, Suíça, Reino Unido, Alemanha e Holanda - mas começou a cair em 2008 (53.710) e o declínio prosseguiu até 2011 (43.225), último ano de que há registos. Isto acontece, explicou, porque a crise não foi exclusiva de Portugal e o desemprego afectou praticamente todos os países desenvolvidos, nomeadamente os tradicionais destinos da emigração portuguesa. Rui Pena Pires negou também que se registe um aumento proporcional da emigração de quadros qualificados: „Sempre emigraram quadros em Portugal. Agora emigram em maior número porque há mais quadros do que há 20 anos“, disse. Para o investigador, a emigração tem hoje uma visibilidade que não tinha porque, “pela primeira vez, a necessidade de emigração chegou a grupos sociais com maior qualidade de vida, mais acesso a informação, maior influência e, por isso, passou a ser um problema público”. Antes disso, entre os anos 1990 e o início da crise, a emigração esteve praticamente esquecida, tanto da política como da academia, disse por seu lado, no mesmo evento, o investigador do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa Jorge Malheiros.

Admitindo que a justificação para esse „esquecimento“ seja o aparecimento do fenómeno da imigração, que „era novidade“ e de que pouco se sabia, Malheiros defendeu que isso não explica que durante uma década e meia se tenha estudado tão pouco a emigração - sobretudo quando se sabe que „as saídas nunca desapareceram“. Os números do Instituto Nacional de Estatística - que pecavam por defeito - apontavam para mais de 20 mil saídas por ano. Além disso, embora até há quatro ou cinco anos o saldo migratório tenha sido favorável a Portugal - entrava mais gente do que saía - o número absoluto de portugueses no exterior (que varia entre 2,5 e quatro milhões consoante a fonte) sempre ultrapassou largamente o número de estrangeiros em Portugal (500 ou 600 mil), explicou depois aos jornalistas. Também nas remessas, o peso da emigração sempre foi maior, lembrou o investigador: embora o fluxo de saída de remessas tenha crescido sempre, as entradas foram sempre maiores do que as saídas. „Nunca deixámos de ser um país de emigração, qualquer que seja a medida“, afirmou. Porquê, então, o foco na imigração? Porque havia a noção, defendeu Malheiros, de que a emigração era um fenómeno „do Portugal atrasado, antigo“. „Havia um certo apagamento do imaginário do emigrante da mala de cartão que vai para fora porque não tem oportunidades num país pobre“, disse o investigador, lembrando que a imigração „foi uma boa notícia para Portugal“. „Foi provavelmente o período em que Portugal viveu mais feliz. (...) Tínhamos obras públicas, festas nacionais, Expos, campeonatos de futebol, taxas de desemprego baixíssimas e muitos imigrantes“, lembrou. Hoje, lamentou, o discurso político passou de um extremo ao outro. Da negação da emigração para o seu elogio: „Não há alternativas em Portugal e por isso é normal emigrar“. O problema, sublinhou, é que „quando não há alternativa dentro [do país], a emigração deixa de ser uma opção. É a única saída“.


Nacional e Comunidades

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Retratos de um país:

Marcelo sagt: Ich bin ein bola de Berlim Em nada me espanta que os alemães, que são criticados no filme criado pelo blogger dirigente do PSD Rodrigo Moita de Deus, não o quiseram exibir em público na praça Sony em Berlim – como era intenção dos seus promotores - no dia em que a chanceler Angela Dorothea Merkel visitou Portugal e viu um país muito agradável, um povo orgulhoso e bonito. Na foto: o pai da ideiado video Ich Bin Ein Berliner“, o comentarista político Marcelo Rebelo de Sousa.

Joaquim Peito

Dizem os mais puristas da gramática alemã que o carismático presidente norte-americano John Fitzgerald Kennedy terá dito „Sou uma bola de Berlim!“ em vez de „Sou um berlinense!“ no seu famoso discurso em 1963, cerca de três meses antes de ser assassinado em Dallas no Texas. Quase 50 anos depois Marcelo Rebelo de Sousa, o político-comentador televisivo, ressuscita a mítica frase e revitaliza o célebre discurso num vídeo em estilo caseiro que supostamente deveria sensibilizar os alemães para o esforço brutal a que estão sujeitos os portugueses devido às medidas de austeridade e ao desdém da Alemanha para com uma nação esforçada com PUB

quase 40 anos de democracia e recupera algumas das mais estreitas ligações, diferenças e semelhanças que Portugal mantém com a Alemanha. Não faltam as referências a submarinos, à rede de carros elétricos, à subida da idade mínima de reforma, aos inúmeros estádios de futebol herdados do Euro 2004, ao desaparecimento dos subsídios a mãos da Troika, a comparação disparatada entre a queda do muro de Berlim e a presente situação em Portugal, que só faz lembrar aos alemães quanto lhes custou a integração da antiga RDA. Vi no Youtube o vídeo de 4:45 minutos „Ich Bin Ein Berliner“ (Sou Berlinense), sugerido por Marcelo Rebelo de Sousa para dar a conhecer aos alemães mais sobre Portugal e sinceramente não sei como qualificar este vídeo. Esteticamente, o amadorismo é patente. A meu ver, palavras como “foleiro”, “piroso” e sinónimos são perfeitamente aplicáveis. É a todos os títulos revoltante. O objetivo seria dar a conhecer ao povo alemão a dura realidade portuguesa. Os portugueses trabalham mais horas, têm menos férias e reformam-se mais tarde do que os alemães. Explicar-lhe que nós por aqui andamos à míngua, enquanto eles continuam a viver à grande e à ...alemã. Boas intenções, portanto. Em nada me espanta que os alemães, que são criticados no filme criado pelo blogger dirigente do PSD Rodrigo Moita de Deus, não o quiseram exibir em público na praça Sony em Berlim – como era intenção dos seus promotores - no dia em que a chanceler Angela Dorothea Merkel visitou Portugal e viu um país muito agradável, um povo orgulhoso e bonito. Segundo os alemães o motivo para esta decisão prendeu-se com o carácter politizado da mensagem que, no seu entender, não é apenas uma demonstração do que é Portugal nem tampouco o de provar que não somos preguiçosos. Estaríamos nós portugueses dispostos a mostrar uma resposta alemã no Terreiro do Paço? Então como entender este aparente atentado contra a liberdade de

informação? Será que a história é bem contada? É isto defender a pátria? Mas o mais irónico do filme Portugal não avança. Portugal não sai do mesmo lugar. Caminha-se que se farta no vídeo, mas não se ganha distância em relação ao Padrão dos Descobrimentos (e logo o Padrão!!! Símbolo da nossa gloriosa história e do período áureo dos descobrimentos, que mantém a nostalgia do império, das Áfricas, das Índias e dos Brasis...) é um detalhe apenas, mas tem de ser analisado. O vídeo começa em 1974 com a revolução dos cravos que pôs fim a uma ditadura bafienta e sufocante que usou a tortura e a opressão contra a oposição. Melhoramos as condições de vida dos portugueses, a alfabetização, a taxa de mortalidade infantil e a esperança de vida tudo sem recurso ao Plano Marshall. Aqui começa a primeira não-verdade do vídeo. Portugal recebeu entre 1950 e 1951, 70 milhões de dólares. Mas esta alfinetada do plano Marschall era perfeitamente desnecessária. Em 1974, esses plano já tinha passado à história. Em compensação, muito do esforço de desenvolvimento português dos últimos trinta anos foi financiado pela UE a fundo perdido. Se fizermos as contas, às tantas ainda vamos concluir que, per capita, os portugueses receberam muito mais da UE que os alemães receberam do plano Marschall. Depois passamos ao mea culpa pelo modo como gastamos ou esbanjamos dinheiro onde vemos uma senhora na casa dos seus sessenta a mostrar um cartão de crédito enquanto ao lado esquerdo vemos um BMW série 5. Afinal 41,3% do parque automóvel português são viaturas Made in Germany. Pois... que culpa temos nós da qualidade dos VW, Audi, BMW, Porsche e Mercedes? Depois a tentativa de responsabilizar a Alemanha pelos gastos disparatados que fizemos, como os submarinos Trident ao custo de bi-

liões de euros, a rede de fornecimento de energia para carros elétricos sem os ditos estarem construídos (com certeza que alguém beneficiou com a negociata), ou mais as negociatas com a construção dos estádios do Euro 2004, a pretexto de que foram contratados alemães para o efeito. A Alemanha organizou o Mundial de 2006 e não construiu um único estádio, fazendo apenas melhorias nas estruturas que já tinha. Do bebé ao idoso todos saíram prejudicados mas talvez pensem mal de nós e nos vejam como uma espécie de Brasil europeu onde a tristeza é esquecida com o Carnaval, festas populares, futebol e telenovelas. Repito. É a todos os títulos revoltante. Em primeiro lugar a manipulação óbvia, como dizer que a idade da reforma na Alemanha é de 61,7 anos, quando é de 67 anos ou à eliminação de feriados em Portugal que só vigora no próximo ano e não temos tantos dias de férias e feriados como os alemães mas eles deveriam saber que somos trabalhadores árduos mas mal pagos. Deveriam saber que além disso pagamos muito mais impostos e quando protestamos nas ruas até abraçamos a polícia de intervenção. Qual é a nossa desculpa, então para vivermos muito pior do que os alemães? O desequilíbrio no comércio externo: sim, é verdade e tem de ser alterado. Porque não um vídeo mais esclarecedor - aos alemães à Europa e ao mundo - da classe política eleita pelo povo (que confiou e depositou a sua esperança neles) sobre as negociatas, os absurdos da corrupção do Estado português e de muitos dos seus políticos, dos planos de tantos projetos megalómanos como o TGV, o novo aeroporto e novas auto-estradas. É por demais evidente que o problema é sobretudo político e a intenção do vídeo é porventura necessária no contexto de desmoralização e pessimismo em que se vive correntemente. Temos de levantar a cabeça! Se temos tudo aquilo que têm os alemães mais um país com uma gastronomia e paisagens fantásticas por-

que motivo eles chegaram onde chegaram e nós não? Quem está mal? Quem é realmente o verdadeiro culpado? O vídeo é um erro em si mesmo. Nem mesmo a intenção me parece razoável pois tanto a forma como o conteúdo são constrangedores, com caraterizações grosseiras de um país que já não é assim. Percebe-se claramente que foi produzido „da noite para o dia“ e com pouquíssimos recursos, mas não há desculpas para um resultado tão sofrível. Se é para dizer aos alemães que trabalhamos mais horas que eles, dou graças por não ter sido autorizado o filme/video/clip na Praça Sony em Berlim. “Somos tão bonzinhos! Porque não gostam de nós?” Mas que grande complexo de inferioridade! Quando deixaremos de sermos “bonzinhos”? O mais engraçado é que os alemães até gostam de nós! Chega de ridículo.

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Comunidades

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2008 Quatro anos como Conselheiros das 2012 Comunidades - um balanço Alfredo Stoffel *

uando fomos eleitos, no princípio de 2008, eu e os meus colegas das outras áreas consulares, nunca pensamos que só quase seis meses depois da eleição viéssemos a ser convidados para ir a Lisboa ao Plenário do CCP. Este teve lugar em Outubro, no Centro Cultural de Belém; recebemos solenemente a nossa credencial e tomámos posse como Conselheiros das Comunidades. Formaram-se as Comissões Permanentes (6 no total) e depois de muitas peripécias e controversas foi eleito o Conselho Permanente. Embora a lei que rege o Conselho das Comunidades Portuguesas tenha sido contestada por muita gente, a sua insuficiência fez-se logo sentir no Plenário e desde há quatro anos que me convenço que desde o início, a desarticulação do CCP estava prevista. Além de não existir um Conselho Regional ou de País, o CCP também não tem autonomia financeira. A não existência destas duas componentes acima mencionadas é um factor importante que agrava em muito o trabalho dos Conselheiros. Na Alemanha estamos sujeitos aos encontros periódicos com os representantes diplomáticos e seus colaboradores; em Portugal temos as reuniões das Comissões Permanentes e o Plenário (nestas reuniões falamos com Membros do Governo, Deputados, Comissões da Assembleia da República, etc.). Na lei não está previsto o relacionamento directo dos Conselheiros com as Comunidades ou com as suas estruturas; esperamos que a proposta

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de lei que está a ser elaborada corrija os erros e dê aos Conselheiros o estatuto que devem ter – ser o elo entre Portugal e as Comunidades. Uma agravante para o trabalho do CCP é o abusivo não cumprimento da lei por parte da entidade responsável ou seja a SECP; esta não só demonstra resistência em se deixar aconselhar como corta os já míseros meios financeiros, previstos para o funcionamento do CCP. Neste período conhecemos dois governos: um governo PS (com António Braga como Secretário de Estado) e, como é do conhecimento geral, temos agora um governo PSD-CDS com o MNE Paulo Portas e José Cesário como SECP. Na Alemanha conhecemos dois Embaixadores, em cada região consular dois Cônsules-Gerais, duas Coordenadoras para o Ensino, dois Vice-Consulados foram encerrados, iniciaram-se as Permanências Consulares, o Governo e o Instituto Camões avançaram com a “Propina”. Os membros do CCP-Alemanha, não só no âmbito das suas competências na Alemanha, como também através do trabalho desenvolvido nas Comissões Permanentes em que participam, estiveram sempre envolvidos em todas as vertentes das reivindicações feitas pelo CCP para as Comunidades sendo de registar que as entidades responsáveis não tiveram em conta os nossos contributos. Os actuais problemas da Comunidade são multifacetados, no entanto sempre com as características comuns a todos os problemas com que se depararam os anteriores Conselhos: o EPE, o Associativismo, a Segurança

Social e a Reforma, os Fluxos Migratórios, a Rede Consular, o incentivo à Participação Cívica, o Recenseamento Eleitoral, o problema da Dupla Tributação, o relacionamento entre as Estruturas do Estado e os Representantes das Comunidades. Aconselhar para problemas poderem ser resolvidos é a essência do nosso trabalho. Infelizmente os nossos interlocutores em Portugal preferem usar o discurso de circunstância. Durante o governo PS, com o agravamento da crise económica, começamos a dar informações sobre o aumento da emigração e sobre os problemas sociais provenientes duma emigração descontrolada. Fomos apelidados de irresponsáveis e de dramatizarmos. Uma situação que não existia na altura os dirigentes recusavam-se a chamar “emigração”, apelidavam a saída como sendo “mobilidade dentro do espaço comunitário”. Com a mudança de governo o discurso foi alterado; a crise económica piorou ainda mais a situação dos portugueses. O governo assumiu que há uma crise social-económica, mas que a crise económica pode abrir novas oportunidades (o tal aconselhamento à saída). Hoje o aumento da emigração é visível e um facto consumado. A crise e a austeridade são os factores que norteiam a actividade dos nossos governantes. Estes actuam com algum acionismo, com comportamentos e decisões contraditórias, abrem-se plataformas com programas de fachada e sem sustentabilidade nenhuma (mas soam bem e apresentam-se bem nos média), no entanto as nossas propostas e recomendações não são tidas em conta.

AQUI ALGUnS EXEMPLOS: Continua a não haver uma política de Língua e de Ensino, sustentável, para as Comunidades. Contudo, o SECP e o Instituto Camões apregoam que melhorou a qualidade do EPE – mas o facto é que o número de professores diminuiu, a carga horária disponível foi reduzida, mantendo-se mais ou menos o mesmo número de alunos. A “propina” vem agravar ainda mais a já critica situação do EPE ( foi feita em cima do joelho, foi mal comunicada e é difícil de justificar, considerando que os custos dos manuais e da certificação seriam legítimos, o resto que está planeado é da competência do IC e não dos pais ). Iniciámos uma Petição contra a “propina” e pela manutenção do EPE, esperamos em breve ter as assinaturas necessárias para a entregarmos na Assembleia da República; As recomendações feitas, ao Governo, pela Comissão dos Assuntos Sociais e Fluxos Migratórios foram simplesmente ignoradas; Os Vice-Consulados (Frankfurtam-Main e Osnabrück) foram encerrados e os funcionários passaram a trabalhar em Estugarda, Düsseldorf ou Hamburgo. O encerramento foi justificado com o elevado custo para manter os mesmos e com a criação das Permanências Consulares. Sem dúvida que este serviço vai ao encontro das nossas comunidades mais afastadas dos Consulados-Gerais. Entretanto colocam-se várias questões: 1) Qual é a relação despesa – receita? 2) Há um programa de compensação de horário para os funcionários?

