Coordenação Câmara Municipal de Coimbra/Divisão de Juventude Universidade de Coimbra I CEIS20 Coimbra, 2013 7, 8 e 9 de novembro
Fenómeno artístico moderno, de inegável valor para a promoção das culturas humanas e para o fomento da interculturalidade, o Cinema, na sua diversidade infinita, resulta das imagens e dos sons que nos permitem aceder a todos os lugares e a todas as emoções. Num contexto em que a nossa cidade acaba de adquirir novas e desafiadoras distinções e, com elas, responsabilidades, o IIº Ciclo de Cinema “Coimbra In Motions” pretende ser um polo dinâmico, difusor das identidades e dos patrimónios de Coimbra e de reforço dos vínculos de cidadania, especialmente entre as juventudes. Dotado de uma programação diversificada, é uma iniciativa voltada para as emoções, para a esperança, para o futuro e a inovação. Uma oportunidade para o intercâmbio e convívio de culturas, para a criação de práticas solidárias e fraternas entre gerações e um apelo à afirmação de Coimbra como cidade irreverente e cosmopolita. Assim, saúdo cordialmente todos os intervenientes e agradeço a sua adesão ao IIº Ciclo de Cinema “Coimbra In Motions”. Manuel Machado
Presidente da Câmara Municipal de Coimbra
CINE-CIDADE António Pedro Pita
Coordenador científico do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX/CEIS20 da Universidade de Coimbra
A 2ª edição de Coimbra in Motions reveste-se de um particular significado, que julgo ser oportuno sublinhar. Pela sua própria realização, mostra que o propósito anterior não constitui um fugaz lampejo nem resultou de um ocasional somatório de boas vontades. É verdade que sem a enorme disponibilidade de algumas pessoas, não seria possível. Mas o pequeno grupo que se tornou executivo desta iniciativa trabalhou segundo uma ideia clara, cientificamente fundamentada, esteticamente mobilizadora. Criaram-se, pois, condições para que este Coimbra in Motions 2 aprofundasse, por um lado, a ideia forte da relação entre o cinema e a cidade e, por outro, a parceria de colaboração entre a Câmara Municipal de Coimbra / Divisão de Juventude e o Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX / CEIS20, da Universidade de Coimbra. É uma parceria que me apraz registar: soube encontrar o seu ritmo certo, uma adequada repartição de responsabilidades e de competências, o justo ponto de encontro entre a dimensão científica de um projeto social gerado em contexto autárquico – e a cujos responsáveis é devida uma palavra de admiração pela ousadia do propósito – e a responsabilidade social implicada na resposta afirmativa imediata de uma instituição científica. Compreenderão que faça uma afirmação pública de apreço pela dedicação com que, desde o início, o Doutor Jorge Seabra representou o CEIS20 neste programa. Talvez não seja exagero dizer que o cinema e a cidade se inventaram mutuamente, pelo menos no plano imaginário. Ora, é este ponto de partida, ou esta hipótese, ou este desejo, ou esta utopia que Coimbra in motions colocou como seu elemento gerador: explorar a relação de mútuo enriquecimento que o cinema e a cidade projetam um sobre a outra e aprofundar simultaneamente o vínculo do cinema com o real e a (in)visibilidade imaginária das cidades. É um aliciante programa com enormes potencialidades. Saibamos nós estar em sintonia com esses futuros possíveis.
COIMBRA: (DES)CONGELADA IMAGEM Manuel Castelo Branco
ISCAC | Coimbra Business School
Uma cidade bela pode ser uma cidade morta. Veneza ou Florença, belíssimas de cortar a respiração, são de um encanto congelado, preso à eterna repetição e reprodução de uma imagem iconográfica construída para os viajantes de passagem. Mas irrespiráveis para quem as habita. Coimbra não é bela como Veneza. Não é bela como Florença. Mas é, ainda, uma cidade viva. Vive, renova-se, recomeça na vida dos que não estão de passagem, dos que ficam, ainda que pelos breves anos de estudo, dos que com ela se inquietam, se zangam, se separam. Uma cidade viva é a que existe para lá das imagens icónicas de supostas idades de ouro. Local de carne e osso, mais que de pedra, vidro e betão. Local de concretas vidas vividas, em espaços de existência, de trabalho, de partilha do pão, do vinho, do riso, da dor, das palavras. Cidade que pulsa e respira para lá das congeladas imagens.
PROGRAMA DO CICLO DE CINEMA “COIMBRA IN MOTIONS” 7 DE NOVEMBRO 14h45 – 17h30
14h45 Momento musical (Associação Cultural Sítio de Sons) 15h00 Abertura do Ciclo de Cinema Coimbra in Motions
KineCoimbra: O Cinema e a Cidade 1. Manuel Santos. Um cineasta figueirense. Guida Cândido (Câmara Municipal da Figueira da Foz)
2. Alves Martins. Um percurso cinematográfico. Arquiteto Alves Martins
3. Mostra de filmes: Manuel Santos | Alves Martins Debate I Moderação: Jorge Seabra (Universidade de Coimbra I CEIS20)
Pausa 16h00 Momento musical (Associação Cultural Sítio de Sons)
21h00 Exibição do filme:
Aquele Querido Mês de Agosto Miguel Gomes (2008 | 147’)
Sinopse: No coração de Portugal, serrano, o mês de agosto multiplica os populares e as atividades. Regressam à terra, lançam foguetes, controlam fogos, cantam karaoke, atiram-se da ponte, caçam javalis, bebem cerveja, fazem filhos. Se o realizador e a equipa do filme tivessem ido diretamente ao assunto, resistindo aos bailaricos, reduzir-se-ia a sinopse: “Aquele Querido Mês de Agosto acompanha as relações sentimentais entre pai, filha e o primo desta, músicos numa banda de baile”. Amor e música, portanto. Elenco: Sónia Bandeira, Fábio Oliveira, Joaquim Carvalho, Andreia Santos, Armando Nunes, Manuel Soares, Emmanuelle Fèvre, Diogo Encarnação, Bruno Lourenço, Maria Albarran, Nuno Mata, Paulo “Moleiro”, Acácio Garcia e Luís Marante Comentário: João Luís Fernandes (Universidade de Coimbra) Debate I Moderação: Manuel Malaguerra (CEIS20)
8 DE NOVEMBRO 14h45 – 17h30
14h45 Momento musical (Associação Cultural Sítio de Sons)
4. Cineclubismo e Cinefilia no Estado Novo
15h00 Exibição do filme:
5. Cineclubismo e Cinefilia na Atualidade
António Ferreira (2012 | 30’)
Abílio Hernandez Cardoso (Universidade de Coimbra) Gonçalo Barros (Fila K Cineclube)
Debate I Moderação: Jorge Seabra (Universidade de Coimbra I CEIS20)
20h45 Momento musical (Associação Cultural Sítio de Sons)
Posfácio nas Confeções Canhão Sinopse: Posfácio trabalha na fábrica de confeções da Madame Canhão e namora com a sua filha Claudete. Tudo parece correr lindamente para o Posfácio, não fossem os planos de terrorismo dos seus colegas da fábrica Marques e Mendes. Elenco: Pedro Diogo, Custódia Gallego, Cleia Almeida, Carlos Mendes, José Geraldo e Pedro Correia
15h45 Momento musical (Associação Cultural Sítio de Sons) 16h00 Exibição do filme:
Dios por el Cuello José Trigueiros (2013 |16’) Sinopse: É domingo, e Pablo, menino de oito anos, tem um convite especial para uma festa de aniversário proibida. Sai de pregação de casa em casa com a mãe. É domingo, e por detrás de cada porta há um desafio, uma prova, uma surpresa. É domingo. Elenco: Marc Betriu, Amàlia Sancho e Toni Cayuela Comentários: Sérgio Dias Branco (Universidade de Coimbra | CEIS20) e José Trigueiros (Realizador) Debate I Moderação: Catarina Maia (Universidade de Coimbra | CEIS20)
20h45 Momento musical (Associação Cultural Sítio de Sons) 21h00 Exibição do filme:
Terra Sonâmbula
Teresa Prata (2007 | 97’)
Sinopse: Duas histórias separadas pela guerra e unidas por um diário. Entre a Guerra Civil e as histórias de um diário perdido, Muidinga e Tuahir são os heróis deste filme. Muidinga lê no diário, encontrado ao lado de um cadáver, a história de uma mulher que encerrada num navio procura o filho. Muidinga convence-se que é o menino procurado no diário. Vai então ao encontro da mulher, com Tuahir, um velho seco e cheio de histórias que o trata como filho. A viagem é dura: eles movem-se entre refugiados em estado de delírio. Para não enlouquecerem, têm-se um ao outro. A estrada por onde caminham, como sonâmbulos, é mágica: entende os seus desejos e move-os de um lugar a outro, não os deixando morrer enquanto eles não alcançarem o tão sonhado mar. Os dias são de fuga, dos guerrilheiros e da fome, as noites são de busca de uma história de aventuras. Elenco: Nick Lauro Teresa, Aladino Jasse, Tânia Adelino, Cândido Andrade, Valdemar António, Aron Silva Bila, Ana Magaia e Laura Soveral Comentários: João Maria André (Universidade de Coimbra | CEIS20) e Teresa Prata (Realizadora) Debate I Moderação: Jorge Seabra (Universidade de Coimbra I CEIS20)
