PORTUGAL POST Director: Mário G. M. dos Santos ANO XVI • Nº 185 • Dezembro 2009 • Publicação mensal • 2.00 € Portugal Post Verlag, Burgholzstr. 43 • 44145 Dortmund • Tel.: 0231-83 90 289 • Telefax 0231- 8390351•E Mail: correio@free.de •www. portugalpost.de •K 25853 •ISSN 0340-3718
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Cônsul Honorário de Portugal em Munique sofre cerrada contestação
Manifesto anti-Jürgen Adolf reúne cinco centenas de assinaturas Com o efeito de uma bola-de-neve, cresce no interior da Comunidade Lusa na capital da Baviera a grave e perigosa contestação aos resultados negativos da gestão do Consulado Honorário de Portugal. O plano inclinado da vetusta e inoperante forma de actuação consular, sob a responsabilidade de Jürgen Adolff, só ilude quem a ele fecha a vista ou assobia para o lado. Aberta 6 horas por semana, a antena consular está situada numas inacreditáveis águas-furtadas de um imóvel implantado na zona nobre comercial e bancária da grande cidade. A mediocridade dourada, de que falava Maquiavel, era um luxo em comparação com os vexames e arreliadores contratempos a que estão sujeitos os nossos compatriotas. Entretanto, o manifesto a exigir a substituição de Jürgen Adolff ultrapassa as cinco centenas de assinaturas e foi endereçado, no princípio do corrente mês, às autoridades portuguesas competentes. Pág. 3 Foto: fachada do edifício em cujas águas-furtadas funciona o Consulado Honorário
África do Sul Emigrantes portugueses felizes com o apuramento da selecção nacional
Governo Modernização dos consulados, ensino fora da Europa são prioridades na emigração
PORTUGAL POST
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Boas e j Festas f
Comunidades
Consulado-Geral em Düsseldorf reúne trinta portugueses para nomear Conselho Consultivo Pág. 8
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PORTUGAL POST nº 185 • Dezembro 2009
PORTUGAL POST
Crónica Mário dos Santos
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Mágoas Portugal não tem juízo. Não tem juízo a política portuguesa que cria pretensos líderes que, de tão banais e, simultaneamente, tão arrogantes provoca uma piedade tão grande que nos causam apenas dó. Não tem juízo a principal líder da oposição que diz querer acabar com a democracia e as liberdades durante uns meses num claro atentado contra o Estado de Direito. E juízo não têm os partidos que não governam nem deixam governar, mantendo-se numa oposição eterna e fácil a quem governa, indo atrás da contestação promovida por sectores privilegiados da sociedade a troco de votos numas eleições quaisquer. Como não têm juízo quem alimenta a cunha, o favor, em suma, a corrupção, fazendo do País uma “república das bananas” onde só se sobe e só vence quem tem gente bem colocada, corrompe, ou tem amigos e padrinhos que, por sua vez, conhecem outros amigos e padrinhos e é por isso que Portugal já não tem agricultura, lavoura, indústria para trabalhar, mas sim uma outra industria: a do amigalhaço e do dinheiro fácil sem ninguém saber como se ganha.
Não tem juízo quem anda a escutar o primeiroministro nas suas conversas privadas durante as quais seja suposto que fale também livremente das suas opiniões para depois ser suspeito (e não poucas vezes acusado na praça pública) de crime contra o Estado de Direito por ter, isso mesmo, opiniões sobre questões que ele achará que deve ter, livremente. Não têm juízo aqueles que querem ver escarrapachadas nos jornais as conversas privadas (objecto de escutas) do primeiro-ministro, cujos fins são a morbidez e, em boa verdade, a decapitação política de José Sócrates. E juízo não têm as alegadas fontes da presidência (identificadas , como se viu) da república que, colando-se a alguma imprensa, tenta desacreditar José Sócrates que, obedecendo a cenários de asfixia democrática, lançam suspeitas sobre um primeiro-ministro que, alegadamente, os andava a espiar, dando assim um espectáculo inacreditável que serviu apenas para desacreditar o Presidente da República que, no fim, sai mal na fotografia. Não tem juízo a justiça que nos presenteia com
guerras entre os seus actores e espectáculos degradantes de longas, muito longas, esperas para se fazer justiça; de segredos de justiça que acabam escarrapachados nos jornais causando danos irreparáveis a pessoas que nem sequer suspeitas são. Como juízo não tem (alguma-muita) imprensa falada e escrita que, em vez de se assumir como responsável, alimenta os ditos; faz jeitos políticos; colabora em “inventonas” para favorecer uns e desfavorecer outros; que promove noticiários televisivos às sextas pobres, degradantes, cuja receita é o vale tudo para não perderem audiências em nome de argumentos que não é difícil adivinhar. Portugal não tem juízo. Não têm juízo as chamadas elites (e aqueles que se julgam ser) que se tratam todos por doutores e que, como diria alguém, falam de cima da burra, como se o mundo ou, na pior das hipóteses, a Europa os ouvissem quando falam utilizando enigmas e palavras caras que o povo não compreende. Como pode um pais com mais de oitocentos anos ainda não ter ganho juízo?
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Destaque
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Consulado Honorário de Portugal em Munique
Gestão anquilosada gera crescente revolta Com o efeito de uma bola-de-neve, cresce no interior da Comunidade Lusa na capital da Baviera a grave e perigosa contestação aos resultados negativos da gestão do Consulado Honorário de Portugal. O plano inclinado da vetusta e inoperante forma de actuação consular, sob a responsabilidade de Jürgen Adolff, só ilude quem a ele fecha a vista ou assobia para o lado. Aberta 6 horas por semana, a antena consular está situada numas inacreditáveis águas-furtadas de um imóvel implantado na zona nobre comercial e bancária da grande cidade. A mediocridade dourada, de que falava Maquiavel, era um luxo em comparação com os vexames e arreliadores contratempos a que estão sujeitos os nossos compatriotas. Entretanto, o manifesto a exigir a substituição de Jürgen Adolff ultrapassa as cinco centenas de assinaturas e foi endereçado, no princípio do corrente mês, às autoridades portuguesas competentes. F. Almeida Ribeiro, em Munique
A urgência ética em elucidar e mostrar os contornos de um longo, penoso e inacreditável pesadelo que preocupa crescentemente a Comunidade Lusa na Baviera, levou a que o PP se deslocasse in loco para avaliar o impacto desastroso de uma querela pantanosa, onde quer os Serviços da Embaixada de Portugal, quer o Consulado de Estugarda, se arriscam a perder o controlo e a ficar em muito maus lençóis. A questão é estrutural, prende-se com a forma de actuar de uma burocracia mole e pesada que abandona milhares de portugueses à sua sorte.A fulanização das questões deve ser evitada, se bem que a provecta idade do cônsul honorário dê azo às mais desencontradas teses e explicações. De uma forma geral, os nossos compatriotas queixam-se da falência técnica dos serviços prestados a contagotas em Munique; e não deixam, por outro lado, de acusar a falta de profissionalismo dos serviços prestados no Consulado de Estugarda. Como têm bagagem cultural e cívica, deram-nos relato de uma catadupa de queixas por escrito endereçadas nos últimos anos. Mas, e aqui é que tudo se agrava, como resposta obtiveram um silêncio ensurdecedor... A comunidade portuguesa radicada em Munique, a sociedade civil inter-classista, activa e moderna, verbera o silêncio e o enclausuramento erigidos em regra de funcionamento pelo actual Cônsul Honorário. O paradoxo da raiz dos problemas é mesmo esse: se houve qualquer coisa de positivo, ou se se podia arranjar força para vencer a dureza de certos problemas, tudo isso, em verdade, se perdeu por causa do espesso e opaco
muro de silêncio tecido por Jürgen Adolff em torno da antena consular portuguesa.“Urge desfulanizar a questão“, sublinhou-nos o arquitecto Pedro Castro, que acrescentou que a „ comunidade quer ter um cônsul perto de si, se possível de nacionalidade portuguesa“.. „Não é ofensa nenhuma dizer que o sr. Jürgen Adolff já serviu o Estado Português ao longo de 15 anos, sendo, por isso, normal, que nas sociedades democráticas haja uma rotatividade de cargos. Relativamente ao facto de se saber se o sr. Jürgen Adolff serviu ou não Portugal; é muito provável que tenha servido. O que diz o texto do Manifesto no fundo, é que não é possível apontar porque não existe, de facto, uma comunicação para o exterior por parte do Consulado Honorário. Nós, Comunidade, não conhecemos - com muita pena nossa- qualquer acção. Muitas pessoas dentro da Comunidade desconhecem o existência do próprio Consulado Honorário em Munique. No fundo, estas questões não são
ofensas, estas questões são constatações simples que não tendem a ofender nem descredibilizar nem atacar uma pessoa. Friso: são movimentos gerados dentro da Comunidade, em prol da Comunidade e a favor de uma melhoria da Comunidade, reconhecendo que existe um elevado potencial „, concluiu. Recusas, gritos e apelos D. São tem uma Mercearia Fina em Munique, onde vende as delikatessen nacionais. A que juntou produtos brasileiros para a crescente colónia carioca. Beirã, está atenta ao movimento social da Comunidade, em que se integra de alma e coração. Com o saber da já longa experiência disse-nos, sem rodeios: „ Estou aqui há 20 anos e nunca houve nada de relevante na Comunidade. Tudo o que se inicia, esvaise. Não existem apoios de lado nenhum. O cônsul tem que ser português. A Escola Portuguesa de Munique já tinha fechado as portas, se não fosse a combatividade dos nossos irmãos brasileiros. A Escola é
fundamental, mesmo com os ridículos 45 minutos de aula por semana. Vale mais pouco do que nada „. Rui Mendes é farmacêutico estabelecido em Munique, há mais de 10 anos. Está atento e sofre com a situação criada pelo „ imobilismo „ consular, quer em Munique, quer em Estugarda.“ O atendimento é péssimo, de forma que se necessito de alguma coisa tenho que me deslocar a Lisboa“, assegura. „ Tentámos mudar as coisas no Ensino, mas não conseguimos ser atendidos pelos Serviços da Embaixada. Recusaram enviar uma circular aos agregados familiares a dar conta da oferta escolar portuguesa. A responsável dos Serviços, D. Antonieta, com quem falei 90 minutos ao telefone, queixou-se da falta de pessoal para efectuar o envio da circular. A burocracia imensa sufoca tudo...“. Jovem engenheiro na BMW, Antonino Sá, queixa-se do „ ambiente „ de „Terceiro Mundo „que se vive no Consulado de Portugal em Estugarda. Há tempos foi mesmo maltratado e fez queixa por
dro de representações consulares às novas realidades è as reais necessidades da presença portuguesa no Mundo „. A ingente missão de „ Modernizar, Desburocratizar e Informatizar os Serviços Consulares“, diz o articulado, visa oferecer ao Emigrante a „ prestação de um Serviço Público de qualidade, eficiente e rápido, e, simultaneamente, permitir que aquele possa dispensar o mais possível a deslocação física aos postos consulares „. A responsabilidade governamental, incontornável na escolha do Cônsul Honorário, implica o parecer indispensável para a nomeação, quer da parte do Embaixador, quer do CônsulGeral da área em que está situado o Consu-
lado Honorário, conforma expressa o parágrafo 4 do artigo 18° do supracitado DL. Se existir um quantitativo de actos consulares superior a um milhar/ano, no mínimo, e na área residirem mais de 1000 cidadãos, o MNE pode „ autorizar que os cônsules honorários exerçam as competências próprias dos funcionários consulares designados nos termos do artigo 12 °, relativamente a: a) Operações de Recenseamento Eleitoral; b) Actos de Registo Civil e de Notariado; c) Emissão de Documentos de Viagem“. Um mundo de perspectivas e realidades insofismáveis, antídotos para fazer cessar todas as formas de imprevidência e desleixo. FAR
O que se espera… A pronta substituição de Jürgen Adolff à frente do Consulado Honorário de Munique não pode tardar. Nos círculos mais próximos do reempossado Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas segue-se com expectativa e determinação o desenlace positivo do „ caso“, tanto mais que o cônsul honorário de Munique ultrapassa com um lustro o tempo-limite de exercer as funções para que foi nomeado... Observadores impolutos aconselham que se deve estimular a entrada em vigor, efectiva e plena, de novos conteúdos da chamada „ Reforma Consular“, consagrados pelo DecretoLei aprovado em Conselho de Ministros, nº 66/2007, que visam „ adequar o actual qua-
escrito. „Os modos bruscos e altaneiros dos funcionários do Consulado intimidam. Isso é um cartão de visita que é uma tristeza para um País, que tem tantas potencialidades“, revelou, acentuando a sua estupefacção pelo facto de ninguém ter informado os nossos compatriotas em Munique, sobre os horários de funcionamento do Consulado e da antena na capital bávara. José Carlos Fonseca é um empresário da restauração de sucesso em Munique. Lançou a fórmula do Lisboa Bar, Restaurante, há cerca de 20 anos. Concebeu a matriz internacional da sua Carta, enquadrada no ambiente caloroso e fraterno do seu vasto e exigente espaço. Preços moderados e menús variados com ementas e petiscos nacionais, podem constituir uma das opções à escolha. Frequentado pela „ nata „ do mundo empresarial e intelectual de Munique, cosmopolita e seleccionado, o Lisboa caiu no „goto“ dos alemães de todas as idades e constitui, sem sombra de quaisquer dúvidas, um farol de requinte e bom gosto da „alma e génio lusitanos“ nas terras da Baviera. José Carlos participou , desde o início, no Movimento do Manifesto. Considera que, sem ofensa, o Consulado Honorário de Portugal em Munique, tem a dimensão de um „ fantasma“, pois, „ nunca se apresentou em lado nenhum, nunca o vimos em lado nenhum. Este sr. Jürgen Adolff está na altura de arrumar as botas, como se diz em bom português. Bem ou mal- quem o sabe?já fez o seu tempo. Agradeço-lhe, pois, que a partir de agora ceda o lugar a pessoas inteiramente responsáveis, a viver cá, para exerceram essa função”, reiterou.
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Nacional & Comunidades
PORTUGAL POST nº 185 • Dezembro 2009
Viagem por 11 países confirmou existência de talento português em todo o mundo Tiago Forjaz passou por 11 países, 16 cidades nos últimos três meses e no final confirmou aquilo que já sabia: que existe talento português por todo o mundo. „Tenho uma lista de mais de 170 nomes“, disse à Agência Lusa, momentos antes de iniciar no sábado à noite num jantar em Londres, a última escala da viagem de apresentação da Fundação Talento. O propósito desta odisseia era mobilizar a diáspora portuguesa para a identificação de portugueses talentosos „cujo sucesso beneficiará a imagem de Portugal“, o que, segundo o dinamizador do projecto, ficou realizado. Seja entre os cientistas portugueses a trabalhar na indústria aeroespacial em Delft (Holanda), estudantes de Erasmus em Barcelona ou investigadores no CERN - a organização europeia para a investigação nuclear -, na Suíça, Tiago Forjaz encontrou talento. O que também percebeu foi que, depois de saírem de Portugal, muitos destes profissionais desenvolvem a auto-estima e passam a apreciar genuinamente o país e a cultura de origem. A „tournée da Fundação Talento“ irá culminar num evento em Lisboa,
em Dezembro, onde serão nomeados „senadores“ para continuarem a identificar este talento e contribuir para a Fundação, que, no futuro, aspira a realizar acções culturais, científicas ou sociais para apoiar e desenvolver este talento. Tiago Forjaz tem como referências redes sociais e culturais como a indiana ou a judaica, que apoiam os seus membros a singrar, mas rejeita interesses económicos ou um „clube de cunhas“ de portugueses. „O nosso espírito é filantrópico“, disse. Antes do Reino Unido, Tiago Forjaz, que é presidente da Jason Associates, uma consultora de recursos humanos, passou pelo Brasil, Espanha, França, Bélgica, EUA, África do Sul, Angola, Holanda e Suíça. A ideia da Fundação nasceu depois do lançamento, há dois anos, do The Star Tracker, uma „rede social do talento global português“, que se propunha a por em contacto portugueses com „talento“ e mentalidade global, que já conta com 31 mil membros espalhados por mais de 120 países e tem o apoio do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva. O convívio continua a ser uma das principais vantagens deste site, concordaram vários membros pre-
sentes no jantar. Em Londres há perto de dois anos, onde trabalha em marketing numa multinacional, Ana Mota disse que o Star Tracker „foi importante para conhecer pessoas no início“ e o facto de partilharem uma língua e cultura foi um „ponto de referência“ que ajudou na sua instalação numa cidade estrangeira. Para Cláudio Martins, há mais de três anos na capital britânica, o Star Tracker foi fundamental no arranque de uma nova aventura profissional, o lançamento de uma empresa de comercialização e divulgação de vinhos portugueses. „Começou tudo no Star Tracker, foi lá que encontrei a pessoa que desenhou o logótipo“, contou à Lusa. Sobre o facto de a maioria dos membros, cujo acesso só é possível por convite, serem profissionais jovens qualificados, todos rejeitam que seja um sinal de elitismo, mas uma “nova realidade” no fluxo migratório para o estrangeiro. „Não é elitismo, é o retrato da nova geração de portugueses que sai do país“, garante Ricardo Fernandes, um dentista há pouco mais de um ano em Londres. Lusa
Paulo Pisco foi Andorra para dar apoio às vítimas de um acidente nas obras de um viaduto Com o objectivo de prestar apoio aos familiares do trágico acidente ocorrido no dia 7 de Novembro nas obras do viaduto que vai ligar as povoações de Encamp e La Massana, em Andorra, o deputado do PS eleito pelo círculo da Europa, Paulo Pisco, deslocou-se nos dias 8 e 9 ao Principado. Em Andorra, o também director do Departamento Internacional e das Comunidades do PS, reuniu com diversos membros do Governo de Andorra, com quem esteve sempre em contacto para recolher informações e dar todo o apoio que a cada momento fosse necessário. Na companhia da ministra da Saúde de Andorra, Paulo Pisco visitou os portugueses feridos no acidente e
falou com alguns dos seus familiares, reiterando “todo o apoio” para ajudar a resolver eventuais problemas que surgissem, quer por parte do Estado português quer do Principado de Andorra. “Nesta deslocação, além de falar com os feridos e com alguns dos seus familiares, falei também com vários representantes da comunidade portuguesa e visitei o local onde ocorreu o acidente que vitimou os nossos compatriotas”, disse. Paulo Pisco adiantou ainda que “a Secretaria de Estado das Comunidades centralizou todas as acções através da embaixada de Portugal, acompanhando de perto a situação para prestar todo o apoio necessário”.
