Revista Médico 108

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Sindicato dos MĂŠdicos do Distrito Federal


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Entrevista

Fatos e Fotos

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1. Estantes Literárias, no Hospital Regional da Asa Norte.

2. Reunião com Sec. de Estado de Rel. Inst., Marcos Dantas

3.IV Manhã de Oração e Reflexão com os Médicos, dia 17 de maio

4. O tema do encontro, “Vida de Médico: Você está preparado?”

5. Reunião da Fenam realizada no Dia do Trabalhador.

6. Almoço na Associação Comercial do Distrito Federal.

7. Jornalista Sylvio Costa falando sobre política na Ameb.

8. Caminhada contra as terceirizações, 1º de maio.


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Você Sabia?

Dengue resiste e Chikungunya bate à porta O Instituto Butantan e a Fundação Oswaldo Cruz estão envolvidos em três projetos que se encontram em andamento para desenvolvimento de vacinas contra a dengue, que prometem imunização contra a doença que tem surtos recorrentes desde a década de 1990. Mas a que deve ser lançada em menor espaço de tempo é a da farmacêutica francesa Sanofi, que em teste recente apresentou eficácia em 60,8% na média dos casos e de 95,5% dos casos graves. Entre as instituições brasileiras, a pesquisa em estágio mais avançado é do Instituto Butantan, em parceria com os Institutos de Saúde dos Estados Unidos (NIH), na segunda das três fases obrigatórias de testes. De 1990 até o mês de maio deste ano, foram notificados no Brasil 9.875.679 casos de infecção pela dengue e 4.309 mortes decorrentes. Ao passo que se se espera o alívio para os surtos de dengue, aumentam os casos de febre de Chikungunya. Em 2014, foram notificados 3.657 casos. Este ano os casos chegaram a 3.135 até a terceira semana de maio. Além da fronteira, na Colômbia, segundo registro da organização Médicos Sem Fronteira (MSF) os Institutos Nacionais de Saúde informam que a doença já afetou 208.044 pessoas em 2015. Os primeiros casos foram registrados em setembro do ano passado. Com informações dos boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde e dos Médicos Sem Fronteiras (www.msf.org.br).

Estudo de vacina contra Ebola entra na fase final A vacina rVSV-ZEBOV, contra o vírus Ebola desenvolvida pela Agência de Saúde Pública do Canadá e pela empresa New Link Genetics, está sendo produzida pela divisão de vacinas da farmacêutica Merck, nos Estados Unidos. De outubro de 2014 a março deste ano, mais de 800 voluntários foram inoculados com a vacina no Canadá, na Alemanha, no Gabão, no Quênia, na Libéria, na Suíça e nos Estados Unidos. A partir de 7 de março, quando começou a terceira fase de testes clínicos, na Guiné, outros 200 foram vacinados e, até o início de abril nenhum efeito adverso relevante foi reportado. Desde o início do surto, em 2013, até a terceira semana de maio, foram notificados 27.049 casos de Ebola em todo o mundo, com 11.149 óbitos. Entre os quais, foram infectados 869 profissionais de saúde considerando apenas os países africanos. Equipes da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) continuam atuando em Serra Leoa. Entre eles, a administradora brasileira Mariana Rossi, que chegou ao país em dezembro de 2014, quando não havia sequer uma caneta para trabalhar. “Em quatro semanas, a equipe trabalhando ali já chegava a 200 pessoas. Cheguei ao ponto de trabalhar 15 horas por dia”, conta Mariana. Com a desmobilização pela drástica redução do número de casos, os trabalhadores contratados para atuar como higienistas (que cuidam da desinfecção dos centros de tratamento aplicando cloro) começam a ser dispensados. A administradora brasileira conta que foi pensado um pacote de benefícios, que envolvia aviso prévio, indenização de risco, um certificado e uma camiseta de agradecimento, que trazia estampadas as mãos de um sobrevivente. Com informações dos Médicos Sem Fronteiras e da Organização Mundial de Saúde. Para acompanhar a evolução do combate ao vírus Ebola acesse o hotsite da Organização Mundial da Saúde (www.apps.who.int/ebola/).

Profissionais & Negócios

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Sonhos, perseverança e reconhecimento profissional Assinaturas são as primeiras coisas que mais chamam atenção quando se entra no consultório do ortopedista e traumatologista Paulo Lobo Jr.. A primeira que salta aos olhos, em uma camiseta ao lado de sua mesa de trabalho é de ninguém menos do que o Rei Pelé. A única coisa ostensiva ao seu redor é essa demonstração do sucesso que alcançou com a dedicação à ortopedia e traumatologia e à medicina do esporte lhe proporcionou: uma profusão de autógrafos de atletas, em especial jogadores de futebol. Da formatura no curso de medicina pela Universidade Federal de Goiás, em 1981, até ocupar a coordenação médica da Federação Internacional de Futebol (FIFA), em 2014, sua jornada foi impulsionada por sonhos, perseverança e reconhecimento por seu trabalho. O reconhecimento mobilizou pessoas e, com uma carreira solidamente estabelecida, motivou o sogro, Nabil Haje a investir na criação do Hospital Ortopédico e Medicina Especializada (Home), inaugurado em 2009. Em apenas três anos, o hospital obteve credenciamento como Centro Médico de Excelência da FIFA. “Se alcancei algum sucesso, devo a muitos: primeiro a Deus, aos professores que me deram oportunidades, à minha esposa e filhos, aos meus pais e aos meus sogros”, faz questão de frisar o ortopedista, para quem o sucesso é ser profissionalmente realizado. “Recompensa financeira é apenas consequência do reconhecimento pelo valor profissional”, enfatiza.

A Academia e o mundo Depois da residência médica no Hospital de Base do Distrito Federal e da pós-graduação

em cirurgia do joelho e traumatologia desportiva pleo Hospital das Clínicas de Porto Alegre, na década de 1980 e de fazer uma especialização em ombro, em 1990, Paulo decidiu elevar a jornada acadêmica a patamares mais elevados. Em 1998, embarcou com a família para os Estados Unidos, e estabeleceu-se como fellow do Departamento de Cirurgia Ortopédica e Medicina do Esporte da Universidade de Pitsburgh (Pensilvânia), onde teve como mentor o renomado especialista Freddie Fu. Em 2003, voltou aos EUA, para treinamento com o não menos reconhecido Donald Shelbourne, em reabilitação acelerada pós-traumática ligamentar do joelho, uma técnica inovadora que trouxe para Brasília. “A experiência mudou minha vida. Me colocou no cenário internacional”, conta. Dessa vivência também trouxe o sonho da criação do hospital, “que só se concretizou com trabalho árduo”, esclarece.

