Ano XIV - Março-Abril / 2011 - nº 86
Órgão Informativo do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal - N° 86
E d i t o r i a l
Esse assunto é particular É comum ouvirmos pelos corredores dos hospitais que o Sindicato dos Médicos do Distrito Federal tem seu foco de atuação orientado para os colegas da Secretaria de Saúde (SES/DF). Existem vários motivos que podem contextualizar esse sentimento, entre eles o de que o cenário original mostrava que a maioria esmagadora dos médicos sindicalizados, tinha o seu vínculo empregatício com o setor público da cidade, ajudando a adensar as discussões e a própria atuação do sindicato nesse sentido. Mas independente das razões ou justificativas formuladas, uma das missões de quem dirige uma instituição com o porte, a representatividade e a importância do SindMédico-DF é sempre antever e atender demandas que serão relevantes na vida dos sindicalizados. E com um diferencial: com peso e capacidade de decisão, que colocam nossa instituição como ator principal e não coadjuvante diante dessas iniciativas. Enfim: fazer bem feito e de maneira impactante. A realidade de hoje e a tendência de amanhã revelam uma crescente inserção do profissional médico no setor privado. Para se ter uma ideia, 20,3% dos profissionais já trabalham exclusivamente na medicina suplementar e 33,8% estão tanto no setor público, quanto no privado. Os dados são do Instituto Vox Populi, em pesquisa encomendada pelo Sindicato dos Médicos em 2010. Foi diagnosticando esse cenário que a gestão do SindMédico-DF, ainda no ano passado, decidiu desenvolver um pacote de soluções que pudesse alcançar melhor esse público que cresce a cada dia. A principal medida foi criar uma diretoria específica para assuntos da medicina privada, que pudesse organizar e estruturar as demandas da instituição junto a esse segmento. Os médicos perceberam de imediato os impactos dessa medida. Um dos exemplos concretos foi a participação efetiva nas atividades que envolveram a publicação da chamada “Resolução da Autonomia” (317/2010), editada pelo Conselho Regional de Medicina do DF (CRM-DF). No entendimento do sindicato, mas do que devolver ao médico o direito inalienável de receber honorários e negociar seus contratos diretamente com os convênios, sem a presença de intermediários (hospitais e clínicas), a medida trará melhor plataforma de remuneração universal para todo o setor, com a valoração do ato médico, tomando como base a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM). Um importante reflexo foi a recente mobilização contra as operadoras de planos de saúde ocorrida no dia 7 de abril, com a paralisação por 24 horas dos atendimentos aos convênios. A participação e os investimentos feitos pelo SindMédico-DF fizeram com que a capital do país fosse a terceira cidade brasileira com indicadores mais intensos de adesão à manifestação, conforme constatou o próprio Correio Braziliense, por meio de instituto de pesquisa próprio. Mais do que isso: a mobilização colocou em pauta que o valor mínimo aceito para consultas precisa ser de, no mínimo, R$ 60, contra o preço que oscila hoje entre R$ 20 e 40. Os médicos estão acostumados a ver o seu sindicato fazer diferença nas iniciativas de que participa e não será diferente com sua atuação em favor dos médicos que escolheram o setor privado para o exercício da sua profissão. Afinal, acreditamos que ao cuidar bem tanto do colega que está no setor público quanto do que está na saúde suplementar, ganhamos no final uma medicina mais justa, sem exploração de médicos e, seguramente, também da sociedade.
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S u m á r i o
Entrevista
Juliana Ferreira Advogada do IDEC
Presidente Dr. Marcos Gutemberg Fialho da Costa Vice Presidente Dr. Gustavo de Arantes Pereira Secretário Geral Dr. Emmanuel Cícero Dias Cardoso 2º Secretário Dr. Jomar Amorim Fernandes Tesoureiro Dr. Gil Fábio de Oliveira Freitas 2º Tesoureiro Dr. Olavo Gonçalves Diniz Diretor Jurídico Dr. Antônio José Francisco P. dos Santos Diretor de Inativos Dr. José Antônio Ribeiro Filho Diretora de Ação Social Drª. Olga Messias Alves de Oliveira Diretora de Relações Intersindicais Drª. R aquel Carvalho de Almeida Diretor de Assuntos Acadêmicos Dr. Lineu da Costa Araújo Filho Diretora de Imprensa e Divulgação Drª. Adriana Domingues Graziano Diretor Cultural Drª. Lilian Suzany Pereira Lauton Diretor de Medicina Privada Dr. Francisco Diogo Rios Mendes Diretores Adjuntos Dr. Antônio Evanildo Alves, Dr. Antônio Geraldo da Silva, Dr. Baelon Pereira A lves, Dr. Cantídio Lima Vieira, Dr. Cezar de Alencar Novais Neves, Dr. Eloadir David Galvão, Dr. Flávio Hayato Ejima, Dr. Maurício Cotrim do Nascimento (licenciado), Dr. Tiago Sousa Neiva, Dr. Vicente de Paulo Silva de Assis Conselho Fiscal Dr. Carlos Fernando da Silva, Dr. Fernando Américo Rozzante de Castro, Dr. Francisco da Silva Leal Júnior, Dr. Gustavo Carvalho Diniz, Dr. Regis Sales de Azevedo Conselho Editorial Drª. Adriana Graziano, Dr. Gil Fábio Freitas, Dr. Gustavo Arantes, Dr. Gutemberg Fialho, Drª. R aquel Almeida Editor Executivo Alexandre Bandeira - RP: DF 01679 JP Jornalista Alessandro Mendes - MTb 2571/DF Diagramação e Capa Pedro Henrique Corrêa Sarmento Fotos Gustavo Lima e Azimute Projeto Gráfico e Editoração Strattegia Consulting Anúncios +55 (61) 3447 - 9000 Gráfica Athalaia SindMédico/DF Centro Clínico Metrópolis SGAS 607, Cobertura 01, Cep: 70.200 - 670 Tel.: (61) 3244 - 1998 Fax.: (61) 3244 - 7772 sindmedico@sindmedico.com.br www.sindmedico.com.br Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva de seus autores.
Fórum Regulamentação da profissão médica
Jurídico
Lista especial de precatórios
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Capa
Saúde sem Exploração
Aconteceu
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Posse na AMeB
Regionais
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UPA de Samambaia Sobrecarregada
Vida Médica
Médicos Jipeiros
Especial
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Sindicais
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Mandado de injunção 836
SindMédico na cidade
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Artigos
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Opinião - 5 Estratégia - 21 Vinhos - 28 Literárias - 30
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O p i n i ã o
Médicos reagem aos planos de saúde
Dr. Francisco Diogo Rios Mendes Diretor de Medicina Privada do SindMédico-DF
Os prestadores de serviços cobram de R$ 50 a R$ 100 para fazer manutenção em residências, veículos e aparelhos diversos. Esses trabalhadores ganham mais do que a remuneração paga atualmente pelos planos de saúde por consultas médicas. Nessa relação não é levada em conta a formação de nível superior dos médicos, as diversas formas de especialização e, principalmente, as condições de mercado. Os eletricistas, encanadores, ou reparadores, que merecem todo o nosso respeito e reconhecimento, têm demonstrado mais capacidade para impor à sociedade preços justos por seus atendimentos. Para que a luta dos médicos por remuneração justa seja conhecida pela população, aqueles que atendem planos de saúde suspenderam, em todo o país, consultas e outros procedimentos no dia 7 de abril, Dia Mundial da Saúde. Os pacientes previamente agendados foram remarcados e todos os casos de urgência e emergência, atendidos. Essa paralisação teve uma adesão nacional superior a 80% dos 160 mil colegas que trabalham no sistema de saúde suplementar no Brasil. Ademais, serviu como um alerta aos planos de saúde, às autoridades públicas e à sociedade.
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A comparação da remuneração entre os prestadores de serviços e dos médicos que atendem pelos planos de saúde é real e aceitável em uma sociedade capitalista, que exige do médico investimento pessoal e estrutural infinitamente maior do que aquele apresentado pelos operários nos seus currículos. Os planos de saúde são ainda mais imponderados no que se refere à remuneração de clínicas, laboratórios e outras estruturas de atendimento aos nossos pacientes. Reagir contra essas injustiças remuneratórias é sempre mais difícil para o médico do que para qualquer outro profissional. Há questões éticas e de consciência que engessam a categoria. Mas é preciso mudar essa realidade e garantir aos médicos remuneração correta por seu trabalho, o que, em inúmeras vezes, significa salvar uma vida. A Sociedade Brasileira de Urologia–DF, o Sindicato dos Médicos, a Associação Médica de Brasília e o Conselho Regional de Medicina do DF promoveram recentemente um painel para debater esse tema. Na discussão, sobressaiu o depoimento de uma jovem médica, já bastante conceituada. Ela contratou um operário para desentupir um
vaso sanitário em sua casa. Depois do problema resolvido, veio a conta. Ele cobrou R$ 100 pelo serviço feito em meia hora. A médica argumentou que o preço era mais do que o dobro do que recebia por uma consulta nos planos de saúde. A resposta do encanador fez a moça ter vontade de chorar: “Então chame um médico para desentupir os canos da sua casa”, disse ele. Ela, sem ter mais o que falar, pagou. É justo que os médicos persistam na campanha iniciada agora, para abertura de negociação com os planos de saúde. Precisamos acabar com a interferência deles na autonomia do trabalho médico, o que prejudica a assistência aos pacientes. E temos que lutar pela valorização da medicina, do trabalho e pelo respeito e dignidade do profissional em Medicina. Os planos registram lucros bilionários e precisam remunerar de forma decente quem está na ponta, zelando pela saúde de 45 milhões de brasileiros que pagam caro e garantem aos planos um faturamento que deverá chegar, em 2011, a 70 bilhões de reais – valor que supera em 10% o valor total a ser repassado ao SUS/MS pela União no ano corrente.