Nacionalidade:
PSD quer alterar lei e dar nacionalidade automática aos netos de emigrantes Os deputados do PSD pela emigração querem alterar a Lei da Nacionalidade para que a esta seja atribuída aos netos de emigrantes portugueses de forma automática e não por naturalidade, como acontece actualmente.
„A actual lei prevê que a nacionalidade seja concedida por naturalização, o que implica a perda da nacionalidade original e não é transmissível para os descendentes“, explicou o deputado por Fora da Europa José Cesário (na foto). Num requerimento entregue na Assembleia da República, os deputados José Cesário e Carlos Páscoa Gonçalves (Fora da Europa) e Carlos Gonçalves (Europa) lembram que o PSD já havia proposto a atribuição automática da nacionalidade aos netos de emigrantes portugueses na última revisão da lei da
nacionalidade, em 2006. „Com esta proposta de alteração o PSD pretendia obviar à situação de que inúmeros cidadãos netos de portugueses se viam privados de aceder à nacionalidade portuguesa originária pelo simples facto de os seus progenitores directos nunca terem declarado querer ser portugueses“, lê-se no documento. Para o PSD, „a inércia dos pais não deveria impedir os respectivos filhos (netos de portugueses) de serem portugueses de origem“. Considerando que a „nova Lei
da Nacionalidade foi sensível à questão dos netos dos portugueses, facultando-lhes um acesso expedito à nacionalidade portuguesa por naturalização“, os deputados afirmam que ficou, no entanto, „aquém do era inicialmente proposto pelo PSD“. „Inúmeros netos de portugueses, com inequívocas ligações à comunidade portuguesa, com laços sanguíneos indubitavelmente portugueses, continuam, por isso, ainda hoje privados de aceder à nacionalidade portuguesa originária só porque os pais não solicitaram a atribuição da nacionalidade portuguesa“, indicam. Em 2006, ano em que a nova Lei da Nacionalidade entrou em vigor, o então conselheiro das comunidades portuguesas no Brasil António de Almeida e Silva estimou que residiam naquele país perto de cinco milhões de netos de portugueses que poderiam obter a nacionalidade portuguesa. De acordo com o deputado José Cesário, a alteração à Lei proposta pelo PSD irá beneficiar essencialmente países transoceânicos com tradições na emigração portuguesa como o Brasil, Argentina, Venezuela, Estados Unidos, Canadá e África do Sul.
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Nacional & Comunidades
PORTUGAL POST nº 185 • Dezembro 2009
Modernização dos consulados, ensino fora da Europa são prioridades na emigração
África do Sul:
O programa do XVIII Governo constitucional aposta em matéria de emigração na continuidade da modernização dos consulados, no alargamento da rede de ensino fora da Europa e na captação de investimento dos emigrantes para Portugal.
Muitos milhares de portugueses e seus descendentes, que acompanharam a par e passo a marcha da selecção nacional rumo ao Mundial de 2010, anseiam agora por saber em que cidades sul-africanas Portugal irá disputar o Mundial. Em Joanesburgo, cidade onde reside a maior parte dos 400 mil portugueses emigrados no país, alguns juntaram-se na noite de quarta-feira em restaurantes e em casas de amigos e familiares para assistir pela televisão ao tão ansiado apuramento da selecção comandada por Carlos Queiroz, enquanto na sua maioria a comunidade assistiu ao derradeiro encontro no aconchego das suas casas. “A presença da nossa selecção no Mundial é enorme e irá gerar alegrias e afectos mútuos, uma vez que milhares de compatriotas irão apoiar a selecção nos estádios enquanto os próprios sul-africanos darão mais atenção e importância aos portugueses que aqui residem há muitas décadas”, refere José Luís Silva, um emigrante oriundo da Madeira que assistiu ao jogo decisivo do seleccionado português num restaurante de Joanesburgo. Este português recorda que Cristiano Ronaldo em particular merecerá uma atenção muito especial em território sul-africano se integrar, como tudo leva a crer, a equipa das quinas que disputará o primeiro Mundial de futebol em solo africano. “Mais de 200 mil dos 400 mil portugueses que aqui residem são oriundos da Madeira e sentem um enorme orgulho, a nível pessoal e perante a sociedade sul-africana, em que Ronaldo seja ele próprio um madeirense”, salientou. Da Cidade do Cabo até Joanesburgo, passando por Durban, Bloemfontein, Rustenburg, Pretória, Nelspruit, Port Elizabeth e Polokwane (as nove cidades-anfitirãs do Mundial de 2010) os portugueses sentiram até ao último minuto do Bósnia-Portugal de quarta-feira a angústia de um apuramento sofrido.
„O Governo do PS continuará a modernização das estruturas da rede consular, cujo objectivo central consiste na melhoria constante do atendimento, particularmente através da utilização das tecnologias de informação e comunicação“, refere o programa. Aponta ainda como prioridade da missão dos consulados as componentes „de acção cultural, promoção económica e acção social“. A política de emigração e comunidades portuguesas, que continuará a ser liderada pelo secretário de Estado António Braga, assume também o compromisso de coordenar „as diferentes políticas nacionais de modo a garantir aos emigrantes o pleno exercício dos direitos de cidadania em plano de igualdade com os demais cidadãos que residem em Portugal“. Entre as prioridades do novo Governo surge também a expansão do ensino da língua e cultura fora
da Europa „enquadrada na nova missão do Instituto Camões“, que no próximo ano lectivo assumirá a estruturação da rede do ensino de português no estrangeiro, que passa assim da tutela do Ministério da Educação para o dos Negócios Estrangeiros. O programa de captação de investimento dos emigrantes para Portugal, apresentado pelo anterior executivo, mas que ainda não saiu do papel, transita para esta legislatura. „As relações com os empresários portugueses no estrangeiro constituirão o pilar do programa
NETINVEST, cujo objectivo central se propõe contribuir para facilitar as condições ao investimento em Portugal, bem como a realização de parcerias entre os empresários nacionais com sede em Portugal e os restantes instalados no estrangeiro“, assume o Governo. A continuidade dos programas de novos talentos “Talentos” e „Lusavox“, a promoção do reencontro dos lusodescendentes com Portugal e a criação de incentivos ao mérito para associações de emigrantes são outros compromissos assumidos pelo executivo para os próximos quatro anos.
Deputado do PSD quer avaliar trabalho dos Gabinetes de Apoio ao Emigrante O deputado do PSD pela Emigração José Cesário quer avaliar o trabalho desenvolvido pelos Gabinetes de Apoio ao Emigrante, disponíveis em 83 câmaras municipais, por considerar que as autarquias têm um papel importante nessa área. Publicidade
„Considerando que as políticas das comunidades têm de se desenvolver a vários níveis, e um deles é o do poder local, quero fazer uma avaliação do que está a ser feito“, disse o deputado por Fora da Europa . Criados pelo secretário de Estado das Comunidades, António Braga, os Gabinetes de Apoio ao Emigrante pretendem ajudar a integração dos emigrantes que regressam à terra natal e ajudar os que decidem emigrar a não serem vítimas de contratos fraudulentos. Referindo-se ao êxodo de portugueses em muitas regiões periféricas, „muito semelhante à verificada no início dos anos 80“, e aos casos de exploração laboral, José Cesário defendeu num requerimento entregue à Assembleia da República que „os poderes públicos em Portugal não poderão ignorar este tipo de situações“. „Importará assim que a todos os níveis da nossa administração existam políticas específicas para a nossa emigração, que garantam uma eficaz ligação às comunidades portuguesas, incluindo os milhões de luso-descendentes já nascidos no estrangeiro, com todo o potencial que representam“, lê-se no documento. Para o deputado, as câmaras
municipais „não podem divorciar-se deste fenómeno“, pelo que devem definir „políticas regionais que garantam uma melhor relação com toda esta impressionante realidade humana e política“. Contactado pela Agência Lusa, o presidente da Associação Nacional dos Municípios, Fernando Ruas, disse que os gabinetes têm sido mais procurados por quem regressa ao país do que por quem sai à procura de trabalho. „São uma oportunidade de ajuda para os que regressam, nomeadamente na indicação de eventuais postos de trabalho ou de oportunidades de negócios“, afirmou. Fernando Ruas disse ainda que os emigrantes têm sido uma „maisvalia“ para os municípios porque „deixaram remessas importantes“. „Posso dizer que no meu município (Viseu) os emigrantes têm sido fundamentais para animar a economia local“, assegurou. Existem actualmente 83 Gabinetes de Apoio ao Emigrante espalhados pelo país, 79 dos quais já assinaram o protocolo com o Governo e quatro ainda não assinaram o documento mas já têm os gabinetes a trabalhar. O Governo pretendia abrir 150 gabinetes até ao final do ano.
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Emigrantes portugueses felizes com o apuramento da selecção nacional Em todas as cidades existem comunidades lusas, em muitos casos “fortalecidas” por outras comunidades lusófonas, compostas por moçambicanos, angolanos e até (em números mais modestos) brasileiros. Em Bloemfontein, a capital da província do Free State, 350 quilómetros a Sudoeste de Joanesburgo, um português teve já até, em Junho deste ano, um “cheirinho” de Mundial, quando acolheu no seu hotel e a selecção brasileira que venceu a Taça das Confederações. Manuel Viveiros e a esposa, Teresa, lidaram de perto com as exigências das equipas de alta competição, adaptando a cozinha e vários dos espaços da sua unidade hoteleira às necessidades das “estrelas” brasileiras nos campos da alimentação, exercício físico, descanso e outras. O seu sonho agora é que os seleccionados de Carlos Queiroz venham, em Junho do próximo ano, a honrá-lo com uma estadia no seu estabelecimento, situado às portas de Bloemfontein, a cidade-sede do poder judicial sul-africano, conhecida como “a cidade das rosas” e onde residem cerca de 200 famílias portuguesas. “As crianças e jovens que frequentam a escola portuguesa da cidade são uma centena, isso dá uma ideia da presença portuguesa em Bloemfontein”, salienta Gabriel Jardim, um comerciante madeirense residente há várias décadas na cidade e que possui uma enorme curiosidade pela História, quer da sua ilha de nascimento quer do país de acolhimento. “Tenho a certeza de que a presença da selecção portuguesa na África do Sul será um sucesso, dentro e fora dos terrenos de jogo”, garante Jardim, que assistiu ao jogo que ditou o apuramento de Portugal para o Mundial em casa de amigos. “Uma noite inesquecível, difícil de explicar por palavras”, concluiu em declarações Gabriel Jardim.
Associações portuguesas vão receber centenas de milhar de livros Centenas de milhar de livros, disponibilizados pela Imprensa NacionalCasa da Moeda, vão ser distribuídos nas comunidades portuguesas no âmbito de um acordo com a Secretaria de Estado das Comunidades, disse fonte do gabinete do secretário de Estado. No total serão distribuídas 400 mil obras de literatura portuguesa, história, poesia e de carácter científico às associações portuguesas no estrangeiro, nomeadamente gabinetes de leitura, leitorados, e escolas portuguesas. A iniciativa enquadra-se „na polí-
tica de promoção da língua, tendo como agentes fundamentais as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, via essas estruturas associativas, enquanto agentes da cultura portuguesa“, salientou fonte do gabinete do secretário de Estado, António Braga.A mesma fonte acrescentou que em breve será assinado um protocolo entre a Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas e a Imprensa Nacional-Casa da Moeda, em que esta instituição se compromete a enviar exemplares de futuras edições para as associações portuguesas no estrangeiro.
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PORTUGAL POST nº 185 • Dezembro 2009
Opinião Luís Barreira
Justiça Uma espada de dois gumes
A
qui há uns anos atrás, com o crescimento exponencial dos crimes violentos em Portugal, os portugueses começaram a andar assustados e revoltados. Assustados porque a violência e descaramento dos assaltantes é de tal ordem, que há que ter um duplo cuidado ao entrar no automóvel, em casa, na rua ou mesmo até quando dormimos. Revoltados porque, compreensivelmente, atribuia-se a culpa deste fenómeno à inoperância das forças de segurança, à sua indiferença e à incapaciadade de lidar com este tipo de marginalidade. Mais tarde, face à onda de protestos que se fazia sentir e que conduziu eventualmente as instituições a uma melhor organização dos seus efectivos e meios de actuação, o cidadão comum começou a verificar, pelas notícias vindas a público, que a polícia até estava a agir com algum sucesso e celeridade, prendendo e desmantelando autênticas quadri-
lhas de “amigos do alheio”. No entanto, esperáva-nos outra desagradável surpresa: os meliantes eram presos e eram soltos quase de imediato! Choveram então contestações a reclamar sobre o novo Código de Processo Penal, que os nossos deputados haviam aprovado na Assembleia da República e que, pelas críticas veículadas por peritos jurídicos, além das interpretações dúbias que gerava e dos erros processuais que eram cometidos, conduzia à libertação de muitos marginais confessos e à incapacidade da justiça e dos seus agentes, em os manterem sob prisão. Compreendeu-se então um pouco melhor a desmoralização e desânimo das nossas forças da ordem, que arriscavam a vida para nos defenderem de toda a corja de bandidos e que uns dias depois se cruzavam com eles nas ruas. Se já andávamos desconfiados que as leis da nossa justiça não eram as mais justas para o colectivo, a ava-
liar pela (in)solução de muitos processos, cuja duração ultrapassa todos os limites do que é razoável e muitos dos quais acabam com o resultado jurídico zero, os portugueses começaram a ficar mais atentos àqueles que têm por missão fazer as leis e ao desempenho do terceiro poder da Nação, ou seja, a o Poder Judicial. Começámos a ouvir falar da personalidade e das declarações de juizes, procuradores, advogados e dos restantes actores, que actuam dentro desta instituição, àcerca do estado da vida interna da mesma e de alguns processos concretos. Aquilo que, ainda não há muito tempo, era intocável, não só pela postura sigilosa e profissional destas entidades, como pelo respeito que nos mereciam, enquanto pilar do nosso Estado de Direito, começou a ser tratado na praça pública como um fait-divers e a ser objecto de sustentadas críticas aos seus procedimentos. É bem verdade que o povo deve
discutir e compreender tudo o que se passa dentro da sua sociedade, como elemento essencial ao seu desenvolvimento, tendo por objectivo atingir uma organização mais justa e merecedora da nossa confiança. Mas atenção ao Poder Judicial...! Se o Poder Executivo e Legislativo, ou seja, o Governo e a Assembleia da República, são sujeitos ao escrutínio popular, através de eleições, o mesmo não se passa com a justiça, nem podia ser de outra forma, sob o risco de partidarizarmos a instituição e de assistirmos descalabro social que se seguiria. Se um Governo “cai” e é substituído por outro e se a Assembleia da República se dissolve e são eleitos outros deputados, o Poder Judicial não pode “cair”, nem ser dissolvido. Isso seria a falência do regime! Para que tal nunca aconteça, é preciso contenção nas críticas que lhe são feitas mas, sobretudo, que as entidades responsáveis pelo exercí-
cio desta enorme responsabilidade, não se deixem influenciar por nenhum dos outros poderes (oposição incluída), pelas páginas especulativas dos jornais ou por interesses pessoais, que não sejam os de garantir escrupulosamente a isenção das suas posições, através da justa aplicação das leis existentes. Se as leis que os nossos deputados fazem não prestam, ou não servem os objectivos para que foram criadas, remetam as críticas fundamentadamente para o Presidente da República, para que ele as reaprecie, antes de as mandar publicar. Se as leis podem estar sujeitas a múltiplas interpretações, dando origem a decisões contraditórias, por parte dos juízes, procuradores ou outros quaisquer agentes na aplicação da justiça, discutam-nas no seio da instituição e coloquem-se de acordo com a jurisprudência. O Poder Judicial é a grande reserva moral da Nação e não pode, nem deve, ser banalizado.
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Homem vítima de agressão racista em Hamburgo afinal não é português O homem presumivelmente vítima de uma agressão racista no dia 15 de Novembro, em Hamburgo, e inicialmente identificado pelas autoridades alemãs como português, é um ìusurpador de identidadeî, disse o cônsul-geral de Portugal naquela cidade alemã. “Constatámos que a pessoa hospitalizada não é o senhor Manuel Siná, que consta dos nossos registos consulares, e que não é português, mas sim um usurpador de identidade”, afirmou o diplomata. António Alves de Carvalho adiantou ainda que a consulta aos serviços centrais em Lisboa permitiu apurar que a vítima da agressão apresentou documentos exclusivamente alemães com a identidade de Manuel Siná, filho de pais guineenses. Manuel Siná é portador de um bilhete de identidade português obtido junto da Embaixada de Copenhaga, em 2007, segundo o diplomata. O consulado-geral de Hamburgo possui ainda registo de que Manuel Siná, ou uma pessoa que se apresentou com o seu nome, obteve um passaporte português junto desta representação diplomática, em 2000, mediante a apresentação de uma cédula pessoal, quando deveria ter apresentado, pelo menos, um bilhete de identidade português. “Não comento essa situação, limito-me a constatar a sua existência, porque se passou num tempo em que eu ainda não exercia funções em Hamburgo”, referiu o actual cônsul-geral. O diplomata explicou ainda que a polícia identificou a vítima da agressão ìnão com base num
A vitima a ser assistido pela emergência médica no local da agressão. Fotos: Cortesia Morgen Post
passaporte ou bilhete de identidade português, mas sim de um livrete de viatura, e de uma carta de condução alemães, e ainda de um registo de residência em Hamburgoî. António Alves de Carvalho pediu instruções à Secretaria de Estado das Comunidades sobre a forma de agir, mas excluiu, para já, uma queixa-crime por parte de Portugal contra o usurpador de identidade. ìPara isso, era preciso que a polícia alemã nos comunicasse que há uma suspeita, o que não sucedeu, ao contrário do que já ocorreu em muitos casosî, disse
António Alves de Carvalho. Independentemente da nova situação, o Consulado continua a acompanhar a situação da vítima, que depois de uma leve recuperação no pós-operatório voltou a entrar em coma, no Hospital de St. Georg. “Estamos a proceder assim apenas por razões humanitárias e desejamos que a vítima se restabeleça rapidamente, mas é bem provável que quando estiver bom não queira ter qualquer contacto com o nosso consulado, por razões óbvias”, disse ainda o diplomata português. O homem foi agredido no doPublicidade
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mingo de manhã, após um indivíduo ter colado um autocolante na parte de trás do seu veículo, que a polícia verificou conter palavras de ordem do partido neofascista NPD, a dizer „Hamburgo tem de continuar a ser alemã“.
