Revista 65

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Impresso Especial 1000007795/2006-DR/BSB

SindMédico-DF CORREIOS

Órgão Informativo do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal Brasília - Ano VIII - Junho-Julho / 2007 - nº 65

DEVOLUÇÃO GARANTIDA

CORREIOS

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Revista Médico

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Junho / Julho 2007


Editorial

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Pelos hospitais da cidade

esde abril o Sindicato dos Médicos do Distrito Federal vem, de maneira intensificada e estruturada, visitando os hospitais da rede pública da capital do país. Este trabalho, que já foi feito com a cobertura dos veículos de imprensa e mais recentemente, na companhia do Ministério Público, tem a prerrogativa de averiguar as condições de trabalho a que os médicos e demais profissionais da Saúde estão sendo submetidos. Estas, ao contrário do que os gestores oficiais da Saúde proclamam, se revelam as piores possíveis. A precariedade generalizada está muito longe do que a Secretaria de Saúde divulga, do que os profissionais médicos precisam e a sociedade necessita. A falta de materiais, medicamentos, equipamentos, pessoal, estrutura, segurança e salubridade são uma verdade remota que não pode ser escondida por muito tempo, como os órgãos de imprensa mais recentemente tem se dedicado a apresentar à comunidade de Brasília. Para nós, médicos, isto é só mais uma constatação de um ambiente de degradação que se arrasta por anos a fio. O mais importante deste contato com o colega em seu ambiente diário de trabalho (ou seria de guerra?) nos hospitais e centros de saúde, vai muito além de saber que ele é cotidianamente acusado e ameaçado pela população em virtude da precariedade no atendimento provido pelo Estado e humilhado por seus gestores em sua nobre atividade laboral, quando é obrigado a repousar e se alimentar no chão, tal qual um bicho de estimação que ali está só para ser maltratado e ainda promover entretenimento ao seu dono. Pois bem, vimos em cada médico o peso do descaso e da conseqüente baixa auto-estima. Mas vimos também, no brilho dos olhos e na palavra angustiada dos colegas, uma chama de esperança. Uma luz que revela a força de cada um de nós em lutar pelo resgate das condições dignas de trabalho. Não só porque a Medicina de Brasília precisa ou porque cada vez mais moradores desta cidade se acotovelam nos hospitais públicos, em busca de uma solução para a sua dor ou para continuarem a viver. Mas principalmente, porque atrás de cada médico, está um Ser Humano e junto a eles, seus familiares e amigos. Na individualidade da pessoa, todos desejam resgatar sua imagem, sua estima, seu reconhecimento perante a sociedade. Todos querem conquistar um padrão digno de vida, com qualidade suficiente para manterem seus dependentes, sem que tenham que trabalhar em três, quatro ou mais frentes de atuação. Queremos ver nossos filhos crescerem, podermos voltar a estudar e recebermos o respeito que merecemos. Nobre é atividade da Medicina ao se dedicar a salvar vidas. Então nobre também deve ser o seu fiel praticante: o médico. É esta pequena chama que o sindicato quer alimentar e fazer crescer. Estamos sempre dispostos a mostrar que acreditar no seu sonho não é uma atitude quixotesca, e que se a chama for pequena em cada um de nós, grande será com todos nós. O maior resultado destas andanças é que a mobilização da classe médica, depois de muitos anos, mostrou os seus primeiros resultados. Assembléia após assembléia, mais e mais médicos se juntaram ao grupo de colegas que decidiram lutar por mudanças, mesmo que elas implicassem nas situações mais extremas possíveis, como a paralisação de unidades ou a deflagração de greve geral, como estava previsto para acontecer. Aquele bicho de estimação, mal-tratado e desprezado, mostrou também que agora sabe morder e aprendeu que a classe médica unida pode muito mais do que ela imagina ser capaz. A força do seu empenho trouxe os debates da mobilização para o lugar certo e da maneira correta: a mesa de negociação, com propostas factíveis e prazos a serem cumpridos. O médico de Brasília não tem a cultura do enfrentamento e da radicalização. Fomos instruídos desde cedo a prover com nossa capacidade em dar Saúde ao nosso semelhante e nos dói deixar de exercer nossa profissão pelas circunstâncias de degradação que se encontra a rede pública de Saúde. Por isso, acreditamos que agora daremos um grande passo no resgate da profissão, da qualidade dos atendimentos e da elevação da Medicina de Brasília aos padrões de excelência que ela merece. Se os interlocutores da gestão da Saúde da cidade tiverem este mesmo espírito, ganharemos todos, classe médica, governo e população.

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Sumário

Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores

Capa

Opinião

A Saúde do trabalhador Dr. Francisco Rossi - Secretário Geral

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Entrevista

Dr. José Formiga Filho A caótica situação da saúde no DF

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Jurídico

Perdas da poupança Ações contra planos econômicos

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Aconteceu APBr Simpósio Internacional da Mulher

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Vida Médica

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Regionais

INCOR - DF GDF socorre instituição

Isonomia Já Equiparação com médicos da PC

Corrida Médicos que gostam de desafio

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Serviços

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Educação Novo convênio com o Projeção

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Opinião Presidente Dr. César de Araújo Galvão Vice-Presidente Dr. Marcos Gutemberg Fialho da Costa Secretário Geral Dr. Francisco José Rossi 2ª Secretária Drª. Olga Messias Alves de Oliveira Tesoureiro Dr. Gil Fábio de Oliveira Freitas 2º Tesoureiro Dr. Luiz Gonzaga da Motta Diretor Jurídico Dr. Antônio José Francisco P. dos Santos Diretor de Inativos Dr. José Antônio Ribeiro Filho Diretor de Ação Social Dr. Jair Evangelista da Rocha Diretor de Relações Intersindicais Dr. Cantídio Lima Vieira Diretor de Assuntos Acadêmicos Dr. José Henrique Leal Araújo Diretora de Imprensa e Divulgação Drª. Adriana Domingues Graziano Diretor Cultural Dr. Fabiano de Cristo Tocantins Álvares Diretores Adjuntos Dra. Adrianinha, Dr. Cezar Neves, Dr. Jomar, Dr. Crispim, Dr. Nabil Chater, Dra. Neli Aguiar, Dr. Olavo, Dr. Gustavo, Dra. Patrícia, Dr. Tamura, Dr. Walter Simões Conselho Editorial Drª. Adriana Graziano; Dr. Antônio José, Dr. César Galvão, Dr. Fabiano Tocantins, Dr. Francisco Rossi, Dr. Gil Fábio Freitas, Dr. Gutemberg Fialho, Dr. Henrique Leal Araújo e Dr. José Antônio Ribeiro Filho. Editor Executivo Alexandre Bandeira - RP: DF 01679JP Jornalista Elisabel Ferriche - RP: 686/05/36/DF Diagramação e Capa César Augusto Cardoso Coelho Projeto Gráfico e Editoração Strattegia Marketing - Consultoria Anúncios (61) 3447.9000 Tiragem 7.000 exemplares SindMédico/DF Centro Clínico Metrópolis SGAS 607, Cobertura 01, CEP: 70.200-670 Tel.: (61) 3244.1998 Fax: (61) 3244.7772 sindmedico@sindmedico.com.br www.sindmedico.com.br

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A saúde do capital e a saúde do trabalhador

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osso maior patrimônio é o trabalhador”. Slogan multiuso. Apologia dos modernos e eficazes executivos (públicos e privados) de sucesso como dos históricos, contumazes e oportunistas: “bravateiros”. A aproveitar o que esse slogan tem de bom é necessário um reducionismo ideológicofilosófico, em termos sociais e administrativos, a fim comparar a saúde do trabalhador à saúde do patrimônio. Reducionismo se diz para esclarecer que o patrimônio tem uma dimensão infinitamente pequena quando comparada com pluralidade, complexidade e transcendência da existência humana e que se o trabalhador for tratado como a maquina que ele opera já seria um avanço. Quem é mais importante para o executiDr. Francisco Rossi vo (gestor): a máquina ou o seu operador? Os dirigentes se preocupam mais com os números da produção e do patrimônio, a ponto de mantê-lo saudável com expansão ao longo do tempo – ao menos buscam isso vorazmente - quando comparado a gerência do ambiente de trabalho desse mesmo patrimônio, ou seja, produz bem ou serviço, com qualidade, todavia com doenças e acidentes. No binômio, capital e trabalho, o primeiro tem a precedência sobre o segundo, isso explicaria a limitação do postulado acima mencionado, em regime ganha-perde (saúde do capital, ganha; saúde do trabalhador, perde). A saída: usar as mesmas regras do capital em prol do ambiente de trabalhado, ou seja, aplicar as práticas contábil-financeiras do capital (gestão patrimonial) à saúde do trabalhador (gestão da saúde do trabalhador), porque esse também é patrimônio segundo o slogan, lembram? E assim, obrigar as empresas a publicarem balanços financeiros com informações sobre a saúde do capital e a saúde do trabalhador! Em regime ganha-ganha (saúde do capital, ganha; saúde do trabalhador, também). O controle da sáude do capital cria as regras de perpetuação saudável do próprio capital via gestão patrimonial, continuamente aperfeiçoada, com seus pesos e contrapesos. Este controle só se torna confiável quando as demonstrações contábeis são aprovadas publicamente por auditores independentes que atestam o atendimento das normas contábeis geralmente aceitas e prescritas legalmente. Qual o segredo do sucesso da gestão patrimonial? “A vontade de apresentar bons resultados”. A saída está à direita! Parece ironia, mas não é. No binômio capital x trabalho, é preciso seguir os passos do capital para melhorar a saúde do trabalhador. Não há via de sucesso possível que na visão do capital não siga o mesmo, mandamento: “sai caro e muito arriscado ao capital, e ao seu dono, praticar ilegalidades em matéria de gestão patrimonial, ambiental, e agora da saúde ocupacional”. Ou seja, é importantíssimo e antecede a qualquer outro postulado a certeza de que “a vontade em apresentar bons resultados” está na gênese de qualquer política desenvolvimentista com saúde para o trabalhador.

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Entrevista

“É caótica a situação da saúde pública” Por Elisabel Ferriche

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té outubro de 2008, estará à frente do Conselho Regional de Medicina (CRM/DF), o ginecologista, obstetra e mastologista, Dr. José Formiga Filho, empossado no dia 1º de fevereiro deste ano. Até lá, a nova diretoria da entidade deseja implementar atividades que possam melhorar o desempenho do CRM/DF em defesa da sociedade e dos médicos que atuam no Distrito Federal. Entre elas, incrementar a fiscalização e criar uma Ouvidoria, para garantir que as queixas da população possam ser mais prontamente atendidas. Natural de Sertania (PE), José Formiga Filho chegou à Brasília em 1963 para cursar Medicina, formando-se na primeira turma do curso da UnB, aonde mais tarde viria a ser professor. Atualmente leciona ginecologia obstetrícia na Faculdade de Medicina do Distrito Federal (Fepecs) e, embora esteja aposentado, continua atendendo no HRAN. Em meio as suas atividades médicas, Dr. Formiga ainda consegue tempo para escrever e recentemente lançou “O Guia Prático de Anticoncepção”, livro técnico para médicos. Bastante cauteloso, ele disse que o CRM não tem tido respostas satisfatórias do governo às solicitações da classe.