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O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) é uma associação de consumidores, fundada em 1987, sem fins lucrativos, que não tem qualquer vínculo com empresas, governos ou partidos políticos. Por sua notoriedade, foi convidada, junto com o Procon-SP, a participar do Grupo Técnico da ANS para estudar os reajuste dos planos de saúde. Dr. Juliana Ferreira, advogada do Idec conta como foi a saída do instituto da mesa de negociações e a avaliação que se faz do mercado de Saúde Suplementar no Brasil. Revista Médico – Por que o Idec se retirou do grupo técnico da ANS que elabora a nova fórmula de reajuste dos planos de saúde? Juliana Ferreira – O Idec e o ProconSP foram convidados para fazer parte de um Grupo Técnico da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), com o objetivo de elaborar uma nova fórmula de reajuste para os planos de saúde. Após ter participado de duas reuniões com especialistas para discutir a proposta regulatória, nas quais as condições dos debates foram marcados pela falta de transparência sobre as reais condições que teriam impacto direto nos consumidores, o instituto decidiu não participar, pois é contrário ao atual enfoque da Agência para a
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discussão. Para o Idec, metodologia de reajuste não pode se resumir apenas a questões econômicas. Na carta enviada à ANS para expor os motivos da recusa, o Idec e o Procon-SP reiteraram que não há como dissociar a discussão do novo método de reajuste da análise do setor de planos de saúde. É necessário tornar a discussão muito mais ampla e promover a própria estruturação do setor. Além disso, não se vislumbra na proposta de discussão apresentada pela agência, a capacidade de pagamento dos consumidores para a busca de uma solução a longo prazo e que garanta um equilíbrio assistencial, econômico e financeiro. Com isso, a discussão pode culminar em aumento dos custos de planos de saúde individuais ou familiares aos consumidores.
Revista Médico – Quais os critérios apresentados pela ANS para essa reformulação no cálculo do reajuste das operadoras? Juliana Ferreira – A nova metodologia de reajuste proposta pela ANS prevê o aperfeiçoamento da metodologia atual, que é baseada na média dos reajustes dos contratos coletivos, com a inclusão de fatores de regionalização e variável de eventos exógenos, mas contém elementos extremamente subjetivos e de difícil conceituação. Porém, segundo informações da ANS, o novo método não será aplicado aos planos coletivos, que hoje representam mais de 70% do mercado. Idec e Procon também ressaltaram a problemática da coletivização do setor e consideram que não se pode admitir que a revisão do método de
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Juliana Ferreira, Advogada do Idec
reajuste não envolva os planos coletivos. A falta de regulação adequada para esse tipo de contrato resulta em reajustes abusivos e, consequentemente, na rescisão unilateral de contratos, conforme se constatou da análise de diversos casos apresentados no documento enviado à agência. Revista Médico – Como o Idec avalia a atuação da ANS nos papéis de regulamentação do setor e regulação das relações entre pacientes, profissionais da saúde e operadoras? Juliana Ferreira – Com a criação da ANS e a promulgação da Lei dos Planos de Saúde (Lei 9.656/98), a expectativa dos consumidores era de que houvesse uma efetiva proteção de seus direitos, uma vez que o setor de planos de saúde atuava há mais de 30 anos apenas seguindo as práticas de mercado e ignorando a proteção garantida pelo Código de Defesa do Consumidor, sem controle ou fiscalização específica por parte do Estado. Mas, apesar das inovações positivas trazidas por essa nova regulamentação, como a definição de padrões mínimos de cobertura e o estabelecimento de critérios para a entrada, funcionamento e saída de empresas no setor, desrespeitos ao direito do consumidor ainda são frequentes, principalmente com as negativas de coberturas de procedimentos e aplicação de reajustes abusivos. O Idec tem larga história de acompanhamento da regulação no Brasil e encerrou recentemente o estudo Agências reguladoras e tutela do consumidor, realizado no âmbito do projeto Pensando o Direito, iniciativa da Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça. A ANS foi uma das agências estudadas e verificou-se uma verdadeira ausência de política regulatória que considere os interesses do consumidor como prioritários, bem como que a Agência possui atos de regulamentação em desconformidade com os preceitos do Código de Defesa do Consumidor. Além disso, constatou-se que muitas vezes o problema reside na atuação concreta, no discurso e na prática.
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E n t r e v i s t a Revista Médico – Quais foram as deficiências observadas nesse estudo? Juliana Ferreira – As deficiências percebidas no universo regulatório são demonstradas (I) pela ausência de suficiente estímulo à competitividade no mercado, por insuficientes previsões que garantam o serviço com qualidade, continuidade e eficiência; (II) pelo ainda presente desequilíbrio entre as partes envolvidas com o setor regulado, o que se evidencia em decisões claramente desfavoráveis ao interesse público e aos consumidores; (III) pelos ainda incipientes mecanismos de participação social nos processos decisórios e; (IV) pelo parco comprometimento das agências em atuar em consonância com os preceitos do Código de Defesa do Consumidor. O Idec enviou no ano passado uma carta à nova presidência da ANS apresentando dez reivindicações dos consumidores de planos de saúde e convidando a agência a firmar um efetivo e oficial compromisso de implantação de mudanças em temas que há anos são discutidos e que pendem de solução, a fim de que se garanta o respeito ao direito à saúde dos usuários de planos de saúde - que já somam 43 milhões de brasileiros (aproximadamente 23% da população). Revista Médico – Além dos pacientes terem queixas contra os planos de saúde, os médicos reclamam que os reajustes contratuais e as tabelas são insuficientes e privilegiam consultas e procedimentos de menor complexidade (e custo). Quais as soluções possíveis para essa situação? Juliana Ferreira – O Idec reconhece que tanto os consumidores como os prestadores de serviços médicos têm graves problemas em sua relação com as operadoras de planos de saúde. Para que esta situação comece a se resolver é necessária a intervenção e a fiscalização eficiente por parte da Agência Nacional de Saúde Suplementar - ANS, que seja pautada tanto pelo que prevê a Lei de
Planos de Saúde (Lei 9.656/98), como pelos princípios previstos no Código de Defesa do Consumidor e pelo respeito à profissão dos prestadores de serviços de saúde (médicos, fisioterapeutas e psicólogos, entre outros). Revista Médico – O Idec criticou o voluntariado para certificação dos planos de saúde. Há notícia de que algum deles tenha se apresentado espontaneamente para ser avaliado? Na visão do instituto, quais deveriam ser os critérios e quem deveria fazer a avaliação dos planos? Juliana Ferreira – O Idec considera que a proposta da ANS apresenta-se descolada da realidade do consumidor. Os problemas de qualidade na prestação dos serviços pelos planos de saúde são largamente conhecidos e denunciados não só pelas entidades de defesa do consumidor, como também pelas entidades médicas e pela imprensa: redes assistenciais frágeis; inexistência de critérios claros de distribuição geográfica e de composição de rede; descredenciamentos sem prévia informação ao consumidor e sem justificativa clara, implicando em redução de rede e descumprimento de contrato; demora excessiva para marcação ou realização de consultas, exames e cirurgias; burocracia e mecanismos de regulação (auditorias) utilizados pelas operadoras que dificultam o acesso do consumidor ao atendimento; e ausência de prestação de serviço em processos de liquidação de operadoras, entre outros. Assim sendo, o Idec defendeu que o programa de certificação voluntária não entre em vigor e seja substituído por proposta de indicadores de qualidade de aplicação compulsória, balizadores de atividades fiscalizatórias da agência. O Instituto também ressaltou que a proposta é inviável dos pontos de vista constitucional e legal, ferindo princípios que vinculam a atuação do Poder Público – como o dever de tornar públicas informações de interesse da sociedade e o dever de, tomando conhecimento de irregularidades no setor regulado, agir prontamente.
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Comissão de Assuntos Sociais do Senado tem nova composição CCJ da Câmara analisará constitucionalidade de proposta de criação de carreira médica de Estado Beto Oliveira / Ag. Câmara
PEC 454/2009: piso salarial digno para a categoria Tramita na Câmara dos Deputados a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 454/2009, que cria a carreira de médico nos serviços públicos federal, estadual e municipal e estabelece a remuneração inicial da categoria em R$ 15.187, semelhante a de juízes e promotores. O objetivo da proposta é criar a carreira de Estado para os médicos. Trata-se de uma antiga reivindicação da categoria, que traz benefícios para toda a sociedade. “Fortalecer a atuação dos médicos em áreas exclusivas de Estado é um requisito para garantir a qualidade e a continuidade da prestação de serviços à população”, argumenta o presidente do SindMédico-DF, Gutemberg Fialho.
Atualmente, a categoria convive com baixos salários no serviço público, o que acarreta desmotivação. Na tabela de honorários do Sistema Único de Saúde (SUS), por exemplo, uma cirurgia de artérias e veias paga, no máximo, R$ 308 ao médico. Essa medida permitiria também a provisão de atendimento médico público a regiões desprivilegiadas. A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania analisará a admissibilidade da PEC. Caso aprovada, a proposta será examinada por comissão especial e, depois, votada em dois turnos pelo plenário da Câmara. Acompanhe: http://migre.me/4bjCU
Diretrizes para carreira A PEC 454/2009 estabelece normas para a organização da carreira de médico de Estado, que só poderá ser exercida por ocupantes de cargos efetivos, contratados por concurso público. A matéria determina também:
Os senadores Jayme Campos (DEM-MT) e Casildo Maldaner (PMDB-SC) foram eleitos, respectivamente, presidente e vice-presidente da Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado Federal para o biênio 2011/2012. No dia 04 de maio, receberam o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que apresentou as diretrizes e metas de sua pasta para os próximos quatro anos. Passam pela CAS muitas das proposições de interesse dos médicos. Compete ao colegiado opinar sobre proposições que digam respeito, entre outros, a relações de trabalho e condição para o exercício de profissões. Cabe ainda à comissão atuar pela proteção e defesa da saúde; condições e requisitos para remoção de órgãos, tecidos e substâncias humanas para fins de transplante; pesquisa, tratamento e coleta de sangue humano e seus derivados; produção, controle e fiscalização de medicamentos; saneamento, inspeção e fiscalização de alimentos; e competência do Sistema Único de Saúde. Composta por 21 titulares, e tendo o mesmo número de suplentes, a CAS reúne-se semanalmente, às quintas-feiras, às 11h30, no plenário 09 da Ala Alexandre Costa do Senado Federal. Acompanhe a agenda da Comissão de Assuntos Sociais do Senado: http://migre.me/4bmx8
Acompanhe a tramitação da PEC 454/2009: http://migre.me/4bnzV
Geraldo Magela / Ag. Senado
1. Participação dos Conselhos de Medicina nos concursos para a área; 2. Ascensão funcional baseada, alternadamente, em critérios de merecimento e antiguidade; 3. Exercício do cargo em regime de dedicação exclusiva, com autorização para ocupar outro cargo ou função apenas no magistério; 4. Proibição de receber honorários ou qualquer outro tipo de remuneração de pessoas físicas ou jurídicas, públicas ou privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei; 5. Exercício administrativo e funcional do cargo de médico de Estado será regulado e fiscalizado pelo Conselho Federal de Medicina; 6. Médicos federais, estaduais e municipais concursados pelas regras anteriores à promulgação da emenda constitucional constituirão carreira em extinção; e 7. Piso salarial dos médicos será fixado em lei e reajustado anualmente.
