Revista Morashá - Ed 109

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MEMÓRIA

ITZHAK RABIN, um símbolo Por ZEVI GHIVELDER

ELE FOI MAIS DO QUE UM MILITAR, MAIS DO QUE UM DIPLOMATA, MAIS DO QUE UM ESTADISTA. NO TRANSCURSO DO 25º ANIVERSÁRIO DE SEU TRÁGICO ASSASSINATO, ITZHAK RABIN SE REAFIRMA COMO UM SÍMBOLO DO NOVO JUDEU QUE EMERGIU E SURPREENDEU O MUNDO NOS PRIMEIROS ANOS DO SÉCULO VINTE, UM NOVO SER HUMANO: FORTE, ALTIVO E DETERMINADO, INSUMBMISSO À OPRESSÃO DOS GUETOS, OBSTINADO NA LUTA PELA RESTAURAÇÃO DA SOBERANIA JUDAICA EM SUA PÁTRIA ANCESTRAL.

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texto a seguir não é uma biografia complementar de Itzhak Rabin. Sua trajetória de vida está imortalizada em milhares de páginas da imprensa em Israel e no mundo, artigos acadêmicos e livros consistentes, tudo devidamente inscrito na história do povo judeu. Recorro à memória para resgatar o conteúdo das enriquecedoras conversas que com ele mantive em esparsos encontros no decorrer de cerca de vinte anos.

entrevistá-lo, pediu-me com sua voz de baixo profundo que desligasse o gravador e perguntou-me se poderia fazer-lhe um favor. Era necessário permanecer incógnito para os círculos oficiais, mas queria se encontrar com o general Sizeno Sarmento (1907-1983) que fora o último comandante do Batalhão Suez no Oriente Médio, desde o fim de 1956 até maio de 1967. Para quem não se lembra, o Batalhão Suez foi uma tropa brasileira com as boinas azuis das Nações Unidas, posicionada num acampamento entre Israel e o Egito, tendo como quartel-general um antigo forte inglês na cidade de Rafah, perto da Faixa de Gaza. Sua missão era garantir o cessar-fogo vigente após o conflito no qual Israel, após aliança com a França e o Reino Unido, cedeu à pressão dos Estados Unidos e retirou suas tropas que haviam ocupado o Sinai na chamada Guerra de Suez.

Rabin esteve no Rio de Janeiro pela primeira vez em 1969, acho que foi em agosto. Veio em caráter rigorosamente pessoal, sem conhecimento das autoridades brasileiras, que decerto o receberiam de acordo com o protocolo diplomático, já que na ocasião era embaixador de Israel em Washington. Se a sua presença chegasse ao conhecimento da mídia, decerto despertaria enorme atenção em função da fama internacional que havia adquirido dois anos antes como chefe do estado-maior das Forças Armadas de Israel na fulminante vitória da Guerra dos Seis Dias.

Naqueles tempos de ditadura no Brasil o acesso aos generais no poder, entre eles o general Sizeno, era um tanto complicado. Qualquer encontro presencial decerto ia requerer uma justificativa e a presença de Rabin no Brasil deveria permanecer ignorada. Recorri à discrição de um amigo, o general Otávio Alves Velho, intelectual de porte, raridade no meio militar. A visita foi marcada

Rabin era uma pessoa gentil e formal, econômicos sorrisos, quase taciturno. Nunca mudou ao longo dos anos. No primeiro momento em que pretendia 30


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