Jornada profissional No serviço publico do Distrito Federal, foi acolhido no Hospital Regional de Taguatinga e posteriormente foi transferido para o Hospital de Base e, hoje, mais uma vez, coordena, pela segunda

vez, a ortopedia da Secretaria de Estado de Saúde do DF. No mundo dos esportes, assumiu em 1988, a coordenação do Taguatinga Esporte Clube, que depois se tornou o Brasiliense. Em 89 entrou para o quadro do Departamento de Educação Física, Esportes e Recreação (Defer), o que o levou a um maior envolvimento com o esporte. Hoje, é um dos cinco profissionais que compõem a Comissão Nacional de Médicos do Futebol da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Esse grupo comanda o inédito projeto de mapeamento das lesões no futebol Brasileiro. Movido a sonhos e imbuído de uma disposição invejável, hoje, Paulo Lobo tem duas metas à frente: primeiro, junto com os oito coordenadores regionais de ortopedia, promover melhora na qualidade da oferta de assistência na especialidade. Em segundo lugar, o projeto mais ambicioso, que envolve todos os especialistas do DF, de ver construído um hospital especializado e com capacidade para atendimento a toda a população brasiliense. “É um sonho de todos nós, que vamos conquistar juntos. Ninguém faz sucesso sozinho”, ensina.


Vida Saudável

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Antes de tudo, observe seu corpo Atualmente, as práticas nas academias de musculação são variadas e a consciência sobre a necessidade de atividade física para uma vida saudável é maior, mas o culto à forma física se confunde e, às vezes, se sobrepõe à busca por saúde. Mas nem todo mundo nasceu para ser escultura grega e nem quer isso. Este texto é para quem está mais preocupado em sentir-se bem e nem tanto com a forma. Ex-jogador de futebol, profissional em educação física, personal trainner e dono de academia, Marcus Vianna aconselha uma abordagem mais tranquila para a frequência a uma academia. “Respeite seu corpo, o que importa não são os números, mas a qualidade de vida decorrente da prática de exercícios”, aconselha. Na Academia In Club Fitness na Associação Atlética Banco do Brasil, (AABB), a equipe de Marcus, além dos exames médicos obrigatórios para a prática de exercícios físicos, adotou um sistema de avaliação que leva em conta problemas de postura, dores na execução de movimentos e a necessidade do aluno: desde preparação para esportes de alto rendimento às atividades profissionais diárias. O objetivo é permitir que cada pessoa possa, em primeiro lugar, ter aptidão física para suas atividades cotidianas. Um médico cirurgião, por exemplo, salvo o caso de acumular a atividade de atleta, não precisa da mesma carga de exercícios ou sequer os mesmos tipos deles para ficar bem. “Cada m tem uma necessidade específica. Para um cirurgião, por exemplo, fortalecer os músculos intercostais e os braços colabora com a atividade que desempenha”, explica. Isso dá ao profissional a condição necessária para chegar ao fim do dia

sem estar prostrado. Além de respeitar o próprio corpo, o professor dá algumas dicas: - Frequente uma academia perto de casa ou do trabalho ou no caminho entre eles, porque o exercício tem que fazer parte da rotina. Não é o fato de pagar antecipadamente um pacote de 12 meses que vai garantir sua frequência. - Os exercícios têm que estar na agenda como obrigação, não como algo que se faz quando sobra tempo. - Faça o exercício que puder quando puder. Se não for possível cumprir a carga normal, faça metade. Só não faça uma vez na semana algo que vá deixá-lo prostrado por três dias. - Não trabalhe por resultados rápidos, pois a empolgação pode provocar lesões. A vida real não é um reality show.

Se você malha para emagrecer, em vez de se preocupar com o medidor de gordura corporal, com a fita métrica ou com a balança, use as roupas

como medida. Isso traz satisfação e não frustração e ansiedade. Marcus destaca que para obter bons resultados na busca de uma condição de vida com qualidade é necessário observar sete elementos: fazer atividades físicas, seguir uma alimentação saudável, dormir bem, abster-se de drogas não lícitas e lícitas, ter atividades de lazer, dedicar tempo ao desenvolvimento cultural e manter o meio ambiente equilibrado. A máxima “no pain, no gain” (sem dor, sem ganho) não é uma regra, é apenas uma opção.

SindMédico em Ação

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Servidores de alma lavada O próprio presidente do Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), Getúlio Moraes de Oliveira, que nem precisava, decidiu votar: por 17 votos a zero, os desembargadores julgaram improcedente a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) proposta pelo Ministério Público contra 32 leis distritais que concederam reajustes e promoveram reformulação nos planos de carreira, cargos e salários dos servidores públicos do DF. A petição do Ministério Público foi apresentada com pedido de antecipação de efeito (liminar), dia 26 de fevereiro, uma quinta-feira, e distribuída para relatoria ao desembargador Humberto Ulhôa no dia seguinte. No sábado e domingo, o presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF), Gutemberg Fialho, e o vice, Carlos Fernando, se reuniram com a equipe de assessores do sindicato e com representantes de outras entidades sindicais. Na segunda-feira, as lideranças foram recebidos em audiência pelo relator do processo, que informou não ter concedido a liminar e solicitado esclarecimentos ao Governo do Distrito Federal e à Câmara Legislativa. Foi assim, tempestivamente, que surgiu o Movimento Sindical em Defesa do Serviço Público do Distrito Federal, sob a coordenação do SindMédico-DF. E foi nesse ritmo acelerado que as ações

do movimento foram definidas e realizadas. Em poucos dias eram 18 os sindicatos e 17 as associações de classe reunidos em torno da causa, independente da ideologia política preponderante em uma e outra entidade. “Foi um exercício de democracia e tolerância em pleno momento de efervescência de movimentos de protesto contra e a favor o governo federal”, destaca o vice-presidente do SindMédico-DF. Desde fevereiro, foram realizadas reuniões com deputados

distritais, com representantes do GDF, com os desembargadores e com o próprio promotor de Justiça Antonio Henrique Suxberger, coordenador de Recursos Constitucionais do MPDFT e autor da peça da Ação de Inconstitucionalidade. Os desembargadores seguiram o mesmo entendimento do Supremo Tribunal Federal – STF de que a ausência de dotação orçamentária prévia em legislação específica não autoriza a declaração de inconstitucionalidade da lei, impedindo tão somente a sua aplicação naquele exercício financeiro. “Nem foi analisado o mérito de haver ou não a dotação orçamentária, que existia em 2013 e foi projetada

para 2014 e 2015. O Ministério Público analisou mal a Lei Orçamentária deste ano”, afirma o presidente do SindMédico-DF, Gutemberg Fialho. A procuradoria da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) apresentou alegação de que o Ministério Público cometeu um equívoco, pois a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2013 autorizou, sim, as melhorias salariais. A procuradora-geral do DF, Paola Aires Corrêa de Lima, apresentou a manifestação do governo pela improcedência da ação. Afirmou que nenhuma das partes envolvidas contribuiu para o problema, mas que a situação das finanças públicas do DF vem enfrentando desafios herdados da gestão passada e que esse é um problema recorrente em diversas unidades da Federação, como reflexo principalmente das reeleições. Em seu voto, o desembargador-relator, Humberto Ulhôa, decidiu pelo não conhecimento da ação. “A ausência de dotação orçamentária prévia em legislação específica gera somente ineficácia naquele exercício financeiro, conforme já decidido pelo STF, mas não autoriza a declaração de inconstitucionalidade da lei”, afirmou. Foi ainda além: “o reajuste é um direito, uma garantia a toda categoria de servidores públicos, assegurado pela Constituição Federal, logo sua concessão não viola interesse público, pelo contrário”, registrou.


