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Este trabalho não poderia existir sem a colaboração de diversas pessoas, colegas, amigos e familiares, que agregaram alguma participação ao longo do processo. Muito obrigada a cada uma dessas pequenas e grandes atenções que estimularam a criação desta animação sobre o famoso Bendegó.
Um agradecimento especial aos que participaram ao longo de quase um ano do processo, muito obrigado!
Agradeço à Claudia Bolshaw, Elizabeth Zucolotto, Jorge Lopes, Gabriel Franklin, Victor Colombo Telles, Marina Avila, Letícia Curi, Thiago Macedo, Rafaela Líbano, Kawe Sá, Luis Bulcão, Fernando Bastos, Gabriel Calisman, Humberto Barros, Francisco Guimarães, Nathália Passos, Lucas Gebara, Nicole Schlegel, Vitor Moura, Rafael Drelich, Elma Alegria, Marlus Araujo e Lula Araujo e Alberto Magalhães, obrigado!
Raissa Laban
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A proposta da série de curtas animados “Contos de Museu” é criar um vínculo através de uma mensagem áudio visual, entre a peça e o espectador, desabrochando uma realidade aumentada e interpretada, com informações históricas acerca das peças do acervo.
Introdução
A ideia é criar no visitante através da narrativa dos filmes, uma imaginário que contextualiza o objeto exposto, permite embarcar, em pouco mais de dois minutos, em um imaginário estético desenvolvido especificamente para aquela circunstância. O passeio através dos cenários da animação é um convite ao espectador a vivenciar a história daquela peça, absorver e criar uma lembrança dentro de si. É um incentivo a propagação desse conhecimento e também estímulo para desvendar mais do acervo do fantástico Museu Nacional.
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Índice 6
Introdução Documentos narrativos Roteiro Letra / Narração Gráfico de roteiro Pesquisa histórica Conceito Cenários e paleta de cor Personagens Storyboard Storyboard - Cenas Pesquisa musical Sonorização Técnica de animação Equipe, produção e análise do processo Ficha técnica Realizadores
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Na terra seca da caatinga, um menino descobre o que na época seria o maior meteorito já encontrado. Cem anos depois, Dom Pedro II ao saber da preciosidade no sertão baiano, promove uma das maiores empreitadas do Império: transportar mais de cinco toneladas de ferro até a capital no Rio de Janeiro. A história épica do meteorito do Bendegó, inclui muitos episódios e fatos que compõe a trama e o drama de seu percurso desde sua descoberta em Uauá, em 1784 no interior da Bahia, depois sua queda em até Salvador, em meio a vegetação da caatinga. Reger todos os meandros dessa história foi um trabalho de acúmulo, síntese e lapidação para que restasse a essência narrativa em apenas dois minutos de história.
documentos narrativos 8
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ROTEIRO
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O roteiro do Bendegó foi todo construído nos versos da letra da música que rege a animação. Traduzindo os versos em fatos, o que acontece é o Bendegó sendo localizado no cinturão de asteróides no espaço, em seguida ele sozinho indicando queda em diagonal e com rastro de
é prepresentado por uma coroa e o navio vai dar a notícia sobre o achado valioso, utilizando uma balão icônico. O monstro marinho animado faz alusão aos temores atração turística rodeado pela população sua retirada do lugar.
grande clarão e o título da animação. A famosa cerquinha nordestina descortina a abertura da cena onde é localizado com o cenário onde se passa a cena e é apresentado simultâneamente o herói e seu companheiro, o burro e os sempre presentes na trama, os bois. O menino que descobre a pedra a avalia em close, revelando somente os olhos para tornar o clima misterioso e em seguida cria um afeto, se deixando relaxar deitado sobre ela, em plano subjetivo ao espectador. O mapa localiza a região onde a história se
A cena seguinte é um close que mostra em primeiro plano o desespero dos bois correndo da carroça que perde o controle e vem desembestada ladeira abaixo atrás deles. A panorâmica seguinte revela que o caminho da cena e mostra que o desastre está sendo assisitdo por silhuetas da população local, que comemora sua queda no riacho, reforçando o apego e a supertição entre o local e o meteorito, através de um arco-íris que termina sobre a igreja ao fundo, alusão também à lenda do pote de ouro. A pedra é então benzida pelo padre local
passa e reforça a data do ocorrido, descrito momentos antes na letra, mas de forma melódica, com licença poética, ou seja, 1784 como dezessete, oito, quatro. O colonizador
e o descobridos, o menino Botelho lança seu chapéu em comemoração. O chapeú descortina a cena seguinte, onde a silhueta de crianças assistem o pôr do sol e brincam
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na pedra até o anoitecer, sob os uivos do cachorrinho para a lua.
