Guia de Aconselhamento

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Alimentação Infantil no 1ºAno de Vida Guia de Aconselhamento



A alimentação nos primeiros anos de vida tem uma importância fundamental. Uma cuidadosa introdução de novos alimentos e uma acertada integração da criança nas rotinas alimentares familiares, contribuem para o desenvolvimento global da criança.

“A alimentação complementar significa dar ao bebé outros alimentos além do leite materno no momento adequado, ou seja após os 6 meses de idade. Os alimentos complementares em certas situações podem ser introduzidos entre os 4 e os 6 meses de idade” (OMS e UNICEF, 1997).


Principais razões para a promoção da alimentação complementar

Nutricionais O leite materno, como único alimento, satisfaz as necessidades da criança nos primeiros 6 meses de vida. A partir deste momento são necessários novos alimentos que, juntamente com o leite, irão fornecer-lhe, nutrientes em quantidade e qualidade suficientes para assegurar um crescimento equilibrado. Educacionais A alimentação complementar desenvolve no lactente a capacidade de mastigação e de deglutição, bem como o gosto por novos sabores, cheiros e texturas. Sociais A alimentação complementar permite a socialização da criança na família, contribuindo para o desenvolvimento da afectividade e do comportamento.


Início da alimentação complementar O início da alimentação complementar não é rígido. A criança exclusivamente alimentada com o leite materno, que apresente um crescimento adequado, introduz novos alimentos a partir dos 6 meses. Os alimentos complementares em certas situações podem ser introduzidos entre os 4 e os 6 meses.


Ordem de introdução dos novos alimentos

6 Meses O primeiro alimento a ser introduzido poderá ser a farinha não láctea, sem glúten, ou o caldo de legumes. Caso se inicie pela papa, aconselha-se a introdução do caldo de legumes, até cerca de duas semanas depois.

A primeira papa A farinha não láctea sem glúten deve ser preparada com o leite materno ou fórmula para lactente, que o bebé está a tomar. Caso utilize uma farinha láctea esta é preparada com água. De início, a papa deverá ser de consistência fina, aumentando gradualmente a sua solidez, de acordo com as instruções do fabricante e o gosto do bebé. Esta deve ser dada uma vez por dia e à colher. As papas não necessitam de adição de açúcar.

O caldo de legumes Inicia-se por um caldo simples, feito com cenoura e/ou abóbora, uma rodela de cebola e/ou um dentinho de alho, e com uns grãos de arroz (mais fácil de digerir do que a batata). Cerca de 2 semanas depois pode substituir o arroz pela batata.


O caldo deve ser bem cozido e, no final temperado com uma colher de café de azeite, de modo que a gordura não ferva, sem adicionar sal. Aos poucos são introduzidos outros legumes e hortaliças, preferencialmente os de cor mais clara, porque são mais tenros, fáceis de digerir e menos alergénicos: alface, couve branca, alho francês, vagem, penca, etc. Introduzir 1 novo legume/hortaliça de cada vez, com um intervalo de cerca de 5 dias, para que o bebé se adapte gradualmente aos novos sabores, e para mais facilmente se detectar possíveis intolerâncias. À medida que se introduz um novo legume/hortaliça, o caldo vai-se tornando mais espesso até adquirir a consistência de um puré. Varie os legumes e hortaliças que utiliza para fazer a sopa, de maneira a que a criança se adapte a novos paladares.

A fruta Inicialmente a fruta deve ser esmagada em puré, de preferência crua, desde que tenha sido bem lavada, e descascada no momento. Os frutos aconselhados, por serem menos alergénicos, são: a maçã, a pêra e a banana.


6,5 - 7 Meses

A carne No início, e para que a criança se vá adaptando ao sabor, retira-se a carne da sopa depois de cozida. Após duas semanas, tritura-se a carne juntamente com os legumes, de forma a obter um puré de legumes com carne. Opte pelas partes mais magras do frango, peru e coelho. Pode também escolher as partes magras do borrego ou cabrito. A quantidade recomendada é de 20 a 30g por dia (aproximadamente o tamanho de uma noz).

