Nº01 • Ano 02 • Março 2013
milhanáutica A Revista do Centro de Referência em Pesca e Navegação Marítima - CRPNM / IFPB
A LEI DE MODERNIZAÇÃO DOS PORTOS
FOTO: http://ismbr.wordpress.com
As vésperas de completar 20 anos, houve conquistas, mas não as esperadas
LIGHT HOUSE
A SITUAÇÃO LEGAL DO TRABALHO DA MULHER NOS SETORES MARÍTIMO, PORTUÁRIO E DE PESCA
MOMENTO HISTÓRICO CATLIN SEAVIEW PARA O ENSINO SURVEY: O STREET PROFISSIONAL VIEW DOS MARES MARÍTIMO BRASILEIRO
MUNDO SUBAQUÁTICO 04 StreetView dos Mares
NAVEGAÇÃO MARÍTIMA 06 A importância da astronomia na navegação
HISTÓRIA DA NAVEGAÇÃO 08 Quem foi Nathaniel Bowditch?
PORTOS 10 Problemas de infraestrutura que afetam a logística portuária
CAPA 12 A Lei de Modernização dos Portos
LEGISLAÇÃO AQUAVIÁRIA 18 As Convenções da OIT ratificadas pelo Brasil nos setores marítimo, portuário e da pesca - Parte 2: Situação Legal do trabalho da Mulher
CRPNM / IFPB 22 Momento histórico para o Ensino Profissional Marítimo Brasileiro
SEGURANÇA NO MAR 24 Hélice: o perigo escondido 25 Crianças a bordo
VIDA MARINHA 26 Biodiversidade Marinha e a Exploração do Pré-Sal no Brasil
CULTURA MARÍTIMA 28 Poema: Boreal 30 Filmes & Livros: Aventuras de Pi & Max e os Felinos 32 Crítica: Kon-Tiki
SABORES DO MAR 34 Salgariscos: Marisco na Palha do Coqueiro & Quiche de Marisco
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EDITORIAL É com grande satisfação que oferecemos, aos estudantes, profissionais e todos os interessados por temas que envolvem o mar, a edição número 1 do ano 2, da Revista Digital Milha Náutica, do Centro de Referência em Pesca e Navegação Marítima-CRPNM, unidade de ensino do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba – IFPB. Como neto de pescador, fico honrado em participar e contribuir, juntamente com o corpo editorial desta revista e demais colaboradores, para o aprofundamento dos conhecimentos náuticos. A revista apresenta um design gráfico bastante interessante e os artigos são exclusivamente para temas relacionados ao mar, envolvendo legislação aquaviária, biologia marinha, história e arqueologia náutica, navegação, cultura do mar, como também, notícias das atividades desenvolvidas pelo próprio CRPNM e outras informações pertinentes aos apaixonados pela vida do mar. Trabalhar no CRPNM é uma grande honra e um desafio profissional, principalmente pela qualidade dos membros desta “extraordinária tripulação”. São pessoas que verdadeiramente se dedicam em apresentar o melhor de si na busca da excelência na educação de todos que procuram os conhecimentos náuticos. Um provérbio popular português diz: “Grandes peixes, pescam-se em grandes rios”. São assim, os peixes que vão ao encontro deste grande rio de conhecimento que é o CRPNM. Profissionalmente, realizei-me como professor, e graças a Deus, amo minha profissão! Foi após me graduar como engenheiro mecânico que percebi a minha vocação de professor. Então dediquei os primeiros anos da minha vida acadêmica de pós-graduação para o aperfeiçoamento dos meus conhecimentos nas áreas tecnológicas da Mecânica e Automação. Porém, foi através de um grande interesse pela Astronomia, particularmente na área Náutica, que conheci os trabalhos desenvolvidos pelo CRPNM. Nesse enfoque pude auxiliar as ações do CRPNM a desenvolver os conhecimentos náuticos, ferramenta importante na navegação astronômica. O CRPNM está crescendo, cada vez mais realizando parcerias e recentemente realizou um Acordo de Cooperação Técnica com a Marinha do Brasil e o Ministério da Pesca e Aquicultura e já está disponibilizando para todo o Brasil cursos da carreira de aquaviários (Ensino Profissional Marítimo – EPM). O CRPNM atua em diversas esferas incluindo as áreas marítimo, pesqueira e portuária, desenvolve vários projetos e programas. Embarquei nesse cruzeiro, com essa tripulação maravilhosa e aqui continuarei a navegar neste oceano, pois já não posso chamar de grande rio, e certamente com a ajuda de Deus pescaremos peixes ainda maiores. ___________________________________________________________ Prof. D.Sc. Alexandre R. Andrade Responsável pelo Programa Eu e o Mar Programa de Desenvolvimento da Mentalidade Marítima do CRPNM
Editora Light House, Programa Sagres / CRPNM / IFPB Editor Chefe Ticiano Alves, ticianosalves@gmail.com Editor Adjunto Alexandre Ribeiro Andrade, alexandre.crpnm.ifpb@gmail.com Revisor Textual - Interno Robson Santiago, robson.santiago02@gmail.com Revisora Textual - Externa Raphaella Belmont, raphabelmont@gmail.com Comissão Editorial Margareth Rocha, Rivânia de Sousa Silva, Claudia Luciene Silva. Colaboraram nesta Edição Paulo Francisco Monteiro Galvão, Margarida Maria de Araújo, Neyr Muniz Barreto, Demison Ferreira.
Membro da Associação Paraibana de Astronomia
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STREET VIEW DOS MARES MUNDO SUBAQUÁTICO
V
ocê conhece o StreetView do Google? É um recur-
fornecer um estudo detalhado da composição, da saúde e
so utilizado pelo Google Maps e pelo Google
da biodiversidade dos recifes de águas profundas na Grande
Earth que permite ao usuário fazer um passeio
Barreira de Corais, bem como avaliar experimentalmente a
virtual pelas ruas de diversas cidades do mundo.
sua susceptibilidade à elevação da temperatura e as mudan-
Imagine caminhar pela antiga Roma até chegar ao Coliseu,
ças climáticas.
e poder visualizá-lo por todos os ângulos com os mínimos detalhes! Agora imagine esse mesmo recurso disponível para
3) O terceiro componente da pesquisa é a obtenção de infor-
fazer um passeio subaquático pelos mares.
mações sobre a mega fauna. Este é liderado pelo premiado cineasta e pesquisador de tubarões Richard Fitzpatrick. Será
Bom, é aqui que entra o Catlin Seaview Survey, um projeto
feita a marcação e rastreamento de arraias, tartarugas e
patrocionado pela empresa Catlin Group Limited. Trata-se de
tubarões-tigre usando tags de satélite, objetivando estudar
um StreetView da Grande Barreira de Corais, localizada entre
seus comportamentos em relação aos dados oceanográficos.
a Austrália e a Papua-Nova Guiné.
Este é um estudo muito importante, quase não há estudos completos que examinaram como animais de grande porte
O Catlin Seaview Survey tem por objetivo realizar o primeiro
estão mudando suas distribuições em resposta ao rápido
estudo abrangente para documentar a composição e a
aquecimento dos mares..
saúde dos recifes de coral na Grande Barreira de Corais e Mar de Corais, através de um intervalo de profundidade sem
A Câmera
precedentes (0-100m). Existem três componentes a serem analisados pelo Catlin Seaview Survey:
A câmera para o levantamento do recife nas regiões rasas foi especialmente concebida para ser capaz de revelar nossos
1) A coleta de dados sobre os recifes na região rasa envolverá
oceanos como nunca antes. Ela grava em 360 graus, geo-
fotografar o recife na visão panorâmica de 360 graus em uma
localiza imagens panorâmicas a cada 4-6 segundos, enquan-
escala sem precedentes usando aparelhos especialmente
to viaja a uma velocidade de cerca de 4 km/h. A câmera SVII
desenvolvidos. Essas imagens serão analisadas automatica-
é o mais recente protótipo da empresa Catlin - baseado na
mente utilizando software de reconhecimento de imagem
concepção da primeira câmera (o SVI) e foi desenvolvida
criando uma linha de base de ampla escala incrivelmente
especificamente para o Catlin Seaview Survey.
n
rica para a análise científica a partir de locais em todo o comprimento de 2.300 km do recife. A linha de base visual será
_______________________________________________
disponibilizada gratuitamente através do Google, para que
Tradução e Comentários: Professor M.Sc. Ticiano Alves Coordenador do Programa Sagres
cientistas de todo o mundo possam estudar. 2) O levantamento do recife profundo observará os efeitos
Fonte e Fotos:
da mudança climática sobre um dos menos conhecidos dos
CATLIN SEAVIEW SURVEY. < www.catlinseaviewsurvey.com
ecossistemas do planeta - os recifes de águas profundas ou
>. Acessado: 12 de Março de 2013.
ecossistemas de corais mesofóticos (entre 30-100m). Ele irá
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SVII CÂMERA - É o instrumento mais importante desenvolvido para o Catlin Seaview Survey. É uma câmera nova e revolucionária que leva contínuas imagens em 360 graus panorâmicas.