Entretanto, sofreu dois derrames cerebrais, teve de ser operado de emergência, está de novo em estado de coma e continua a inspirar cuidados, segundo o cônsul português. Francisco Assunção Publicidade
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Cônsul-Geral em Düsseldorf cria Conselho Consultivo
Cerca de 30 interessados participaram na reunião da qual saíu nomeado o Conselho Consultivo
A convite do Cônsul-Geral de Portugal em Dusseldorf, João Weinstein, realizou-se no passado dia 8 de Novembro uma reunião para eleição de oito dos onze conselheiros do Conselho Consultivo junto daquele consulado, eleição esta prevista no Regulamento Consular (ver caixa).A escolha dos restantes três nomeados, em se inclui próprio cônsul, foi feita chefe do posto consular No início da reunião, que contou com cerca de trinta participantes em representação das comunidades de Gelsenkirchen, Essen, Mühlheim a.d.Ruhr, Dortmund, Burscheid, Düsselforf, Solingen, Eschweiler Lewerkusen, Hagen, Remscheid, Heinsberg e Krefeld, o cônsul começou por explicar aos presentes o modo de funcionamento do Conselho Consultivo, acabando por anunciar os três primeiros nomes do órgão a constituir, sendo eles o próprio titular do
posto, Fernando Matos, técnico do consulado e a professora Monia Miranda Gibson. Antes da eleição, procedeu-se à habitual troca de impressões sobre os propósitos do órgão. De seguida passou-se a debater propostas de nomes candidatos à eleição feita pelos trinta presentes. A seguir, com três proponentes a decidiram retirar o seu nome da lista de candidatos para dar andamento rápido ao processo, e resolvida a questão de uma pequena discordância sobre
Conforme Regulamento Consular
publicado no Diário da República (DR, 1 Serie-n° 63-31.03.2009) pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, o qual prevê a criação de conselhos consultivos junto de cada posto ou secção consular, “sempre que existam, pelo menos, 1000 cidadãos portugueses inscritos”. De acordo ainda com o Regulamento Consular, o Conselho Consultivo tem como competências, “produzir informações e pareceres sobre as matérias que afectem os portugueses residentes” na respectiva área consular e ainda “elaborar e propor recomendações respeitantes à aplicação das políticas dirigidas às comunidades portuguesas”.que não deverão ser menos de dois ou mais de 12.
o candidato de Heinsberg, que não representava ninguém, os presentes votaram os seguintes nomes para o Conselho Consultivo: Sandra Carocha Bloch (Dortmund), Manuel Machado (Burscheid), João da Encarnação (Mülheim a. d. Ruhr), Gonçalo Sá (Gelsenkirchen), Fernando Genro (Hilden) Carlos Mota (Eschweiler), Rui Paz (Dusseldorf) e Fernando Silva (Heinsberg). Como nota curiosa, este novíssimo Conselho já tem os dias contados porque, de acordo com o seu regulamento, ele cessa funções com a saída do actual cônsul. Logo, terse-á de proceder a segunda eleição quando o sucessor do actual iniciar a sua actividade, o que acontecerá daqui a oito ou nove meses. Esta é uma das tais leis que o legislador cria sem muito bem saber o que está a fazer. Houve quem dissesse que os autores desta lei deveriam antes ter criado um conselho para os aconselhar a fazer leis, “porque isto não tem sentido”, opinaram . Agora espera-se que este Conselho neste curto prazo de tempo faça um bom trabalho em prol da Comunidade Portuguesa e consiga assim levar a bom termo os objectivos a que se propõe. Um dos temas abordado já na reunião que se seguiu à eleição dos membros foi a questão do não preenchimento do cargo de Professor de Apoio (SARE) no consulado em Dusseldorf . Assim, os trinta professores
portugueses que leccionam na aérea consular encontram-se sem professor de apoio. Importa recordar que apenas seis foram colocados pelo Estado português, sendo que os restantes são pagos pelo Estado alemão. Em semelhante situação encontra-se o vice-consulado em Frankfurt que, desde que o ex-responsável do SARE se aposentou, ainda tem o lugar por preencher. Sobre esta matéria, o PORTUGAL POST solicitou uma entrevista à responsável pelos serviços de Coordenação de Ensino da Embaixada em Berlim que nos prometeu responder no “momento Oportuno”. António Horta Os consulados informam “Dia da Defesa Nacional” De acordo com a nova lei todos, os jovens de ambos os sexos que concluírem 18 anos a partir de Janeiro de 2010 são obrigadas a comparecer no Dia Nacional da Defesa, cuja convocatória é feita por edital afixado nos consulados. No caso de impedimento, os jovens devem pedir através de requerimento a dispensa de comparência evitando, assim, a aplicação de coima que pode ir dos € 249,40 a € 1.247 . Informações também pode serem obtidas no Consulados da área onde reside.
Opinião do Leitor Abandonados pela segunda vez Nos anos 60, pode dizer-se que foram os anos em que o maior número de portugueses emigrou para diversas partes do mundo. Derivado à situação politica do nosso pais naqueles anos, os mais carenciados, que vivia, nos grandes centros urbanos e muitos outros de norte a sul do pais que sobreviviam na árdua vida rural, foram forçados a abandonar Portugal em busca duma vida digna e honesta, que geralmente todos anseiam e têm direito a usufruir. Quase todos eles mantiveram uma ligação de afecto com o país e a prova está em que grande número - talvez 90% - construiu casa na terra que os viu nascer, pensando sempre em voltar e viver o resto da sua vida na terra Natal. Com economias de longos anos e duras horas de trabalho, os emigrantes deram um contributo valioso à banca portuguesa, destabilizada naquele tempo devido à descolonização das ex-províncias ultramarinas. Para alem das casas que construíram, valorizando as suas terras e o pais, os emigrantes em nada beneficiaram com a entrada dessas divisas. Discriminadamente, os emigrantes portugueses, nunca foram identificados como deviam ser. {…} Porque razão ainda não foi criado o Ministério da Emigração? {…} Os governos, sem distinção, até hoje, muito prometem em tempo de eleições em preparar e apoiar o regresso daqueles que o desejam fazer. Mas nada se vê de concreto. Esses jovens, dos anos 60, chegaram à terceira idade e à reforma. Muitos Interrogam-se sobre o futuro que os espera na vida de reformados. Nos países de acolhimento, sempre foram discriminados e tratados como estrangeiros. {…} Na terra que os viu nascer quase ninguém os conhece porque os do seu tempo já sucumbiram e aí irão ser novamente “estrangeiros” Os filhos cresceram, formaram-se, casaram e vão ficando por esses países que se tornaram deles, embora num recente encontro intercultural da cidade de Münster entre jovens nascidos em Münster, Osnabrück, Rheine, Paris, Bruxelas, Amesterdão afirmaram, que se sentem estrangeiros em Portugal e nos países onde vivem, porque os nossos governos nunca lhes deu apoio necessário para que aprendessem a língua e a cultura dos pais. E os pais desses jovens, agora na terceira idade, que futuro os espera? Estarão todos eles condenados a morreram nos países de acolhimento? Todos eles, regra geral, têm um livro de economias que fizeram ao longo dos anos e uma reforma compensadora, que bem estruturada e canalizada, poderia trazer ainda grande benefício ao nosso pais. Num encontro de convívio entre casais da terceira idade alguém lembrou que o nosso Governo poderia construir lares em diversos pontos de Portugal onde essas economias e reformas seriam suficientes para manter esses lares. Alguns dos idosos poderiam assim viver junto dos amigos que arranjaram ao longo de 2o, 30 ou mais anos. Estas ideias só poderiam ser concretizadas se o nosso Governo tomasse medidas de orientação e apoio aos emigrantes. {…} A. D. Mendes B. Münster
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Cidadã que presta ajuda social aos portugueses em Singen ao PP:
Assistência social aos portugueses deve ser garantida pelos consulados Os portugueses e demais cidadãos de outras nacionalidades tiveram durante muito tempo em Singen uma tradutora que fazia a vez assistente social voluntária que, após tantos anos a servir a ajudar as pessoas, deixa de poder continuar esta actividade voluntária devido ao cansaço e ao desejo de ter, finalmente, algum tempo para si e para os seus. Tradutora de profissão e assistente social por dever de solidariedade, Custódia Winkler tem o seu escritório como ponto de encontro de quem quer resolver os mais diversos assuntos e problemas. Esta portuguesa, de 51 anos de idade, cidadã exemplar, faz das vísceras coração sempre que se trata em ajudar o próximo, e fá-lo sem se queixar. Quantas vezes ficou e fica prejudicada financeiramente para dar de si aos outros? Muitas, certamente. Ainda hoje chegam a esta cidade portugueses sem falar uma palavra de alemão. Agora que Custódia Winkler vai deixar esse trabalho voluntário, a quem se vão dirigir estas pessoas? Quem vai resolver e defendê-los em situações menos fáceis? Perguntas que se coloca ao Estado português representado nesta área pelo consulado em Estugarda que deixa de deslocar a
Singen um técnico para prestar serviço social uma vez por mês devido “à falta de verbas”, dizem-nos.
PP- Como nasceu a ideia de ajudar dessa forma as pessoas que precisam? Custódia Winkler - Tudo tem um princípio. Em 1975 quando comecei a minha vida profissional como assistente de enfermagem, comecei a ser solicitada pelas pessoas e o meu primeiro trabalho de tradução foi para gente do Brasil. Em 1977 comecei a trabalhar como tradutora para as autoridades alemães e portuguesas, tribunais, polícia tudo o que tem a ver com o estado. Ao mesmo tempo pensei prestar apoio social a partir de minha casa e, assim, também poderia olhar pelos filhos PP- Que tipo de carências têm as pessoas que se dirigem a si ? C.W. - Muitas vezes são para preencher requerimentos de reforma, de subsídio de desemprego, abono de família ou então para resolver problemas escolares; para acompanhar as pessoas aos médicos; casos de divórcios; casamentos, problemas com a habitação; tribunais; assistência a cidadãos presos; assistência a portugueses que regressaram e agora se vão reformar em Portugal; tradução de toda a papelada, etc..
Custódia Winkle, uma cidadã que deu muito de si aos outros, põe ponto final no seu trabalho voluntário. Foto: PP
PP- Tem algum apoio oficial da parte das entidades alemães ou portuguesas ? C.W. Não tenho PP -Já conversou com essas entidade sobre o seu trabalho? C.W. –Já. Aconselharam-me a ter um tabela de preços PP - Onde atende as pessoas? C.W. - Atendo as pessoas no meu escritório privado desde 1991
PP- Tem algum comentário a fazer sobre o modo como as entidades oficiais portuguesas tratam a questão do apoio social que deveria prestar aos seus concidadãos? C.W. - Segundo um declaração de alguém do consulado em Estugarda foi dito que os emigrantes com os anos que têm de Alemanha têm que saber o alemão para tratarem dos seus assuntos sozinhos. Eu digo que não é possível. A grande maioria veio e vem dos meios ru-
rais, não sabe o português escrito, quanto mais o alemão! Todos nós sabemos que naquele tempo, não havia cursos gratuitos como hoje há. Ainda hoje chega aqui gente que me procura para os acompanhar à Caritas para se inscreverem nos cursos de Alemão. Isto é uma realidade, só não vê quem está confortavelmente nos gabinetes. João Ferreira Correspondente em Singen
Fala o Leitor
GENTE O deputado do PS eleito pelo círculo da Europa, Paulo Pisco, parece começar bem o seu mandato e, a continuar assim, marcará a diferença entre aquilo que foi a exdeputada Maria Carrilho, eleita pelo mesmo círculo nas mesmas listas do PS. Publicamente, conhece-se, para já, dois grandes momentos que merecem ser registados: o primeiro foi a sua deslocação a França para participar numa homenagem a Aristides de Sousa Mendes, cônsul em Bordéus que ajudou centenas de judeus em fuga ao regime nazi. Outro momento, este de grande impacto mediático, foi a sua deslocação a Andorra logo que soube de um acidente que tinha feito vitimas mortais trabalhadores emigrantes. Paulo Pisco deixa, pois, antever um mandato igual àquele que muitos portugueses residentes fora desejam: estar sempre nos momentos certos tão perto dos emigrantes e defendê-los tal como se pede a um deputado que prometeu isso mesmo.
Caros Amigos, Pela segunda vez comprei o “Portugal Post” no quiosque e fiquei surpreendido por haver aqui na Alemanha um jornal {…} Como gostei do primeiro jornal que comprei da primeira vez , voltei a comprar e gostei ainda mais. Gostaria, se fosse possível, obter os jornais todos de 2008 e de 2009 até agora. Ao ler o último número fiquei a saber coisas que não sabia. Por exemplo: o número de portugueses que estão inscristos na segurança social aqui na Alemanha. Fiquei a saber que há neste momento 4295 portugueses desempregados e não fazia ideia de ser tantos. Fiquei surpreendido e bem informado. E gostei também da página Pergunte que nós Respondemos com ersclarecimentos muito úteis. Também gostei de saber que há portugueses que se candidatam às câmaras aqui na Alemanha. Como já vivi em França, o Portugal Post é primeiro jornal que leio que fala de coisas sérias e que devem interessar aos leitores sem ser essas coisas de ser sempre bola e mais bola. Queria agora saber como se faz para eu receber o jornal aqui em minha casa e ficarei grato por uma vossa resposta. Envio os meus cumprimentos a toda a equipa do jornal e registemme desde já como novo assinante. Carlos Pinto Hamburgo
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Comunidade
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Há cerca de 94 portugueses presos na alemanha
Restaurante “Clube Portugues” em Dusseldorf festejou o 5° aniversário Focado no conceito de Responsabilidade de bem servir e estimar o cliente, o Clube Português em Dusseldorf promoveu um excelente evento no passado dia 15 de Novembro para comemorar o seu 5° aniversário. Situado na Erkrather Str 197 em Flingen, numa das artérias da cidade de Dusseldorf, o Clube Português é já uma referência na Capital da Renânia do Norte - Westefália. Para assinalar a efeméride, a Gerência (Armando Cortes, José Esteves e Filipe Castelo), fez um convite à população em geral para festejarem os cinco anos desta casa cujo nome, pela sua grande qualidade, já ultrapassou as fronteiras locais e regionais. Apesar do mau tempo que se fez sentir, centenas de pessoas responderam ao convite. Portugueses e alemães confraternizaram num ambiente muito tradicional e bem português onde para além do convívio se degustou delicioso presunto, castanhas assadas, jeropiga, água - pé e pastel - de - nata. Tudo de borla. A animação musical esteve toda a tarde a cargo de um grupo de três jovens tocadores de concertina, “OsTraquinas”, naturais de Ponte de Lima e
residentes em Werl, que com as suas músicas tradicionais do Alto Minho encheram de alegria o coração dos presentes. À noite foi a vez do famoso grupo de fados “ Sina Nossa”, de Unna. Da ementa do Clube Português faz parte diariamente, ao almoço, um prato diferente da cozinha tradicional portuguesa, que pode ser acompanhado de excelentes vinhos de várias regiões demarcadas de Portugal. Este espaço é conhecido por oferecer o melhor da culinária portuguesa, uma cozinha de qualidade indiscutível, e um atendimento personalizado Segundo José Esteves, um dos sócios gerentes do Clube Português, estão a servir cerca de dez mil refeições por mês. Aqui pode encontrar uma atmosfera sempre bem portuguesa tendo o fado como música de fundo e a luz de velas. O pioneirismo da casa, no que diz respeito ao ambiente e ao conforto do consumidor, fez do Clube Português um dos melhores restaurantes no seu género. Não é por acaso que já se tornou num ponto de encontro indispensável e digno de visita quase obrigatória. José Pinto
Aprenda a Proteger-se Contra a Inveja e Mau-Olhado Formato: 15,5 X 23 cm Paginas: 156 Preço: 19,90 € Nas alturas de maior fragilidade, há que
mcriar uma protecção efectiva contra os possíveis efeitos das energias negativas. Neste livro damos-lhe conhecimento de mantigos amuletos, fórmulas, rituais práticos, orações e rezas especiais mpara que possa repelir esse encantamento maligno. Cupão de Encomenda a: PORTUGAL POST SHOP na Pág.23
O número de portugueses actualmente presos em todo o mundo revela uma subida de 31% em relação ao ano passado e é o mais alto do registo efectuado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros desde 2006. As estatísticas não são absolutas, porque a comunicação de detenções não é obrigatória, mas a Secretaria de Estado das Comunidades vai tendo um retrato mundial conseguido através dos pedidos de apoio às embaixadas e aos consulados, revela o jornal i. De acordo com os dados divulgados pelo mesmo diário, há 1991 portugueses em prisões estrangeiras quase um quinto do total nas cadeias nacionais. Eram 1513 em 2008 e 1387 no ano anterior. Na Alemanha, segundo informações recolhidas junto dos consulados. o número de detidos ascende a cerca de 94. Alguns consulados tiveram o cuidado de nos lembrar que a actualizaçã dos números referentes ao ano em questão é sempre feita um pouco antes do Natal. Recorde-se que em igual período do ano de 2008 encontravam-se detidos neste pais 69 cidadãos lusos.