A questão do carretão então foi incluída no
Corte para a cena seguinte que revela o Botelho já adulto, guiando em meio a vegetação espinhosa os dois famosos cientistas Spix e Martius, importantes para cena seguinte, onde Dom Pedro II cem anos mais tarde, como indica a letra, irá tomar conhecimento dos registros do Bendegó na Real Academia de Ciências de Paris. Coincidentemente existe uma charge que critica Dom Pedro como alguém que queria dar a volta ao mundo, mas a inserção do globo nesta cena foi apenas como elemento
bastante misteriosa, não há quase registro como silhueta, alguém por trás desse investimento.
com o conhecimento de Dom Pedro acerca do mundo.
A cena seguinte apresenta o passar dos dias, meses, com mudanças no sol e lua e o grande percurso em meio a vegetação de mandacarús e árvores, dos 24 bois puxando o carretão com o Bendegó. Conta a hitória que o Bendegó cai sete vezes no chão ao longo dos quatro meses de percurso, aumentando ainda mais o tom místico de sua hitória. Esse fato é colocado na cena seguinte, onde na frente do trem e de todos
A cena seguinte é composta por muitas moedas que simbolizam o dinheiro investido para a empreitada, antes nos
vestes inspiradas nas fotos históricas e o José de Carvalho, o Bendegó cai no chão, para desespero total. Quem acha graça
versos cortados “Depois da grana investida pra trilhar dura jornada/ O carretão foi construído pra trilhar dura jornada” mas que excedia em tempo a animação.
com olhar de quem tudo observa é a namoradeira, que assite todo o desfecho.
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O Bendegó então está dentro do vapor já chegando na capital no Rio de Janeiro, dizia “de Salvador à Recife foi subindo o litoral/ Bem no ano das três oitos à vapor pra capital”, esse percurso foi incluído no mapa do Barão e a seca de 1888 (três oitos) incluída nos créditos, na ilustração da pirâmide contruída no local de sua retirada e com o chão completamente seco, sem
vida, apenas carcarás sobrevoando. A cena seguinte, do corte da Marinha foi construída sobre uma foto histórica, recém achada nos arquivo pessoais da Princesa Isabel. Nela O Bendegó é cortado revelando o interior do ferro meteorítico, que é chamado malha de Widmanstatten, geométrica e prateada. Sua explosão em stopmotion voando para os locais do mundo entre o céu de estrelas também é o desfecho onde recapitulamos
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história e preparam o espectador para um tchau da animação. A letra da música continua reforçando a ligação entre a narrativa e o espectador “E vocês que ouviram bem agora sabem o melhor/ A históra impressionante da pedra do Bendegó”, e conclui e meio a cenas que remontam e acrescentam informações a hitória, como por exemplo o carretão sendo puxado usando nós especiais e a árvore Nacional”, exaltando a importância do local onde hospeda o famoso meteorito.
Quedou há tempos veio lá do infinito brilhando com tanto fogo estrondo! meteorito! Na terra seca da caatinga vinha montado com o gado o menino dos Botelho em dezessete-oito-quatro Achou a pedra esquisita no sertão se destacava mesmo o sol esturricando ainda assim tava gelada Boato de prata e ouro todo mundo ouviu falar a carcaça de um tesouro! Portugal foi confiscar Mas a carroça disparada do Brasil colonial tombou sobre o riacho pra alegria do local
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A pedra preta, grande e fria uma delícia de deitar o Bendegó, o Bendegó é o seu nome: Bendegó foi batismo do lugar O amuleto em Monte Santo protegido e adorado fez sucesso em todo canto por cem anos visitado E na viagem a Paris Dom Pedro soube do sertão e convocou a retirada com ajuda do Barão
Enfim no Rio de Janeiro a Marinha deu-lhe um corte pros museus do mundo inteiro pedacinhos de toda sorte E vocês que ouviram bem agora sabem do melhor a história impressionante da pedra do Bendegó O super peso celestino puro ferro sideral hoje encanta toda a gente aqui no Museu Nacional!” Raissa Laban, 2013
Foi puxa, empurra todo dia sobe e desce quatro meses a flora aguda espetando só, cansaço, sol e sede O engenheiro responsável líder dessa procissão antes de botar no trem viu sete vezes cair no chão
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Tensão do Espectador 6
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gráfico de roteiro 16
INTRODUÇÃO cinturão de asteróides, queda do Bendegó e lettering de abertura
DESENVOLVIMENTO
PRIMEIRO CONFLITO descontrole da carroça e queda no riacho Bendegó
DESENVOLVIMENTO
batismo no riacho, apreciação da população e visita dos cientistas
SEGUNDO CONFLITO
CLÍMAX
RESOLUÇÃO E DESFECHO
viagem ao Rio de Janeiro, corte na Marinha e destribuição dos pedacinhos para outros museus transporte árduo durante 4 meses
crédito concluindo a música e a história para o Museu Nacional Bendegó cai no chão antes de entrar no trem
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Falar da pesquisa realizada sobre o meteorito do Bendegó é encontrar com a autoridade no tema e responsável por este segmento no Museu: Dra. Maria Elizabeth Zucolotto, astônoma e professora especialista e entusiasta no assunto. Betthy, como é carismaticamente conhecida, permitiu em dois encontros uma ampla aula sobre o Bendegó, os astros, mineralogia,
Dra. Maria Elizabeth Zucolotto
de explicações técnicas e teorias de quem domina a questão. Grande parte do material forncecido na internet está relacionado ao seu nome, uma vez que ela acompanhou de perto os vestígios que sobraram do Bendegó em Monte Santo e seu transporte Para nós for muito enriquecedor obter informações sob diversos pontos de vista e conhecer um pouco mais da história da humanidade, através do mistério espacial relacionado aos meteoritos e ao Bendegó.
