Revista médico 115 outubro 2016

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Ano XVIII - Nº 115 OUTUBRO 2016 Tiragem: 12 mil exemplares Distribuição gratuita e dirigida

MEDICINA É SUPERAÇÃO


Expediente

TEMOS UMA NOVIDADE PARA VOCÊ. NOVO NÚCLEO DE ASSESSORIA MÉDICA - NAM O laboratório Exame mudou e está trazendo uma série de novidades para melhorar a experiência de pacientes, e também dos médicos, ao utilizarem nossos serviços. Agora, você pode contar com um novo canal de contato exclusivo para os médicos, o NAM-Núcleo de Assessoria Médica.

Presidente: Dr. Gutemberg Fialho Vice-presidente: Dr. Carlos Fernando da Silva Secretário-geral: Dr. Emmanuel Cícero Dias Cardoso 2º Secretário: Dr. Ronaldo Mafia Cuenca Tesoureiro: Dr. Gil Fábio de Oliveira Freitas 2º Tesoureiro: Dr. Luis Sales Santos Diretor Jurídico: Dr. Antonio José Francisco Pereira dos Santos Diretor de Ação Social: Dr. Eloadir David Galvão Diretor de Relações Intersindicais: Dr. Augusto de Marco Martins Diretor de Assuntos Acadêmicos: Dr. Jair Evangelista da Rocha Diretora de Imprensa e Divulgação: Dra. Adriana D. Graziano Diretora de Cultura: Dra. Lílian Suzany Pereira Lauton Diretor de Medicina Privada: Dr. Francisco Diogo Rios Mendes Diretores adjuntos: Dr. Antônio Evanildo Alves Dr. Antônio Geraldo da Silva Dr. Baelon Pereira Alves Dr. Cezar de Alencar Novais Neves Dr. Filipe Lacerda de Vasconcelos Dr. Flávio Hayato Ejima Dr. Gustavo Carvalho Diniz Dr. Paulo Roberto Maranhas Meyer Dr. Ricardo Barbosa Alves Dr. Tiago Neiva

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Revista Médico

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Responsável Técnico Dr. Sandro Pinheiro Melim CRM-DF 123888

Editorial A medicina é fonte de alegria para quem a pratica e para quem se beneficia dela. Não há o que lamen­ tar em uma profissão dedi­ cada a curar e tirar a dor de nossos semelhantes. A aflição dos profissionais e dos pacientes reside nas condições dadas para ofer­ ta de assistência. São, em geral situ­ ações de caráter econômi­ co, social e político. Pois a vida do paciente na mesa de cirurgia depende de definições políticas e orça­ mentárias tanto quanto depende da dedicação e da capacidade do profissional. O médico pode salvar vidas e estancar o sofrimento, mas, em grande medida, o poder de fazê-lo não está em suas mãos. Ele as tem atadas pela operadora do plano de saúde, que decide a liberação do exame ou do procedi­ mento e pelos cortes orçamentários, pela burocracia e pela desorientação da gestão pública. Ser médico é lidar de forma técnica com morte e dor e traduzir isso em cura e humanismo. É difícil dizer ao paciente que sua doença não tem cura, que sua dor não tem solução. Pior entregar a notícia de uma morte a uma família. Mais doloroso ainda é ver o sofrimento se desenrolar porque “o plano de saúde não autorizou”, “a licitação atrasou”, “o orçamento foi cortado”, “o gover­ no privatizou”, “o ar condicionado queimou”, “o medicamento acabou ou venceu”. Diante disso, temos que reconsiderar nossa atuação, pois não consegui­ mos exercer a profissão médica plenamente se não extrapolamos as paredes dos consultórios, dos centros cirúrgicos, das salas de parto, dos ambulatórios e corredores lotados nos hospitais. A saúde também se faz nos movimentos sociais, no engajamento e no exercício da política tanto como eleitor quanto como candidato. A saúde exige ser estampada nos noticiários e denunciada nas mídias sociais. Ser médico no contexto atual exige ainda maior capacidade de supera­ ção. Nossa força reside no fato de estarmos a serviço da vida. E, diante disso, sempre temos o que celebrar. Comemoramos em outubro o Dia do Médico. Toda celebração tem um elemento de religação com as origens e com as motivações que desencad­ea­ ram fatos determinantes do curso da vida. Também coloca em perspectiva a participação do indivíduo em uma coletividade de semelhantes, reforça laços e cria a perspectiva de futuro. E mesmo enfrentando tempos difíceis, nós, médicos, temos que comemorar.

Tiragem: 12.000 exemplares Ed. Centro Clínico Metrópolis SGAS 607, Cobertura 01 CEP: 70200-670 Tel.: +55 (61) 3244-1998 sindmedico@sindmedico.com.br www.sindmedico.com.br

Dr. Gutemberg Fialho Presidente do SindMédico-DF

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Sumário

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Entrevista

Nada será dado para os médicos Entrevista com o deputado federal Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS)

Aconteceu

Sindicais

Cinemédico de setembro foi um sucesso

GDF ensaia nova edição do calote contra servidores públicos

Luis Macedo/Agência Câmara

O deputado Luiz Henrique Mandetta é médico ortopedista, formado pela Universidade Gama Filho, com especialização em orto­ pedia pediátrica pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), estado onde também fez residência médica. Foi secretário de Saúde, presidente da Unimed local. Se elegeu deputado federal em 2010. Hoje, no exercício do seu segundo mandato, tornou-se o principal articulador da Frente Par­ lamentar da Medicina (FPMed). Fa­ lando sobre a necessidade de uma nova postura da classe médica em relação à política ele alerta: toda e qualquer conquista da classe mé­ dica terá que ser conquistada na democracia representativa, dentro do Congresso Nacional.

Entrevista O Deputado federal Luiz Henrique Mandetta fala sobre a Frente Parlamentar da Medicina (FPMed) Política Rollemberg oferece menos leitos hospitalares do que o GDF oferecia há 11 anos Capa Para ser médico tem que ter disposição para vencer desafios

Jurídico Decreto 37.610/16 será questionado no Tribunal de Contas e Ministério Público Regionais Paranoá foi o destaque no mapa do caos, em setembro

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Especial O desmonte da saúde pública prejudica formação de novos profissionais

Destaque O Setembro Amarelo supera tabu

Crônica A guerra de Troia: uma ode à estupidez

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Entrevista

Entrevista

Nós passamos a ser uma massa de trabalhadores dentro de um sistema público que, sistematicamente, não nos respeita...

Revista Médico – O que o le­ vou a propor a Frente Parlamentar da Medicina? Mandetta – No meu primeiro mandato, de 2010 a 2014, esta Casa foi palco de um dos debates mais acalorados e que afetou mais dramaticamente a medicina: a vo­ tação do programa Mais Médicos. Naquela época, o debate foi polari­ zado por questões governamentais e sentimos muito a falta de um corpo político representante dos médicos. Na legislatura anterior eram 52 médicos deputados fede­ rais e não mais do que uma dezena, dez médicos, acompanharam uma posição firme pró-medicina. Basi­ camente, os que mais se expuseram fui eu, Eleuses Paiva (PSD-SP) e Ronaldo Caiado (DEM-GO). Percebi que nada mudou nesta legislatura. Então, convidei as entidades para, juntos, montarmos uma frente par­ lamentar. Revista Médico – Como é constituída e como funciona uma frente parlamentar? Mandetta – Para que seja formada é preciso a assinatura de, no mínimo, 178 deputados federais. Para ser uma comissão mista, precisa de, no mínimo, 30 senadores. Quando esse número de parlamentares converge para um tema, coletamos as assinaturas, protocolamos junto à mesa dire­ tora, publica-se no Diário Oficial e ela passa a se comportar de forma muito similar a um partido político, uma agremiação política temática. Ela tem prerrogativas

