Revista Vox Otorrino - Nº 137

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Edição 137 | Ano XIX | setembro/outubro 2013 www.aborlccf.org.br

Painel Nacional de Honorários Pesquisa levanta preços de procedimentos em todo o país

Gestão A motivação de parceiros e funcionários faz a diferença no consultório

Vocação para líder Uma das maiores associações do mundo, a ABORL-CCF se destaca no cenário internacional



06 11 15 18 24 27 34 36 100 95 75

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Páginas Azuis Dr. Aldo Stamm, o mundo se rende ao seu talento

Campanha Os números finais da campanha Ouvido, nariz e garganta: cuide e viva melhor

Balanço Mudanças atuais que vão nortear os rumos da ABORL-CCF

Congresso Brasileiro Chegou o evento mais esperado do ano

Painel Nacional de Honorários A remuneração médica em discussão

Opinião Entrevista com Dr. Alexandre Felippu

ORL pelo Mundo Panorama das principais sociedades de ORL

Gestão Estimular talentos traz bons resultados

Perfil Dr. Nelson Yassuda, 86 anos e ainda na ativa


Carta ao Leitor

Tempo de encontro

ESPAÇO LEITOR

O nosso Congresso Brasileiro se aproxima! Em meio a tantas situações de desconforto profissional, tantas injustiças sociais e o uso cada vez mais perverso de técnicas a nos denegrir enquanto classe profissional teremos um momento para nos dedicar àquilo que abraçamos enquanto escolha de vida: nossa dignificante profissão!

Sugestões de pauta, críticas ou elogios? Fale conosco. voxotorrino@aborlccf.org.br

Dr. Edilson Zancanella Presidente da Comissão de Comunicações

Errata

Na edição anterior, os colaboradores da Comissão de Defesa Profissional foram creditados errados. O correto é: Colaborador Rodrigo dos Santos Pêgo (Rio de Janeiro)

A importância cada vez maior do Título de Especialista no contexto atual e a transformação da prova é também destacada nessa edição. Como se fará a inserção dos novos especialistas frente aos acontecimentos atuais, como ficaremos todos nós frente aos honorários cada vez mais aviltantes? O Painel Nacional de Honorários durante o Pré-Congresso focará de forma direta o cenário da remuneração no país. Trazemos ainda uma matéria de gestão, muito aproveitável para nosso dia a dia. Além disso, trazemos também os números finais da campanha Ouvido, nariz e garganta: cuide e viva melhor.

Representante Distrital Sudeste Bruno Almeida A. Rossini

Boa leitura a todos! Nos encontramos em novembro, em São Paulo!

Representante Distrital Centro-Oeste Maria Cristina C. Fanti

Boletim ABORL-CCF

ETNEIDEPXE

EXPEDIENTE

A VOX Otorrino traz nessa edição, uma navegação pelo mundo da Otorrinolaringologia Mundial. Onde estão as principais sociedades de otorrino no mundo, como nos situamos e inserimos nesse contexto. Nas Páginas Azuis dessa edição, podemos entender um pouco o papel de destaque da otorrino brasileira tão bem representada há tantos anos, a entrevista com Aldo Stamm nos traz essa exata dimensão!

Diretor de Comunicação: Edilson Zancanella Jornalista Responsável: Eliana Antiqueira / MTB: 26.733 Reportagem: Sheila Godoi e Caroline Borges Fotos: Vicent Sobrinho / Dreamstime / Acervo Revisão: Gabriel Miranda Coordenação de Publicação e Diagramação: Julia Candido

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Produção: Estação Brasil Produção Editorial Fone: 11 3542-5264/0472 Impressão: Eskenazi Indústria Gráfica Periodicidade: Bimestral Tiragem: 6.000 exemplares Os artigos assinados são de inteira responsabilidade dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião da ABORL-CCF.

Av. Indianópolis, 1.287 CEP 04063-002 | São Paulo/SP Fone: 11 5053-7500 Fax: 11 5053-7512

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Mensagem do Presidente

Derrubando fronteiras Quais são as associações de maior representatividade no mundo? A matéria ORL pelo Mundo traz um panorama desse cenário e podemos dizer, sem demagogia, que a ABORL-CCF é, de fato, referência global na especialidade. Mas não é o número de associados que torna esta instituição grandiosa e, sim, sua expressão científica e social e a influência que exerce sobre seus pares.

Dr. Agrício Crespo Presidente da ABORL-CCF

Somos uma associação democrática e em pleno desenvolvimento, com bases sólidas e um indiscutível perfil de liderança. As dimensões continentais do Brasil se impõem sobre nossos vizinhos e legitima nosso destaque. A ABORL-CCF, por sua grandeza, tem a função de encabeçar um movimento latino-americano para o enriquecimento da especialidade, do intercâmbio científico e da união de todas as sociedades deste lado do Equador para se tornar uma força única que beneficie a todos. Nossos esforços nesse sentido já se refletem no Congresso Brasileiro, no qual teremos 16 palestrantes internacionais, uma delegação com mais de trinta médicos franceses e diversos convidados da América Latina. Nosso objetivo é equiparar a ABORL-CCF às mais expressivas associações congêneres do mundo, e só alcançaremos essa meta se desafiarmos a nós mesmos em busca da excelência em benefício dos associados. Sabemos que este processo é longo, exige dedicação e continuidade, mas é irreversível. Ultrapassada a primeira fronteira, a da acomodação, estamos sujeitos aos percalços que o caminho do crescimento apresenta e ao aprendizado que esse caminhar nos permite. Vejo, particular e especialmente, um futuro dos mais promissores, sem fronteiras adiante.

Forte abraço!

DIRETORIA 2013 Dr. Agrício Nubiato Crespo - Campinas/SP Presidente

Dr. Godofredo Campos Borges - Sorocaba/SP Diretor Tesoureiro

Dr. José Alexandre Medicis da Silveira - São Paulo/SP Presidente da Comissão de Residência e Treinamento

Dr. Fernando Ganança - São Paulo/SP Diretor Primeiro Vice-Presidente

Dr. José Eduardo de Sá Pedroso - São Paulo/SP Diretor Tesoureiro Adjunto

Dr. Leonardo Haddad - São Paulo/SP Presidente da Comissão de Título de Especialista

Dr. Sady Selaimen Costa - Porto Alegre/RS Diretor Segundo Vice-Presidente

Dr. Edilson Zancanella - Indaiatuba/SP Presidente da Comissão de Comunicações

Dr. Márcio Fortini – Belo Horizonte/MG Presidente da Comissão de Defesa Profissional

Dra. Fernanda Haddad - São Paulo/SP Diretora Secretária Geral

Dra. Eulália Sakano - Campinas/SP Presidente da Comissão do BJORL

Dr. Otavio Marambaia Santos - Salvador/BA Presidente da Comissão de Ética e Disciplina

Dra. Francini Grecco de M. Pádua - São Paulo/SP Diretora Secretária Adjunta

Dr. Fabrízio Ricci Romano - São Paulo/SP Presidente da Comissão de Eventos e Cursos

Dr. Renato Roithmann - Porto Alegre/RS Presidente da Comissão de Educação Médica Continuada

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Páginas Azuis

Excelência e humildade Natural de Formigueiro, interior do Rio Grande do Sul, Dr. Aldo Stamm saiu de sua cidade para se tornar um dos médicos mais renomados do mundo. Tantas láureas, no entanto, não mudaram sua essência. Despido de vaidades desnecessárias, se dedica ao trabalho com entusiasmo, mas sabe que a vida está além dos corredores hospitalares, consultórios e pesquisas.

Por Eliana Antiqueira

Como a medicina entrou na sua vida?

Em uma salinha quase monástica, dividida com a secretária, no Hospital Edmundo Vasconcelos, trabalha uma das cabeças mais privilegiadas da medicina brasileira. A simplicidade do espaço contrasta com uma biografia recheada de realizações e homenagens mundo afora.

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Muitas pessoas escolhem a medicina por influência dos pais, amigos, pessoas próximas. Não tive nada disso, mas desde menino queria ser médico. Nem sei direito por qual razão isso despertou em mim, talvez o colégio, nas aulas de ciências, biologia... Se for possível dizer que vocação existe, eu nasci com esta vocação. Nunca pensei em outra opção. Ou fazia medicina ou fazia medicina. Só depois de formado tive alguma ajuda na escolha da especialidade. Na época, trinta e tantos anos atrás, as opções eram olhos ou ouvido, nariz e garganta. Acabei, aí sim por influência de professores, optando por otorrino. Em algum momento imaginou que se tornaria este médico tão laureado, cheio de honrarias e referência mundial? (Acenando a cabeça em negativa) Quando a gente está na faculdade faz uma especialização da melhor forma possível, sempre almeja ser bem sucedido. As coisas vão acontecendo e o que nos leva a crescer na profissão são as oportunidades, quando ela cruza na sua frente você não pode perdê-la. Você tem de estar no lugar certo na hora certa! Acho que tive oportunidades que talvez outras pessoas não tenham tido. Este foi o motivo.

Mas não é humildade demais pensar assim? Não, na verdade conheço pessoas brilhantes, excepcionais, que por falta de chance, de oportunidade, desviaram da rota e não estavam presentes quando deveriam estar. Porque este tipo de sucesso não é algo que se prevê. Qual o primeiro título internacional que recebeu? Sem falsa modéstia, já recebi muitos, mas um que me marcou muito, no começo da minha carreira, mais ou menos 15 anos atrás, foi ser convidado de honra no congresso da Sociedade Triológica Americana. Eu era mais jovem e talvez não tenha percebido a dimensão daquela homenagem. Fiquei realmente muito emocionado, mas também muito preocupado em poder representar adequadamente o meu país perante a uma comunidade de nível cientifico muito elevado. Essa preocupação permanece? Uma vez que se alcança determinado grau de reconhecimento surge também a necessidade de manter e superar este status, não? Isso é muito interessante. Se manter “up to date” é uma luta constante. Em medicina é impossível alguém dizer “eu sei tudo”, o