SindMédico – Qual o papel da Ouvidoria do CRM, criada recentemente? Dr. Formiga – Queremos racionalizar as demandas que o CRM recebe, sejam elas pessoalmente, por escrito ou por e-mail. Nosso objetivo é diminuir o prazo de retorno, o que nem sempre é possível, pois em muitos casos, são abertos processos que demandam investigações demoradas. Já em caso de consultas, as respostas podem e devem ser imediatas. Em caso de plenária, o retorno demora de 15 a 20 dias.

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Dr. José Formiga Filho – Presidente do CRM / DF SindMédico – Em dois meses de funcionamento, qual o resultado da Ouvidoria? Dr. Formiga – Verificamos que, com a Ouvidoria, houve uma diminuição das reclamações por parte da sociedade, porque a Ouvidoria está preparada para orientar os reclamantes que bem esclarecidos, acabam desistindo da reclamação, por entender que o caso não requer denúncia. Mas é preciso lembrar que a maior arma do médico é o prontuário, diante de situações que o coloquem em dificuldade.

SindMédico – Que tipo de irregularidades o CRM constatou? Dr. Formiga – Em alguns setores a situação da saúde pública é caótica e, em outros, é absolutamente insustentável. Há deficiência de profissionais, inadequação de áreas físicas e constante falta de insumos e equipamentos. São tantas as irregularidades que é impossível enumerá-las. O im-

SindMédico – E o que o CRM têm feito para verificar as condições de trabalho médico? Dr. Formiga – Nosso departamento de fiscalização está atuando, de acordo com as demandas específicas dos colegas. Também estamos acompanhando as visitas que a Comissão de Direitos Humanos, da Câmara Legislativa, vem realizando nos hospitais. Como resultado dessas visitas, estamos cobrando uma resposta das autoridades de saúde para as inúmeras irregularidades verificadas.

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SindMédico – O que o senhor acha da decisão do governo federal de tentar derrubar as liminares que o obriga a fornecer medicamentos de graça para pacientes? Dr. Formiga – A medida a ser tomada é promover as necessidades de saúde e os insumos que a população precisa e não caçar as liminares que são justas. Só através dela a população necessitada consegue os medicamentos que não possuem na rede pública. SindMédico – Como está a relação do CRM com o SindMédico?

SindMédico – Como o senhor vê o programa de valorização do trabalho médico que o sindicato está fazendo? Dr. Formiga – Na situação caótica da atual assistência pública, as visitas que o sindicato está fazendo aos hospitais para verificar as condições de trabalho médico, é de fundamental importância.

resultado que queremos.

Dr. Formiga – Temos trabalhado juntos em diversas questões e hoje o relacionamento das duas entidades, no âmbito de suas especificidades, é institucional.

“A greve é um meio legítimo dos profissionais”

SindMédico – Como o senhor vê uma possível greve dos médicos, decidida em assembléia?

portante dizer é que o CRM está atento às condições de trabalho do médico e que estamos sempre exigindo providências das autoridades.

Dr. Formiga – A greve é um meio legítimo dos profissionais, desde que respeitem a legislação específica.

SindMédico – E o retorno das autoridades é satisfatório?

SindMédico – O senhor acha que o momento é adequado para uma paralisação?

Dr. Formiga – Até hoje, não temos tido respostas concretas às nossas solicitações. Levamos as reclamações ao conhecimento da Secretaria de Saúde, do Ministério Público e da Vigilância Sanitária para que, juntos, possamos solucionar os problemas e obter o

Dr. Formiga – Uma greve é sempre ruim para todos: médicos, população e governo. Por isso espero que o governo dê uma resposta ágil e satisfatória para que não seja necessário um movimento de greve. Ela sempre prejudica muito a população.

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Fórum

Lei permitirá aos médicos da rede pública constituir empresa

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Deputado Frejat, autor do projeto de lei

or solicitação e colaboração do SindMédico/DF, o deputado Jofran Frejat (PTB/ DF) apresentou Projeto de Lei 796/2007, que autoriza, em caráter excepcional, a participação de médicos servidores públicos, na administração de sociedades civis portadoras de serviços médicos. Em sua justificativa, o deputado emprega o argumento que é de conhecimento de todos os médicos do Brasil: para receber seus honorários das empresas gestoras de planos de saúde, eles precisam ter uma empresa, o que é proibido pela Lei 8.112, que rege o servidor público. O Projeto de Lei foi apresentado à diretoria do SindMédico/DF durante audiência com o parlamentar, da qual participaram também representantes dos sindicatos dos enfermeiros e odontólogos. A classe sabe que essa proibição inviabiliza a atividade profissional de médicos do setor público que, nas suas horas livres, exercem a medicina em hospitais particulares ou em consultórios, cujos honorários são pagos por convênios de saúde que obrigam os profissionais a constituírem pessoa jurídica. Caso seja aprovada, a lei vai possibilitar que os médicos possam receber seus honorários, decorrentes do exercício profissional da atividade privada, sem prejuízo de cumprimento de sua jornada de trabalho no serviço público.

Elton Bomfim

Câmara aprova projeto da CBHPM

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projeto de lei 3466/04, de autoria do médico deputado Inocêncio de Oliveira (PR/ PE) foi aprovado por unanimidade, no último dia 31 de maio, na CâDeputado Inocêncio Oliveira autor do PL mara dos Deputados, e cria o Rol de Procedimentos e Serviços Médicos (RPSM), que será utilizado nas negociações entre as operadoras de planos de saúde, os médicos e as empresas prestadoras de serviços de saúde quanto aos preços a serem cobrados. O compromisso de incluir a proposta na pauta de votações do plenário tinha sido assumido pelo presidente da Casa, o médico deputado Arlindo Chinaglia, durante audiência que concedeu à diretoria da Fenam. A incumbência de elaborar o rol caberá a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que deverá constituir uma câmara técnica com representação proporcional das partes envolvidas, para cumprir as regras previstas no projeto. Emenda aprovada em plenário garantiu que o rol dependerá de consenso. A aprovação do projeto de lei 3466/04, adotando a CBHPM como parâmetro para honorários médicos na saúde suplementar, é uma das maiores conquistas da categoria médica nos últimos anos, conforme avalia o presidente da Fenam, Eduardo Santana. Relator da Comissão de Seguridade Social e Família, o médico deputa-

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do Rafael Guerra (PSDB/MG), lembrou que a aprovação do projeto demandou um longo trabalho da comissão. Outro médico, o deputado Jofran Frejat (PR/DF), que ofereceu parecer favorável ao projeto, disse que a sua provação é fundamental para resgatar a dignidade da classe médica “que há muitos anos vem sendo desgastada, desprestigiada, a ponto de outros setores, outras categorias, estarem influenciando nas decisões dos profissionais. Há muito, os planos de saúde vêm tratando os médicos com humilhação”. O Rol de Procedimentos e Serviços Médicos deverá ser editado e, se necessário, revisado, até 31 de março de cada ano, depois de negociação entre os envolvidos, tomando como referência a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM). Entre os objetivos da criação do rol estão: aumentar a racionalidade do reajuste dos planos de saúde, balizar a política de remuneração dos contratos com os médicos e as prestadoras de serviços de saúde e fornecer à ANS mecanismos para resolver conflitos e preservar o equilíbrio financeiro das contas. Para a edição anual da RPSM serão levados em conta os indicadores de variação de custos diretos de assistência à saúde, consideradas as médias nacional e estadual. Também deverão ser consideradas as freqüências de uso dos procedimentos e serviços cobertos pelos contratos de planos e seguros privados de saúde. De acordo com o substitutivo, a negociação para a edição do rol será feita nos primeiros 90 dias de cada ano, em âmbito estadual ou nacional, observará as peculiaridades das empresas envolvidas e terá os custos operacionais dos procedimentos médicos negociados separadamente dos honorários médicos.

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Fórum

Senador Mão Santa reconhece que os médicos ganham mal

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médico e senador Mão Santa (PMDB/PI), sacerdócio!”. Mas até os padres, hoje, em sua maioria, saiu em defesa da classe. Em discurso no vivem bem, comem bem, têm carro, vestem-se bem, Senado, ele lembrou a difícil situação dos viajam. A culpa é nossa por aceitarmos dar plantões em médicos brasileiros que, segundo artigo assinado por condições mínimas. Não há água? Compramos água. A Paulo Ezequiel, funcionário da Secretaria Estadual do comida é ruim? Compramos a comida. Não há material Rio Grande do Norte, publicado no Jornal do Brasil, a para trabalharmos? Improvisamos. Tudo em prol da desvalorização do Coeficiente de Honorários (CH), foi continuidade do serviço médico e da saúde do paciende 308% nos últimos nove anos. Em dólar, essa desvate. A culpa é nossa, por termos criado uma cooperativa lorização chega 351%, se commédica que protege a todos, parado ao salário mínimo que menos ao médico. Calculem o desvalorizou 73,47%, de acorvalor de uma diária hospitado com estudos do IBGE, que lar hoje e há oito anos. Quem mede o índice de preços ao protege quem? Os planos de consumidor (inflação). “Mais saúde aprenderam que não que uma reclamação, trata-se temos tempo para reclamar, e de uma seríssima denúncia do pagam o que querem, quando ponto a que chegaram os méquerem e se quiserem”. dicos, grande parte dos quais, “O Governo também à beira da insolvência financeiaprendeu que não temos força ra”, disse o senador. para cobrar o que é de direito. Em seu discurso, o senaRetira gratificações, suspende dor Mão Santa lembrou que pagamentos, é como se fôsno primeiro Senado da Repúsemos isentos de obrigações blica, havia 20 magistrados e, financeiras. Coitados de nós! de lá para cá, só leis boas foram Como descemos!!! E não tiveaprovadas para eles. “Aqui esmos um líder como o Presitamos diante do fato de que o dente Luiz Inácio Lula da Silteto dos homens da Justiça é va que nos ensinasse a fazer de R$ 18 mil - é bom, é muito greve. Nós, pelo amor ao próbom. Eles merecem porque esximo, trabalhamos. Nunca fatudaram; e os médicos muito zemos greve”. O senador Mão mais, porque cuidam de vidas. Santa fez críticas ao Governo O senador Mão Santa disse Lula por liberar recursos para que em 1994 um médico receoutros países: “Não entendo bia um salário de R$ 755 e um como essa equipe que está no promotor público, R$1,3 mil. Planalto vai a Cuba e dá meio Hoje, a realidade é bem difebilhão; vai ao Chavez doido Senador Mão Santa defende o médico rente, não para os médicos de e dá um bilhão! Com R$ 130 alguns estados que continuam milhões o governo resolverecebendo os mesmos R$ 755, e o promotor, mais de R$ ria o problema de 148 hospitais públicos universitários 18 mil. “Que diferença de responsabilidade ou de cure filantrópicos, como as Santas Casas, que estão sendo so, faz com que ocorra tal disparidade?”, indagou. Mão fechadas por falta de dinheiro. Ao finalizar, Mão Santa Santa lembrou que à época do primeiro Senado, eram lembrou mais uma vez o sacerdócio do médico: “É difíapenas dois médicos, hoje são seis médicos senadores, cil fazer com que nossos filhos compreendam que o que e nem por isso as condições salariais da classe melhoranos mantém na nossa profissão, o que alimenta a nossa ram, como ocorreu com os magistrados. alma e o nosso espírito, são duas coisas: o amor pela prá“E a culpa, de quem é? De nós mesmos que não tica médica e a incapacidade que temos de reverter todo reagimos! Talvez devido à célebre frase: “Medicina é investimento que fizemos à mesma”.