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para indicar pessoas em audiências públicas e pedir agenda com os mi­ nistérios. Cria-se a prerrogativa de usar a tribuna em nome da frente parlamentar. Enfim, ela passa a ser um componente dentro do xadrez político. As pessoas vêem muito PT, PSDB, PMDB e entendem isso setorizado. Quando você tem um tema que é comum a esse número enorme de parlamentares, ela pas­ sa a ter prerrogativas similares às de um bloco político. Revista Médico – E como está a adesão à proposta? Mandetta – Dentro da Câma­ ra, as assinaturas passam de 240 parlamentares que nos apoiam e há um bom número no Senado. O mais trabalhoso não é o que se faz dentro da Casa, onde, pela legitimidade da minha posição, ou pela credibilidade dos médicos, a adesão é relativamente fácil. Mas, uma frente que não tenha as suas entidades por trás, trabalhando e convergindo politicamente, é natimorta. Chamamos para uma reunião 186 pessoas jurídicas que representam conselhos, associa­ ções, sindicatos, federações, socie­ dades de especialidades de todas as áreas. Coloquei para eles como que funciona e perguntei se eles querem aderir e fazer um estatuto e eles aprovaram. Estamos na fase de organizar as entidades em torno desse instituto. Revista Médico – A que o Senhor atribuiu o pequeno enga­ jamento dos médicos na discus­ são política?

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Mandetta – Acho que os médicos aprenderam muito. Acho que fomos formados sem nenhuma participação política. Sou de uma época em que os médicos falavam assim: “o governador, o prefeito, o presidente vai ter que nos chamar para saber o que nós queremos”. Durante muito tempo foi assim. Nós passamos a ser uma massa de trabalhadores dentro de um siste­ ma público que, sistematicamente, não nos respeita nem em condições de trabalho, nem em honorários, nem em salários. Os planos de saú­ de fazem conosco o que querem. Os médicos não têm carga horária, trabalham 60, 70, até 80 horas semanais. A qualidade de vida é péssima. E por que tudo isso? Falta de representação política no palco onde esses assuntos são delibera­ dos, que é o Congresso Nacional. Nada será dado para os médicos, teremos que conquistar na de­ mocracia representativa. Dentro desta Casa tem bancada ruralista, bancada evangélica, bancada LGBT, bancada da floresta, bancada dos planos de saúde. Tem bancada de todos os temas que você imaginar, à exceção dos médicos. Revista Médico – Então, de­ putado, é o momento de as enti­ dades médicas se unirem para um trabalho de conscientização polí­ tica do estudante de medicina, do residente, do jovem médico, para obter a superação desses desafios? Mandetta – Temos que entender que estamos todos no mesmo barco. Nas disputas classistas os médicos

são políticos intensos. Pedem voto, telefonam, mandam folder e pedido, brigam entre si a tal ponto de sai­ rem das eleições feridos. Chega a ter rupturas de entidades, rupturas de amizades. Agora, quando você fala “agora vamos para fora, vamos para a sociedade”, o médico simplesmente murcha. O grande desafio da Frente Parlamentar da Medicina é trazer o médico para a política. Não adianta falar “ah, eu não gosto de política”. Todo ser-humano é um ser político! Revista Médico – Qual é a sua avaliação sobre a continuidade do Programa Mais Médicos? Mandetta – Continua com os mesmos vícios de origem. Não há liberdade e não há respeito à legislação trabalhista. Onde já se viu um país querer solucionar um problema de força de trabalho colocando pessoas sem as suas famílias, sem o direito de ir e vir, sem direito de trabalhar em outra unidade de saúde, sem direito de ter o seu salário pago na sua conta corrente? Nosso país hoje é clan­ destino no que diz respeito aos princípios do Pacto de Genebra, da Declaração de Direitos Humanos, dos pactos da Organização Inter­ nacional do Trabalho. Em nome de quê? De que o médico cubano fique lá no Acre. O médico brasilei­ ro não vai para o Acre porque não tem uma carreira, um estímulo. É fraudado por prefeitos, é roubado por secretários de Saúde. Se ele é bom, os prefeitos têm medo de ele virar prefeito e se ele não é bom médico, querem que vá embora o mais rápido possível. Então, não adianta ser bom nem ser ruim. O médico que vai para o interior in­ comoda sempre a prefeitura. Revista Médico – Isso tem solução? Mandetta –. A única solução é a carreira de Estado. Não para o

médico ficar em Ipanema ou no Eixo Monumental. Nós temos que ter a carreira de atenção básica para áreas de difícil provisão, para locais que o mercado não supre. Revista Médico – E em rela­ ção à formação do médico? Mandetta – O governo come­ teu o desatino de pegar o País com 148 faculdades elevar para 298 e chegar a 340 no próximo edital sem colocar limite. Vão formar tanto médico neste País que vamos estabilizar em 1,5 milhão no perí­ odo todo do programa. Assim, em 30 anos vamos ter mais médicos do que técnicos de enfermagem. Nós vamos formar muitos médicos ruins e quem vai pagar são nossos filhos, netos e bisnetos. Revista Médico – Avaliar a qualidade dos cursos de medicina será um foco de atuação da FPMed? Mandetta – Vai ser, mas só vai acontecer o que o Flexner fez nos EUA no começo do século XX, que foi o redimensionamento do sistema e um padrão de qualida­ de, com standards muito claros, quando a sociedade perceber que essa abertura indiscriminada é um problema e não só aqui dentro do Brasil. Brasileiros passaram a ir para o Paraguai e para a Bolívia para cursar medicina. Só de bra­ sileiros nesses dois países – cur­ sando ou já formados – tem 60 mil. Outro dia, em uma medida provisória que renovava o visto dos cubanos, um deputado de Rondônia colocou uma emenda que permitiria a entrada de 60 mil médicos sem prova, sem nada. Não estão preocupados com as consequências. É uma total falta de responsabilidade de ministros, de presidente da República, do Congresso Nacional e da sociedade – que não vê ou finge que não vê o que está acontecendo.

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Revista Médico – Como o se­ nhor vê as declarações do ministro Ricardo Barros sobre o redimensio­ namento do SUS? Mandetta – Se esse ministro entendesse um pouco de economia em saúde, primeiro veria que o SUS não é despesa, é investimento. Segundo: o Brasil queima toda a produção de soja de Mato Grosso só para importar bens de saúde – bolsa de diálise, equipamentos, royalties, ressonância. Nós pagamos patentes para fora de tudo isso porque não há um parque industrial brasileiro para atender o setor de saúde e ser exportador. O dia em que os economistas ou engenheiros, pois agora são engenheiros que estão no Ministério da Saúde, entenderem o SUS como uma oportunidade de ne­ gócios, quem sabe ganhemos a ade­ são deles. Enquanto falarmos que é importante socialmente, aqueles que não têm cuidado social passa­ rão batido e continuarão achando que isso é tese de sonhador. O ministro foi infeliz. Quer gostemos ou não, é um desafio geracional montar o SUS. Revista Médico – Como o senhor avalia o papel e o desem­ penho da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh)? Mandetta – Cometeu-se mais um erro: criou-se uma estrutura cen­ tralizada em Brasília para atender todo o Brasil. Necessitava de mais recursos? Sim. Necessitava de me­ lhor gestão? Sim. Mas, uma gestão centralizada, como tudo no PT, virou cabide de emprego. E o dinheiro da Ebserh, que era para reformar e for­ talecer os hospitais universitários, praticamente acabou. A Ebserh era uma estatal recém-criada que se tornou um cabide cheio de consul­ torias, cheio de pessoas ganhando dinheiro sem fazer nada. Mais uma estatal “Dinossaurobrás”.