pesquisa histórica 18
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O que é o Bendegó? A primera vista uma grande massa escura, sólida, fria, com reentrâncias e furos, textura e presença impactante pelo peso colossal. Retratar esse primeiro impacto causado está ligado ao sentir de perto, passar a mão na pedra e ver seu aspecto quase monótono. A partir dessa lembrança que o pilar estético foi a sensação da aparência desta peça que não foi atribuída de representações culturais e artísticas pelo homem, mas que é uma massa disforme, esculpida pela natureza.
CONCEITO
A história do Bendegó se encontra relacionada à cultura e as representações estéticas de onde foi encontrado: o sertão brasileiro. Nesse intuito de atribuir valores simbólicos que rodeiam e localizam a saga do Bendegó, que nos inspiramos nas expressões do artesanato de mestre Vitalino, expoente da cultura brasileira desta região. Muitas outras esculturas de barro, feitas por outros artesãos foram utilizadas para preencher um moodboard de referências na criação da anatomia
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dos nossos personagens, mas buscamos mesclar, principalmente para os seres humanos, detalhes que são próprios do Vitalino, por ele ser um ícone inaugural nesse estilo de representação no artesanato. Nosso desejo de apresentar uma gama de elementos culturais que estão relacionados ao Bendegó, nos leva a outra expressão vital na cultura nordestina e sertaneja, que é a literatura de cordel. O traço geométrico na imagens por conta da técnica da xilogravura e a síntese para representação dos versos que acompanha, nos inspirou em duas animação marcos da história e utilizar para a criação da narrativa um texto que fosse em versos e rimasse. O Bendegó se estabelce sobre três elementos construtivos: aspecto tátil das texturas, representações de expressões culturais e narração contando, ou melhor, cantando a história em versos e rimas como alusão a cultura do cordel e dos repentes.
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cenários e paleta de cor
O sertão é basicamente, na grande maioria das imagens pesquisadas, um grande céu azul e a terra ocre. Na caatinga que é clima da região temos uma vegetação que com a chuva se torna exuberante, mas em sua caracterização o aspecto é seco, duro, retorcido. Para criar essa atmosfera foi utilizado um padrão de terra ocre e céu azul, onde o céu poderia mudar de cor de acordo com o passar do tempo, as a vegetação que o acompanhasse seria descrita em silhuetas. Exemplo disso é a cena “Foi puxa, empurra todo dia/ Sobe e desce quatro meses”, onde históricamente houve grande mudança na
Os personagens por se tratarem de embriões dos bonecos de barro também ganharam tonalidade próxima, com algumas variações para claro nos humanos, quando observamos os tipos mais europeus como os cientistas, Dom Pedro etc. Os animais foram coloridos de acordo com as referências de cor de alguns artesanatos de barro, os menos saturados, pois desejamos fazer uma mescla entre cores históricas, a partir de fotos de Canudos e alguns registros anteriores, e as referências de artesanato mais tradicionais. As cores extravagantes foram usadas pontualmente nos vestidos de xita de duas personagens femininas, para alegrar e mencionar essa referência cultural.
vegetação por conta da chuva, mas para não descaracterizar a paleta e dar ênfase ao tempo penado, representamos apenas por
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Além do universo da caatinga, como por exemplo a cena do vapor navegando para a capital, o cenário das montanhas cariocas é posto em tons de sépia, para remeter ao passado do século XIX e predominar junto ao azul e a madeira do barquinho apenas estar apenas no movimento e na sensação do navegar. As cenas que envolvem o meteorito são predominantemente escuras, como a abertura dos asteróides, e o corte da Marinha brasileira, pois o intuito era conseguir contraste com os efeitos pirotécnicos tanto na queda do meteorito como ao cortar um pedaço dele, havendo uma intercessão dessa levada espacial no impacto onde aparece o lettering, pois há o primeiro registro de solo ocre do sertão.