3) Como é que se estruturam os Consulados-Gerais a nível de recursos humanos se as Permanências Consulares continuarem por um período indeterminado? Recentemente foi nomeado pelo Governo um Cônsul – Honorário para Frankfurt-am-Main. Os Conselheiros questionam o porquê de um CônsulHonorário para uma metrópole tão importante como Frankfurt? Fizemos a pergunta ao Sr. Embaixador e a resposta não nos convenceu! Acho que chegou o momento de fazer um balanço destes quatro anos como Conselheiro das Comunidades, tendo em atenção todo o rol de coisas que até agora escrevi. Foi uma grande experiência e, sim, valeu a pena! Conheci: * Conselheiros muito dedicados ás suas Comunidades; * Conselheiros com um carácter humano exemplar; * Homens e mulheres de bem que, nos países de acolhimento, contribuem com as suas actividades, com o seu trabalho para dar uma boa imagem de Portugal. Há problemas importantes que não foram resolvidos e por isso continuo a insistir nesta luta em prol da Comunidade. Tenho a consciência tranquila porque aproveitei todas as oportunidades para apresentar, discutir e procurar soluções para os problemas da Comunidade. Se os resultados conseguidos não são satisfatórios, deve-se à falta de colaboração dos nossos interlocutores ao nível do governo. *Conselheiro das Comunidades Portuguesas

Com emprego, mas sem perspectivas, jovem engenheiro veio à procura do futuro na Alemanha Há pouco mais de um ano, o engenheiro Miguel Martins tinha emprego, mas faltavam-lhe perspectivas de futuro. Hoje, olha para o país a partir de Berlim, satisfeito por ter decidido emigrar, mas triste com o rumo de Portugal. Licenciado e doutorado em engenharia electrotécnica, Miguel Martins trabalhava há sete anos como investigador numa universidade quando Portugal pediu assistência financeira ao FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia (troika) e ambicionava um trabalho no sector industrial. „Tinha um contrato a prazo que iria acabar em 2013 e não estava a ver perspectivas, depois desse período, de

conseguir encontrar uma posição interessante, quer no ensino, quer na indústria“, contou à agência Lusa. Com algum tempo ainda pela frente até à conclusão do contrato, começou a procurar „confortavelmente“ uma nova posição. „Tinha algum gosto e interesse em trabalhar no estrangeiro e, como já estava há sete anos na área da investigação, pensei que se não voltasse à indústria perderia empregabilidade a curto prazo“, diz. Em Setembro de 2011, chegava a Berlim depois de ter conseguido colocação numa empresa de microelectrónica. A troika tinha vindo em Abril, lembra Miguel Martins, e „as perspectivas eram de degradação da economia“. Casado e com filhos pequenos,

viveu durante quatro meses longe da família. A esposa chegaria à Alemanha apenas em Janeiro de 2012 e os filhos no mês seguinte. Com emprego estável numa seguradora na região de Lisboa, a mulher de Miguel Martins aproveitou a oportunidade para também ela se „internacionalizar“. Apesar de reconhecer que há sempre algumas dificuldades de adaptação, o engenheiro, que residia nos arredores de Lisboa, destaca sobretudo as diferenças positivas que a mudança para Berlim trouxe. „O preço da habitação não é muito diferente de Portugal. Os nossos filhos estão num infantário público e o que temos aqui de abono de família cobre a despesa do infantário“, exemplifica. Sobre as saudades do país e da fa-

mília, Miguel desdramatiza, lembrando que em Portugal também estava fisicamente longe dos pais, que vivem no Fundão. „Neste momento, as fronteiras já são mais virtuais do que reais e, para mim, trabalhar num país estrangeiro não tem grande diferença. As ligações são excelentes e não me sinto afastado do país. Vivo numa cidade que tem uma comunidade portuguesa bastante grande e também não me sinto afastado da sociedade“, considera. Diz que todos os dias lhe chegam pedidos de informações de portugueses sobre como arranjar uma casa ou um emprego na Alemanha, e mostrase triste com crise que se vive em Portugal. „Entristece-me porque não gosto de ver o meu país numa situação de-

sagradável“, diz, lamentando que Portugal esteja a ser „tão pressionado para cumprir [as metas do ajustamento] em tão curto espaço de tempo“. Ainda assim, lembra que o país e os portugueses também têm responsabilidade na situação que atravessam. „Acho que a culpa é mais nossa que da União Europeia ou da Alemanha porque houve alguma irresponsabilidade no passado“, diz, considerando, no entanto, que a „austeridade que está a ser imposta aos portugueses não é a receita certa“. Quanto a um eventual regresso, Miguel Martins tem apenas certeza de que continuará na Alemanha enquanto se sentir mais confortável do que se sentiria em Portugal. Lusa


Entrevista Exclusiva

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Nuno Crato, Ministro da Educação

Assinatura de protcolo sobre ensino profissional dual faz deslocar Nuno Crato a Berlim O ministro da educação e ciência, Nuno Crato, assinou em 5 de Novembro, um protocolo de entendimento sobre a cooperação no âmbito do ensino vocacional com a sua homóloga alemã Annette Shavan. Com este importante passo pretende-se reforçar o ensino profissional existente em Portugal e criar condições para acentuar a vertente de prática nas empresas. O sistema dual de formação profissional existente na Alemanha, que é conhecido e reconhecido internacionalmente, irá servir de paradigma para uma aplicação adaptada às realidades do ensino e da população estudantil em Portugal, e também às características do mercado de trabalho no nosso país. O Portugal Post falou com Nuno Crato sobre os objectivos da sua visita e as esperanças que leva consigo, a que não faltou um “crash-course” de dois dias sobre o ensino profissional dual na Alemanha.

Isto seria uma forma de aproveitar as sinergias existentes, seria talvez a mensagem de esperança a Portugal. Quem fará o interface entre os ministérios alemão e português? As equipas técnicas são dos dois ministérios. Porém serão coadjuvadas por membros da Central alemã de Cooperação Internacional no âmbito do Ensino Profissional do BIBB e do equivalente em Portugal que é a ANQEP (agência nacional para a qualificação e o ensino profissional). Já existe uma lei-quadro para este projecto? Existe uma lei-quadro do ensino profissional.

Nuno Crato a ser entrevistado pelo PP (Foto: Gonçalo Silva) Senhor Ministro, como se pretende adaptar o sistema dual de formação profissional a Portugal? Em primeiro lugar queremos conhecer melhor o sistema alemão. Não queremos fazer uma adaptação imediata mas queremos explorar uma série de aspectos que existem no sistema alemão e que nos parecem positivos e ver como se pode adaptá-los a Portugal. A questão de fundo é a seguinte: sabemos que em Portugal existe muito desemprego jovem, alguma desadaptação entre o mercado de trabalho e a formação dos jovens. Ou seja esta relação pode ser melhorada, não esquecendo a formação geral dos jovens nas matérias fundamentais. Para quando está prevista a transposição deste sistema à realidade portuguesa? Não sei se vamos transpor exactamente este sistema. Temos já em Portugal um sistema de ensino profissional que tem cerca de um terço dos jovens do ensino secundário. Começou este ano uma experiência piloto de ensino vocacional que é um pouco anterior ao secundário e que começa no 10º ano de escolaridade, e a nossa experiência começa um pouco antes, com jovens de 13, 14 anos. Tanto esta experiência do vocacional como do profissional são experiências que vão todas no mesmo sentido e que, além da formação prática, pretende responder às necessidades dos jovens e permitir-lhes uma entrada mais directa e mais rápida no mercado de trabalho. O ensino vocacional em Portugal também tem uma componente na empresa tal como o

filha que nasceu fora e um filho que foi criado fora de Portugal e eu sei que os descendentes dos portugueses emigrados são habitualmente os jovens entusiastas pelo conhecimento e pelo contacto com a cultura do país de origem dos pais. Portanto os luso-descendentes serão os primeiros candidatos a este intercâmbio.

sistema alemão ou funciona apenas na escola? O que existe até agora funciona essencialmente na escola. Embora tenha algumas componentes nas empresas mas não de forma sistemática. O ensino vocacional tem contacto com várias profissões que é feito em parcerias com empresas, mas este ensino dual alemão com alternância escola/empresa, em que a empresa tem um papel essencial, não existe em Portugal. Podemos dizer que seria um sistema revolucionário para Portugal. Até para as próprias empresas formadoras porque poderiam, deste modo, veicular aos formandos a própria filosofia da empresa. Aliás, suponho, que esses jovens até seriam exportáveis para a Alemanha no caso de fazerem uma formação profissional que siga alguns parâmetros do sistema alemão! Para a Alemanha, outros países e mesmo em Portugal. Não está isso em causa. O importante é dar uma oferta adicional que lhes permita entrar mais directamente em contacto com aquilo que é necessário e de valor numa profissão. A nossa preocupação não é imitar ou não imitar o modelo alemão, mas sim desenvolver em Portugal um modelo de ensino vocacional que pode ter componentes como o alemão ou não os ter. Trata-se de adicionar uma oferta e dar mais capacidade de sucesso a esta oferta. Então poderíamos dizer que se trata de um reforço do sistema já existente. Qual é “de facto” a contribuição alemã? Estamos a começar! A contribuição alemã é sobretudo de apoio

técnico. Ficou decidido que vamos constituir um grupo de trabalho que se vai reunir em Portugal muito em breve e que vai explorar os aspectos técnicos do ensino profissional alemão e a possibilidade da implementação de alguns desses aspectos em Portugal. É um grupo técnico em que vai haver empresas, necessidades do mercado de trabalho, profissões, curricula, enfim todos os aspectos necessários para a formação deste sistema. O que é que foi mais visto com a ministra Shavan além da criação deste grupo de trabalho e da declaração de interesse em cooperar nesta matéria? Vamos estar presentes numa conferência que terá lugar em Berlim em Dezembro onde vão estar vários outros países interessados neste ensino vocacional e vamos explorar outras formas de cooperação, nomeadamente científica. Esta primeira reunião foi exploratória mas que foi muito bem-sucedida neste aspecto em termos práticos porque já sai desta reunião um grupo de trabalho para fazer propostas para o ensino profissional, já saem ideias em relação à cooperação científica e já saiu este nosso compromisso de participar nesta reunião em Novembro. Estamos então a falar de um encontro “think-tank”? Sim, mas um “think-tank” pouco diletante e muito prático! Estamos já a pensar o que fazer com a especificidade portuguesa para o desenvolvimento do ensino profissional em Portugal. Suponho que a Alemanha disponibilizará técnicos que serão consultores. Pergunto quem irá financiar estes técnicos? De momento, o funcionamento

deste grupo de trabalho e destas actividades bilaterais que estão agora a ser desenvolvidas são financiadas pelos dois estados. Mas a nossa ideia é que se possa criar a nível europeu um grupo que possa utilizar fundos europeus, visto tratar-se de uma preocupação europeia, para desenvolver o ensino profissional Há uma dotação de 55 mil milhões de euros do FSE exactamente para apoio aos jovens desempregados do designado “club-med”, não é? Sim, mas queríamos ser mais específicos e falar mesmo do ensino vocacional. Existe ainda outro aspecto importante desta nossa reunião e que é ser nossa intenção fazer um intercâmbio não só de experiências, mas também de professores e alunos. Também tinha essa pergunta mas mais especificamente relacionada com os luso-descendentes. Como é que eles poderiam participar num programa desses visto eles serem uma espécie de ponte entre culturas, falam alemão e português, conhecem bem o sistema dual na formação profissional – logo eles seriam sem dúvida uma mais-valia para a implementação do sistema de ensino profissional dual em Portugal! Os filhos, os netos dos portugueses que vivem na Alemanha são a ponte cultural entre os países muito importante e serão sem dúvidas os primeiros a serem convidados neste tipo de parcerias e entre eles estarão alguns dos mais interessados. Conheço relativamente bem a situação dos imigrantes porque tenho uma

Mas sem a componente do ensino profissional dual, suponho? Não, não existe, mas está previsto em decreto-lei o ensino vocacional e ofertas equivalentes de ensino profissional. Há abertura legal para a criação destas ofertas. Enfim, isto não é uma coisa nova, mas sim algo em que andamos a falar desde que chegámos ao governo. Portanto, na prática, estamos a falar da diversificação do ensino? Sim, da diversificação das ofertas de formação profissional. Mas estamos mais interessados em falar das experiências concretas do que fazer já leis sobre o assunto. Vamos começar pelos aspectos práticos. A Câmara de Comércio e Indústria luso-alemã (CCILA) já oferece o sistema dual de ensino profissional na sua página na internet para o ano lectivo 20122013. Sim, e a CCILA também será um dos parceiros a chamar para estes grupos de trabalho e de discussão técnica. á houve algum contacto com empresas em Portugal para conseguir postos de trabalho, estágios para os formandos? Há empresas que à partida se manifestam interessadas neste tipo de ensino profissional. Como é que vê a receptibilidade dos portugueses a um ensino que foge ao ensino académico tradicional e que não tem por fim a licenciatura num canudo? Há evidentemente pessoas que terão o que eu chamo de preconceito intelectual contra o ensino profissional mas a realidade encarregar-se-á de mostrar que ter mais ofertas é bom, e que muitos jovens gostarão de utilizar estas ofertas. Entrevista conduzida por Cristina Dangerfield-Vogt- Berlim


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Comunidade

PORTUGAL POST Nº 221 • Dezembro 2012

Grande noite de fado organizada pelos “Os lusitanos de Paderborn”

Berlim

O fado também toca a alma dos alemães

Encontro entre o Ministro da Educação Nuno Crato e a VPU

Realizou-se no passado sábado, dia 17 de Novembro, a 20ª Noite de Fados organizada pelos “Lusitanos de Paderborn”. O evento teve lugar nas instalações da “Kulturwerstatt” (oficina de cultura) da cidade de Paderborn. Pelo palco desfilaram caras bem conhecidas na Alemanha, como o grupo “Gerações”, que soube cativar a audiência com o seu novo reportório. Ana Laíns, a fadista lisboeta galardoada com o prémio da Grande Noite do Fado no Coliseu dos Recreios, actuou em Paderborn, a cidade denominada por Manuel Silva como “a capital do fado na Alemanha”. Na presença de mais de três centenas de amantes do fado, dois terços alemães, assistiu-se a uma noite de fados que não cedeu em qualidade aos saraus de fado de Lisboa ou Coimbra. A noite celebrou-se à luz de vela num aconchegante cenário semeado de mesas pequenas e redondas com vinho e petiscos portugueses. Só faltou espaço para acolher nas suas instalações repletas muitas outras pessoas que já não puderam assistir ao evento. Entre os presentes contavam-se: os patrocinadores do sarau, e como convidados de honra Manuel Silva, o ex-titular do Vice-Consulado em Osnabrück, e, o Presidente da Câmara Municipal de Paderborn, representado pelo Vice-Presidente, Sr. Pantke. Artur Domingues, o líder dos Lusitanos de Paderborn agradeceu calorosamente aos seus colegas de direção e aos patrocinadores todos os esforços que haviam dedicado aquela “consagração do fado”, e estes levaram consigo uma belíssima e bem simbólica garrafa de vindo do porto, enriquecida pelos aplausos de mais de três centenas de pessoas. Artur Domingues comentou que se Manuel Silva, atualmente em Hamburgo, ali se encontrava como convi-

Aspecto da sala onde decorreu o serão e, à direita, Manuel da Silva (enquanto falava para a plateia) acompanhado pelo impulsionador da noite de fado. Foto JS dado de honra n.º 1. Manuel Silva, muito grato pelo reconhecimento e pela amizade que nutre com a comunidade portuguesa, iniciou o seu discurso em alemão, agradecendo em privado às autoridades alemãs o alento e bom enquadramento que haviam proporcionado aos “Lusitanos de Paderborn”. Inesperadamente, solicitou aos alemães presentes que tinham visitado Portugal a erguer a mão. Foi uma agradável surpresa constatarse ali que quase todos convidados o haviam feito. Disse então ao Sr. Artur Domingues que apenas poderia deixar de organizar as belíssimas noites de fado quando todos os braços se erguessem. Manuel Silva falou à comunidade portuguesa da drástica situação de Portugal, mas afiançou acreditar que os problemas actuais se poderiam resolver graças aos Portugueses, em que depositava a maior confiança. Confidenciou com maior franqueza: “nenhum dos Portugueses residente no

estrangeiro pense que a situação vivida em Portugal não o afecta, pois todos nós tempos os nossos amigos e familiares em Portugal. Os portugueses residentes no estrangeiro são tão portugueses como aqueles que residem em Portugal, nos bons e maus momentos.” “Fiquei agradavelmente surpreendido que numa localidade, onde vivem menos de uma centena de portugueses, tenha aqui duas centenas de alemães a assistir à noite de fados. Destas duas centenas a maioria já visitou Portugal e este facto deve-se ao espantoso empenho dos “Lusitanos de Paderborn. Vocês são a melhor prova da mais-valia de uma comunidade organizada, que diariamente promove o nosso País, pois estes eventos contribuem para a resolução do problema, pois quanto mais turistas houver em Portugal e mais produtos portugueses sejam consumidos no estrangeiro, mais depressa se resolverá o nosso premente problema económico-

financeiro. Todos nós temos o direito e a obrigação de contribuir para a rápida recuperação e estou muito feliz por mais uma vez testemunhar o trabalho desenvolvido por vocês”, disse Manuel Silva. O Vice-Presidente da CM de Paderborn falou igualmente da situação financeira, da União Europeia, e dos amigos portugueses, dando também ele uma palavra de esperança quanto ao futuro de Portugal. Ana Laíns, a fadista que se encontrava em tournée pela Alemanha, deixou todos os amantes do fado boquiabertos. A sua voz, a sua presença em palco e o ambiente vivido nesta noite de 17 de Novembro criaram um ambiente feérico que muito impressionou os presentes. Fica aqui para Artur Domingues e os seus colegas da Direcção dos “Lusitanos de Paderborn” os parabéns e um grande desafio para a próxima noite de fado a ter lugar na “capital do fado”: Paderborn.