Mapa dos pontos englobados pelas espedições realizadas no ano de 2012 na Grande Barreira de Recifes.
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IMAGENS: http://www.catlinseaviewsurvey.com
IMPORTÂNCIA DA ASTRONOMIA NA NAVEGAÇÃO NAVEGAÇÃO MARÍTIMA
N
avegar é o ato de conduzir uma embarcação em
dos astros. Assim, o conhecimento da Astronomia propicia
segurança de um ponto a outro utilizando dife-
não só a base para o estudo da Navegação Astronômica como
rentes métodos. De acordo com Miguens (1996),
também proporciona um maior entendimento dos fenômenos
com relação à metodologia, a Navegação se
que ocorrem na natureza, como as estações do ano e como as
divide em três tipos: Navegação Costeira, Navegação Eletrônica
variações das marés podem influenciar no setor pesqueiro, o
e Navegação Astronômica. No Centro de Formação em Pesca e
efeito do magnetismo terrestre na orientação de embarcações,
Cultura Marinha-CFPCM, que faz parte da estrutura organizacio-
as explosões solares e suas consequências nas comunicações.
nal do Centro de Referência em Pesca e Navegação Marítima-
Além disso, uma das etapas mais difíceis para os iniciantes em
CRPNM, já são ministrados cursos de Navegação Costeira e
Astronomia é identificar as coordenadas de uma estrela numa
Estimada e Navegação Eletrônica que beneficia a região metro-
carta celeste e aplicá-las na navegação.
politana da Grande João Pessoa, formada pelos municípios de Alhandra, Bayeux, Caaporã, Cabedelo, Conde, Cruz do Espírito
O projeto “A importância da Astronomia na Navegação” con-
Santo, João Pessoa, Lucena, Mamanguape, Pitimbu, Rio Tinto e
templa o curso “Astronomia Aplicada à navegação” com carga
Santa Rita.
horária de 160 horas divididas em quatro módulos, cada um com carga horária de 40 horas. A ementa do primeiro módu-
A natureza da atividade pesqueira requer, em determinados
lo (Matemática aplicada na Astronomia Náutica) aborda os
momentos, que sua realização ocorra em mar aberto. Esta ativi-
Sistemas de Unidade e Medidas utilizados em Navegação e na
dade representa um grande risco para as pequenas embarca-
Astronomia, além de uma breve revisão sobre razão, proporção
ções e principiantes na navegação, principalmente nas regiões
e regra de três, ângulos e arcos, as coordenadas cartesianas, o
onde a frota pesqueira é caracterizada como artesanal e na
estudo do ponto, da reta e do plano e, principalmente, a trigo-
maioria das vezes não são equipadas adequadamente para
nometria. O segundo módulo aborda o funcionamento dos
navegar em águas mais distantes. O projeto “A Importância da
instrumentos utilizados na Astronomia Observacional, como o
Astronomia na Navegação”, desenvolvido pelo programa “Eu e o
telescópio e o sextante. O terceiro módulo (Astronomia Básica)
Mar”, visa além de proporcionar o aprendizado da Astronomia,
aborda os seguintes temas: A evolução histórica da Astronomia
dar suporte aos cursos já mencionados. Até os navios mais mo-
deste a Antiguidade até a Atualidade, o estudo do Sistema Solar
dernos, apesar de todos os equipamentos, não abrem mão de
e das outras galáxias, as novas descobertas e teorias astronômi-
ter a bordo ao menos um marinheiro que saiba navegar através
cas. No último módulo (Astronomia Náutica) o aluno deste curso
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deve ser capaz de entender o sistema de latitude e longitude e
Paulo de Lima Silva e Pâmela Morgana Souza de Oliveira na VI
reconhecer no céu as principais estrelas utilizadas na navegação
Mostra Brasileira de Foguete de Garrafa PET e da apresenta-
astronômica. Sabendo que a maioria das embarcações da região
ção do painel, intitulado “IMPORTÂNCIA DA ASTRONOMIA NA
litorânea de Cabedelo não possuem equipamentos eletrônicos
NAVEGAÇÃO NA CIDADE DE CABEDELO/PB” no VIII Encontro
de navegação (GPS, Ecossonda, entre outros), o conhecimento
Interestadual Nordestino de Astronomia, ocorrida na cidade de
em Astronomia Náutica torna-se uma grande ferramenta para
Fortaleza – CE, nos dias 8, 9 e 10 de junho de 2012. n
todos os navegantes e pescadores artesanais. ______________________________________ Outras atividades paralelas surgiram para contribuir com a
Professor D.Sc. Alexandre R. Andrade
divulgação dos conhecimentos em Astronomia, como as partici-
Responsável pelo Programa Eu e o Mar
pações dos alunos pioneiros do curso: Felipe Kuroski, Gabriella dos Santos Carvalho, Jesarela Merabe Silva Freire, João Paulo
Referência:
de Lima Silva, Melina Laiza da Silva, Pâmela Morgana Souza de
ALTINEU PIRES MIGUENS. Navegação - A Ciência e a Arte
Oliveira, Sidney Costa dos Santos e Stephanny da Silva Franco
Volume I: Navegação Costeira, Estimada e em águas restritas.
na XV OBA (Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica),
1996.
além da participação dos alunos bolsistas deste projeto João
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Foto de fundo adaptada do site: http://www.nasa.gov
Professor Alexandre demonstrando o uso do Sextante aos alunos do 1º Curso de Astronomia Aplicada à Navegação do CRPNM / IFPB.
QUEM FOI
BOWDITCH
?
HISTÓRIA DA NAVEGAÇÃO
B
owditch é o sobrenome de Nathaniel, marinheiro
os dois últimos séculos, foram mais de 75 edições e quase um
do século XVIII que efetuou grandes avanços na
milhão de cópias.
navegação e ajudou a trazer a matemática Européia para a América. Bowditch nasceu em Salem, no ano
Enquanto estava no mar, Bowditch conseguiu trabalhos cada
de 1773. Ele parou seus estudos aos 10 anos de idade, quando
vez mais importantes, e em sua quinta viagem foi mestre e pro-
teve que ir trabalhar na tanoaria de seu pai. Dois anos mais tarde,
prietário de parte do navio. Depois desta viagem retornou para
ele se tornou aprendiz em um local de fabricação e comercializa-
Salem, onde continuou seus estudos matemáticos e entrou no
ção de embarcações, mais especificamente em uma loja espe-
negócio de seguros. Bowditch tornou-se presidente da “Essex Fire
cializada em mantimentos e suprimentos náuticos. No entanto,
and Marine Insurance Company”, uma companhia de seguros do
seu amor pelo estudo nunca o abandonou e na hora em que não
setor marítimo.
estava trabalhando, estudava sozinho latim, francês, matemática, incluindo álgebra e cálculo, bem como ciência e astronomia.
