Revista 75

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Impresso Especial 1000007795/2006-DR/BSB

SindMédico-DF CORREIOS

Órgão Informativo do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal Brasília - Ano XI - Maio-Junho / 2009 - nº 75 SGAS 607 Centro Clínico Metrópolis. Cobertura 01 Asa Sul - Brasília/DF - CEP: 70.200-670

DEVOLUÇÃO GARANTIDA

CORREIOS

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Editorial

A voz do povo

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uvir o povo. Este é o dever do Estado e de todos aqueles que querem se tornar algum dia estadistas. Nada mais claro do que a declaração de que todo o poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido. O atendimento em saúde da população de Brasília atinge níveis alarmantes de insatisfação. Não basta dizer que em outros estados os doentes esperam mais, sofrem mais ou morrem mais do que na capital do país. Nós moramos em Brasília e não adoecemos em outras unidades da federação. E tem mais, para quem agoniza dor é dor, sofrimento é sofrimento e deve ser dignamente atendido e não ter o seu drama nivelado por baixo diante aqueles que ultrapassaram o fundo do poço. Não cabe aos médicos o dever de saber por que o sistema público em Brasília deixa diaapós-dia de funcionar. Mas como vítimas de hospitais e centros de saúde que não dão condição ao atendimento digno e, consequentemente, de acolher a população, o Sindicato dos Médicos do Distrito Federal, no papel de instituição da sociedade civil organizada, com responsabilidades sociais na área de saúde, decidiu de maneira inédita suprir o papel do governo local e fazer uma coisa muito simples: ouvir a população. Uma coisa é a vivência do cotidiano, onde a impressão é substrato de sentimentos individuais. A outra, é ver que esta visão é de fato um quadro estruturado e estatístico grave, com todas as suas nuances que engessam a máquina pública diante dos problemas elementares de levar saúde com o mínimo de qualidade à população. Para dar este grande passo, o SindMédico/DF recorreu a um dos maiores institutos de pesquisa do país, com credibilidade e reconhecimento entre os mais ativos setores da sociedade. Uma empresa de pesquisa que pudesse nos entregar dados isentos e descontaminados de quaisquer possíveis interferências de parte-a-parte. Um trabalho de excelência, feito por quem soma verdades e não multiplica falsos cognatos distorcendo números e dados. Por isso, esta missão foi delegada ao Vox Populi. Nossa meta é ir a fundo para investigar – do ponto de vista dos pacientes e familiares – como o sistema público do Distrito Federal acolhe os seus doentes e os devolvem para sociedade. O resultado foi muito preocupante, principalmente quando vemos que as pessoas que mais recorrem aos hospitais e centros de saúde, são as pessoas que não possuem outra alternativa, já que não recebem planos de saúde das empresas onde trabalham, ou sequer possuem um trabalho devidamente registrado. Estamos falando de quem está à margem da sociedade, desassistido em todas as formas pela sociedade e pelo governo. A outra grande constatação é que boa parte dos problemas não requerem os milhões de dólares que a Secretaria de saúde diz precisar, já que a maior evidência do caos na saúde do DF está na capacidade de gestão de quem comanda a secretaria, que permite o tempo de espera do paciente na emergência, ser maior do que quem se dirige ao atendimento eletivo. O GDF não aprendeu ou sequer sabe fazer uma simples triagem junto a quem recorre às unidades de atendimento de nossa cidade. O SindMédico/DF, mais do que antes, pode dizer com propriedade o que acontece com a Saúde de nossa população, pois além de cumprir com seu papel com excelência, cuida do dever que deveria ser feito por outros. E mais, irá além na sua função de resgatar a obrigação do Estado em prover uma medicina pública, gratuita e de qualidade. Principalmente quando a população sabe exatamente de quem é a culpa por esta situação ter chegado ao ponto em que se encontra. Revista Médico

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Sumário

Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores

Presidente Dr. Marcos Gutemberg Fialho da Costa Secretário Geral Dr. Rafael de Aguiar Barbosa 2ª Secretário Dr. Gustavo de Arantes Pereira Tesoureiro Dr. Gil Fábio de Oliveira Freitas 2º Tesoureiro Dr. Luiz Gonzaga da Motta Diretor Jurídico Dr. Antônio José Francisco P. dos Santos Diretor de Inativos Dr. José Antônio Ribeiro Filho Diretor de Ação Social Drª. Olga Messias Alves de Oliveira Diretor de Relações Intersindicais Dr. Jomar Amorim Fernandes Diretor de Assuntos Acadêmicos Dr. Lineu da Costa Araújo Filho Diretora de Imprensa e Divulgação Drª. Adriana Domingues Graziano Diretor Cultural Dr. Jair Evangelista da Rocha Diretores Adjuntos Dr. Antônio Geraldo, Dr. Cantídio, Dr. Cezar Neves, Dr. Dimas, Dr. Diogo Mendes, Dr. Martinho, Dr. Olavo, Dr. Osório, Dr. Tamura, Dr. Vicente, Dr. Tiago Neiva Conselho Editorial Drª. Adriana Graziano, Dr. Antônio José, Dr. Gil Fábio, Dr. Gutemberg Fialho, Dr. Gustavo Arantes, Dr. Diogo Mendes, Dr. Osório Rangel e Dr. José Antônio Ribeiro Filho. Editor Executivo Alexandre Bandeira - RP: DF 01679JP Jornalista Elisabel Ferriche - RP: 686/05/36/DF Diagramação e Capa Pedro Henrique Corrêa Sarmento Fotos Gustavo Lima e divulgação Projeto Gráfico e Editoração Strattegia Consulting Anúncios (61) 3447.9000 Tiragem 6.000 exemplares Gráfica Mais Gráfica SindMédico/DF Centro Clínico Metrópolis SGAS 607, Cobertura 01, CEP: 70.200-670 Tel.: (61) 3244.1998 Fax: (61) 3244.7772 sindmedico@sindmedico.com.br www.sindmedico.com.br

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Opinião

Jofran Frejat Doença não é negócio

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Entrevista

Francisco Batista Jr. Pres. do Conselho Nacional de Saúde

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Fórum

Marcha dos Precatórios Sindicato contra o calote

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Jurídico

Advocacia Riedel 100% de absolvições criminais

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Capa

Pesquisa Vox Populi Saúde Pública revelada

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Itinerante

HRPa e HRT Sindicato visita hospitais

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Regionais

Santa Maria Hospital funciona precariamente

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Sindicais

Cinema & Saúde Novo projeto para o médico

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Vida médica

Sinuca Médicos bom de caçapa

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Opinião

Doença não é negócio

Jofran Frejat

Deputado Federal, Secretário de Saúde do DF por 4 vezes, membro da Frente Parlamentar da Saúde e coordenador da bancada do DF no Congresso.

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m 1979 foi iniciado o Plano de Assistência à Saúde no Distrito Federal que estabelecia o princípio da universalização, regionalização e hierarquização dos serviços públicos de saúde. Posto em prática com a construção de centros e postos de saúde, hospitais e serviços correlatos, distribuídos uniformemente de acordo com a densidade populacional, ofereceu resultados surpreendentes, não só com a facilidade de atendimento, como resposta epidemiológica expressiva. Para ter-se uma idéia, a mortalidade infantil na cidade satélite de Ceilândia, então com 300.000 habitantes, que era de 100 crianças, no primeiro ano de vida, em cada 1000 nascidas vivas, caiu para 30 em pouco mais de dois anos. Eram 70 bebês salvos a cada ano, só em Ceilândia. Os novos hospitais, a reforma dos antigos, o hemocentro, o hospital de apoio, novos equipamentos, os bons serviços de emergência, UTIs e transplantes transformaram a rede pública de saúde do DF não só em referência, mas também em preferência dos seus habitantes. E, por via de conseqüência, dos que aqui não habitavam. Até então pouco se falava em Planos de Saúde. A rede pública absorvia a demanda. O sistema de atendimento implantado no DF foi legitimado na Constituição de 1988 com a criação do Sistema Único de Saúde (SUS). Era modelo e serviu de exemplo. Não resta dúvida que o SUS foi e tem sido o maior plano de inclusão social que esse país já viu. Maior mesmo que o bolsa-família que se restringe às famílias de baixa renda. A paralisia diante da crença de uma rede de

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atendimento satisfatória em determinado momento, conduz à suspensão de sua ampliação e modernização e, consequentemente, ao seu descrédito. Assim os planos privados vão ocupando os espaços vazios. É difícil erguer uma boa reputação. Mais difícil, ainda, recuperá-la. A solução, entretanto, seguramente não passa pela entrega, ao setor privado ou a terceiros, a gerência dos serviços de saúde. A leitura para esse tipo de atitude é de que, além de driblar a lei de responsabilidade fiscal, dá-se, ao servidor público, o rótulo de incompetente, incapaz de oferecer e prestar bons serviços. A própria história dos serviços públicos de saúde de Brasília desmente essa premissa. Como explicar, por exemplo, que foram competentes em passado recente e hoje não mais o são? Onde está o nó górdio? Nos servidores ou na gerência? Será que hospitais terceirizados vão atender além de sua capacidade, colocando pacientes graves em macas nos corredores das emergências, ou vão permanecer bonitinhos e arrumadinhos, transferindo-os para os hospitais públicos que não os pode recusar? Alguém acredita que uma organização privada, social ou não, dispõe-se a administrar um hospital sem perspectiva de lucro? Aos que têm dúvida perguntem-se se essas organizações se envolvem com a medicina preventiva, como vacinação, por exemplo, que não dá retorno imediato. O lucro está nos procedimentos hospitalares de média e alta complexidade. Esses, sim, dão resposta financeira e notoriedade. Vivemos em uma sociedade em que as pessoas se mostram cada vez mais egoístas. O lema é: “eu me dando bem o resto que se dane”. Com certeza, aqueles que conseguirem se internar no hospital “arrumadinho” irão elogiar a hotelaria. Mais vale a aparência que o conteúdo. É o esvaziamento do princípio da universalização do atendimento instituído pelo SUS. O Sistema Único de Saúde, durante os seus 20 anos de existência, vem sendo sorrateiramente desconstruído, até mesmo por alguns que empunharam a sua bandeira. Tendo se mostrado socialmente inclusivo a crítica frontal tornou-se insustentável. Aos poucos foram apontando os percalços do plano que engatinhava. Paulatina e repetidamente divulgam os gargalos no acesso aos serviços de saúde, ignorando os milhões de brasileiros que até então não dispunham de qualquer atendimento e que passaram a tê-lo, aumentando, extraordinàriamente, a demanda. A quem serve a precarização do sistema de saúde público? É através dele que todos têm acesso aos serviços de saúde; não só os preventivos como os de maior complexidade, tais como transplantes, implantes, cirurgias cardíacas, medicamentos de alto custo. Minar o SUS da forma sub-reptícia como tem sido feito, proclamando apenas suas mazelas – em geral decorrente do extraordinário aumento da demanda - sem o reconhecimento do grande êxito de que se reveste, é um desserviço à população mais pobre e um bom serviço prestado aos que fazem da doença um bom negócio.

