Informativo Abril 2011

Page 1

Celg agora tem rumo

E

m entrevista exclusiva concedida ao Senge-GO, o presidente José Eliton faz um balanço dos três primeiros meses à frente da Celg. Cita a ausência de investimentos por que passou a empresa nos últimos anos e o descaso das últimas gestões que não honraram pagamentos de dívidas. Em contrapartida, comemora a adoção do planejamento estratégico que objetiva recuperar a Celg.

página 03

Greve é a solução

E

ngenheiros e Arquitetos da prefeitura de Goiânia seguem mobilizados com o indicativo de greve em vigor. Os profissionais reivindicam a implantação do plano de carreira para a categoria. Atualmente, sequer o piso salarial é pago à classe. O Sindicato dos Engenheiros de Goiás encabeça a luta de seus representados junto à prefeitura de Goiânia.

página 04

ART Não deixe de anotar o nome do SENGE-GO na Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), no campo “Entidade de Classe”. É uma contribuição indispensável para o combate do exercício ilegal da profissão e uma importante receita para a nossa entidade manter todos os serviços prestados aos associados. Portanto não esqueça de preenchê-la, lembrando que os profissionais não sindicalizados também devem fazer a anotação.

ABRIL DE 2011


PALAVRA DO PRESIDENTE

Senge em Notícias

Faltam engenheiros ou valorização profissional e salário digno no setor público?

C

om o recente crescimento econômiNo entanto, o que vemos hoje é o total desco pelo qual passa o Brasil, surgiram caso de gestores públicos que insistem em rereceios quanto à oferta, em especial, munerar de forma vergonhosa os profissionais de mão de obra especializada. Ao abordar o de Engenharia e Arquitetura como, por exemplo, tema, na edição do Radar 12 do Instituto de ocorre na Prefeitura de Goiânia. Na administraPesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), váção municipal da nossa capital, os membros da rios autores indicam que a demanda por engeAssociação dos Engenheiros e Arquitetos da nheiros, devido ao crescimento da economia, prefeitura de Goiânia (Agea), sob a represendeveria ser atendida pelo estotação do Sindicato dos Engeque atual e entrada de novos nheiros de Goiás (Senge-GO), engenheiros no mercado. Tal aprovaram em assembleia exanálise trata da categoria de traordinária realizada no dia 21 engenheiros de forma geral, de março, na sede do Sengepara a qual vislumbrou uma -GO, indicativo de greve para escassez generalizada. Não os servidores da categoria. Os foram abordadas, contudo, profissionais reivindicam a ima demanda e a oferta de proplantação do plano de carreira fissionais com qualificações para arquitetos e engenheiros específicas, como Engenhana prefeitura de Goiânia. Atualria Naval, de Minas, Petroleira mente, sequer o piso salarial é Gerson Tertuliano ou Ferroviária, por exemplo. Engenheiro Eletricista e de Segurança pago para a classe. Se, nestes casos, os resulta- do Trabalho e Presidente do Senge-GO A questão é tão grave em dos já mostrarem existência âmbito nacional que o senador de poucos profissionais e as Sadi Cassol (PT/TO) apresentou projeções apontarem para sua escassez, alguno Senado o Projeto de Emenda Constitucional mas ações poderiam ser promovidas, como o que legalizará a execução da Lei nº 4.950-A para aumento da quantidade de cursos ou mesmo o serviço público. O PEC 02/2010 de 10/03/2010 como solução mais imediata, a “importação” tem como objetivo estabelecer como princípio do de engenheiros de outros países. sistema remuneratório do servidor público a obA par disso, os estudos ressaltam o fato servância do piso salarial nacional das diversas de que há diversos engenheiros atuando em categorias, nos termos da lei federal. funções que não são de engenharia, principalNo 6º encontro de lideranças, ocorrido em mente ligadas à administração e à economia, 22 de março, em Belo Horizonte, várias liderantais como analistas financeiros, gestores, anaças debateram o tema da escassez de engelistas empresariais em função de melhor vanheiros, entre eles o presidente do Ipea, Marcio lorização e salários mais atrativos. Estes cosPochmann, que defendeu a tese de que a afirtumam ser demandados nestas funções pelo mação não é verdadeira, pois o que existem fato de o mercado entender que os mesmos são casos pontuais. Neste encontro, outros dedispõem de boa capacidade de abstração e batedores, como Marcos Formiga, represensólida formação matemática. No caso especítando a Confederação Nacional da Indústria fico dos engenheiros, a solução mais plausível (CNI), abordou a possibilidade de importação para lidar com o potencial pode não se limitar de engenheiros. Todavia, o Senge-GO se posisimplesmente a aumentar a oferta dos profisciona radicalmente contra tal medida e estará sionais, cujo custo de formação por aluno é vigilante na defesa do mercado de trabalho de muito elevado. Parte da solução talvez resida nossos profissionais brasileiros. Portanto, conna melhora da valorização profissional e pagacluímos que valorização profissional e salário mento de salário digno. digno são a saída para esta questão.

