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ROBERTO MCALISTER
Coleção 3 Gerações
DINHEIRO
UM ASSUNTO ALTAMENTE ESPIRITUAL
Roberto McAlister, Walter McAlister e John McAlister Editora Anno Domini Av. das Américas, 3.500 / sala 216 - Barra da Tijuca Rio de Janeiro - RJ - CEP 22790-972 Tel.: 0800-701-3490 www.annod.com.br Editor Maurício Zágari Tupinambá Editor Assistente Andrew McAlister Capa, projeto gráfico e diagramação Monte Design Impressão Prol Editora Gráfica
1ª Edição McAlister, Roberto, 1931-1993. Dinheiro, um assunto altamente espiritual / A obra do pregador contextualizada para os dias de hoje pelo filho, Bispo Walter McAlister, e o neto, Pastor John McAlister. -- Rio de janeiro, RJ : Anno Domini, 2010. -- (Coleção 3 Gerações)
ISBN 978-85-63428-00-4 1. Dinheiro - Ensino bíblico 2. Finanças - Ensino bíblico 3. McAlister, Roberto, 1931-1993 4. Vida cristã I. McAlister, Walter. II. McAlister, John. III. Título. IV. Série. 10-02675
CDD-248.4
Direitos desta edição estão reservados. Vedada, nos termos da lei, a reprodução total ou parcial deste livro.
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UM ASSUNTO ALTAMENTE ESPIRITUAL A obra do pregador contextualizada para os dias de hoje pelo filho, Bispo Walter McAlister, e o neto, Pastor John McAlister
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ROBERTO MCALISTER
A PR ESEN TAÇÃO DA
COLEÇÃO 3 GERAÇÕES Muitos integrantes das novas gerações não tiveram o privilégio de conhecer o fundador da Igreja Cristã Nova Vida, Bispo Roberto McAlister. Ele foi um indivíduo extraordinário. Foi também um homem difícil de ignorar, tanto por seus liderados quanto por seus críticos. Um pensador, líder, estadista, provocador e, acima de tudo, um pregador: vivia sua vida por trás de um púlpito. Poucas foram as semanas nas quais ele deixava de pregar. Naquelas ocasiões, eu o via murchar por não fazer aquilo que mais motivava sua mente e seu coração; ficava quieto e recluso - condição que logo se revertia ao subir novamente ao púlpito. Os que tiveram o privilégio de ouvi-lo lembram-se das horas elétricas proporcionadas pela sua oratória, que, embora composta por frases simples e acessíveis a todos, nunca deixou de fascinar até os mais eruditos.
Além de tudo isso, eu conheci o Bispo Roberto McAlister como filho. Essa condição me permitiu enxergá-lo com olhos diferentes de todas as demais pessoas e compartilhar de sua intimidade, seu pensamento e seu olhar crítico como ninguém mais. Desde a sua morte, confesso ter guardado os seus livros e deixado de ouvir suas mensagens gravadas. Talvez pela cobrança de outros - e até de mim mesmo - de ser uma nova versão dele, procurei me isolar e achar a minha voz e identidade. Nunca deixei de ser o seu filho. Nunca deixei de honrar a sua memória. Mas por algum tempo preferi distanciar-me um pouco de sua voz – voz que cresci ouvindo desde os primeiros dias da Cruzada de Nova Vida, nos anos 1960.