No ano de 1823 mudou-se para Boston, onde viveu por 15 anos,
Quando deixou de ser aprendiz em 1795, partiu para a primeira
vindo a falecer no dia 16 de Março de 1838, com apenas 65 anos
de suas cinco viagens para as Índias Orientais. Quando no mar,
de idade.
n
ele continuou a estudar, aprofundando seus conhecimentos de navegação, fazendo as medições lunares e enchendo cadernos com suas observações.
________________________________________ Tradução: Professor M.Sc. Ticiano Alves
Durante suas viagens Bowditch teve suas anotações documen-
Coordenador do Programa Sagres
tadas pelo inglês John Hamilton Moore, através da publicação “The Pratical Navigator”. Mais tarde Bowditch viria a escrever o seu próprio manual de navegação, “The New American
Fonte:
Practical Navigator”, que também incluiu tabelas de marés, tabelas
MARITIME HISTORY OF MASSACHUSETTS. Nathaniel Bowditch
astronômicas, as funções dos oficiais e um livro sobre navegação.
House. <www.nps.gov/nr/travel/maritime/bow.htm>. 2012.
Publicado pela primeira vez em 1802, o livro tornou-se a bíblia do marinheiro e foi muitas vezes referido simplesmente como um “Bowditch”. Foi atualizado e republicado várias vezes durante a vida de Bowditch. Direitos do livro foram comprados em 1866 pelo Governo Federal do Estados Unidos, que continua a publicar o livro hoje. A edição mais recente foi publicada em 2002. Durante
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**Imagem superior: <http://famousamericans.net>
Memorial a Nathaniel Bowditch por Robert Ball Hughes, inaugurado em 1847 por Henry N. Hooper & Co., Boston, Massachusetts - EUA. Feito em Bronze, em tamanho natural e restaurado em Paris, no ano de 1886. Localizado no Cemitério Mount Auburn.
FOTO: http://commons.wikimedia.org
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PROBLEMAS DE INFRAESTRUTURA QUE AFETAM A LOGÍSTICA PORTUÁRIA
FOTO: Odebrecht
PORTOS
De acordo com o Diário de Pernambuco, em edição do dia 15 de Janeiro de 2013, a construção da ferrovia transnordestina começou em 2006, mas sofre atrasos por conta do pleito da concessionária que toca a obra. 10 • milha náutica • www.ifpb.edu.br/crpnm
O
Centro de Estudos em Logística – COPPEAD/UFRJ, em
Os leitos e os equipamentos ferroviários são obsoletos, o que
pesquisa realizada junto a exportadores, importa-
imprime baixa velocidade e deficiências em integração. Muitos
dores e outros usuários dos portos organizados
ramais e estações de serviços foram desativados e fechados há
brasileiros levantou seis variáveis relacionadas com
décadas. As invasões das áreas às margens das ferrovias aumenta-
infraestrutura que atuam de forma negativa sobre a logística
ram os riscos com acidentes. Esta situação reduz muito o volume
portuária.
de carga transportada por ferrovia, em virtude da capacidade operacional, cuja imagem negativa vai precisar de um grande
Os comentários que serão efetuados se referem às condições
esforço de marketing institucional para recuperar a confiabilidade
infraestruturais nos estados nordestidos e como elas afetam o
dos usuários.
movimento portuário da região. A primeira variável é a infraestrutura rodoviária de escoamento.
O grande projeto ferroviário para a parte do nordeste ocidental é a Transnordestina. Para a Paraíba há necessidade de que seu
As rodovias federais nos estados nordestinos vêm passando
trajeto venha alcançar seu território para que possamos escoar
por um processo contínuo de recuperação e modernização.
a produção de frutos das Várzeas de Sousa e, agora também do
Compreende-se como modernização a duplicação de seus leitos
algodão, após a bem sucedida experiência de plantio e colheita
e a qualidade do material recebido na via nova ou reconstruída.
mecanizada. Apresenta-se como potencialidades da região ser-
Recuperação são os serviços de conserto de trechos deteriorados
taneja, o incremento na produção de mel de abelha (São João
em rodovias já existentes, sem mudanças de rota ou do material
do Rio do Peixe, Aparecida, Catolé do Rocha, Riacho dos Cavalos
preexistente. Verifica-se que os novos trechos construídos e recons-
etc) e carne ovina (Pombal, Condado, Patos, São Mamede, Santa
truídos com duplicação e mudança de trajeto, têm contribuído
Luzia etc). Além disso, os produtos têxteis de São Bento, Paulista
para redução do tempo, do risco e da confiabilidade no escoa-
e Itaporanga.
mento de mercadorias dos portos e para eles. Por outro lado, os serviços de recuperação, muitos deles, de caráter emergencial, em
A terceira variável é a infraestrutura hidroviária de escoamento.
nada têm contribuído, mantendo, de forma prolongada, velhos
Com relação a esta variável deve-se ressaltar que devido aos
problemas, concorrendo para o aumento do tempo por quilô-
sucessivos barramentos dos principais rios paraibanos (Paraíba
metro percorrido, dos riscos com quebra de veículos e acidentes,
do Norte, Mamanguape e Peixe-Piranhas) não existem mais
bem como para a confiabilidade nos serviços de transporte.
condições técnicas, na atualidade, de escoamento por hidrovia. A convivência com o semiárido, tanto para atender o abastecimento
A mesma situação de reconstrução e modernização não se veri-
urbano das cidades, como para permitir a utilização da água nas
fica nas rodovias estaduais. Estas, em todos os estados, na maior
atividades agrícolas e pecuárias, levou a que em sucessivos perío-
parte dos trechos carecem de serviços de reconstrução e recupe-
dos fossem realizados a construção de açudes públicos e privados
ração. Além da qualidade inferior dos leitos, os transportadores
que atendem a população humana, animais e cultivo de plantas,
se defrontam com buracos, falta de acostamento e sinalização,
serviços industriais e comerciais.
serviços de apoio e informação. Outros estados nordestinos, como Maranhão, Bahia e Pernambuco, A produção e circulação de mercadorias, na região Nordeste, tem
permitem a utilização de hidrovias. Em Sobradinho, a hidroelé-
aumentado mais do que no restante do País. É uma situação para
trica da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (CHESF) conta
que ocorra mais investimento em rodovias estaduais e municipais,
com uma eclusa para viabilizar a navegação. O trecho Pirapora-
para proporcionar melhor escoamento da produção local, desti-
Juazeiro-Petrolina é uma hidrovia comercial e de finalidades
nada aos centros consumidores e à exportação para outros países.
turísticas, atravessando o Vale do Rio São Francisco com suas belas paisagens das áreas ribeirinhas habitadas. Essas hidrovias
A segunda variável é a infraestrutura ferroviária de escoamento.
apresentam potencialidades econômicas para escoar a produção
O processo de falta de investimentos e de abandono, pelo qual
regional. n
passou a ferrovia, afetou em larga escala suas operações na região Nordeste.
________________________________ Professor D.Sc. Paulo Galvão
A privatização e novos projetos públicos de infraestrutura ainda
CRPNM / IFPB
não colocaram este modal de transporte compatível com as crescentes necessidades regionais.
milha náutica • www.ifpb.edu.br/crpnm • 11
FOTO: Petrobrás 12 • milha náutica • www.ifpb.edu.br/crpnm
Estaleiro Atlântico Sul, em Pernambuco - onde foi construído o Primeiro navio do Programa de Modernização e Expansão da Frota - Promef, da Transpetro, do grupo Petrobrás - 04/05/2010
A LEI DE MODERNIZAÇÃO DOS PORTOS CAPA
E
stá completando vinte anos de vigência a Lei nº
prazos.
