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Impresso Especial 1000007795/2006-DR/BSB

SindMédico-DF CORREIOS

Órgão Informativo do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal Brasília - Ano VIII - Janeiro - Fevereiro / 2008 - nº 68

DEVOLUÇÃO GARANTIDA

CORREIOS

1000007795/2006-DR/BSB



Editorial

Três décadas e um novo caminho

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008 é um ano muito especial para o Sindicato dos Médicos do Distrito Federal e seus filiados. Ele marca nossa caminhada para alcançarmos 30 anos de serviços prestados à classe médica de Brasília. Ao olharmos para trás veremos a coleção de fatos e momentos históricos que este sindicato organizou e vivenciou. Cada um deles constituindo uma pequena parte na construção da credibilidade e representatividade que nossa instituição detém não só em nosso meio, mas também junto à comunidade da cidade. Tais fatos justificam o marco alcançado pelo SindMédico/DF que se tornou o maior sindicato médico do país em efetividade, com uma base de colegas sindicalizados que não pára de crescer. Orgulho? Certamente. Acomodação? De maneira alguma. Deter a confiança de uma categoria profissional formada por pessoas de elevado conhecimento e senso crítico é ao mesmo tempo uma grande responsabilidade e uma honra para nós. Para continuarmos credores dentro deste relacionamento, sabemos que o muito de hoje é o pouco de amanhã e a única fórmula para manter tal longevidade é inovar sempre. Por conta disso, o Sindicato dos Médicos prepara uma série de ações a serem implementados ao longo de todo ano, que não estão restritas somente a comemorar os 30 anos de existência da entidade. Celebrar o momento é de fato bastante importante, já que poucas organizações – com ou sem fins lucrativos – podem se dar ao luxo de ultrapassar esta barreira. Porém, o mais significativo para nós é assegurar as bases para as próximas três décadas ou mais. Em busca de tal longevidade, nossa instituição se prepara para renascer, trazendo valores mais universais e metas ainda mais ousadas. Para isso, contamos com uma equipe de colegas que formam a atual diretoria da instituição, incumbidas de estar cada vez mais próximas dos seus pares, fomentando o debate e implementando novos projetos, já que uma das razões do sucesso do SindMédico/DF é ter uma postura sempre pró-ativa, quase nunca reativa aos fatos. E isto, certamente não vai mudar. A regra é nos tornarmos, no sentido mais estrito da palavra, o sindicato de todos os médicos do Distrito Federal. No contexto dessa lógica, frentes de especialistas estão sendo constituídas para trabalhar a aproximação da instituição com os futuros médicos ainda nos bancos escolares, com os colegas do serviço público federal e os que labutam exclusivamente na iniciativa privada. Para todos estes, sabemos que existem demandas a serem cumpridas e outras para serem propostas. Isso, sem deixar de lado os profissionais vinculados à Secretaria de Saúde do DF. Aos que se encontram neste grupo, estamos abrindo parênteses para dizer que muito breve, concluiremos as negociações com o Governo do Distrito Federal, para reestruturação do Plano de, Cargos Carreira e Salários (PCCS), estabelecendo patamares mais justos de remuneração à classe médica da capital federal. Por quase 30 anos vivemos com muito orgulho a missão de representar e defender o médico. Este é o lema que marcou a trajetória da instituição e que permanece presente ao futuro que se desenha. Certamente outros novos conceitos – trazidos principalmente pela modernidade do mercado profissional - serão associados a estes, concebendo uma abrangência de atuação mais adequada aos anseios da classe. Afinal, modernizar é não ter medo de se desprender de um passado que funciona bem, por uma experiência incerta, dentro de um cenário futuro almejado. Sendo assim, convocamos cada médico dos nossos quadros e aos demais colegas que ainda não se juntaram a nós, a fazer parte deste momento de novas mudanças. Venha conosco escrever uma nova página de sucesso na história deste sindicato. Viva intensamente a oportunidade de construir uma sociedade mais forte, igualitária e coesa nos seus ideais. Vamos juntos ter a experiência de vida dos grandes desbravadores do mundo e das pessoas obstinadas, que fizeram as descobertas da sociedade, redesenharam o planeta, e trouxeram a humanidade ao momento em que se encontra.

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Sumário

Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores

Presidente Dr. César de Araújo Galvão Vice-Presidente Dr. Marcos Gutemberg Fialho da Costa Secretário Geral Dr. Francisco José Rossi 2ª Secretário Dr. Rafael de Aguiar Barbosa Tesoureiro Dr. Gil Fábio de Oliveira Freitas 2º Tesoureiro Dr. Luiz Gonzaga da Motta Diretor Jurídico Dr. Antônio José Francisco P. dos Santos Diretor de Inativos Dr. José Antônio Ribeiro Filho Diretor de Ação Social Drª. Olga Messias Alves de Oliveira Diretor de Relações Intersindicais Dr. Jomar Amorim Fernandes Diretor de Assuntos Acadêmicos Dr. Lineu da Costa Araújo Filho Diretora de Imprensa e Divulgação Drª. Adriana Domingues Graziano Diretor Cultural Dr. Jair Evangelista da Rocha Diretores Adjuntos Dr. Antônio Geraldo, Dr. Cantídio, Dr. Cezar Neves, Dr. Dimas, Dr. Diogo Mendes, Dr. Martinho, Dr. Olavo, Dr. Gustavo Arantes, Dr. Osório, Dr. Tamura, Dr. Vicente Conselho Editorial Drª. Adriana Graziano, Dr. Antônio José, Dr. César Galvão, Dr. Francisco Rossi, Dr. Gil Fábio Freitas, Dr. Gutemberg Fialho, Dr. Gustavo Arantes, Dr. Diogo Mendes, Dr. Osório Rangel e Dr. José Antônio Ribeiro Filho. Editor Executivo Alexandre Bandeira - RP: DF 01679JP Jornalista Elisabel Ferriche - RP: 686/05/36/DF Diagramação e Capa Girlane de Souza Lima Projeto Gráfico e Editoração Strattegia Marketing - Consultoria Anúncios (61) 3447.9000 Tiragem 7.000 exemplares Gráfica Alpha Gráfica SindMédico/DF Centro Clínico Metrópolis SGAS 607, Cobertura 01, CEP: 70.200-670 Tel.: (61) 3244.1998 Fax: (61) 3244.7772 sindmedico@sindmedico.com.br www.sindmedico.com.br

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Entrevista

Deputado José Aristodemo Pinotti O Brasil perde com aposentadoria compusória

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Fórum

O fim da CPMF O caixa da saúde é refeito

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Jurídico

PCCS Reestruturação com equiparação

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Artigo

Dr. Gustavo Arantes Um sindicato mais universal

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Capa Jovens & Médicos Desafios da profissão

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Regionais

Radioterapia Equipamentos vão para HBDF

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Aconteceu

PSF Nova coordenação no programa

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Vida Médica

Carros Antigos Amor sobre quadro rodas

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Sindicais

FENAM 1º Encontro de trabalhadores

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Opinião

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A deformação da psiquiatria no Brasil

dedicação de um médico vai além de seu trabalho, é uma opção de vida – cuidar de pacientes. Cuidar significa promover, prevenir, atender e reabilitar. Toda nossa vida profissional é baseada nestes preceitos norteiam o nosso trabalho. A psiquiatria é considerada a mais humanista das especialidades médicas. Atualmente vivenciamos questões graves em relação à forma como a assistência em saúde mental no Brasil vem sendo executada. Temos que abordar os problemas atuais do setor, sem nos eximir da nossa responsabilidade como profissionais. Em casos críticos, o psiquiatra torna-se o principal alvo de algumas distorções ainda impregnadas na sociedade. Surgem destas fendas ideológicas criadas pela atual “reforma” da saúde mental no Brasil, a desagregação de especialidades que atuam nos instrumentos de atendimento à população. E implicam também na manutenção do estigma enraizado de que o transtorno mental isola o indivíduo, removendo gradativamente suas esperanças de um convívio social inclusivo. Representantes de várias instituições médicas, de ensino, de serviços públicos e da sociedade demonstram grande rejeição ao plano de reforma implantado pelo Ministério Dr. Antônio Geraldo Pres. da APBr e Diretor da Saúde, que até agora apresentou resultados poucos consolidados gerando descrença Adjunto do SindMédico nos gestores públicos e na comunidade. Não é de hoje que a saúde mental no Brasil sofre de inúmeros problemas. O principal deles é a desassistência causada pelas políticas públicas implantadas pelo Governo Federal. Os transtornos mentais são doenças e devem ser vistos como tal e, portanto, precisam de tratamento. É necessário enxergar a doença mental como multifatorial com abordagem multiprofissional, levando em consideração também o contexto de vida do paciente e de sua família. É imperativa a necessidade de que seja criado um modelo que atenda as expectativas de todos e que tenha o paciente como foco. As premissas adotadas pelo Governo devem ser revistas, a começar pelo nome. Não se pode reformar a Psiquiatria (uma especialidade médica), e sim devemos reformar o “Modelo de Assistência em Saúde Mental no Brasil”. Esta nova reforma, deverá ser aplicada em todo o país visando cinco pontos: promoção da saúde, prevenção da doença, atenção primária, secundária e terciária (Hospitais e Centros de Atenção Psicossociais), recuperação e reintegração do paciente, sempre levando em consideração as peculiaridades regionais de um país de tamanho continental como o Brasil, através de um sistema integral e integrado de atendimento que aprecie várias ações. Através de um plano diretor bem definido e com bases claras, sem interesses político-partidários, com foco no paciente e voltado à realidade de quem atende o portador de Transtorno Mental, nos seus diversos níveis de atendimento. A questão não está apenas em ter o equipamento, mas ampliar sua qualidade. O atendimento integral pode superar o atual modelo de assistência em saúde mental em favor da valorização do papel do psiquiatra e da dignidade do paciente. Desejamos uma psiquiatria forte, buscando estabelecer um atendimento com a melhor qualidade possível, com uma política de saúde que não resulte em desassistência, trabalhando junto à prevenção, intervenção e detecção precoce da doença com segmento especializado, prevenindo as internações e a cronificação das doenças mentais com uma visão técnica sem nenhum compromisso econômico, político-ideológico, corporativo, etc. Só assim, será possível diminuir a necessidade da procura desregrada pelos hospitais psiquiátricos, gerando uma real diminuição da necessidade de leitos, ficando os mesmos apenas para os casos de necessidade imperativa. Fomos formados para salvar vidas, melhorar as condições de saúde dos doentes, e dar assistência médica à população. Não podemos ignorar a privatização da saúde nem fechar os olhos para a insegurança que vive uma parte de nossa sociedade formada por uma legião de cidadãos tratados como invisíveis sociais. Quando se trabalha com promoção da saúde, prevenção da doença e atendimentos primário e secundário, pouco sobrará para o atendimento terciário. A intervenção precoce é capaz de diminuir, e muitas vezes até, acabar com a necessidade da abordagem terciária. Esta realidade pode ser vivenciada diariamente nos consultórios privados daqueles que fazem a boa psiquiatria (bom diagnóstico, bom tratamento, boa adesão, psico-educação, abordagem da família, etc). Está passando da hora de debater o assunto com seriedade. De conclamar as autoridades em saúde, familiares e a população em geral para discutir caminhos e opções de tratamento, tendo como vínculo único o paciente. O modelo hoje, da Coordenadoria de Saúde Mental do Ministério da Saúde é um modelo antes de tudo anti-médico, que nega a doença e, portanto, destrata o paciente, não investindo na remuneração digna dos procedimentos do SUS, retirando procedimentos que salvam vidas como a eletroconvulsoterapia e não implantando uma política de medicamentos que atenda a necessidade real do paciente. Estamos assistindo a uma inversão de valores, quando em detrimento do interesse público (comunidade), são levados em conta interesses político-partidários, ideológicos, carreiristas, corporativistas e econômicos, onde os dogmas prevalecem frente a evidências científicas e a necessidade real do paciente. Só quem atende na ponta sabe desta realidade. A psiquiatria enquanto especialidade médica, não pode ser relacionada à má qualidade da assistência em saúde mental, visto que, a situação atual é resultado dos diversos programas governamentais.