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Jurídico

Novo serviço de assistência jurídica

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Sindicato dos Médicos do DF está reformulando um de seus principais serviços oferecidos à comunidade médica sindicalizada: a assistência jurídica. A idéia é atualizar o modelo de prestação de assessoria jurídica à classe. Entre as decisões que contemplam tal pacote de melhorias está a unificação dos serviços em um só escritório. A título de experiência, por um prazo de 180 dias, todo atendimento jurídico prestado ao sindicato e aos médicos sindicalizados está sob a responsabilidade do escritório Riedel Resende e Advogados. Esta decisão vai facilitar tanto a interlocução, como a manutenção de uma qualidade desejada para esta nova fase do projeto.

Assim, quase todas as ações – individuais ou em grupo - em curso na justiça, já foram sub-estabelecidas pela estrutura do Riedel Resende e Advogados, para que as mesmas continuem seus trâmites na justiça sem o menor transtorno para os médicos usuários dos serviços jurídicos do sindicato. Esta é a garantia de tranqüilidade aos colegas e familiares, para que continuem tendo seus processos sendo atendidos plenamente durante esta fase de aperfeiçoamento do serviço. As únicas ações que serão mantidas no antigo escritório de advocacia são as do ticket alimentação e as dos descontos previdenciários sobre o pagamento da hora extra e hora contratual, pois já estão transitadas em julgado.

Ação judicial para GDATA Os servidores públicos federais aposentados ou pensionistas que percebiam Gratificação de Desempenho de Atividade Técnico-Administrativa (GDATA), hoje renomeada conforme especificidade de cada órgão federal, mas com a mesma natureza de gratificação, têm o direito de reivindicar junto ao Judiciário, as diferenças devidas em razão da discriminação ocorrida desde maio de 2002, entre a pontuação fixada para os ativos e os inativos. O STF reconheceu, no último dia 19 de abril, que os inativos têm o direito aos valores correspondentes a 37,5 pontos, no período de junho/2002 até a conclusão do ciclo de avaliação, como determina a Lei nº 10.971/2004; e, a partir dessa, os valores devem ser os correspondentes a 60 pontos. Para garantir o direito a seus filiados, o Sindicato dos Médicos, por meio do escritório de advocacia, vai entrar com uma ação judicial e convoca os interessados para entregar, com urgência, na sede do sindicato, os seguintes documentos:

- Procuração com firma reconhecida; - Cópia da identidade e CPF;

- Fichas financeiras de maio/2002 até o momento; - Contrato de honorários com firma reconhecida.

Ação contra perdas na poupança Os médicos que tinham caderneta de poupança à época do Plano Verão, em 1989 e 1990, poderão pedir na Justiça o ressarcimento das perdas provocadas pelos pacotes econômicos, com juros e correção. A decisão é do Superior Tribunal de Justiça. O prazo para requerer as perdas do Plano Bresser terminou no dia 31 de maio, mas para o Plano Verão, os poupadores poderão entrar na justiça até dezembro de 2008. Os índices a serem aplicados às cadernetas de poupança são os seguintes: Plano Bresser (26,06%), Plano Verão (42,72%) e Plano Collor (84,32%). Isso ocorreu porque quando o Plano Bresser entrou em vigor, houve uma mudança no indexador da poupança, gerando perda de rendimentos para os poupadores. Os interessados em entrar com ação na Justiça para reaver as perdas deverão comprovar em juízo a condição de poupador quando da implementação dos planos econômicos, reunindo documentação bancária com extratos e saldos. Segundo o escritório de advocacia Riedel Resende a documentação que deverá instruir a ação será: 1) procuração (uma para cada agente financeiro); 2) declaração de hipossuficiência (fornecida pelo Escritório de Advocacia Riedel); 3) cópia CPF; 4) cópia da Identidade; 5) cópia dos extratos dos meses de dezembro/janeiro/fevereiro de 1989 (VERÃO); 6) cópia dos extratos dos meses de fevereiro/março/abril de 1990(COLLOR). Não sendo o requerente detentor das cópias dos extratos poderá ser arrolado qualquer outro documento que comprove que, à época da implementação dos planos, o mesmo era titular de uma caderneta de poupança com saldo junto a instituição financeira, conjuntamente com o requerimento para obtenção dos extratos da conta de poupança junto a instituição financeira, conforme modelo fornecido pelo Escritório Riedel.

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Entidades

XI ENEM - Carta de Brasília

Médicos entram em estado de alerta permanente em defesa da saúde da população

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eunidos em Brasília, no período de 6 a 8 de junho, durante o XI Encontro Nacional das Entidades Médicas (Enem), os médicos brasileiros, por intermédio de suas representações, fizeram uma acurada análise do sistema de saúde no Brasil. Como resultado, a constatação de graves problemas e o compromisso com a sociedade obrigam os profissionais de medicina a entrar em estado de alerta permanente em defesa da saúde e da população. Os médicos entendem que o SUS tem papel fundamental na garantia da assistência à saúde da população, pois conceitualmente assegura o direito à saúde integral, de qualidade e ágil. Porém, identificam dificuldades que comprometem a qualidade do atendimento. Entre elas, a mais grave: o seu financiamento. Constatam haver grave insuficiência de recursos e exigem a ampliação da receita orçamentária, a começar pela destinação exclusiva da arrecadação da CPMF para o SUS. Exigem, ainda, a regulamentação, em caráter de urgência, da Emenda Constitucional 29, que estabelece a fixação das ações em saúde, a destinação obrigatória de recursos por parte da União, estados e municípios, e, principalmente, quais gastos podem ser efetivamente considerados como investimentos no setor. Ressalte-se que essa regulamentação é imprescindível para combater desvios hoje verificados em todas as instâncias de governo. Atualmente, a EC 29 não é cumprida por, no mínimo, 18 estados e por mais de 2.000 municípios brasileiros. As conseqüências são o deficiente atendimento aos cidadãos, as precárias condições de trabalho para médicos e demais profissionais de saúde, a situação de penúria da rede de atendimento e a ameaça de falência de muitos hospitais que priorizam suas ações para o SUS. Os médicos também constataram outras distorções inadmissíveis: a assistência prestada no Programa Saúde da Família, quer nas Unidades Básicas de Saúde, quer na assistência secundária e na alta complexidade, apresenta graves problemas, dificultando a inserção dos profissionais nas diversas equipes. Foram identificadas situações de precarização, grandes diferenças salariais, dificuldade de progressão na carreira e severas restrições aos direitos previdenciários. É imprescindível o respeito aos preceitos da lei que define a remuneração mínima do médico, adequando-a a valores preconizados pelas entidades. Rigor na formação, qualificação dos médicos e revalidação de diplomas. O compromisso com um atendimento de qualidade à comunidade obriga os médicos a denunciar o grave problema da abertura indiscriminada de escolas médicas. Hoje, o Brasil é o segundo país em números absolutos de faculdades de medicina, com 167 − superado apenas pela Índia, que tem 202 e uma população seis vezes maior que a nossa. Esses cursos possuem, em sua maioria, qualidade duvidosa. São autorizados a funcionar por ação de influências políticas questionáveis e interesses mercantilistas. O resultado inevitável é a formação inadequada de médicos, o que acaba pondo em risco a saúde da população. Os médicos exigem das autoridades competentes a adoção de medidas enérgicas para coibir a proliferação ir-

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responsável de faculdades de medicina. Exigem ainda a fiscalização rigorosa das escolas em funcionamento, para obrigá-las a atender todos os requisitos necessários a uma boa formação − e as que assim não procederem devem ser fechadas. A residência médica, melhor modelo para a formação de especialistas, deve ser ampliada, adequando as vagas existentes às necessidades sociais e técnicas. Contudo, deve ser preservada a autonomia da Comissão Nacional de Residência Médica. Os médicos brasileiros e estrangeiros devem se adequar à legislação vigente. Para os formados no exterior, impõe-se a revalidação do diploma em moldes uniformes, definidos por comissão bipartite, governo e entidades médicas, realizada sob supervisão do Ministério da Educação em universidades públicas. Os médicos brasileiros repudiam todo e qualquer acordo que fira a legislação e privilegie profissionais formados em qualquer país. Destaque-se que esforços para a qualificação permanente dos médicos estão sendo empreendidos pelas próprias entidades, por intermédio de programas de educação continuada, certificação e recertificação, com o objetivo de garantir uma assistência de bom nível aos brasileiros. Uma saúde suplementar digna e completa para os usuários do sistema. A saúde suplementar tem recorrido a medidas restritivas do atendimento com a proibição de procedimentos médicos e remunerações insuficientes, negando-se a adotar como referência a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM). Insiste na transferência de responsabilidade aos médicos por meio de controles coercitivos, a exemplo da Troca de Informações da Saúde Suplementar (TISS), agredindo a privacidade dos pacientes, rompendo o direito de preservação de sua intimidade e ferindo o segredo profissional. A aprovação definitiva da CBHPM pelo Congresso Nacional garantirá o acesso da população às novas práticas médicas éticas, exigindo da saúde suplementar uma cobertura completa aos usuários do sistema. Garantia de acesso fácil, eficiente e universal à saúde da população. Os médicos não abrem mão da política de saúde pública sustentada em orçamentos próprios suficientes, com qualificação profissional adequada e crescente. No intuito de dar qualidade ao atendimento à população brasileira, os médicos entendem como elementos essenciais condições de trabalho tecnicamente adequadas, remuneração justa e uma carreira de Estado, o que garantirá satisfação profissional e perspectiva de futuro. Defendem, ainda, contratos de trabalhos formais e combatem os valores aviltantes da tabela SUS, os mecanismos inapropriados de terceirização e a precarização do trabalho médico. Fundamentalmente, é primordial garantir que a população tenha acesso fácil, eficiente e universal à saúde.

Associação Médica Brasileira Conselho Federal de Medicina Federação Nacional dos Médicos

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Artigo

Fundação Zerbini e Incor-DF, certo ou errado?

