Portugal Post Setembro 2012

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PORTUGAL POST ANO XIX • Nº 218 • Setembro 2012 • Publicação mensal • 2.00 € Portugal Post Verlag, Burgholzstr. 43 • 44145 Dortmund • Tel.: 0231-83 90 289 • Telefax 0231- 8390351 • E Mail: correio@free.de • www. portugalpost.de • K 25853 •ISSN 0340-3718

Portugal, a Alemanha e euro De sonho, a moeda única passou a ser um pesadelo. A economia sofre, as exportações caem a pique. Apesar da assistência externa, os cortes dolorosos impõem-se e os preços aumentam. O desemprego sobe em flecha. A juventude perde a esperança. Cada vez mais pessoas emigram.

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É provável que esta narrativa lembre ao leitor Portugal no ano 2012. Mas também podia ser a Turíngia em 1993. Porque o que acontece hoje em Portugal, atravessaram os novos estados federados durante muitos anos - anos demais após a reunificação alemã. Pág. 3

Número de trabalhadores portugueses na Alemanha aumentou 5,9 %

O número de portugueses a trabalhar na Alemanha aumentou 5,9 por cento até finais de Maio de 2012, em relação ao ano anterior, atingindo os 55.600, segundo levantamento divulgado pela Agência Federal do Trabalho (BA). Na foto: calceteiros portugueses ornamentam as calçadas alemãs. Pág.7 Publicidade

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PORTUGAL POST Nº 218 • Setembro 2012

PORTUGAL POST

Editorial Mário dos Santos

Agraciado com a Medalha da Liberdade e Democracia da Assembleia da República Fundado em 1993 Director: Mário dos Santos

Correspondentes António Horta: Gelsenkirchen Elisabete Araújo: Euskirchen Fernando Roldão: Frankfurt/M João Ferreira: Singen Jorge Martins Rita: Estugarda Manuel Abrantes: Weilheim-Teck Maria dos Anjos Santos: Hamburgo Maria do Rosário Loures: Nuremberga Vitor Lima: Weinheim Colunistas António Justo: Kassel Carlos Gonçalves: Lisboa Glória de Sousa: Bona Helena Ferro de Gouveia: Bona Joaquim Nunes: Offenbach José Eduardo: Frankfurt / M Luciano Caetano da Rosa: Berlim Luísa Coelho: Berlim Marco Bertoloso:  Colónia Paulo Pisco: Lisboa Rui Paz: Dusseldórfia Salvador M. Riccardo: Lisboa Teresa Soares: Nuremberga Tradução Barbara Böer-Alves Assuntos Sociais: José Gomes Rodrigues Consultório Jurídico: Catarina Tavares, Advogada Michaela Azevedo dos Santos, Advogada Miguel Krag, Advogado Fotógrafos: Fernando Soares Publicidade: Alfredo Cardoso (Norte) e Fernando Roldão (Sul) Agências: Lusa. DPA Impressão: Portugal Post Verlag Redacção, Assinaturas Publicidade Burgholzstr. 43 • 44145 Dortmund Tel.: (0231) 83 90 289 • Fax: (0231) 83 90 351 www.portugalpost.de EMail: portugalpost@free.de www.facebook.com/portugal post Registo Legal: Portugal Post Verlag ISSN 0340-3718 PVS K 25853 Propriedade: Portugal Post Verlag Registo Comercial: HRA 13654

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Voltar à rotina

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Após o merecido gozo das férias de Verão, volta-se ao trabalho e à acostumada rotina do dia-a-dia com muitos de nós com um olho preocupado na crise de Portugal sem esquecer que é aqui neste país que vivemos e para onde estão dirigidas a maioria das nossas preocupações. Quem está aqui e tem a sua vida organizada há muitos anos vê, mais uma vez, portugueses a chegarem a este país na esperança de, também eles, sustentarem a família e assegurarem o seu futuro. Os números dizem que até Maio deste ano se registou um aumento de trabalhadores portugueses neste país na ordem dos 6 %, o que quer dizer que mais alguns milhares de portugueses vieram juntar-se à comunidade portuguesa que em 2014 celebrará 50 anos de presença na Alemanha. Até há alguns anos, ninguém pensava que a comunidade viesse a registar uma aumento tão significativo. O número dos portugueses na Alemanha sofreu um decréscimo nos anos 80 e 90, estagnandose durante a primeira década deste século. O único momento em que se verifica um aumento de trabalhadores portugueses na Alemanha, ainda que sazonal, é no início dos anos 90 com a vinda de milhares de portugueses para trabalharem na reconstrução de Berlim e da Alemanha do leste, trabalhadores esses contratados em Portugal

por empreiteiros, subempreiteiros e afins. É com a recente crise e com a subida do desemprego em Portugal que se nota a chegada de muitos portugueses a este país, muitos deles tentando a sua sorte vindo como vieram os seus compatriotas há 30 e 40 anos. O aumento do número de portugueses neste país regista-se num momento em que governantes portugueses exortam os seus concidadãos a emigrarem ou, como diria um secretario de Estado da actual coligação governamental, a saírem da “sua zona de conforto” (leia-se desemprego) e partirem à procura de modo de vida fora de Portugal. É neste contexto que se encerram postos consulares, se corta no ensino, não se atribui importância aos constantes apelos para voltar a colocar um Conselheiro Social na embaixada e tornar mais eficaz o trabalho dos técnicos sociais nos consulados; se deixa cair o movimento associativo; se perde a juventude e não se tenta, a exemplo do que sempre se fez, puxar pela imaginação e promover iniciativas de congregação dos lusodescendentes através da cultura, língua e do convívio. O aumento de remessas dos emigrantes para Portugal (ver nesta edição) pode ter a ver com aumento do número de portugueses para este país e, se assim é, cabe ao Governo rever medidas que tomou pensando que o investimento nas comunidades já não

se justificava. Diga-se que o significativo aumento envio de remessas para Portugal numa altura de crise deveria ser um motivo que levasse os governantes a tratar melhor quem envia dinheiro para Portugal, pensando no ditado “quem meus filhos beija, minha boca adoça”

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À semelhança do que o PP fez em anos anteriores, também este ano o jornal vai eleger personalidades mais influentes e distintas da comunidade. O objectivo tem a ver com o simples reconhecimento de pessoas que pela sua actividade profissional ou benévola contribuem para o protagonismo e o bom nome da comunidade lusa na Alemanha. Não nos remeteremos apenas àqueles portugueses que exercem uma actividade superior ou que estejam colocados em lugares cimeiros. Também não nos interessam aqueles que se julgam pertencer a grupos elitistas e que, por isso praticam a distância face aos “emigrantes”. Também não vamos querer colocar ninguém em bicos de pés. Esta iniciativa é para valorizar quem merece e servirá para divulgar o trabalho e a actividade de muitos que merecem o nosso e o reconhecimento de toda a comunidade.

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Redação e Colaboradores Cristina Dangerfield-Vogt: Berlim Cristina Krippahl: Bona Joaquim Peito: Hanôver Luísa Costa Hölzl: Munique


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Portugal, a Alemanha e euro Marco Bertolaso

De sonho, a moeda única passou a ser um pesadelo. A economia sofre, as exportações caem a pique. Apesar da assistência externa, os cortes dolorosos impõem-se e os preços aumentam. O desemprego sobe em flecha. A juventude perde a esperança. Cada vez mais pessoas emigram. É provável que esta narrativa lembre ao leitor Portugal no ano 2012. Mas também podia ser a Turíngia em 1993. Porque o que acontece hoje em Portugal, atravessaram os novos estados federados durante muitos anos - anos demais - após a reunificação alemã. E isto apesar das condições na Alemanha terem então sido bastante mais favoráveis do que presentemente na Europa. A moeda única, o marco alemão, foi introduzida a 1 de Julho de 1990. Três meses mais tarde, a reunificação trouxe a união política. Na Alemanha unificada passaram a vigorar, de imediato, as mesmas leis e regras, por exemplo, no que toca os impostos. A mentalidade, de qualquer modo, já era parecida. A extinta República Democrática da

Alemanha era muito mais pequena do que o ocidente rico do país. Não obstante, o processo de unificação foi doloroso, destruiu muitos postos de trabalho e continua a custar, anualmente, estimados 100 mil milhões de euros. Tal como aconteceu na Alemanha, hoje é a moeda única europeia que obriga os estados da zona do euro a uma convergência cada vez mais completa no comportamento económico e político. Mas os portugueses, italianos e espanhóis não querem viver como os alemães, os holandeses ou os finlandeses - e vice-versa. Mais grave ainda: a crise obriga os portugueses a cortes cada vez mais drásticos e, provavelmente, inúteis. Por seu lado, os alemães são forçados a dar garantias cada vez mais elevadas para países dos quais certamente gostam, mas em cuja política económica e financeira não confiam. Do que resulta um mau-ambiente geral. Ironia da História: o euro, pensado para completar a união europeia, ameaça agora dividir a UE. O que fazer nestas circunstâncias? Lamentavelmente, também a mim não me ocorre uma resposta simples. Mas permito-me a

salientar cinco aspectos que, penso, devem fazer parte da solução. A Europa tem que encontrar forças para controlar melhor os bancos e regular com maior rigor os mercados financeiros. Os malabarismos inacreditáveis e inaceitáveis deste sector contribuíram fortemente para a crise. Os mer-

Tal como aconteceu na Alemanha, hoje é a moeda única europeia que obriga os estados da zona do euro a uma convergência cada vez mais completa no comportamento económico e político. Mas os portugueses, italianos e espanhóis não querem viver como os alemães, os holandeses ou os finlandeses - e vice-versa. cados financeiros, cujos interesses não têm absolutamente nada a ver com responsabilidade política e social, transformaram uma pe-

quena chama num incêndio de grandes dimensões. Devemos repensar o nosso conceito de uma Europa unida. A tentativa exagerada de unificar tudo e mais alguma coisa pode levar a maiores divisões. O que poria em risco o objectivo mais importante da união: a paz e o bem-estar. Seria assim tão terrível se o preço a pagar por este objectivo fosse duas, ou até três, moedas diferentes? A Europa deve democratizarse. O que é mais fácil dizer do que fazer. Apesar de Portugal ser um país pequeno, naturalmente os seus cidadãos não querem que outras maiorias “democráticas” decidam por eles. E muitos alemães consideram pouco democrático que países como o Luxemburgo ou o Chipre tenham o mesmo poder de voto que a Alemanha na Comissão Europeia ou no Conselho do Banco Central Europeu. Portugal devia agarrar a oportunidade oferecida pela crise para atacar problemas mais profundos. Muito mudou depois da revolução de 1974, mas infelizmente muito também ficou na mesma. Em Portugal continuam a ter uma importância desmesurada cunhas e

amigos em posições de poder, embora seja evidente que a prestação individual e a igualdade de oportunidades são critérios mais saudáveis. O sistema político tem alguns aspectos obscuros e questionáveis, e os resultados são visíveis, por exemplo, na Madeira, para mencionar apenas um caso. O ónus fiscal deve ser melhor repartido, e pelos ombros de todos. A falta de eficácia da burocracia e da Justiça são obstáculos de monta ao progresso económico, e agravam a convicção de se tratar aqui de uma sociedade iníqua. A Alemanha deve ocupar-se muito mais dos seus vizinhos. Passámos um longo tempo depois da reunificação na contemplação do próprio umbigo. E hoje, a globalização desvia o olhar mais para a China do que para o Luxemburgo. O que é muito pouco. Pois mesmo que os alemães nunca o tenham desejado, o facto é que na nova Europa é à Alemanha que cabe a liderança. É um pouco como o Cristiano Ronaldo no seu papel de capitão da selecção nacional: quem quer liderar, também tem que pensar sempre nos outros, mesmo que se sinta capaz de fazer todo o jogo sozinho. PUB


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Alemanha

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Há 20 anos atentado xenófobo de RostockLichtenhagen chocava Alemanha Há duas décadas, a xenofobia alcançava um triste apogeu na Alemanha. Durante três dias, extremistas de direita atacaram um abrigo de imigrantes. O que mudou no país de lá para cá? As imagens percorreram o mundo em Agosto de 1992: um grupo de cidadãos e radicais de direita atacaram no bairro de Lichtenhagen, na cidade alemã de Rostock, um bloco de um conjunto residencial pré-fabricado. Construídos na época da Alemanha Oriental, esses conjuntos residenciais uniformes são conhecidos como Plattenbau. O grupo gritava palavras de ordem xenófobas, atirava pedras e garrafas incendiárias contra o prédio. Cada vez que se quebrava o vidro de uma janela, moradores que acompanhavam a cena aplaudiam os extremistas – jovens em sua maioria. O Plattenbau – conhecido como „edifício girassol“ devido à pintura da fachada – estava em chamas. Andar por andar, o fogo tomava conta do edifício, que, naquela época pós-reunificação, servia como central de acolhimento de requerentes de asilo no estado de Mecklenburgo-Pomerânia Ocidental. O responsável por questões ligadas a estrangeiros no Estado, Wolfgang Richter, estava no prédio quando a violência aumentou. A dimensão dos ataques deixou-o sem palavras: „Eles não se importavam com o fato de no prédio haver mais de cem pessoas, que poderiam ter morrido durante o incêndio criminoso.“ Milagrosamente ninguém saiu ferido. No último momento, moradores do prédio e funcionários puderam salvar-se na laje da cobertura. Durante dois dias e duas noites, o edifício superlotado vivenciou a fúria do bando de radicais, até que os políticos reagissem e tirassem os imigrantes de lá em autocarro. Depois disso, o vandalismo e o ódio foram direccionados contra os trabalhadores vietnamitas que permaneceram no edifício, bem como contra a polícia. Completamente sobrecarregados, por vezes 30 policias tiveram de enfrentar 300 hooligans. Embora posteriormente novas forças de segurança tenham chegado, elas estavam mal equipadas e não tinham treino para situações extremas. Grupos neonazis começaram então a explorar os tumultos para fins de propaganda: radicais vindos de longe misturaram-se aos extremistas e moradores locais O que parecia ser uma erupção

Curiosos diante do abrigo de de estrangeiros em Rostock-Lichtenhagen em 1992 espontânea de violência tinha, no entanto, uma história. Semanas antes dos tumultos violentos, centenas de requerentes de asilo acamparam em frente ao prédio. Enquanto eles esperavam para o seu pedido de asilo, as condições de higiene da área pioravam, ainda mais com o calor escaldante daquele verão. Os moradores da área responsabilizavam os estrangeiros pelo mau cheiro, lixo, barulho e também por furtos. O desemprego era alto na região: um quinto da população não tinha trabalho após a reunificação da Alemanha, o que só aumentava a animosidade contra os estrangeiros. Em vez de acalmar a situação, os políticos acirraram ainda mais os ânimos através dos media, disse à época Wolfgang Richter: „Por todos os lugares falava-se em levas de refugiados e que ‘o barco estava cheio’. Os requerentes de asilo eram criminalizados“. Ainda hoje se interroga como se chegou a tal situação? Para o especialista em racismo Hajo Funke, da Universidade Livre de Berlim, o excesso de violência foi o resultado de uma sucessão de falhas. „A câmara local, o governo estadual e, em parte, também o governo alemão permitiram a escalada da violência em Ros-

tock, não tendo feito nada de adequado para evitá-la.“ Faltou simplesmente vontade política para atenuar a situação, diz o especialista. „Nesse sentido, foi uma tentativa de progrom deliberadamente permitida por parte das autoridades.“ A mudança de atitude por parte das autoridades transcorreu lentamente: 44 extremistas foram condenados a penas de até três anos de reclusão. O então prefeito de Rostock e o secretário do Interior de Mecklenburgo-Pomerânia Ocidental renunciaram na sequência dos acontecimentos. Até hoje não se sabe quem foi o responsável pela caótica acção policial. Pois somente após uma unidade policial responsável pela protecção do prédio ser retirada do local, sem ser substituída por outra, intensificou-se a perseguição aos moradores do prédio. O vietnamita Thinh Do, que ficou preso no edifício em chamas, mostra-se convencido de uma coisa, dez anos depois, que a cidade de Rostock aprendeu com os acontecimentos. „Eu não acredito que algo semelhante voltará a repetir-se em Rostock, pois a administração local e a polícia ficaram muito sensibiliza-

dos com o que aconteceu em Lichtenhagen.“ Também Funke, da Universidade Livre de Berlim, afirma que, hoje, a perseguição aberta a estrangeiros tornou-se improvável graças aos media e a uma melhoria das normas de acção da policia . Isso não significa, porém, que o potencial para acções xenófobas tenha diminuído. O racismo assumiu outras formas de manifestação na Alemanha, diz. Em vez de manifestações de massa, os extremistas de direita agem hoje frequentemente a partir da clandestinidade. É o caso da célula neonazi de Zwickau, revelada em Novembro de 2011 e responsável pela morte de, pelo menos, dez imigrantes na Alemanha ao longo de diversos anos. Nesse contexto, a prática terrorista sistemática por parte de organizações de extrema direita clandestinas é apenas a ponta do iceberg. Também a discriminação na vida quotidiana e a sua minimização por parte das autoridades seriam fenómenos mais presentes desde os acontecimentos de Rostock-Lichtenhagen, diz Funke. É o que ele chama de formas institucionalizadas de racismo. „São policiais que não olham, mas ignoram; autarcas que não vêem

o que deveriam ver; os media que preferem não falar sobre um assunto“, exemplifica. Na luta contra a xenofobia aberta ou camuflada, a parlamentar socialdemocrata de Mecklenburgo-Pomerânia Ocidental Sonja Steffen aposta na participação da sociedade civil. Muito foi feito no seu Estado desde Rostock, como ela pôde vivenciar como manifestante numa acção de protesto contra uma festa do NPD, partido alemão de extrema direita. „Desse evento pacífico participaram 2 mil pessoas para mostrar: estamos aqui para nos contrapor às ideias do NPD.“ Uma lição de Rostock-Lichtenhagen que agrada também ao presidente alemão, Joachim Gauck. O presidente, que no passado actuou como pastor protestante em Rostock, quer preservar a memória do progrom de há 20 anos . No passado domingo 26 de Agosto o presidente Gauck fez um discurso diante do „edifício girassol“. Tal contribuição deverá servir para que, 20 anos depois, outras imagens de Rostock-Lichtenhagen venham a percorrer o mundo. Autor: Richard Fuchs, cortesia DW


Nacional e Comunidades

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Remessas de emigrantes aumentaram 16 por cento no primeiro semestre do ano

Segundo o Sindicato dos professores

As remessas de emigrantes aumentaram 16 por cento no primeiro semestre deste ano e atingiram o valor mais alto desde 2002, segundo dados divulgados pelo Banco de Portugal (BdP).