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Entrevista

“Os maiores prejudicados com a terceirização são os usuários” Por Elisabel Ferriche a reunião do Conselho Nacional de Saúde (CNS) do mês de abril seus membros deliberaram pela suspensão do repasse dos recursos do Ministério da Saúde para o Distrito Federal, caso a Secretaria de Saúde não revisse a terceirização do Hospital de Santa Maria, cuja administração foi entregue a Real Sociedade Espanhola de Beneficência, Organização Social atualmente investigada pelo Ministério Público da Bahia por desvio de recursos de um hospital público baiano administrado pela instituição. Durante os quinze dias que se seguiram a decisão, os membros do CNS não conseguiram sequer conversar com o secretário Augusto Carvalho e, diante da falta de diálogo enviaram ao ministro da Saúde, José Gomes Temporão, a resolução solicitando a suspensão do repasse de recursos ao GDF. Há três anos, o CNS é presidido por um trabalhador. Em quase 70 anos de existência, foi a primeira vez que um conselheiro é eleito para presidir o colegiado, antes sempre ocupado pelo Ministro da Saúde. Esse trabalhador é o farmacêutico Francisco Batista Júnior que tomou posse em novembro de 2006, ao fim de um processo de modernização e democratização iniciado em 2003 e coroado pela eleição de todo o colegiado, da mesa diretora e da própria presidência. Potiguar de Pau-dos-Ferros, no Rio Grande do Norte, Francisco Batista Júnior é farmacêutico há 29 anos, graduado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e pós-graduado pela Universidade Francisco Batista Júnior Federal de Pernambuco, e trabalha no Hospital Giselda Trigueiro da rede do Sistema Único de Saúde Presidente do Conselho Nacional de Saúde (SUS), em Natal. É membro da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social, da Central Única dos Trabalhadores (CNTSS-CUT) e representou o segmento dos trabalhadores da saúde e a Central Única dos Trabalhadores, respectivamente, nos conselhos Municipal de Natal e Estadual de Saúde do Rio Grande do Norte. Desde novembro de 2004, integra o Conselho Nacional de Saúde como representante titular da CNTSS. Reconduzido à presidência do CNS por duas vezes, a última por unanimidade, Francisco Batista Júnior exerce o seu terceiro mandato. Em agosto haverá eleições para a escolha dos novos membros do CNS.

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SindMédico - Porque o CNS foi contra a terceirização do Hospital de Santa Maria? Francisco – Por dois motivos. Primeiro por questões jurídicas. É fla-

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grante que não há qualquer dispositivo legal que dê sustentação à tese da terceirização da gestão do SUS e que permita, portanto, a transferência da responsabilidade da gestão do que é público para a iniciativa

privada. Segundo porque é obrigação do Estado gerir, administrar e garantir saúde à população e se isso não acontece é por total incompetência de seus gestores. Se a saúde não está boa e os gestores admitem que

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Francisco Batista Júnior – Presidente do Conselho Nacional de Saúde

são incompetentes para administrar os serviços públicos, é preciso fazer uma auto crítica, corrigir as falhas e não entregar os hospitais públicos para a iniciativa privada. SindMédico - Essa decisão de suspender o repasse de recursos do Ministério da Saúde para o Distrito Federal, caso a Secretaria de Saúde não reveja o contrato de terceirização do Hospital de Santa Maria vai prevalecer? Francisco - Os representantes do Governo se manifestaram durante o debate ocorrido no pleno do Conselho Nacional de Saúde, contra a suspensão imediata dos recursos, enquanto não forem esgotadas todas as possibilidades. Por isso decidimos constituir um Grupo de Trabalho para tentar negociar com o GDF a reversão desse processo.

te; isso antes mesmo da inauguração do Hospital de Santa Maria. Com os recursos repassados a essa empresa privada, a saúde pública do DF poderia ser melhorada substancialmente se administrada por trabalhadores do próprio quadro. SindMédico – Pelo visto, o Secretário Augusto Carvalho vai manter a decisão de terceirizar o Hospital de Santa Maria. Parece que ele não levou a sério a decisão do CNS. Existe outra medida menos dramática do que a suspensão dos repasses de recursos para o GDF? Francisco – Poderíamos ter decidido pela suspensão da autonomia de gestão do GDF dos recursos repassados pelo Ministério da Saúde de forma parcial ou total. Em função da gravidade da situação, o CNS resolveu optar pela última alternativa.

SindMédico - E quais são as possibilidades de êxito desse grupo?

SindMédico – Estão desrespeitando a Lei do SUS?

Francisco - São poucas as possibilidades do grupo conseguir sucesso, porque o Secretário Augusto Carvalho tem se mostrado irredutível. Cabe a nós cumprirmos o nosso papel de sempre priorizarmos o diálogo político até que todas as possibilidades sejam esgotadas, e também para não sermos acusados de radicalismo e sectarismo.

Francisco – Foram 20 anos de desrespeito ao SUS e de impunidade. Todos os gestores tiveram tempo para corrigir as falhas que só foram aumentando. Por outro lado, os Conselhos Municipais e Estaduais de Saúde não têm tido a atuação enérgica que deveriam, pois não é fácil fazer democracia participativa neste país com uma cultura profundamente autoritária, centralizadora e concentradora do poder, solidamente arraigada no inconsciente coletivo das pessoas e nas relações sociais e políticas. Agora, ou radicalizamos ou não conseguiremos frear as terceirizações que nada mais são do que formas elaboradas e pensadas pelos grupos dominantes para aprofundar e aperfeiçoar o processo de privatização e apoderamento do que é público pelos interesses privados de alguns poucos. São grupos parasitas que vivem às custas do patrimônio e dos recursos públicos. SindMédico – A inauguração do

SindMédico - Por falar em Secretário, na última sessão plenária, o senhor enfrentou Augusto Carvalho. O que de fato aconteceu? Francisco – Na ocasião eu disse, durante uma entrevista a um órgão de imprensa, que esse processo de terceirização é vergonhoso e escandaloso. Foram R$ 22 milhões contratados com a Real Sociedade Espanhola, para administrar o Hospital Santa Maria por um período de dois anos, um valor suficiente para construir quase dois hospitais do mesmo por-

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Entrevista Hospital de Santa Maria, mesmo que precariamente, contra pareceres do Ministério Público preocupa? Francisco – O que está acontecendo no Hospital de Santa Maria é a propagação dos escândalos que estamos vendo pelo Brasil afora como Bahia, São Paulo, Pará e Tocantins, onde as terceirizações da saúde deixaram a população refém e desassistida. Em São Paulo, no início do ano, uma juíza se manifestou contrária à terceirização e mesmo assim ela continua no Estado. O que está acontecendo é a entrega do que é público para o setor privado. É a forma mais abominável de privatização, pois entrega o patrimônio público e ainda repassa recursos financeiros para o privado administrar com absoluta autonomia de contratação de trabalhadores, burlando o dispositivo constitucional do concurso público, e de compra de insumos, medicamentos e material médico hospitalar. É um escracho, um escândalo, uma violência às leis e um insulto à inteligência das pessoas. SindMédico - Se isso está errado, porque ainda acontece ? Francsico - O usuário do SUS precisa acordar para o que está ocorrendo. Para ele, ainda não importa o que está acontecendo em relação às terceirizações. É um equívoco o usuário pensar assim. As terceirizações além de financeiramente lesiva aos seus interesses, são uma ameaça aos usuários do SUS, pois a universalização que o Sistema Único de Saúde assegura é duramente violentada. O serviço privado, pela sua própria natureza, jamais vai atender o usuário da saúde pública de forma universal. A população não foi suficientemente informada e educada para entender, ver e questionar o que está acontecendo. Os maiores prejudicados com a terceirização são os usuários que ficarão com a assistência à saúde cada vez mais comprometida.

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Fórum

SindMédico/DF na marcha contra PEC dos precatórios

Médicos participaram da passeata com advogados

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Sindicato dos Médicos do Distrito Federal esteve presente na Marcha em Defesa da Cidadania e do Poder Judiciário que reuniu mais de 2 mil pessoas entre advogados, magistrados, sindicalistas, médicos e estudantes de Direito. A passeata contra a PEC dos Precatórios, promovida pela Ordem dos Advogados do Brasil, no dia 6 de maio, com o apoio de 170 entidades, inclusive o SindMédico/DF, percorreu os três quilômetros que separam a sede da OAB Nacional, na L2 Sul, em Brasília, e o Congresso Nacional, passando pela Esplanada dos Ministérios. A passeata foi em protesto contra a Proposta de Emenda à Constituição nº 12, a chamada PEC do Calote dos Precatórios, já aprovada no Senado e em tramitação na Câmara dos Deputados.

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Portando inúmeras faixas com críticas à proposta e à não-quitação dos precatórios, estiveram presentes o presidente nacional da OAB, Cezar Britto, o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Mozart Valadares e da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), Cláudio José Montesso. Vários médicos e o diretor financeiro do Sind Médico/DF, Gil Fábio também estiveram presentes. No Congresso Nacional, o presidente da OAB, Cezar Britto, foi recebido na rampa do Congresso pelo presidente da Câmara, deputado Michel Temer, a quem entregou um manifesto das entidades contra a aprovação da PEC dos Precatórios. Caso seja aprovada, a PEC dos Precatórios vai possibilitar que os governos devedores não paguem os precatórios, cria um leilão para que os credores recebam menos do que têm direito, colocando os demais no fim da fila. O deputado Michel Temer se comprometeu a realizar audiência pública e discutir os termos da PEC dos Precatórios com a sociedade civil antes de colocá-la em votação - ao contrário do procedimento no Senado, onde foi aprovada a toque de caixa e na calada da noite, como observou o presidente nacional da OAB.