No âmbito da visita do Ministro da Educação e Ciência de Portugal, Nuno Crato, no dia 5 e 6 de Novembro de 2012 a Berlim, foi assinado um protocolo de entendimento com a Ministra da Educação da Alemanha, Annette Schavan, visando a cooperação na área do ensino profissional dual. Neste contexto Nuno Crato reuniu com a Federação de Empresários Portugueses na Alemanha (VPU) na Embaixada de Portugal em Berlim. O tema central deste encontro foi uma futura cooperação entre a VPU e o Ministério da Educação e Ciência de Portugal, com vista à introdução de alguns aspectos do modelo alemão de ensino dual de formação profissional no sistema de ensino profissional em Portugal. Tendo em consideração que a VPU cooperou no passado em projectos nesta área (elaboração de um estudo de viabilidade e intercâmbio de especialistas, etc), possui experiência prática que a torna um parceiro importante nesta primeira fase de cooperação. As acções de cooperação lusoalemã deverão ter início já em Dezembro deste ano. A VPU irá divulgá-las oportunamente.

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Alfredo Stoffel alerta para aumento da Emigração portuguesa aumenta mais emigração para a Alemanha de 50% na Alemanha A „insegurança“ laboral e financeira em Portugal levou ao aumento da entrada de emigrantes portugueses na Alemanha, com os sectores da saúde e da construção a serem os mais procurados, disse um conselheiro das Comunidades Portuguesas. Alfredo Stoffel, conselheiro do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) na Alemanha, comentava dos dados divulgados pelo departamento oficial de estatísticas alemão. Na origem desta subida estará, segundo Alfredo Stoffel, „a insegurança que há em Portugal em termos laborais, como financeiros“. „Há muita gente que sai pela insegurança ou porque já foi atingida

pelo desemprego“, disse o conselheiro das Comunidades Portuguesas, referindo que a maioria dos emigrantes procura trabalho na área da saúde e da construção civil. No caso concreto da saúde, explicou, „são pessoas mais novas que estão a trabalhar em condições precárias e para quem é mais fácil abandonar o país“. Mas para quem vai trabalhar para a Alemanha, a língua ainda continua a ser uma barreira. „Se tiverem sorte de ter um empregador que dê aulas, muito bem; se não houver essa benesse, há muita gente que terá problemas. Não digo que não se aprenda, mas demora um bocadinho“, afirmou Alfredo Stoffel.

A entrada de emigrantes portugueses na Alemanha aumentou 53% no primeiro semestre de 2012, num total de cerca de duas mil pessoas, anunciou o departamento oficial de estatísticas alemão, Destatis. A imigração aumentou 15 por cento na Alemanha no primeiro semestre de 2012, em resultado do fluxo de pessoas provenientes de países europeus tocados pela crise económica, de acordo com o Destatis, que divulgou os dados num comunicado. O saldo migratório (diferença entre as chegadas e as saídas) aumentou 35% no período de Janeiro a Junho, em 182 mil pessoas, assinalou o organismo alemão no comunicado. Cerca de 500 mil chegadas (15

por cento) foram registadas, contra 318 mil saídas, segundo dados preliminares. A maior parte das pessoas que entraram na Alemanha são originárias de países da União Europeia, sublinhou o Destatis, que forneceu uma cifra de 306 mil, um aumento de 24 por cento. “O destaque no primeiro semestre de 2012 é o forte aumento da imigração dos países da União Europeia, particularmente tocados pela crise financeira”, sublinhou o instituto de estatísticas. A maior parte dos migrantes são provenientes de países da Europa central e a Polónia situa-se em primeiro lugar no ranking (89 mil entradas no

primeiro semestre). “A imigração proveniente da Europa do sul tem números mais baixos, mas regista um recorde na taxa de progressão”, indicou o instituto. As entradas de gregos cresceram 78%, uma subida de 6.900 imigrantes em relação ao mesmo período do ano anterior. A imigração proveniente da Espanha para a Alemanha também aumentou 53 por cento (cerca de 3.900 pessoas), assim como a portuguesa (2.000 pessoas). A Alemanha já tinha registado um aumento de 20 por cento da imigração em relação ao ano precedente, que permitiu um ligeiro aumento da população alemã.


Comunidades

PORTUGAL POST Nº 221 • Dezembro 2012

Montada da Guarda Nacional Republicana num dos maiores eventos equestres em Berlim. Se não nos esquecermos que naquela época Berlim era uma cidade dividida, uma “ilha” no meio da República Democrática Alemã, será fácil avaliar a burocracia feroz para a entrada de um grupo de militares com fardas, equipamento e cavalos. O Eng. Moura pôs mãos à obra e mobilizou os seus contactos na Alemanha e em Portugal. A Embaixada de Portugal em Bona, na qual José de Moura era Adido Comercial, empenhou-se no apoio ao projecto. A Força Aérea alemã tratou do transporte da Guarda Republicana até Hanover. Os cavalos vieram por terra numa longa e aventurosa viagem. A Polícia de Berlim Oeste recebeu os seus colegas portugueses com carinho e eficiência. E no meio de toda esta organização, o Eng. Moura mexia os cordelinhos para que tudo estivesse perfeitamente coordenado. Foi um grande sucesso para Portugal, com uma cobertura mediática

invulgar. Quanto às empresas de turismo portuguesas, a porta do seu gabinete sempre lhes esteve aberta para apoio às suas acções de vendas na Alemanha. Uma conversa sossegada sobre a situação do mercado, as oportunidades de negócio e os planos futuros ajudavam os parceiros portugueses, que pelo seu lado sempre apoiaram incondicionalmente as actividades do Centro de Turismo nas suas visitas educacionais de media e de operadores a Portugal. Em Berlim, durante a Bolsa de Turismo ITB, realizou anualmente o “Jantar de Portugal” para o trade português e alemão, confeccionado por cozinheiros portugueses que convidava para o efeito. A animação do jantar era por ele cuidadosamente escolhida, mostrando de ano para ano a diversidade da cultura musical portuguesa. Envio de convites quase não era necessário. O trade português presente na feira sabia que podia trazer os seus parceiros alemães, os media e as grandes figuras do turismo alemão tinham já marcada nas suas agendas a terça-feira como a noite de Portugal, um dos eventos mais cobiçados da ITB. O Eng. Moura foi uma figura carismática nos círculos turísticos em Portugal e na Alemanha. A direcção da ITB, a maior feira de turismo do Mundo, convidou-o para membro do seu Fachbeirat (Conselho Técnico), cargo que exerceu durante longos anos. Lisboa honrou-o com a Medalha de Mérito Turístico. E o Governo Alemão concedeulhe em vida a Bundesverdienstkreuz, uma das suas condecorações mais prestigiantes, facto que não é do conhecimento geral pois José de Moura não gostava – nem tinha necessidade - de fazer a sua auto-promoção. Com efeito, sempre partilhou generosamente os seus sucessos com a sua equipa em Francoforte. Costumava dizer que “para conseguirmos resultados temos que estar todos no mesmo barco”. O barco que pilotou foi um grande navio! A sua equipa não o esquecerá. Manuela Alves-Christiansen

cessárias e prioritárias como já existiu, se a memória não me engana. Existem informações em língua alemã, mas nem todos os nossos compatriotas dominam o idioma. Tanto as missões católicas, como outras instituições incluindo outros conselheiros deveriam servir como pontes dessas informações emanadas pela embaixada e consulados”, disse-nos. No seu mandato anterior no Conselho para os Seniores procurou-se que as instituições responsáveis pela assistência na velhice se debruçassem sobre os problemas dos estrangeiros, seus anseios, sua cultura e seus desejos num internamente num lar ou assistência domiciliária. “Sei que, apesar de a nossa comunidade ainda não necessitar, mas que num futuro próximo irá necessitar. Aqui só na cidade de Ravensburg residem cerca de 260 portugueses”. Maria do Céu já não regressará a Portugal quando terá atingido a re-

forma e dividirão o tempo entre cá e lá. Cada vez mais nota ela que vão por aqui ficando bastantes compatriotas e fará tudo o que for possível para organizar de forma a que eles sejam seniores activos e participantes. Ser reformado é ter tempo para fazer muita coisa, é a idade de ouro, quando a saúde o permite. Os netos ficam todos contentes se tiverem os avós para lhes dar atenção e colo, as crianças são uma fonte de energia inestimável. Gostaríamos de terminar com esta frase cujo autor desconhecemos: “Quando jovens, sonhámos. Como adultos, construímos tais sonhos. E, um dia, já idosos, brindaremos com paz e com serenidade próprias dessa fase da vida e moraremos dentro dos sonhos, não só no usufruto merecido, mas no papel de experientes conselheiros e sábios...” José Gomes Rodrigues

Faleceu José Luís de Moura

Um português notável O Eng. José Luís de Moura, respeitada figura do turismo português, faleceu com 88 anos de idade na sua residência em Kronberg.

Licenciou-se em engenharia electrotécnica no Instituto Superior Técnico em Lisboa e executou na sua vida profissional grandes obras de engenharia, entre elas na Petroquímica e Siderurgia Nacional, bem como a montagem da estação de radar na Serra da Estrela. O culminar da sua carreira de engenharia foi o projecto e execução da electrificação da Ponte sobre o Tejo no final dos anos 60. Foi após o 25 de Abril, quando exercia o cargo de Presidente da Região de Turismo do Algarve, que foi convidado pelo Governo Português para vir para a Alemanha como Director do Centro de Turismo de Portugal em Francoforte. Aceitou o desafio e ali encontrou uma equipa jovem e inexperiente, a quem tinha faltado até essa altura uma liderança firme para o desenvolvimento do trabalho de promoção turística do nosso País neste importante

mercado emissor. E durante 18 anos o “nosso Eng.” como os seus colaboradores carinhosamente o chamavam, incansavelmente colocou o destino Portugal no mapa turístico da Alemanha. Soube entusiasmar os grandes operadores para incluir o País nos seus catálogos, apresentar Portugal nas maiores feiras de turismo para trade e público, organizar semanas gastronómicas em grandes cadeias de hotéis e mostrar aos media alemães o que tínhamos para oferecer. O mercado começou a falar de Portugal e o interesse cresceu rapidamente. No final da sua carreira o número de turistas alemães para Portugal tinha aumentado de 120.000 para 1.200.000. E durante a sua chefia o Centro de Turismo foi classificado pelos media de turismo alemães como a melhor delegação estrangeira na Alemanha. Foi nessa altura que fez um levantamento dos clubes e centros de convívio portugueses existentes na Alemanha e iniciou contactos com a

finalidade de incentivar os emigrantes portugueses a ir à descoberta do País durante as férias anuais com as suas Famílias residentes em Portugal e sobretudo a serem verdadeiros embaixadores da sua Pátria junto de amigos e colegas de trabalho alemães. Enumerar os grandes eventos que implementou seria impossível. Citamos, entre muitos outros, a realização do Congresso do DRV, a Associação do Turismo Alemão, que o Eng. Moura em concorrência com grandes destinos turísticos conseguiu levar a Portugal através dos seus excelentes contactos com os responsáveis da organização. Foram cerca de 1.200 agentes de viagem, operadores e jornalistas que participaram neste congresso em Lisboa e mais de 750 os que prolongaram a sua estadia em numerosas visitas antes e após o congresso aos diversos destinos turísticos de Portugal Continental, Madeira e Açores. Como exemplo da sua capacidade inovadora e grande poder de organização lembra-se a presença da Banda

As causas cívicas de Maria do Céu Campos

“Quem faz o que pode, faz o que deve” “Quem faz o que pode, faz o que deve” frase de Miguel Torga que ficou como lema de vida de Maria do Céu Campos. Ela vive na Maria do Céu Campos Alemanha, (foto particular) desde Dezembro de 1975, na linda cidade de Ravensburg. Trabalhou na Missão Católica de Ulm como voluntária em diversos cargos pastorais. Foi sempre uma mulher sempre solicitada e solidária. Nasceu e cresceu na vila ser-

rana de Arganil. Foi dirigente associativa durante muitos anos. É membro do Conselho da cidade desde 1989 para questões de Integração da Câmara Municipal de Ravensburg e como porta - voz do Conselho Municipal para os Seniores. Foi membro do Fórum da Cultura da mesma Câmara. Foi candidata por três vezes às eleições autárquicas colaborando no grupo organizador das semanas dos estrangeiros, e em projetos pontuais, quando é solicitada. Pertence ao Conselho Consultivo do Consulado de Estugarda. A Maria do Céu define integração como participação na vida social e política no lugar onde se vive e se trabalha sem haver assimilação. Ela

sente-se com a sua experiência, cultura e ideias capacitada para enriquecer o meio em que vive e deixar-se enriquecer pelos outros. É ufana em ser portuguesa de alma e coração. Cumpre com as suas obrigações de cidadã. Por essa razão sente-se no dever de exigir os seus direitos. É o Estado alemão que cabe a responsabilidade social de cuidar da terceira geração, já que foi aqui que se fizeram os maiores descontos. “Noto que existe uma grande falta de informação. Entendo que deveria haver na Embaixada de Portugal um Conselheiro Social, como já em tempos houve. Nos Consulados deveria publicar-se um boletim informativo, com as informações mais ne-

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Comunidades

PORTUGAL POST Nº 221 • Dezembro 2012

Comunidade

2012

Escolhemos as personalidades mais influentes da comunidade em 2012 De acordo com o anunciado em anteriores edições, o PORTUGAL POST revela as personalidades da comunidade portuguesa na Alemanha que mais se destacaram no ano 2012. A escolha das personalidades obedece a uma apreciação que o jornal faz do trabalho das pessoas listáveis. O critério da selecção das pessoas tem a ver com a dedicação e a forma desinteressada com que os escolhidos colocam ao serviço da comunidade os seus préstimos em áreas como a solidariedade social, o associativismo, a acção cívica e politica, diplomacia, etc.. Algumas das personalidades da lista foram sugeridas por leitores do jornal. Por último, felicitamos estas nossas ilustres personalidades.