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árias matérias publicadas e veiculadas na imprensa afirmaram que o INCOR/DF está prestes a fechar as portas e que “é o único hospital do DF a realizar procedimentos especializados para o tratamento do coração”. Devo lhes dizer, como ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, que o DF em nada fica devendo aos grandes centros de cardiologia do país. Temos várias estruturas privadas e o Hospital de Base (mesmo com as mazelas resultantes de sua superlotação) que oferecem cardiologia de ponta, formando grandes profissionais. Não fui contra a vinda do INCOR para Brasília. Em sua concepção original de aproveitar o espaço ocioso do Hospital das Forças Armadas-HFA, não só apoiei, mas trabalhei para sua implantação. Na época, mesmo sem toda aquela estrutura agora montada, o serviço de cardiologia e cirurgia cardíaca do HFA funcionava a contento sob minha chefia, atendendo 90% do SUS e 10% de militares, mas nos expulsaram, porque o INCOR seria melhor. Será? Lembro que conquistamos, mais de uma vez, o prêmio nacional de cirurgia cardíaca, com trabalhos desenvolvidos naquele hospital. Todavia, uma obra que dizem ter consumido cerca de 200 milhões de reais para instalar 50 leitos é algo que incomoda, pois, com muito menos, 30% desta verba, a ala nova do Instituto Dante Pazanessi, em São Paulo, e o PROCAPE, em Pernambuco, estão funcionando adequadamente, com aproximadamente 200 leitos, e atendendo ao SUS. Considero nobre a iniciativa da Câmara e do Senado de constituir e fazer funcionar unidades hospitalares, porém esses recursos deveriam ser destinados, prioritariamente, quantitativa e equalitariamente, aos hospitais universitários, que padecem de falta de recursos e prestam, estes sim, serviços fantásticos e fundamentais em todos os níveis da área de saúde. O INCOR DF deveria ser mais uma instituição como o recém inaugurado Hospital do Coração, do grupo Santa Luzia que, ao custo de 21 milhões, se coloca como oferta de medicina especializada e de padrão. Daí a razão de se questionar, veementemente, a generosidade dos investimentos (repito, cerca de 200

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milhões), num contexto em que outras instituições públicas (vide HUB), de inegáveis compromissos sociais, enfrentam dificuldades financeiras em seu dia a dia e clamam por novos investimentos, com risco de fechar por falta de elevadores. Com 10% dos recursos disponibilizados pela “mesada” da Câmara e do Senado ao INCOR DF, na definição do promotor Diaulas, faríamos retornar ao Hospital Universitário de Brasília o serviço de cirurgia cardiovascular e hemodinâmica, paralisado há vários anos e fundamental para a formação de jovens médicos. Do mesmo modo, 20 milhões injetados no serviço de cardiologia do Hospital de Base fariam uma revolução em sua capacidade de atendimento e, aí sim, estaríamos cumprindo nossa nobre missão de salvar vidas e de formar ainda mais profissionais capacitados. Para se ter a noção da gravidade da situação do INCOR DF, que o Sr. Ministro da Saúde propõe federalizar, há o entendimento de que ele já é federal, pois está em terreno da União e foi construído com dinheiro público, embora seus funcionários que, segundo a mídia, recebem salários acima da realidade do funcionalismo público, não tenham se submetido a concurso público e efetuem compras de material sem as devidas e obrigatórias licitações. Portanto, não se justifica mais aporte de recursos públicos para financiar uma estrutura privada, totalmente financiada e mantida, até agora, com verba pública e, com certeza, mal administrada. A solução emergencial seria, considerando que o INCOR se encontra dentro de terreno da União, subordiná-lo ao HFA, direcionando-o ao atendimento exclusivo de pacientes do SUS, para evitar que as instalações da instituição se transformem em mais uma sucata. Desculpem-me pela veemência, mas tenho pena do sofrido povo que necessita de atendimento médico público e aprendi, com todas as dificuldades que nossa classe enfrenta, muitas vezes pagando para trabalhar com dignidade, a valorizar o dinheiro público e a ter orgulho da medicina praticada no Distrito Federal. Nós, cirurgiões cardíacos de Brasília, não precisamos que ninguém venha de fora para nos ensinar. Não nos menosprezem! Dr. Alexandre Visconti Brick Médico e Professor da UNB Ex-Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (2004/2006)

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Regionais

GDF socorre Incor e evita fechamento

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or essa ninguém esperava. O GDF decidiu assumir a responsabilidade pela manutenção financeira do Incor-DF nos próximos seis meses. O acordo termina com a possibilidade do Incor fechar. A decisão também prevê que a Fundação Zerbini continuará na administração do hospital durante esse tempo. Para que isso seja possível, o GDF vai antecipar R$ 5 milhões dos R$ 9 milhões previstos para os próximos seis meses. A verba será utilizada para quitar a folha de pagamento atrasada e as dívidas trabalhistas do hospital. No acordo feito com o Ministério da Saúde para garantir o funcionamento do hospital será criado um novo modelo de gestão que envolve a nomeação de uma nova direção e de um conselho para acompanhar a administração. Durante seis meses a Fundação Zerbini continuará responsável pelos serviços operacionais. Ao final desse período um grupo de trabalho fará uma avaliação. O governador José Roberto Arruda disse

que pretende contratar cirurgias cardíacas que não possam ser feitas na rede pública para o Incor. “Há muito dinheiro público no Incor, inclusive da Câmara e do Senado. Nosso objetivo é mantê-lo como unidade de excelência à população. A transferência de dinheiro público para o Incor, que é uma entidade privada, surpreendeu o SindMédico/DF, que há muito vem solicitando melhorias na rede pública, cada vez mais sucateada e sem solução. Desde que foi inaugurado, em 2002, o Incor-DF deu um prejuízo de R$ 56 milhões. A unidade acumulou dívidas de R$ 13 milhões em curto prazo. A expectativa é de que o Incor feche o ano com uma dívida de R$ 30 milhões. Os salários dos médicos e funcionários estão com três meses de atraso, a compra de medicamentos está abaixo do ideal como também a manutenção dos equipamentos. Ainda assim, a situação do Incor-DF é melhor do que os hospitais da rede pública, que atende toda a população do DF e Entorno e que sequer estão sendo socorridos pelo Governo.

GDF vai assumir cirurgias já marcadas

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om a possibilidade de o hospital fechar as portas, o GDF assumiu a responsabilidade pelas operações. Todos os 39 pacientes que estão na fila de cirurgias do Incor-DF serão operados em hospitais da rede particular do DF por conta do governo local, segundo anunciou o governador José Roberto Arruda. Pelo menos seis hospitais da cidade atuam na área

cardiológica e poderão ser credenciados. Além desta medida, o GDF se propôs a contratar os 20 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) que estão fechados no Incor. Isso geraria uma receita mensal de R$ 1,5 milhão. Maciel afirma que a pasta está acompanhando as negociações sobre o destino do Incor e a firmação de novos contratos com a rede pública de saúde.

XI ENEM propõe manter médicos em alerta

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s médicos brasileiros que atendem na rede pública vão estar em estado de alerta permanente em defesa da saúde e da população. A decisão foi tomada durante o XI Encontro Nacional das Entidades Médicas (Enem), realizado em Brasília, no período de 6 a 8 de junho. O encontro contou com a participação de médicos de todo o país, representantes da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), Conselho Federal de Medicina (CFM), Associação Médica Brasileira (AMB) e Sindicatos dos Médicos de todos os Estados e do Distrito Federal. Durante três dias, os médicos discutiram assuntos polêmicos como o papel do SUS na garantia da assistência à saúde dos brasileiros; o financiamento da saúde, a formação, qualificação dos médicos e revalidação de diplomas; a saúde suplementar; condições de trabalho, remuneração justa e uma carreira de Estado para os profissionais de medicina de todo o Brasil. Ao final, foi produzido o documento intitulado Carta de Brasília (leia na íntegra na página 11), que servirá como referência para as lutas da classe médica nos próximos quatro anos.

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GDF ASSUME COMPROMISSO COM A CLASSE MÉDICA Reivindicações dos Médicos

Implantação em definitivo de um ambiente que permita melhores condições de trabalho, principalmente no que diz respeito a segurança do profissional médico.

Negociações entre SES/GDF e Sindicato evitaram greve

Finalmente o Governo do Distrito Federal (GDF) e o Sindicato dos Médicos do DF chegam a um acordo e os médicos suspenderam a greve que estava marcada para o dia 09 de julho. A decisão foi tomada na noite do dia 13 de junho, durante realização da 4ª Assembléia Geral Extraordinária. Após exaustivas negociações a proposta do sindicato foi aceita, em parte, pela Secretaria de Saúde, com o aumento de 30% no percentual da Gratificação de Atividade Médica – GAM, em duas parcelas: 15% a partir de 01/09/2007 e de 15% a partir de 01/11/2007. A GAM varia de acordo com a classe e o tempo de serviço do médico. Uma das vantagens na opção pelo reajuste da GAM é que ela incorporada ao salário e beneficia também aos médicos aposentados. Além disso, ficou acordado em documento assinado pelo Secretário de Saúde, a criação de um Grupo de Trabalho com representantes do SindMédico/DF, da Secretaria de Planejamento e da Secretaria de Saúde para formatar a reestruturação dos vencimentos da carreira médica, tendo sido marcada a data de 31 de agosto para a finalização dos trabalhos, com o compromisso de incluir na proposta orçamentária de 2008 a previsão de recursos para implantação a partir de 2008. Hoje o salário inicial de um médico da SES para a jornada de 40 horas é de cerca de R$ 5.300,00 (bruto) enquanto dos médicos da Polícia Civil é de R$ 10.800,00. O sindicato espera que o GDF cumpra o compromisso assumido com a classe médica de promover esta a isonomia salarial, uma vez que os médicos estão muito indignados com a remuneração atual. A classe continuará mobilizada e atenta aos desdobramentos tanto que marcou para setembro próximo, nova convocação de Assembléia Geral para avaliar o desenrolar das propostas acordadas entre o SindMédico/DF e a SES-DF.

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Reposição do estoque de medicamentos e substituição dos equipamentos sucateados, quebrados ou reposição dos inexistentes. Melhoria das condições do atendimento de Saúde a toda a população do DF. Instituição da autonomia financeira e administrativa para a Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES/DF). Nomeação urgente dos gestores e demais funcionários nos mais diversos escalões e setores, para que a máquina pública de Saúde saia do estado pseudo inercial em que se encontra. Abertura de um canal de diálogo permanente entre o Secretário de Saúde e seus assessores com os diretores das Regionais de Saúde e demais gestores. Atualização da Tabela de Vencimentos do Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS). Isonomia salarial com os médicos da Polícia Civil. Correção da situação dos 130 médicos da SES de 36 horas, que sem um motivo plausível, não foram incluídos no plano de carreira a época, estando os mesmos funcionalmente e financeiramente sendo prejudicados. Reajuste da gratificação dos médicos do antigo INSS que estão a disposição da SES, a muito congelada. Pagamentos das folhas suplementares em atraso desde 2001, que já ultrapassaram a quantia de R$ 15 milhões. Pagamento das Horas-Extras conforme vinham sendo pagas de igual modo com as horas contratuais - Decisão do Tribunal de Contas do DF – 210/2007. Retorno da Produtividade como fator estimulador e conseqüentemente, aumento do poder de resolução da rede. Retorno da Fundação Hospitalar do DF. Implantação imediata da Gratificação de Atividade Médica (GAME) e sua extensão à toda a classe médica.