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PERSONAGENS
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A história do Bendegó envolve muitos personagens, alguns com maior prestígio e importância e também outros que apesar de não constarem nos livros acadêmicos, constroem a malha da população e dos elementos locais, como por exemplo, a velha do cachimbo e o padre de Monte Santo - inspirado em Antonio Conselheiro e no famoso Padre Cícero. Ambos os personagens são parte da constelação de pontos que ilustram a história da animação, mas que também conectam o roteiro animado à realidade. Nosso desejo foi de criar uma ponte entre o real palpável, exposto com os bonecos de barro na feira de São Cristóvam, e a representação deles dentro local onde a história se passa, associando a massa monumental na entrada do Museu aos elementos que compõe a cultura do sertão no nordeste brasileiro. Assim, os personagens escolhidos para
incluídos, o conheceram já crescido. Crianças, casal de enamorados, a velha, homens que trabalharam no transporte do
criar a trama foram o menino Botelho, descobridor do Bendegó e depois ele adulto, pois há registros históricos de que os cientistas Spix e Martius, também
estética estabelecida, como os cientistas, a Princesa, Einstein, José de Carvalho e Dom Pedro II.
sobre sua retirada do local, Dom Pedro II, Princesa Isabel, Einstein, o misterioso Barão de Guay, o engenheiro José de Carvalho, um padre para simbolizar junto a rezadeira, como Monte Santo é um local religioso e uma namoradeira, representação típica do nordeste. Esse foram os seres humanos escalados para compor as cenas de modo histórico, além dos animais sempre presentes nos artesanatos como o burro, o boi, o cavalo, a cabra e um cachorro. Observando que os cavalos são diferenciados de acordo com a intenção e o dono, sendo eles mais pedantes com os cientistas. Em todos os personagens humanos buscamos interpretar a partir de
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Os outros foram inspirados nas tradicionais representações correntes do Vitalino. as quinas sempre curvelíneas, o pescoço grosso quase da largura da cabeça, o sapato de saltinho preto, como prolongamento vilarejo, os lábios e nariz como se colocados com um pedacinho de barro e os olhos sempre redondos pintados de branco e preto. Optamos por tratar a raiva apenas invertendo a “salsicha” de lábio para baixo, uma vez que não há registros de dentes em todas as representações que pesquisamos do artesanato de barro.
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humanos
A questão do cabelo ser preto também está relacionada as referências pesquisadas, mas utilizamos em todos caso outros tons para os membros mais europeus, como a Princesa ou o Einstein, por uma questão de coerência na representação. Os animais também foram feitos a partir do Vitalino e de algumas outras soluções em artesanatos pesquisados tanto pessoalmente, através Cristóvam, quanto de imagens na internet. Essas medidas anatômicas foram aos poucos se estabelecendo como referência própria em nosso processo, sendo parte da solução para criação de novos personagens que condizessem com essa fauna em construção.
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animais
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objetos
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silhuetas Quanto às silhuetas dos personagens, é importante ressaltar que a forma clara
escolhido para representá-los além das referencias do mestre Vitalino. Um personagem pode ser considerado bem representado quando é reconhecido somente pela sua silhueta. No caso dos personagens do Bendegó, como existem diversas cenas onde seria necessário o uso de sombras para representar nossos marcantes em cada para que se destacassem quando não estivessem sob o efeito da luz.
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storyboard Cenรกrios
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pilares da hitórias, ou seja os principais fatos históricos traçados no storyline, foi transcrita para a letra da música essas informações, mas embuídas de contorno e contexto. Assim, tanto a melodia Esse diálogo constante entre imagens que contassem o que a letra não falava em palavras e o que a imagem não abrangia estar descrito na letra, um apoiando o outro, como somando ideias, muitas vez foi literal e outras com maior devaneio poético.
Bendegó, com o aspecto de malha meteorítica de Widmanstatten, voam e se perdem entre as estrelas voltando ao espaço, enquanto personagens chave de difernetes épocas juntos acenam para se despedir da história e dos pedacinhos. Um desfecho com camadas de sonho. Ao longo do processo de criação do storyboard alguns versos deixaram muito complexa e por ser de poucos segundos na música, tornando a sequência de cenas confusa.
museus do mundo inteiro/ Pedacinhos de toda sorte”, onde fragmentos do
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A animação em stop motion de miçangas em tons metálicos, é uma localização espacial da história, pois segundo a pesquisadora, provavelmente o Bendegó veio do cinturão de asteróides que rodeia nosso sistema solar.
Como parte da sequência de planos para contar uma história, da cena anterior onde vemos um plano aberto, ainda abstrato e com letra de música ainda se contruindo, o prólogo revela o personagem em questão com um plano geral, onde um pequeno pedaço do Bendegó é animado digitalmente em composição com fotos de uma possante vela pirotécnica para eventos.