No momento do fecho de redacção deste jornal ainda estavam a dar entrada de dados referentes números de detidos na área de jurisdição do consulado em Estugarda, onde, de resto, está detido desde Fevereiro de 2004 o português com a pena mais pesada nas prisões germânicas por ter morto a sua mulher. Fonte ligada a um consulado disse ao PP que o tráfico de droga é o motivo mais recorrente das detenções, havendo ainda casos de não pagamento de alimentos, fuga ao fisco,
fraude, furto e, com pouca expressão, homicídio. Não há números disponíveis, mas a Secretaria de Estado das Comunidades estima em cinco anos a média de penas cumpridas pelos portugueses. Os funcionários dos consulados dão apoio em áreas como a distribuição de correspondência e medicamentos e no Natal os detidos recebem „uma lembrança monetária“. Este ano o orçamento é de 40 mil euros - o que dá um valor médio de pouco mais de 20 euros por pessoa. publicidade
Embaixador de Portugal em Berlim reúne-se com o CCP - Alemanha Os membros do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) vão reunir-se com o embaixador. O encontro, que será no dia 12 deste mês, em Berlim, contará com a presença dos conselheiros Alfredo Cardoso, Alfredo Stoffel, José Eduardo e Piedade Frias. Segundo Alfredo Stoffel, nesse encontro poderão estar os vários cônsules e os responsáveis pelo ensino do português. Este será o terceiro encontro entre o CCP, o embaixador e os cônsules. Os assuntos a discutir referem-se à situação actual do en-
sino da língua e cultura portuguesas na Alemanha e os novos Conselhos consultivos, entre outros assuntos. Numa curta declaração ao PP, Alfredo Stoffel disse que os encontros anteriores foram positivos. “Até agora estou satisfeito com os encontros em Berlim. Os relatórios até agora redigidos, sobre os quais o vosso jornal tem conhecimento, relatam os temas que até agora têm sido debatidos. Mas acho que ainda é cedo para fazer se retirar quaquer resultado concreto” disse-nos A.Stoffel durante uma curta conversa com o nosso jornal.
Presidente do PSD-Alemanha em Andorra O Presidente do PSD- Alemanha, Artur Amorim, deslocou-se a Andorra a convite dos membros que irão formar o núcleo do PSD naquele país. O motivo do encontro entre Amorim e os seus pares foi para tocarem informações e experiências sobre a organização do partido em Andorra. Artur Amorim teve ainda a oportunidade de conversar com os seus companheiro sobre os problemas das comunidades e meios para os resolver. O líder do PSD encontrou-se ainda membros representativos do movimento associativo e falou com o membro do Conselho das Comunidades Portuguesas em Andorra.
É Natal
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O Natal de Miguel Torga Neste Dezembro, mais uma vez vos apresento um poema natalício de Miguel Torga (1907 - 1995), ele que gostava de assinalar a data ou com um comentário em prosa ou com versos no seu diário que escreveu ao longo de 60 anos. Neste ano de 2009, na esteira dos debates à volta do mais recente romance de José Saramago „Caim“, escolhi o poema de 1972, pois ele aproveita a ocasião desta festividade cristã para reflectir sobre a condição humana entre religiosidade e racionalidade. E isto num poema em duas estrofes de 9 versos, com alguma rima em ritmo irregular, chamado NATAL: Aqui se encontra o eu, sentado junto ao lume, numa fidelidade a „esta noite comprida“. Os olhos postos nas brasas, ele, todos os anos, dá asas à imaginação ou às recordações da infância. Nesse ano de 1972 o eu expõe as suas dúvidas de homem moderno, céptico, agnóstico, talvez ateu, não acreditando em Deus ou num
Fiel das horas mortas Desta noite comprida, Pergunto a cada sombra recolhida Que sol figura o lume Que da lareira velha me sorri: O do calor cristão? O do calor pagão? Ou a fogueira é só a combustão Da lenha que acendi?
uma combustão ? Se o eu acendeu aquela lenha, então diante dele processa-se uma reacção química, explicável, demonstrável, nada mais do que isso. Mas isso po-lo-ia a sonhar, a divagar? Não anseia o ser humano, não ansiamos todos nós por mais? Cheganos o que a ciência nos explica?
Presépios, solstícios, divindades… A versátil natureza Do homem, senhor de tudo! Cria mitos, Destrói mitos, Nega os milagres que fez, E depois, desesperado, Procura o mundo sagrado Nas cinzas da lucidez.
A segunda estrofe segue com uma enumeração própria da época: „presépios, solstícios, divindades...“ Os plurais remetem para uma certa indiferença ou saturação de todos estes atributos natalícios. Lugares-comuns da época, mas mesmo assim dignos de reflexão, como a lembrarem afinal coisa mais profunda. Sim, o homem é „senhor de tudo“ e, no seu poder inventivo, nas suas inúmeras explicações para um mundo inexplicável, ele tem vindo a juntar ao longo dos séculos e em todas as culturas, mitos, deuses, festas, tradições. O homem é aqui o grande criador: cria, destrói, inventa, anula, faz milagres e nega-os. Acabasse o poema no
qualquer ser que transcenda a nossa humanidade. Por isso ele interpela as sombras (os espectros, os fantasmas): o que representará („figura“) aquele lume ancestral ? Será um calor de fé cristã ou antes um símbolo para uma muito mais antiga prática pagã? Ou será, muito cientificamente, apenas
verso „Nega os milagres que fez“ teríamos observações pertinentes sobre o poder humano, mas a reflexão terminaria sem um questionamento, arderia nas próprias cinzas dum pensamento científico. Torga nunca foi um espírito satisfeito, nunca descansou ao lume da sua própria racionalidade - e muito menos numa noite de Natal.Torga voltou sempre à simplicidade do seu torrão e das suas gentes: São Martinho de Anta, essa povoação no Marão que conjuga no próprio nome as duas heranças fulcrais do nosso povo. Se São Martinho, através da lenda da sua compaixão por um mendigo com quem partilha a capa de soldado romano contem em si a essência do cristianismo, a palavra anta testemunha a religiosidade celta, essa ligação à terra, aos mitos antigos que ainda hoje povoam lendas e costumes. Como filho da terra a visão do mundo torguiana ficará sempre ligada tanto às lições de catecismo como à solidão das fragas, tanto ao sublime da missa dominical
como à magia da desfolhada. Sim, a lucidez é distintivo humano, mal de nós quando a cegueira impera. Lúcidos abrangemos o mundo, criamos e recriamos, lúcidos o deixaremos. Será??? Torga fala aqui de desespero. A lucidez não dará resposta às perguntas essenciais... E o poeta, todo o artista, é aquele que, com a sua obra, anda à roda das questões essenciais, faz-lhes cerco, procura tacteá-las, sopesá-las, numa procura entre a emoção e o entendimento e sempre sem tréguas. Esta quadra, mais do que juntarnos em família, mais do que nos pôr a consumir doidamente, convida-nos a festejar um acontecimento entre a emoção duma fé recordada, perdida ou bem viva num nascimento dito divino, e um entendimento que pode significar um silêncio no quotidiano, uma procura de resposta para as nossas grandes questões. Luísa Costa Hölzl
Um conto de Natal
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e sacola e bordão, o velho Garrinchas fazia os possíveis para se aproximar da terra. A necessidade levara-o longe de mais. Pedir é um triste ofício, e pedir em Lourosa, pior. Ninguém dá nada. Tenha paciência, Deus o favoreça, hoje não pode ser – e beba um desgraçado água dos ribeiros e coma pedras! Por isso, que remédio senão alargar os horizontes, e estender a mão à caridade de gente desconhecida, que ao menos se envergonhasse de negar uma côdea a um homem a meio do padre-nosso. Sim, rezava quando batia a qualquer porta. Gostavam... Lá se tinha fé na oração, isso era outra conversa. As boas acções são que nos salvam. Não se entra no céu com ladainhas, tirassem daí o sentido. A coisa fia mais fino! Mas, enfim... Segue-se que só dando ao canelo por muito largo conseguia viver. E ali vinha de mais uma dessas romarias, bem escusadas se o mundo fosse de outra maneira. Muito embora trouxesse dez reis no bolso e o bornal cheio, o certo é que já lhe custava arrastar as pernas. Derreadinho! Podia, realmente, ter ficado em Loivos. Dormia, e no dia seguinte, de manhãzinha, punhase a caminho. Mas quê! Metera-selhe na cabeça consoar à manjedoira nativa... E a verdade é que nem casa
nem família o esperavam. Todo o calor possível seria o do forno do povo, permanentemente escancarado à pobreza. Em todo o caso sempre era passar a noite santa debaixo de telhas conhecidas, na modorra de um borralho de estevas e giestas familiares, a respirar o perfume a pão fresco da última cozedura... Essa regalia ao menos dava-a Lourosa aos desamparados. Encher-lhes a barriga, não. Agora albergar o corpo e matar o sono naquele santuário colectivo da fome, podiam. O problema estava em chegar lá. O raio da serra nunca mais acabava, e sentia-se cansado. Setenta e cinco anos, parecendo que não, é um grande carrego. Ainda por cima atrasarase na jornada em Feitais. Dera uma volta ao lugarejo, as bichas pegaram, a coisa começou a render, e esqueceu-se das horas. Quando foi a dar conta passava das quatro. E, como anoitecia cedo não havia outro remédio senão ir agora a mata-cavalos, a correr contra o tempo e contra a idade, com o coração a refilar. Aflito, batia-lhe na taipa do peito, a pedir misericórdia. Tivesse paciência. O remédio era andar para diante. E o pior de tudo é que começava a nevar! Pela amostra, parecia coisa ligeira. Mas vamos ao caso que pegasse a valer? Bem, um pobre já está acostumado a quantas tropelias a sorte quer. Ele então, se
fosse a queixar-se! Cada desconsideração do destino! Valia-lhe o bom feitio. Viesse o que viesse, recebia tudo com a mesma cara.Aborrecerse para quê?! Não lucrava nada! Chamavam-lhe filósofo... Areias, queriam dizer. Importava-se lá. E caía, o algodão em rama! Caía, sim senhor! Bonito! Felizmente que a Senhora dos Prazeres ficava perto. Se a brincadeira continuasse, olha, dormia no cabido! O que é, sendo assim, adeus noite de Natal em Lourosa... Apressou mais o passo, fez ouvidos de mercador à fadiga, e foi rompendo a chuva de pétalas. Rico panorama! Com patorras de elefante e branco como um moleiro, ao cabo de meia hora de caminho chegou ao adro da ermida. À volta não se enxergava um palmo sequer de chão descoberto. Caiados, os penedos lembravam penitentes.
Entrou no alpendre, encostou o pau à parede, arreou o alforge, sacudiu-se, e só então reparou que a porta da capela estava apenas encostada. Ou fora esquecimento, ou alguma alma pecadora forçara a fechadura. Vá lá! Do mal, o menos. Em caso de necessidade, podia entrar e abrigar-se dentro. Assunto a resolver na ocasião devida... Para já, a fogueira que ia fazer tinha de ser cá fora. O diabo era arranjar lenha. Saiu, apanhou um braçado de urgueiras, voltou, e tentou acendêlas. Mas estavam verdes e húmidas, e o lume, depois de um clarão animador, apagou-se. Recomeçou três vezes, e três vezes o mesmo insucesso. Mau! Gastar os fósforos todos é que não. Num começo de angústia, porque o ar da montanha tolhia e começava a escurecer, lembrou-se de ir à sacristia ver se encontrava um bocado de papel. Descobriu, realmente, um jornal a forrar um gavetão, e já mais sossegado, e também agradecido ao céu por aquela ajuda, olhou o altar. Quase invisível na penumbra, com o divino filho ao colo, a Mãe de Deus parecia sorrir-lhe. Boas festas! — desejou-lhe então, a sorrir também. Contente daquela palavra que lhe saíra da boca sem saber como, voltou-se e deu com o andor da procissão arrumado a um canto.
E teve outra ideia. Era um abuso, evidentemente, mas paciência. Lá morrer de frio, isso vírgula! Ia escavacar o arcanho. Olarila! Na altura da romaria que arranjassem um novo. Daí a pouco, envolvido pela negrura da noite, o coberto, não desfazendo, desafiava qualquer lareira afortunada. A madeira seca do palanquim ardia que regalava; só de cheirar o naco de presunto que recebera em Carvas crescia água na boca; que mais faltava? Enxuto e quente, o Garrinchas dispôs-se então a cear. Tirou a navalha do bolso, cortou um pedaço de broa e uma fatia de febra e sentou-se. Mas antes da primeira bocada a alma deu-lhe um rebate e, por descargo de consciência, ergueu-se e chegou-se à entrada da capela. O clarão do lume batia em cheio na talha dourada e enchia depois a casa toda. É servida? A Santa pareceu sorrir-lhe outra vez, e o menino também. E o Garrinchas, diante daquele acolhimento cada vez mais cordial, não esteve com meias medidas: entrou, dirigiu-se ao altar, pegou na imagem e trouxe-a para junto da fogueira. — Consoamos aqui os três — disse, com a pureza e a ironia de um patriarca. — A Senhora faz de quem é; o pequeno a mesma coisa; e eu, embora indigno, faço de S. José.
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Fala o Leitor
PORTUGAL POST nº 185 • Dezembro 2009
Ler é interpretar Senhor Director do PORTUGAL POST! A propósito da Crónica de Cristina Krippahl, no seu Jornal de Novembro, gostaria de fazer as seguintes observações: A Bíblia não é um livro de moral, mas sim o testemunho da caminhada religiosa de um povo, que descobriu e experimentou que a sua história era tecida por Deus a partir de fios humanos, que eram os fios da sua vida. Nesta meada de fios de vida, há de tudo, e de tudo isso a Bíblia fala, como bem nota a autora da Crónica, repetindo José Saramago. Aliás não foi Saramago quem descobriu a imagem de Deus „terrivelmente“ humana que se reflecte em algumas páginas da Bíblia, sobretudo nos seus livros históricos. Os cristãos sempre tiveram consciência dessas imagens de Deus presentes no Antigo Testamento. E até já os profetas de Israel não se cansam de corrigir as imagens “primitivas” de Deus da religião de Israel, exigindo uma
evolução no sentido de um maior universalismo (contra os todos os particularismos: o Deus de Israel é o Deus de todos os povos e de todas as pessoas) e de uma maior transcendência (contra todas as imagens antropomórficas de Deus: Deus é Deus e não um homem ! ). A Bíblia também não é um livro no sentido modernos da palavra, escrito por um autor, de „fio a pavio“. É um conjunto de livros (73 ao todo!), uma pequena biblioteca que se foi formando ao longo de cerca de 800 anos. E esses livros reflectem perspectivas tão diversas quantas as épocas, os autores, os estilos e géneros literários, as preocupações e os destinatários dos mesmos livros. Não se podem os primeiros capítulos da Bíblia (Genesis 1-11) como textos de história.
Nem livros de história como livros proféticos, assim como não se pode ler poesia como quem lê literatura científica... Estas duas observações já chegariam para mostrar a complexidade da leitura correcta – isto é, uma leitura que faça justiça ao texto e ao contexto – e que nos leve mesmo a entender o que lá está escrito. Por isso não entendo onde é que Cristina Krippahl quer chegar, com a sua crítica à necessidade da exegese, da interpretação, numa correcta leitura da Bíblia. Ler é sempre interpretar – a Bíblia ou outro livro qualquer, seja ele um livro antigo e de maior dificuldade exegética, como o é Os Lusíadas, seja um livro contemporâneo, como o „Caim“ de Saramago. Ler é procurar entender o texto na suas
camadas e estilos próprios, é tentar descobrir eventuais mensagens escondidas atrás da imediata, é pôr questões ao texto. Ler é sempre interpretar. Lamento muito, mas está a autora da referida crónica muito mal informada, se pensa que e exegese bíblica é uma ciência reservada aos „homens da Igreja“ e que estes „vivem bem“ da incapacidade dos outros em a lerem. Ninguém faz tanto pela Bíblia como a Igreja, e a Igreja fica contente com cada estudante que se inscreve no curso de teologia, mas alegra-se ainda mais com cada mulher e cada homem que, sem preconceitos anticlericais nem snobismo intelectual, decide abrir a Bíblia e se pergunta com honestidade: o que é que está aqui escrito? Como entender este texto?