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O problema é sistêmico

A saúde pública é doente crônica Na noite de sábado, 16/05, uma paciente irritada pela demora em obter atendimento, quebrou vidraças e arremessou lixeiras pelos corredores do Hospital Regional do Paranoá. No dia seguinte, almoçando em um restaurante, a médica de família e comunidade Fátima (nome fictício, para preservar a doutora) ouviu de uma senhora que acompanhava a reportagem pela TV: “quebrar o hospital e machucar as pessoas não resolve nada, você vai presa, tem que pagar fiança para sair e ainda corre o risco de ter que pagar pra consertar as coisas que quebrou. Se fosse eu, esperava o médico sair do plantão e quebra-

Diagnóstico realizado pelo Grupo Gestor de Redes e Contratualização de Serviços composto por profissionais da SES/DF e da Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepecs) aponta: a rede de assistência é fragmentada e desarticulada; a assistência é centrada na oferta de serviços e desarticulada com as necessidades de saúde da população; há baixa implicação de gestores e profissionais com os resultados sanitários. O sistema

-DF), Gutemberg Fialho. “O sistema (de saúde pública) é insuficiente e não podemos contratar. São necessários 5 mil novos servidores para atender a atual demanda”, reconheceu o secretário adjunto de saúde, Rubens Iglesias, na comissão geral realizada pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), no dia 21 de maio. Segundo Iglesias, a média de espera nas emergências dos hospitais do DF é de 7 horas. O número de contratações necessárias é contestado pelas entidades representativas de classe. Só médicos, segundo o ex-secretário Elias Fernando Miziara, faltam 3,5 mil.

Da inovação à decadência Quando não se atribui aos profissionais a culpa pelo caos na saúde, os governantes são acusados. Quando os dois argumentos perdem efeito dramático, o bode expiatório é a população das cidades do entorno que busca atendimento nas unidades de saúde da capital da república. O modelo de gestão da assistência em saúde local está em cheque. A Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES/DF) acumula funções de estado e município,

abrangendo desde a execução direta e ações e serviços e aquisições de insumos, até a regulação, controle e avaliação. Na Comissão Geral da Câmara Legislativa, Rubens Iglesias afirmou ser necessária a criação de um ente jurídico que permita separar a elaboração das políticas de saúde da gestão executiva do sistema de saúde. Desde sua origem, o sistema público de saúde do DF foi estabelecido sobre a concepção de hierarquização e universalização

fragmentado não compartilha informação, procedimentos e gestão assistencial. O deputado Chico Leite (PT) destaca três desafios para a saúde pública do DF. “Foco na atenção primária, para reduzir o fluxo de pacientes para unidades de maior complexidade; estancar a corrupção; e cobrar dos municípios e estados pelos atendimentos prestados às pessoas de fora do DF”, afirmou o deputado. “Falamos em crise

por hábito e influência da mídia. O que vemos são surtos sazonais e repetidos dos mesmos problemas ao longo dos anos. É um quadro crônico de decadência da saúde pública no qual se adotam medidas paliativas sem resultado efetivo” diagnostica Gutemberg Fialho. O SindMédico-DF defende a recriação da Fundação Hospitalar como instituição de direito público para dar maior flexibilidade e agilidade ao sistema assistencial.

A mudança é necessária, mas não qualquer mudança.

Marcelo Casal Jr. - Agência Brasil

va ele na porrada! Esses safados, sim, têm culpa!” A secretaria de saúde, como é praxe, atribuiu culpa ao segundo profissional que estava na escala por ter apresentado um atestado médico e não comparecer. Mas é sabido pela gestão da saúde que dois médicos não são suficientes para cobrir um plantão. “Os gestores da saúde pública têm tomado medidas pontuais ineficazes e insuficientes e vindo a público fazer declarações para atender a pressão da mídia e não para resolver os problemas existentes”, afirma o presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-

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do atendimento. Foi justamente a partir da criação do Sistema Único de Saúde (SUS) que começou a decair. Em 2002, o fim da Fundação Hospitalar do Distrito Federal (FHDF), acelerou o processo. “Até meados da década de 1990, 90% do atendimento de saúde no Distrito Federal era público. O sistema não é falido, a gestão é pautada pela mídia”, afirmou o presidente do Conselho de Saúde do DF (CSDF), Helvécio Ferreira da Silva.

Na Câmara Legislativa, o presidente da Comissão de Fiscalização, Governança, Transparência e Controle, deputado Joe Valle (PDT), engrossa o coro das críticas. “Todos nós compartilhamos da opinião de que do jeito que está não pode ficar”, afirmou. A comissão, segundo Valle, dedica especial atenção à saúde e deve apresentar um diagnóstico da gestão em três meses. Antes mesmo da conclusão dessa análise ele destacou que 13% do des-

perdício de recursos na saúde pública se deve a corrupção e 87% a má gestão. “É a partir da adequação do quadro de servidores, da descentralização da gestão e da priorização da atenção básica que voltaremos a ter uma oferta de serviço publico de saúde com qualidade para a população”, indica o presidente do SindMédico-DF. A exemplo de gestões anteriores, o atual governo ensaiou um movimento em direção

Atualidade

De 1960 à década de 1990 Planos Bandeira de Melo e Frejat • Modelo hospitalocêntrico e biomédico, coerente com conceito de atenção à saúde da época. • Inovador, com definição de regionalização, fluxos de referência e contrarreferência e hierarquia de complexidade entre as unidades de saúde. • Separação dos campos de ação entre um órgão para planejamento de políticas e normatização (SES/DF) e execução, com autonomia para contratação de pessoal, para fazer compras e contratar serviços (Fundação Hospitalar do Distrito Federal – FHDF). • Atendia 90% da população. • Profissionais da saúde valorizados em número adequado à demanda pelos serviços de saúde. • Número de leitos suficientes.