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Entrevista

“O prolongamento do trabalho médico é útil à sociedade” Por Elisabel Ferriche

O médico e deputado Federal (PSDB/ SP) José Aristodemo Pinotti é paulista formado em Medicina na Universidade de São Paulo em 1958. Especializou-se em câncer ginecológico e mamário na Universidade de Firenze, Istituto Nazionale dei Tumori de Milão e Institute Gustave Roussy de Paris. Em 1982, no Governo Maluf, foi nomeado reitor da Unicamp permanecendo no cargo até meados de 1986, já na gestão de André Franco Montoro. Durante sua gestão foi instalada a Prefeitura do campus, oficialmente estabelecido o Instituto de Geociências e criados o Instituto de Economia e a Faculdade de Educação Física. Seu trabalho como médico o elegeu deputado federal por três vezes, além de credenciá-lo a disputar a prefeitura de São Paulo em 1996. Foi secretário de saúde e diretor executivo do Instituto da Mulher do Hospital das Clínicas de São Paulo e chefe do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da USP. Ele é contra a aposentadoria compulsória, responsável pela perda de nomes importantes tanto no magistério como no Judiciário e defende a extensão do tempo de trabalho. SindMédico - O que o senhor acha da aposentadoria compulsória aos 70 anos, num momento em que a expectativa de vida do brasileiro atingiu a melhor marca da história, de 71,1 anos, de acordo com o IBGE. As leis não deveriam acompanhar essa evolução? Dr. Pinotti - Penso que é um desperdício, daquilo que mais vale numa sociedade, de conhecimento na qual vivemos hoje. Evidentemente para o trabalhador braçal, ou para o esportista, um homem ou uma mulher de 70 anos, tem poucas condições de continuar trabalhando competitivamente, mas para as atividades intelectuais e principalmente para a magistratura e para o magistério, imagino que não exista um momento mais frutífero e mais adequado do que a maturidade, para você julgar, e para você ensinar. Nesse exato momento onde as pessoas adquirem essa maturidade elas são obrigadas a se aposentar. E o Estado arca com o preço da aposentadoria, com a ausência da contribuição e com o custo de uma nova contratação. Penso que essa questão precisa mudar. Por mais de uma vez, apresentei um Projeto de Emenda Constitucional

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(PEC), passando para 75 anos a aposentadoria compulsória. Infelizmente ainda não obtivemos a aprovação. SindMédico – Existe outra proposta que também eleva o limite de idade para indicação dos ministros do Supremo Tribunal Federal e dos demais tribunais superiores para 70 anos. Como está a tramitação dessa proposta? Dr. Pinotti - A Proposta de Emenda Constitucional (PEC 457/2005), de autoria do Senador Pedro Simon já foi aprovado no Senado e encontra-se na pauta do Plenário da Câmara dos Deputados para ser votada. Solicitei, nos termos regimentais, a inclusão com urgência na Ordem do Dia do Plenário da Câmara dos Deputados. SindMédico- Qual é a perspectiva dela ser aprovada no Congresso? Dr. Pinotti - Nesse momento existe ambiente para aprovação, por todas as razões que já expliquei. Mas na realidade uma das razões pela qual esse projeto nunca passou, repousa no fato de que se a PEC passar o Presidente da República ficará durante cinco anos

sem indicar nenhum membro da Corte Suprema e todos os Presidentes tem muito interesse em indicar esses membros, pois, de certa forma, ele indica o tribunal que o julgará, se for o caso. É uma forma estranha de se compor um tribunal, mas é assim na legislação brasileira. E para não prejudicar as intenções do Presidente, as bases do governo acabam sendo pressionadas a votar contrariamente. SindMédico – É uma via de mão dupla. Se por um lado ela alivia os cofres da Previdência Social porque diminui o período de inatividade dos juízes, por outro tem um efeito complicado que é a não renovação dos Tribunais. Dr. Pinotti - É verdade. Essa medida criaria dificuldade de renovação, entretanto a partir de cinco anos em diante a renovação continuaria com a mesma velocidade que ocorre hoje. Os Tribunais só ganhariam com isso. Vejo com preocupação a atuação de juízes jovens, muitas vezes sem a maturidade necessária. Deveria haver um limite de idade para o juiz começar a julgar, uma vez que no julgamento ele tem a “vida ou a morte” das pessoas. O con-

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Deputado Federal José Aristodemo Pinotti curso para juízes, embora seja bastante difícil, não mede a maturidade para o julgamento. Por isso acho mais importante ter um maior número de juízes mais velhos e um menor número de juizes jovens julgando, para o bem da Justiça do país. SindMédico - O senhor não acha que é uma boa hora para retomar as discussões sobre a PEC no Congresso, uma vez que o Brasil vem perdendo grandes nomes com a aposentadoria compulsória, como os ministros Ilmar Galvão e Moreira Alves do STF, por exemplo? Dr. Pinotti - Claro que sim. Acho que essa perda é muito grande e eu colocaria com a mesma importância, a perda de professores universitários. A cada ano estamos perdendo cabeças fantásticas, por causa da aposentadoria compulsória. Cito alguns da própria Universidade de São Paulo, a qual pertenço, Fulvio Pileggi (criador do Incor), cuja ausência sem dúvida, foi uma das causas responsáveis pela crise do Incor; Vicente Amato Neto, um das grandes cabeças da América Latina em moléstias infecciosas; Adib Jatene; Henrique Walter Pinotti; Silvano Raia, que depois de ter sido aposentado compulsoriamente, o serviço de transplante de fígado teve uma decaída, praticamente foi privatizado. E poderia continuar citar tantos outros nomes, em diferentes disciplinas Universitárias em São Paulo e no Brasil. SindMédico - Que outras categorias profissionais poderiam ser beneficiadas com essa proposta? Dr. Pinotti - Evidentemente o magistério, pois a partir dessa idade as pessoas adquirem o máximo de capacidade de transmitir conhecimentos, mas mais do que conhecimentos, transmitir atitudes, condutas éticas que no fundo são a essência da transferência de conhecimento. A tecnologia em si não é nenhum bem ou nenhum mal, o que importa é o uso que se faz dela, e esse uso precisa ser regado de humanismo e de ética que estão via de regra muito mais presentes em pessoas mais maduras do que em pessoas mais jovens. SindMédico - Mas os professores que

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têm jornadas longas e exaustivas não saíram prejudicados com o aumento da aposentadoria compulsória? Dr. Pinotti - Não, a aposentadoria compulsória, é compulsória só na expulsão do cidadão e nunca na sua permanência, uma vez que havendo tempo de serviço - e as pessoas quando chegam aos 70 anos tem de sobra o tempo de serviço de aposentadoria - ela só não se aposenta se não se quiser. Eu me aposentei na Unicamp aos 52 anos como professor, quando vim fazer meu concurso para USP, portanto tinha tempo de serviço para isso. A aposentadoria é compulsória para retirar o cidadão, mas a permanência do cidadão no serviço não é compulsória, é voluntária. SindMédico - Ministros do Judiciário, desembargadores e juízes tem atividades menos insalubres que os médicos. Eles não ficariam prejudicados com essa medida? Dr. Pinotti - Os médicos ou professores universitários na área medicina podem se aposentar contando o tempo de serviço, eles não são obrigados continuar trabalhando, e continuam se quiserem. SindMédico - No setor privado e na atividade política, por exemplo, empresários, deputados e senadores estão em pleno exercício de suas funções profissionais além dos 70 anos de idade. Isso não dá credibilidade e segurança para a sociedade? Dr. Pinotti - É verdade, é um paradoxo, alguém poder presidir o país depois de 80 ou 90 anos de idade e essa mesma pessoa não pode, a partir dos 70 anos, julgar ou ensinar estando nessa carreira pela vida toda. É outro bom argumento. SindMédico - Poucos são os governos estaduais que têm projetos de aproveitamento de médicos inativos, que muito têm a contribuir com sua experiência profissional. Qual sugestão o senhor daria para o aproveitamento desses profissionais? Dr. Pinotti - O médico enquanto professor se beneficiaria e beneficiaria a sociedade passando a aposentadoria

compulsória para 75 anos de idade, o médico enquanto profissional, na sua atividade liberal pode continuar exercendo a Medicina o tempo que quiser, o médico empregado público se beneficiaria podendo se quiser continuar a trabalhar até os 75 anos. Penso que o prolongamento do trabalho do médico seria útil para a sociedade, pois a experiência se acumula, e essa experiência é útil, pode e deve ser usada. SindMédico - O senhor como médico, acha que é possível conciliar a capacidade intelectual com a idade? Dr. Pinotti - Eu penso que sim. A experiência demonstra que a capacidade intelectual se mantém naquelas pessoas que a usam intensamente. Um dos fatores, comprovado de diminuição de riscos de Alzheimer, é uma atividade intelectual intensa. Salvo casos em que há uma arteriosclerose importante, uma doença de Alzheimer, ou outras doenças impeditivas, o cidadão pode continuar tendo uma atividade intelectual durante o período de velhice. Existe um número grande de exemplos que comprovam isso, tanto que em alguns países não existe idade de aposentadoria compulsória, existe um critério, o cidadão poderá continuar trabalhando enquanto tiver condições para isso. SindMédico - A propósito, qual é a sua idade? Dr. Pinotti - Eu tenho 73 anos. SindMédico - O senhor continua trabalhando tanto na sua atividade política, como médico. Qual a sua receita para ter uma vida produtiva e feliz? Dr. Pinotti - Eu continuo com a mesma intensidade de trabalho que sempre tive e penso que o fato de eu não sentir nenhuma deficiência na minha capacidade física e intelectual de trabalhar decorre exatamente disso. Penso continuar assim pelo tempo em que as minhas condições físicas e intelectuais permitirem, não vejo nenhuma diferença em minha atividade de hoje, como cirurgião, como médico, como político, e da minha atividade há 10 ou 15 anos atrás.