Padilha apresentou diretrizes e prioridades da pasta da Saúde à CAS. A aprovação da Emenda 29 está entre elas
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Aposentadoria especial para médicos O Projeto de Lei Complementar (PLP) nº 555/2010, que tramita na Câmara dos Deputados, trata da concessão de aposentadoria especial sob o ponto de vista da insalubidade no desempenho profissional. A proposta se aplica a servidor público cujas atividades sejam exercidas sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. No caso dos médicos, no entanto, o texto original não prevê situações específicas para a categoria: acúmulo de cargos, licença-saúde, meios de facilitar a prova de insalubridade, a possibilidade de conversão de tempo especial em tempo comum e uma regra de transição para a aposentadoria especial que garanta a integralidade e a paridade. Essas sugestões do SindMédico-DF para alterações no PLP 555/2010 foram encaminhadas por representantes da entidade à relatora da matéria na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público (CTASP) da Câmara, deputada Manuela D’Ávila (PCdoB/RS). A audiência, agendada a pedido do sindicato, foi realizada no dia 29 de março e contou com a presença do vice-presidente, Gustavo Arantes; do diretor Jurídico, Antônio José Francisco Pereira dos Santos; e da advogada Thaís Riedel, da assessoria jurídica. Também participaram do encontro o secretário geral e o diretor de Assuntos Jurídicos da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), Mario Antonio Ferrari e Antônio Roberto Cardoso Murisset. “Alguns pontos que apresentamos já estão sendo contem-
Taciana Geisel RBW/Fenam
Entidades estiveram com a Deputada Manuela D’avila
plados em instruções normativas do Executivo, mas é importante que a lei tenha as lacunas preenchidas, para que não haja retrocessos ou interpretações divergentes”, destaca Gustavo Arantes. A deputada Manuela D’Ávila mostrou-se receptiva às ponderações apresentadas pelas entidades médicas e, depois de prometer estudá-las, afirmou que o relatório seria concluído até o final de abril e votado na comissão até o final de maio. Acompanhe a tramitação do PLP 555/2010: http://migre.me/4blMV
Frentes Parlamentares em defesa da saúde e dos profissionais do setor Duas frentes parlamentares relançadas no Congresso Nacional na atual legislatura (2011-2014) têm como objetivo comum atuar em defesa da saúde e dos profissionais do setor: a Frente Parlamentar Mista da Saúde e a Frente Parlamentar em Defesa dos Profissionais de Saúde. A Frente Parlamentar Mista da Saúde é considerada um dos colegiados mais representativos e importantes do Legislativo e é composta por mais de 250 parlamentares, entre eles 30 senadores e 12 ex-secretários estaduais de Saúde. Já a Frente Parlamentar em Defesa dos Profissionais de Saúde representa os interesses de 14 categorias registradas no Ministério da Saúde, entre elas médicos, dentistas, enfermeiros, farmacêuticos, nutricionistas e fonoaudiólogos. O grupo foi instituído pela primeira vez em 2007 e, na atual composição, conta com 287 deputados. Entre as proposições consideradas prioritárias pelos dois colegiados, a Revista Médico selecionou as duas que impactam na atividade dos médicos: regulamentação da Emenda Constitucional (EC) nº 29/2000, que fixa os percentuais mínimos a serem investidos anualmente em saúde pela União, estados e municípios; e a aprovação do PL 3734/2008, que fixa piso salarial de R$ 7 mil para os médicos que trabalharem 20 horas semanais.
Leonardo Prado/Ag. Câmara
Reunião da Frente Parlamentar em Defesa dos Profissionais da Saúde
David Ribeiro/Ag. Câmara
Acompanhe a tramitação da EC 29/2000: http://migre.me/4blXZ Acompanhe a tramitação do PL 3734/2008: http://migre.me/4blRn
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Reunião da Frente Parlamentar Mista da Saúde
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Regulamentação será tema de debate em audiência
Nova padronização para penalização de médicos
Agenda Parlamentar da Saúde Responsável
A proposição de lei que define a área de atuação, as atividades e os cargos privativos do profissional médico, resguardadas as competências próprias das diversas profissões ligadas à área de saúde, será objeto de debate em audiência pública convocada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado Federal. Representantes de entidades de classe de profissionais da área de saúde, incluindo os médicos, serão consultados nessa etapa da tramitação sobre a proposição que se popularizou como Ato Médico. O projeto teve origem no Senado em 2002 (PLS 268/2002) e, em dezembro de 2006, foi remetido à Câmara, onde tramitou como PL 7703/2006. Em 21 de outubro de 2009, os deputados aprovaram o texto em plenário. O substitutivo da Câmara (SCD) retornou ao Senado, onde tramita desde o dia 8 de dezembro de 2010 na CCJ. Em 21 de março de 2011, o senador Antonio Carlos Valadares (PSB/SE) foi designado relator da matéria. A proposição elenca 15 atividades privativas dos médicos, com destaque para a formulação do diagnóstico nosológico (que classifica as doenças), com a respectiva prescrição terapêutica, e a emissão de atestado sobre condições de saúde, doenças e possíveis sequelas.
A legislação que trata dos Conselhos de Medicina e estabelece penas para imperícia e infrações éticas e disciplinares no exercício da medicina vigora há mais de cinco décadas. Em seu artigo 22, a Lei nº 3.268, de 30/09/1957, tem sido criticada tanto pela desatualização quanto por criar uma gradação imperfeita – um fosso entre as penas de suspensão do exercício profissional por trinta dias e a de cassação definitiva do mesmo – e não reconhecer e impedir a possibilidade de reabilitação. Para estabelecer novas penalidades para imperícia e infrações médicas, tramita no Legislativo o Projeto de Lei do Senado (PLS) nº 437/2007. A matéria foi analisada em caráter terminativo pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado Federal e remetida para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), na qual aguarda designação de relator. As alterações propostas consistem na modificação do padrão atual de sanções em dois aspectos: a inclusão de penas de intensidade intermediária, entre as atuais de suspensão temporária da atividade profissional e a de cassação definitiva do diploma, e a possibilidade de reabilitação do profissional punido, nos casos de imperícia, passível de ser corrigida com o devido treinamento.
As proposições legislativas que tramitam no Congresso Nacional e são de interesse da categoria médica e da assistência em saúde foram reunidas em uma publicação: a Agenda Parlamentar da Saúde Responsável. A publicação foi elaborada pela Comissão de Assuntos Políticos (CAP), composta por representantes do Conselho Federal de Medicina (CFM), da Associação Médica Brasileira (AMB) e da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), entidade à qual o SindMédico/DF é filiada. A agenda política dos médicos foi distribuída a parlamentares, governadores e secretários de saúde (estaduais e de capitais) presentes em encontro informal com líderes de entidades representativas dos médicos realizado no dia 13 de abril, na sede do CFM, em Brasília. Durante a reunião, que contou com a presenção de parlamentares das diversas siglas, foram tratados temas prioritários para a saúde e o exercício profissional da medicina.
Acompanhe a tramitação do PLS 437/2007: http://migre.me/4c8kq Veja a íntegra da Lei nº 3.268, de 30/09/1957: http://migre.me/4c8lJ
NOTA: Para acessar as páginas eletrônicas indicadas nesta seção, basta digitar o endereço eletrônico informado no navegador de internet.
Acompanhe: http://migre.me/4bjaW
Veja a versão on-line da Agenda da Saúde Responsável: http://migre.me/4fWbI
Básico Médico Secretaria de Saúde Início em 08 de Maio
Médico Perito do INSS
Início em 29 e 30 de Abril e 8 de Maio
Médico Perito da Polícia Civil Início em 30 de Abril
Básico SUS 1 0
Início em 2 de Maio M a r ç o / A b r i l
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Ao Vivo (internet ou pelo IPhone*) Aulas reprisadas 24h.
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Lista preferencial de precatórios O SindMédico-DF convoca os afiliados com mais de 60 anos que ainda não o fizeram a apresentar à diretoria jurídica o requerimento para dar entrada na lista preferencial para recebimento de precatórios do Governo do Distrito Federal. Segundo a
Emenda Constitucional 62, de 02 de abril de 2009, têm preferência no recebimento de créditos de natureza alimentícia (decorrentes de salários, proventos, pensões, benefícios previdenciários e indenizações por morte ou invalidez) os que, na data da pu-
blicação da lei, tinham 60 anos ou mais. A quitação em caráter especial tem o teto de até 30 salários mínimos. Médicos nessa situação, com precatórios pendentes, devem procurar a Diretoria Jurídica do Sindicato. Contato: Sr. Raquel (3244 1998).