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Fórum

O defensor da privatização

Contrário no passado, Augusto Carvalho agora pratica a medida

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o dia 22 de abril, em artigo publicado na Revista Veja, o economista e ex-ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega defendeu, a privatização do Banco do Brasil, já que não existe mais um mercado que exija um BB estatal. O que será que o atual secretário de saúde e ex-funcionário do Banco do Brasil, estará pensando sobre este assunto? Ele que sempre defendeu o Banco do Brasil como instituição estatal, mesmo depois de ter deixado a instituição para se tornar político, pode ser que agora, como defensor da privatização do Hospital de Santa Maria, tenha mudado de idéia, pois desde que assumiu a Secretaria de Saúde tem sido um ferrenho defensor

da privatização da saúde como única alternativa de melhorar o atendimento à população. Questionado sobre o assunto, o secretário Augusto Carvalho preferiu se omitir quanto a proposta levantada por Maílson da Nóbrega, com a justificativa de que agora cuida da saúde do Distrito Federal. Os tempos de bancário já se foAugusto Carvalho ram e com eles a defesa das instituições públicas, sejam elas financeiras ou de saúde. Leia na íntegra o artigo do ex-ministro, publicado na Revista VEJA:

É hora de privatizar o Banco do Brasil?

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recente ingerência no Banco do Brasil frustrou quem achava que ele estava protegido conta o populismo inconseqüente. Ao emitir a ordem para baixar os juros e expandir o crédito, o governo agiu como se fosse dono do banco e não o seu acionista controlador, condição que não inclui o poder de ditar políticas prejudiciais a instituição e aos acionistas Maílson de Nóbrega minoritários. Bancos estatais se justificam se o mercado não é capaz de prover o credito e o sistema de pagamentos. A Inglaterra e os Estados Unidos, onde não havia essa falha de mercado, enriqueceram sem dispor dos bancos públicos. Países europeus criaram bancos comerciais estatais para se industrializar, mas praticamente todos já foram privatizados. Nas suas três encarnações, o BB supriu falhas no mercado. Na primeira (1808), ofertava moeda divisionária para atender as necessidades do comércio do Rio de Janeiro, que se expandia com a chegada da família real. Na segunda (1851) – Quando foi fundado pelo barão de Mauá e depois estatizado – concedia crédito, modestamente (no fim do século XIX, possuía cinquenta funcionários). Foi na terceira fase (1905) que o BB começou a funcionar como poderoso instrumento do governo. A criação da Carteira de Redescontos em sua estrutura (1921) lhes deu funções de banco central, que manteria até 1986. Era o começo de uma sucessão de arranjos institucionais que lhes garantiam fartos recursos oficiais para cumprir a sua missão. A arrancada para o longo período de glórias ocorreu na era Vargas. Nessa terceira encarnação, o BB se tornou o maior banco do país e o principal supridor de crédito para a agricultura, a indústria e o comércio. Como advento do Banco Central, em 1965, um defeito de interpretação da respectiva lei permitiu que passassem a receber recursos ilimitados, a custo zero, por uma “conta de movimento” do BC. A adquirir, assim, a capacidade de conceder subsídios creditícios em larga escala.

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Durante três décadas, o crédito do BB se expandiu sem parar. Seus lucros cresceram. Tornou-se um dos oitos maiores bancos do mundo. Tudo isso cobrando juros muito baixos dos de mercado e com uma onerosa estrutura para atender a orientação do governo. A situação, pouco lógica e muito custosa para os brasileiros, era disfarçada pelos ganhos do BB com a “conta de movimento” e a inflação. A “conta”ficou insustentável e, em 1986, foi extinta. Por isso, o BB foi autorizado a operar e buscar receitas em todas as áreas do sistema financeiro. Era preciso tempo, mas em meio à transição, em 1994, veio o Plano Real, eliminando as rendas inflacionárias. O BB quebrou na prática, mas foi salvo da falência com bilhões dos contribuintes. Sem suas duas grandes fontes de lucro, mas capitalizado pelo Tesouro, o BB deparou com o desafio de se viabilizar. Enxugou seus quadros, modernizou a gestão, diversificou-se e investiu fortemente em tecnologia. Foi a grande revolução de sua historia. O BB perdeu as vantagens do suprimento de recursos do governo, mas continuou com o ônus de organização estatal: fiscalização do Tribunal de Contas, submissão as regras concorrência públicas e mudança freqüente de administração. Era impossível livrar-se desses custos, mas cumpria blindar-se contra a ingerência política nas operações. Criou-se um departamento de análise de risco de crédito. O crédito foi segregado da área comercial. Aperfeiçoou-se a área de finanças para reforçar o caráter técnico de suas recomendações. As decisões se tornaram colegiadas em todos os níveis. O Tesouro assumiu os custos de subsídio creditícios. Viu-se agora que essas barreiras eram frágeis e seu desmonte para entender a “obsessões” do governo (ou objetivos eleitorais?) conta com um forte incentivo: uma nova ruína do banco somente aconteceria em próximas administrações. Já não existe falha do mercado que exija um BB estatal. A ingerência do governo indicou que é preciso protegê-lo definitivamente. A saída mais óbvia é a privatização, embora ainda a sociedade não perceba. A mudança mental requer tempo, talvez mais de uma geração, mas parece ter chegado a hora de começar a discutir a ideia.

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Jurídico

Advocacia Riedel garante aos médicos 100% de absolvição

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esde que assumiu as ações criminais do SindMédico/DF, há dois anos, a Advocacia Riedel garantiu um resultado positivo em 100% das ações. Dos 193 processos médicos, 72 foram concluídos sem que nenhum médico tenha sido condenado. São ações de homicídio culposo e lesão corporal culposa promovidas pela Procuradoria de Defesa dos Usuários dos Serviços de Saúde (Provida), do Ministério Público do Distrito Federal. Para a advogada Cristiane Dibe, responsável pela área criminal da Advocacia Riedel, este resultado demonstra a eficiente atuação da defensoria contratada pelo Sindmédico/DF como a inconsistência das denúncias. “Os pacientes se julgam vítimas de tudo, desde um atendimento rápido até o que eles consideram um possível descaso, e o que poderia ser resolvido administrativamente, acaba em processo porque a maioria dos pacientes procura o Ministério Público”. Devido ao importante papel que desempenha, o Ministério Público deveria também verificar as condições de trabalho dos médicos, em especial da rede pública, onde os processos são maioria. Os resultados mostram que os médicos não podem ser responsabilizados pela falta de estrutura física, ausência de tecnologia e pessoal. Atualmente os médicos da rede pública trabalham sem condições mínimas de atendimento o que gera uma enorme demanda de reclamações. Por esta razão, os advogados recomendam que os médicos tenham maior cuidado nos preenchimentos dos prontuários, o grande aliado contra os médicos.

Cristiane Dibe, advogada responsável pela área criminal da Advocacia Riedel.

São as seguintes as recomendações dos advogados: Detalhe os prontuários, com data, horário, o nome do acompanhante e as dúvidas surgidas ao determinar um diagnóstico; Os exames solicitados devem ser detalhados; Todos os procedimentos feitos devem ser escritos; Assine os prontuários, até mesmo os eletrônicos; Os residentes devem colocar nos prontuários que os staffs foram comunicados de todos os procedimentos realizados.

Dívidas não pagas

O SindMédico/DF e o Escritório Riedel já estão ajuizando ações de cobrança e execução em relação às dívidas já reconhecidas pelo GDF em processos administrativos, que estão pendentes de pagamento, aguardando apenas recursos financeiros e a inclusão em folha suplementar. Os sindicalizados interessados devem apresentar

a cópia do procedimento administrativo onde ficou reconhecido o direito, e o termo de reconhecimento de dívida publicado no Diário Oficial, bem como os seguintes documentos: cópia da carteira de identidade, cópia do CPF e procuração com firma reconhecida, que estará à disposição na Assessoria Jurídica do SindMédico/DF.

Licença Prêmio

A Secretaria de Saúde acatou o parecer da Procuradoria de Pessoal do DF, nº 456/2007 de que é possível converter em pecúnia os períodos de licença prêmio adquiridos e não usufruídos e não integralizados para fins de aposentadoria. O entendimento da SES foi revisto em função de orientação firmada pelo Supremo Tribunal Fe-

deral, que reconheceu esse direito dos servidores. O médico sindicalizado que tiver qualquer dificuldade em ter reconhecido o direito de receber em pecúnia as licenças prêmio não usufruídas, devem procurar a Assistência Jurídica do SindMédico/DF para as providências cabíveis.

Plantão da Assessoria Jurídica: 0800.601.8888

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Jurídico

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Aposentadoria especial

s médicos da União, que são sindicalizados, que exerçam atividade insalubre, terão direito à aposentadoria especial. A ministra Ellen Gracie, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu parecer favorável ao mandado de injunção 837, impetrado pelo Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico/DF) pleiteando o benefício. A decisão é definitiva e não cabe recurso. Os médicos que têm direito à contagem diferenciada do tempo de aposentadoria em função de trabalho exercido em condições insalubres, deverão solicitar este direito junto ao Departamento de Recursos Humanos de onde trabalha. O mês passado, o STF decidiu permitir que os pedidos de aposentadoria de servidores públicos que trabalham em condições insalubres e de periculosidade sejam concedidas de acordo com as regras do artigo 57

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Horário do ambulatório

Secretaria de Planejamento da SES informou ao presidente do SindMédico/DF, Gutemberg Fialho, que os chefes definirão as mudanças de horário previstas em portaria. A adequação do horário de funcionamento dos ambulatórios pode ser cumprido em dois turnos

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da Lei 8.213/91, que regulamenta a aposentadoria especial de celetistas. A decisão foi tomada porque embora o benefício esteja previsto na Constituição Federal, até hoje não foi regulamentado. O STF determinou que os pedidos de aposentadoria especial dos servidores públicos devem ser decididos pelos ministros relatores, sem a necessidade do processo ser julgado em plenário, e dependem de o interessado provar que cumpre os requisitos legais para a concessão do benefício. A decisão do STF que beneficia os médicos sindicalizados foi publicada no DOU do dia 19/06. Em outro mandado de injunção, nº 836, cujo relator é o ministro Carlos Britto, o SindMédico/DF pede que o Supremo reconheça os mesmos direitos para os médicos do GDF. Esse mandado deverá ser julgado nos próximos dias.

de cinco ou de quatro horas a critério da chefia imediata. Gutemberg solicitou para que a Portaria que dispõe sobre a carga horária de trabalho dos médicos da SES nos Centros de Saúde seja rediscutida com a classe médica. Entre as determinações da Portaria, às 40 horas dos médicos em cargo de chefia deverão ser cumpridas em horário comercial.

