Impresso Especial 1000007795/2006-DR/BSB
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Órgão Informativo do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal Brasília - Ano XIII - Março-Abril / 2010 - nº 80 SGAS 607 Centro Clínico Metrópolis Cobertura 01 Asa Sul - Brasília/DF - CEP: 70.200-670
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Teste genético de tolerância à lactose A lactase é a enzima da mucosa intestinal responsável pela digestão da lactose nos seus constituintes absorvíveis, glicose e galactose. Sabe-se que sua produção persiste durante a vida adulta em algumas pessoas e em outras não. A variante genética responsável por esta característica foi identificada em 2002. Trata-se da mutação C/T -13901 no promotor do gene da lactase. Essa mutação faz com o gene permaneça ativo após a suspensão da lactação. Assim, os portadores desta variação são tolerantes à lactose devido à persistência da produção da enzima que a degrada. Os indivíduos que não produzem a enzima lactase, após a suspensão da lactação, são intolerantes à lactose e apresentam sintomas, principalmente intestinais, quando ingerem leite ou outros produtos que contenham lactose. A investigação desta condição normalmente inclui uma ou mais provas funcionais, como teste oral de tolerância à lactose ou teste de hidrogênio no ar expirado. Nestes testes o paciente ingere uma determinada quantidade de lactose e o aumento na glicemia ou de hidrogênio expirado é acompanhado durante algumas horas. A elevação da glicemia menor que 20 mg/dL e expiração de hidrogênio maior que 20 ppm pode indicar deficiência da enzima lactase. Um inconveniente é que os pacientes intolerantes à lactose podem apresentar os sintomas até mesmo durante os testes. O teste genético para tolerância à lactose apresenta uma alta correlação com as provas funcionais. Ou seja, os portadores do genótipo CC, genótipo associado a não persistência na produção de lactase, tendem a apresentar provas funcionais alteradas. Ao realizar uma revisão sistemática dos estudos disponíveis que compararam o teste genético com uma prova funcional, chegou-se a conclusão de que o teste genético tem 79% de sensibilidade e 83% de especificidade. Na figura 1, podem ser observados os estudos incluídos na revisão sistemática e os respectivos valores de sensibilidade e especificidade. Assim, conclui-se que este teste pode predizer com alta probabilidade se um indivíduo é tolerante à lactose ou não. Desta forma, o novo teste é considerado uma ferramenta importante na triagem da condição. Neste sentido, alguns protocolos sugerem que o teste genético seja realizado antes da prova funcional, que pode até mesmo ser dispensada diante de um paciente com sintomas de intolerância e um genótipo CC. O teste genético para a tolerância à lactose está disponível no laboratório Sabin. Trata-se de um exame desenvolvido e implantado pelo setor de biologia molecular.
Figura 1. Metanálise envolvendo 13 estudos que compararam a genotipagem da mutação C/T -13901 no promotor do gene da lactase com provas funcionais (teste de hidrogênio no ar expirado) para tolerância à lactose.
Dr. Gustavo Barcelos Barra Possui graduação em farmácia pela Universidade de Brasília (2001) e doutorado em ciência da saúde pela UNB (2008). Atualmente, é pesquisador do Laboratório Sabin. Tem experiência na área de biologia molecular, com ênfase em diagnósticos moleculares, atuando principalmente nos seguintes temas: desenvolvimento de ensaios moleculares e detecção de mutações. Dentre suas publicações destaca-se Luteinizing Hormone Beta Mutation and Hypogonadism in Men and Women, New England Journal of Medicine 2007 Ago 30;357(9):897-904.
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Novos ares na cidade Está certo que os últimos acontecimentos ocorridos na política local e que ganharam repercussão e ampla cobertura nas mídias nacional e internacional, contribuíram bastante para macular a comemoração dos 50 anos da nossa cidade. Porém, acreditamos que o momento seja de aprendizado e também de revelações importantes. Os moradores de Brasília condenaram a prática de dinheiro suspeito sendo transitado entre empresas, governos e políticos, ao contrário de outros escândalos ocorridos em diversas localidades, que foram jogados sem cerimônia para debaixo do tapete. O caso é de extrema gravidade, pois envolve prisões, gravações, desvio de recursos públicos, além de um grande impacto na vida das pessoas que aqui vivem e que reclamam por melhores serviços nas áreas de segurança, educação e saúde. Neste último podemos falar com bastante propriedade e conhecimento de causa, pois há muito estamos denunciando a degradação das condições de atendimento nos hospitais e centros de saúde do DF, numa tentativa de privatização da rede local. E mesmo diante deste cenário adverso, Brasília vem demonstrando maturidade suficiente para tratar a questão, sem gerar medidas extremadas por quem quer que seja. E dizem que esta é uma cidade nova. Pode até ser, mas aqueles que para cá vieram e que aqui nasceram, amam demais o local onde vivem. Afinal, Brasília é muito maior do que os pequenos políticos que estão nos noticiários colocando dinheiro em bolsas, cuecas e meias. Nossa cidade nasceu e cresceu em velocidade acelerada e, por isso mesmo, nos habituamos a aprender rápido. Somos uma das vitrines do mundo, foco de atenção dos noticiários, onde o que aqui se fala ou se mostra, tem peso inimaginável ao restante do país. Em cinco décadas transformamos o cerrado em concreto, beleza e pessoas. E talvez esta seja, de todas, nossa maior lição: sabemos fazer, construir e empreender. Cada um em seu anonimato, erguendo a solidez de uma cidade. É isto que estamos trazendo para nossos leitores, revelando um pouco da história de Brasília, contada sob a ótica daqueles que contribuíram com a qualidade da Medicina que é atualmente reverenciada no país. Colegas que se dedicaram, ao seu tempo, em deixar o melhor de si, para uso do próximo. Esta é a grandeza de nossa cidade e assim vamos nos perpetuando e deixando para as próximas gerações um jeito diferente de sermos cidadãos, onde a crítica e a permanente participação se fazem sempre presentes. É por isso que o Sindicato dos Médicos do Distrito Federal sempre estará na defesa das melhores condições de trabalho nos hospitais da cidade. Não porque isso promova individualmente o ambiente ideal ao profissional mas, principalmente, para que o Médico possa praticar sua melhor Medicina. Assim ganham todos: profissionais, comunidade e a cidade. Por fim, aprendemos que as notícias passam e não é uma festa cinqüentenária o que mais importa, pois até ela mesma também passará. Brasília, ao contrário, continuará sempre importante no seu papel de abrigar a capital do país e servir de exemplo de cidade e cidadãos. Somos uma capital plana, aberta, de muito verde e azul, onde os ventos circulam livremente, trazendo sempre novos ares que renovam nossa convicção no amanhã. Parabéns a todos! R e v i s t a
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Entrevista
O futuro político da capital
Fórum Presidente Dr. Marcos Gutemberg Fialho da Costa
Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva de seus autores.
Jurídico
Aposentadoria Especial
Capa
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A Medicina e a nova capital
Aconteceu
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AMeB Recebe novos membros
Itinerante
Visita aos Centros de Saúde da Ceilândia, Asa Sul e Lago Sul
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Vida Médica
FITNESS médicos apostam nas academias
Regionais
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Especial
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Médicos do HBDF premiados internacionalmente
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Artigos
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Opinião - 5 Estratégia - 21 Vinhos - 29 Literárias - 30
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Projetos de interesse dos Médicos no Congresso Nacional
Vice Presidente Dr. Gustavo de Arantes Pereira Secretário Geral Dr. Martinho Gonçalves da Costa 2º Secretário Dr. Jomar Amorim Fernandes Tesoureiro Dr. Gil Fábio de Oliveira Freitas 2º Tesoureiro Dr. Luiz Gonzaga de Motta Diretor Jurídico Dr. Antônio José Francisco P. dos Santos Diretor de Inativos Dr. José Antônio Ribeiro Filho Diretora de Ação Social Drª. Olga Messias Alves de Oliveira Diretora de Relações Intersindicais Drª. R aquel Carvalho de Almeida Diretor de Assuntos Acadêmicos Dr. Lineu da Costa Araújo Filho Diretora de Imprensa e Divulgação Drª. Adriana Domingues Graziano Diretor Cultural Dr. Jair Evangelista da Rocha Diretores Adjuntos Dr. Antônio Geraldo, Dr. Cantídio, Dr. César Neves, Dr. Dimas, Dr. Diogo Mendes, Drª. Mariangela, Dr. Olavo, Dr. Osório, Dr. Tamura, Dr. Vicente, Dr. Tiago Neiva. Conselho Editorial Drª. Adriana Graziano, Dr. Antônio José, Dr. Gil Fábio Freitas, Dr. Gutemberg Fialho, Dr. Gustavo Arantes, Dr. Diogo Mendes, Dr. Osório R angel, Dr. José Antônio Ribeiro Filho. Editor Executivo Alexandre Bandeira - RP: DF 01679 JP Jornalista Vítor Ferns - RP: 0007637/DF Diagramação e Capa Pedro Henrique Corrêa Sarmento Fotos Gustavo Lima e Divulgação Projeto Gráfico e Editoração Strattegia Consulting Anúncios +55 (61) 3447 - 9000 Gráfica Alpha Gráfica SindMédico/DF Centro Clínico Metrópolis SGAS 607, Cobertura 01, Cep: 70.200 - 670 Tel.: (61) 3244 - 1998 Fax.: (61) 3244 - 7772 sindmedico@sindmedico.com.br www.sindmedico.com.br
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A Medicina nos 50 anos de Brasília
Jair Evangelista da Rocha Dir. Cultural do SindMédico-DF Ao nos aproximarmos da data em que orgulhosamente comemoramos os 50 anos de Brasília, somos impelidos a olhar o passado e visualizar os primórdios da epopéia da construção de nossa capital e os longos e tortuosos caminhos que nos trouxeram ao presente, de onde hoje tudo contemplamos. Como expectadores da história que assinala a edificação de uma cidade símbolo da modernidade arquitetônica, nossa imaginação não pode deixar de buscar o testemunho de muitos daqueles que protagonizaram a transformação do sertão bruto nesse “precioso cristal”. Nesta busca, com certeza, encontraremos narrativas espetaculares sobre a chegada dos primeiros operários para montar os canteiros de obra, as primeiras máquinas a rasgar o solo ressequido do cerrado, a implantação destemida das primeiras casas comerciais e a vinda maciça dos pioneiros atraídos pelo ideal de um novo amanhã. E o primeiro médico enviado para prestar socorros na área da saúde, como se conduzia nessa quase impossível tarefa? A pergunta pode ser respondida pelo colega Edson Porto, que teve essa sagrada missão ao aqui chegar, em 1955, e organizar o primeiro posto de saúde da Novacap e meses depois, inaugurar o primeiro hospital de Brasília, o JKO, na antiga Vila do IAPI. Com o correr do tempo foram chegando outros abnegados colegas, que também muito contribuíram para implantar e fazer evoluir a medicina até os nossos dias. Temos que reverenciar os colegas: Manoel Scartezini (primeiro radiologista de Brasília), Rauf Carneiro (primeiro ginecologista), Rômulo Maroclo e Romualdo Silva Neiva (primeiros urologistas), Ítalo Nardelli, Lucas Bayard, Francisco Pinheiro da Rocha, Oscar Mendes Moren, Ubiratan Ouvinha Peres, entre tantos outros extraordi-
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nários profissionais que dedicaram suas vidas para que Brasília viesse ter a medicina de alto padrão que hoje praticamos, depois de meio século de existência. Se hoje contamos com notável desenvolvimento tecnológico nas áreas de imaginologia, exames bioquímicos, imunológicos, genéticos, ortomoleculares, não podemos deixar de aplaudir os pilares da ciência médica candanga, que nos precederam. Sem as condições de trabalho ideais, conseguiram contribuir, de forma decisiva, para a construção e consolidação de nossa capital. Em nossa contemplação histórica temos que registrar também o arrojo empresarial de vários colegas, que edificaram os hospitais da iniciativa privada e que serviram de inspiração para outros grandes empreendimentos ora existentes, que tanto contribuem para a assistência à população. Lembramo-nos do médico José Farani, fundador do Hospital Santa Lúcia e do Centro Médico de Brasília; Arlindo Crispim, fundador do Hospital Santa Luzia; Victor Tannuri, fundador do Hospital São Braz; Higino Sarto, fundador do Hospital Dom Bosco, hoje Unimed e tantos outros que com eles desenvolveram essa ousada e vitoriosa empreitada. A classe médica de Brasília pode e deve se orgulhar do trabalho dignificante que exerce hoje na capital equivalendo-se ao que se pratica nos centros mais desenvolvidos do país e do exterior, sendo que, em algumas delas, é referência até mesmo internacionalmente. Se isso foi possível, muito se deve ao denodo e heroísmo anônimos de muitos colegas que nos precederam e que tanto fizeram ao longo desse meio século de existência. Nossos aplausos e nosso respeito a todos eles!