8.630/93, conhecida como – Lei de Modernização dos Portos. Após este período de sua aplicação às ativi-
Estabelece as condições para as operações náuticas, organizando
dades portuárias, chega-se a uma análise imparcial de
os procedimentos necessários para recepcionar as embarcações
que houve conquistas, mas não as esperadas pelo transcurso de
que geram frequência em suas rotas. Estipula a quantidade de
duas décadas em um cenário de globalização, onde os portos ocu-
navios programados, suas cargas, operações requeridas e provi-
pam um papel fundamental na movimentação de mercadorias,
dencia o nível de serviços a ser prestado.
sobretudo nas relações com o resto do mundo. A construção naval vem produzindo mudanças nas embarcações. O crescimento da presença de empresas multinacionais instala-
Duas são as principais: a especialidade dos navios em relação às
das no território brasileiro, de grupos transnacionais com suas
cargas a serem transportadas e o tamanho e a capacidade de
operações globais e do incremento da internacionalização de
cargas transportadas.
empresas brasileiras de diversos portes, tem proporcionado o aumento do fluxo de mercadorias em entradas e saídas pelos
Exige-se, portanto, portos com maior profundidade para conce-
portos brasileiros.
der segurança e condições operacionais adequadas; bons acessos e bacia de evolução compatível com as manobras de atracação e
O marco regulatório estabelece que os portos brasileiros devem
desatracação.
atuar como empresas visando sua sustentabilidade. Para tanto, como as empresas modernas devem ser orientadas para o mer-
Há tendência mundial na construção/reestruturação de portos
cado, com atuação estratégica, proativa visando às mudanças
em águas profundas, onde os piers avançam mar adentro, jun-
de cenários que estão ocorrendo ou podem ser previstas. Como
tamente com quebra-mares e outras obras de contenção. Em
empresas também devem atuar alicerçadas em princípios de
outros portos naturais busca-se o aumento da profundidade. Esta
responsabilidade socioambiental e ética.
ampliação e o aumento de braços de cais com uso múltiplo ou específico estão permitindo ou permitirão a atracação de navios
Os portos são organizações prestadoras de serviços múltiplos,
de maior porte e calado.
atuando como operador logístico em operações de carga e descarga, armazenagem, transferências, consolidação e desconsoli-
Em função da sustentabilidade das empresas de navegação e dos
dação de cargas, arrumação, rotulagem e integrador modal com
requerimentos da gestão das cadeias de suprimentos, os portos
outros modos de transporte.
foram divididos em duas categorias. Os portos concentradores (hub) destinados a operar com navios de grande porte com cargas
Sua área física e operacional deve seguir um Plano de
gerais e específicas.
Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ), que estabelece delimitações e facilidades para prestar níveis de serviços efetivos com
O objetivo é ganhar escala no volume transportado e no tempo
eficiência e eficácia. O PDZ estabelece as condições adequadas
gasto com operações portuárias. O custo do transporte é dos mais
para o sistema portuário presente e planeja no médio e longo
incisivos na formação dos preços das mercadorias. Transportar
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grandes volumes entre dois portos, sem escalas ou com escalas
para outros portos que disponham dessas facilidades.
mínimas, agregado a reduzida permanência (estadia), das embarcações em suas operações de carga e descarga, é fator de com-
Um dos propósitos do terminal multiuso é operacionar contai-
petitividade para fretes mais baratos e operações portuárias mais
ners, utilizando equipamentos dos navios. Agregada a esta ope-
eficientes, seguras e de custo menor.
ração, o porto deve estruturar seus armazéns para operações de estocagem, desconsolidação de cargas, rotulagem, cross-docking
A infraestrutura portuária adequada ao tipo de operações combi-
e transferência em contratos de containers – píer to píer/píer to
nada com a qualidade dos serviços prestados são fatores decisivos
house.
para a seleção e escolha dos portos por seus usuários. Os portos menores devem envidar estudos e pesquisas para Os fatores que são contrapostos impedem o desenvolvimento
atender funções de portos alimentadores (feeder). Muitas empre-
sustentável do sistema portuário. Portos com infraestrutura defi-
sas que trabalham com sistemas de produção em lotes e com
citária proporcionam aumento do tempo de estadia dos navios,
produtos diferenciados, com processos puxados (pull) com partes,
gerando elevação de custos. Falta de equipamentos ou equi-
peças e componentes importados. Para atender os requisitos do
pamentos obsoletos e sem funcionar causam transtorno aos
just-in-time precisam de estoques de segurança (mínimos) e/ou
usuários.
em trânsito.
A existência ou não destes condicionantes de serviços influem
Portos descongestionados são necessários para atender com
na tomada de decisão do usuário. Promove a seletividade da
rapidez suas plantas industriais ou seus CDs estratégicos. Situação
frequência das empresas de navegação e das cargas.
similar se apresenta com grandes atacadistas e varejistas que atuam com produtos importados. Estes bens são descarregados
A Lei dos Portos incentiva a concorrência interportuária. Os portos
no Sudeste e transportados de caminhão para as regiões Norte
como autoridades são autônomos para fixar as tarifas ou preços
e Nordeste.
dos seus serviços. Os preços são formados sob a influência da lei da procura e da oferta, conduzida com a disponibilidade dos
Uma grande mudança que a Lei dos Portos está pondo em
equipamentos, facilidades e a qualidade dos serviços prestados.
prática é a gestão colegiada dos Portos Organizados. O Conselho de Autoridade Portuária (CAP) engloba autoridades públicas fe-
Em 20 anos tivemos sensíveis elevações em portos brasileiros com
derais, estaduais e municipais, empresas de navegação, embarca-
operações com containers, passando de 20-25 unidades/horas
dores, trabalhadores portuários e usuários dos serviços.
para 40-45 unidades/horas, ou em operações roll-on/roll-off, carregando ou descarregando 1.000 automóveis pequenos em
O modelo de gestão é participativo e compartilhado, quando é
oito horas. Também está havendo melhorias em operações com
coordenado de forma democrática, estipula condições viáveis
granéis sólidos, graças a avanços em automação nas operações
de atender de forma nacional as distintas partes interessadas. As
portuárias.
decisões colegiadas tem força normativa interna e está adequada aos ditames obrigatórios da legislação vigente.
Embora não exista, ainda, uma configuração dos portos concentrados (hubs), as práticas existentes e os deslocamentos operacio-
Um porto organizado é uma unidade permanente para o desen-
nais já perfilam esta função. O desbalanceamento portuário é um
volvimento local do município onde está edificado e as áreas de
reflexo da concentração industrial no Brasil. Os usuários queixam-
seu entorno.
se da demora para carregar ou descarregar nos principais portos do País. O congestionamento produz aumento de custos e outros
Atrai investimentos produtivos e gera ocupações diretas e indire-
problemas como quebras, perdas e extravio de mercadorias.
tas. Para atender esta demanda deve existir uma rede educacional destinada aos tipos de profissões e ocupações relacionadas
Há necessidade de redefinição funcional dos portos brasileiros de
diretamente com o sistema portuário e suas bases alimentadoras
âmbito regional. Para alcançar este objetivo deve-se incrementar
situadas a montante e jusante do porto organizado.
a construção/reformas de terminais multiuso. Eles servirão para descongestionar os principais portos regionais atraindo cargas
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Em particular faço referência à formação de pessoal necessário
FOTO: www.portosdoparana.pr.gov.br aos trabalhos marítimos e portuários. As inovações tecnológicas,
néis sólidos e líquidos e terminais de estocagem (armazéns e silos)
as mudanças estruturais e funcionais nos portos organizados e em
e pátios para containers (TECON) e veículos.
suas relações com usuários em um mundo globalizado pontuam uma sintonia no processo de ensino-aprendizagem.
Enquanto isso, o poder público investe na construção de bens e cais, alargamento de canais de acesso, dragagem e correção
As organizações participantes destes setores são essencialmente
de leitos portuários, equipamentos e máquinas, automação de
empresas e, portanto seus componentes devem ter orientações
serviços de informação, segurança, preservação e conservação
para o mercado.
ambiental.
Como todos os segmentos compartilham da gestão dos portos
Esta sintonia não alcançou neste período todas as metas dese-
organizados integrando o CAP, a Lei dos Portos, direcionou uma
jadas. Existem falhas graves no modelo? Analisando a forma e suas
grande responsabilidade a todos os componentes a terem visão
relações refuta-se uma posição negativa.
empresarial, atuarem de forma competitiva, buscando cooperação para questões comuns, produzindo sinergia de equipes
Deve-se analisar, por outro lado, os óbices encontrados em obter
multifuncionais, quebrando barreiras indesejáveis, trabalhado de
os recursos necessários à magnitude dos investimentos a partir da
forma integrada em situação de risco e incerteza.
edição da Lei dos Portos.