A abertura da música e também do local onde a mior parte da história, tem como cortina o elemento corriqueiro dos cenários da caatinga: as cerquinhas de madeira. A ideia de criar uma ondulação com o movimento gráfico delas dialoga com o ritmo em que ele, o menino que está cavalgando pudesse ver nesse sobe e desce.
Começar a apresentação dos personagens por baixo está ligada a ideia de que há um grande vínculo entre homens e animais, uma relação de parceria. Por isso os pés e patas aparecem primeiro.
O momento do impacto divide o céu cintilante da introdução com a textura arenosa do chão sertanejo, feita de uma foto de couro de uma bolsa velha. As estrelas foram feita a partir de purpurinas furta-cor sobre cartolina preta, sendo iluminadas por uma fonta de luz em movimento, que as fez vibrar ao longo de cada foto posicionada a câmera sobre um tripé, como um mini stop motion de pontos que brilham.
O lettering desenvoldido para compor com o estilo de personagens de barro, foi inspirado no conceito da literatura de cordel, talhado em madeira, os desenhos em xilogravura possuem esse aspecto de falha, simulado digitalmente.
O cenário aqui é composto por um céu feito com a foto do filtro de papel para café, pelo seu aspecto “seco” para as nuvens que pouco chovem. O chão é couro, os arbustos são galhos de uva seco. Essa cena é inspirada no livro da pesquisadora, que brinca com a ideia de um boi ter se desgarrado, e por isso o menino ter encontrado a pedra. O boi está destacado ao fundo e o restante do gado, como silhuetas, bem como os mandacarús, nessa composição.
O uso da cobra animada por stop motion reforça a ideia de que o que era mais assustador nessa história, para o menino criado no sertão (o sertanejo é um forte!), era o Bendegó. Aqui a textura de café aparece para estimular visualmente o aspecto úmido, frio, em conraste com todos os outros tons arenosos.
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Durnte uma conversa com a pesquisadora, ela revelou que “o pessoal ia tomar umas fescas”, como se dizia quando se falava na questão do ferro maciço não mudar de temperatura. O verso da música foi escrito a fim de criar essa relação de regozijo com o objeto não identificado, já logo que seu descobridor percebeu essa qualidade.
A cartografia de 1784 provavelmente já não era tão estilizada quanto este mapa bem primordial da América, porém, com a brincadeira de correr o boato do tesouro do Muribeca dentro do Bendegó, assumimos o caráter lúdico e fantasioso, onde o famoso monstro do mar, corrente nos mapas antigos, ganha vida e também fica sabendo da fortuna que o navio vai levar até a Coroa, Portugal.
O céu é cinza porque este é o medidor de emoção. no caso o “tempo fechou” o que no sertão é bom, pois precisa-se de água.. e por cair no riacho abre-se um arco-íris, ideia que surgiu para coroar o acontecimento, como referência à lenda do pote de ouro no fim do arco-íris. A ideia dos personagens estarem atrás da cerca é uma lusão a corrida de Fórmula 1, onde é possível ver o percurso dos carros em alta velocidade ao longo de um segmento.
Monte Santo, como já diz o nome, é um local com
Cena que revela parte dos tipo típicos do artesanato de barro: o cachorrinho, a velha do cachimbo, crianças, namorados.. o Bendegó como ponto de encontro da população local. O stop motion da purpurina marrom, revela que ele estava enterrado, mas muitos curiosos já estava investigando seus segredos, até um oficial com “mandato” quebra o clima de alegria (carcarás ao fundo). O stop motion digital permite controlar o tempo, então o papel vai e volta, como um iô-iô.
Close no rosto dos bois para revelar o “Deus nos acuda” que deve ter sido, quando a carroça desembestou até quebrar no riacho do Bendegó. Stop motion de vela com fogo no eixo da carroça para reforçar o fato histórico.
Novamente as silhuetas para ressaltarem as formas básicas da composição sertaneja: céu, horizonte, cores e contrastes. A pedra aqui é localizada como grande atração, onde ver o pôr do sol sobre ela é o convite mais bacana do mundo. Optou-se por utilizar a pedra sempre do mesmo ângulo, lembrando uma cela de cavalo, para haver unidade em sua representação.
Nesse passagem para o céu com a brincadeira com o Bendegó ser o monte onde o cachorrinho canta pra lua (momento do refrão). O cometa faz uma rápida menção ao céu do interior onde é possível ver fenômenos espaciais mais constantemente, e também por ser o momento em que a letra fala do “lugar”, por isso a ênfase em mais um corpo celeste que sobrevoa a área.