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Sindicais

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GDF repete o

Aposentadoria de servidor público não segue teto do INSS

discurso do calote O Governo do Distrito Fede­ ral (GDF) repete o mesmo enredo do calote nos servidores públicos dado em 2015. O secretário adjun­ to de Relações Institucionais Igor Tokarski foi o emissário do GDF na Comissão Geral realizada na Câma­ ra Legislativa do DF, por iniciativa dos deputados Ricardo Vale (PT) e Wellington Luiz (PMDB), para anunciar uma futura reunião na qual o governador Rodrigo Rol­ lemberg apresentaria às lideranças sindicais as contas do governo. Na avaliação do presidente do Sindi­ cato dos Médicos do Distrito Fede­

ral (SindMédico-DF), Gutemberg Fialho, o posicionamento do GDF não dá nenhu­ ma tranquilidade aos servidores. “Há uma crise de confiança instalada. O que vimos aqui, hoje, é o prenúncio de um calote”, ressaltou. Além do reajuste não pago, as perdas salariais provoca­ das pela inflação (que a Constitui­ ção manda repor anualmente) já chegam a 20%. Se continuar nesse

ritmo, até o fim de seu mandato, Rollemberg come quase metade do salário de cada um dos servidores públicos do DF.

Sindicatos vão à luta juntos

O ciclo anual de palestras do SindMédico-DF trouxe, no dia 31 de agosto, a dire­ tora do Instituto de Previdência dos Servidores do Dis­ trito Federal (IPRE­ V-DF), Raquel Gal­ vão, para falar do Regime Próprio de Previdência do Dis­ trito Federal e da aposentadoria dos servidores. Além de tirar as dúvidas dos presentes, a palestrante deixou claro: em qualquer das regras vigentes, o servidor público do Distri­ to Federal tem aposentadoria maior que o teto do Regime Geral de Previdência do INSS, que é pago aos trabalhadores da iniciativa privada.

Médicos do HFA dão prazo ao MPOG

Diga com quem anda e direi quem você é

O Movimento Sindical Unifi­ cado em Defesa do Serviço Público do Distrito Federal continua atu­ ante e reunindo as categorias para

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tratar do cumprimento das leis que instituíram os reajustes e re­ formulações de carreiras em 2013. Atividades e ações conjuntas estão

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sendo planejadas. A greve não está descartada. O que ninguém vai aceitar é calote.

Jogo político pesado, mani­ pulação e omissão de informações, golpes, conchavos e altos gastos com propaganda têm sido as armas usadas pelo governo Rollemberg para tentar enfiar as Organizações Sociais goela abaixo da população do DF. Nos seus descaminhos, no entanto, o governador e sua equi­ pe derrapam nos infortúnios de aliados poderosos, como o dono de OSs no Amazonas e atual hóspede da Polícia Federal, Mohamad Mous­

tafa, financiador da cam­ panha eleitoral do PSB no Distrito Federal que espe­ rava ser qualificado para gerir unidades de saúde em Brasília. Outro acusa­ do de envolvimento em esquema de corrupção, o ex-subsecretário Marcello Nóbrega, saiu da Secre­ taria de Saúde do DF, mas foi mantido na estrutura do governo.

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No início de setembro, os mé­ dicos civis do Hospital das Forças Armadas (HFA) decidiram suspen­ der temporariamente a greve, com retorno imediato a seus postos de trabalho. Foi uma demonstração de abertura para o diálogo. O Se­ cretário de Gestão de Pessoas e Relações do Trabalho Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), Augusto Chiba, pediu pra­ zo entre 45 e 60 dias para analisar o orçamento previsto pelo Ministé­ rio da Defesa para a assistência em saúde. O plano de carreira do pes­ soal do HFA não avança desde 2012 e os salários estão muito defasados em relação aos valores de mercado.

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SindMédico-DF ouve pediatras do HMIB

EM BAIXA: O presidente do Conselho de Saúde do Distrito Fede­ ral, Helvécio Ferreira acatou e propôs a votação de uma minuta da Resolução CSDF nº 465, que trata da organi­ zação da atenção primária de saúde do DF, proposta por um grupo de trabalho liderado pelo subsecretário de Gestão Participativa da SES-DF, Tiago Coelho, com dois “submari­ nos” inseridos no texto, pelos quais os conselheiros abri­ riam mão de suas prerroga­ tivas, dando carta branca ao GDF para terceirizar a gestão pública da saúde.

O auditório do SindMédico-DF foi palco, no dia 24 de agosto, de reunião com médi­ cos da pediatria do Hospital Materno Infantil (HMIB). Entre os problemas relatados, está a ausência de con­ trole de regulação. Em pouco mais de dois anos, o núme­ ro de unidades de saúde do DF que oferecem assis­ tência pediátrica caiu de 14 para seis. O fechamento mais recente das unidades de Santa Maria e do Gama e a redução do atendimento do Hospital Regional da Asa Norte fizeram a demanda do HMIB dar um salto de 7 mil para 10 mil atendi­ mentos mensais. Um dos aspectos mais prejudicados pela superlota­ ção é a segurança dos servidores. O secretário Humberto Fonseca e o

O secretário de Saú­ de Humberto Fonseca não conseguiu servidores para a campanha de multivacinação do dia 24 de setembro e não deu um pio sobre o drama dos pacientes e servidores do Hospital Regional do Paranoá. Só empresta sua imagem para falar de Organizações Sociais.

O deputado federal Luiz Henri­ que Mandetta (DEM-MS) e o distrital Wellington Luiz foram destaques nas entrevistas semanais da TV SindMé­ dico. Preparamos um apanhado dos melhores momentos para você. Com

Melhores momentos da entrevista do deputado federal Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), na TV Sindmédico.

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Diante disso, o diretor Jurídico do SindMédico-DF, Antonio José dos Santos, compareceu a uma reu­ nião para defender a posição dos médicos. A direção se comprome­ teu a interromper o assédio, mas o sindicato recebeu denúncia de

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EM ALTA:

o leitor de QR code do seu celular (veja no encarte o que é, onde bai­ xar e como usar), basta “fotografar” as imagens abaixo e você assisti­ ráos trechos mais interessantes de cada uma das entrevistas.

Melhores momentos da entrevista do deputado distrital Wellington Luiz, na TV Sindmédico.

subsecretário de Atenção à Saúde, Daniel Seabra não compareceram à reunião. A diretora de Urgência e Emergência, Julister Maia, e a coordenadora da pediatria, Milen Costa Mercaldo, representaram a Secretaria de Saúde. Como tem sido a prática do SindMédico-DF, a reunião foi transmitida em tem­ po real pela página no Facebook (www.facebook/sindmedico).

Edital de concurso tem que ser respeitado Depois de fechar a pediatria no início de agosto, a direção do Hospital Regional do Gama (HRG), decidiu, sem considerar a habili­ dade ou a função para a qual os médicos fizeram concurso, fazê­ -los atuar como neonatologistas.

Revista Médico agora é interativa

que voltou a pressionar a equipe. Como já ocorreu, se o edital do concurso que prestaram era para o cargo de pediatra, o desvio para a neonatologia pode ser questionado na Justiça.