Em vinte anos de vigência da Lei, ainda encontramos nos portos
De início estávamos vivendo o último ciclo inflacionário do século
organizados situações burocráticas, processos lentos, assime-
XX. Havíamos herdado elevada dívida externa. Com a globalização
trias de informação para o processo portuário, desafios a serem
e a abertura do comércio externo brasileiro, ficamos alocados em
superados.
um cenário de segundo plano. Com a indústria tecnologicamente defasada em função da política protecionista de substituição de
O processo operacional é defrontado pela agilidade dos parceiros
importações e exportações amplamente subsidiada com incen-
privados versus o baixo ritmo das ações dos parceiros públicos.
tivos fiscais e financeiros não tínhamos capacidade competitiva.
Não é uma falha ou lacuna da Lei dos Portos, junto com ela estão vigentes leis tributárias, sanitárias, ambientais, financeiras e
O choque do Plano Real em julho de 1994 apreciando nossa
administrativas de fundamental importância, mas de ritos proces-
moeda inverteu os fluxos comerciais. O Brasil encontrou nas
suais vagarosos e cheios de meandros, causando dificuldades de
commodities uma alternativa para a queda de exportação de
aplicação e consonância sistêmica para as operações portuárias.
manufaturados. A presença de multinacionais e das regras para movimentação de capitais, somadas a limitação dos gastos públi-
A Lei dos Portos no Brasil estabeleceu princípios para privatizar
cos para provocar superávit primário, tão necessário para o paga-
operações portuárias através das concessões e autorizações de
mento do serviço da dívida externa, tornaram limitados os recur-
serviços públicos, estruturando terminais portuários de uso priva-
sos do poder público para investir em infraestrutura portuária.
do, misto e público e manteve a propriedade dos portos como um bem público integrado ao poder público e administrado por
A estratégia de muitas multinacionais em adotarem o Brasil como
empresa pública.
uma plataforma estratégica para o comércio exterior redirecionou o País na conquista de novos mercados e a necessidade de avan-
O poder público atua como o marco regulatório e a construção,
ços tecnológicos para produtos mundializados gerou a importa-
manutenção e reestruturação da infraestrutura portuária. Os
ção de muitos bens intermediários.
portos além de organizações de caráter econômico também são unidades de defesa e segurança nacional por seus papéis e locali-
O comércio exterior do Brasil ampliou-se a partir de 1995 por
zação estratégicas.
várias causas. Estabilidade monetária e cambial, novas tecnologias, acordos multilaterais (OMC) e regionais (MERCOSUL), redu-
A formação de parcerias público-privadas abriu espaço para os
zindo barreiras tarifárias.
investimentos e participação privada no sistema portuário. São as organizações privadas que tem investido em larga escala na mo-
Concorreram ainda o processo de privatizações e os investimentos
dernização portuária com a estruturação de terminais para gra-
diretos estrangeiros (IDE), invertendo a balança de pagamentos
milha náutica • www.ifpb.edu.br/crpnm • 15
para superavitária até 1999, quando houve necessidades de desvalorização do real para equiparação de preços internacionais. Até a crise de 2008 tivemos crescimento comercial nos dois sentidos (exportação e importação), o que vem provocando aumento nas operações portuárias no Brasil. Ampliou-se o destino e a origem do nosso comércio internacional. Passaram a ser parceiros importantes a China, Rússia, Índia, Argentina, Coreia do Sul e México, além da tríade tradicional, EUA, União Europeia e Japão. Novas rotas e frequências para os navios que utilizam os portos brasileiros nas cinco regiões do País. A arrecadação pública cresceu. Cerca de 35% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro entra nos cofres governamentais. As orientações de políticas públicas fazem crescer os gastos sociais, retirando da pobreza extrema milhões de brasileiros com políticas públicas de transferência de rendas. Os recursos demandados para infraestrutura crescem. Ampliação e renovação da matriz de energia, telecomunicações, estradas, ferrovias, abastecimento de água e saneamento básico, portos e vias navegáveis. O sucateamento herdado, as lacunas e o grande volume de obras de infraestrutura para modernização portuária, levou o Governo Federal a ampliar as parcerias público-privadas ao setor. Enfim, a partir de 2013, espera-se que os investimentos sejam maiores e fluam mais rapidamente, elevando nossos portos a uma posição condizente com a magnitude do Brasil como nação emergente, e atualmente, a sexta maior economia do mundo.
n ________________________________ Professor D.Sc. Paulo Galvão CRPNM / IFPB
16 • milha náutica • www.ifpb.edu.br/crpnm
FOTO: www.imagensaereas.com.br
Porto de Santos / SP
milha náutica • www.ifpb.edu.br/crpnm • 17
AS CONVENÇÕES DA OIT RATIFICADAS PELO BRASIL NOS SETORES MARÍTIMO, PORTUÁRIO E DA PESCA PARTE 2: SITUAÇÃO LEGAL DO TRABALHO DA MULHER
LEGISLAÇÃO AQUAVIÁRIA
E
ste artigo trata do estudo das convenções da
nos Estados Unidos, trazendo lembranças de um fato semelhante
Organização Internacional do Trabalho - OIT rati-
ocorrido em 8 de março de 1857, onde tecelãs foram queima-
ficadas pelo Brasil que contribuíram para a cria-
das vivas numa fábrica, também em Nova York, por realizarem
ção da legislação trabalhistas que favoreceram a
uma marcha reivindicando melhores condições de trabalho,
mulher em relação ao setor marítimo, portuário e da pesca. Sem
diminuição da jornada de trabalho e igualdade de direitos e por
dúvida, as mulheres têm avançado em relação aos direitos traba-
denunciarem as agressões físicas e sexuais que sofriam. Nesta
lhistas, mas esse avanço é resultado de uma luta das mulheres por
época, a jornada de trabalho feminino chegava a 16 horas diárias,
direitos e condições igualitários no mercado de trabalho com os
com salários até 60% menores que os dos homens. Outro evento
homens que vem ocorrendo deste os primórdios da Revolução
importante que fortaleceu o movimento dos direitos da mulher
Industrial. Entre os vários protestos, ocorridos entre 1909 a 1911,
ocorreu em 23 de fevereiro de 1917 (8 de março no calendário oci-
que geraram uma onda de manifestações a favor dos direiros fe-
dental), quando diversas trabalhadoras da região de Petrogrado,
minino em vários países, principalmente Estados Unidos,
atual São Petersburgo, na Rússia, declararam greve numa fábrica,
Alemanha, Suíça, Áustria e Dinamarca, exigindo o direito ao voto
reivindicando melhores condições de vida. Mas somente no ano
e a concessão de cargos políticos para as mulheres, assim como
de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU
direitos de trabalhos igualitários e formação profissional. Uma
(Organização das Nações Unidas). Atualmente, ela é símbolo
data importante foi a primeira celebração do Dia Internacional das
da luta pelos direitos da mulher, e foi também oficializada pela
Mulheres, em 28 de fevereiro de 1909. Outros países também pas-
(Unesco) em 1977.
sariam homenagear as mulheres, mas em dias diferentes. Porém, um fato consolidou o dia 8 de março como o Dia Internacional das
Com a criação da Organização Internacional do Trabalho (OIT)
Mulheres. Em 25 de março 1911, mais de 140 funcionárias, em sua
em 1919, os direitos trabalhistas reivindicados pelas mulheres
maioria imigrante de origem judaica e italiana entre 13 a 25 anos,
foram sendo conquistados, pois cada país membro era obrigado a
morreram num incêndio na fábrica “Triangle Shirtwaist Company”,
adaptar as convenções estabelecidas pela OIT. A tabela mostrada
em Nova York, durante um protesto contra as condições de traba-
na página seguinte, apresenta as convenções da OIT que con-
lho a que eram submetidas. A tragédia teve grandes repercussões
tribuíram para as condições igualitárias em relação aos direitos
18 • milha náutica • www.ifpb.edu.br/crpnm
Tabela: Convenções da OIT ratificadas pelo Brasil nos setores marítimos, portuário e da pesca relacionadas ao trabalho da mulher.