Mas esse período sabático acabou. Quão grande está sendo o meu deleite e a minha surpresa ao reler seus livros. Para mim, um resgate e um reencontro com aquele que conheci tanto no púlpito quanto na intimidade da nossa família. Lembro-me especialmente das segundas-feiras. Pois, após entregar a sua mensagem aos domingos, ele logo se dedicava a sentar e escrever à sua máquina Selectric, não se limitando a transcrever a mensagem gravada, mas traduzindo para as páginas o que tinha pregado no dia anterior direto do esboço que usou no púlpito. A “simplicidade” da sua oratória fez com que todos fossem alcançados pela mensagem. Mas, ao ler os livros desta série, o leitor perspicaz verá que se trata de um homem que pode ser descrito de muitas maneiras, menos como “simples”. Foi uma pessoa complexa, densa nas suas frases e nos seus conceitos e de uma habilidade ímpar para traduzir, em poucas palavras e com clareza, verdades profundas. A Igreja evangélica no Brasil certamente é diferente hoje daquela que meu pai conheceu, com características próprias e aspectos muito peculiares. Por isso, a leitura das obras escritas pelo Bispo Roberto McAlister quase meio século atrás convida a uma reflexão atual acerca de suas palavras, numa saudável contextualização. Pois não é somente para a minha geração que a Anno Domini lança esta série, mas para a seguinte, a dos nossos filhos. Por isso, cada livro desta coleção abre espaço para que a próxima geração possa dialogar com o que meu pai deixou por escrito. Nada mais natural, então, do que convidar o neto, o Pastor John McAlister, para representar sua geração.
Creio que por muitas décadas, se Jesus demorar a voltar, ainda haverá muitos que certamente levarão preciosas verdades destas páginas para sua vida pessoal e, no caso de líderes cristãos, para sua vida ministerial. Por isso, com uma clara noção missional, a Anno Domini lança a Coleção 3 Gerações. Para os filhos e filhos dos filhos, que ainda têm muito o que aprender com o líder, pregador, pai e avô Bispo Roberto McAlister. Walter McAlister Bispo Primaz da Aliança das Igrejas Cristãs Nova Vida
NOTA DO EDITOR DA
COLEÇÃO 3 GERAÇÕES
A editora Anno Domini adota em todos os seus livros a nova gramática da língua portuguesa, que não estava em vigor quando Dinheiro, um assunto altamente espiritual foi lançado. Por isso os termos foram atualizados, sem qualquer perda para o texto original. Também promovemos correções em erros gramaticais presentes na primeira edição, acertos em referências bíblicas que estavam inexatas e pequenos ajustes no texto, esses a fim de tornar a leitura mais agradável e fluida ao leitor dos dias de hoje. Por tudo isso, o leitor não deve estranhar se encontrar pequenas diferenças entre os livros da Coleção 3 Gerações e as edições anteriores dos livros do Bispo Roberto McAlister. É importante ressaltar que o conteúdo da obra em nada foi afetado. Fazemos isso na certeza de entregar ao leitor uma obra com a qualidade que merece, respeitando o trabalho e a memória do autor. Boa leitura! O editor
Para meu casal de filhos, Walter Robert Jr. e Heather Ann. Que possam receber de mim e de minha esposa, Glória, o que recebemos de nossos pais, Walter e Ruth, Alfred e Hanna: o exemplo de fé e obediência.
Estou convencido de que a atitude de uma pessoa com respeito ao dinheiro determina a qualidade de sua vida espiritual. Isso porque é impossível divorciá-la de outras virtudes, tais como obediência, generosidade e abundância. Assim, raras são as coisas neste mundo que têm poder igual ao do dinheiro para abençoar ou amaldiçoar uma vida. Roberto McAlister
SUMÁRIO 19
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A GERAÇÃO DO FILHO BP. WALTER MCALISTER
DOIS PONTOS DE VISTA 1. Uma filosofia evangélica 2. O supercrente
A TEORIA I. O ASSUNTO
IV. OS PERIGOS
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1. Cobiça 2. Fascinação 3. A parte de César
A PRÁTICA V. COMO CONTRIBUIR
99 102
1. Alegria 2. Corações presos
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1. Teologia financeira
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2. As coisas santas
44 49
3. As primícias
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1. Loucura
4. Zaqueu, o publicano
108
2. Ricos para com Deus
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5. Restituição
VI. COMO ACUMULAR
VII. COMO TER GARANTIAS II. A MALDIÇÃO
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1. Negociar com Deus
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2. O deus chamado dinheiro
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3. Um espírito comercial
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4. Amor proibido