Benefício alimentação

SindMédico/DF vai entrar com uma ação na Justiça contra o Governo do Distrito Federal para impedir a devolução do benefício alimentação recebido em duplicidade pelos médicos da Secretaria de Saúde, que possuem dois vínculos empregatícios. A Assessoria Jurídica do sindicato alega na ação, a boa fé do servidor que não deu causa ao recebimento supostamente indevido, cujos valores já foram prescritos. Muitos médicos entraram com recurso administrativo com efeito suspensivo e deverão aguardar a decisão dos recursos para somente após o in-

deferimento interpor mandado de segurança. O SindMédico/DF informa que os médicos sindicalizados que foram notificados pelo GDF para a devolução do benefício alimentação, deverão procurar a Assessoria Jurídica do sindicato para evitar a cobrança. Para isso é necessário apresentar os seguintes documentos: Procuração (minuta disponível no SindMédico/DF) Cópia do RG e CPF; Cópia do Processo Administrativo em que se deu a notificação para a devolução ao erário.

MÉDICO AGREDIDO DEVE DENUNCIAR O SindMédico/DF quer dar mais suporte jurídico aos médicos agredidos durante o trabalho. Para isso está fazendo um levantamento das agressões sofridas pelos colegas. Se o doutor foi agredido verbalmente ou fisicamente, mesmo que o fato não tenha gerado um Boletim de Ocorrência, entre em contato com o sindicato para informar os motivos, as circunstâncias e o local da agressão. O médico não será identificado, mas os dados farão parte de um relatório estatístico que o SindMédico/DF irá elaborar para buscar as providências cabíveis seja no Executivo, no Legislativo e no Judiciário. Doutor, não se omita.

Denuncie!

Ligue para 3244-1998 ou envie a sua denúncia pelo e-mail: gerencia@sindmedico.com.br

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Capa

A dura verdade da saúde pública do DF Por Alexandre Bandeira

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Sindicato dos Médicos do Distrito Federal contratou o instituto Vox Populi para fazer, de maneira inédita, uma grande pesquisa com os usuários dos hospitais e centros de saúde da rede pública da cidade e o que encontrou foi uma situação de caos diante das pessoas que mais necessitam da rede. O objetivo do trabalho foi o de avaliar a percepção dos pacientes quanto os serviços prestados pelo governo na área da saúde, detectando os principais problemas tanto do setor eletivo quanto na emergência e quem foram apontados como os principais responsáveis por esta situação. Veja a seguir os principais pontos da pesquisa realizada:

a) Perfil de quem procura a rede pública de atendimento: De 100% dos entrevistados 53% são mulheres e 46% são homens, sem predominância entre faixas etárias. -Sobre o perfil sócio econômico, 48% delas ganham entre um e dois salários mínimos e apenas 4% possuem ensino superior. 57% estão no grupo da População Economicamente Ativa (PEA), sendo 32% de empregados de empresa privada e 22,8% de autônomos/profissionais liberais. Leia-se que neste último grupo estão pessoas com alta predominância de trabalho informal, fora da rede de proteção do sistema. No geral, vê-se que são pessoas que recorrem a rede pública por não possuírem outra alternativa de atendimento, em virtude das baixas condições de remuneração, escolaridade ou de estarem cobertas com planos de saúde em suas empresas.

b) Avaliação do Sistema público de Saúde: Avaliação da situação da saúde no Distrito Federal (escala de 5 pontos agregada) 52,8%

avaliaram negativamente a situação da saúde no Distrito Federal, com 28% de indicações regulares e somente 19% de positiva. Isso demonstra que as populações mais carentes não aceitam receber um sistema de má qualidade. O contraponto está justamente no quesito atendimento. Quando se trata do atendimento recebido nos hospitais e centro de saúde, o indicador de positivo sobe para 37,5%, enquanto o regular passa para 32,5% e o negativo para 30%. Quando o questionamento se aplica somente aos médicos, o indicador de positivo sobe a 63,5%, o de regular cai para 20,5% e o de negativo para 16%. Estes dados trazem o fato de quem está segurando o mínimo de qualidade nos hospitais, são as pessoas que trabalham nele, principalmente os médicos, mesmo quando as condições para atuação são adversas. Quando se analisa estimuladamente a concordância dos pacientes frente as questões que envolvem esta disparidade entre a qualidade do sistema e o atendimento recebido, vê-se que os problemas que mais contribuem negativamente são: qualidade dos equipamentos; recepção, acomodação e leitos; rapidez no atendimento; falta de medicamentos e estrutura física. No outro extremo os de maior positividade, são o respeito e a competência dos médicos; a solução dos problemas, a sensação de segurança, as informações prestadas e a boa educação e gentileza dos funcionários. Avaliação estimulada do atendimento Avaliação geral: 32,2%

Regular

Negativa

NS/NR

Base: 100% dos entrevistados

A pesquisa revela que as pessoas querem que a rede pública possa acolhê-las de melhor maneira. 52,8%

12

NS/NR

22%

41% 35,5%

29%

33,8%

24,3%

33%

29%

24,5%

0,3% 0,3%

40%

6,5%

49,8%

32,5% 24,5%

35,3%

43,5%

22,8%

27%

0,3%

34,5%

26%

27,5%

31%

41,8%

32,5%

30,5%

16,8%

30,5%

27,8%

38,8% 49%

1,8% 9,8%

Base: 100% dos entrevistados

0,3% Positiva

Negativo

47,5%

A solução do seu problema A sensação de segurança, durante a permanência no hospital/centro de saúde As informações prestadas pelos profissionais do hospital A boa educação/gentileza dos funcionários do hospital A qualidade da estrutura física do prédio do hospital/centro de saúde A disponibilidade dos medicamentos necessários para o atendimento

A recepção, acomodação e leitos oferecidos A qualidade dos equipamentos disponíveis - aparelhos etc

19,0%

Regular

Avaliação O respeito e a competência dos médicos pelos pacientes

A rapidez no atendimento

28,0%

Positivo

c) Má gestão como causadora dos problemas na rede pública: Investigando alguns dados importantes, o que mais sobressalta é a capacidade da rede pública em fazer o usuário esperar, principalmente quando o paciente mais precisa. Para se ter uma idéia, o paciente que chega

Maio / Junho 2009


Capa para atendimento eletivamente precisa esperar 2 horas e 21 minutos, enquanto o que recorre a emergência precisa de 3 horas e meia para ser socorrido, para uma fila de 16 pessoas. Detalhe: deste tempo, 43 minutos gastos somente na recepção para receber o primeiro atendimento. Ou seja, fazer a ficha. Um sistema mais inteligente de gestão poderia melhorar esta situação. A entrevista revela que somente 19,5% dos pacientes passaram por uma triagem. Isso quando as pessoas não precisam retornar novamente ao hospital. Uma em quatro pessoas do sistema eletivo já teve agenda desmarcada pela ausência de médicos nos hospitais. Aliás, a falta de médico foi apontada como o principal problema a ser resolvido pela rede pública, seguido de falta de medicamento, equipamentos e investimentos na construção e reformas de unidades de atendimento. Dentro deste escopo temos que um em cada cinco pacientes tiveram o medicamente prescrito pelo médico, mas não conseguiram na unidade de saúde.

Maior responsável pela situação da saúde pública no Distrito Federal maior responsável pela situação atual da saúde pública do DF ( espontânea)

6%

Secretário da saúde (Augusto Carvalho) Administradores dos hospitais Funcionários públicos na área de saúde Médicos da saúde pública Governo federal e Governo estadual

3,5% 3% 2,5% 2,3% 4,5%

Outros NS

4,3%

Base: 100% dos entrevistados

Concordância sobre a responsabilidade pela situação da saúde pública no Distrito Federal (escala de 5 pontos agregada) Concorda

Avaliação geral do atendimento dos médicos (variável criada) (escala de 5 pontos agregada)

13%

Governo federal (Presidente Lula)

d) De quem é a responsabilidade? A pesquisa cuidou de ouvir o paciente, para saber dele de quem é a culpa pela situação do sistema público de saúde. Em um primeiro momento, quando a indagação é feita de maneira estimulada, 85% concordam que a responsabilidade é do GDF, 71,8% dos funcionários, 70,3% da administração do hospital, 52,8% dos médicos e 33,5% dos próprios pacientes. Para esta indagação valia concordar ou discordar com mais de um item. Quando a questão foi feita de maneira espontânea – ou seja, o paciente cita por conta própria quem ele destaca com o maior responsável, o governador José Roberto Arruda aparece com 61% seguido pelo presidente Lula (13%) e do Secretário de Saúde (6%).

61%

Governador do estado (José Roberto Arruda)

Não concorda, nem discora

Discorda

NS/NR

Concordância A responsabilidade pelo mau atendimento é do Governo do DF que não investe recursos na Saúde da população

85%

7% 7,3% 0,8%

A culpa pelo mau atendimento é dos funcionários que não atendem bem os pacientes

71,8%

13%

A responsabilidade do mau atendimento é dos diretores que não administram bem os hospitais

70,3%

16,3%

A culpa pelo mau atendimento é dos médicos que não sabem atender os pacientes O problema do mau atendimento é dos pacientes que superlotam os hospitais sem necessidade

52,8%

33,5%

19,5%

16,8%

15,3%

12,5%1%

27,5%

0,3%

49,8%

Base: 100% dos entrevistados

Avaliação do atendimento do hospital/centro de saúde (escala de 5 pontos agregada)

63,5%

37,5% 32,5%

20,5%

Positivo se: 100% dos entrevistados

Regular

30%

16%

Negativo

Positivo

Regular

Negativo

Base: 100% dos entrevistados

Ficha técnica:

A pesquisa foi feita em trabalho de campo com 400 questionários aplicados junto a pacientes nos hospitais da rede pública do DF nos dias de 11 a 15 de maio, considerando o volume de atendimento feito pelas unidades e a distribuição entre atendimentos eletivos e de urgência, de acordo com dados estatísticos de setembro de 2008 da SES/DF. A pesquisa apresenta uma margem de erro de 5% e intervalo de confiança de 95%.