Política de Recursos Humanos que valorize o servidor público da Saúde. Reavaliação da metodologia dos relatórios de auditoria. Reclassificação funcional dos radiologistas – duplo vínculo - 40 horas. Gratificação Natalina e sua incidência sobre Hora Extra. Situação do Médico Funcionário Público - Lei 8.112. Posição da SES no que tange àqueles que participam de pessoa jurídica na medicina privada.

Resposta da SES/GDF

Garantida a reforma nos hospitais públicos, inclusive com repouso médico adequado. Promover gestões junto à Polícia Militar do Distrito Federal para a criação do Batalhão da Saúde. Precariamente recomendado aos vigilantes que garantam a integridade física dos médicos. O GDF liberou 7 milhões para um programa de aquisição de instrumental cirúrgico e equipamentos de maior necessidade.

Está ultimando estudo para a reforma do modelo administrativo. Já iniciadas as nomeações em maior escala, tendo sido solicitado à Secretaria de Gestão e Administração a contratação dos aprovados nos últimos concursos. Compromisso de ampliar, de imediato, o diálogo entre o Secretário de Saúde e os Diretores das Regionais. Será criado um Grupo de Trabalho para formatar a atualização do PCCS, tendo como norte a paridade com os médicos da Polícia Civil. A data prevista para a conclusão do trabalho é 31 AGO 2007, comprometendo-se o GDF a incluir no orçamento de 2008, a previsão de recursos para iniciar a implantação.

Compromisso de até 31 JUL 2007 formalizar um cronograma de pagamento com provável início em SET 2007. Solicitado audiência ao TCDF para discutir a matéria em conjunto com o SindMédico-DF visando solucionar a matéria. O GDF está ultimando um projeto a ser enviado à Câmara Distrital criando a Gratificação de Produtividade. O GDF quer criar, através de projeto de lei, Fundações Públicas de Direito Privado, ouvidas as entidades médicas. Com o acordo, a GAME não será, a princípio, implantada. Em 2007 ocorrerá o aumento de 30% no percentual da Gratificação de Atividade Médica – GAM, em duas parcelas: 15% a partir de 01/09/2007 e de 15% a partir de 01/11/2007. A GAM incorpora ao salário e beneficia também aos aposentados. Fará parte do novo modelo administrativo a ser implantado. Já implantada a uniformidade da metodologia. A SES enviou à Procuradoria Geral do Distrito Federal para estudos, fundamentos jurídicos para que possa ser estendida a carga horária de 40 horas aos radiologistas à luz do cenário atual da tecnologia envolvida. A partir de MAR 2007 o pagamento da Gratificação Natalina voltou a incidir sobre a Hora Extra. Os aniversariantes de FEV terão pagamento em Folha Suplementar. Será enviado projeto de lei à Câmara Distrital corrigindo esta situação peculiar no âmbito do Distrito Federal.

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SINDICATO CONSTATA IRREGULARIDADES NOS HOSPITAIS

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insatisfação é generalizada. As reclamações são constantes. Os médicos estão cansados de lutarem sozinhos. Para dar um mínimo de atendimento à população, os médicos da rede pública são obrigados a levar de casa seu próprio equipamento. Mais do que material de trabalho, falta respeito ao profissional. Esse é o retrato da saúde pública no Distrito Federal constatado pelos representantes do SindMédico/DF durante as visitas aos hospitais da rede pública em decorrência da Campanha de Valorização do Trabalho Médico, que teve início no mês de abril. Já foram visitados os hospitais do Paranoá, Guará e São Sebastião, todas as visitas motivadas por denúncias de médicos insatisfeitos com as condições de trabalho. Para o Hospital de São Sebastião, a diretoria do SindMédico convidou a promotora CáVistorias com o Ministério Público tia Vergara, da Promotoria de Saúde do DF (ProSus), do Ministério Público. Em mais de cinco horas, tanto o Ministério Público quanto o sindicato confirmaram as denúncias ao constatar vários problemas. Das três ambulâncias cedidas pela Secretaria de Saúde, duas estão sem condições de uso, colocando em risco a vida de médicos e pacientes. As portas traseiras, por estarem quebradas, foram soldadas, faltam bancos e os cilindros de oxigênio soltos, com risco de explosão. Os médicos sofrem com a falta constante de prontuários, receituários e medicamentos. Como se isso não bastasse, roupas sujas foram depositadas na sala de arquivo e os profissionais são obrigados a descansarem em colchões no chão na sala de repouso médico. No Hospital do Guará, a remoção de pacientes, por falta de ambulâncias em condições de uso, foi um dos problemas relatados pelos médicos. Embora tenha sido transformada em hospital, a unidade do Guará continua sendo um Pronto Atendimento Médico (PAM), sem a estrutura de hospital. Não há UTI, sala de parto, nem centro cirúrgico. Por essas razões as remoções são imprescindíveis e, infelizmente, impossibilitadas. Não há radiologia para exames de emergência e o Raio X não possui manutenção desde janeiro. Faltam chefes de equipes nos plantões porque não houve nomeações e a limitação de horas extras estipulada pela SES reduz o quadro de profissionais e dificulta o fechamento das escalas de plantões. No Hospital do Paranoá as condições Médicos repousam no chão de trabalho não são diferentes. Falta tensiômetro e oximetro e há deficiência de profissionais nas especialidades de ortopedia, cirurgia geral, ginecologia e anestesia. “Embora a estrutura física do Hospital do Paranoá seja boa, o quadro de profissionais é insuficiente para cobrir todas as unidades”, explicou o presidente do SindMédico/DF, Dr. César Galvão. Todos os problemas relatados pelos médicos durante as visitas da Campanha de Valorização do Trabalho Médico serão transformados em relatório para Situações precárias nos hospitais ser encaminhado à Secretaria de Saúde solicitando providências imediatas.

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FILA NOS POSTOS DE ATENDIMENTO 24 HORAS

Pronto atendimento só funciona à noite e com filas

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s Postos de Atendimento 24 horas da rede pública não estão em condições de permanecerem abertos como quer a Secretaria de Saúde. A denúncia é do Sindicato dos Médicos do DF que visitou o Centro de Saúde nº 1 de Recanto das Emas.

A visita também faz parte da Campanha de Valorização do Trabalho Médico e atende uma solicitação dos médicos que trabalham no local. Eles encaminharam ao Ministério Público e ao Sindicato dos Médicos, um documento denunciando a falta de condições de trabalho para a prestação de serviço básico aos usuários do SUS. Entre as irregularidades apresentadas e constatadas pela diretoria do sindicato, juntamente com um representante do Ministério Público, é de que não há profissionais na clínica médica e na pediatria para atender uma demanda diária de até 100 pacientes no período noturno, a cargo de apenas um plantonista em cada uma das especialidades. Como o Posto de Saúde foi transformado recentemente em Pronto Atendimento 24 horas, ainda não há plantonista para o período diurno, causando enormes filas que se estendem pela madrugada. O sindicato constatou ainda que os médicos trabalham à noite sem segurança, faltam materiais como espátulas para exames de orofaringe e diagnóstico de amigdalite, tubos para intubação oro traqueal de crianças e oxímetro de pulso.

POR UMA GLOBALIZAÇÃO MAIS RACIONAL NA SAÚDE DO DF

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incorporação de grandes empresas brasilienses da área de diagnóstico por grupos internacionais demonstram que o processo de globalização chegou fortemente ao segmento da Saúde do DF. As vias da globalização demonstram que a compra dos laboratórios Exame, MedLabor e Pasteur pelo grupo Diagnósticos das Américas, sinalizam sim, para a elevada qualidade do trabalho desenvolvido pelos empresários “made in Brasília”, em uma forma de reconhecimento da comunidade da capital do país. Porém, como em todo o processo de globalização, os efeitos colaterais não podem ser descartados. Seja na indústria automobilística, de têxteis ou mesmo no mercado bancário, a incorporação de unidades locais por empresas de capital transnacional provocam o enxugamento dos quadros funcionais, realocação de unidades fabris para regiões com melhores engenharias de custos e forte influência no ambiente de competitividade, com o fechamento de unidades menores que não conseguem acompanhar os altos investimentos de marketing e os baixos custeios da produção em escala. É nestes fatores negativos que reside a preocupação do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal. A instituição está muito preocupada com que a globalização do setor de saúde de Brasília não venha acompanhada de uma cartelização ou monopólio do segmento nas mãos do capital externo e que este, não pratique o dumping (comer-

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Representantes do Exame e da Diagnóstico das Américas no Sindicato

cialização por valores mais baixos que a produção). Desta maneira, o sindicato se prepara para acompanhar este processo de globalização, que agora dá sinais de entrar no setor de imagem, para que seja feita da maneira mais racional, preservando uma competitividade mais sadia com os médicos-empreendedores locais, inclusive com consultas aos órgãos de preservação da competitividade, a exemplo do CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica. “Não somos contra a entrada de empresas estrangeiras em Brasília, mas não podemos deixar de nos preocupar com a situação dos colegas que passam a competir com esta nova realidade de mercado”, conclui Dr. César Galvão, presidente do SindMédico/DF.

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RECONHECIMENTO POR 32 ANOS DE EXCELÊNCIA DO LABORATÓRIO EXAME.

COMUNICADO AOS MÉDICOS E CLIENTES É com grande satisfação que nós, do Laboratório EXAME, informamos que estamos dando um novo passo para melhorar ainda mais os nossos serviços. Estamos integrados a partir de agora, ao Grupo Diagnósticos da América, uma empresa brasileira que reúne importantes laboratórios do país. Esse é o reconhecimento pelo trabalho ético de um laboratório que nasceu em Brasília, em 1975, com os pioneiros Eumil Portilho, Hélio Tavares, Tito Figuerôa, Ubiratan Peres, Hugo Mundim, Bechara Daher Neto e

João Madeira, acrescido posteriormente por Adília Segura, André Peres, Hugo Mendonça, Valéria Portilho e Aldo Pacheco Tavares. Agora o Laboratório EXAME continua seu projeto de expansão em Brasília trazendo mais certificações para a sua qualidade, mais tecnologia, mais confiança, mais conveniência, mais dedicação, mais unidades, mais serviços, mais conhecimento em medicina diagnóstica, cumprindo com nosso objetivo de oferecer serviços de excelência, com ética e credibilidade.

