Jornal Laboratório - Edição 01 - Faculdade Sul Brasil - Março/Abril de 2015.
“Vale tudo, só não vale ficar parado”
LEI DO SOM
Projeto de lei denominado “Lei do Silêncio” deveria ter sido voltada no dia 6 de abril, mas voltou para Comissão de Legislação e Redação para ser reavaliado e, assim, voltar aos tramites iniciais sem data definida para discussão. PÁGINA 20.
TRANSPLANTE
O médico oncologista do Hospital do Câncer de Cascavel (Uopeccan), Dante Morrelli, tira as dúvidas mais frequentes sobre a leucemia e o transplante de medula óssea. O doutor também enfatiza sobre a importância de ser um doador. PÁGINA 13 e 14.
FIES
Cerca de 20% dos acadêmicos da Faculdade Sul Brasil (Fasul) possuem o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Devido a mudanças no programa, alguns estudantes estão passando por dificuldades para atualizarem e até mesmo realizarem suas inscrições. PÁGINA 07.
Toledo ampliou os polos esportivos e agora atraí novos atletas de diversas modalidades. Página 11.
MÃES ESTUDANTES
Estudantes que são mães durante o período acadêmico conciliam a vida materna com os estudos. Segundo psicóloga, o momento só acontece porque as jovens buscam novas experiências, o que ocasiona a gravidez prematura. PÁGINA 06.
Plein Air
O “plein air” é a arte que utiliza tinta acrílica e óleo e pode demorar horas para ser finalizado, pois tudo depende das mudanças do posicionamento do sol. Em Toledo, a artista Adriana Grezzi pretende oferecer um espaço para a arte ser realizada. PÁGINA 5
Opinião EDITORIAL O desejo de anunciar a liberdade e a vontade de disseminar o conhecimento, assim surge o Livre Expressão, um jornal laboratório preparado por acadêmicos de jornalismo. Por natureza, os jornalistas são profissionais que anseiam pela comunicação, que atuam diariamente como agentes interlocutores de histórias que transformam a sociedade, seja o resultado a curto, médio ou longo prazo. Observamos então para os acadêmicos, ávidos pelo ato de comunicar, com sonhos e pensamentos que não param. Uma geração imersa no mundo onde as mensagens são instantâneas e o ato comunicacional exige renovação e qualidade. Com essas propostas que iniciamos mais uma etapa na caminhada para a formação completa de um profissional do jornalismo, fazemos das palavras, linhas e parágrafos uma extensão do nosso desejo de comunicar. São cinco editorias que integram pensamentos de indivíduos diferentes, com visões e abordagens únicas, porém unidos pelo propósito da informação. Em
Março/Abril de 2015 Texto: Jean Michel Laureth
nossa primeira edição bimestral voltamos as atenções para assuntos regionais. No Garimpo Cultural conversamos com artistas e extraímos seus pensamentos e observações sobre o panorama atual em que se encontra a cultura. Não podemos deixar de incluir a educação, nas páginas do Educação em foco os autores encontram pautas que estão intimamente relacionadas ao mundo acadêmico e também temas que geram e instigam o debate em vários níveis. A editoria Cuidese propõe a discussão de assuntos que estão escondidos da sociedade, apresenta novas visões e chama os cidadãos para os cuidados com a saúde. Com essas observações, a equipe do Mova-se também trabalhou. Os autores foram ao encontro de acadêmicos e atletas que fazem do esporte um estilo de vida. Nas primeiras páginas (ao estilo mangá) está a editoria POLICIAL. Os temas policiais receberam uma nova característica e através dos textos fazem o leitor refletir sobre a atuação dos agentes da lei. Boa leitura e reflexão.
CHARGE
Geração Futilidade
Expediente
Jornal laboratório produzido pelos estudantes do curso de Comunicação Social com Coordenação: Lougan Manzke. habilitação em Jornalismo do 5º período sob supervisão da professora Rosselane Tiragem: 500 Exemplares. Giordani, da Faculdade Sul Brasil (Fasul). Os artigos assinados não refletem necessáriamente a opinião desse jornal.
LEITOR ESCREVE
Claudemir Hauptmann
Jornalismo como resistência
É um equívoco imaginar que a luta dos jornalistas para restabelecer a obrigatoriedade do diploma de Jornalismo para a obtenção do registro profissional seja uma questão que diga respeito apenas aos profissionais da área. Essa luta importa a toda sociedade, que depende de uma prática profissional qualificada e fundada em princípios técnicos, éticos e democráticos para ter assegurado o direito à informação plural e de qualidade. Defender a volta do diploma é combater a manipulação das informações de interesse público por parte dos grupos econômicos e políticos que controlam os principais meios de comunicação em todos os cantos do país, desde as metrópoles até as cidades interioranas. Sim, porque quando grupos econômicos ou políticos manipulam documentos para se apossarem de uma simples rádio comunitária numa de nossas pequenas cidades na região Oeste do Paraná, por exemplo, estão querendo a mesma coisa que os grandes grupos econômicos e políticos em seus conglomerados de mídia. Ao abusar de forças econômica e política, eles conseguem controlar quem diz e o que se diz à sociedade, monopolizando os discursos a favor das causas que mais lhes interessam, em prejuízo do bem comum, do interesse público. O fim da exigência do diploma de jornalismo só interessa aos donos do poder, às elites que dominam os meios de comunicação. Desobrigados pelo fim da exigência do diploma, eles podem contratar estagiários, outros profissionais e pessoas não habilitadas que, numa relação precária de trabalho, jamais vão se levantar contra os desmandos dessas elites que, além de impor sua voz e seus pontos de vista, ainda querem silenciar quaisquer vozes ou mesmo sussurros de resistência. Um profissional, nestes termos, tem uma relação de trabalho fragilizada, que não permite qualquer questionamento. Sem uma formação específica, esse profissional não consegue o desempenho mínimo necessário para levar informações completas e corretas para a população. Se mesmo com a ação de profissionais habilitados temos situações desfavoráveis do ponto de vista da qualidade da informação e dos ângulos dados às narrativas jornalísticas, imagine o que seria isso se prevalecesse a não exigência do diploma! Em artigo publicado recentemente, a
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presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Beth Costa, foi assertiva ao falar da regulamentação. “A defesa da regulamentação profissional e do surgimento de escolas qualificadas remonta ao primeiro congresso dos jornalistas, em 1918, e teve três marcos iniciais no século 20: a primeira regulamentação, em 1938; a fundação da Faculdade Cásper Líbero, em 1947 (primeiro curso de jornalismo do Brasil); e o reconhecimento jurídico da necessidade de formação superior, em 1969, aperfeiçoado pela legislação de 79. Foi o século (especialmente na segunda metade) que também reconheceu no jornalismo – seja no Brasil, nos Estados Unidos, em países europeus e muitos outros - um ethos profissional. Ou seja, validou socialmente um modo de ser profissional, que tenta afastar a picaretagem e o amadorismo e vincular a atividade ao interesse público e plural, fazendo do jornalista uma pessoa que dedica sua vida a tal tarefa – e não como um bico”. O educador Paulo Freire, ainda nos final dos anos 1960, dizia que o Brasil era acometido por um mal bastante grave, que era o “mutismo”, gestado em nossas curtas experiências democráticas, na falta de diálogo peculiar nestas circunstâncias. Esse mutismo, no entanto, não era a falta de respostas, propriamente tido, mas sim caracterizado pelas respostas sem teor crítico. Diante da falta de diálogo, a comunicação passa a ser, portanto, ferramenta estratégica. E obviamente, os meios de comunicação são indispensáveis nos processos que marcam os tais diálogos. Aos poderosos interessa e muito controlar esse diálogo, ditando os temas e o tempo ao controlar os veículos de comunicação. Um antigo sonho dessa elite dominante é acabar com qualquer resistência. Por isso sempre apontou seus arsenais para profissões importantes, como a de jornalistas. Para a sociedade, portanto, defender o restabelecimento da obrigatoriedade do diploma de jornalismo é assegurar as condições mínimas necessárias para uma resistência contra a dominação total. Imprensa livre? Não, isso não existe. A resposta correta é a presença de jornalistas qualificados e comprometidos com a informação de interesse público, o que permite a preservação de uma imprensa crítica e engajada ao bem comum. (*) O autor é jornalista há 30 anos, tendo atuado em jornais, revistas, emissoras de TV e rádio do Paraná e Santa Catarina. É professor universitário, mestre em Letras, com área de concentração em Linguagem e Sociedade.
Garimpo Cultural
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ALIMENTO D’ALMA
Violino, música clássica e desequilíbrio cultural
Duas artistas descrevem com desgosto o quadro musical e cultural da sociedade atual brasileira
Falta de investimento, mercado à voz humana. “A música tem o tendencioso e produção precária, são poder de gerar emoções, reviver alguns dos apontamentos realizados bons momentos e até de elevar pelas musicistas e Graciela Bier e nosso estado de espírito. Mas Iohana Bianca Pagnoncelli. As duas principalmente a música traz alegria. são violinistas e lamentam sobre a Pois onde tem música temos grupos situação atual, principalmente no de pessoas interagindo, dançando, Brasil em relação à produção musical se divertindo e compartilhando e o empobrecimento cultural. “Como destes momentos juntos”, explicou. disse Confúscio, a I o h a n a produção musical de uma e Graciela Música não nação é a representação conheceram o direta da mentalidade precisa ser boa, violino ainda coletiva da mesma, e, crianças e mas precisa infelizmente, o povo demonstram brasileiro tem feito uma do vender, cair no orgulho produção artística muito instrumento pobre”, enfatizou a gosto popular.AA que tocam, fala musicista e graduanda salientou Graciela. com carinho e de Biomedicina pela veem na música UEM, Iohana. um objeto de transformação sócioPara a artista profissional, cultural. “Uma maneira de expressar publicitária e Diretora de Turismo ideias e sentimentos, alcançando as na prefeitura de Marechal Cândido pessoas de uma maneira profunda e Rondon, Graciela, o violino é um diferenciada”, destacou Iohana. instrumento que emociona as Apesar do fascínio e amor pela pessoas, através do seu som similar música, ambas criticam a produção
O que é a Lei Rouanet? A Lei Federal de Incentivo à Cultura Nº 8.313/91 é chamada de Lei Rouanet. O principal objetivo é incentivar a produção e difusão da cultura no Brasil, regulamentada pelo Ministério da Cultura ela apoia pessoas físicas e jurídicas. Por meio dessa Lei o governo deixa de receber parte dos impostos para que os valores sejam aplicados em projetos culturais que tenham impactos e transformações
na comunidade. O objetivo dela é conservar o patrimônio histórico e artístico do Brasil. Um dos seus principais benefícios vem por meio da doação de parte do imposto de renda, o contribuinte pode na prática participar dos projetos sociais e promover maior acesso a cultura na comunidade. Pessoas físicas que atuam na área cultural, como artistas, produtores e fundações podem receber o incentivo da Lei. A proposta de utilização deve partir por meio de ações no teatro, dança, circo, música, literatura, artesanato, e programas de rádio e televisão.