Nº
Título
Adoção OIT
Ratificação Brasil
Observação
3
Convenção relativa ao Emprego das 1919 Mulheres antes e depois do parto (Proteção à Maternidade)
26/04/1934 Denunciada, como resultado da ratificação da Convenção nº103 em 26/07/1961.
4
Convenção relativa ao Trabalho Noturno 1919 das mulheres
26/04/1934 Denunciada em 12/05/1937.
41
Convenção relativa ao Trabalho Noturno 1934 das mulheres (Revista, 1934)
08/06/1936 Denunciada, como resultado da ratificação da Convenção nº89 em 24/04/1957.
89
Trabalho Noturno das mulheres na 1948 Indústria (Revista)
25/04/1957
100
Igualdade de Remuneração de Homens 1951 e Mulheres Trabalhadores por Trabalho de Igual Valor
25/04/1957
103
Amparo à Maternidade (Revista)
18/06/1965
1952
trabalhistas entre homens e mulheres
desses estabelecimentos, com exceção
no setor Marítimo, Portuário e da Pesca
feita em estabelecimentos que empre-
no Brasil.
gam apenas os membros de uma mesma família. Além disso, essas convenções
A Convenção nº3 favoreceu a materni-
estabeleceram que nos países em que
dade,
pois obrigava qualquer estabe-
o clima tornasse o trabalho diurno par-
lecimento industrial ou comercial que
ticularmente penoso, o período notur-
empregasse uma mulher, independente
no poderia ser mais curto que o fixado,
de sua idade, nacionalidade e estado
com a condição de ser concedido um
civil, a não trabalhar durante um período
repouso compensador durante o dia.
de seis semanas após o parto, e ainda poderia deixar o trabalho, mediante a
A Convenção nº100 constituía aos países
exibição de um atestado médico que
membros a responsabilidade de legislar
declarasse que ela está à espera do parto
sobre o princípio de igualdade de remu-
(provavelmente dentro de um prazo de
neração para a mão-de-obra masculina
seis semanas). Tinha o direito de receber,
e a mão-de-obra feminina por trabalho
durante todo o período que permane-
de igual valor, ou seja, se referia às taxas
cesse ausente, uma indenização, sufici-
de remuneração fixas sem discriminação
ente para a sua própria manutenção e
fundada apenas pelo sexo do trabalhador.
a do seu filho, em boas condições de higiene. A referida indenização deverá
A Convenção nº103 constituía aos países
ter o valor fixado e será paga pela auto-
membros a responsabilidade de adotar
ridade competente de cada país. Além
diversas proposições relativas ao amparo
disso, a mulher grávida ganhava direito
à maternidade, como o direito a uma
aos cuidados médicos gratuitos ou de
licença maternidade, mediante exibição
uma parteira, como também o direito
de um atestado médico que indicasse a
de duas folgas de meia hora que lhe
data provável de seu parto. Essa licença
permitia o ato do aleitamento materno.
passou de 6 semanas (convenções nº03) para 12 semanas, podendo ser dividida
As Convenções nº4, nº 41e nº 89, basi-
em 6 semanas antes e 6 semanas depois
camente regulamentava o período do
do parto. Ainda considerou que no perío-
trabalho noturno das 22 horas às 05 horas
do de amamentação, ela estaria auto-
e proibia o trabalho noturno para as
rizada a interromper seu trabalho
mulheres em qualquer estabelecimento
quantas vezes fosse necessário para o
industrial público ou privado, como tão
aleitamento. Essas interrupções deve-
pouco em qualquer dependência de um
riam
...aos países membros a responsabilidade de legislar sobre o princípio de igualdade de remuneração para a mão-de-obra masculina e a mão-de-obra feminina por trabalho de igual valor...”
ser computadas na duração do
milha náutica • www.ifpb.edu.br/crpnm • 19
trabalho e remuneradas como tais, até que a questão possa ser regulamentada pela legislação nacional. Além disso, essa convenção avaliou como ilegal o ato do seu empregador em despedi-la durante esse período de licença maternidade pelo simples justificativa da referida ausência ou até o final do prazo do aviso prévio. As convenções citadas contribuíram para o aprimoramento de uma legislação trabalhista mais igualitária entre homens e mulheres, embora a realidade dos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (censo de 2010), mostrarem que ainda existam algumas discrepâncias no mercado de trabalho entres os sexos. Ao se confrontar os dados percentuais entre homens e mulheres e desconsiderando os valores dos dados que representam a parcela quantitativa de crianças e adolescentes, os valores mostram que em relação à distribuição dos empregados de carteira assinada de cada sexo, representou 67,7%, no contingente masculino e 59,3%, no feminino. No que concerne às horas habitualmente trabalhadas por semana no trabalho principal, o grupo de 40 a 44 horas semanais abrangeu 47,6% dos homens ocupados e 43,8% das mulheres, e o grupo de pessoas que trabalhavam menos de 40 horas semanais foi maior no contingente feminino (34,4%), enquanto que o homens representou (19,6%). No grupo do menor nível de instrução (sem instrução e fundamental incompleto) encontravam-se 78,3% dos Trabalhadores qualificados da agropecuária, florestais, da caça e da pesca. Ainda segundo o Censo de 2010, o mais baixo rendimento nominal médio mensal do trabalho foi o das Ocupações elementares (R$ 567,00), e o seguinte foi o dos Trabalhadores qualificados da agropecuária, florestais, da caça e da pesca com R$ 739,00, observando que os trabalhadores do setor da Pesca e Aquicultura apresenta um rendimento médio mensal de R$ 744,00. Desta forma, ainda percebe-se pelo gráfico que o rendimento do grupo masculino ainda é setor militar, indicando que ainda é necessário legislar para garantia da igualdade dos direitos trabalhistas entre homens e mulheres.
n ____________________________________________________ Professor D.Sc. Alexandre R. Andrade Responsável pelo Programa Eu e o Mar - CRPNM / IFPB
Referências: GUIA DO ESTUDANTE. <www.guiadoestudante.abril.com.br>. Acessado em 01/02/2013. IBGE. <www.ibge.gov.br>. Acessado em 02/02/2013. OIT BRASIL <www.oitbrasil.org.br>. Acessado em 17/02/2013. OIT. <www.oit.org.br/node/850>. Acessado em 17/02/2013. ONU. <www.onu.org.br>. Acessado em 17/02/2013. PLANETA SUSTENTÁVEL. <planetasustentavel.abril.com.br>. Acessado em 03/02/2013.
20 • milha náutica • www.ifpb.edu.br/crpnm
FOTO: www.geocaching.com
maior do que o feminino, embora mostre uma tendência oposta no
A jornalista, professora e política marxista alemã Clara Josephine Zetkin, nasceu em 5 de julho de 1857 em Wiederau (Reino da Saxônia). Lançou a ideia da criação do Dia Internacional da Mulher no dia 26 de agosto de 1910, durante uma conferência internacional de mulheres socialistas realizada na Casa do Povo (Folket Hus), em Copenhague. Faleceu no dia 20 de junho de 1933 em Arkhangelskoye, União Soviética.
“Vou sair de um fusca e vou parar numa Ferrari...“
milha náutica • www.ifpb.edu.br/crpnm • 21
FOTO: http://www.portossa.com
Palavras de Hidele Lobato Bahia, a 1ª mulher brasileira a chegar ao posto de Capitã de Longo-Curso, ao assumir o Comando do Rômulo Almeida, a 4ª embarcação do Programa de Modernização e Expansão da Frota (PROMEF) da TRANSPETRO, que possui 183 metros e tem a capacidade de transporte de 56 milhões de litros de combustível.