O Sindicato dos Professores nas Comunidades Lusíadas considerou que a nova certificação dos alunos do Ensino de Português no Estrangeiro (EPE) é anti-pedagógica e injusta para os mais novos, além de não contribuir para a melhoria do sistema. „Este novo tipo de certificação é apresentado como a grande salvação do EPE, como sendo ele que vai melhorar e dar maior dignidade ao ensino, mas não traz absolutamente nada“, disse Teresa Duarte Soares, responsável do sindicato. „Não vai trazer nada e ainda por cima é para ser pago“, acrescentou. A certificação, prevista numa portaria publicada em Diário da República, prevê a realização de uma prova oral e escrita, de inscrição obrigatória e sujeita a uma propina. Segundo o texto da portaria, a certificação, que visa „contribuir decisivamente para uma maior credibilização do EPE junto dos sistemas de ensino dos países em que a língua portuguesa é ensinada“, passa pela realização de uma prova elaborada de acordo com os critérios estabelecidos no Quadro de Referência para o Ensino Português no Estrangeiro (QuaREPE) para os domínios oral e escrito. No entanto, sublinhou Teresa Soares, este quadro não é utilizado pelos sistemas educativos de qualquer país, nem sequer do português, seja para as disciplinas de língua estrangeira, seja para a língua materna. Segundo a sindicalista, o QuaREPE é um sistema de classificação „plasmado dos sistemas usados nos institutos de línguas“, pelo que não se adequa ao EPE, que „não é um instituto de línguas, mas sim um subsistema do ensino público português“. Como consequência, defende a responsável, o sistema é anti-pedagógico, desmotivante e injusto para as crianças do primeiro ciclo, já que utiliza os mesmos parâmetros para todos os alunos, sem ter em conta a idade e o ano escolar em que se encontram. „Como professora com 37 anos de serviço, acho muito revoltante que se vá dizer a uma criança no primeiro ano de escolaridade que não tem capacidade de escrita. Pois claro que não tem, se está no primeiro ano de escolaridade“, exclamou Teresa Soares. E exemplificou: A mesma

O aumento das remessas foi generalizado em quase todos os países onde há comunidades portuguesas significativas. Segundo o boletim estatístico do BdP, o crescimento chegou a ultrapassar os 50 por cento em países como Alemanha (75,5 por cento), Espanha (60 por cento) e Luxemburgo (56,3 por cento). Nos primeiros seis meses deste ano, as remessas de emigrantes portugueses atingiram 1.276 milhões de euros. Este é o maior montante para estas transferências nos primeiros seis meses de um ano desde o primeiro semestre de 2002, quando as remessas foram 1.334 milhões de euros (nos segundos semestres as remessas costumam ser mais elevadas, por efeitos das férias e do Natal). As razões para o reforço das remessas podem estar ligadas a um crescimento na emigração ou a um aumento das remessas por emigrante, de acordo com o BdP.

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Os dois países de onde chegam mais remessas continuam a ser a França (413 milhões) e a Suíça (292 milhões). Em conjunto, os emigrantes nestas duas nações enviam mais de metade do total das remessas recebidas por Portugal. Foi contudo nestes dois países que as taxas de crescimento face a 2012 foram mais baixas (no caso da França, houve até uma redução de 2,8 por cento). Nos dados hoje divulgados, o Banco de Portugal não discrimina as remessas vindas de Angola – que, segundo dados de 2011, era a terceira maior fonte de remessas. Os envios de Angola estão incluídos na categoria “resto do mundo”, de onde vieram 147 milhões nos primeiros seis meses do ano – o equivalente a uma taxa de crescimento de 63,7 por cento relativamente ao mesmo período do ano anterior. Crise, solidariedade e agentes económicos podem estar a contribuir para o aumento das remessas

Deputados comentam aumento das remessas Cinvidados a comentarem este inesperado aumento de remessas, ss deputados do PSD e do PS pelo círculo da emigração consideram que a crise, a solidariedade, e os agentes económicos foram factores determinantes no aumento registado no primeiro semestre do ano. Para o deputado social-democrata Carlos Alberto Gonçalves, estes números não são “surpresa”, uma vez que, defendeu, “sempre que Portugal sentiu algumas dificuldades, as comunidades portuguesas nunca deixaram de apoiar o país”. O deputado considerou ainda que, embora não devam deixar de

ser considerados na análise destes valores, os recentes fluxos migratórios não foram “determinantes” para o crescimento das remessas. “Ninguém sabe muito bem qual é o fluxo migratório que existe. Eu quero acreditar que ele é [responsável por] uma fatia importante [destes valores], não escamoteio essa realidade. Mas não pode justificar um aumento desta importância quando há países que não são receptores de emigração – nomeadamente os países fora da Europa – e em que o crescimento [das remessas] também existe”, argumentou. Na opinião do socialista Paulo Pisco, estes números traduzem, para além de solidariedade entre as comunidades no exterior e os portugueses que vivem no país de origem, e para além de um aumento dos fluxos migratórios, “um sentido da poupança que sempre existe em tempos de crise”. A acrescer a este factor, disse ainda, há o facto de os portugueses estarem a emigrar „porque deixaram de ter condições para fazer face aos encargos que tinham no país”. Contudo, defendeu, estas pessoas continuam a cumprir esses encargos, que são, por exemplo, créditos à habitação. Ambos os deputados sublinham a importância dos agentes económicos, que têm, consideraram os dois, feito esforços bem sucedidos no sentido de atrair para Portugal capitais e investimentos. Os deputados social-democrata e socialista voltam a concordar quando dizem que estes números mostram, nas palavras de Paulo Pisco, “a importância que as comunidades portuguesas têm“ e que, nas palavras de Carlos Alberto Gonçalves, são „mais um sinal claro de que Portugal não deve estar de costas voltadas“ para a diáspora.

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Certificação do Ensino de Português no estrangeiro é antipedagógica classificação será dada a um aluno de seis anos e a outro de 14 ou 15 que nunca tenha tido aulas de português. Para Teresa Duarte Soares, a certificação só terá interesse para os alunos que estão a terminar a escolaridade, nomeadamente o 9.º ou o 12.º, porque podem utilizá-la para entrar no mercado de trabalho ou na universidade. „De resto, não faz qualquer sentido“, disse. Recordou ainda que esta certificação não pode ser introduzida no ensino integrado - em que os alunos têm português como mais uma disciplina na escola que frequentam - porque esses alunos têm de ter as mesmas classificações que se usam nos países de acolhimento, pelo que contribuirá para uma maior disparidade. „Somos 400 professores de EPE, mas 200 vão ter de usar este sistema e outros 200 não“, lamentou. Para a dirigente sindical, o EPE, „que está tão fragilizado“, precisava antes de mais professores e melhor qualidade de ensino e „não é por haver uma certificação - ainda por cima paga - que o ensino vai melhorar“.

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Opinião Luciano Caetano da Rosa

A crise não é para todos!

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palavra crise fala grego („Krisis“ do Verbo „krinein“...) e tem um vasto campo semântico, quer dizer, significa muita coisa: opinião, juízo, decisão, agudização, ponto de viragem decisivo, desenvolvimento perigoso, catástrofe, decadência. A situação que se vive em Portugal, em muitos países da Europa e do mundo é de crise nos piores sentidos arrolados da palavra, graças ao capitalismo mais ou menos globalizado. Esta expressão não consegue, todavia, esconder uma oligarquia secreta que deseja mandar no mundo e nos povos, promovendo guerras, sequestrando os recursos do planeta, atacando moedas concorrentes e a economia dos países, actuando nos chamados mercados, tentando arrasar quem se oponha perigosamente à sua hegemonia. A crise é global hoje em dia nos planos individual, social, político, económico, cultural e ambiental. A crise é sistémica e desenvolve-se na Europa à medida que a integração capitalista se agudiza com as dívidas e os juros leoninos das dívidas dos Estados, das famílias, dos indivíduos e de muitos sectores empresariais. As políticas recessivas praticadas pela ideologia dominante, o capitalismo neo-liberal, a austeridade, o desemprego galopante, a intensificação da exploração, as privatizações, as legislações laborais inimigas dos direitos duramente alcançados pela luta de gerações de trabalhadores, representam todo um ror de medidas típicas deste sistema capitalista tardio cada vez mais em crise, que há muito entrou em falência acelerada.

Todos estes factores, ora em conPortas e a cumplicidade de Seguro. Agrária e pelo abate de milhares de junto ora separadamente, produzem Devemos a crise à burguesia naunidades pesqueiras. os efeitos de uma crise cada vez mais cional, à classe dominante, aos PartiLembrais-vos dos subsídios da avassaladora, mais esmagadora para dos que defendem os interesses desta UE para que os camponeses pusessem milhoes de seres humanos. classe, aos interesses egoístas e ilegías raízes das oliveiras ao sol? Ou a reMilhares e milhares de portuguetimos de classe que são fonte de toda dução de quotas de pescado e subsíses fogem à crise em Portugal, às mea corrupção reinante na sociedade dios aos armadores para estes didas draconianas do actual portuguesa. Devemos a crise à políeliminarem milhares de embarcadesgoverno de traição aos interesses tica de agressão em toda a linha na ções? E assim, em vez de produzirdo país e do povo...os novos emigranvida dos portugueses que trabalham mos nós próprios, passámos a tes vão, no entanto, fugir para onde se ou querem trabalho. Devemos a crise importar. a crise está por toda a parte? Não está à burguesia internacional, aliada da A dívida pública portuguesa chefácil...mesmo para os que chegam burguesia portuguesa. gou em Fevereiro de 2012 aos 190 com estudos superiomil milhões, bem res e boas habilitações. mais de 100% do A crise em PortuProduto Interno gal tem causas e tem Bruto. Em vez de se causadores. A actual criarem postos de As duas troikas, a interna (PSD,CDS, PS+ Presicrise no país tem a sua trabalho, não sedente da República) e a externa (o FMI, O BCE e história, a sua anamnhor, cria-se mais a UE), conjugadas, acentuam a crise em níveis nese, inicia-se na condesemprego. A tra-revolução com os quem é que isto nunca antes conhecidos. São estas forças polítigovernos de Soares, (o serve? À generalicas os responsáveis pela destruição ao longo de homem preferido dade dos portuguedécadas do nosso aparelho produtivo, pela privapelos americanos e ses e ao país, tização dos sectores rentáveis, pelo fecho e ruína não outros elementos certamente não de segmentos da indústria, pela destruição da Reda burguesia liberal serve! E assim estacomo Sá Carneiro, mos com mais de forma Agrária e pelo abate de milhares de unidaAmaro da Costa, etc), 15% de desempredes pesqueiras. durante e logo após a gados na população gloriosa Revolução do potencialmente 25 de Abril. activa, mas na realiMas além deste dade deve haver um político contorcionista, Soares, é bom As duas troikas, a interna milhão e 200 mil desempregados em não esquecer mais uns quantos (PSD,CDS, PS+ Presidente da RepúPortugal. nomes, pelo menos os mais importanblica) e a externa (o FMI, O BCE e a E como estão os que têm trabalho tes: Mota Pinto, Freitas do Amaral, UE), conjugadas, acentuam a crise em ou emprego ou estão reformados e Cavaco Silva (e seus muchachos no níveis nunca antes conhecidos. São aposentados? Vêem os seus salários BPN: Dias Loureiro, Oliveira e Costa, estas forças políticas os responsáveis diminuídos, as suas reformas e apoalém de Duarte Lima, etc. etc.), Gupela destruição ao longo de décadas sentações congeladas. Muitos trabalterres, Durão Barroso (o anfitrião das do nosso aparelho produtivo, pela prihadores têm salários em atraso, Lages, estais lembrados?), Santana vatização dos sectores rentáveis, pelo trabalham e não recebem, o subsídio Lopes, Sócrates e o actual primeirofecho e ruína de segmentos da indúsde Natal e o 13. mês já foram à vida, ministro Passos Coelho com Paulo tria, pela destruição da Reforma os despedimentos tornaram-se fáceis e as indemnizações irrisórias, as casas são devolvidas aos bancos às dezenas PUB diariamente...Para onde vão morar estas famílias que ficam sem casa? Austeridade, austeridade e mais austeridade? Austeridade para quem? Para o povo, sim! Para os capitalistas, para a burguesia, para os Catrogas, os Mexias, os gestores, os banqueiros e quejandos, não há crise nenhuma, nunca viveram tão bem, o país para eles é um verdadeiro paraíso na terra! Não vos deixeis enganar, caros compatriotas, com tretas que por aí circulam. O povo paga IRS, IRC, IVA (23% em vasto consumo), IC, Scuts, agora até chegou a famigerada propina de 120 euros nos cursos de LCP contra a qual todos devemos lutar, uma taxa ilegal para que as crianças e jovens portugueses ou luso-descendentes nao usufruam de um direito constitucional na emigração. As taxas moderadoras na saúde tornaram-se imoderadas, a saúde privada priva o povo da saúde. A corrupção, porém, nunca foi tão imensa. Segundo notícias dos jornais, o anterior primeiro-ministro Sócrates

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gastou durante 6 anos, em almoços e jantares, 438,000 euros. O buraco no BPN ultrapassa os 8 mil milhões, na Madeira idem aspas. É um regabofe nunca visto. O FMI exige 35 mil milhões de juros do empréstimo de 78 mil milhões. Com os 35 mil milhões, poder-se-ia pagar durante 4 anos o salário de todos os funcionários públicos. Mais 12 mi milhões servem para refinanciar a banca. Com este dinheiro, poder-se-ia pagar todas as pensões de reforma. Mas não, os bancos refinanciam-se à custa da pobreza do povo. Outros 8 mil milhões servem para refinanciar o BPN, ouviram bem, leram bem?, o BPN!!! Com este dinheiro, poder-se-ia pagar todos os medicamentos do SNS durante 4 anos. Com mais 450 milhões dados ao BPP pelos partidos do „arco do poder“ (como eles gostam de dizer de si próprios) poder-se-ia pagar subsídios às famílias, além do Subsídio Social de Inserçõo (para desempregados sem qualquer fonte de rendimento). O Banco Central Europeu vende o dinheiro aos bancos a 1% de juros e, em seguida, os bancos pagam-se esse dinheiro em empréstimos aos governos a 6% e mais. Tudo isto é imoral, caros compatriotas. E é preciso dar outro sentido ao nosso voto em eleições. É preciso lutar contra estas políticas de direita, por uma política patriótica e progressista, por uma repartição justa das riquezas, pelo combate à pobreza, contra o desemprego e o trabalho precário, pelo trabalho de qualidade flanqueado de direitos. É necessário renegociar a dívida, discutir montantes, juros e prazos de vencimento e derrotar as troikas. É mister aumentar salários, pensões de reforma e aposentações, proteger a saúde, o ensino, a educação, a segurança social contra o mercantilismo e a privatização, por serviços públicos de qualidade num país civilizado. É urgente dizer Basta!, a esta gentinha, estes pequenotes incultos e subservientes que nos desgovernam. Crise? Uma fatalidade? Não, a crise não é uma fatalidade, Portugal tem riquezas, recursos, gente inteligente e de saber, trabalhadores competentes, massa crítica e só precisamos de começaar a desenvolver a produção nacional. O país tem de ser reencaminhado para os valores de Abril. Não pode continuar a „ajudar“ nesta „construção europeia“ federalista, militarista e neo-liberal dos agiotas, nesta Europa anti-democrática, intervencionista, perigosa para a paz. Deixemo-nos de vaidades, de parvoíces, acordemos e acertemos o nosso comportamento cívico de acordo com as medidas que é preciso tomar. Portugal e o povo português merecem mais!


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Número de trabalhadores portugueses na Alemanha aumentou 5,9 por cento até Maio O número de portugueses a trabalhar na Alemanha aumentou 5,9 por cento até finais de Maio de 2012, em relação ao ano anterior, atingindo os 55.600, segundo levantamento divulgado pela Agência Federal do Trabalho (BA). As autoridades alemãs atribuíram o referido aumento, muito acima da média nacional de 1,6 por cento no mesmo período, ao desemprego e à falta de perspectivas de emprego em Portugal, e ainda à evolução positiva do mercado de trabalho no país de acolhimento. Esta tendência foi ainda mais acentuada entre trabalhadores espanhóis e gregos na Alemanha, que no prazo de um ano aumentaram, respectivamente, 11,5 por cento (para 46 mil no total) e 9,8 por cento (para 117.700). Este fenómeno está igualmente ligado, segundo a BA, ao elevado desemprego na Espanha e na Grécia, que é ainda superior aos 15,4 por cento em Portugal, e ultrapassa os 20 por cento. Quanto ao número de italianos a trabalhar na Alemanha, subiu 4,2 por cento até Maio, atingindo 232.800. No que se refere ao desemprego na Alemanha entre estas nacionalidades do sul da Europa, o dos italianos foi o que mais desceu, 6,4 por cento, enquanto o desemprego entre os espanhóis subia 10,5 por cento

desde junho de 2011, e entre os gregos 4,1 por cento. No que toca ao desemprego dos portugueses, manteve-se praticamente estacionário, com uma ligeira descida, e havia em Maio cerca de 8.500 pessoas à procura de trabalho, quase tantas como há um ano, indicou também a BA. A taxa de desemprego na Alemanha situava-se nos 6,7 por cento, em Julho, e é uma das mais

baixas da União Europeia, mas as variações entre os 16 Estados federados são grandes. As regiões do sul e do sudoeste, como a Baviera e Baden-Wuerttemberg, fortemente industrializadas, apresentam taxas abaixo dos cinco por cento, e o leste do país, menos desenvolvido, taxas acima dos 10 por cento. A BA tem chamado a atenção para a falta de mão de obra espe-

VILA NOVA DE PAIVA

No programa do Festival do Gelado, que decorreu em Vila Nova de Paiva de 09 a 12 de Agosto, foram passados vários momentos com o gelado como „estrela“, como o fabrico no local, pequenas geladarias para prova e o fabrico do maior gelado alguma vez feito em Portugal. O presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Paiva, José Morgado, que teve a iniciativa de organizar este evento, contou que a oportunidade surgiu

depois de perceber que o concelho tinha „muitos dos seus filhos como proprietários de geladarias na Alemanha“ e esta foi a „melhor forma de os homenagear, mas também de promover o concelho“. Segundo José Morgado, „tudo se resume a uma extraordinária capacidade de iniciativa dos jovens que nos idos de 1990 emigraram para a Alemanha para trabalhar em geladarias que eram de italianos“. Com o passar do tempo “foram ficando com os negócios, essencialmente porque os antigos proprietários foram envelhecendo e trespassaram-nos“, lembrou. Este festival surgiu ainda depois de proprietários de „dezenas

Nas profissões de nível académico, onde a comunicação decorre em Inglês, sobretudo nas grandes empresas, o panorama é diferente. Muitas multinacionais germânicas não hesitam mesmo em promover ações de recrutamento no estrangeiro para angariar os quadros técnicos de que necessitam, facultando-lhes depois aulas de alemão no país de acolhimento.