Ressarcimento de indébitos Os filiados que tiveram valores indevidamente retidos a título de contribuição fiscal sobre valores referentes a precatórios recebidos do GDF e que não apresentaram requerimentos para
pedido de ressarcimento também devem procurar a Diretoria Jurídica para fazê-lo, a fim de serem incluídos na ação judicial. O processo daqueles que já assinaram o requerimento foi ajuizado no
Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios e corre sob o número 2011011067047-8 na 7ª Vara de Fazenda Pública do DF. Mais informações pelo telefone 3244 1998, com Raquel.
Incorporação de horas extras Aposentados ocupantes de cargos privativos de médicos na estrutura do serviço público do Distrito Federal fazem jus à incorporação de valores recebidos a título de pagamento de horas extras, correspondentes à jornada predominante nos 36 meses imediatamente anteriores à aposenta-
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doria, com base no parágrafo 7º do artigo 41 da Lei Orgânica do Distrito Federal. Os filiados enquadrados nessa situação devem procurar a Diretoria Jurídica levando cópia de documento de identidade, CPF, do contracheque do mês imediatamente posterior à aposentadoria e dos 36
contracheques imediatamente anteriores à data da aposentadoria, constantes dos valores consignados na rubrica hora extra de forma contínua por, no mínimo, 19 meses. A presença do interessado é necessária para a coleta de assinatura de procuração e contrato. Contato: Raquel (3244 1998).
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AMeB recebe dois novos acadêmicos O oftalmologista Procópio Miguel dos Santos e o especialista em Medicina Nuclear José Ulisses Manzzine Calegarosão os novos acadêmicos da Academia de Medicina de Brasília (AMeB).
Os dois novos acadêmicos foram saudados pelos pares em sessão solene realizada no Auditório Dr. Tito Figuerôa, do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF), na noite da terça-feira,
22 de março, sob a presidência do acadêmico José Leite Saraiva, com a presença do também acadêmico e presidente do SindMédico,-DF Gutemberg Fialho e familiares dos novos acadêmicos.
Fórum de Honorários Médicos Em preparação ao movimento de protesto deflagrado no dia 7 de Abril, a Sociedade Brasileira de Urologia Seção Distrito Federal realizou, no dia 25 de março, o Fórum de Honorários Médicos, com o apoio do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédicoDF), Asociação Médica de Brasília (AMBr) e Conselho Regional de Medicina (CRM/DF). Coordenado pelo presidente da SBU/DF, Diogo Mendes, e com a participa-
ção do vice-presidente do SindMédico, Gustavo Arantes, o evento foi realizado no Centro de Atividades Científicas e Culturais da AMBr. Durante o encontro foi apresentado estudo encomendado pela SBU à Fundação Getúlio Vargas (FGV) sobre a evolução da remuneração dos procedimentos médicos pelas Operadoras de Planos de Saúde (OPS) frente aos índices de inflação e de correção das mensalidades pagas pelos pacientes.
Encontro em Goiânia O presidente Gutemberg Fialho participou, entre os dias 16 e 18 de março, do I Encontro Nacional dos Conselhos de Medicina (ENCM), realizado em Goiânia. De Brasília, o cardiologista Geniberto Paiva Campos proferiu a conferência Determinantes Sociais da Saúde e o epidemiologista Maurício Gomes Pereira
discorreu sobre o tema Avaliação Crítica das Evidências Científicas. Além dessas conferências, os temas em destaque foram OPosicionamento do CFM na Terceirização da Saúde Pública, Da Graduação ao Mercado de Trabalho e Saúde: Orçamento e Prioridade de Gestão.
Obituário Ao passo que se solidariza com a família e amigos, o SindMédico-DF registra o falecimento prematuro do pediatra Walney Amoroso Dias, colega que soube mostrar dignidade e valor no exercício da profissão médica.
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SindMédico-DF na mídia
Fotos: Rafael Qinan/Azimute Comunicação
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Paralisação de 07 de abril - Globo, Record, Band TV, Band News, CBN e Jovem Pan Numa maratona de entrevistas , o presidente do SindMédico-DF, Gutemberg Fialho, falou ao Bom Dia DF, ao DFTV 2ª Edição, e a duas edições dos jornais da Rede Record e da Band sobre o movimento dos médicos da saúde suplementar por honorários justos. Destacou os aumentos de mensalidades pagas pelos pacientes acima da inflação e reajustes de honorários que nem chegam a atingir
os índices de medição da inflação. O diretor Diogo Mendes também falou à Rede Record. Nesse mesmo dia, Gutemberg também concedeu entrevistas às rádios Band News, CBN e Jovem Pan sobre as reivindicações dos médicos, esclarecendo a população acerca da difícil situação dos médicos no relacionamento com as operadoras de planos de saúde.
Correio Braziliense (CB) 21 de abril
Jornal de Brasília (JBr) 11 de abril
CB e JBr 08 de abril
O presidente Gutemberg Fialho defendeu a posição dos médicos no cumprimento da Resolução 317 do CRM/DF. Ele enfatizou que a obrigatoriedade em atender os beneficiários dos planos é das operadoras e não dos médicos.
A coluna Ponto do Servidor destacou a audiência agendada pelo SindMédico com a deputada Manuela D’Ávila (PCdoB/ RS) para apresentação de propostas a serem incluídas no PLC 555/2010, sobre a aposentadoria especial.
Os dois diários destacaram a paralisação dos médicos realizada na véspera, pela remuneração justa do trabalho médico por parte das operadoras dos planos de saúde. Ambos enfatizaram a grande adesão ao movimento.
Correio Braziliense 06 de abril
Jornal de Brasília 06 de abril
Jornal de Brasília 25 de março
O presidente do SindMédico-DF falou ao Correio sobre o movimento reivindicatório dos médicos do setor privado. Destacou o número crescente de descredenciamentos. As especialidades de pediatria e obstetrícia foram tomadas como exemplo.
O diário antecipou a paralisação, citando release enviado pela comunicação social do sindicato. A reportagem destacou que o descredenciamento dos médicos descontentes com a atuação das operadoras de planos de saúde é uma realidade que afeta mais de 600 mil usuários.
Em matéria antecipando a paralisação em 7 de abril, o jornal ressaltou a adesão do SindMédico-DF. “O usuário paga caro pelo plano de saúde, mas, às vezes, falta médico justamente pela categoria não receber conforme o serviço que oferece”, declarou Gutemberg Fialho ao diário.
Jornal de Brasília 25 de março
Bom Dia DF 04 de março
Jornal de Brasília 03 de março
A coluna Ponto do Servidor destacou que a SES vai cumprir o Mandado de Injunção 836 para contagem diferenciada de tempo de serviço insalubre, com atendimento prioritário às requisições das certidões dos médicos filiados ao sindicato signatários da ação judicial que originou o mandado.
Sobre a limitação nos exames de mamografia, o vice-presidente do SindMédico-DF explicou a necessidade de priorizar o atendimento das situações de maior risco e ressaltou as dificuldades enfrentadas pelos médicos da rede pública de saúde para bem atender os pacientes.
O vice-presidente Gustavo Arantes comentou o problema da falta de recursos para realização de mamografias na rede pública de saúde, ressaltando que esse é um dos problemas com que os médicos têm de lidar, priorizando casos que apresentam maior risco.
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O mercado entre o médico e o paciente Estabelecida uma lógica perversa de mais valia, planos de saúde lucram bilhões sem dar a devida contrapartida a médicos e pacientes Os parágrafos II e III dos Princípios Fundamentais do Novo Código de Ética Médica expressam que o alvo de toda a atenção do médico é a saúde do ser humano, em benefício do qual deverá agir com o máximo de zelo e o melhor de sua capacidade profissional, e que para exercer a Medicina com honra e dignidade ele necessita ter boas condições de trabalho e ser remunerado de forma justa. Na prática, ocorre que a relação do paciente com o médico sofre interferência de intermediários. Na saúde pública, os governos. Na saúde suplementar, operadoras de planos e seguros de saúde (OPS). No primeiro caso, profissionais
médicos se concentraram no mall central do Centro Clínico Sul
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da saúde e pacientes sofrem com a queda crônica nos investimentos na rede pública de saúde. No segundo, a imposição da lógica de mercado ao campo da saúde não tem garantido a remuneração justa da prática da Medicina, muito menos primado pela saúde dos pacientes. E as queixas vêm tanto de um quanto de outro. A advogada Juliana Ferreira, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), afirma: “O Idec reconhece que tanto os consumidores como os prestadores de serviços médicos têm graves problemas em sua relação com as operadoras de planos de saúde.” Para a advogada, apesar dos avanços obtidos com a criação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e da promulgação da Lei dos Planos de Saúde (Lei 9.656/98), desrespeitos ao direito do consumidor/ paciente ainda são frequentes, principalmente com as negativas de coberturas de procedimentos e aplicação de reajustes abusivos. Do lado dos médicos, a crítica não é menor. A própria Resolução Normativa – RN/ANS Nº 71, de 17 de
março de 2004, que estabelece os requisitos dos instrumentos jurídicos a serem firmados entre as operadoras de planos privados de assistência à saúde ou seguradoras especializadas em saúde e profissionais de saúde ou pessoas jurídicas que prestam serviços em consultórios, é letra morta solenemente ignorada pelas OPS e não fiscalizada pela agência reguladora. “Na última década, a diferença entre os reajustes dos planos de saúde impostos aos usuários deles e os reajustes concedidos aos honorários médicos é absurda: as mensalidades aumentaram acima da inflação, enquanto os rejustes dos honorários não chegam à metade dela”, critica o presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal, Gutemberg Fialho. “Essa é uma clara violação de um princípio básico do Código de Ética”, completa. Pesquisa encomendada pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) à Fundação Getúlio Vargas resgatou pesquisa do Instituto de Pesquisas Econômicas aplicadas (IPEA), publicada em 2005, que aponta, entre 1996 e 2003, reajuste das mensalidades de planos de saúde da ordem de 418%, contra 86% no reajuste das consultas médicas. De 1996 a 2010 a diferença entre um e outro reajustes é superior a 300%.