à entrega da gestão de unidades de saúde a Organizações Sociais – um modelo polêmico, que é alvo de ação direta de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal. As manifestações de repúdio à proposta não tardaram. Tanto as entidades representativas dos servidores da saúde quanto o Conselho de Saúde se posicionaram contra a proposta. “Este seria o pior erro que o atual governo poderia cometer”, alerta Gutemberg Fialho.

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Modelo hospitalocêntrico predominante, incoerente com o conceito de prioridade da Atenção Básica. Saturado, desarticulado com as necessidades de saúde da população, com falhas no compartilhamento de informação, procedimentos e gestão assistencial. Desatualizado com as tecnologias de informação e comunicação. Centralização das atividades de planejamento de políticas, normatização e execução. Falta de autonomia para funcionamento mais ágil das unidades de saúde. Atende menos que 70% da população, com migração de usuários para o sistema de saúde suplementar – incoerente com o conceito de universalização do SUS. Profissionais desvalorizados, sobrecarregados, em número insuficiente para suprir a demanda. Número de leitos insuficientes. Serviços contratados da iniciativa privada. Judicialização da relação dos pacientes com os profissionais e com a gestão da saúde.


Plugados

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Google terminou a residência nos EUA Em novembro de 2013, o presidente executivo da Google Inc., Eric Scmidt, foi admitido no Conselho Curador da Mayo Clinic, uma gigante da área de serviços médicos e pesquisas médico-hospitalares dos Estados Unidos, supostamente sem fins lucrativos, mas que movimenta quantias vultosas de dinheiro. Junto com o CEO da igualmente gigante do Vale do Silício, aportaram na Mayo, centenas de milhares de dólares para que membros do corpo clínico desenvolvessem conteúdo de informação básica sobre saúde, ou, melhor dizendo, sobre doenças, para a ferramenta de pesquisa do Google. Ou seja, a hipocondria da era digital, a cibercondria, ganhou definitivamente o seu Dr. Goolgle, certificado por uma das mais famosas instituições de saúde do mundo. O levantamento foiTarefa relativamente fácil para quem dispõe de um staff de 4,2 mil médicos e pesquisadores, 2,4 mil residentes e intercambistas e 52,9 mil outros profissionais. O trabalho foi coordenado pelo cardiologista Kapil Parackh, professor assistente da Johns Hopkins Bloomberg Universty of Public Health.

Como funciona o sistema Por enquanto disponível só nos Estados Unidos, o Doutor Google chegará em breve ao Brasil disponível para sistemas Android e IOS, com informações sobre sintomas, tratamentos e detalhes sobre a gravidade de uma condição: se é crítica, contagiosa, em que idade ocorre. A plataforma disponível nos EUA também oferece ilustrações de alta qualidade e design desenvol-

vido para favorecer links para uma informação mais aprofundada em outros sites. A gerente de comunicação da Google no Brasil, Gabriela Manzini, afirma que o Dr. Google não tem a intenção de diagnosticar o internauta, o qual deve consultar um profissional. A executiva afirma que o principal objetivo do serviço é tornar a informação médica mais acessível e clara. “O problema é que essas informações, que estão em sites confiáveis, normalmente são cheias de jargões. O que o Google quer fazer é transformá-las em algo mais palatável, as colocando no topo da lista de resultados”, declara. Para obter esse resultado, a empresa adotou a tecnologia já utilizada no Knowledge Graph, que é uma base de dados do Google que reúne informações coletadas em diferentes fontes, incluindo sites especializados. Estima-se uma em cada 20 consultas ao Google sejam referentes a algum termo referente a saúde/doença - de organismos internacionais e governamentais a sintomas, tratamentos e medicamentos e pesquisas. A multibilionária indústria farmacêutica e demais empresas do ramo privado da saúde agradecem o espaço comercial que se abre com a institucionalização do Dr. Google. A Google enriquece ainda mais e os profissionais da saúde se preocupam com a impessoalidade e imprecisão das informações obtidas pelo

doente e com o provável aumento de tratamentos feitos por conta própria e automedicação. “A cibercondria pode piorar as condições de saúde de muitos e gerar outros tipos de problemas” alerta o médico de família e comunidade Tiago Neiva. Uma simples tosse pode se tornar, na percepção do internauta, uma doença grave ou, pior ainda, um sintoma de uma situação grave pode ser menosprezado por uma interpretação incorreta. “Hoje, muita gente já chega aos consultórios com um autodiagnóstico e a relação entre médico e paciente, às vezes, fica mais difícil por causa disso”, observa Tiago. O acesso facilitado à informação é, sem dúvida, uma grande conquista da civilização moderna e a informação genérica sobre assuntos relacionados à saúde pode até complementar a atenção médica. No entanto, a internet jamais vai se sobrepor ou substituir a relação do paciente com seu médico.

Opinião

Antônio Geraldo da Silva

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Os médicos e a psicofobia

A psicofobia, amplamente denunciada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), é a atitude preconceituosa e discriminatória contra os deficientes e portadores de transtornos mentais. O Projeto de Lei do Senado 236/2012 aguarda aprovação para torná-la crime em todo o Brasil e a campanha “Psicofobia é um Crime” foi criada para sensibilizar a classe psiquiátrica e a sociedade sobre a realidade enfrentada nos consultórios médicos de todo o país. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 12% da população brasileira precisa de algum tipo de atendimento para a saúde mental. Mas, apesar disso, quem sofre de depressão, esquizofrenia, transtorno bipolar, autismo, ansiedade, entre outras doenças mentais, sente na pele, e com frequência, diversas manifestações de preconceito. Como a psicofobia e seu enfrentamento existem na rotina médica? Em consultórios, hospitais, centros de atendimento públicos e privados, como ela é encarada e afeta a classe? Em alguns casos, o médico tem duas funções: a de profissionais de saúde e a de paciente. Com um dia a dia estressante, formação longa e difícil, vários empregos e insegurança no trabalho, entre outros fatores, a saúde mental do médico sofre muitos abalos. Por isso, há uma maior incidência de transtornos mentais nessa população. Nessa hora, o preconceito é um dos maiores empecilhos para que ele procure um psiquiatra. Apesar de precisar de ajuda, ele tende a ficar na autoprescrição e a permitir que se tornem crônicas doenças de boa resposta a tratamento. Enquanto profissional, muitas vezes com medo da reação do paciente, ou