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5. Um voto III. A BÊNÇÃO
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1. O devorador repreendido
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2. Generosidade recebida
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3. Prosperidade
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4. O que é abundância
82
5. A herança
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1. Instabilidade
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2. Necessidades VIII. COMO PEDIR
127 A GERAÇÃO DO NETO PR. JOHN MCALISTER
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A GER AÇÃO DO FILHO
BISPO WALTER McALISTER
A vida espiritual bíblica é necessariamente vigorosa, plena, passional, racional e, acima de tudo, equilibrada. Equilíbrio é um dos elementos mais ausentes na discussão de certos aspectos da vida cristã hoje em dia. Entre os conceitos de “vitória”, “poder” ou finanças, há uma carência por vozes que chamem o povo de Deus para o equilíbrio. Sem tender para o exagero ou, por outro lado, para o silêncio, é raro encontrar uma voz que explique bem o meio-termo – o famoso “fiel da balança”. Esse meio-termo não é uma concessão ou um acordo entre as partes, entre os “frios” e os “quentes”. É fruto da leitura fiel das Escrituras Sagradas, pois os exageros e os radicalismos são precisamente resultado da falta da boa cultura bíblica, lacuna que é suprida por tendências carnais – por um lado, o medo e, por outro, o entusiasmo sem fundamento. Faz-se necessário aqui chamar a atenção do leitor para o fato de existir um grande equívoco da parte de muitas pessoas que apontam meu pai, o Bispo Roberto McAlister, como o fundador de certas “doutrinas” de setores da Igreja atual que ele mesmo mostrou serem fruto de um desequilíbrio. Uma dessas vertentes é a tão conhecida Teologia da Prosperidade. Como ele falou ousadamente sobre finanças, os que nunca examinaram suas palavras de perto concluíram, na sua ignorância, que ele apadrinhou ou foi o instigador desse movimento. O equívoco, embora compreensível, é lamentável e, novamente sem que
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tenha sido sua intenção, o Bispo Roberto deixa abundantemente claro o contraste entre o que ele acreditava, praticava e ensinava e o que foi alardeado por tantos, usando suas “palavras” como trampolim para mensagens e práticas antibíblicas (ver pág. 78). É irônico constatar que o livro começa tratando da timidez de líderes cristãos em falar do assunto “dinheiro” no contexto da Igreja. Na época do lançamento de Dinheiro, um assunto altamente espiritual (já se passaram três décadas desde a primeira edição), não havia a tão falada Teologia da Prosperidade. Havia, sim, um constrangimento até em falar de dinheiro do púlpito. O assunto era “sujo” e impróprio para o lugar de culto a Deus. Finanças eram tratadas por comitês e membros leigos que auxiliavam o pastor com as questões mais cotidianas da igreja. Com muita clareza, meu pai mostra neste livro o equívoco de tal postura. Mas há uma nova timidez que não parte do mesmo princípio e, sim, do profundo constrangimento que muitos têm em falar de dinheiro, devido aos muitos absurdos cometidos por pastores que, ao contrário de serem tímidos, são abusados. Pedem o que não precisam, intimidam os membros e prometem resultados sem fundamento bíblico sólido. E quantos ex-membros dessas
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igrejas já não entraram pelas nossas portas falidos, desencantados e descrentes de pastores por verem que a sua boa-fé foi explorada e traída? O Bispo Roberto deixa claro que o dinheiro não é a raiz de todos os males. Não é um assunto “sujo”. Na verdade, o AMOR ao dinheiro é que é o problema, como disse Paulo na sua primeira carta a Timóteo: “... pois o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram com muitos sofrimentos” (1 Tm 6.10 – NVI). Esse mal, aliás, não é restrito ao campo dos teólogos da prosperidade. É um mal que pode assolar todos, inclusive os que nem falam do assunto em sua igreja. Com clareza, meu pai mostra que dinheiro é um assunto que afeta tão profundamente a nossa existência que é impossível separá-lo da espiritualidade. A relação não é a que muitos imaginam. Por isso, a clareza do livro é de enorme e vital importância para quem deseja viver a fé com todo o seu ser. Por um lado, é um assunto que não pode ser deixado de lado em nossas considerações como cristãos. Mas, ao incluí-lo, não podemos ir para o outro extremo, associando dinheiro à espiritualidade como se fosse a prova de proximidade da vontade de Deus. Mais uma vez, o Bispo Roberto nos mostra o fiel da balança.