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Cristo, sobre um rio, essa cena localiza a cultura do lugar, onde um fato extraordinário como essa pedra misteriosa, merece uma oração. O menino Botelho sempre perto de sua pedra de estimação, e já com um terço feito, não de cruz, mas de um pedacinho do meteorito, fato que a pesquisadora contou “todos levavam os pedacinho que dava pra quebrar da pedra”. A placa revela o porque do nome
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O “amuleto”, pendurado já no pescoço do menino Botelho já na cena do batismo, representa junto ao chapéu a caracterização do personagem em uma passagem de tempo. O burrinho que ele cavalga permanece o mesmo, como parte dessa identidade. Os cactos e madacarus representados através de alfinetes e agulhas brilhantes cercam a composição a fim de revelar a aspereza da flora do local, onde o Botelho é o guia da dupla de cientistas que visitou o meteorito, Spix e Martius. A dupla cavalga com cavalos típicos da estrutura de Vitalino, porém com as roupas características das fotos históricas.
Coincidentemente existe uma charge que representa Pedro II de frente a um globo, porém aqui a ideia do globo foi representar parte da Real Academia de Paris, onde as ilustrações ao fundo seriam parte do material catalogado sobre o meteorito. Pedro II foi representado com terno ao invés de farda para reforçar o caráter despojado do último monarca.
O sol e a lua foram feitos da mesma fonte: captura de luz de flash de celular. os pirilampos foram colocados para quebrar a monotonia de roxo e preto nesta cena, sendo eles da cor complementar aos tons de roxo, amarelos.
A transição da cena anterior para esta foi feita através das silhuetas, para haver unidade. Escolheu-se utilizar uma câmera 3d para criar o efeito de profundidade necessária na navegação entre tantos bois, 24 ao todo (12 juntas de bois). A paleta aqui é mórbida, quase dessaturada ao centro e novamente com os carcarás voando ao fundo, símbolo do mau agouro. A caveira do boi é um ícone da seca no sertão e o fio de cobre desencapado aumenta a densidade desse percurso difícil, emaranhado.
As informações acerca do Barão de Guay são escassas e por isso optou-se por representá-lo de forma misteriosa, como alguém por trás da grande operação, onde seu dinheiro é o que importa na cena. O mapa ao fundo representa os locais por onde o Bendegó passou nessa empreitada.
Novamente a passagem de tempo é representada através do sol e da lua e a panorâmica revela a quantidade de mata e bois para puxar as 5 toneladas
A cena do trem é tragicômica, pois revela de forma “leve” o desespero em terminar o transporte até a Estação de trem. A namoradeira que é típica do artesanto regional dialoga com um dos heróis, enquanto os outros junto ao engenheiro José de Carvalho se desesperam, incluindo o cavalo, ao ver o Bendegó cair pela sétima vez do carretão.
Mar feito com stop motion de papel ondulado e barquinho com a hélice também animada por fotos. A escolha da paleta aqui se resume a duas cores quase complementares: marrom e azul escuro. Há um relato de que o Rio do século XIX tinha um tom dourado, por conta da poeira, dessa forma mantendo o ar antigo em tom sépia é possível se ater somente ao embalo do movimento do vapor.
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A partir de um foto histórica achada recentemente, a pesquisadora nos revelou o momento em que o Bendegó é cortado na Marinha Brasileira. A cena é ilustrada a partir dessa foto, com as mesmas engranagens presentes e o ângulo da pedra. Incluir esse fato é importante pois seu corte é uma marca muito forte em sua aparência no Museu. Para exaltar novamente a atmosfera sideral, siderúrgica, o stop motion de palito de pólvora representa essa força para cortar o ferro.
Os personagens históricos, incluindo o físico Einstein, que foi visitar a pedra no Museu Nacional em 1925, aparecem para se despedir da história e acenar para esses “pedacinhos de toda sorte” indo para o mundo dos museus. Eles se misturam apesar de pertencerem a diferentes épocas, como espectros dessa narrativa.
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O fato desse corte ser para distribuição para outros museus também foi ressaltado, pois é a conexão para o objetivo da história: enriquecer a experiência do visitante ao Museu. A purpurina geométrica foi animada a fim de representar o interior do ferro meteorítico, que é prata e contém uma mala trançada única. Seguindo a letra, essas purpurinas vão para o espaço, retornam seu caráter cósmico, da abertura da animação.
O menino Botelho sob outra linguagem, ao descobrir a pedra...
O momento em que o carretão teve como auxílio a força dos homens, puxando entre as árvores e as cordas com nós especiais.
Os “xilo pixels” para a arte dos créditos pretende recontar a história, em aspectos que não puderam ser totalmente contemplados. O primeiro reconta os cinturão de asteróides.
Após sua retirada, construi-se um marco que, como rodeiam os carcarás na imagens, não foi bem recebido. Houve uma grande seca no mesmo ano, causando grande êxodo rurall Esta imagem pretende contar através das rachaduras no chão um verso que foi cortado da música por conta do tempo excedente.
A arte final é a representação em estilo de cordel da visão da entrada do Museu Nacional, com o Bendegó cortado e o brasão debaixo.