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Fórum

O fim da CPMF e a aprovação da EC/29

Derrubada da CPMF pelo Congresso obriga o setor público a refazer as contas da saúde

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om o fim da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) o Governo deixará de arrecadar cerca de R$ 160 bilhões nos próximos quatro anos e terá que encontrar outra alternativa para a saúde, já que o setor recebia mais da metade desses recursos. Para o presidente da Frente Parlamentar da Saúde, deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), que participou ativamente das negociações, o Sistema Único de Saúde, que já está ruim, vai ficar ainda pior. A proposta apresentada pelo Conselho de Secretários Estaduais de Saúde (CONASS), de destinar todo o montante de recursos da CPMF para a saúde de forma escalonada até 2010, chegou a ser aceita pelo Governo, mas o Palácio do Planalto demorou em formalizá-la e a oposição derru-

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bou a prorrogação do imposto do cheque, que deixou de vigorar a partir do dia 1º de janeiro. O deputado Darcísio Perondi está preocupado com outra votação no Senado, a da PLP 01/2003, que regulamenta a Emenda Constitucional da Saúde (EC 29). A matéria foi aprovada na Câmara mantendo a correção do orçamento da saúde pela variação do PIB nominal, mas com um adicional de R$ 24 bilhões da CPMF pelos próximos quatro anos. "Temos que mudar o texto do PLP no Senado, pois a CPMF não mais existe. Vamos tentar recuperar o texto original da regulamentação e estabelecer a correção do orçamento federal da saúde em 10% das receitas correntes", defendeu Perondi, que pretende discutir o tema com parlamentares da Frente da Saúde e de entidades ligadas ao setor, já no reinício do

trabalho parlamentar. Para o deputado gaúcho, não foi a oposição que ganhou nem o Governo que perdeu. O Brasil é que saiu prejudicado e vai sofrer muito nos próximos anos pela falta de recursos. "A saúde no País vive uma séria crise e não poderia ficar sem os recursos da CPMF. Agora o Governo terá que cortar gastos e promover uma reforma tributária, pois não terá recursos para investir no social", defendeu Perondi. Mas o governo agiu rápido para recuperar o rombo estimado em R$ 40 bilhões nas contas do Tesouro em 2008. Logo no primeiro dia útil do ano, os ministros Guido Mantega, da Fazenda, e Paulo Bernardo, do Planejamento, anunciaram o aumento de 0,38 pontos percentuais na alíquota do IOF, o Imposto sobre Operações Financeiras, e a elevação de 9% para 15% da CSLL, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, cobrada do setor financeiro. Além disso, haverá corte de R$ 20 bilhões nas despesas dos três poderes, que pode incluir o cancelamento de concursos e a suspensão de reajustes previstos para servidores. No caso do IOF, o aumento — equivalente à alíquota da extinta CPMF — entrou em vigor no dia 2. Segundo Mantega, a expectativa é arrecadar cerca de R$ 8 bilhões com a elevação do IOF e R$ 2 bilhões com o aumento da CSLL. Outros R$ 10 bilhões que faltam para o equilíbrio fiscal virão do aumento da arrecadação por conta do crescimento da economia.

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Artigo


Jurídico

Sindicato e GDF discutem isonomia salarial

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Sindicato dos Médicos do Distrito Federal espera para o dia 22, o fim das negociações com a Secretaria de Saúde para a reestruturação do Plano de Cargos, Carreira e Salários, em vigor desde 2004. O processo começou em julho do ano passado, quando uma comissão formada por representantes das Secretarias de Saúde e do Planejamento e do SindMédico foi formada para estudar o assunto. A proposta do sindicato é a de equiparar os salários dos médicos da Secretaria de Saúde com os médicos legistas da Polícia Civil. “Estamos aguardando a Secretaria de Planejamento formatar os números finais para realizarmos uma nova reunião e so-

lucionarmos o problema da falta de médicos nos hospitais da rede pública”, explicou o presidente do SindMédico, César Galvão. Segundo ele, a baixa remuneração é o principal motivo do desinteresse dos médicos em trabalhar na Secretaria de Saúde. “Os que se inscrevem e passam não chegam a concluir o estágio probatório, depois de verificar que as condições de trabalho e os salários não são compensadores”. Em janeiro, o GDF abriu concurso para contratação de médicos, tanto para a Secretaria de Saúde quanto para a Polícia Civil. São 40 vagas para médico-legista, com salário de R$ 11.614,10, enquanto para a Secretaria de Saúde são 454 vagas para 17 especialidades com

remuneração de R$ 3.161,00. O salário para escrivão é de R$ 6.594,30. A isonomia salarial com os médicos legistas da Polícia Civil não é a única preocupação do sindicato que continua mantendo conversações com a Secretaria de Saúde no sentido de garantir segurança e melhores condições de trabalho em todos os hospitais da rede pública. A proposta faz parte da Campanha de Valorização do Profissional Médico, lançada em maio do ano passado, com visitas aos hospitais e postos de saúde. Este ano, o sindicato vai trabalhar também em prol dos médicos residentes, que recebem uma bolsa de R$ 1.801 para uma jornada de trabalho de 60 horas semanais.

Manual de procedimentos médicos

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onseguimos junto à Justiça Federal o deferimento parcial e antecipado do pedido, suspendendo os efeitos do Manual de Procedimentos Médicos do Ministério do Planejamento e Gestão, especificamente quanto ao

item que estabelecia que a homologação dos atestados no serviço público poderia ser feito por qualquer servidor que ocupasse a chefia, retornando a ser competência dos servidores ocupantes do cargo de Médico. Sem dúvida uma vitória da classe médica.

Tempo de serviço insalubre estatutário

A

ASJUR impetrará Mandado de Injunção em favor dos profissionais que ocupam cargo de médico no serviço público Federal e no Distrito Federal, sob o Regime Estatutário, objetivando o reconhecimento da contagem especial do tempo de serviço insalubre para efeito de aposentadoria. O sindicato lembra que recentemente o mesmo direito foi assegurado pela instituição aos médicos celetistas.

Jornada de 36 horas

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ASJUR e o SindMédico estão ajuizando as ações dos médicos aposentados que, detentores anteriormente da jornada de 24 horas semanais, ao migrarem por força de determinação judicial para 20 horas, quando optaram pela jornada de 40 horas, foram prejudicados com o complemento por parte do Distrito Federal tão somente de 16 horas semanais, quando a complementação deveria ser 20.

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Jurídico

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Sindicato convoca médicos para discutir salários e escalas

Sindicato dos Médicos do Distrito Federal marcou para o próximo dia 05 de março, assembléia com os médicos da cidade para discutir a reformulação do Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS) e a exposição pública das escalas nos médicos nos hospitais pela Secretaria de Saúde do DF (SES/DF). Com relação a este último fato, o sindicato recebeu com indignação a decisão da SES/ DF de divulgar as escalas com o nome dos médicos de plantão, a partir do dia 1º de fevereiro, com a justificativa de facilitar o acesso de todos os usuários do SUS aos profissionais de plantão e para garantir que os horários sejam cumpridos, como se os médicos fossem profissionais irresponsáveis e os causadores da precariedade dos serviços ofertados pelo governo à população. A instituição defende que tal medida não vai melhorar o atendimento nos hospitais da rede pública e que o atual secretário

e os demais gestores nomeados por ele, já dispõem das ferramentas necessárias para punir os profissionais que não cumprem com seus horários, conforme o previsto no contrato de trabalho, tornando a medida inócua e “populesca”. Para o SindMédico/DF, mais uma vez a Secretaria está transferindo a sua responsabilidade sobre o caos da saúde pública para os ombros dos médicos e condena a forma como esta medida vem sendo implantada, pois expõe o profissional que já trabalha em clima de insegurança e compromete ainda mais a necessária relação médico-paciente. Por isso, a assessoria jurídica do sindicato impetrou ação questionando a constitucionalidade da Lei 1.518 aprovada em 1997 pela Câmara Legislativa do DF, que permite a instalação de painéis informativos comunicando os nomes dos médicos de plantão e os horários de atendimento. Além disso, vai entrar também com uma liminar para suspender o efeito da

medida até que a constitucionalidade da lei seja julgada. PCCS - No dia 22 de fevereiro, a diretoria do SindMédico/DF vai se reunir com o Secretário de Saúde, que dará uma reposta final à reivindicação de reestruturação do Plano de Cargos, Carreira e Salários, que também será pauta da próxima assembléia geral marcada para o dia 5 de março, às 19h30, no salão da Loja Estrela de Brasília, no Grande Oriente do Brasil (914 sul). O Sindicato só avisa que apesar do repudio à medida, solicita aos colegas que continuem cumprindo à risca seus horários de trabalho, para evitarem possíveis represálias, uma vez que a SES/DF claramente dá sinais que está em busca de “bodes expiatórios” para os problemas da rede pública. A instituição está alerta e acompanha o desdobrar dessa decisão, tomando todas as medidas cabíveis necessárias para evitar prejuízos à classe e aproveita para solicitar a presença de todos na próxima assembléia.

TISS

A

s entidades médicas formaram uma Comissão com representantes da Fenam, AMB e CFM, e também da Agência Nacional de Saúde (ANS), para estudar mudanças no TISS (Troca de Informações em Saúde Suplementar). Tão logo a Comissão conclua os trabalhos, a decisão será divulgada à classe médica.

Horas extras sobre a gratificação natalina

A • • • •

ASJUR e o SindMédico vão ajuizar ação objetivando a cobrança das à incidência das horas extraordinárias sobre a gratificação natalina. Para tanto, os interessados que receberam horas extras habituais em seus contracheques devem apresentar os seguintes documentos: Cópia da carteira de identidade Cópia do CPF Cópia dos contracheques ou fichas financeiras dos últimos cinco anos Procuração com firma reconhecida, que estará à disposição no Departamento Jurídico do SindMédico.