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O futuro político da capital
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por Vítor Ferns
úlio César Fróes é jornalista e cientista político, graduado pela Universidade de Brasília. Conhecedor da vida política de Brasília, do Brasil e do mundo, Froes é Mestre em Análise de Políticas Públicas pela Universidade de Sussex, Inglaterra e atuou como Consultor Legislativo do Senado Federal, entre 1985 e 2005. Por onze anos desse período foi destacado como Redator Oficial de Pronunciamentos da Mesa Diretora do Congresso Nacional. Dentre as diversas comissões especiais que integrou destaca a de Criação e Implantação do Banco de Idéias do Senado Federal; a de Inquérito da Ocupação de Terras Públicas na Amazônia; e a de Controle das Atividades de Inteligência no Brasil. Fundou o Instituto Antares de Ensino Superior e Projetos Educacionais – IAESPE; cuja missão principal é a qualificação profissional no âmbito da Administração Pública e, em especial, a difusão de conhecimentos políticos para ampliar a participação da juventude na representação popular. Mais recentemente, criou o projeto itinerante e de Ensino à Distância – Escola de Legislativo. Júlio César Fróes recebeu a Revista Médico e comentou de maneira direta e corajosa sobre os últimos acontecimentos do Distrito Federal.
Revista Médico: A política na capital vive um cenário de incertezas há alguns meses, por último, Arruda perde o mandato. Como o senhor analisa o cenário político do DF? FRÓES: O cenário político é caótico. Resulta de inúmeros fatores, dentre os quais destaco o desinteresse da comunidade pela política; a falta de preparo técnico para o processo gerencial e administra-
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tivo do setor público; a visão estreita do “concurseiro” que, se aprovado, esquece da missão do servidor público e, ainda, a fragilidade institucional dos partidos políticos. Há que se tomar em consideração que cultura política local é a representação corporativa e sindical. Restrita às organizações públicas, geralmente. Brasília não tem representação política comunitária no Parlamento nem no Executivo.
Revista Médico: Dá para vislumbrar um bom futuro político da capital? FRÓES: Devemos ser otimistas a médio prazo. Nossa avaliação é de que não há novos quadros partidários capazes de edificar uma representação popular com o nível de conhecimento técnico-gerencial ou mesmo político, diferente do que hoje vemos. Nas próximas eleições haverão muitos nomes da atual estrutura partidária
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e sindical, e poucos nomes efetivamente comprometidos com a prestação do serviço público via mandato eletivo. Será difícil a missão do eleitor. Será complexa mas indispensável a missão dos formadores de opinião no sentido de influenciar a revisão dos conceitos e das práticas políticas “vendidas” como promessas aos eleitores. Revista Médico: Quem ganha e quem perde com uma eleição indireta? É uma alternativa melhor que uma intervenção federal? FRÓES: Somos favoráveis à intervenção por dois aspectos. A eleição indireta mantém o atual grupo instalado no Buriti e na Câmara Legislativa. Todos estes estão direta ou indiretamente comprometidos com a situação. Será um mero aval à continuidade do processo. Mais uma vez não há qualquer garantia de representação dos interesses da população. Quanto ao aspecto constitucional, ao contrário do que pensa e defende o atual presidente da Associação dos Procuradores do DF, Gustavo Assis, a situação é sim excepcional, compete a intervenção federal na medida em que a autonomia gerencial do DF poderá permanecer, ao menos até dezembro, com pessoas ligadas ao grupo do exgovernador e do ex-vice-governador. Há que se romper com este status quo. Presos ou aparentemente distantes continuam mandando na execução orçamentária. Além disso a atual composição da Câmara Legislativa é no mínimo conivente com a situação. Estaria moralmente impedida para fazer uma eleição indireta. Revista Médico: O que vai prevalecer na próxima eleição, o voto nulo ou o voto consciente? FRÓES: Estimo que a situação caótica sirva para alertar ao eleitor quanto aos critérios de escolha e, depois, de monitoramento contínuo de seus representantes. O voto poderá ser de protesto, renovando mais da metade da representação
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no Legislativo; entretanto, no Executivo as opções são restritas e já reconhecidamente propostas. O voto nulo abre a perspectiva de que os atuais parlamentares federais e distritais façam uso da máquina e dos benefícios partidários para se manterem no poder. O voto nulo é a pior opção para o DF. Revista Médico: Na política nacional também existe carência de nomes? Há concorrentes para disputar com Dilma e toda a estrutura que já está a serviço dela? FRÓES: A campanha presidencial será bastante aguerrida. Assistiremos uma das campanhas eleitorais mais caras da história do País, senão da América. Reafirmo que a falta de interesse da juventude e dos profissionais liberais aliado ao desconhecimento dos processos gerenciais do Estado acabam por permitir a permanência da maioria dos atuais nomes. Nem o PT, nem os demais partidos se preocuparam em formar quadros para uma disputa presidencial. Está na hora dos institutos partidários voltarem-se às campanhas de filiação e de formação política. Quanto ao presidente Lula usar da máquina, inclusive da ABIN e da PF para monitorar adversários compete ao STF e ao TSE impor limites. Por outro lado o PSDB está completamente atônito em relação a composições estaduais, na medida em que faz a soma do potencial eleitoral em SP e MG; mas isto não se verifica de maneira efetiva e muito menos de maneira unânime. Revista Médico: O que será da capital quando a crise terminar? FRÓES: Brasília será cada dia melhor, desde que haja mais interesse da comunidade e dos formadores de opinião em assim proceder. Brasília não é apenas a burocracia ou o sindicalismo. É uma capital federal que reúne em seu coração, todos os anseios do povo brasileiro; diria
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até que com a vantagem da formação profissional ser uma das mais elevadas. Isto precisa ser tomado em consideração pelos homens e mulheres conscientes de suas capacidades, gente de bem e do bem, que ainda não pensaram em assumir cargos eletivos. Revista Médico: O que veremos nas eleições de outubro? FRÓES: O que estamos acostumados a ver. O TSE não vai conseguir cercar o caixa dois para os partidos e para os caciques. Os juízes eleitorais estarão limitados às denúncias para, então agir. E o cidadão-eleitor estará a mercê de pseudomoralistas, verdadeiros filhotes de Maquiavel, só que de sandálias havaianas... Revista Médico: Na saúde tivemos um cenário de privatização que gostaríamos da sua análise. O ex-secretário de Saúde, deputado Augusto Carvalho, privatizou a gestão de um dos maiores hospitais da cidade. Qual sua análise sobre a privatização de serviços básicos de saúde? FRÓES: O ex-secretário de Estado de Saúde do DF, Augusto Carvalho, não foi precavido quanto ao processo de formatação do edital e da fiscalização da concessão. Mais uma vez constatamos a falta de preparo da burocracia para a gestão pública. Então, presume-se que a iniciativa privada a tenha. Infelizmente não é o fato. Sou favorável à gestão compartilhada, público-privada. O setor público na administração orçamentária e o setor privado na prestação do serviço. O procurador Jairo Bisol pode exigir mais eficácia no cumprimento dos contratos e mais eficiência na execução orçamentária. Contudo, sabemos que a demanda para os serviços de saúde não será suprida pelo SUS porque os profissionais de saúde preferem as cooperativas e clínicas particulares quanto ao valor da hora trabalhada. Agora, não pode-se deixar de la-
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mentar também um fato que faz pensar, em relação a Augusto Carvalho, assim como com os secretários dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. De acordo com o repórter Leandro Fortes, em matéria publicada em fevereiro último, na Revista Carta Capital, com um grupo reduzido de técnicos, o Denasus descobriu um recorrente crime cometido contra a saúde pública no Brasil. O repórter apontou para nossa tristeza, que os técnicos ficaram surpresos com o volume de recursos federais do SUS aplicados no mercado financeiro, de forma cumulativa.
então governador José Roberto Arruda”. A reportagem ainda ouviu o atual secretário de Saúde, Joaquim Carlos Barros Neto em meio a uma epidemia de dengue com mais de 1,5 mil casos confirmados no fim de fevereiro. Ele afirmou que acabara de criar uma comissão técnica para garantir a destinação correta do dinheiro do SUS para as áreas originalmente definidas, revelou à revista: “Vamos gastar esse dinheiro todo e da forma correta. Não sei por que esses recursos foram colocados no mercado financeiro.” Augusto ficou famoso denunciando esquemas dos outros, agora se vê envolvido nessas denúncias. Tínhamos esperanças de que fizesse boa gestão e nos deparamos com isso. Lamentável.