Novo atendimento da CGD em Colónia

Emigrantes na Alemamha regressam para fazer mega gelado Dezenas de habitantes de Vila Nova de Paiva partiram, na década de 1990, para trabalhar em geladarias na Alemanha e regressaram para oferecer um Festival do Gelado à terra natal.

cializada, sobretudo de engenheiros, médicos, informáticos, mas também de enfermeiros e auxiliares de enfermagem e operários especializados, mas também deixou claro que, sem conhecimentos de língua alemã, as candidaturas de estrangeiros da União Europeia não têm praticamente hipóteses de sucesso, quer nestas, quer noutras áreas de atividade.

de geladarias“ na Alemanha terem realizado em Vila Nova de Paiva um congresso do gelado onde se debateram novas técnicas de fabrico e de comercialização. Este congresso juntou na vila 120 empresários do ramo, dos quais cerca de 80 naturais do concelho. Para acompanhar o festival, uma marca italiana de gelados fez deslocar um grupo de especialistas a Vila Nova de Paiva. O tudo maior gelado alguma vez feito em Portugal foi confeccionado durante os dias do festival, com mais de 100 quilos de baunilha e morangos, além de muitos litros de leite. Ao longo do festival, os visitantes poderam provar gelados com mais de 30 sabores.

Caixa agora no Heumarkt A partir de 12 de Setembro o atendimento da Caixa Geral de Depósitos (CGD) na cidade de COLÓNIA, que se realiza todas as quartas-feiras das 10h às 16 horas, passará a ser efetuado nas instalações da Agência da SPARKASSE KÖLNBONN, Gürzenichstrasse n° 19, que fica a poucos passos do HEUMARKT. Este novo espaço está acessível para quem se desloque de comboio, uma vez que fica perto da estação ferroviária/ HAUPTBAHNHOF e da Catedral / DOM. De acordo com a responsável do Escritório de Berlim, Giselle Ataíde, «tem havido uma adesão crescente ao serviço CAIXADIRECTA (por telefone ou internet), o que permite aos clientes uma gestão cómoda da sua conta à distância, sem saírem de casa. No entanto, há clientes que se sentem mais à vontade num encontro presencial, pelo que nas principais cidades de residência da comunidade portuguesa continuamos a apostar complementarmente na proximidade». Acrescenta que «se observa uma nova vaga de portugueses a chegar à Alemanha e sabemos que podemos continuar a contar com a sua preferência», afirma ainda a responsável da CGD na Alemanha. Para além deste atendimento em Colónia, o Escritório da Caixa, situado em Berlim, dispõe ainda de locais de atendimento em Estugarda, Hamburgo e Frankfurt.


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RONDA PELAS COMUNIDADES

Neuss: a presença portuguesa data de 1957 O inverno de 1957 ficou marcado com a vinda do primeiro luso que abriu caminho aos mais alguns milhares de compatriotas. Foi o Sr. Justino, já falecido. Veio de Rio Maior, munido com uma carta de recomendação duma família amiga alemã que encontrou ocasionalmente em Portugal e duma grande vontade de vencer. A sua esposa, Dona Ivone, oriunda da vila alentejana de Aljustrel, e a sua cunhada D. Natália (entretanto falecida), enfermeiras com curso em Portugal, seguiram-lhes os passos não lhes sendo difícil a integração no mercado de trabalho num grande hospital da cidade. Jose Gomes Rodrigues

Os serviços sociais eram então inexistentes. A entre - ajuda era um desdobrar de esforços dos mais velhos. De realçar, entre outras figuras, o Sr. José Passadouro, responsável dum centro que acolhia os trabalhadores duma empresa de madeira que, entretanto, fechou a sua porta. Era o quartel general dos homens que chegavam pela primeira vez. Conviviam lá nos primeiros anos da década de 60, homens de todas as idades, de todos os extractos sociais e das diversas regiões do Pais. O J. Passadouro era como se fosse o pai desta grande família. Dirigiam-se a ele para qualquer questão. Era o escriturário de todos. Era uma pessoa de tal confiança, que delegavam a ele a resposta às cartas das namoradas ou das sempre saudosas esposas. O Senhor J. Ferreira, outrora taxista e barbeiro, nos tempos livres, era um constante e sempre bem vindo hóspede. Não era o interesse por ganhar algum que o levava lá, mas sentia-se e era acolhido como um embaixador da boa disposição e da alegria nesse ambiente, que a profunda tristeza da saudade constantemente invadia. Os fins de semana eram passados a sintonizar, com os ouvidos bem colados ao antigo rádio, as ondas curtas da emissora nacional, a única estação de rádio de então. Dá gosto sentar-se com os dois pioneiros e escutar as histórias desse tempo, alegrados com sempre fresco pão de milho, a boa chouriça assada e o tinto das palhinhas, que nunca faltava. Quem foram, quem são os portugueses em Neuss Leiria, Aveiro e Covilhã foram regiões que mais vincam as diversas

cidades circunvizinhas. É a festa a lembrar os nossos arraiais. Os voluntários que dão as mãos para que tudo corra pelo melhor e não falte a nossa sardinha e o bom vinho. Ainda bem! Ultimamente tem sido a única actividade que tem unido as diversas forças da comunidade.

comunidades lusas de Neuss. Carvide, Monte Redondo, Carreira, Fiães, Lobão da Feira e S. Jorge da Beira são as freguesias mães. Só mais tarde iniciou-se a vinda de outras de compatriotas de outras zonas de Portugal. É conveniente recordar que a fábrica de madeiras, a Verhan, da família do grande Adenauer, atraiu muitos compatriotas. O centro que os acolhia servia muitas vezes como trampolim para enveredarem para outras fábricas da cidade e mesmo para outras paragens. Neuss era um centro que acolhia muitos compatriotas, pois algumas empresas pertenciam à família de Adenauer que tinha uma familiar casada com um distinto português, o Sr. Teixeira Mendes. Esta ligação facilitava a obtenção de documentação e de cartas de chamada, ou contratos de trabalho. Mais tarde o governo português quase como agradecimento e reconhecimento instituiu um consulado em Neuss que foi abolido após a revolução dos cravos. Nesse tempo a comunidade Portuguesa ultrapassava os 2. 500. Hoje são cerca de 1. 300.

Integração na comunidade acolhedora

Associação (APN), centro, Missão e desporto A única Associação Portuguesa de Neuss, a APN, muito cedo soube organizar-se como centro que só mais tarde, em 1974 foi transformado, juntamente com outra organização, em APN, com sede própria, onde ainda hoje e depois de várias remodelações, se encontra. A APN (Associação Portuguesa de Neuss) teve um papel importante em toda a região. Foi, durante muito tempo, considerada pelas autoridades portuguesas, um modelo a imitar. O impacto sociocultural e a sua autonomia ultrapassavam as fronteiras de Neuss. Foi no passado um espaço acolhedor e de acção de alguns intelectuais que encontraram aqui um apoio e um campo positivo de acção. Eram estudantes e outros compatriotas que, não querendo seguir o autoritarismo político que imperava em Portugal, foram obrigados a sair e a refugiar-se nesta região. Só muito mais tarde, e sob a responsabilidade directa da Caritas, surgiu o Centro Cultural, projectado como apoio aos diversos grupos e actividades que, entretanto, tinham surgido, como o futebol, o folclore, grupo de jovens e como apoio também às múltiplas actividades da Missão Católica. Neuss, como comunidade católica, esteve dependente de Hilden e com o tempo passou a ter uma autonomia própria, compartida com Hilden já nos fins da década de 80. Nos primórdios, era assistida pela Missão de Colónia, como hoje acontece. No inicio, até o bacalhau e as especialidades mais usuais eram distribuídas

A loja de especialidades alimentares portuguesas em Neuss, a Mendes, “alimenta” a comunidade com os ingredientes típicos da lusitanidade. Foto. Cortesia: NGZ

pela Missão. Associação São Jorgense, a música a marcar passo Este artigo não teria sentido se não mencionássemos a Associação São Jorgense. Apesar de ter as suas instalações nos limites da cidade de Düsseldorf, Neuss continua a ser o pólo de encontro e habitacional dos oriundos dessa região. Aglutina os oriundos dessa linda aldeia que como um lençol branco se estende pela serra de Açor. Quem visitar a sede da agremiação, esquece-se completamente dos dois milhares de quilómetros de distância que os separa da aldeia. A culinária, com os seus petiscos, o cultivo das raízes culturais, através da música, das abundantes festas, leva-nos, automaticamente a esses lugares longínquos, mas bem presentes. Se fizer uma visita ao sábado à tarde sente-se invadido pelas notas das diversos instrumentos de sopro. É o ensaio da filarmónica composta por algumas dezenas de músicos. Segundo consta é a única actividade musical do género cultivada na Alemanha. Para ser membro

basta ter tendências musicais, pois a aprendizagem das notas e dos acordes é feita na cave onde se executa o ensaio. Vida desportiva: só os Tigres FC ficaram O Desporto rei é outra das actividades que movimentaram e movimentam ainda, ao fm de semana, muitos jovens e não só. Ainda recentemente houveram três equipes de futebol. A União Portuguesa de Neuss, organizada e liderada só por jovens, declinou ainda este ano, depois de muitos anos de independência e de continua transformação. Os Tigres são a única equipe que ficou no quadro de honra do futebol português. Arrasta consigo sempre muitos adeptos e amantes do futebol. A sua existência já ultrapassou as três décadas, sempre marcadas com espaços de crises que se saldaram sempre num avanço da qualidade técnica e do desportismo. O torneio de futebol que organizam anualmente culmina sempre numa verdadeira festa, onde toda a comunidade se junta e atrai a si mais compatriotas oriundos das diversas

Temos dois mercados portugueses bem recheados, o Mendes e o Juari. Se quiser passar algumas horas agradáveis, em ambiente português, têm à sua disposição três bares: o Lusitano, Café intercity e o café Paulito. Se quiser provar iguarias portuguesas vá aoRestaurante Canedo, à Guitarra e, mais recentemente, ao Pozo Quirino. De origem recente e no coração cultural da cidade, pode deixar-se surpreender pela confeitaria do “Café Pausa”. As cores e a decoração do espaço desafiam-nos e degustar os nossos pastéis de Belém e outras nossas típicas guloseimas, misturadas com uma amena conversa, até de negócios e de encontros especiais. A aprendizagem da língua alemã deveria ser igualmente uma preocupação de quem calca pela primeira vez estas paragens e tenciona lançar raízes. Apesar da responsabilidade na competente secção da câmara desta cidade caber a uma portuguesa, a senhora Pires, notamos que o esforço da comunidade neste âmbito deveria ser intensificado. A ocupação profissional é outro factor que pode medir o grau de integração. Houve tempos em que só não trabalhava quem não queria ou não podia. Eram as muitas fábricas nos arredores da cidade. Os tempos são outros e Neuss transformou-se mais num dormitório de outras cidades. O sector de emprego ficou mais restrito e mais orientado para os serviços: restauração, limpezas, construção civil e profissões congéneres. Temos pessoas que se destacam no Jobcenter (Arbeitsamt), em bancos, e em hospitais. Realçamos aqui o Dr. Carlos Freitas, que é médico chefe e responsável na secção de Cardiologia dum grande Hospital que dá apoio à universidade de medicina de Düsseldorf. Os Serviços Sociais da Caritas, preenchidos durante quase 25 anos pelo autor destas linhas, o que pode ser suspeito na apreciação da comunidade, foram alvos duma continua evolução que procuraram equacionar as necessidades das diversas comunidades às expectativas da política de estrangeiros dos diversos governos. Da assistência dos anos setenta e oitenta transformou-se, a partir da penúltima década, em motor de integração nos seus diversos aspectos.


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VILA REAL - OSNABRÜCK

DUISBURG

Bombeiros alemães em Vila Real para ajudar no combate aos fogos florestais

Volkshochschule (escola popular) promove iniciativas ligadas à cultura portuguesa

Onze voluntários da Organização Não Governamental (ONG) europeia @fire, sedeada em Osnabrück, Alemanha, estiveram até ao dia 17 de Agosto em Vila Real para ajudar no combate aos incêndios florestais. A Câmara de Vila Real assinou no ano passado um protocolo de cooperação institucional com a organização alemã @fire - Resposta Internacional a Desastres Naturais. É no âmbito desse protocolo que a equipa @fire constituída por 11 elementos se deslocou àquela região de Portugal de 11 eleme com a missão de aumentar a capacidade de intervenção aos incêndios florestais, através do apoio aos dois corpos de bombeiros locais.A @fire combate os fogos recorrendo a ferramentas manuais. Segundo um responsável local, este ano as coisas „têm corrido bem em termos de ignições“ no concelho de Vila Real, ou seja, verifica-se um número de fogos inferior ao registado nos anos anteriores. Para tal tem contribuído as temperaturas pouco elevadas, não facilitando a progressão de algumas ignições que têm ocorrido.

Já em 2005 e 2006, os voluntários alemães ajudaram no combate às chamas no concelho e distrito de Vila Real. Desde o final da década de 1970, que a autarquia transmontana desenvolve uma relação de amizade com o município alemão de Osnabrück. Em 2005, os dois municípios

assinaram um acordo de geminação e nesse mesmo ano, em que o distrito transmontano foi fustigado pelas chamas, a ONG europeia @fire ofereceu-se para ajudar. Nesse verão, uma equipa de nove elementos fez parte do dispositivo de combate a incêndios em Vila Real. Em Agosto de 2006, 33 elementos de quatro corporações de bombeiros de Osnabrück e 10 elementos da ONG @fire regressaram a Vila Real, em auxílio das corporações de bombeiros de Vila Real, ajudando mais uma vez no combate aos incêndios que deflagravam no distrito. Nesse mesmo ano, as corporações alemãs e portuguesas treinaram em conjunto na cidade transmontana, trocando tácticas e técnicas e partilhando experiências. A ONG alemã funciona com um corpo de voluntários e mantém-se no activo através de doações de instituições ou particulares, tendo ajudado em catástrofes naturais que ocorreram na Tailândia, Paquistão e Haiti. Durante o resto do ano, caso seja necessário, um mínimo de 11 voluntários estará pronto a actuar em Vila Real em 72 horas.

INICIATIVAS PORTUGAL POST elege as personalidades mais influentes da comunidade ão muitos as portuguesas e portugueses residentes na Alemanha que merecem o elogio por mor da sua actividade profissional ou benévola e que nós, enquanto jornal da Comunidade, devemos divulgar não apenas porque se trata de gente que deve constituir exemplo para outros. Não é a primeira vez que o PORTUGAL POST nomeia e elege personalidades de destaque na vida da comunidade lusa na Alemanha. Quem nos acompanha há muitos anos sabe disso. A última vez que o fizemos foi em 2004 numa sessão pública organizada em Berlim pela ocasião dos 40 anos de presença portuguesa na Alemanha. Passados, portanto, 6 anos, o PORTUGAL POST volta a nomear uma lista de personalidades mais influentes entre a comunidade lusa na Alemanha. Daí o apelo que fazemos a todos aqueles que nos queiram sugerir nomes de pessoas que por este ou aquele motivo devem constar de uma primeira selecção. As sugestões enviadas devem ser acompanhadas de uma curta biografia ou das razões pelas quais o proposto deve ser seleccionado. A lista com os nomeados será divulgada na edição do PP de Dezembro deste ano.

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O departamento da cultura da cidade de Duisburg, através da VHS (Volkshochschule), juntamente com a Biblioteca da mesma cidade e em estreita colaboração com o Consulado Geral de Portugal em Düsseldorf na pessoa da Dr. Maria Manuel Durão, vem, mais uma vez, dar continuidade às actividades do segundo semestre relacionadas com a língua e a cultura portuguesa. Eis o programa:. 31.08.2012 Abertura oficial das 19:00 às 20:00 horas Volkshochschule der Stadt Duisburg Königstr. 47 • 47051 Duisburg de 03.09 a 30.09.2012 no Vestíbulo da VHS * Desenhar o coração da cidade antiga de Guimarães. Exposição de desenhos do artista plástico Ireneu Oliveira “no meio dos barulhos típicos da cidade que me envolvem como o tráfico, as vozes humanas, vou concentrando-me e desenhando a arquitectura de prédios urbanos e industriais mais antigos mas nos estados actuais. Os motivos preferidos são prédios originais que nada têm a ver com as usuais cartas postais. A escolha dos motivos constitui para mim um desafio que pode passar quase despercebido ao transeunte normal. Estes motivos mostram mais do que um monumento, mas uma cidade”. É deste modo que o artista apresenta a sua obra. Existem muitas mais obras deste género sobre a cidade tendo sido já entretanto expostas na cidade de Guimarães. de 05.11 a 07.12. 2012 no Vestíbulo da VHS * Rostos que falam - Gesichter, die sprechen Fotografias de e sobre Moçambique de José Gomes Rodrigues Encerramento solene: 07.12. 2012 das 19:00 às 20:00 horas “O rosto não engana, é a alma da pessoa, assim se expressa o povo. Rostos são esculturas vivas, as mais reais e precisas, talhadas pelas almas que os animam e avaliadas pelos corações que os examinam... os rostos falam e como falam! O povo não se engana. A sua sabedoria é fruto de experiências armazenadas pelos anos.” Assim se expressa o fotógrafo ao escolher os seus motivos. Estes foram o resultado de intenso relacionamento humano com as gentes da periferia das cidades de Maputo, Beira, Nampula, Carapira e de aldeias e ilhas circundantes e remotas. Rasgos de esperança, dignidade e de alegria são visíveis nas diversas expressões. Eles interpelam-nos, podem incomodar e questionar a própria substância de quem os procura ler. No encerramento, na Sexta-feira, dia 7.12 há a possibilidade duma conversa com o fotógrafo e escutar as suas experiências e impressões colhidas sobre as pessoas fotografadas e sobre as razoes que estivaram nos bastidores desta exposição. 16.11.2012 * Jose Saramago - à procura do rasto de uma vida. Palestra, das 18:00 às 21:00 horas Entrada: 5 € Assim como Fernando Pessoa, José Saramago é um dos expoentes máximos da literatura portuguesa. Filho de agricultores pobres, só com muito esforço conseguiu fazer os seus estudos. Só depois dos cinquenta anos decide enveredar pelo caminho da escrita. A sua obra: “Levantado do Chão”, nos anos oitenta com abriu-lhe o caminho para para o êxito. Além de romances, escreveu obras de poesia, relatos de viagens e obras de teatro. Foi um critico literário e tradutor. Em 1998 foi agraciado com o Nobel da Literatura. Faleceu em Lanzarote, a sua segunda pátria. Nesta tarde será apresentada a vida e a obra do escritor, assim como alguns excertos do filme “José e Pilar” que procura relatar a sua vida com a sua esposa espanhola Pilar Del Rio. Todas as actividades relacionadas com este Programa terão lugar na sede da VHS na Königsstr. 47, 47059 Duisburg. Para outras informações poderão ser colhidas através do tel.: 0203/283-4157 em 47059 Duisburg Além dos acontecimentos culturais descritos, existem outros que o leitor poderá observar na homepage da VHS Duisburg : www.vhs-Duisburg.de


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Mestres calceteiros embelezam as calçadas alemãs

O PORTUGAL POST na sua busca da presença de portugueses por terras germânicas encontrou desta vez dois compatriotas calceteiros que “exportam” para este país a arte e o saber de uma tradição muito antiga lusa: a calçada portuguesa . Foi assim que ao caminhar ao acaso pelo parque de estacionamento da cidade de Klingenberg dei conta de uma calçada que de imediato me lembrou Portugal e as suas calçadas. E não foi por menos que me deparei então com dois mestres calceteiros portugueses nas lides da sua arte: os mestres Arnaldo Valera e Luis Moreira. Metida conversa, soubemos que trabalham para uma empresa de pavimentos e calçadas de um português com sede em Singen. Soubemos também que o mestre Arnaldo Valera exerce a sua profissão há vinte anos e vive aqui desde 1992, com um interregno de

seis anos, tempo que viveu em Portugal para depois, há cerca de cinco, ter regressado para Alemanha. A vida difícil em Portugal os problemas financeiros fizeram com que regressasse a este pais. Por seu lado, o mestre Luís Moreira, com 36 anos feitos, é mais fresco por estas bandas, diznos que só cá reside há cerca de quatro anos, emigrando devido à situação em que se encontrava. “Aqui ganha-se mais e há trabalho”, diz. O mestre Luís Moreira revelanos que começou trabalhar “nesta arte” aos 14 anos. Os dois chegaram a trabalhar por conta própria em Portugal, mas a situação do país obrigou-os a rumar até à Alemanha. Os mestres calceteiros dizem que os alemães admiram muito o seu trabalho, “passam por aqui e dizem <sehr schön>. Gostam de nós, aceitam-nos muito bem e isso faz-nos sentir quase como que em casa, mas a nossa terra...é sempre a nossa terra!”, dizem.