O presidente do Tribunal de Contas do Distrito Federal, Renato Rainha, não titubeou ao dar resposta ao canto de vitória do secretário Humberto Fonse­ ca, com a decisão do Tribunal de Contas da União, pela qual uma “brecha legal” permite que gastos com Organizações So­ ciais não entrem no cálculo da Lei de Reponsabilidade Fiscal. Esclareceu que não há relação hierárquica entre as duas cortes e que aqui quem decide é o TCDF e ponto final. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, afirmou que entraria com embargo contra a decisão do TCU. Para ele o gasto com OSs entra, sim, no cálculo da LRF e criticou: “Em um cenário de quase insolvência dos Es­ tados, o TCU contribui para o aprofundamento dessa crise”.

Problema do HRAN é mais do que entrosamento

A bancada do PT conse­ guiu aprovar emenda ao Pro­ jeto de Lei n° 1.271/2016, que altera a Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO) de 2017, que inclui os gastos com as OSs LRF.

Depois de uma reunião, no dia 2 de setembro, em que o diretor do Hospital Regional da Asa Norte focalizou o discurso na melhora do entrosamento da equipe, um pedaço do forro do teto caiu sobre um paciente internado. Fora isso, teve o episódio do necrotério e os médicos continuam lidando com falta até de cadeira e consultó­ rio. E o relacionamento continua como numa música de João Bosco e Aldir Blanc.

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Política

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O governo Rollemberg contabi­ lizou uma derrota na última semana: perdeu o controle da contabilidade da parcela do Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF) destinado à Educação e à Saúde. O Tribunal de Contas da União (TCU) reafirmou decisão tomada em 2015, em uma clara repreensão à falta de transpa­ rência do atual governo. O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2017 encaminhado à Câmara Legislativa do Distrito Fe­ deral (CLDF), no dia 15 de agosto, chega a R$ 49,9 bilhões, incluídos os R$ 13,2 bilhões do FCDF. Desses, R$ 3,4 bi do Fundo foram destina­ dos à Saúde e o governo é obrigado a destinar mais R$ 2,1 bi da Receita Corrente. Seriam necessários mais R$ 3,5 bilhões para atingir o que é proposto no Plano Anual de Saúde, mas cortes já são previstos. Só o gasto com pessoal vai ultrapassar

Para a Saúde, Rollemberg é um JK às avessas A queda na oferta de leitos hospitalares é mais um indicador de baixa efetividade da política de saúde do governo Rollemberg. Segundo dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), em dezembro de 2014 havia oferta de 4.618 leitos em unidades públicas de saúde do DF. Em agosto deste ano o CNES registrou uma redução de 461 leitos. Com esses 4.157 leitos, a Secretaria de Estado de Saúde (SES/DF) levou a oferta a um nível inferior a dezembro de 2005, quando a oferta era de 4.493 leitos. Nesse período, a população cresceu de 2,3 milhões para 2,9 milhões de habitantes. Na iniciativa privada, em 2005 havia 1.767 leitos. Em 2014 esse número chegou a 2.287. De lá para cá, houve uma queda de 30 leitos.

R$ 5 bilhões e o déficit entre o que é necessário e o que é previsto para a pasta deve chegar a R$ 2 bi. Mostrando cla­ ramente que Saúde não é prioridade para o atual go­ verno, em maio, a secretária de Pla­ nejamento, Orça­ mento e Gestão do DF, Leany Lemos, apresentou, em au­diência pública realizada pela Câ­ Agaciel Maia é o relator do orçamento de 2017. mara Legislativa, uma proposta que aumentava o repasse para a Segu­ essenciais, o único em que não há rança, diminuía o da Saúde e o da alternativa privada é a segurança Educação para valores inferiores pública”, justificou à época. aos de 2015. “Desses três serviços

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do Programa Mais Médicos. Essa medida e a renovação do contrato com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), foram anunciadas no dia 20 de setembro. A partir de janeiro de 2017, o valor pago por médico será de R$ 11.520,00.

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Também foi acordado um re­ ajuste para os auxílios moradia e alimentação para os profis­ sionais que atuam em distritos indígenas. Um novo edital está previsto para o ano que vem com o oferecimento de mais 2 mil va­ gas para o programa.

DEZEMBRO / 2005

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DEZEMBRO / 2014 DEZEMBRO / 2016

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Proposta orçamentária dá margem a mais escândalos O Projeto de Lei Orçamen­ tária apresenta outro motivo para preocupação: os valores são subestimados nas destinações de verbas para aquisições diver­ sas, como de equipamentos e de medicamentos; e contratação de serviços como os de vigilância, limpeza, lavanderia e UTI, entre tantos outros.

Ricardo Barros dá reajuste a Raul Castro Enquanto médicos concursados a serviço dos governos estaduais, distrital e municipais amargam ca­ lotes, atrasos no pagamento e cor­ tes de gratificações, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, concedeu 9% de reajuste para as “bolsas de inter­ câmbio” dos cubanos participantes

Ofertas de leitos em unidades públicas de saúde do Distrito Federal

A complementação acaba sen­ do feita por meio de emendas à Lei Orçamentária. “Essa ineficiência na elaboração do orçamento dá margem aos escândalos que esta­ mos vendo agora. É preocupante ver que, mesmo com os exemplos estampados nas nossas caras, continuem cometendo os mesmos erros”, aponta o presidente do

Sindicato dos Médicos do Distrito Federal, Gutemberg Fialho. Só para encerrar este ano, o governo tenta angariar emendas parlamentares para cobrir um dé­ ficit de R$ 600 milhões. Para o próximo ano, já se fala na neces­ sidade de complementação de R$ 2 bilhões com objetivo de fechar as contas de maneira adequada.

Direto ao ponto

Orçamento da Saúde reflete descaso do governo

Depois de um avanço de 50 anos em cinco espero que não tehamos que assistir a um retrocesso de 20 anos em quatro. Carlos Fernando, vice-presidente do SindMédico-DF

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Sobre a redução na oferta de leitos nas unidades de saúde do Distrito Federal desde o início do atual governo do DF.

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Capa

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O Brasil tem uma população de 206 milhões e cerca de 440 mil médicos para cuidar dela. As condições são sabidamente adversas, os desafios crescentes e as exigências cada vez maiores. Hora colocada no mais alto pedestal e hora tratada como pecado capital, a medicina exige, dia a dia, a capacidade de superar as dificuldades e de mudar a linha do destino. A cada dia, ser médico deman­ da novas capacidades e habilidades que extrapolam as portas de consultórios e salas de cirurgia.

A psiquiatra Flávia Batistuta procura dar o melhor de si usando os elementos que tem à mão para dar a melhor assistência ao paciente. As limitações desanimam, cansam, mas não imobilizam. “O principal é você gostar do que você faz. Em qualquer área da medicina que você for escolher hoje em dia não existe um ambiente favorável. A gente sabe das condições da medicina no Brasil. O mais importante é você escolher e fazer alguma coisa que te dê prazer”, aconselha.

Não há atrativos para a fixação dos médicos no interior do País. Lá, onde 76% da população vive, estão 45% dos médicos. “A situação do médico no interior do país é a mais precária. São verdadeiros heróis”, afirma o presidente da Federação Nacional dos médicos (FENAM), Otto Baptista. Para ele, a superação dessa barreira é a criação da carreira médica de Estado. As entidades médicas defendem a cria­ ção de uma carreira de Estado como solução. “Lutamos pela carreira de Estado, para fixar médicos nessas regiões, com o piso (salarial) FENAM, que traria dignidade e faria com que médicos criassem raízes no interior”, aponta.

Nas capitais, onde vivem 24% da população brasileira, se concentram 55% dos médicos. O vice-presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal, Carlos Fenando aponta que a condição dos médicos que se concentram nos grandes centros urbanos também não é simples. Aponta o desmonte promovido por sucessi­ vos governos no Sistema Único de Saúde e a desvalorização dos honorários médicos promovidas pelas operadoras de planos de saúde. “Sabemos da degradação da medicina pública em nosso país. Na medicina suplementar, buscamos melhores honorários e respeito na relação médico-pacien­ te”, explica Carlos Fenando sobre a atuação sindical.