Revista Médico

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Itinerante

Paranoá e Taguatinga recebem Sindicato Itinerante canti, percorreram às dependências do Hospital do Paranoá, na companhia do diretor Carlos Augusto Veloso, e ouviram as reivindicações dos médicos. No dia 20 de maio, Dr. Gutemberg Fialho ouviu às reivindicações dos médicos de Taguatinga, junto com a Dra. Mariângela Cavalcanti, Dr. Antônio José e Dr. Martinho. Entre as propostas apresentadas pelos médicos, a de que o sindicato precisa manter a forte atuação que vem tenMédicos obtiveram atendimento no local de trabalho do na defesa dos médicos junto à Secretaria de Saúde. Hospital Regional do Paranoá foi o Muitos dos que visitam o estande não saprimeiro a receber a visita do Sin- dicato Itinerante, nos dias 4, 5 e 7 biam que o SindMédico/DF tem convênios com de maio. Depois foi a vez do Hospital Regional de instituições de ensino, farmácias, possui uma EsTaguatinga nos dias 19, 20 e 21 de maio. Durante cola de Informática e ainda oferece um seguro deesses períodos, os médicos puderam atualizar o cadastro, se informar sobre os convênios e os benefícios oferecidos aos médicos e seus familiares e fazer inscrição para os cursos de informática do SindMédico/DF. A idéia de fazer com que o sindicato fique mais perto dos médicos e possa ouví-los em suas reivindicações foi conseguida. “A proposta é levar o Sindicato Itinerante a todos os hospitais de Brasília até o final do ano, para aproximá-lo do doutor”, informou o presidente do SindMédico/ DF, Gutemberg Fialho. Sindicato foi recebido pelos diretores nos hospitais No dia 7 de maio, o presidente do SindMédico, o diretor de Assuntos Acadêmicos, Lineu Araújo Filho e a conselheira Mariângela Caval- cesso, que cobre as despesas de funeral, em caso de morte do médico sindicalizado. Os jovens médicos não sindicalizados também comparecem ao do SindMédico/DF interessados em conhecer o trabalho feito pelo sindicato em favor da classe. Na oportunidade, muito deles aproveitaram e preencheram a ficha de filiação. Todos que visitaram o Sindicato Itinerante estarão concorrendo a uma TV 42''. As datas em que o projeto irá percorrer os demais hospitais serão divulgadas com anteceColegas conversaram com o presidente durante as dência por e-mail, no nosso site na Internet e no visitas próprio hospital.

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Maio/ Junho 2009


Capa

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Aconteceu

O médico do trabalho nos processos judiciais “O médico do trabalho como assistente técnico em processos judiciais” foi o tema da palestra proferida pelo Dr. Gutemberg Fialho (foto), presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal. A palestra faz parte das reuniões científicas da Associação Brasiliense de Medicina do Trabalho (ABRAMT) e foi realizada no último dia 29 de abril, no auditório do SindMédico/DF. Na oportunidade, Dr. Gutemberg falou sobre a importância do perito como aliado do Judiciário nas ações judiciais. Participaram do evento, peritos oficiais de Órgãos Federais e do GDF, assim como os afiliados da Sociedade Brasiliense de Médicos Peritos.

Simpósio Brasileiro de Unidades Vasculares Brasília foi sede do Simpósio Brasileiro de Unidades Vasculares, promovido pela Academia Brasileira de Neurologia, realizado em abril, no Centro de Convenções. O diretor de Assuntos Acadêmicos, Lineu da Costa Filho representou o SindMédico/DF na abertura do evento. Na oportunidade, neurologistas de todo o país

discutiram a possibilidade de padronizar o atendimento das doenças neurológicas e cardiológicas agudas com o objetivo de reduzir o grau de seqüelas. A presidente da Academia, Elza Tosta, disse que o diagnóstico precoce das doenças neurológicas não só reduz as sequelas como melhora no tratamento.

Médicos ganham espaço nobre para eventos

Os médicos do DF têm um novo espaço para realizar seus eventos: é o Centro de Atividades Científicas e Culturais da AMBr, inaugurado no Clube do Médico, no dia 29 de maio, como parte das comemorações dos 50 anos da AMBr. A classe médica compareceu em peso ao evento, prestigiado pelo presidente do SindMédico/DF, Gutemberg Fialho e toda a diretoria. Com instalações modernas e arrojadas e equipamentos de multimídia de última geração, o Centro possui um auditório com capacidade para 400 lugares e seis salas multifuncionais de diferentes tamanhos totalmente equipadas com sistema de áudio e vídeo. Ele compõe o complexo administrativo da AMBr, construído em uma área de 8.000 m2, onde fica a nova sede administrativa, inaugurada no dia 6 de fevereiro. O presidente da AMBr, Laírson Rabelo lembrou a importância do complexo como “um dos maiores do país”, facilitando o congraçamento e a educação continuada da classe médica.

Prêmio Anchieta de Excelência 2008

Foi realizada no dia 28 de maio, no Espaço da Corte, a cerimônia de entrega do Prêmio Gestor de Excelência/2008, do Hospital Anchieta. O evento contou com a presença da classe médica e de diversas autoridades. O diretor jurídico, Antônio José, representou o SindMédico/DF. Foram agraciados nas categorias Bronze, Dr. Artur David Figueiredo, Clínica Cirúrgica de Taguatinga; Prata, Dr. Gustavo Miziara, Clínica Cotta, e na categoria Ouro a vencedora foi a Fisioterapeuta Tatiana Rodrigues Cardoso, Fisioterapia Anc. O Prêmio Gestor de Excelência é uma iniciativa do Hospital Anchieta que desenvolveu um programa, baseado nos critérios do Programa Nacional de Quali-

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dade, PNQ, que visa alinhar a gestão de todos os coordenadores de especialidades médicas ao Sistema de Gestão pela Qualidade Anchieta, que rege o Hospital desde 1998. Como incentivo à participação, o Hospital oferece aos melhores colocados troféus e prêmios nas categorias Ouro, Prata e Bronze. Os critérios para a escolha dos vencedores são relacionados com o desempenho da Clínica e o padrão de Excelência do Hospital, conquistado nos últimos dez anos com certificações de diversas entidades de Acreditação brasileiras e internacionais. Os aspectos ressaltados no programa são: Liderança, Estratégias e Planos, Cliente, Sociedade, Informações e Conhecimento, Pessoas, Processos e Resultados Internos.

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Aconteceu

Sistema NuBoom no Hospital Brasília O mais moderno padrão de sala cirúrgica existente nos Estados Unidos entrou em operação no Brasil, no dia 27 de maio. Ela é resultado de um investimento de R$ 2 milhões do Hospital Brasília. Batizada de NuBoom (contração das palavras New e Boom), a novidade foi apresentada a cirurgiões em uma visita guiada ao espaço com clima futurista - sem ângulos retos, sem fiações visíveis, com iluminação especial e som ambiente. A representante do SindMédico na visita a NuBoom foi a diretora de imprensa, Adriana Graziano. O design avançado surpreende por si só. Um painel touch screen controla seis monitores LCD de alta definição. Do total, quatro de 23 polegadas destinam-se à exibição e dois são designados para controle. Todas as imagens são geradas pela Excera II, a primeira câmera cirúrgica totalmente autoclavável, cuja resolução é de 1080 DPI. Outra vantagem da tecnologia é a adaptabilidade. “O NuBoom é compatível com qualquer tipo de endoscópio flexível”, descreve Bernardo Medrado, técnico responsável pela instalação. Renato Sabbag, Coor-

denador do Centro Cirúrgico e responsável pelo projeto, explica que a plataforma trará mais segurança e precisão aos procedimentos. “O sistema define e monitora todos os parâmetros. Com isso nos equiparamos aos melhores hospitais americanos”, argumenta.

Foi realizada no dia 6 de maio, na Mansão Atrium, no Park Way, a tradicional festa dos anestesiologistas promovida pela Copanest, Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas do Distrito Federal. Como acontece todos os anos, os médicos aproveitam o momento para uma grande confraternização da especialidade, motivo de reencontro com colegas de vários hospitais, que por

força do trabalho, dificilmente se reunem. O presidente da Copanest, José Silvério Assunção, organizou uma festa bonita e bastante concorrida com a presença de cerca de 500 médicos. O SindMédico/DF foi representado pela diretora de imprensa, Adriana Graziano. Na oportunidade houve vários sorteios de inscrições para cursos, congressos e jornadas da especialidade.

Copanest faz festa concorrida

Inauguração do HOME

Brasília ganha um hospital especializado em ortopedia, comparado aos melhores empreendimentos deste segmento no país. A iniciativa é do empresário Nabil Charter em parceira com o médico ortopedista Paulo Lobo, reconhecido na cidade por sua atuação na medicina desportiva. A inauguração contou com a presença de autoridades da cidade, entre elas o presidente do SindMédico/DF, Gutemberg Fialho (foto). o Home (Hospital de Ortopedia e Especialidades Médicas) fica na 613/Sul e conta com toda infra-estrutura de leitos, apartamentos, fisioterapia, imagem e laboratório.

Academia de Medicina recebe diretores da ESCS

Foi realizada no dia 14 de abril, no auditório da Associação Médica de Brasília (AMBr), uma exposição do professor Murad Ibrahim, diretor da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS) sobre a possibilidade de privatização da FEPECS, pretendida pelo Governo. A exposição foi apresentada aos membros da Academia de Medicina de Brasília (AMB), durante sessão solene da entidade por solicitação da ESCS. Também participaram

diretores das entidades médicas, do Centro Acadêmico da ESCS e o presidente do SindMédico/DF, Gutemberg Fialho. O presidente da AMB, José Leite Saraiva disse que o assunto é polêmico e que os membros da Academia vão discutí-lo para que a entidade tenha uma posição oficial. No entanto ele informou que o foco da discussão devem ser os alunos da ESCS que não podem ser prejudicados.