O pão, as bolachas e os cereais com glúten O pão é a primeira escolha, já que as bolachas contêm açúcar e gorduras. No caso de utilizar bolachas, prefira as mais simples, sem recheios ou coberturas, chocolate ou frutos secos. Os produtos integrais são desaconselhados pelo seu elevado teor de fibras, que podem tornar-se agressivas para o aparelho digestivo do bebé. Nesta fase já deve utilizar uma papa com glúten. Por vezes, esta pode ser substituída pela tradicional papa de fruta com bolacha Maria® (1 bolacha para 1 peça de fruta pequena).


8 - 9 Meses

O iogurte Utilize o iogurte sólido natural não açucarado. Se desejar adicione fruta triturada fresca ao iogurte natural. Os iogurtes de aromas, com pedaços de fruta ou cereais podem provocar alergias. A introdução do iogurte é gradual. Recomenda-se, no máximo, um iogurte por dia.

O iogurte possui propriedades protectoras da flora intestinal do bebé. Os queijinhos frescos batidos e aromatizados estão desaconselhados, pois têm uma composição nutricional muito diferente do iogurte.


9 - 10 Meses

As leguminosas São exemplos de leguminosas: o feijão, o grão, as ervilhas, as lentilhas, e as favas. As leguminosas secas são oferecidas ao bebé depois de bem demolhadas e cozidas.

O peixe Inicialmente coza o peixe à parte, retire as espinhas e a pele e misture no puré de legumes. Posteriormente, pode aproveitar a água de cozedura, depois de coada, na confecção de outros pratos (farinha de pau, açorda, arroz de peixe), de modo a tornar o sabor mais agradável. A pescada, a marmota, o linguado e a faneca são exemplos de peixes habitualmente bem aceites pelo bebé. Pode utilizar peixe fresco ou congelado.


O ovo Introduza o ovo lentamente, comece por 1/4 da gema esfarelada na sopa ou no prato, e vรก aumentando para 1/2 na semana seguinte, 3/4 na outra e finalmente, a gema completa.


Informações e conselhos úteis A ordem de introdução de novos alimentos não é rígida, nem a mesma para todos os bebés. Os alimentos devem ser introduzidos em pequenas porções, respeitando o ritmo individual de cada um. Os novos alimentos são oferecidos à colher (alimentos sólidos), e pelo copo (alimentos líquidos). Quando a criança for capaz pode ser encorajada a pegar nos alimentos e utensílios. A partir dos 8 meses, o bebé já poderá fazer uma refeição completa (sopa+prato+fruta). A confecção dos alimentos deve ser simples, com pouca gordura e sem adição de sal. Prefira os cozidos, grelhados e os estufados em lume brando, com tudo em cru. Recomenda-se que os pratos sejam confeccionados com a batata esmagada, a farinha de pau, o arroz, ou massa bem cozida e empapada, acompanhados de carne moída ou peixe desfiado numa fase mais tardia. O ovo completo (gema + clara) só deve ser utilizado após os 12 meses de idade, em substituição da carne ou do peixe. A fruta deve ser oferecida como sobremesa da refeição constituída pela papa ou pelo puré de legumes. Ofereça a fruta individualmente e varie para que a criança contacte com novos paladares.


Organização das refeições diárias


Em crianças, com antecedentes pessoais ou familiares de alergia, os frutos vermelhos (morango, framboesa, amora), pêssego e kiwi, e os citrinos (laranja, tangerina), só devem ser introduzidos após o 1º ano de vida, devido ao seu poder alergizante. Prefira a fruta preparada em casa e utilize as papas de fruta comerciais (boiões) apenas como recurso (em viagem, etc).

Os doces (chocolates, rebuçados, gomas, chupas…), produtos de pastelaria, refrigerantes, mel, alimentos processados (caldos de carne concentrados, molhos…), charcutaria e salsicharia não devem ser oferecidos ao bebé. A partir dos 12 meses pode habituar a criança ao padrão alimentar da família. A refeição proporciona um período de interacção, convívio e de aprendizagem social. No momento em que o bebé inicia a alimentação complementar, a água deve ser oferecida durante o dia, em pequenas quantidades (utilize água simples engarrafada ou fervida).

A adaptação da criança aos novos alimentos é gradual. Quando a criança resiste, seja persistente sem forçar!


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Alimentação Infantil no 1º Ano de Vida Elaborado por: Serviço de Nutrição e Alimentação Grupo de Saúde Infantil

janeiro 2010


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