atual, a forma como as letras são criadas, muitas vezes com letras que incitam o desprezo. “Faltam investimentos nos artistas certos. Infelizmente o mercado pressiona o artista para que este produza músicas comerciais. Isto é, a música não precisa ser boa, mas precisa vender, cair no gosto popular. Então a qualidade cai e dá lugar a vulgaridade”, lamentou Graciela. Comentário que foi complementado pelas palavras de Iohana, onde lembra sobre os temas banais e ideias superficiais que estão expressas nas músicas, em especial quando falam sobre mulheres. “São o reflexo do que a sociedade pensa, as mulheres se submetem a isso, infelizmente muitas mulheres não se dão o valor e permitem serem vistas como objetos”, descreveu. Graciela que é mãe defende uma posição mais firme dos pais em relação à exposição das crianças quando o assunto é música. “Lutamos tanto
por espaço, respeito, valorização e uma simples música joga tudo por terra”, inferiu. Para Iohana, parte da resolução dos problemas está na igualdade e educação de qualidade compromissada com o desenvolvimento sociocultural dos indivíduos, desenvolver um olhar crítico. O mesmo apontamento é apresentado por Graciela: “Estamos criando uma geração de crianças que não tocam nenhum instrumento e que desconhecem as músicas de qualidade, como folclore, MPB ou música clássica. O aprendizado musical ajuda a desenvolver a concentração e coordenação motora. Além de ensinar outros princípios como o respeito e disciplina”, concluiu. Texto: Jean Michel Laureth
Para participar a proposta deve ser aprovada pelo Minc (Ministério da Cultura), quando aceita o desenvolvedor do projeto pode buscar os recursos com as empresas ou cidadãos interessados. Os incentivadores do projeto podem ter o valor total desembolsado do Imposto de Renda de acordo com os percentuais permitidos pela legislação tributária. As empresas podem destinar até 4% do seu imposto devido e as pessoas físicas até 6%, lembrando que o incentivo não altera o valor pago, apenas destina a porcentagem contribuída para o projeto escolhido.
Para repassar o valor o investidor deve depositar o valor desejado para o patrocínio na conta bancária do projeto que é aberta e supervisionada pelo Minc até o último dia do ano. Depois de ser realizado o depósito o desenvolvedor do projeto irá emitir um recibo e enviar ao patrocinador, servindo como comprovante para que seja feita a renúncia da Nota Fiscal. O abatimento do patrocínio será feito no ano seguinte na forma de restituição do valor do Imposto de Renda a pagar. Texto: Gisela Cristina Stern
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ENTREVISTA
Adriana Grezzi se prepara para uma nova era no ramo da arte Artista plástica toledana abriu as portas do atelier para uma entrevista regada ao gostinho de sua nova técnica A artista plástica Adriana Grezzi chegou em Toledo no final do ano de 1999 e possui formação em Farmácia (Bioquímica) pela Universidade Federal de Minas Gerias (UFMG). Depois de 12 anos na área, começou a trabalhar com decoração, fez cursos de Desenho Arquitetônico e acabou se apaixonando pela arte. “Na época, confeccionei o retrato de um dos pioneiros do município, Willy Barth e fui convidada para ser uma das professoras da Casa da Cultura, trabalhando lá por 7 anos.” Entre outros trabalhos voltados ao ensino da arte, surgiu a oportunidade para Adriana montar seu próprio atelier. “Conquistei meu primeiro atelier há 9 anos e na oportunidade criei o Memorial do Agricultor, que demorou 9 meses para ser montado, não vi pronto porquê o tamanho não permitia que eu montasse ele antes de enviar aos pedreiros. Eu montei em partes e só vi o resultado quando o painel estava pronto”, explicou. Depois de algumas mudanças de endereço, Adriana adquiriu uma sede própria para o Atelier. “Era muito complicado porquê tudo que entrava era investido no aluguel para que eu pudesse mantê-lo funcionando, hoje esse investimento é revertido em melhorias”. O objetivo de abrir um ambiente onde a aplicação das aulas pudesse ocorrer e ainda fortalecer a divulgação dos trabalhos. O contato com a arte surgiu aos 14 anos, quando descobriu o gosto pela arte, contudo não pode ingressar em uma escola. Obteve 95% no teste vocacional para as belas artes, entretanto não ingressou no curso. Uma
futura oportunidade surgiu e Adriana começou o curso em uma Escola de Decoração. “Até então, decoração foi um hobby, o que me deu motivação foi saber que eu conseguia fazer coisas que as pessoas gostavam, sempre gostei dos laboratórios, mas a arte me fascinou de uma maneira, me absorve, eu respiro música, vivo intensamente tudo o que é arte”, enfatizou Adriana. Além das artes plásticas, o amor pela cultura da artista plástica pode ser resumido como “uma serpente, uma amante exigente que me seduziu”, conclui. A primeira dificuldade que a artista plástica enfrentou foi o reconhecimento de sua arte. “As pessoas não me conheciam e o pessoal da Casa da Cultura, na época, foram muito legais comigo e por meio disso, conquistei meu espaço”, enaltece. O incentivo para que Adriana continuasse no caminho das artes foi um ponto crucial para que a artista conseguisse alcançar níveis culturais que hoje servem de referência no município. “A partir do momento que fiz minha primeira exposição e comecei a ministrar aulas mostrando meu trabalho, expondo também os trabalhos dos alunos, eu consegui com que houvesse uma aceitação em relação a minha arte”. Na época, Toledo aceitava e absorvia coisas novas e Adriana cresceu junto com o desenvolvimento do município. O trabalho oferecido no atelier sempre obteve a busca de novos horizontes. “O meu objetivo é fazer o melhor, sempre! Não importa se a pessoa é rica ou pobre, eu atendo cada indivíduo de forma igual, sem preconceitos,” explicou Adriana.
RECONHECIMENTO O reconhecimento de um artista é um dos fatores importantes para o crescimento cultural e social dos indivíduos. “Certa vez fui reconhecida por uma aluna que viu meu nome em uma obra, no momento ela disse ao pai, ‘Ela já foi minha professora’ e o pai logo levou a filha até onde eu estava e para minha surpresa, a alegria que ela expressou foi a do reencontro, como se eu tivesse saído de um livro, como se fosse um herói aclamado por ela e isso me marcou muito”, explicou a artista, emocionada. Além do reconhecimento pela arte, Adriana ministra aulas e recebe o devido conhecimento nas áreas que aplica seus ensinamentos.
foi feita com uma linguagem simples contemplando a riqueza produzida por Toledo. Utilizou 1.770 peças de revestimento cerâmico branco no tamanho de 20x20 centímetros, pintados artisticamente a mão utilizando tinta especial e passando ainda por uma temperatura de 800°C, dando resistência às intempéries e garantindo a durabilidade da pintura e da obra como um todo. O painel fica localizado na rotatória da Avenida Parigot de Souza com a J.J. Muraro. “A obra não possui data de validade, se receber os devidos cuidados pode durar para sempre. Por isso, precisamos entender que faz parte do nosso patrimônio e merece os devidos cuidados”, finaliza Adriana.
MEMORIAL DO AGRICULTOR
ONDE ENCONTRAR
O painel Memorial do Agricultor foi confeccionado em 2012, pela artista plástica, a pedido da Prefeitura Municipal de Toledo com o objetivo de homenagear os trabalhadores rurais. A construção
Localizado na Rua Presidente Café Filho, nº 411, Jardim Pancera. O espaço é aberto à visitas.Para mais informações, entrar em contato pelo telefone (45) 3379-1334. Foto e Texto: Rodrigo Mateus Hansen
Em seu cantinho pessoal, Adriana gosta de passar as horas vagas com obras de diversos gêneros
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AO AR LIVRE
Plein Air: o que os olhos veem
As pinturas, que são realizadas ao ar livre, levam horas para serem feitas e dependem da luz do sol O Plein Air vem da expressão francesa “ao ar livre” e é usada para descrever o ato de pintar ao ar livre que também é chamado de “peinture sur le motif”, ou seja, “a pintura de objetos”, ou ainda, “o que os olhos veem”. O método utiliza tinta acrilíca e óleo e pode demorar horas para ser finalizado, pois o artista precisa prestar atenção nas mudanças de luz conforme o posicionamento do sol. Este tipo de arte sempre foi realizado, mas se tornou famoso no século 19 com o surgimento do Impressionismo. Após o Impressionismo, muitos artistas começaram a realizar o Plein Air como Albert Marquet, Charles Camoin, Henri Manguin e André Derain.