Em que é que ele mexe com a minha vida e com a sociedade em que vivemos? É isso que fizeram e fazem os pobres na América Latina, nas suas comunidades de base que tanto têm contribuído nas lutas pela justiça e pela paz naquele continente; é isso que fazem muitos milhões de cristãos em todo o mundo. E isso é fazer exegese, é ler a Bíblia sem fundamentalismos nem literalismos tipo creacionistas americanos ou tipo José Saramago. Uma atitude como a outra (fundamentalismo e literalismo) ignoram a distância que nos separa do texto e não têm respeito pelo texto : nem pela sua alteridade nem pela sua especificidade. Joaquim Nunes Offenbach / Mainz
Opinião José Gomes Rodrigues Sobre o livro “Caim” de José Saramago
Deus veio dar dignidade suprema a cada individuo
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esta vez nem sequer o Alcorão escapa ao autor do livro “Caim”. Não se preocupe sr. José Saramago, não vamos traduzir o seu comentário em Árabe, para evitar possíveis dissabores. O amor ao outro, independentemente do seu credo, do seu estado psíquico, das suas experiências, é o baluarte do cristão. Não é cumprido, dirá, mas não deixa de ser luz que deve transparecer em todos os actos. Tudo o resto, incluo aqui as manifestações litúrgicas, sacramentos, e devoções, só têm sentido se provocam em cada um este espírito de aceitação, de amor e respeito mútuo. Sendo comunista, não me sentiria bem com a sua apreciação do sagrado. Esse Deus, que acerrimamente critica como inexistente e vingativo, ao fazer-se homem em Jesus Cristo, veio dar dignidade suprema a cada individuo. Somos uma partícula do divino, uma centelha de luz que Ele derramou em cada ser humano. Procuro com esta abordagem incutir a tal “cultura do debate”, onde todos, a começar por mim, temos muito a aprender. Detesto a critica pela critica, a critica do “bota
abaixo” sem perspectivas de querer melhorar. Faço parte dos que criticam a Igreja como sistema, ao não deixar transparecer suficientemente o essencial que é a mensagem que lhe foi delegada. Procuro fazê-lo numa atitude de respeito e de bem querer. O que me faz digno é esse Jesus que, com o Seu sangue, me deu a dignidade de ser membro da Sua família. Ele com este acto único, fezme seu templo e fez morada em mim. Claro, se eu o permitir. Ao crente só se espera que seja coerente com o que acredita e o manifeste nas suas obras. Sinto-me bem em fazer parte dessa “multinacional”, que na crónica do PP é apelidada de Igreja. Esteja onde estiver, essa “multinacional” que se ramifica, respeitando e aceitando como riqueza as diferenças culturais de cada um, me acolhe sempre, de mãos abertas e me dá a mão com toda a simpatia. Em cada esquina há sinais a lembrar-me essa realidade. A Bíblia é dos livros mais vendidos no mundo, e, assim como cada livro, também este merece uma interpretação e estudo profundo. A Bíblia é um conjunto de livros e não
um só. Não é fácil imergir nesse mundo de há alguns mil anos. Conhecer os costumes e os idiomas desse tempo, já há muito em desuso, o aramaico, o hebraico. Os conhecimentos de arqueologia milenária e colocar a linguagem desses povos no contexto actual, é uma aventura para poucos. As livrarias estão cheias de livros sobre a
temática. A criação neste sector é vasta e numa linguagem acessível. Em caso de doença, não de deixarei consultar por um doutorado em economia! Procuro um médico devidamente credenciado para tal. A exegese não é um poder que alguém, de determinada classe, teima em não largar. Todo o povo é chamado a fazê-lo. O cristão comum interessa-se pelo seu significado e essa exegese não ser feita por qualquer que seja que não tenha os instrumentos necessários e adequados para tal. Quantos leigos estudam teologia? Há muito que esta disciplina transitou para quem dela se sente chamado. A Bíblia não é simplesmente um amontoado de histórias mas é descrição da experiência da vida dum povo que se revela continuamente contra a condução dum Deus que o quer atrair a si , para o fazer feliz, sempre numa atitude de total compreensão pela sua liberdade. Não se repete este comportamento no homem da rua que se diz moderno? Mais que dar em “esquizofrenia”, a Bíblia, aceite e vivida nesta perspectiva, pode libertar-nos, não só da esquizofrenia mas de outras doenças que poderão ter origem
no afastamento do homem comum desta mensagem. Se não obedecer convenientemente ao manual de uso do seu novo frigorifico, saberá as consequências. Mas tem a total liberdade de comportamento. Creio estar a respeitar a liberdade da expressão alheia. Agora apostar a chegar a uma conclusão, a bem de todos, agradando a gregos e a Troianos, não seria considerar a supremacia de uma perante a outra? Não posso usar o meu filtro para julgar a ideia e as acções do outro. Cada um é responsável pelos seus actos. Obrigado por me terem dado a oportunidade desta amena conversa, amiga cronista, e com os leitores que bem merecem! No fundo a única verdade que existe é o meu interlocutor que merece todo o meu respeito e aspira ver reconhecida a dignidade que detém. Creio que, se a mente não me engana, que é S. João que afirma: “ se dizes amar a Deus que não vês mas desprezas o teu irmão que vês, a tua fé é nula”. Também é Bíblia tal e qual ela é, sem lhe tirar qualquer ponto. Não é revolucionária esta visão? no nosso meio, a começar por mim, que anseia urgentemente por paz?
Opinião
PORTUGAL POST nº 185 • Dezembro 2009
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Emigrantes Futebol é principal elo de ligação a Portugal e de emancipação nos países de acolhimento O futebol é o principal elo de ligação dos luso-descendentes ao Portugal moderno, funcionando também como espaço de emancipação nos países de acolhimento, revela um estudo sobre o impacto do desporto-rei no quotidiano dos emigrantes. Segundo Nina Tisler, investigadora que coordena o estudo, os dados já recolhidos no âmbito do projecto „Diasbola“ - que se iniciou em 2007 e termina no próximo ano - permitem concluir que, enquanto a participação eleitoral e o interesse pelo ensino da língua diminuem cada vez mais o interesse em campeonatos de futebol continua „omnipresente“. „A língua foi um espaço de emancipação, mas para os emigrantes e luso-descendentes hoje é mais o futebol que faz a Pátria“, considerou a investigadora do Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa, acrescentando que o futebol permite-lhes ligarem-se a um Portugal moderno, através organizações como o Europeu’2004 ou figuras como Cristiano Ronaldo e Figo. O projecto „Diasbola“, o primeiro estudo comparativo sobre
este tema realizado em seis países, pretende apurar o impacto do futebol no quotidiano e na cultura dos emigrantes portugueses, perceber até que ponto contribui para a percepção e a imagem do Portugal contemporâneo e validar a hipótese de que para os emigrantes o futebol português é mais impor-
tante do que o próprio património cultural e linguístico. „Já confirmámos essa hipótese e agora estamos a comparar as funções que o futebol tem nos diversos países“, adiantou Nina Tisler, sublinhando, no entanto, que apesar da sua importância o futebol este „não consegue manter os emigran-
tes exclusivamente portugueses sem abertura ao resto da sociedade“. Os dados preliminares do estudo - recolhidos por investigadores localmente ou através de inquéritos on-line - foram analisados num workshop em Lisboa com a presença dos investigadores que
trabalham no projecto no Reino Unido, Alemanha, França, Estados Unidos, Brasil e Moçambique e com a participação de Detlev Claussen, professor do Instituto de Sociologia da Universidade de Hannover na Alemanha, com experiência nas áreas das migrações e do desporto globalizado. Nina Tisler adianta que, no que respeita à integração nos países de acolhimento, o futebol consegue alterar contextos, contribuindo para „a emancipação das hierarquias sociais“ e para a integração dos emigrantes e luso-descendentes. „Por exemplo, em França, quando um clube português como o Benfica ou o Porto jogam na Liga dos Campeões é garantia de estádios lotados e, se ganharem, os franceses têm respeito pelo futebol e durante este tempo os emigrantes, que têm um estatuto social bastante subalterno, emancipam-se deste estatuto e sentem-se superiores“, adiantou. A investigadora destaca também o papel das equipas de futebol amador das comunidades portuguesas, que muitas vezes são multiculturais, na ligação com outras comunidades, bem como o potencial do futebol no diálogo entre gerações de pais e filhos.
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Alemanha Aumento da dívida pública será menor devido a subida moderada do desemprego O aumento da dívida pública da Alemanha será menor do que se esperava, porque a subida do desemprego durante a crise económica e financeira tem sido moderada, anunciou o Ministério das Finanças alemão. “Se esta evolução prosseguir, será possível ficar claramente abaixo dos 49,1 mil milhões de euros de aumento do serviço da dívida pública que tinham sido orçamentados”, afirma-se no relatório mensal do ministério, publicado em fins de Novembro. mNão se referem números concretos sobre a expressão que o aumento da dívida alemã em 2009 poderá assumir, mas alguns especialistas adiantam que poderá rondar os 40 mil milhões de euros. “Contrariando as expectativas, o mercado de trabalho mostrou-se claramente mais robusto, e assim foi possível evitar um aumento de despesas nesta rubrica”, afirma o secretário de Estado das Finanças,Walther Otremba, no relatório do ministério. No documento define-se a ultrapassagem da recessão e da crise como tarefa central do Governo de centrodireita liderado por Angela Merkel e refere-se que a Alemanha “tem de regressar o mais depressa possível a uma retoma estável e sustentável”.
Otremba defende também a redução de impostos inscrita no programa do Governo, que tem sido muito criticada pela oposição, por reputados economistas e pelo banco central, o Bundesbank. O alívio da carga fiscal “eliminará obstáculos ao crescimento económico e, através de medidas direccionadas, abrirá caminho a uma maior reanimação”, escreve Otremba. O novo secretário de Estado das Finanças garante ainda que a política de crescimento económico visada pelo Governo “não contradiz a necessidade de redução” da dívida pública e prevê que “quando a crise for definitivamente ultrapassada, a política orçamental regressará à senda da
consolidação”. De acordo com dados do Ministério das Finanças, a receita fiscal também caiu menos em Outubro do que nos meses anteriores, mas foi 4,5 inferior à receita obtida em Outubro de 2008, atingindo 32,9 mil milhões de euros. Em Setembro, a queda fiscal tinha sido de 7,4 por cento em relação ao período homólogo, e em Agosto de 9,9 por cento. Entre Janeiro e Outubro, o erário público obteve uma colecta fiscal de 385,7 mil milhões de euros, menos 5,8 por cento do que em igual período de 2008. Apesar da quebra, a receita fiscal ficou acima das previsões dos especialistas, que apontavam para uma contracção de 6,1 por cento.
Fonseca GmbH no Fórum Vini – 2009
A equipa da Fonseca GmbH (da esquerda para a direita): Pedro Correia, Pasqualino Palmieri, Paula Fonseca e Alessandra Brandão. Foto: Fonseca GmbH Esta é uma das muitos fotografias que a Fonseca GmbH com sede em Singen recolheu aquando da sua última presença no Fórum Vini –2009 que decorreu entre os dias 13 e 15 do passado mês em Munique. Este ano a Fonseca alargou a sua participação para 2 stands. Numa nota enviada à redacção do PP, Pedro Correia, administrador da Fonseca GmbH, considerou de extremamente positivo o balanço da presença daquela empresa no certame. A equipa da Fonseca GmbH, liderada por Paula Fonseca, e muito bem secundada pela Alessandra Brandão e pelo Pasqualino Palmieri esteve à altura das exigências. O sucesso da Fonseca GmbH obtido neste evento, que como sempre fecha a época neste sector, vem sublinhar o bom momento que, apesar de todas as dificuldades, o ano de 2009 vai constituír. A Fonseca GmbH fará em 2009 o seu melhor ano de sempre na categoria wines & spirits, em volume e valor. A Fonseca agradece a todos os seus parceiros pelo papel relevante que tiveram no ano que agora finda.” Publicidade
Economia e Negócios
PORTUGAL POST nº 185 • Dezembro 2009
Diz deputado do PSD
Portugal deve aproveitar tecido empresarial das comunidades portuguesas Portugal deve aproveitar, principalmente neste momento de crise financeira mundial, o tecido empresarial das comunidades portuguesas como estímulo à economia nacional, disse o deputado do Partido Social Democrata (PSD), Carlos Gonçalves Portugal deve aproveitar, principalmente neste momento de crise financeira mundial, o tecido empresarial das comunidades portuguesas como estímulo à economia nacional, disse o deputado do Partido Social Democrata (PSD), Carlos Gonçalves. „É preciso fazer entender em Portugal que é fundamental, eu diria mesmo essencial, num momento de crise contar com o tecido empresarial das comunidades portuguesas e, neste particular, com o da França, que é o mais significativo da Europa“, disse o deputado eleito pela emigração no círculo da Europa. O deputado presidiu, no Porto, a um almoço com empresários portugueses e luso-descendentes organizado pela Câmara de Comércio Luso-Francesa. „Penso que fui convidado a presidir a este almoço não só pelas funções que exerço e já exerci, mas também pelo facto de na minha actividade política, e não
só, ter muito trabalho nas relações entre os dois países“, referiu Carlos Gonçalves. Segundo o deputado, „há 45 mil empresas de portugueses em França“ e é necessário „fazer de tudo no sentido de aproveitar este tecido empresarial no investimento no nosso país, que tanto necessita“. Sobre as actuais políticas governamentais neste sector, o deputado indicou que „o eventual aproveitamento do investimento dos emigrantes, a vários níveis, em Portugal dilui-se em todas as políticas gerais de aproveitamento do investimento“, acrescentando que ele é „um daqueles que entende que tem haver uma forma de trabalhar própria em relação à comunidade portuguesa“. O deputado declarou é preciso „cativar, orientar, sensibilizar e aproveitar os investimentos das empresas de portugueses no estrangeiro. Nalguns países são muito significativas e merecem por parte das autoridades locais uma atenção muito particular. Elas próprias começam a organizar-se, principalmente em França“. „É chegado o tempo de Portugal ter políticas próprias para as suas comunidades portuguesas também nesta área, mas nunca numa lógica minimalista ou numa lógica saudosista“, ressaltou. „Nós estamos a falar de um conjunto empresários, que independentemente de serem de ori-
gem portuguesa, são empresários estrangeiros que estão mais receptivos que outros para investir em Portugal e para eles é preciso ter uma evidente capacidade de os orientar, de os atrair e os captar. Mas é preciso ter vontade, é preciso ter capacidade por parte da nossa diplomacia no estrangeiro“, acrescentou. Para Carlos Gonçalves, „tem de haver por parte do Governo uma atitude diferente daquela que tem tido perante às comunidades portuguesas, pelo menos no sector de investimento económico“. „Não estou a dizer que isto é exclusivo deste Governo, mas que isto acontece“ indicou. „É chegado o tempo, para o bem de Portugal e dos portugueses, de alterar este tipo de situação e então é fundamental aproveitar este tipo de iniciativa“, declarou. Durante o almoço, Carlos Gonçalves irá proferir uma intervenção sobre as relações entre Portugal e França.
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Associação de Advogados Alemães reuniu-se em Portugal
No dia 11 de Setembro de 2009 realizou-se nas instalações do Instituto Alemão em Lisboa uma conferência conjunta do Deutscher AnwaltVerein (DAV) e da DAV PORTUGAL, por ocasião da inauguração da “DAV PORTUGAL – Associação dos Advogados Alemães em Portugal”, constituída recentemente em Lisboa. O evento contou ainda com o apoio da Embaixada alemã em Lisboa e com a presença de advogados e empresários portugueses e alemães. Fora da Alemanha, a DAV PORTUGAL é o membro mais jovem do Deutscher AnwaltVerein, com sede em Berlim, que conta com associações locais por toda a Alemanha, e desde algum tempo também com membros noutros países comunitários. A associação portuguesa agora constituída pretende essencialmente estabelecer uma plataforma destinada aos advogados alemães e portugueses, promovendo a cooperação e o intercâmbio profissional entre os colegas dos dois países, com interesses nas relações jurídicas luso – alemãs, a fim de poderem servir melhor as duas comunidades. Contam-se entre os seus membros advogados portugueses e alemães que exerçam a sua actividade em Portugal e/ou na Alemanha. Mais informações relacionadas com a DAV Portugal e as suas actividades estão disponíveis em http://www.davportugal.de.
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Kultur
PORTUGAL POST nº 185 • Dezembro 2009
Geschichten aus der Geschichte
D. Pedro I . Der Friedensrichter. Grausame Erinnerungen D. Pedro (1248 1385) erlebte eine Geschichte unmögli-
cher Liebschaften mit Inês de Castro. Er war ein leidenschaftlich
Liebender. Aber auch ein Sadist. Oder „der Grausame“, „der Rau-
beinige“, „der Rachsüchtige“, „der Bis-ansEnde-der-Welt-Liebend
e“, kurz und gut... der Junge hatte gewisse Störungen...
Joaquim Peito
Braut befand sich eine schöne galizische Dame mit Namen Inês de Castro, ebenfalls Cousine D. Pedros... hört her, wie schön sie war!!! Eine Jugendliche von großer Schönheit, beschrieben als blond und elegant. Es war Liebe auf den ersten Blick... D. Pedro verliebte sich hoffnungslos in die schöne Inês, vergaß dabei den Anstand sowie die Ablehnung aller, missachtete den Hof und stellte sich gegen alles und jeden. Die Leidenschaft wurde erwidert, die beiden wurden ein Liebespaar und hatten vier Kinder. Afonso (wurde ermordet in der Kindheit), João, Dinis und Beatriz. Diese Frau sollte die Schande der königlichen Familie werden. Der Skandal nahm derartige Ausmaße an, dass die Ehegattin, D. Constança, entschloss, D. Inês die Patenschaft für den Sohn, den sie im Bauch trug, anzubieten, denn sie dachte, dass diese spirituelle Verwandtschaft sie voneinander fernhalten würde.Allerdings hatte eine solche Entscheidung nicht die notwendige Wirkung. Constança starb, als sie D. Fernando, den zukünftigen König Portugals, zur Welt brachte, der geistig zurückgeblieben geboren wurde. Der Vater des Prinzen, König D. Afonso IV (1325 – 1357), der drittletzte König der Dynastie von Borgonha, war gegen die Liebe Pedros und Inês’ und befahl ihre Entfernung. Sie verließ das Land und ging ins Exil nach Albuquerque in Kastilien. Sogar getrennt tauschten Pedro und Inês weiter flammende Briefe aus (die Briefe wurden heimlich in kleinen Holzbooten auf einem Flüßchen hin- und hergebracht). Auf Grund dieser Romanze geriet er sehr unter den Einfluss der beiden Brüder Inês’, zweier Adeliger die mit der kastilischen Opposition sympathisierten, wodurch er die Situation des Landes in Gefahr brachte. D. Afonso IV fürchtete, dass einer der Söhne Pedros mit Inês, zu jener Zeit Bastarde genannt, den Thron fordern könnte. Beeinflusst durch seine Berater, Diogo Lopes Pacheco, Álvaro Gonçalves e Pêro Coelho ordnete er an, sie töten zu lassen (sie war erst 30 Jahre alt), obwohl sie die Mutter dreier Kinder D. Pedros war. Am 07. Januar 1355 brachen die drei Berater nach Coimbra auf und trafen Inês allein an, da D. Pedro wegge-
gangen war, um zu jagen. Sie schnitten ihr unerbitterlich die Kehle durch, und ihre Leiche wurde hastig in der Kirche von Santa Clara beerdigt. Die Tragödie war vollendet... Die barbarische Hinrichtung geschah auf dem „Landgut der Tränen“ (Quinta das Lágrimas), wo das Liebespaar sich regelmäßig traf. Der Ort existiert noch und beherbergt ein charmantes Hotel, das der Kette Relais & Châteaux angehört. Man sagt, bei der Ankunft dort, habe er Zeit gehabt, Wasser zu sehen, das rot war von Blut. Diese Tatsache wird der Legende nach die rötliche Färbung des Wassers, das heute an jenem Orta der Quinta das Lágrimas fließt, verursacht haben. Inês war tot.