António Horta, Gelsenkirchen 55 anos, mestre de indústria, foi 12 anos membro eleito do Conselho de Estrangeiros em Gelsenkirchen, sendo também um dos fundadores do agrupamento político BIG (Bürger Initiative Gelsenkirchen) concorrente às eleições autárquicas de 2009.É membro do Conselho Consultivo (Gebietsbeirat) da freguesia de Ückendorf, membro da Comissão (Ausschuss) da Cultura e Turismo, membro da Comissão de “Idosos e lares de repouso” (Senioren und Pflegeheim) da cidade de Gelsenkirchen e membro do Conselho Consultivo do Consulado Geral de Portugal em Düsseldorf. Foi ainda durante 12 anos presidente do Centro Português Unidos a Gelsenkirchen

Luis de Freitas, Frankfurt 52 anos, bancário, foi cerca de 32 anos dirigente e sócio activo no Centro Cultural Português de Frankfurt. Actualmente faz parte do corpo directivo da U.J.P.N ( União da Juventude Portuguesa de Niederrad ). Vive na Alemanha desde 1975

Teresa Duarte Soares, Nürnberg 58 anos, professora de língua e cultura portuguesa na área consular de Estugarda e secretária-geral do Sindicato dos Professores nas Comunidades Lusíadas (SPCL). A partir de 1982, professora de Língua e Cultura Portuguesas no Estrangeiro, na Alemanha. De 200 a 2007, professora de LCP na Suíça, área de Zurique. Entre 1997 e 2001, professora de Português para estrangeiros, no departamento de línguas da Universidade Carolo-Wilhelmina em Braunschweig.

Publica-se nesta página a lista por ordem alfabética.

Manuel Correia da Silva, Osnabrück 43 anos de idade, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores Consulares e das Missões Diplomáticas e responsável pelo posto consular em Osnabrück de 01 de Outubro de 2003 a 09 de Agosto de 2009. Foi Vice-Cônsul do mesmo posto de 10 de Agosto de 2010 até ao seu encerramento (29.02.2012) É uma das personalidades mais prestigiadas da Alemanha. Nasceu na Alemanha

Teo Ferrer de Mesquita, Frankfurt 67 anos, livreiro e editor em Frankfurt, sócio fundador de Centro Cultural Português em Frankfurt e da Associação de Lusitanistas Alemães. Divulgador e defensor da literatura portuguesa. Graças a Teo F. Mesquita os portugueses têm acesso aos maiores autores da literatura lusófona. Na Alemanha desde 1964

José Gomes Rodrigues, 61 anos, foi desde 1977 até Dezembro de 2010 Assistente Social no departamento de Integração da Caritas. Antes desta data, exerceu funções pedagógicas como professor da escola complementar de Língua e Cultura Portuguesas nas cidades de Dortmund, Mulheim/Ruhr, Duisburg e Bochum. Hoje, mesmo aposentado, José Gomes Rodrigues ocupa o seu tempo na procura de ajudar quem dele precisa e em acções de solidariedade humana e social. Embaixador Luís de Almeida Sampaio, Berlim Apesar de ter iniciado as suas funções há poucos meses, o Embaixador Luís de Almeida Sampaio, 54 anos, tem demonstrado neste curto espaço de tempo uma dinamismo excepcional, mormente no que respeita às questões e à vida da Comunidade. Uma das observações que o PP regista do trabalho do Embaixador é a capacidade de diálogo, o seu interesse pelas pessoas e organizações e ainda a sua preocupação em unir os diversos interesses em prol de Portugal.

Maria do Céu Campos, Ravensburg 60 anos, funcionária, dirigente associativa durante vinte anos no Centro Português de Ravensburg, Weingarten Weissenau e.v. É membro do conselho para questões de integração da Câmara Municipal de Ravensburg, do Conselho Municipal para os Seniores da mesma Câmara. Pertence à direcção do CDU em Ravensburg, presidente da mesa assembleia geral do PSD Alemanha, membro do conselho consultivo do Consulado Geral de Portugal em Estugarda. Na Alemanha desde 1975 Rogério Pires, Colonia 45 anos, bancário, é actualmente presidente da Federação de Empresários Portugueses na Alemanha. Rogério Pires foi presidente da União desportiva de Colónia e sindicalista da DGB. Fez parte do segundo Conselho das Comunidades no início dos anos 90. Na Alemanha desde 1978

Rui Paz, Düsseldorf 63 anos, professor de música e compositor, é exmembro do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP). Na Alemanha concluiu o mestrado em ciências musicais com uma tese sobre a „Instrumentação e o Contexto Dramático nas Óperas de Georg Friederich Händel“ e frequentou o curso de composição algorítmica no Robert Schuman. Para além da sua actividade profissional, Rui Paz é uma personalidade empenhada na defesa dos direitos dos portugueses emigrantes.


Entrevista

PORTUGAL POST Nº 221 • Dezembro 2012

Artur Amorim, presidente do PSD Alemanha

“Caso eu chegue ao Parlamento não deixarei de fazer o que sempre fiz”

A entrevista que publicamos nesta edição é a primeira de uma série que vamos fazer junto de responsáveis pelos partidos que possuem estruturas organizadas na comunidade portuguesa neste país. A primeira é com Artur Amorim, presidente do PSD Alemanha, que nos concedeu a entrevista por escrito O Sr. Amorim é presidente do PSD-Alemanha desde quando? Permitam-me desde já de agradecer ao PORTUGAL POST a oportunidade que me é dada de partilhar com os seus leitores um conjunto de temas e preocupações em torno da comunidade portuguesa residente na Alemanha. Quanto à pergunta que me é feita posso dizer que assumi funções como Presidente do PSD Alemanha em 2008. De que forma é que o PSD-Alemanha está organizado? O PSD Tem vários núcleos de militantes espalhados pela Alemanha sendo Estugarda e a sua Secção o centro de toda a organização. Esta escolha por Estugarda deve-se ao facto de o PSD Alemanha ter sido criado em 1975 a partir desta cidade. Quantos militantes tem o partido na Alemanha? O número concreto não o tenho mas serão cerca de 300 militantes activos. O senhor também alinha com a posição de alguns destacados membros do PSD que estão contra a forma como o actual Governo tem insistido na austeridade a todo o custo ou prefere estar em consonância com a linha dita oficial, isto é, defende o que o seu partido está a fazer no governo? No meu partido há diversidade de opinião mas a grande maioria dos

seus dirigentes e militantes estão apostados em ajudar o Governo e o país a superar este momento difícil. O actual executivo está refém de um pedido de ajuda financeira solicitado pelo anterior Governo para evitar a bancarrota. A austeridade de hoje é o fruto dos erros do passado. Portugal tem um problema de dívida e de financiamento grave e não me parece haver outro caminho para o ultrapassar a não ser que a Europa no seu todo tenha uma postura diferente. No entanto, seria bom que aqueles que foram os culpados da actual situação também dessem o seu contributo para ultrapassar o momento difícil que vivemos. Mais importante que as tácticas partidárias está o país e os Portugueses O governo PSD/CDS extinguiu duas das cinco representações consulares, encerrando os postos que melhor serviam a comunidade e os menos dispendiosos. Hoje chegam-nos várias reclamações de pessoas que nem conseguem contactar telefonicamente o Consulado em Estugarda e muitas reclamações de portugueses que se sentem sem qualquer protecção consular. O que pensa o Presidente do PSDAlemanha Artur Amorim a este respeito? O actual Governo procedeu a uma revisão da rede consular e diplomática que levou ao encerramento das estruturas de Frankfurt e Osnabruck. No entanto, a reforma consular deste Governo, ao contrário do anterior, só en-

cerrou pequenas estruturas tipo ViceConsulado. Para que os leitores percebam no caso de Frankfurt o Consulado Geral que ali existia foi encerrado em 2007 e substituído pelo Vice-Consulado. O grande esforço de poupança do Ministério dos Negócios Estrangeiros foi feito através do encerramento de Embaixadas e no regresso de quase uma centena de técnicos e diplomatas a Portugal. Ou seja, no esforço de contenção de despesa o serviço prestado às comunidades portuguesas foi tido como prioritário havendo apenas encerramentos em França e Alemanha de algumas estruturas mas nenhum Consulado. No entanto, em nome do PSD Alemanha e como Conselheiro Nacional tive oportunidade de reivindicar a necessidade de haver um apoio alternativo o que finalmente veio a acontecer com a criação das permanências consulares que, pelo que sei, estão a ter um enorme sucesso e já elogiadas no Portugal Post. As permanências são a forma dos serviços consulares irem junto dos cidadãos e irem a locais onde o nunca estiveram. Parece-me que os interesses da comunidade portuguesa ficaram salvaguardados e agradeço sobre esta matéria o apoio dos militantes do PSD Alemanha nas posições que em nome deles tomei. O ensino do português gratuito é um direito constitucional. O governo PSD/CDS trata os portugueses residentes no estrangeiro como portugueses de segunda

classe, exigindo o pagamento de propinas e violando assim a Constituição da República. Concorda com esta decisão? Qual foi a sua tomada de posição junto do seu partido? Permitam-me que fale daquilo que é verdadeiramente importante. A qualidade do Ensino de Português no Estrangeiro. Como sabem foi aprovado recentemente o novo Regime Jurídico do Ensino de Português no Estrangeiro e que após um período de negociação teve o acordo dos dois sindicatos dos professores à excepção da dita propina. O EPE vai beneficiar agora de uma certificação de aprendizagens, de avaliação dos alunos e de formação dos professores. Parece estranho que num momento de contenção orçamental e que, apesar disso, se introduz factores de qualidade ao EPE apenas queiram falar da propina. Também gostaria de referir que também estará disponível um plano e programa de estudos. Tudo isto parece ser natural mas, infelizmente, não havia. Quanto à propina queria apenas esclarecer o seguinte. A propina já inclui o manual, que até aqui era comprado pelos pais, ficando o resto da verba para a certificação e, sobretudo para a formação. Caso o anterior Governo não tivesse diminuído para metade a verba do ensino de português no estrangeiro e talvez não fosso necessário solicitar este contributo. O Sr. Artur Amorim foi segundo da lista do PSD pelo círculo eleitoral da Europa aquando as últimas eleições legislativas e é Presidente do PSD na Alemanha. Quais têm sido as suas actividades nessa dupla função?. É estranho. Para além do trabalho normal no plano interno de uma estrutura da emigração tenho promovido um conjunto de iniciativas para reforçar o peso das comunidades portuguesas no seio do meu Partido. Assim, temos (não trabalho sozinho no PSD Alemanha) coorganizado o encontro semestral PSD Alemanha-França, colaborado nas deslocações à Alemanha do Deputado eleito por este círculo eleitoral (18 visitas à Alemanha desde que sou Presidente), participado nas reuniões do PSD Europa apresentando propostas concretas relativas à nossa comunidade residente na Alemanha, subscritor da Moção ao Congresso do PSD Emigração, reunindo regularmente com os núcleos de militantes, participando nas reuniões do Conselho Nacional do PSD e muitos outras acções junto da comunidade ouvindo-a e partilhando com ela a discussão dos temas que para nós são importantes. Se o Governo sofrer uma remodelação e o Secretário de Estado José Cesário for sucedido pelo

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deputado Carlos Gonçalves, à semelhança do que aconteceu no último governo PSD, o Sr. Artur Amorim seria o deputado. Sente-se com capacidade para ocupar o cargo? E quais as politicas dirigidas às Comunidades Portuguesas que o Senhor Artur Amorim pretenderia introduzir? Essa é uma pergunta que não tem resposta. Não sei como chegam à conclusão que actual Secretário de Estado vai sair e que será substituído pelo Carlos Gonçalves. Eu não desenvolvo a minha actividade política em base de hipóteses. Não é dessa forma que se contribui para resolver os problemas das pessoas. Eu fui candidato a deputado com o apoio dos militantes do PSD Alemanha e penso que para a nossa comunidade residente neste país foi importante que o PSD incluísse na sua lista de candidatos um militante do PSD Alemanha em 2º lugar. Orgulhome de pertencer a uma lista composta só por elementos da emigração. O Carlos Gonçalves foi cabeça de lista mas é o Presidente do PSD Paris. Seria bom que todos os partidos dessem hipóteses aos seus militantes da emigração de chegarem ao Parlamento. Caso eu chegue ao Parlamento, hipótese que não considero plausível, não deixarei de fazer o que sempre fiz até aqui. Trabalhar em favor das nossas comunidades. Quanto às políticas que iria defender basta lerem a Moção ao último Congresso do PSD na qual colaborei. A chegada a este país de muitos portugueses que fogem à situação de desemprego e a situações de extrema precariedade social é uma preocupação do seu partido aqui na Alemanha? De que forma é que faz chegar aos responsáveis nacionais do partido as suas preocupações? Desde o dia em que assumi funções como Presidente do PSD Alemanha chamei a atenção para a questão dos fluxos migratórios. Fomos uma das estruturas que solicitou junto do nosso Grupo Parlamentar para estarem atentos a esta questão e reconheço que os nossos Deputados têm dado uma resposta positiva não escamoteando, ao contrário de outros no passado, uma realidade que deve ser considerada como prioritária. Acha que o seu partido está a cumprir o programa eleitoral no que concerne às comunidades? E que medidas concretas do programa foram concretizadas? Com apenas um ano de governação e apesar das dificuldades financeira o actual executivo está a cumprir o seu programa eleitoral e dando na área do Ministério dos Negócios Estrangeiros uma especial atenção às comunidades portuguesas. Com efeito, na reunião na Assembleia da República para a discussão do orçamento de Estado para 2013 o Ministro dos Negócios Estrangeiros referiu que a sua grande prioridade era o Ensino do Português no Estrangeiro. Para quem tem dúvidas fica devidamente esclarecido. # Mário dos Santos


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Comunidade

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Crónica Por Joaquim Nunes

"Natal... pelo sonho é que vamos!" “Pelo sonho é que vamos, / Comovidos e mudos. / Chegamos? Não chegamos? / Haja ou não frutos,/ Pelo Sonho é que vamos.”