9 DE NOVEMBRO 15h00
Novas Vistas Lumière
Apresentação do Concurso Mostra de trabalhos a Concurso Votação do Público Momento musical (Conservatório de Música de Coimbra) 21h00 Sessão de encerramento Entrega dos Prémios Entrega de Diplomas Visionamento das obras premiadas
Comentário final: António Pedro Pita (Universidade de Coimbra | Coordenador Científico do CEIS20)
KINECOIMBRA
Cinema, memória, investigação, cidadania Jorge Seabra
Universidade de Coimbra I CEIS20
A intenção desta nova secção do Coimbra in Motions é abrir um novo eixo neste projeto, com propósitos eventualmente demasiado ambiciosos, tendo em conta o facto de não dominarmos ainda completamente os meios necessários à sua implementação. Continuando a ter por lastro a relação entre o cinema e a cidade, a ideia que alimenta KineCoimbra é a de desenvolver dois caminhos paralelos, um que passa pela recuperação da memória fílmica sobre a cidade, outro pretendendo ter essa lembrança como objeto de pesquisa. O primeiro percurso passa por trazer as memórias das pessoas, as instituições em que se envolveram e os filmes que fizeram ou que as marcaram; no segundo caso, procurando desenvolver um conjunto de estudos sobre temas tão diversos mas afins em termos de memória fílmica, organizações cinéfilas que existiram ou produção fílmica que os cineastas amadores desenvolveram. Simultaneamente, a intenção não passa apenas por efetuar um olhar retrospetivo sobre o passado, mas conferir-lhe também um caráter dinâmico, o lugar que deve possuir na caraterização das identidades locais e regionais, porque estas necessitam desses percursos para se tornarem melhor definidas e, dessa forma, os cidadãos não só ganham uma melhor perceção sobre o caminho desenvolvido pelos sítios no domínio cinematográfico como, por essa via, estão a contribuir para dar um horizonte de futuro àquilo que poderia apenas ficar fechado no passado. As duas vertentes deste eixo confluirão anualmente num encontro a realizar durante o Coimbra in Motions, a secção KineCoimbra, em que a cidade ou as cidades associadas à ideia se revêm no “espelho cinematográfico”, refletindo sobre as miradas e sobre a dimensão que o tempo lhes conferiu. Desse modo, KineCoimbra procurará dar a conhecer o trabalho desenvolvido em ambos os campos. No caso da edição deste ano, dentro desse pressuposto, realizar-se-á uma mesa redonda que reúne personalidades de ambos os domínios — memória e investigação —, com a intenção de desbravar caminho, ou para dar a conhecer o que já foi feito.
Alves Martins no filme Variações
Emblema do Clube de Cineastas Amadores de Coimbra
Nessa linha contaremos com a presença do arquiteto Alves Martins, personalidade sobejamente conhecida em Coimbra no domínio das artes plásticas, que também teve um percurso significativo no domínio do cinema amador, e que importa conhecer de forma mais sistemática. Em entrevista que se publica neste catálogo, diz-nos que foi um dos fundadores do Clube de Cineastas Amadores de Coimbra (CCAC), começou a filmar a partir de 1958, então com 36 anos, tendo realizado cerca de três dezenas de filmes, alguns dos quais premiados internacionalmente em eventos de cinema amador. Várias questões surgem desde logo, nomeadamente o levantamento de toda a filmografia, averiguação do seu estado e o desencadeamento de mecanismos de preservação para, posteriormente, captar a forma e o conteúdo da sua memória cinematográfica sobre a região do Mondego, ou ainda o conhecimento do citado organismo, da busca de documentação patrimonial e dos seus antigos associados. No mesmo sentido, teremos a evocação do cineasta figueirense Manuel Santos, cujo espólio tem sido objeto de atenção e iniciativa pela câmara local, particularmente através de Guida Cândido, cuja presença na mesa redonda permitirá compreender um pouco melhor a importância deste pioneiro das imagens figueirenses. Dele ficaram os primeiros filmes sobre a Figueira da Foz, nomeadamente Figueira da Foz. A rainha das praias portuguesas, datado de 1927, tendo ainda deixado registos sobre a Procissão da Rainha Santa e margens do Mondego. Se estes dois cineastas amadores serão os rostos dominantes desta edição, outros entretanto surgirão, daí a importância destes debates como exercício contra a amnésia, como é o caso de Vasco Branco, aveirense que também teve um percurso nacional e internacional assinalável neste domínio, sobre o qual já existe uma investigação em curso, e que poderá ser objeto da nossa atenção, em termos fílmicos e de pesquisa na edição de 2014. Por outro lado, uma outra importante vertente da mesa redonda deste ano, será o debate sobre o associativismo cinéfilo, domínio em que Coimbra tem tradições que remontam a meados do século XX, nomeadamente através do Clube de Cinema de Coimbra (CCC), cineclube que teve atividade regular na cidade, desde 1954 até pouco depois de 1974, e o Fila K Cineclube, organização similar com programação desde 2002.
Manuel Santos. A imagem de um talento (2005), Câmara Municipal da Figueira da Foz.
Os tempos de cada uma destas instituições são indiscutivelmente distintos, mas os desafios que tiveram ou ainda têm, apesar de diferentes, poderão ser equiparáveis na
envergadura. Através de um pequeno questionário que passámos a antigos sócios do CCC, cujas respostas estão publicadas neste catálogo, percebemos que o cineclube, como muitas organizações similares, representou durante o Estado Novo uma forma de resistência e arejamento cultural aos constrangimentos existentes à liberdade de ideias e de expressão então impostas à cidadania. Carlos Sá Furtado, professor catedrático jubilado pela Universidade de Coimbra, quando inquirido sobre a importância que atribuía ao cineclube, refere precisamente que constituía “um espaço de liberdade, de acesso a problemáticas diversas, de aperfeiçoamento do gosto, de rasgar de horizontes, de ampliação de ideias e cumplicidades” e, para Coimbra, “era um refrescar do fechamento ideológico e estético, era um modo de resistir ao sufoco político através da cultura. Era seguramente um espaço em que a oposição e os contrários ao regime mantinham viva a esperança e uma certa consciência e rebeldia cívicas”. Estas afirmações, se são reveladoras da importância cívica e política dos cineclubes, evidenciam simultaneamente que os benefícios referidos eram alcançados num clima de vigilância e coação. No espólio documental do cineclube são regulares os ofícios do Secretariado Nacional da Informação solicitando o envio do relatório e contas anual para aprovação, a informação dos corpos gerentes eleitos, para que houvesse sancionamento superior, da qual deveriam constar os nomes dos eleitos, indicação da filiação, naturalidade, idade, estado civil, profissão, residência e bilhete de identidade, dados que, no período que vai de 1960 a 1966 são exigidos por 16 vezes, conforme podemos verificar no exemplo que anexamos. Talvez pela abertura de perspetivas que o CCC representou, muitas pessoas foram associadas do cineclube, não obstante as situações apontadas, podendo referir-se Paulo Quintela, Adolfo Rocha, Orlando de Carvalho, Carlos da Mota Pinto, Abílio Hernandez Cardoso ou João Botelho. Este processo de afiliação chega a impressionar pelos números atingidos, atendendo a que nos referimos a um cineclube. João Botelho, quando se tornou membro, como se pode verificar através do cartão apresentado, passou a ser o sócio nº 3886, ou seja, perante este índice numérico, parece-nos irrefutável a afirmação de que o Clu-
