Expos 2012 - 2015

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LEONARDO RAMADINHA

Exposições 2012-2015


SOBRE A DELICADEZA DAS COISAS

17 de abril a 16 de maio de 2015 Galeria Tramas Arte Contemporânea Rio de Janeiro - RJ Curadoria Vanda Klabin


Par délicatesse jái perdu ma vie

Chanson de la plus Haute Tour - Arthur Rimbaud

Na exposição Sobre a delicadeza das coisas , estão presentes um conjunto de fotografias realizadas por Leonardo Ramadinha, tendo como principal protagonista a poesia de Arthur Rimbaud, intitulada Chanson de la Plus Haute Tour, através da abordagem específica de um verso ali presente: “par delicatesse j’ai perdu ma vie . O interesse plástico do artista pela realidade ao seu redor, como um instrumento para produzir significados, uma espécie de cartografia do seu cotidiano, estabeleceu um significativo valor poético a esses trabalhos. Aqui estão presentes cenas exteriores, sobretudo paisagens, investidas de algumas fraturas do instante presente, criando uma espécie de interlúdio lírico com a natureza. Irradiam um diálogo visual pela ação de seu imaginário, que trazem novas formulações plásticas evocativas, memorialistas e com uma pulsação psíquica que nos contamina por sua intimidade. Ramadinha encontra sua gramática poética no ritmo da vida real e somos tragados pelas sugestivas imagens, por vezes etéreas, evanescentes em um constante estado de devir, processos por vezes inconclusos , fragmentados: formam uma escritura pessoal, como se participassemos também desse encontro privado que se interpenetra nesse território impreciso que singulariza a sua experiência estética, uma cadeia de instantes que se depara com um encontro com objetos fortuitos, em situações cotidianas. A delicadeza, como principal dispositivo do resgate do universal em suas singularidades, dialoga com a sua captura do jogo ilusório do real, sugere uma pluralidade de significados e pode se apresentar, às vezes, um documento visual tão pertubador, aparentemente aberto a um terceiro sentido e trazer uma nova porosidade para a nossa percepção. Encontramos, na natureza efêmera de suas capturas fotográficas, uma identidade nas incertezas, uma descoberta de ambivalências por onde transita sua força artística. Recupera elementos banais e os traz para um território que anseia por consonâncias. Instaura, nessa atonalidade do mundo, a sensação de vazio, as ambiguidades, as nebulosidades – as delicadas cenas parecem ser atraídas por esse silêncio, concluindo um sistema de poesia visual. A delicadeza é um oásis, a recuperação de um sonho ou desejo que parecia estar trancafiado. Aqui Ramadinha exercita suas evanescências visuais, que trazem um fraseado particular e fortes sussuros.

VANDA KLABIN




















MAR SEM FIM

03 a 20 de setembro de 2015 Gabinete D Galeria de Arte São Paulo - SP


“...Aquela praia extasiada e nua, Onde me uni ao mar, ao vento e à lua”*

O conceito de impermanência – a variância do mundo, onde nada é permanente ao longo do tempo, onde causas e condições variam constantemente o seu resultado - permeia esta sequência de obras de Leonardo Ramadinha. E é para este conceito que seu registro estético se dirige, e a percepção estrita desta realidade nos leva ao caráter da onisciência, de uma plena atenção que possibilitaria ao seu “praticante” perceber a impermanência do mundo e, desta forma, libertar-se de dogmas, planos formais e estruturas rígidas, apercebendo-se da transitoriedade ininterrupta, paradoxalmente esta a única constante : nada é permanente, a não ser a própria impermanência das coisas.

As imagens duplas, triplas, repetidas, reforçam esta noção – o artista revela algo que aconteceu e que continuamente ocorrerá novamente, mas nunca da mesma forma.