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Páginas Azuis aprendizado é eterno. São como as ondas do mar, quando você acha que acabou, começa tudo de novo. Terminou uma, vem outra onda. A evolução é muito grande, quando acha que tem conhecimento pleno de determinado assunto, surge algo diferente que você nem achava que era possível. Sempre falo para os meus residentes que a grande virtude de um bom profissional-médico é ter a humildade de mudar quando encontrar uma informação ou uma técnica melhor que a sua. A pessoa capaz de mudar sua forma de pensar e agir tem maior chance de evoluir. A medicina não tem limite de conhecimentos, vamos morrer sem saber nem um décimo do que deveríamos. Existe uma cobrança para que o sr. seja a ponta de lança dessas modernidades? Sim, é verdade, primeiro existe uma cobrança da minha pessoa e também de grande parte dos colegas. Muitas vezes, colegas me ligam pedindo orientações e muitas vezes não sei a resposta, chega a ser frustrante, obviamente não tenho a pretensão de saber tudo. Bem, mas isso me força a buscar as respostas corretas e ver o que está acontecendo. Muitos conselhos e informações que sugeri anos atrás – faça assim, assado – voltei atrás quando vi que estava completamente equivocado. A medicina é muito dinâmica, evolui de uma forma muito rápida. O que era verdade no passado, hoje não é mais e assim sucessivamente. É isso que torna a medicina interessante. Desde que me formei, 36 anos atrás, a evolução foi fantástica, um salto gigantesco, mas tem muito ainda que evoluir. O Rhinology, um dos mais importantes congressos da especialidade no mundo, é sinônimo do seu nome? Quanto tempo do seu dia a organização deste congresso lhe toma? Na verdade, termina um e, no dia seguinte, começa o outro. Tomam sempre os dois anos de preparação. Para montar um congresso deste nível, há a necessidade de uma seleção criteriosa, de um

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programa científico de alto nível, que traga contribuição efetiva ao médico que vai ao congresso. O médico que está lá tem o direito de ser bem informado, nós temos a obrigação de dar a ele o melhor possível. O Brasil tem grandes talentos e uma contribuição científica ainda deficitária. Como estimular a produção científica no país? Isso já foi muito pior! Está melhorando. Acho que tem um pouco a ver com a nossa formação cultural. Os alunos na faculdade são pouco estimulados à iniciação e à produção científica. São treinados para terminar a faculdade e arrumar um lugar para trabalhar, o que na verdade também faz parte da formação médica. Algumas instituições conseguem superar isso, hoje em dia se faz pesquisa em algumas universidades, especialmente no estado de São Paulo. Acho que a melhora virá com a possibilidade das universidades públicas unirem- se à iniciativa privada. Isso vai trazer uma contribuição muito grande principalmente para as próximas gerações. Mas insisto que a pesquisa deva ser estimulada já no começo da vida estudantil. Tudo que se começa cedo tem muito mais chance de se realizar. Como o sr. vê este atual momento da medicina brasileira? Vejo a medicina de hoje com muita preocupação. Temos problemas muito sérios: o pobre ensino médico, com universidades de medicina com poucas condições para ensino adequado, sem hospitais universitários e com número reduzido de professores. Consequências de uma política mal feita, de não priorizar o ensino básico. Muitas faculdades privadas têm objetivos puramente econômicos, gerando um médico malformado. O número de faculdades de medicina cresceu muito, formando uma grande quantidade de médicos, criando um grande funil para a residência médica e especialização. Também existem falhas na residência, o que necessita ser devidamente aprimorado. O que vivemos neste momento, com a “importação” de médicos pode ser uma

faca de dois gumes. Médicos estrangeiros serão sempre bem-vindos, uma vez que cumpram as normais legais, tal como a revalidação do diploma. Médicos que não se submetem a este exame não podem legalmente exercer a medicina, qualquer coisa ao contrário não é medicina. Em vez de melhorar e estimular o ensino no Brasil importa-se mão de obra! Vivemos um momento de muita preocupação e não só na área médica, mas principalmente com as instituições brasileiras, que estão deterioradas, e a medicina é uma delas. A saúde é um dos pilares mais importantes de um povo. Um povo que não tem saúde é um povo doente, e povo doente não produz. Isto é sinônimo de desastre.

Em medicina é impossível alguém dizer “eu sei tudo”, o aprendizado é eterno. São como as ondas do mar, quando você acha que acabou, começa tudo de novo. A medicina brasileira, como está hoje, permite o nascimento de um novo Aldo Stamm? Como a população é grande, você acaba pinçando pessoas que se destacam. Por exemplo, China e Índia, com mais de um bilhão de habitantes cada, representam 1/3 da população mundial, sendo a vasta maioria de classes menos favorecidas e sem condições de estudo, por outro lado, se considerarmos 5% com condições ótimas de formação e estudo , isto representa milhões de pessoas. A mesma situação acontece no Brasil, o que não quer dizer que pessoas menos providas de recursos econômicos não possam evoluir desde que tenham oportunidades. Muitos vão ultrapassar a barreira socioeconômica e muitos não, porque não terão garra e apoio suficientes. Mas gente competente sempre existirá.

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Páginas Azuis O sr. é workaholic? Já fui mais! Trabalho muito, mas o que me desgasta mesmo são as andanças pelo mundo, muitas noites mal dormidas em aviões, aeroportos. Não sou um trabalhador braçal, mas estou examinando pacientes, realizando cirurgias, estou com o computador, com o livro, proferindo palestras, cursos, etc. Férias então são para ficar em casa? Acho que nunca tirei férias dessas de um mês sem fazer nada. É um traço da minha personalidade, não conseguiria ficar um mês parado. Em vez de descanso, seria um trauma! Mas viajo uma ou duas vezes por mês para proferir palestras ou cursos e, muitas vezes, levo a família junto, especialmente minha esposa, e aí fico 3, 4 dias a mais no lugar para passear e descansar. São doses homeopáticas de férias, vou diluindo os dias...

ses. Isso nos enriquece. A cultura geral, o exercício mental são muito importantes. Dizem que até previne o Alzheimer! Quanto mais você abrir seu leque de interesses, mais exercita seu cérebro. O senhor é uma referência e deve ter muitas pessoas que se espelham na sua carreira, na sua figura. Qual o melhor conselho pode dar a essas pessoas? Uma das coisas que acho muito importante dizer ao médico jovem é que ele deve pensar na sua formação, fazer as coisas de forma correta. Hoje em dia existe muita preocupação com a parte econômica, que é importante, claro, mas o retorno financeiro é consequência do trabalho bem feito. Se pensar apenas na parte econômica e deixar de lado a parte

Os alunos na faculdade são pouco estimulados à iniciação e à produção científica (...) insisto que a pesquisa deva ser estimulada já no começo da vida estudantil. Tudo que se começa cedo tem muito mais chance de se realizar.

E dá tempo de se dedicar a algo mais que não a medicina? Dá. Tenho muitos hobbies. Uma coisa que gosto muito é pescar, me dá muito prazer. Também sou colecionador de carros antigos e jogo tênis. E, sabe de uma coisa: quanto mais atividades você faz na vida, mais tempo você tem! Quem não faz nada, não tem tempo para nada. Organizo meu tempo, tenho a hora da reunião com o grupo científico, a hora da reunião com os residentes, a hora com o pessoal da pesca, com o pessoal do tênis, dos carros antigos... É só saber administrar. Acho que temos de ter visão e opinião sobre o mundo que nos rodeia, diversificar os interes-

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humana, a parte científica, a chance de dar errado é muito grande. Apesar de todos os problemas de ordem ética que existem no país, o papel de cada um é fazer o que é certo. Nunca vi quem não faz corretamente não ter sucesso. A formação médica e a residência, apesar de deficitárias, ainda são as únicas alternativas. Quem faz a faculdade é a pessoa. Você pode estar na melhor faculdade do Brasil, na melhor residência do Brasil, se sua formação ética e moral não forem boas, não adianta nada. O que o sr. ainda almeja na vida? Almejo conseguir passar o que sei

para outras pessoas. Costumo dizer que, quando a gente começou, a estrada era de terra, e hoje já é de asfalto. Quem começa hoje, já começa bem na frente. O que eu demorei 36 anos para aprender, hoje se aprende em três. É uma diferença muito grande! Almejo que as pessoas continuem fazendo, e façam, muito mais do que eu fiz na vida. Vejo hoje muitas pessoas que passaram aqui pelo nosso serviço (no Hospital Professor Edmundo Vasconcelos), residentes, colegas que realizaram nossos cursos, fazendo uma medicina igual ou melhor do que a gente. Isso me motiva muito e enche de orgulho! Até que ponto todos esses prêmios recebidos o envaidecem ou mudaram sua trajetória? Do ponto de vista da minha maneira de ser, não mudaram em nada. Mas seria hipócrita se dissesse que não tenho orgulho, que não me sinto honrado. Fico envaidecido porque é o reconhecimento de nosso trabalho. É bom para mim? Claro. Mas também é bom para nossa instituição, para a otorrino brasileira e para o Brasil. Podemos mostrar que aqui se faz coisas boas, que aqui não é só samba, carnaval, futebol e todas essas imagens que vendem de nós lá fora. Aqui tem trabalho sério, dedicação, inovação. Isso me entusiasma mais ao trabalho. O senhor é uma sumidade mundial, mas trabalha numa salinha que divide com a secretária, numa mesa padrão, nada que ostente sua condição. Não precisa ter mesa grande para trabalhar, precisa ter cabeça com bom cérebro. Se sua cabeça for aberta, numa salinha como essa você consegue fazer tudo o que quer... E mesmo com esta minha mesa pequena, têm dias que tenho tanto trabalho que não sei nem por onde começar. Nosso trabalho está na mente e na alma.

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A tecnologia Zumbido Multiflex tem como objetivo principal reunir as várias abordagens de terapia sonora para o gerenciamento de zumbido e as preferências específicas de cada paciente. Além disso, disponibiliza um aparelho auditivo com as mais avançadas características como o Eliminador de Feedback PureWave, Voice iQ2, Direcionalidade Invision e Spectral iQ, capazes de oferecer o melhor em qualidade sonora e clareza na fala. A solução ideal para aqueles que sofrem com o zumbido com ou sem perda auditiva. Para maiores informações ligue: 0800-7720654


Ouvido, nariz e garganta

Você está na rede? O cachorro foi substituído pelo smartphone no posto de melhor amigo do homem. À rotina cotidiana – comer, dormir, trabalhar – adicionou-se o verbo conectar. Quem não está na rede não está no mundo. A ABORL-CCF não ficou fora desta onda e comemora os resultados da sua campanha digital. Por Eliana Antiqueira

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Ouvido, nariz e garganta

P

ostar, linkar, tuitar, taguear, blogar. Há poucos anos essas palavras sequer existiam, mas hoje são verbetes do Aurélio, o mais completo dicionário da língua portuguesa. Sinal dos tempos ou apenas reflexo da evolução tecnológica que, na última década, tomou o mundo de assalto de forma irreversível? A marcha do progresso não para e, desde que Gutemberg fez sua primeira impressão, em 1456, nunca se viu um salto tão grande no processo de comunicação da humanidade.

Nesse admirável novo mundo, perde espaço quem não se integra rapidamente ao novo modelo. Por isso a ABORL-CCF optou por investir nos meios digitais para promover sua campanha institucional de 2013, Ouvido, nariz e garganta: cuide e viva melhor. “Os resultados mostram que foi uma escolha acertada. Atingimos um público jovem, diferenciado, tradicionalmente afastado das ações realizadas até então.