A média de idade do médico brasileiro é de 46 anos. No início de carreira, com até 30 anos, são 55 mil profissionais. No fim de carreira, com mais de 70 anos, são 26 mil profissionais. O presidente da Academia de Medicina de Brasília (AMeB), Renato Maia, acredita na paixão e na entrega à profissão como combustíveis para a superação dos desafios na atividade médica. “Muitas coisas o médico aprende com a vida, o sofrimento, a solidariedade, a demanda por cuidar e não apenas por curar. É por isso que a medicina é um compromisso. É por isso que muito médicos trabalham até depois dos 70 anos. É um compromisso que, para muitos, só termina quando a vida também termina”, ensina.

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Vocação supera desafios

58,2%

+40h 78% dos médicos têm mais de um vínculo de emprego. 75,5% trabalham mais do que 40 horas semanais. A maioria atua simultaneamente no serviço público e na iniciativa privada.

“Eu espero um futuro no qual existam bases para que os profissionais e os futuros profissionais da área da saúde possam prestar à sociedade um serviço de excelência”, afirma o estudante do quarto ano de me­ dicina da Universidade Católica de Brasília (UCB), e presidente da Associação dos Estudantes de Medicina do Distrito Federal, Pedro Henrique de Souza Tavares.

Se tivessem condições de trabalho iguais nos setores público e privado, 58,2% dos médicos trabalhariam exclusivamente no serviço público.

Desde 2011, mais mulheres do que homens ingressam na carreira. Em 2014, 54,8% dos novos médicos eram mulheres.

54,8%

A estudante do curso de medicina da Es­ cola Superior de Ciências da Saúde (ESCS) do Distrito Federal Isabelle Cristine Macedo aponta que a mulher que opta pela medicina, tem que lidar até com o próprio relógio biológico, pois a própria mater­ nidade costuma ser postergada. Mas a medicina é sua perspectiva de realização. “Como futura médica, a sensação que eu tenho é que, a cada atendimento bem realizado, a cada atendimento bem feito, a cada pessoa ajudada, a sensação é de dever cumprido. Foi isso que escolhi para a minha vida”, explica. Os desafios do médico nunca foram poucos, mas a situação atual exige que saiam da zona de conforto e olhem além das paredes dos consultórios e salas de cirurgia. O presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal, Gutemberg Fialho, destaca a necessidade de politização para su­

Médico

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peração dos obstáculos. “Participação política não é mais uma questão de gosto, é uma necessidade” afirma. Ele explica que os embates da ati­ vidade médica ultrapassam as questões científicas e técnicas. O estabelecimen­ to das condições materiais, sociais, econômicas e políticas para o exercício da medicina não pode ser desprezado. “A medicina é uma profissão de supe­ ração. Nossos desafios não terminam dentro dos consultórios ou nos centros cirúrgicos. Estão, em grande medida, na formulação de políticas públicas, na elaboração dos orçamentos do Estado”, enfatiza Gutemberg. Outubro 2016

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Especial

Na prática e na teoria

Evolução da entrada de novos médicos no mercado de trabalho (Brasil)

Ano 2000 2005 2010 2011 2012 2013 2014

reina o caos

Quantidade 12.481 14.386 12.456 17.900 17.267 19.354 19.633

A crise na saúde pública bra­ sileira afeta a formação médica, tanto na graduação quanto na resi­ dência médica, que são prejudica­ das pelo sucateamento do Sistema Único de Saúde (SUS), principal campo de prática nas fases de internato e residência; por uma legislação ultrapassada; pelo baixo valor das bolsas concedidas; falta de garantia de direitos trabalhis­ tas; e boicote do setor privado e de Organizações Sociais e OSCIPS, que vêem a qualificação como fator de elevação de custo da mão de obra.

Fonte: Demografia Médica 2015

Evolução da oferta de novas bolsas de residência médica pelo governo federal (exceto Programa Mais Médicos e Provab)

Ano 2014 2015 2016

Quantidade 1.523 1.048 1.370

Evolução do valor da bolsa de residência médica (reajustes em julho)

2009 2012 2013 2014 2015 2016

Valor (R$) 1.900,00 2.350,00 2.976,26 2.976,26 2.976,26 3.330,43 Fonte: MEC, DOU, Google

Bolsa paga aos participantes do Programa Mais Médicos (reajustes em janeiro)

Ano 2013 2014 2015 2016 2017

cia Médica e Educação Permanente da Federação Nacional dos Médicos (FENAM), José Antônio Romano. Para a FENAM, ressalta Roma­ no, há interesses diversos e difu­ sos, até mesmo entre as entidades médicas, que têm que ser supera­ dos em nome da boa formação do profissional da medicina do Brasil.

Assista à entrevista com José Antônio Romano, na qual ele fala da residência médica no Brasil.

Valor (R$) 10.000,00 10.482,93 10.513,01 10.570,00 11.520,00 Fonte: Ministério da Saúde

16 Médico

Três meses de atraso no reajuste da bolsa

Sem espaço para aprendizado

Em junho, os médicos par­ ticipantes dos programas de resi­ dência médica desenvolvidos nas unidades da Secretaria de Estados de Saúde (SES-DF) entraram em greve para exigir o reajuste das bolsas, que foram majoradas pelo Ministério da Educação em março. Além de não pagar o aumento de 11,9%, o governo local atrasava e, por vezes, pagava ainda menos do que os R$ 2,976,26, que vigiam à época e deixava de pagar o auxílio de 30% a que têm direito. Entre as queixas desses profissionais em es­ pecialização, destaca-se a redução do número de procedimentos em função do desabastecimento e da desorganização da gestão, o que prejudica a formação.

Em setembro foi a vez dos estudantes do curso de medicina da Universidade de Brasília (UnB) entrarem em greve por nove dias. Eles cobravam a assinatura do contrato entre o Hospital Uni­ versitário de Brasília (HUB) e a SES-DF para garantir o custeio das despesas e implementação do Contrato Organizativo de Ação Pública Ensino Saúde (COAPES). Os estudantes das faculdades particulares, que não dispõem de hospital escola e dependem dos “cenários de aprendizagem” dos hospitais públicos também se mobilizam. Os atrasos frequentes do Fundo de Financiamento Estu­ dantil (FIES) são outro motivo de queixa desses estudantes.

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Outubro 2016

Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina (DENEM) É importante ressaltar que esse impedimento na expan­ são da oferta de bolsas de residência especificamente pelo #MEC @mineducacao , não impede que o @minsaude conti­ nue ofertando vagas, porém, acreditamos enquanto Executiva que, baseado nos retrocessos políticos que estamos vivendo atualmente no país, é muito improvável que o #MS abra vagas de expansão da residência médica de modo a compensar a ausência de novas bolsas pelo MEC.

Associação dos Estudantes de Medicina do Brasil (AEMED BR)

“Precisamos modernizar o treinamento em serviço e a pósgraduação no Brasil. Apesar da cri­ se na saúde, o sistema é tão bom que foi copiado para as outras car­ reiras da saúde”, afirma o diretor de Formação Profissional, Residên­

Fonte: Ministério da Saúde

Ano

Especial

A AEMED BR visualiza que esse momento de interrupção da expansão das vagas na residência médica é um marco na formação médica brasileira, estancando este processo ex­ pansivo, que foi acelerado nos últimos anos e sem qualquer parâmetro mínimo de qualidade.