be de Cinema de Coimbra não foi apenas uma instituição que acolhia personalidades que tinham ou viriam a adquirir notoriedade pública, pelo contrário, e como Sá Furtado afirma, terá sido um lugar onde muitas pessoas comuns, de Coimbra e do resto do país, adquiriram a possibilidade de “rasgar horizontes”, “aperfeiçoar o gosto” e de “ampliar as ideias”. Por esse motivo, a comunicação de Abílio Hernandez sobre cinefilia durante o Estado Novo, na referida mesa redonda, pelas responsabilidades e intervenção que teve na organização, é fundamental e incontornável para ajudar o nosso tempo a compreender como se cultivava a cinefilia naquele período. Já os desafios que hoje se colocam a Fila K Cineclube são de outra ordem, diretamente dependentes de um sistema onde o acesso à cultura está enormemente facilitado mas que, provavelmente pelos interesses económicos que giram em torno do setor, conduzem ao empobrecimento do elo mais fraco, que neste caso é o cidadão desprevenido e sem atitude crítica relativamente à oferta que lhe surge através dos meios de difusão em grande escala, resultando no consumo quase inconsciente daquilo que por ele escolheram. No caso do cinema, o que se tem verificado é um crescimento progressivo da incultura cinéfila entre os mais jovens, onde o conhecimento de autores e obras se tornou irrelevante, sendo vulgar o visionamento apenas de partes fílmicas que circulam através dos meios hoje colocados à disposição, sem que exista qualquer contextualização informativa. O assunto já mereceu abordagem governamental, tendo a sociedade e as autoridades ganhado consciência de que os jovens hoje em dia não sabem distinguir uma série fílmica de uma ficção, surgindo nesse contexto o Plano Nacional de Cinema para as escolas, projeto que entretanto não saiu da fase experimental. É neste âmbito que percebemos os desafios que se colocam aos atuais cineclubes. Existe em primeiro lugar um problema de oferta, que vai desde a proliferação de canais televisivos até à descomunal arca de pandora em que a internet se transformou, que faz com que as preferências pelo cineclube, como sítio para visionar integralmente obras fílmicas, discutir, apreender estilos e formas narrativas, bem como títulos e autores, sejam questões provavelmente insignificantes, conduzindo os cineclubes a situações semelhantes aos nichos que hoje representam os canais de música jazz ou clássica. Por todas estas razões, tem pleno sentido discutir cinefilia na atualidade, no caso concreto através de Gonçalo Barros, que dará o seu contributo para esta mesa redonda em
representação do Fila K Cineclube, ao mesmo tempo que um texto seu incorpora este catálogo. Para concluir, diríamos estar perante um paradoxo. Se as sociedades atuais têm meios de acesso à informação que nunca outras dispuseram, parece, no entanto, que quanto mais cresce essa possibilidade, maiores são os riscos do desenvolvimento da incultura. O caso do cinema será um bom exemplo. Regressando à relação entre cinefilia antes e depois de 1974, e se pudéssemos usar uma alegoria, diríamos que antes, quem pretendesse desenvolvê-la “queria, mas não podia”, enquanto hoje, “podendo, não se quer”, com um resultado que redundará provavelmente num empobrecimento cultural, tão grave quanto o do tempo anterior a 1974, com a diferença de que esse era legalmente imposto, ao contrário daquele para o qual caminhamos, que parcialmente é uma opção tomada pelos indivíduos, na qual deve ser ponderada a influência, a comodidade, o baixo custo da oferta dos canais televisivos, de outros meios facultadores destes conteúdos, ou ainda o confrangedor facto de em muitas cidades portuguesas não existir atualmente qualquer sala de cinema.
MANUEL SANTOS Ensaio para um retrato [1894-1975] Guida Cândido
Câmara Municipal da Figueira da Foz Arquivo Fotográfico Municipal
Em 1894, quando desaparecia o mais conceituado e memorável fotógrafo português do século XIX - o distinto fidalgo Carlos Relvas - a Figueira via nascer o seu mais representativo amador de fotografia e artes cinematográficas: Manuel Santos.
A obra de Manuel Santos constitui uma herança documental, histórica e artística, havendo ainda a destacar a sua ligação à fotografia de cena de cinema. O cinema documental, a que se dedicou, é esclarecedor do seu conceito de estética fotográfica.
Descendente de ourives, cedo se dedicou à fotografia e ao cinema, as quais exerceu com grande mestria captando como poucos a beleza da Figueira da Foz. Os seus clichés ilustraram uma época de ouro desta terra de veraneio. A forma particular como captava o encanto e excelência dos recantos figueirenses, permitiu-lhe adquirir um papel primordial na promoção da cidade. Com méritos reconhecidos, a sua carreira atravessou várias décadas do século XX, compreendendo salões, concursos, propaganda oficial e fotografia de cena de cinema.
A Figueira da Foz tem uma longa tradição de cinema. A 15 de Agosto de 1896, um ano após o aparecimento da Sétima Arte, foi projectada uma película, através do animatógrafo Rousby, no teatro-circo Saraiva de Carvalho. O amador Manuel Santos cultivou o gosto pelo cinema, registando em filme os diversos “quadros” da Figueira, à semelhança do que fez com a fotografia. Em 1929 a imprensa local anunciava a exibição no Teatro do Casino Peninsular, em sessão particular, o documentário “Figueira da Foz Rainha das Praias Portuguesas.”
O encontro de Manuel Santos com a fotografia e o cinema permanece imbricado entre mera obra do acaso e a pouco conhecida estadia no Brasil, onde trabalhou como caixeiro viajante. A sua produção vai diminuindo, sobretudo com o aparecimento do fotógrafo Afonso Cruz que aposta na fotografia aérea. Essa novidade, pouco explorada por Manuel Santos, retraiu o trabalho do amador e de certo modo ofuscou o sucesso e o lugar de primazia até então por ele ocupado. A esse retraimento não deverá ser estranho o não acompanhamento das evoluções tecnológicas que se verificaram no mundo da fotografia. Muito do equipamento por ele utilizado consistiam em adaptações que fazia com muita imaginação e engenho.
Filmado durante a época balnear, de forma a ilustrar as várias diversões próprias dessa época, trata-se dum documentário animado e com fins promocionais sobre a Figueira da Foz enquanto destino turístico. O Jornal de Cinema distribuiu gratuitamente uma edição especial sobre o documentário, enaltecendo o papel determinante da iniciativa e mestria de Manuel Santos e descrevendo o essencial do filme. Em 1930 filma as provas de remo, vela, natação e motor que se realizaram na cidade. O empenho da Comissão de Turismo em enunciar a
Figueira como Rainha das Praias, acaba por projectá-la internacionalmente e, por arrastamento, também o nome do nosso “cineasta”. No ano seguinte, a imprensa local informava da projecção da película de promoção no país vizinho. Em 1937, Manuel Santos recebeu um convite para uma experiência extraordinária. Tratava-se de mais uma fita de promoção, desta vez não apenas sobre imagens da Figueira da Foz, mas um romance ficcional, tendo como pano de fundo os recantos desta cidade. Procedia-se à rodagem do “trailer”, sob a autoria de J. Oliveira Santos. Ao argumento deu-se o nome de “Dois Corações... Um Destino”. A Manuel Santos foi entregue o trabalho de fotografia. A 16 de Julho de 1938, é projectado nas salas do Casino e do Parque-Cine, um trailer com cerca de 7 minutos. O amador fez um trabalho admirável, mas este sonho ficou por ali. Não houve continuidade e, o que resta hoje desse entusiasmo é a película de apenas7 minutos. Durante cerca de duas décadas, a imprensa local é escassa em relação ao trabalho de Manuel Santos. Neste hiato existe uma quebra na sua produção. À semelhança do que já tinha acontecido com a fotografia, a sua produção cinematográfica decaiu. Como amador, não acompanhou os progressos tecnológicos que se processaram na indústria cinematográfica. O salto do cinema mudo para o sonoro operou mudanças grandiosas que acarretavam muitos custos e conhecimentos. Só voltamos a encontrar referências a Manuel Santos como membro de júri de concursos cinematográficos, anos mais tarde.
Na década de 60, inicia-se na Figueira da Foz, o 1º Concurso de Cinema de Amadores. Integrado no programa cultural das “Festas de S. João de 1963”, contou o júri com a participação de Manuel Santos, entre outras individualidades. O certame foi um êxito, deixando na comissão organizadora o desejo de continuidade. Em 1975 Manuel Santos, com 82 anos de idade, e após um longo período de doença, desaparece. A sua morte foi sentida pelo círculo cultural da cidade e por todos os que reconheciam o valor da obra artística deste amador. Desta extensa actividade resultou um longo espólio que generosamente deixou em testamento à edilidade e que hoje se encontra repartido entre o Arquivo Fotográfico Municipal e o Museu Municipal Santos Rocha, com cerca de 4000 negativos em vidro e película, centenas de provas em papel e os filmes em nitrato de celulose que, por questões de segurança, se encontram em depósito na Cinemateca Portuguesa. Manuel Santos foi um pioneiro no seu tempo e é hoje um nome inolvidável no contexto amador das artes fotográfica e cinematográfica e no universo artístico e cultural da Figueira da Foz.