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Artigo

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CRM tem poder para indiciar Médico

Lei n° 3.268/57, que dispõe sobre os Conselhos de Medicina, é clara no que diz respeito à competência dessas instituições na qualidade de órgãos supervisores, fiscalizadores e julgadores da classe médica, disciplinando a para o bom conceito e desempenho da profissão. Os membros desses órgãos, os conselheiros, são conhecidos como funcionários públicos, pois os conselhos são dotados de responsabilidade jurídica de direito publico. Assim, a desobediência a uma requisição ou decisão desses membros, além de poder resultar no indiciamento do médico conforme o artigo 45 do Código de Ética Médica que dispõe: "é vedado ao médico: deixar de cumprir, sem, as normas emanadas dos Conselhos Federal e Regionais de Medicina e de atender as suas requisições administrativas, intimações ou notificações, no prazo determinado"; pode incidir nas sanções previstas no artigo 330 do Código Penal Brasileiro, "que tipifica crime de desobediência à ordem legal de funcionário público". O Conselho Federal de Medicina e os Conselhos regionais têm a competência de julgar e punir as infrações éticas comprovadas no desempenho do profissional médico. Por outro aspecto, qualquer reclamação ou quaisquer ofícios das autoridades, protocolados nos conselhos, terão uma resposta destes aos denunciantes. Porém, para preservar o direito de resposta e resguardar a ampla defesa e o contraditório, tal reclamação é encaminhada ao denunciado para que este traga aos autos suas justificativas. Nesse momento por mais absurda e descabida que o médico considere tal denúncia, deve responder à solicitação do Conselho no prazo determinado. Isso não significa que o profissional seja culpado ou que estará assumindo a culpa por algo que não fez. No envolvimento da instituição ou empresa de saúde, o responsável técnico, quando solicitado, deve enviar relatório circunstanciado e documentação solicitados pelo Conselho. Geralmente o setor de sindicâncias do CRMDF envia até três solicitações de esclarecimentos ao denunciado. Se não houver resposta, retorna o

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expediente à corregedoria, que irá encaminhá-lo a um conselho para que este emita o parecer sem a resposta do denunciado, o qual será indiciado no mínimo, por infração ao artigo 45 do Código de Ética Médica. Na fase de processo ético-profissisional, o médico será citado e notificado conforme o artigo 67 do Código de Processo Ético Profissional, Dr. Wendel dos Santos em ordem seqüencial: Médico Cirugião-geral do CRM/DF 1. Por carta registrada, com aviso de recebimento; 2. Pessoalmente, quando frustrada a realização do inciso anterior; 3. Por edital, publicado uma única vez, no Diário Oficial e em jornal de grande circulação, quando a parte não for encontrada; 4. Por carta precatória, caso as partes e testemunha se encontrem fora da jurisdição do Conselho;

Durante o ato processual, fica o médico proibido de mudar de endereço ou dele ausentar-se por mais de oito dias sem comunicar a autoridade processante do lugar onde passará a ser encontrado, conforme disposto no artigo 6° do Decreto n° 44.045/58. Caso o médico denunciado não seja encontrado ou notificado e não for representado por advogado, ele será declarado revel, o processo correrá à sua revelia e será designado um defensor dativo para prosseguimento dos tramites processuais. Procurando-se evitar transtorno futuros, a orientação é que o médico denunciado envie seus esclarecimentos dentro do prazo solicitado, pois esses podem encerrar o assunto ainda em fase de sindicância.

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Artigo

Por um sindicato mais universal

Dr. Gustavo Arantes - Gastroenterologista e Diretor Adjunto do SindMédico

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uando comecei a solicitar aos colegas apoio para a chapa encabeçada pelos Drs. César Galvão e Gutemberg Fialho, que concorriam à reeleição como presidente e vicepresidente do Sindicato dos Médicos, foi grande a surpresa ao saberem que eu também fazia parte da chapa. Mas a explicação era simples: nessa diretoria eu havia encontrado espaço para a criação de uma secretaria com o intuito exclusivo de procurar atender às reivindicações e necessidades dos médicos não pertencentes à Secretaria de Saúde. Nos últimos anos, o SindMédico tem sido bastante atuante na defesa da melhoria das condições de trabalho dos médicos da rede pública e com conquistas salariais importantes. Entretanto, há muito se faz necessário dar atenção também às reivindicações dos médicos que trabalham na

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iniciativa privada, no Executivo, Judiciário e Legislativo. Como exemplo, eu diria que por 30 anos todas as lutas que tive, junto à Secretaria de Saúde do Distrito Federal, como médico do Hospital de Base, tiveram o apoio e o empenho do Sindicato; no entanto, aquelas travadas junto à Câmara dos Deputados, onde atuo desde

"Não ficaremos somente no discurso, tenham certeza disto" 1975, foram todas batalhadas por mim isoladamente. Diante dessa realidade, a atual diretoria do SindMédico decidiu criar um Grupo de Trabalho encarregado de planejar e desenvolver ações voltadas às demandas específicas desses colegas. O

Dr. Cantídio Vieira, médico do Senado Federal e da iniciativa privada, e o Dr. Diogo Mendes, professor da Fepecs, atuando também na iniciativa privada, aceitaram compor comigo o grupo inicial que irá enfrentar esse novo desafio. Vale reforçar que o nosso objetivo é dar apoio aos médicos que não atuam na “Fundação Hospitalar”. Já foram realizadas duas reuniões, na sede do Sindicato, quando metas começaram a ser traçadas, sempre no sentido de atender às principais reivindicações dessa classe. Um dos primeiros problemas levantados foi o de como garantir aos médicos do Executivo, Legislativo e Judiciário a jornada de 20 horas semanais sem prejuízo salarial, já que há uma decisão tomada por unanimidade pelo Supremo Tribunal Federal reconhecendo como 20 horas a carga horária dos médicos. Outro problema observado foi o de que algumas instituições estão protelando o reconhecimento do direito à contagem especial por tempo de serviço daqueles profissionais que ganhavam insalubridade trabalhando como Celetistas, antes do advento do Regime Jurídico Único. Sabemos que a briga é grande, mas esperamos contar com a assistência dos advogados da Assessoria Jurídica para que a lei seja cumprida. Não ficaremos somente no discurso, tenham certeza disto. Oferecer um pouco da nossa experiência no encaminhamento das reivindicações e na solução dos problemas é a nossa meta e o nosso mais novo desafio. Contem conosco!

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Capa

Jovens sonhadores: A longa jornada dos Médicos residentes Apesar do caminho árduo e das dificuldades da carreira, os jovens médicos sonham com uma medicina de qualidade

Márcio Al Toríbio meida Paes, Ha Pereira, milton F Je ra e Silva, todos R fferson Fonten nco,Rogério V ele e Sil asconce 2 do HB v lo DF (da dir. para a e Juliana Rod s, r e i g sq.) ues les se espremem em uma sala de pouco mais de seis metros quadrados no mezanino do Hospital de Base. É ali que funciona a Associação Brasiliense de Médicos Residentes (Abra- tes existentes no Distrito Federal. Eles sabem que vida mer) onde os residentes do Hospital de Base (HBDF) de médico não é fácil: são longas jornadas de trabalho, se encontram para programar cursos, discutir a Jor- dificuldades de atendimento, por falta de infra-estrunada Anual de Médicos Residentes, reclamar da falta tura dos hospitais públicos; limitações na residência de estrutura e fazer planos, muitos planos.... porque médica, que prioriza a assistência em detrimento ao o jovem médico é um otimista por natureza e acredita ensino e baixa remuneração. Atualmente um médico que tudo vai melhorar. residente recebe uma bolsa de R$ 1.800, e com o fim A maioria é R2 e ainda está na fase de namo- do alojamento do Hospital de Base, que funcionou até ro com a profissão, onde o ideal é mais importante o ano passado, eles passaram a receber da Secretaria do que o econômico e a satisfação profissional su- de Saúde, mais R$ 400 como auxílio moradia. O dipera quaisquer obstáculos. Apesar do idealismo, os nheiro é pouco para pagar um apartamento, por isso jovens médicos que atuam no Distrito Federal, cedo a maioria dos solteiros divide a moradia com outros convivem com as dificuldades impostas pela falta de residentes, como é o caso de Hamilton Franco. investimento na saúde. Hamilton Franco, 26 anos, Quais as outras dificuldades que o jovem médico que em janeiro assumiu a presidência da Abramer, enfrenta em Brasília? Há... “a falta de infra-estrutura reconhece que o maior desafio de um jovem médico dos hospitais da rede pública que compromete não só na Capital começa pela residência. “São 250 vagas o atendimento, mas também o próprio ensino”, explioferecidas anualmente para mais de 2 mil candidatos. ca Hamilton. “Somos idealistas, românticos, mas há a A disputa chega a 10 candidatos por vaga”, explica decepção após três anos dentro de um hospital. Peno presidente da entidade que há dois anos veio de samos em fazer o trabalho de forma adequada, mas Salvador, sua terra natal, para fazer residência médica a realidade é bem diferente de quando saímos da faem neurologia. Ele reconhece que a carreira médica é culdade”, conta Jefferson Fontenele e Silva, 31 anos. uma corrida de obstáculos interminável: o vestibular Ele veio do Piauí há três anos para fazer residência para Medicina é o mais concorrido de todas as facul- em pneumologia. Apesar do amor pela profissão, Jedades, são seis anos de estudo, de dois a cinco anos fferson reconhece que o sistema de saúde público de residência, dependendo da especialidade; exames no Brasil está viciado. “O DF é uma das localidades para residência concorridos, especializações, pesqui- com maior potencial de exercer uma saúde pública de sa, atualizações, estudos e mais estudos.... “O médico qualidade, mas esbarramos na falta de planejamento que pára fica desatualizado”, lembra Hamilton. e interesses escusos que não permitem melhorar o “É um investimento alto, de longo prazo para re- sistema”. torno demorado”, sentencia outro jovem médico, MárDiferente dos médicos veteranos, jovens como cio Almeida Paes, de 29 anos, R2 em oncologia clínica Hamilton, Márcio, Jefferson estão vivenciando as muno Hospital de Base, que abriga 228 dos 580 residen- danças pelas quais passaram a Medicina nos últimos