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Protesto no Dia Mundial da Saúde No dia 7 de abril, médicos atuantes na rede privada de todo o país cruzaram os braços para os atendimentos de planos de saúde, para protestar contra essa situação. O especialista em Medicina Nuclear Alaor Barra Sobrinho, sócio fundador do Instituto de Medicina Nuclear e Endocrinologia de Brasília S/C Ltda., foi um dos que aderiu à paralisação. Além de ter de intermediar a relação dos pacientes com as operadoras de planos de saúde, o que é demorado e implica em custo com pessoal e comunicação, teve de assumir até mesmo o custo de impressão de guias dos planos. Dr. Alaor conta que 90% dos atendimentos do instituto são prestados por meio dos planos de saúde e somente 10% são atendimentos particulares. “Já nos propusemos a atender os pacientes da Secretaria de Saúde do DF pela tabela do SUS (Sistema Único de Saúde), mas a burocracia não permitiu isso, mesmo com o serviço não funcionando no Hospital de
Base”, conta. “Quem regula os preços são os planos de saúde. Alguns são justos, outros pagam valores defasados”, queixa-se. Ao ortopedista e traumatologista João Eduardo Simionatto também não faltam motivos para queixa. “Na minha especialidade, o custo com tecnologia aumentou e a remuneração dos planos de saúde não cobre os procedimentos”, diz. “Há uma inversão completa de valores, que não pode ocorrer. A população deixa de procurar a medicina pública, migra para a suplementar, mas esta está ficando tão ruim quanto aquela. Já não se encontra reumatologista e dermatologista, por exemplo, atendendo planos de saúde, e outras especialidades vão parar de atender. Trabalhamos cada vez mais para ganhar a mesma coisa de dez anos atrás”, desabafa. R$ 44,23 Com o cuidado de causar o mí28,00 nimoR$transtorno possível à população, a paralisação obteve os resultados desejados: esclarecer a população sobre o prejuízo que a ação das OPS tem causado ao
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O ganho das operadoras e o reajuste dos médicos Em sete anos, os planos médicohospitalares tiveram 129% de incremento na movimentação financeira, passando de R$ 28 bilhões para R$ 65,4 bilhões. O valor da consulta, no mesmo período, subiu apenas 44%.
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atendimento na medicina suplementar e alertar o poder público e as operadoras para a necessidade urgente de correção das distorções. “Este é um movimento que apenas começou no dia 7”, esclarece Gutemberg Fialho. “Se detectarmos que as negociações continuarem sendo desvantajosas para os médicos, novas ações serão definidas oportunamente pelas entidades R$ 44,23 representativas da classe”, afirma. R$ 28,00
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Fonte: Valores de consultas de 2003 e 2004 foram apurados pelas entidades médicas. Os demais são dados oficiais da própria ANS e BCB. 50%
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Atenção especial à medicina privada
SindMédico-DF nomeou Diogo Mendes para nova diretoria
No fim da gestão anterior (do triênio 2007/2010), a Diretoria de Medicina Privada do SindMédico-DF foi criada para fazer frente à necessidade premente de desenvolver ações com foco específico neste segmento. “Hoje, dos 11 mil médicos em atividade no DF, cerca de 8,5 mil têm alguma participação na saúde suplementar”, diz o diretor Diogo Rios Mendes. “E essa diretoria está sendo implementada para desenvolver ações específicas e adequadas a esse importante segmento médico no DF”, completa. Respondendo pela Diretoria do sindicato e ao lado do vice-presidente, Gustavo
Arantes, e da diretora de Relações Intersindicais, Raquel Almeida, Diogo foi um dos articuladores do movimento que se iniciou em 7 de abril e ressalta a importância da união do SindMédico-DF à Associação Médica de Brasília (AMBr) e ao Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM/DF). Paralelamente à estruturação do movimento por melhor remuneração e autonomia no ato médico, o desafio diante de sua diretoria é aumentar a participação dos médicos da iniciativa privada no sindicato. “O fortalecimento mútuo do sindicato e do médico é que vai nos possibilitar o fortalecimento da atividade médica na esfera privada”, enfatiza. Depois da bem sucedida paralisação no Dia Mundial da Saúde, estão previstas reuniões com as sociedades de especialistas agrupadas por grandes áreas, ampliação da discussão sobre honorários médicos justos, incluindo nestas discussões o CRM e a AMBr, e a manutenção do movimento de reivindicações junto às operadoras de planos saúde em Brasília, além de uma franca discussão com as diretorias dos hospitais privados no DF.
Agenda nacional do movimento Abril: início das negociações com o impreterível envio, pelas entidades, de correspondência às operadoras, para que apresentem suas propostas em resposta aos médicos. Final de maio: consolidação das negociações (preferencialmente por operadora) e das propostas concretas apresentadas pelos planos e seguros de saúde. Início de junho: convocação, pelas Comissões de Honorários Estaduais ou Regionais, de assembleias dos médicos, com o objetivo de deliberar sobre o posicionamento da categoria na continuidade da relação com os planos de saúde. Julho: balanço nacional dos resultados e das deliberações das assembleias distrital, estaduais e regionais.
Ela já existe há muito tempo, mas quase não é aplicada para orientar a remuneração dos profissionais da Saúde Suplementar vinculados aos convênios. Em Brasília, foi inclusive inserida na Resolução 317/2010, editada pelo Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF), quando estabeleceu novas regras para dar maior autonomia ao médico em fazer sua gestão de contratos e receber recursos de seu trabalho sem intermediários. Em um de seus artigos, a norma dita que os convênios devem remunerar os honorários tomando como base a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM). Na avaliação do Sindicato dos Médicos do DF, a mobilização do Dia da Saúde deu maior fôlego e musculatura para que o CRM-DF consiga fiscalizar o cumprimento da medida, trazendo ganhos reais e horizontais a todos os médicos da iniciativa privada. Segundo o presidente do SindMédico-DF, Gutemberg Fialho, a principal reivindicação da categoria ao promover 24 horas de para-
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controlar e arbitrar seus contratos diretalisação de atendimento aos convênios é jusmente sem a influência de terceiros, com tamente deixar de ser explorada pelos planos a segurança de operar em patamares míde saúde, auferindo ganhos justos pelo exernimos aceitáveis de remuneração. Por isso cício da profissão. “Neste quesito, a Resolução mesmo, ela deve ser cumpridas por todos: já fixa que o valor de consulta não deva ser convênios, médicos, hospitais, clínicas e asinferior a R$ 60 e o de visita de R$ 88”, ilustra. sociações. As regras já estão vigentes desde Um dos aspectos positivos em favor o dia 19 de março e as denúncias contra o da classe é de que não se faz necessário nenhudescumprimento dela devem ser encamima engenharia financeira para se determinar nhadas para o conselho, a fim de adotar o quanto de reajuste pode ser aplicado aos rápidas providências, para que a resolução honorários, já que a norma determina como não se torne mais uma “letra morta”. referência uma instrução de valores conhecida pelo mercado e atualizada periodicamente. No caso em questão, da CBHPM versão 2010, disponível para consulta e download nos sites das entidades de classe nacionais (CFM e AMB). O sindicato lembra que a resolução editada pelo CRM-DF é muito positiva para classe, já que dá ao sindicato apoia atuação do CRM em favor da resolução médico instrumentos para
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Crédito das fotos ASCOM - CRM-DF
Implantação da CBHPM ganha força
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Diretoria faz segunda visita a UPA Samambaia
UPA Samambaia continua sobrecarregada Comitiva integrada pelo vicepresidente do SindMédico-DF, Gustavo Arantes, o diretor de Assuntos Acadêmicos, Lineu da Costa, a diretora de Ação Social, Olga Oliveira, o diretor Jurídico, Antônio José e a diretora de Cultura, Lillian Lauton, esteve na Unidade de Pronto Atendimento de Samambaia 45 dias depois da primeira verificação de condições de trabalho dos profissionais médicos lotados na unidade. “Houve avanço na questão da se-
gurança, mas o quadro geral ainda é preocupante no funcionamento da unidade”, avaliou o vice-presidente. Estrutura, equipamentos e material de trabalho não faltam na unidade, mas a quantidade de atendimentos, em torno de 500 por dia, é incompatível com a quantidade de médicos. Nessa última visita havia dois clínicos, um ortopedista, um pediatra e um odontólogo. Gustavo Arantes, espera que realmente se efetive a contratação dos médicos
aprovados no concurso que acontecerá no dia 11 de junho de 2011. “A carência de médicos não se restringe à UPA. Ela também ocorre no Hospital Regional de Samambaia e nos postos de saúde. A vinda desses profissionais vai beneficiar toda a população atendida e os atuais trabalhadores da saúde, sobrecarregados com a enorme demanda”, afirma. O Sindicato continuará acompanhando de perto as condições de trabalho na UPA Samambaia e a abertura de novas unidades.
Situações observadas • Infraestrutura, equipamentos e materiais adequados; • Insegurança por falta de porta entre o saguão e a área de atendimento médico; • Falta de recursos humanos, médicos em especial; • Cerca de 500 atendimentos/dia com o quadro funcional incompleto; • Desinformação da comunidade a respeito da proposta de funcionamento da UPA; • A emergência do HRSam não foi desafogada, apenas trocou de lugar; • Cerca de dois terços dos atendimentos da Clínica Geral realizados no HRSam e na UPA ocorrem nos períodos de hora extra.
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Exame Medicina Diagnóstica inicia serviço de vacinação em Brasília Unidade do Sudoeste foi adaptada para oferecer o serviço de vacinação. Vacina contra gripe já está disponível
O Exame Medicina Diagnóstica/ DASA acaba de entrar no mercado de vacinação do Distrito Federal. As vacinas já estão disponíveis na unidade do Sudoeste
do laboratório, que foi adaptada para oferecer o serviço aos brasilienses. Para levar aos clientes as principais vacinas disponíveis no mercado privado do Brasil, o Exame conta com a experiência de mais de uma década da DASA no setor. Com mais de um milhão de doses já aplicadas, a DASA está presente em várias capitais e é hoje a maior rede privada de vacinação do país. Com o início do serviço de vacinação, o Exame participa da campanha nacional de 2011 contra a gripe. A va-
cina contra a gripe é trivalente, ou seja, composta por três tipos de vírus causadores da gripe, cuja composição é orientada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e baseada em estudos sobre os vírus mais frequentes em determinado período, dentre eles o H1N1. As outras vacinas oferecidas pelo Exame são: Hepatites A e B, Difteria -Tétano – Coqueluche, Meningocócicas, Pneumocócicas, Hemophilus, Poliomielite, Rotavírus, HPV, Gripe, Varicela e SarampoCaxumba-Rubéola.