CINECLUBISMO E CINEFILIA NA ACTUALIDADE
Qual é o papel dos cineclubes no século XXI? Gonçalo Barros Fila K Cineclube
Ao longo da sua história, os cineclubes têm como objectivo principal a divulgação do cinema, contribuindo com todos os meios para o desenvolvimento da cultura, dos estudos históricos, da técnica e da arte cinematográfica. De um modo geral, todos os cineclubes têm por finalidade: defender e promover o cinema português e o cinema proveniente de outros países; divulgar e desenvolver a cultura cinematográfica e defender o cinema como arte e como linguagem; promover o desenvolvimento do audiovisual e das novas tecnologias ligadas à imagem e ao som; promover a formação no âmbito da investigação, do aperfeiçoamento técnico e intelectual relacionado com o cinema e audiovisual bem como as novas tecnologias multimédia; participar activamente na vida cultural da região na qual está sediado. Em Portugal, actualmente, o associativismo e cinefilia vivem num contexto profundamente adverso aos espaços de participação cívica e associativa, e os cineclubes (associações culturais sem fins lucrativos) procuram defender, a todo o custo, a sua autonomia e os espaços de divulgação do cinema como arte. Num contexto em que todas as dificuldades se sentem e outras se anunciam, os cineclubes vão continuar a exibir um caminho com uma forte vontade de avançar e não desistir. Em 2012 e 2013, os concursos de apoio a todas as áreas do cinema, desde a produção à exibição foram suspensos, e a nova Lei do Cinema (Lei n. 55/2012 de 6 Setembro), Decreto-Lei n.º 124/2013 de 30 de agosto (Decreto Regulamentar da Lei do Cinema e do Audiovisual), está a ser contestada pelos cinco operadores (A Zon, Optimus, Meo, Cabovisão e Vodafone) de televisão por subscrição que recusam pagar a taxa anual prevista na Lei do Cinema. A Lei prevê o pagamento, por parte dos operadores, de uma taxa anual (3,5 € por assinante, a partir do número médio de subscrições – que corresponde cerca de 11 milhões de euros e 0,87% das receitas médias
mensais dos operadores por assinante). Eles contestam a constitucionalidade da taxa e o facto de ela não lhes permitir escolher que projectos apoiar com a sua contribuição. Tudo isto põe em causa a abertura de concursos para 2014, e a exibição alternativa cinematográfica feita pelos cineclubes está gravemente afectada, isto porque, nem as Câmaras Municipais apoiam as actividades dos cineclubes, salvo raras excepções. Todo o desígnio dos cineclubes, em participar activamente na vida cultural da região (trabalho com as escolas, cinema ao ar livre, formação…), pode estar irremediavelmente perdido. Destaco, o papel dos cineclubes em muitas regiões em Portugal, sendo o único espaço de exibição cinematográfica em alguns concelhos, proporcionando, o encontro do cinema com o público e o cidadão. Entretanto, os cineclubes tentam adaptar-se às novas realidades, de exibidores e programadores de ciclos de cinema, também alguns são distribuidores e mesmo produtores. Coloco a questão, será este o caminho e o papel dos novos cineclubes? Porque é que existem os cineclubes? Se um cineclube é uma associação sem fins lucrativos que promove o cinema e a exibição cinematográfica é de carácter não comercial, porque não existe uma redução ou mesmo, uma isenção da taxa de licença de autorização de exibição dos filmes? Os cineclubes devem defender entre si, em rede, os seus direitos e os seus interesses, para isso, devem redefinir processos, e devem elaborar um novo modelo estratégico sustentável de acção para as actividades dos cineclubes. As entidades públicas, tais como, o Estado, e principalmente, as Câmaras Municipais não podem esquecer o papel e o contributo dos cineclubes como dinamizador de uma oferta de cinema local e formador de um público que possibilita e constitua uma massa crítica da programação cinematográfica e cultural. Desde o ano 2011, para muitos cineclubes, houve um aumento na participação de público nas suas exibições, bem como a consolidação de actividades emblemáticas para a rede escolar e para a cidade, por exemplo, o cinema ao ar livre nos centros históricos. Por último, os cineclubes reinventam-se e sobrevivem nos dias de hoje, e o Cinema irá sempre prevalecer como o meio que dá voz à individualidade dos seres humanos, transformando o seu universo num discurso global. O Cinema é imediatamente memória, mas será sempre linguagem intemporal.
ARQUITETO ALVES MARTINS
Entrevista sobre o percurso cinematográfico Jorge Seabra | Carolina Gaspar
1. Com que idade começou a filmar? Aos 36 anos de idade [1958]. 2. Como surgiu a sua ligação ao cinema? Como aprendeu o ofício? Desde pequeno que adorava o cinema. Foi aos 7-8 anos [1929-1930] que vi pela vez o cinema mudo com legendas. Tive um projetor de 35mm que o meu pai tinha trazido da Bélgica, em 1917. 3. Recorda-se qual foi o seu primeiro filme? Era documentário ou ficção? Qual era o assunto? Foi na Suíça, em Zurique. Filme de animação, desenhado e gravado na própria película (em 8mm), sonorizado, posteriormente, com música de Bach. 4. Qual foi o último filme que realizou? Era documentário ou ficção? Qual era o assunto? A Vespa. Filme de animação. 5. Dos filmes que realizou qual foi o que mais o marcou? Porquê? É difícil, no entanto, indico três: Dolores; 1900 e Variações. 6.Consegue referir um número aproximado dos filmes que realizou? Quantos documentários? Quantas ficções? Quais os títulos? Na sua totalidade, aproximadamente 30. Não me é possível identificar a sua tipologia.
7. Pertenceu a alguma associação de cineastas? Em que período? Fundei o CCAC (Clube de Cineastas Amadores de Coimbra – aproximadamente em 1967/68) e o CCP (Cine Clube do Porto). Além de fundador do CCAC fui diretor. Após o 25 de Abril, fundei com o Eng. Manuel Rui Santos a Secção de Cinema Amador da AAC (aproximadamente entre 1975/77). 8. Que atividades desenvolvia a associação? Além dos sócios do CCAC apresentarem os seus filmes, o Dr. Marcelino das Neves organizou um curso de cinema. 9. Têm documentação sobre essa associação? (cartão de associado, informação, documentação da instituição, fotografias) Não possuo qualquer documento, exceto um emblema (em metal) do CCAC. 10. Recorda-se de outros colegas com quem filmou ou partilhou o gosto de filmar? Pode referir os nomes e os contactos? Foram colaboradores: o Eng. Teles de Oliveira e o Sr. José Patrão. 11. Concorreu com os seus filmes a concursos? Foram concursos nacionais ou internacionais? Obteve prémios? Concorri a vários concursos, quer nacionais quer internacionais, onde obtive vários prémios. Saliento o “Concurso Mundial no Luxemburgo” (1969) onde obtive uma menção honrosa.
COIMBRA IN MOTIONS KineCoimbra
Clube de Cinema de Coimbra Inquérito a antigos sócios
Aproveitando a oportunidade do debate sobre cinefilia na cidade de Coimbra, surgiu a ideia de passar um pequeno questionário a antigos sócios ou frequentadores do Clube de Cinema de Coimbra (CCC), que tinha por objetivo efetuar um registo sobre a experiência cinéfila dos antigos sócios e participantes do cineclube. As questões pretendiam apelar apenas à memória dos sócios, não sendo solicitado qualquer pesquisa para as respostas. Nenhuma das perguntas era também de caráter obrigatório Associados que responderam ao inquérito:
NUNO TAVARES ALVES MARTINS, 80 anos, aposentado da Petrogal
CARLOS SÁ FURTADO 79 anos, professor catedrático jubilado (UC)
FERNANDO FAUSTO C. PEREIRA DE ALMEIDA 77 anos, professor do ensino secundário
3. Que sessões o marcaram? Porquê? NUNO T. ALVES MARTINS: “O Mundo a Seus Pés”, de Orson Welles; “Grandes Esperanças”, de David Lean (com essa inolvidável Jean Simmons e restantes actores que nos incutiam uma tal veracidade que nos “perseguiam” depois do final do filme; ”Breve Encontro”, de David Lean, com Celia Johson e Trevor Howard. A cena de despedida, na estação de comboios, da mão crispada de T. Howard no ombro de C. Johson é memorável; ”Roma Cidade Aberta”, de Rosselini com Anna Magnani e Aldo Fabrizi. Talvez o início do realismo italiano, sem cenários e com grandes actores. Por último o “Milagre de Milão”, de Vittorio de Sica e todos os filmes do neo-realismo italiano dos quais se fez um programa extenso. Alguns dos textos deste programa eram de Lattuada. JOSÉ MANUEL MORGADO PEREIRA 65 anos, médico 1. Foi sócio|a do Clube de Cinema de Coimbra? NUNO T. ALVES MARTINS: Fui sócio desde 1951, conforme consta no meu cartão de associado,com lugar marcado e assinado pelo presidente do clube – Júlio Sacadura e a minha. Assisti, contudo não como sócio, desde a primeira sessão em 2 de Abril de 1949, com o filme “Um Carnet de Baile”, de Julien Duvivier. CARLOS SÁ FURTADO: Sim. FERNANDO F. PEREIRA DE ALMEIDA: Sim. JOSÉ M. MORGADO PEREIRA: Sim. 2. Recorda-se em que anos frequentou as sessões do CCC? NUNO T. ALVES MARTINS: Praticamente desde 1949 a 1957. CARLOS SÁ FURTADO: Nas décadas de 1960 e 1970. Porventura de 1960 a 1974. FERNANDO F. PEREIRA DE ALMEIDA: 1956-57; 1957-58; 195859; 1959-60; 1973-74; 1974-75; 1975-76. JOSÉ M. MORGADO PEREIRA: Entre 1970 e 1974.