02

TRIÊNIO 2010/2013 ÓRGÃO DE DIVULGAÇÃO DO SINDICATO DOS ENGENHEIROS DE GOIÁS PRESIDENTE Gerson Tertuliano Engº Eletricista DIRETORIA João Batista Tibiriçá Engº Civil Antônio Augusto Soares Frasca Geólogo Cláudio Henrique B. Azevedo Engº Eletricista Argemiro Antônio F. Mendonça Engº Civil José Augusto L. dos Santos Engº Eletricista Caio Antônio de Gusmão Engº Civil Edson Melo Filizzola Engº Civil Marcelo Pontes Pereira Engº Civil Luiz Carlos Carneiro de Oliveira Engº Eletricista João Dib Filho Engº Eletricista Eduardo James de Moraes Engº Civil Marcelo Emilio Monteiro Engº Agrônomo Wanderlino Teixeira de Carvalho Geólogo CONSELHO FISCAL Eduardo Joaquim de Sousa Engº Civil Antonio Carlos das C. Alves Engº Civil Adelita Afonso Boa Sorte Engº Eletricista Leonardo Martins de C.Teixeira Engº Civil José Luiz Barbosa Araújo Engº Agrônomo REPRESENTANTES JUNTO À F.N.E Annibal Lacerda Margon Engº Agrônomo Argemiro Antônio F. Mendonça Engº Civil Marcos Rogério Nunes Engº Agrônomo Wanderlino Teixeira de Carvalho Geólogo JORNALISTA RESPONSÁVEL Sarah Mohn DIAGRAMAÇÃO Vinícius Alves IMPRESSÃO Stylo Gráfica Circulação gratuita entre os associados. Endereço: Av. Portugal nº 482 Setor Oeste, Goiânia-GO Telefones: 3251.8181 / 3251.8967 Email: senge-go@uol.com.br Site: www.senge-go.org.br Todos os artigos e citações aqui divulgadas são de responsabilidade da Diretoria. As matérias assinadas são de responsabilidades dos autores e não correspondem necessiariamente à opinião do Jornal.

ABRIL DE 2011


Senge em Notícias

Entrevista Senge-GO – Passados mais de 90 dias de gestão à frente da Celg, o que mudou na empresa? José Eliton – A Celg tem rumo definido, norte claro e planejamento estratégico com vistas a recuperar a Celg em todos os aspectos, tanto do ponto de vista do equilíbrio econômico-financeiro, quanto de investimentos e governança da empresa. O nosso plano de investimentos atinge o período de 2011 a 2020 e o de governança de 2011 a 2015. Com isso nós tivemos a oportunidade nesses três meses de gestão de economizar mais de R$ 88 milhões, com revisão, renovação e extinção de contratos. A Celg está sendo gerida agora com austeridade e economia total em suas atividades, sem esquecer a necessidade de realizar investimentos para a manutenção do sistema elétrico. Senge-GO – Como estão sendo realizados investimentos pela empresa? José Eliton – Nós temos a noção clara de que a Celg ainda é uma empresa que possui interrupções no fornecimento de energia, principalmente em períodos de chuvas. Mas estamos retomando o programa de investimentos e esperamos nos próximos anos ter equalizado esse problema. Hoje, nós temos demanda reprimida na ordem de 12%. Nós temos energia, mas não conseguimos distribui-la. Mas estamos fazendo ajuste de contas para que a empresa tenha economia em seus custos. Por exemplo, para este ano estão previstos investimentos na ordem de R$ 200 milhões para recuperar o setor elétrico na área de concessão. Queremos ao longo dos próximos anos estar com a Celg equilibrada e com potencial para atender essa demanda.