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stou bem de acordo com Sebastião da Gama, o autor deste lindo poema, ao dizer que é o sonho a força que mais nos faz avançar na vida. No começo das grandes mudanças e andanças a que na vida nos metemos está um sonho. Esteve um sonho em que acreditamos e depois tentamos concretizar. A emigração o que foi, para a maior parte de nós, senão a procura de concretização de um sonho?! O sonho de mudar a vida. O sonho de andar em frente. O sonho de ser feliz. E avançámos. Metemo-nos ao caminho, “comovidos e mudos”... É verdade que há também mudanças na vida provocadas por acontecimentos não desejados e sem “sonho” nenhum. As mudanças que tivemos de fazer para enfrentar ou reagir a situações onde nos vimos metidos, sem ser esse o nosso sonho. Felizes daqueles que não perdem a capacidade de

sonhar, apesar de todos os pesadelos, nem perderam de vista o “sonho” da sua vida, mesmo quando ela parece parada. “Pelo sonho é que vamos”. E aquilo que vale para a vida de cada um de nós, vale também para a história dos povos e da humanidade. Um povo que tem um sonho como “programa” tem futuro. Aqui pode-se à vontade discordar dos que defenderam ou defendem que são as revoluções ou as guerras que fazem avançar a história. Ou então daqueles que argumentam com o pragmatismo do progresso, que não se avança a “sonhar” mas a “fazer”, a produzir, acumulando e gerindo. Veja-se, a título de exemplo, quanto não fez avançar a sociedade americana esse sonho de um homem chamado Martin Luther King, que, assumindo a luta pacífica contra o racismo, proclamava: “Eu tenho um sonho que um dia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos descendentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade. Eu tenho um sonho que os meus quatro filhos vão um dia viver numa nação onde eles

não serão julgados pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu carácter. Eu tenho um sonho hoje!” (1963). Um dos sonhos mais bonitos que conheço está na Bíblia e talvez vamos “encontrá-lo” neste tempo de preparação para o Natal. Alguns séculos antes de Cristo, numa época em que ainda não se falava de direitos humanos, nem de “nações unidas”, nem de tribunais internacionais, um profeta de Israel anunciava um sonho de futuro, na imagem de um menino a nascer no seu povo mergulhado em depressão, como um novo rebento numa árvore velha. E avança: “Sobre ele repousará o Espírito do Senhor.... Ele julgará os pobres com justiça e com equidade os humildes da terra... Então o lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo deitar-se-á ao lado do cabrito; o novilho e o leão comerão juntos, e um menino os conduzirá.... A criancinha brincará na toca da víbora e o menino desmamado meterá a mão na toca da serpente”. Quantos anseios de paz e de fraternidade nestas imagens do sonho de Isaías! É o sonho da um mundo que

não se cansa de procurar a paz no meio e apesar das guerras que não param, começa uma, acaba outra. É o sonho de uma sociedade de igualdade, de justiça e de direito contra as grandes desigualdades que desfiguram e ofendem a dignidade humana. É o sonho de um mundo onde o homem deixará de ser o lobo do homem, mas irmão. No Natal, celebramos isso tudo. É a festa da família, sim, mas não só da nossa pequena família reunida à volta da mesa da consoada, numa casa decorada a gosto das crianças. É a festa da família humana, a festa da fraternidade dos povos. É a festa de todos os que acreditam nesse sonho, apesar de todas as desilusões e durezas da realidade. Para os cristãos, o sonho tem o rosto de uma criança, e essa criança tem um nome. Mas o Menino Jesus dos cristãos não é propriedade de ninguém. É sonho de Deus para a humanidade. Será que ainda somos capazes de sonhar, ao menos em tempo de Natal? Ou vamo-nos ficar no nosso realismo pragmático? Capazes de sonhar, apesar da crise? Ou então, capazes de

sonhar, para além do nosso bem estar adquirido, das compras, das prendas, da nossa mesa recheada em dia de consoada? Sonhar um mundo diferente e uma vida melhor para mim e para cada criatura humana neste mundo que é a nossa terra é celebrar verdadeiro Natal. Creio que nós migrantes, gente que se deixou mover por um sonho, ainda estaremos disponíveis para a “utopia” e provar que o sonho faz avançar a vida e ajuda a mudar o mundo. O sucesso da emigração seria bem pequeno se fizesse de nós pessoas satisfeitas, “emigrantes de sucesso”, mas sem “sonhos”... Comecei com um poema de um poeta português: “Pelo sonho é que vamos” de Sebastião da Gama. Termino com outro poeta, também português: “Eles não sabem, nem sonham, /que o sonho comanda a vida. / Que sempre que um homem sonha / o mundo pula e avança / como bola colorida /entre a mãos de uma criança.” (António Gedeão). Bom Natal para todos: vivido, celebrado, sonhado!

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Comunidade

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Festival de Folclore em Wiesbaden: orgulho e dedicação Um autêntico encontro de juventude e alegria foi o 6º Festival do Rancho Folclórico Português de Wisbaden organizado no 27 de Outubro. Mesmo aqueles, que já sendo veteranos nestas andanças, continuam com o seu esforço e dedicação a ajudar a manter bem vivas as tradições portuguesas em terras germânicas. Trajes ricos e originais, ostentados com orgulho por cada um dos seus representantes. Um belo exemplo de como se podem manter bem apertados os laços que ligam cada um dos participantes às suas raízes, mostrando aos mais cépticos que afinal a cultura portuguesa está bem viva e de saúde. No final deste desfile cultural, a Banda Chiclete animou o convívio. Também não faltaram, como não podia deixar de ser, os petiscos e as iguarias de sabor lusitano. Antes de nos fazermos à estrada numa noite fria, estivemos à conversa com os responsáveis por esta iniciativa, António Correia e Aurora Alves, que nos disseram que o Rancho Folclórico de Wiesbaden foi fundado em 1994 e que conta actualmente com 52 elementos, com idades compreendidas entre os 2 e os 70 anos, sendo que cerca de 50 % tem menos de 35. Estes festivais tiveram alguns interregnos devido à falta de espaços disponíveis e adequados para a reali-

zação deste tipo de eventos. António Correia fez questão de referir que toda esta organização e boa vontade advêm dos tempos livres que cada um tem nas suas vidas profissionais e pessoais. Está desde o inicio neste projecto, que nasceu da necessidade que um grupo de jovens ,entre os 14 e os 20 anos, sentiu em fundar um grupo com estas características. Com o apoio da comunidade católica portuguesa de Wiesbaden conseguiram pôr de pé este projecto. As danças e cantares do Minho e Douro Litoral são a sua opção, devido às fortes ligações de quase todos a essas províncias portuguesas, a começar no ensaiador Miguel Reis, passando também pelo Cristiano Feliciano. A Aurora Alves juntou-se ao grupo há cerca de dois anos, mas já

tinha experiência de ranchos vai para um quarto de século. Começou com a idade de 12 anos a dançar e ainda hoje esta paixão continua bem viva. Fez questão de referir que hoje os tempos são outros e que as dificuldades financeiras são muitas. Contam também, para além da Missão Católica de Wiesbaden, com os apoios da associação de pais de Wiesbaden e de outras associações. As recolhas do reportório são efectuadas através da pessoas mais velhas, de outros ranchos e aproveitando a possibilidade que a internet lhes dá, para poderem, assim, melhorar e actualizar o mesmo. Quantos aos trajes, os tempos também mudaram. Nos primeiros tempos tiveram ajudas para adquirirem uma boa parte deles, que são pertença do rancho e que, por sua vez, os empresta aos elementos.

Hoje em dia já há muitos a adquirem os seus próprios trajes. Quanto às deslocações, que são também às suas custas, são quase na totalidade por toda a Alemanha, contando ainda com algumas saídas ao Luxemburgo e Suiça. Superam esta dificuldade de meios financeiros fazendo intercâmbio entre todos os ranchos de forma a que, com os seus festivais possam ter receitas para assegurar as suas necessidades nessa área. Estas deslocações ajudam e servem de motivação para seguirem em frente. Conseguem também cativar mais e mais jovens para este projecto. Como sublinharam António Correia e Aurora Alves, a juventude está activa e orgulhosa em proteger a cultura que lhes foi doada pelos seus pais e avós. Sentem que é preciso inovar e

modernizar estes festivais para que não caiam numa rotina que os possa atirar para o esquecimento e “os jovens têm uma palavra a dizer nesta matéria e quem aqui esteve hoje aqui teve oportunidade confirmar a aderência da juventude a estes festivais”. Existe uma boa relação com as autoridades locais que estão sempre presentes nestas iniciativas. A confirmação desta boa relação acontece quando são convidados a integrar as festas da cidade. Para terminar, Aurora Correia faz um apelo para que os jovens adiram mais às direcções a fim de poderem assegurar o futuro destes projectos culturais.”É preciso continuar o trabalho dos nossos pais e isso só se consegue com a juventude a liderar as associações porque os mais velhos vão saindo”. Fernando Roldão Pub

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Berlim

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O que há de comum entre a fotografia urbana e o fotojornalismo, ou será que são diametralmente diferentes? Gonçalo Silva move-se com fluidez entre este dois mundos;

O fotojornalismo é a sua profissão e a fotografia a sua paixão e, muitas vezes, no seu fotojornalismo explode a sua paixão.

Berlim // Retrato de Gonçalo Silva: fotógrafo e fotojornalista

A fotografia como paixão

“Merkel com Samarras e os fotógrafos” Fotografia de Gonçalo Silva publicada na revista “Time”

Cristina Dangerfield-Vogt em Berlim

Encontrámo-nos na Embaixada do Brasil, no pequeno espaço do átrio dedicado à mostra fotográfica, de quatro fotógrafos lusófonos, cujo tema era os seus olhares sobre Berlim. Esta exposição conjunta mostrava uma pequena amostra de fotografias de cada um dos fotógrafos e esteve patente ao público durante um mês, no âmbito do Festival Berlinda. Gonçalo Silva, que foi o único português entre os fotógrafos daquela mostra, escolheu fotos marcadamente urbanas, despidas de pessoas. As cidades são centros de criatividade, habitualmente buliçosos, e não é fácil apanhar-lhes os momentos desabitados em que as estruturas estritamente urbanas se impõem sem aplicar o abracadabra do photoshop. Porém Gonçalo Silva não usa esta varinha mágica cosmética neste seu trabalho, preferindo a sua autenticidade, o que lhe ficou da fotografia analógica. O fotógrafo escolheu reflectir o seu olhar sobre o centro de Berlim, os seus monumentos, os edifícios e as ruas iconográficas, que são os favoritos de muitos fotógrafos – correndo o risco da repetição que assumiu e desafiou através de escolhas específicas, muita criatividade e ousada persistência – e foi bem-sucedido. O desafio foi considerável, até porque não escolheu a madrugada, porventura, o momento mais deserto e

menos ruidoso em termos de fotografia mas, sim, o crepúsculo. Ele preferiu a luz mesmo antes de cair a noite entre chiens et loups – uma hora indefinida, mística, esperando o tempo necessário para captar com a sua objectiva aqueles segundos de luminosidade fugaz. Mas nem todos os dias aquela almejada luz, sobre aquele enquadramento, se revela ao fotógrafo. A fotografia como paixão é um jogo de espera, em que o momento certo se esconde caprichoso, sorrindo uns segundos, para voltar a esconder-se. Gonçalo Silva é tenaz e paciente, porque sabe que, a revelação que irá transmitir o seu olhar, acabará por se lhe desvendar. O fotojornalismo é o contrário desta espera quase amorosa, é o instantâneo do aperto de mão sorridente, é o clicar do disparador das sequências na esperança de ter apanhado os sujeitos no melhor ângulo; ao processo não falta um jogo de cotoveladas com os colegas e algumas rasteiras para conseguir a melhor foto do dia, enviá-la rápido para a agência, estar entre os primeiros e ser eleito com as melhores fotos. Nos eventos mais mediáticos são às dezenas os jornalistas que apressados, invadem os corredores do poder, comprimindo-se à procura do melhor ângulo, as objectivas em riste para tirar as fotos que vão correr mundo. Gonçalo Silva compete com os fotógrafos de agências mundiais, como a Reuters, cujos recursos são inesgotáveis.

Mas o talento não é de subestimar, havendo momentos para o usar – “aquele instante em que a Chanceler Merkel não está a pousar para a foto, em que lhe escapa um gesto natural e o fotógrafo está atento” explica Gonçalo Silva. “Ou um ângulo diferente que revela estruturas e cores do local” – realça ainda. Também no fotojornalismo é possível “dar emoção às fotos e adaptar o gesto do fotografado ao conteúdo do artigo. É importante ter coragem e sensibilidade para dar também um toque pessoal ao básico”. Gonçalo Silva afirma ser um português muito português. “Gosto do meu país, mas fico feliz por sair outra vez, para aprender. Tento ver o que há de parecido, o que me poderia fazer lembrar o meu país. Por exemplo, na exposição conjunta sobre o porto de Valparaíso, no Chile, os contentores eram o denominador comum com o porto de Lisboa”. O fotógrafo viajou pelo deserto de Atacama, a Terra do Fogo e a Ilha da Páscoa sempre a fotografar. “Esperei horas a fio, tiritando de frio para tirar a foto que queria e, mesmo assim, ainda poderia ter esperado mais tempo”. Gonçalo Silva tem um palmarés considerável de exposições na Europa e na América Latina, e, pela natureza da sua vida privada, a sua carreira fotográfica internacional irá, sem dúvida, prosseguir neste sentido. A curiosidade e a versatilidade dos temas que fotografa são

também uma vantagem para o fotógrafo. “Gonçalo, voltemos à tua exposição aqui, na Embaixada do Brasil, onde, relembro, estamos neste momento, porque parece que a paixão pela fotografia já nos tinha levado de viagem, qual tapete mágico! Comecemos por esta aqui, a Porta de Brandenburgo, um tema muito batido. O que há de diferente nesta tua fotografia?” A esta pergunta, o fotógrafo realçou que era esse o desafio. Reflectir um olhar diferente sobre este ícone turístico de Berlim. Escolheu fazer uma fotografia clássica e centrada,“a luz é diferente, é luz crepuscular e outonal, num fim de tarde sem nuvens. Isto é, para conseguir captar este momento foi necessária muita paciência, porque esta luz na minha fotografia foi um instante que passou!” Um momento que o fotógrafo eternizou. E não é só a luz natural, é também o momento certo na luminosidade artificial do próprio monumento, o seu contraste com a luz natural, que realça as qualidades do monumento. Ao crepúsculo é impossível fotografar a Porta de Brandenburg deserta e o facto é que esta foto está vazia de pessoas e de movimento; é uma foto em que o monumento e a quadriga que o encima são protagonistas absolutos daquela passagem

entre a antiga Berlim Oriental e Ocidental. Gonçalo Silva conseguiu este efeito sem photoshop, jogando com a abertura e a velocidade da sua máquina, o que se vê no feixe de luz dos faróis dos automóveis que passam por detrás do edifício. “À noite, ou ao crepúsculo, a luz de Berlim é diferente de muitas outras cidades, é uma luz amarela, quente, lembra-me Lisboa e, por isso, gosto de fotografar nessas altura do dia. Mas o crepúsculo é o meu favorito”. De facto, as sete fotografias, que Gonçalo Silva escolheu para a exposição caracterizam-se pela luminosidade crepuscular, ou nocturna, o que vem realçar o cromatismo das luzes da noite, acentuando o carácter urbano destas fotografias. Gonçalo Silva tem planos para Berlim e já está agendada uma exposição dupla em que apresentará os seus trabalhos “Ecos de Lisboa”, a preto e branco, e que sente de forma especial “Guardo Lisboa na palma da minha mão...” – citado do blog “ecos de Lisboa “ do fotógrafo. Apresentará também o seu novo trabalho “Rugas do Tempo”, com fotografias de edifícios abandonados e que descreve no seu blog homónimo, como “o meu olhar sobre as marcas do passado que perduram nos edifícios abandonados da exRDA”. A inauguração da exposição terá lugar no dia 11 de Dezembro, pelas 18 horas, na escola Neues Tor, e estará patente ao público cerca de uma semana.