CARLOS SÁ FURTADO: Diria que todas elas tinham qualidade. O neo-realismo, a “Nouvelle-Vague”, os grandes realizadores americanos, ingleses, etc., etc., tudo o que era significante passava pelo Clube de Cinema. FERNANDO F. PEREIRA DE ALMEIDA: Como não conservo os programas do CCC, os quais ofereci há alguns anos à Sala de Cinema de Estudos Artísticos da Faculdade de Letras, tenho dificuldade em apontar momentos importantes das sessões do clube. Limito-me a dizer que nos meus anos de estudante, o CCC alargou imenso o meu conhecimento do cinema europeu e dos seus realizadores, dentro dos quais destaco Jean Renoir. “O Rio Sagrado”, que vi pela primeira vez em 1956/57 permanece um dos filmes que mais admiro. Na fase de membro da direção, nos anos 70, ponho em relevo os ciclos dedicados à fase germânica Fritz Lang e a Murnau. JOSÉ M. MORGADO PEREIRA: Um ciclo de cinema japonês, com a descoberta de Mizoguchi e Kurosawa, o cinema americano onde vi pela primeira vez Johnny Guitar de Nicholas Ray, o cinema francês com vários filmes de Resnais e a descoberta de Robert Bresson, creio que o Pickpocket, que se tornaram para mim autores favoritos. 4. Recorda alguma sessão problemática? NUNO T. ALVES MARTINS: Fui indicado pela direcção do Clube de
Cinema, do qual nessa altura já fazia parte, [para] apresentar o filme “Êxtase”, do cineasta checo Gustav Machaty. Havia um travelling em que Hedy Kieler (que se tornará mais tarde uma estrela de Hollywood – Hedy Lamarr) corre nua junto do mar. A sessão seria no Grémio da Lavoura (?), um primeiro andar, na Av. da República, quase em frente ao então Teatro Avenida, sala que alugávamos para os filmes de 16mm. Já lá tínhamos projectado “Terra sem pão”, de Buñuel. Depois de umas palavras de apresentação [sobre] o realizador do filme, lidas por mim, sem grandes descripções, sou chamado ao fundo da sala, onde um agente da PIDE me esclarece que a sessão não se podia realizar derivado de o filme a ser projectado ser pornográfico… A minha solução encontrada foi esclarecer os cineclubistas que a máquina estava avariada. CARLOS SÁ FURTADO: Não, não recordo. Os problemas com a Inspecção dos Espectáculos (Censura) eram prudentemente torneados. JOSÉ M. MORGADO PEREIRA: Sim, uma sessão onde parte do público pateou o filme “A Palavra” de Carl Dreyer, para minha indignação. 5. Como era a relação do CCC com a Federação Portuguesa de Cineclubes? CARLOS SÁ FURTADO: Não me recordo de nada especial que mereça ser invocado. JOSÉ M. MORGADO PEREIRA: Do que pude constatar eram cordiais mas não muito estreitas 6. Teve responsabilidades diretivas ou organizativas no CCC? NUNO T. ALVES MARTINS: Sim durante, salvo erro, três anos. CARLOS SÁ FURTADO: Fui Presidente da Direção. FERNANDO F. PEREIRA DE ALMEIDA: Nos anos 70 fiz sempre parte das direções do CCC. No meu penúltimo ano fui Vice-Presidente e no último desempenhei funções de Presidente da Direção. JOSÉ M. MORGADO PEREIRA: Sim, pertenci à Direcção de 1971-1972 7. Em que outras atividades organizadas pelo CCC participou? CARLOS SÁ FURTADO: Além do óbvio das sessões, participava em reuniões de debate, de discussão.
JOSÉ M. MORGADO PEREIRA: Ciclos, debates, reuniões, textos de apoio, angariação de sócios e pagamento de quotas por vezes em grande atraso 8. Qual foi para si a importância do CCC? E para Coimbra? NUNO T. ALVES MARTINS: Nas sessões do Clube de Cinema havia uma certa “respeitabilidade”. Nunca ouvi nenhum aparte durante as projecções. Nos filmes ditos comerciais, os estudantes de então, lá se podia ouvir uma piada a uma cena mais ousada. No Sousa Bastos durante a projecção de um beijo mais prolongado um estudante, do balcão, colocou a capa em frente à projecção e um coro fez-se ouvir: “repete, repete, repete”. E assim foi feita a projecção perante os aplausos da sala. Tempos… CARLOS SÁ FURTADO: Para mim o CCC constituiu um espaço de liberdade, de acesso a problemáticas diversas, de aperfeiçoamento do gosto, de rasgar de horizontes, de ampliação de ideias e cumplicidades. Para Coimbra era um refrescar do fechamento ideológico e estético, era um modo de resistir ao sufoco político através da Cultura. Era seguramente um espaço em que a Oposição e os contrários ao Regime mantinham viva a esperança e uma certa consciência e rebeldia cívicas. FERNANDO F. PEREIRA DE ALMEIDA: O CCC teve uma ação decisiva na minha formação de espetador de cinema. O gosto pelo cinema, a cinefilia, já estava em mim quando cheguei a Coimbra e à Universidade. O CCC orientou e desenvolveu a minha cinefilia. Abriu-me novas prespetivas, dando-me a conhecer os primórdios do cinema. JOSÉ M. MORGADO PEREIRA: Na altura grande, permitindo o acesso a filmes proibidos ou de difícil exibição por não serem “comerciais”. Para Coimbra onde a exibição e debate de alguns filmes era por vezes difícil e podia levantar resistências, um contributo para uma cultura liberta dos condicionalismos na altura existentes. 9. Que diferenças nota entre ser cinéfilo naquele tempo e hoje? NUNO T. ALVES MARTINS: Penso que os frequentadores dos Cine-
-Clubes, sem serem elitistas, tinham uma paixão, uma cultura pelos filmes que seleccionávamos. Os cinemas de hoje, com pipocas, têem mais audiência… CARLOS SÁ FURTADO: Agora, me parece que ser cinéfilo deixou de ter o alcance político e cidadão que então tinha. É, porventura, mais um tratar do seu jardim. JOSÉ M. MORGADO PEREIRA: Impossível comparar, mas se a censura desapareceu, permanece a necessidade de estudo e divulgação do cinema de qualidade. Na altura a descoberta do “cinema de autor” foi muito importante, mas creio que continua a ser fundamental, colocando o cinema em pé de igualdade com as outras artes. 10. Pretende deixar mais alguma informação? CARLOS SÁ FURTADO: Não. Julgo que o mais relevante ficou dito. JOSÉ M. MORGADO PEREIRA: Valia a pena falar e debater estes temas entre cinéfilos de diferentes gerações. 11. Pode indicar nomes e contactos de antigos sócios? NUNO T. ALVES MARTINS: Apenas o presidente do Clube de Coimbra: Júlio Sacadura. CARLOS SÁ FURTADO: Recordo – já está tudo um pouco esfumado – a D. Natércia Vilaça, o Dr. Viegas, a Drª Emília Ralha, o Dr. Ralha, o Sr. Rui Mendes. JOSÉ M. MORGADO PEREIRA: Nomes é mais fácil, contactos mais difícil. Lembro o professor Orlando de Carvalho, a certa altura quase o “animador de serviço” e dentre muita gente lembro Abílio Hernandez, a pessoa que mais sabe sobre a história do C.C.C., o Barroso do Ateneu, o Dr. Viegas, advogado, o Serpa que é médico em Castelo de Vide, o Leitão Marques, o José Moutinho, o Luis Veloso, o Sr. Rodrigues, o mais velho mas sempre presente, tesoureiro anos a fio, de quem guardo a melhor recordação.