Temos que entender e estender este canal de comunicação a fim de tirarmos o melhor proveito das atividades promovidas pela ABORL-CCF daqui por diante”, diz Dr. Agrício Crespo, idealizador da campanha digital. Os resultados da campanha digital da ABORL-CCF são impressionantes. Só no Facebook, a Ouvido, nariz e garganta: cuide e viva melhor recebeu 1,5 milhão de visualizações. O sucesso foi alavancado pela ampla divulgação em mídia tradicional, com anúncios veiculados no jornal Metro, de distribuição gratuita, na revista Saúde, da editora Abril, e na revista Seleções. Juntos, esses veículos impactaram mais de 10,5 milhões de leitores. O Brasil possui 76 milhões de usuários no Facebook, abaixo apenas da Índia e dos EUA. Este número representa 1/3 da população do país. “Dada a relevância do Brasil, cada vez mais a gente olha pra esse mercado dentro da estratégia global e vê que tipos de produtos e serviços nós

299,5 milhões

de pessoas terão acesso à internet até o final de 2013 em toda a América Latina

69%

milhões

de brasileiros acessam o Facebook todos os dias dos usuários da internet

de brasileiros acessam o Facebook

dos usuários brasileiros adquiriram produto ou serviço baseado em anúncio visto na rede

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Um estudo realizado em abril deste ano pela IPSOS OTX e Ipsos Global mostrou que 69% dos usuários de internet no Brasil haviam adquirido um produto ou um serviço baseado em anúncio visto nas mídias sociais. Em um país onde, segundo estimativas do instituto norte-americano de pesquisa eMarketer, 79% dos usuários de internet usam as redes sociais, e 88,1% desse grupo usam especificamente o Facebook, a exibição de anúncios e campanhas nesta rede social tem o poder de influenciar corações e mentes. O mesmo instituto prevê ainda que cerca de 299,5 milhões de pessoas deverão ter acesso à internet no continente até o final deste ano, no qual o Brasil responde como principal mercado. Ou seja, para ver e ser visto, caia na rede.

47

76

milhões

podemos promover em mercados como este”, explicou Leonardo Tristão, diretor geral do Facebook Brasil, em coletiva de imprensa promovida no mês de setembro.

79%

dos usuários da internet estão nas redes sociais

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Campanha da ABORL-CCF 56.972

50.316 agosto

Aumento 45.814 de fãs 41.511

de pessoas

dos usuários da internet

julho

junho

18.576 maio

14.223 abril

677

fevereiro

767

março

50 milhões + de

agosto

Facebook gerar e estreitar relacionamento conscientizando sobre o profissional, visando conversão para o site. Conteúdo diário.

+ de 1,5 milhão de visualizações

GLOBO: 4,2 mil inserções de filmetes sociais Alcance da Campanha

30.000 CLIQUES

nos anúncios de Google e Facebook Ads

23 milhões

de impressões em blogs e sites

impactadas pela mídia, redes sociais e propaganda

YouTube: 46.238 visualizações


bate todos os recordes Jornal Metro

4 milhões

de pessoas impactadas em São Paulo e no Rio de Janeiro

Revista Saúde

Revista Seleções

3,6 milhões

4,6 milhões

de leitores

de leitores

SITE: + de 44 mil visitas gerar conteúdos mais longos para otimizar os mecanismos de busca. Em média, o site recebe

500 VISITAS POR DIA Muitos dos acessos são reflexos do engajamento do público nas redes sociais. A mensagem dos cuidados necessários para com o ouvido, nariz e garganta está sendo bem aceita pelo o público.

IMPRENSA: cobertura de 60% da mídia nacional Campanha Itinerante

25 vezes

10 cidades visitadas

o valor investido no caminhão em

RETORNO FINANCEIRO

150 milhões

de reais

dos usuários da internet

é o retorno estimado da campanha em imagem institucional


Balanço

Qual é o futuro da nossa Associação? Ganhar projeção nacional e internacional, se tornar referência na comunidade médica e ampliar o poder de influência nas políticas públicas de saúde... Como chegar lá? Ações estratégicas vêm traçando os rumos da Associação em direção a resultados concretos. Agora, é só questão de tempo Por Sheila Godoi

O

ano ainda nem acabou, mas já dá para avaliar o trabalho desenvolvido até aqui e os impactos das decisões tomadas para o futuro da especialidade. Qualidade, projeção internacional e força política para a ABORL-CCF. São esses os grandes objetivos das ações estratégicas estabelecidas ao longo do ano pela atual diretoria. Foram estruturados novos pilares para a Associação. Entre eles, a criação do Regimento Interno, o reforço no departamento de eventos e a contratação do diretor executivo. Para o Dr. Agrício Crespo, presidente da instituição, os projetos definidos e já colocados em prática trarão consequência muito positivas no médio e longo prazo. “Plantamos algumas raízes que devem crescer e frutificar ao longo dos próximos anos”, diz.

“Plantamos algumas raízes que devem crescer e frutificar ao longo dos próximos anos” Dr. Agrício Crespo, presidente da ABORL-CCF

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Balanço

Eventos: visibilidade e amplitude

“A especialidade tem crescido a cada dia e, com ela, cresce também a nossa responsabilidade de oferecer eventos com qualidade técnica e científica” Carlos Roberto da Silva, diretor do departamento de eventos

Reestruturado, o departamento de eventos promete grandes impactos na Associação em médio prazo. Um dos novos serviços é a realização de eventos de sociedades estaduais ou regionais parceiras. “Normatizamos os processos de toda a área de eventos para que desde pequenos cursos até grandes simpósios sejam executados com sucesso”, informa Dr. Fabrízio Romano, presidente da Comissão de Eventos e Cursos. Outra grande aposta da área é o Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial, que traz uma série de novidades a partir desse ano. Investir em parcerias com instituições internacionais também tem sido uma estratégia de desenvolvimento e internacionalização. “A especialidade tem crescido a cada dia e, com ela, cresce também a nossa responsabilidade de

“Normatizamos os processos de toda a área de eventos” Dr. Fabrízio Romano, presidente da Comissão de Eventos e Cursos oferecer eventos com qualidade técnica e científica e que proporcionem tranquilidade em toda logística e infraestrutura”, frisa Carlos Roberto da Silva, diretor do departamento de eventos.

Congresso Brasileiro: planejamento com antecedência

Quanto mais cedo, melhor. É com base nessa ideia que toda a equipe envolvida na realização do congresso anual da especialidade se empenhou na produção do evento. Repleta de novidades, como a padronização da grade científica, a inserção dos temas livres no debate de algumas mesas redondas e a modernização do sistema de inscrição dos cursos de instrução, por exemplo, a 43ª edição do encontro anual começou a ser estruturada em julho de 2012. “Com antecedência, os erros são minimizados e o Congresso como um todo se torna um evento de excelência”, informa Dra. Francini Pádua, coordenadora do Projeto de Reformulação do Congresso. Ela afirmou ainda que a grade científica de 2014 já está definida e em breve o primeiro comunicado chegará às mãos dos associados.

Prospecção de oportunidades

A política é hoje tema de debate e clamor popular, mas é em Brasília que está o centro de decisões para definir os rumos do país. O Comitê Conexão Brasília será interlocutor do diálogo entre a comunidade otorrinolaringológica e o Congresso Nacional. O grupo, formado por seis médicos, tem como missão prospectar oportunidades de influência na geração e condução das políticas públicas em saúde. “O Comitê Conexão Brasília já tem gerado resultados positivos para a classe médica. É fundamental trabalharmos nessa linha de frente em relação ao cenário político nacional”, afirma o presidente de ABORL-CCF.

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“Com antecedência, os erros são minimizados e o Congresso como um todo se torna um evento de excelência” Dra. Francini Pádua, coordenadora do Projeto de Reformulação do Congresso

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Balanço

Gestão democrática

Na área administrativa, o foco é a padronização dos processos e democratização, evitando a chamada “gestão personalista”. Responsável por gerenciar as frentes de atuação da ABORL-CCF, o diretor executivo Eduardo Tadeu Lima e Silva ressalta que entre os projetos de curto prazo, está o funcionamento pleno do departamento de eventos, enquanto o estreitamento da relação com os parceiros e a internacionalização da instituição são processos em construção ao longo do tempo. “Tudo isso nos permitirá mostrar a Otorrinolaringologia brasileira como um expoente de excelência científica aos países latino-americanos e europeus e aos EUA”, prevê. À frente da execução dos processos administrativos, ele lembra a importância do direcionamento estratégico para as ações. “A visão empreendedora é vital para inovarmos na forma de fazer, assim como, catalisar as ideias, propostas e projetos que recebemos dos associados, diretores e funcionários.” Outra novidade é a criação do Comitê de Planejamento Estratégico, formado por ex-presidentes da Associação. O grupo vai apresentar projetos e funcionar como órgão de apoio e consulta à gestão presidencial. “A expertise e a vivência desses médicos vai dar um caráter ainda mais democrático à gestão e ajudar a mapear os caminhos mais pertinentes para a Associação”, prevê Dr. Agrício.

“A visão empreendedora é vital para inovarmos na forma de fazer, assim como, catalisar as ideias, propostas e projetos” Eduardo Tadeu Lima e Silva, diretor executivo

Educar para avançar

Os trabalhos em Educação Médica Continuada avançaram bem ao longo de 2013 e já trouxeram impactos positivos para a especialidade. Dr. Renato Roithman, presidente da Comissão de EMC, destaca o lançamento do livro “1000 Perguntas e Respostas em Otorrinolaringologia”, a continuidade do projeto “O que há de novo nos últimos dois anos...” e a reativação do PRO-ORL, programa de atualização especializada. O médico adianta ainda que a preparação para o 3º Congresso On-line de Otorrinolaringologia está a todo vapor. “Os associados podem se atualizar e esclarecer suas dúvidas com importantes especialistas, sem sair da sua própria casa,”, frisa.

“Trabalhos em educação médica continuada: associados podem se atualizar e esclarecer suas dúvidas sem sair da sua própria casa” Dr. Renato Roithman, presidente da Comissão de EMC

Do emissor ao receptor

O advento da internet e das mídias sociais também mudou a forma que as pessoas se comunicam. Para acompanhar essas tendências, uma reformulação foi realizada na área de comunicações. Os impactos disso? Maturidade e potencialização da audiência. Entre as novidades, estão a renovação do site institucional, um novo projeto gráfico e editorial para a revista e uma guinada nas redes sociais. “A reforma veio do anseio em atingir mais e melhor o nosso público ORL”, coloca Dr. Edilson Zancanella. “Per-

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cebemos a necessidade de se implantar um trabalho contínuo numa sequência de mandatos, porque este é um processo de evolução e maturidade da gestão da ABORL-CCF”, conclui.

