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Do que se trata?

APRESENTAÇÃO

O presente caderno teórico é o produto de toda uma trajetória acadêmica e de questionamentos sobre a realidade do meio urbano, a desigualdade gerada pela má distribuição de renda e inadequada ocupação dos espaços públicos e privados. Diante de um cenário discriminatório e não-inclusivo, principalmente em relação às minorias, temas que debatem a causa indígena se fazem de suma importância para a quebra de tabus, preconceitos e paradigmas que se estentem por séculos no Brasil.

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Por meio de um projeto arquitetônico para um centro cultural na cidade de Nova Xavantina no Mato Grosso, esse projeto tem por objetivo a disseminação da memória, da expressão, apoio e preservação da cultura indígena e em específico, da comunidade Xavante.

ESQUEMA DOS PROCEDIMENTOS ADOTADOS PARA O DESENVOLVIMENTO DO PROJETO

ARTIGOS

LIVROS

JORNAIS

HISTÓRIA

ANÁLISE DO CONTEXTO

VISITA À ALDEIA

DIVERSIDADE CULTURAL INDÍGENA

CULTURA E INTEGRAÇÃO

ASPECTOS FÍSICOS

ASPECTOS SOCIOCULTURAIS

VIVÊNCIA + USO

INTRODUÇÃO

Desde a chegada dos portugueses ao Brasil em 1500, os nativos que aqui viviam, hoje denominados índios, são explorados, negligenciados e discriminados. De acordo com Victoria Tauli-Corpuz , relatora especial da ONU, sérios casos de violação de seus direitos aconteceram durante as últimas décadas sem serem investigadas ou compensadas, revelando uma permanente discriminação que já está enraizada na sociedade. Segundo o Conselho Indigenista Missionário, somente em 2007, 92 indígenas foram assassinados, com um aumento no número de vítimas em 2014 para 138, sendo o Mato Grosso do Sul o estado com maior incidência de mortes. A maioria desses números está relacionado à falta de controle e atrasos de leis em relação ao processo de demarcação de terras e disputas por território com fazendeiros e empreiteiras.

Outro aspecto desestruturalizante da cultura indígena seria o processo de urbanização, que segundo Cardoso de Oliveira (1968), extinguiria as culturas locais, como já ocorreu no início da modernização europeia. É certo que o próprio cotidiano urbano torna as pessoas individualizadas, padronizadas e destribalizadas¹. Porém, com o passar dos anos essa temática foi revista e a perspectiva entre cidade e aldeia se transforma, não mais opondo-se, mas tornando-se continuos, como explica Barth (1988, p.188), que apesar do contato do indigena com o não-índio e da correlação dos grupos sociais, as diferenças culturais se perpetuam.

Assim como acontece no município de Nova Xavantina em Mato Grosso, a comunidade Xavante mantêm contato quase que diariamente com os moradores citadinos. A cultura desses indivíduos, em parte, ainda resiste mesmo com o contato com a civilização. Bem como o é fato que uma grande parcela da população ainda mantêm uma certa resistência em relação ao deslocamento dos Xavante para o meio urbano, seja para moradia, estudos, trabalho ou apenas para aquisição de suprimentos, é por ainda existir esse tipo de pensamento e comportamento que propõe-se este projeto.

Em Nova Xavantina, segundo relatos de moradores locais e dos próprios indígenas, é até hoje um local com grandes casos de discriminação e marcas do descaso com o Xavante, fato confirmado após breves visitas à aldeias locais, que se encontram sem saneamento básico ou sem áreas adequadas para atividades básicas. O centro Cultural Xavante visa, portanto, além de tornar-se um marco para a cidade, tanto pelas suas dimensões como pelo seu significado, trazer à tona questões relacionadas ao preconceito étnico e cultural que resiste há gerações e que os excluem dos direitos sociais e básicos.

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