de ofendê-lo, o médico, identificando que a origem de determinado problema de saúde pode ser um transtorno mental, deixa de indicar um psiquiatra. Já os pacientes que recebem encaminhamento, desistem de consultar o especialista por medo do diagnóstico e da discriminação. Com a destruição da autoestima pelo estigma da doença, eles não procuram assistência. Mas pesquisas mostram que a confiança, base da relação médico-paciente, faz toda a diferença: quando o médico indica o psiquiatra certo, o paciente fica satisfeito e confiante no tratamento. Ou o contrário: quando se nega a encaminhá-lo a um psiquiatra, o médico está lhe prejudicando e tornando grande o risco de a doença se manifestar de maneira crônica. Um bom caminho para erradicar o preconceito é pensar nas palavras que usamos. Aplicar termos psiquiátricos indevidamente é uma das formas mais eficazes de disseminar a psicofobia. Vou utilizar a esquizofrenia como exemplo. Os portadores dessa doença têm dificuldade em distinguir o real do imaginário e sofrem mudanças na forma de pensar e sentir, com prejuízo das relações afetivas e do desempenho profissional e social. Mas a palavra esquizofrênico recebe, muitas vezes, um sentido pejorativo. Há um estudo sobre o estigma da esquizofrenia na mídia assinado por Francisco Bevilacqua Guarniero, Ruth Helena Bellinghini e Wagner Gattaz, que mostra o uso metafórico da palavra como sinônimo de absurdo, incoerente e contraditório. Além disso, as notícias publicadas sobre crimes hediondos como chacinas e massacres fazem as pessoas acreditarem que a maioria dos doentes mentais é violenta. Mais de 90%

dos doentes não apresentam comportamento perigoso, mas o estigma é tão forte, que tanto os pacientes quanto seus familiares sofrem com os transtornos e precisam lidar com a atribuição negativa de seus problemas. É um desrespeito à sua verdadeira condição. O combate ao preconceito deve ser feito por meio de campanhas, incentivo à consulta psiquiátrica e luta política, já que a assistência à saúde mental no Brasil enfrenta sérios problemas. Faltam medicamentos, ambulatórios e leitos psiquiátricos para internar pacientes em crise e apenas 2% da verba do SUS são destinados à saúde mental. O fechamento dos leitos em hospitais psiquiátricos não foi proporcional à oferta de tratamento, o que desampara centenas de pessoas. Temos pela frente um longo processo de percepção de que atitudes psicofóbicas são preconceituosas. Por isso, cabe à sociedade e a nós, médicos, independentemente de nossas especialidades, combater o preconceito e acompanhar as descobertas científicas de nosso tempo.

Antônio Geraldo da Silva é Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP)


Roteiro de viagem

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Boa música no paraíso

A primeira semana de dezembro é um período ótimo para uma visita a Jericoacoara, vila de pescadores, no Ceará, que é uma jóia incrustada em área de proteção ambiental. Considerada uma das mais lindas praias do planeta, Jericoacoara, Jeri para os muitos amantes da vila de pescadores, tem o diferencial, raro no país, de permitir a apreciação do por do sol em pleno Oceano Atlântico, como se o astro rei mudasse de rumo para interpretar um espetáculo de tirar o fôlego. Todo mundo para em devoção à beleza! Este ano,

entre os dias 1º e 6 de dezembro, a pequena vila ficará ainda mais atraente devido à realização do 7º Festival Choro Jazz de Jericoacoara. O festival, que na edição anterior atraiu público estimado de 2 mil espectadores a cada noite, contempla a realização de uma mostra de música, tendo como o choro e o jazz os principais gêneros abordados e oficinas música abertas ao público. Zé Menezes, Raul De Souza, Laércio de Freitas, João Donato, Arismar, são alguns dos músicos brasileiros que já passaram pelo

palco do festival produzido por Antonio Ivan Santos da Silva, o Capucho. “Esses caras são uma referência do nosso país e as homenagens feitas a eles foram pontos altos das edições anteriores”, afirma o produtor cultural. O clarinetista italiano Gabriele Mirabassi e jazzista de Nova Orleans (EUA) Terrence Branchard também foram destaques nas edições anteriores.

Dádiva da natureza Jericoacoara fica a 313 quilômetros da capital cearense, com acesso pelas BRs

Roteiro de viagem 222 e 402, passando pelas CEs 085, 422, 354, 402 e 179. Da sede do município, Jijoca de Jericoacoara, o acesso é feito por uma jardineira, simpático caminhão transformado em meio de transporte coletivo – um divertido pau de arara fashion de lataria azul com pintura de tema marinho. O veículo conduz os visitantes por meio de uma trilha nas dunas. Fazer essa travessia em noite de lua cheia parece subitamente transportar o turista para um impensável cenário lunar, a primeira de muitas agradáveis surpresas. A estrutura urbana é simples, mas charmosa. Devido à localização em pleno parque ecológico, as ruas não são pavimentadas. Energia elétrica, até pouco tempo era luxo até mesmo nas casas e estabelecimentos comerciais. Ar condicionado e banho quente agora fazem parte do cotidiano. Iluminação pública não existe e, na verdade, ninguém sente falta com um céu coalhado de estrelas em festa constante. A natureza esbanjou beleza na localidade, tornando-a um santuário de dunas, lagoas formadas entre elas, esculturas feitas pelo vento e pela água do mar, como a Pedra Furada, ícone do local, localizada a quatro quilômetros da vila. Os passeios e o fim de tarde no alto da Duna do Por do Sol são atrações imperdíveis e que exigem pouco esforço dos turistas. Para quem curte esporte e aventura, a região é propícia para a prática do windsurf, do kitesurf. Rally, trekking e sandboard são outras práticas que têm destaque.

Hospedagem e alimentação

Jeri Marinete

Apesar de ser um vilarejo onde não são permitidas edificações de grande porte, bastante freqüentada por turistas estrangeiros, Jericoacoara é dotada de acomodações de padrão inter-

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Por do sol em Jeri nacional, com resorts de design sofisticado, como o Chili Beach Hotel, e pousadas de níveis diversificado que cabem em orçamentos de viajem nem tão elásticos, até área para acampamento. Os frutos do mar e pratos de origem italiana dominam o cenário gastronômico da localidade, que é farto e variado. O cardápio local inclui comida regional, mediterrânea, sushi e, não poderiam faltar, pizza e tapioca. Em pousadas e restaurantes as cartas de vinho são pródigas em rótulos italianos. A adega do res-

taurante do hotel Mosquito Blue, por exemplo, comporta nada menos que 600 garrafas de boa procedência e bem acomodadas. O Shopping da Tapioca é um restaurante pitoresco onde se encontra a torta de banana da Tia Angelita, iguaria de se comer de joelhos pela qual os turistas nem se importam de fazer fila. O pargo é quase o “peixe oficial” e faz parte de um sem número de receitas, uma mais saborosa que a outra. Um gourmand exigente tem tudo para ficar satisfeito com o menu de Jeri.