03

e eu tenho convicção que, aperfeiçoando o plano de reestruturação, ela estará apta a ter renovada sua concessão. Com naturalidade, o processo de caducidade será arquivado.

“Queremos posicionar a Celg como a maior empresa do Centro-Oeste”

Senge-GO – Como a Celg está trabalhando junto aos poderes concedentes para tratar da questão de distribuição de energia? José Eliton – Nós temos diversos estrangulamentos na área de distribuição, pois não foram realizados investimentos necessários para sua manutenção. Temos problemas sérios na região de Cristalina, Itaberaí, Catalão e Caldas Novas. São pontos seriíssimos, com possibilidade inclusive de apagões. Com relação à geração e transmissão, a alienação de Cachoeira Dourada foi um fator desastroso. Nós temos pequenas geradoras e estamos investindo em outras. Estamos com projeto de retomar a Usina de Rochedo, ampliar a sua produção de energia. O nosso planejamento estratégico, inclusive, prevê ao longo dos próximos anos investimento em novas usinas com capacidade de geração de energia do porte de Cachoeira Dourada. O plano é ambicioso e visa posicionar a Celg como a maior empresa do Centro Oeste.

Senge-GO – A Cemig, recentemente, declarou que as redes de transmissão da Celg não têm qualidade. O m entrevista exclusiva concedida ao Senge-GO, Stiueg denunciou compras de mateo presidente José Eliton (foto) faz um balanço riais sem qualidade para as redes.O dos três primeiros meses à frente da Celg. Cita senhor abriu processo de investigação a ausência de investimentos por que passou a empresobre possíveis compras de materiais sa nos últimos anos e o descaso das últimas gestões sem qualidade para as redes? Como a que não honraram pagamentos de dívidas. Em contraCelg está tratando a questão da qualipartida, comemora a adoção do planejamento estratédade das redes de transmissão? gico que objetiva recuperar a Celg. Confira: José Eliton – Em primeiro lugar, a Cemig não tem autoridade para falar se o governo federal. Do ponto de vista técnico, o as redes de transmissão da Celg são boas ou Ministério das Minas e Energia já se manifestou Senge-GO – A Celg vem buscando a liruins, porque eles nunca vieram aqui fazer refavorável. De qualquer sorte, mesmo que essa beração de empréstimo no valor de R$ 2,7 visão ou qualquer tipo de avaliação no sistema operação com o governo federal não se conbilhões na operação envolvendo o Banco Naelétrico. Com relação aos procedimentos que cretize, estamos trabalhando com um plano cional de Desenvolvimento Econômico e Soocorreram no passado, isso deve ser objeto definido por meio de parcerias com instituições cial (BNDES) e a Caixa Econômica Federal. de avaliação pelos órgãos competentes. Se financeiras de grande porte, que querem ser Caso esse montante não seja liberado, qual houve ou não irregularidades, não compete à parceiras na reestruturação da empresa, com deve ser o plano B da empresa? atual gestão trabalhar com essa questão. Composterior busca do parceiro estratégico para se José Eliton – Vamos trocar dívidas que pete remeter aos órgãos próprios que vão fazer associar à Celg. foram adquiridas ao longo dos anos por um essa análise. O que eu posso fazer assegurar perfil uniforme, com taxas de juros uniformes é que todos os equipamentos e materiais que Senge-GO – A Atual gestão cogita a pose de longo prazo. Com isso vamos diminuir o estão sendo adquiridos têm na sua qualidade sibilidade de a Aneel solicitar ao Ministério das desembolso imediato da empresa para daqui a um de seus componentes para aquisição pela Minas e Energia a caducidade da Celg? um ano, quando for retomado – são 15 meses empresa. Não adianta termos um produto baJosé Eliton – A possibilidade dessa cadude carência –, o fundo de caixa ter capacidade rato, com baixa eficiência, se no final teremos cidade é zero, pelo simples fato de que a Celg de pagamento rotineiro e contínuo dessas obrium custo maior, porque haverá perda de enervai se reestruturar economicamente, iniciar o gações. O empréstimo de R$ 2,7 bilhões está gia e de eficiência na prestação do serviço. sendo negociado pelo Tesouro Estadual com processo de retomada de seus investimentos