Nos dias de hoje, o Plain Air é mais conhecido como pintura de paisagem, pintura ao ar livre ou arte nômade e é representado por artistias como Klauss Fussman, Per Kirkeby, Peter Doig e Antonio Lopes Garcia. O principal local em que este tipo de arte é realizado fica na Costa Oeste dos Estados Unidos, que conta com a Califórnia Plein-Air Revival. Em Toledo, a proprietária do ateliê Espaço Aberto, Adriana Grezzi, pretende oferecer um espaço para artistas conhecerem e praticarem o Plein Air. A ideia surgiu quando ela conheceu o artista plástico Marcelo Romani, que expôs suas obras no local. “Atingi um ponto dentro do realismo que percebi uma necessidade de mudança de foco. Meu próximo passo agora é colocar um pouco mais de impressionismo em minhas obras. Essa nova era em
Paisagens impressas sob os raios do sol trazem o realismo às telas
minha vida chega com esse desejo de mudança, mudança essa que é colocar um cavalete na rua e pintar uma paisagem” explica Grazzi. A artista acredita que esse foi o principal foco da visita de Marcelo, que realizou a exposição e um workshop.
Texto: Susy Fontenele
A EXPOSIÇÃO DE PLEIN AIR O empresário e artista plástico de Piracicaba (SP), Marcelo Romani, expôs no atelier Espaço Aberto de Toledo 34 telas pintadas, com a maioria tendo a temática Plein Air. As pinturas ficaram expostas durante o último fim de semana do mês de março. Romani, que desde 1991 tornou o hobby lucrativo, criou em Piracicaba um grupo de pinturas com foco na arte Plein Air junto a outros artistas plásticos. Ele já expôs suas obras em diversas partes do país e, inclusive, já recebeu diversos
prêmios. A exposição foi realizada pela primeira vez em Toledo que aprovou os resultados e pretende voltar para expor mais pinturas em Plein Air. Suas obras também já foram divulgadas em revistas internacionais conceituadas. Fotos: Arquivo Pessoal
Educação em Foco
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MÃES ESTUDANTES
Jovens que lutam para ter uma profissão Muitas das jovens que acabam sendo mães no início ou no percurso de uma jornada de estudos sabem o quanto é difícil conciliar o ensino superior e uma vida materna. Cuidar de suas casas e filhos e ainda ter tempo para dedicar-se na faculdade podem ser duas tarefas complicadas ainda mais quando se tem uma rotina acadêmica baseada em estudos, estágios, trabalhos e amigos. Para isso essas jovens mães devem ser fortes, seguir em frente e enfrentar seus obstáculos seja financeiramente ou em convívio social. Em alguns casos a junção das duas atividades pode prejudicar de maneira cruel tanto a relação com o bebê, quanto aos estudos. Para a estudante de Administração que preferiu não se identificar, F. S, de 21 anos, passou
até o sétimo mês estudando, parou por que estava com ameaça de aborto. “Tive que parar pois estava indo mais no hospital que na faculdade, então resolvi trancar por alguns meses”, aborda a jovem. Assim que a jovem teve seu neném, ficou mais alguns meses parada até organizar sua vida maternal e voltou à rotina de estudos. “Nunca pensei em desistir, até porque meus pais e colegas sempre me apoiavam em tudo que precisava, era difícil enfrentar sozinha, trabalho, faculdade e minha filha, mas tenho sempre o apoio de meus pais para me ajudar, enquanto estou na faculdade estudando, minha filha fica com eles”, ressalta. A gravidez nas jovens não decorre por falta de informação
Apesar das dificuldades encontradas, a jovem não abandonou o curso
Texto: Claudinéia Carletto
ou orientação, a maioria das o motivo de não querer mudar o jovens que engravidam agem rumo da sua vida com a chegada conscientemente, apenas sem de um bebê. avaliar, ao longo prazo, as As jovens que acabam consequências de seus atos. Desde engravidando por descuido ou a infância já são informados com até mesmo aquelas que decidem um programa governamental e engravidar no momento que estão educacional capaz de conscientizá- na faculdade em tempo de estudos, los, mais do que apenas informá- tem todo o direito de receber um los, sobre o acompanhamento Com o apoio assunto que especial. A ideia é que envolve a vida dos meus pais e ela possa acompanhar sexual. “O jovem os conteúdos dados colegas, consegui além de curioso, em sala de aula, sem vencer as gosta de se prejudicar o período aventurar em dificuldades”[...] de gestação e de coisas novas, estudo. afirma a A lei Federal n.º coisas que lhes 6.202, de 17 de dão prazeres, estudante. abril de 1975, a pois quanto mais se aventuram mais coisas novas qual regulamentou o regime de eles buscam”, aborda a psicóloga exercícios domiciliares, instituído pelo Decreto-Lei n.º 1.044, de Marciane Grassiele Sotoriva. 21 de outubro 1969, ampara a Muitas jovens acabam questão educacional e a estudante encontrando dificuldade em gestante, regulando seu período de conciliar faculdade e ser mãe, afastamento em face da gestação então resolvem abandonar seu a partir do oitavo mês e durante curso ou por que não consegue três meses a estudante ficará tirar tempo para estudar e dar assistida pelo regime de exercícios atenção ao filho. Lidar com as domiciliares e pode fazer trabalhos mudanças físicas, psicológicas e provas em casa. O decreto-lei instituiu o e as exigências que uma criança chamado “regime de exceção”, demanda não são tarefas fáceis àqueles alunos quando já existe uma rotina destinado merecedores de tratamento planejada e objetivos para seguir, seja na carreira ou na vida pessoal. excepcional, atribuindo a estas Outra dificuldade é a falta de estudantes, como compensação da ausência às aulas, exercícios apoio, e de confiança em alguém, domiciliares com acompanhamento até mesmo no companheiro, leva da respectiva escola. E ainda, em a uma sensação de estar sozinha, casos excepcionais, através de de ser o fim da “linha”, de querer comprovação médica, o período desistir de tudo ou em segunda pode ser aumentado, antes e após hipótese e com alta incidência, o parto.
Educação em Foco
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BENEFÍCIO
Fies tem cerca de 20% de alunos beneficiados na Fasul A procura pelo Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) programa do Ministério da Educação criado em 1999 - cresce a cada ano. Alunos que terminaram o ensino médio e querem fazer uma graduação veem no Fies uma oportunidade para financiar os estudos em faculdades particulares. Na Faculdade Sul Brasil, cerca de 20% de alunos são beneficiados pelo programa. O coordenador da Fasul, Valmir Chepeletti, explica que o programa do ministério da educação, é um fundo de financiamento estudantil, destinado à graduação na educação superior e desde que foi implantado no ano de 1999 a instituição aderiu. De acordo com Chepeletti todos os alunos que
são matriculados em instituição em ensino superior privada e que atendam aos requisitos estipulados pelo Ministério da Educação podem solicitar o Fies. Desde março deste ano é exigido do aluno a nota do Enem para inscrever-se no Fies. O coordenador conta que em todos os cursos há financiamento, mas a maior procura é pelos alunos matriculados nos cursos em que a mensalidade é alta, como por exemplo, de Direito. Segundo Valmir entre 18% a 20% dos alunos da instituição possui o financiamento. “A cada ano vem aumentando a procura pelo Fies aqui na instituição principalmente depois de 2010, quando os juros caíram”,
Estudantes deixam filhos em CMEIS de Toledo
Texto: Greciele Marangon
Diariamente nascem crianças em todo o mundo, e partir de algum momento as mães destas crianças precisam desligar-se de seus filhos para que possam seguir suas profissões e estudos. Neste período as crianças vão para os Centros Municipais de Educação (CMEIS). Em Toledo, as mães também contam com o local que acolhe crianças de 0 a 3 anos. Algumas acadêmicas e até mesmo acadêmicos precisam Foto: Divulgação
CMEI Katiuscia Gayardo, Jardim Europa
prosseguir seus estudos na Faculdade após o nascimento dos filhos e têm nesta uma boa opção para que as crianças estejam bem cuidadas enquanto dedicam-se em suas graduações. O município de Toledo à cada vez mais tem reduzido as filas de espera, auxiliando estes pais. Em documento divulgado pela Promotoria de Justiça e Proteção à Educação de Toledo, a lista de espera por creches e pré-escola no município foi reduzida em 40%. A Secretária de Educação de Toledo, Tânia de Grandi, explica que as crianças entram nos CMEIS diante de uma lista de espera “A entrada nos centros diz respeito à lista, que é transparente e publicada mensalmente, além de ser sempre atualizada”. A Secretária de Educação comenta sobre a importância de prestar esclarecimentos a população “Estamos sempre à disposição da
Foto e Texto: Franciele Rocha
finaliza. A estudante de Jornalismo, Jéssica Freitas, 22, diz ter optado pelo Fies devido às condições financeiras. Ela conta que conseguiu 100% do financiamento e vai a começar a pagar o curso depois de concluir a graduação, com parcelas equivalentes à R$180,00 por mês. “O Fies é uma boa oportunidade para quem sonha em ter uma formação mas não tem condições de arcar com as mensalidades, assim como eu”, explica a estudante. O financiamento precisa ser renovado a cada seis meses. Além da frequência, exige-se do aluno que não acumule dependência em Jessica Freitas, estudante do 3º período de Jornalismo da Fasul mais de duas disciplinas.
Como solicitar o FIES O primeiro passo para efetuar a inscrição é acessar o site e informar os dados solicitados. Tenha feito o Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem (para estudantes que concluíram o ensino médio a partir de 2010), com pelo menos 450 pontos de média nas provas e nota maior do que zero na redação.