“Os recursos do SUS
foram aplicados, ao longo dos últimos quatro anos, no mercado financeiro" O primeiro caso a ser descoberto foi o do DF, em março de 2009, graças a uma análise preliminar nas contas do setor de farmácia básica, foco original das auditorias. No governo do DEM, em vez de investir o dinheiro do SUS no sistema de atendimento, o então secretário Augusto Carvalho e sua equipe aplicou tudo em Certificados de Depósitos Bancários (CDBs). A matéria diz de maneira clara, “em março do ano passado, essa aplicação somava 238,4 milhões de reais. Parte desse dinheiro, segundo investiga o Ministério Público Federal, pode ter sido usada no megaesquema de corrupção que resultou no afastamento e na prisão do
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Revista Médico: O senhor acredita na hipótese de que muitas vezes as gestões públicas fazerem processo de sucateamento dos serviços para justificar uma privatização? Essas ações podem estar ligadas ao benefícios de empresas ou pessoas?
FRÓES: Não acreditamos nisto. O Estado deve ser prestador de serviços essenciais, mormente saúde, educação e infra-estrutura, entretanto, não se remuneram nem se preparam quadros profissionais para esta finalidade específica. A privatização compete às áreas onde o estado é dispensável. Por exemplo, todo sistema prisional deveria ser privatizado para punir o preso com trabalho e estudos obrigatórios e suficientes para seu sustento enquanto interno e re-socialização. É um contra-senso manter presídios com o dinheiro público. É uma aberração orçamentária o tal “auxílio-reclusão”, que hoje vale mais que o salário-mínimo nacional. Sou a favor da privatização em
todas as áreas onde a eficiência do setor privado possa ter marco regulatório bem definido e fiscalizado. Revista Médico: Hoje a capital vive a pior epidemia de dengue da história (o número de infectados é 1.503% mais do que o mesmo período no ano 2009). Casos como este podem ser considerados como um reflexo da gestão que gerou a crise política no GDF e na Câmara? FRÓES: Não apenas fruto da crise. Falta planejamento orçamentário, falta prioridade nas ações preventivas e toda uma série de atos administrativos falhos e de atos políticos incoerentes. Ou se prioriza a saúde e a educação para a saúde, ou sempre a despesa do setor será maior que a receita, porque se estará “correndo atrás do prejuízo”. Os programas de saúde devem ser preventivos, podem e devem ter interface com a educação pública a partir das escolas. Não se pode dissociar saúde da educação de base para efeitos de gestão de políticas públicas essenciais. Revista Médico: Diante da experiência e estudos em marketing eleitoral, saberia dizer qual será a estratégia dos nomes envolvidos nos escândalos para se permanecerem na política? FRÓES: A falta de interesse dos homens de bem. Aristóteles afirmou que “...quando os homens de bens se afastam da política a pena que sofrem é viver sobre o governo dos maus!”. Não há fórmula de marketing eleitoral que supere a honestidade de propósitos e a vocação quase que sacerdotal de servir ao público e, não ao poder público. Nisto, os médicos têm uma vantagem - sabem tratar as pessoas e com as pessoas. Se mais médicos se dispuserem à política poderemos extirpar o câncer da corrupção da política no DF e no Brasil. Afinal, o que se busca é construir uma Nação saudável para legar aos nossos descendentes.
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Congresso Nacional analisa projetos de interesse dos médicos Reajuste dos honorários médi- esferas nacional, estadual e mucos - No dia 03 fevereiro o projeto estava nicipal, estabelecendo remune-
aprovado na Comissão de Assunto Sociais (CAS) do Senado Federal, em primeiro turno. Contudo, o Senador Mozarildo Cavalcante (PTB-RR) sugeriu emenda ao PLS/2004, prevendo que os reajustes sejam anuais, aplicados em até noventa dias do início de cada ano. Ensino médico superior – projeto de lei (PL 65/2003) do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) estabelece o veto a abertura de faculdades de medicina, estipulando dez anos sem criar novos cursos médicos e o congelamento na ampliação das vagas dos cursos já existentes. O PL já está pronto para votação. Piso Salarial – como a atual lei é antiga (3.999/61) o deputado Ribamar Alves (PSB-MA) propôs o PL 3.374/08 com o intuito de modificar o valor do saláriomínimo fixado para médicos e cirurgiõesdentistas.
Carreira Médica - proposta de emen-
da parlamentar (PEC 454/09) cria a Carreira de Médico nos Serviços Públicos nas
ração inicial semelhante ao alto Poder Judiciário - em torno de R$ 15 mil reais.
Projetos que envolvem os planos de saúde Contratos entre operadoras e prestadores – pro-
jeto de lei (PL 276/04) de autoria propostas podem ser aprovadas este ano da Senadora Lúcia Vânia (PSDBseqüencial ao da pessoa jurídica que lhe GO) estabelece para os estabelecimentos de saúde e os profissionais der origem). liberais da área privada, a obrigação de contratos escritos com as operadoras de 13º Salários aos médicos das opeplano de saúde. radoras de saúde – com a aprovação do PL 6989/10, de autoria do deputado federal Pessoa jurídica nas entidades Eleuses Paiva (DEM-SP), os médicos terão filantrópicas - PLC 30/90 do deputa- direito a receber 13º salário. A gratificação do Darcísio Perondi (PMDB-RS) propõe a anual, que deverá ser paga pelas operadodesobrigação das entidades filantrópicas ras de saúde, corresponde a 1/12 dos hode constituir pessoa jurídica independen- norários médicos pagos entre dezembro do te para operar plano privado de assistên- ano anterior e novembro do ano corrente. cia à saúde. Com a aprovação, bastaria O projeto não se aplica às cooperativas que uma filial ou departamento (com CNPJ, utilizam o sistema de rateio.
Sindicato possui duas proposições de leis O ano no legislativo iniciou com projetos que podem trazer benefícios à classe médica. Um Projeto de Lei (PL) e um Projeto de Emenda Constitucional (PEC), que tramitam no Congresso Nacional foram iniciativa do SindMédico-DF. Segundo o presidente do sindicato, Gutemberg Fialho, as propostas tramitam através do deputado Laerte Bessa (PCS-DF), que acolheu as proposições. São eles: PL 5012/2009 – institui jornada máxima
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acumulada do profissional de saúde ocupante de cargo ou emprego público com profissão regulamentada em, no máximo, oitenta horas. PEC 215/2003 – possibilita aos militares dos estados, Distrito Federal e dos territórios a acumulação remunerada de cargo de professor, cargo técnico ou científico ou cargo privativo de profissionais de saúde. deputado Laerte Bessa
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Aposentadoria Especial: Entre decisões judiciais e Projetos de Lei Nos últimos anos, grandes reformas constitucionais relativas aos Direitos Previdenciários(EC20/98, EC41/2003 e EC47/2005) foram concretizadas, tanto no Thais, Advocacia Riedel Regime Geral de Previdência Social (INSS) quanto no Regime Próprio de Previdência Social (servidores públicos). Essas alterações na legislação, no entanto, ainda causam muitas dúvidas aos segurados e servidores, principalmente no que se refere às regras aplicáveis em cada situação funcional. Do mesmo modo, divergências de interpretação dos novos textos têm gerado inúmeras demandas judiciais. Um caso a ser mencionado é dos servidores que se aposentaram por invalidez em período posterior às emendas constitucionais, mas já possuíam doença incapacitante. Com interpretação diversa à do Distrito Federal, a jurisprudência começou a se firmar no sentido de que deve ser aplicada a lei vigente à época da obtenção dos requisitos para a aposentadoria, ou seja, da doença incapacitante. Outro aspecto que tem causado
polêmica se refere a quem tem direito à cos, sem limitação de idade. Após o novo posicionamento integralidade e à paridade, já que atual- mente vige a regra de cálculo da média das da Corte Suprema, o Governo Federal 80% maiores contribuições e o reajuste apressou-se em encaminhar ao Congresso anual, preservando o direito à integralida- Nacional projetos de lei complementares de dos servidores que já estavam no servi- para regular a aposentadoria especial dos ço público antes das reformas e que cum- servidores públicos (PLP 555/10) e a apoprirem determinados requisitos, e dos sentadoria dos servidores que exercem servidores aposentados por invalidez por atividade de risco (PLP 554/2010). Pela análise da PLP 555/10, veacidente em serviço, moléstia profissional rifica-se que não se exige idade mínima, ou doenças especificadas em lei. Algo também em fase de con- mas apenas a comprovação do exercício cretização coincide com a modalidade de de atividades sob condições especiais por, aposentadoria especial dos servidores pú- no mínimo, 25 anos, observadas as condiblicos que, embora prevista no artigo 4º ções de dez anos no serviço público; e cinparágrafo 4º da Constituição Federal de co anos no cargo efetivo em que se dará 1988, não era aplicada por ausência de lei a aposentadoria especial. Por outro lado, complementar regulando a matéria. Dian- além de exigir uma série de provas comte da lacuna no ordenamento jurídico, por provando a atividade insalubre, o projeto mais de 20 anos, o Supremo Tribunal Fe- não garante nem a paridade nem a intederal começou a deferir pedidos de man- gralidade para quem optar por essa modadados de injunção, determinando a apli- lidade de aposentadoria. Portanto, é necessária forte mobicação das regras do regime geral até que seja editada a referida lei complementar. lização no âmbito político para melhorar De acordo com as regras do regime geral o texto do PLP555/10, que traz avanços, (INSS), conforme artigos 57 e 58 da Lei mas também restrições. n. 8.213/91, o trabalhador pode se aposentar após 15, 20 Anote o telefone do Plantão do Jurídico ou 25 anos de traNa edição passada informamos errado o número do Plantão balho desde que em 24 Horas da Assessoria Jurídica prestada pela Advocacia condições especiais Riedel. Corrija em sua agenda o telefone para (61) 9988.3688. que prejudiquem a Se você desejar fazer um agendamento no sindicato, ligar para saúde ou exponha (61) 3244.1998, em horário comercial. o trabalhador a ris-
PEC coloca em risco direitos dos trabalhadores
PEC ameaça 13º, férias e gratificações.
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A Proposta de Emenda Constitucional (PEC), 341/09, de autoria do deputado Regis de Oliveira (PSC-SP) pode retirar direitos sociais dos trabalhadores e dos servidores públicos. A proposta reduz de 250 para 60 os artigos do texto da Constituição Federal. Já os 95 artigos do Ato das Disposições Transitórias seriam reduzidos para apenas um artigo. O assunto foi discutido no dia 06 de abril, na sede Movimento dos Servidores Aposentados e Pensionistas (Mosap). Membro do conselho fiscal, Fernando de Castro representou o SindMédico-DF junto ao Mosap na reunião. “A PEC é preocupante, pois pode afetar direitos e garantias importantes previstas na atual Constituição, como as regras da previdência pública”, afirmou Fernando. A pauta está na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara Federal.