Associação Nacional dos Médicos Residentes (ANMR) Explicamos que essa limitação diz respeito somente a abertura de novas vagas pagas pelo Ministério da Educação. Há ainda como fontes pagadoras o Ministério da Saúde, as Secretarias Municipais e Estaduais de Saúde, as entidades filan­ trópicas, como as Santas Casas e os serviços privados. Todas as bolsas já existentes estão garantidas, independente de terem sido abertas em 2016. O corte diz respeito somente a vagas que seriam abertas em 2017. A progressão das bolsas de R1 para R2 também não sofrerão alteração. Aproveitamos para reforçar que não existe vaga de residência médica sem pagamento de bolsa, direito este assegurado pelo artigo 4º da Lei 6932/81.

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Outubro 2016

MEC não criará novas bolsas de residência médica No dia 30 de setembro, tornou-se público o OfícioCircular no 16/2016/CGRS/ DDES/SESU-MEC, datado de 19 de setembro, encaminhado às Comissões Estaduais de Re­ sidência Médica (COREME) e Multiprofissionais (COREMU). Nesse documento, o diretor de Desenvolvimento da Educação em Saúde, Dioclécio Campos Júnior deu conhecimento de que, em 2017, o Ministério da Educação não vai conceder novas bolsas de residência médica. Desde 2013, foram cria­ das 3.941 novas vagas de residência médica. A meta do governo federal, ao estabele­ cer o programa Mais Médicos, era chegar a 12 mil novas va­ gas, em 2018, para se igualar ao número de graduados. Confira as reações das entidades nacionais representa­ tivas de estudantes de medicina e médicos residentes veiculadas pelas redes sociais.

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Destaque

Destaque

Aconteceu

Jonas Pereira Publicado no Jornal Grande bahia.com.br

Cinemédico

Confira alguns flashes da edição do Cinemédico do dia 21 de setembro. Programação volta em 2017.

Dê um passo pela valorização da vida O Brasil e o Distrito Federal vestiram amarelo no mês de se­ tembro Até o Congresso Nacional ganhou iluminação especial para a campanha Setembro Amarelo de combate ao suicídio. Eventos no Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF), no Con­

selho Federal de Medicina (CFM) e na Escola Superior de Ciências da Saúde e no Parque da Cidade Sarah Kubitschek, preencheram a agenda de eventos em Brasília. A II Caminhada pela Vida, rea­ lizada pela Associação Brasileira de

Incidência de suicídios entre médicos é maior Levantamento feito pela Orga­ nização Mundial de Saúde (OMS), em 2012, aponta 800 mil casos de suicídio por ano em todo o mundo. No Brasil, os casos chegam a 12 mil a cada ano. A situação é ainda pior quan­ do os profissionais da medicina são colocados na berlinda. A incidência de suicídios entre médicos é 141% maior do na média dos homens que desempenham outras funções. As mulheres que desempenham a atividade são ainda mais afetadas: o número varia entre duas vezes e meia a quatro vezes mais do que em outros grupos profissionais. Estudo da Fundação America­ na para Combate ao Suicídio indica que, nos EUA, os profissionais da

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medicina são mais propensos a tentar tirar a própria vida do que a população em geral. Os fatores que levam a essa situação não são estranhos aos brasileiros: al­ tos níveis de estresse; noites mal dormidas; pouca independência na tomada de decisões e a exposição a cargas emocionais extremas. Lá, 300 a 400 médicos cometem suicí­ dio a cada ano. Segundo a ABP, é necessária uma estratégia multissetorial e abrangente, com apoio das comu­ nidades e das instituições sociais, políticas e privadas, que devem oferecer apoio às pessoas vulnerá­ veis, lutar contra o estigma e dar suporte àqueles que estão em luto pelo suicídio de alguém próximo.

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Outubro 2016

Psiquiatria (ABP) e pela Associação Psiquiátrica de Brasília (APBr), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), no dia 25, foi um destaque entre as atividades desenvolvidas.

É preciso quebrar o silêncio No dia 5 de setembro, o se­ nador Garibaldi Alves Filho (PM­ DB-RN) apresentou, na Comis­ são de Assuntos Sociais (CAS), o Projeto de Lei de Iniciativa do Senado (PLS) 260/2016, que institui a Semana Nacional de Valorização da Vida no Bra­ sil, a cada ano na semana que compreender o 10 de setembro — Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Para Garibaldi, o silêncio sobre o assunto é um dos principais obstáculos ao combate do problema.

Palestra com Marcos Coltri É crescente o número de ações judiciais que envolvem pacientes, médicos e serviços de assistência em saúde. Por isso, o SindMédico-DF trará o palestrante Marcos Coltri, considerado um dos maiores especialis­ tas no assunto, para uma palestra no dia

19 de outubro, às 20h.

Médico

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Aconteceu

Aconteceu

Suzuki foi homenageado no 31o Congresso Brasileiro de Neurocirurgia Dr. Gutemberg participou da abertura do 31º Congresso Brasileiro de Neurocirurgia, presidido pelo neurocirurgião Márcio Vinhal de Carvalho (no centro da foto), no dia 6 de setembro. Além de tratar dos temas da especialidade médica, o evento deste ano homenageou o neurocirurgião Kunio Suzuki, falecido em 2014, que deixou um legado de dezenas de neurocirurgiões forma­ dos, rotinas em neurocirurgia em hospitais privados e públicos e o desenvolvimento da microcirurgia no DF.

Pediatra Solidário está em plena atividade

Em evento, Sabin anuncia criação de nova sede O laboratório Sabin apresentou a par­ ceiros e representantes da área médica as inovações e expansão da marca no dia 31 de agosto, em evento no restaurante Rubayat, no Lago Sul. Entre as novidades, o laboratório revelou a ampliação de sua marca com a nova sede no Setor de Armazenagem e Abastecimento Norte (SAAN), próximo ao Parque Nacional de Brasília (DF).

Promotor Jairo Bisol lança novo livro

Sírio Libanês inaugura centro de diagnósticos

No dia 30, o presidente da Sociedade de Pedia­ tria do Distrito Federal, Christian Muller (ao lado da diretora de Imprensa e Divulgação do Sind­ Médico-DF, Adriana Graziano na foto), recebeu os representantes das entidades assistenciais selecionadas pelo projeto Pediatra Solidário, para assinatura do termo de compromisso. O edi­ tal para a inscrição de instituições foi encerrado e as crianças assistidas por essas instituições já come­ çaram a receber os cuidados dos voluntários. As inscrições dos pediatras para o voluntários, porém, continua permanentemente aberta. Para mais informações acesse o site www.site.spdf.com.br ou ligue para 3327-1073 ou 98434-7948.

Gutemberg Fialho e Carlos Fernando compareceram, no dia 30 de setembro, à inauguração do centro de diagnósticos do Hospital Sírio Libanês, localizado no Vitrium Centro Clíni­ co, na 614 Sul. Em uma área de 1.250 m2, o centro foi dotado do que há de mais moderno: tomossíntese (mamografia 3D), ressonância magnética, biópsias e tratamentos guiados por imagem. Edgar Franco Neto assumiu a coordenação médica da unidade. Foi ele, ao lado do diretor médico, Gustavo Fernan­ des e do CEO do Sírio Libanês Paulo Chapchap, e integrantes da equipe, quem recebeu os convidados. O decano da medici­ na brasiliense Pinheiro da Rocha marcou presença no evento.