MOMENTO HISTÓRICO PARA O ENSINO PROFISSIONAL MARÍTIMO BRASILEIRO CRPNM / IFPB O Centro de Referência em Pesca e Navegação Marítima - CRPNM
“Todas as matrizes curriculares dos cursos da Marinha do Brasil
do IFPB oferta pela primeira vez na história da Rede Federal de
estão sendo reformuladas com o objetivo de adequá-las às regras
Educação os cursos do Ensino Profissional Marítimo em parceria
da Organização Marítima Internacional (IMO). A preparação didáti-
com a Marinha do Brasil.
ca e o andamento dos cursos serão acompanhados pela DPC, que emitirá as Cadernetas de Inscrição e Registro - CIR equivalentes a
Foram ofertadas em 2013, através do processo seletivo para os
categoria dos alunos concluintes”, afirmou a Professora Margareth.
cursos do Ensino Profissional Marítimo do CRPNM / IFPB, 125 vagas. As inscrições foram gratuitas e ocorreram entre os dias
Representante da SETEC no Grupo de Trabalho (GT) Interministerial
14 de Fevereiro e 08 de Março através do portal do IFPB. Nesse
de Formação e Qualificação do Pescador, criado para aprimorar a
período houve mais de 3.000 inscritos.
formação do profissional da pesca, Margareth lembra que esse é um momento histórico: “Todos que fazem o CRPNM estão felizes
Para o primeiro semestre de 2013, serão ofertados: Curso de
por mais essa conquista, resultado do trabalho de uma equipe
Formação de Aquaviários – Pescador Profissional – POP; Curso
que ama o que faz. Agradecemos a Deus em primeiro lugar, ao
de Formação de Aquaviários – Marinheiro Auxiliar de Convés
apoio da nossa Reitoria e de todos os nossos parceiros. A partir de
/ Marinheiro Auxiliar de Máquinas; Curso de Adaptação para
agora os pescadores, seus familiares e a comunidade terão acesso
Aquaviários – cozinheiro, taifeiro, enfermeiro e auxiliar de saúde.
aos Cursos do Ensino Profissional Marítimo de forma gratuita
Já para o segundo semestre, serão ofertados: Curso de Formação
através do CRPNM/IFPB”.
de Aquaviários – Pescador Especializado em Pesca – PEP e Curso de Adaptação para Aquaviários – cozinheiro, taifeiro, enfermeiro e
Parceria
auxiliar de saúde.
base no memorando de entendimento, publicado no DOU em
– A parceria para a oferta dos cursos surgiu com
30 de outubro de 2012, assinado entre o Ministério da Defesa A prova objetiva será realizada no dia 07 de abril (domingo) das
(MD), o Ministério da Educação (MEC), através da Secretaria de
08h às 11h e consta de 20 questões de língua portuguesa e 20
Educação Profissional e Tecnológica (SETEC), o Ministério da Pesca
de matemática. Haverá também um Teste de Aptidão Física, de
e Aquicultura (MPA) e a Marinha do Brasil (MB), que possibilita a
caráter eliminatório, a ser realizado nos dias 01 e 02 de maio, das
oferta de cursos para o 1º, 2º e 3º grupos, Marítimos, Fluviários e
08h às 17h. Participarão do teste físico os candidatos classificados
Pescadores. “Através do Acordo de Cooperação Técnica entre o
na prova objetiva em até três vezes o número de vagas do curso
Centro de Referência em Pesca e Navegação Marítima-CRPNM/
ao qual estão concorrendo.
IFPB, Diretoria de Portos e Costas da MB e Ministério da Pesca para a oferta de cursos para pescadores, acreditados pela MB, está
O resultado final será divulgado dia 09 de maio e as aulas estão
sendo possível disponibilizar para à comunidade cursos do Ensino
previstas para iniciar no dia 15 de maio. O processo seletivo está
Profissional Marítimo – EPM”, concluiu a Professora Margareth
sob a responsabilidade da Comissão Permanente de Concursos
Rocha. n
Públicos (Compec).
Sobre os cursos – De acordo com a Diretora do CRPNM, Professora Margareth Rocha, os cursos são disponibilizados em concordância com a Diretoria de Portos e Costas da Marinha do Brasil, a Capitania dos Portos da Paraíba e o Ministério da Pesca.
22 • milha náutica • www.ifpb.edu.br/crpnm
__________________________________________________ Patrícia Nogueira Jornalista/Reitoria/Ascom com informações do CRPNM
Momento da Assinatura do Acordo de Cooperação Técnica entre a Marinha do Brasil, o CRPNM / IFPB e o Ministério da Pesca e Aquicultura MPA no dia 20 de Novembro de 2012, em João Pessoa / PB. Reitor do IFPB Professor João Batista, Diretora do CRPNM Professora Margareth Rocha e Diretor da Diretoria de Portos e Costas da Marinha do Brasil Vice-Almirante Ilques Barbosa.
milha náutica • www.ifpb.edu.br/crpnm • 23
H É L I C E O PERIGO ESCONDIDO SEGURANÇA NO MAR
A
maioria dos acidentes envolvendo hélices PODEM ser evitados. Um hélice típico com três pás girando a 3.200 RPM pode infligir 160 impactos em um segundo. Isto pode causar ferimentos graves e até morte.
Os hélices representam um risco que pode ser facilmente ignorado simplesmente porque os mesmos estão sob a água, ou seja, “fora da vista e fora do pensamento”.
•
das de embarque e assentos (se possível, passageiros devem
As pessoas embarcadas devem manter seus braços e pernas dentro
permanecer sentados todo o tempo em que a embarcação
da embarcação. Dicas de segurança para os condutores de embarcações: •
estiver em movimento). •
aproxima. Designe um passageiro para vigiar continuamente a pessoa na água. Pare os motores quando se aproximar para o
devendo estar sempre vigilante e considerar a área no entorno •
Instrua os passageiros sobre a localização dos hélices e o perigo representado pelos mesmos. Mostre enfaticamente a “ZONA DE PERIGO”.
•
perto dos hélices (pessoas nas proximidades dos hélices podem não ser visíveis do timão). Designe um passageiro para vigiar o entorno dos hélices do barco quando pessoas estiverem na água nas proximidades da embarcação. •
Nunca permita que passageiros embarquem ou desembarquem - oriundos ou para a água - quando os motores estiverem funcionando e os hélices girando.
•
Esteja alerta quando operando em áreas congestionadas e mantenha-se afastado de áreas de banhistas (respeite as regras de tráfego).
•
Nunca permita que passageiros transitem na proa ou em outros locais onde possam cair ao mar.
•
recolhimento da pessoa na água. •
Nunca dê máquinas atrás para recolher alguém da água.
Crianças devem ser cuidadosamente vigiadas enquanto estiverem a bordo e, preferencialmente, devem estar vestindo coletes salva-vidas.
24 • milha náutica • www.ifpb.edu.br/crpnm
n
________________________________________________________ Enviado ao site Rumo Magnético pelo
Antes de dar partida nos motores da embarcação, vá até a popa e observe o entorno para ter certeza de que não há ninguém
•
Se alguém cai no mar, PARE! Em seguida, guine lentamente a embarcação, mantendo a pessoa à vista enquanto você se
O condutor é responsável pela segurança de seus passageiros, dos hélices como ‘ZONA DE PERIGO’.
Estabeleça regras claras para o uso da plataforma de popa, esca-
Comandante Claudio Lisboa Fonte: Capitania dos Portos. Santa Catarina
CRIANÇAS A BORDO SEGURANÇA NO MAR
M
uitas crianças adoram passeios de barco e outras
Certifique-se de que todas as crianças estejam sentadas de forma
atividades aquáticas. Você pode melhorar a confiança
segura enquanto a embarcação estiver em movimento.
delas - e sua paz de espírito -, investindo algum tempo em treinamento e educação antes de navegar. Ensinar
procedimentos de emergência é fundamental.