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A Saúde que viu Brasília surgir Construir a capital da República em meio a um cerrado distante dos grandes centros foi o grande desafio de Juscelino Kubitschek. Uma multidão foi trazida para o Planalto Central com o propósito de construir a estrutura física da cidade, para que depois fosse habitada e, então, os serviços públicos implantados. Exceção ao Sistema de Saúde que foi pioneiro na capital, e por isso mesmo, batizada por alguns médicos da época como Pré-História da Medicina no DF (de 1957 a 1959). O primeiro médico da capital foi o pediatra Edson Porto, que chegou aqui em 1956 e, junto com outros médicos, deram início a esta saga. Ambulândia do IAPI (Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Industriários IAPI)
Serviço público pioneiro da de apenas um enfermeiro. O jovem médico, então com 25 anos, havia se formado há seis meses no Rio de Janeiro e decidiu ir para Goiânia, onde havia promessas de boas oportunidades de trabalho na área. Como não havia vaga disponível naquele momento, D r. E d s o n P o r t o , 1 º M é d i c o do HJKO Edson Porto fez a proposta de trabalhar por três meses no Posto do Instituto de Aposen No início da construção da cidade, tadoria e Pensão dos Industriários (IAPI), a Novacap assinou um convênio com hospital de Goiânia, para atender os pacientes em Brasília, até o fim da construção do com necessidade de internação e montar HJKO. Em contrapartida, após este períum posto médico aqui em Brasília, até a odo, iria retornar para trabalhar no hosconstrução do Hospital do Juscelino Ku- pital de Goiânia. Naquele período, o médico fazia bitschek de Oliveira (HJKO) prevista para atendimentos ambulatoriais. Os casos três meses. No entanto, o hospital só foi graves com necessidade de internação inaugurado seis meses depois. O posto médico foi assumido pelo eram encaminhados para o hospital de Dr. Edson Porto, que contava com a aju- Goiânia. Para isso, a Novacap deixava a 1 2
disposição um a avião de pequeno porte para o transporte dos pacientes. “O posto era um pequeno barraco de madeira. Na entrada, era a parte onde eu fazia a conversa inicial com paciente. Depois tinha um biombo, onde havia uma maca para os pacientes serem examinados. Outro biombo no fundo, dividia esse espaço com o meu quarto de dormir”, recordou Edson Porto, com emoção em cada detalhe. Outro posto médico começou a funcionar em dezembro de 1957, nas proximidades da SQS 208 do Plano Piloto e foi chefiado pelo urologista, Dr. Rômulo Maroclo, com a ajuda de apenas um auxiliar de enfermagem. “Cheguei aqui no dia 13 de dezembro e no dia 14 já tinha pessoas para atender. Nessa época nós exercíamos a verdadeira medicina da poeira e da lama”, contou Maroclo, que ficou por três anos nessa unidade. M a r ç o
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Inaugurado o HJKO O Posto do IAPI funcionou durante seis meses, até o fim da construção do HJKO, no final de 1957. “O hospital foi feito com 40 leitos, mas devido a epidemia de uma gripe asiática, que se proliferou logo após a inauguração, teve que ser colocado mais 80 leitos, com colchões espalhados no corredor”, contou Porto. No inicio das atividades no hospital eram seis médicos, com o auxílio de mais oitos funcionários, entre enfermeiros e parte administrativa. A demanda era alta, cada médico fazia de 30 a 40 atendimentos por dia. Manoel Scartezini veio para trabalhar como radiologista no HJKO, em 1958. O médico foi o oitavo a chegar na
cidade. “Eu vim do Rio de Janeiro para ser o primeiro radiologista da cidade. Trabalhávamos todos os dias, inclusive os feriados, o único dia que me lembro de termos parado de trabalhar foi no dia da Hospital Juscelino Kubitschek de Oliveira morte de Bernardo Sayão”, recordou Scartezini. assumiu também a demanda da emer A demanda foi amenizada com gência. A parte clínica e ambulatorial no o início dos atendimentos do Hospital HJKO ainda durou mais tempo, até a deDistrital (atual HBDF), que em dois anos, sativação total da unidade, em 1961.
Serviço médico da Câmara dos Deputados Um dos primeiros patologistas clínicos chegou à Brasília em junho de 1960. Dr. Ubiratan Perez veio do Rio de Janeiro com a responsabilidade de montar o laboratório de patologia clínica da Câmara dos Deputados, dando início ao serviço médico da casa legislativa. Dois anos depois, o patologista acumulou fun-
ção com atuação no banco de sangue da Fundação Hospitalar, do então Hospital Distrital, definida por ele como o centro médico de Brasília, onde se praticava uma medicina de primeira. “Naquele tempo, a medicina era toda centralizada naquele hospital, pois ainda não tinham hospitais de rede privada”, comparou Perez. D r .
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Fundação Hospitalar do DF Criada no dia 17 de junho de 1960, a Fundação Hospitalar teve o decreto referendado pelo presidente JK e o ministro da Saúde, Mário Pinotti. O primeiro secretário de Saúde foi o Dr. Aristóteles Bayard Lucas de Lima. O Hospital de Base iniciou as atividades oficialmente em 1961, como Hospital Distrital. Rômulo Maroclo foi o primeiro urologista da capital e, trabalhou lá desde a inauguração até se aposentar em 1992. “O hospital já era da forma que é hoje. Já tínhamos um atendimento de excelência, no que chamávamos de Anos Dourados da Medicina (período entre os anos 60 e 70), onde toda a velha guarda R e v i s t a
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da medicina de Brasília trabalhava”, afirmou o urologista. No HBDF, quem iniciou o trabalho de radiologia, também foi Manoel Scartezinni, onde ficou até a aposentadoria. “Tenho muito orgulho de ter sido um dos primeiros médicos de Brasília”, afirmou Scartezinni. Além do início do funcionamento do HBDF, outras unidades começaram o trabalho de atendimento médico em Brasília, com o apoio do serviço do Sandu. O Hospital Regional da L2, também já estava em atividade, onde Dr. Edson Porto era vice-diretor, além de trabalhar no Sandu, por dois anos.
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Hospital Universitário de Brasília (HUB) Antes de ser destinado à universidade, a unidade hospitalar pertencia ao IPASE. Anos depois foi chamada de HSU, para só então receber o nome atual de Hospital Universitário de Brasília (HUB). O Dr. Edson Porto assumiu como vice-presidente, em 1969, onde ficou até se aposentar em 1991. “Tínhamos todas as especialidades, tudo funcionava muito bem”,
afirmou Porto. O hospital foi cenário de muitos marcos na medicina do DF, como primeiro transplante de rim do DF, em 1977. O Dr. Rômulo Maroclo comandou a cirurgia. “Fui eu quem tirei os rins e até hoje os pacientes estão vivos”, relata com orgulho o urologista.
Marcos no início da medicina no setor privado Os primeiros consultórios particulares de medicina foram abertos pelos médicos pioneiros da nova capital. O primeiro foi inaugurado em 1957, pelo Dr. Edson Porto, no Núcleo Bandeirante. Em 1959, a clínica passou a funcionar na W3, mudando em 1961 para o Edifício JK, no Setor Comercial Sul, onde ele atuou até se aposentar.
Radiologia
A primeira clínica de radiologia do DF foi aberta por Manoel Scartezini em 1960. Serviço de Radiologia era o nome da clínica, que ficava localizada na comercial da 107 Sul, próximo a Igrejinha, onde funcionou até 1962. Em 64, ele e mais quarto sócios fundaram outra, com o nome de Sociedade Brasiliense de Radiologia, também no Setor Comercial Sul.
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Hospital Santa Luzia
Um dos primeiros médicos a apostar unicamente na iniciativa privada foi Arlindo Crispim. O médico formado pela Universidade de São Paulo (USP) pediu demissão da rede pública para dedicar-se unicamente ao setor privado. Em 1960 abriu a Clínica Santa Luzia, que anos depois passou a ser Hospital Santa Luzia. “Deixei quase 18 anos de serviço público para apostar no meu negócio. Logo foi comprado mais três casas na W3 Sul, onde o negócio começou a ser ampliado”, afirmou Crispim. Foi no Hospital Santa Luzia, que foi instalada a primeira clínica de urologia, na década de 70 por três médicos: Miguel de Carvalho, Gilmar Gomes e Rômulo Maroclo. “Em 1982 já tínhamos uma boa estrutura e mais de 100 médicos trabalhando no Hospital Santa Luzia. Mas naquele ano resolvi vender o hospital, para iniciar novos negócios”, contou Crispim.
Laboratório
Comercialmente conhecido como Laboratório JK, em 1963, o Laboratório de Patologia Clínica de Brasília, foi o primeiro da cidade fundado pelos médicos: Ubiratan Perez, Bayard Lucas de Lima e João da Cruz Carvalho. Após cinco anos o grupo se juntou com outra rede do setor e fundaram o Laboratório Exame, no Centro Médico de Brasília. A rede cresceu com os anos e hoje é referência no setor de laboratórios. Há três anos o grupo vendeu a rede. “Desde o início, a aceitação comercial foi muito boa. Naquele tempo havia muita amizade e pouca competição dentro da classe. Brasília permitiu isso e quem soube crescer com ela, aproveitou o momento”, afirmou Ubiratan Perez.
Agradecimento do Sindicato dos Médicos O SindMédico-DF agradece todos os médicos que ajudaram a construir a medicina do DF. Com exemplos diários de superação e amor a profissão. Em virtude do espaço disponível, contamos um pouco da bela história de contribuição da medicina na história da capital. “Sabemos que a história tem muitos outros personagens e marcos importantes. Em nome da classe,
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o sindicato agradece a todos os médicos que protagonizaram essa história. Hoje temos muito orgulho de sermos médicos da capital”, agradece Dr. Gutemberg Fialho, presidente. Em homenagem a medicina do DF, esta edição também traz o artigo de Opinião do Dr. Jair Evangelista (página 5), onde recordamos e agradecemos outros colegas importantes.
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Conheça alguns marcos da medicina pública em Brasília:
•1957- início das atividades médicas no Posto do IAPI
•1957- inauguração do HJKO
•1957- instalado o primeiro posto na região do Plano Piloto (SQS 208) •1960- começa a funcionar o serviço médico da Câmara dos Deputados
•1960- Fundação Hospitalar teve o decreto referendado pelo presidente JK e, o ministro da saúde, Mário Pinotti
•1963- realizada a primeira prova de paternidade, no Hospital Distrital •1963- primeira transfusão de sangue em criança, Hospital Distrital •1964- foi criada a residência de urologia no Hospital Distrital •1966- início das atividades do curso de medicina na UNB •1969- início das atividades no HUB
•1970- primeira turma de formandos com 80 graduados na UNB
•1977- primeiro transplante de rins no HUB
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Academia de Medicina recebe sete novos membros Uma noite de celebração à medicina e aos estudos científicos. A Academia de Medicina de Brasília (AMeB) recebeu sete novos membros no dia 30/04 em cerimônia realizada no auditório do Sindicato dos Médicos do DF. O presidente do SindMédico-DF, Gutemberg Fialho, e o diretor cultural, Jair Evangelista estavam entre os novos acadêmicos. Também foram agraciados os médicos Leonardo Esteves, Luiz Fernando Salinas, Marcus Ramos, Maurício Pereira; e representado as mulheres, Janice Magalhães Lamas (foto ao lado). Durante a cerimônia, o presidente da AMeB, José Leite Saraiva, destacou a importância da entidade e responsabilidade dos novos acadêmicos. “A Academia se orgulha em receber os novos membros, onde esperemos que todos façam valer as responsabilidades e compromissos”, ressaltou Saraiva. Para o novo acadêmico, Gutemberg Fialho, tomar posse foi motivo de satisfação. “Fazer parte dessa admirável entidade é um símbolo de reconhecimento para todos nós. Ainda mais, por saber que nomes tão importantes ocuparam essas cadeiras anteriormente. É uma responsabilidade que nos dá muito orgulho”, destacou o presidente do SindMédico-DF.