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Capa anos. O desenvolvimento de novas tecnologias, novos recursos diagnósticos e terapêuticos, a influência da indústria farmacêutica e a crescente presença das empresas compradoras de serviços médicos são fatores que têm produzido profundas transformações na profissão médica. Com elas, perde-se autonomia, remuneração, qualidade de vida e saúde. Uma pesquisa publicada pela Fiocruz em 1997, intitulada “Os Médicos no Brasil: Um Retrato da Realidade”, orientada por M.H. Machado, mostra que é alta a prevalecência de suicídio, depressão, uso de drogas, distúrbios conjugais e disfunções profissionais em médicos. A mesma pesquisa mostra que 50% dos médicos têm entre 3 e 4 atividades e exercem função de plantonistas e jornadas de trabalho que chegam a 90 horas semanais. Não é por acaso que o excesso de trabalho, a baixa remuneração, más condições de trabalho, responsabilidade profissional, a perda de autônima e o desgaste das relações médico-paciente (decorrente da promulgação de novas leis como o Código de Defesa do Consumidor e o exercício da cidadania), têm contribuído para o desgaste profissional, distúrbios emocionais e o surgimento de doenças como estresse e depressão. É o que demonstra pesquisa realizada o ano passado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e publicada no livro “A Saúde dos Médicos do Brasil”. A pesquisa, que ouviu 7,7 mil médicos de todas as Unidades da Federação, revela que “51,7% manifestam distúrbios psiquiátricos de considerável preocupação, os quais são associados, por exemplo, com a ansiedade e a depressão”. A pesquisa indica ainda que os médicos apresentam mais fadiga que costumam fazer pessoas de outras profissões. Também é elevado (38,7%) o percentual de médicos que fazem uso contínuo de dois ou três medicamentos sob recomendação médica, enquanto o uso de tranqüilizantes e sedativos chega a 20% dos médicos entrevistados. Preocupado com as más condições de trabalho e as repercussões com o relacionamento com os pacientes,

que muitas vezes chegam a agredir os médicos, o Sindicato dos Médicos do Distrito Federal tem atuado para reverter esse quadro. Faz visitas a hospitais e encaminha as denúncias à Secretaria de Saúde para uma rápida solução. Também preocupado com a condição do jovem médico no mercado de trabalho, em outubro do ano passado, o SindMédico esteve presente na Jornada de Médicos Residentes, no HBDF. “O Sindicato quer se aproximar dos residentes e conscientizá-los do papel político da entidade na melhoria da profissão”, explicou Dr. Jair Evangelista, diretor cultural do SindMédico. A despeito de tudo, a Medicina é uma profissão que oferece realização profissional, intelectual e material. Aliviar a dor, reduzir o sofrimento, curar doenças, salvar vidas, receber o reconhecimento são algumas das características que motivam os médicos, sejam eles jovens ou veteranos. “A Medicina é uma formação altruísta e o médico Jovens residentes acompanham os avanços ainda tem o reconheda medicina cimento e o respeito da sociedade”, analisa Márcio Paes. Ele aponta como um dos problemas, o aumento das escolas de Medicina “cujo único objetivo é baratear o trabalho médico”. Mas se a rede pública paga mal, não oferece condições de trabalho e ainda por cima expõe o médico, porque não optar pela iniciativa privada? Porque além de otimista e altruísta, o jovem médico ainda sonha em fazer uma medicina pública de qualidade e se tornar doutores em excelência.

Estudantes criam ligas em suas especialidades Alheios aos problemas futuros que os médicos enfrentam no exercício da profissão, os estudantes de Medicina formaram Ligas de especialidades médicas. Todas as Faculdades têm suas ligas, criadas pelos estudantes de Medicina, reconhecidas como projeto de extensão. São por meio das ligas que os estudantes começam a ter o primeiro contato com a realidade dos hospitais. As ligas têm o objetivo de capacitar seus integrantes para atuar junto a sociedade com trabalho de cons-

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cientização e educação referentes a prevenção, com a participação de eventos comunitários; à educação, com visitas a hospitais e acompanhamento no tratamento de doentes e aos estudos, com cursos e palestras. Só a Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS) possui cinco ligas: Liga do Câncer (Lican), Liga de Hipertensão, de Diabetes, Liga da Dor e Liga do Trauma. Visando a educação e a informação a Lican estará promovendo de 12 a 14 de março, o I Mini curso de Extensão da Lican, no auditório da Feceps.

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Tecnologia

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Mudanças nos consultórios médicos

evolução das tecnologias na área médica requer o contínuo investimento em novos equipamentos e na qualificação dos profissionais de saúde. Observa-se porém que a qualidade dos serviços médicos extrapola em muito o ambiente da técnica médica, e invade diversas áreas que, direta ou indiretamente, tem relação com os pacientes. Profissionais responsáveis pela administração e por todo o processo de atendimento, onde além dos médicos e equipe de enfermagem importa citar recepcionistas e atendentes, influenciam muito na percepção da qualidade. Uma das áreas de maior impacto junto aos pacientes é o conforto das instalações de espera e de atendimento. A espera em um ambiente confortável e organizado é hoje um pré-requisito para uma avaliação positiva do atendimento em qualquer ambiente, seja médico ou comercial. Todavia, na área da saúde, a influência deste ambiente sobre o bem estar do paciente é de extrema relevância. Os profissionais da saúde com esta visão vêm investindo em projetos de arquitetura, mobiliário e em equipamentos que organizam suas filas de espera e geram dados estatísticos sobre o seu atendimento. Neste contexto telas de LCD e plasma invadem os ambientes de espera substituindo antigos aparelhos de TV e os tradicionais painéis eletrônicos contribuindo de forma significativa para eliminar a ansiedade dos pacientes enquanto aguardam pelo atendimento. Praticamente todos os grandes hospitais e redes de laboratórios privados do Distrito Federal contam com sistemas eletrônicos de gerenciamento de filas. A presença destes equipamentos reforça os argumentos de que trata este artigo. De acordo com Carlos Maass, diretor

técnico da empresa SEAT Sistemas Eletrônicos de Atendimento, é clara a relação entre os grupos médicos preocupados com a qualidade do atendimento e a implantação de sistemas de gestão de filas de espera. “Os grupos que mais investem em tecnologia médica também são aqueles que mais investem em sistemas eletrônicos para organização do atendimento. Observamos que buscam certificações de qualidade ou o simples reconhecimento dos seus pacientes quanto ao atendimento profissional que prestam em todos os níveis”. A SEAT é neste momento a única empresa que oferece sistemas de atendimento por senhas que operam com telas de LCD ou plasma e integram na mesma tela as senhas de espera, as imagens de TV e informativos eletrônicos de texto. De acordo com Carlos “as unidades de saúde podem ser divididas em dois grupos: aqueles que necessitam dos sistemas de senhas devido ao grande volume de pacientes atendidos, e aqueles que buscam diferenciais tecnológicos para atingir os maiores níveis de qualidade no atendimento”. Com 18 anos de mercado, a SEAT é uma indústria de Brasília e se destaca pelas inovações dos produtos de atendimento. “Buscamos a liderança lançando produtos inovadores. Temos uma forte política para fidelização dos clientes e tentamos nos diferenciar com uma política mais ágil de assistência técnica. Sabemos que crescemos quando nossos clientes crescem e que os equipamentos que fabricamos os ajudam neste processo”. O investimento em novas tecnologias é essencial para modernização e melhoria na excelência do atendimento aos clientes. A imagem e percepção que o cliente tem do estabelecimento são pautadas na qualidade do atendimento que ele recebe.

Sindicato é contra acordo que valida diploma cubano

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Sindicato dos Médicos do DF manifesta novamente a sua preocupação com a decisão do Governo Federal de validar os diplomas dos brasileiros que cursam Medicina em Cuba. A medida faz parte do Termo de Ajuste Complementar ao Acordo de Cooperação Cultural e Educacional Brasil-Cuba, assinado pelos dois países, durante a última visita oficial do presidente da República àquele país. A justificativa do governo brasileiro é de que a medida - que ainda precisa ser aprovada pelo Congresso - irá suprir cerca de mil vagas de médicos em comunidade indígenas, quilombolas e do interior do país, como se faltassem médicos no Brasil. “O que fal-

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tam são políticas públicas que disponibilizem os profissionais às populações desamparadas, quilombolas ou não”, questiona o presidente do SindMédico/DF, Dr. César Galvão. A preocupação do sindicato não é nova, já que o governo vem discutindo os termos desse acordo desde 2004. Na época, o Conselho Federal de Medicina, a Associação Brasileira de Ensino Médico, a Federação Nacional dos Médicos e 64 escolas médicas do Brasil, entregaram ao Ministério da Educação (MEC) a Proposta de Diretrizes para a Revalidação de Títulos de Medicina no Brasil, objetivando oferecer subsídios para uma adequação do mesmo à realidade brasileira.

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Regionais

HBDF recebe equipamentos do HUB Depois de três anos de denúncias, entidades públicas e sindicato conseguem o que parecia impossível: amenizar tratamento de pacientes com câncer no DF.

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s pacientes de câncer do Distrito Federal vão, finalmente, ter o tratamento que merecem: mais humano e de melhor qualidade. Depois de três anos encaixotados, os equipamentos de Radioterapia foram levados para o Hospital de Base do DF. Apenas os equipamentos de Braquiterapia e o Acelerador Linear ainda não estão em uso. A Braquiterapia de alta dose, deverá começar a funcionar em março de 2008, quando forem concluídas as reformas necessárias para receber o equipamento. Já este, o Acelerador Linear, que é um aparelho de ultima geração para o tratamento do câncer, vai passar por uma outra grande luta, para que seja instalado no H.R T. A transferência dos equipamentos foi resultado da união entre o Sindicato dos Médicos, Promotores da 2ª. Promotoria de Saúde do Ministério Público do DF e Territórios, o Ministério Público de Contas da União e do DF, e membros do Legislativo, a exemplo do Deputado Federal, pelo DF, Augusto Carvalho. O esforço contínuo de todas as entidades permitiu ao Tribunal de Contas da União tomar decisão histórica, obrigando os gestores a colocarem os equipamentos em uso. Graças a essa medida, as condições de trabalho dos médicos oncologistas serão melhoradas e o cálculo das marcas tumorais, que era feito em horas, vai durar minutos, “dando mais agilidade e, acima de tudo, precisão no tratamento”, comemorou a Procuradora-Geral do Ministério Público de Contas do DF, Cláudia Fernanda Oliveira Pereira, para quem a decisão do TCU, Ministro Aroldo Cedraz, foi baseada “no princípio da razoabilidade, da proporcionalidade e da moralidade”. “Além disso, as mulheres portadoras de câncer de colo de útero, não vão mais ter que se submeter a tratamento aviltante, presas a uma maca por mais de 30 horas”, lembrou o mastologista Dr. José Antônio Ribeiro Filho, diretor do SindMédico, que acompanhou as negociações e o primeiro a denunciar o descaso dos gestores com a não

SindMédico atuou para transferir equipamentos utilização dos equipamentos. Após as denúncias, o Procurador do Ministério Público de Contas da União, Marinus Marsico, representou ao TCU, pedindo uma solução tanto para a destinação dos aparelhos, como para a suspensão dos repasses dos recursos públicos para as obras do Centro de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon), que, na época, estavam paradas há mais de dois anos. Denúncia semelhante foi entregue em março do ano passado pelo deputado federal Augusto Carvalho (PPS-DF). A Procuradora Geral, Cláudia Fernanda, reconhece que o trabalho do TCU e do TCDF foi importante e que o resultado “dificilmente seria conseguido na Justiça com tamanha agilidade”. Para ela, o controle externo, quando bem exercido, traz resultados positivos. “A vitória é de todos que acreditam que é possível, com união e muito trabalho, fazermos desse país um lugar melhor, solidário e justo socialmente”, disse a Procuradora.

Atendimento precário aos aposentados

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atendimento aos médicos aposentados está deixando a desejar. Com a mudança da Secretaria de Saúde para o anexo do Palácio do Buriti, a Gerência de Inativos foi transferida para um local provisório no Setor de Garagens. Além de contramão, os médicos aposentados reclamam da precariedade das instalações, já que a demanda é grande em busca de informações e serviços. Faltam equipamentos adequados e melhor infraestrutura. O diretor de inativos do SindMédico, Dr. José Antônio Ribeiro Filho visitou o local após receber reclamações dos médicos e não gostou do que viu. Além de obsoletos, os computadores instalados na gerência não são suficientes para atender os médicos, em especial àqueles que buscam a documentação necessária para a contagem de tempo de serviço para aposentadoria. A Diretoria de Inativos reclama da falta de consideração com os médicos aposentados que tanto serviram a Secretaria de Saúde e exige mais respeito.