São três faixas de financiamento: 50%, 75% e 100% - que dependem de fatores como a renda familiar. Estão dispensados de apresentar fiador para o FIES aqueles estudantes que têm renda familiar bruta per capita de até um salário mínimo e meio. O prazo de aprovação é de no máximo 10 dias. O aluno só irá começar a pagar o FIES 18 meses após a formatura e terá 13 anos para concluir o pagamento.
população, porque a Constituição somam um investimento de mais Federal trata do direito de acesso de 58 mil reais do Governo Federal como direito da criança”. em melhorias na Educação Infantil Municipal. INVESTIMENTOS Tânia de Grandi ressalta que o município está satisfeito com os O Governo Municipal assinou serviços prestados a comunidade contratos para aquisição de materiais pelos CMEIS, mas que os trabalhos e equipamentos do Programa Brasil não podem parar “Satisfeitos temos conseguido Carinhoso de apoio suplementar estamos, ampliar os números de vagas, mas a educação infantil. As aquisições não podemos parar, as questões beneficiarão os 21 CMEI’S da Secretaria Municipal de Educação, sobre educação devem avançar cujas famílias são beneficiárias do sempre e temos um longo caminho a percorrer ainda”, finaliza. programa bolsa família. Os contratos
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MATEMATICA
Medalhista da Obmep 2014 participa de programa de iniciação cientifica jr
Em 2014 o Núcleo Regional de Educação de Toledo teve o segundo melhor desempenho da OBMEP no Paraná Neste ano ocorre mais uma edição da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). A Obmep 2015 é organizada pelo Instituto Brasileiro de Matemática Pura e Aplicada, e vai premiar 6,5 mil alunos com medalhas. Sendo 500 medalhas de ouro, mil e 500 de prata e 4 mil e 500 de bronze, além de 46 mil e 200 menções honrosas. Como nos anos anteriores, serão três níveis Foto: Greciele Marangon
Léo Inácio Anshau fala sobre a Obmep 2014
de participação na olimpíada: alunos do 6º e 7º anos do ensino fundamental; do 8º e 9º anos do ensino fundamental; e do 1º, 2º e 3º anos do ensino médio. Gabriela Cittadin, 16 anos, estudante do Colégio Estadual Presidente Castelo Branco (Premen) participou da Obmep 2014 e foi uma das alunas destaques de Toledo, com bons resultados. A aluna que no ano passado cursava o segundo ano do ensino médio conta que realizou a primeira fase da prova sem pretensões de passar para a segunda “Fiz a primeira fase sem nem pensar em segunda fase e tudo mais, mas não fiz de qualquer jeito porque eu gosto bastante de matemática e queria ir bem. Quando soube que passei pra segunda fase fiquei animada, já que nunca tinha passado. No dia que fui fazer que eu vi que a segunda fase é bem diferente porque realmente não tem como você chutar e ir na sorte, porque não é de assinalar, tem que colocar lá o raciocínio que utilizou, colocar as contas e bem especificado até pra eles entenderem melhor na correção”. Historicamente todos os ganhadores de medalhas são convidados para ingressar no Programa de Iniciação Científica Jr. que é desenvolvido no ano seguinte ao das provas, em que os participantes recebem uma bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.
Texto: Greciele Marangon
Após a segunda fase, a honras. Esperamos ainda esse ano estudante obteve bons resultados manter uma boa participação dos conquistando medalha de bronze. alunos e professores”. Gabriela menciona que não sabia As inscrições para a 11ª edição que sendo medalhista ganharia 2015 da Obmep, terminaram em um curso de iniciação cientifica março. A prova tem como objetivo “Ninguém tinha me avisado dessa descobrir talentos e estimular o parte, fiquei sabendo por carta da interesse pela área nos alunos. Obmep nas férias” As provas da primeira fase serão A estudante iniciou o aplicadas em junho. Para a edição treinamento na semana passada 2015, estão sendo esperados 18 e relata como está sendo a milhões de participantes de 99% experiência. “Começou semana dos municípios brasileiros. Foto: Arquivo Pessoal passada o PIC, ele é via internet e tem uma vez por mês reunião presencial, confesso que ainda não fiz muito além de entender e conhecer o site, mas parece ser bem legal e que vou aprender ainda mais sobre matemática”. O Chefe do Núcleo Regional de Educação de Toledo, professor Léo Inácio Anschau destaca que as escolas são sempre orientadas a realizarem a inscrição dos alunos “As escolas sempre são orientadas desde o princípio a fazerem suas inscrições, todas as nossas escolas deveriam escrever todos os seus alunos”. Ele explica ainda que o núcleo supervisiona colégios de 16 cidades da região, totalizando 35 mil estudantes aptos a realizarem a prova da Obmep “São 92 escolas, 35 mil estudantes, e todos podem participar”. O Chefe do Núcleo Regional de Educação de Toledo ressalta o bom desempenho dos alunos da região historicamente “Em 2014 fomos o segundo melhor desempenho no Paraná como Núcleo Regional, Gabriela, 16 anos, medalhista da Obmep temos avançados em medalhas e 2014
Mova-se
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NATAÇÃO
Atletas encontram estrutura e suporte técnico para a prática esportiva em Toledo
Texto: Felipe Fachini
dos Jogos Abertos do Paraná (JAPs) que infelizmente não alcançou nenhuma vitória. Visto que o time adulto Toledano é composto mais por pessoas que jogam pelo amor ao esporte e não profissionalmente. “Apesar das derrotas é de se admirar que pelo menos no basquete se faça tantas coisas com recursos limitados, principalmente incentivar a molecada que quer começar a jogar e sonha com isso”. Entre um desejo e outro Rafael gostaria que houvesse mais investimentos, já que segundo ele a região tem um potencial muito grande não só no basquete. “Toledo sempre foi respeitada, mas minha na minha opinião a principal força que move o esporte daqui pra frente é a vontade dos que querem jogar e dos profissionais e técnicos que fazem muita coisa as vezes em troca do simples prazer de participar de um time ou se divertir na quadra”.
Piscina olímpica dos Centro Esportivo Complexo 14 de Dezembro
Natural de Guaíra o estudante de engenharia eletrônica, Rafael Mateus Tischer, 23 anos, sempre foi envolvido com o esporte, especificamente na modalidade de basquete. Quando mais jovem, em razão ao esporte, se mudou para a cidade de Franca no estado de São Paulo. Permanecendo por cinco temporadas nas categorias de base da equipe local. “Devido aos estudos tive que vir pra Toledo, foi onde retomei o esporte e joguei algumas competições pelo município”. Ele comentou que o basquete ainda não é um esporte muito
comercial no país que poucas equipes oferecem o mínimo de estrutura necessária para um atleta jogar. “Com a minha experiência posso dizer que Toledo é um caso a parte no Brasil. Aqui eles investem e dão apoio pra quem quer participar, e isso não é só no basquete”. Rafael ressalta a Associação dos Amigos do Basquetebol Masculino de Toledo (Abatol) que além do apoio da prefeitura e de alguns patrocinadores depende muito de ações realizadas pelos próprios atletas e familiares. Ele destacou que no ano passado foi montado um time para participar Centro Esportivo Jaime Zeni
O curitibano e zootecnista, Ayrton Pacheco Júnior, 30 anos, atualmente também usufrui das instalações esportivas existentes em Toledo para à prática da modalidade de natação. “Estou residindo em Toledo a pouco mais de um ano e já faço parte da equipe toledana. Na capital do estado eu competia pela equipe local de lá”. No currículo, Ayrton tem competições como a travessia dos Fortes realizada no Estado do Rio de Janeiro. Além do desafio dos 24 quilômetros a qual competiu no município de Bombinhas em Santa Cataria, Meeting de Masters do Paraná entre outras provas. “O município de Toledo e a Associação Toledo Natação está me dando suporte e treinos realizados por professores altamente capacitados e experientes. O que me mantem em um alto nível competitivo tanto para provas de travessias ou piscina”. Fotos: Reprodução
Mova-se
Março/Abril de 2015
ATLETA NA UNIVERSIDADE
Programa Bolsa Atleta beneficia com a inclusão de atletas na universidade
Foto: Reprodução
Atletas e autoridades reunidas para assinatura do projeto Bolsa Atleta
Implantado em Toledo em dezembro de 2014, o programa atleta na escola incentiva a inicialização do atleta na vida acadêmica, são 30 bolsas de R$ 400,00, pagas mensalmente em 12 parcelas iguais para os atletas selecionados, os atletas por sua vez devem estar matriculados regularmente no curso de educação física. A secretaria de esportes, Marli Gonçalves, contou que o programa incentiva a continuação do atleta na pratica do esporte jogando as competições oficiais pelo município de Toledo. “O programa melhora o rendimento dos atletas, o curso conta como hora atividade no curriculum dos desportistas, outra regra é que o atleta esteja representando o município nas competições, contamos com atletas de ponta, que estão representando a seleção brasileira”, disse a secretária.
Texto: Douglas Alves
Lucas Eduardo Roman é atleta da modalidade do basquetebol, além de representar Toledo em varias competições, ele divide seu tempo entre o treinamento e a universidade. “O programa só tende a acrescentar na minha vida, além de incentivar a continuidade no esporte ao mesmo tempo oportuniza meu conhecimento a respeito, do esporte aliando a teoria e a pratica.” Disse o atleta, perguntado se pretende continuar na modalidade após o termino da carreira, o atleta refutou que ainda não decidiu. “Por enquanto só penso na vida como atleta e terminar a graduação, vou vivendo uma etapa de cada vez, se aparecer a oportunidade analisarei, o basquete tem sido um alicerce para minha vida e quem sabe com o curso de educação física possa estar atuando como um professor ou treinador”, finalizou o atleta.
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Motivos que levam o jovem a abandonar o esporte
Texto: Douglas Alves
Se nos dias atuais tanto a escola quanto a rotina familiar para os estudos são cada vez mais exigentes para o desempenho, e as relações pessoais são cada vez mais intensas até mesmo no meio virtual, é compreensível que o esporte passe muitas vezes a ser um estorvo para se cumprir uma rotina qualquer. Não obstante, é fundamental compreender que o esporte pode ser um agente auxiliar na melhoria para essas mesmas exigências relacionadas acima, pois ele favorece o desenvolvimento de habilidades psicológicas como a concentração e o controle da ansiedade como também promove saúde plena para que o jovem expresse melhor toda sua energia psicofísica em suas relações familiares e sociais. Outro motivo alegado para o abandono precoce de jovens da prática esportiva. Quanto mais o jovem se dedica ao esporte, naturalmente a maior exigência por desempenhos superiores ocorrerá, o que significa tempo maior de treinamentos e competições. Nesse sentido é preciso fazer o jovem compreender que a delimitação de atividades é a norma para aqueles que querem se dedicar ao esporte mais seriamente e assim as outras atividades consideradas secundárias tornam-se mais restritas. A rotina de treinamento monótona é um forte motivo que jovens alegam para o abandono do esporte. Já escrevemos que o que desanima as pessoas e prejudica a concentração não é a rotina, muito pelo contrário, uma boa rotina pode
ser estimulante e favorece a concentração. O problema é a rotina de má qualidade. Essa gera ansiedade, desânimo e prejudica a concentração. Assim sendo, é preciso desde cedo observar se a rotina dos jovens envolvidos com o esporte é de qualidade, estimulante e diversificada, a fim de providenciar motivação e manter interesse constante. Para isso a infraestrutura e recursos humanos de qualidade são prérequisitos indispensáveis. Se com determinado tempo de prática esportiva o jovem percebe que não tem avanços significativos em relação aos outros colegas e com seu próprio rendimento, ele fatalmente abandonará o esporte. Por isso, quando ele escolheu uma determinada modalidade esportiva para treinar mais seriamente, deve ser estimulado frequentemente a melhorar suas habilidades e perceber avanços contínuos. Para tanto, oferecer possibilidades.Por fim, sempre é bom lembrar que insistir em uma atividade qualquer na vida, onde se deseja um bom desempenho, é preciso ter uma atitude básica voltada para o crescimento.