Além dos novos acadêmicos, cerca de 50 pessoas acompanharam a cerimônia de posse, entre eles, Gustavo Arantes (vicepresidente do SindMédico-DF), Jafé Torres (Grão Mestre da Maçonaria de Brasília), Paulo Socha (diretor da Fundação de Apoio a pesquisa do DF) e Lairson Rabelo (presidente da AMBr).
Cettro para crianças A capital federal ganhou seu primeiro hospital-dia pediátrico com o lançamento do Cettro Petit. O serviço, que integra o Centro de Câncer de Brasília, é comandado pela médica Ísis Magalhães, um dos grandes nomes da oncologia pediátrica do país. Na noite de abertura cerca de 200 convidados conferiram as novas instalações do empreendimento do doutor Murilo Buso (foto ao lado) e equipe.
Daher abriga exposição de pinturas rupestres Com o título “Poéticas Rupestres”, o Hospital Daher abriu a exposição da artista plástica e neuropediatra Jeanne Mas (foto ao lado), na noite do dia 2 de março. A médica pernambucana foi criada no Piauí, local de maior acervo de pinturas rupestres do mundo, na Serra da Capivara, um dos locais pesquisados para realização da série. As obras da pintora foram apresentadas em materiais como o papel machê e pinturas em acrílico.
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OAB organiza reunião de entidades contra intervenção no DF O SindMédico-DF participou dia 26/02, de reunião convocada pelo presidente da regional da OAB-DF, Francisco Caputo, com a finalidade de marcar uma posição das entidades de classe contra a intervenção no DF. Foram ilustrados os riscos de uma intervenção federal, bem como a real
possibilidade dela acontecer. O presidente da OAB contou que, as conversas que ele teve sobre o assunto com políticos do Congresso Nacional e com Ministros do Supremo, mostraram a importância de uma forte reação da Câmara Distrital, para que fosse adotada uma medida ex-
trema por parte do Governo Federal. No fim do evento foi acertado a elaboração de um documento, que afirma um pacto de governabilidade. O vice-presidente, Gustavo Arantes (foto), e o diretor cultural, Jair Evangelista representaram o sindicato.
Novos diretores no Sindicato Dois médicos assumem novas obrigações na diretoria executiva do Sindicato dos Médicos do DF. Jomar Amorim Fernandes, que estava na diretoria de Relações Instersindicais passou para o cargo de Segundo Secretário. Em seu lugar, assumiu a doutora Raquel Carvalho de Almeida, que antes estava na função de delegada sindical. Desejamos sucesso a eles e que o trabalho traga sempre melhores frutos para a categoria. Dr. Jomar
Dra. Raquel
O HCB apresenta o novo CTI Neonatal e Pediátrica Na noite do dia 24 de fevereiro, o Hospital das Clínicas de Brasília (HCB) apresentou o novo Centro de Terapia Intensiva Neonatal e Pediátrica (foto ao lado) com coquetel no próprio local, que contou com convidados médicos e operadoras de saúde. A Diretora de Imprensa e Comunicação do SindMédico-DF, Adriana Graziano, representou o sindicato no evento.
Obituário O Sindicato dos Médicos vem, em nome da classe, oferecer sua solidariedade aos familiares dos médicos José Linhares de AlbuquerR e v i s t a
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que, Orlando Teófilo Monteiro de Araújo e Emilio Carlos Accioli Rincon, que faleceram entre os dias 28 de março e 19 de abril. Dei-
xamos aqui o nosso pesar e a certeza da boa contribuição dos colegas para a melhoria da Medicina e da Saúde de Brasília. 1 7
I t i n e r a n t e
Médicos têm a oportunidade de tirar suas dúvidas sem sair do trabalho
Projeto SindMédico & Você começa por Ceilândia e irá visitar todos os Centros de Saúde do DF O Sindicato vai até o médico. Foi assim no ano 2009, com a visita de todas as unidades hospitalares do DF. Neste ano o projeto já começou a visitar os Centros de Saúde. A meta é visitar todos eles até o final de junho. No ano passado, foram atendidos mais de 300 médicos, em 15 unidades hospitalares. A vida dos profissionais da classe é agitada, o médico carece de tempo para sanar suas dúvidas, ou mesmo, saber dos seus benefícios. O Sindicato Itinerante foi a forma encontrada pelo
sindicato, de estabelecer contato direto com os médicos. Durante cada ação, o presidente do SindMédico-DF, Dr. Gutemberg Fialho, junto com parte de sua equipe, conversa com todos os médicos presentes no local. É uma visita que proporciona tempo suficiente para informar os médicos de novos benefícios ou tirar dúvidas de temas como: questões salariais, projetos de lei que envolvem a classe médica, plano de carreira, entre outros.
Centros de Saúde são o foco da visita
CEILÂNDIA As primeiras ações do Sindicato Itinerante do ano de 2010, nos Centros de Saúde de Ceilândia, já proporcionaram reflexos positivos. Em três semanas foram visitadas 12 unidades. “Começar por Ceilândia foi muito bom, o contato com os médicos foi proveitoso para esclarecimentos e informações. Um dos destaques foi a boa aceitação do sistema de simulação do contracheque, que está disponível no nosso site”, contou o presidente do SindMédico-DF, Gutemberg Fialho.
Dra. Maria Auzier “O Sindicato Itinerante é muito importante, nos sentimos privilegiados pela visita. Sempre temos muitas dúvidas e assim fica mais fácil de tirá-las”.
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Dra. Ana Carla Camargo “A incorporação da GAM foi o maior benefício conquistado em 11 anos. Se não fosse o sindicato a gente não conseguiria. É bom também este contato, nenhuma outra gestão tinha o hábito de visitar a gente”.
Resultado positivo na primeira cidade do Sindicato Itinerante
Dr. Marcio Toledo “Este contato direto com o Sindicato facilita bastante para nós. Esta ação é muito importante”.
Dr. Altamir Flores de Mello “Em pouco tempo tirei dúvidas de leis e questões salariais. Essas visitas devem ser feitas sempre, para esclarecermos questões de nosso interesse”.
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Dr. Ednildo Tenorio “Esta é uma ocasião muito proveitosa, pois assim conhecemos o trabalho do sindicato e vemos que realmente ele está atuando”
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Asa Sul e Lago Sul recebem o Sindicato Itinerante O Sindicato Itinerante visitou os centros de saúde do Lago Sul e as quatro unidades da Asa Sul. Durante a segunda etapa da ação, em 2010, os representantes do SindMédico/DF ouviram as reivindicações dos colegas, que foram encaminhadas para os órgãos responsáveis.
Colegas aprovaram visita do sindicato.
Dra. Cleine Rego “Essa ação é excelente. Geralmente não temos muito tempo de ir ao sindicato, e ele vindo aqui no posto fica mais fácil”.
Dra. Ana Cristina Carneiro “Sempre fui bem atendida no sindicato e acho ótimo que a entidade venha visitar a gente”.
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Dra. Silvia Bicudo “É ótimo para tirarmos dúvidas. Geralmente tenho acessado o site do sindicato, mas assim ficamos mais próximos”.
Dra. Admilta Serafim “É sempre importante o contato direto. A tendência nossa é criticar, nesse caso o sindicato consegue ver na prática nossas necessidades e não precisamos reclamar, só elogiar, pois vemos o que está sendo feito, na medida do possível”.
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Dr. Luiz Cesar Junqueira “Gostei bastante! Ter essa proximidade com a entidade que nos representa é muito importante”.
Dra. Ivandira Aragão “É bom para o sindicato dar as notícias do que está ocorrendo e não precisamos ir até o sindicato para pegar essas informações”.
Dra. Maria de Lurdes Oppelt “Avalio como importante essa visita para saber das notícias do sindicato”.
Dra. Francisca Onélia “Gostei muito. O sindicato se aproxima do sindicalizado” .
Dr. Orlando Czarneski (Gerente do Centro de Saúde do Lago Sul) “Esta é uma ótima ação do sindicato. Nem sempre o médico tem a disponibilidade de ir até lá”.
Dra. Marise Helena Frigini “Já venho acompanhando a ação pela internet e hoje que recebemos a visita, pude ver a importância da ação”.
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Médicos do Hospital de Base são premiados internacionalmente por técnica cirúrgica de câncer O chefe da Unidade de Cirurgia Geral do Hospital de Base, Dr. Roland Montenegro (foto acima), junto com o cirurgião Dr. Lúcio Pereira desenvolveram a técnica de aperfeiçoamento da cirurgia de câncer na cabeça do pâncreas. Tal fato rendeu ao médico reconhecimento e premiação internacional, como o que recebeu em Heidelberg, na Alemanha, em 2004. Hoje, o médico desenvolve o procedimento, dá palestras no Brasil e representa o
país no exterior. A técnica foca a redução da produção da fístula, que é gerada na fase pós-operatória. “A produção de fístula é o grande calcanhar de aquiles da cirurgia, muitos pacientes estendem o tempo de recuperação ou não resistem o pósoperatório por causa dessa reação”, explicou Montenegro. A maioria dos casos de morte, após a cirurgia eram causados pela produção das fístulas. Com a nova
técnica, o médico mudou esse quadro no Hospital de Base. A técnica foi batizada de “Montenegro”. No ano de 2004 foram registrados os primeiros casos de sucesso do procedimento. No dia 18 de abril, a técnica será apresentada em mais um país, em Buenos Aires, na Argentina. O procedimento que já foi mostrado para outras nações, como a Escócia, em 2007, também pretende ser levado em outubro aos Estados Unidos.