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Aconteceu

Primeiro transplante do HBDF faz 25 anos

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pavilhão técnico-administrativo do Hospital de Base foi palco no final do ano passado para a comemoração do Jubileu de Prata do primeiro transplante renal do HBDF, realizado em 1982. Foram homenageadas todos as pessoas que contribuíram para que este fato pudesse ter acontecido, entre eles, o atual diretor do sindicato dos médicos, Dr. Gustavo Arantes, por ter sido o diretor à

época e ter coordenado a viabilização dos transplantes. A cerimônia foi muito concorrida com representantes da Saúde do DF e do Ministério da Saúde. Na ocasião, diversas pessoas discursaram questionando o fato deste programa, que no passado era vitorioso, estar praticamente acabado. O Secretario de Saúde, José Geraldo Maciel, prometeu dar apoio para que o setor volte a ter recursos e retome a condição de referência.

Programa Saúde da Família tem nova coordenação

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esde o dia 19 de dezembro, o Programa Saúde da Família (PSF) tem nova coordenadora: é a médica Jacira Abranches. Um de seus objetivos é criar mais 100 equipes para o PSF que atualmente conta com 80, sendo que apenas 42 delas estão completas. Para isso, ela vai aproveitar os profissionais que forem contratados após o concurso público cujo edital foi publicado em janeiro deste ano, para médicos e agentes comunitários. “Vamos reestruturar a atenção primária nos Centros de Saúde, melhorando a humanização, avaliação e a integração

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dos profissionais da saúde”, explicou a médica. A nova coordenadora do PSF também quer melhorar a resolutividade no atendimento de maior complexidade e criar, para isso, salas de acolhimento em todos os Centros de Saúde e Hospitais da rede, a exemplo do que hoje é feito em São Paulo. “Vamos abrir a agenda dos profissionais a partir da sala de acolhimento, dando maior rapidez ao atendimento dos pacientes quer nos procuram. Outra meta de Jacira Abranches é a valorização do profissional de saúde no seu dia-a-dia, “mas sem esquecer que a satisfação do paciente é o nosso maior objetivo”.

Obituário e seguro descesso

Sindicato dos Médicos do Distrito Federal, bem como os médicos que compõem os seus quadros, se solidarizam com os familiares e amigos dos colegas falecidos recentemente. Nossa classe enlutada registra os pêsames pelas perdas de: Dr. Alfonso Cordova Aspilcueta, Dra. Lucelia Menezes Thome, Dr. Valter Viana Ferreira, Dr. Jarbas Torres Dantas. Todos os colegas acima, mais o Dr. Pitanga,

que faleceu no final de 2007, estavam cobertos pelo Seguro Descesso feito pelo sindicato, contemplando todos os médicos do quadro. O SindMédico/DF lembra que junto com este benefício, a família do médico pode contar ainda com a apólice de seguro de vida no valor de R$ 10 mil, bastando para isso, que ele vá até o sindicato preencher a devida ficha, nomeando os herdeiros beneficiários.

Livro "Pediatria Radical" Acaba de ser lançado pela editora Senac o livro “Pediatria Radical”. O livro, escrito pela Dra. Thelma B. Oliveira, é diferente de todos as publicações existentes no mercado sobre o tema. O livro foi inspirado em uma comunidade do orkut intitulada “Pediatria Radical”. Segundo a autora, “Pediatria, que em sentido amplo é o cuidar da criança, é exercida o tempo todo pela mãe, nos cuidados, no aleitamento, na procura incessante do melhor para seu filho. ‘Pediatria Radical’ é a pediatria voltada para as mães, e é feita pela troca de experiência de umas com as outras e de

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todas com as moderadoras, e vice-versa, num ambiente facilitador, que resulta em aprendizado mútuo e dinâmico”. Longe de uma pediatria formal, os textos dão um passeio, entre a medicina e a maternidade. A autora que também é médica pediatra em Brasília especialista pela SBP, juntou em um só livro seus próprios artigos, artigos de pediatras convidadas e artigos de diversas mães colaboradoras.

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Eventos

Brasília será palco de grandes congressos

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rasília será palco de grandes eventos em 2008, e irá trazer à Capital médicos renomados do Brasil e do exterior. A maioria dos eventos acontecerá no segundo semestre do ano, como o IV Congresso Brasileiro de Cirurgia Plástica, que será realizado de 12 a 15 de novembro, no Centro de Convenções Ulisses Guimarães. Segundo o médico Ognev Kosaki, presidente da Sociedade Brasiliense de Cirurgia Plástica, a expectativa é de que o evento irá reunir 2 mil cirurgiões plásticos e contará com a presença de convidados europeus, americanos e asiáticos. Serão apresentados casos de cirurgias reconstrutiva e estética. Esse é considerado o maior evento da especialidade, o segundo maior do mundo só perdendo para o Congresso Americano da especialidade. Outros eventos médicos que merecem destaque são a Semana de Gastroenteorologia e 8ª Semana Brasileira do Aparelho Digestivo, de 5 a 9 de outubro, também no Centro de Convenções. A expectativa do presidente da Sociedade de Gastroenteorologia, Columbano Junqueira, é de que 5 mil congressistas participem do evento que também contará com a presença de 20 convidados estrangeiros e mais de 250 brasileiros. Este ano o evento, que cresceu muito em

Congressos nacionais e internacionais movimentarão a cidade neste ano relação ao último realizado, apresen- so conquistou repercussão nacional tará novidades como a laparoscopia e é o maior encontro psiquiátrico endoscópica, através de orifício e a anual da América Latina e o 3º maior eco-endoscopia. O presidente da Se- do mundo. Oferecendo importante mana, lembra que o evento, é uma atualização científica e profissional, oportunidade de revisão e atualiza- o CBP recebe profissionais de todos ção para todos os médicos da espe- os Estados brasileiros, além de concialidade. gressistas de vários países. O XXVI Congresso Brasileiro Em novembro, no período de 5 de Psiquiatria, que será realizado a 7, o Centro de Convenções Ulisses de 15 a 18 de outubro, também no Guimarães receberá o 2º Congresso Centro de Convenções, promete ser Internacional de Ginecologia e Obsum marco na história da psiquiatria tetrícia. Realizado pela Sociedade brasileira. O presidente da Associa- Brasileira de Ginecologia e Obsteção Psiquiátrica de Brasília, Antônio trícia, o evento tem importante paGeraldo da Silva, estima a presença pel na atualização de médicos da de 7 mil psiquiatras no evento. Pro- especialidade. Portanto, marquem movido há 37 anos pela Associação em suas agendas os eventos para Brasileira de Psiquiatria, o Congres- este ano.

SindMédico apóia simpósio de integração De 29 de fevereiro e 01 de março acontece o Simpósio de Integração entre a Psiquiatria e a Neurologia, cuja temática tratará dos “Aspectos Psiquiátricos das Epilepsias”. O evento acontecerá no hotel Lake Side e tem a promoção e organização da Associação Psiquiátrica de Brasília (APBr) e da Liga Brasileira de Epilepsia - Capítulo Centro-Oeste e conta ainda com o apoio do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal.

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A organização do simpósio informa que as inscrições podem ser feita na sede da APBr, que fica na SGAS 910 - Ed. Mix Park Sul - Bl. E - sala 138. Médicos sindicalizados não pagam para participar do evento.

Maiores informações pelo telefone (61) 34431623 ou no site www.apbr.org.br.

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Informes

O jejum é necessário

para a realização de exames de patologia clínica?

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sta dúvida é freqüente e é uma pergunta inevitável após a entrega das requisições dos médicos aos pacientes. Ao longo dos anos foi se consolidando a rotina da obrigatoriedade do jejum para a realização de exames bioquímicos. Existe realmente uma razão científica por trás desta prática? Na verdade, o jejum é pouco estudado em humanos, mas nele sabemos que as reservas de glicose vão se esgotando e que outras fontes de energia, como proteínas e gorduras, passam a ser utilizadas para que o organismo se mantenha vivo. Quanto mais longo for o jejum, mais gorduras e proteínas vão sendo consumidas. Os laboratórios alegam que vários nutrientes podem interferir nas dosagens bioquímicas. Na verdade estamos vivendo revoluções tecnológicas e avanços importantes no conhecimento da epidemiologia, que estão alterando de uma forma significativa estes conceitos. As técnicas se tornaram mais precisas, os contaminantes já podem ser removidos na fase pré-analítica e as reações das dosagens se tornaram tão específicas que os nutrientes deixaram de influenciar nos resultados finais. A epidemiologia, por sua vez, tem dado uma significativa contribuição, ao mostrar que algumas determinações quando feitas no estado pós alimentar, guardam uma melhor relação com o aparecimento das complicações cardiovasculares. Os exemplos típicos são da glicemia pós-prandial e dos triglicérides, cujas determinações pós-prandiais, tem uma maior valor preditivo do que que as realizadas em jejum. Já com relação ao colesterol, não existe diferenças quando o exame é realizado em jejum ou após 12 horas de abstinência alimentar. Estamos num período de transição, no qual muitos laboratórios de ponta, começam a mudar as suas rotinas não exigindo jejum, ou mesmo estabelecendo períodos diferentes dependendo das análises a serem realizadas. Vale lembrar que o exame mais solicitado, o hemograma, não necessita de jejum e disto já sabemos nas nossas atividades de urgência.

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Com a diminuição ou abolição do jejum, os nossos pacientes, certamente, ficarão mais agradecidos e confortáveis e terão menor resistência para a realização dos exames que necessitam realizar. O gráfico abaixo mostra a situação atual e a evolução provável na solicitação dos exames pelos médicos:

Regras para cada exame Exames que precisam de jejum • Colesterol: 4 horas. • Colesterol HDL, LDL, triglicérides: 12 horas • Fator reumatóide: 6 horas • Fósforo: 4 horas • Glicose: 8 horas

Leituras adicionais: O laboratório Exame/DASA realizou nos meados de dezembro em Brasilia, na sede do Conselho Federal de Medicina, o simpósio “Jejum, Mito ou Realidade”. As apresentações dos Drs. Luis Gastão Rosenfeld, Reginaldo Albuquerque e Geniberto Campos, podem ser vistas na integra no seguinte endereço: http://www.diabetes.org.br/apresentacoes/index.php Artigo no JAMA: Triglicérides com e sem jejum e o risco de evenos cardiovasculares em mulheres. Bansal S, Buring JE, Rifai N et al Jama 2007:298(3):309-316

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Alexandre Bandeira

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Receber ou recepcionar?