“O trabalho contínuo numa sequência de mandatos é um processo de evolução e maturidade da gestão da ABORL-CCF” Dr. Edilson Zancanella, presidente da Comissão de Comunicações

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Congresso Brasileiro

Chegou

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Congresso Brasileiro

o dia! Depois de um longo período de intensas preparações, chegou a hora. Começa dia 20 de novembro o 43º Congresso Brasileiro de ORL-CCF. Prepare-se! Por Eliana Antiqueira

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Congresso Brasileiro

O

evento mais esperado do ano para os Otorrinolaringologistas brasileiros começa nos próximos dias com um novo modelo de concepção e uma grade científica padrão que passará a ser adotada em todos os congressos de agora em diante. A ABORL-CCF é a segunda maior associação de otorrinolaringologistas de um único país do Ocidente, e como tal, preparou um Congresso a altura de sua grandeza. A novidade desta edição é o Pré-Congresso, na quarta-feira que, além dos temas científicos, um Curso de Cirurgia Crânio Maxilo-Facial e um workshop em Gestão de Carreira e Consultório, com palestras sobre marketing, administração e gestão de pessoal.

108 salas com palestras, mesas redondas e debates

A feira de exposições, tradicionalmente aberta apenas na programação oficial, estará pronta para visitação já no Pré-Congresso. “Nossa proposta é que o congressista aproveite ao máximo o seu tempo durante esses dias, com agenda diversificada e interessante. Estes serão dias de aprendizado, troca de experiências e oportunidades para estabelecer ou estreitar laços com colegas daqui e de fora”, afirma Dr. Agrício Crespo. As conferências e mesas redondas estarão concentradas no período da manhã. As tardes serão reservadas aos cursos e painéis. Também nesta edição do Congresso Brasileiro de ORL-CCF acontecerá o Simpósio Brasil-França, com a presença de mais de 30 especia-

listas franceses convidados do Dr. Jean Pierre Bebear, que neste ano receberá o título de Membro Honorário da ABORL-CCF.

Não perca! Fórum Nacional dos Residentes 23 de novembro

Simpósio Brasil-França

Cursos de instrução de 45 minutos Pré-Congresso de Gestão Painel Comparativo de Honorários Médicos

16 convidados internacionais Encontro Nacional das Ligas de Otorrinolaringologia

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Abertura na Sala São Paulo setembro / outubro 2013 | www.aborlccf.org.br


Congresso Brasileiro

A ABORL-CCF quer ouvir você! No mês de setembro, foram realizados quatro encontros com grupos de otorrinos, duas em São Paulo, duas em Recife, coordenados pela empresa de pesquisa Demanda Health, com o objetivo de ouvir e identificar as principais demandas dos médicos para com a Associação. A partir do resultado desses encontros, foi elaborado um questionário que poderá ser respondido durante o Congresso. Um totem da ABORL-CCF será colocado à entrada do auditório central com acesso à pesquisa on-line. Questões como o que o associado espera da entidade, suas principais demandas, quais atributos considera importante serão levantadas, além de temas como remuneração, defesa profissional e gestão de consultórios. Participe da pesquisa e colabore para tornar a ABORL-CCF cada vez mais representativa para nossa especialidade. A partir dos resultados levantados serão estabelecidas políticas e ações que atendam os anseios e expectativas reais dos associados.

Encerramento no Espaço das Américas setembro / outubro 2013 | www.aborlccf.org.br

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Academia Americana

ABORL-CCF marca presença no Congresso da Academia Americana Associação brasileira prestigia o mais importante congresso da especialidade

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D

e 29 de setembro a 2 de outubro, Vancouver sediou a AAO-HNSF Annual Meeting & OTO EXPO 2013, o congresso da Academia Americana. O evento recebeu cerca de nove mil pessoas, das quais seis mil otorrinos. Desses, dois mil eram estrangeiros, sendo mil latino-americanos. A ABORL-CCF marcou presença com um estande estilizado, em forma de lounge, montado em

ponto estratégico da feira, onde ficaram expostos o BJORL, a revista VOX Otorrino e os produtos licenciados. No local também foram divulgadas informações sobre o 43º Congresso Brasileiro. “A oportunidade é ótima para atrair interesse ao nosso país e também para observar as boas práticas adotadas pelos americanos que podemos aplicar em nossos eventos”, explica Dr. Agrício Crespo.

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Academia Americana

O Congresso da Academia Americana é reconhecido por sua organização, qualidade e variedade de profissionais que renomados. Neste ano, uma das palestras mais concorridas foi a da otorrinolaringologista, professora e editora-chefe da editoria de Medicina da rede de televisão NBC, Dra. Nancy Snyderman, que discorreu sobre o tema Ética Médica durante a cerimônia de abertura do evento e afirmou que, seu maior desafio ao lecionar não foi ensinar medicina, mas aos jovens médicos a agirem como seres humanos sensíveis ao sofrimento alheio. Durante o congresso também foi eleito o novo presidente da Academia para o mandato 2013-2014, Dr. Richard W. Waguespack. O médico é professor do Departamento de Cirurgia, Disciplina de Otorrinolaringologia - Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Universidade do Alabama, em Birmingham, e Chefe da Seção de Otorrinolaringologia no Birmingham VA Medical Center.

Dra. Nancy Snyderman: palestra sobre ética na abertura do evento

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Uma das mais antigas associações médicas nos Estados Unidos, AAOHNS representa cerca de 12 mil médicos e profissionais de saúde

aliados que se especializam no tratamento do ouvido, nariz, garganta e estruturas relacionadas à cabeça e ao pescoço.

Estande da ABORL-CCF no Congresso da Academia Americana

Dr. Richard Waguespack: novo presidente da AAO-HNS

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Painel Nacional de Honorários

Participe do Painel Nacional de Honorários Médicos no Pré-Congresso Levantamento realizado de norte a sul do Brasil estabelece as diferenças na cobrança de honorários médicos. Resultados serão apresentados em 20 de novembro Por Sheila Godoi

U

ma audiometria tem o mesmo custo em Curitiba e no Acre? Qual plano de saúde paga mais? Qual a remuneração para a septoplastia nas diferentes regiões do país? A consulta de emergência é mais cara em São Paulo ou no Rio de Janeiro? A partir de perguntas como essas, a ABORL-CCF está realizando o levantamento de honorários médicos pagos em todo o país. Partindo da ideia de que é preciso entender para agir, o estudo deve trazer dados quantitativos, com os valores mais baixos e mais altos de vinte procedimentos mais frequentes em Otorrinolaringologia. A ideia é traçar um panorama do quanto os planos de saúde e o SUS pagam ao especialista por esses procedimentos, além de fazer uma análise da remuneração regional.

Associação vem trabalhando continuamente em prol da melhor remuneração médica. De acordo com o Dr. Casimiro Villela Junqueira Filho, membro da comissão, a questão dos honorários é uma demanda que os médicos apresentam com frequência: “estruturamos a enquete para termos um retorno dos profissionais e identificarmos o grau de comprometimento desses associados”. No futuro, acrescenta o médico, a ideia é chegar à padronização dos valores pagos.

“De manhã, será projetada a tabela com dados nacionais que demonstram o menor e o maior valor pago nos vinte procedimentos mais comuns. À tarde, será aberta a discussão sobre as ações adotadas pelas cidades que apresentam a melhor remuneração” Dr. Agrício Crespo

A comissão de Defesa Profissional da

De acordo com o presidente da comissão, Dr. Márcio Fortini, os principais desafios, nesse sentido, são três: estabelecer modelos de contratos benéficos aos profissionais junto às operadoras de plano de saúde, trabalhar pela redução do número de glosas efetuadas e, a partir do levantamento dos valores praticados, reivindicar melhorias nos valores praticados atualmente, de forma con-

Painel Nacional de Honorários Conheça os temas abordados do Painel Nacional de Honorários Médicos, durante o Pré-Congresso. » Defasagem dos honorários médicos atualmente praticados; » Aspectos jurídicos da Saúde Suplementar; » A CBHPM no SUS: Perspectivas de implantação; » As Operadoras de Saúde e a implantação da CBHPM: Contratos, reajustes e glosas; » Cooperativismo x Associativismo; » Histórico, estrutura, direitos e deveres dos cooperados; » Aspectos jurídicos e contábeis: regimento interno, estatuto, tributação, Lei nº 5764; » Painel dos Estados: experiências, contratos, honorários.

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Painel Nacional de Honorários

WWW... O estudo foi estruturado em meados de outubro e enviado aos associados por e-mail. Mas ainda dá tempo de participar! Acesse a página da pesquisa em http://aborlccf. viacompanyprojetos. com.br e dê a sua contribuição!

“ No futuro, a ideia é chegar à padronização dos valores pagos” Dr. Casimiro Villela Junqueira Filho

junta com as sociedades regionais. “Esse trabalho isolado da comissão não basta. Com a conscientização e o apoio da maioria dos Otorrinolaringologistas, teremos condições de lutar para conseguir resultados junto às operadoras de saúde”, pontua, reforçando que a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM), lista que codifica e precifica os procedimentos médicos, deve servir como referência para os planos de saúde. A 43ª edição do Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial contará com um painel dedicado à discussão dos assuntos relacionados aos honorários médicos. “De manhã, será projetada a tabela com dados nacionais que demonstram o menor e o maior valor pago nos vinte procedimentos mais comuns em Otorrinolaringologia. À tarde, será aberta a discussão sobre as ações adotadas pelas cidades que apresentam a melhor remuneração. Queremos trazer esta questão para o debate nacional e, para isso, precisamos de dados que nos deem uma base de argumentação. A partir da consolidação desses dados,

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“Com a conscientização e o apoio da maioria dos otorrinolaringologistas, teremos condições de lutar para conseguir resultados junto às operadoras de planos de saúde” Dr. Márcio Fortini

a ABORL-CCF terá subsídios para auxiliar seus associados no relacionamento no mercado de trabalho, seja com as operadoras de planos de saúde, seja com o SUS”, explica Dr. Agrício Crespo.

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Opinião

Entrevista com Dr. Alexandre Felippu Como o senhor avalia a imagem da ORL brasileira no exterior?

Diretor e pesquisador do Instituto Felippu de Rinologia e Otorrinolaringologia. Membro da Comissão de Treinamento e Residência da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial

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O mundo não conhece a ORL brasileira como uma identidade bem definida e organizada, conhece sim alguns excelentes médicos brasileiros de renome internacional, uns poucos artigos científicos publicados em revistas de primeira linha, e alguns eventos não institucionais internacionais importantes. O nosso Congresso, que poderia ser o cartão de visitas da otorrino brasileira, é um bom congresso em termos locais, aliás, comparado com os feitos na América Latina e na Europa, pode ser considerado um excelente congresso. Porém, o único congresso profissionalmente pensado e realizado para ser um evento internacional, é o Congresso da Academia Americana e entidades parceiras. Isto porque a AAO-HNS é uma EMPRESA, no sentido mais amplo da palavra e funciona num país que tem cultura de eventos, tendo uma estrutura logística inigualável, o que o resto do mundo não tem.