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pesquisa musical
do roteiro seriam os versos cantados, houve uma pesquisa sobre o modo como os repentes são formados. Foi então levada para Feira de São Cristóvão a letra ainda em construção, para que recebessemos uma opinião dos repentistas presentes no local. Tivemos uma surpresa ao saber que apenas um verso se encaixava na métrica regente do repente, com redondilha maior e outros quesitos. O verso era o “Boato de prata e ouro/ Todo mundo ouviu falar/ A carcaça Decidimos que com esta informação poderia ser feito alguns ajustes nos outros versos mas não por completo, uma vez que a música não teria o tom monocórdico de um repente e sim elementos sonoros e construtivos da cultura nordestina.
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sonorização
O processo de sonorização foi desenvolvido ao longo de quatro meses, desde as primeiras gravações da letra sendo lido pelo celular, passando pela gravação de cada instrumento e os tempos sublinhados e acertados para segundos, premissa que exigiu o virtuosismo dos músicos. Após apresentar para o Xina, cantor e violonista a letra, nos foi apresentado um tempo de 4 minutos estimados para a música, o que estrapolaria no dobro a duração da animação. A letra foi reavaliada e alguns trechos reescrita e conseguimos com o Gabriel Calisman, aluno de design na Puc e músico, a primeira versão da música do Bendegó, apenas violão e voz. A partir desse primeiro desenho melódico começamos a regravar com versos novos, seguindo essa linha que seria a guia para a música. É fundamental ressaltar que esse projeto foi feito com a ajuda e o carinho daqueles que acreditaram no seu resultado e apostaram
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seu tempo e dedicação a esse trabalho que somou muitas forças. Alberto Magalhães foi uma dessas pessoas fundamentais, pois durante três encontros e muitas conversas permitiu que utilizássemos seu estúdio para ensaios e gravação, contribuindo de forma Luís Bulcão, percussionista da música, delineou junto ao Fernando Bastos, quais seriam as quebradas de ritmo ao longo da melodia, sendo de total importância sua participação na criação dos arranjos. A base do ritmo foi gravada com o aparelho Zoom separadamente, após os três músicos (Fernando Bastos, Gabriel Calisman e Luis Bulcão) mais a autora Raissa Laban cantando, orquestrarem juntos o primeiro esboço musical. Com esse registro ainda além do tempo limite, foi possível que Luis pudesse ouvir o ensaio e logo em seguida gravar sozinho zabumba e pandeiro, acompanhando a letra da música impressa e a recente gravação guia.
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Aceleramos um pouquinho a base rítmica segundos e com esse registro alterado a sanfona pôde acompanhar cada etapa da música. Esse segundo momento foi possível acompanhou de modo espetacular as viradas da zabumba e do pandeiro.
quem seria a voz, pois a ideia de gravar um
executar uma peça tão rápida e com palavras complexas. A essa altura do cronograma não tínhamos mais tempo para longos ensaios e tudo estava sendo feito de favor. Aconteceu no Sarau da Casa da Gávea a solução para a voz do Bendegó, quando Elma Alegria, paraibana com sotaque misturado com o carioca tocou pandeiro, cantou e encantou a diretora e as crianças presentes, sendo convidada para participar do projeto. Após receber as gravações, letra e direção do tom e velocidade que deveria ser executada a canção, gravamos no estúdio do Humberto
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No mesmo dia que ele começou a montar os intrumentos com gravações separadas foi o dia que Elma de um impulso gravou a voz da animação. Foram diversas gravações para cada virada de tom nos versos mais ligeiros, pois quase não é possível titubear. O resultado nos agradou mutíssimo, pois sua pronúncia e habilidade se encaixou perfeitamente na proposta da “música-repente”, além do fato de ser uma voz feminina, ideia que talvez inove o convencional. O último encontro na casa de Humberto foi o criador da melodia, Gabriel Calisman que com seu violão e ao lado de Humberto gravaram diversas passagens e vozes de violão, sublinhando e dando o colorido necessário para a composição. Humberto ainda registrou com seu teclado subtraiu alguns momentos over de muitos
Humberto Barros (à direita).
contemplar. Um trabalho de união de forças, talentos, generosidade e comunhão.