E

ABRIL DE 2011


Senge em Notícias Arquitetos e Engenheiros a um passo da greve na Prefeitura de Goiânia

04

notícias

Categoria se mobiliza em prol da implantação do plano de cargos e salários no município

E

ngenheiros e Arquitetos da prefeitura de Goiânia, representados pelo Sindicato dos Engenheiros de Goiás (Senge-GO), seguem mobilizados com o indicativo de greve em vigor. A primeira grande manifestação foi realizada na manhã do dia 29, no Paço Municipal, data em que mais de 50 servidores vestidos com camiseta preta se mobilizaram até o gabinete do prefeito Paulo Garcia. O grupo foi recebidos apenas por Osmar Magalhães, chefe de gabinete do prefeito, que designou o secretário Municipal de Governo, Iram Saraiva Júnior, para presidir uma comissão de negociação da prefeitura junto ao Sindicato dos Engenheiros no Estado de Goiás. No entanto, como desde a ocasião o secretário Iram Saraiva Júnior não tem atendido os profissionais, a classe optou por realizar outra mobilização: em 5 de abril, os

Engenheiros e Arquitetos se mobilizam no Paço para reivindicar a implantação do plano de cargos e salários

manifestantes suspenderam as atividades no Paço protestaram na Câmara Municipal de Goiânia. Na casa legislativa, usaram a tribuna por dez minutos e obtiveram apoio de 19 vereadores presentes na sessão – número expressivo, já que a totalidade é de 35 parlamentares na Câmara. Caso não haja acordo junto à prefeitura de Goiânia, os profissionais prometem paralisar as atividades que desenvolvem na administra-

ção municipal, numa iniciativa que interromperia todos os processos cabíveis a engenheiros e arquitetos, desde a análise de projetos à execução de obras.Os arquitetos e engenheiros reivindicam a implantação do plano de carreira para a categoria na prefeitura de Goiânia. Atualmente, sequer o piso salarial é pago à classe. O Sindicato dos Engenheiros de Goiás encabeça a luta de seus representados junto à prefeitura de Goiânia.

Senge inicia aulas para segundo curso de informática Com o sucesso obtido junto à primeira turma do curso de informática, o Senge-GO iniciou em 30 de março as aulas da segunda turma para o mesmo curso. Aos alunos são oferecidos conhecimentos sobre Windows 7 e Word 2010. As aulas do grupo 1 estão sendo ministradas às terças e quintas-feiras, enquanto as aulas do grupo 2 seguem às quartas e sextas-feiras.

SERVIÇOS OFERECIDOS PELO SENGE Atendimento odontológico • ADULTOS Atendimento às quintas-feiras, mediante agendamento prévio com Idália pelo telefone 3251-8181. • CRIANÇAS E ADOLESCENTES (PREVENÇÃO ODONTOLÓGICA)

Atendimento todos os dias, mediante agendamento prévio com Idáliapelo telefone 3251-8181.

• CONVÊNIO ODONTOLÓGICO Oferecemos convênio em todas as especialidades odontológicas.

Convênio Médico Unimed Oferecemos convênio em todas as especialidades médicas, dentro do plano de saúde firmado junto à Unimed. • CONVÊNIO COM LABORATÓRIOS MÉDICOS • ASSISTÊNCIA JURÍDICA TRABALHISTA Os atendimentos serão realizados com tabela própria

ABRIL DE 2011


notícias

Senge em Notícias

05

Evento foi prestigiado por parlamentares e representantes dos conselhos profissionais de todo o País