Responsável Técnico Operacional: Dr. João Ribeiro Madeira Campos FIlho - CRM DF 711

Continuem contando com a qualidade e a equipe EXAME. Dr. João R. Madeira, Dr. Ubiratan O. Peres, Dr. Eumil A. Portilho, Dr. Hélio P. Tavares, Dr. Hugo Mundim, Dra. Adília Segura, Dr. André Peres, Dr. Hugo Mendonça, Dra. Valéria A. Portilho, Dr. Aldo H. F. Tavares e toda equipe Exame

www.laboratorioexame.com.br | 3212-2233

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Aconteceu

APBr realiza Simpósio Internacional da Saúde da Mulher

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stima-se que a incidência da depressão seja duas vezes maior em mulheres do que em homens. Foi pensando nisso que a Associação Psiquiátrica de Brasília (APBr), realizou de 10 a 12 de maio, o Simpósio Internacional Multidisciplinar da Saúde da Mulher. Com o tema: “A Saúde da Mulher e suas Repercussões Físicas, Psíquicas e Sociais”, o Simpósio reuniu médicos do Brasil e do exterior, como a médica Conceição Lavadinho, de Portugal e o psiquiatra Cláudio Novaes, radicado no Canadá que fez a palestra de abertura “Alterações Hormonais e Transtornos Psíquicos – Fatores de Risco e Avanços Terapêuticos”. O evento buscou a interdisciplinaridade na saúde onde as várias especialidades médicas trocaram experiências e conhecimentos técnicos. O Simpósio Internacional Multidisciplinar da Saúde da Mulher não contou apenas com psiquiatras, mas tanto nas mesas redondas, palestras quanto na platéia participaram profissionais das áreas de cirurgia plástica, dermatologia, endocrinologia, ginecologia, mastologia, neurologia, pediatria, psicologia, urologia, entre outros. A diretora de imprensa, Adriano Graziano, representando o SindMédico/DF, lembrou que “há muito

Evento foi prestigiado pela classe

já se sabe das inúmeras patologias que atingem o sexo feminino, mas são poucas as atividades que discutem o assunto”. Por isso ela parabenizou a APBr pela iniciativa “por conseguir enxergar a mulher como ela merece ser vista”. No evento, foram realizados quatro cursos: “(Des) encontros Familiares, como prevenir a violência familiar”; “Depressão na Mulher – avanços clínicos e oportunidade de pesquisa”; “Introdução a Neuropsiquiatria”, e “Epilepsia na Mulher”. Na oportunidade, o presidente da APBr, Antônio Geraldo da Silva, convidou os médicos a participar do Congresso Brasileiro de Psiquiatria que em 2008, será realizado em Brasília com a previsão de reunir 7 mil médicos de todo o país.

Cosemesc: exemplo a ser seguido

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convite do SindMédico/DF, o presidente do Sindicato dos Médicos de Santa Catarina, João Pedro Carreirão, veio à Brasília no último dia 30 de maio, para explicar aos médicos da capital o funcionamento e o trabalho desenvolvido pelo Conselho Superior das Entidades Médicas, Cosemesc, resultado da união da Associação Catarinense de Medicina (ACM), do Sindicato dos Médicos de Santa Catarina (Simesc) e do Conselho Regional de Medicina (Cremesc). Dr. Carreirão do Cosemesc Composto por um presidente e mais quatro representantes de cada entidade, renovado a cada ano, o Cosemesc tem tido importante papel nas conquistas dos 9,3 mil médicos ativos do Estado. Entre os avanços conse-

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guidos para a classe estão a criação de um Plano de Carreira, a redução da jornada de trabalho de 40 para 30 horas semanais, a Gratificação de Atividade Médica, que varia de R$ 2,4 mil a 4 mil, de acordo com a avaliação de desempenho, incorporados ao salário para aposentadoria e a adoção, pelo governo do Estado, da Unimed como plano de saúde para os funcionários estaduais. “Em termos comparativos, seria o mesmo que o SUS adotar a CBHPM”, explicou Dr. Carreirão. Segundo ele, todos esses benefícios seriam impensáveis sem a união das três entidades médicas no Cosemesc. Criado em 1997, o Cosemesc hoje é referência de união médica no Estado. A preocupação do conselho é que as entidades médicas continuem independentes em seus papéis institucionais, mas trabalhem unidas nos interesses da classe como política salarial e condições dignas de trabalho. Não é à toa que os médicos de Santa Catarina têm um dos melhores valores de consultas pagos pelos planos de saúde, variando de R$ 34,00 a R$ 60,00.

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Aconteceu

Entidades médicas pedem adiamento da TISS à ANS

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s entidades médicas querem a prorrogação do prazo de implantação da Troca de Informações em Saúde Suplementar (TISS), previsto para 31 de maio. A reivindicação foi levada ao presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Fausto Pereira dos Santos, no último dia 14 de maio. Participaram da audiência representantes da Federação Nacional dos Médicos (FENAM), Conselho Federal de Medicina (CFM), Associação Médica Brasileira (AMB), Associação dos Médicos de Hospitais Privados do Distrito Federal (AMHP-DF), Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico/DF) e Sindicato dos Médicos do Paraná. Durante a reunião, o vice-presidente da FENAM e presidente do Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná, Mario Ferrari, sugeriu o financiamento da informatização, com desoneração de impostos para os profissionais de saúde, já que ele serviria como fonte de levantamento de dados relacionados à saúde da população. “Reiterei que o risco de desmoralização de importante medida utilizada na regulação dos prestadores de serviços pela ANS, poderia atingir a imagem da agência, caso não seja implantada com êxito”, comentou Ferrari. Márcio da Costa Bichara, diretor financeiro e 2º vice-presidente da FENAM, comentou que, durante os Pré-Enem’s, constatou-se que muitos médicos desconhecem o que seja a TISS, fator que justifica a prorrogação do prazo de implantação. O diretor jurídico da

Fenam e do SindMédico/DF, Antônio José, confirmou o fato observado nos debates do Pré-Enem em Goiás, que reuniu médicos de todo o Brasil. Os conselheiros Aloísio Tibiriçá e Roberto D’Avilla, do CFM, ressaltaram que a maioria dos médicos ainda não foi treinada para adotar a TISS. Lembraram que, como nesta primeira fase as informações serão enviadas em papel, e não por meio digital, o sigilo profissional poderá ser quebrado e os médicos responsabilizados por isso. Nesse sentido, as entidades médicas solicitaram à ANS que preserve os direitos dos pacientes e que os prazos entre a transferência de dados para o meio digital sejam reduzidos. Já o presidente da AMHP-DF, Joaquim Fernandes, sustentou que a implantação da TISS sem que os médicos sejam treinados resultará em um aumento substancial de glosas. Ele apresentou uma proposta de implantação de um projeto piloto de treinamento, em Brasília, e sugeriu a redução de seis para três, do número de fichas a serem preenchidas. Embora o adiamento da implantação da TISS não tenha sido discutido pela diretoria da AMB, o representante da entidade e coordenador da Comissão Nacional para Implantação da CBHPM, Florisval Meinão, manifestou apoio aos colegas e requereu que seja adotada a CBHPM como referencial de nomenclatura para a TISS. O presidente da ANS, Fausto dos Santos informou que o pedido das entidades médicas será apresentado em reunião de diretoria da agência.

Dr. Alexandre Brick e Banda promovem show beneficente

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erca de 200 pessoas prestigiaram o show “Cante com a Gente”, comandado pelos médicos Alexandre Brick, José Carlos de Almeida e banda (foto) no dia 16 de maio. O repertório incluiu bossa nova, samba e muita MPB. A apresentação, que recebeu apoio do Hospital Brasília, aconteceu no salão social do Clube Naval e teve a renda revertida para o Movimento de Apoio ao Paciente com Câncer. Música e solidariedade: receita de sucesso

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Informes

Paradoxo da Hipertensão Arterial: fácil, porém difícil

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omunico-me agora com meus colegas médicos, aqueles seres humanos privilegiados que possuem registro num CRM e desfrutam do sublime dever de salvar vidas, para tornarlhes ainda mais óbvia a importância da Hipertensão Arterial no contexto saúde-doença, vida e morte. É do conhecimento de todos que a prevalência da Hipertensão Arterial varia de 20 a 30% na população adulta maior de 18 anos a 65% entre os idosos acima de 70 anos. A V Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, recentemente publicada, limita em níveis mais baixos (130/85mmHg) os valores considerados normais, em indivíduos adultos de qualquer idade – mesmo os velhos muito velhos. Acima destas marcas, são indivíduos limítrofes ou hipertensos, necessitando de algum tipo de tratamento, ainda que apenas mudanças no estilo de vida. O grande problema é que por ser silenciosa, esta condição assassina tarda em ser detectada. Por falta de política própria e, sejamos sinceros, empenho de nós médicos, cerca de 70 a 80% dos hipertensos, ou desconhecem a sua doença ou estão mal Referências Bibliográficas:

tratados e assim expostos aos riscos plenos. Cerca de 20% dos hipertensos apresentarão algumas dificuldades para a caracterização do diagnóstico, tais como a Hipertensão do Jaleco Branco, a Hipertensão Arterial Mascarada, a Hipertensão Reacional ao estresse e a certos fármacos, ou mesmo a Hipertensão Arterial Secundária, esta em torno de 5 a 10%. Por isto, serão beneficiados com os sofisticados conhecimentos dos hipertensólogos. Recentemente, surgiram novos enfoques, quais sejam a valorização da chamada Pressão de Pulso, Velocidade da Onda de Pulso, Hipertensão Arterial Sistólica Isolada e enrijecimento das paredes arteriais. Em 1979, quando ainda residentes em cardiologia no Hospital de Base do Distrito Federal, Inês Vidal Marcílio, Renato Moussalen de Andrade e Eu, orientados pelo conceituado patologista Hélcio Luiz Mizziara, analisamos, detalhadamente, os corações de indivíduos que tinham níveis pressóricos limítrofes (PAS entre 130 e 140 e PAD entre 85 e 90 mmHg) à época considerados inteiramente normais, constatando,

1.V Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial;Rev. Bras. Hipert.,2006;13; 4:256-312. 2.The Seventh Report of the Joint National Committee on Prevention, Detection, Evaluation and Treatment of High Blood Pressure. JAMA , 2003; 289(19):2560-72. 3.Hansson, L; Zanchetti, A; Carruthers, SG; Dallof, B; Julius, S; Menard, J e al. Hypertension Optimal Treatment(HOT) randomizes trial.

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à macroscopia, graus iniciais de hipertrofia do septo e parede livre do ventrículo esquerdo, bem como, em alguns casos, placas de aterosclerose coronariana. Estudos internacionais recentes como o TROPHY e o PHARAO, intervieram, medicamentosamente, em grupos de pacientes com estes níveis pressóricos, alcançando resultados favoráveis, parcialmente atribuíveis à melhora da disfunção endotelial. Felizmente, o tratamento eficaz, contínuo, vitalício e supervisionado conduz a bons resultados, com significativas reduções nos Acidentes Vasculares Cerebrais, Síndromes Coronárias Agudas, Insuficiência Cardíaca e Renal. Desta forma, enquanto médicos, o nosso sagrado dever é o de aferir, com exatidão, a pressão arterial de todos os nossos pacientes, em todas as consultas, de todas as especialidades. Tolera-se que outro profissional, devidamente treinado, possa fazê-lo no momento da préconsulta, como triagem para uma avaliação mais detalhada. E lembremos de calibrar os nossos tensiômetros a cada 6 meses. Boa sorte e excelente missão!