Quais problemas logísticos comprometem a internacionalização do Congresso Brasileiro? Primeiro: planejamento. Data e local planejados com antecedência mínima de dez anos e que obedeçam a exigências mínimas: centros de convenções para eventos de grande porte, acomodação e transporte. As cidades que poderiam receber esses eventos estão com seus centros de convenções defasados, além da deficiência de transporte. Este é um país continental e todos sabemos dos problemas do transporte aéreo. Brasília, por exemplo, é a única cidade equidistante, com boa malha aérea, rede hoteleira enorme e vazia aos finais de semana, centro de convenções grande e bem localizado e, inexplicavelmente, quase nunca utilizada. Segundo: agenda. Temos de estar sintonizados com todas as sociedades de ORL do mundo para fazer uma agenda internacional. Todo mundo sabe que em meados de setembro acontece o Congresso Americano, logo, nun-

O único congresso profissionalmente pensado e realizado para ser um evento internacional, é o Congresso da Academia Americana e entidades parceiras. Isto porque a AAO-HNS é uma EMPRESA, no sentido mais amplo da palavra e funciona num país que tem cultura de eventos, tendo uma estrutura logística inigualável, o que o resto do mundo não tem. setembro / outubro 2013 | www.aborlccf.org.br


Opinião

A política institucional científica é responsabilidade de toda a Associação. Cada departamento deve dar sua contribuição para que seja feita uma profunda análise da realidade da otorrino nacional, suas suficiências e deficiências. ca há conflito de agendas com ele porque ninguém marca nada neste período. É muito frequente a coincidência das datas do Congresso Brasileiro com o Congresso Argentino, Colombiano, Venezuelano, Chileno ou de qualquer outro lugar do mundo porque não existe uma agenda internacional de nossa parte. Esta integração com as sociedades de outros países é condição sine qua non para se começar a pensar em internacionalização. É duro constatar que isso nunca foi feito, mas, em se tratando da segunda maior sociedade de ORL do mundo, pelo menos numericamente, é legítimo que a ABORL assuma essa responsabilidade, começando pela América Latina. E quanto ao aspecto científico, estamos defasados? Completamente. Não existe nenhum tipo de política científica no nosso congresso. Não há hierarquização por tema, relevância e momento. Qual o tempo de instrução que se dá a um assunto de acordo com a necessidade, se o tipo de instrução dado é forma-

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tivo ou informativo, o quanto tem que ter de básico, de avançado e o peso que vai se dar a cada um desses aspectos. Essas coisas devem ser estabelecidas antes de se selecionar os nomes dos palestrantes, isso é uma política científica institucional.

E como se cria essa política? A política institucional científica é responsabilidade de toda a Associação. Cada departamento deve dar sua contribuição para que seja feita uma profunda análise da realidade da otorrino nacional, suas suficiências e deficiências. E cabe à Comissão de Eventos consolidar essas informações para dar o tom da política institucional do Congresso. E, aí sim, as Academias ajudariam na indicação de nomes para formação da grade científica.

Qual o critério a adotar para a escolha desses nomes? Depois de um longo processo, a democracia é hoje a marca da ABORL. Isso se refletiu na grade científica dos últimos congressos, porém, essa democracia gerou também inúmeras distorções. Por exemplo, os palestrantes têm o mesmo tempo de exposição, independente do seu currículo e da sua experiência, isso dá uma grande

oportunidade para os mais inexperientes, mas, por outro lado, o nível do congresso cai, porque os mais experientes são tolhidos. Uma grade sensata deve distribuir o tempo de maneira racional, utilizando o que tem de melhor para ensinar e informar sem deixar de dar chance aos mais jovens, que podem e devem apresentar seus trabalhos, mas com monitoramento, já que a sociedade é responsável pelo conteúdo científico do congresso. O ideal seria a disponibilização de cursos pagos como faz o Congresso da Academia Americana. Cursos realizados por otorrinos com experiência e currículo, obviamente, devendo haver uma comissão específica para análise e aprovação de cada um deles. Aos alunos, também é dada a possibilidade de avaliar o curso através de questionário específico. A manutenção dos cursos vai depender da sua pontuação. E essas normas se aplicam a todos. Os congressistas estrangeiros também devem ser estimulados a dar cursos, a participar de mesas redondas, de debates e a apresentar trabalhos de acordo com seu nível. Já que temos uma deficiência logística, o desafio é fazer um bom congresso dentro da nossa realidade com os recursos que dispomos e torná-lo atraente para o mercado externo. Trabalhando juntos, somos perfeitamente capazes de fazê-lo.

Já que temos uma deficiência logística, o desafio é fazer um bom congresso dentro da nossa realidade com os recursos que dispomos e torná-lo atraente para o mercado externo. Trabalhando juntos, somos perfeitamente capazes de fazê-lo.

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Panorama ORL

ORL pelo

Considerada uma das mais completas especialidades do mundo por reunir características clínicas e cirúrgicas, a otorrinolaringologia se organiza em sociedades influentes que trabalham para sua evolução. Conheça as principais associações ao redor do globo.

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Panorama ORL

mundo

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Panorama ORL

ABORL-CCF

5 mil membros Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial 30 | Revista VOX OTORRINO

AMÉRICA DO SUL

Fundada em 1948

Argentina

F.A.S.O - Federación Argentina de Sociedades de Otorrinolaringologia Fundada em 1947 2 mil membros

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Panorama ORL

Fundada em 1975

120 nações membros

IFOS

Cerca de 70 mil associados

AMÉRICA DO NORTE

Américas EUA

Canadá

AAO-HNS American Academy of Otolaringology – Head and Neck Surgery Fundada em 1931 12 mil membros

México

CSOHNS- Canadian Society of Otolaryngology Head and Neck Surgery Fundada em 1946 800 membros

Fesormex - Federación Mexicana de ORL y CCC Fundada em 1946 2.100 membros

Venezuela

SVORL - Sociedad Venezolana de Otorrinolaringología Fundada em 1965 800 membros

Colômbia

ACORL - Asociación Colombiana de Otorrinolaringología, Cirugía de Cabeza y Cuello, Maxilofacial y Estética Facial Fundada em 1961 800 membros

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Chile

SOCHIORL - Sociedad Chilena de Otorrinolaringología Fundada em 1931 600 membros

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Panorama ORL

Europa Reino Unido

Portugal

Confederation of European Academy of Otorhinolaryngology, Head and Neck Surgery Fundada em 2011

SPORL – Sociedade Portuguesa de Otorrinolarigologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço Fundada em 1953 673 membros

Espanha

SEORL PCF Sociedad Española de Otorrinolaringología e Patologia Cervico-Facial Fundada 1949 2.900 membros

EUFOS (European Federation of Otorhinolaryngological Societies, 1985) - 46 países membros EAORL-HNS (European Academy of Otorhinolaryngology, Head and Neck Surgery, 2005) - 15 sociedades europeias de especialidades UEMS-ORL HNS (Union Européenne des Médecins Spécialistes/European Union of Medical Specialists, ORL-HNS, 1962)

ENTUK BAO –HNS British Association of Otorhinolaryngology - Head and Neck Surgery Fundada em 1953 1.300 membros

Alemanha

German Society of Oto-RhinoLaryngology, Head & Neck Surgery Fundada em 1921 4.200 membros

Itália

SIO–CCF Società Italiana Otorinolaringologia e Chirugia Cervico-Facciale Fundada em 1891 1.800 membros

França

SFORL - Société Française d’ORL et de Chirurgie de la Face et du Cou Fundada em 1882 2.600 membros

Oceania Austrália ASOHNS - Australian Society of Otolaryngology Head & Neck Surgery Ltd Fundada em 1950 408 membros

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Panorama ORL

Ásia

Coreia do Sul KORL - Korean Society of Otorhinoloaryngology-Head and Neck Surgery Fundada em 1975 2 mil membros

Hong Kong/China Índia

Japão

Association of Otolaryngologists of India Fundada em 1947 Mais de 20 mil membros

Oto-RhinoLaryngological Society of Japan, Inc Fundada em 1983 2 mil membros

Hong Kong Society of OtorhinoloaryngologyHead and Neck Surgery Fundada em 1970 Mais de 20 mil membros

África Egito ESENTAS - Egyptian society of ear, nose, throat, and allied sciences Fundada em 2001 200 membros

África do Sul South African Society of Othorynolaryngology Fundada em 1964 264 membros setembro / outubro 2013 | www.aborlccf.org.br

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Editoria

20 a 23 de novembro

43º Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial Coordenação: ABORL-CCF Local: Anhembi Parque Informações: www.aborlccf.org.br/43cbo E-mail: eventos@aborlccf.org.br Telefone: (11) 5084-4246 ou 5081-7028

Não esqueça, reserve logo seu hotel!

30 de novembro Curso Itinerante de Rinites e Sinusites Coordenação: Dr. Marcos Alexandre da Franca Pereira Local: a definir - João Pessoa/PB Informações: (11) 5053-7500 6 e 7 de dezembro Curso Internacional em Rinoplastia Coordenação: Dr. Artur Grinfeld e Dr. Washington Almeida Local: Hospital Otorrinos de Feira de Santana - Feira de Santana-BA Informações: (75) 2101-4455 6 de dezembro Highlights em Otoneurologia Coordenação: Departamento de Otoneurologia da ABORL-CCF Local: Auditório Luc Louis Maurice Weckx - Sede da ABORL-CCF - São Paulo/SP Informações: (11) 5053-7502 13 de dezembro PPA - Projeto Próteses Auditivas - Aspectos práticos para o Otorrinolaringologista Coordenação: Dr. Marcelo Ribeiro de Toledo Piza Local: Auditório Luc Louis Maurice Weckx - Sede da ABORL-CCF - São Paulo/SP Informações: (11) 5053-7502

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13 e 14 de dezembro 2º Workshop sobre editoração científica - 80 anos do BJORL (Brazilian Journal of Otorhinolaryngology) Coordenação: Drs. Agrício Crespo, Bruno Caramelli, Berenice Dias Ramos, Eulália Sakano, Wilma Anselmo-Lima. Local: Estanplaza Ibirapuera - São Paulo/SP Informações: (11) 5053-7502 13 e 14 de dezembro 4º Curso de Septoplastia, Turbinectomia e Cirurgia Endoscópica Nasossinusal Coordenação: Dr. Marco César, Dr. Rafael Ferri e Dr. Cássio Iwamoto Local: Hospital IPO - Curitiba/PR Informações: (41) 3314-1590 18 a 22 de fevereiro 103º Curso de Dissecção Osso Temporal Coordenação: Prof. Dr. Ricardo Ferreira Bento, Prof. Dr. Rubens Brito, Dr. Robinson Koji Tsuji, Dra. Mariana Hausen Pinna e Dra. Anna Carolina Fonsecaob Local: FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) - São Paulo/SP Informações: (11) 3068-9855

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Gestão

O segredo está na motivação Funcionários, tecnologias, finanças, investimentos, concorrência... A lista de fatores que pesam na administração de um negócio não é das pequenas. Mas, com a gestão estratégica dos parceiros e colaboradores e uma mente empreendedora, a clínica pode deslanchar. Por Sheila Godoi

P

ensar o mercado de saúde, sem dúvidas, é um exercício de administração. Afinal uma clínica médica é também uma empresa e, para manter-se no mercado, deve ter uma gestão adequada às demandas capitalistas. Em que áreas se devem aplicar os investimentos, por exemplo? Tecnologia, treinamento, marketing? Tudo isso! Aliás, um chavão neoliberal diz que a propaganda é a alma do negócio. E é de fato. Mas ela, por si só, não basta.