“O profissional que se sentir mal atendido no DRH central ou nos hospitais deve procurar a diretoria do setor” A ordem é do próprio diretor do DRH, Luiz Eduardo. Alguns médicos entraram em contato com o SindMédico-DF, para se queixar do atendimento no DRH central e dos hospitais. Segundo Luiz Eduardo, “todas as pessoas que chegam aqui reclamando são atendidas e informadas”, afirmou o diretor. Contudo, o médico que desejar fazer alguma reclamação
deve seguir as orientações do diretor. “Se alguém for mal atendido, deve anotar o nome da pessoa, o setor e a reclamação, para que possamos fazer algo. Fica muito vago para nós tomarmos providências, se não tivermos esses dados. Aqueles que sofreram algum problema podem se queixar diretamente no gabinete da diretoria”, finalizou Luiz Eduardo.
Volume de casos de dengue assusta o DF A capital nunca viveu um estado de epidemia de dengue tão intenso. A cada dia no noticiário, os números relacionados aos casos de dengue no DF aumentam. Os últimos dados mostram que os índices chegam a uma porcentagem de 1.503% de casos confirmados em relação ao início do surto. O balanço divulgado no mês de março, da própria Secretaria de Saúde, apontou 1.950 casos confirmados
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da infecção, além de 415 casos suspeitos. Em fevereiro de 2009, por exemplo, o número de casos da doença foram 69, com 327 casos suspeitos de dengue. O atual secretário de saúde, Joaquim Barbosa, reconheceu a culpa em entrevista para a Rede Globo (20/02), onde afirmou: “Nós falhamos. Não conseguimos, por várias questões, manter a nossa vigilância sempre atuante, a nos-
sa busca de focos, a nossa presença em todos os imóveis”. Para o presidente do SindMédico-DF, Gutemberg Fialho, o que gerou a crise foi o descaso da gestão anterior. “Durante a gestão do exsecretário, Augusto Carvalho, a saúde do DF passou por um período de profundo descaso. Um desses, foi a falta de um trabalho intenso de prevenção à dengue”, afirmou o presidente. M a r ç o
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Comemorar faz bem Consultor de Estratégia e Marketing
Em geral procuro escrever esta coluna, tomando como princípio as dúvidas que são mandadas periodicamente por e-mail, mas mantendo a preocupação de retratá-las de maneira atemporal e despersonalizada, entendendo sempre que, a situação de um pode ser o problema de muitos. Neste caso especial, em que comemoramos os 50 anos de Brasília, vou tomar este exemplo pontual e devidamente datado, para falar de uma coisa muito importante: saber celebrar momentos ímpares. Não importa se cinqüenta anos ou cinco, comemorar datas especiais é quase uma obrigação corporativa. Quase, por que ninguém deve se sentir obrigado a celebrar aquilo que não deseja. Porém, alcançar um marco é uma conquista que vale a pena ser compartilhada com clientes e anunciada ao mercado. Aqui vamos colocar alguns princípios para ilustrar a eficácia desta ação estratégica. Primeiro o da ampla competitividade. Cada vez mais o mercado está aberto a novos players provenientes dos bancos escolares e de outras localidades que vislumbram no mercado onde você está inserido, um pouco do seu sucesso.
O que já era bom ficou ainda mais completo R e v i s t a
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Ou seja, empreendedores que também decidiram repartir o bolo, de onde você extrai recursos para manutenção operacional e lucratividade.
“tradição é importante para construir uma boa imagem” Ainda existem aqueles que já estão inseridos no processo competitivo, só que dispostos a ampliar a parcela de participação no mercado, por meio da expansão da capacidade produtiva, com o lançamento e incorporação de novos produtos, instalações maiores ou mesmo abertura de novos pontos de atendimento. Este alargamento da fatia entre o todo, seguramente gera pressão por redução nos pedaços individuais dos demais competidores, principalmente se o mercado em
questão, não for expansivo o suficiente para acomodar o crescimento dos demais. Para se manter competitivo, ações precisam ser implementadas de forma que você faça parte do grupo das empresas que engordam sua participação. Assim, um dos melhores expedientes é ter um bom posicionamento na mente das pessoas. Aplicando este raciocínio ao contexto do artigo, veremos que o composto da tradição é importante para construir uma boa imagem junto ao mercado. Ao se comemorar uma data especial na vida da sua empresa, a mensagem que se está transmitindo é de que, em primeiro lugar, seu empreendimento ainda está atuante, enquanto muitos já desistiram; e segundo, se você já faz algo há bastante tempo, é sinal que esteja fazendo isso bem. Ou seja, que os clientes podem confiar em sua organização, pela solidez e a capacidade de prover bons produtos e serviços. Sendo assim, desejo uma boa comemoração e muito sucesso ao seu negócio. Contato com a Coluna consultorio@strattegia.com.br www.twitter.com/strattegia
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Aposentadoria paga pelo Iprev tem o mesmo teto salarial do sistema antigo Aposentadoria é assunto sério. E quando se trata da seguridade social da classe, o SindMédico-DF tira suas dúvidas. Em 30 de junho de 2008, a gestão do sistema previdenciário do DF passou a ser responsabilidade do Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev). Desde então, os servidores colecionam questionamentos. Para sanar essas dúvidas e esclarecer o médico, a Revista Médico entrevistou o diretor do Iprev, Jorgivan Machado.
Jorgivan Machado, diretor de previdência do IPREV
O Iprev
É o Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal, órgão gestor único do Regime Próprio de Previdência Social – RPPS, autarquia em regime especial, com personalidade jurídica de direito público, dotada de autonomia administrativa, financeira e patrimonial. Foi criado por meio da Lei Complementar n.º 769, de 30 de junho de 2008, para garantir que as contribuições pagas pelos servidores ativos, inativos e pensionistas e o ente público Distrito Federal (Poder Executivo, Poder Legislativo e Tribunal de Contas) sejam aplicadas e geridas de forma responsável e transparente, impedindo a utilização dos recursos para fins alheios à previdência e seus benefícios.
Funcionamento
Tem como atribuição principal captar e capitalizar os recursos necessários à garantia de pagamento dos benefícios previdenciários atuais e futuros dos segurados e dependentes, através do recolhimento das contribuições dos servidores ativos, inativos e pensionistas com alíquota de 11% (onze por cento) – parte individual e contribuições do ente público Distrito Federal (Poder Executivo, Poder Legislativo e Tribunal de Contas) com alíquota de 22% (vinte e dois por cento) – parte patronal.
Por meio de uma gestão participativa, tem a incumbência de gerir e operacionalizar o Regime Próprio de Previdência Social do Distrito Federal – RPPS/DF, incluindo a arrecadação e a gestão de recursos financeiros e previdenciários, a concessão, o pagamento e a manutenção dos benefícios previdenciários devidos aos segurados e seus dependentes, quais sejam: Quanto ao segurado: a) Aposentadoria compulsória por invalidez permanente; b) Aposentadoria compulsória por idade; c) Aposentadoria voluntária por idade e tempo de contribuição; d) Aposentadoria voluntária por idade; e) Aposentadoria especial do professor; f) Aposentadoria especial nos casos previstos em lei complementar federal, nos termos do art. 40, § 4º, da Constituição Federal; g) Auxílio-doença; h) Salário-maternidade; i) Salário-família; Quanto aos dependentes dos segurados: a) Pensão por morte; b) Auxílio-reclusão.
Diferenças do Sistema do IPREV/DF para o modelo anterior No sistema anterior as atribuições previdenciárias que incluem a arrecadação e a gestão de recursos financeiros e previdenciários, a concessão, o pagamento e a manutenção dos benefícios previdenciários devidos aos 2 2
segurados e seus dependentes ficavam dispersas pelos setoriais de gestão de pessoas, ou seja, setoriais de recursos humanos e que com a criação do IPREV/DF, estes passaram a ser centralizados em uma única unidade gestora.
Além disso, as contribuições previdenciárias eram recolhidas e destinadas a um caixa único do Tesouro do Distrito Federal, e agora estão em contas específicas regulamentadas e mantidas pelo IPREV/DF. M a r ç o
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O IPREV/DF é para todos servidores efetivos do GDF O IPREV/DF é para todos os servidores com vínculo efetivo com o Governo do Distrito Federal – GDF admitidos em qualquer data. Com a edição da Lei Complementar n.º 769, de 30 de junho de 2008, que unificou e reorganizou o Regime Próprio de Previdência Social do Distrito Federal – RPPS/ DF, por questões de gestão de recursos financeiros e previdenciários, os segurados foram separados em dois grupos distintos para integrarem dois planos: financeiro e previdenciário, ou seja, foi realizada uma segregação de massas conforme definido nos § 1º e 2º do art. 73 da referida lei, abaixo descrito:
Fundo Financeiro
Seguridade Social, destinado ao pagamento de benefícios aos segurados que tenham ingressado no serviço público até 31 de dezembro de 2006, bem como aos que recebiam benefícios nessa data e os respectivos dependentes.
Fundo Previdenciário
DF PREV, destinado aos servidores que tenham ingressado no serviço público a partir de 1º de janeiro de 2007 e aos seus dependentes, baseado no sistema de capitalização, que implica formação de reservas as quais serão devidamente aplicadas nas condições de mercado.
O teto da aposentadoria permanece o mesmo As regras permanecem as mesmas. Apenas há previsão de que com a implementação da Previdência Complementar para os servidores do Distrito Federal, os próximos admitidos acompanharão o teto do Regime Geral de Previdência Social – RGPS. Este é o
teto remuneratório do Desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios – TJDFT. É levado em consideração o tempo de serviço, e principalmente as contribuições previdenciárias recolhidas na iniciativa privada através do vínculo com o Instituto Nacional do Seguro Social – INSS e/ou com outros Regimes Próprios de Previdência Social – RPPS, da União, Estados e Municípios averbados pelo GDF.
O que o servidor precisa saber sobre o Iprev Em destaque, a norma regulamentadora que reorganiza e unifica o Regime Próprio de Previdência Social – RPPS/DF, ou seja, a Lei Complementar n.º 769 de 30 de junho de 2008, bem como a Instrução Normativa 01, de 18 de dezembro de 2008, que definiu os procedimentos relativos ao cálculo, a retenção e ao recolhimento da contribuição previdenciária do segurado ativo, inativo e do pensionista, e da contribuição patronal dos órgãos e das entidades integrantes do poderes Executivo e Legislativo do Distrito Federal, incluídos o Tribunal de Contas do Distrito Federal – TCDF, as autarquias e as fundações destinadas ao custeio do Regime Próprio de Previdência Social – RPPS.