Inaugurado em Brasília instituto especializado no tratamento de Catarata Sob a coordenação do médico oftalmologista Leonardo Akaishi, a clínica possui estrutura avançada, tecnologias de ponta e atendimento personalizado
O (foto acima) médico oftalmologista Leonardo Akaishi acaba de inaugurar o Instituto de Catarata de Brasília (ICB). Localizada no Edifício Pacini, na 915 Sul, a clínica possui estrutura com cinco consultórios, sala de exames com aparelhos de última geração e médicos especializados no tratamento de glaucoma, doenças da córnea, transplantes e cirurgias de catarata – especialidade de Akaishi, reconhecido internacionalmente como um dos maiores especialistas no assunto. Com mais de 40 mil cirurgias de
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catarata realizadas só no Distrito Federal, onde reside há 25 anos, Akaishi é presidente da Sociedade Brasileira de Catarata e Implantes Intraoculares (SBCII), e abriu o ICB para agregar ao tratamento da doença os diferenciais de seu currículo, oferecendo aos pacientes técnica apurada, maior eficácia e segurança no tratamento da catarata, que hoje, atinge 30% da população com mais de 60 anos. Reconhecido por ser o primeiro oftalmologista no mundo a atingir a marca de duas mil lentes multifocais implantadas em 2007, e por ter realizado a primeira cirurgia de implante de lente de contato para alta miopia no Brasil, em 1996, Leonardo Akaishi se tornou referência mundial no tratamento de catarata. Constantemente convidado a realizar palestras que envolvem o tema catarata, nos principais congressos do mundo, o médico detém ainda o título de especialista conferido pelo Conselho Brasileiro de Oftal-
mologia (CBO) e pela Associação Médica Brasileira (AMB). Especialista em catarata por facoemulsificação, com formação na Eye Clinic Dr. William de La Pena, em Los Angeles (EUA), em 1993, e na Clínica do dr. Howard Fine, Eugene, Oregon (EUA), de outubro de 1994 a abril de 1996, Leonardo Akaishi tem como meta, com seu trabalho na área, transformar o Brasil em referência mundial em cirurgia de catarata. Com a abertura desse novo centro de atendimento, Akaishi pretende associar seu talento e competência reconhecidos internacionalmente à marca do ICB, que nasce para ocupar lugar de destaque, com corpo clínico altamente qualificado e atendimento diferenciado. O ICB tem os dois mais modernos microscópios cirúrgicos (Moller e Leica) e três dos últimos facoemulsificadores Stellaris (B&L), Infinity(Alcon) e Signature (Amo), o primeiro a ser instalado na região Centro-Oeste.
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Para escolher a ferramenta certa Consultor de Estratégia e Marketing Já tive alguns pedidos de leitores para que eu fosse mais didático em determinados assuntos, dados o distanciamento que existe entre as disciplinas de Administração e Medicina. É este sem dúvida um desafio que qualquer colunista ou escritor persegue: não ser só lido, mas compreendido pelo seu público. O caso que vamos abordar agora me deixa muito confortável neste sentido, pois será facilmente ilustrado, dentro do cotidiano dos profissionais de saúde: o diagnóstico. Aliás, vamos começar trocando este termo por outro: anamnese. Exatamente como os médicos fazem para compreender e tratar bem seu paciente, nós, consultores de mercado, percorremos o mesmo processo para identificar o que faz mal a saúde de uma empresa e que medidas precisam ser adotadas para que ela tenha longa vida. De preferência que não morra nunca. Por isso bons tratamentos prescindem de bons diagnósticos. Principalmente para saber identificar o fator gerador de danos, daquilo que são conseqüências ou efeitos provocados por estes males. Para isso vou citar um exemplo bem típico que normalmente costumo me deparar. Um dono da empresa me reclama que o faturamento não cobre as despesas. Como não
sabem o que gera o desencaixe entre receitas e despesas, acreditam que a solução seja contratar uma ação publicitária, que vai estimular clientes, gerar vendas e ampliar a barra “azul” das finanças, diante da “vermelha”. Na maioria das vezes demonstram que desconhecem o problema que possuem e, por conta disso, escolhem as alternativas de saneamento igualmente erradas. Pior, comparam e escolhem ferramentas equivocadas para
“Se você não souber o que dizer é melhor ficar de boca fechada” cuidar dos seus males. Mais ou menos optar entre um palito de madeira ou a ponta de uma faca para limpar aquele alimento que ficou incrustado entre os dentes, incomodando e inflamando a gengiva. Pode lhe parecer óbvio o primeiro diante do segundo, mas não estranhe encontrar pessoas usando outros artifícios
menos ortodoxos, para essa mesma tarefa, que podem gerar imagens hilárias ou repugnantes. Porém, não tão eficazes ou feitas de maneira eficiente ao problema exposto. Dessa maneira, tenho algumas regrinhas básicas para dar: 1º.) Se quer investir o seu recurso que já está pouco, escolha conhecer o seu problema. Vai ser mais econômico e racional para tratá-lo posteriormente. 2º.) Entenda que tudo o que você fizer de errado na sua empresa, vai impactar negativamente suas finanças. Os causadores podem estar tanto na entrada de recurso, quanto na gestão dos mesmos. 3º.) Uma campanha publicitária nunca vai resolver a falta de estratégia e de posicionamento do seu negócio. Se você não souber o que dizer é melhor ficar de boca fechada. 4º) Por fim, é melhor usar o fio dental!
Contato com a Coluna consultorio@strattegia.com.br www.twitter.com/StrattegiaSaude
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Acordo entre sindicato e SES permitiu emissão de certidões
Sai do papel a contagem diferenciada Depois de meses de inércia na Subsecretaria de Gestão de Pessoas em Saúde no governo anterior, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES/DF) vai dar andamento ao cumprimento das determinações do Mandado de Injunção (MI) 836 do Supremo Tribunal Federal (STF), que estabelece a contagem diferenciada de tempo de serviço insalubre prestado pelos servidores estatutários para fins de aposentadoria. Acordo firmado entre a Subsecretaria e o Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF), no dia 16 de março, prevê que as certidões começem a ser expedidas 60 dias contados a partir da semana seguinte à reunião e os médicos filiados ao SindMédico signatários da ação do Mandado de Injunção 836 – afiliados até 11 de junho de 1998 –, primeiros a ter seus processos analisados, terão suas certidões emitidas ex officio. Nessa primeira leva de certidões será respeitada a ordem de antiguidade de matrícula. “Uma vez que as regionais de
Cerca de 200 médicos estiveram no sindicato para se informar sobre o assunto.
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saúde não têm estrutura para fazer tudo de uma só vez, o critério de antiguidade nos pareceu o mais justo, pois a contagem diferenciada terá efeito imediato para os mais antigos, em alguns casos já permitindo a aposentadoria”, explica o presidente do SindMédico-DF, Gutemberg Fialho. Os médicos não signatários da ação terão de apresentar requerimento individual depois da regulamentação de métodos de trabalho para a verificação das condições de trabalho e expedição dos laudos técnicos, perícias e demais documentos necessários, conforme orientação do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF). Essa regulamentação vai envolver técnicos da SES/DF, do Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev) e da Secretaria de Planejamento e Orçamento, como determinado por parecer do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF). Espera-se que esse procedimento seja concluído em prazo igual ao início das emissões de certificados dos sindicalizados abrangidos pelo Mandado de Injunção. A subsecretária de Gestão de Pessoas em Saúde, Maria Natividade Gomes da Silva Teixeira, preocupa-se, no entanto, com a falta de estrutura do setor de Gestão de Pessoas da Secretaria de Saúde. “Sabemos que vamos encontrar dificuldade em função do caos encontrado, mas estamos nos organizando para cumprir a determinação judicial e, com o tempo, normalizaremos a emissão das certidões”, garante a subsecretária. Essa limitação pode determinar a prorrogação nos prazos acertados entre a SES e o SindMédico-DF para a conclusão das emissões das certidões.
“O grande problema era a inércia da Secretaria em cumprir o que foi garantido pela Justiça. Agora que a nova gestão tomou a atitude de fazer sair do papel, a maior ajuda que o servidor pode dar para a coisa fluir é ter tranquilidade”, pondera Gutemberg. Em assembleia realizada no mesmo dia, mais de 180 sindicalizados ouviram as boas notícias e tiraram algumas dúvidas com o presidente Gutemberg Fialho, a advogada Thaís Riedel e o presidente do Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev), Jorgivan Machado. A advogada falou sobre os enquadramentos nas diversas regras de aposentadoria e Jorgivan explicou que todo servidor do Governo do Distrito Federal hoje é ligado ao Iprev e não mais ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e falou sobre as garantias de rendimentos de aposentadoria e composição do fundo do Instituto. O presidente do sindicato enfatizou que é indispensável aos médicos obter informações sobre a questão previdenciária tanto para decidir entrar no serviço público quanto para programar a aposentadoria. “Antes de tomar a decisão da aposentadoria, é importante que o médico consulte o plantão jurídico-previdenciário e o serviço de revisão de contracheque do sindicato. Se não fizer isso, pode ter prejuízo financeiro”, alertou Gutemberg Fialho.