NOVAS VISTAS LUMIÈRE
Concurso experimental de curtas metragens Jorge Seabra
Universidade de Coimbra | CEIS20
Novas Vistas Lumière é um concurso experimental de curtas metragens, integrado na IIª edição do ciclo de cinema Coimbra in motions, com o objetivo de proporcionar aos jovens um olhar criativo sobre Coimbra. O nome atribuído ao concurso deve-se ao pioneirismo que os irmãos Lumière tiveram no desenvolvimento do olhar cinematográfico sobre a cidade, tendo-nos deixado um conjunto assinalável de pequenos filmes, as designadas Vistas Lumière, apesar de a sua grande maioria ter sido gravada por cinematografistas que para eles trabalhavam. Os Lumière contratavam estes técnicos, que tinham por função deslocar-se aos mais diversos lugares do planeta, com a finalidade de aí filmarem novas vistas e projetarem as que levavam na bagagem. As Vistas Lumière viriam a constituir um negócio desenvolvido depois do registo do Cinematógrafo em 1895. Atraídos pela pesquisa das “máquinas que escreviam o movimento”, viriam a criar o aparelho que resolvia o último problema de uma série de invenções que começaram com a fotografia, a cronofotografia (máquinas que registavam fotografias em série), a película cinematográfica, restando o mecanismo de projeção pública, resolvido com o Cinematógrafo Lumière. Contudo, a adesão dos Lumière não se enquadrava na ideia de utilizar o aparelho ao serviço da arte e indústria que hoje conhecemos. Digamos que eram bem mais modestos, colocando-se ainda na linha das pesquisas científicas que pretendiam estudar o movimento dos planetas ou o voo das aves, e ainda distantes da perceção das capacidades narrativas que a imagem em movimento continha, aspetos que anunciariam o futuro do cinema, e que viriam a ser explorados por Edwin Porter, Ferdinand Zecca ou Méliès, e que já encontramos de forma incipiente em alguns dos primeiros filmes de Edison.
Porém, depois de verificarem o entusiasmo que as primeiras projeções públicas suscitaram, e não obstante a convicção de que essa curiosidade popular seria efémera, optaram por aproveitar economicamente esse interesse, montando o já referido negócio das vistas, criando um catálogo que nos inícios do século XX rondava os mil títulos. As vistas, ou fotografias animadas como ficaram inicialmente conhecidas em Portugal, eram filmes de um só plano, normalmente sem movimentos físicos da câmara, rondando os trinta segundos de duração, e naturalmente sem som síncrono ainda, que apenas surgiria em 1927. Estes quadros que os cinematografistas registaram por todo o planeta para os Lumière, seriam os precursores dos filmes de atualidades, um género documental que terá forte desenvolvimento antes do aparecimento da televisão. Nesse pequenos filmes, para além das sempre atrativas vistas sobre lugares exóticos e distantes, aquilo que domina é a cidade e o urbanismo, o trabalho, o lazer e por vezes o burlesco. Assim, é atendendo a este contexto técnico e temático que surge o concurso Novas Vistas Lumière, que na edição deste ano assume ainda um caráter experimental. Nesse sentido, foi organizado um workshop, que teve como formador o realizador Rodrigo Lacerda, com objetivo de proporcionar aos jovens um espaço formativo, onde pudessem efetuar uma pequena curta metragem para ser apresentada a concurso. Simultaneamente, foi feito um convite às escolas da cidade que dão formação em novos media para indicarem alunos que pudessem frequentar a ação, solicitação a que o Colégio Rainha Santa Isabel e as escolas secundárias Avelar Brotero, D. Duarte, José Falcão e Quinta das Flores responderam positivamente. Deste modo, Novas Vistas Lumière surge em função da importância que o referente cidade ocupa nos filmes dos irmãos franceses e, simultaneamente, pelo desafio criativo que constitui, nos dias de hoje, construir uma pequena curta metragem despida do conforto tecnológico que o meio cinematográfico oferece. É com essas duas premissas de base que este concurso pretende provocar e estimular a capacidade criativa dos jovens sobre a cidade que todos os dias os acolhe.
OBRAS A CONCURSO Santa Cruz e o Movimento
A nossa Terra
Quebra Emotions
Coimbra por um Olhar
Cartas a Salvador
Urbanidades
Fado(s)
Coimbra num Barquinho de Papel
Jo達o Gomes
Jo達o Oliveira
Maria Damasceno
Ana Costa
Jo達o Duque
Soraia Vicente
J辿ssica Paredes
Carina Santos
Coimbra é uma Lição Maria Santos
Emoções que nos passam ao lado, uma realidade em Coimbra Ana Marques
Ainda se respira Inês
Uma Emoção em cada Olhar
Vestígios
Eu sou Coimbra
Jéssica Paredes
Gonçalo Gaiola
Ricardo Campos
Carina Santos
Alta e Sofia
República Prá-Kys-Tão
REALIZADORES António Ferreira
Nasceu em Coimbra, em 1970. Inicia-se profissionalmente como programador informático, profissão que viria abandonar em 1990, quando se muda para Paris. Em 1994 ingressa em Lisboa, na Escola Superior de Teatro e Cinema (ESTC). Em 1996, muda-se para a Alemanha para estudar na Academia de Cinema e Televisão de Berlim (DFFB). Em 2000, ganha notoriedade com a curta-metragem Respirar debaixo d’água que o levou até ao Festival de Cannes e com a qual ganhou vários prémios em diversos festivais internacionais. Em 2002, estreia-se na longa-metragem com Esquece tudo o que te disse, que se tornou num dos filmes portugueses mais vistos em Portugal nesse ano. Em 2007 estreia a curta curta-metragem Deus Não Quis, com a qual ganha mais de uma dezena de prémios internacionais. Em 2010 estreia a sua segunda longa-metragem Embargo, uma adaptação de José Saramago. Em 2011 encena a sua primeira peça de teatro As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant, de Fassbinder, para o Teatro Nacional D. Maria II. Em 2012 realiza o filme Posfácio nas confeções Canhão no âmbito de Guimarães Capital Europeia da Cultura. É membro fundador e da direção da Academia Portuguesa de Cinema. Dirige actualmente a produtora Persona Non Grata Pictures, com a qual produz ficção e documentários dos mais diversos realizadores.
José Trigueiros
Nasceu em Barcelos, em 1985. Formação Académica: 2011 I Mestrado em DESENVOLVIMENTO DE PROJECTOS CINEMATOGRÁFICOS pela Escola Superior de Cinema i Audiovisuals de Catalunya como aluno convidado. 2010 I Mestrado em REALIZAÇÃO CINEMATOGRÁFICA pela Escola Superior de Cinema i Audiovisuals da Catalunya. 2004-2008 I Licenciatura em ESTUDOS ARTÍSTICOS (teatro, música, cinema) pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
2010 I Seleccionado para representar a literatura portuguesa na II MOSTRA DE JOVENS CRIADORES DA COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA que teve lugar em Luanda, Angola, com a presença de artistas de todos os países falantes do idioma português.
2012 I Seleccionado para representar a literatura portuguesa no primeiro WORLD EVENT OF YOUNG ARTISTS, que teve lugar em Nottingham (Inglaterra), com a participação de mil artistas provenientes de 100 países de todo o mundo.
Cinema: 2013 I Curta-metragem “Dios por el Cuello” (Produção: ESCAC e ESCÁNDALO FILMS). Finalizada em Abril de 2013 e seleccionada até ao presente momento nos seguintes festivais: − IV SALÓN INTERNACIONAL DE LA LUZ, Bogotá, Colômbia; − I BEYOND BORDERS: DIVERSITY IN CANNES, Cannes, França; − II FESTIVAL DE CINE PROPIO, Madrid, Espanha; − IX BUDAPEST SHORT FILM FESTIVAL, Budapeste, Hungria; − VII FESTIVAL VISÕES PERIFÉRICAS, Rio de Janeiro, Brasil; − IX FESTIVAL DE CINE PARADISO DE BARRAX, Albacete, Espanha; − XIV FESTIVAL DE CINE “CORTEN” DE CALAHORRA, La Rioja, Espanha; − I FESTIVAL DE CORTOMETRAJE CINEMALECRIN, Valle de Lecrín, Granada, Espanha; − V FESTIVAL CURTAS EM FLAGRANTE, Portugal.
2011 I Seleccionado para representar a literatura portuguesa na XVI BIENNALE DES JEUNES CRÉATEURS DE L’EUROPE ET DE LA MÉDITERRANÉE, que teve lugar em Roma, Itália.
2012 I Prémio de Financiamento, Desenvolvimento e Produção da Longa-metragem “Ningún Dios Extraño”, pela produtora ESCAC FILMS de Barcelona, em processo de desenvolvimento.
Literatura: 2012, 2011, 2009 I Vencedor três vezes consecutivas do PRÉMIO NACIONAL JOVENS CRIADORES organizado pelo Clube Português de Artes e Ideias (CPAI), pelo Instituto da Juventude Português (IPJ) e pelo Ministério de Juventude e dos Desportos Português.