Lancet,1998; 351:1755-62. 4. Pulse Pressure Important Risk Factor for the Development of NewOnset AF CME. Medscape Medical News 2007. 5. Trophy Study Investigators. N. Engli. J.Med. 2006 Apr20; 354(16): 1685-97. 6. Blacher j., Asmar R, DjaneS, London GM, Safar ME. Aortic pulse wave velocicity as a marker of cardiovascular risk in hypertensive patients . Hypertension, 1999, 33: 1111-7.

Prêmio Paulo Gontijo

Instituto Paulo Gontijo (IPG) está promovendo no dia 20 de junho a entrega do Prêmio PG – Categoria Medicina. Em sua primeira edição, o Prêmio é um incentivo às pesquisas que promovam o avanço da descoberta da causa e da cura da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). O evento será realizado no Memorial JK em Brasília e é uma parceria do IPG com a Associação Brasileira de Esclerose Amiotrófica (AbrELA) e a Academia Brasileira de Neurologia (ABN). O vencedor irá receber R$ 50.000,00. O IPG, fundado em 2005, inspira-se na obra de seu idealizador, o físico e engenheiro civil Paulo Gontijo (1932-2002), que dedicou grande parte de sua vida a compreender a diversidade humana através da ciência.

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Alexandre Bandeira

Estratégia

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Consultório Consultoria Consultor de Estratégia e Marketing

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ostem ou não, Cazuza e Arnaldo Brandão eternizaram, em ritmo e poesia, a mais direta sensação de que não devemos perder tempo. Aliás, nunca nos preocupamos tanto com ele como nos dias de hoje e por mais que inventemos novidades que nos ajudem a ter melhor qualidade de vida, parece que menos tempo temos. É como ter a certeza de que as 24 horas do dia - há um século atrás - passavam mais devagar do que hoje e muito mais lentas do que amanhã. Isso não quer dizer que tal percepção relativa do tempo denote que tudo ou todos andem aceleradamente na mesma velocidade. Não é assim na vida, não é assim também com as organizações. A associação entre modernidade e transformação obriga as pessoas e as empresas a tentarem acompanhar a cadência da vanguarda. O fato, porém, é que tal ritmo acaba sempre variando de indivíduo para indivíduo, de organização para organização. O esforço em estar em permanente movimento tem muita relação com prover a nossa própria evolução, já que, afora os caprichos de estar update com o que há de mais moderno, evoluir implica em adaptar-se e consequentemente, sobreviver ao processo de seleção natural. No entanto, a questão é quando – por deliberação ou não – decidimos não correr atrás desta jornada. Ao pararmos no tempo, nos transformamos em retratos vivos de uma era, como museus que podem contar a história do instante em que estagnamos, tal qual um relógio que sirva de referência ao momento em que não mais funcionou. Para alguns, esta renúncia chega a se transformar em estilo de vida,

Revista Médico

O tempo não pára mas infelizmente para empresas, nostalgia não é o melhor ingrediente para sua subsistência. Em determinadas consultorias, encontramos muito visivelmente este cenário. Como antropólogos, é possível identificar a idade de uma empresa e quando ela renunciou acompanhar as transformações que a cercam. Os registros estão por todos os lados. No estilo de logotipia, cores empregadas, mobiliários, equipamentos, utilização dos espaços, serviços prestados, métodos de organização e documentação, estrutura produtiva, meios de relacionamento com o mercado e principalmente, na mentalidade gerencial, já que a principal válvula motriz do

“a palavra-chave deve ser reinvenção” processo evolutivo nas empresas, está nas pessoas que as comandam. Tudo conta um pouco da história de uma organização, que quase sempre mostra o quão promissora ela foi no passado e o potencial competitivo adquirido em uma determinada época, mas que infelizmente, não fora bem aproveitado. O resultado é que, por sufocamento de outros concorrentes no ambiente de mercado, a maioria das empresas que se enquadram neste perfil já fecharam suas portas, outras irão encerrar suas atividades em breve e para poucas delas, ainda existe uma esperança, caso desejem e trabalhem para mudar os destinos determinados no passado. Isto vale tanto para as pequenas como as grandes empresas. Os exemplos são muitos e estão nos jornais e na praça todos os dias.

Caso sua empresa esteja no último grupo, a palavra-chave deve ser reinvenção. Em administração todo produto ou empresa tem sua vida traçada por uma curva de surgimento, crescimento e declínio. O sucesso daqueles que até hoje se mantém competitivos no mercado é poder antever o momento decadente e extrair inovação que possa gerar um novo período de expansão. Em primeiro lugar, atualize os traços mais tangíveis que remetam ao instante em que sua organização parou no tempo. Remodele o seu ambiente de trabalho, revitalize a sua marca, troque uniformes, ou seja, trabalhe os aspectos estéticos da sua organização. Em seguida, aperfeiçoe sua relação com o consumidor, criando mais elementos de hospitalidade e satisfação naquilo que você faz. Sejam eles prestados diretamente ou por meio eletrônico. Por último, avalie sua capacidade de evolução tecnológica, aliada as oportunidades de mercado. Isto porque atualização nesta área pode implicar em elevados investimentos em equipamentos e não vale a pena vincular capital escasso onde o mercado já possui uma demanda amadurecida. Por vezes, você descobrirá que será melhor encolher para poder crescer em segmentos mais especialistas ou de nicho. E lembre-se, como diz a lição da própria letra da música: “Mas se você achar que eu tô derrotado, saiba que ainda estão rolando os dados, porque o tempo, o tempo não pára”.

Contato com a coluna: consultorio@strattegia.com.br

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Vida Médica

Por Elisabel Ferriche

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o meio dos quatro mil atletas que participaram da 1ª Maratona Brasília de Revezamento, nas comemorações dos 47 anos da cidade, no último dia 21 de abril, estava um médico cardiologista do Hospital de Base, a mulher, o filho e a nora. Eles faziam parte de uma das 755 equipes inscritas. E não fizeram feio. Completaram o percurso de 42 quilômetros demonstrando, mais do que preparo físico, muita disposição e união. “Os benefícios da corrida são, ao mesmo tempo, físicos e mentais. Físico, porque o sistema cardiovascular do corredor melhorará do mesmo modo que o seu estado geral”, ensina o cardiologista Pedro Carrusca Brito, aquele que esteve presente na 1ª Maratona Brasília de Revezamento. Corredor desde os tempos de estudante de medicina, na UnB, Dr. Carrusca conta que iniciou o esporte ainda na década de 70, quando da inauguração do Centro Olímpico. Desde então nunca mais parou. Participou de 11 maratonas no Brasil e exterior, entre elas a famosa maratona de Nova York, onde correu

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em duas oportunidades e a de Madri, em Barcelona, além de ter sido o fundador dos Corredores de Rua do DF, em 1989. Ele ensina que os benefícios obtidos com a corrida estão relacionados ao tempo dedicado ao exercício. “Como médico, preconizo sempre que os pacientes tenham uma vida saudável. E para falar A maratona exige muita preparação aos pacientes, tenho que saber quais as dificuldades que eles poderão encontrar”, explica Dr. Carrusca que já atuou como médico em várias maratonas. Aos 54 anos, ele alega que não corre mais como antes, “apenas 60 quilômetros por semana”, além de nadar três vezes, na AABB e pedalar com freqüência. “Embora seja um esporte muito gostoso, não recomendo a maratona para ninguém, devido ao enorme desgaste físico, emocional e

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Dr. Mauro Guimarães alia a corrida com o enduro eqüestre

muscular. A corrida diária é perfeita e saudável em qualquer idade”. Em Nova York onde passou 25 dias de férias, Dr. Carrusca conta que correu todos os dias. “Levei meu tênis e fui para o Central Park”. Essa é uma das vantagens da corrida. Além de não requerer um equipamento especial, dá para praticar ao ar livre e ainda é uma ótima maneira de melhorar o fôlego e emagrecer. Basta um par de tênis, um short e uma camiseta. Além, é claro, de muita disposição. Isso é que não falta para o médico Carlos Pinto Ferreira, 62 anos. Diariamente, Cacá, como é conhecido entre os atletas, acorda as 4h30 e às 5h já está no Parque da Cidade onde inicia sua pequena maratona. Antes de entrar no Hospital de Base, onde é intensivista, ele já correu 14 quilômetros. Suas corridas são alternadas com os dois mil metros de natação, que o médico faz no Iate Clube. “Sem esse ritual, eu não consigo trabalhar. A corrida me estabiliza o humor e me da a coragem que necessito para enfrentar o dia a dia”, conta o médico que já correu várias maratonas

Dr. Carrusca gosta de correr em família

RevistaRevista MédicoMédico

e que agora só corre por lazer. “Mesmo assim ainda pretendo voltar a Maratona de Nova York”. Não é a toa que o médico garante tanta disposição para a rotina pesada na UTI do Hospital de Base. A corrida funciona como um despertador ao estimular a produção de endorfina, neurotransmissor que dá a sensação de bem-estar, além de melhorar a musculatura da região das pernas e garantir a queima do excesso de gordura, tornando-se um excelente exercício para quem precisa perder peso. Esse não é o caso, por exemplo, de outro médico corredor: o clínico geral Mauro Guimarães. Aos 68 anos, ele usa a corrida como complemento de outro esporte: o enduro eqüestre. “Como no enduro, percorremos 100 quilômetros a cavalo em estradas difíceis, é preciso bom preparo físico para puxar o cavalo”, explica o médico, que já foi maratonista. “Como o desgaste das articulações é muito grande para quem corre, decidi fazer da corrida apenas um esporte, um lazer”. Mais do que um exercício, a corrida aumenta a auto-estima, dizem os especialistas. O melhor de tudo é que correr é uma atividade relativamente fácil e que não requer um tipo físico ideal. Quem está acima do peso só precisa de alguns cuidados para não sobrecarregar as articulações. Sem falar que os resultados aparecem rápido. Correu dez minutos no mês passado e ficou de língua de fora? Pode apostar que em 15 dias vai chegar ao dobro. Isso aumenta a autoconfiança e a disciplina. Para completar, faz um bem danado saber que você é capaz de ir se superando a cada dia... Tem gente que adora a corrida porque não precisa de time e nem de ninguém por perto. Mas há corredores que abominam o exercício solitário e tendem a formar grupos em que um incentiva o outro a acordar cedo, a enfrentar um terreno desafiador, a percorrer mais um quilômetro. Basta dar um pulo no Parque da Cidade logo cedo e checar a galera reunida. Quem sabe você não se junta a ela...