Sobre o futuro, se ficam por cá ou se retornam a Portugal, a resposta é a mesma daqueles portugueses que vieram para cá nos anos sessenta ou setenta, isto é, ficam dependentes da família; dos filhos que vão aqui à escola, que aqui crescem e fazem a sua vida, mas, diz o Arnaldo Valera “que ficar para sempre não quer”. O Luís diz que enquanto houver trabalho vai ficando e que a casa que tem em Portugal se não for para ele será para os filhos, para os netos ou para passar as férias, matando as saudades do país. Com os filhos na escola alemã e a conviver com as crianças alemãs, quisemos saber que língua falam em casa. No caso do Luís, o filho só frequenta a escola há um ano, por isso em casa comunicam todos em português. Com os filhos do Arnaldo já é um pouco diferente, pois apesar de falarem português em família, as crianças entre si expressam-se em alemão. .Como não podia deixar de ser, a conversa acaba com as saudades

que ambos têm das suas terras e da família, saudades que vão mitigando porque em primeiro está o futuro e a tranquilidade de uma vida sem sobressaltos e dificuldades que é, afinal, o que todos desejam quando saem do país para encontrar uma vida melhor do que aquela que o seu próprio país teima em não querer dar aos seus filhos. Como mensagem final aos portugueses que pretendam rumar à Alemanha, ambos não exitam em dizer àqueles que pensam emigrar para este país “que não o façam sem ter trabalho ou uma situação encaminhada por amigos ou familiares que já se encontrem cá para evitar situações menos boas”. A conversa estava no fim e, já agora, avisa-se o leitor que quando pisar uma calçada lembre-se que se calhar foi feita por portugueses. Esta é também uma forma de marcar a presença e a passagem lusa por estes lados. Fernando Roldão, correspondente .

Informação Consular

Í

PP DÁ A CONHECER MAIS DOIS PORTUGUESES NA ALEMANHA

Nascimento Como registar um nascimento de português no estrangeiro? O nascimento de indivíduos que tenham direito à nacionalidade portuguesa deve ser registado no Consulado da sua área. Quem pode fazer o Registo? O registo de nascimento é feito por inscrição, mediante declaração dos pais, os quais devem estar inscritos nos serviços consulares. ► Se o nascimento tiver ocorrido há mais de 14 anos, o registo só pode ser efectuado mediante a organização do processo de autorização para inscrição tardia de nascimento. Para receber informações mais detalhadas contacte-nos para geral@cgosn.dgaccp.pt ► Se o nascimento tiver ocorrido há mais de 18 anos é necessária a presença do registando, munido do documento de identificação (bilhete de identidade ou passaporte) do país de origem. Deve apresentar ainda: - documento justificativo de residência na área consular; - certidão narrativa de registo de nascimento (“Auszug aus dem Geburtenregister”); Para receber informações mais detalhadas contacte-nos para geral@cgosn.dgaccp.pt Que documentos apresentar? Bilhete de Identidade dos declarantes legais (pais). Se um dos progenitores não for de nacionalidade portuguesa terá de apresentar uma certidão de nascimento. Certidão de Nascimento da criança (“Geburtsurkunde” ou “Auszug aus dem Geburtsregister”) A presença do registando (bébé) não é obrigatória, excepto se desejar requerer um documento de identificação. Composição do nome A partir do momento em que uma criança é registada, ela passa juridicamente a ter um nome, sendo o seu nome completo o que constar do assento de nascimento. Nome completo: deve compor-se no máximo de 6 vocábulos gramaticais, simples ou compostos, dos quais só 2 podem corresponder ao nome próprio e 4 a apelidos. Nomes próprios: devem ser portugueses e admitidos pela onomástica portuguesa ou adaptados gráfica e foneticamente à língua portuguesa e não devem suscitar dúvidas acerca do sexo. Aos irmãos não devem ser dados os mesmos nomes próprios, a não ser que um deles seja já falecido. Apelidos: na ordem desejada pelos pais, são escolhidos de entre os que pertençam a ambos, ou a só um dos pais, ou cujo uso qualquer um deles tenha direito (por ex. apelido do avó que não conste do nome do pai). Composição originária do nome: caso a criança nascida no estrangeiro tenha no registo local vários nomes próprios (p. ex. 3 nomes próprios) os mesmos podem figurar no registo português com idêntica grafia.


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Entrevista

PORTUGAL POST Nº 218 • Setembro 2012

Manuel Correia da Silva, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores Consulares e Missões Diplomáticas no Estrangeiro (STCDE), e ex-Vice-Cônsul de Portugal em Osnabrück

“As permanências consulares são uma mais-valia para os portugueses” O Portugal Post acompanhou desde o início o trabalho de Manuel Correia da Silva ao serviço da Comunidade Portuguesa, que teve início como Técnico de Serviço Social e Cultural no Consulado-Geral de Portugal em Osnabrück e, após a extinção deste posto, no ano de 2003, como responsável pelo Escritório Consular, e, a partir de 2009, como Vice-Cônsul titular de posto, quando o Escritório Consular foi elevado a Vice-Consulado de Portugal em Osnabrück. A 1 de Março de 2012, o atual governo português encerrou definitivamente o Vice-Consulado de Portugal em Osnabrück e, consequentemente, Manuel Correia da Silva foi transferido para o Consulado-Geral de Hamburgo. Quisemos saber um pouco mais de Manuel Correia da Silva, o agora dirigente do STCDE.

nabrück. O que o levou a estar presente? MS: Encontrava-me de férias em Portugal quando, a 25 de Julho, a petição foi debatida no Parlamento. Tenho alguns amigos na Assembleia da República, mas nunca visitara o Parlamento. A curiosidade e a vontade de estar com esses amigos, e, naturalmente o facto de se debater o encerramento do posto que tive o privilégio de gerir levaram-me ao Parlamento. O que o leva a estar frequentemente em Lisboa? Viajo frequentemente para Lisboa na qualidade de dirigente do Sindicato dos Trabalhadores Consulares e Missões Diplomáticas no Estrangeiro (STCDE). Desde inícios de Maio que temos estado a negociar com o governo a alteração do Estatuto do Pessoal dos Serviços Externos, bem como várias portarias.

Manuel Silva Dediquei-me a fundo a fazer cumprir a posição do Estado Português Em seu entender, o Governo teve razões para encerrar o ViceConsulado? Manuel Silva (MS): As decisões são tomadas por quem de direito e a nós, servidores do Estado, cabe-nos cumprir as orientações superiores. Dediquei-me a fundo a fazer cumprir a posição do Estado Português nunca descurando os legítimos interesses da Comunidade Portuguesa para que a mesma não ficasse tão lesada com o encerramento do posto consular.

Há nesse processo de encerramento intenções políticas? MS: Não tenho comentários a fazer. Temos vindo a acompanhar um pouco do seu percurso. Verificámos que tem viajado muito para Lisboa e que até esteve presente na Assembleia da República aquando do debate da petição contra o encerramento do ViceConsulado de Portugal em Os-

Tanto quanto pudemos constatar, o senhor considera as permanências consulares uma boa medida, é verdade? Sou a favor de todas as medidas que contribuam para um serviço público mais próximo da comunidade. Neste momento, considerando as dimensões da República Federal da Alemanha e, tendo em conta a amputação de duas representações consulares, as permanências consulares são uma mais-valia para os milhares de portugueses que residem a muitas centenas de quilómetros do respetivo Consulado-Geral, uma vez que permitem que alguns atos consulares possam ser tratados mais próximos das suas residências. Publicou recentemente no seu Facebook o seguinte: “Estou cansado de ouvir dizer que estou “demasiado próximo da Comunidade Portuguesa” ou de receber “recados”, enviados por ilustres personalidades que se pensam “donos” sei lá de quê”. Afinal, recebe recados de quem e a que propósito? MS: O que escrevi no meu Facebook parece-me claro, e os destinatá-

rios deste “post” concerteza que entenderam o que eu quis dizer. Acima de tudo, apesar de, como seres humanos, termos sempre uma missão, temos sobretudo caráter e vontade própria que nunca irá mudar apesar da vontade de terceiros. A que se deve a sua popularidade entre a comunidade local? MS: Esta questão faz-me sentir profundamente honrado, mas penso que apenas a comunidade portuguesa poderá responder. Desde que ingressei para a carreira ao serviço da Comunidade Portuguesa esforcei-me para cumprir integralmente a minha missão, ou seja, defender os interesses e o bemestar da Comunidade Portuguesa bem como os do Estado Português, independentemente das funções e da responsabilidade que assumia. Tenho orgulho em ser português e nunca escondi a minha origem. Sou filho de pais que emigraram em 1966 para a Alemanha à procura de um vida mais estável. Penso entender os legítimos anseios de quem vive longe da família e da pátria. O que mais me impressionou e continua a impressionar é a gratidão dos portugueses quando lhes proporciono uma solução para os problemas que me apresentam! Fico muito satisfeito e sinto-me profundamente realizado quando posso colaborar e contribuir para a resolução das diversas dificuldades com que sou confrontado e em cuja solução colaboro. Como vê agora a comunidade lusa neste país? Em seu entender o que é feito das organizações da comunidade e que juízo de valor faz dos conselheiros do CCP? MS: A comunidade portuguesa residente neste país é uma comunidade que ama Portugal e tudo o que é português. É muito patriota, dedicada, produtiva e está muito bem integrada. Nunca se deixou absorver pela Cultura Alemã! Os portugueses, mesmo pertencendo às segunda ou terceira gerações, continuam com saudades de Portugal e tudo o que é português contribui para a sua felicidade.

No que concerne as organizações da comunidade na Alemanha, estas têm tido alguns problemas inevitáveis, resultantes da diminuição do número de coletividades portuguesas. Cada vez se torna mais difícil organizar o que quer que seja, pelo facto de o movimento associativo estar a diminuir. No entanto, ainda existem muitos portugueses que se esforçam e conseguem concretizar eventos louváveis ligados à Cultura Portuguesa que tive o prazer de vivenciar na companhia da Comunidade Portuguesa e que nos fizeram sentir mais próximos de Portugal. Quanto aos conselheiros do CCP, nutro a maior consideração e respeito pelas pessoas que investem o seu tempo livre em prol da defesa dos interesses da comunidade portuguesa. Vivemos numa sociedade onde o trabalho de voluntariado é cada vez mais raro. Bem hajam as pessoas que se preocupam com o bem-estar da sua comunidade e lhe dedicam, consequentemente, o seu tempo. Tenho uma admiração incondicional pelos mesmos. O Portugal Post teve conhecimento que o Senhor Manuel Correia da Silva foi convidado a candidatar-se a deputado, o que aliás chegámos a publicar no Portugal Post. Confirma? MS: É verdade que fui convidado para esta finalidade, mas recusei o convite pois sempre que assumo uma responsabilidade tenho por hábito entregar-me à mesma por completo. Na altura em que me foi dirigido o convite tinha um compromisso para com a Comunidade Portuguesa, à qual não poderia, de modo algum, virar as costas, pois tinha assumido a responsabilidade do Escritório Consular de Portugal em Osnabrück. Assim sendo, não reunia, naquela altura, condições que me permitissem aceitar tão nobre convite. Que funções exerce atualmente? MS: Atualmente exerço funções de Chefe de Chancelaria no Consulado-Geral de Portugal em Hamburgo. Mário dos Santos PUB

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PORTUGAL POST Nº 218 • Setembro 2012

Crónica Joaquim Peito

Sabores de verão uma espécie de viagem no tempo para os mais velhos e um ritual guloso para os mais pequenos. Quem resiste a uma bola de Berlim, sentado na toalha depois de um bom mergulho no mar? É apanhar a jeito o vendedor mais próximo... bolinhas... Bolinhas.... Bolas de Berlim fresquinhas! Praia sem bola de Berlim não é praia. Assim foi a minha infância na praia de Espinho, Miramar, Aguda , Francelos agitando o calor da areia a comer essas bolinhas , onde ainda não havia ASAE, e nenhum de nós sofreu por comer esses bolos sem controle. À primeira dentada podemos sentir o doce a desfazer-se na boca. Estaladiça por fora, fofinha por dentro. E no final uns enormes „bigodes“ de açúcar à volta dos lábios. Nesses 5 minutos voltamos a ser crianças e as memórias de infância na praia tomam conta de nós. A bolinha de Berlim é um clássico e, para muitos, praia a sério não existe sem comer um destes „petiscos“ de verão. Quantos alemães poderiam dizer o mesmo? Com ou sem creme, alegram adultos e crianças. Onde encontrá-las? Em quase todas as praias do país. Sem grande

É

esforço. Quem não se lembra de estar no areal com o mar musicando e ouvir ao longe os pregões de homens e mulheres com cestas de verga ou plástico na mão? Olha a bolinha, a bolinha de Berlim! Com ou sem creme ! Fofinha e fresquinha, para o menino e para a menina.

Percorrem durante o dia os areais das praias lusitanas, fazem quilómetros entre as dez da manhã e as sete ou oito da tarde. Usam na cintura um sino que faz despertar a curiosidade de quem está à volta. Sempre atentos , ao primeiro braço levantado seguem logo em direção ao chapéu de sol. Para mim também não há férias sem as bolinhas e também sem goraz, cantaril, garoupa, pescada, cherne, corvina, dourada, robalinhos. E restam também uns carapauzinhos que são dos pratos mais baratos dos menus dos restaurantes populares. Apenas à distância da nossa vontade de comê-los. Quantos alemães poderão dizer o mesmo? Escrevo esta pequena crónica no meio de agosto que nos está a saber a pausa dos graves problemas em que o país está atolado. O défice, o desemprego, a falta de produtividade e todas as outras razões que conduziram o país à maior crise financeira e económica de sempre. É bom lembrar e recordar o que temos de bom neste país a Sul com cheiro a pinheiros marítimos . E não era mau se pensássemos mais vezes na face boa que temos. PUB

A sua satisfação é essencial para nós Estamos desde 1995 ao serviço dos nossos clientes do norte a sul da Alemanha. Ao longo dos anos inúmeros clientes depositaram em nós a sua confiança e continuam a apostar nos nossos serviços financeiros e nos produtos AXA, empresa líder mundial no setor de seguros. Os depoimentos dos nossos clientes falam por si: Nicole Mestre (24), Gevelsberg Als ich in nach der Schule in die Ausbildung gegangen bin, hatte ich mit Versicherungen und Finanzen überhaupt keine Erfahrungen. Da hat mir Sandra den nötigen Überblick verschafft und mich darüber aufgeklärt, welche Förderungen man vom Staat beziehen kann, welche Zulagen man vom Arbeitgeber erhalten kann, wie man Steuern und Sozialabgaben sparen kann und welche Risiken wirklich abzudecken sind. Bei Sandra kann ich mir sicher sein, eine faire und ehrliche Beratung und nur das wirklich erforderliche und für mich passende Angebot zu erhalten.

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nos deu naqueles dias. Aqui deixo o meu muito obrigado. Mário Reis (32), Borken Eiscafe Manuel 
 Há vários anos que conheço e trabalho com a Sandra e o Nuno Eugénio e só tenho a dizer bem. Estão sempre prontos a ajudar a qualquer hora. Sabem olhar e zelar da melhor maneira pelos interesses dos seus clientes que acabam por se tornar seus amigos. Honestidade, competência, profissionalismo e confiança, é só o que se pode dizer. Se quer estar tranquilo e saber que está em boas mãos, sem dúvida que a Sandra e o Nuno são as pessoas certas! Marina Marques (29), Dortmund Depois de ter tido um acidente domiciliar e ter estado no hospital, pude verificar mais um vez que fui mesmo bem aconselhada pela Agência Eugénio e quanto é importante ter um seguro de acidentes pessoais. A Agência Eugénio tratou de toda a burocracia e afins. A AXA indemnizou os dias que faltei ao meu trabalho. Faça como eu e opte pela Agência Eugénio!