Miguel Gomes
Nasceu em Lisboa, em 1972. Estudou na Escola Superior de Teatro e Cinema e trabalhou como crítico de cinema entre 1996 e 2000. Realizou várias curtas-metragens e estreou-se na realização de longa-metragem com A Cara que Mereces (2004). Aquele Querido Mês de Agosto (2008) e Tabu (2012) vêm confirmar o seu sucesso e projecção internacional. Tabu foi vendido para mais de 50 países e venceu mais de uma dezena de prémios. Retrospectivas da sua obra tiveram lugar na Viennale, BAFICI, Turim, Alemanha e EUA. Redemption é o seu mais recente trabalho. Prepara a próxima longa-metragem, As Mil e Uma Noites. REDEMPTION [2013] • TABU [2012] • AQUELE QUERIDO MÊS DE AGOSTO [2008] • CÂNTICO DAS CRIATURAS [2006] • A CARA QUE MERECES [2004] • PRE-EVOLUTION SOCCER’S ONE MINUTE AFTER A GOLDEN GOAL IN THE MASTER LEAGUE [2003] • KALKITOS [2002] • TRINTA E UM [2002] • INVENTÁRIO DE NATAL [2000] • ENTRETANTO [1999]
Teresa Prata
Teresa Prata passa a infância em Moçambique e a adolescência no Brasil, onde estuda piano durante 6 anos. Licenciada em Biologia pela Universidade de Coimbra, conclui paralelamente um Curso de Teatro no CITAC, de cujo elenco faz parte durante seis anos. Concebe e modera o programa “Manifesto Arte” na Rádio Universidade de Coimbra. Formada em argumento e realização pela Deutsche Film und Fernsehakademie Berlin (dffb), em Berlim. Enquanto estudante, é directora de fotografia da curta metragem Totensang de Clara Lopez Rubio, com a qual ganha o prémio para Melhor Fotografia no Festival del Cine Experimental de Madrid em 1999. Terra Sonâmbula, baseado no romance homónimo do escritor moçambicano Mia Couto, cujo argumento é da sua autoria, é a sua primeira longa-metragem e foi distribuído em Portugal, Moçambique, Angola, Reino Unido, Luxemburgo, Bélgica, Holanda, USA, Brasil e África do Sul. O filme esteve em mais de 40 festivais internacionais de cinema. Filmografia (argumento e realização): 2013 I 24 Land (argumento para longa-metragem) 2012 I Conservação da Abetarda, Sisão e Peneireiro-das-Torres no Baixo Alentejo 2011 I The Circuit 2008 I O Morto Descontente (argumento para longa-metragem)
2007 I Terra Sonâmbula - MELHOR FILME (Festival de Cinema do Paraná Brasileiro Latino 2009, Brasil) - MELHOR FILME (Festival Itinerante da Língua Portuguesa 2010) - MELHOR REALIZADOR (Pune International Film Festival 2008, Índia) - MELHOR ARGUMENTO (Bursa International Film Festival 2008, Turquia) - MELHOR ARGUMENTO (Festival de Cinema do Paraná Brasileiro Latino 2009, Brasil) - PRÉMIO FRIPESCI (Kerala International Film Festival 2007, Índia) - PRÉMIO DA LUSOFONIA - melhor adaptação literária (Famafest 2008, Portugal) - PRÉMIO DO PÚBLICO (Indie Lisboa 2008, Portugal) - PRÉMIO SIGNIS (African Asian and Latin American Film Festival Milan 2008, Itália) - PRÉMIO SAVE THE CHILDREN (African Film Festival of Verona 2008, Itália) - MENÇÃO HONROSA da Amnistia Internacional (Indie Lisboa 2008, Portugal) 1999 I Partem Tão Tristes, Os Tristes 1999 I Leopoldo 1996 I Mil Olhos, O Sonhador do Oeste 1994 I Uma Questão de Vida ou Morte 1991 I Canto Teogónico - MENÇÃO HONROSA (Festival Internacional de Cinema da Figueira da Foz 1991)
COMUNICAÇÕES | COMENTADORES Abílio Hernandez Cardoso
Prof. aposentado da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra onde, além de Literatura Inglesa, lecionou História e Estética do Cinema, disciplina criada por proposta sua em 1992. Prof. Titular da “Cátedra Manoel de Oliveira” da Universidade Portucalense. Doutorado em Literatura Inglesa pela Universidade de Coimbra com a dissertação sobre James Joyce, intitulada De Ítaca a Dublin: Ulysses ou a odisseia da palavra (1992). Investigador do Centro de Literatura Portuguesa (Universidade de Coimbra), do Projeto Rutura Silenciosa: Intersecções entre a arquitetura e o cinema. Portugal, 1960-1974 (Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto) e colaborador do Centro de Estudos em Letras (UTAD). - Membro do Conselho Científico do Centro de Estudos Ibéricos (Universidades de Coimbra e Salamanca) - Membro do Conselho Consultivo da AIM – Associação dos Investigadores da Imagem em Movimento, do Conselho Editorial do International Journal of Cinema e da Comissão Científica da revista Persona (Escola Superior Artística do Porto). - Membro do Conselho Geral da Fundação Inês de Castro.
António Pedro Pita
É licenciado e doutorado em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. É Professor catedrático na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. É Coordenador Científico do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS20). É Coordenador Científico do Grupo de Investigação “Correntes Artísticas e Movimentos Intelectuais” no CEIS20. Foi Director e Delegado na Direcção Regional de Cultura do Centro. Foi Presidente da Comissão
Científica do Grupo de História na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Foi Membro do Conselho Científico do Centro de Estudos Ibéricos, Membro do Grupo de Pesquisa “Intelectuais e poder no mundo iberoamericano” na Universidade do Estado do Rio de Janeiro e Membro do Conselho Consultivo da Revista Intellectus na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Armando Alves Martins
Nasceu em Proença-a-Nova, em 20 de outubro de 1922. Concluído o Liceu, em Santarém, ingressa na Escola de Belas Artes de Lisboa. Transfere-se depois para o Porto, onde se matricula em Arquitetura, curso que vem a terminar em Lisboa. No verão de 1944 participa, em Santarém, na Missão Estética de Férias, onde se estreia como aguarelista. Arquiteto numa Comissão de Construções Militares. Em 1961 parte para a Suíça, onde trabalha 5 anos com um Professor do ETH. De regresso a Portugal, exerce atividades numa Câmara Municipal, numa Empresa de Construções e na Profissão Liberal. Ingressa no corpo docente do ensino secundário. Foi assistente de desenho dos cursos de Engenharia Civil e de Arquitetura de Coimbra. Publica três livros de poemas, sendo o último destinado a crianças. Durante alguns anos dedicou-se ao cinema amador, tendo representado Portugal no Mundial que se realizou no Luxemburgo. Como arquiteto, dedicou-se, principalmente, à arquitetura religiosa, sendo autor das igrejas de Vidual, Tovim do Meio (Coimbra), Santiago da Guarda (Ansião), Casa de Saúde de Santa Isabel (Condeixa) e das Capelas de Fajão e Gavinhos (Lorvão), Capela do Quartel de Infantaria de Beja. Em arquitetura civil, concebeu e realizou vários projetos no Minho, em Coimbra, no Alentejo e no Algarve. Turner, Beethoven, Rachmaninoff e Debussy podem citar-se como algumas das figuras que Armando Alves Martins mais admira.
Gonçalo Barros
Natural de Coimbra, mestrado em Programação e Gestão Cultural, licenciado em Informática e bacharel em Engenharia Multimédia, foi professor do ensino secundário. Na área da cultura, entre 1989 e 1993, foi sócio fundador da Novas Audições Objectivas (N.A.O.), empresa de organização e produção de espectáculos musicais e culturais. A partir de 2002, sócio fundador da Associação Cultural, Fila K Cineclube e experiência de onze anos como programador de actividades cinematográficas. Na área do audiovisual, experiência de vinte anos na realização e montagem de diversos trabalhos individuais e colaborações com fotógrafos e várias instituições. Já apresentou várias conferências, principalmente sobre cinema e música. Actualmente tem realizado trabalhos na área da música, na criação de bandas sonoras para filmes.
Guida Cândido
Nasceu em Coimbra em 1975 e licenciou-se em História da Arte pela FLUC em 1997. Antes de uma breve passagem pelo ensino, fez investigação na área de museologia em Conímbriga. Em 2000 integrou a Divisão de Cultura da Câmara Municipal da Figueira da Foz, exercendo atualmente funções de coordenação como Técnica Superior no Arquivo Fotográfico Municipal. É no âmbito desta atividade que tem sido responsável pelo estudo dos fundos fotográficos da coleção, organização de exposições, concursos, workshops e outras atividades culturais. Desenvolve estudos na área da museologia e do património, nomeadamente sobre a gastronomia do concelho. Na tentativa de conciliar interesses, frequenta atualmente o Mestrado em Alimentação - Fontes, Cultura e Sociedade pela FLUC. É autora de livros e publicações científicas na sua área de investigação e alimenta o hiperespaço na condição de food blogger.