Criação do Instituto
Ações de destaque
Em outubro de 2008, foi realizado com participação dos servidores do Governo do Distrito Federal, o 1º Seminário de Previdência dos Servidores do Distrito Federal, que teve como objetivo principal a disseminação da cultura de responsabilidade previdenciária. Está sendo preparado outros eventos como este, além de workshops e cartilhas para divulgação aos segurados, com temas relevantes como: averbações de tempo de serviço para outros regimes e contribuições previdenciárias não recolhidas ao Regime Próprio de Previdência Social do Distrito Federal – RPPS/DF. O IPREV/DF está implementando o Sistema de Gestão Previdenciária – EPREV, através do cadastramento dos servidores de todos os órgãos do GDF que consolidará todos os dados previdenciários, permitindo conceder benefícios em menor tempo possível, bem como o servidor requerer on-line, realizando a gestão do cadastro previdenciário. Encontra-se em funcionamento através de um convênio com o Ministério da Previdência Social – MPS, o Sistema de Compensação Previdenciária – COMPREV, que consiste em resgatar créditos previdenciários oriundos das contribuições previdenciárias realizadas junto ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, anteriormente pagos pelos servidores já aposentados. Desde abril de 2009 foi absorvido o pagamento da folha de servidores inativos e pensionistas do Tribunal de Contas, dos Poderes Legislativo e Executivo, exceto Secretarias de Edu-
O IPREV/DF foi legalmente constituído a partir da promulgação da Lei Complementar n.º 769, de 30 de junho de 2008, em substituição a Lei n.º 260, de 05 de maio de 1992, que cação e Saúde e Polícia Civil. não veio a ser regulamentada no âmbito do Governo do Outras informações podem ser obtidas através da nosDistrito Federal – GDF. sa página na Internet: www.iprev.df.gov.br ou através do correio eletrônico iprev@iprev.df.gov.br.
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Para relaxar e deixar o corpo em forma os médicos apostam nas academias Malhar não é apenas sinônimo de saúde. É um hobby que ajuda no dia-a-dia da profissão A missão é nobre: cuidar da saúde e do bem estar do próximo. Contudo, para honrar essa responsabilidade com sucesso, alguns médicos encontram nas academias o caminho de uma vida mais saudável e leve. Seja no fitness ou na musculação, muitos médicos recarregam as energias com atividades físicas. Para alguns, a atividade física já faz parte do cotidiano desde a adolescência, como no caso do ortopedista, Dr. Weldson Muniz. O médico conta com orgulho que a atividade física é uma rotina diária na vida dele há muitos anos. “Mesmo na época da residência, sempre tentei conciliar os exercícios na academia. Enquanto
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os colegas estavam fazendo outras coisas, eu estava fazendo atividade física” conta Muniz, que atribui a esta disciplina um fator propulsor, no período de formação. Agora, se achamos que o Dr. Weldson começou a malhar cedo, as médicas da capital também dão exemplo. A gastropediatra, Dra. Renata Belém, pratica atividade física desde 2 anos de idade. “Toda minha família tem problemas com obesidade. Logo, minha mãe me colocou para praticar atividade física muito cedo. Hoje, academia não é apenas um hobby, já se tornou um vício”, revelou a médica. Realmente a gastropediatra é um exemplo, pois encontra tempo para malhar
todos os dias, entre uma rotina diária de consultório, Hospital de Base, três filhos e um mestrado. A infectologista, Mariana Xavier, ja coleciona três décadas de malhação e equilíbrio. Por falar em exemplo, o cirurgião Dr. César Galvão, no auge dos 60 anos, mostra uma condição física, que não deixa a desejar a nenhum jovem. “Comecei a praticar atividade física mais por uma questão da minha capacidade cardiorrespiratória. Por conta da saúde entrei na academia, e hoje posso falar que sou um malhador com todo prazer”, disse Galvão, que freqüenta a academia 4 vezes por semana.
Dra. Renata Belém
Dr. Weldson Muniz
“Gosto muito de fazer spinning e ginástica localizada. Quando não faço atividade física parece que não consigo produzir. Para mim é tudo, até quando viajo não deixo de fazer alguma atividade. Ajuda muito, dá mais disposição até para pensar dentro do corre-corre diário”, afirma Renata Belém, que para não perder o ritmo, além da academia onde costuma malhar, ainda tem uma estrutura no próprio prédio.
“O médico trabalha com a carga emocional muito intensa. Na academia é exatamente o contrário. Além da condição física do trabalho, ajuda também a controlar o stress. Acho que deveria contar no currículo, como obrigação, a atividade física. As pessoas reclamam da falta de tempo, e eu costumo fazer uma comparação, se fosse uma quimioterapia, você não teria tempo? É uma quimioterapia só que de endorfina. Faço musculação e jiu-jítsu todo dia. Sempre que eu posso vou para a academia”
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Dra. Mariana Xavier “Já faço atividade física há 30 anos, o que me ajuda muito no dia-a-dia, tanto na parte da saúde, como no trabalho. A atividade me acalma e deixa meu dia melhor. É tudo de bom! Malho sete vezes por semana, sempre faço mais exercícios aeróbicos, apenas um pouco de musculação onde trabalho mais a capacidade cardio. A gente sempre arruma tempo para tudo, os médicos que dizem que não tem tempo é porque não sabem o que estão perdendo.”
Dr. César Galvão “Faço atividade física regularmente em academia há sete anos. Quando saio do treino, eu me sinto tranqüilo. Então serve como uma válvula de escape. Me dá muito mais disposição para o trabalho e me relaxa muito”, revelou César Galvão, que faz exercícios acompanhado de personal trainer.
Outros benefícios da atividade física Em recente estudo o Instituto Nacional de Câncer (Inca) publicou que atividade física, alimentação e nutrição ajuda a prevenir o câncer. Nos casos de câncer de boca a prevenção pode checar até a 63%, outros tumores também podem ser evitados através da atividade física em escala de porcentagem menor, como: faringe e laringe, esôfago, estômago, pâncreas e intestino grosso. Conheça outros benefícios da atividade para sua saúde: • Ajuda a regular a pressão arterial; • Combate o estresse; • Reduz o risco de desenvolvimento das doenças degenerativas; • Controla a ansiedade e a depressão; • Reduz o risco de desenvolver doença cardíaca coronária; • Ajuda no controle das taxas de colesterol e triglicerídeos, e eleva o bom colesterol HDL; • Ajuda a construir e manter articulações, músculos e ossos saudáveis;
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Residentes compram agulha de peridural A Situação precária da rede pública hospitalar do Distrito Federal afeta cada vez mais a atuação profissional dos anestesiologistas, que se esforçam para garantir um atendimento seguro e de qualidade a população brasiliense. A falta de agulhas peridurais nos hospitais públicos, problema que já permanece á quase dois anos, levou os residentes e staffs do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) a se cotizarem para comprar material, considerado indispensável para uma prática anestésica adequada. O assunto foi tema de um telejornal local há dois meses e, na ocasião, a Secretaria de Saúde afirmou “que já estava sendo providenciada a compra e que nenhuma cirurgia deixou de ser feita pela falta de material”.
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É possível que nenhuma cirurgia tenha sido suspensa, mas com certeza muitos pacientes não foram anestesiados pela melhor técnica, já que inúmeros trabalhos mostram menores complicações no pós operatório em paciente submetidos à peridural quando comparados à anestesia geral. Entre as vantagens pode-se citar redução da dor, tromboembolismo, isquemia miocárdica e, inclusive, metástases em pacientes operados de câncer. Se por um lado há falta de agulhas por outro há desperdício de medicamentos. O propofol 1 %, ampola com 20 ml, está em falta há alguns meses e , em seu lugar, está sendo usado um propofol 1% em seringas de 50 ml (DIPRIVAN PFS), ou frascos a 2% com 50 ml (FRESOFOL 2%), que tem custo, algumas vezes,
superior ao da ampola com 20 ml. Devido ao “excesso” da apresentação, é utilizada apenas parte do conteúdo, desperdiçando-se o restante. O desperdício, definido como “custo desnecessário”, é prática freqüente na Secretaria de Saúde. O tradicional discurso “reformas, compras e contratações” costuma ter grande impacto na mídia, porém, na prática, não é suficiente. É preciso profissionalizar a gestão. Ainda prevalecem as escolhas políticas e sem compromisso com os resultados. Na produção de um bem de alta qualidade, a tecnologia, freqüentemente, é fundamental; na de serviços, são as pessoas. Infelizmente os “mutirões” de finais de semana, embora dêem páginas inteiras em jornais, não conseguem suprir as deficiências gerenciais.