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PORTUGAL POST Nº 218 • Setembro 2012

Opinião Cristina Dangerfield-Vogt

A árvore das patacas “Conheça a cidade alemã que quer contratar portugueses” foi este cabeçalho de um artigo no Diário Económico do dia 6 de Fevereiro de 2012 que desencadeou uma avalanche de candidaturas portuguesas numa pequena cidade alemã. Foi uma pedrada no charco das notícias deprimentes sobre Portugal, uma luz de esperança nos tempos de crise que atravessa a nação, um vislumbrar de perspectivas futuras para a geração à rasca. Acreditámos que a Alemanha, especialmente a pequena cidade de Schwäbisch Hall, de 37 000 habitantes, seria a salvação de Portugal. Mas os artigos que se seguiram deram mais lastro ao optimismo inicial-“...uma cidade alemã que precisa desesperadamente de trabalhadores qualificados...mais de 2700 empregos disponíveis”. “...nesta cidade em que os empregos correm atrás das pessoas a taxa de desemprego é de 2%...”. E continuava “ Se está

interessado, basta enviar o seu da agência de emprego local con- nalguns factos e números. Na recurrículo em inglês para...”. Se- fessou ao Südwest Presse que, portagem da jornalista ficou nebuguia-se um link directo para a face aos resultados desta acção de loso se o salário médio de 2700 agência de emprego naquela ci- angariação de mão-de-obra, acon- Euros seria bruto ou líquido e o dade. “A agência de emprego da selhava as outras agências a recru- mesmo se passou quando menciocidade promete fazer tudo para tar trabalhadores directamente nos nou que um engenheiro pode ganpróprios países. har entre seis a oito mil Euros. lhe arranjar um lugar.” O jornal Südwest Presse de 5 Curiosamente, Portugal terá Além disto, esqueceu-se de mende Março de 2012 informava que sido o país em que houve maior cionar que os custos de vida nase tinham candidatado 10 000 resposta às boas novas dos arti- quela região são bastante portugueses. Poucos dias deelevados. E, por fim, mas não pois o número de candidatos menos importante, não deiportugueses tinha ultrapas- “Conheça a cidade alemã que quer con- xou claro que era condição sado os 15 000. Teriam apa- tratar portugueses” foi este cabeçalho de absolutamente necessária recido pessoalmente na um artigo no Diário Económico do dia 6 de falar o alemão. O resto da cocidade cerca de 65 candidatos Fevereiro de 2012 que desencadeou uma municação social fez eco das portugueses e destes teriam avalanche de candidaturas portuguesas boas notícias. sido colocados 20 na gastro- numa pequena cidade alemã. Mas quem foram os lesanomia e em armazéns. Porém, apenas 1 dos candidatos encontrou trabalho adequado às suas habilitações. Esta história, que rapidamente ganhou vida própria, começa com um convite daquela cidade a sete jornalistas dos países da Europa do Sul que se encontram em profunda crise económica. O director

gos, a que não foi estranho o facto de a jornalista portuguesa, Madalena Queiroz, do Diário Económico, ter sido a que mais elogiou a Alemanha. Ela apresentou a cidade e a região como o paraíso do pleno emprego, sublinhando as excelentes condições e o elevado nível de vida usufruído pelos seus cidadãos. Infelizmente, tropeçou

dos das boas e míticas notícias? Foram os leitores, incluindo os que partiram à procura de uma vida melhor com base naquelas reportagens, que saíram prejudicados pelo mau serviço que lhes foi prestado pelo jornal, sem esquecer os outros meios de comunicação social que foram os seus arautos. Os jornalistas e os jornais

têm obrigações éticas perante os seus leitores. Os jornalistas e os órgãos de comunicação em geral têm o dever de prestar um bom serviço aos seus leitores informando-os, objectiva e fundamentadamente, sobre os factos e nunca perdendo de vista as consequências daquilo que noticiam. Mas para cumprir esta missão é necessário fazer um bom trabalho de investigação à priori e não permitir que o desejo de protagonismo do jornalista se sobreponha aos interesses dos leitores. Os meios de comunicação social têm o ónus de enviar jornalistas bem preparados e que conheçam suficientemente a história, a cultura, a política, a economia e também a língua do país sobre que noticiam. Só assim se poderá distinguir com clareza a realidade da ficção. Em tempos de crise podemos ser tentados a exagerar as boas notícias, até porque elas são poucas, mas não nos é permitido divulgar ilusões. PUB

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Iniciativas

PORTUGAL POST Nº 218 • Setembro 2012

Jovem estudante participa em iniciativa do Montepio

“Nunca tinha imaginado a verdadeira grandeza do Montepio”

Nuno Rodrigues (ao centro) Todas muito queridas

O Montepio promoveu a segunda edição do Projecto Jovens Estudantes, iniciativa dirigida a estudantes universitários lusodescendentes, entre os 18 e os 25 anos de idade, residentes no estrangeiro, que

apresentem bons resultados académicos e se revelem exemplo na concretização de valores como a solidariedade, a justiça ou a fraternidade. Inspirado no lema “Encontro de Culturas”, o projeto de for-

Algum dia imaginava ser seleccionado pelo Montepio para integrar uma viagem de estudo? Nuno Rodrigues: Quando me inscrevi no projecto do Montepio nunca pensava ser seleccionado. Foi o meu pai que me informou que havia um projecto de viagem de estudo do Montepio e, que, se eu tivesse interesse e tempo livre, deveria solicitar ao Sr. Luís de Freitas, responsável do escritório de representação do Montepio, mais informações sobre o dito projecto. Um dia fui ao escritório falar com o Sr. Luís de Freitas que me deu o prospecto informativo do projecto e eu candidatei-me. Mas nunca pensava de ser escolhido. E agradeço por essa oportunidade.

param consigo nesta viagem de estudo. Fale-nos deles: quem são, de onde vinham, etc . N.R.: Estive neste projecto com mais 8 jovens femininas lusodescendentes entre os 19 e 25 anos de idade, oriundas da Inglaterra (Diana, Luísa e a Cláudia ), da Suíça (Melanie e a Ana), da França (Estelle), do Canadá ( a Sónia )e eu da Alemanha. Todas elas sempre bem dispostas e muito queridas.

Diga-nos se nasceu aqui e, se ainda estuda, qual o curso e a universidade que frequenta. N.R.: Eu nasci aqui em Frankfurt am Main no dia 1.08.1988. Ainda estudo. Estou a entrar no 4º Semestre do meu curso “ Línguas Modernas e Economia” na Justus-Liebig Universtät em Gießen. Para além da visita a Lisboa propriamente dita, teve também a oportunidade de conhecer outros jovens lusodescendentes que partici-

mação e aprendizagem Jovens Estudantes Montepio reuniu, em Lisboa, entre 1 e 7 de Julho com a participação de oito jovens estudantes universitários lusodescendentes, seleccionados através dos

Escritórios de Representação do Montepio em Londres, Paris, Frankfurt, Genebra e Toronto. A representação da Alemanha coube ao jovem estudante Nuno Alexandre Ferreira Ro-

drigues, residente em Frankfurt, filho de um casal de emigrantes na neste país.. Falámos com o jovem Nuno para ficar a conhecer as razões da sua candidatura e as suas impressões sobre a viagem.

N.R.: Logo no primeiro dia, quando o programa começou na Para além do programa de vi- sede do Montepio, eu pensei que sitas, em que outras activida- iam falar sobre o banco. Mas des participaram? quando começaram a explicar que N.R.: Para além do programa o Montepio não é simplesmente do projecto passamos um dia um banco fiquei logo com as numa das praias das linha de Cas- orelhas despertas. Falaram do mucais. Todas as noites fomos jantar tualismo, os programas que o juntos a restaurantes diferentes Montepio faz, a quem apoia e para ficarmos a saber onde se ajuda e as sua acção de solidariecome bem. Estivemos num Pub dade social. Fiquei encantado e com música ao vivo e, no último muito orgulhoso de os meus pais dia, fomos jantar a uma tasca de serem associados/clientes do fado na Alfama. Foi mesmo um Montepio. Não sei como explicar, mas fiquei muito contente quando soube que o beneficio ao fim do ano não é partilhado pelos granNão sei como explicar, mas fiquei muito des dirigentes mas sim por instituições contente quando soube que o beneficio sociais e casas e insaao fim do ano não é partilhado pelos tituições que lidam grandes dirigentes mas sim por instituicom pessoas defições sociais e casas que lidam com pescientes e carentes.

pressão da capital portuguesa? N.R.: Lisboa, minha linda Lisboa. Antes desta viagem de estudo só conhecia o aeroporto, a autoestrada e, claro, o estádio da Luz. Praticamente andei todos os dias a pé. Duas das nossas raparigas já conheciam bem Lisboa, de modo que, à noite, faziam de cicerones. Lisboa é uma cidade bela. As calçadas, os eléctricos, tanta história nesta cidade, o Cais do Sodré... As pessoas vivem na cidade e praticamente também junto ao mar. Eu fiquei contentíssimo em conhecer melhor Lisboa , a nossa capital, e não fico por aqui. Lisboa deixou marcas dentro de mim e este verão vou lá outra vez passar uns dias para visitar amigos e o Montepio.

grandeza do Montepio.

De que forma é que pensa que esta visita o enriqueceu e o que mais o impressionou de tudo quanto visitou? N.R.: A minha participação no projecto do Montepio enriqueceu as minhas impressoas deficientes, como, por exemplo, sões sobre Lisboa e o Acha que estas nosso Portugal. Fiquei com a atribuição de carrinhas equipasão iniciativas devem a conhecer a nossa cadas para transportes de pessoas. continuar contempital e muito sobre a plar outros jovens nossa cultura e a história. Tive aulas aqui na escola por- espectáculo. Também aproveita- com outras habilitações? N.R.: Por que não? Se der , eu tuguesa, mas ver ao vivo, visitar mos para fazer compras. acho que devia estender também museus, ver as moedas que já têm O que mais o chamou a aten- a outros jovens. O importante é muitos anos é mesmo fascinante. ção de tudo quanto soube do ajudar e mostrar. O que me mais impressionou foi Montepio enquanto instituio Montepio em si, porque nunca E de Lisboa, qual a sua imtinha imaginado a verdadeira ção mutualista?

Ganhou amizades nesta viagem? N.R.: Sim. Ganhei muito mais do que isso. Ganhei amigos para a vida. Não só falando das pessoas que participaram comigo, mas também com as pessoas que trataram de nós como a Dona Isabel, O Sr. Joaquim e o Sr. Mario. No Home Lisbon Hostel ganhei também grandes amizades com o pessoal. Quando for novamente a Lisboa vou lá para fazer uma visita a esses grandes amigos. MS


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PORTUGAL POST Nº 218 • Setembro 2012

Mundialização – Uma ameaça ou uma Oportunidade? Salvador M. Riccardo

A

palavra “troika” passou recentemente a fazer parte do imaginário português. A origem do termo vem da palavra russa „troika“ que em russo se utiliza para designar um carro puxado por três cavalos alinhados lado a lado. No caso português “troika” pretende designar o comité de três elementos: a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional que foram enviados a Portugal com o objetivo de avaliar as contas públicas e de propor um conjunto de medidas capazes de corrigir a nossa situação atual. Ao abrir a porta à “troika” Portugal comprometeu-se a efetuar reformas estruturais no País e de certa forma a acompanhar os padrões de países que apresentam um melhor desempenho económico. Tal como a “troika” entrou em Portugal, também a mundialização entrou em nossas casas via internet. Muitos de nós aceitaram esta evolução e poucos se deram ao trabalho de tentar avaliar se a mundialização se traduz em vantagens ou se pelo contrário se traduz em mais ameaças ao nosso quotidiano. Com a mundialização,

uma nova ordem económica global desmoronou a estabilidade que se viveu na Europa Ocidental ao longo das últimas décadas do século XX. Para muitos, a mundialização traduz-se em mais e mais ameaças, instalando o caos nas suas vidas. O caos pode no entanto ser evitado se para tal nos prepararmos. O pintor alemão Gerhard Richter com a sua obra 4096 Cores dá um exemplo de como se pode tentar organizar o caos.

que canalizar tempo e recursos do nosso quotidiano e que aprender a observar as tendências que fazem parte do quotidiano, e que em muitos casos não somos capazes de interpretar e descodificar. Temos que aprender a ver o mundo que nos rodeia com outros olhos – interpretar o que poderá ser uma quinta dimensão. Um exemplo concreto pode ser ilustrado analisando a nova tendência designada “SELLSUMMER”. Muitos consumidores

próprias ideias. Este novo comportamento é fortalecido com a presença massiva da internet na vida dos cidadãos dos mais diversos países da nova economia mundial. Da mesma forma que os telemóveis não se limitam hoje apenas à sua função principal, que seria possibilitar às pessoas comunicarem com mobilidade, o consumidor no mundo atual não se restringe ao seu papel original de consumir. Pessoas acostumadas a viver nas sociedades de consumo

O pintor alemão Gerhard Richter com a sua obra 4096 Cores dá um exemplo de como se pode tentar organizar o caos. A mundialização pode também proporcionar a todos um sem número de oportunidades, se formos capazes de organizar o caos que nos rodeia. Para sermos capazes de vencer tal desafio, temos

estão a transformar-se em SELLSUMMERS, transformando-se em consumidores interessados não apenas em gastar o seu dinheiro a comprar, mas também em ganhar dinheiro vendendo as suas

foram, ao longo das últimas décadas, familiarizando-se com o universo do marketing e da comunicação. O conceito não está relacionado apenas com pessoas que começam um negócio com a

função de fazerem dele sua principal fonte de remuneração, mas sim com pessoas que encontram oportunidades de receber um rendimento extra. Nem todo consumidor se tornará um “SELLSUMMER”, assim como nem todo “SELLSUMMER” se transformará num empresário. Os tempos estão a mudar e as novas tecnologias abrem novos caminhos. O emprego para toda a vida está a desaparecer e no futuro será comum uma pessoa ter dois ou três mini-empregos e outras fontes de rendimento extra como publicidade inserida no seu Blogue pessoal, a venda à rede elétrica local de energia que produz em sua casa com painéis solares e que não consome na totalidade ou a venda de espaço de publicidade no seu próprio carro. A solução é sermos capazes de correlacionar as novidades umas com as outras e aplicá-las na prática em nosso benefício. Tal como a mundialização pode ser benéfica quando vista como uma oportunidade, também as medidas impostas pela “troika” em Portugal podem ser encaradas como oportunidades para o nosso país, dado que nos vão obrigar a fazer reformas que de outro modo não teríamos coragem para fazer. Pub


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Reportagem

PORTUGAL POST Nº 218 • Setembro 2012

Conhecem a Kolonie Wedding ? – “neh, nie davon gehoert” No rasto de um artista plástico português na Soldiner Strasse em Berlim No Quartier Soldiner Strasse uma colónia de artistas plásticos é a interlocutora da Degewo para os espaços de projectos artísticos sem fins comerciais num dos bairros mais problemáticos da capital. Cristina Dangerfield-Vogt em Berlim

A palavra Quartier poderia fazernos pensar que estamos num bairro parisiense de influência germânica. Mas não é assim. Wedding é um bairro berlinense, que começou por ser um bairro operário. Foi o local escolhido para construir as fábricas da AEG, Osram e outros ícones da indústria alemã. Nos anos sessenta foram recrutados trabalhadores estrangeiros para colmatar a falta de mão-de-obra alemã nas fábricas. Primeiro vieram os turcos que se fixaram nas zonas circundantes das fábricas onde as rendas eram mais acessíveis. Inversamente ao que os alemães esperavam dos “trabalhadores convidados”, eles vieram para ficar. No bairro da Soldiner Strasse vivem não só os primeiros imigrantes, como também a segunda, a terceira e mesmo a quarta geração dos que ali se fixaram. A taxa de desemprego e os níveis de delinquência juvenil elevados transformaram este bairro num dos ghettos da capital. Com o objectivo de polir a imagem do bairro, a autarquia local, juntamente com a Degewo e a Förderband Kulturinitiative Berlin, desenvolveram projectos e negociaram enquadramentos específicos para atrair artistas plásticos, oferecendolhes condições de arrendamento dos espaços devolutos pelos custos de manutenção dos mesmos - um projecto que foi iniciado há cerca de dez anos. A colónia de artistas plásticos pretendia fazer projectos artísticos que, de algum modo, criassem pontos de contacto com a população local.

persianas de metal fechadas. Umas miúdas afegãs de caras muito pintadas no estilo Cleópatra esperam à porta de um Sisha-bar. Pergunto-lhes se conhecem a Kolonie Wedding – “neh, nie davon gehoert” (não nunca ouvimos falar disso!). Sigo pela Soldiner e frente à entrada de um hinterhof (pátio berlinense) conversam uns homens turcos. Um letreiro indica mesquita local. Falamos um pouco. Dizem-me que são residentes do bairro há várias décadas mas que, além do pequeno teatro em frente da mesquita, não conhecem mais nenhuma iniciativa artística por ali e que nunca ouviram falar na Kolonie Wedding. Indicam-me a padaria turca mesmo ali ao lado onde me dirijo. Após consulta mútua entre os clientes, um leve estalar da língua nos dentes acompanhado de um curto aceno de cabeça ascendente confirmame o que já suspeitava – também aqui ninguém conhece a colónia de artistas. Continuo o meu passeio e, na última esquina da Soldiner, faço a mesma pergunta numa pequena mercearia turca e, sim, também eles vivem no bairro há muito tempo, mas só conhecem o pequeno teatro. A Ilha das Bruxas – Um bar da Soldiner Strasse Percorro o mesmo trajecto em sentido contrário e avisto numa esquina uma porta ensolarada enfeitada por bruxas montadas em vassouras e um esqueleto de chapéu preto pendu-

rado na porta. Penso que talvez seja ali a Kuenstler Kolonie Wedding. Da porta avisto mais bruxas penduradas do tecto envoltas em fumo que me olham escarnecedoras, e lá descortino uns homens de beata na boca, sorrisos parvos numas caras vermelhíssimas, de bíceps cobertos de tatuagens, apoiados ao balcão em equilíbrio instável e bocas que se arrastam pelas palavras. “Conhecem a Kuenstler Kolonie Wedding?” pergunto. “Artistas, só nós, venha cá para ver melhor!” Rapidamente me afastei da casa das bruxas. Obviamente, os locais andam um pouco desligados das actividades da colónia de artistas. Finalmente no escritório da Kolonie Wedding Quase choco com uma grafitti do White Power censurada por um poster Nazis Raus e, finalmente, encontro o escritório da dita colónia, para ouvir uma perspectiva diferente da minha vivência de rua. Dizem-me que existem vários espaços onde os artistas expõem e que organizam visitas guiadas pelos ateliers no último fim-desemana de cada mês. O folheto da colónia indica a existência de uns 30 espaços de exposição. É confirmada a boa comunicação entre os residentes do bairro e a colónia. Contudo, estaria em discussão com a Degewo um aumento das rendas para os espaços de exposição, que poderia vir a modificar o status quo e a existência protegida dos artistas no bairro. Segundo

informações de algumas imobiliárias, haveria investidores a adquirirem edifícios naquele bairro e esta súbita apetência pelo bairro poderia ser umas das causas para o aumento das rendas dos espaços de exposição. Uma fumaça de Shisha Entro num Shisha-bar e com um selam aleikum ponho os miúdos a conversar naquele microcosmo de kitsch oriental muito bem produzido e no meio de umas baforadas de narguileh pergunto-lhes se ouviram falar na colónia de artistas plásticos de Wedding? “Não! Mas é mesmo aqui ao lado do vosso bar”. Os miúdos ficam surpreendidos. “Nós também somos artistas, quer ver?” Mostramme vários objectos que eles criaram para decorar o bar. São peças no arabesco característico das culturas orientais que vivem entre nós. A uns curtos passos daquele oriente fica o mundo artístico internacional muito “in” da colónia. Porém, a vontade de dialogar com os habitantes do bairro é sabotada por silêncios quebrados por pedras, e por mais muros entre mundos apesar das iniciativas de alguns dos artistas da colónia. Um artista plástico português na Soldiner Strasse O Portugal Post descobriu um português no bairro da Soldiner Strasse. Tiny Domingos é artista plástico e vive em Berlim desde 1994. De

há uns anos para cá, arrenda um espaço no bairro Soldiner, o Salon KuiperDomingos, onde expõe os seus projectos e os de outros artistas internacionais. Ele começou a dedicar-se mais intensivamente a projectos artísticos nos anos noventa no bairro de Mitte, numa altura em que os criativos do mundo ainda não se interessavam por esta cidade e, muito menos, por aquele bairro que passou a ser a “Meca dos galeristas”. O processo de gentrificação de Mitte obrigou-o a procurar um espaço de exposição numa zona mais acessível. “Começámos o projecto Rosalux em 1999. A plataforma inicial era virtual. Arrendo este espaço mas sou independente da Kolonie. É um espaço nobre, virado para a rua que é, todavia, vulnerável. Vivemos num ambiente emergente e, por vezes, os residentes do bairro sentem-nos como intrusos. Aliás, já me partiram os vidros várias vezes. Fomos assaltados duas vezes por uma caixa de cerveja. É um bairro problemático.” Porém, Tiny faz um balanço positivo do seu espaço. “Nas noites das inaugurações o ambiente do bairro é completamente diferente – é uma festa!”. Apesar do ambiente festivo das vernissages, a aceitação dos estranhos no bairro não é pacífica entre os residentes e os potenciais clientes das instalações e outras obras dos artistas nem sempre terão o espírito de aventura necessário para deambular pelo bairro Soldiner à procura de arte.