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Plantão Médico

Um teto salarial por vínculo de emprego público Os médicos com duplo vínculo empregatício com o Governo do Distrito Federal, com a União e órgãos da Administração Direta voltaram a ter a aplicação do teto constitucional separada por vínculo trabalhista, a partir dos salários de maio, graças à ação judicial que transitou no Tribunal Federal Regional da 1ª Região, movida pelo SindMédico-DF. A juíza federal Gilda Sigmaringa Seixas concedeu antecipação de tutela na decisão e a Procuradoria-Geral da República já foi intimada. Os médicos que eventualmente sofrerem a aplicação do teto pela soma dos proventos devem procurar o sindicato para notificação à Justiça de descumprimento da sentença. As ações referentes aos médicos do Legislativo e do Judiciário continuam em tramitação.

Procuradora manda fazer contagem diferenciada de tempo A dretoria do SidMédico-DF aguarda a realização de audiência conjunta com a participação do sindicato, da Procuradoria-geral do Distrito Federal (PGDF) da Secretaria de Estado de Saúde (SES/ DF) e do Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev) na 2ª Vara de Fazenda Pública do DF, com o juiz Álvaro Ciarlini, para derrubar, de vez, qualquer empecilho para a concessão de aposentadorias mediante contagem diferenciada de tempo de trabalho insalubre em tempo comum, como determinado pelo Mandado de Injunção 836/2009, do Supremo Tribunal Federal. No dia 30 de março, a Procuradoria-Geral do Distrito Federal (PGDF), solicitou ao secretário de Saúde, João Batista de Sousa, criar uma força-tarefa para dar andamento aos processos. Por meio de ofício, a procuradora-geral adjunta para Assuntos do Contencioso, Tatiana Muniz Silva Alves, mandou cumprir a ordem de Ciarlini, que deu ganho de causa ao SindMédico-DF em Ação de Execução Provisória.

Segurança para trabalhar Desacordo e atrito entre servidores do Estado é inaceitável e expor o médico a situação vexatória só contribui para aumentar os problemas nas unidades de saúde. Essa foi parte da conversa sobre a segurança nas unidades de saúde do Distrito Federal entabulada pelo presidente do SindMédico-DF, Gutemberg Fialho, e o Vice, Carlos Fernando, com o chefe da Casa Militar do DF, Cel. Claúdio Ribas, no dia 13 de maio. Em 28 de maio, o presidente Gutemberg Fialho se reuniu, também, com o diretor-geral da Polícia Civil do DF, Eric Seba para tratar do mesmo assunto. “A situação de insegurança e os atritos entre servidores da segurança pública e da saúde além de desgastar a imagem do serviço público estão piorando as condições de assistência à população”, afirma o presidente do SindMédico-DF. “É necessário entendimento e camaradagem entre as partes, pois todos trabalham sob muita pressão”, completa. Os interlocutores foram receptivos e e sensíveis à questão. Também foi pedida audiência ao secretário de Segurança Pública e da Paz Social, Arthur Trindade. Informada dessa audiência, a Secretaria de Estado de Saúde (SES/DF) pediu que fosse uma audiência conjunta. Até hoje, no entanto, não houve nenhuma manifestação do gabinete do secretário João Batista de Sousa sobre a data para essa reunião. “Estamos fazendo a nossa parte, buscando a segurança dos médicos e demais servidores das unidades de saúde. Esperamos que na Secretaria de Saúde tomem medidas tempestivas para a proteção de seus servidores”, cobra o presidente do SindMédico-DF.

Dicas Importantes

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REFLETIR É SEMPRE MUITO BOM “Não há nada mais insano do que fazer as coisas sempre da mesma maneira e esperar que os resultados sejam diferentes” Albert Einstein

O objetivo dessa coluna é sempre oferecer boas reflexões sobre o seu cotidiano, seja ele pessoal ou profissional. Dar algumas dicas que possam reforçar e diversificar sua maneira de avaliar a vida, a partir de um contexto mais simples, capaz de conduzi-lo ao emotivo e racional ao mesmo tempo, pois essa mistura faz parte da essência do ser humano. Nosso cotidiano é repleto de interrogações sobre o que pensamos e o que necessitamos perceber. Esses conceitos têm formas bem difusas que requerem bom direcionamento na escolha pelas melhores estratégias rumo às metas e objetivos traçados. Mesmo assim, ao final de tudo, o que vai tornar você diferente de outras pessoas não é o que você faz, mas como você faz. E, isso só se consegue quando se executa com excelência, com amor e com dedicação. Sendo assim, a cada edição da revista vou lhe apresentar alguns novos elementos de reflexão que podem ajuda-lo em sua vida sócio profissional. Só depende de você! Você pode... ... curtir ser quem você é do jeito que for, ou viver infeliz por não ser quem você gostaria. ... assumir sua individualidade, ou reprimir seus talentos e fantasias, tentando ser o que os outros gostariam que você fosse. ... produzir-se para alguma diversão, brincar, cantar e dançar, ou dizer em tom amar-

go que já passou da idade, que essas coisas são fúteis e não se adequam a pessoas sérias e bem situadas como você. ... olhar com ternura e respeito para si mesmo e para outras pessoas, ou punir a todos, olhando de forma fechada, fria e discriminadora, sem considerar os desejos, os limites e as dificuldades de cada um, ate mesmo os seus. ... amar e deixar-se amar de maneira incondicional, ou ficar lamentando-se pela falta de gente à sua volta. ... ouvir seu coração e viver apaixonadamente, ou agir de acordo com o figurino da cabeça, tentando analisar e explicar a vida antes de vivê-la. ... permitir que o medo de perder congele seus planos, ou partir para a ação com o pouco que tem e muita vontade de ganhar. ... amaldiçoar sua sorte, ou encarar a situação como uma grande oportunidade de crescimento que a vida lhe oferece. ... mentir para si mesmo, à procura de desculpas e culpados para todas as suas insatisfações, ou encarar a verdade de que, no fim das contas, é você quem decide que tipo de vida quer levar. ... escolher seu destino ou acreditar que ele já estava escrito nas estrelas antes mesmo de você nascer e que, portanto, não há nada mais a ser feito. ... viver a alegria que cada novo dia lhe proporciona, ou ficar preso ao passado, imaginando um futuro que ainda não veio e

que, portanto não lhe permite agir. ... engajar-se no mundo, melhorando a si próprio e aos outros, ou esperar que o mundo melhore para que, então, você possa melhorar. ... continuar escravo da preguiça, ou comprometer-se com você mesmo e tomar as atitudes necessárias para concretizar seu plano de vida. ... aprender o que ainda não sabe, ou fingir que já sabe tudo e que, portanto, não precisa aprender mais nada. ... ser feliz com a vida como está é, ou passar todo o tempo lamentando-se pelo que ela não é. A escolha é sua, e o importante é que você saiba que sempre tem escolhas. Portanto, o peso de suas decisões é você quem carregará sozinho para sempre.