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Vinhos

Dr. Gil Fábio

Champagnes e espumantes III

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á escrevemos dois artigos sobre estes vinhos, mas finalmente qual é a diferença que existe entre Champagne, Espumante, Prossecco, Creamant, Vin Mouseaux, Cava, Asti e outros menos comuns? Para começar, todos são vinhos que contém borbolhas (perlage) e são chamados de espumantes, inclusive o champagne. Entretanto podemos dividir os espumantes atualmente nas seguintes categorias: 1°) O Champagne: Bebida fabricada na França na região denominada Champagne; denominação de origem imposta pela Comunidade Européia. Só os espumantes dessa região podem ser chamados atualmente de Champagne. Na França são produzidos anualmente cerca de 360 milhões de garrafas. 2°) Espumantes: “Genérico” utilizado para todo tipo de vinho espumante, produzido em qualquer país. 3°) Cava: Vinho espumante produzido na Espanha, denominação imposta pela Comunidade Européia. Só os espumantes da Região da Cataluña podem usar esse nome. 4°) Asti: Denominação de origem também imposta pela Comunidade Européia, só os espumantes dessa região têm direito de usar este nome. Normalmente tem baixo teor alcoólico e são mais doces. 5°) Prossecco: É um tipo de uva aromática geralmente usada nos espumantes Asti. O prossecco pode ser feito em qualquer lugar, pois é um tipo de uva. Os vinhos espumantes são produzidos em todos os países que elaboram vinhos. O Brasil é considerado um produtor de espumantes de boa quali-

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dade como, por exemplo: Chandon, Salton, De Greville, Cave Geise, Miolo, Casa Valduga, Peter Longo, etc... O Champagne é um vinho espumante produzido na França, Região do Rio Marne, que se diferencia dos espumantes de outros países e regiões que não a de Champagne, como já foi dito. O que faz a diferença é o refinamento, a qualidade e a tradição, tornando-o mais perfeito, mais elegante em todos os detalhes como o aroma, a cor, as dimensões, a quantidade de borbolhas (perlage) e também na boca. Praticamente todos os paises produtores de vinho do mundo produzem espumantes que variam a qualidade de excelentes (às vezes mais caros que o Champagne) até espumantes pouco agradáveis (com preço inferior a R$ 15,00). Outro diferencial é o método. O champagne é quase todo elaborado pelo método “champenoise” ou tradicional que é mais trabalhoso e obedecendo rigidamente as regras estabelecidas. Embora haja poucas exceções, as uvas são sempre as mesmas e não passam pelo estágio de madeiramento. Os vinhos simplesmente denominados espumantes são feitos com muitas e variadas castas de uva e o processo de elaboração e gaseificação é feito todo ele em grandes recipientes fechados de aço inoxidável, pelo método denominado Charmat ou “Gran Vas”. Os vinhos espumantes produzidos na própria França fora da Região de Champagne são denominados de “Vin Mouseaux” e também “Cremant”. Aqueles feitos na Espanha costumam ser chamados de “Cava”.

Não importa de que tipo de uva são feitos. As uvas mais comuns que constituem os espumantes, são: Semillion, Riesling, Chardonnay, Trebiano, Prossecco (que é o nome das uvas usadas), Poverella, Muscat d’asti e Muscat branca, etc... Entre as uvas prossecco considera-se melhor, a de “Valdobbiadene” da região Italiana do Venetto. Espumantes de ótimas qualidades são elaborados na Itália, região do Piemonte onde se produz o Asti Espumante DOCG. Ainda na Itália, na região de Franciacorta são produzidos grandes espumantes como: Ca’delbosco, no nível dos melhores, também é o caso do excelente espumante piemontês de Bruno Giacosa, uma raridade. Podemos concluir que todos os vinhos que apresentam borbolhas sejam franceses, italianos, espanhóis, brasileiros, chilenos e de qualquer outro lugar são espumantes. O que muda é o nome e a qualidade.

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Serviços

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Planos de saúde para médicos do setor privado s colegas da iniciativa privada também vão poder aderir aos Planos de Saúde Assefaz/SindMédicoDF. É que após negociações mantidas junto aos gestores da Fundação Assefaz, nos últimos meses, ficou decidido que a partir de agora todo médico sindicalizado pode contratar e usar um dos planos

da parceria. Esta era uma reivindicação importante dos profissionais que atuam na medicina privada, desde o momento em que o plano foi lançado, já que a Fundação Assefaz determinava que somente servidores públicos poderiam fazer uso de seus produtos. Esta medida abre também a possibilidade aos médicos servidores público que ainda não aderiram a um dos planos, em poder aproveitar esta oportunidade de possuir uma das melhores coberturas médico-hospitalares da capital federal, feita sob medida para o colega e sua família. Basta entrar em contato com a Fundação Assefaz pelos telefones (61) 2108.6213/6215/6235, com Ilma, Kelly e Rafael. Conheça abaixo os planos disponíveis nesta parceira:

FAIXA ETÁRIA Menores de 19

19 A 23 24 A 28 29 A 33 34 A 38 39 A 43 44 A 48 49 A 53 54 A 58 59 OU MAIS

Vigência da trabela: Junho/07 Plus X Enfermaria

115,21 139,99 181,02 240,72 249,78 284,67 329,77 389,25 506,01 691,20

Plus XI Plus XXI Apartamento Apartamento

133,52 147,93 200,93 274,60 287,76 308,88 355,14 448,44 584,88 801,14

163,48 185,23 224,40 318,02 340,31 365,12 416,21 494,98 613,40 980,89

Pleno XIII Enfermaria*

85,11 108,15 122,55 159,21 174,82 193,93 240,05 271,19 322,13 510,60

Pleno XIV Apartam ento*

100,18 123,49 167,71 215,10 240,22 257,84 296,46 374,34 488,22 601,03

* Planos com co-participação de 30% para procedimentos ambulatoriais e franquia de R$ 266,39 (Pleno XIII Enfermaria) e R$ 399,58 (Pleno XIV Apto) valores sujeitos a reajustes. Dados fornecidos pela Assefaz.

Novos convênios em educação

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ais um benefício para o doutor e seus dependentes. A partir de agora, o sindicalizado poderá obter descontos nos cursos oferecidos pela Faculdade de Ciências de Brasília (Facibra) e Faculdade e Colégio Projeção. Para isso, o Sindicato dos Médicos firmou convênio com as três instituições de ensino. A Facibra, cujo campi funciona no Guará I, oferece cursos superiores de turismo e administração, com desconto de 36%. Já a Faculdade Projeção, em Taguatinga, oferece sete diferentes cursos superiores e os descontos variam de 30% a 51%. Também será diferenciado o desconto para o Colégio Projeção. Os descontos estão garantidos Dr. Gutemberg em visita ao Projeção para os cursos de administração, sistema de informação, ciências contábeis, comunicação social, direito, história e geografia, já a partir do próximo semestre. Além dos cursos superiores, a Faculdade Projeção também oferece a seus alunos a maior biblioteca informatizada de Taguatinga, com 1.382 m2 e um acervo de 26 mil volumes atualizados, recentemente inaugurada. Futuramente, a Faculdade Projeção poderá certificar cursos específicos para a área médica, dependendo do interesse da classe. Mais detalhes pelos sites: www.projecao.br e www.facibra.com.br.

Revista Médico

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Literárias

Dr. Evaldo Evaldo Alves Alves de de Oliveira Oliveira Dr.

Medicina em Prosa

Doutor, meu filho não quer comer!

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odrigo, abocanhando uma deliciosa maçã, chega para a consulta com o pediatra. Motivo: - Doutor, esse menino quase não se alimenta! – vai logo adiantando a mãe com uma certa ansiedade. E fiquei a meditar: “se este garoto está bem disposto, com seu peso na faixa da normalidade, por que sua mãe fala que ele não come?”. Para que possamos entender por que uma criança nega-se a se alimentar, rejeita a comida, temos de levar em conta duas condições básicas: uma criança sadia convivendo com pais sadios. Imaginemos, pois, que uma criança sadia chegou da maternidade. Aliás, já na maternidade ela foi separada de sua mãe. Algum tempo depois ela é trazida para mamar, mas vem toda enroladinha, apenas com a cabeça de fora, parecendo um casulo. Não pode, portanto, expressar satisfação, suspirar, afastar ou segurar os seios maternos, que são a ponte entre ela e todas as sensações de prazer que, com certeza, criarão e fortalecerão as impressões físicas, psicológicas e espirituais que advirão dessa relação. O ambiente da amamentação também é muito importante. Uma criança tentando mamar em uma sala com a televisão ligada, as pessoas conversando, a meninada gritando ou brigando, o telefone tocando, e ela ali, embrulhada, o calor forte, o barulho do suspiro da panela de pressão (sif, sif, sif, sif), o som ligado no quarto ao lado... Fica difícil. Com a mamadeira o cuidado é redobrado: a limpeza do material, o diâmetro do furo, a qualidade e a temperatura do leite podem fazer a diferença. Tal decisão, quando assumida, tem de levar em conta as perdas que poderão ocorrer no desenvolvimento psicossocial da criança. As crianças necessitam de boas lembranças, de bons lugares para se identificar, e o lar é o mais importante deles. Necessitam, mais ainda,

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de um ambiente emocional estável, com pessoas em quem possam realmente confiar, levando ao desenvolvimento de uma personalidade rica e estável, e capaz de se adaptar a esse mundo em constantes mutações. Entendemos que a satisfação deve mediar a quantidade de alimento que uma criança necessita, e que, ao mesmo tempo, seja suficiente para promover um crescimento satisfatório. Voltei o olhar para aquele garotinho de quatro anos, feliz, sorridente, comendo com gosto sua maçã. A mãe, ao perceber meu olhar, foi logo atalhando: - Essa fruta ele está comendo aqui, mas em casa rejeita tudo. Nem vai pra mesa, doutor. Não sei mais o que fazer - disse quase chorando. Já dissemos que o ambiente familiar é fundamental. Temos que procurar saber se a criança está emocionalmente bem, ou se estamos forçando a quantidade de alimentos por nós determinada, com insistência exaustiva para que a criança coma mais um pouco. As atividades físicas e de lazer devem ser adequadas. Observar se há coerência entre os horários de alimentação e de repouso, e se o alimento oferecido tem sabor agradável. A criança tem de se alimentar por vontade própria, não cabendo, pois, os agrados, as promessas, os jeitinhos - comer andando pela casa, colocar açúcar na comida de sal, comer na frente da televisão, comer no quarto, comer descendo e subindo no elevador, comer na calçada, com a criança ameaçando que “é só essa colherada e pronto”, como se fosse uma cruel obrigação. Há, ainda, as terríveis ameaças de que o bicho vai pegar, ou de que, se não comer, vai tomar uma injeção. Com o tempo a criança descobre que tudo isso é mentira, e vai tentar chantagear, ao descobrir que essa é uma forma simples para fazer com que sua mãe fique mais tempo com ela. Findei esquecendo da maçã. O bicho (Rodrigo) comeu.

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Revista MĂŠdico

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