Diretoria da CNTU toma posse no memorial JK

M

ais uma etapa na história da CNTU foi marcada na noite de 23 de março, quando ocorreu a solenidade de posse da equipe que comandará a entidade na gestão de 2011 a 2014. Eleita em novembro de 2010, a diretoria tem à frente o engenheiro Murilo Pinheiro, reconduzido ao cargo. Na cerimônia de posse, Pinheiro reafirmou o compromisso de defender os profissionais liberais, lutar pela construção de uma sociedade mais justa e honrar as bandeiras do movimento sindical. “Para que ocupemos

digna e merecidamente um lugar entre as cinco maiores potências mundiais nas próximas décadas é necessário que continuemos atentos aos acontecimentos mundiais, à globalização, às inovações tecnológicas, mas muito mais do que isso, precisamos olhar para dentro, educar nosso povo, dar condições de saúde e saneamento, evitar as catástrofes a cada período de chuvas, colocar fim à corrupção e aos interesses individuais em detrimento dos coletivos”, ressaltou. A secretária Nacional das Relações

do Trabalho, Zilmara Alencar, destacou a importância da confederação a partir das federações que a compõem – economistas, engenheiros, farmacêuticos, médicos e odontologistas – e sua relevância para a sociedade. Apontou ainda o respaldo sindical da entidade. “Essa massa aqui representada faz a diferença. Nós aprendemos que temos que ter um lado e o nosso é o daqueles que são combativos e defendem um ideal coletivo. Vemos tudo isso na CNTU, uma entidade legítima e representativa”, enfatizou.

Escassez de engenheiros é tanto mito quanto realidade Presidente do Ipea diz que há falta de profissionais em determinadas áreas, mas pontua que demanda supera vagas de trabalho em outros setores

A

escassez de mão de obra na engenharia é tanto realidade quanto mito. Esse foi o posicionamento defendido por Márcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), durante o Fórum “Escassez de Engenheiros: Mito ou Realidade?”, realizado em 17 de março, pelo Sindicato dos Engenheiros no Estado de Minas Gerais (Senge-MG). Segundo Pochmann, para responder a essa pergunta é preciso levar em consideração alguns fatores. “Nós temos a re-

alidade da escassez localizada em determinados setores da atividade econômica, em determinadas regiões, mas ao mesmo tempo também é um mito porque não podemos dizer que estão faltando engenheiros para todas as áreas. Temos engenheiros sobrando, inclusive, em determinados setores”, afirmou. Pochmann acredita que a engenharia possua três problemas pontuais, todos ligados à questão da formação acadêmica de engenheiros. “A alta evasão escolar – somente 15% dos estudantes que entram na

Da esquerda para a direita: Marcos Formiga, Márcio Pochmann, Raul Otávio Pereira, Marcos Túlio de Melo e Valter Fanini na mesa de debates do evento do Senge-MG

Engenharia conseguem se formar depois de 10 semestres – o número insuficiente de vagas nas engenharias nas universidades e o desvio de atuação dos engenheiros formados, dos quais 2/3 acabam atuando em outras áreas são alguns obstáculos enfrentados pela engenharia brasileira”, esclarece.

Fonte: Sindicato dos Engenheiros no Estado de Minas Gerais (Senge-MG) ABRIL DE 2011

Fonte:CNTU

Engenheiro Murilo Pinheiro discursa na posse como presidente da CNTU


FNE

Senge em Notícias

06

Um novo modelo

de ensino de engenharia Por Lucélia Barbosa

N

a era do conhecimento, a formação em engenharia precisa ser capaz de produzir profissionais que deem conta das tarefas impostas no século XXI, entre elas as questões energéticas, ambientais, de produção de alimentos e fornecimento de água potável, além do desenvolvimento de novas tecnologias. O desafio foi colocado durante o segundo evento da série “Encontros de Tecnologia de Educação em Engenharia 2011”, realizado em 16 de março na sede do Seesp, em São Paulo, que teve como palestrante o professor José Carlos Quadrado, presidente da Asibei (AsociaciónIberoamericana de Instituciones de Enseñanza de laIngeniería) e do Isel (Instituto Superior de Engenharia de Lisboa) e vice-presidente da Sefi (Sociedade Europeia de Educação em Engenharia). Promovida pelo Isitec (Instituto Superior de Inovação e Tecnologia), em fase de implantação pelo sindicato com apoio da FNE, a atividade pretende ao longo deste ano discutir as mudanças necessárias no ensino da profissão, de modo a enfrentar os desafios e as oportunidades do século XXI. Segundo Quadrado, o ensino superior de um modo geral e as escolas de engenharia em particular padecem, na América Latina, de inúmeros problemas. “Há falta de recursos para inovar, o currículo é desatualizado, muitos jovens não se inscrevem na universidade e o número de adultos que a frequenta é residual”, listou. “Algumas instituições latino-americanas se encontram entre as melhores do mundo, porém o seu potencial é muito maior”, mencionou. Para ele, deve ser implementada uma agenda de modernização nas universidades, buscando o crescimento e o emprego através da reforma curricular. Tal ação deve contemplar a aprendizagem por competências, novos locais de ensino, educação para os docentes, autonomia das universidades,