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Regionais

Hospital de Santa Maria funciona precariamente

A

s entidades médicas e de saúde vão continuar mobilizadas para evitar o mesmo erro que vem ocorrendo em outros Estados: a privatização da saúde que prejudica o atendimento à população. É isso que estão querendo fazer com o recém inaugurado Hospital de Santa Maria, cuja administração foi entregue à Organização Social (OS) Real Sociedade Espanhola. Embora tenha sido inaugurado no dia 23 de abril, com toda pompa e circunstância, o Hospital de Santa Maria ainda está longe de ser um hospital. Apenas o ambulatório está funcionando, mesmo assim, precariamente. O Hospital não possui pronto-socorro, cirurgias, maternidade e algumas especialidades indispensáveis ao seu funcionamento. Várias foram às tentativas de impedir a sua inauguração a fim de evitar prejuízos à população. A primeira delas foi iniciativa da promotora Cátia Vergara, titular da 2ª Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde (Prosus), do Ministério Público (MPDFT), que mandou suspender o contrato de gestão firmado entre o GDF e a Organização Social Real Sociedade Espanhola de Beneficência, firmado em 21 de janeiro de 2009, e proibiu o repasse de qualquer recurso público para a execução do mesmo até a decisão definitiva da ação que examina o contrato. Na decisão, a promotora alegou que a contratação da OS foi realizada sem licitação, sem audiência pública e sem autorização do Conselho de Saúde do Distrito Federal. Na noite anterior à inauguração, no dia 22 de abril, o presidente do Tribunal de Justiça do DF (TJDFT), desembargador Nívio Gonçalves, suspendeu a liminar do juiz da 8ª Vara da Fazenda Pública que havia sustado os

efeitos do contrato firmado entre a Secretária de Saúde e a OS, responsável pela gestão do Hospital de Santa Maria,

Santa Maria só oferece ambulatório possibilitando que ele fosse inaugurado conforme estava previsto. “O Sindicato dos Médicos ficou apreensivo com esta decisão porque coloca em risco o dinheiro público e a saúde da população”, disse o presidente do SindMédico/ DF, Gutemberg Fialho. O desembargador Nívio Gonçalves considerou “presentes os pressupostos que justifiquem a suspensão da liminar, uma vez comprovada a iminência de grave lesão à ordem pública, à saúde e a coletividade”. Com essa decisão, o Hospital de Santa Maria foi inaugurado, mesmo que precariamente e sem o atendimento à população.

Contrato com Real Sociedade Espanhola é questionado pelo TCDF

N

o último dia 5 de maio, o plenário do Tribunal de Contas do DF decidiu por 4 votos a 2, acompanhando a relatora do processo, conselheira, Anilcéia Machado, pedir mais informações sobre o contrato do GDF com a Real Sociedade Espanhola para administrar o Hospital de Santa Maria. A denúncia das irregularidades foi feita pela promotora geral do Ministério Público de Contas do DF, Cláudia Fernanda de Oliveira Ferreira, com representação encaminhada pelos Sindicatos dos Médicos, Enfermeiros, Odontólogos e servidores da saúde contrários a privatização do Hospital de Santa Maria. Entre as denúncias estão a dispensa de licitação para a contratação de empresa privada para gerir hospital público, ausência de publicidade dos motivos para a contratação da empresa; falta de uma planilha de custo que justifique o repasse de R$ 222 milhões de recursos públicos para a Real Sociedade e aumento de 39% no valor total dos insumos adquiridos, em relação ao pedido de licitação anterior. O conselheiro Renato Rainha, cujo voto divergente foi vencido, acompanhado apenas pelo conselheiro Ronal-

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do Costa Couto, queria suspender imediatamente os serviços do Hospital de Santa Maria até a decisão final do TCDF “a fim de evitar danos financeiros irreparáveis ao GDF”. Ele também quis saber da SES porque a Procuradoria do DF não deu parecer ao contrato com a Real Sociedade Espanhola, não houve audiência pública para discutir a terceirização, nem manifestação favorável do Conselho Nacional de Saúde. “Se o GDF tem dinheiro para repassar R$ 222 milhões a OS, então também pode administrá-lo”, disse Renato Rainha. O conselheiro também questionou o fato da empresa estar realizando concurso para a contratação de profissionais quando há 2.225 candidatos aprovados a espera de uma vaga na saúde. Na sessão do TCDF, o presidente do SindMédico/ DF, Gutemberg Fialho, pediu aos conselheiros que vote contra a viabilidade do contrato entre a SES e a Real Sociedade Espanhola, pois, segundo ele, a privatização da saúde no Brasil está coberta de denúncias de empreguismo, desvio de dinheiro público e corrupção, como ocorreu nos hospitais de Salvador, onde a Real Sociedade Espanhola é investigada pelo Ministério Público da Bahia por desvio de dinheiro do hospital que administra na capital baiana.

Maio /Junho 2009


Regionais

CNS pede suspensão das verbas para SES

O

Conselho Nacional de Saúde (CNS), encaminhou no dia 7 de maio, ao ministro José Gomes Temporão, a Resolução do CNS solicitando que seja suspenso o repasse de recursos do Ministério da Saúde para a SES. A decisão de pedir a suspensão do repasse dos recursos para o GDF já havia sido tomada na última reunião plenária do CNS, dia 15 de abril. Na oportunidade foi criado um Grupo de Trabalho para intermediar as negociações com a Secretaria de Saúde do DF, na tentativa de que o Governo pudesse rever o contrato de terceirização do Hospital de Santa Maria, cuja administração foi entregue a Real Sociedade Espanhola de Beneficência, mas não conseguiu marcar audiência, nem com o Governador Arruda, nem com o Secretário de Saúde e nenhuma satisfação foi dada aos conselheiros. A medida, extrema, é mais uma tentativa de impedir a ilegal terceirização do Hospital de Santa Maria, cuja decisão é ilegal e vai prejudicar o atendimento à população do GDF. O CNS alega que houve ilegalidade

ao processo de terceirização do Hospital de Santa Maria, cujo contrato com a Organização Social (OS) Real Sociedade Espanhola de Beneficência, foi realizado sem licitação e em um processo que durou apenas 12 dias, desconsiderando, inclusive, as irregularidades cometidas pela OS na cidade de Salvador, Bahia. Além dos R$ 130 milhões já investidos na construção do hospital, serão gastos R$ 28 milhões em equipamentos e repassados R$ 222 milhões à Real Sociedade Espanhola por dois anos para a manutenção do hospital. A conselheira fiscal do SindMédico/DF, Mariângela Delgado, acompanhou a reunião da CNS, que teve a participação da promotora do Prosus, Cátia Vergara, da deputada Distrital, Érika Kokay, e do Secretário de Saúde do DF, Augusto Carvalho. O clima na reunião foi tenso. O Secretário Augusto Carvalho chamou “de golpista” a deputada Érika Kokay (PT) que considerou o contrato firmado entre a SES e a Real Sociedade Espanhola um “escândalo na saúde do DF”. Já a promotora Cátia Vergara, disse que o contrato “era ilegal e imoral”.

Panfletagem no aniversário de Brasília

Publicidade em formato de cheque alertou a população do mau uso do dinheiro público

E

ntre as tentativas de esclarecer à população do DF do que está acontecendo no Hospital de Santa Maria, o Fórum Permanente em Defesa da Saúde foi às ruas para alertar à população sobre o que está ocorrendo com o Hospital de Santa Maria. A mobilização, em frente à Catedral, reuniu centenas de manifestantes. Os representantes das entidades de saúde tam-

Revista Médico

bém foram às ruas no dia 21 de abril, aniversário de Brasília. Durante todo o dia, foram distribuidos um planfleto, em formato de cheque, denunciando a fortuna que o GDF já repassou à Real Sociedade Espanhola para gerenciar o Hospital de Santa Maria, que ainda não está funcionando, apesar de ter sido inaugurado. A manifestação foi bem recebida pelos milhares de brasilienses que circularam na Esplanada no aniversário de Brasília.

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Sindicais

Sindicato lança Projeto Cinema & Saúde

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oi um sucesso a primeira edição do projeto Cinema & Saúde promovido pelo Sindicato dos Médicos, realizado no dia 27 de maio, no auditório da entidade. O filme Sicko $O$ Saúde, do premiado cineasta Michael Moore, apresentado na sessão, é uma crítica ao sistema de saúde norte-americano e uma excelente reflexão sobre o exemplo que querem importar para o Brasil. O filme mostra o sistema norteamericano de saúde, totalmente privatizado, onde até mesmo os que possuem planos de saúde não conseguem atendimento e onde os médicos são premiados por recusar tratamentos de alto custo. Recomendamos o filme a todos os médicos que não tiveram oportunidade de assistí-lo.

Cinema & Saúde

Presidente da CGTB visita SindMédico

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presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Antônio Neto e o secretário geral da entidade, Carlos Alberto Pereira, visitaram a sede do SindMédico/DF, em Brasília, no último dia 20 de abril. O objetivo do encontro com o presidente, Gutemberg Fialho, e a diretoria, foi mostrar a atuação da CGTB. O presidente da entidade colocou a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil à disposição do SindMédico/DF, para ampliar as lutas dos médicos seja junto ao Executivo ou ao Legislativo. No encontro, o presidente Antônio Neto explicou

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que todas as questões dos trabalhadores são amplamente discutidas e que a classe médica tem um papel fundamental na união dos trabalhadores. “Hoje as centrais sindicais estão sendo muito mais ouvidas pelo Governo do que no passado”, disse o presidente Antônio Neto. Segundo ele, questões como salário mínimo, crise econômica, programa habitacional e até mesmo, as fundações públicas de direito privado estão na pauta de discussões entre a CGTB e o governo. Fundada em março de 1986, a Central Geral dos Trabalhadores possui hoje 350 sindicatos filiados, representando 1,5 milhão de trabalhadores.