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Meu pai sempre tratou dinheiro com o devido respeito. Assim como quem vai ao mar para um dia de lazer precisa entender que o mesmo mar que proporciona exercício e relaxamento pode muito bem afogar o descuidado, quem não entende o poder do dinheiro pode se afogar também no próprio fascínio. Por isso, meu pai começa o livro falando de coisas santas. Temos de entender o tremendo benefício que há em consagrar a nossa vida financeira a Deus. Isso passa por reconhecer que tudo pertence ao Senhor, absolutamente tudo. A disciplina do dízimo é o fator moralizador das nossas finanças e traz consigo a promessa de Deus. Muito criticada em nossos dias e até desprezada por pessoas que se dizem cristãs, essa lei espiritual é claramente explicada como uma fonte de equilíbrio e bênção, não no sentido de lucro, mas no de qualidade de vida. Assim como o mar, o dinheiro apresenta perigos reais. Eles são explicados na seção A Maldição. Nessa, como numa estrada que contém pontos de perigo e exige uma condução mais cuidadosa do veículo, aprendemos o que evitar na nossa vida financeira. Quando passa a falar da bênção, o Bispo Roberto enfatiza o fator generosidade. Como filho, posso dizer que, ao me lembrar dele, essa é uma das virtudes de meu pai que mais se destacam. Este livro é mais do que um manual ou um manifesto. É uma base de vida que serviu ao autor de modo consistente e prático
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em todos os dias da sua vida. Meu pai foi um dos homens mais generosos que já conheci e posso afirmar, com toda certeza, que colho os benefícios dessa generosidade até hoje. Sou um homem abençoado, pois tenho recebido um legado de fé, generosidade e prosperidade que nunca me deixou. O livro termina com uma série de conselhos muito práticos. Creio que uma das questões que poderão até surpreender é a explicação da diferença entre riqueza e prosperidade. Para a grande maioria, as duas são sinônimas, mas, em relação à nossa saúde espiritual e financeira, saber a diferença entre elas é uma questão de vida ou morte. Isso me traz a uma última consideração: na verdade, este livro como um todo traz à tona uma questão de vida ou morte. Não seria exagero sugerir que em nossos tempos há inúmeras pessoas perdendo sua vida com Deus devido ao assunto dinheiro. Por isso, este não é um livro que trate de um assunto secundário da fé. Ao contrário, o livro ataca de frente algo que afeta a nossa saúde espiritual, emocional e mental diretamente. Não é um texto somente para ministros, mas para cristãos de todos os níveis. Creio firmemente que seja um dos livros mais importantes que meu pai escreveu. Sem menosprezar tantos outros que são de inestimável valor, Dinheiro, um assunto altamente espiritual deveria ser leitura obrigatória para todos: seminaristas, catecúmenos, novos convertidos, pais, mães, discípulos, enfim, todos.
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Nossa vida está mergulhada numa sociedade de consumo, de propaganda, de ansiedade e de preocupações com dinheiro. O cristão que não tem uma noção bastante clara de “teologia financeira” não está equipado para viver uma vida com Deus no mundo de hoje. A você que comprou este livro, parabéns. Leia e releia. Leia até que estes princípios façam parte da alma da sua vida financeira e, consequentemente, espiritual. Walter McAlister Bispo Primaz da Aliança das Igrejas Cristãs Nova Vida
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DOIS PONTOS DE VISTA
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1. U M A F I L O S OF I A E VA NGÉ L IC A
“Agora, irmãos, infelizmente temos que receber a oferta. Como seria bom se eu nunca fosse obrigado a falar sobre dinheiro diante desta mesa sagrada! Mas todos sabemos que ele é um mal necessário”.