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Vinhos e Histórias Vinhos da Toscana III Vinhos Como diz o conhecido enólogo Lamberto Baronetto, uma das melhores maneiras de conhecer a fundo a Itália, seu povo, tradições, seu espírito e cultura popular, é através de seus vinhedos e vinhos. Hoje falaremos sobre outros vinhos produzidos na Toscana incluindo os Brunnello di Montalcino. Esses vinhos constituem uma pequena elite situada no ápice de uma enorme pirâmide vinícola heterogênica e variada, que geralmente não brilham pelo nível de qualidade como este, o Brunello di Montalcino. Na Itália é tradição escolher o vinho pela idoneidade e reputação da Fattoria da qual depende principalmente a qualidade do vinho. Basta lembrar que existem nada menos que 38 produtores de Grignolinos, cerca de 40 Barollos, 85 Chiantes, 87 Barberas, entre outros que diferem muito entre si quanto a qualidade. Assim, da pequena Região de Montalcino, que tem cerca de 300 hectares cultivados, provem seis Brunellos tradicionais, produzidos a partir da Cepa Brunello, variedade da San Giovese graúda. Três excepcionais, dois muito bons e um bom pelo nível de qualidade. Primeiro: Biondi Santi Riserva. O mais famoso e conhecido e de custo elevado, produzido na “Fattoria IL Greppo”, simplesmente espetacular, quando apreciado com dez anos ou mais, (preço: safra 1970, o Riserva - US$ 1,440,00. Safra 1997, Riserva - US$ 1,699,00). Segundo: Dei e Barbi. Quase tão bom quanto o anterior sendo difícil de dizer, mas tem enorme prestígio. De acordo com a Associazone Italiana Dei Somelieres, pode superar o Biondi Santi em algumas safras. Terceiro: Colle al Matrichese. Excepcional, bom corpo, macio, aveludado, difícil de ser encontrado e mais barato. Quarto: Col D’Orcia; e quinto: IL Poggione. Ambos muito bons e equivalentes. Entretanto, dependendo da safra, todos esses quatro últimos podem ser excelentes. Sexto: Poggio alle Mura. Bom e bem mais em conta. Sempre os Brunello Riserva são melhores. É importante dizer que esses vinhos são produzidos R e v i s t a
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pelo método tradicional, devendo ser respeitado o tempo de amadurecimento de no mínimo dez anos ou mais para os Riserva. Hoje em dia os vinhos não são produzidos com a rigidez de outrora, digo, a partir dos últimos vinte anos, devido ao aumento progressivo e muito acentuado do consumo, inúmeras modificações vem sendo introduzidas, tornando os vinhos ditos “modernos” globalizados ou mesmo “estereotipados”. Na opinião do autor houve por um lado, “ganhos” e de outro, “perdas” na qualidade dos vinhos. O ganho foi não esperar tanto tempo para o vinho se tornar pronto para beber. A perda, na maioria dos casos, mas não em todos (como em alguns IGTs ou Super Toscanos, e certos cortes, antes inexistentes de uvas não autóctones), foi vinhos que não chegam a ser espetaculares e de classe como os tradicionais. Oportunamente este “tema” será abordado especificamente. Falaremos agora sobre o Vino Nobile di Montepulciano. Outro DOCG da Toscana feito há muito tempo próximo da cidade de Montepulciano, apresentando algumas semelhanças com o Chiantes, embora seja em geral, um pouco mais encorpado e com boa ou ótima qualidade. É produzido com um dos clones da Sangiovese chamada Prugnolo Gentile, participando com 70% e a uva Canaiolo de 10% a 20% podendo ter outras uvas brancas. Em 1989 este vinho foi elevado de DOC para DOCG, havendo nesta oportunidade uma melhoria importante na sua qualidade e uma abertura na porcentagem das uvas. Alguns produtores elaboram Vino Nobile di Montepulciano excelentes e suas qualidades aparecem com o vinho ainda relativamente jovem, com 4 ou 5 anos, mas convenientemente estocado pode chegar bom ao décimo ano. O preço é moderado entre 100 e 140 dólares. Os melhores produtores recomendados são: Poderi Boscarelli, Avignonezi, Le Stanze, Canneto, Vigna Azinone di Poliziano, etc. Ainda na mesma região, encontra-se Rosso di Montpulciano um vinho mais simples e sem pretensão, no nível de um Chiante normal. 2 9
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O CIGARRO, A FUMAÇA Medicina E SEUS DESCAMINHOS No meio da confusão, de nariz empinado, Augusto gritava a todo pulmão: Não meta o seu nariz onde não é chamado! Não pedi a sua opinião! E ponto final. E esta, na delicadeza de uma entrevista: Gosto dessa menina. Ela sabe onde põe o nariz. O nariz, esse órgão de funções pouco conhecidas, faz parte do sistema respiratório, que tem no pulmão o seu órgão hegemônico. Por ser, na face, o elemento mais proeminente, o nariz tem suas medidas rigidamente determinadas, pois divide sua posição estratégica com os lábios e o queixo. Uma medida simples: colocando-se uma régua que toque o nariz e a ponta do queixo, ela deverá, também, tocar o lábio inferior. O nariz é realmente um órgão extraordinário. Faz parte do sistema respiratório, e para si são destacadas quatro refinadas funções, às vezes esquecidas: servir ao sentido do olfato, prover uma via aérea para a respiração, filtrar e umedecer o ar inspirado e libertar-se de substâncias estranhas que extrai do ar. Há uma quinta, e fundamental, que faz a alegria dos cirurgiões plásticos: sua insubstituível função estética. Na Índia antiga as mulheres adúlteras sofriam como castigo a amputação do nariz. Também as mulheres que se recolhiam aos conventos submetiam-se à amputação do nariz como um dos meios de preservação da virgindade: nenhuma deformação dá aspecto mais repugnante do que a que oferece o nariz mutilado. O nariz comunica-se com umas cavidades existentes nos ossos da face – seios paranasais – que auxiliam no aquecimento e umedecimento do ar inspirado. A inflamação do nariz (rinite) pode se disseminar aos seios paranasais, produzindo as sinusites. Se desejarmos fazer uma visita guiada ao pulmão, seremos obrigados a uma passagem pelo nariz, uma volta na faringe, uma descida pela laringe, uma visita à traqueia, que faz sua ligação com os brônquios, daí aos bronquíolos e aos alvéolos. E pronto. Já estaremos na intimidade do pulmão. Os cílios que revestem o epitélio da traqueia arrastam, com 3 0
movimentos orientados para cima, secreções mucosas e materiais estranhos inspirados, no sentido da laringe, e daí até o nariz e à boca. Estendendo-se da bifurcação da traqueia, os brônquios penetram nos pulmões, dividindo-se e subdividindo-se num sistema de tubos aéreos ramificados – a árvore bronquial – conduzindo ar para os alvéolos, que são as unidades respiratórias dos pulmões. É aqui, nos alvéolos, que ocorre um dos mais belos e intrigantes fenômenos do organismo: a hematose, que é a troca do oxigênio do sangue pelo dióxido de carbono, que é eliminado. Hematose é a transformação da carbohemoglibina – hemoglobina com baixo teor de oxigênio e alto teor de gás carbônico – em oxihemoglobina (com alto teor de oxigênio e baixo teor de gás carbônico). O processo respiratório é controlado, reflexamente, pelos centros respiratórios do cérebro, que são particularmente sensíveis à concentração de dióxido de carbono. A um aumento da concentração do dióxido de carbono corresponde um aumento da freqüência e da profundidade da respiração, com redução do nível desse gás. Um adulto apresenta entre onze e catorze movimentos respiratórios por minuto, enquanto uma criança ao nascer apresenta uma média de trinta e nove. A principal função dos pulmões é a troca de gases. O ar puro alcança os alvéolos e, aproximadamente, igual quantidade de dióxido de carbono é exalada. Os alvéolos funcionam, portanto, como um laboratório, onde o oxigênio é levado à barreira gás-sangue para sua troca pelo dióxido de carbono. E muitas pessoas jogam fumaça de cigarro nos alvéolos. Imagine: você está em um laboratório fazendo um trabalho delicado com gases, e alguém contamina o ambiente com fumaça, que contém alguns milhares de substâncias tóxicas, além da sujeira que fica nas paredes, móveis e objetos, com sua aura sombria e seu cheiro de suor de vampiro. Pensemos nisso tudo, antes de pormos fogo à extremidade de um cigarro. M a r ç o
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MEDICINA ORTOMOLECULAR 03 e 04/07/10,
prevalecendo posteriormente sempre o 1º final de semana de cada mês Professores com Altíssima Titulação (Mestres, Doutores e Especialistas) e melhor Conteúdo Científico. Em conformidade com a resolução 1500/98 do CFM (Conselho Federal de Medicina) 400hs/aula - 20 meses de duração (1 final de semana por mês)
:: P R O G R A M A Ç Ã O :: Disciplina
Ementa Química dos aminoácidos, carboidratos, lipídios, vitaminas e minerais - Metabolismo dos aminoácidos, carboidratos, lipídios, vitaminas e minerais - Distúrbios metabólicos relacionados com os nutrientes.
Bioquímica Biologia Celular Fisiologia
Membrana celular - Organelas e funções - Núcleo - Sinalização Celular - "Gap Junctions" Células de Adesão - Mecanismo de Apoptose - Transdução - Gens de Expressão. Respiração celular - Metabolismo do oxigênio - Reações de oxi-redução - Estrutura atômica dos radicais livres - Formação dos radicais livres - Geração das espécies reativas do oxigênio - Sistemas antioxidantes enzimáticos e não-enzimáticos - Antioxidantes primários, secundários e terciários Lipoperoxidação - Tipos de lesões causadas pelos radicais livres - Estresse oxidativo - Agentes causais do estresse oxidativo - Terapia antioxidante - Fisiologia do envelhecimento.
Carga Horária
SSO SUCELUTO ABSO
40h 40h
40h
I - Aminoácidos (Química - Fontes alimentares - Metabolismo - Funções fisiológicas Possíveis usos terapêuticos - Doses) II - Vitaminas (Química - Fontes alimentares - Metabolismo - Funções fisiológicas - Deficiência Toxicidade - Possíveis usos terapêuticos - Doses) III - Minerais (Química - Fontes alimentares - Metabolismo - Funções fisiológicas - Deficiência - Toxicidade Possíveis usos terapêuticos - Doses) IV - Lipídios (Química - Fontes alimentares - Metabolismo - Funções fisiológicas Possíveis usos terapêuticos - Doses)
Terapêutica
50h
:: LEMBRANDO ::
V - Terapêutica com nutrientes (Formulações magistrais - Reposição e suplementação nutricional Doses das principais substâncias utilizadas na terapêutica) VI - Alimentos funcionais e Fitoquímicos. I - Avaliação do Perfil Oxidativo (Determinação dos radicais livres - Dosagem dos nutrientes Patologia e Meios Mineralograma - Interpretação clínica dos resultados) Diagnósticos II - Intoxicação por Metais Pesados (Minerais tóxicos e metais pesados - Chumbo - Alumínio - Cádmio Arsênico - Mercúrio - Bário - Berílio - Mineralograma - Terapia das intoxicações por metais pesados)
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I - Patologia Cardiovascular (Agregação e adesividade plaquetária - Dislipemias - Patologia do endotélio vascular Isquemia-reperfusão - Oxidação da LDL - Homocisteína - Óxido nítrico - Fisiopatologia da aterosclerose) II - Processos proliferativos (Bioquímica do câncer - Proliferação celular - Mecanismos de progressão tumoral "Gap junctions" - Angiogênese - Processos celulares de regeneração do DNA Substâncias angiostáticas Apoptose e câncer) III - Patologia pulmonar (Fisiologia e bioquímica da respiração - Doenças pulmonares) IV - Imunopatologia e processo inflamatório ( Imunologia básica - Fagocitose - Rede imunitária Mediadores da inflamação - Formação de radicais livres no sistema imune - Hipersensibilidades Alergias - Doenças auto - imunes - imunodeficiências - AIDS) V - Patologia cutânea (Doenças da pele - Envelhecimento cutâneo - Doenças proliferativas e auto imunes da pele) VI - Patologia gastrointestinal (Fisiopatologia da digestão - Desintoxicação hepática - Citocromo P - 450 Disbiose - Alergia alimentar - Permeabilidade intestinal - Coprologia funcional)
Clínica
VII - Patologia do sistema endócrino (Receptores hormonais - Hormônios protéicos e esteróides neuropeptídios - Obesidade - Gordura marrom - Tensão pré menstrual - Metabolismo ósseo Osteoporose - Reposição hormonal - Diabetes mellitus)
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VIII - Patologia do sistema nervoso (Metabolismo do sistema nervoso central - Funções sinápticas Neurotransmissores - Neurotrofinas - Doenças neurodegenerativas) IX - Doenças psiquiátricas e distúrbios comportamentais (Estresse oxidativo cerebra - Óxido nítrico e peroxinitrito - Distúrbios cognitivos e da memória - Depressão - Esquizofrenia - Neuropeptídios - «Smart drugs» X - Radicais Livres na Medicina Esportiva (Adaptação metabólica durante os exercícios - Esporte e estresse oxidativo - Principais nutrientes envolvidos na preparação de atletas) XI - Patologia pediátrica Aleitamento materno - Ácido fólico e gestação - Obesidade - Dislipidemias - Desnutrição protéico-calórica XII - Patologia oftalmológica (Degeneração macular,catarata) Metodologia da Pesquisa Científica
Conhecimento e Pesquisa; Tipologia do Conhecimento Humano; Métodos e Técnicas em Pesquisa Científica; Produção Acadêmica; Apresentação de Projetos; Devolução Social.
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