Mova-se ESPORTE
Toledo respira e inspira a prática esportiva
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Foto: Reprodução
destacou a secretária da pasta Marli Gonçalves Costa. Para ter ideia dos resultados obtidos através dessas politicas que incentivam a prática desportiva no município. A população estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia Texto: Felipe Fachini “Vale tudo só não pode ficar e Estatísticas (IBGE) em Toledo parado”. Essa famosa frase que no ano de 2014 era de 130 mil chega a ser um verdadeiro clichê habitantes. Se levarmos em conta em muitas academias de ginástica esses números em relação aos e de musculação parece ter tomado atendimentos feitos pela SMEL conta do município de Toledo. Que chegaremos ao resultado que aponta desde 2013 tem trabalhado através 26,9% da população envolvida da Secretaria de Esporte e Lazer em alguma modalidade esportiva. (SMEL), para garantir a promoção das Esses números crescem ainda políticas públicas de democratização mais se consideramos as pessoas que usufruem dos equipamentos do esporte e do lazer. Ao todo são oferecidos mais de e instalações que permitem a 35 mil atendimentos todos os meses prática esportiva gratuita e sem a fazendo jus ao lema adotado pela supervisão de um profissional. Esse é o caso das academias ao Secretaria de Esporte de Toledo; da criança ao Idoso, Esportes e Lazer ar livre, espalhadas por vários bairros para Todos “Nosso objetivo não é da cidade. Ou ainda dos espaços só promover ações esportivas e de abertosa população como o Parque lazer. E sim tornar o esporte em suas Ecológico Diva Paim Barth, Lago Dos diversas formas e modalidades algo Pioneiros e Parque do Povo Luiz Cláudio democrático, atingindo assim todas Hoffmann, que juntos diariamente Ciclistas durante a 1ª Etapa da Copa Oeste de Ciclismo as faixas etárias sem restrições”, reúnem milhares de pessoas. Marli ainda destaca que o esporte é algo nos deparamos com os diversos fundamental para todas as idades, programas como o Idoso em trazendo saúde e alegria a todos. Movimento, RecreAção, Academias “Entendemos essas práticas são da Terceira Idade, Verão no Parque, fundamentais para o desenvolvimento Trilha do Remo, Coração no Ritmo tantos das crianças, adolescente, e Certo, Dança Circular, Esporte jovens. Além de auxiliar na formação Cidadão, Atleta na Universidade, de cada cidadão”. sem contar as competições do Questionada sobre qual a receita Esporte Comunitário, Jogos Abertos para o sucesso tem se destacado no de Toledo (JATOO) e Jogos Escolares cenário não só estadual como também de Toledo (JETO’s), vemos que não nacional, Marli ressalta a importância é um exagero. “Além de promover de uma boa equipe técnica por trás o esporte e como consequência de tudo. “Atualmente, temos 54 a cidadania, a qualidade de vida profissionais e quatro estagiários na e a saúde. Nós também estamos área da educação física o que torna colhendo alguns frutos. São vários o nosso trabalho muito mais técnico os atletas que começam aqui e se e direcionado, proporcionando maior destacam em suas modalidades, qualidade na execução de cada alcançando as seleções estaduais e atividade, além de evitar lesões”. até mesmo nacionais. Posso dizer Parece até exagero dizer que que estamos nos tornando um celeiro Centro da Juventude Mariana Luiza Von Borstel Toledo respira esporte, mas quando de jovens talentos”.
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ATLETA DE OURO
Angélica Kvieczynski destaca-se na ginática rítmica aos 23 anos A atleta toledana Angélica Kvieczynski divide seu tempo entre duas paixões: a vida de atleta e a trajetória acadêmica.a Aos 23 anos a atleta tem um quadro de medalhas expressivo. Hexacampeã brasileira, bicampeã dos Jogos Sul-Americanos, três vezes eleita a melhor ginasta do país pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e a primeira brasileira a conquistar uma medalha no individual geral em Jogos Pan-Americanos. Os títulos comprovam a supremacia de Angélica nas competições em Ginástica Rítmica. Em meio a tantas conquistas existe uma que está sendo construída paulatinamente. A ginasta cursa Educação Física
na Universidade Paranaense (UNIPAR), Angélica ainda não sabe ao certo qual área atuará após o término da graduação. “Eu estou fazendo faculdade de Educação Física, mas ainda não sei o que vou fazer depois da Olimpíada do Rio. Vou deixar para decidir depois se vou continuar”, dissea atleta. Questionada se pretende aliar o curso com o esporte no qual é especializada, Angélica falou que não tem como fugir da responsabilidade. “Ah, acho que não vai ter como fugir dessa responsabilidade. Hoje eu já tenho uma grande experiênciae acho que tenho muito a passar para Angélica conquistou quatro medalhas as gerações futuras. Também no Panamericano de Guadalajara penso em entrar numa área administrativa para melhorar cada vez mais o nosso esporte. Ainda não estou pensando muito nisso, porque tenho um outro foco agora”, analisou a ginasta. Em Toledo, sua cidade natal, Angélica disse que há um projeto que difunde a ginástica rítmica além de parcerias. “Em Toledo temos um projeto bem grande com ginástica, que tem cerca de 1500 crianças treinando, entre escolinha e alto rendimento. A prefeitura da cidade tem alguns parceiros que mantém esse projeto, como Sadia, SESI, Unimed e Itaipu”, informou a atleta. Angélica afirma que já tem metas para 2015 e 2016. “Nós já conseguimos vaga para Toronto e para o Pan-Americano desse ano. No Campeonato Pré-Pan eu fui a primeira brasileira, com bastante
Representante do Brasil em competições internacionais
Texto: Deyvyty Wyllian
diferença e trouxe seis medalhas da competição. Eu quero trazer o máximo de medalhas possível e eu acredito que tenha essa possibilidade. Já no que diz respeito as Olimpíadas, esse ano teremos o Pré-Olímpico, que vai classificar as 20 ginastas no individual para a Olimpíada. No conjunto, já não sei quantas vagas serão distribuídas. O Brasil tem uma vaga por ser país-sede, mas não é o que eu quero. Eu quero é conquistar a minha própria vaga. É para isso que estou trabalhando. A comissão técnica fez um planejamento para eu estar no auge em 2016”, finalizou a atleta. Fotos: Reprodução
Recebendo o Prêmio Gazeta do Povo de melhor atleta do ano 2011
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QUEBRANDO O TABU
Um respeito à mulher chamado parto humanizado O termo humanização carrega em si interpretações diversas. A qualidade de humano em nossa cultura quase sempre se refere à ideia de ajudar o próximo , ser bom, dócil, empático e amável. Nesse contexto, o Parto Humanizado é diferenciado do parto normal, aquele o qual conhecemos. Este tipo de parto não segue uma regra, ele acontece dentro dos planos escolhidos pela mãe durante a gestação. O princípio básico do parto humanizado é respeitar a natureza da mulher, escutar o seu corpo e prestar os atendimentos necessários. A humanização do parto tornouse conhecida depois do crescimento da violência obstétrica, motivo pelo qual levou muitas mulheres a optarem pelo parto humanizado. No caso do parto normal, elas são submetidas à atos considerados violentos na hora de dar a luz. “Muitas mulheres são privadas de se alimentar, beber água e movimentar-se. São submetidas à posições desfavoráveis para o bebê e a ingerir drogas específicas para acelerar o trabalho de parto. Outras ainda passam por um
desgaste emocional, são julgadas, oprimidas e até mesmo proibidas de gritar”, esclareceu a psicóloga e doula Adriana Liell. Por esta e outras razões, no município de Toledo, algumas mães optaram pela humanização. Decisão realizada pela farmacêutica Andressa Muller Schiavinato, que ao pesquisar sobre o assunto e conversar com sua fisioterapeuta obstétrica, entendeu o porquê de muitas pessoas se assustarem ou até mesmo sentirem aversão ao parto normal. “No parto humanizado não se realiza a episiotomia, que é o corte na vagina. Já no parto normal hospitalar, eles acabam fazendo esse tipo de corte para acelerar o processo”, conta Andressa. O parto humanizado pode ser realizado tanto no hospital como em casa (domiciliar), com o auxílio de enfermeiros obstetras. O médico é solicitado em últimos casos, e a gestante só pode realizar o parto desde que não haja complicações para ela e para o bebê. Outro profissional importante neste processo é a ‘Doula’. Ela é responsável por dar suporte emocional antes e depois do parto. Além do mais, ela é capacitada para instruir as gestantes nos dias que antecedem o parto e também durante os primeiros dias com o bebê. “A Doula não substitui o acompanhante, apenas faz parte da equipe. E no pós parto orienta a amamentação, cuidados com o bebê, dicas para aliviar os desconfortos e a qualquer necessidade que aquela mulher no puerpério posso precisar”, esclarece a doula Adriana. UM CASO DE AMOR
Andressa e Rafael durante o parto humanizado
A farmacêutica Andressa e o seu esposo Rafael optaram pelo parto humanizado do pequeno Samuel. Para isso, duas enfermeiras deram o suporte. O trabalho de parto começou
Texto: Bruna Potrich
Samuel nasceu saudável com 2,9 quilogramas
às 5 da manhã de um domingo, com poucas contrações. Às 15h, a frequência das contrações passou a ser de cinco em cinco minutos, diminuindo a cada hora. Para controlar a dor, Andressa tomava banhos quentes e recebia massagens das enfermeiras. “A água quente alivia a dor, é confortável para mãe”, conta a farmacêutica, que desde criança quis ter parto normal, mas não imaginava que seria em casa. É recomendado que ao nascer o bebê permaneça junto a mãe e seja realizada a primeira amamentação. Assim aconteceu com Samuel, que veio ao mundo às 23h45 e foi para o colo de Andressa. Ela garante que toda dor e espera é compensada ao ter o filho em seus braços. “Isso é divino, uma sensação única pegar o filho no colo. É inacreditável como somos capazes de gerar uma vida e ela ser perfeitinha, te olhar