Dê Marco e Sarkis lançam obra em Fortaleza e Brasília Os cardiologistas brasilienses Augusto Dê Marco e Nasser Sarkis lançaram, no dia 25 de setembro, em Fortaleza, durante o Congresso Brasileiro de Cardiologia o livro CARDIOLOGIA CLÍNICA – A prática da Medicina Ambulatorial. Além dos temas clássicos da cardiologia, o livro focaliza, com muita propriedade, a relação atual entre médico e paciente e mostra como as especialida­ des fragmentaram a Medicina, ao mesmo tempo em que trouxeram progresso. O livro é útil e atual para o médico praticante tanto do ponto de vista científico quanto de políticas de saúde. Os autores farão uma noite de autó­ grafos para a comunidade médica de Brasília, no dia 20 de outubro, às 19h, na Associação Médica de Brasília. Junto com a AMBr, o SindMédico-DF apoia o evento.

Feira de saúde na Rodoviária do Plano Piloto O vice-presidente do SindMédico-DF, Carlos Fernando, prestigiou a XI Feira de Saúde em Brasília, promovida pela Associação Médica de Brasília (AMBr), em parceria com as sociedades de especialidades, Academia de Medicina de Brasília (AMeB) e faculdades de medicina do DF, nos dias 20 e 21 de setembro, na estação de metrô da Rodoviária do Plano Piloto. Na foto ele está ao lado de José Domingues Júnior, diretor da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia Brasília (SGOB).

O presidente do Sindmédico-DF, Gutemberg Fia­ lho, e o vice, Carlos Fernando, foram ao lançamento do livro Fundamento Normativo: Sobre a Norma Jurídica Geral e a Decisão Judicial, do promotor Jairo Bisol, na Faculdade Processus. Na obra, o promotor defende uma concepção fragmentária do Direito, saindo de uma crítica ao conceito de norma geral.

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Jurídico

TCU e MP enxergam excessos no Decreto 37.610/16 A compensação de jornada de trabalho prevista no Decreto 37.610/16 objeto de representação junto ao Tribunal de Contas do Distrito Federal e ao Mi­ nistério Público do Tra­ balho (MPT). Na Decisão 3.325/2015, o TCDF já havia determinado que o GDF extrapolou sua capacidade de legislar ao tentar fazer a mesma exigência no Decreto 34.023/12. O presidente da corte manteve essa

posição em reunião com diretores do SindMédicoDF no dia 22 de setem­ bro. Para o procuradorchefe do MPT do DF e Tocantins, Alessandro de Miranda, com quem o presidente e o vice do Sindicato, Gutemberg Fialho e Carlos Fernando, e o conselheiro José Lei­ te Saraiva, se reuniram um dia antes, tópicos do texto podem até ser considerados assédio moral. Que a Justiça dê a última palavra!

Indeferimento da GMOV será judicializado Os sindicalizados que não estão recebendo da Secretaria de Saúde do DF a Gratificação de Movimentação (GMOV) ou que tiveram o paga­ mento dela suprimido por residir fora do Distrito Federal devem procurar o plantão da assessoria ju­ rídica do Sindicato, para o ajuizamento de ação para começar ou voltar a recebê-la. É necessário

assinar a procuração e o contrato, que estão à disposição no Sindi­ cato, e levar cópias de documento de identi­ dade, do CPF, do reque­ rimento administrativo da gratificação proto­ colado e com a respos­ ta de indeferimento e dos contracheques para comprovação de que não foi feito ou de que foi interrompido.

Sonegação do adicional de insalubridade O não pagamento da insalubridade, tanto dos contratados recentes quando dos que têm so­ frido cortes nas férias e licenças é uma das situ­

ações que serão denun­ ciadas ao MPT. Ações paralelas, nos âmbitos administrativo e judicial estão sendo tomadas concomitantemente.

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Regionais

MPT pede denúncias para investigar abusos O procurador-chefe do MPT informou que existe uma força-tarefa que concentra os esforços do MPT, com o Ministério Público do Distrito Fede­ ral (MPDFT) e Ministério Público de Contas do Distrito Federal (TCDF) e que já são desenvolvidas ações conjuntas na área da Saúde. Ele orientou os diretores do Sindicato a reunir as denúncias re­

cebidas dos sindicalizados e encaminhá-las ao MPT para avaliação, investiga­ ções e ações cabíveis a cada uma delas – incluí­ dos cortes de gratificações nas diversas formas como têm ocorrido, limitação de atestados de compareci­ mento, remoções injusti­ ficadas, ameaças, assédio, falta de segurança e ou­ tras situações irregulares e arbitrárias.

Tudo deve ser registrado formalmente Todos os reque­ rimentos e avisos de ocorrências feitos pelos médicos da SES-DF de­ vem ser registrados por escrito. Os documentos apresentados às chefias e departamentos devem ser protocolados e os recibos guardados para eventu­ ais necessidades. Eles são úteis e necessários

para segurança jurídica, para prova em processos administrativos, éticos e judiciais. Isso inclui os pedidos de abono e li­ cença prêmio. Em caso de negativas subsequentes ou falta de resposta, o De­ partamento Jurídico deve ser acionado para tomar as medidas administrativas e judicias cabíveis.

Fracionamento de jornada de trabalho O SindMédico-DF encaminhou, por e-mail, um modelo de requeri­ mento para os médicos da Atenção Primária que, não se consideran­ do aptos pela falta de prática, queiram solici­ tar a suspensão da apli­ cação da Portaria SES n° 61, de 29 de abril de

2016, e do Memorando n° 48/2016 – COAPS/ SAIS/SES-DF no fracio­ namento de sua jornada de trabalho para atua­ ção em emergências sem a devida realização de curso de atualização ou treinamento. O formu­ lário está disponível no Departamento Jurídico.

Letargia da Secretaria de Saúde incomoda Brasília Após visita em que ouviu queixas e apelos de médicos e de pacientes do Hospital Regional do Paranoá, na manhã do dia 26/09, o presidente do Sindicato dos Médicos (SindMédico-DF), Gutem­ berg Fialho, protocolou pedido de interdição ética ao Conselho Re­ gional de Medicina (CRM) e queixa no Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Nem atendimento em clínica médica o pronto-socorro do hospital ofere­ cia. Mesmo sabendo dos proble­ mas, a Secretaria de Saúde deixou de tomar providência para evitar o caos que se instalou.

Na visita, da qual também participou o vice-presidente do Sin­ dicato, Carlos Fernando, foi verificado que 35 pacientes internados aguardavam por cirur­ gias, sem nenhuma pers­ pectiva de atendimento. O sistema de ar-condicionado de toda a unidade de saúde quebrou no dia 8 de setembro, depois de meses funcionando mal. Isso invia­ bilizava a realização de cirurgias. “Já estou aqui há 42 dias. Não aguento mais esperar”, relatou o paciente ortopédico Max Paulo

Leal, de 38 anos, com o braço esquerdo sem movimento. Assim como ele, a dona de casa Luciana da Silva Costa, de 39 anos, não su­ portava mais a falta de respostas. “Hoje, completo 24 dias aqui. E eu tenho filhos para criar. Já estou entrando em depressão. Precisa­ mos de uma solução”, desabafou.

O que não faltava estava quebrado Logo na porta da emergência do Hospital do Paranoá, um bilhe­ te manuscrito dava a indicação da precariedade: “Raio-X quebrado”. E, dentro da unidade, os pacientes e acompanhantes eram informados das outras limitações, como a falta de medicamentos. Mais de 30 insumos, entre máscaras, mesas cirúrgicas e fios de sutura faltavam no HRPA. No dia 05 de setembro, um memoran­ do enviado à Secretaria de Saúde apontava falhas em 12 aparelhos: mamógrafos, tomógrafo, Raio-X,

ecógrafos, escopia e arcos cirúr­ gicos, a maioria sem contrato de manutenção. No dia 22, o setor de radiologia e imagenologia enviou à Secretaria de Saúde o seguinte aviso: “a partir de hoje encerramos o atendimento por tempo indeterminado pela carência de filmes ra­ diológicos e falta de reposição dos materiais junto à central.” Na UTI de adultos, o estado de abandono era mais evidente. O calor chegou a 40° no auge da seca. “Pacientes correm risco de infecção, de sequelas e até de

Médico

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morte. Não desejamos o fecha­ mento da unidade, mas acolher pacientes sem dar assistência ne­ cessária é inadmissível: estamos falando de sequelas e risco de morte”, denunciou o presidente do SindMédico-DF. A imprensa ouviu o Sindicato e os pacientes, repercutiu até fora do DF e nem assim uma solução foi dada com a urgência devida. Che­ garam a ceder uma sala no centro cirúrgico do Hospital de Base para diminuir o problema. Uma sala sem ar-condicionado.