Uma pequena ode ao eterno acontecido, nestes trabalhos Ramadinha ressalta o antagonismo eterno entre o homem e seu meioambiente. Enquanto o “Eu” por definição é uma estrutura invariante – que modifica- se ao longo do tempo, mas no curto espaço/tempo se mantém relativamente constante – tudo à sua volta é pura e bela inconstância, e apenas a percepção desta diferença nos colocaria em comunhão com o todo. Não são apenas registros fotográficos de um dado espaço/momento, são histórias silenciosas que exigem tempo e análise, oferecendo ao espectador um contundente repertório de significados, aproximando- o de um passado que não reconhece o seu lugar, por estar sempre presente.

WAIR DE PAULA

*sophia de mello breyner (1919/2004)













AQUILO QUE HABITA EM MIM

16 de outubro a 10 de novembro de 2012 Luciana Caravello Arte Contemporânea Rio de Janeiro - RJ Curadoria Marco Antonio Portela


AQUILO QUE HABITA EM MIM

Em um instante, encontramo-nos olhando para o trabalho do artista na busca de algo que satisfaça a razão. Mas não conseguimos fechar um raciocínio, ele não nos leva a um lugar determinado, não nos propõe certezas nem respostas. Ficamos a olhar, e continuamos, porque sua poesia, leveza e forma tranquila de dialogar usando poucas, mas contundentes, palavras nos apreende; esse sentimento nos persegue pelo espaço expositivo. É assim que trabalha Leonardo Ramadinha, procurando esvaziar de sentidos suas imagens a fim de tocarmos algo interior, mais primitivo e natural, universal e simples. As imagens nesta mostra falam daquilo que habita o artista Ramadinha e, diante dos trabalhos, acabamos por nos ver espelhados, cheios de pontos de congruência com o autor. São imagens capturadas em um espaço de dez anos, aleatórias e aparentemente desconexas. Esse processo livre, íntimo e afetuoso do artista com suas imagens é que faz delas um registro mais profundo de quem ele é. Incrível notarmos que possuímos os mesmos sentimentos que o autor, conectamo-nos com coisas similares do mundo, da natureza, do etéreo, e, por isso, nos flagramos olhando mais tempo para uma ou outra fotografia, apreendidos nesse labirinto de imagens. Ramadinha apresenta uma série de situações lúdicas esvaziadas de sentido e objetivos palpáveis que nos faz passear pela complexidade de sua existência, sinalizando para diversos caminhos e possibilidades sem nunca determinar aquilo que devemos ver ou sentir. Cada observador de suas imagens levará consigo sua particular e única impressão. A fotografia é comumente confundida com algo que explica e determina; muitos de nós procuramos sentido quando apreciamos uma imagem fotográfica. Nas imagens do artista, o que observamos é um desnudamento lento, gradativo e generoso. Uma conversa afetuosa onde a poesia ocupa os espaços, preenche nossas retinas, sem procurar definir nada, somente sugerindo caminhos que possamos adentrar, ou não, seguindo nossas próprias vivências, conectando-nos com a abrangência de seu projeto autoral. Como num jogo de palavras, as imagens colocadas lado a lado vão se emprestando sentidos, composições poéticas, montagens que se comunicam pela relação entre os elementos e pelas conexões que o artista sugere. Encadeamentos que nos levam a criar um grande poema visual. Esse trabalho de captura e seleção de imagens em um período de tempo expandido demonstra como o artista procura gradativamente depurar sua produção na busca de um sentido poético mais profundo. Interessante observar que o caminho que o artista escolhe é justamente o da simplicidade e leveza. Não vemos em seu trabalho imagens de grande malabarismo técnico, ele não se preocupa em arrancar o ar de nossos pulmões com visões magníficas; ao contrário, seu trabalho, leve e sutil, conquista-nos com o tempo, ficamos a olhar essas imagens e vamos lentamente nos colocando dentro de seus devaneios, em um processo de transferência e assimilação, construindo, cada um de nós, nossos próprios relatos ficcionais daquilo que acreditamos habitar o artista e, por fim, a nós mesmos. Ao entrar em contato com a produção de Ramadinha, contaminamo-nos por completo com a universalidade de sua poética e nos flagramos observando suas obras como se tivéssemos frente a um espelho, numa experiência de pertencimento, tornando o contato com seu trabalho uma vivência cada vez mais íntima e intensa.

MARCO ANTONIO PORTELA



















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