e reconhecer, só Deus mesmo”, conclui a mãe. Para as futuras mamães que pensam em ter um parto humanizado, existe um grupo de apoio no município, chamado Gesta Toledo. Todos podem participar, é só acompanhar as programações do grupo nas redes sociais. Fotos: Arquivo Pessoal
O nascimento de Samuel completou a alegria do casal
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LEUCEMIA
Transplante de Medula Óssea é sinônimo de vida
chamados de leucócitos, que são alogênicas, são as células tronco responsáveis por grande parte do de outra pessoa, no caso, um nosso sistema imunológico. Elas doador, que precisa ser compatível podem ser agudas ou crônicas, e saudável para a doação. Fotos e Texto: Daiane Lemos porém as piores são as agudas que Atualmente um dos grandes sobre a doença, o Doutor Dante se não for tratada com urgência, L.E. - Em que caso o transplante males que assombram a sociedade Morelli, oncologista clínico, da pode comprometer e muito a vida é recomendado? no que diz respeito à saúde são os Uopeccan (Hospital do Câncer), do paciente. cânceres. A cada ano que passa os da cidade de Cascavel, respondeu D.M: O paciente fez o tratamento índices da doença só aumentam. algumas perguntas sobre Leucemia L.E. - Quais são os principais com quimioterapia, obteve uma sintomas da doença e quando Embora nos dias de hoje com o e transplante de medula óssea. boa resposta, mas infelizmente se deve procurar um médico? avanço da medicina e pesquisas a doença voltou. Nesse caso, relacionadas às patologias, a Livre Expressão - O que é a D.M: O paciente deve ficar atento o transplante é recomendado, chances de cura também se leucemia? ao emagrecimento repentino, por isso, logo que o paciente tornaram bem significativas. fraqueza, cansaço, sinais de realizou a quimioterapia e esta Hoje existem 100 doenças Dr. Dante Morelli: Leucemia é hematomas, manchas roxas, bem, já indicamos que ele faça conhecidas por câncer, dentre uma doença grave hematológica, febre sem significado o transplante, elas está a Leucemia. A chance de ou seja, um câncer no sangue, cura deste câncer é por meio de no qual as células do sangue e ínguas. Nesse caso, porem nesse caso Para mim é uma transplante de medula óssea. Apesar não funcionam da maneira que é importante que se fica a critério dele. responsabilidade de ser um tratamento eficaz, existem deveriam. Ela é uma doença procure um médico Mas podemos dizer moral, uma algumas dificuldades. Entre elas, a malígna que acometem os glóbulos para que ele encaminhe que o transplante solidariedade para de encontrar um doador compatível. brancos, presentes nas glândulas um hemograma, e por é uma alternativa com o próximo. Para esclarecer algumas dúvidas linfáticas e na corrente sanguínea, meio desse exame é positiva em relação enfatizou o que se diagnosticam à cura. alterações que podem médico. ser ou não resultados da doença. Nesse caso, o paciente L.E. - Para você, qual é a realiza um exame chamado de importância de ser um doador? mielograma, porém só a biopsia da medula óssea é que define a D.M. - Para mim é uma confirmação do diagnóstico. responsabilidade moral, uma solidariedade para com o próximo. L.E. Como funciona o Para o doador, nenhum prejuízo tratamento? terá a saúde, então porque não D.M: O tratamento é por meio de ser um doador, se com esse gesto quimioterapias, que nada mais é pode se salvar uma vida? que injetar no paciente, por meio da corrente sanguínea, remédios L.E. - Quais são os riscos chamados de quimioterápicos para do transplante e porque as matar as células ruins do corpo. pessoas têm tanto medo de Outro procedimento, também ser um doador? nesse tratamento, é o transplante de medula óssea, muito eficaz D.M - Um dos maiores riscos é na cura da doença, podendo ter a infecção. O paciente antes do dois métodos de transplantes: o procedimento do transplante autólogo e o alogênico. No autólogo passa por uma quimioterapia é utilizado as próprias células tronco muito forte para matar todas do paciente que são retiradas, as células ruins, porém a boas tratadas e depois de curadas sem também são comprometidos. nenhuma possibilidade de células Nesse caso, ele fica com o cancerígenas são transplanta sistema imunológico muito baixo, Doutor Dante Morelli, oncologista clínico da Uopeccan (Hospital de Câncer) novamente no paciente. Já as propício para infecção, tanto de Cascavel.
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antes e depois do procedimento. Sobre o medo de ser um doador, talvez por falta de informação ou comodidade. Outra coisa seria por medo da dor, que na realidade, nem existe, pois o procedimento da coleta da medula é bem simples. O paciente é anestesiado, só sentindo um pequeno desconforto após o procedimento.
Cleide Felipinho, paciente da Uopeccan “A medula para os outros, pode não significar nada, mas para mim, nesse momento é tudo”.
como um minuto vale muito. Para Cleide Felipinho, 39 anos, casada e mãe de dois filhos, a felicidade e gratidão ao conseguir um doador é enorme. Ela descobriu que tinha leucemia, em dezembro de 2010 e de lá pra cá o tratamento não foi nada fácil. Cleide afirma nunca ter perdido a esperança. O transplante que até então A FELICIDADE DE SE ENCONTRAR não foi realizado, deve-se ao UM DOADOR COMPATÍVEL fato de seu sistema imunológico estar muito fraco. A partir do Só quem está na espera de momento que entender que um doador compatível sabe está apto para receber um
DST: o mal sem rosto Todos já ouvimos falar ou já dispensamos algum folheto informativo sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), que são aquelas adquiridas ou transmitidas através do contato sexual (vaginal, oral ou anal). Porém também podem acontecer por outras vias. É importante lembrar que contato sexual não é somente o ato sexual propriamente dito, mas também carícias que envolvem a região dos órgãos genitais e onde as pessoas ficam expostas à secreções e podem se contaminar. É preciso haver conscientização de que as Doenças Sexualmente Transmissíveis não apenas atingem profissionais do sexo, homossexuais ou usuários de drogas, como até pouco tempo se pensava. As DSTs não tem cor, idade ou classe social. Em Toledo, o Serviço de Assistência Especializada (SAE) e o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) atendem aproximadamente 500 mil pessoas que correspondem aos 19 municípios da 20ª Regional de Saúde. O atendimento é inteiramente sigiloso, gratuito e oferece total acompanhamento por uma equipe
doença. Algumas são até mesmo assintomáticas por um longo período. Foto e Texto: Francieli Baumgarten de profissionais. Atualmente existem De uma forma geral se manifestam 776 pessoas em acompanhamento como corrimento vaginal ou peniano, no CTA/SAE infectadas pelo HIV, úlceras genitais e verrugas. sendo que 372 estão em tratamento, 15 são gestantes e 28 crianças. L.E: Podemos classificá-las em Para esclarecer mais dúvidas mais graves e menos graves? sobre o assunto, o Jornal Livre Expressão conversou com L.S: Depende do estágio da doença o Dr. Luciano Sponchiado, e do acesso ao tratamento. Por clínico geral e proctologista. exemplo, hepatites podem evoluir pra cirrose, câncer e insuficiência Livre Expressão: Quais as hepática. A infecção por HIV pode doenças que mais atingem os progredir pra AIDS (ou SIDA) além de outras infecções oportunistas, jovens? podendo levar ao óbito. O HPV L.S: Infecção por Clamídia, (papiloma vírus humano) pode Gonorréia, Sífilis, HPV, Herpes, estar relacionado com o aumento do índice de casos de câncer do Hepatites e HIV. colo do útero, ânus e pênis. De L.E: As DSTs têm cura ou tratamento? L.S: Todas as doenças têm tratamento e a maioria tem cura. As que não têm cura até o momento são as doenças causadas por vírus, como Herpes, HPV e HIV. L.E: Quais os principais sintomas apontados pelas doenças? L.S: Variam de acordo com a
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transplante, ele será marcado. Para alegria de Cleide a doadora é sua irmã, a quem tem tamanha gratidão. “Agradeço a ela por estar me dando a oportunidade de me devolver a vida. Estou com muita fé de que tudo vai dar certo”, afirmou Cleide, que com muito entusiasmo faz planos para o futuro juntamente com a família e aproveita para enfatizar a importância de ser um doador de medula óssea. “A medula para os outros, pode não significar nada, mas para mim, nesse momento é tudo”, concluiu Cleide. uma forma geral, as uretrites causadas por gonococos e clamídia são as doenças menos graves, pois respondem prontamente ao tratamento com antibiótico e dificilmente progridem para uma condição mais severa. L.E: Quais os principais cuidados para prevenção? L.S: O principal cuidado é o uso de preservativos em todas as relações sexuais. Além disso, assim que qualquer sintoma ou sinal diferente aparecer, procurar imediatamente um médico para fazer o diagnóstico correto e iniciar o tratamento o mais cedo possível.
Dr. Luciano Sponchiado é formado pela Universidade Federal de PelotasUFPEL, especializado em Cirurgia Geral e Proctologia. Atualmente atende no IGAST Instituto de Gastroenterologia de Toledo, Ciscopar, Hospital HCO Centro Hospitalar do Oeste, Hospital Bom Jesus e Hospital Doutor Campagnolo.