Epoche einen gewalttätigen Charakter hatte, so ließ er nach den Kriterien seiner Zeitgenossen „Gerechtigkeit walten“ in jenem schwierigen 14. Jahrhundert. Zwei Jahre später ordnete D. Pedro I an, Inês de Castro freizulegen, und in einer morbiden Zeremonie setzte er sie auf den Thron, und vor dem gesamten portugiesischen Volk krönte er sie zur Königin Portugals und zwang alle bei der Krönung anwesenden Adeligen, die Hand seiner Geliebten zu küssen (Es war der 25. April des Jahres 1361). Später ordnete er an, zwei herrliche Grabmale zu bauen (wahre Meisterwerke der gotischen Bildhauerei in Portugal), eines für Inês und das andere für sich, die sich beide im Kloster von Alcobaça befinden, einander zugewandt. Auf dem Grabmal Pedros steht geschrieben, dass die beiden zusammenbleiben werden „Bis ans Ende der Welt“. Er verdient die Beinamen „der Grausame, „der Raubeinige“, „der Rachsüchtige“.
Pedro gegen D. Afonso IV. In Verzweiflung und überschäumender Wut und mit der Hilfe der Brüder Inês’ legte er alles in seinen Rundumschlag mit Feuer und Schwert. Voll von Schmerz und Beklemmung erklärte er dem Vater den Krieg. Er überfiel Schlösser, tötete jeden, der ihm in die Quere kam... Nach einigen Monaten hielt der Vater es nicht mehr aus, und nach Verhandlungen schloss man Frieden. Seine Mutter, Dona Beatriz, und der Bischof von Braga, sein Freund, überzeugten ihn, auf die Rache zu verzichten. So machte er Frieden mit seinem Väterchen. D. Pedro I regierte für zehn Jahre (1357 - 1367) und gewann die Zuneigung der Bevölkerung, da er gerecht war in der Verteidigung der am Meisten benachteiligten Schichten. Das Volk gab ihm den Beinamen „der Friedensrichter“, dafür dass er eine beispielhafte Gerechtigkeit ausgeübt hatte ohne Diskriminierung zwischen Bürgern und Adeligen. Er mochte es, auf die Straße zu gehen, um mit dem Volk zu tanzen. Er liebte es, gut zu essen und Wein zu trinken, der von den angehörigen des Zisterner Ordens des Klosters von Santa Maria de Alcobaça gemacht wurde. Er war auch ein guter Administrator und couragiert bei der Verteidigung des Landes gegen den Einfluss des Papstes. Das Volk beklagte seinen Tod. „Solche zehn Jahre gab es noch nie in Portugal“. Trotz des Verlustes seiner großen Liebe heiratete D. Pedro erneut und hatte acht Kinder von drei Frauen, zwei von ihnen wurden König (D. Fernando -1367 – 1383 und D. João, Mestre de Avis – 1385 - 1433). Als er starb, folgte ihm der erstgeborene D. Fernando I nach. Wieviel hiervon wahr ist oder Legende, ist schwer zu definieren, trotz aller Studien über den Fall. Was eine unanfechtbare Tatsache darstellt, ist die große Liebe, die sie einte, sowohl im Leben als auch nach dem Tod. Eine wahre Liebesgeschichte; erhaben und tragisch, voll von Magie und Zauber, die die ganze Hingabe zwischen zwei Liebenden demonstriert. Es macht Lust auf mehr….
Über Pedro I (nicht zu verwechseln mit dem ersten brasilianischen Kaiser) zu sprechen, impliziert, über seine tragischen Liebeleien mit Inês zu sprechen, eine Geschichte, die verschiedene Versionen kennt in der Literatur, dem Theater, dem Kino, in Comics, der Malerei, der Bildhauerei und sogar in nationalen sowie internationalen musikalischen Kompositionen und die neugeschrieben und wiederholt wurde bis zur Übersättigung und für Einige bis zum Widerwillen. Unser großer und berühmter Luís de Camões war einer der ersten Schreiber, der die Legende rühmte in „Os Lusíadas“ in Lied III. Diese tragische Romanze markierte die portugiesische Geschichte und Kultur. Es war eine verbotene Liebe, erlebt in einer Atmosphäre geladen von Machtkämpfen. Für denjenigen, der sie nicht kennt, kommt hier die Geschichte, die den bekannten Satz begründete „agora não adianta, a Inês é morta“ (jetzt nutzt nicht mehr, Inês ist tot), der soviel bedeutet wie „zu spät“. Die beiden durchlebten eine der schönsten und tragischsten Liebesgeschichten. Aus ihr lassen sich die bekanntesten Fakten entnehmen: Der Noch-Prinz heiratete zuerst im Jahre 1328 die Prinzessin Branca von Kastilien, die er verstieß wegen ihrer körperlichen und geistigen Debilität. Danach heiratete unser Pedrolein im Jahre 1334 erneut, diesmal die Infantin D. Constança Manuel (Mutter des zukünftigen Nachfolgers D. Pedros - D. Fernando), eine Adelige aus Kastilien, die seine entfernte Cousine war. Darüberhinaus war sie die erste Frau des Schwagers D. Pedros (Afonso XI, der die Schwester D. Maria schlug) gewesen. Aus dieser Heirat erwuchs eine Liebesgeschichte. Nicht eine Liebesgeschichte zwischen Pedro und Constança, seiner rechtmäßigen Ehefrau. In Wahrheit entstand eine Liebesgeschichte zwischen Pedro und Inês de Castro, die als Kammerdienerin im Königlichen Palast arbeitete. Wie eine große Geschichte für gewöhnlich beginnt, kann diese folgendermaßen begonnen haben: Unter den Kammerdienerinnen der
Somit kennen sie den Rest der Geschichte schon. D. Inês war tot
Das Drama der protugiesischen Romeo und Julia
bla, bla, bla... Der Prinz war verzweifelt und Schwur Rache. Als D. Pedro seinen Platz auf dem königlichen Thron im Jahre 1357 einnahm, offenbarte er seine heimliche Heirat mit dem toten Kammerdienerin und erklärte sie zur Königin Portugals über die Rache für ihren Tod hinaus. Der König mochte es, mit seinen eigenen Händen zu bestrafen. Er befahl, einem der Mörder Inês’ durch die Brust das Herz herauszureißen und dem anderen durch den Rücken, und er verbannte ihre Leichen, während er am Bankett prasste. Für solche Taten wird man heute als gefährlicher Psychopath angesehen. Ein Sadist. Wenn es möglich ist, zu sagen, dass D. Pedro sogar für seine
Das ist die Geschichte in der Kurzversion, eingehüllt in einen Nebel des Zweifels und der Legende - wie diese Zeremonie des Handkusses. Nur dass in der Geschichte nichts so derart simpel ist: Wenn es stimmt, dass die Ermordung der Inês de Castro eine Episode niederträchtiger Konturen ist, verdienen die „Gründe des Staates“ Beachtung, die zu diesem tragischen Ende führten, welches entschieden worden war mit der Komplizenschaft des Königs (Wenn nicht gar auf seinen Befehl): Die Familie Castro, mit der Inês verbunden war, war mächtig in der kastilischen Politik. Der Einfluss dieser Familie, die nah an dem Thronerben war, und auf der anderen Seite die mögliche Einmischung desselben in interne Angelegenheiten Kastiliens hätten Konsequenzen nach sich ziehen können für die Beziehungen zwischen diesem Königreich und Portugal. Mit dem Tod von D. Inês wird ein Krieg abgewendet worden sein, obwohl ein anderer Konflikt ausgelöst worden war: Jener von D.
(Übersetzung aus dem Portugiesischen von Aiko Thedinga)
Cultura
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Histórias da História
D. Pedro I O Justiceiro. Lembranças cruéis D. Pedro (1248 – 1385) viveu uma história de amo-
res impossíveis com Inês de Mas ainda, um sádico. Ou o Castro. Era um apaixonado. Cruel, o Cru, o Vingativo, o
Até-ao-Fim-do-MundoApaixonado, enfim... o
rapaz tinha certos distúrbios...
Joaquim Peito
belas e trágicas histórias de amor. Dela retêm-se os factos mais conhecidos: o ainda príncipe casou primeiro em 1328 com a princesa Branca de Castela, a quem repudiou por debilidade física e mental. Depois em 1334 o nosso Pedrinho casou-se de novo, desta vez, com a infanta D. Constança Manuel (mãe do futuro sucessor de D. Pedro - D. Fernando), uma nobre de Castela, que para além de ser sua prima afastada, tinha sido a primeira mulher do cunhado de D. Pedro, (o Afonso XI, o que batia na irmã D. Maria). Deste casamento, nasceu uma história de amor. Não uma história de amor entre Pedro e Constança, sua legítima esposa. Na verdade, nasceu uma história de amor entre Pedro e Inês de Castro, que servia de aia no palácio real. Como uma grande história costuma ter um começo, esta pode haver começado da seguinte forma: Entre as aias da noiva inclui-se uma bela dama galega, de seu nome Inês de Castro, também prima de D. Pedro... olhem que bonitinha que ela era!!! Jovem de grande beleza, descrita como loura e elegante. Foi um simples cruzar de olhos… D. Pedro apaixonou-se perdidamente pela bela Inês, esquecendo as conveniências e as reprovações de todos, desprezando a corte e afrontando tudo e a todos. A paixão foi correspondida e os dois tornaramse amantes e tiveram quatro filhos. Afonso (morto em criança), João, Dinis e Beatriz.. Esta senhora iria ser a desgraça da família real. O escândalo tomou tais proporções que a esposa, D. Constança, resolveu convidar D. Inês para madrinha do filho que tinha no ventre pois considerava que este parentesco espiritual os afastaria. Porém, tal decisão não teve a eficácia necessária. D. Constança morreu ao dar à luz D. Fernando, futuro rei de Portugal, que nasceria debilitado. O pai do infante, o rei D. Afonso IV (1325 – 1357), antepenúltimo rei da dinastia de Borgonha, é contra o amor de Pedro com Inês e ordenou o afastamento de Inês. Ela deixou o país e exilou-se em Albuquerque, em Castela. Mesmo separados, Pedro e Inês continuaram a trocar cartas inflamadas (as cartas eram levadas e trazidas secretamente em barquinhos de madeira através de um riacho). Por causa deste romance, D.
Inês pelo peito e de outro pelas costas e queimou os seus corpos enquanto se banqueteava.Tal acto é visto hoje como um perigoso psicopata. Um sádico. Se é possivel dizer-se que, mesmo para a sua época, D. Pedro tinha um carácter violento, nos critérios dos seus contemporâneas o rei “fazia justiça” nesse difícil século XIV. Dois anos mais tarde, D. Pedro I mandou desenterrar Inês de Castro, e, numa cerimónia mórbida,
ordem): a família Castro, à qual Inês estava ligada, era poderosa na política castelhana.A influência desta família junto do herdeiro do trono e, por outro lado, a possível ingerência deste nos assuntos internos de Castela poderiam trazer consequências para as relaç?es entre este reino e Portugal. Com a morte de Inês a guerra terá sido evitada, embora tenha desencadeado outro conflito: o de D. Pedro contra D. Afonso IV. O infante, em desespero e raiva, e com o apoio dos irmãos de Inês, colocou tudo à sua volta a ferro e fogo. Cheio de dor e angústia, declarou guerra ao pai. Assaltou castelos, matou todos os que passavam à sua frente... Ao fim de alguns meses, o país não aguentava mais e, após negociações, assinou-se a paz. A sua mãe, Dona Beatriz, e o bispo de Braga, seu amigo, convenceram-no a desistir da vingança. Fez assim as pazes com o seu paizinho.
Falar de D. Pedro I (não confundir com o primeiro imperador do Brasil) implica falar dos amores trágicos com Inês, uma história que conheceu diversas versões na literatura, no teatro, no cinema, na banda-desenhada, pinturas, esculturas, e até em composições musicais nacionais e internacionais, e que foi reescrita e repetida até à saciedade, para alguns, até ao tédio. O nosso grande e ilustre Luís de Camões foi um dos primeiros escritores a celebrar a lenda, em “Os Lusíadas” no Canto III. Este romance trágico marcou a história e a cultura portuguesas. Foi um amor proibido, vivido em atmosfera carregada de disputas de poder. Para quem não conhece, eis a história que originou a conhecida frase “agora não adianta, a Inês é morta”, que quer dizer algo como “tarde de mais”. Os dois viveram uma das mais
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Pedro tornou-se muito influenciado pelos irmãos de D. Inês, dois nobres simpatizantes da oposição castelhana, pelo que punha em perigo a situação do país. O D. Afonso IV temia que um dos filhos de Pedro e Inês, na época chamados de bastardos, pudesse reivindicar o trono. Por influência de seus conselheiros Diogo Lopes Pacheco, Álvaro Gonçalves e Pêro Coelho, manda matála (tinha apenas 30 anos), apesar de ser mãe de três filhos de D. Pedro.
Pedro e Inês
A 7 de Janeiro de 1355, os três conselheiros do rei partiram para Coimbra e encontraram Inês sozinha, pois D. Pedro tinha saído para caçar. Eles degolaram-na impiedosamente, e o seu corpo foi enterrado à pressa na igreja de Santa Clara. Estava consumada a tragédia... A bárbara execução aconteceu na Quinta das Lágrimas, onde o casal de amantes se encontrava habitualmente. O local ainda existe e abriga um hotel de charme, filiado à cadeia Relais & Châteaux. Dizem que, ao chegar lá, teve tempo para ver as águas do rio tintas de sangue. Tal facto, segundo a lenda, terá originado a cor avermelhada das águas que correm nesse local da Quinta das Lágrimas. Inês era morta. Enfim já sabem o resto da história. D. Inês foi morta blá blá blá... O príncipe fica desesperado e jura vingança. Quando D. Pedro toma o seu lugar no cadeirão real em 1357, revela o seu casamento clandestino com a aia morta e declara-a Rainha de Portugal, para além de se ter vingado a sua morte. O rei gostava de punir pelas suas próprias mãos. Mandou arrancar o coração de um dos assassinos de
sentou-a no trono e, perante todo o povo português, corou-a Rainha de Portugal e obrigou todos os nobres presentes na coroação, a beijar a mão da sua amada (era o 25 de Abril de 1361). Mais tarde, mandou construir dois túmulos magníficos (verdadeiras obras-primas da escultura gótica em Portugal) um para Inês e outro para si, encontrandose os dois no Mosteiro de Alcobaça, virados um para o outro. Sobre o túmulo de D. Pedro, está escrito que os dois permanecerão juntos “Até ao fim do mundo”) . Valeram-lhe as “alcunhas” ou cognomes de o Cruel, O Cru, O Vingativo. O drama do “Romeu e Julieta português” Eis a história, em traços brevíssimos, com fumos de dúvida e de lenda – como esta cerimónia do beija-mão. Só que em História nada é assim tão simples: se é verdade que o assassínio de Inês de Castro é um episódio de contornos sórdicos, merecem atenção as “raz?es de Estado” que levaram a este desfecho trágico, decidido com a cumplicidade do rei (se não por sua
D. Pedro reinou durante dez anos (1357 – 1367), e ganhou o carinho da população, uma vez que era justo na defesa das camadas mais desfavorecidas. Foi-lhe atribuído pelo povo o cognome “O justiceiro” por ter exercido uma justiça exemplar, sem discriminações entre plebeus e nobres. Gostava de sair à rua para dançar com o povo. Adorava comer bem e beber o vinho feito pelos cistercienses do mosteiro de Santa Maria de Alcobaça. Também foi um bom administrador e corajoso na defesa do país contra a influência do Papa. O povo lamentou a sua morte. „Dez anos assim nunca houve em Portugal“. Apesar de ter perdido o seu grande amor, D. Pedro voltou a casar-se e teve oito filhos de três mulheres, dois deles chegariam a Rei (D. Fernando – 1367 - 1383 e D. João I, Mestre de Avis – 1385 1433). Quando morreu em 1367 sucedeu-lhe o primogénito D. Fernando I. O quanto disto é real, ou lenda, difícil de definir apesar de todos os estudos sobre o caso. O que é facto incontestável é o grande amor que os uniu tanto na vida quanto após a morte. Uma verdadeira história de amor; sublime e trágica, cheia de magia e encanto, demonstrando toda a devoção entre dois amantes. É de chorar por mais...
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Miguel Krag, Advogado Portugal Haus Büschstr.7 20354 Hamburgo Leopoldstr. 10 44147 Dortmund Telf.: 040 - 20 90 52 74
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Excesso de álcool Moderação nas festas de Natal e Fim do Ano O que diz a lei? Teor de álcool no sangue
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gue (g/l). Segundo a lei alemã, considera-se que um condutor está sob o efeito do álcool se tiver uma taxa igual ou superior a 0,3 g/l. Entre este valor e 1,09 g/l o Código da Estrada considera uma infracção grave, punível com coimas superiores a 500 € (a apurarão do valor da coima tem como base o salário mensal do condutor), 4 pontos no registo do tráfico automobilístico em Flensburg e inibição de conduzir entre um e três meses. Caso se verifique a incapacidade de conduzir e/ou a provocação de um acidente, aumenta o valor da coima, o numero de pontos e o condutor corre o risco de “perder” a carta de condução”. A partir do último valor (1.1 g/l), a infracção é considerada crime, decidindo o tribunal qual a sanção a aplicar, podendo incluir prisão. Conduzir ou beber, há que escolher! Votos de boas viagens e Festas Felizes.