Maio / Junho 2009


Estratégia

Alexandre Bandeira

&

Consultório Consultoria Consultor de Estratégia e Marketing

C

Crescer dói

ostumo lembrar a organicidade das empresas para estabelecer algumas correlações entre o mundo corporativo e os princípios da natureza e do ser humano. Uma destas comparações que utilizo com frequência, é a de que da mesma forma como as pessoas em fase de crescimento - quando músculos, ossos e órgãos estão em estágio de amadurecimento - as organizações também sofrem com o processo de expansão no mercado de competição. Talvez a diferença básica seja que o corpo humano cresce mais quando mais jovem ao ponto de que a um determinado momento, se estabiliza; enquanto que a empresa cresce mais a medida que amadurece, além de precisar estimular seu processo de evolução permanentemente. Isto envolve tomar decisões cotidianas sobre como este crescimento se dá. Que pessoas, recursos, procedimentos e infra-estrutura devem ser modificados, suprimidos ou criados, para que estas possam manter sua capacidade evolutiva. Na melhor função pela anatomia corporativa está o papel fundamental do gestor, que pode ser o empreendedor, dono, diretor ou executivo contratado para atuar como cérebro nas empresas e organizar o melhor ambiente para que as organizações possam cumprir bem com seu objetivo natural de crescer. Para estabelecer bem este paralelo vou utilizar o exemplo de duas empresas do segmento de saúde do DF. A primeira delas tem 25 anos de mercado, é uma das líderes em seu segmento, com prêmios nacionais e internacionais em seu portfólio. A segunda é um cliente que começamos

a acompanhar recentemente com menos de dez anos de existência. Na última visita que fizemos na primeira empresa citada, o processo de expansão se encontra em ritmo muito acelerado, com um forte investimento na aquisição de equipamentos, procedimentos e pessoas. Certamente a próxima decisão por conta disso, seja conseguir um novo ambiente para continuar a crescer, como alguns animais fazem ao trocar de casca, pele ou concha. Na segunda, a gestão passa pela criação de novos paradigmas administrativos, provocada pela abertura de uma segunda unidade de negócio, o que deve mais do que duplicar sua capacidade de atendimento e criar condições para que ela se torne líder de mercado. Como uma jovem empresa, os processos e a capacidade de tomada de decisão ainda não estão maduros e os graus de intuição e informalidade são preponderantes as normas e ritos que permitam ela atingir seu espaço de destaque no seu segmento. A primeira bem pode ser o espelho da segunda, já que conseguiu organizar o melhor modelo de expandir e se adaptar a novos cenários, já que o profissionalismo tomou o lugar do feeling, tornando o processo de tomada de decisão mais seguro e previsível; com isso mais dinâmico e assertivo. Não quer dizer que o que uma faça sirva exatamente para outra, mas certamente incorporar o como se faz. Afinal, cada empresa, uma anaContato com a coluna: tomia diferente.

“o profissionalismo tomou o lugar do feeling”

consultorio@strattegia.com.br

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Vida Médica

Por Elisabel Ferriche

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inuqueiro só no Brasil. O termo sinuca popularmente usado nos bares, salões e clubes brasileiros é um aportuguesamento do termo inglês "snooker". Por esta razão não existe sinuqueiro em nenhum outro país. Aqui também o "snooker", sofreu um abrasileiramento de suas regras, que foram sendo alteradas à medida que se diminuia o número de bolas vermelhas com que era jogado. A sinuca no Brasil não pode ser confundida com os diversos jogos de bilhar existentes e que ganham muitos nomes conforme a região em que são praticados. Tem o mata-mata, bola 8, fuca, vida, o 21, muitos deles originados nos Estados Unidos e não na Inglaterra, como é o caso do snooker. Para ser sinuqueiro não basta talento. É preciso envolvimento e gerenciamento com a bola. Gostar de um bom bate papo ao redor da mesa e disposição para ficar horas em pé, andando de um lado para o outro com o taco na mão. Muitos começaram ainda menino, como é o caso do mastologista José Antônio Ribeiro Filho, que aos 13 anos, na cidade de Guaxupé, em Minas Gerais, já jogava sinuca em uma pequena mesa com bolinhas

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Dr. Ribeiro, paixão por sinuca desde criança de gude, já que na época, o jogo era proibido para menores. Mas contrariando as “regras” , Dr. Ribeiro insistia em jogar e aos 16 anos já estava em uma mesa de bilhar em São José do Rio Pardo onde foi morar. “Na época já jogava bem quando conheci o professor Darci que me ensinou o bilhar francês. Fui o melhor jogador de Rio Pardo”, conta o médico sem qualquer modéstia. Quando foi para o Paraná, cursar a Faculdade de Medicina, continuou a jogar na mesa instalada no diretório Acadêmico. Jogava o Vida, a dinheiro. “Foi com o resultado do que ganhava no jogo de sinuca

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Vida Médica

Dr. Giuseppe, a sinuca exercita o corpo a mente e nos traz um bom bate papo com amigos. que me mantive na faculdade e sobrevivi em Curitiba”, esnoba ele que, ao chegar em Brasília, continuou jogando. Hoje Dr. Ribeiro prefere os jogos caseiros que faz em casa na sua mesa de bilhar, mas com o passar do tempo está substituindo a sinuca pelo golfe, esporte de sua preferência. Por muitos anos estigmatizado como “jogo da malandragem”, a sinuca hoje já é frequentada por mulheres e homens de idades e posição social diferentes. O otorrino Heitor Guerreiro, que joga sinuca há 60 anos, sabe bem o que é isso. Gaúcho de Santana do Livramento ele começou a frequentar os clubes de sinuca ainda menino, pois o esporte é uma diversão perfeita para os dias frios do inverno rigoroso do Sul. “O nome era bilhar e os rapazes podiam jogar, ao contrário do jogo de cartas que era permetido apenas para os adultos”, conta o médico. Segundo ele, na época, quem sabia jogar bem, normalmente tomava dinheiro dos novatos, por esta razão o bilhar ficou caracterizado como um jogo de malandros, que não queriam trabalhar. “Mas isso faz parte do passado da história da sinuca. Hoje, há castelos na França onde jogam a alta aristocracia, por isso é um jogo bastante democrático”, na opinião do médico. Atualmente Dr. Heitor é frequentador assíduo do Salão do Walter Silva, que fica no Clube dos Previdenciários, onde ele frenquenta três vezes por semana, inclusive aos sábados. No local, há aulas de sinuca para quem deseja iniciar no esporte. A maior dificuldade encontrada entre os ini-

Revista Médico

ciantes da sinuca é o mau posicionamento do taco, que geralmente é utilizado com a traseira muito elevada. Isso faz com que a bola branca seja forçada de cima para baixo, afundando no pano e desviando-se do alinhamento. Para um melhor desempenho, ensinam os veteranos, o taco deve ser colocado o mais próximo possível da posição horizontal. Assim é possível jogadas incríveis e muitos efeitos nas bolas. Mas qualquer toque, por mais sutil que seja, sem o devido preparo ou treinamento necessário pode ser suficiente para errar a jogada. O ginecologista obstetra Giuseppe Rolim diz que começou “a brincar” de sinuca já na fase adulta, em Brasília, onde vive há 33 anos. Paraibano de Cajazeiras, Dr. Rolim diz que gosta da sinuca pelo encontro com os amigos, o bate papo ao redor da mesa, a rodada de música que ele consegue reunir às quintas-feiras na AABB. “Convidado por um colega médico, passei a a jogar sinuca que, além de exercitar o físico, ajuda também a mente”. Já o médico Elias Bittar, que já foi um grande sinuqueiro, nos últimos anos tem trocado as mesas de bilhar pelos barcos de pesca. “Tenho curtido muito a pescaria, mas para quem jogou muita sinuca, é difícil parar para sempre”, confessa. Sem modéstia, ele conta que tem muito talento e foi responsável

Dr. Elias Bitar, da sinuca para a pesca por jogadas incríveis “com muitas bolas de efeito”. Para o médico Elias, a sinuca é uma excelente atividade para compartilhar “bons momentos com amigos”. Para o médico, o sinuqueiro precisa de habilidade manual, boa visão, preparo físico e, naturalmente um bom papo, porque sinuqueiro, profissional ou não, além da mão no taco e o olho na caçapa, curte também uma conversa alegre que o estimula a retornar à mesa de bilhar.

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Vinhos

Dr. Gil Fábio

Vinhos & Histórias Vinho do Porto III

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Como nasce um Porto

processo de vinificação começa a explicar as enormes diferenças entre o Vinho do Porto e o Douro de mesa. Para fazer o Douro o processo usado é como em todos os vinhos de mesa no qual o açúcar contido no mosto é transformado em álcool pela ação dos fermentos. Já no Porto essa fermentação é interrompida no meio, quando o vinho já adquiriu a cor e a intensidade desejadas, adiciona-se água ardente vínica numa proporção aproximada de 110 litros para 410 litros de mosto. A fermentação é interrompida, e o açúcar que iria se transformar em álcool permanece no vinho tornando-o adocicado. A água ardente vínica tem 77° fazendo subir a porcentagem de álcool no vinho do porto para os limites entre 19° e 22°. Normalmente a maior parte dos vinhos é enviado para os armazéns das grandes empresas em Vila Nova de Gaia, que fica em frente a cidade do Porto, do outro lado do rio. Nos armazéns os vinhos serão selecionados e “educados” para dar origem aos diversos tipos do Porto, que são divididos em duas famílias básicas: primeiro, os envelhecidos da garrafa (Vintage), considerados os melhores; segundo, os envelhecidos nas pipas de madeira, que são os mais comuns.

recomendados: Adriano Ramos Pinto, Sandemam, Symimgton Group, Fladgat & Yeatman, etc. TAWNY - Este vinho de cor clara é suave har monioso e descomplicado, já passou cinco, seis ou mais anos em tonéis de madeira. No início é bem escuro, tornando-se gradativamente mais claro, ou aloirado, ruivo (tawny). Os Fini Tawnies, principalmente os mais velhos apresentam-se na boca com notas de nozes, caramelo, e final levemente seco, longo e agradável, aroma elegante e delicado. Esses vinhos tem uma variedade chamada com indicação de idade, vinhos de mais classe que trazem idades aproximadas de 10, 20, 30, 40 anos e com mais de 40 anos. Um Porto datado não significa que tenha exatamente a idade datada, mas sim as características da data indicada, devido aos vários cortes de vinhos bem mais velhos para se chegar a obtê-las.

Classificação dos vinhos tipo Porto (vinhos que

Porto Tawny Rótulo 20 anos Vinho mais claro (aloirado ou ruivado), com aroma de amêndoas e complexo, já mostrando características de sabedoria da maturidade e ainda o frescor da juventude. Persistente e com retrogosto maravilhoso. Indicação: Duque de Bragança (da Ferreira); o Quinta do Bom Retiro (Adriano Ramos Pinto); o Niepoot; Quinta do Noval.

passam algum tempo nos cascos de madeira): -Ruby -Tawny; -Porto com indicação de idade média; -Colheita; -Late Beottled Vintage; -Vintage Caracter; RUBY - O mais simples e mais alegre. Teoricamente um vinho que passou um certo tempo variável em tonéis de madeira e que ainda conserva bastante fruta e principalmente a cor que lhe dá o nome. Leve, bom para o aperitivo, devendo ser servido resfriado e acompanha muito bem queijos azuis, como o Roquefort (francês), Stilton (inglês) e o italiano Gorgonzola. Após aberta a garrafa o vinho deve ser consumido até certo ponto rapidamente, em alguns dias. Produtores

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Porto Tawny Rótulo 10 anos Alguns são realmente excelentes, entre os melhores do Porto. Harmoniosos e descomplicados com sabor de nozes, amêndoa, mel, com retrogosto agadável persistente, não enjoativo e levemente seco. Indicamos alguns dos melhores: O Quinta da Eva Moira, o Poças, Quinta do Porto (da Casa Ferreira), o Burmester grande especialista em Tawnies e colheitas.