R

leitor o resultado de uma pesquisa feita pela American esponda rápido. No seu estabelecimento Medical Associations que constatou que o tempo em de saúde você recebe ou recepciona os seus que os pacientes estão dispostos a aguardar na sala de pacientes? Eles podem até parecer sinôniespera e de 20,6 minutos. O que isso quer dizer? Resumos, mas apresentam pequenas nuances que fazem midamente que se o tempo de espera, na maioria das toda a diferença, tanto para sua clínica, consultório ou vezes ultrapassar este limite, o paciente pode decidir hospital, como também para o consumidor. Senão vemudar de médico. E qual a lição dessa pesquisa? jamos. Para muitos que se colocam numa posição mais Segundo o Dicionário Aurélio, entre as definições cética sobre tal resultado, por acharem que a pesquiassociadas ao primeiro termo estão: reagir de detersa trata do mercado norte-americano, onde as pessoas minado modo a; ser aquele ou aquilo a que é dirigido; possuem outra cultura e onde as variáveis de competiser alcançado ou atingido por; estar presente quando tividade e opção são maiores, gostaríamos de retratar a (alguém) chega; aceitar ter em casa ou junto a si (hósrealidade vivida por nossa consultoria em quase uma pede, visita). Já para a palavra recepcionar, temos o década de trabalho no segmento da Saúde. significado de: receber com atenção ou certo aparato. A cada diagnóstico que fazemos, aplicamos pesAo compararmos o primeiro com o segundo, fica quisa junto aos usuários ponderando diversos itens, mais claro que quando falamos em receber, aquele entre eles: a qualidade do atendimento recebido por que recebe tem uma atitude mais passiva no processo, médicos, enfermeiros, recepcionistas, enquanto o que recepciona um com“O tempo em que os fatores de comodidade, higiene, seguportamento mais pró-ativo. É como se informações recebidas, aparêneste último estivesse mais preocupapacientes estão dispostos rança, cia pessoal e do estabelecimento e temdo com quem chega, no nosso caso, o a aguardar na sala de po de espera. Na grande maioria das paciente. é ele quem determina a avaliação Essa diferenciação é muito mais espera e de 20,6 minutos” vezes geral da empresa. Podem quase todos presente em alguns setores da econoos demais itens obterem avaliações muito altas, mas se mia, como nos segmentos de turismo, lazer e entreo tempo de espera tiver nota baixa, a tendência do patenimento. Ser bem recepcionado em um hotel já é o ciente é aproximar a visão que ele tem do consultório prenúncio de que sua estadia tem tudo para ser um ou clínica para próximo desta nota. sucesso. Em outro exemplo, ser mal recebido em um O que devemos nos preocupar com os dados aprerestaurante é quase certeza de comida ruim, mesmo sentados até o momento? De que os médicos devem se que tecnicamente ela não seja. esforçar para economizar o tempo de seus pacientes. É por isso que é tão forte o sentimento da expresMesmo assim, podem haver aqueles que se levantem são “a primeira impressão é a que fica”. Simplesmenpara questionar que determinado doutor Fulano ou te porque ela molda o espírito do consumidor para o Beltrano atende por ordem de chegada, deixa o paciente que pode vir logo a seguir. E detalhe, na maioria das esperando horas e mesmo assim ainda tem casa cheia. vezes, não existe uma segunda opção para corrigir faRecomendo que não se adote a regra pela exceção, pois lhas ao primeiro contato entre empresa-cliente. o número de fulanos que podem se dar a este “luxo” Curiosamente, é no setor de turismo que vemos são cada vez menos numeroso em uma mercado cada o termo hospitalidade (qualidade de hospitaleiro, que vez mais competitivo. A escolha é sua! acolhe com satisfação) mais bem associado do que ao ambiente hospitalar (relativo a hospital, onde se tratam os doentes). Parece que é somente no dicionário Contato com a coluna: que os dois fazem algum tipo de fronteira. consultorio@strattegia.com.br Para enriquecer um pouco mais o tema, trago ao

Revista Médico

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Vida Médica

Amor sobre quatro rodas Por Elisabel Ferriche

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le não é o “Herbie”, do filme “Se Meu Fusca Falasse”, de Robert Stevenson, exibido em 1968, mas se o fusca do Dr. Laírson Rabelo falasse, certamente teria muitas histórias para contar, “a maioria delas impublicáveis”, segundo o próprio dono. Mais novo do que o Herbie, o fusca do Dr. Laírson foi adquirido em 23 de março de 1977 e até hoje é mantido igual ao que saiu da concessionária: 100% original. O fusca do médico Laírson Rabelo preenche todas as características para ter o direito a receber placa preta, ou seja, a placa que certifica a originalidade do carro. Caso isso ocorra, o carro do Dr. Laírson será o 29º carro a receber a placa preta, dos mais de 600 carros antigos existentes no Distrito Federal. Mas para receber o título de originalidade, o médico precisa primeiro, ser sócio do Clube Carro Veterano, que funciona no espaço do Museu Vivo da Memória Candanga, em frente à Candangolândia. É lá que ficam guardados os carros antigos e onde se reúnem os adeptos do antigomobilismo, nome que se dá a arte de restaurar e preservar automóveis antigos. O espírito veterano une proprietários e apreciadores de carros antigos com mais de 25 anos, de todos os modelos, marcas e nacionalidades. O cirurgião geral Adalberto Amorim faz parte desse clube. Ele possui um Corcel 1979, branco, totalmente original. Apesar dos quase 30 anos de existência, o Corcel tem apenas 63 mil quilômetros rodados. O carro veio de Maceió para Brasília transportado por uma carreta como uma relíquia, embora não seja de natureza

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religiosa, é um objeto preservado e de grande veneração pelo seu dono. “Foi a única herança da minha sogra”, conta o médico, que chama o carro carinhosamente de “biscuit”. E o biscuit faz sucesso. Semanalmente ele pode ser apreciado no Clube Carro Veterano, em Candangolândia, ponto de encontro dos adeptos ao hobby. Mais que um hobby, uma paixão. Assim é o antigomobilismo, que possui uma centena de clubes espalhados pelo país, a maioria se intitula o primeiro do Brasil como é o caso do Veteran Car Club do Brasil – RJ, que colabora para a preservação do patrimônio automobilístico nacional e mundial. O clube organiza encontros, palestras e exposições e contribui para que jovens e idosos possam participar ativamente do meio, ajudando e incentivando para preservação da memória antigomobilística do nosso país. O que mais contribui para que esses médicos colecionem carros antigos é o requinte, a exclusividade e a admiração que eles provocam quando passam... são únicos. “Saio com o meu biscuit exclusivamente em eventos e muito eventualmente para passear, para curtir”, afirma o médico Amorim. Segundo ele, quem gosta de carros antigos é porque aprecia tudo que o veículo tem nos mínimos detalhes, tanto de motor quanto de lataria... enfim, tudo no carro interessa aos colecionadores. A princípio, o biscuit só era usado nas férias, quando Dr. Amorim ia a Maceió visitar a sogra. Ao chegar à Brasília e que ele começou a se interessar em fazer parte

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Vida Médica do Clube Carro Veterano, onde há uma união e interesses comuns. “Ali não importa a profissão, o poder aquisitivo, todos são bem recebidos e as conversas são sempre boas”, conta o médico. Manter os carros antigos no Clube não é caro, “custa menos do que manter uma lancha”, diz Dr. Amorim. Quando precisa, encomenda as peças, fabricadas especificamente para o carro, que só possui peças originais. No Clube, os carros são lavados semanalmente e ligados para que não haja falhas quando houver necessidade de um desfile. Sim, porque carro antigo não passeia, desfila. “Quando saio na rua todo mundo quer comprar”. Dr. Laírson Rabelo também conta que sempre que anda com o fusca recebe propostas: “Já recusei R$ 20 mil no meu fusca”. Para a maioria, o antigomobilismo é algo muito especial na vida de qualquer colecionador ou admirador de carros antigos. Depois de viver a primeira experiência de dirigir um automóvel antigo, é difícil não se tornar um colecionar. Apreciar também faz parte. Por isso muitos Clubes de Carros Antigos fazem encontros mensais, alguns específicos como o Clube de Campinas, São Paulo, que anualmente promove o Encontro V8 Cia de Dodgers.

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Dr. Amorim e seu "Biscuit" Seja de Dodge, Fusca, Corcel, Mercedes, Tomaso Pantera, não importa. Quem gosta de carros antigos não consegue viver sem eles, pois a identificação, o prazer são grandes e se tornam um desafio.

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Vinhos

Dr. Gil Fábio

Os Vinhos Chilenos

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odemos dizer que para degustar um bom vinho não tem hora, nem tempo e nem dia marcado. Apenas uma garrafa contendo um vinho saboroso, uma taça adequada, de preferência uma boa companhia e uma conversa agradável. Mas para que tudo isso seja realmente bom em todos os aspectos, temos pela frente um “quebra-cabeça” sobre qual vinho vamos escolher, quanto vamos ou podemos gastar e qual será o “prato escolhido”. Pode ser de alguns milhares de reais, até menos de R$ 40,00 por pessoa, dependendo da escolha.

TINTOS ATÉ R$ 35,00

TINTOS DE R$ 35 A R$ 90 (D)

Casillero Del Diablo Shiraz 2004 Concha y Toro. – CA

Estampa Gold Assemblage 2003 – CA

Manso de Velasco Cabernet Sauvignon 2001 – EC

Cabernet Sauvigon 2004 Baron Philippe de Rothschild – OC

Tabali Reserva Especial 2003 – CA

Santa Carolina VSC 2001 – EC

VALLE DE MAULE, R$ 23,80 (PR). VALLE CENTRAL, R$ 35 (CP)

Candelaria Mural Syrah 2002 Candelaria – OC

Colchagua R$ 34 (WS)

Casillero Del Diablo Cabernet Sauvignon 2004 Concha y Toro – OC

Valle de Rapel, R$ 23,80 (PR).

Clássico Cabernet Sauvignon 2004 Vestiquero – OC

Maipo, R$ 29 (CC).

Cousino Macul Merlot Reservas 2004 – OC

Maipo, R$ 33,33.

Paso Hondo Gran Reserva Carmenère 2002 Canata – OC

BIO BIO, R$ 35 (IN).

Colchagua, R$ 74,80. Limarí R$ 78 (GC)

Amayna Pinot Noir 2004 – EC

Valle San Antonio Leyeda, R$ 85,79 (M).

Cuvée Alexandre Cabernet Sauvignon 2004 Casa Lapostolle – EC

Colchagura, R$ 85,79 (M).

De Martino Carmenère Single Vineyard 2003 – EC

Maipo R$ 87,50 (D)

La Arboleda Cabernet Sauvignon 2001 – EC

Maipo, R$ 85 (E).

Marque de Casa Concha Merlot 2003 – EC

Valle de Peumo, R$ 72,80 (E).

Perez Cruz Cabernet Sauvignon Reserva 2004 – EC

San Medim Cabernet Sauvigont 2003 Miguel Torres - OC

Maipo, R$ 70 (T).