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ENTREVISTA
Piercings e Tatuagens
quais são os riscos?
Os piercings e tatuagens estão cada vez mais comuns entre os jovens. Para alguns uma forma de expressar um sentimento, para outros apenas um hobby. Depois de vencer a barreira do preconceito, ele caiu no gosto da galera e até virou modismo. Os estúdios de tatuagem que antes eram raros e muitos deles clandestinos, hoje seguem na legalidade e na busca de novos clientes. A questão é saber se esses comércios estão dentro das normas da vigilância sanitária evitando a contaminação de doenças. Hepatite C, AIDS, alergias e infecções são algumas das doenças que podem ocorrer com que não toma os devidos cuidados. Reações alérgicas e cicatrizes indesejáveis como as queloideanas também estão na lista. A transmissão de doenças depende muito das normas de esterilização dos instrumentos usados, do ambiente onde é feito, da higiene e de quem está fazendo o ato. O médico Rodrigo Sakata conta que já diagnosticou pacientes com hepatite contraída durante a tatuagem. “O paciente chega com alguns sintomas e então encaminhamos para uma a anamnese, que é um tipo de exame detalhado. Através do resultado e com as informações do paciente, concluímos que a doença apareceu depois que ele fez a tatuagem. Nessa altura, ele já está com hepatite. Existe tratamento, mas a cura depende da doença”. No caso do piercing, em que algumas pessoas colocam em casa, o número é significativamente maior.
A ANVISA desenvolveu uma legislação própria. O material dispõe sobre o funcionamento dos estabelecimentos que fazem tatuagem e perfuram a pele com os piercings. Por meio desta legislação, a Vigilância Sanitária de cada município faz a sua fiscalização. A estudante Graciele Miranda, 19, escolheu colocar seu primeiro piercing no nariz. “Escolhi um estúdio que eu já conhecia. Antes de colocar tive que responder um questionário que perguntava se eu tinha alguma doença, algum tipo de restrição e outras perguntas nesse sentido. A sala era pequena mas bem iluminada. O material de higiene era separado os instrumentos que ele utilizava para Foto: Reprodução
Texto: Sabrina Marques
colocar o piercing. Foi dolorido e conhecimento, a vigilância não precisei usar sabonete antisséptico concede a liberação. E alergias e infecções? para evitar infecções.” Mas o que eu preciso saber antes de fazer uma tatuagem? Ou de colocar um piercing?
É muito relativo. O profissional precisa entender o organismo do cliente na hora de escolher o material a ser usado, assim ele evita uma possível rejeição do corpo. Já infecção é um caso extremo. Uma inflamação é uma reação normal de defesa do organismo, seja de um piercing, implante e até tatuagem.
O Profissional Piercer, Gregue Roberto Herrera de Andrade, 23, atua a 1 ano e meio nos estúdios Derm & Ink Tattoo Studio, em Toledo, e Joana Tattoo Studio, em Santa Helena. Ele contou para nós como funciona o comércio de Como evitar contaminações? tatuagens e piercings em Toledo. É responsabilidade do profissional Acompanhe! cuidar para que os materiais Como é a fiscalização para sejam devidamente esterilizados quem já tem ou quer abrir um e descartáveis. Varia muito de profissional para profissional. estúdio em Toledo? Jamais os instrumentos devem Toledo felizmente, ou infelizmente, reutilizados. é uma das cidades do Paraná com Foto: Arquivo Pessoal mais exigências na hora de abrir um estúdio. É preciso ter alvará, liberação da vigilância sanitária e a autorização do corpo de bombeiros. Como eles avaliam se um profissional está apto a abrir um estúdio? Eles aplicam um questionário e o profissionais precisam ter conhecimento sobre assepsia, contaminação cruzada, esterilização, armazenamento, biocompatibilidade e fisiologia e anatomia do corpo e pele humana. Se alguma dessas questões não for respondida por falta de
Gregue, 23, Profissional Piercer.
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PRINCÍPIOS
A falta – ou não – de ética em ocorrências de assassinatos
Quando se fala em cultura brasileira, uma das primeiras características mencionadas em qualquer conversa é a mesma: o Brasil é um país violento. Reflexo disso é o fato de que brasileiros se sentem atraídos pela violência. Uma prova disso ocorreu na noite de 12 de novembro de 2014, uma quarta-feira marcada pelo assassinato de um taxista no interior de Marechal Cândido Rondon. Na ocasião, policiais, jornalistas e demais curiosos formaram uma ‘comissão’ em volta da cena do crime. O motivo? A possibilidade de tirar fotos do corpo sem vida dentro do veículo. A informação circula de uma forma quase incontrolável nos dias atuais. A facilidade de se acessar a internet em qualquer lugar da cidade, se comunicar com outras pessoas com aplicativos como o WhatsApp torna todos os assuntos sérios do nosso cotidiano verdadeiros vírus. No caso do taxista Moisés Lauermann não foi diferente. Instantaneamente, as fatídicas fotografias da vítima invadiram celulares, computadores e outros meios de comunicação. O problema dessa rápida disseminação é quem a provoca: profissionais responsáveis, justamente, por preservar a imagem de vítimas. Em cenas de crime, dado o tamanho fascínio por corpos fatalmente feridos, é comum ver jornalistas e até mesmo policiais se aproveitando do momento para dar início a um novo assunto. Jonas Castorino, policial rodoviário federal de Foz do Iguaçu, explica como a ética e preservação de imagem era menos cobrada há alguns anos. “Hoje em dia, com essa modernidade e várias redes sociais, é preciso ter cuidado com a imagem de vítimas”. Antes da
Foto: Reprodução
Texto: Gustavo Vieira
existência de aplicativos para celulares e até mesmo Facebook, fotografias demoravam até se tornarem notícia. O policial contou também como não havia o compartilhamento dessas cenas. “A fotografia ficava no celular do policial e o máximo que ele fazia era mostrar para o colega ou para a família”, lembra. Existe uma preocupação entre os veículos de comunicação em relação à abordagem da ética em coberturas jornalísticas. Apesar de não ser algo previsto legalmente, os jornais e demais portais online – responsáveis pela divulgação de imagens – respeitam algumas leis que interferem diretamente nesse ponto. Por exemplo, corpos dilacerados podem ser considerados violentos demais para ser exibidos de forma livre. Dessa forma, eles respeitam algumas regras relacionadas à faixa etária dos leitores. O secretário especial de Coordenação de Programas em Segurança e Trânsito de Marechal Cândido Rondon, Arlen Güttges, alertou ao englobar todas as agremiações de segurança para se referir à falta ou não de ética. “É preciso compreender que esse tipo de prática não pode ser creditado a todas as corporações policiais”, ressaltou Arlen. De acordo com o secretário, os policiais são instruídos a manter as pessoas consideradas ‘populares’ longe da cena do crime e que os jornalistas deveriam se manter a uma distância considerada segura. Porém, como essas pessoas geralmente chegam antes em operações desse gênero, acaba se tornando uma tarefa complicada afastar todos de um cenário o qual eles já estão inseridos – os cidadãos
Caso Moisés: jornalistas, curiosos e até policiais tiram fotos do corpo
locais costumam auxiliar neste tipo de ocorrência. Arlen mostrou preocupação ao falar do atual cenário no que se refere a preocupação com o próximo. “A mudança de cultura das pessoas é um processo longo, mas não impossível. Basta termos compreensão e trabalhar junto de outros órgãos, como a imprensa”, afirma. Com mais de quinze anos de carreira e incontáveis participações em ocorrências de assassinato, Jonas Castorino admitiu que há uma forte curiosidade e que não há nenhuma outra intenção por parte dos policiais que não seja o simples compartilhamento entre amigos. “Vivemos um estilo de vida muito perigoso. Então, quando chegamos em casa, mostramos essas cenas para agradecer que chegamos em segurança”, conta o policial. Fotografias de pessoas no mais
degradável estado possível, por mais incrível que pareça, não é totalmente prejudicial. Por exemplo, as marcas de cigarro costumam portar em seus maços imagens gráficas de vítimas do constante uso do produto. Em alguns seminários sobre segurança pública e no trânsito, os palestrantes costumam mostrar vítimas de acidentes que acabam falecendo de formas assustadoras. A razão para essa prática é chocar e criar uma espécie de responsabilidade forçada. Vale ressaltar que imagens deste tipo precisam ser obtidas por órgãos específicos, como o Instituto Médico Legal (IML) e outros legistas. “A presença de profissionais do IML é obrigatória, o que acaba tumultuando ainda mais o ambiente e tornando a presença de intrusos no local fácil”, conta Jonas a reportagem do Jornal Livre Expressão.
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BPFRON
Unidade completa três anos em prol da segurança Instalado há quase três anos no município de Marechal Cândido Rondon, o Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron) é pouco conhecido entre os universitários. Os acadêmicos não fazem a mínima ideia da importância e do que representa esta instituição para a região oeste do Estado do Paraná. O BPFron é considerado o maior inimigo de traficantes e contrabandistas que tentam entrar no Paraná por meio da fronteira com a Argentina, Paraguai e Mato Grosso do Sul. O Batalhão atende a linha da fronteira a 150 km para dentro do Estado e abrange uma população de 2,5 milhões de pessoas, de 139 municípios. Além de Marechal, há mais duas Companhias do Batalhão, sendo a 2ª em Guaíra e a 3ª em Santo Antônio do Oeste.
O BPFron entrou em operação oficialmente em 25 de Julho de 2012 em cumprimento do decreto de Lei nº 4095, proposta pelo deputado estadual Elio Rusch. “O nosso compromisso é de oferecer à nossa população de toda a região uma verdadeira sensação de segurança, e todas as mais diferentes forças policiais têm agido com essa orientação, e ter participado disso tudo, com a criação da lei que resultou nisso tudo, é de imensa alegria”, afirmou Rusch. O oeste do Paraná tem uma característica peculiar: uma orla de mais de 1.200 km formada pela criação do Lago de Itaipu, que faz fronteira com o Paraguai. Dos onze estados brasileiros que fazem fronteira com outros países, o Paraná é o único que conta com um
Batalhão de Polícia de Fronteira. “O nosso BPFRON, instalado em Marechal Cândido Rondon se mostrou fundamental no combate às drogas e ao contrabando”, declarou Rusch. “Como o Brasil não
produz drogas, elas entram no país pelas fronteiras de terra. O nosso dever é fechar estas fronteiras ao crime organizado, impedindo, por meio de ações integradas das forças policiais,” completa o parlamentar. Fotos: Reprodução
“O nosso compromisso é de oferecer segurança a população”, explicou.