Porto Tawny Rótulo 30 anos Mais claros excelententes e aromáticos. Indicações; Ramos Pinto, Grahan’s; Taylor’s. Todos muito bons. Porto Tawny Rótulo 40 ou mais anos Vinhos delicados com menor concentração, mais excelentes. Indicações; Quinta do Noval; Grahan’s; o Fonseca Guimaraens; Nieport.

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Informes

Casa de Parto de São Sebastião preocupa sindicato

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Obituário

epresentantes do SindMédico e do CRM/DF visitaram a Casa de Parto de São Sebastião, no dia 21 de maio, atendendo reivindicações dos médicos que trabalham naquela unidade de saúde. Eles estão preocupados com a falta de ginecologistas e obstetras para dar atendimento imediato às mães em caso de grave ocorrência grave. Os 12 ginecologistas obstetras que trabalhavam no local foram transferidos para outras Regionais de Saúde. Após a visita, representantes do SindMédico e CRM/DF se reuniram com enfermeiras e o secretário adjunto de Saúde, Fernando Antunes para discutir a situação, a fim de que a Casa de Parto tenha condições mínimas de atendimento. Segundo os médicos do local, as mães gestantes, os bebês e os médicos estão correndo risco que podem ser evitados. O presidente do SindMédico/DF, Gutemberg Fialho, que participou da reunião, juntamente com a diretora de imprensa, Adriana Graziano, explicou que a preocupação do sindicato nada tem a ver com o Ato Médico, “nem somos contrários ao trabalho realizado pelas enfermeiras, mas as complicações que por acaso surjam são de inteira responsabilidade do médico”, explicou. O médico Gustavo Bernardes, do departamento de

fiscalização do CRM disse que a Secretaria de Saúde vem sendo avisada para o problema há mais de quatro meses e nenhuma providência foi tomada. “Não queremos fazer uma interdição política, trata-se ao contrário, de um procedimento com base no Código de Ética Médico que não médicos questionam transferências permite aos médicos trabalharem sem condições adequadas nem que uma Casa de Parto funcione sem os ginecologistas obstetras”. A falta de médicos e dos equipamentos necessários para o bom funcionamento da casa de parto de São Sebastião foi confirmado pelo pediatra Ike Baris, lotado na unidade. Segundo ele, os médicos pediatras e clínicos que forem convocados para interceder em um parto de risco ou autorizar uma remoção de emergência, caso aconteça alguma intercorrência, responderão civil e criminalmente. “Não precisamos correr esse risco desnecessário”, disse o médico se preocupando também com as mães.

Faleceu no dia 3 de abril, após uma cirurgia eletiva, em Brasília, o médico gastroenterologista José Gomes Barboza Filho. Natural de Santa Fé de Minas (MG), o médico atuou durante muitos anos no Hospital Regional da Asa Norte e na Gastroclínica, na Asa Norte. Formado na UnB, José Gomes Barbosa passou a vida profissional em Brasília. O médico era casado e deixa esposa, filhos, enteadas e neta. Faleceu em Brasília, aos 91 anos, no último dia 25 de abril, o médico Guynemer Brasil Otero. Com uma vida dedicada à medicina, Guynemer era pioneiro em Brasília, tendo participado da inauguração da Capital. Durante muitos anos foi pediatra do Hospital de Base e do Hospital Regional do Gama, tendo sido posteriormente perito do INSS e médico do trabalho. Formado pela Escola de Medicina do Rio de Janeiro, o carioca Guynemer era um sindicalista ativo e participante das assembléias do SindMédico/DF .

0800.775-7196 Mantenha este número sempre de posse de seus familiares

O SindMédico/DF mantém totalmente sem custo, o Seguro Decessos, que em caso de morte do sindicalizado, garante a execução de todos os serviços referentes ao sepultamento ou cremação com a cobertura das despesas do funeral. Para acioná-lo, basta que familiares liguem imediatamente para comunicar o óbito. MAPFRE Seguros 24 horas - Brasil: 0800-775-7196 Exterior: +55-11-4689-5519

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Literárias

Dr. Evaldo Alves de Oliveira

Antônio Conselheiro Das cicatrizes da infância ao empreendedorismo

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o tempo em que conheci esse menino, o pai há havia casado pela segunda vez e todos o tinham como uma vítima da madrasta, mulher de gênio mau, que não lhe poupava maus tratos. É assim que João Brígido dos Santos descreve o amigo à época em que o conheceu, ainda criança. Apesar de ter conhecido, desde cedo, a dor, o infortúnio e a injustiça, seu pai analfabeto, que o queria sacerdote, levou-o a estudar português, latim e francês. Aos 25 anos de idade, com a morte do pai, assumiu a administração dos negócios da família, e no ano seguinte a madrasta louca faleceu. No mesmo ano, a casa da família foi hipotecada como garantia da dívida de dois contos de réis, contraída pelo seu pai na compra de gêneros para o armazém. No fórum de Ipu, no sertão do Ceará, passou a atuar como solicitador e requerente, além de professor. Ainda em Ipu, sua esposa se tornou amante de um policial. Conhecendo a força da paixão, a dor da traição, o sofrimento de seu povo sobrevivente das secas cíclicas, crianças sem escolas e seus clientes demandadores de justiça nos fóruns de Campo Grande e Ipu, Justiça essa viciada pela ordem autoritária dos coronéis do sertão, Antônio Conselheiro e seus seguidores construiriam, em junho de 1893, no povoado de Canudos, uma das mais agrestes e estéreis regiões do sertão da Bahia, não uma cidade, mas o sonho de reinventar o sertão e a utopia de uma sociedade mais justa. O professor Flávio José Simão Costa (HSMManagement nº 61, volume 2, março/abril 2007), rechaça o diagnóstico de delírio crônico de Magman, psicose sistemática progressiva de Garnier e paranóia primária, afirmando: Antõnio Conselheiro

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não foi um anormal psíquico (aspecto psicológico) se analisada a estrutura de sua personalidade, relacionada com a realidade onde viveu, sofreu e se fez mártir. Seu comportamento, sua manifestação psíquica, sua personalidade ao fim da vida, integralmente compatível com o papel de místico, não são evidências de loucura, mas, ao contrário, representam a expressão de uma readaptação do esquema vivencial, surpreendentemente bem sucedida. Paschero, homeopata e psicanalista argentino, enfatiza que a criança necessita de amor protetor, segurança afetiva, que é indispensável para ajudar na solução de sua incapacidade de adaptação à realidade objetiva. ...A criança necessita expandir-se, expressar-se, exteriorizar seus impulsos... Para isso, tem que se sobrepor ao medo e à ansiedade que lhe produz a interdição do ambiente, e lutar pela sua própria valorização, por manter a sensação de que é capaz, de que é útil, de que pode ser, como os demais, autossuficiente para afirmar-se na vida. Conselheiro teria tentado resolver sua minusvalia com um afã reativo de maisvalia, uma afirmação de sua personalidade, por via de uma verdadeira hipertrofia de seu eu, como é possível acontecer nesses casos, como afirma Paschero? Seria Antônio Conselheiro um louco? Ou seria um empreendedor, um visionário que resistiu a meio Exército brasileiro na Guerra de Canudos, ergueu cidades e reinventou o sertão, como defende Paulo Emílio Matos Martins, da FGV-Ebape (HSMManagement nº 61, volume 2, março/abril 2007)? Antônio Conselheiro - um problema médico, ou alguém que deveria ser estudado por acadêmicos, homens de negócios, de marketing e estudiosos do empreendedorismo?

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NOVA METODOLOGIA PARA DETECĂ‡ĂƒO DE CĂ‚NCER DE MAMA O LaboratĂłrio Sabin realiza a pesquisa das mutaçþes 185 DEL AG e 5382 ins C no gene BRCA 1 e 6174 DEL T no gene BRCA 2. O câncer de mama ĂŠ um dos tipos de neoplasia mais frequentes entre mulheres e ocupa um dos primeiros lugares em incidĂŞncia no nosso paĂ­s. A detecção precoce ĂŠ crucial no sucesso do tratamento, sendo recomendĂĄvel a realização de auto-exame, consultas mĂŠdicas periĂłdicas e exames complementares. A maioria dos casos de câncer de mama ĂŠ esporĂĄdica. Entretanto, alguns casos sĂŁo herediWiULRV 0XWDo}HV QRV JHQHV %5&$ H %5&$ VmR UHVSRQViYHLV SRU XPD SDUFHOD VLJQLĂ€FDWLYD GRV FDVRV hereditĂĄrios. AlĂŠm disso, mutaçþes nestes genes tambĂŠm predispĂľem ao câncer de ovĂĄrio. O LaboratĂłrio Sabin realiza a pesquisa das mutaçþes 185 DEL AG e 5382 ins C no gene BRCA 1 e 6174 DEL T no gene BRCA 2. Essas mutaçþes estĂŁo associadas ao câncer de mama e sĂŁo frequentes nos judeus Asquenases. Assim, a pesquisa de mutaçþes nos genes BRCA1 e BRCA2 ĂŠ recomendada para mulheres com histĂłrico pessoal ou familiar de câncer de mama antes dos 50 anos de idade, câncer de ovĂĄrio em TXDOTXHU LGDGH H FkQFHU GH PDPD HP KRPHQV HP TXDOTXHU LGDGH 3RLV D LGHQWLĂ€FDomR GH IDPtOLDV com mutaçþes e o aconselhamento da paciente sadia portadora da mutação sĂŁo de enorme importância na prevenção de novos casos. Outras mutaçþes nos genes BRCA 1 e BRCA 2 nĂŁo estĂŁo excluĂ­das por este exame, que deve ser realizado mediante acompanhamento mĂŠdico.

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