parcerias estratégicas envolvendo empresas, garantia de qualidade e diversidade de financiadores, incluindo sistema de bolsas. “É preciso também manter a estrutura própria das instituições preservando a identidade e estabelecer parcerias internacionais para reduzir a dependência de políticas divergentes”, recomendou Quadrado. No entanto, se quiser superar o atraso socioeconômico existente desde a era dos descobrimentos, asseverou o professor, será necessário mais que solucionar as carências evidentes e alcançar o patamar dos países desenvolvidos para que se produza algo original. Na sua opinião, a principal missão do Brasil é liderar essa reforma. “Ao invés de competir tentando duplicar ou copiar a experiência de fora, o ideal é desenvolver um modelo próprio e inovador”, propôs.

O profissional do século XXI Se a América Latina tem nas mãos uma tarefa e tanto, também não é banal o desafio global de formar o profissional que se demanda neste século, que deve “ter sólida capacidade analítica, criatividade, alto nível de comunicação com os diferentes interlocutores, competências de gestão, dinâmica e flexibilidade”. “Um líder adaptável que atenda as necessidades locais e que seja ao mesmo tempo competitivo globalmente”, resumiu Quadrado. Para atingir essa meta, o especialista aponta que as instituições de ensino devem cumprir os seus objetivos. Entre eles, desenvolvimento intelectual, transmissão de cultura e cidadania, incremento do conhecimento e potencialização

do emprego. Além disso, é fundamental que cada universidade entenda a situação da economia global e aborde os desafios da atualidade no sistema educativo. “Outro fator primordial é o planejamento estratégico dos currículos preparando o estudante para assumir papel de liderança em diversas áreas, aprender ao longo da vida, contribuir para a profissão e ser bem-sucedido num mercado de trabalho multidisciplinar”, sugeriu o conferencista, acrescentando que a reforma curricular também deve apoiar a economia do País.

Ênfase na competência Com aproximadamente 4 mil instituições de ensino – algumas consideradas as melhores do mundo –, a Europa também teve que fazer mudanças na educação em engenharia.A iniciativa surgiu no ano 2000, quando foi criada a Declaração de Bolonha. O processo finalizado em 2010 estabeleceu o ensino por competências e concedeu às instituições autonomia na criação de novos cursos. Segundo Quadrado, no modelo europeu incluiu-se ainda o suplemento ao diploma, uma espécie de currículo complementar em que o professor descreve as competências individuais de cada aluno, tais como projetar um edifício ou construir uma ponte. Dessa forma, graduados de um mesmo curso podem ser aprovados e ter o diploma, mas possuir habilidades distintas no documento. “É justamente isso que os empregadores querem e não notas acadêmicas.O paradigma agora é formar engenheiros que tenham competências multidisciplinares”, enfatizou.

Aviso aos associados Comunicamos que novos equipamentos (entre eles, ultrassom para remoção de tártaro) foram adquiridos recentemente pelo consultório odontológico do Senge-GO para melhor atender os associados. Informamos ainda que continua em vigor o atendimento a crianças e adultos, mediante agendamento prévio, no departamento odontológico pelo telefone (62) 3251-8181.

VISITE O SITE DA FEDERAÇÃO

www.

fne.org.br

ABRIL DE 2011


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Issuu converts static files into: digital portfolios, online yearbooks, online catalogs, digital photo albums and more. Sign up and create your flipbook.