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O negócio envolve também parcerias que podem fazer com que ele deslanche, colaboradores – definitivos na fidelização dos clientes – e, claro, boa visão empreendedora. Um caso típico de negócio é o das empresas familiares, que podem funcionar muito bem ou gerar um rompimento. Como saber se é melhor

investir em uma sociedade familiar ou apostar individualmente no negócio? Para o diretor de consultoria da FEA júnior USP, Gustavo Habner, há dois problemas recorrentes: a mistura entre as contas pessoais e a da empresa e a falta de capacitação para gestão. “Por isso, é importante realizar cursos preparatórios para a administração do consultório”.

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Gestão

Outro ponto é o estabelecimento de regras. A gerente executiva do Grupo Meta RH, Dulce Menezes, defende a criação de um estatuto para que o ambiente seja profissional. “Lá há profissionais cujo objetivo principal é atender as pessoas. Por isso, trazer problemas domésticos para a empresa é um erro”, frisa. Além disso, todo o negócio deve ser conduzido por um bom administrador, focado principalmente na gestão, como lembra Habner: “caso o profissional de saúde queira focar sua atenção principalmente no serviço médico prestado, é fundamental a contratação de um profissional qualificado para o cargo gerencial da clínica”. E, para os casos em que o médico opta por ser o próprio administrador do local, vale investir na preparação, como cursos de MBA em gestão.

Engajar para obter resultados completos

Selecionar, contratar, treinar e motivar. Os colaboradores são peças fundamentais nessa empreitada e, sem dúvidas, os desafios não são poucos. Mas, com uma boa estratégia, é possível engajar os funcionários e gerar empatia com os pacientes, que também são clientes do consultório. O primeiro passo para a contratação é estabelecer as funções do colaborador e definir as competências, habilidades técnicas e formação necessárias para o cumprimento dessas tarefas. Mas... E depois de contratado? Como avaliar a performance do colaborador? Antes de tudo, os objetivos precisam estar bem claros. “Uma equipe que não entende de forma clara as regras e as metas terá grande dificuldade para alcançá-las e, com isso, poderá ficar desmotivada, gerando alto giro de funcionários na empresa”, informa Antonio Covales, gerente regional da divisão de saúde da consultoria Randstad. Habner complementa a ideia do especialista: “Um bom administrador deve sempre basear a análise do desempenho de seus funcionários por dados concretos e indicadores, e minimizar a avaliação baseada na subjetividade”. Um modelo simples de

avaliação, por exemplo, é a aplicação de pesquisa de satisfação dos clientes. Mas, atenção: esses questionários devem ser sempre curtos e objetivos, fáceis de responder. Se houver algum problema nesse retorno, é sinal de que há também uma falha que precisa ser identificada e corrigida. Seus funcionários estão, de fato, engajados e motivados? O diretor da FEA júnior USP explica que cada pessoa funciona com um foco motivador. “Alguns buscam ascensão profissional, e para

Caso exemplar

“...é importante realizar cursos preparatórios para a administração do consultório” Gustavo Habner, diretor de consultoria da FEA júnior USP

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Recentemente, a FEA júnior USP realizou um projeto de consultoria para uma clínica que apresentava problemas na captação de clientes e deficiências na parte de gestão. A equipe de consultores realizou pesquisas de mercado com o público-alvo do consultório para definir quais os principais fatores que influenciavam a busca do serviço e quais os canais mais efetivos para comunicação com esse público. A etapa seguinte envolveu o desenvolvimento de um plano de marketing, com uma estratégia de captação de clientes e precificação do serviço. Por fim, a equipe realizou uma reestruturação administrativa que formalizou toda a dinâmica de processos da clínica em fluxogramas, fez listagens das funções do cargo de cada funcionário e otimizou a parte administrativa do consultório.

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Gestão

“Bons resultados apenas são obtidos por meio de pessoas.” Dulce Menezes, gerente executiva do Grupo Meta RH, o trabalho em clínicas é muito complicado motivar essas pessoas, dado que o reduzido quadro de colaboradores e cargos impede a estruturação de um plano de carreira”, pontua. “Para os profissionais, cujo foco é a remuneração, a adoção do PLR (Participação em Lucros e Resultados), prática crescente no mercado, e de remuneração variável de acordo com o desempenho individual podem ser boas estratégias para engajá-los”, complementa. Valorizar o cliente interno, que é nada menos que o próprio funcionário, é uma estratégia muito recomendada por especialistas em gestão de pessoas. “Bons resultados apenas são obtidos por meio de pessoas. Você pode ter equipamentos de última geração no consultório, mas se não tiver pessoas que saibam manusear os processos, não terá uma grande empresa”, reforça Dulce. “Além disso, o bom líder não é centralizador, mas dá autonomia. Ele vai na linha de frente e traz a equipe junto”, acrescenta.

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Relacionamento interpessoal

Se uma pessoa é bem atendida em um local, ela indica para outras pessoas. Da mesma forma, isso se dá com as redes de contatos profissionais, o famoso network. Dulce é enfática ao falar de relacionamento interpessoal: “precisa ser bilateral, uma troca”.

Seja com credores, fornecedores ou funcionários, alguns valores são fundamentais na relação. “É preciso que haja comunicação em todas as situações”, coloca a gerente executiva. E se ocorre um conflito no ambiente de trabalho, por exemplo, o diálogo com transparência e a verdade são fundamentais. “O trabalho tem que ser preventivo e não corretivo”, alerta.

Business Model You

Falando sobre inovação, Tim Clark apresenta um método para desenhar qualquer modelo de negócio pessoal em um única folha de papel. Da Alta Books Editora, por R$ 76,41 (preço consultado em outubro/2013)

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Gestão

“Uma equipe que não entende de forma clara as regras e as metas terá grande dificuldade para alcançá-las e, com isso, poderá ficar desmotivada, gerando alto giro de funcionários na empresa” Antonio Covales, gerente regional da divisão de saúde da Randstad

Rede de parceiros

Manter uma equipe própria tem lá suas vantagens. Mas alguns serviços de apoio podem e devem ser terceirizados, isto é, especializados. “Quando implantada e executada por uma empresa séria, a terceirização só traz benefícios ao contratante, que passa a focar apenas no seu negócio”, ressalta Covales, da

Randstad. Em geral, o contrato prevê substituição para faltas, reposição de férias, afastamentos por doença ou licença maternidade, por exemplo. Contabilidade, segurança, limpeza... A seleção de parceiros envolve alguns processos, principalmente de averiguação.

O consultor em saúde lembra ainda que a idoneidade do fornecedor, seus clientes, tempo de mercado, tudo deve ser avaliado. Pode-se fazer também um teste experimental antes da assinatura do contrato.

Captação de clientes

Um dos pontos que se mostram falhos em muitos consultórios é a estratégia de captação de clientes, como analisa Habner, da FEA júnior USP. Apesar da tradicional indicação que amplia a carta de clientes do consultório, é importante investir na ferramenta do século: marketing. E não se esqueça do período após a consulta, o chamado pós-venda, e que serve para fidelizar o público. O atendimento tem que ser completo, desde o manobrista que recebe o carro do paciente ao médico, que é a ponta final. O tempo de espera também é um fator de desestímulo à fidelização, por isso deve ser muito bem trabalho. “O serviço prestado não se restringe apenas à consulta, mas engloba todos os pontos de interação da clínica com o cliente”, informa, se referindo à qualidade do atendimento prestado por toda a equipe e o tempo de espera, que pode ser um fator de desestímulo ao retorno.

Pilares para que a relação flua bem Para Dulce Menezes, gerente executiva do Grupo Meta RH, os valores fundamentais para um relacionamento profissional salubre são:

Transparência Respeito Liderança Objetivo comum Confiança

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nos processos

pelos parceiros e pela equipe

delegando e coordenando

para colaboradores e líderes

nos parceiros e no sócio

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Educação Continuada

O que há de novo?

C

aros colegas, o tema de atualização selecionado para esta edição do VOX é a disfonia, em especial nas crianças. De forma bastante concisa e atual são revisadas as principais causas e tratamentos correntes para o problema. Incentivamos a todos que escrevam para a ABORL-CCF ou diretamente para renatoroithman@gmail.com sugerindo temas que gostariam que fossem abordados nas próximas edições. Lembramos também que todos os artigos do ‘Projeto de Educação Médica Continuada: o que há de novo nos últimos 2 anos’ estão no site da www.aborlccf.org.br. Saudações a todos e boa leitura.

Dr. Renato Roithmann

Tratamento das Disfonias em Crianças

D Dra. Adriana Hachiya Médica assistente da Disciplina de ORL da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

isfonia é um sintoma muito frequente em crianças, com prevalência que varia entre 15 a 24% da população pediátrica 1. A principal causa de disfonia crônica em crianças é a presença de nódulos vocais (77% das crianças roucas apresentam nódulos vocais) 2. Se não tratados adequadamente, a queixa vocal pode persistir na adolescência 3.

Disfonia em crianças pode ser reconhecida como choro rouco em crianças menores ou rouquidão nas crianças que já desenvolveram a fala. Roquidão em crianças deve ser prontamente investigada apesar de raramente ser um sinal de alguma patologia mais grave. Na maioria

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dos casos, é o resultado de lesões benignas da laringe como nódulos vocais, pólipos ou alterações estruturais mínimas 4. Entretanto, é de suma importância descartar outras causas, como a papilomatose laríngea, pela possibilidade de obstrução de via aérea e potencial risco de transformação maligna além de outras lesões tumorais. Nas paralisias unilaterais em crianças devem ser consideradas entre as possíveis etiologias: trauma de parto, malformações do sistema nervoso central (Malformação de Arnold- Chiari ou da fossa posterior, hidrocefalia), patologias de mediastino, compressão cervical extrínseca, entre outras.