O mundo oriental da Soldiner Strasse O PP foi lá para ver se seria mesmo assim. Ao fim da manhã na Soldiner Strasse vê-se mulheres cobertas com véus islâmicos que passeiam com as crianças nos carrinhos a caminho das compras ou dos jardins e homens parados à porta das “kneipe” berlinenses. Nos döner kebab, os fast-food turcos, o cone de carne roda sobre o eixo e os montinhos com as várias saladas estão prontos para servir os clientes. Algumas mulheres vestidas de preto dos pés à cabeça passam lentas e de rostos severos. Muitos dos espaços de lojas virados para a rua têm as pesadas

“É um espaço nobre, virado para a rua que é, todavia, vulnerável. Vivemos num ambiente emergente e, por vezes, os residentes do bairro sentem-nos como intrusos. Aliás, já me partiram os vidros várias vezes”.



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Comunidades

PORTUGAL POST Nº 218 • Setembro 2012

Emigrantes:

Segunda geração continua a procurar casa em Portugal, mas já não na terra dos pais Os emigrantes e lusodescendentes continuam a procurar casa em Portugal, mas em vez de construírem uma habitação na terra de origem compram agora noutros locais, como o Algarve ou as grandes cidades. Citado pela Lusa, Pascal Gonçalves da empresa “Maison au Portugal” e da Associação dos Industriais de Construção de Edifícios, disse que, depois da onda de emigrantes que construíam a casa na terrinha, às vezes com gosto urbanístico questionável, os filhos destes emigrantes continuam a investir em Portugal, mas “já não acrescentam tijolo à casa dos pais”. “Eles continuam a olhar para Portugal, mas agora fazem-no como um estrangeiro e procuram o que de melhor Portugal tem. Já não procuram ter uma casa na terra onde os pais nasceram”, afirmou.

Este empresário, ele próprio lusodescendente, destacou que os mais jovens estão “agora a acompanhar a tendência de comprar casa junto aos grandes centros urbanos, em Lisboa e no Porto principalmente, e sobretudo no Algarve, onde compram “casas baratas, até cerca de 150 mil euros”. “Comprar casa na terriola é um mau investimento e eles já perceberam isso. Além de que muitos já têm casas nas terrinhas que herdaram dos pais e não conseguem desfazer-se delas por causa do mercado. Agora procuram novos investimentos noutros locais”, salientou.

Para Hermano Sanches Ruivo, presidente da associação Ativa Grupo de Amizade França Portugal, muitos dos emigrantes e lusodescendentes estão a reequacionar os seus investimentos em Portugal, até porque “quase todos têm já pelo menos uma casa na região de onde eram originários e onde alguns ainda nasceram, por isso construir uma casa na vila dos pais não é lógico”. “A casa da aldeia já é nossa. São muitos os pais que vinham da mesma região, mas em muitas situações também vem de regiões diferentes e então não há uma casa: há duas casas”, realçou. Daí que a segunda geração mantém com Portugal uma relação “mais escolhida e menos obrigatória”. “É uma relação onde há um certo distanciamento. Já não vamos apenas a Portugal para vi-

sitar a família. Já aproveitamos as férias para visitar outros países”, afirmou. Sanches Ruivo destaca que muitos também já não querem ir só para o Algarve, mas “descobriram o Alentejo e a costa vicentina e outras regiões com praia não muito longe das regiões de origem”. Quando se coloca a questão de uma segunda casa para férias, mesmo para quem já é casado com franceses ou pessoas com origens noutros países, “há uma preferência por Portugal, porque já não é muito longe, porque há avião, há autoestrada e porque são raros os cônjuges que não são de origem portuguesa que não gostam de Portugal”. “Portugal ainda não compreendeu. Ainda não deixou esse mercado da saudade para passar ao mercado muito mais evoluído,

muito mais complexo, mas também muito gratificante que é o mercado de uma segunda geração, que não tem uma ligação afetiva automática unilateral, mas que coloca perguntas, quer respostas, quer ter certezas, quer ter apoios na simplificação de tarefas administrativas”, considerou. Hermano Sanches Ruivo realçou que a prova é que a palavra que é utilizada para definir os lusodescendentes continua a ser “emigrantes”. “Mas nós já não somos emigrantes. Não nos confundimos com a nova geração de emigrantes portugueses. Na comunidade portuguesa somos filhos de emigrantes, mas já não somos emigração. E aqui nota-se uma falta de ‘up date’ de compreensão por parte das estruturas portuguesas, que mantém uma visão antiquada e não completa”, concluiu.

Construir casa na terra natal já não é o sonho do emigrante Regressar e construir casa já não é o sonho dos novos emigrantes do norte do distrito de Viseu e a economia local, mais intensamente na construção civil, ressente-se, porque a ligação à terra tem hoje outro „cimento“. Empreiteiro e antigo emigrante na Suíça, José Carvalho, com quem a agência Lusa falou em Moimenta da Beira, não tem „a mais pequena dúvida“ de que „já são poucos“ os emigrantes que regressam para construir casa na sua terra. „Já lá vai o tempo em que no verão os pequenos empreiteiros viam no regresso dos emigrantes uma boia de salvação. Hoje é meia dúzia que constrói casa. E nós sentimos esta nova realidade mais que ninguém“, contou. Tudo fica mais claro quando se escuta a razão pela qual Rosa Silveira, emigrada na Alemanha, não repetiu a opção dos seus pais, também emigrantes, que „assim que puderam, construíram a casa“. „Tenho os meus dois filhos numa escola com condições que as escolas aqui não têm, compramos casa na Alemanha e duplicar aqui esse investimento não faria sentido“, sintetizou. Como tantos outros que integram esta dobra geracional de emigrantes, Rosa Silveira afiança

uma „estreita ligação à terra“, mas com uma nuance que faz toda a diferença: „Em agosto passamos aqui uma semana para ver família e amigos e depois vamos para a praia“. „São outros horizontes, outra mentalidade“, frisou José Filipe Carvalho, jovem arquiteto de Moimenta da Beira, exemplificando com aquilo que é a postura dos emigrantes que ainda apostam na construção da casa: „Tenho casos em que as pessoas chegam, tratam do processo e depois vão de férias para as Caraíbas?“. No entanto, são ainda os emigrantes que emergem deste mar de dificuldades como tábua de salvação para alguns pequenos empreiteiros, como é o caso de Alfredo Soares, de Vila Nova de Paiva, também ele antigo emigrante. „Hoje vivemos todos mais apertados. Ainda tenho projetos em mão. Nada como há uns anos, mas é (os pedidos de construção de emigrantes) o que ainda nos vai safando“, contou este empreiteiro à Lusa.Realidade a que acrescentou outro dado que ajuda a perceber esta mudança quase radical do olhar dos emigrantes sobre a ligação à terra natal: „Mesmo aqueles que optam por construir casa, com a crise que por aqui vai, não ficam?“. José Morgado, presidente da câmara de Vila Nova de Paiva, assegura que não se confronta com „uma quebra acentuada“ dos pedi-

Foi um erro comprar casa em Portugal Clara Alves Pereira, lusodescendente, 33 anos e mãe de um filho e residente em Bielefeld, disse ao PORTUGAL POST que, para ela, “comprar casa em Portugal foi um erro”. Diz ela que, “se fosse hoje eu nunca teria feito o erro que fiz em comprar casa em Portugal. Antigamente pensava como os meus pais“, isto é, regressar a Portugal e precaver-se com uma casa. “mas hoje penso diferente: as crianças crescem, arranjam amigos e a gente habitua-se aqui. Quando as suadades apertam, Clara A. Pereira vai lá ecomo fazem outros tantos turistas, mas volta a insitor que comprar casa “foi um erro, porque, diz ela, investir por investir tem de ser “no sítio onde vivemos”. dos de licenciamento, mas sublinha que „há uma alteração importante“ em relação ao passado“, que passa pelo desvio do investimento em casas de habitação para „estruturas empresariais“, com, no seu concelho, preponderância para a área de avicultura. Também em Moimenta da Beira, segundo fonte do executivo, no mês de agosto „dobram os pedidos de licenciamento“ para construção de casas, em grande

medida devido aos emigrantes. Só que, se, por exemplo, em junho entraram na autarquia sete pedidos de licenciamento, em agosto este número triplica mas fica muito aquém da realidade de há 15, 20 anos, apesar de o número de emigrantes não parar de aumentar. Na povoação de Touro, Vila Nova de Paiva, Jorge Pinto é da velha guarda de emigrantes que foi para a Holanda na década de 1980,

regressou em 1992, e fez o que então se esperava: construiu casa e montou um negócio, o Café Holandês por baixo e o Cabeleireiro Holandês por cima. Mas não perde a oportunidade de se colocar em sintonia com estes novos tempos ao afirmar que „as pessoas agora não voltam porque não têm confiança“, concluindo: „Percebo-os muito bem“. Lusa com PP


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PORTUGAL POST Nº 218 • Setembro 2012

Crónica Por Glória Sousa

Vaidade cultural num país de orgulho ferido

A

gosto é tempo de regressar, de fazer as pazes com a saudade e de reconciliar num abraço a distante pátria. Também eu estou de volta à minha terna e eterna terra. Reencontro o meu tranquilo e acolhedor colo e encontro um triste e contraído país, diminuto, já enfraquecido pela esmagadora crise, que faz vítimas todos os dias. Entre abraços e palavras adiadas, oiço com ânsia os amigos que, desmembrados de outros amigos que partiram já para vários outros cantos, me relatam os maus ventos que por cá sopram. Pela precisão detalhada, imagino cenários de tempestades agrestes, fustigados por desempregos, sacudidos por empregos instáveis e sonhos adiados, com previsões sombrias de créditos por cumprir e lamentos de sobra para ficar. Dou por mim num suspiro de alívio interno por ter conseguido escapar, quase por sorte, à tormenta; e lamento, respeito e admiro os amigos de escola que a enfrentam como podem.

Num país envelhecido, que engorda sazonalmente por força dos turistas ou dos emigrantes que regressam, preocupa-me a juventude que fica. Uma parte opta, mais cedo ou mais tarde, por partir à procura do “el dorado”. A parte que fica é muito desigual, pois há quem tenha o dito factor “c” diferente do comum mortal e, por isso, consegue um lugar reservado ao sol; e há quem, revoltado, não veja abrir-se nenhuma das portas a que insistentemente bate. De facto, muitos jovens são afectados pelo desemprego e quando não o são protagonizam histórias de empregos precários, indesejados mas necessários para sobreviver. Em números, em Julho, os trabalhadores desempregados eram já mais de 655 mil, o que corresponde a um aumento superior a 25% face ao mesmo mês do ano passado. Ao meu Norte cabe a pior fatia, mais de 40% do desemprego nacional. Apesar da revolta e resignação dos portugueses em relação à maldita crise, reencontro a minha vizinhança

de orgulho e alma revitalizados. Guimarães remodelou o guarda-roupa para se apresentar elegante, tradicional e moderna à Europa, como capital de cultura 2012 (título que partilha com Maribor, na Eslovénia). Com um património mundial, que remonta ao século XII e que ostenta o símbolo sublime de berço da nação, Guimarães renovou o brio das suas centenárias pedras que calçam a Praça da Oliveira, erguem os arcos do centro histórico e edificam o castelo e o nobre Paço dos Duques. Gastas pela história, as medievais construções respiram uma arejada jovialidade, as casinhas antigas restauradas brilham com a nova tinta, as remodeladas armações de madeira e com os floridos e coloridos canteiros. Locais, que até há pouco tempo estavam abandonados, ganharam nova vida, com inovadoras expressões artísticas, recém inauguradas lojinhas de peças únicas, muitas delas típicas do Minho, trabalhadas com mãos de muito bom gosto e avaliadas em alta no preçário. Entre elas, salpicam uma ou outra humilde

e tradicional padaria (muito diferentes mas mais acolhedoras que as modernas e luxuosas “bäckerei”). Nas estreitas ruelas históricas, que aliviam o peso tórrido do sol, percorre-se uma bela cidade antiga dentro de uma moderna. Com mais de 1500 eventos e workshops em cartaz ao longo do ano, o programa cultural de Guimarães é sobejamente rico e diversificado. Além da já tradicional forte aposta em música jazz, a cidade surpreende com manifestações artísticas em qualquer canto e a todo o momento, que atentam a criatividade dos mais inventivos, como por exemplo, com jovens músicos que sentados à mesa da esplanada na Praça da Oliveira, no meio dos turistas, suavizaram o calor da tarde com a música que sopraram ao borbulhar nas palhinhas dos copos de galão. Guimarães está mais culta e criativa e a arte embrenha-se nos meandros da cidade tornando-se seu membro natural, ajustando-se à sua história e puxando para o futuro. A cidade também foi repensada,

remodelada para evidenciar e expor ao mundo o património único que guarda. E o esforço tem dado frutos. A cidade tem sido percorrida por milhares de turistas, portugueses e estrangeiros, o que envaidece os vimaranenses que mostram, de peito cheio, a sua cidade. De acordo com dados da Divisão de Relações Públicas e Turismo da autarquia, no primeiro trimestre do ano, o número de turistas portugueses aumentou para mais 554,4% que no ano passado; e registaram-se mais 51,9% de turistas estrangeiros. As visitas aos três principais museus de Guimarães (Paço dos Duques, Alberto Sampaio e Martins Sarmento) cresceram igualmente, com mais 46% de ingressos que no mesmo período do ano anterior. Acredito que a senda de aumento de visitantes tenha continuado ao longo do Verão. E assim, em pleno contexto de crise e de estatísticas pouco animadoras, surgem números sorridentes numa cidade património que se destaca e que vale a pena conhecer. PUB

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PORTUGAL POST Nº 218 • Setembro 2012

O consultório jurídico tem a colaboração permanente dos advogados Catarina Tavares, Lisboa, Michaela Ferreira dos Santos, Bona e Miguel Krag, Hamburgo

Michaela Ferreira dos Santos, Advogada Theodor-Heuss-Ring 23, 50668 Köln 0221 - 95 14 73 0

Nova sentença sobre bolor em casas alugadas e rescisão sem aviso prévio Miguel Krag, Advogado

O mais alto tribunal civil alemão, o Bundesgerichtshof, pronunciou a 11 de julho de 2012 uma nova e importante decisão em matéria de arrendamentos (proc. n.º VII ZR 138/11), cujo tema gostaria de comentar no artigo de hoje do Portugal Post. O bolor é um problema com que muitos inquilinos têm de se confrontar. Se for provocado por uma deficiência de construção, estaremos em face de uma carência do objeto alugado e o inquilino terá então os habituais direitos previstos para este caso, tais como remoção da deficiência, diminuição do montante da

renda, e, se for caso disso, ressarcimento de danos causados ou execução subsidiária, assim como rescisão do contrato. Contudo, se não se sabe bem qual é a causa da deficiência, terá de se ter cuidado, pois: Ao abrigo do § 543 item 2 n.º 3 do Código Civil, o senhorio terá o direito de rescindir o contrato de arrendamento sem aviso prévio, se o inquilino a) estiver em mora no pagamento da renda ou de uma parte considerável da mesma em dois prazos de pagamento consecutivos, ou b) durante um período superior a dois prazos de pagamento

consecutivos, estiver em mora com um montante que atinja a importância de dois meses de renda. No caso que deu azo à sentença do Bundesgerichtshof, o inquilino tinha diminuído a renda devido à existência de bolor na casa. Depois de persistir o atraso de pagamentos suficiente para a denúncia do contrato, o senhorio procedeu à sua rescisão imediata. O inquilino invocou o seu direito de proceder a diminuição do montante da renda. Contudo, uma peritagem chegou à conclusão de que o bolor se devia ao comportamento do inquilino que não arejava convenientemente a casa, e não a qualquer deficiên-

cia de construção. Por tal motivo, o inquilino não podia ter diminuído o montante da renda e o senhorio estava no direito de rescindir o contrato devido aos pagamentos em atraso. Segundo a opinião dos juízes, coube ao inquilino a culpa por ter calculado erroneamente a causa do bolor, razão pela qual se lhe poderia imputar o atraso dos pagamentos. Por consequência, a validade da rescisão era incontestável. Esta sentença poderá ser obviamente aplicada a quaisquer outras deficiências que possam surgir numa habitação alugada. Se alguém decidir proceder a uma diminuição do montante da renda, deverá ter a certeza de

que a deficiência não foi provocada por si próprio e de que a importância do abatimento não é demasiado alta. De contrário, correrá sempre o risco de o senhorio denunciar o contrário sem qualquer aviso prévio. Se não se estiver certo da causa da deficiência ou se não se souber qual a importância a descontar à renda, será conveniente consultar o respetivo profissional, ou então, pagar a renda sob reserva expressa e, logo que a causa da deficiência for esclarecida – por exemplo no contexto de um processo para eliminação da mesma – proceder ao desconto retroativo da importância da diminuição, quando efetuar os pagamentos mensais da renda. PUB