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Regionais

Regionais

Mapa do caos

Faltam profissio­ nais, sobram piolhos de pom­ bo. Essa é a realidade do hospital de Ceilândia, que sofre com uma verdadeira infestação dos insetos. Lá, para conseguir resultado de tomografia e Raio-X, pacientes e médicos preci­ sam de celular, porque têm que fo­ tografar a tela dos equipamen­ tos. Falta mídia.

Hospital Materno Infantil A falta de reagentes para hemogramas é apenas um entre muitos problemas no HMIB. O aumento da procura pelo hospital, depois do fechamento da pediatria do Hospital Regional do Gama (HRG), fez o número de atendimentos crescer de 7 mil para 10 mil pacientes mensais. A superlotação tem gera­ do conflitos: médicos e demais profissionais têm sido al­ vos de agressões.

24 Médico

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Hospital Regional da Ceilândia (HRC)

UTI’s

Apenas de janeiro a julho deste ano, a Defenso­ ria Pública do DF recebeu 560 pe­ didos de urgência em UTI’s. Ou seja, são aproximadamente três pedidos por dia. Em 2015, no mesmo período, foram 509. Já as solicitações de tratamento em 2016 – até julho – somam 256. Os requerimentos para cirurgia totali­ zam 142 e para consultas, 72.

Superintendência Regional Sudoeste No dia 21 de se­ tembro, as UPAs do Recanto das Emas e de Samambaia tiveram inter­ rupção na entrega de oxigê­ nio pela empresa fornece­ dora, que estaria com o contrato expirado.

Nem defunto escapa do caos

Hospital Regional da Asa Norte (Hran) A situação de su­ cateamento do hospital chegou a tal ponto que, no iní­ cio deste mês, parte do forro do teto da unidade caiu na cabeça de um paciente internado, de 56 anos, que achava ter tido uma sorte con­ seguir leito. Falta negativo para Raio-X, porque não planejaram corretamente a implantação do sistema de digitalização dos exames.

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O descaso com a rede pública de saúde do Distrito Federal chegou até as câmaras mor­ tuárias do Hospital Regional da Asa Norte (HRAN) e do Hospital de Base do DF (HBDF). Foi noticiado na primeira quinzena de setembro que, neste último, o exaustor apresentava falhas e os servidores queixavam-se de ardência nos olhos, dor de cabeça e problemas respiratórios pelo cheiro de formol que infestava o ambiente. De 16 gavetas refrigera­ das, apenas sete funcionam. No HRAN, vídeos gra­ vados por servidores registraram até 10 corpos de bebês guardados em uma única gaveta e um cadáver guardado há 15 meses. O cheiro de corpos em decomposição chegou a incomodar os usuários do hospital.

Morre afilhada de JK abandonada pelo GDF

Primeira bebê que nasceu no dia 21 de abril de 1960, Brasília Maria Costa Gois, de 56 anos, morreu no dia 10 de setembro, no Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) por complicações decorrentes da de­ mora em obter um leito de UTI (que só obteve com ordem judicial) e diálise.

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Crônica

a i ó r T s i a t i p a c s ecado

A guerra de e os p

Tróia era uma próspera cida­ de mercantil, razoavelmente rica, ponto de entrada para o Mar Negro. Hoje, Tróia é um sítio arqueológico na Turquia, na província de Çanakka­ le, onde uma réplica do famoso ca­ valo nos recepciona e nos encanta. Ocorrida no período entre 1300 a.C. e 1200 a.C., a Guerra de Troia foi um grande conflito bélico entre gregos e troianos, causado pelo rapto da princesa Helena, es­ posa do rei Menelau por Páris, filho do rei Príamo. Não confundir com Príapo, o filho de Afrodite que era conhecido pelo seu falo longo e ereto, de onde surgiu o termo mé­ dico priapismo, que corresponde a uma ereção persistente, geralmen­ te dolorosa. Páris, o príncipe troiano, fora a Esparta, em missão diplomática, e se apaixonou por Helena, con­ siderada a mulher mais bonita do mundo então conhecido. Ao sair, Páris levou consigo a esposa do rei, deixando Menelau enfurecido.

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ra Evaldo Alves Olivei

Mais de mil navios foram enviados para o ataque a Tróia, liderados pelo general Agamenon. Alexandre, o Grande, e Julio Cesar estiveram em Tróia para visi­ tar seu sitiamento, onde prestaram homenagem aos grandes heróis e absorveram parte de sua bravura, conforme narra Stephen Weir no li­ vro As Piores Decisões da História, texto que serviu de mote para esta crônica. Na atualidade, presidentes dos Estados Unidos fazem visitas de surpresa a sítios de guerra. Depois de dez anos de escara­ muças, com grandes baixas em seu exército, os gregos fingiram ter de­ sistido da guerra, embarcando em seus navios. Na praia, um enorme cavalo de madeira foi deixado aos inimigos, que o levaram para o in­ terior da cidade, como símbolo da vitória. À noite, os soldados gregos escondidos na estrutura oca do ca­ valo saíram e abriram os portões para que o exército invadisse a

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cidade. Apanhados de surpresa, os troianos foram vencidos e a cidade incendiada. Desse modo, Menelau recuperou sua esposa, Helena, le­ vando-a para Esparta. Ao final, Tróia foi destruída, e muitos troianos morreram pela vanglória de Páris. O retorno de Menelau à Grécia demorou outros dez anos. Menelau e Helena vive­ ram juntos por muitos anos, até a morte daquele, em idade avançada. Depois da morte de Menelau, Hele­ na foi exilada, e buscou refúgio em Rodes, onde foi enforcada pelas criadas, por ordem de Polixo. Um rapto, uma guerra desu­ mana, soldados vinte anos longe de suas famílias, milhares de vidas perdidas nos caminhos. Aqui, um mix psiquiátrico composto de ira, inveja, luxúria e orgulho. Uma ode à estupidez. Mais textos do autor em

www.evaldoab.wordpress.com


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EXAME DO LÍQUOR DA COLETA AO DIAGNÓSTICO FINAL LABORATÓRIO SABIN, MEDICINA DIAGNÓSTICA COM EXCELÊNCIA. Sempre buscando oferecer a excelência em serviços de saúde, o Laboratório Sabin, por meio da parceria com o Senne Liquor Diagnóstico, oferece o exame do líquor de forma mais completa, desde a realização da coleta até a conclusão diagnóstica. A nova parceria possibilita oferecer a realização de todos os exames disponíveis realizados no líquor, um diagnóstico emitido por uma equipe de médicos especialistas e uma assessoria específica, na qual o médico assistente poderá realizar interconsultas, discutir sobre tipos de exames e resultados. A coleta será realizada com toda a experiência da equipe médica do Senne Liquor Diagnóstico, garantindo a segurança do paciente.

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R.T.: Dra. Sandra Soares Costa, CRF 402 - DF

DOENÇAS DIAGNOSTICADAS:


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