Retirada do direito de conduzir
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Capacidade de conduzir
igual ou superior a 0,3 g/l
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Infelizmente a tendência para a condução sob o efeito de álcool aumenta nestas épocas festivas. Não é muito fácil de entender, mas é muito simples de explicar. Existe alguma facilidade em conduzir após um belo jantar ou almoço, com um aperitivo, um bom vinho e um digestivo. É possível que o condutor não aparente a quantidade de álcool que bebeu, mas o facto é que a lentidão nos reflexos, a visão turva tal coma a falta de concentração transformam cada metro de estrada num potencial local de acidente. Uma taxa de alcoolemia superior a zero, quando comparada com uma de zero, aumenta duas vezes o risco de ocorrer um acidente. Mas a partir de 0,5 gramas por litro de sangue, o risco aumenta muito mais. Por isso, a maioria dos países adoptou este valor como o limite legal admissível para os condutores. A taxa relativa ao teor de álcool no sangue (TAS) representa a quantidade de álcool presente no sangue e exprime-se em gramas por litro de san-
Provocação de um acidente
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José Gomes Rodrigues
Assistente Social Caritas Neuss
> Pouco tempo de descontos e reforma...como é possível?
Reforma por educação dos filhos - alteração importante Ex.mos senhores Recebam os nossos mais respeitosos cumprimentos. Gosto muito do vosso jornal. O meu filho mais velho que vive na Alemanha ainda, envia-nos o jornal de vez em quando que lemos com agrado e muito interesse. A resenha social é muito elucidativa e muito útil. Obrigado e continuem. Vou propor o meu problema e pedido de esclarecimento. Regressei a Portugal há alguns anos. Como sabem a vida aqui não é muito fácil. Começando pela assistência médica. As pessoas que eu vim encontrar já não são já as mesmas que deixei. Existe menos a entreajuda e solidariedade que havia antes. Cada um faz a sua vida e pouco ou nada se importa dos demais. A vida exterior e as aparências parecem ser mais importantes que a realidade. Gasta-se sem olhar para o mais importante e se se possui o dinheiro para tal. O nível de vida cresce de dia mas os recursos são sempre os mesmos. O meu marido recebe a reforma dai da Alemanha e uma pequena da caixa portuguesa, já que antes de emigrar trabalhou com descontos alguns anos numa pequena fabrica de madeiras. Ouvi dizer que eu também teria direito a uma reforma pelos meus três filhos terem nascido ai e terem sido também educados. Os senhores sabem muito bem que se diz tantas coisas e a gente nem sabe em quem acreditar. Será mesmo verdade? Leitora devidamente identificada Obrigado pela sua carta e pela sua saudação amistosa e claro pelos elogios ao jornal que não deixa de ser um elogio a todos os que o lêem, pois são eles a nossa razão de existir. Sair do nosso mundo e acordar do sonho O seu apreço pela sociedade portuguesa actual é dividido por mais pessoas e em especial pelas que tiveram, como a senhora, uma experiência fora do seu pais. É que a sobrevivência numa terra estrangeira provoca-nos também um maior calor humano e uma vida onde a entreajuda e a amizade são prioritárias. O centro, a Missão, os grupos proporcionaram um outro tipo de vida e não deixou muito espaço a seguir o desenvolvimento da sociedade que nos rodeava. Mas
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> Cálculo da reforma por tempos de educação
queremos acreditar que nem tudo é negativo. Em Portugal também há a possibilidade de contactar e pertencer a grupos sócio-recreativos e até religiosos onde os valores com que viviam na Alemanha sejam igualmente cultivados e vividos. É necessário sim, sair do nosso pequeno mundo e lançar-nos no grande mundo. Esquecer um pouco os nossos pequenos sonhos para compartilhá-los com outros. O voluntariado que aqui teriam praticado, como muitos, poderão também ser praticados ai numa dimensão diferente. Se esta pequena conversa de amigo vos pode servir, muito bem, se não, mais amigos ainda. Vamos, então; à sua pergunta Conforme a legislação alemã de reformas, uma das condições para a receber, além dos ainda 65 anos de idade, é ter descontado 5 anos para a caixa de reformas. Parece que no seu caso faltaria esta condição. A Senhora não nos disse se antes de emigrar ou após o regresso a Portugal tenha estado segurada obrigatoriamente na caixa de reformas, nem sequer se esteve num outro pais da comunidade europeia. É que os tempos em Portugal ou na Comunidade Europeia contam também para perfazer os cinco anos. Como os seus três filhos nasceram na Alemanha e aqui foram educados até aos dez anos, são-lhe contados 3 anos na sua conta de reformas. Estamos a supor que tenham nascido antes de 1992, pois para as que foram mães após essa data, são-lhes
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> Para quem trabalhou por conta própria e reforma
reconhecidos três anos por cada filho. Se nunca descontou, além deste tempo pelos seus filhos, então não teria, segundo a legislação passada, direito a qualquer reforma. Em vigor desde Julho de 2009 – importante Contudo, e isto é novo, entrou em vigor em Julho do presente ano, novas directivas que lhe poderão facilitar e proporcionar uma reforma, mesmo que seja baixa, para tal e para satisfazer os dois anos em falta, a senhora pode descontar do seu bolso os anos em falta. Isto irá proporcionar-lhe obter uma reforma por idade. Qual será a quantia mensal a pagar? Actualmente o quotização voluntária mínima é de 79,60 € por mês. No caso presente concreto da senhora e, como faltam dois anos para o direito à reforma aludida, teria de pagar pelos dois anos a quantia de 1910,40 Euros. Faça contas e veja vale a pena. Qual será a quantia mensal a receber de reforma ? A reforma que receberia por mês seria, tendo em conta a legislação actual de calculo das pensões, a módica quantia de 90€. Depois de 22 meses de reforma acabaria por ser reembolsada da quantia paga livremente. Convém elucidar os leitores que só se pode, neste caso, pagar estas lacunas após ter atingido a idade de reforma normal que ainda são actualmente os 65 anos. A par-
CHAMAMOS A ATENÇÃO dos leitores para nos colocar as suas perguntas e sugestões por escrito usando o correio ou, melhor ainda, o correio electrónico. Queiram também mencionar o vosso número de telefone fixo para, sendo necessário, entrarmos em contacto consigo. As suas questões e sugestões podem ser enviadas para as seguintes direcções: jose.rodrigues@caritas-neuss.de Tel.: 02131 269320 - fax 02131 269 336. correio@free.de: Tel. : 0231 8390289 - fax 0231 8390351 Obrigado.
> Férias, sendo trabalhador estrangeiro
tir de 2012 a idade irá gradualmente aumentar até atingir os 67 anos. Este novo regulamento não vai abrir excepções a outros casos semelhantes, mas simplesmente a estes casos em que tenham havido estes tempo por educação dos filhos. Para quem trabalhou por conta própria como será? Para estes casos, e neles se incluem pessoas que trabalharam como advogados, médicas, farmacêuticas e outras profissões liberais, esta alteração legal veio contemplá-los a eles também. Os tribunais já em muitos casos decidiram a favor do reconhecimento dos tempos de educação para este tipo de pessoas. O direito de complementar voluntariamente este tempo veio também beneficiá-las. Passe a palavra Tem sido muitas as compatriotas que nos tem feito estas perguntas. Muitas já há muito regressaram definitivamente a Portugal. Outras há que nem sequer tem conhecimento da alteração desta lei. Queríamos provocar com esta informação uma onda de solidariedade. Por favor, informe convenientemente outras senhoras que estejam nesta situação. Faça o bem e não olhe a quem. Que estas se dirijam às caixas nas suas zonas e, sendo o caso, requeiram os frutos da alteração da presente lei. SER OU NÃO ESTRANGEIRA E O DIREITO A FERIAS ANUAIS
Amigos do Portugal Post Trabalho já há alguns anos num lar da terceira idade, mas só 3 horas por dia. Para quem se desloca a Portugal anualmente como nós e muitos outros, o tempo é sempre pouco. Como para muitos os primeiros dias é de trabalho: arrumar a casa, correrias pelas repartições públicas. De vez em quando há os pequenos trabalhos de reparação da casa, que não podem esperar. O tempo como tempo de ferias e de descanso é muito curto. Ouvi dizer, como muita coisa se diz, que como estrangeiros temos o direito a mais ferias e a gozá-las todas duma só vez. O que há afinal de verdade nestas vozes da rua? Leitora devidamente identificada
Caríssima leitora, não nos consta que haja alguma excepção no direito de férias por ser estrangeira. Lamentamos, mas a vida é assim. A nossa pátria continua a atrair-nos duma forma bem forte e às vezes inexplicável. A saudade leva-nos a umas férias bem ritmadas. O tempo é sempre pouco. Parece que o anonimato aqui vivido exige ser recuperado com o banho humano num ambiente de total confiança, na nossa aldeia. São as raízes a pedirem ser convenientemente regadas. É compreensível a sua ânsia! Temos sim direitos e deveres iguais aos alemães e isto já é muito positivo. Nem sequer lhe assiste o direito de poder beneficiar duma só vez do seu direito de férias. Como sabe, a empresa tem de funcionar normalmente, mesmo sendo tempo de férias. Os utentes do centro ou lar não vão de forma alguma fazer jejum, durante este tempo. O que tem de fazer é combinar com as suas colegas a melhor maneira de ausentarse, sem que o ritmo de vida do lar se altere. Se tiver filhos em idade de escolar terá sim prioridade de gozar as suas férias neste tempo sem escola. Veja se consegue juntamente com as suas colegas de chegar a um acordo e claro com o núcleo directivo da instituição. O Diálogo, a flexibilidade e a mútua responsabilidade são condições essenciais para trabalhar nestes estabelecimentos. Não somos quem para poder aconselhá-la, cada um sabe de si. A vida teria de ser vivida cada dia. Nós não podemos, como pessoa humana que somos, esperar um ano para nos sentirmos com maior qualidade. Há muitas maneiras de esvaziarmos o ritmo a que nos habituámos: casa – trabalho – trabalho - casa. Um bom passeio, um bom filme, participar numa festa, num encontro cultural...enfim! seja ousada. Com uma maior integração na sociedade acolhedora todos temos a lucrar.Voar mais alto é ver a realidade duma forma mais abrangente. Mas olhe que a Alemanha também tem os seus cantos lindíssimos! Mesmo bem perto de si há mundo também cheio de encanto. Viva o imediato e cultive a beleza. Vale a pena viver.
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Uma mensagem secreta da Al-Qaeda faz soar as campainhas de alarme em Washington. Seduzido por uma bela operacional da CIA, o historiador e criptanalista português Tomás Noronha é confrontado em Veneza com uma estranha cifra. Ahmed é um menino egípcio a quem o mullah Saad ensina na mesquita o carácter pacífico e indulgente do islão. Mas nas aulas da madrassa aparece um novo professor com um islão diferente, agressivo e intolerante. O mullah e o novo professor digladiam-se por Ahmed e o menino irá fazer uma escolha que nos transporta ao maior pesadelo do nosso tempo. E se a Al-Qaeda tem a bomba atómica? Este é o novo romance de um autor que já habituou os seus muitos leitores a aliar o prazer lúdico da leitura ao enriquecimento proporcionado pela relevância dos temas tratados e pela investigação rigorosa que os fundamenta. Depois de tratar a crise energética e os últimos avanços da ciência numa mistura extremamente hábil e subtil de ficção e realidade, José Rodrigues dos Santos traz-nos mais um tema escaldante da actualidade!
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Washington, D. C.: Robert Langdon, simbologista de Harvard, é convidado à última hora para dar uma palestra no Capitólio. Contudo, pouco depois da sua chegada, é descoberto no centro Rotunda um estranho objecto com cinco símbolos bizarros. Robert Langdon reconhece-os: trata-se de um convite ancestral para um mundo perdido de saberes esotéricos e ocultos. Quando Peter Solomon, eminente maçom e filantropo, é brutalmente raptado, Langdon compreende que só poderá salvar o seu mentor se aceitar o misterioso apelo. Langdon vê-se rapidamente arrastado para aquilo que se encontra por detrás das fachadas da cidade mais poderosa da América: câmaras ocultas, templos e túneis. Tudo o que lhe era familiar se transforma num mundo sombrio e clandestino, habilmente escondido, onde segredos e revelações da Maçonaria o conduzem a uma única verdade, impossível e inconcebível. Trama de história veladas, símbolos secretos e códigos enigmáticos, tecida com brilhantismo, O Símbolo Perdido é um thriller surpreendente e arrebatador que nos surpreende a cada página. O segredo mais extraordinário e chocante é aquele que se esconde diante dos nossos olhos
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PORTUGAL POST nº 185 • Dezembro 2009
Citações do mês
Agenda Tome Nota
Os homens deviam ser o que parecem ou, pelo menos, não parecerem o que não são Shakespeare ,William
O homem de palavra fácil e personalidade agradável raras vezes é homem de bem Confúcio
Dezembro 2009 04.12 a 06.01.2010 – HAMBURGO – Presépio composto por mais de 200 figuras montado por adelina Sedas. Local: Consulado-Geral de Portugal e, Hamburgo, Büschstr 7.Vistias Seg. Ter. E sextas das 09hoo às 13h00.
com os docentes do Instituto Luso-Brasileiro da Universidade de Colónia. 03.12.2009 – DARMSTADT – Concerto de Cristina Branco. (na foto) Local: Centralstation Im Carree . 64283 Darmstadt
02.12 a 16.12.2009 – COLÓNIA- Filmes Lusófonos III – Literatura no Cinema . 02.12.2009 A Costa dos Murmúrios (Portugal 2004, 120 min.) de Margarida Cardoso, baseado na obra de Lídia Jorge 16.12.2009 O Primo Basílio (Brasil 2007, 106 min.) de Daniel Filho, baseado na obra de Eça de Queiroz As sessões iniciam-se às 19h30. . Local: Universität zu Köln Sala H80 (Philosophikum) Albertus-Magnus-Platz 50931 Köln Uma iniciativa do Leitorado do Instituto Camões na Universidade de Colónia, em cooperação
04.12.2009 – BERLIM – Concerto de Trio Fado. Local: Teehaus im Englischen Garten Altonaer Str. 2 - 10557 Berlin. Início: 20h00 05.12.2009 - BREEST-KLEMPENOW – Concerto do grupo Extravagante.Local: Adventsmarkt Burg Klempenow Klempenow 15 . 17089 Breest-Klempenow . Início: 12h00 08.12.2009 – GERA - FADO = DESTINO. Local: Teatro Municipal de Gera. Coreografia, Figurinos e Cenário: Hugo Viera . Bailado, com participação/voz de Telmo Pires . Guitarra portuguesa: Ivo Guedes .Viola: André Krenge . Início: 14h30 09.12.2009- HAMBURGO – Filme baseado na obra de José Saramago Ensaio Sobre a Cegueira. Local: Universität Hamburg . Centro de Língua
Portuguesa / Instituto Camões Phil 663 .Von-Melle-Park 6 . 20146 Hamburg . Início:18h15 12.12 a 27.12.2009. – RÜGEN – Exposição A Faina Maior / A pesca do bacalhau á maneira tradicional portuguesa. Local: Sparkasse Sassnitz. Entidade organizadora: Alfredo Stoffel / Sparkasse Rügen 12.12.2009 – LOHMAR- Festa de natal organizada pela União Operária de Lohmar Baile pela noite com o grupo musical “FM RADIO” Local: Hauptschule HermannLöhn; Hermann-Löhnstraße , 53797 Lohmar Com inicio pelas 20.30 horas Informações : Sr. Santana : 02246-300038www.fmradio.de.com 14.12.2009 – MAINZ – Exposição do Instituto Camões. A Arte do Azulejo em Portugal. Local:
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A astróloga residente do programa "Praça da Alegria", de Jorge Gabriel, tornouse um fenómeno nacional, com as suas previsões em directo. Este é o seu primeiro livro. O livro que nos ensina a atravessar o deserto para encontrar o oásis e a felicidade plena. É necessário reflectir sobre quem fomos, o que somos e o que temos de vir a ser. Só depois de aceitarmos os nossos processos de mudança a vida se nos revelará.
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Vidas
PORTUGAL POST nº 185 • Dezembro 2009
A Revelação Olá chamo-me Isabel M. . Pensei muito antes de enviar esta história. Aliás, custou-me muito escrever e, depois de rasgar 3 ou 4 vezes aquilo que tinha começado a escrever, lá consegui escrever, da forma que, afinal, eu posso, porque não sou muito letrada, uma história bem triste e ao mesmo tempo curiosa e quase trágica. Eu e uma amiga concordámos com os nossos maridos em fazermos um cruzeiro pelo Mediterrâneo. Eles (os maridos) foram muito compreensíveis e lá nos deixaram passar aquilo que era (e foi) uns bons quinze dias de férias. Fomos daqui para Palma de Maiorca de avião e lá embarcamos num cruzeiro que visitava algumas cidades, sendo a primeira delas Lisboa, onde entraram mais alguns passageiros. A bordo do cruzeiro, no restaurante, foram-nos indicadas algumas pessoas que passariam a ser os nossos companheiros de mesa. Na nossa, éramos nós, eu e a minha amiga, e mais quatro passageiros: dois alemães, uma espanhola e uma portuguesa. A senhora portuguesa, muito bem parecida, que aparentava 35 anos de idade, com um gosto muito apurado para se apresentar, educada no trato, muito bem vestida e sempre muito simpática para com os seus companheiros de mesa. Ela era de uma pequena cidade do norte de Portugal e ficou radiante quando soube que eu era portuguesa e, como às vezes acontece, a química entre ela e eu funcio-
nou, de modo que passamos a ser amigas. Devo dizer que durante a viagem passei mais tempo com ela do que com a minha amiga alemã que viajou comigo. Ela também não se incomodou com isto já que tinha feito uma amizade de circunstancia com um rapaz que aparentava ser mais novo dez anos do que ela. Eu e a passageira portuguesa minha vizinha de mesa tornámonos quase inseparáveis. Os nossos encontros começavam ao pequenos almoço e não nos separávamos. Quando o barco atracava numa determinada cidade dos países por onde passava nós saíamos as duas para passear, ver, fazer compras, etc., enquanto a minha outra amiga andava distraída e prendida pelo beicinho pelo o tal rapaz mais novo, um pedaço de homem, diga-se. Foi então que a minha nova amiga começou a contar um pouco da sua vida, dizendo-me que nunca tinha casado e que a sua paixão tinha sido uma coisa muito triste e que ainda naquela altura vivia essa relação de modo intenso, sendo que para tentar esquecer, um pouco ainda que fosse, tinha decido fazer aquele cruzeiro. Durante algum tempo mais, cerca de dois dias, não me falou mais no assunto. Falávamos de coisas corriqueiras; dos nossos gostos, da viagem, de Portugal, da minha vida na Alemanha, etc.. Enquanto isso, a minha amiga alemã parecia viver uma paixão com o rapaz que tinha conhecido.