João Maria André
Nasceu em 1954 em Monte Real, Leiria. Licenciou-se em Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (1979), tendo-se doutorado pela mesma Faculdade com uma dissertação intitulada Sentido, Simbolismo e interpretação no discurso filosófico de Nicolau de Cusa. É professor catedrático, ensinando nas áreas de Filosofia e do Teatro e Diretor do Departamento de História, Arqueologia e Artes. É autor, entre outros livros, de Renascimento e Modernidade: do poder da magia à magia do poder (1987), Sentido simbolismo e interpretação no discurso filosófico de Nicolau de Cusa (1997), Pensamento e afectividade (1999), Diálogo intercultural, utopia e mestiçagens em tempos de globalização (2005) e Multiculturalidade, identidades e mestiçagem: o diálogo intercultural nas ideias, na política, nas artes e na religião (2012). Além da docência e da investigação, tem desenvolvido também a sua actividade como animador cultural, nomeadamente através da tradução, dramaturgia e encenação na Cooperativa Bonifrates de Coimbra e no Teatro Académico de Gil Vicente, de que foi Director de 2001 a 2005. Em poesia publicou Rostos suspensos e Estilhaços em poemas. Publicou ainda, em teatro, O filho pródigo, em co-autoria com Helder Wasterlain (2008), e Peregrinações. Quadros inspirados em “Peregrinação” de Fernão Mendes Pinto (2010).
João Luís Fernandes
Natural de Elvas, é geógrafo, doutorado e professor do Departamento de Geografia da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e investigador do CEGOT (Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território), das Universidades de Coimbra, Porto e Minho. Através da participação em projetos e da colaboração com instituições nacionais e internacionais, tem publicado e desenvolvido trabalho docente e de investigação em temáticas como o ordenamento do
território, as paisagens culturais, o turismo, o património e as dinâmicas de desterritorialização. Na atualidade, na Universidade de Coimbra, é responsável, entre outras áreas, pelas unidades curriculares de Geografia Cultural, Geografia Humana de Portugal, Turismo e Desenvolvimento e Planeamento Estratégico. Para além da participação em cursos de formação avançada em Geografia e Turismo, foi também docente do mestrado integrado em Arquitetura na Universidade Católica. No âmbito da afirmação estratégica dos lugares, tem trabalhado o papel das indústrias criativas enquanto meios de representação das paisagens e como fatores de modelação da imagem dos espaços geográficos. Nestas, tem valorizado o papel do cinema e de outras representações do espaço na área do marketing territorial, em particular no que se refere a lugares de baixas densidades e menores índices de poder económico e político, como ocorre com alguns contextos de matriz rural e com alguns núcleos urbanos com mais débil potencial de centralidade
Jorge Seabra
- Doutor em Letras pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra; - Professor auxiliar convidado da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra; - Foi assistente convidado da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, 2006-2008; Professor Convidado da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, 2004-2006; Assistente em Historia na Universidade Católica Portuguesa, 1994-2006; Professor do Ensino Secundário, Escola Secundária Mário Sacramento, 1988-1993. - A sua actividade como investigador tem-se situado desde o início dos
anos de 1990 no âmbito dos Estudos Fílmicos, cruzando sempre o tempo com a imagem, particularmente no tema do império colonial português, tendo produzido naquele âmbito uma tese de mestrado, uma tese de doutoramento, proferido conferências e publicado sobre o assunto. - Encontra-se a desenvolver um dicionário temático relativo à legislação portuguesa produzida sobre cinema entre 1896 e 1974, projeto intitulado O cinema no discurso do poder. - É autor, entre outros livros, de África nossa. O império colonial na ficção cinematográfica portuguesa (2011), O cinema sob o olhar de Salazar… (2001/2011), O cinema português através dos seus filmes (2007); O CADC de Coimbra, a Democracia Cristã e os inícios do Estado Novo (2000).
Sérgio Dias Branco
É Professor Auxiliar Convidado de Estudos Fílmicos na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde coordena os estudos fílmicos e da imagem no curso de Estudos Artísticos. É investigador em cinema e filosofia no IFL (Instituto de Filosofia da Linguagem) na Universidade Nova de Lisboa e membro convidado do grupo de análise fílmica The Magnifying Class na Universidade de Oxford. Co-edita as revistas Cinema: Revista de Filosofia e Imagem em Movimento (http://cjpmi.ifl.pt) e Conversations: The Journal of Cavellian Studies (https://uottawa.scholarsportal.info/ojs/index.php/conversations). Tem diversos capítulos de livros e artigos publicados sobre cinema, televisão, e vídeo, nomeadamente nas revistas Refractory e Fata Morgana. Tem apresentado trabalhos científicos nestas áreas em muitas universidades, designadamente na Universidade de Nova Iorque, Universidade Yale, e Universidade de Glasgow.
PATROCINADORES
AGRADECIMENTOS
ALLIANCE FRANÇAISE DE COIMBRA Parce que les jeunes artistes et créateurs d’aujourd’hui, sont les espoirs de demain… A Alliance Française de Coimbra quis apoiar a iniciativa da Câmara Municipal, que dá aos jovens a oportunidade de expressar a sua criatividade e personalidade através do cinema. O ciclo de cinema Coimbra in Motions, este ano sob o tema des frères Lumière, é uma bela ocasião de colocar a cultura e os jovens cineastas na Lumière. Desde 1949, a nossa Alliance Française, como associação sem fins lucrativos, atua na difusão da língua e cultura francesas e da francofonia, e também desempenha a sua missão de intercâmbio intercultural. Dessa forma, este projeto integra-se na nossa filosofia e valores. Qui sait ? L’un d’entre eux deviendra peut-être une grande étoile…
A Câmara Municipal de Coimbra vem por este meio agradecer a colaboração de: - Prof. Doutor Jorge Seabra - Prof. Doutor António Pedro Pita - Prof. Doutor Abílio Hernandez - Prof. Doutor João Luís Fernandes - Prof. Doutor Sérgio Dias Branco - Prof. Doutor João Maria André - Arquiteto Armando Alves Martins - Dra. Guida Cândido - Dr. Gonçalo Barros - Dr. Manuel Malaguerra - António Ferreira - Teresa Prata - Miguel Gomes - José Trigueiros - CEIS20 – Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra - Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Coimbra – Coimbra Business School - Alliance Française de Coimbra - Hotel Oslo Coimbra - Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra - Escola Superior de Educação de Coimbra - ESEC TV - Conservatório de Música de Coimbra - Escola Profissional Profitecla - Teatro da Cerca de São Bernardo - Associação Cultural Sítio de Sons - Fila K Cineclube - RUC - Café Santa Cruz - O Som e a Fúria - Persona Non Grata Pictures - Escándalo Films - Escac
Amina Mazouza Diretora da Alliance Française de Coimbra HOTEL OSLO COIMBRA O Hotel Oslo Coimbra, localizado na zona de protecção de Património Mundial da UNESCO da Universidade de Coimbra, é um hotel no coração do centro da cidade. Este é um hotel verdadeiramente conimbricense - através dos seus proprietários e através dos seus colaboradores - pelo que aqui há pessoas orgulhosas da sua herança, pessoas reais que estão ansiosas para mostrar e defender o que de melhor Coimbra tem para oferecer. É com esse orgulho e vontade que trabalhamos por Coimbra e para Coimbra, seja pela sua Baixa, pelo seu Centro Histórico, pelo seu Turismo, pelo seu Comércio ou pela sua Cultura! José Madeira Caetano Ricardo Jorge Gaspar Madeira Hotel Oslo Coimbra
FICHA TÉCNICA Edição: Câmara Municipal de Coimbra Divisão de Juventude www.cm-coimbra.pt Titulo: 2ª Edição I Ciclo de Cinema “Coimbra in Motions” Patrocínio: Alliance Française de Coimbra Hotel Oslo Coimbra Design gráfico: Rui Veríssimo Design www.ruiverissimodesign.com Impressão: Europress www.europress.pt Tiragem: 500 exemplares ISBN: 978-989-8039-32-3 Depósito Legal: Nº 349702/12
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Câmara Municipal de Coimbra • Divisão de Juventude Casa Aninhas, 3º Andar • Praça 8 de Maio 3000-300 Coimbra T 239 857 583 • F 239 828 605 juventude@cm-coimbra.pt • www.cm-coimbra.pt coimbrainmotions@cm-coimbra.pt • www.coimbrainmotions.com