Natália da Silva Costa Advogada / Rechtsanwältin, LL.M. E-Mail: info@ra-natalia-costa.de http://www.ra-natalia-costa.de

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PORTUGAL POST Nº 218 • Setembro 2012

José Gomes Rodrigues rodrigues@live.de

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Isenção de pagamento das taxas de Radio e de Televisão (GEZ) * Isenção por razões financeiras * isenções por razoes de saúde * As letras RF no cartão de invalidez a quem são conferidas? * Notas importantes a considerar sempre Caríssimos do Portugal Post Dentro deste capítulo de isenção de taxas de rádio e televisão, agradecíamos que informassem os leitores também em que circunstâncias o radio - ouvinte estaria isento deste peso financeiro que são as estas taxas obrigatórias de rádio e de televisão. De vez em quando tenho recebido visitas insuspeitas de pessoas que dizem representar a autoridade reguladora destas taxas. Houve uma certa altura que, estando isente pela minha situação financeira, fiz a inscrição e retiraram-me o correspondente valor de taxas da minha conta. Acho que não teria sido correto da parte deles. Obrigado pelas vossas informações. Ao dispor leitor devidamente identificado Temos recebido, ao longo destes meses, vários pedidos de informação sobre o tema referido. Para elucidarmos os nossos leitores vamos procurar apresentar a legislação reguladora desta matéria. Tentaremos ser o mais exaustivo possível, o que não os isentam de recorrer a outros meios oficiais. Mas aproveitando a sua deixa, queremos informá-lo de que, mesmo ao satisfazer as condições para a isenção de pagamento, esta não é automática. O devido requerimento é necessário e, sem ele, não há isenção. Os funcionários, no seu caso, terão cumprido com o seu dever profissional. Eles não sabem da sua situação de desempregado. Deveria era ter, com antecedência, requerido a isenção. Mas vamos continuar dirigindo-nos a todos os leitores como precaução para o futuro. Uma das condições fundamentais é que tenha um receptor de rádio ou/e de televisão disponível e que preencha um ou mais requisitos que mencionamos e que faça o devido requerimento. Isento será o responsável do agregado familiar ou o seu cônjuge. Os outros membros poderão ser isentados individualmente se tiverem alguns receptores próprios, preenchendo claros os requisitos descritos. A isenção recai sobre dois princípios: a situação financeira e o grau de deficiência que o contribuinte possa possuir. 1. Quem poderá ficar isento por razões financeiras? 1. Quem receber ajuda estatal ou comunal para a seu sustento, segundo os § 27 até 40 SGB XII ou os §§ 27 a 27 BVG ; 2. Os que usufruem de um comple-

mento social à sua reforma ou uma complementação ao ordenado, em virtude deste ser insuficiente para o devido sustento do agregado familiar, conforme a legislação social em vigor (IV capítulo dos §41 ao § 46 SGB II). 3. Os que recebem do fundo financeiro de sobrevivência próprio para os refugiados ou exilados políticos. 4. Os jovens, que estando a residir fora da casa paterna por motivos de estudos ou de formação profissional e recebam ajuda do estado para a sua sobrevivência, encontram-se igualmente isentos deste peso. É o assim chamado Bafög (Bundesausbildungsfördergesetz). 5. Igualmente isentos, estão os que, continuando a viver por conta própria, recebem um complemento para a própria formação profissional (Ausbildungsgeld ou Berufsausbildungsbeihilfe). 2. Possíveis isenções por razoes de saúde 1. As pessoas cuja visão é nula ou reduzida e que possuam desde 60% de incapacidade devidamente reconhecida e atestada pelo cartão identificativo, exarado pelas autoridades oficiais, estão afectas a esta isenção. 2. Igualmente estão isentos os indivíduos cuja audição é reduzida, mesmo com a ajuda suplementar de aparelhos de audição. Os possuidores de 80% ou mais de incapacidade e que, por esta situação, estão limitados a participar em eventos públicos na sociedade. 3. Todos estes tem de possuir incluídas nos seus cartões de identificação de invalidez as letras RF. Recebem esta inscrição no cartão os que, pelo seu grau de incapacidade e deficiência, se vêm limitados a participar em eventos sociais. Veja as indicações mais abaixo. 4. Os que, por motivo de doença crónica prolongada, recebem subsídios

para os cuidados intensivos suplementares (Pflegegeld) não são também obrigados a pagar a respectiva taxa. Neste domínio estão incluídos os feridos ou incapacitados em virtude de terem participado em alguma guerra. 5. Igualmente estão isentos de pagamento crianças e jovens ou mesmo

adultos que, em virtude de doença prolongada se encontrem em alguma instituição por longo período de tempo. A lei que justifica e define as diversas isenções estão fixadas no Art. 4 da acordo do estado com as estações de radio e televisão de 31.8. 1991 (confira § 6 Rundfunkgebührenstaatsvertrag) 3. A quem são conferidas as letras RF no cartão de invalidez? As letras RF são conferidas a pessoas que o requeiram e que apresentem uma ou mais das seguintes anormalidades psíquicas e físicas: 1. Quem for detentor duma deficiência total ou parcial crónica da visão com um grau mínimo de deficiência no valor cifrado em 60%. 2. Ou quem comprove uma deficiência total ou parcial da audição que, mesmo usando alguum aparelhlo auditivo, não consegue suficientemente fazer-se compreender ou comunicar. O grau mínimo de capacidade de deficiência deve ser no mínimo de 50%. 3. Estão preenchidas as condições

para a inclusão do RF e a correspondente isenção aos que possuírem no mínimo 80% de deficiência e que não possam participar aativamente na vida pública pelas razões que nomearei 4. Quem tiver dificuldade de movimentação, seja por doença grave do coração, ou por disfunções pulmonares e que, por estas razões, haja a necessidade de um acompanhante constante ou o uso de meios apropriados de locomoção, como sejam a cadeira de rodas, muletas ou canadianas. 5. Além destas deficiências, poderão existir outras que podem justificar a obtenção do RF. É o caso de cheiros nauseabundos que possa causar a presença junto de outras pessoas do paciente, assim como os constantes gestos irregulares derivados dum problema de saúde corporal ou psíquica. Os ataques constantes epilépticos ou outros semelhantes dão-lhe também o direito a esta inclusão. 6. Os possuidores de alguma doença transmissível através do contacto ou presença em eventos sócio-culturais é outras das razões. É o caso dos portadores crónicos de tuberculose. 7. Há portadores de doenças psíquicas que, por comportamentos próprios e anormais, podem igualmente constituir dificuldades para um são convívio social. É o caso de mostrarem uma voz constantemente alterada, comportamentos agressivos ou uma locomoção considerada perigosa ou incomodativa. O pedido de isenção é concedido directamente pela GEZ, após o devido requerimento e não, como era usual, antes de 1.04.2005, as entidades sociais da câmara da cidade. As alterações a este procedimento foram feitas, após um acordo entre o estado e as entidades reguladores da Televisão e de rádio. Notas importantes e considerar sempre

* A isenção só tem efeito após o seu requerimento e não retroactivo e é válida a partir do mês do seu pedido, mesmo que as condições para a isenção tenham sido anteriores ao requerimento. Por precaução e, demorando a decisão das entidades responsáveis pelo cartão de deficiência ou pela inclusão das letras RF, convém informar a GEZ do pedido já feito. Desta forma poderá ganhar tempo e ser-lhe concedida a isenção a partir deste primeiro requerimento. * A isenção pode a qualquer momento ser suspensa, desde que as condições para a sua isenção não vigorem mais. É obrigatório informar a instituição que exalou a isenção. * Cada vez que se altere a residência, a entidade deve ser devidamente informada pelo requerente, indicando a nova residência e nunca esquecer de mencionar o número de ouvinte. * Junto ao requerimento é obrigatório incluir a documentação comprovativa dos motivos que levaram ao requerimento. * Os que usufruem o ALG 2 ou Hartz IV, recebem juntamente com a decisão de ajuda do Instituto de emprego ( Job Center) uma folha própria para juntar ao pedido de isenção. * O tempo de isenção caduca geralmente com o período reconhecido oficialmente pelo Jobcenter para o período da ajuda social ao desemprego. Estejam sempre atentos e não esqueçam de enviar sempre esta folha emanada por eles e somente para esse efeito, indicando sempre número de contribuinte. * Ao preencher o formulário procure fazê-lo com toda a exactidão possível indicando toda a situação do requerente. * O requerimento deve ser enviado juntamente com os comprovativos para a seguinte direção: GEZ – 50656 Köln Esperamos que tenhamos sido úteis aos nossos leitores e cá ficamos à vossa inteira disposição. PUB

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Baruch Leão Lopes de Laguna, um dos grandes pintores da escola holandesa do século XIX, judeu de origem portuguesa, morreu em 1943 no campo de concentração de Auschwitz. Não foi o único, com ele desapareceram 4 mil judeus de origem portuguesa na Holanda, que acabaram nas câmaras de gás. No memorial do campo de Bergen-Belsen consta o nome de 21 portugueses deportados de Salónica, entre estes Porper Colomar e Richard Lopes que não sobreviveram. Em França, José Brito Mendes arrisca a sua vida, escondendo a pequena Cecile, cujos pais judeus são deportados para os campos da morte. Uma história de coragem e humanismo no meio da atrocidade. Em Viena, a infanta Maria Adelaide de Bragança também não ficou indiferente ao sofrimento, e não hesitou em ajudar a resistência nomeadamente no cuidado dos feridos, no transporte de armas e mantimentos, tendo sido presa pela Gestapo. Esther Mucznik traz-nos um livro absolutamente original, baseado numa investigação profunda e cuidada em que nos conta a história que faltava contar sobre a posição de Portugal durante a Segunda Guerra Mundial.

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Agenda & Sugestões As informações sobre os eventos a divulgar deverão dar entrada na nossa redacção até ao dia 15 de cada mês Tel.: 0231 - 83 90 289 Fax :0231-8390351 Email: correio@free.de

Endereços Úteis Embaixada de Portugal Zimmerstr.56 10117 Berlin

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Alfredo Stoffel Telefone: 0170 24 60 130 Alfredo.Stoffel@gmx.de José Eduardo, Telefone: 06196 - 82049 jeduardo@gmx.de Maria da Piedade Frias Telefone: 0711/8889895 piedadefrias@gmail.com

Tel: 040/3553484

Fernando Genro Telefone: 0151- 15775156 fernandogenro@hotmail.com

Consulado-Geral de Portugal em Düsseldorf Friedrichstr, 20 40217 -Düsseldorf

AICEP Portugal Zimmerstr.56 - 10117 Berlim Tel.: 030 254106-0

Tel: 0211/13878-12;13 Consulado-Geral de Portugal em Estugarda Königstr.20 70173 Stuttgart

Tel. 0711/2273974 Conselho das Comunidades Portuguesas: Alfredo Cardoso, Telelefone: 0172- 53 520 47 AlfredoCardoso@web.de

Federação de Empresários Portugueses (VPU) Postfach 10 27 11 50467 Köln Tel.: +49. 221 789 52 412 E-Mail: info@vpu.org Federação das Associações Portuguesas na Alemanha (FAPA) www.fapa-online.de Postfach 10 01 05 D-42801 Remscheid

FERNANDO ROLDÃO ORGANISTA E CANTOR BAILES - CASAMENTOS - FESTAS EVENTOS - KARAOKE

ALEMANHA CONTACTOS 0151 451 724 90 eferrenator@gmail.com

SETEMBRO

Friedenszentrum, Markt 6, 49069

15.09.2012 – OFFENBACH – Grande noite brasileira no restaurante Casa Portuguesa. Local Waldstrasse 40 em Offenbach. Música ao vivo com grupo "Brasilianisches Licht 22.09.2012 – UNNA – Sina Nossa ao vivio. Local: Kath. Pfarramt St. Katharina, Katharinenplatz 5, 59423 Unna. Início: 19h30 29.09.2012 – DETMOLD – Concerto do grupo de fados Trio Fado. Local: Konzerthaus der Hochschule für Musik, Detmold. Início: 19h30 EXPOSIÇÕES De 3.09 a 30.09.2012 – DUISBURG - Desenhar o coração da cidade antiga de Guimarães. Exposição de desenhos do artista plástico Ireneu Oliveira. Local: Volkshochschule der Stadt Duisburg Königstr. 47 , 47051 Duisburg Até 8.09.2012 – FRIESENHEIM – Exposição no Atelier MirArte. Esculturas em mármore do artista Filipe Mirante. Local: Obere Neugasse 20, 55278 Friesenheim De 10.09 a 09.10 - DÜSSELDORF - Exposição dos artistas plásticos portugueses João Maria Gusmão e Pedro Paiva(representantes de Portugal na Bienal de Veneza 2009) Kunsthalle Düsseldorf www.kunsthalle-düsseldorf.de/

De 20.09 a 18.11. 2012- OSNABRÜCK - "Quem salva uma vida é como se salvasse o mundo inteiro". Aristides de Sousa Mendes. Um exemplo de coragem. Exposição no Erich Maria Remarque-Friedenszentrum, Erich Maria Remarque-

Aristides de Sousa Mendes nasceu em Carregal do Sal, 19 de julho de 1885 e faleceu em Lisboa a 3 de abril de 1954. Cônsul de Portugal em Bordéus no ano da invasão da França pela Alemanha Nazi na Segunda Guerra Mundial, Sousa Mendes desafiou ordens expressas do seu ministro dos Negócios Estrangeiros, António de Oliveira Salazar, (cargo ocupado em acumulação com a chefia do Governo) e concedeu 30 mil vistos de entrada em Portugal a refugiados de todas as nacionalidades que desejavam fugir da França em 1940. 21.9. 2012 - HAMBURGO _ Portugal – Sonne, Meer und Troika, Fotografia, Filmes, etc de Claus Bunk. Local: Stadtteiltreff AGDAZ, Fehlinghöhe 16, 22309 Hamburg. Tel: 630 10 28. Início: 19h30 CONCERTOS Madredeus na Alemanha 14.10.2012 Bremem. Local: Glocke 16.10.2012 Berlim. Local: Haus der Kulturen der Welt 18.10.2012 Hamburgo .

Local: Fabrik 20.10.2012 Colónia. Local: Philharmonie 27.10.2012 Dortmund. Local: Konzerthaus SUGESTÃO DE LIVRO Os portugueses Barry Hatton vive em Portugal há quase 25 anos. Correspondente da Associated Press em Portugal, o jornalista britânico revela no livro Os Portugueses aquilo que somos enquanto país e enquanto povo. Pelo menos aos olhos dos estrangeiros. No livro "Os Portugueses", Hatton relembra os principais momentos históricos que marcaram a nação, desde o período áureo dos Descobrimentos aos anos governados por Oliveira Salazar, sem esquecer a pela peculiar relação com Espanha, e termina com uma análise sobre a modernidade. Encomendas: Portugal Post Shop Ver pág. 22 CD Trio Fado, Com que voz O seu CD "Com que voz", o Trio Fado apresenta interpretações muito próprias, de fados de conhecidos compositores e fadistas portugueses, e ainda algumas composições do Trio Fado. www.triofado.de VISITAR UM MUSEU 1. Stuttgarter Spielzeugmuseum 70182 Stuttgart Telefon: 0711/484091 http://www.stuttgart.de Assinaturas Se ainda não é assinante do PORTUGAL POST, basta telefonar ao número 0231-83 90 289 e solicitar informações ou pode mesmo fazer a sua assinatura via telefone


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Passar o Tempo

Amizades &

Afins CAVALHEIRO Reformado, afectuoso e honesto, 71 anos de idade, estatura: 1,65 cm, viúvo a residir na Alemanha. Hobbi: Jardinar, etc. Procura Senhora também reformada com boas qualidade femininas para fins de amizade ou algo mais. TLM: 0160 50 11 897 ou carta a este jornal Refª 0109

CAVALHEIRO Na casa dos 50 anos a residir na RNW da( Alemanha), não fumador, divorciado, deseja conhecer senhora nas mesmas condições para fins de amizade. Resposta (com foto) a este jornal Refª 0209 Nota: Os anúncios para este espaço devem ser bem legíveis e dirigidos ao jornal devidamente identificados com nome, morada e telefone do/a anunciante. O custo para anunciar neste espaço é de 17,50. O preço dos anúncios que requerem resposta ao jornal é de € 27,50. + Informações: 0231-8390289

Encontre a sua alma gémea. Coloque aqui o seu anúncio poesias de amor e de outros sentires Dedução Não acabarão nunca com o amor, nem as rusgas, nem a distância. Está provado, pensado, verificado. Aqui levanto solene minha estrofe de mil dedos e faço o juramento: Amo firme, fiel e verdadeiramente. Vladimir Maiakóvski

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Saúde e Bem estar

Receitas Culinárias

Dor de Cabeça Enxaqueca, Cefaleia

Caldeirada de Cabrito

SINTOMAS: as dores de cabeça podem apresentar-se de várias maneiras: 1. Na enxaqueca a dor geralmente se apresenta em apenas um lado da cabeça. 2. Na cefaleia tensional pode apresentar- se de forma generalizada, atingindo a área dos olhos, da fronte e da nuca. 3. Dor de cabeça na área frontal ocasionada por sinusite. 4. Dor de cabeça ocasionada por febre alta (temperatura acima de 38ºC). 5. Dor de cabeça por inflamação das artérias temporais . 6. Dor de cabeça produzida por uma reacção alérgica, a qual ataca as áreas das mucosas internas e externas, como ao redor dos olhos. CAUSAS: As causas da cefaleia tensional e da enxaqueca são de dois tipos principais: 1) Stress e má postura 2) Alimentação incorrecta a) O stress e a má postura tensionam os músculos do pescoço e das costas, deslocando as vértebras de seus lugares, ocasionando subluxações. ENXAQUECA: neste caso, as vértebras desviadas devido à tensão muscular comprimem os vasos do pescoço que irrigam a cabeça de sangue, produzindo-se uma dilatação desses vasos que irrigam os nervos que lhe estão circundando, ocasionando a dor. Geralmente isso acontece só deum lado da cabeça. CEFALEIA TENSIONAL, as vértebras desviadas pela tensão muscular irritam os nervos do pescoço, sua vez irritam os nervos que enervam esses músculos, produzindo a dor. TRATAMENTO: Para controlar o stress, principal produtor de dor de cabeça, veja o tema „stress“. Oitenta por cento das dores de cabeça são produzidas por tensão e por stress. Para eliminar este tipo de dor, recomenda-se aprender a detectar o momento em que se iniciam os primeiros sintomas da dor. Isso se deve porque depois de ter uma contrariedade, recomenda-se que se detecte, imediatamente, o início da dor, parar o que está fazendo e relaxar profundamente. Para isto faça o seguinte: respire fundo, tensione todos os músculos do corpo e logo relaxe-os, em cada vez que expirar o ar. Realize isto três vezes e imagine que se encontra em um lugar agradável. Fonte: Saúde e Bem Estar

Ingredientes: 750 gr de cabrito Sal e pimenta q.b. 1 colh. chá de colorau 50 gr de margarina 350 gr de cebolas 2 dentes de alho Salsa 2 folhas de louro 1 pimento verde 80 gr de chouriço 400 gr de tomate 1 colh. chá de açafrão 3,5 dl de vinho branco 1,5 dl de azeite Piripiri q.b. 1,5 kg de batatas

DICA Para o arroz ficar mais solto e saboroso: Pingue algumas gotas de limão deitadas no arroz, enquanto está sendo cozido.