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técnica de animação
O Bendegó é uma animação de técnica mista, pois envolve recorte digital e sequências de stopmotion. O stopmotion foi feito a partir de capturas de objetos em fundo neutro, para que pudesse ser extraído posteriormente dentro do Photoshop. Essas sequências de objetos animados uma vez importados para dentro do After eram trabalhadas para interagirem com os personagens e elementos de cada cena. Os personagens foram construídos à partir de referências estéticas do artesanato do Vitalino diretamente dentro do programa vetorial Illustrator. Cada membro foi construído de modo modular e espelhado, de modo a agilizar o processo. Os vetores foram importados para o Photoshop, onde ganharam texturas particulares, como por exemplo o vestido de renda da Princesa Isabel ou a jaqueta
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de couro desenhada do Botelho adulto, e após a aplicação das texturas foi feito um trabalho de sombreamento, criando mais volume para as peças de recorte com cores chapadas.
animado individualmente utilizando a técnica de puppet, que permite que os desejado por ser assemelhar ao material barro, onde as linhas são curvelíneas. Junto ao puppet tool foi também utilizado o essencial do After, como os movimentos de rotação, posição, escal, opacidade etc. Um grande trabalho de integração foi feito entre os personagens, as texturas vetoriais, como por exemplo as siluetas dos cactos e as seuquências de stopmotion, pois desejávamos que tudo constituisse foram constantemente acertadas e muitas camadas de “poeira” digital foram acrescentadas, para criar uma só atmosfera.
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A animação do Bendegó contou com diversas contribuições ao longo de sua construção. Em um primeiro momento teve a participação de Thaigo Macedo, delineando os principais fatos históricos. Em seguida a pesquisa foi aprofundada por Raissa Laban em um encontro com a professora Elizabeth Zucolotto no Museu Nacional. A participação de Marina Avial foi fundamental para pesquisa estética, onde elementos vitais foram incorporados - como por exemplo a textura do couro desenhado, marca típica do sertão - , além de ser exposto um primeiro retorno a Elizabeth em uma versão inicial do storyboard e a letra ainda em processo - guia da narrativa. O desenvolvimento do concept dos personagens e da letra também teve a participação de Gabriel Franklin, que traduziu para o lápis a sensação estética de uma forma feita à partir do barro, como era
equipe, produção e análise do processo 58
Raissa Laban pesquisou e garimpou durante três mese, objetos e texturas que pudessem
ser inseridos nas cenas como reforço visual à mensagem em questão, como por exemplo o mandato que é um pergaminho ou o chapéu de vaqueiro. Foram inúmeras sequências fotografadas em movimentos pontuais, que se encaixassem dentro do quadro previsto no storyboard, como a chama do meteoro caindo, aspecto que uma ilustração talvez não retratasse com tamanho efeito sensorial. Ainda durante as capturas de fotos, Francisco Guimarães ajudou na primeira etapa dos recorte das sequências de stopmotion, mas o grande trabalho de extrair o fundo de cada foto foi feito por Lucas Gebara. Lucas também construiu e textura de barro, tecido e couro de acordo com cada situação, se tornando membro personagens. Vitor Moura é o responsável por todas as ilustrações dos créditos, o lettering e também desenhos de época para os documentos de Dom Pedro ao Barão.
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Nathália Passos pôde contribuir com a construção de alguns personagens em fase inicial e Victor Telles pôde animar pequenos grande importância pois sua contribuição foi
animando, organizando arquivos e editando as legendas para o primeiro vídeo. O Bendegó é uma animação que por ser auditiva, porém, por ter um ritmo acelerado torna-se indicada para crianças acima dos 8 anos. A primeira exibição, ainda em processo de construção, foi assistida por uma plateia que recomendou as legendas, que na época ainda não havia, mas embalou ao ponto de bater palmas durante toda a animação, uma criança de colo de 1 ano e meio. Os adultos presentes gostaram principalmente de saber que o meteorito envolvia todo esse passado por trás. Já de cinco anos que apreciou apenas a
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música, mas não entendeu a história. Para uma criança de oito anos, que já consegue acompanhar a legenda além da imagem, o ritmo empolgou e boa parte do roteiro foi compreendido. Ao ser vista por uma criança de 11 anos o roteiro foi apreendido da seguinte forma:
ficha técnica Realização: N.A.D.A. PUC-Rio Direção: Raissa Laban Supervisão: Claudia Bolshaw Produção executiva: Jorge Luis Lopes
“Bom, caiu um meteorito no meio do sertão, aí vieram primeiro todas as pessoas do povo de lá olhar, depois engenheiros, depois cientistas e levaram o meteoro dali, cortaram pedacinhos e colocaram em vários museus do mundo. O ritmo era bom, e a história fazia
Pesquisa: Maria Elizabeth Zucolotto
sentido, era boa, era engraçado como um homem qualquer do sertão achou um
Voz: Elma Alegria
museus do mundo” A animação contém muita informação embutida e torna-se aconselhável, a quem interessar se aprofundar, assistir mais de uma vez, para apreciar a animação e a música sem precisar da legenda.
Direção de arte, storyboard, roteiro, letra e animação: Raissa Laban Lucas Gebara, Nicole Schlegel, Nathy Passos e Victor Telles Lettering e ilustrações: Vitor Moura Violão e melodia: Gabriel Calisman Sanfona: Fernando Bastos Pandeiro e zabumba: Luis Bulcão Produção musical e teclados: Humberto Barros
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