Serviço: Os agendamentos para o plantão jurídicoprevidenciário e para o serviço de revisão de contracheque devem ser feitos pelo telefone 3244 1998. M a r ç o
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diretoria quer ouvir médicos sobre condições de trabalho
Sindicato retorna aos hospitais com novo projeto A diretoria executiva do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF) definiu uma agenda de visitas às unidades de saúde das diversas regionais de saúde. Nessa maratona de encontros com os médicos, os diretores do sindicato vão, in loco, verificar as condições de traba-
lho e os problema enfrentados no dia a dia dos hospitais, postos de saúde e UPAs. As eventuais irregularidades e problemas constatados pela equipe do SindMédico serão relatadas por meio de ofício ao Conselho Regional de Medicina e demais órgãos competentes, para que se busquem
as soluções necessárias para o digno desempenho do trabalho médico nas dependências públicas do DF e, dessa forma, melhore também a qualidade dos serviços públicos de saúde oferecidos à população brasiliense. Veja abaixo o calendário de visitas para os meses de maio a julho:
Maio
Junho
Taguatinga Asa Norte Base São Sebastião Paranoá Planaltina
02 - segunda - 14h00 11 - quarta - 14h00 18 - quarta - 19h00 20 - sexta - 09h00 25 - quarta - 14h00 30 - segunda - 14h00
Guará Taguatinga Ceilândia Gama
08 - quarta - 14h00 15 - quarta - 19h00 17 - sexta - 09h00 27 - segunda - 14h00
Base
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Regime de 40 horas para Radiologia Lei corrige distorção que discriminava radiologistas
ex-deputado distrital Dr. Charles (PTB/DF)
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A Lei nº 4.480, de 1º de julho de 2010, esclarece o presidente do SindMédico, Gutemberg Fialho, está em plena vigência. De autoria do Executivo, com o empenho do ex-deputado distrital Dr. Charles (PTB/DF) para a inclusão dos médicos, a referida lei garante aos profissionais nas especialidades de Radiologia, Medicina
Nuclear e Radioterapia submetidos ao regime de 20 horas semanais a extensão para o regime de 40 horas semanais. “A própria Secretaria de Saúde tem concedido o regime de 40 horas a diversos profissionais”, avisa o presidente. Essa é uma reivindicação antiga, finalmente atendida.
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Portaria cria polêmica sobre jornada de trabalho Portaria da Secretaria de Saúde de 21 de março de 2011 dá margem a interpretações errôneas em relação à quantidade de horas de trabalho permitidas aos servidores que acumulam dois cargos na SES. No Artigo 1º, define que cada jornada deve ser cumprida integralmente, sem ultrapassar o limite de 60 horas semanais, em conformidade com a Decisão 2.795/2008, do Tribunal de Contas do Distrito Federal.
De acordo com decisão do juiz da 3ª Vara de Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), essa determinação é ilegal, pois não há imposição de limite de horas na acumulação lícita de cargos públicos. O magistrado fundou a decisão no texto constitucional, que define como condicionante para a acumulação de cargos públicos de profissionais de saúde apenas o
quesito da compatibilidade. Outro aspecto sobre o qual o Sindicato dos Médicos do DF questiona a Secretaria de Saúde é (no parágrafo 3º) o estabelecimento de intervalo mínimo de seis horas entre uma jornada e outra, quando o médico for lotado em unidades diferentes. “Se a rede já sofre com a carência de médicos, essa limitação só vai criar um problema ainda maior”, enfatiza o presidente do sindicato, Gutemberg Fialho.
Carga horária tem de ser respeitada Outra portaria questionada pelo SindMédico é a de nº 26, de 14 de março deste ano, que determina o não fechamento das Unidades Básicas de Saúde (UBS) no horário de almoço. O item IV dessa portaria também determina que os médicos deverão acolher
Novos convênios O sindmedico também fechou convênio com a rede de academias Runway, Runway Acqua e Runway Kids. Nas atividades de academia, a conveniada oferece 50% de desconto na taxa de matrícula e 25% de desconto nas mensalidades dos planos Prata e Empresarial (este na unidade do Lago Norte) de seis meses. Para as modalidades aquáticas, o desconto na matrícula é de 50% e 10% no valor das mensalidades nos planos trimestral ou semestral. Na Runway Kids, o
e encaminhar as demandas vermelhas e amarelas da classificação de risco que surgirem em seu horário, independente da quantidade de atendimentos já realizados no seu turno de trabalho. A implementação da medida não pode desconsiderar o cumprimento da
carga horária dos médicos, e a organização da demanda é responsabilidade da direção das unidades de saúde. “Não se pode exigir que o médico trabalhe fora do seu turno. É um problema de gestão que a Secretaria de Saúde vai ter de resolver sem prejuízo aos médicos”, enfatiza Gutemberg Fialho.
Malhação desconto é de 50% na matrícula e de 10% no valor do plano semestral para os que aderirem a mais de duas modalidades. As avaliações físicas serão cobradas pelos valores de tabela. Os descontos não são cumulativos e os interessados devem apresentar declaração do sindicato no ato da matrícula. Confira as modalidades, serviços e horários oferecidos pelas unidades da Runway no endereço eletrônico: www.runway.com.br.
Ensino Superior O Sindicato dos Médicos do Distrito Federal firmou convênio com a União Pioneira de Integração Social (Upis – Faculdades Integradas) para oferta de descontos aos sindicalizados e familiares nas mensalidades dos cursos oferecidos tanto na graduação quanto nos programas de pósgraduação e na Universidade da Fotografia mantidos pela instituição.
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Na graduação, a Upis concede desconto de 15%, exceto nos cursos de Direito e Medicina Veterinária, para os quais a redução nas mensalidades é de 0,5%. Nos cursos de Administração diurno, Secretariado Executivo, Economia, Turismo, Zootecnia e Agronomia, o desconto é de 20%. Para os cursos de pós-graduação e da Universidade da Fotografia, a redução nas mensalidades é de 15%.
Os descontos valem para as mensalidades, exceto nas matrículas, desde que pagas até a data do vencimento, e não são cumulativos a outros descontos, exceto o relativo a pontualidade. Atrasos nos pagamentos implicam na perda do benefício no mês da ocorrência, multa e juros de mora contratuais. Para pleitear o desconto, é necessário declaração do SindMédico.
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Para um praticante das modalidades off-road o contato com a natureza é um prazer que se alia a um exercício de superação de dificuldades. Nas trilhas, essas dificuldades têm forma de lama, pedras, erosões, subidas e descidas íngremes, cursos d’água, vegetação desfavorável e calor. Senso de direção, boa capacidade de concentração e reflexos apurados são indispensáveis a pilotos e navegadores.
O ortopedista João Olmiro, de 39 anos, tem uma relação com os jipes que poderia ser considerada herança de família – pode-se dizer que nunca foi zequinha (veja o significado no box). “Eu aprendi a dirigir com 14 anos no jipe do meu pai”, conta. Criado no norte do estado do Paraná, o ortopedista acompanhava o pai nas viagens que fazia para vender produtos agrícolas no interior do Mato Grosso do Sul. Estradas apinhadas de buracos e desníveis e muito barro eram constantes no trajeto. O que era uma dura rotina de luta pelo sustento tornou-se esporte e paixão. João é membro do Jeep Clube de Taguatinga. Uma vez por mês, ele e vários outros amigos se reúnem com o objetivo de percorrer trilhas do Distrito Federal e entorno. Na adolescência o desafio era desviar de buracos e atoleiros nas viagens
2WD (4x2) – Two Wheel Drive, o veículo de tração em apenas duas rodas.
tão, para areia, grama e solos que necessitam grande flutuação.
Navegador – ajudante do piloto, que interpreta a planilha durante um passeio ou uma prova.
4WD (4x4) – Four Wheel Drive, os carros equipados com tração nas quatro rodas.
Bração – Piloto ruim.
Off-road – expressão em inglês para “fora de estrada”, palavra que traduz sentimento e aventura para jipeiros, motociclistas ou outros amantes de aventuras longe do asfalto e dos centros urbanos.
Biscoito – tipo de pneu largo e com dentes grandes, também conhecido como biscoi-
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com o pai, agora faz questão deles. “É engraçado porque a gente procura os buracos e as estradas ruins. Quanto pior, melhor”, brinca.
Facão – marca por onde passam as rodas na estrada de terra, geralmente quando as marcas estão profundas e forma-se um calombo no meio delas.
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Rumo ao fim do mundo O ginecologista William César Bento não é bração. Ganhou notoriedade na prática do off-road, colocando os biscoitos de seu 4WD para percorrer facões e paredões Brasil a fora. Isso, traduzido do jargão dos aventureiros motorizados das trilhas, significa que o Dr. William, que foi piloto profissional de rally até 2006, percorria as marcas por onde passam as rodas nas estradas de terra e aclives acentuados, usando pneus especiais (largos, com grandes dentes) em seu veículo dotado de tração nas quatro rodas. Aos 42 anos William retirou-se do mundo das competições off-road. “Não participo mais de competições, mas ainda tenho uma caminhonete 4x4 pra passear de vez em quando”, comenta, agora aos 46, exclusivamente dedicado à Medicina. Ao lado de seu navegador, o jornalista Corban Costa – que tornou-se mais conhecido após incidente durante as revoltas no Egito –, William já participou de competições
como o tradicional Rally dos Sertões e percorreu boa parte do Brasil, até a Amazônia. As vitórias em várias competições e o patrocínio da montadora Mitsubishi lhe renderam fama local como piloto, entrevistas ao Correio Braziliense e ao Fantástico, da TV Globo. William reclama da falta de trilhas na região do Distrito Federal. O crescimento desordenado da cidade contribuiu para esse quadro. “Havia ótimas trilhas aqui na cidade há alguns anos. Hoje é difícil encontrar alguma que tenha permanecido. A enorme quantidade de condomínios espalhados pelo DF acabou com boa parte delas”, explica. Em 2006, William abandonou as competições ao sofrer um acidente que lhe rendeu uma perna quebrada e alguns meses de repouso forçado. Acidentes são comuns para atletas e pilotos profissionais. Irônico foi a fratura ter sida causada por um tropeço à beira da piscina e em casa. Desde então, a última grande aventura off-road do ginecolo-
gista foi percorrer trilhas nos Lençóis Maranhenses, em 2007. Há quase quatro anos sem viver grandes aventuras nas trilhas, William planeja botar o 4WD na estrada em dezembro. Destino: Ushuaia, “a cidade do fim do mundo”, localizada na Terra do Fogo, na Argentina. O médico vai encarar essa aventura na companhia de sua família e de outros amigos aventureiros das trilhas.