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Alemanha

PORTUGAL POST Nº 221 • Dezembro 2012

Associação Luso – Alemã (DPG) em simpósio anual

Alemães da DPG na linha da frente por Portugal Leipzig foi o palco escolhido para o encontro anual da DPG (Associação Luso - Alemã). Estes encontros, organizados sempre em cidades diferentes, revestem-se de uma atmosfera agradável em que não faltam alguns momentos culturais, tais como: arte, história, turismo, culinária e muita informação e formação. Dos diversos pontos da Alemanha, foram chegando, nessa sextafeira, dia 19 de Outubro, os seus sócios e amigos. José Gomes Rodrigues (texto e foto), sócio da DPG e correspondente do PP O presidente Harald Heinke durante o discurso de boas vindas. Ao centro, o Embaixador de Portugal. Depois de chegarmos e de nos termos acomodado nos diversos hotéis e pensões da cidade, reunimo-nos no salão de recepção do Novotel, no coração da cidade, logo em frente da estação dos Caminhos de ferro da cidade. Fomos recebidos com uma bebida de boas vindas. Nos rostos alegres das mais de sessenta pessoas a alegria era notória. Repartidos em dois grupos, saímos para descobrirmos o que há de melhor e de histórico da cidade. Como nunca tinha visitado a cidade, fiquei maravilhado com a sua arquitectura. O fecho da tarde culminou com um jantar num dos mais emblemáticos restaurantes da cidade. No dia seguinte, sábado, o almoço teve sabores portugueses, servido no único restaurante português, o “Portugal”, gerido pelo jovem viseense Miguel Loureiro. O nosso apreciado e fiel vinho do Dão foi o fiel companheiro de mesa. Com as forças redobradas, iniciámos a parte mais importante do encontro. O Museu da Música albergou-nos O palco escolhido para esse importante sábado de trabalhos foi uma sala nobre do museu de música Grassi, rodeado de frondosos e verdejantes jardins. Uma pérola das muitas existentes na cidade. Depois de percorridos os enormes corredores, cercados de antigos e raros instrumentos musicais, entrámos numa luxuosa sala, toda a rigor para o encontro. A abertura foi iniciada com música clássica ao piano pelo estudante português Manuel Durão, que frequenta a escola superior de música de Leipzig. Enquanto se esperava o embaixador, iniciaram-se os trabalhos com os temas pré - anunciados, próprios duma Assembleia-Geral. O presidente, Harald Heinke, saudou os presentes. Seguiu-se a apresentação de contas pela tesoureira da agremiação, Gabriele Baumgarten-Heinke. Usou uma linguagem concisa e clara. Os

presente foram informados de que maior fatia das despesas coube à edição do boletim Report. Foi com agrado que os presentes certificaramse que, desde 2008 até hoje, tenha havido gradualmente uma melhoria geral nas finanças. Entretanto chegou o embaixador, Dr. Luis de Almeida Sampaio, acompanhado pela sua esposa e por Alexandra Schmitz, coordenadora da secção cultural na embaixada. Tomaram assento na mesa da AssembleiaGeral e, após as boas vindas do presidente da DPG, foi-lhe dada a palavra, tendo tecido palavras de apreço aos associados em geral. Na sua intervenção, o embaixador falou da situação de crise que Portugal vive e não deixou de transmitir uma palavra de esperança, dizendo que “a dificil situação será ultrapassada”. O embaixador na Alemanha falou do importante papel da DPG nesta fase histórica de Portugal. “É imperativo promover um maior investimento alemão em Portugal e que as empresas portuguesas possam exportar os seus produtos para o mercado alemão. A cultura portuguesa tem de ser promovida na Alemanha e vice-versa. Apesar dos parcos meios financeiros disponíveis, temos de implementar mais programas culturais coerentes que sejam bem organizados, em cooperação com as instituições públicas e privadas. A oferta destes eventos tem de estar de acordo com a procura. A cultura não se limita ao fado. Será necessário aproveitar as sinergias da população portuguesa aqui residente. A embaixada deve reforçar a equipe cultural transformando-se num parceiro privilegiado na programação e na articulação das ofertas. A cultura é a maior riqueza duma nação. Se quisermos ser competitivos, temos necessariamente de nos afirmar com os nossos valores comuns, familiares e universais. Há muitas pessoas hoje a falar português, mais até que o alemão. A nossa língua

será no futuro o porta-voz da globalidade. Será uma ponte entre os diversos mundos”, disse o embaixador. Após esta intervenção, o presidente agradeceu a simpática presença e as palavras do embaixador, não deixando de apelar a uma mais concertada coordenação das actividades culturais. Formulou o desejo de que fosse formada, sob a coordenação da embaixada, uma mesa redonda que gerisse as tantas e variadas actividades culturais que ultimamente têm surgido no tecido geográfico alemão, incluíndo as da DPG. A colaboração com os empresários portuguesas em Berlim e não só, tem sido exemplar e, somente para mencionar alguns, o Sana Hotel, o Hotel Pestana e o Centro Comercial Alexa, entre outras. De uma forma sucinta, e através dum Power Point, foi apresentado pelo presidente o trabalho da DPG testemunhado por diversas fotos e documentações. Este trabalho tem tido um óptimo impacto na sociedade. Houve sócios que deram o melhor de si tendo até alguém sido agraciado pelas autoridades locais alemãs pelo seu papel na integração das pessoas na sociedade de acolhimento. Houve acções dignas de mérito em toda a Alemanha, desde Freiburg, passando por Frankfurt, Colónia, Aachen e Leipzig. Realçado foi o trabalho exemplar no campo do turismo numa óptima colaboração com o Instituto do Turismo na pessoa da Sra Madalena Fischer. Gesto significativo do embaixador Com um gesto simbólico, mas de grande sentido, o embaixador agraciou, com a entrega solene de um diploma, os sócios mais antigos da agremiação. Foi um reconhecimento publico da acção sócio-cultural da associação neste reforço de laços entre os dois povos. Foram os seguintes os agraciados: Werner Schümann (Hamburg), Andreas Lausen (Mecklenburg

Vorpommern), Dr. Dieter Hundertmark (Südwürttemberg/Hohenzollern), Marys Neufert (NRW–Köln), Richard Blumenthal (Redaktion Portugal Report Berlin), Roman Sieger (NRW –Bonn) und Harald Heinke (Berlin). Perspectivas para o futuro O próximo encontro anual ficou agendado para Berlim em Outubro de 2013, indo ao encontro duma decisão tomada anteriormente. Colocou-se sobre a mesa a ideia para apreciação de numa das próximas oportunidades poder realizar-se em Lisboa. Como existe uma certa afinidade com uma associação congénere na Áustria houve quem não achasse descabido organizar-se em Viena num futuro próximo. Um postal dirigido à Chanceler Alemã, Ângela Merke,l com as saudações amistosas da DPG, foi assinado por todos para mais tarde serlhe enviado. Arte, culinária ultimaram o encontro. A história, a música, a arquitectura, a artes plásticas e a culinária constituíram o epílogo por excelência do encontro. Foi tudo preparado a rigor, dando uma dignidade invulgar a todo o desenrolar dos trabalhos. O sol generoso e tímido desse domingo de Outubro envolvendo-nos no percurso até ao escritório dos advogados “Hager Partnerschaft”, a funcionar nas instalações duma antiga fabrica adaptada para estes fins. O associado Falk Zirstein abriu a sessão apresentando dois artistas plásticos, amantes de Portugal, cuja temática abordou o que de mais belo existe em Portugal. Gerd Thielemann, com residência em Leipzig, com admirável currículo na área da pintura expôs em casa algumas das suas obras primas. A cerâmica portuguesa esteve presente através da esmerada obra de

António Pedro Oliveira, natural de Porto de Mós e já há alguns anos residente em Leipzig. Apesar de jovem, as suas obras são conhecidas um pouco por toda a Alemanha. Procura estar sempre presente nas melhores feiras da especialidade. A música esteve a cargo de mais um estudante português de clarinete da Escola Superior de música. Dieter Dornig, cozinheiro chefe do Hotel Pullman de Desden, também ele sócio, presenteou-nos, com a sua aprimorada equipe, com um buffet de sabores mediterrâneos. Para muitos dos sócios a Assembleia-Geral terminaria aqui. Para outros terá terminado após um concerto internacional. Portugal estaria presente nas artes musicais tradicionais através dum quarteto de acordeões vindos de Águeda, “Danças Ocultas”. Realizou-se pela tarde adentro nas instalações da recente fábrica da BMW. Acompanhariam a diva de Jazz Maria João, vinda de Lisboa para a efeméride. É justo elevar o papel do Sr. Popittz, entre outros, na organização deste evento. Em forma de conclusão Vale a pena pertencer a uma família destas. O amor a Portugal manifestado de diversos modos é repartido e vivido entre elementos das diversas comunidades e culturas . Eles unemse e vivem entusiasmados num único anseio: reforçar os laços de amizade e reconhecimento mútuo entre os dois povos. Se me permitem, apelo aos compatriotas que, dentro das possibilidades, colaborem nas diversas iniciativas que estão a ser a ser levadas a cabo e, sendo o caso, façam parte, como associados. Vale a pena! A porta permanece sempre aberta a quem quiser dar uma mão a esta nobre missão. Podem informar-se junto do portal www.dpg-report.de ou junto de qualquer associado.


Sociedade

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Menina alemã salva na Zambujeira do Mar dá nome a projecto de prevenção de afogamentos na costa alentejana A Associação de Nadadores Salvadores do Litoral Alentejano (Resgate) decidiu dar ao seu projeto de prevenção de afogamentos o nome Zora Lutz, de uma menina alemã resgatada por banhistas na Zambujeira do Mar (Odemira), no início de Outubro. Após o final da época balnear, a 15 de Setembro, a Resgate iniciou um programa de voluntariado na costa alentejana, para o qual se ofereceram seis jovens nadadores-salvadores do concelho de Odemira, disse agência Lusa António Mestre, o presidente da associação. “A Resgate fornece o equipamento, que tem de andar com eles no carro”, enquanto os nadadores-salvadores têm de ter “o telefone sempre ligado” e estar disponíveis para, “ao toque do telemóvel, correr para uma praia para socorrer alguém”, explicou. O projecto foi posto à prova pela primeira vez a 03 de Outubro, quando duas crianças de nacionalidade alemã foram arrastadas pela corrente na praia da Zambujeira do Mar. Quando dois voluntários da Resgate chegaram à praia, as crianças já

tinham sido resgatadas do mar por três elementos da associação de bodyboard local, mas Zora Lutz, de 15 anos, encontrava-se inanimada. Segundo António Mestre, os nadadores-salvadores “iniciaram imediatamente a reanimação” da menina e foi isso que “fez a diferença entre a Zora morrer e a Zora viver”. Após cerca de meia hora de manobras de suporte básico de vida, a jovem alemã foi reanimada e transportada de helicóptero para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde esteve 12 dias em coma. “Acreditei sempre que ela iria sobreviver e, se sobrevivesse, gostava que o nome dela ficasse associado a uma coisa boa”, disse o presidente da Resgate. A menina recuperou e regressou com a família para a Alemanha a 17 de Outubro, tendo a mãe autorizado a associação de nadadores-salvadores, que actua nos concelhos de Santiago do Cacém, Sines e Odemira, a utilizar o nome da filha no seu projecto. Os jovens voluntários “não recebem nada em troca”, esclareceu António Mestre, sendo-lhes apenas garantida “uma justificação”, por parte da Capitania do Porto de Sines

ou do município, “para que não sejam penalizados no trabalho ou nos estudos”. “Fazemos estas coisas por missão. Muitos de nós já andaram próximos de morrer afogados, eu principalmente”, confidenciou. O projecto Zora Lutz engloba todas as actividades que a associação desenvolve no domínio da prevenção do afogamento, como a sensibilização junto de 500 alunos do ensino pré-es-

colar e do primeiro ciclo da região. “Este é um papel que deveria ser o Estado a fazê-lo, nem que fosse com uma verba para apoiar este tipo de iniciativas, mas infelizmente isso não acontece”, lamentou António Mestre. O nadador-salvador estima que o afogamento de Zora Lutz tenha custado ao Estado português “acima dos 100 mil euros”, entre “o helicóptero, as ambulâncias, os homens, os medicamentos e o tratamento hospitalar”.

“Precisávamos de muito menos de 100 mil euros para ter uma equipa de quatro pessoas todo o ano”, disse, o que permitiria “intervir imediatamente e fazer acções de sensibilização e prevenção junto dos banhistas”. “Se estivesse um nadador-salvador na praia ou na zona, não tinha acontecido”, assegurou, referindo-se ao afogamento da menina alemã. “Mas somos um país reactivo e não preventivo”, concluiu.

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Burlas na internet – automóveis São três casos atuais de burla relacionados com a compra de viaturas online através da plataforma Ebay com respetivos danos financeiros dos compradores, seguidos de denúncias feitas aos órgãos de polícia criminal e processos de investigação judicial - lamentavelmente com pouca perspetiva de sucesso – que me levaram a escrever este artigo

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Deverá ter muito cuidado com as burlas na internet. A distância é amiga de alguns indivíduos menos escrupulosos que se aproveitam de pessoas menos informadas. Um dos últimos métodos de burla prende-se com a venda de au-

tomóveis. Se colocar à venda ou andar à procura de comprar carro na internet poderá encontrar alguns negócios irresistíveis. Normalmente, o preço é muito baixo e o modelo muito procurado. Este é o primeiro sinal de que algo está mal: lembrese do ditado “quando a esmola é grande o pobre desconfia”. O procedimento é relativamente simples: quando vê um negócio que lhe interessa contacta o vendedor. Este diz-lhe que o carro não está na Alemanha e que precisa que pague em adiantado um valor, seja para o transporte, seja para sinalizar ou até para o seguro ou despesas. Para tal, e para que não desconfie, diz-lhe que deverá utilizar uma empresa de mediação que recebe de si o valor e só a entrega ao vendedor quando o negócio for finalizado. As variações no discurso são muitas: o carro poderá estar num país e a pessoa noutro, é preciso

pagar o seguro do transporte, precisa de um sinal de boa fé, o dinheiro é-lhe devolvido posteriormente, e por aí fora. Encaminham-no para um site na internet da suposta empresa de mediação para que possa comprovar a sua existência. A existência de um site não comprova de todo a sua le-

galidade e a existência de uma empresa por trás. O objectivo é fazer com que transfira uma importância através de transferência bancária. Uma vez a transferência realizada, pode acontecer uma de duas coisas: ou lhe pedem mais dinheiro porque já viram que mordeu o isco, ou nunca

mais ouve falar do vendedor e da dita empresa de mediação. Não se deixe enganar por moradas, números de telefone e acreditações. Em quase todos os casos estamos a falar de burlas. Nunca adiante dinheiro, seja a que propósito for, a não ser que tenha certeza absoluta de que o vendedor existe. O ideal será sempre testar o negócio: se lhe dizem que é para o transporte, diga que vai levantar pessoalmente, se lhe dizem que é para o seguro, diga que faz você o seguro, mesmo que assim não seja, poderá logo analisar a veracidade de todas estas desculpas. Tome cuidado também com as provas de boa vontade, como os descontos ou o pagamento de todas as despesas, são formas de tentar com que faça a transferência o mais depressa possível. Não se deixe enganar: se lhe parece bom demais é porque se calhar é! PUB

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Terceira Idade: a idade das novas descobertas Consuma diariamente, fruta fresca, legumes e cereais. Beba meio litro de leite meio-gordo ou magro por dia. Se não gosta de leite, pode substituí-lo por cerca de 60 gramas de queijo magro ou por quatro iogurtes. Use pouca quantidade de sal e açúcar.

Como prometemos na última edição, voltamos nesta edição a debruçar-nos sobre a terceira geração. Desta vez queremos dar algumas achegas e dicas para melhor transformar em mel e flores o fel e o Outono da vida. São alguns apontamos dos muitos que fui cuidadosamente armazenando no meu baú das “pérolas” e que tenho o prazer de os compartilhar com os leitores. Quem dá o que tem...Assim reza e com muita sabedoria o nosso povo.

Prefira os alimentos com pouca gordura. (A gordura liquida, em especial o azeite, é preferível às gorduras sólidas, como as margarinas ou a manteiga. Beba cerca de um litro e meio de água por dia). Seja moderado no consumo de bebidas alcoólicas. Procure manter o peso adequado ao seu sexo e idade.