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ssim se dirigiu certo pastor a sua congregação. Para ele, como para um grande número de líderes cristãos, falar de dinheiro durante um culto ao Senhor representa enorme embaraço, visto que esse assunto não merece, a seus olhos, especial consideração por não o julgar suficientemente espiritual.
Tal atitude estranha, infelizmente muito comum, começa nos seminários, onde uma teologia pastoral alienada ignora por completo o lado financeiro da obra de Deus, encarando-o como coisa indigna do Evangelho, não devendo, portanto, ser mencionado do púlpito. Foi em razão disso que, durante os meus estudos teológicos, em ocasião alguma os professores fizeram a menor referência a esse tema. Creio ser em razão dessa lacuna em seu preparo pastoral que muitos ministros do Evangelho costumam pedir desculpas à congregação pela necessidade de “misturarem o secular ao sagrado”. Em muitas comunidades, as despesas da igreja são pagas por meio de solicitações diretas aos membros, em campanhas anuais realizadas pelos diáconos, o que permite ao pastor
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“não sujar as mãos” com algo que “nada tem a ver com a parte espiritual de seu ministério”. Como decorrência dessa filosofia, a expansão da Igreja vive num estado de frustração crônica, devido à carência de recursos financeiros. A construção de novas instalações, a extensão da obra missionária, a ênfase evangelística, o trabalho social da Igreja etc. são seriamente atingidos, tornando o trabalho raquítico e limitado, pois ninguém ousa enfrentar a tarefa de levantar o dinheiro necessário a tal progresso. TA L PA S T OR , TA L M E M BRO
A timidez por parte da liderança da igreja no que concerne a dinheiro reflete-se diretamente na filosofia de seus membros. Muitos pensam, incorretamente, aliás, que a Bíblia ensina ser o dinheiro “a raiz de todos os males”. Sendo assim, quanto menos mencionado, melhor. Por conseguinte, o momento da oferta é sempre desagradável e embaraçoso, tanto para o pastor quanto para os membros. O efeito desastroso dessa filosofia entre muitos cristãos é que a grande maioria do povo de Deus priva de todo e qualquer envolvimento com Ele um importante aspecto de sua vida. Na verdade, o bolso é a última coisa que uma pessoa rende ao Senhor! Ela oferece a Deus sua alma, seu espírito e até seu corpo, mas põe o bolso bem afastado de suas finanças. As consequências dessa atitude são trágicas. Desestimulado a exercitar a fé no tocante ao dinheiro, o cristão fica preso a seus próprios recursos. Como qualquer ser humano, ele luta para ganhar o pão de cada dia e cumprir suas responsabilidades para
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com a família, consumindo a maior parte de seu tempo com a preocupação de acumular o suficiente para garantir a sobrevivência; e mais um pouco para torná-la suportável e feliz. No tocante às finanças, Deus é deixado de fora. Assim, como o vizinho descrente, a tranquilidade econômica é produto de sua educação, sua inteligência e muita sorte. Em meio à selva comercial onde impera a lei do mais esperto, o filho de Deus passa a competir em iguais condições com os incrédulos, uma vez que eliminou o Senhor dessa parte vital de sua existência. Só que as condições são agora bastante desiguais. Sendo-lhe proibido adotar a desonestidade como uma das armas na luta do cotidiano, ele se sente desarmado ante a corrupção ao redor. Como me declarou recentemente um profissional liberal: “Bispo, eu jamais poderia ter me tornado crente caso tivesse continuado a ganhar a vida em meu antigo trabalho, porque nele eu era obrigado a mentir constantemente”. Como pode o cristão autêntico competir em situação semelhante? A resposta, infelizmente, é que muitos adotam esta filosofia: “Quando em Roma, faça como os romanos”. É por isso que muitos membros de igreja durante os dias da semana deixam de lado a sua religião, tornando-se simples “cristãos domingueiros”, pois creem que sendo crentes todos os dias não conseguirão sobreviver. Dançam, portanto, conforme a música. Se o hábito é mentir, mentem, pois não há como escapar ao pecado das maiorias. Outra solução para o drama financeiro de todo dia seria envolver Deus nos negócios. Para isso, entretanto, ter-se-ia que mexer em muitos preconceitos, coisa quase impossível para muitas pessoas.