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Ainda lhe perguntei se já tinha pensado no que ia dizer ao marido quando chegasse à Alemanha. Ainda hoje espero resposta. Dias depois, eu a minha conhecida portuguesa encontramo-nos para o chá (na Alemanha diz-se ”Kaffee trinken”). Depois fomos para uma sala com um vista fantástica sobre o mar em que o silêncio e a paz nos invadia e que nos dava uma agradável sensação de estar de bem connosco e com o mundo. Aquela vista, com o barco sempre a navegar, tocou a minha vizinha de mesa e deu-lhe assim para chorar com as lágrimas que lhe caiam abundantemente pelas faces. Mas então, que se passa? Perguntei-lhe, porque não sabia que mais dizer. Ela agarrou a minha mão e apertou-a e disse-me que eu lhe inspirava muita confiança. Depois de me dizer isto esteve quase quinze minutos calada a olhar o mar infinito e, então, dispôs-se a falar. O que eu ouvi não posso contar por respeito e porque prometi fazê-lo, mas posso contar aqui parte do que ela me disse, retirando aquilo mais, digamos, picante e secreto de toda aquela história. Começou por dizer que a primeira vez que se apaixonou tinha dezoito anos e tinha sido a primeira, a única e a eterna paixão. Mas era um amor proibido. Ela na altura morava em casa dos pais juntamente com uma irmã e um irmão. Nesse tempo sentia-se feia, e, por isso, também se sentia
poesias de amor e de outros sentires Saudades Saudades! Sim.. talvez.. e por que não?... Se o sonho foi tão alto e forte Que pensara vê-lo até à morte Deslumbrar-me de luz o coração! Esquecer! Para quê?... Ah, como é vão! Que tudo isso, Amor, nos não importe. Se ele deixou beleza que conforte Deve-nos ser sagrado como o pão. Quantas vezes, Amor, já te esqueci, Para mais doidamente me lembrar Mais decididamente me lembrar de ti! E quem dera que fosse sempre assim: Quanto menos quisesse recordar Mais saudade andasse presa a mim! Florbela Espanca, in "Livro de Sóror Saudade"
discriminada na escola pelos rapazes que não a queriam nem como amiga e lhe chamavam nomes devido à sua magreza. A partir daí começou a viver com sérios complexos e não tinha amigos. Um vez, no dia do seu aniversário, abraçou-se naturalmente ao seu irmão, mais velho dois anos do que ela, enquanto viam televisão. Esse abraço prolongou-se durante muito tempo. Ela sentia que ele o apertava contra si e também lhe segurava nas mãos entrelaçando os seus deus nos dedos dele. Sentiu uma ternura tão forte e inexplicável por aquele momento e pelo seu irmão. Nessa noite não dormiu. Teve a imagem do seu irmão diante de si quase toda a noite e não sabia explicar a si mesma que sentimentos eram aqueles, mas nunca repudiando-os. Disse-me também que sentiu um desejo físico intenso pelo seu irmão. Passaram muitos dias, meses até. Um dia, durante as férias de Natal, toda a sua família foi para a casa dos avós numa aldeia, apenas ela e o irmão não partiram por fala de espaço no carro, ficando os dois de seguirem dias mais tarde de comboio. Aí , muito timidamente, descobriram que o seu amor era muito mais do que o amor entre irmãos. Nessa noite, quase já a dormir, ela sentiu uma mão não suas costas e, num salto de susto, viu diante de si o seu irmão que o agarrou vorazmente como se estivesse à espera daquela momento há muito tempo.
A partir daí eles foram como dois amantes. Mesmo depois do irmão casar continuaram a encontrar-se de modo furtivo e muito secretamente. O amor que ela sentia por ele era tremendo, grande, ao ponto de ela não ter casado porque estava cega de amor e não via senão o seu irmão. Isto aconteceu durante anos. Às vezes algumas pessoas, quer da família, quer da vizinhança, encontrava-os agarrados ou de braço dado, mas ninguém imaginava que atrás daquela intimidade havia uma relação de incesto que, diziame ela, lhe metia muito medo e que a fazia viver muito infeliz. Mas encurtando a história, a razão para ela participar naquele cruzeiro foi para fugir da situação que vivia e ter de pensar no que fazer depois da grande revelação que a deixou sem sentidos e doente durante alguns dias, revelação essa feita pelo pai dias antes de falecer que anunciou a ela e à outra sua irmã que ele não era verdadeiramente um irmão, sim um filho que eles adoptaram alguns anos antes delas terem nascido. Isabel M. Berlim Correcção e versão final PORTUGAL POST
Pedimos aos leitores que nos enviam correspondência para esta rubrica para não se alongarem muito nos textos que escrevem. Obrigado.
ESCREVA-NOS e conte-nos a história da sua vida Sabemos que há mulheres e homens que desejam comunicar as suas aventuras ou até mesmo histórias sobre a sua vida ou que querem relatar experiências e contar casos de que foram testemunhas ou os principais protagonistas. Todos, uns mais que outros, temos uma história para contar, como por exemplo, como cá chegamos; a nossa dificuldade em compreender a língua; os sonhos que acalentamos para aguentar estar num país tão diferente; o choque cultural, o primeiro dia de trabalho e, porque não, as dificuldades por que passamos. Nós queremos contar a sua vida, o bom e o mau. Escreva-nos como sabe e pode e a sua história poderá ser um valioso testemunho da nossa presença neste país. Não se esqueça de nos enviar as fotografias que deseja ver publicadas. Morada: PORTUGALPOST Burgholzstr.43 44145 Dortmund Fax: (0231) 83 90 351 E mail: correio@free.de
CONSULTÓRIO ASTROLÓGICO E-mail: mariahelena@mariahelena.tv TELEFONE: 00 351 21 318 25 91 Por Maria Helena Martins
CARNEIRO Amor: O seu poder de atracção vai abalar muitos corações. Predisposição para namoriscar ou reavivar um amor, através do qual irá exprimir os seus sentimentos de uma forma muito sincera. Saúde: Prováveis dores de dentes. Poderá passar por uns dias de grande nervosismo sem que consiga definir muito bem a sua origem. Dinheiro: Será um bom período para fazer algumas alterações profundas na sua vida, no seu comportamento e nos seus objectivos profissionais. Não gaste o que tem e o que não tem. TOURO Amor: Encontra-se num período difícil, mas não desespere que é passageiro. No entanto, pode trazer muitos benefícios através das suas relações sociais e de amizade desde que tenha em conta tudo o que o rodeia. Saúde: Poderá ser tempo de começar uma nova vida. Corte com tudo aquilo que achar supérfluo ou inútil. Dinheiro: Boa altura para gastar e investir no que mais gosta, mas com cuidado. É um mês um pouco tenso a nível profissional, em que vai querer lutar pelos seus objectivos. GÉMEOS Amor: Viva fogosamente todos os momentos com o seu amor. Este período é caracterizado por muita alegria, contentamento, optimismo e força interior. Saúde: Previna-se contra os excessos. Dinheiro: Este campo da sua vida não lhe trará problemas. Pode aproveitar aquilo que tem vindo a aprender com os outros para fazer uma coisa diferente na sua vida, como por exemplo iniciar uma actividade por conta própria.
Previsões para Dezembro 2009 mentação. Durante este período lutará para alcançar os seus objectivos a nível de forma física e ajudará quem lhe está próximo a fazer o mesmo. Boa fase para iniciar uma dieta. Dinheiro: Situação financeira favorável. É uma boa ocasião para conhecer outras terras e outras gentes e aproveitar o que lhe ensinarem para aumentar as suas capacidades. VIRGEM Amor: Tenha mais confiança em si e cuide da sua aparência. Este período pode trazer-lhe alguns problemas nas relações com os vizinhos ou pessoas próximas. Saúde: Uma fase de tensão, insegurança e impaciência, com dificuldade em planificar a sua vida particular. Procure aliviar o stress que traz acumulado. Dinheiro: O seu dinamismo, a sua coragem e espírito de liderança vão ser postos à prova. Será um mês recheado de afazeres e acontecimentos. Não se esqueça das suas obrigações, e se tiver dívidas, pague-as antes de fazer novos investimentos. BALANÇA Amor: Poderão surgir mudanças no seu comportamento no que diz respeito às relações afectivas. Seja mais ousado neste campo da sua vida. Saúde: Este período é muito favorável, mas necessita de ter muita reflexão para evitar os excessos. A ansiedade não é benéfica para a sua saúde. Dinheiro: Seja mais equilibrado nos seus gastos. Não será um período fácil porque terá dificuldade em analisar as situações com clareza.
CARANGUEJO Amor: Será um período muito bom de entreajuda e em que pode receber ou oferecer boas oportunidades a novas relações de amizade. Saúde: Nesta fase estará muito dinâmico e equilibrado, terá muita energia. Possíveis dores musculares. Dinheiro: Não imponha as suas ideias de uma forma agressiva e tenha em consideração a opinião dos outros.
ESCORPIÃO Amor: Será uma fase importante para rever o que não está bem na sua relação, compreendendo o que lhe falta e o que pode ser melhorado. Saúde: Poderá sofrer de dores de cabeça. Deixe que se operem calmamente as mudanças que vierem a ocorrer na sua vida. Dinheiro: Possibilidade de ganhar algum dinheiro extra. Em relação à sua situação profissional, logo no início do mês poderão existir alguns conflitos entre a sua vida familiar e a profissional.
LEÃO Amor: Este período é um teste à forma como lida com as outras pessoas, em especial as que lhe estão mais próximas. Saúde: Procure não cometer excessos na ali-
SAGITÁRIO Amor: Durante este tempo deve controlar muito bem as suas reacções para com todas as outras pessoas, em geral e, muito particularmente, com as que lhe estão mais próximas. Pro-
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Passar o Tempo
PORTUGAL POST nº 185 • Dezembro 2009
cure ser sincero nas suas promessas se quer que a pessoa que tem a seu lado confie em si. Saúde: Liberte-se mais, e a sua saúde irá melhorar. É uma oportunidade para concluir as ideias que tem em curso. Este mês será um encontro consigo mesmo. Dinheiro: Desde que não gaste dinheiro em excesso, pode pôr os seus assuntos financeiros um pouco de parte, ocupando-se com outras áreas da sua vida. CAPRICÓRNIO Amor: Procure ser mais extrovertido, só tem a ganhar com isso. É uma boa fase para investir mais tempo na sua relação amorosa. Isto pode surpreender o seu par, mas certamente será uma excelente mudança. Saúde: Possíveis dores nas articulações. A rotina da sua saúde e a forma física são uma prioridade. Terá tempo para regularizar o seu horário. Dinheiro: Esta é uma óptima altura para tentar reduzir os seus gastos. Existirá muita acção na sua vida. Você pode decidir que a única forma de resolver um problema é assumindo outra responsabilidade; se assim for, poderá resolvê-lo fazendo simplesmente o seu trabalho. Horóscopo Diário Ligue já! 760 30 10 20 AQUÁRIO Amor: A sua relação tem vindo a arrefecer e você precisa de tomar uma atitude. Não exija tanto dos outros, dê mais de si próprio. Saúde: Não faça dietas demasiado rigorosas. Tenha a serenidade suficiente para deixar as coisas correrem, não se exalte nem proteste muito, pouco ou nada poderá fazer. Dinheiro: Invista neste momento em algo que planeia há muito. A sorte é-lhe favorável. Sentirá necessidade de se isolar para concluir o seu trabalho, mas poderão ocorrer mudanças. PEIXES Amor: Se não disser aquilo que sente verdadeiramente, ninguém o poderá adivinhar. Este mês vai fazer uma triagem às suas relações. Saúde: Cuidado com o excesso de açúcar no seu sangue, pois poderá ter tendência para diabetes. Este é um período algo tenso, como algo que o incomoda mas de uma forma que não sente de imediato. Dinheiro: Poderá sentir-se subjugado pela sobrecarga de trabalho. Para ultrapassar esta situação, estabeleça prioridades e reconheça os seus limites, respeitando-os. Este é um período em que pode fazer uma pequena extravagância financeira.
Orar Antes de Comer Ele ia jantar pela primeira vez em casa da namorada. Quando ia atacar a sopa, reparou no olhar severo da futura sogra, que lhe perguntou friamente: — Em sua casa não costumam orar, antes de começarem a comer? — Não, minha senhora — disse ele atrapalhado —. A minha mãe é muito boa cozinheira... Visita Curta A sogra vai visitar a filha e o genro. Toca à campainha, o genro abre a porta e exclama: — Sogrinha! Há quanto tempo a senhora não aparece! — Quanto tempo vai ficar desta vez? A sogra, querendo ser gentil: — Oh, meu genro, até vocês se cansarem de mim! O genro responde: — A sério? Não vai ficar nem para um cafézinho?
Endereços Úteis Embaixada de Portugal Serviços da Cordenação-Geral de Ensino Zimmerstr.56 10117 Berlin Telefone 030 - 590063500 Telefax 030 - 590063600 Consulado -Geral de Portugal em Hamburgo Büschstr 7 - 20354 - Hamburgo Tel: 040/3553484 Vice-Consulado em OsnabrückSchloßwall 2 - 49080 Osnabrück Tel:0541/40 80 80 Consulado-Geral de Portugal em Düsseldorf Friedrichstr, 20 - 40217 -Düsseldorf Tel: 0211- 13 878 0 Consulado -Geral de Portugal em Frankfurt Zeppelinalle 15 - 60325- Frankfurt Tel: 069/ 97 98 800 Consulado-Geral de Portugal em Stuttgart Königstr.20 - 70173 Stuttgart Tel. 0711/2273974
Consulado Honorário de Portugal em Munique Maximiliansplatz 15 - 80333 München Tel. 089-29163131 Conselho das Comunidades Portuguesas: Alfredo Cardoso, Telelefone: 0172- 53 520 47 AlfredoCardoso@web.de Alfredo Stoffel Telefone: 0170 24 60 130 Alfredo.Stoffel@gmx.de José Eduardo, Telefone: 06196 - 82049 jeduardo@gmx.de Maria da Piedade Frias Telefone: 0711/8889895 piedadefrias@gmail.com Rui Clemente Paz Telefone: 0173 - 5351651 ruipaz@gmx.de AICEP Portugal Zimmerstr.56 - 10117 Berlim Tel.: 030 254106-0 Federação das Associacões Portuguesas na Alemanha Postfach 10 01 05 - 42801 Remscheid Publicidade
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PORTUGAL POST nº 185 • Dezembro 2009
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Mundial 2010
PORTUGAL POST nº 185 • Deuembro 2009
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Portugal na África do Sul, apesar de apuramento inconstante A selecção portuguesa de futebol garantiu o apuramento para o Mundial2010, depois de uma fase de qualificação cheia de altos e baixos, que terminou com uma vitória na Bósnia-Herzegovina, por 1-0, na segunda „mão“ do “play-off ”. A vitória em Zenica foi o quinto triunfo consecutivo da equipa portuguesa na fase de apuramento, depois de um início complicado. A presença na África do Sul será a quinta portuguesa num mundial e terceira consecutiva, mantendo o pleno de qualificações para fases finais de competições internacionais desde 2000. Com Carlos Queiroz como novo seleccionador, o sorteio da fase de apuramento colocou Portugal num Grupo 1 em que partia como favorito, apesar da forte concorrência de Dinamarca e Suécia. Contudo, desde cedo se percebeu que a caminhada luso ia ser muito complicada e cheia de sobressaltos, apesar da goleada inaugural - única vitória oficial em 2008 após o Europeu - sobre Malta (4-0), que não marcou qualquer golo em 10 encontros. O segundo jogo, em casa com a
Dinamarca, acabaria por marcar a qualificação, pois, apesar de ter feito uma das melhores exibições da qualificação, Portugal acabou por perder com os nórdicos, por 3-2. Seguiram-se três „nulos“, dois com a Suécia e um escandaloso com a Albânia em casa, num encon-
tro em que a equipa das „quinas”, apesar de desfalcada, não conseguiu marcar qualquer golo a uma equipa que jogou cerca de 50 minutos com menos um elemento. Tudo parecia perdido para a equipa lusa, ainda mais quando em Tirana, aos 90 minutos, estava em-
patada com a Albânia a uma bola, mas um golo salvador de Bruno Alves, em período de descontos, manteve Portugal na corrida. Seguia-se uma visita a Copenhaga e nova boa exibição lusa não rendeu três pontos (1-1), apesar dos muito remates, mas apenas um,
graças a um golo do estreante Liedson já no final do encontro com a Dinamarca. Os dois encontros com a Hungria iriam ser decisivos para as aspirações lusas, tendo a equipa cumprido, de forma pragmática em Budapeste (1-0) e mais espectacular na Luz, em Lisboa (3-0). Além da vitória sobre os magiares no Estádio da Luz, Portugal beneficiou ainda da derrota da Suécia no terreno da Dinamarca (1-0), tornando Jakob Poulsen um herói em solo luso e deixando a equipa das „quinas” necessitada de apenas uma vitória sobre a frágil Malta para garantir o “play-off”. O sorteio colocou a BósniaHerzegovina, um dos melhores ataques da fase de qualificação, que Portugal, com a ajuda dos ferros da baliza de Eduardo, conseguiu parar na primeira „mão“, tendo conseguido o triunfo por 1-0, graças a um golo de Bruno Alves, aos 31 minutos. Numa fase de renovação da equipa, Carlos Queiroz utilizou 33 jogadores, com o médio Raul Meireles a ser o único jogador que actuou nos 12 encontros de qualificação, enquanto Simão Sabrosa foi o melhor marcador, com quatro golos. Publicidade