VIDA SOCIAL Não se isole! Os amigos, antigos colegas, parentes e vizinhos terão todo o prazer em conversar consigo e em passar algum tempo na sua companhia. Vá ao seu encontro, lembre-se que eles não podem ler os seus pensamentos. Não tenha vergonha de conversar com as pessoas que encontra, quer as conheça, quer não, mesmo que não sejam da sua idade. Contacte com as pessoas. É particularmente importante, à medida que se envelhece que a entreajuda e a companhia são muito importantes. „ Se tiver perdido o seu companheiro ou companheira, não tenha receio de travar conhecimento com outras pessoas e de fazer novas amizades. Participar na vida comunitária e continuar a ter projectos são factores importantes para viver bem. Um dia você aprende que as verdadeiras amizades continuam a crescer, mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida.“ ACTIVIDADE InTELECTUAL Mantenha-se activo intelectualmente. Leia, jogue xadrez ou cartas, faça puzzles. Interesse-se por coisas novas. Vá visitar sítios que não conhece. Passe as férias num novo local. Experimente novas receitas de cozinha. Vá a exposições. Converse com pessoas diferentes de si. Aprenda coi-

ALGUMAS nOTAS!

sas novas. Tome nota dos assuntos que tem de tratar: datas de pagamentos, compras a fazer... Coloque os objectos indispensáveis, como os óculos, em sítios certos, onde estejam bem visíveis. Mantenha-se actualizado sobre o que se passa à sua volta e no mundo. ALIMEnTE O ESPÍRITO Como é do conhecimento geral, não somos só corpo, mas também espírito. É este que muitas vezes dirige os nossos passos. Conduz-nos e alenta-nos para uma vida mais sã. A boa leitura, a participação num bom concerto ou numa conferência temática de interesse aumenta o alcance do espírito. A participação activa em projectos de solidariedade ou de entreajuda alimenta este espírito e empresta-lhe razões válidas para viver com qualidade. Se é cristão procure revitalizar a sua fé e adequá-la ao novo mundo, à sua nova vida. Não pra-

tique só por praticar ou simplesmente para obedecer a uma tradição transmitida de geração em geração ou simplesmente para alcançar o paraíso. Mas viva a fé e da fé, pois deste modo vale a pena dá-lhe muita esperança e certeza nas suas relações humanas e com o meio ambiente. Cada dia é um presente, e enquanto meus olhos se abrirem, vou focalizar o novo dia, mas também as lembranças alegres que eu guardei para esta época da vida. A velhice é como uma conta bancária: você só retira aquilo que guardou. Então, meu conselho para si é depositar um monte de alegrias e felicidade na sua Conta de Lembranças. E, aliás, obrigada por este seu depósito no meu Banco de lembranças. Como você vê, eu ainda continuo depositando e acredito que, por mais complexa que seja a vida, sábio é quem a simplifica MAnTEnHA-SE ATIVO A actividade física diária, a in-

tensidade e a duração adequadas, é um óptimo investimento para a saúde. Diminui o risco de muitas doenças, como o enfarte do miocárdio, a hipertensão, a osteoporose ou a obesidade. Promove a saúde mental, contribuindo para reduzir a ansiedade, as insónias, a depressão e ajuda a controlar o stress. Ande a pé pelo menos meia hora por dia. Esta meia hora pode ser distribuída ao longo do dia. Em vez de andar a pé, pode usar as escadas, jardinar, realizar tarefas domésticas ou ir às compras. Se sofre de doença crónica ou necessita de mais informação, consulte o seu médico. ALIMEnTAÇÃO SAUDÁVEL Faça uma alimentação saudável. A alimentação influencia a nossa saúde e o nosso bem-estar, sendo uma importante fonte de prazer. Faça uma alimentação variada. Reparta os alimentos por varias refeições ao longo do dia.

É preciso não parar, não se aposentar da vida, não deixar apodrecer aquilo que temos de mais nobre: o pensar, o sentir, o agir, a nossa mente, a nossa alma, a nossa vida! Só assim a nossa peregrinação continua aos médicos diminuirá. Não há tempo para essas coisas! Persegue-nos continuamente a tentação de exigir das autoridades portuguesas mais e melhor assistência às nossas idades. Com lamentações não vamos a lado nenhum! Se foi na Alemanha que trabalhámos, lutámos, envelhecemos, e vivemos ainda... Então aceitemos que seja com eles que administremos e valorizemos este tesouro que é o tempo disponível. Viver é investir na alegria, no prazer, na satisfação e, no fim, colher paz, serenidade e sabedoria, que é a arte de viver com equilíbrio. A troca do vício de um mundo individualista, por um mundo em que as pessoas voltam a relacionar-se é uma chance enorme. É preciso valorizar a sabedoria, como instrumento de entender o universo que nos cerca.

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A Mão de Diabo é o décimo romance de José Rodrigues dos Santos, autor da Gradiva que já vendeu mais de um milhão de exemplares e está publicado em dezoito línguas. Este novo livro aborda a crise, um tema relativamente ao qual a sociedade está particularmente sensível. Seguramente despertará a curiosidade dos leitores.

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Agenda & Sugestões As informações sobre os eventos a divulgar deverão dar entrada na nossa redacção até ao dia 15 de cada mês Tel.: 0231 - 83 90 289 Fax :0231-8390351 Email: correio@free.de

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2.12.2012 – BREMEN – Concerto de Carminho (fadista). Local: Kesselhalle des Kulturzentrums Schlachthof . Início: 20h00

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2.12.2012 – HANNOVER – Concerto de Carminho (fadista). Local: Pavillon Hannover

Maria da Piedade Frias Telefone: 0711/8889895 piedadefrias@gmail.com

7.12.2012 – DUISBURG – Cerimónia de encerramento da exposição de fotografias de José Gomes Rodrigues sobre Moçambique com o tema Rostos que Falam na VHS em Duisburg . Início: 19h00

Fernando Genro Telefone: 0151- 15775156 fernandogenro@hotmail.com AICEP Portugal Zimmerstr.56 - 10117 Berlim Tel.: 030 254106-0 Federação de Empresários Portugueses (VPU) Postfach 10 27 11 50467 Köln Tel.: +49. 221 789 52 412 E-Mail: info@vpu.org Federação das Associações Portuguesas na Alemanha (FAPA) www.fapa-online.de Postfach 10 01 05 D-42801 Remscheid

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14.12.2012 – MAINZ – Seminário subordinado ao tema. Mulheres Portuguesas na Alemanha com a presença da Dr. Manuela Aguiar. Local: UDP Mainz. Iní-

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pendorf). Início: 20h00

15.12.2012 – WIESBADEN – Seminário subordinado ao tema. Mulheres Portuguesas na Alemanha com a presença da Dr. Manuela Aguiar. Local: club 8 Dezembro: 19h00

16.12.2012 – HAMBURG - Die Übersetzerin Maralde MeyerMinnemann liest aus dem neuen Buch von Paulo Coelho, Die Handschrift von Akko (erscheint im nächsten Jahr). Ort: Café Ribatejo, Bahrenfelder Str. 56 (www.ribatejo.de). 17,00 Uhr

15.12.2012 – Calw – Noite de Fado com a fadista Sara Gonçalves vencedora do concurso da RTP "Nasci para o Fado". Bilhetes a venda no Centro Escolar Juvenil Português de Calw e.V. (07051/30979). 15.12.2012 – HAMBURGO – Noite de Fado com o grupo Fado-Nosso (Henrique Marcelino, Francisco Fialho, Francisco und Michel Pereira). Local: Café Tonata, Woldsenweg 1 (Ep-

29.12.2012 – BERLIM - Concerto de Fado com Nazareh Pereira. Local: Kammermusiksaal Philharmonie de Berlin. Início: 20h00 BERLIM - Mostra Fotográfica de Gonçalo Silva. "Ecos de Lisboa" e "Rugas do Tempo" Escola "NEUES TOR" Neuestor, 11. 18h00

Desejamos a todos os nossos leitores, clientes e colaboradores um Feliz Natal e que 2013 seja um ano sereno, fértil em saúde e com muitos êxitos pessoais, profissionais, empresariais e familiares. Agradecemos a todos o favor de nos terem acompanhado desde há 20 anos nesta luta pela informação. Esperamos fazer mais e melhor no novo ano que se avizinha. Boas festas! Portugal Post Verlafg A Direcção


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Passar o Tempo

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Afins Encontre a sua alma gémea. Coloque aqui o seu anúncio Nota: Os anúncios para este espaço devem ser bem legíveis e dirigidos ao jornal devidamente identificados com nome, morada e telefone do/a anunciante. O custo para anunciar neste espaço é de 17,50. O preço dos anúncios que requerem resposta ao jornal é de € 27,50. + Informações: 0231-8390289

Caro/a Leitor/a: Se é assinante, avise-nos se mudou ou vai mudar de residência. É importante. Caso contrário, deixa de receber o jornal poesias de amor e de outros sentires Não durmas agora a noite despe as palavras e as perfuma de prazer rolam no desejo branco dos lençóis por fim deitam-se no linho perdidas na saliva dos beijos

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Saúde e Bem estar

Receitas Culinárias

ARTRITE

Bacalhau à Brás

A artrite se manifesta como dor e inflamação e/ou desgaste das articulações, sendo esta de dois tipos: 1) A osteoartrite é uma deformação produzida pelo desgaste das cartilagens entre ossos, de tal maneira que estas cartilagens desaparecem provocando o atrito dos ossos uns com os outros, principalmente nas extremidades. 2) A artrite reumatóide, que é diferente da anterior, estende-se por todo o corpo, inflamando as cartilagens e a membrana sinovial ao redor das junções dos ossos, ocasionando a saída do líquido sinovial (líquido gorduroso que serve para lubrificar e proteger os ossos contra o atrito e o desgaste). Esta enfermidade não é frequente, porém quando se apresenta requer atenção médica. SINTOMAS: inflamação e dor nas articulações, começando geralmente nas mãos e pés, podendo, porém, apresentar-se na coluna vertebral ou em outras áreas. O tempo húmido e frio aumentam a dor. A pessoa apresenta dificuldade para movimentar-se e também sofre uma deformação da parte do corpo que é afectada (mãos, pés etc.), a qual aumenta com o tempo, impedindo que a pessoa possa mover-se com facilidade. COMO TRATAMENTO recomenda-se suprimir as carnes vermelhas, o álcool, o cigarro e outros tóxicos. Alguns alimentos podem ser alérgicos para o organismo e produzir inflamação nas articulações. Os mais comuns são: a farinha refinada, açúcar refinado, bem como o leite integral, as batatas e a pimenta. (Prove-os com cautela para detectar se alguns destes vão produzir inflamação nas articulações). Evite a manteiga e os alimentos gordurosos como os fritos. As carnes vermelhas contêm um ácido gordo chamado Ácido Araquidónico. Este ácido contribui grandemente para a inflamação dos tecidos, isto não acontece com as gorduras polinsaturadas (gorduras benéficas), como o azeite de oliveira. A dieta vegetariana impede e bloqueia o processo de conversão do ácido araquidónico em prostaglandinas inflamatórias. Esta mesma função benéfica é realizada com êxito pelo óleo de peixes de águas frias, que contém ácidos gordos polinsaturados (EPA) (gorduras benéficas) como o Ómega 3. Também a realizam o Ómega 6 e o Ómega 9 (ácido oleico contido no azeite de oliva). Inicie sua dieta sob supervisão médica. ATENÇÃO: Se sua artrite aumentar e não conseguir detê-la, consulte seu médico. Fonte: Saúde e bem-estar

Ingredientes do bacalhau:

Feliz Natal e um Ano Novo com muita saúde são os desejos para todos os nossos leitores.

DICA Se você quiser que o peixe congelado fique com sabor de peixe fresco, descongele-o diretamente no leite.

600 gramas de bacalhau 0,5 dl de azeite 30 gramas de margarina 1 dente de alho 1 cebola grande 150 gramas de chouriço de carne 750 gramas de batatas 6 ovos sal e pimenta q.b. (quanto basta) alsa e azeitonas Modo de preparar: Limpe o bacalhau, retire-lhe todas as espinhas que puder e corte-o em cubos com 1 cm. de lado, aproximadamente. Corte o chouriço também em pequenos dados iguais. Descasque as batatas, corte-as igualmente em pequeninos cubos, lave-as muito bem, escorra-as e frite-as; tempere-as depois de fritar (com sal). Parta os ovos para dentro de um recipiente e bata-os. Até aqui foi tudo de preparação. Agora, pique grosseiramente a cebola e o dente de alho, deite-os num tacho largo (ou numa frigideira), leve ao lume a refogar e, logo que comece a querer alourar, junte o chouriço e o bacalhau e vá mexendo sempre, sobre o lume, durante 2 minutos. Junte depois as batatas, mexa muito bem mais um minuto e, por fim, junte os ovos batidos. Vá mexendo com cuidado até os ovos estarem mais ou menos passados, a seu gosto. Deite então numa travessa ou pirex e sirva quente, polvilhado com salsa picada e azeitonas. Pode decorar com raminhos de salsa. E bom apetite! Geralmente acompanha-se com vinho branco, muito fresco, verde ou maduro, depende do gosto. Se gostar do maduro, aconselho vinho alentejano (Portugal), com zonas demarcadas de Reguengos, Borba ou Vidigueira. Não esqueça: fresco, sem ser gelado.

Recomenda-se O Alho tem várias aplicações. As aplicações do alho regra geral são as seguintes: Antibiótica Anti-inflamatória Anti-microbiana Anti-asmática Anti-oxidante Anti-cancerígeno Protector cardiovascular

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Vendem-se Cabeças de Burro Um camponês passa por uma loja que tinha as estantes quase vazias, e perguntou com ironia ao caixeiro o que é que se vendia ali. O caixeiro, querendo também troçar dele, disse-lhe em tom aborrecido: — Aqui vendem-se cabeças de burro. — Grande negócio tem feito esta casa. pelo que vejo, pois não resta senão a tua — respondeu o camponês às gargalhadas.

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O casanova da paróquia Olá Tenho lido as histórias que são publicadas aí nesse jornal e, preciso que o diga, é a primeira coisa que leio quando o jornal chega a casa. Se os senhores publicaram, gostaria de contar aqui uma história que se passou comigo com a condição de não divulgarem o meu nome nem a cidade onde vivo. Antes de mais, quero dizer que sou uma senhora divorciada e mãe de uma filha já casada. Quando me divorciei do meu marido foi porque ele não parava em casa e, nas viagens que fazia em trabalho, tinha sucessivamente amantes. Nós vivíamos bem, até porque o meu marido tinha uma empresa que fazia bons negócios. À

parte a sua inclinação para as amantes, ele era uma boa pessoa mas um mau marido. Em suma, separamo-nos a bem e sem conflitos. Ele, por sua vez, lá anda na vida das amantes como se isso fosse uma sua doença. O divórcio com o meu marido aconteceu há cerca de dez anos, tinha eu 41 anos de idade. Fiquei sozinha com a minha filha. E, diga-se, fiquei bem. Tenho algumas casas das quais retiro algum rendimento e, à parte disso, colaboro numa obra social da igreja aqui na cidade onde vivo. Quando me divorciei do meu marido fiquei tão desiludida com os homens que fez com que eu não fosse logo atrás de um outro. Vivia para a

minha filha, para as minhas casas e ocupava parte do dia na paróquia. O tempo assim corria. Tinha amizades, senhoras que também colaboravam comigo na paróquia. De todas, havia duas brasileiras, uma espanhola e três portuguesas, comigo incluída. Com quem eu me dava bem, muito bem, diga-se, era com as duas brasileiras e uma portuguesa. A nossa situação civil era diferente: eu divorciada, a portuguesa separada e as duas brasileiras casadas com dois cidadãos alemães. Convivíamos muito. Às vezes, ao fim-de-semana, íamos jantar fora: umas vezes com os maridos das casadas, outras sozinhas. Como não tra-

Por: Paulo Freixinho

Palavras cruzadas

HORIZOnTAIS: 1 - Título. Relativo à face. 2 - Consentir. Tecido muscular do homem e de outros animais. 3 - Preposição que designa posse. Criada de quarto. Espécie de bigorna de cuteleiro. 4 - Altar. Génio ou entidade inspiradora de um poeta. Sétima nota musical. 5 - Naquele lugar. Redução da palavra fotografia. 6 - Portas de (...), ex-líbris de Berlim, entrada construída entre 1788 e 1791 por Carl Gottard Langhans, encimada pela famosa Quadriga da Vitória. 7 - Desmoronar-se. Rebordo do chapéu. 8 - Contracção dos pronomes „me“ e „o“. Em maior quantidade. Época. 9 - Café tomado em chávena própria (regional). Aguardente obtida da destilação do melaço depois de fermentado. A unidade. 10 - Campo de liça. Asseado. 11 - Que tem muitos ramos. Suspirar. VERTICAIS: 1 - Coisa nenhuma. Tornar bambo. 2 - Agravar com tributos. Tontura. 3 - Filho de burro e égua ou de cavalo e burra. Em forma de asa. Dez vezes dez. 4 - Interjeição que se emprega para excitar ou animar. Desumano. 5 Víscera dupla. Espaço de 24 horas. Elas. 6 - Obter. 7 - Antes de Cristo (abrev.). Debaixo de (prep.). Ponto cardeal. 8 Ave do grupo dos papagaios que habita na Ásia. Dá mios. 9 - Cólera. Globo. Terceira nota musical. 10 - Erva-doce. Parte superior de certos animais entre o lombo e a cauda. 11 - Que causa lesão. Inclinação da alma e do coração.