APÓS 14 ANOS O Batalhão foi instalado somente em 2012, após 14 anos da aprovação de lei que garante a instalação da Corporação. Para o comandante do BPFron, major Erich Wagner Osternack, a demora da instalação do BPFron foi pelo receio dos governantes. “Nenhum governo quis assumir o compromisso da instalação de uma Companhia na fronteira para combater as drogas. Como também não quiseram sustentar sozinhos o Batalhão. ATUALMENTE
Viaturas em ação durante a Operação Àgata realizada em 23 de maio de 2014
Texto: Luiz Fernando Cerni
No BPFron, somados as três companhias, a de Marechal Cândido Rondon, Guaíra e Santo Antônio do Sudoeste, o efetivo conta com 205 homens, além de uma frota com
72 veículos, que são: 20 amaroks, 16 motocicletas transalps 700cc, 12 space cross, 10 pageros, 08 frontiers, 03 lanchas, 02 rangers e 01 van. Para o major Erich, o ideal do efetivo seria de 450 homens. “Ainda nós estamos abaixo do ideal, mas se pensar que num pequeno espaço de tempo já aumentou tanto, é porque realmente está se investindo na segurança da fronteira. Até 2018 estará chegando próximo dos 450,” enfatiza o Major. OBJETIVO O principal objetivo do Batalhão da Fronteira é o de fazer combate principalmente a crimes transfronteiriços. Entre os quais o combate do tráfico de drogas, de armas, contrabando e descaminho
Oeste Seguro Foto: Reprodução
(cigarro, eletrônicos, informática, pneus, agrotóxicos, cosméticos, perfumaria, bebidas). “As pessoas vão para o Paraguai e compram uma infinidade de produtos ilegalmente, através do crime de sonegação fiscal e evasão de divisa. Trazem essas mercadorias sem pagar o imposto devido e comercializam no Brasil. Para combater esses crimes foi criado o Batalhão de Fronteira,” explica o Major. MANUTENÇÃO
A demora da instalação do BPFron foi pelo receio dos governantes
O BPFron é mantido por meio de uma parceria entre o Ministério da Justiça e Secretaria Nacional de Segurança Pública com o Governo do Estado do Paraná, por meio da Secretaria de Segurança Pública. Recursos chegam a Companhia também pelo programa de Estratégia Nacional de Segurança Pública nas Fronteiras (Enafron).
Março/Abril de 2015 Do Enafron, os recursos chegam através de projetos feitos pelo BPFron, com essa parceria é feita a aquisição de equipamentos. HISTÓRICO Com exclusividade, a reportagem recebeu do Batalhão de Fronteira os números de apreensões desde drogas a contrabando, como também de abordagens policiais e pessoas detidas do período de 25 de julho de 2012 à 31 de dezembro de 2014. Durante dois anos e oito meses, foram apreendidas 154 armas de fogo, 3.168 cartuchos de munição, 3.445.093,53 kg de maconha, 14.593,53 kg de crack, 23.163 kg de haxixe, 17.395 kg de cocaína, 1092 frascos de lança perfume, 83 comprimidos de ecstasy e 56 frascos de LSD. Ainda segundo o Batalhão, cerca
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d de 159 mil pessoas abordadas, sendo 350 presas em flagrante, 93 por inquérito e 93 prisões por inquérito. Dos carros, 573 foram apreendidos e 70 recuperados. Os policiais também cumpriram 183 mandados e vistoriaram 837 estabelecimentos. Os policiais também apreenderam 54.457 mil unidades de medicamentos como estimulantes sexuais, anabolizantes, abortivos e suplementos, 18.625 mil caixas de cigarros contrabandeados, ou seja, expressivos 9.312.500 maços e 8.181 mil volumes de produtos de contrabando.
DENUNCIE
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Segurança no trânsito vira preocupação em Santa Helena O número de acidentes vem preocupando autoridades do município de Santa Helena, que teve uma média de um acidente a cada 4,05 dias no ano de 2014. Média um pouco menor em 2013, que registrou um a cada 4,39 dias. Para tentar diminuir esses números considerados altos para um município com um pouco mais de 22 mil habitantes, foi realizado no início do ano, um debate entre autoridades e pessoas ligadas a área de segurança no trânsito sobre ações que deverão ser realizadas ainda no primeiro semestre de 2015. O presidente do Conselho da Comunidade do Município, Nelson Ferreira, acredita na falta de interesse das autoridades. ”Como presidente do
Foto: Reprodução
conselho apresentei várias sugestões ao Executivo, mas sem êxito. Neste sentido afirmo não existir a preocupação das autoridades para sanar estes problemas”, explica Nelson. O diretor do Departamento de Trânsito do Município, Mauricio Zimmermann, afirmou que a prefeitura realiza ações educativas, como exemplo, é a semana de trânsito e blitzes que são realizadas em pontos de maior incidência de acidentes, com distribuição de panfletos contendo informações de como se prevenir. “Acredito que somente com programas efetivo de educação no trânsito é que vamos melhorar a segurança da população”, salienta o diretor do DER de Santa Helena, Maurício. Texto: Antônio Alves As blitzes vem ocorrendo diariamente desde o início do ano em Santa Helena
Oeste Seguro
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RECLAMAÇÕES
Vereadores se mobilizam para aprovar a “Lei do Silêncio” Após diversas reclamações dos munícipes em relação ao alto som em veículos principalmente na região do Parque Ecológico Diva Paim Barth em Toledo, fizeram com que autoridades se reunissem para debater e assim achar uma solução ao problema e dar mais sossego e tranquilidade aos moradores que precisam descansar sem ser incomodados com som alto. A chamada “Lei do Silêncio” terá como principal objetivo maior intensidade nas fiscalizações, com direito a multas e até apreensões de equipamentos sonoros que estejam funcionando a um volume maior que 80 decibéis. O responsável por apresentar o projeto é o Vereador Rogério Massing, afirmou que a lei será mais eficiente e dará mais tranquilidade aos moradores. “A intenção não é criar uma lei para se ter uma lei e sim para que tenha uma eficácia. Um dos motivos principais é dar o descanso merecido aos moradores que sofrem com a poluição sonora”. Rogério falou ainda que o município vai apresentar uma sugestão a Prefeitura para adquirir decibelímetros que funcionará há uma distância de 7m. “Os novos equipamentos terão uma capacidade para fiscalizar há 7m de distância, se acaso o som estiver à cima de 80 decibéis, os agentes tomarão as providencias cabíveis”. Além disso, a Câmara dos Vereadores vai apresentar um pedido a Prefeitura para ser disponibilizado um decibelímetro em cada viatura da Guarda Municipal, assim também para as Policiais Militares e Civis”. O Promotor do Meio Ambiente,
Foto: Reprodução
Texto: Raul Seixas Stanazio
Giovani Ferri, participou da discussão e para ele as leis deverão ser mais rígidas para que os proprietários de som automotivo respeitem o limite do som, deixando de perturbar os moradores que necessitam de sossego. “A lei atual não prevê uma punição que realmente inibem os infratores. Essas ações ainda são insuficientes, eu acredito que ainda possa haver um trabalho mais efetivo com o apoio da Guarda Municipal e é preciso que a população também denuncie”. A partir do momento em que o projeto de lei começou a ser discutido entre as autoridades, muitas pessoas que apóiam o som automotivo começaram a postar frases e textos nas redes sociais defendendo o outro lado da conversa, muitos utilizam a mesma frase realizando um mutirão dentro do facebook, a postagem dizia o seguinte “#SOMAUTOMOTIVONÃOÉCRIME”. Na opinião do Secretário de Segurança e Trânsito, Leoclides Bisognin “ninguém é obrigado a ter que tolerar um som alto e ainda por cima gostar da música que está tocando”. Bisognin afirmou ainda que a Guarda Municipal vai estar agindo rigorosamente para inibir esses casos de som alto. Além de veículos flagrados com som alto, o projeto de lei também prevê punição para casas noturnas, bares e até residências com o som acima da altitude permitida. Segundo o Promotor de Eventos de som automotivo, Cássio Cavaleri, a Lei é importante ser debatida. “Sim, a Lei é muito importante ser debatida, o número de pessoas com som de carro
Projeto da “Lei do Silêncio”está em análise na Comissão de Legislação e Redação
vem aumentando disparadamente nos últimos anos. Junto com isso vem aumentando a perturbação de sossego também, até porque se não bastasse o fato de estar aumentando a quantidade de pessoas com som no carro também vem crescendo junto à potência desses aparelhos”. Na opinião de Cassio, a Lei deverá “agradar” e ouvir ambas as partes, pois o número de pessoas que gosta e tem som automotivo no município já é grande. Uma ideia é a construção de um espaço apropriado para satisfazer quem gosta sem perturbar ou atrapalhar o sossego da população que necessita de descanso. “Com certeza, proibir por completo a utilização de som automotivo jamais seria o caminho. O Vereador
Ademar Dorfshimidt apresentou um projeto para criação de um espaço destinado a eventos de som automotivo, a princípio seria a pedreira municipal, local excelente, contando que seja providenciada uma estrutura mínima para receber eventos, como palco, uma boa cobertura e banheiros”. A Lei do Silêncio seria votada no dia 06 de Abril, mas durante a Sessão Ordinária no dia, foi realizada uma conversa entre Autoridades e Vereadores para que sejam alteradas algumas normas da nova Lei, ou seja, o projeto voltará para Comissão de Legislação e Redação, para ser reavaliada e assim ser debatida desde o início, sem data prevista para a discussão.