RIR Pedir Esmola pelas Ruas A senhora: E não sente vergonha de andar a pedir esmola pelas ruas? O mendigo: A verdade, minha senhora, é que gostava que ma levassem a casa. Mas, bem vê...

Receita: Corte o cabrito em pedaços e tempere com vinho branco, sal e pimenta. Aloure na margarina bem quente e escorra. Descasque as batatas, corte em rodelas, lave, escorra e tempere com sal, pimenta e colorau. Corte os alhos em lâminas, a cebola em rodelas finas, o pimento em tirinhas e o tomate em rodelas. Coloque num tacho, e por esta ordem, camadas de cebolas, pimentos, dentes de alho, uma folha de louro, batatas, a carne e tomate. Vá repetindo as camadas até acabar. O chouroço, cortado às rodelas, é a última camada. Deite o açafrão, muito bem espalhado, o vinho branco e o azeite. Deite um pouco de piripiri. Tape e leve a lume médio cerca de 40 minutos. Vá rectificando os temperos a gosto. Sirva polvilhado com salsa picada. Bom apetite

Delícia de Chocolate Ingredientes: 1 lata de leite condensado, 1 medida da lata do leite condensado, de leite meio gordo , 4 ovos , 200 gr de natas , 75 gr de margarina , 100 gr de chocolate em tablete, de culinária , 80 gr de bolacha Maria ralada Receita: Num tacho, de preferência sem ser de fundo térmico (para que não encaroce), misture as gemas com o leite condensado e o outro leite; mexa, leve ao lume sem parar de mexer, até engrossar e retire. Leve ao lume, em banhomaria, o chocolate com a margarina até ficrem em creme e mexa. Bata as claras em castelo e as natas em chantilly e junte-as, sem bater. Numa taça, deite colheradas alternadas de creme, chocolate, natas e bolachas raladas. Guarde no frigorífico até ficar bem frio.

Números em Síntese Em 2011, os turistas alemães geraram em Portugal uma receita de milhões de euros. Fonte: Lusa

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Vidas

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Casamentos falhados e um encontro infeliz Exmos Senhores da Redacção do PORTUGAL POST, Escrevo-vos para a rubrica Vidas para contar uma história sobre a minha vida sentimental um pouco fora do comum. Durante os primeiros anos que aqui estava conheci a minha primeira mulher, uma ex-jugoslava, hoje Sérvia, penso eu. Casei e vivi com essa minha primeira mulher quase cinco anos. Ao fim deste tempo chegámos à conclusão que os nossos feitios não se davam bem e separamo-nos a bem. Foi fácil porque não tínhamos filhos. Muito sinceramente, hoje não sei que é feito dela e nunca mais a vi. Depois desse casamento fracassado vivi sozinho. Esta situação de

Single não me assustava muito: afinal eu era novo e não tinha mãos a medir no que a mulheres se tratava. Também não parava em casa. Quando não estava a trabalhar anda na “boa vai ela” com amigos. Em suma, tinha uma boa vida. Nesse tempo trabalho não faltava e ganhávamos bem, tanto que sobrava para poupar e enviar dinheiro para os meus pais em Portugal que, entretanto, faleceram. Depois veio o segundo casamento, desta vez com uma espanhola. Era uma rapariga muito extrovertida e agradável de se ver. Trabalhávamos na mesma fábrica mas em oficinas diferentes. Os pais dela trabalhavam também na mesma fábrica.

Conhecemo-nos bem num passeio que a comissão de trabalhadores organizou a Allgäu. Vivemos primeiramente juntos, vindo-nos a casar um ano depois de partilharmos o mesmo tecto. Este casamento não durou muito por razões que não quero aqui esmiuçar. O que posso dizer é que ano e meio após o casamento ela quis que fossemos para Espanha porque os pais dela regressavam. Dizia ela que na Espanha poderíamos fazer uma boa vida porque a sua família tinha construído vários apartamentos numa localidade perto de Sevilha. Recusei ir e ela, como era ao fim e ao cabo a sua obrigação, não ficou comigo. Desfizemos o casamento, ela foi para Espanha e eu fiPUB

quei por aqui, como desejava. Também nunca mais vi essa ex-mulher e, sinceramente, não sei se é viva ou morta. Voltei à vida que tinha antes desse casamento. Eu vivia bem. Tinha subido de categoria no trabalho e recebia um bom ordenado e continuava a divertir-me como queria. Quando tinha férias, ia uma semana a Portugal ver os meus pais e passava o resto das férias em Maiorca na companhia de amigos. Durante estas saídas de folgazão, um dia conheci aquela que veio a ser a minha terceira mulher: uma belga. Conhecia por acaso quando ela fazia uma visita a um seu irmão de nacionalidade francesa que estava estacionado num quartel aqui na Alemanha, isto muito tempo antes da queda do muro, quando aqui estavam ainda estacionadas tropas das forças aliadas. Conhecemo-nos por acaso num supermercado quando ela comprava algo para levar para o irmão. Conhecemo-nos e, logo na primeira noite, ficámos juntos. Depois disso, víamo-nos todos os fins-desemana, até ao dia que casámos, casamento que não durou muito por via de uma insólita situação que se conta assim: um dia senti-me mal no trabalho, com febre, e vim curarme para casa. Quando pus o pé dentro de casa não queria acreditar no que os meus olhos viam: a minha mulher, quase nua, a “rebolar-se” com uma vizinha! Fiquei estarrecido. Quando me viram não ficaram assim muito chocadas com isso e depois de eu perguntar que cena era aquela, a minha mulher lá me pediu desculpa e confessou-me a sua inclinação por mulheres e pediu muito a minha compreensão. Aquilo era demais para mim e ofereci-lhe duas alternativas: ou ela ou eu, um de nós tinha de sair de casa: Alguns dias depois ela partiu para a Bélgica com o intuito de nos afastarmos um de outro para depois decidirmos que fazer. E o que fizemos foi o seguinte: esperar mais um tempo e apresentar os papéis para o divórcio. E foi assim. Voltei à mesma vida de solitário com um terceiro casamento às costas com os consequentes divórcios e sem filhos. Deixei passar assim uns três anos e conheci uma rapariga de nacionalidade turca mas com passaporte alemão e muito simpática. Encontrávamo-nos amiúde e falávamos muito um com o outro como se já se conhecêssemos há muito tempo. Ela era mais nova do que eu uns dois anos e posso dizer que foi

um amor intenso e talvez o da minha vida. Mas, infelizmente, não pudemos continuar com a nossa relação devido a imposições da sua família que não me quiseram aceitar também por eu ter aqueles casamentos todos em cima das costas. A minha conclusão é que ali havia alguma relutância de carácter cultural. Seja como fosse, tivemos de acabar com a relação. Para a família dela estava fora de questão que ela vivesse maritalmente com um homem. Com muita pena minha tive de ficar mais uma vez só. Dois ou três anos mais tarde encontrei, finalmente, uma portuguesa. Tinha-se divorciado em Portugal e, desgostosa pelo divórcio e desempregada, tinha decidido vir viver para casa de uns primos que a ajudaram nos primeiros tempos. Quando a conheci andava ela a fazer limpezas nas oficinas onde eu trabalhava. Simpatizámos um com outro e tempos depois passávamos algumas horas juntos até que oficializamos, digamos assim, o namoro, juntamos as tralhas e passámos a viver juntos. A nossa relação era suportável. Não nos amávamos assim de maneira muito forte, só gostávamos simplesmente um do outro. Não me passou pela cabeça casar com ela. Estava, como é bom de ver, escaldado com esse tipo de experiências até que um dia ela colocou essa possibilidade assim ao de leve como quem não quer a coisa. Não se falou mais nisso durante muito tempo. Vivíamos juntos e pronto. Chegava. Uma bela ocasião ela disse-me que queria falar comigo acerca de uma questão que tinha a ver connosco. Convidou-me a sentar no sofá e disse Olha Carlos, eu vou sair de casa porque encontrei alguém que está disposto a casar comigo e penso até que o amo. Tu nunca me falaste em pedir-me casamento e também te acho um bocado afastado de mim. Por isso, desculpa-me muito, mas decidi sair, disse ela com bastante sinceridade. Tive de aceitar. Afinal não tínhamos nenhum compromisso e eu não podia prendê-la e a obrigá-la a fosse o que quer que fosse. Uns bons tempos mais tarde tive necessidade de visitar uma casas das mulheres da vida (ultimamente fazia-o regularmente). Dessa vez, e para variar, desloquei-me a uma cidade vizinha e durante o tempo em que via e não via as raparigas que estavam à janela a aliciar clientes dei com o rosto dessa última mulher com quem vivi. Carlos P.A.


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Salmos e Orações aos Anjos Autor: Gabriela Barros Formato: 14 X 21 cm. Páginas: 96 Preço: € 20,99 Os Anjos são criaturas celestiais enviadas por Deus para nos ajudar na nossa evolução terrena e espiritual Estão sempre por perto para nos auxiliar e, através da oração, podemos estabelecer contacto com eles. Os salmos bíblicos são invocações mágicas, orações poderosas, escritas há cerca de 5 mil anos. Salmo quer dizer oração cantada e acompanhada com instrumentos musicais. São utilizados para pedir a bênção e a ajuda de Deus para os problemas do dia-a-dia. Como mantras sagrados, podem ser utilizados por cada um de nós, independentemente da religião ou crença de cada um. A leitura dos salmos é outra maneira de nos aproximar do nosso Anjo da Guarda e de trazer a sua influência para as nossas vidas. Cada Anjo é atraído por um salmo específico. Quando oramos, os Anjos oram connosco, nessa altura a cor da nossa aura muda e isso facilita aos Anjos entenderem a nossa intenção, levando mais prontamente as nossas petições ao plano astral, podendo assim prestar-nos de forma mais rápida a ajuda de que necessitamos.

Orações para Todos os Males

Cupão e condições de encomenda na pág. 19 Aprenda a Viver Sem Stress Formato: 15,5 X 23 cm. Páginas: 100 Preço: 20,99 Quanto mais tempo da sua vida é que está disposto a desperdiçar? Quanto mais tempo da sua vida está disposto a continuar a sofrer? Quanto da sua vida está disposto a finalmente reivindicar hoje? Quanto mais tempo vai deixar que os outros mandem nas suas escolhas? E, se reivindicar a sua vida, acha que fica a dever alguma coisa aos outros? Quando você cede ao stress, você não está ser você mesmo. Quando você cede ao stress, você passa ao lado da vida, da sua vida. Você vive em permanente sobrevivência. E quem sobrevive, sofre. E quem sofre, vive em stress

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Economia

PORTUGAL POST Nº 218 • Setembro 2012

Agência alemã irá ajudar os países em crise contra o desemprego juvenil A Agência Federal de Emprego (BA) alemã vai apoiar directamente os países em crise da Europa do sul na luta contra o desemprego juvenil, devido aos níveis dramáticos alcançados nalguns deles.

A BA prepara para o final de Janeiro do próximo ano uma grande conferência com representantes de entidades que gerem o Trabalho de Espanha, Itália, Portugal e Grécia, bem como os países do leste Europeu, destaca o semanário alemão Der Spiegel, na sua mais recente edição. Em declarações à revista, Raimund Becker, membro executivo da agência alemã, enfatiza que nos seus contactos internacionais percebeu que “vários parceiros querem um intercâmbio detalhado” de informação. Este responsável destaca também que, enquanto a Alemanha tem a menor taxa de desemprego entre os jovens na União Europeia, com apenas 8%, nos países em crise, como a Espanha, a taxa chega aos 50%.

Becker defendeu a aplicação do sistema dual de formação profissional alemão, que pretende que o jovem aprenda qualificações teóricas enquanto pratica essa teoria em contexto de trabalho nas empresas. Raimund Becker propõe que sejam as empresas alemãs a oferecer formação dupla nos países em crise, tal como o fazem na Alemanha, onde tais estudos são geralmente pagos por empresas privadas que têm assim a sua própria “carteira” de futuros colaboradores. O dirigente também refere a possibilidade de chegar a acordos com os países em crise para melhorar as condições de enquadramento que permitam aos jovens receber essa formação directamente na Alemanha. A taxa de desemprego para jovens entre os 15 aos 24 anos atingiu em Portugal os 35,5 por cento no primeiro trimestre de 2012, segundo os números mais recentes divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Segundo o INE, havia no segundo trimestre deste ano 149,7 mil jovens desempregados, mais de um terço do total do grupo etário entre os 15 e os 24 anos. Os mais jovens são o grupo proporcionalmente mais afectado pelo desemprego. O grupo com a segunda taxa de desemprego mais alta é o dos jovens entre os 25 e os 34 anos: 17,6 por cento. Entre estes, a taxa subiu relativamente ao mês anterior. Portugal foi visitado em Março por uma “equipa de acção” da Comissão Europeia destinada a estudar a forma de utilizar fundos comunitários para reduzir o desemprego jovem. Na definição europeia da taxa de desemprego jovem, a Grécia e a Espanha têm as taxas mais altas, acima dos 50 por cento, e Portugal é o terceiro país com mais jovens desempregados. A taxa de desemprego total em Portugal no primeiro trimestre de 2012 atingiu os 15 por cento. Lusa

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28 Última • Nº 218 • Setembro 2012

Bem-vindo à Alemanha, quem quer tu sejas ! Joaquim Nunes

1.

Durante este mês de Agosto, desde que voltei de férias, já fui contactado de Portugal por várias pessoas a pedir a nossa ajuda, minha e da comunidade católica onde trabalho. Querem vir trabalhar para a Alemanha, não têm aqui família, não conhecem ninguém, precisam de encontrar um alojamento onde ficar para procurar aqui trabalho. Um comerciante de cinquenta e tal anos de idade, porque a sua loja deixou de “dar”, mas sobretudo porque quer vir abrir caminho a uma filha que fez estudos superiores e agora está a fazer um trabalho absolutamente desqualificado (para a formação que ela tem) e descaradamente mal pago. Uma licenciada em psicologia está a ganhar um ordenado de sobrevivência e, por isso, decidiu emigrar... Não sei que resposta lhes hei-de dar. Claro que vamos tentar ajudar. Mas, para ser honesto, não posso dizer a ninguém “venha, que logo se arranja alguma coisa”. A imagem da Alemanha que eventualmente se tem em outros países da União Europeia, de que está a passar ao lado ou acima

da crise, não me parece correcta. É verdade que a Alemanha procura mão de obra especializada, mas uma olhadela à página do governo alemão feita para atrair especialistas estrangeiros (http: // www.make-it-ingermany.com) mostra que tipo de mão de obra se procura: médicos, engenheiros, informáticos... Que responder a quem nos bate à porta? Se, por um lado, é compreensível a indignação que muitos manifestam quando os responsáveis políticos convidam os jovens (formados em Portugal) a emigrar (isto é, a aplicar o seu saber ao serviço de outros países), por outro lado, como permanecer insensível a problemas e situações personalizadas, de gente que não resigna, que não desiste, e, depois de tudo tentar, decide emigrar, seguindo o princípio da esperança e numa atitude de luta contra o destino?! 2. De 23 de Setembro a 2 de Outubro, decorre em toda a Alemanha a Semana Intercultural, este ano sob o tema: “Sê bem vindo, quem quer que Tu sejas!” („Herzlich willkommen – wer immer Du bist“). O tema é bonito, mas será que é realista?! Será que uma sociedade pode mesmo acolher sem limites nem fronteiras

quem quer se seja? E, concretamente, aqui na Alemanha, serão mesmo bem vindos todos, não importa de que cultura, com que formação, de que camada social? Ou nesta União Europeia, rica apesar da crise, será que este voto de boas-vindas vale também para os que atravessam diariamente o mediterrâneo, em viagem de alto risco, esses a quem chamamos refugiados? Estas são algumas das muitas questões que irão animar um debate de uma semana que se espera seja mais do que mostras de folclore e programa de gastronomias exóticas

(contra as quais nada tenho, são óptimas ocasiões de encontro! , apenas lamento que muitas vezes a semana se reduza a isso). A abertura de uma sociedade passa com certeza pela simpatia do primeiro acolhimento. Mas é submetida à prova “real” na sua política de emigração (como por exemplo, o reconhecimento de cursos e diplomas estrangeiros), na existência ou na falta de estruturas e instrumentos legais que impeçam todo o tipo de discriminação (as famosas leis anti-discriminação cuja falta se sente na procura de emprego, na procura de casa...), no desenvolvimento de uma mentalidade intercultural que veja no estranho e no diferente um enriquecimento ou pelo menos um desafio mas não uma ameaça (mentalidade que exige novas pedagogias, a começar pelos jardins de infância e através de todo sistema escolar/educativo). Acolher alguém, com abertura e dignidade, é mais do que uma atitude ingénua de dizer “venha!” e dar-lhe as boas-vindas à chegada. É proporcionar-lhe condições para que essa pessoa se sinta aceite e possa viver com dignidade. É garantir os meios necessários para que aquele que

chega se “integre” na sociedade de acolhimento como cidadão, sujeito de direitos e deveres, e não como mão-de-obra, mais ou menos especializada, mais ou menos compensatória. É convidá-lo a participar, fazendo desta terra a sua terra, aqui e agora. 3. Acolher na Alemanha portuguesas e portugueses, “refugiados” da crise e da política da “troika”, parece-me ser um dever de todos os que estamos por aqui desde há muito. Numa atitude de simpatia solidária: tentar acolher e ajudar, como gostaríamos de ser acolhidos e ajudados. Podemos estar atentos e passar a informação (aos responsáveis das Comunidades, por exemplo) se ouvimos que há uma casa para alugar no prédio onde vivemos, ou mais um lugar na empresa onde trabalhamos. Ser migrantes solidários e criar nas comunidades uma “bolsa” de informação pode ajudar a evitar que muitos dos que procuram aqui na Alemanha casa e emprego não caiam nas mãos de exploradores sem escrúpulos, que, infelizmente, em muitos casos são da nossa gente, são portugueses. Bem-vindo, quem quer que sejas! PUB


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