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Mas como este livro pretende provar, tais barreiras podem ser rompidas, a ponto de se produzir uma vida inteiramente nova. Estou convencido de que a atitude de uma pessoa com respeito ao dinheiro determina a qualidade de sua vida espiritual. Isso porque é impossível divorciá-la de outras virtudes, tais como obediência, generosidade e abundância. Assim, raras são as coisas neste mundo que têm poder igual ao do dinheiro para abençoar ou amaldiçoar uma vida.
2 . O SU PE RC R E N T E
As atitudes do povo de Deus com respeito ao dinheiro são as mais variadas. Se por um lado é quase proibido considerar dinheiro um assunto espiritual, por outro ele é encarado como bênção suprema, evidência de uma grande espiritualidade. Raras são as pessoas capazes de entender com clareza o que a Bíblia diz sobre dinheiro, adotando a esse respeito uma filosofia equilibrada. Não menos radical que o pastor que pede desculpas ao povo pela “infeliz” necessidade de levantar uma oferta é aquele para quem a prosperidade é prova de espiritualidade e das bênçãos de Deus. Esse é o supercrente: sempre vitorioso, sempre alegre e sempre próspero. Usando versículos avulsos, além de uma interpretação particular, certos “negociadores de bênçãos” garantem que Deus quer para
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todos os seus filhos uma abundância absoluta. Tal filosofia é traduzida como “uma vida livre de toda e qualquer necessidade e com fartura de dinheiro”. Resultado de doutrina triunfalista, ela promete resposta a todas as orações, como se Deus fosse um empregado sempre à disposição para garantir não só a cura imediata de todas as nossas doenças – como se isso significasse sempre o bem maior –, mas também a solução de todos os nossos problemas financeiros, dando a entender que, por tal abundância, ficaria evidenciada a nossa fé. A FA L H A
O grande problema com relação a essa filosofia é que, além de ser não bíblica, ela não funciona. Deus nem sempre responde “na hora” e conforme desejamos. Muitas vezes, o sofrimento persiste, pois o Senhor está tentando moldar o nosso caráter. Abundância financeira nem sempre acontece imediatamente como consequência de oferta ou dízimo ao Senhor. Qual é a razão disso? Será falha do Evangelho? Resultado de fé insuficiente? Terá a pessoa desiludida sido mal informada sobre as leis que governam a sua vida espiritual, física e financeira? Essa filosofia do supercrente, muito popular entre alguns evangélicos, que garante bênçãos sem que se importe com a responsabilidade e a obediência, é um lamentável engano que precisa ser evitado a todo custo.
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E QU I L Í BR IO
As duas filosofias citadas são falsas e se baseiam em interpretações errôneas de textos bíblicos. Elas revelam uma imperdoável ignorância com respeito a um dos mais importantes aspectos da vida, aspecto esse que carece de um entendimento espiritual profundo, já que representa uma parte considerável de nossa preocupação cotidiana: viver longe de pressões e fora dos conflitos financeiros. O que está faltando a muitas pessoas é equilíbrio. Neste livro, pretendo chamar-lhes a atenção para uma filosofia profundamente bíblica. Tentarei fazê-lo de maneira clara e simples. Você verá que, na realidade, o dinheiro não é a “raiz de todos os males” – conforme interpretação corrente –, mas concluirá que ele produz o mal tão somente quando há quebra e desrespeito às leis bíblicas que governam sua circulação. Dinheiro pode significar uma grande bênção ou uma terrível maldição. Isso é o que pretendo demonstrar por meio da Palavra de Deus. n