Professor Anchieta Coimbra Palestrante e consultor em marketing


Gente que faz

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Gente que faz

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ENTREVISTA COM PAULO MEDEIROS - LBV Paulo Medeiros, gerente administrativo da LBV faz uma abordagem sobre o contexto histórico da LBV, difundindo as ações, foco e conceito existencial dessa instituição que há mais de seis décadas pratica solidariedade no mundo.

A LBV possui um histórico muito interessante de apoio social no Brasil e em vários países, como surgiu a LBV?

Welby Borges - Agência W A Brasil

A Legião da Boa Vontade foi criada em 1º de janeiro de 1950, completou, agora em 2015, 65 anos. Contudo, suas atividades se iniciaram um ano antes, em 1949, por meio do programa “A Hora da Boa Vontade”, apresentado por Alziro Zarur. Com seu falecimento em 1979, a obra passou a ser comandada por Paiva Neto, que até então tinha a função de secretário da instituição. A LBV, que tinha suas atividades restritas ao estado do Rio de Janeiro, a partir da gestão de Paiva Neto teve grande expansão e, atualmente está representada em 80 cidades do Brasil e possui sede em outros 6 países (Argentina, Bolívia, Estados Unidos, Paraguai, Portugal e Uruguai). Em 2014 foram realizados atendimentos em mais de 200 municípios brasileiro, totalizando mais de 11 milhões de serviços à população carente. Atualmente, além do foco social, as ações da LBV estão vol-

tadas à educação e atendimento aos idosos. Nossa obra realiza um trabalho muito sério, reconhecido internacionalmente por diversas entidades representativas como a Organização das Nações Unidas – ONU, onde ocupa cadeira representativa desde 1994, além de outros órgãos governamentais fiscalizadores, que reconhecem e caracterizam a LBV no patamar de instituição transparente, voltada exclusivamente para o bem estar da população que está em vulnerabilidade social. A LBV enquanto crença situa-se em qual parâmetro? A LBV é uma entidade social, não é religiosa. No entanto, temos uma linha ecumênica... Desenvolvemos a pedagogia do Afeto e do Cidadão Ecumênico, que formam a pedagogia da Boa Vontade, portanto a nossa linha educacional é ecumênica com a base cristã e, temos como nosso referencial Jesus, o Cristo. Nós temos a parte religiosa que é a Religão de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, essa

então ligada a ideologia, a crença e valores. A LBV com seu cunho social segue a linha ecumênica na qual cremos que somos todos filhos de Deus e todos nós caminhamos para o encontro deste Deus. Podemos dizer que a LBV é uma instituição voltada para o cidadão espírita? Conforme eu falei, reafirmo que a LBV é uma Instituição social sem cunho religioso. Nós sempre falamos da espiritualidade, sabemos que existe a crença espirita e se eu sigo a seita ou religião espírita, eu sou espírita. A LBV traz a mensagem da espiritualidade ecumênica, explicando que independentemente da sua religião, você é um ser espiritual. O presidente da LBV sempre lembra: eu sou espírito mais estou carne, entendemos que há uma vida espiritual. Não somos espíritas, mas somos espiritualistas. Acreditamos em uma vida após a morte, em que há um mundo espiritual, que há um Deus, que nós temos as falanges, os anjos, arcanjos

nessa linha espiritual. Porém em nosso trabalho socioeducacional não abordamos este lado religioso, trabalhamos com o que é importante para o desenvolvimento de uma criança, sabendo que ela precisa ser um cidadão ecumênico, tendo que respeitar cada religião e cada crença. A LBV possui uma escola em Vicente Pires que atende 600 crianças e famílias, com todo suporte, uniforme, atendimento psicossocial, pedagogos etc. Com a formação voltada para a educação básica e também um centro comunitário de assistência social para 1.200 pessoas, totalizando 1800 atendimentos. Qual é esse foco da LBV? No que se refere às crianças, procuramos suprir toda necessidade material, intelectual e também espiritual. Na escola elas recebem alimentação, uniforme, o kit escolar, além de excelentes professores. Oferecemos também uma biblioteca com acervo diversificado, assistência social, psicológica e médica. Enfim, todo o apoio para o desenvolvimento da criança, e a sua família também recebe

este atendimento, pois achamos importante dar o peixe, mas também ensinar a pescar. A LBV une cérebro e coração, por que aí você vai formar o cidadão que vai respeitar sua família, o próximo, vai respeitar o seu alimento, o professor, etc. Tendo zelo também pelo material que recebeu e, para isso consideramos importante o apoio dos familiares, pois tem papel fundamental nesse aspecto. Além do conceito social e do conceito formativo do aspecto da crença e formação cidadã a LBV também está inserida em grandes eventos. Como você consegue fazer uma paridade da LBV enquanto instituição social, formativa e participativa na formação de opiniões? Achamos que além de nos inserir na formação da cidadania, é necessário participar destes grandes eventos levando nossa experiência, dando apoio na construção de políticas públicas, sociais e educacionais, não só aqui no Brasil, mas no mundo todo, pois temos uma rede chamada “Rede Sociedade Solidária”, onde mais de 3.000 ins-

tituições são inscritas, onde realizamos encontros, inclusive com a presença da ONU, por meio de workshops, e outras atividades participativas. Além disso, produzimos artigos sobre educação, ação social entre outros, que são remetidos pelo nosso presidente para as reuniões da ONU, que são traduzidos e enviados aos chefes de estados das nações que a compõem. Procuramos participar sempre de todos os eventos que podem nos trazer conhecimento e desenvolvimentos capazes de fortalecer nossas atividades de assistências sociais, pois essa é a essência da existência da LBV.