balhava e não precisava de o fazer, o meu passatempo era o trabalho social na paróquia. Para me divertir, o que era raro, ia com uma amiga portuguesa a um salão de dança e aí passava sempre umas duas horas a dançar e a conviver. No fundo, não tinha uma vida nada intensa. As minhas relações com homens remetiam-se a conversas que tinha com os maridos daquelas que também colaboravam comigo na acção social. Nunca me tinha passado pela cabeça iniciar uma relação. Sabia que eu interessava aos homens. Na rua, ou em qualquer outro lugar, sentia os olhares dos homens quase em cima de mim. Muitas vezes ao passar recebia piropos de homens e, para ser sincera, gostava de ouvir alguns. Dos homens que me olhavam, em muitos sentia um intenso desejo que tinham de mim. Eu sentia tão intensamente isso que, não poucas vezes, apetecia-me perder a cabeça e entregar-me àqueles que olhavam com um olhar cego de cobiça pelo meu corpo. Felizmente que isto não acontecia sempre. Eram fases absolutamente normais. Afinal, eu era e sou uma mulher que também tem as fraquezas da carne e, quando assim é, também temos o direito a perder a cabeça pelo desejo. Ia eu com cinco anos de divorciada quando conheci um homem. Era um português que tinha ido morar para a cidade onde eu habito e que se tinha oferecido para também ajudar na paróquia. Natural de Braga, diziase ( praticava) um católico muito crente. Na altura, era um gosto vê-lo na missa todo entregue à sua fé. Conhecemo-nos como não podia deixar de ser. Ele passava todos os fins-de-semana na paróquia a fazer isto e aquilo. Havia sempre que fazer. Durante as nossas conversas foi-me dizendo que era também divorciado mas que não tinha filhos. Tornamo-nos amigos e passado algum tempo já o convidava para ir jantar a minha casa. A nossa relação começou a ser mais íntima. Um dia, ou melhor, um sábado à noite convidei-o para jantar em minha casa, como, de resto, já o tinha feito por várias vezes. No fim de jantar, quando a minha filha foi para o quarto dela, ele atirou-se descaradamente a mim sem que eu pudesse repelir a sua investida. Parecia um animal ferido de cio. Enquanto me beijava e me apalpava dizia-me coisas que me punham doida: que me queria; que estava apaixonado por mim desde o primeiro dia e dizia insistentemente uma coisa que eu não me lembrava de alguém me ter dito: “Meu Amor” e outras coisas que ainda hoje coro de vergonha. Essa noite passou-a toda comigo no meu quarto. Foi uma noite em que mal dormi. Aquele homem tinha-me posto doida, completamente. Pela primeira vez na vida tive sensações e

prazeres que até ali ninguém tinha conseguido despertar em mim. Foi uma noite que me fez entregar a ele quase cegamente. Como não podia deixar de ser, ficámos amantes. Afinal, não havia nada de mal nisso. Éramos livres, amantes livres. A nossa relação ficou assim baptizada. A partir daquele momento passávamos as noites juntos; noites doidas de prazer. Descobri em mim uma “fome” de prazer que não parava de saciar. A verdade é que ele descobriu em mim uma mulher que eu pensava não existir com uma fome voraz de desejo que quase me assustava. Andava feliz. Um dia, quando fomos todos a um restaurante, disse-me ele que a minha amiga portuguesa (aquela que colaborava connosco na paróquia) andava com fome de... (e não digo a palavra por vergonha). Perguntei-lhe como é que ele sabia o que dizia. Respondeu-me que bastava olhar para a cara dela. Não liguei assim muito àquilo. Nessa mesma noite, e no restaurante, às tantas olhei e não o vi. A minha amiga portuguesa também não estava presente. Minutos mais tarde reparei que a minha amiga retomava o seu lugar à mesa. Vinha como que transtornada, os seus olhos brilhavam como se estivesse a viver uma segunda vida. Nunca a tinha visto corada e quando reparou que eu a observava virou o olhar para o outro lado. Naquele dia nunca me passou pela cabeça que os dois tivessem estado juntos algures não sei onde. Só mais tarde é que ele me disse que a “tinha comido”, como ele gostava dizer de todas as mulheres. E era um pouco verdade. Nunca imaginei ninguém assim. O homem atirou-se a todas as amigas e apenas uma das brasileiras resistiu. O problema é que eu não sabia. Para mim aquilo era como uma família e eu nada desconfiava porque pensava que a irmandade fazia com que todos fossemos muito chegados. Quando comecei a desconfiar, dizia-me ele que sim, que “as comia”, mas “amar amar só me amava a mim” e eu, no final, não tinha forças para o mandar embora e desistir dele. Quando eu tentava, ele tinha artes e o condão de me pôr louca e de me agarrar a ele e dizer-lhe que o queria só para mim. Depois chorava, arrependida. E na noite a seguir tudo voltava ao mesmo. Uma noite, estávamos na cama, contou-me como era ter relações com as outras, o que elas faziam, como faziam e o que diziam. Senti-me mal. Saí da cama e vim dormir para o sofá. Decidi então acabar com tudo, Contar tudo na paróquia, expulsá-lo da minha vida e do meu pensamento.

Leitora identificada

SOLUÇÃO: HORIZOnTAIS: 1 - Nome. Facial. 2 - Anuir. Carne. 3 - De. Aia. Tais. 4 - Ara. Musa. Si. 5 - Ali. Foto. 6 - Brandeburgo. 7 - Ruir. Aba. 8 - Mo. Mais. Era. 9 - Bica. Rum. Um. 10 - Arena. Limpo. 11 - Ramoso. Aiar. VERTICAIS: 1 - Nada. Bambar. 2 - Onerar. Oira. 3 - Mu. Alar. Cem. 4 - Eia. Inumano. 5 - Rim. Dia. As. 6 - Auferir. 7 - AC. Sob. Sul. 8 - Catatua. Mia. 9 - Ira. Orbe. Mi. 10 - Anis. Garupa. 11 - Lesivo. Amor.


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Economia e Negócios

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Artigo de Opinião

A prepósito da visita de Angela Merkel a Lisboa Por Rogério Pires. * A crise económica e social mundial, começou por ser uma crise financeira. Face a esta grave crise, algumas economias nacionais na zona euro, nomeadamente os países do sul da europa, cuja sustentabilidade das finanças públicas eram mais instáveis e fracas cederam e deixaram de suportar o endividamento a longo prazo. Passamos, pois, a uma crise de dívidas soberanas. Ao todo, são cinco os países já intervencionados pelo mecanismo de ajuda internacional, Irlanda, Grécia, Portugal, Espanha e Chipre. Embora sob a disciplina da Troika estejam somente a Irlanda, a Grécia e Portugal. Mas outros países europeus estão sob observação da crise de dívidas soberanas, Itália e Espanha. A zona euro ruma hoje à estabilização financeira e orçamental, embora com vulnerabilidades por efeito de contágio do eventual incumprimento das reformas de ajustamento exigidas aos países intervencionados e à porven-

tura insustentabilidade política e social. A crise financeira e de confiança que se abate na europa, desde 2010, designadamente sobre a União Europeia, demonstrou fragilidades e interdependência nas economias dos países da UE, e é por isso mesmo um desafio de gerações, no qual se pretende reafirmar e reforçar o projeto europeu em torno de uma união mais estreita e da estabilidade e prosperidade económica. A unificação da União Europeia pós-crise advirá de uma maior cooperação política e económica na zona euro e na UE. Foi neste enquadramento que ocorreu a visita da chefe do Governo alemão, Angela Merkel, a Portugal. Pouco mais de cinco horas, ao bom estilo alemão, pragmático, objetivo, funcional e eficaz, bastaram para acalmar mercados e demonstrar a solidez do projeto que se pretende para a União Europeia. A visita da Chanceler alemã visou demonstrar o apoio da Alemanha a Portugal, elogiar e apoiar os esforços feitos pelo Governo português na

adoção e implementação das medidas de austeridade e, ainda, incentivar a cooperação empresarial entre os dois países. A Chanceler alemã reforçou que Portugal segue o rumo certo embora com alguns contratempos procedentes do ambiente externo. Isso mesmo ficou demonstrado na entrevista à televisão pública portuguesa, em vésperas da visita oficial, na qual referiu que Portugal não precisa de mais tempo nem de renegociar a dívida. A convicção é que Portugal vai conseguir cumprir o memorando de entendimento com a Troika, aludindo às PUB

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cinco avaliações já realizadas, no âmbito da verificação das medidas de acompanhamento e aval das parcelas. Portugal está a cumprir o programa conforme o prescrito no plano da Troika para reduzir o défice orçamental, retomar a competitividade e superar a dívida soberana. Nesta que foi a primeira visita oficial a Portugal, a Chanceler alemã, conhecedora da importância do investimento externo para o relançamento da competitividade económica e ciente das carências que Portugal tem neste âmbito, fez-se acompanhar por uma comitiva de empresários

alemães. Da agenda da visita, destacam-se as reuniões com o Presidente da República, com o Primeiro-Ministro e o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, um almoço de trabalho e a participação e intervenção num encontro com empresários portugueses e alemães. Na intervenção no Encontro Empresarial Luso-Alemão, a Chanceler culminou congratulando as empresas alemãs de cooperarem no programa de reindustrialização e, consequentemente, participarem no relançamento da competitividade e crescimento da economia portuguesa, apontando que mais de metade das exportações alemãs são para a União Europeia num claro apontamento para a questão da interdependência das economias dos países Estados-Membros. Angela Merkel prometeu ainda estreitar relações com Portugal, visando a expansão comercial alemã aos mercados lusófonos, servindo-se do importante elo de Portugal junto da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP), e do facto do português ser a 3.ª língua europeia mais falada no

mundo que, por isso, usufrui de credibilidade externa e tem presença forte onde a Alemanha tem dificuldade de acesso. No fundo, a visita oficial da Chanceler Alemã pretendeu: * transmitir esperança e confiança aos mercados; * elogiar o ajustamento da economia portuguesa, com perspectivas de crescimento gradual face à consolidação orçamental pelas reformas adoptadas; * reiterar o apoio à constituição de um Banco de Fomento, em Portugal, para o relançamento da indústria, em colaboração com o Kreditanstalt für Wiederaufbau (KfW): * congratular a presença de empresas portuguesas na Alemanha e todas aquelas que pretendem alcançar o mercado alemão; * apoiar a implementação do modelo de ensino dual de formação profissional baseado no sistema educacional alemão. * Presidente da Federação de Empresários Portugueses na Alemanha www.vpu.org

Pensões de reforma na Alemanha vão subir até 11 % em quatro anos As pensões de reforma vão subir até 11 % na Alemanha nos próximos quatro anos, de acordo com um inédito relatório sobre pensões do Governo Federal que revela, esta segunda-feira, o diário Bild. O relatório prevê um aumento escalonado das pensões até 2016 e de 8,67 % para os reformados da Alemanha ocidental e de 11,01 % para os residentes nos seis novos estados

federados criados no este do país após a reunificação nacional e cujos vencimentos são menores. Além disso, os reformados da Alemanha ocidental terão apenas um aumento de 1 % das pensões em 2013, mas em 2015 a subida será de 2,55 %, a percentagem mais alta desde 1993. O relatório de pensões, que abrange cerca de 20 milhões

de pessoas deverá ser aprovado na quarta-feira na reunião do Conselho de Ministros. Para 2013, o relatório prevê aumentos de 1 % no oeste e de 3,49 % no este, em 2014 de 2,33 % e 2,4 %, respectivamente, e em 2015 bde 2,55 % e de 2,65 % e em 2016 de 2,39 % para os reformados da Alemanha ocidental e de 2,47 % para os da antiga Alemanha de leste.

Grupo alemão SGL anunciou investimento de 25 milhões de euros na empresa Fisipe O grupo alemão SGL anunciou que vai investir 25 milhões de euros na Fisipe, empresa de fibras sintéticas localizada no Barreiro, sendo a escolhida para produção da matériaprima para fibras de carbono. O grupo alemão comprou a Fisipe em outubro por 29 milhões de euros, que assim integrou o conjunto de 47 fábricas do grupo, e agora vai investir 25 milhões de euros para transformar e ampliar duas das dez linhas de produção da empresa para o fabrico de precur-

sor (matéria-prima para fibras de carbono). „Vamos criar 12 novos postos de trabalho para a produção de precursor e assegurar os actuais 330 no futuro, uma vez que mantemos a produção das fibras acrílicas na íntegra“, informa o administrador-delegado da Fisipe, Stefan Seibel. No próximo ano vai ser preparado o arranque da produção do novo produto, estando a sua comercialização prevista para o início de 2014. „O SGL procurou uma fá-

brica na Europa para produzir precursor e a Fisipe convenceu-nos pela alta competência técnica, pela boa produtividade e pela grande visão dos gestores“, explica o responsável alemão. Com uma produção anual de 50 mil toneladas, a Fisipe tem 275 clientes em 40 países, sendo os mercados principais China, EUA e Canadá. Na Europa, fornece sobretudo para Espanha e Itália. A taxa de exportação é de 99 por cento.


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Última • Nº 221 • Dezembro 2012

Garmisch-Partenkirchen - de skis nos pés O caminho para Garmisch-Partenkirchen, na Baviera oferece uma visão estonteante. A estrada em ziguezague passa por florestas de pinheiros e rios congelados. Os ramos das árvores cobertos de neve branca dobram-se com o peso da neve, que ao cair liberta no ar pequenas nuvens de pó branco. Um ambiente mágico. Salvador M. Riccardo

E

stava ansioso por conhecer o pequeno hotel familiar onde tinha reservado um quarto. Do exterior, o hotel em estilo chalé de montanha, todo em madeira, e com portadas de madeira nas janelas, dava-me esperanças de poder estar à altura da pequena fortuna que me propunha pagar para aí pernoitar durante uma semana. Ninguém no seu perfeito juízo programa o seu despertador para durante as férias tocar às sete horas da manhã, mas quem gosta

de esquiar sabe bem que deslizar pelas encostas e desfrutar de paisagens deslumbrantes implica alguns sacrifícios. Mal terminei o pequeno-almoço onde abundavam as toalhas de mesa em xadrez, os cestos em vime e as compotas caseiras, desci as escadas cobertas de neve para entrar na loja de aluguer de equipamento

de ski. Aqui, as botas que a simpática funcionária colocava à minha frente, depois de calçadas, pareceram-me mais um “quebranozes” do que um passaporte para uns bons momentos de prazer. Todos os anos o ritual repete-se: o esforço de carregar os skis na subida a pé pela neve até às telecabines que nos levam às pistas,

assemelha-se mais ao cumprimento de uma penitência do que a uns programados momentos de prazer. Mas uma vez vencida a insegurança da primeira descida, a adrenalina dispara e o prazer invade o nosso corpo. A sensação estimulante de inalar o ar fresco e revigorante das montanhas acompanha o nosso olhar que abraça a

paz da natureza. O esplendor da montanha é de tirar o fôlego. Garmisch-Partenkirchen, “snowtown” alemã, atrai grandes fluxos de dinheiro e de personalidades famosas. Possui uma quantidade quase disparatada de lojas de luxo. O show começa depois das cinco da tarde, hora a que fecham as pistas, na „Historische Ludwigstrasse“, uma rua comercial chique e elegante no coração de Partenkirchen.. Na rua as mulheres passeiam-se acompanhadas por cães de raças exóticas e aquecidas por casacos comprados a preços “exorbitantes”. À noite rumei para o “P1 von Garmisch” que me foi anunciado como o equivalente ao “P1” de Munique em Garmisch-Partenkirchen e onde se encontram os famosos que querem ficar longe das dos fãs embasbacados. Ao meu lado no bar, uma mulher alta e esbelta, o cabelo louro platinado cintilando à iluminação suave do clube, sorriu e perguntou-me – “Também veio para cá para escapar aos seus fãs?” PUB


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