Santa Carolina Reserva Cabernet Sauvignon 2003 – OC

Tabalí Syrah Reserva 2004 – EC

Valle de Curicó, R$ 25 (RL).

Valle de Colchagua, R$ 29,60 (PA).

Undurraga Cabernet Sauvignon 2004 Vestiquero – OC

Colchagua, R$ 34 (GZ).

Bodega Vieja Tinto (Cab. Sauv. / Merlot) 2002 – BC.

Valle do Rapel, R$ 19 (CF/PP).

Cabernet Sauvignon Seleccion Terroir 2004 Vina Santa Ema – BC

Maipo, R$ 29,60 (PA).

Santa Catarina Barrica Selection Carmenère 2004 – EC

RAPEL, R$ 42,50 (CF/PP). Limarí, R$ 49 (GC).

Vestíquero Gran Reserva Merlot 2003 – EC

Maipo R$ 59 (CC)

Winemarkes Lot 123 Carménère 2004 Concha Y Toro – EC

Cachopoal, R$ 63 (E)

TINTOS DE R$ 90 A R$ 180

Caliterra Cabernet Sauvignon 2003 Robert Mondavi & Eduardo Chadwick – BC

Terrunyo Carmenère 2003 – CA

Canepa Clássico Cabernet Sauvignon 2004 – BC

Coyam 2002 – EC

Valle Central, R$ 31,07 (E).

Maipo, R$ 25,30. Casablanca Colecion Privada Merlot 2003 Maipo, R$ 30 (CF/PP).

COMO USAR O GUIA

Os vinhos são classificados da seguinte forma:

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A escolha do vinho apropriado para esta ocasião não é difícil, para alguém que já está há muitos anos envolvido em apreciar a incontável variedade de bons vinhos que são produzidos mundo afora. Com isso, vamos apresentar algumas sugestões – desta vez, só de vinhos chilenos, que é um dos grandes produtores do novo mundo. Para tal, consideramos o preço do produto, o custo-benefício e a região do País. É importante frisar que o preço do vinho importado é atrelado à cotação do dólar, podendo então sofrer alterações aos valores indicados neste artigo.

Peumo, R$ 118 (E).

Valle central, R$ 149 (Magna). EL Principal 2001 – EC

Maipo, R$ 170 (CP).

Curicó, R$ 140 (RL).

Maule, R$ 135 (CF/PP).

Ventisquero Único Luis Miguel 2002 – EC

Maipo, R$ 120 (Chile Vinhos).

Gilmore Cabernet Sauvignon 2000 Vina Tabontinaja – OC

Maule, R$ 99 (CP).

Gilmore Merlot Reserva 2001 Vina Tabontinaja – BC

Maule, R$ 99 (CP).

Gran Cucero Carmenère 2001 Siegel

TINTOS DE R$ 180 A R$ 350 Colchagua, 119 (WS). Almaviva 2002 – CA

Maipo, R$ 2945 (T).

Don Melchor Cabernet Sauvignon 2001 – EC

Maipo, R$ 289 (E). Sena 2001 – EC

Aconcagua, R$ 348 (E).

Canepa magnificum Cabernet Sauvignon 1999 – OC

Vale do Maipo, R$ 250 (IM).

Don Maximiano Founer’s Reserve 2001 Errazuriz – OC

Aconcagua, R$ 260 (T).

Gran Família Cabernet Sauvignon 2002 De Martino – OC

Maipo, R$ 191,10 (D).

TINTOS Acima de R$ 350 Viu Manent VIU 1 2003 – OC

Valle de Colchagua,, R$ 390 (H).

CA – Campeão BC – Boa Compra EC – Excelente Compra Excelente Compra Adequado e distinto em sua faixa Muito Superior AP – Aprovado OC – Ótima Compra Um vinho sadio e aceitável em sua faixa Superior em sua faixa de preço

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Sindicais

Fenam promove

I Encontro de Trabalhadores de Sindicatos Médicos

Atílio falou sobre o sucesso do SindMédico

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SindMédico/DF participou do I Encontro de Trabalhadores de Sindicatos Médicos realizado na sede da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), no Rio de Janeiro, nos dias 16, 17 e 18 de janeiro. Além de contribuir para ampliar o relacionamento entre os trabalhadores dos sindicatos médicos e da Federação; o encontro também discutiu e debateu políticas de gestão dos sindicatos sob a ótica dos trabalhadores e das entidades; possibilitou ampliar a articulação entre a Fenam e os sindicatos de base e propiciou aos trabalhadores dos sindicatos médicos mais conhecimento da estrutura da Fenam e sua concepção política. O I Encontro de Trabalhadores de Sindicatos Médicos foi aberto pelo presidente da Fenam, Eduardo Santana, e teve como tema “Concepção e prática sindical da Federação Nacional dos Médicos”. Nele foram discutidos temas como Política de Comunicação; Estratégia de Sustentabilidade Financeira; Perfil Administrativo do sindicato e Estrutura jurídica e práticas de atuação. De acordo com Waldir Cardoso, diretor de Relações Trabalhistas da Fenam, é de suma importância para os sindicatos ter sua entidade nacional forte e reconhecida pelas forças políticas da categoria médica, pelos governos e pela sociedade. "Desse entendimento surge como essencial ampliar e fortalecer a articulação entre a base do movimento sindical médico e a entidade nacional. Para alcançarmos esse objetivo, no entanto, não basta o desejo e a determinação das respectivas diretorias. Todas as nossas deliberações são encaminhadas pelo corpo funcional das respectivas entidades. Além disso, esses trabalhadores detêm uma gama de informações e experiências, por isso achamos importante promover o encontro e intercâmbio entre repre-

Revista Médico

sentantes dos servidores", assinalou o dirigente. O SindMédico/DF foi representado pelo gerente administrativo, Atílio Gregório Santana, pela funcionária Mayara Alves, pelo diretor jurídico, Antônio José Francisco Pereira dos Santos e pela advogada Thais Riedel, da Assessoria Jurídica. Há oito anos, o SindMédico/DF vem profissionalizando suas ações administrativas de modo a tornar-se uma entidade de excelência e exemplo para outros sindicatos do país. No I Encontro de Trabalhadores de Sindicatos Médicos, o gerente administrativo levou como contribuição o trabalho que o SindMédico/DF desenvolveu no sentido de tornar mais transparente a movimentação financeira e contábil da entidade. Atílio Santana participou da mesa redonda “Como é a administração do Sindicato”, com os representantes dos sindicatos de Minas Gerais, Pará e São Paulo. Com o sistema de processamento de dados desenvolvido pelo SindMédico/DF é possível o efetivo acompanhamento da movimentação financeira, a emissão de relatórios gerenciais, de contas a receber e a pagar, a aplicação

Mayara do SindMédico. Terceira da fila de baixo de eventuais recursos, a identificação das origens dos mesmos e o acompanhamento orçamentário. O sistema, além de passar por auditoria externa é submetido e aprovado em assembléia geral convocada especificamente para este fim. A seriedade do trabalho desenvolvido pela administração do SindMédico/DF garantiu os recursos necessários para a quitação da sede própria, sem que para isso tenha sido necessária nenhuma outra contribuição extra e a idoneidade dos comprovantes apresentados tem sido motivo de elogio do conselho fiscal, do auditor externo e dos demais sindicalizados que anualmente aprovam, mediante assembléia, as contas do sindicato.

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Literárias

Dr. Ev

Dr. Evaldo Alves de Oliveira

Medicina em Prosa U

Uma avó enfurecida

ma senhora adentra em minha sala no Centro de Saúde. Era uma avó bem vestida, tentando demonstrar elegância. Segurava uma criança de nove anos pelo braço, tendo ao lado uma moça aflita e envergonhada. A senhora esbravejava: - Doutor, esta é minha nora, e ela passou hepatite B para o meu neto. Eu exijo um esclarecimento, pois ela não pode continuar casada com o meu filho! Com muita calma, falei: - Baseada em que a senhora afirma que seu neto tem hepatite B? Passando-me um papel amarelado, respondeu enfática: - Neste exame, doutor. O resultado do exame era confuso, em um papel de péssima qualidade, e feito em um laboratório do entorno de Brasília. Percebendo o excelente estado geral do garoto, passei a explicar para aquela senhora, de forma professoral, os tipos de hepatite e as formas de contaminação: - A hepatite A é a forma mais comum, e o contágio se dá por via oral, por contato com água ou alimentos contaminados, sendo a cura a regra para a grande maio-

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ria dos casos. Não há relato de cronificação desta doença. A mãe da criança escutavame quase sem piscar os olhos. - A hepatite B, - continuei diferentemente, transmite-se, sobretudo, por via sexual, e também por transfusão de sangue contaminado, fato este raro, a partir do controle exercido nos hemocentros. A mãe pode passar para o filho, mas somente durante a gravidez, o parto e a amamentação. A cronificação acontece em cerca de 5% a 10% dos casos, mas quando ocorre durante a gestação, parto ou amamentação, a chance de cronificar-se é de cerca de 85%. Daí a importância do pré-natal em sua prevenção. Nessa altura a avó já estava bem mais calma e relaxada. E continuei: - Há também a hepatite C, que ocorre mais em indivíduos que receberam transfusão de sangue antes de 1993, quando os exames para sua detecção tornaram-se disponíveis, em usuários de drogas injetáveis e de cocaína inalada, e em pessoas com tatuagem ou piercings feitos sem os cuidados higiênicos adequados. A maioria dos transplantes de fígado, no Brasil, é devida a esse tipo de hepatite.

tei:

Olhei para a avó e pergun-

- Sua nora tem hepatite B? - Acho que não. - Se ela não tem essa hepatite, de que forma ela contaminaria o seu neto, que, aliás, é filho dela? É muito mais provável que se trate de hepatite A, de fácil contágio, como já falamos. Encerrando a reunião, a avó agora menos tensa, ponderei: - O resultado desse exame é que deve estar errado. Vou solicitar novos exames, que serão feitos no nosso laboratório, e na próxima semana nós conversaremos. Uma semana depois apresentei-lhes o resultado dos exames, que confirmaram minha suspeita: era realmente hepatite A, e aquela senhora sequer se desculpou com a nora, que ria tranqüila, exibindo o cartão de vacinação, onde constavam as três doses contra a hepatite B uma fora feita no berçário, logo após o nascimento, outra com mais um mês e a terceira depois de cinco meses da segunda dose. A moça saiu abanandose com o cartão, sem nada dizer. Estávamos no mês de junho, e fazia frio.

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valdo Alves de Oliveira


Laboratório Sabin Hospital Brasília e HCB - antigo HGO

abertos 86.400 segundos por dia

As unidades 24 horas realizam exames em caráter emergencial com a liberação de resultados no mesmo dia. Para mais informações, contate a nossa central de atendimento: (61) 3329 8000

Unidades 24 horas Hospital Brasília SHIS QI 15 Lote G Lago Sul HCB - antigo HGO 910/710 Sul Hospital HCB - Subsolo


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