diário do SUL
quinta-feira, 19 de março de 2020
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Uma alternativa para estes dias em casa
Jogos de tabuleiro atraem miúdos e graúdos por Marina Pardal
FOTOS: Cedidas por B de Brincar
J
á não é nova a tendência de ocupar os tempos livres com jogos de tabuleiros. Miúdos e graúdos vão ganhando gosto pela prática e muitos até participam em encontros que vão acontecendo em vários locais. Aqui pelo Alentejo, são já muitas as iniciativas que promovem os jogos de tabuleiro. De salientar que não têm de ser excluídos os jogos digitais, pois há espaço para as duas vertentes, principalmente agora nesta época que atravessamos. Por entre as várias sugestões que vamos encontrando para ocupar a mente (e o tempo) por estes dias, os jogos de tabuleiro estão nessa lista. A B de Brincar é uma loja, com sede em Évora, que tem vindo a dinamizar encontros de jogos de tabuleiro. Estivemos à conversa com Carlos Ramos, responsável pelo Departamento de Jogos de Tabuleiro da B de Brincar, que falou precisamente do crescimento que tem havido nesta área. “Há uma tendência crescente para a (re)descoberta dos jogos de tabuleiro como forma de ocupar tempos livres de forma saudável”, reiterou. O mesmo responsável assegurou que “multiplica-se não só o número de pessoas que os adquire e os joga, mas também os eventos em que os jogos são utilizados de forma coletiva”. Carlos Ramos considerou que “uma experiência de um jogo de tabuleiro entre amigos ou em família tem o poder de relembrar o prazer do convívio e do contacto humano presencial”. Na sua perspetiva, “tem havido uma mudança na perceção da generalidade das pessoas sobre os jogos existentes”, explicando que “há cada vez menos a ideia de que a expressão ‘jogo de tabuleiro’ se refere apenas aos jogos clássicos (como o xadrez
ou as damas) ou aos jogos tradicionalmente consumidos em massa (como o Monopólio ou o Jogo da Glória)”. O mesmo responsável recordou que, “nos dias de hoje, há milhares de títulos novos a serem lançados anualmente em todo o mundo”, focando que “há jogos para todos os gostos, perfis de jogador e momentos”. Disse ainda que “uma outra alteração que está também a ocorrer tem exatamente a ver com a questão da idade”, apontando que “começa a diminuir a ideia bastante enraizada de que os jogos são só para as crianças”. Reforçou que “há cada vez mais adultos a utilizarem-nos nos seus momentos de ócio entre amigos e/ou em família”. Para Carlos Ramos, “há espaço para os jogos de tabuleiro e para os jogos de computador/telemóveis”, lembrando que “uma coisa não tem de excluir a outra”. Destacou que “nem os jogos de tabuleiro são perfeitos para todas as ocasiões, nem os digitais são necessariamente prejudiciais só por si”, frisando que “a questão passa pelo equilíbrio na sua utilização e pela adequação às circunstâncias e aos objetivos”. Momentos lúdicos e de aprendizagem O mesmo responsável admitiu ainda que “quer uns, quer outros podem ser utilizados em outros contextos diferentes do lazer, como
em situações de aprendizagem, por exemplo”, constatando que “também já há vários jogos de tabuleiro que incluem a utilização de ferramentas digitais”. Quanto às vantagens de um jogo de tabuleiro, exemplificou que “um jogo de tabuleiro é uma excelente ferramenta para o desenvolvimento pessoal nas suas dimensões cognitiva, emocional, social, cultural e motora”. Além disso, Carlos Ramos especificou que “permite desenvolver competências durante o ato lúdico, como a gestão de tempo, trabalho em equipa, pensamento estratégico, gestão de recursos, planeamento, análise crítica, concentração, negociação, dedução, tomada de decisões, resolução de conflitos, lógica, entre muitas outras”. Realçou ainda que “a temática fortemente associada a alguns jogos pode ser aproveitada como instrumento indutor de conhecimento histórico, literário ou geográfico”. A par disso, e na sua opinião, “a grande vantagem é a interação presencial entre os jogadores que os jogos digitais tendem a diminuir”. No contexto da B de Brincar, Carlos Ramos afiançou que “a procura tem aumentado bastante, não só dos jogos, como também dos serviços de organização de eventos em que os utilizamos como ferramenta e que também fazem parte da nossa oferta comercial”. Confirmou que “acho que há uma tentativa, consciente ou não, das pessoas (em particular no contexto familiar) em tentar equi-
librar mais a utilização excessiva e impessoal da componente digital nas suas vidas”. Relativamente aos encontros de jogos de tabuleiro, o mesmo responsável esclareceu que “temos eventos direcionados para a população em geral, gratuitos e que se inserem naquilo que consideramos ser a nossa função social”. A Sociedade Harmonia Eborense ou a Biblioteca Pública de Évora são alguns dos espaços que acolhem esses encontros regulares, mas também vão acontecendo eventos em outros locais. A agenda pode ser consultada na página de Facebook da B de Brincar, sendo de ressalvar que agora estão sus-
pensos pela situação que vivemos devido ao surto do novo coronavírus, o Covid-19. E é precisamente neste contexto que é tão importante diversificar as atividades que desenvolvemos ao longo do dia, quando a palavra de ordem é para permanecer em casa. De acordo com Carlos Ramos, “afirma-se, muitas vezes, que os jogos analógicos não despertam o interesse das crianças, mas não é bem assim”. Segundo o mesmo responsável, “isso só acontece porque raramente é dada à criança a oportunidade de os utilizar em família”. Relembrou que “um jogo de
tabuleiro é excelente para o desenvolvimento global da criança, mas em casa é particularmente pela dimensão social que as crianças o procuram, acabando por ser o adulto, muitas vezes, que as orienta para outra atividade, seja porque ele próprio não se identifica com o jogo, seja porque considera prioritárias outras tarefas”. Assim sendo, Carlos Ramos assumiu que, “neste período atípico, o jogo de tabuleiro assume, na nossa opinião, um importante papel não só na sua vertente lúdica, de convívio e de ocupação de tempo, mas também enquanto ferramenta de aprendizagem”. Pub.