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Educação continuada Uma criança rouca ou com choro rouco deve ser submetida à nasofibroscopia flexível por otorrinolaringologista treinado. Com o advento de nasofibroscópios flexíveis de pequeno calibre (2.2 mm) é possível a avaliação de recém-nascidos sem a necessidade de sedação, o que permite a avaliação estrutural (anatômica) e funcional (fonação e avaliação da deglutição). Nas crianças com lesões benignas de laringe como nódulos, pólipos ou alterações estruturais mínimas, o tratamento de escolha é a fonoterapia. Terapia vocal tem demonstrado ser um tratamento efetivo nestes casos 5,6. Em crianças menores de 2 anos, a fonoterapia é prejudicada pela falta de adesão e participação da criança no processo. O tratamento cirúrgico nas doenças benignas está indicado em casos restritos e depende de vários fatores: insucesso no tratamento fonoterápico, impacto da qualidade da voz na

vida da criança, experiência do otorrinolaringologista no manejo cirúrgico de crianças. A indicação de cirurgia é formal nos pacientes com diagnóstico de papilomatose laríngea. A retirada cirúrgica da lesão, seja com instrumentos frios, microdebridador ou laser, é um tratamento efetivo na redução dos sintomas e melhora da dispnéia e da disfonia. Não há evidência na literatura que demonstre qual das técnicas é a mais efetiva. Deve-seter em mente que, independente da técnica utilizada, o tratamento não é curativo. Partículas virais podem estar presentes em tecidos macroscopicamente sem alterações. O uso de cidofovir intralesional tem demonstrado diminuição das recidivas em relato de série de casos 7 . Restrição ao uso do cidofovir tem sido o potencial efeito carcinogênico da substância, demonstrado in vitro 8. A vacinação quadrivalente para HPV (Gardasil) tem desperta-

do interesse na prevenção e no controle da papilomatose laríngea 9 . Crianças com diagnóstico de papilomatose laríngea devem ser acompanhadas e avaliadas regularmente pela alta recidiva. Crianças com paralisia unilateral de prega vocal são um desafio para os laringologistas. Na maioria dos casos (80%), há compensação pela prega vocal contralateral. Em 20% dos casos, fonoterapia pode otimizar o fechamento glótico com melhora das queixas de disfonia e disfagia 10. Nos pacientes refratários ao tratamento clínico e sintomáticos, procedimento de medialização da prega vocal paralisada podem ser realizados. A injeção de hidroxiapatita de cálcio (Radiesse®, Merz Aesthestics, San Mateo, California, EUA) é uma alternativa para esses pacientes 11. Tireoplastias vem sendo realizadas com sucesso em crianças, mas, tecnicamente, são muito desafiadoras pela posição errática e variável da prega vocal.

Referências Schwartz SR et al. Clinical practice guideline: Hoarseness (dysphonia). Otolaryngol Head Neck Surg 2009.141. S1-S31 Silverman EM. Incidence of chronic hoarseness among school-age children. J Speech Hear Disord 1975;40:211-5. De Bodt Ms, Ketelslagers K, Peeters T et al. Evolution of vocal fold nodules form childhood to adolescence. J Voice 2007; 21:151-6. Faut RA. Childhood voice disorders: ambulatory evaluation and operative diagnosis. Clin Pediatr 2003;42:1-9. Thomas LB, Stemple JC. Voice Therapy: Does science support the art? Communicative Disorders Review 2007;1:49-77. Possamai V, Hartley B. Voice disorders in children. Pediatr Clin North Am 2013. 60(4):879-92. Wierzbicka M, Jackowska J, Bartochowska A et al. Effectiness of cidofovir intralesional treatment in recurrent respiratory pappilomatosis. Eur Arch Otorhinolaryngol 2007; 264(1): 63-70. Donne AH, Hampson L, He XT, et al. Potencial risk factors associated with the use of cidofovir to treat benign human pappilomavirus-related disease. ANtivir The 2009; 14(7):939-52. Forster G, Boltze C, Seidel J, et al. Juvenile Laryngeal Papillomatosis - immunisation with the polyvalent vaccine Gardasil. Laryngol Rhinol Otol 2008;87(11):796-9. Setllur J, Hartnick CJ. Management of unilateral true vocal cord paralysis in children. Curr Opin Otolaryngol Head Neck Surg 2012; 20(6):497-501. Cohen MS, Mehta DK, Maguire RC, Simons JP. Injection medialization laryngoplasty in children. Arch Otolaryngol Head Neck Surg 2011; 137:364-268.

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História da ORL

A história da Otorrinolaringologia na cidade de São Paulo Uma breve história da contribuição dos pioneiros da especialidade na maior cidade do país.

No centro da cidade de São Paulo, por volta de 1897, um grupo de médicos de várias especialidades se uniu para desenvolver suas atividades profissionais. Havia interesse, na época, para a instalação de uma Faculdade de Medicina em São Paulo, a exemplo do que ocorrera em outros estados como a Bahia, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Um núcleo de otorrinos trabalhava na chamada Policlínica, localizada na rua do Carmo, dentre os quais o professor J.J. da Nova e seus assistentes, os doutores Antônio Paula Santos e Hugo Ribeiro de Almeida, que apoiavam a criação da faculdade.

Por Dr. Lídio Granato Professor Titular do Departamento de Otorrinolaringologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

No entanto, a história oficial da otorrinolaringologia na capital inicia-se em 1912, quando o Dr. Arnaldo Vieira de Carvalho, nomeado diretor da Faculdade de Medicina e Cirurgia pelo então presidente do estado de São Paulo, Conselheiro Rodrigues Alves, escolhe Dr. Henrique Lindenberg para a cadeira de Otorrinolaringologia, em companhia de seu assistente, Dr. Adolpho Schmidt Sarmento, ambos com especialização nas famosas escolas de Berlim e Viena. Assim, a Faculdade de Medicina iniciou suas atividades curriculares no ano seguinte, na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Com a morte do professor Lindenberg, em 1928, sua cadeira ficou vaga, o que provocou uma cisão no Departamento. Os substitutos naturais seriam Schmidt Sarmento ou Mário Ottoni de Rezende. Mas, como o professor Antonio Paula Santos já havia defendido dois concursos (Fisiologia e Patologia Geral), foi empossado diretor e cedido a ele um espaço no Instituto do Radio, hoje Instituto Doutor Arnaldo. Este núcleo da Faculdade de Medicina passou a pertencer à Universidade de São Paulo (USP), após sua criação em 1934. Na Santa Casa, o serviço continuou sob a direção do Dr. Schmidt Sarmento, substituído, ao morrer, por Dr. Mário Ottoni de Rezende, que havia obtido sua formação em dois

Faculdade de Medicina da USP

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Santa Casa de Misericórdia de São Paulo

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História da ORL grandes centros europeus, em Berlim, no serviço de Von Eicken, na Charité, ao lado de Seiffert, e em Viena, onde acompanhou Rajek, Neuman, Hirsh, Schüller , Alexander e outros. Sua atividade de ensino na Santa Casa foi desenvolvida já nas novas instalações, no prédio Conde de Lara, inaugurado em 1939. Ottoni modernizou o serviço da Santa Casa com a criação dos setores de Cirurgia Bucomaxilofacial, Cirurgia Plástica e Endoscopia Peroral.

Nomes que fizeram história

Em 1926, Dr. Mario já havia promovido a Primeira Semana Paulista de ORL, com a presença do destacado Dr. João Marinho, professor no Rio de Janeiro. Dez anos depois, organizou a segunda jornada, também com a presença de outro grande professor do Rio de Janeiro, o Dr. Raul David de Sanson. Essas reuniões foram precursoras do primeiro Congresso Brasileiro em 1938, no Rio de Janeiro, onde participaram vários convidados estrangeiros.

Dr. Raphael da Nova: no primeiro Congresso Sul Americano realizado em Buenos Aires apresentou trabalho sobre blastomicose que abria um novo caminho no tratamento desta doença.

Em 1933, Mário Ottoni e Dr. Homero Cordeiro fundaram a primeira revista da especialidade com o nome de Revista Oto-Laryngológica de São Paulo, onde os dois eram diretores e redatores. Foi nessa gestão que surgiram os primeiros esboços de subespecialidades em São Paulo.

Dr. Mário Graziani: publicou um dos primeiros livros da área de cirurgia buco –maxilar em 1942, que foi reeditado várias vezes. Dr. Plínio de Mattos Barretto: um dos pioneiros da Endoscopia Per-oral e criador do primeiro serviço de endoscopia no Brasil, no Hospital das Clínicas. Dr. José Rebelo Neto: praticamente o introdutor da cirurgia plástica no nosso meio, iniciando com procedimentos menores e progredindo e estabelecendo as bases desta especialidade. Dr. Francisco Hartun: comunicou a primeira labirinctetomia e foi um dos autores que mais publicou na Revista Brasileira. Trinta e um trabalhos entre 1933 e 1950. Dr. Ernesto Moreira: dedicou grande parte do seu trabalho no tratamento da ozena cuja incidência era bastante alta na época

Dr. Lamartine Paiva: construiu toda sua carreira no Hospital das Clínicas, foi professor titular da FMUSP e chefe da cadeira de Otorrinolaringologia. Dr. Aroldo Miniti: participou do primeiro implante coclear no Hospital das Clínicas de São Paulo e criou a Fundação de Otorrinolaringologia. Dr. Paulo Mangabeira Albernaz: primeiro diretor do departamento de Otorrinolaringologia da Escola Paulista de Medicina, criada em 1933. Dr. Ângelo Mazza: voluntário por anos na Santa Casa, publicou vários trabalhos na Revista Brasileira e foi um respeitado docente. Dr. Nelson Alvarez Cruz: destacou-se no serviço do famoso Instituto George Portmann, na França e foi o primeiro cirurgião de cabeça e pescoço do Hospital do Câncer de São Paulo. Dr. Pedro Luis Mangabeira Albernaz: realizou o primeiro implante coclear bem-sucedido no Brasil.

Este é apenas um breve relato das origens da especialidade na cidade de São Paulo e alguns personagens que escreveram seu nome na história da Otorrinolaringologia. Outros tantos foram omitidos por falta de espaço aqui nessas páginas, e por isso pedimos desculpas.