Paulo Medeiros de Oliveira Gerente Administrativo da LBV


Vinhos & Gastronomia

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Espumantes em alta Não há muito tempo, era pouco comum o consumo de vinhos espumantes, no Brasil, fora do período de festas de fim de ano, casamentos e outras situações formais. Hoje, está cada vez mais associado ao verão, às atividades e descontração próprios da estação. Números apresentados pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) apontam que nos meses de janeiro e fevereiro deste ano, foram comercializados 1,2 milhão de litros dessa bebida com rótulo brasileiro, um aumento de 15,2% em relação ao mesmo período de 2014. Por menos de R$ 50 é possível encontrar um rótulo digno e de bom gosto. Dentre os produtos das vinícolas brasileiras, os espumantes são destaque tanto no mercado interno quanto no internacional. No ano passado, as exportações de vinhos e espumantes brasileiros cresceram, segundo o Ibravin, 178% em relação a 2013, ainda que a produção nacional de uvas viníferas seja modesta: em

2014, chegou a 606 mil toneladas, mas apenas 11% delas se prestavam à produção de vinhos. O crescimento da qualidade é atestado em concursos de degustação até mesmo na França, onde o vinho é uma instituição sagrada. O espumante Casa Perini Aquarela, por exemplo, conquistou, em abril, a medalha de prata no concurso Vinalies Internationales, realizado em Paris. Nessa competição, foram avaliados 3.575 amostras de vinhos de 40 diferentes países. A Aurora, brasileira que mais coleciona títulos internacionais, conquistou medalhas de prata e bronze com seus espumantes Aurora Brut Chardonnay e Marcus James Brut Em terras brasileiras, o ranking é estabelecido pela Grande Prova Vinhos do Brasil. Os resultados da última edição figuram no recémlançado Anuário Vinhos do Brasil. Confira a seguir a lista dos melhores espumantes:

Os melhores nas sete categorias de vinhos espumantes da Grande Prova Vinhos do Brasil: -

Brut branco: Cave Geisse Brut, 2012, Vinícola Geisse. Brut rose (empate): Bossa no 3, Vinícola Hermann, e Yao Boutique Brut Rose, Vinícola Décima. Extra-brut/nature: Extra-Brut 2014, Vinícola Geisse. Posecco/glera: Aurora Prosecco, Vinícola Aurora. Moscatel branco: Moscatel Pedrucci 2013, vinícola Pedrucci. Moscatel demi-sec branco: Demi-Sec Courmayeur, Vinícola Courmayeur. Moscatel/demi-sec rose: Casa Perini Aquarela, Vinícola Perini. Os espumantes brasileiros premiados no Challenge International du Vin, na França:

Medalha de ouro - Casa Portuguesa Espumante Brut Rosé 2014 – Vinícola Fazenda Santa Rita Medalha de prata - Aurora Espumante Brut – Cooperativa Vinícola Aurora - Casa Valduga Espumante Brut 130 – Casa Valduga Vinhos Finos - Garibaldi Espumante Moscatel – Cooperativa Vinícola Garibaldi Medalha de bronze - Casa Valduga Espumante Blush 2012 Casa Valduga Vinhos FinosGazzaro Espumante Moscatel – Vinícola Gazzaro - Marcus James Espumante Brut - Cooperativa Vinícola Aurora

Vinhos & Gastronomia

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Brindes até pela manhã Na cola do aumento da oferta e do consumo dos espumantes, os drinks a base deles também estão em alta. Em geral, são coquetéis leves e, por isso, servidos em brunchs e casamentos durante o dia. Para quem anda preocupado com o tamanho da circunferência abdominal, são ótimos pra servir naquelas em reuniões com os amigos nos dias de calor, no lugar da cerveja. É importante lembrar que o espumante é o último ingrediente a ser acrescentado nos coquetéis(sempre servidos gelados), para manter

a efervescência. Entre eles destacamos o Aperol Spritz e o Mimosa. O primeiro é elaborado com o destilado de laranja com ervas aromáticas que lhe dá o nome, originário da região italiana no Veneto e que tem feito sucesso nas baladas mundo a fora. O Aperol tem teor alcoólico de 11% e cor vibrante. Spritz é uma designação para uma variedade de bebidas italianas que juntam vinho com água gasosa. O Mimosa ganhou nome inspirado nas flores da Acácia Mimosa, uma árvore or-

Aperol Spritz Ingredientes: Duas partes de Aperol, três partes de espumante, uma parte de água com gás ou club soda, gelo, uma rodela de laranja. Modo de preparo: Ponha várias pedras de gelo em um copo baixo, misture o Aperol e o espumante e complete com água com gás ou soda. Decore com a laranja..

namental australiana. Há quem diga que é uma invenção americana, mas outra versão indica a origem, em 1925, no bar do Hotel Rtiz, de Paris, considerado um dos berços da coquetelaria mundial.

Desjejum com espumantes Aquela refeição entre café da manhã e almoço dos dias mais preguiçosos, hoje chamada de brunch, recebe bem uma bebida a base de espumantes. Basta ajustar os sabores, que podem ser combinados a pratos salgados, picantes ou doces. Com os espumantes, da mesma forma que ocorre com os vinhos, a harmonização com um prato nada mais é que combinar aromas, sabores e texturas. Para que isso deve combinar ou contrastar os aromas e sabores das bebida de forma que suas características sejam realçadas.

Mimosa Ingredientes: Duas partes de espumante brut para uma de suco de laranja. Modo de preparo: Adicione o espumante gentilmente ao suco em uma taça fina, para evitar a perda das bolhas. Uma dose de licor Triple Sec é recomendada para deixar o drink um pouco mais seco. Com meia colher de groselha nessa mistura obtém-se um Buck’s Fizz.

Dr. Gil Fábio de Freitas


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Painel Molecular de Vírus resPiratórios

Viroses respiratórias: agora é possíVel identificar o agente! Com a chegada do inverno, aumentam os casos de infecções respiratórias e, embora mais da metade destes quadros seja de origem viral, a prescrição de antibióticos é frequente, principalmente na vigência de sintomatologia importante, como consequência da dificuldade de realização de diagnóstico etiológico. Se por um lado a prescrição desnecessária de antibióticos expõe o paciente aos efeitos adversos indesejáveis da medicação e seleciona bactérias multirresistentes, por outro lado o diagnóstico clínico de “virose”, sem a comprovação e especificação do agente viral, gera ansiedade e insegurança sobre o diagnóstico e prognóstico, e dificulta a instituição precoce de terapêutica antiviral específica para quadros graves causados pelos vírus Influenza e Vírus Sincicial Respiratório. Assim, para possibilitar, com rapidez, o diagnóstico de certeza das viroses respiratórias, o Laboratório Sabin disponibiliza a realização, pela metodologia de PCR, de um Painel de Pesquisa de Vírus Respiratórios, capaz de detectar 19 tipos de vírus em um único exame. Influenza vírus A (subtipos H3N2 humano, B, e C e H1N1/2009)

Bocavírus Coronavírus Enterovírus (Echovirus)

Metapneumovírus (subtipos A e B) vírus 1, 2, 3 e 4

Os testes têm ótima sensibilidade e podem ser realizados em lavado ou raspado de nasofaringe ou exsudato de faringe e nasofaringe.

ISO 9001: 2008

Parainfluenza (subtipos A e B) Rhinovírus Vírus Sincicial Respiratório Tipo A (RSV-A) Vírus Sincicial Respiratório tipo B (RSV-B)

Dr. Alexandre Cunha, CRM 12881-DF Médico Infectologista Consultor Médico do Laboratório Sabin.

Brasília: 61 3329 8000

Dra. Sandra Soares Costa, CRF 402-DF

Adenovírus


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