Paredão – aclive acentuado.
Snorkel – o que o mergulhador usa para respirar em baixo d’água no off-road é o que o motor usa para resfriar. É a tomada de ar elevada, um tubo que estende a tomada de ar do filtro do motor em posição a mais elevada possível, protegendo-o da entrada de água em travessias mais radicais de rios e áreas alagadas.
Zequinha – é um carona, pessoa que acompanha os participantes de um passeio off-road e que sabe de tudo sobre o assunto. Nem muita dedicação e conhecimento do assunto dão privilégios aos zequinhas. Entre as várias regras que têm de seguir está a proibição absoluta de sentarse no banco do piloto.
Planilha – mapa dos pontos de uma trilha de passeio ou de competição. Quebra-mato – um parachoque reforçado que se coloca em veículos fora de estrada ao qual podem ser fixados faróis e guincho.
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Vinhos e Histórias
Uvas da França para o mundo
A França é referência mundial na fabricação de vinhos de altíssima qualidade, o que é motivo de orgulho para seu povo. Esse excelente desempenho resulta de uma combinação geológica e climática única e da experiência e técnica inigualável de seus produtores. Na coluna passada, apresentamos cinco importantes cepas tintas de origem francesa (Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Pinot Noir e Mourvèdre). Nesta edição, apresentamos outras uvas tintas francesas que se destacam tanto na França como em outros países do mundo.
Cinsault A principal característica dessa cepa é gerar vinhos perfumados, condimentados e de cor pálida. É vastamente cultivada no sul da França e na Córsega, onde é normalmente empregada em mesclas com outras uvas ou na produção de um interessante vinho varietal rosé.
Pinot gris Bem estruturada, de tonalidade profunda e sabores sutis de mel e condimentos, é cultivada principalmente na região francesa da Alsácia e no norte da Itália (onde é conhecida por pinot grigio). Juntamente com a Muscat Blanc à Petit Grain, é uma das duas cepas de origem francesa cultivas na Alsácia, onde predominam as uvas Gewürztraminer e Riesling, ambas de origem alemã. Um dos principais vinhos produzidos com a cepa é o Domaine Zind Humbrecht Pinot Gris.
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Aforismos “Moderadamente bebido, o vinho é medicamento que rejuvenesce os velhos, cura os enfermos e enriquece os pobres.” Platão, filósofo grego
Gamay Com sabor acerejado, viva coloração roxo-rosada e baixos taninos, é a cepa utilizada com exclusividade na produção do famoso vinho Beaujolais. É plantada também em outras regiões da França, como Vale do Loire e Ardèche, e na Suíça. Há dois tipos de Beaujolais, o Nouveau, que deve ser consumido em até no máximo um ano após a colocação no mercado para ter como característica uma explosão em frutas jovens; e os crus de Beaujolais, como Chiroubles, Chénas, St-Amour, Juliénas, Moulin-à-Vent, Fleurie, Morgon e Brouilly, que podem ser consumidos em até seis anos, em média, apresentando nível e qualidade superiores ao do Beaujolais Nouveau.
Malbec Popular na região francesa de Cahors, a Malbec hoje é produzida principalmente na Argentina, com destaque para a região de Mendoza, onde produz vinhos encorpados, vigorosos e de cor profunda. A vinícula Catena Zapata é a melhor produtora da varietal Malbec na Argentina, com destaque para os vinhos Nicolás Catena Zapata, Catena Zapata, Catena Zapata Estiba Reservada, Catena Alta e Angelica Zapata. Rica em taninos, a uva Malbec produz vinhos cheios de caráter, com muito bom potencial de envelhecimento (acima de 10 anos) e sabores condimentados e de frutas silvestres. Também é cultivada no Chile, onde é usada prioritariamente em vinhos cortados.
Syrah/Shiraz É originária da região montanhosa do Vale do Rhône (Ródano), na França, onde é cultivada com exclusividade em cinco áreas de vinhedos crus (Côte Rôtie, Hermitage, Cornas, St-Joseph e Crozes-Hermitage). É também muito cultivada no sul francês, onde é utilizada principalmente em mesclas, e em outros países, como Austrália, África do Sul e Estados Unidos (Califórnia). A casta é responsável pelos vinhos mais profundos e desejados da Austrália, onde o clima quente gera vinhos maduros e intensos, que causam ótima impressão. É usado em assemblage com a Cabernet Sauvignon em países como o Chile e o Brasil. De amadurecimento precoce, produz vinhos estruturados, perfumados e de bom envelhecimento.
Curiosidade A região mais favorável para o plantio de uvas viníferas de excelente qualidade está situada entre os paralelos 30 e 50, tanto nos hemisférios norte como sul, com destaque para as terras compreendidas entre os paralelos 35 e 45 Norte e Sul.
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Medicina em Prosa Medicina GÊNIO DA MEDICINA ESTUDA MESTRE DA USURPAÇÃO O cuco é um pássaro migratório de comportamento estranho. A fêmea, em vez de construir seu próprio ninho, deposita os ovos nos ninhos de aves de outras espécies, que, sem se dar conta, cuidam dos filhotes do cuco até que se tornem independentes. Quando há ovos no ninho, a mãe cuco retira um ovo e coloca o seu no lugar, podendo fazer isso em até doze ninhos diferentes. Pode acontecer duas fêmeas de cuco colocarem ovos no mesmo ninho. Os cucos são encontrados desde o sul da Espanha e Portugal, até a Escandinávia, além do norte e centro da África e Ásia. Um detalhe de sua biologia ainda ajuda o cuco na preservação de sua espécie: como o cuco tem pouco tempo de gestação, seus filhotes nascem antes dos outros ovos. A ave hospedeira, para ganhar espaço, espulsa seus ovos do ninho, e continua alimentando os filhotes do cuco sem darem pela diferença. Quando em condições de voo, e por serem maiores que seus pais adotivos, os cucos deixam o aconchego do ninho. Enfim, os cucos são gerados e criados em lares estranhos, por pais de outra espécie. Assim sempre se pensou. Porém, a causa e a sequência dos eventos pareciam não ser exatamente essas, conforme citado no livro As Dez Maiores Descobertas da Medicina, da Editora Companhia das Letras. Edward Jenner (17491823), médico inglês criador do método de vacinação, estudou o ciclo migratório do cuco, e descobriu que, ao contrário de outros pássaros que visitavam a Inglaterra, o cuco só aparecia por lá depois da metade do mês de abril e não botava ovos antes de meados de maio. Os ovos precisavam de, pelo menos, duas semanas de incubação para poder eclodir. Os filhotes ficavam então no ninho por duas ou três semanas, até tentarem voar e procurar a própria comida. Jenner descobriu que, por volta de primeiro de julho, todos os cucos já haviam migrado da Inglaterra. Os filhotes de cuco eram abandonados por seus pais verdadeiros
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antes de aprender a voar e a prover seu próprio sustento. O médico descobriu, após exaustivas observações, que os ovos e os filhotes do pássaro hospedeiro desapareciam do ninho pouco menos de um dia depois de chocado o ovo do cuco. Para sua surpresa, Jenner notou que uma hora depois de o cuco eclodir, e apesar de sua fraqueza e total cegueira, ele começava a procurar outros filhotes ou ovos no ninho. Ele ficou ainda mais intrigado quando observou que o filhote de cuco usava as pontas das asas como instrumento de busca. Se um outro filhote ou ovo ainda não chocado era detectado por uma ponta de asa tateante, investigadora, o filhote de cuco se aproximava lentamente do ovo ou filhote localizado e se enfiava debaixo dele. Tendo acomodado a presa numa peculiar depressão que existe em seu dorso, o jovem cuco a levantava até a borda do ninho e, com um movimento convulsivo, lançava para fora o ovo ou filhote. Várias vezes Jenner recolocava o filhote no ninho, mas a ponta da asa investigadora detectava o filhote devolvido e o atirava para fora de novo. Certo dia, Jenner encontrou um ninho em que dois filhotes de cuco tinham acabado de nascer. Poucas horas depois, os filhotes iniciaram uma disputa pela posse do ninho, que continuou indeterminada até a tarde seguinte, quando um deles, o mais forte, expulsou o outro. Jenner, então, examinou o dorso dos filhotes de cuco para descobrir a natureza da depressão que havia ali, e viu que, ao contrário do dorso de outros filhotes, o espaço da escápula para baixo era muito largo, com uma depressão no meio. Quando o cuco está com cerca de doze dias, a cavidade já está preenchida, e seu dorso assume a forma do de filhotes de outros pássaros. Um mistério esclarecido. Uma grande contribuição à ornitologia, feita por um médico que amava sua vocação de bem servir.
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Automação, Qualidade e
Automação, qualidade e Tecnologia de Ponta em Biologia tecnologia de ponta em biologia Molecular. molecular.
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Para ampliar o portifólio de exames, a partir de agora o Laboratório Sabin realiza a quantificação de carga viral dos vírus de Hepatite C (HCV) e Hepatite B (HBV) pelo método de PCR em tempo real na plataforma
O teste Abbott RealTime HCV permite a quantificação do vírus com sensibilidade O Teste Abbo* mínima de 12UI/mL, RealTime HCV permite a quan8ficação genótipos de 1 a 6.do
Para ampliar totalmente o por+folio de exames, AbboK à par+r de agora o Laboratório Sabin automa+zada RealTime M2000. realiza a quan+ficação de carga viral dos vírus de Hepa+te C (HCV) e O teste Abbott Hepa+te B (HBV) pelo método de PCR em tempo real na plataforma RealTime HBV permite totalmente automa+zada AbboK RealTime M2000. a quantificação do vírus com sensibilidade vírus com sensibilidade mínima de 12UI/mL, mínima de 10 UI/mL, O Teste Abbo* RealTime HBV genó8pos de 1 a 6 genótipos de A a H. permite a quan8ficação do
Assessoria Científica
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