Escola Paulista de Medicina 42 | Revista VOX OTORRINO

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Perfil

Kasato Maru: 165 famílias japonesas atravessaram o oceano para viver no Brasil

Em viagem ao Japão, para conhecer a terra de seus pais

Pioneiro do sol nascente Apesar das 24 horas de fuso horário, 20.000 km de distância, da língua estranha, clima e cultura completamente diferentes, no início do século XX, Ryoiti Yassuda embarcou no Japão rumo ao Brasil com a missão de avaliar se aqui era um bom lugar para fincar raízes. Quatro gerações depois, Dr. Nelson Yassuda, filho do imigrante e otorrinolaringologista octagenário relembra a história de sua família: a primeira família japonesa brasileira a chegar ao Brasil. Por Sheila Godoi Fotos: acervo pessoal

E

m 18 de junho de 1908, aportava em Santos, no litoral paulista, depois de 52 dias de viagem desde Kobe, no Japão, o navio Kasato Maru. Nele, vieram os primeiros 781 imigrantes japoneses contratados a partir de um acordo estabelecido entre os governos do Brasil e do Japão para trabalhar nos cafezais do oeste paulista. Na maioria agricultores, os imigrantes encontraram do outro lado do mundo a oportunidade de recomeçar a vida e fugir de um país superpovoado, incapaz de produzir alimento para todos seus habitantes. Era o início de uma nova era para centenas de pessoas e também para nosso país.

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Nessa época, Ryoiti Yassuda já viajava pelas terras brasileiras. O governo japonês o havia enviado para cá dois anos antes para avaliar as condições para a imigração. O jovem gostou do que viu e enviou ao Japão uma carta favorável à vinda dos irmãos de pátria. Não passou muito tempo, casou-se com a também imigrante Shiduca Osato. Da união, estabelecida em 1915, em Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba, nasceram seis filhos: Casue, Elisa, Fábio, Eduardo, Renato e, em 22 de janeiro de 1927, Nelson Shiduho Yassuda. Hoje, mais de 100 anos após o desembarque de seu pai, Dr. Nelson conta a saga

Dr. Nelson Yassuda em início de carreira

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Perfil

de sua família. “Meu pai sempre disse que não foi apenas a beleza e a riqueza de Pindamonhangaba que o prenderam, mas a hospitalidade, bondade e amizade do povo”, diz. “Ele tinha amor pelo Brasil, educou seus filhos para uma nova pátria, para serem brasileiros dentro dos princípios de honestidade, lealdade e solidariedade”. O exemplo do pai se perpetuou. Hoje a família Yassuda está em sua quarta geração e é referência em Pindamonhangaba. Ruas, avenidas, bairros e até uma escola homenageiam a família de um dos precursores da imigração japonesa no país. Ryoiti ganhou o título de “primeiro japonês brasileiro” pela imprensa e chegou a ser batizado pela igreja católica com o nome ocidental de José Ryoiti Yassuda. “Meus irmãos Eduardo e Fábio foram os primeiros nisseis a ocuparem cargos no governo brasileiro. Eduardo foi secretário de Obras do Estado de São Paulo e Fabio foi secretário da Agricultura e posteriormente Ministro da Indústria e Comércio”, diz. Nelson passou longe da política, optou pela carreira na saúde. Em 1954, concluiu a graduação em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, na época denominada apenas Universidade do Brasil. Entre uma experiência e outra durante o curso, embarcou no serviço de Otorrinolaringologia e Broncoesofagologia, coordenado pelo professor Dr. Ermiro de Lima, na pós-graduação do Centro de Estudos do Hospital dos Servidores do Estado. O retorno ao Vale do Paraíba foi questão de tempo. Desta vez, porém, em vez de Pinda, decidiu-se pela vizinha Taubaté. Entendendo que a cidade comportava o serviço de especialidade médica em otorrinolaringologia, Dr. Nelson estabeleceu, ainda no fim da década de 50, seu consultório particular, onde também assistia à população carente encaminhada por colegas e instituições de caridade, e o atendimento nos hospitais públicos locais. Destacando-se na profissão, colaborou para a fundação do serviço da especialidade em diversas instituições da região,

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Ao lado da esposa Lisette e da neta Ana, homenageado pela Câmara Municipal de Taubaté

como Hospital Bom Jesus (Tremembé), Hospital N. Sra. de Fátima (Caçapava), Santa Casa de Misericórdia (Pindamonhangaba) e Hospital Santa Isabel de Clínicas - atual Hospital Regional de Taubaté – do qual participou ativamente da fundação. Em 1971, com a fusão da Faculdade de Medicina Taubaté com o Hospital Escola Santa Isabel, ele assumiu também a vice-diretoria da instituição, se tornando responsável pela adaptação dos ambulatórios para funções didáticas. “Entendo que minha contribuição para a especialidade foi não apenas ter conseguido formar vários serviços especializados nos hospitais da região do Vale do Paraíba, mas também ter sido um dos professores fundadores – e posteriormente ter ocupado o cargo de vice-diretor – da Faculdade de Medicina de Taubaté, a qual gerou médicos que hoje representam com distinção a profissão”, diz satisfeito.

Inspirações e inovações

Em Taubaté, assim como em Pinda, a família Yassuda também é reconhecida, e os amigos se confundem com os parentes. “O povo da cidade me recebeu com grande acolhimento.” O médico se casou, em 1961, com a advogada, procuradora do Estado de São Paulo, Maria Lisette Villela Winther Yassuda, descendente da família de imigrantes dinamarqueses Winther. Dos três filhos, as duas mulheres, Elizabeth Sizuê e Liete Yoshiê, fizeram carreira na área da saúde. Clovis Rioiti, único homem, optou pela área de Avaliações e Perícias de Engenharia, como engenheiro agrônomo. O futuro profissional da neta e xodó, a pré-adolescente Ana Yoshiê, ainda é uma incógnita. Família é um conceito fundamental na

cultura nipônica, e esta herança Dr. Nelson carrega em seus genes. Em 1988, integrou especialidades médicas e odontológicas ao fundar a Clínica Yassuda em parceria com as filhas Elizabeth e Liete, ambas formadas em Odontologia, e oferecer um serviço multidisciplinar para o tratamento de diversos problemas de saúde correlatos nas áreas de Otorrinolaringologia, Fonoaudiologia, Ortodontia e Odontopediatria. Aos 86 anos, Dr. Nelson, hoje, é membro remido da Associação Paulista de Medicina e da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial e divide com o pai, a família e o cunhado e amigo já falecido, o também médico Issao Udihara, os méritos de uma vida de escolhas acertadas. “Eles me apoiaram e me incentivaram”, recorda. Mas é na figura do professor Dr. Ermiro de Lima, que o orientou profissionalmente, que reside sua maior admiração. “Recordo de uma reunião do corpo clínico em que apresentei um trabalho muito elogiado pelos professores e colegas. O Dr. Ermiro apenas disse ‘muito bom’. Seu irmão, Dr. Pedro de Lima, também presente na reunião, comentou comigo mais tarde que o Dr. Ermiro tinha apreciado muito meu trabalho, mas que não tinha por hábito manifestar elogios, para não incentivar sentimentos de vaidade. Para ele, a humildade e a busca contínua por conhecimentos são características valiosas para a formação profissional.” O ensinamento ele carregou para a vida. Apesar de tantas honras e de uma história rica em feitos, Dr. Yassuda é discreto, calmo, caloroso, amigável e, com menor frequência, ainda continua atendendo em seu consultório. “Fiz jus ao diploma que meu pai me deu”, conclui.

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Título de Especialista

A prova do Título de Especialista agora é digital Em 2014, a prova acontecerá em apenas um dia e será realizada completamente pelo computador

M

odernidade e agilidade. Essas palavras resumem a nova prova do Título de Especialista que, a partir do próximo ano, será totalmente digital. Outra mudança é que a prova será realizada em apenas um dia. Durante a manhã, acontecerá a prova teórica, com cem questões de múltipla escolha e, à tarde, a prova dissertativa teórico-prática, com avaliação de casos clínicos das diversas áreas da especialidade. Este modelo de prova deve trazer inúmeros benefícios ao candidato e à Associação. O formato digital é resultado da constante evolução e melhoria da prova de título. O novo model irá permitir que, mesmo a prova teórica, tenha um cunho mais prático, valorizando o dia a dia do candidato e o que acreditamos de fato, ser importante para o especialista. Com relação à prova teórico-prática,

a mudança se dará, no próximo ano, principalmente pela ausência dos examinadores que sempre colaboraram gentilmente com a nossa comissão cedendo seu tempo e conhecimento. Os candidatos irão responder às questões teórico-práticas no próprio computador, e a comissão de TE irá corrigir as questões. Com isso, o processo de correção se torna mais linear e homogêneo. O fato da prova ser realizada em um único dia acarreta um visível ganho logístico tanto para a Associação quanto para boa parcela dos candidatos. Os candidatos que não residem na cidade de São Paulo economizam em transporte, hospedagem e alimentação. Além disso, será oferecido almoço gratuito para todos os candidatos no próprio local, no intervalo das provas. Foram três anos de estudo, avaliando outras provas e comparando modelos

até chegar ao formato da prova de ORL. “A prova no computador é uma ideia antiga da Comissão, mas só agora foi possível viabilizar esse sonho, por meio de medidas adaptativas e apoio da diretoria da Associação”, explica Dr. Leonardo Haddad, presidente da Comissão do Título de Especialista da ABORL-CCF. Nesses três anos, a comissão avaliou diversas provas de especialidades distintas para encontrar um modelo que mais se adaptasse à proposta imaginada pelos organizadores. O grupo encontrou na prova de Título da Radiologia um formato bem próximo ao padrão buscado. “Acredito que as mudanças serão bem recebidas, pois são o resultado de um trabalho dedicado desta Comissão visando ao benefício de todos”, conclui. O edital da Prova de Título de Especialista 2014 já está disponível no site da ABORL-CCF: www.aborl.org.br

“Acredito que as mudanças serão bem-recebidas, pois é o resultado de um trabalho dedicado desta Comissão visando ao benefício de todos” Dr. Leonardo Haddad, presidente da Comissão de Título de Especialista Revista VOX OTORRINO | 45


HumORL

Professor Paparella

T

ratava-se de uma reunião onde discutiam-se doenças do ouvido médio. Estavam lá inúmeros colegas, muitos pertencentes ao chamado andar de cima da especialidade. Mas o astro da noite era o professor Michael Paparella, um americano de Minnesota que tem trânsito livre junto aos especialistas brasileiros. Muito amigo do Sady, transitava com este, pelos vários locais da reunião. Lá pelas tantas, a mesa redonda em curso incluía, entre outros, o Luiz Carlos e os dois amigos, cada qual desenvolvendo seu tema previamente programado.

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Falava o Sady quando um boi corneta da platéia puxou, lá do fundo do baú, uma pergunta supercomplicada capaz de dar um nó no raciocínio de qualquer vivente mais ou menos intelectualizado. Sady pensou um pouco e deu-se conta de que o assunto era da competência do convidado. Mas não perdeu a oportunidade. Apontando para o professor retrucou: - Sua pergunta é tão fácil que eu até vou deixar que meu assistente responda por mim.

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Editoria Editoria

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