Lembre-se de que as crianças observam os adultos para obterem exemplos de comportamento adequado. Vista seu colete salva-vidas e elas também irão fazer o mesmo. Ensine-as os prazeres e os riscos
O capitão ou condutor de uma embarcação é o responsável pelas pessoas embarcadas, mas as crianças exigem cuidado extra, não só
de passeios de barco e, assim, terá dado o primeiro passo no caminho para torná-las futuros condutores responsáveis de embarcações. n
a bordo do barco como também quando estiverem se divertindo na água.
________________________________________________________ Enviado ao site Rumo Magnético pelo Comandante Claudio Lisboa
Preferencialmente as crianças devem vestir coletes salva-vidas quando estiverem nas áreas abertas de uma embarcação, onde é possível que caiam na água. Assegure que os coletes salva-vidas possuam o
Fonte: Capitania dos Portos. Santa Catarina
tamanho apropriado, pois um colete de adulto pode sair facilmente do corpo de uma criança.
**Foto superior adaptada do site: <http://multivu.prnewswire.com>
Não navegue sozinho com crianças. Você precisa ter outro adulto a bordo para lidar com elas se algo acontecer com você. Ensine as crianças a nadar e como ficar num barco emborcado ou segurando um objeto flutuante facilmente visto, procedimentos que facilitarão serem avistadas por equipes de resgate. Mostre os compartimentos do barco e onde estão localizados os itens de emergência, equipamentos de salvatagem, etc. Se as crianças tiverem idade suficiente para entender, mostre como usar o rádio e sinalizadores, salientando a importância de não usá-los, a menos que existam problemas reais e as consequências que existem para uso indevido.
milha náutica • www.ifpb.edu.br/crpnm • 25
BIODIVERSIDADE MARINHA E 1 EXPLORAÇÃO DO PRÉ-SAL NO BRASIL VIDA MARINHA
A
maior parte das reservas petrolíferas “pré-sal” ou
pré-sal descobertas até agora? Os primeiros resultados apontam
“subsal” atualmente conhecidas no mundo está em
para volumes muito expressivos. Para se ter uma ideia, só a acu-
áreas marítimas profundas e ultra profundas. Nas
mulação de Tupi, na Bacia de Santos, tem volumes recuperáveis
chamadas rochas da camada pré-sal existentes no
estimados entre 5 e 8 bilhões de barris de óleo equivalente (óleo
mundo, a primeira descoberta de reserva petrolífera ocorreu no
mais gás). Já o poço de Guará, também na Bacia de Santos, tem
litoral brasileiro e foi anunciada pela PETROBRÁS em 2006, mas
volumes de 1,1 a 2 bilhões de barris de petróleo leve e gás natural,
a primeira extração de petróleo foi em setembro de 2008 e pas-
com densidade em torno de 30º API.
saram a ser conhecidas simplesmente como “petróleo do pré-sal” ou “pré-sal”.
O pré-sal tem sido alvo de muitos debates entre os políticos governantes de diversos países. A grande quantidade de petróleo
Atualmente as principais áreas de exploração petrolífera com
encontrada em alguns Estados pode colocar o Brasil na lista dos
reservas potenciais ou prováveis já identificadas na faixa pré-sal
maiores produtores e exportadores de petróleo do mundo.
estão no litoral do Atlântico Sul. Na porção sul-americana está a grande reserva do pré-sal no litoral do Brasil.
Segundo Clark (2011), pesquisa do GRENNPEACE alerta que o governo e as empresas mostram despreparo em assegurar a
De uma maneira simplificada, o Pré-Sal é um conjunto de reser-
preservação da biodiversidade marinha, fato comprovado pelo
vatórios mais antigos que a camada de sal (halita e anidrita) neoa-
maior vazamento de óleo já registrado no país, diante dos planos
pitiniano que no Brasil se estende nas Bacias de Campos e Santos
de expansão da indústria brasileira do petróleo em direção às
desde o Alto Vitória até o Alto de Florianópolis respectivamente.
camadas cada vez mais profundas sob o oceano.
A espessura da camada de sal na porção centro-sul da Bacia de Santos é de aproximadamente 2.000 metros, enquanto na porção
A CHEVRON, protagonista do primeiro vazamento em mar
norte da bacia de Campos está em torno de 200 metros.
brasileiro, trouxe à tona o debate sobre o perigo da exploração do pré-sal.
Ao longo de milhões de anos e sucessivas Eras Glaciais, ocorreram grandes oscilações no nível dos oceanos, ocorrendo inclusive à
Quais as possíveis causas para o vazamento no poço da petroleira
deposição de grandes quantidades de sal que formaram grandes
norte americana CHEVRON, localizado no Campo de Frade, a 120
camadas de sedimento salino, geralmente acumulado pela eva-
quilômetros da costa fluminense?
poração
da água nestes mares rasos. Estas camadas de sal
voltaram a ser soterradas pelo Oceano e por novas camadas de
Duas hipóteses foram levantadas: a primeira seria a aplicação de
sedimentos quando o gelo das calotas polares voltou a derreter
uma pressão exacerbada que teria rompido fissuras geológicas,
nos períodos inter glaciais.
permitindo a fuga do óleo.
Qual o volume estimado de óleo encontrado nas acumulações do
A outra é que a empresa teria perfurado além do permitido, sem
26 • milha náutica • www.ifpb.edu.br/crpnm
FOTO: www.geografiaparatodos.com.br a devida autorização.
a necessidade do Brasil de proteger sua biodiversidade marinha como Abrolhos, na costa da Bahia, maior recife de corais do
Independente da apuração das causas e responsabilidade pelas
Hemisfério Sul, transformado em Parque Nacional em 1983. n
autoridades torna-se evidente, segundo a autora, que a CHEVRON não soube gerenciar o problema, visto que a empresa só se intei-
______________________________________
rou do vazamento quando foi avisada por técnicos da PETROBRÁS
Professora D.Sc. Margarida Maria de Araujo
que sobrevoavam a região e observaram a imensa mancha de
IFPB - Campus Cajazeiras
óleo. Cerca de 500 mil litros que chegaram a atingir uma área de 163 Km2. Esse vazamento mostra que a exploração de petróleo em
Referências:
alto mar não é segura.
FOTO: Ariel Scheffer
CLARK, Natália. Alerta em alto mar. REVISTA DO GREENPEACE. Fato como esse preocupa e motiva Organizações não governa-
Trimestre: outubro-novembro-dezembro 2011. São Paulo.
mentais a exemplo do GREENPEACE, sobre o impacto na biodi-
MUNDO HOJE. <http://mundohoje.com.br>. Acesso em 12 de
versidade. Mesmo com a suspensão da licença da empresa e sua
novembro de 2012.
retirada das águas brasileiras, além da multa do IBAMA, torna-se
PETROPRESAL. <www.petropresal.com.br>. Acesso em 10 de
necessário gerenciar de forma mais eficaz essas questões ambi-
dezembro de 2012.
entais por serem fundamentais para a sobrevivência das espécies marinhas. 1
Pré-sal ou Sub-sal é a denominação das reservas
Este episódio da CHEVRON espalhou óleo por uma área que serve
petrolíferas encontradas abaixo de uma profunda
de rota migratória para uma lista de espécies de baleias: bryce,
camada de sal no subsolo marítimo.
piloto, minke-anil, cachalote, francas e jubartes. É um alerta para
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POEMA CULTURA MARÍTIMA
B
usquei conhecer tua história, navio pesqueiro,
juntamente com o grupo formado por alunos e colegas profissionais em navegação marítima. Andei sobre ti em meio aos teus convés.
O
utrora alguém lançasse o olhar em ti.
Contemplaria apenas um mero navio inativo precisando de um tratamento anticorrossivo. Simplesmente abandonado, parado no cais do Porto, sendo embalado pelo balanço do mar e cercado por lindas águas vivas, continuas ainda adormecido.
o m u r o ir rnare n o tim s de to o s a ri ho .“ ..leva ossos son la.” aos n avio Esco te N
R
esplandecestes no interior de cada um,
enquanto ouvíamos o relato sobre a tua história, a imaginação das inúmeras viagens bem sucedidas. Despertastes em nós o desejo de ver-te ativo, limpinho, na mais perfeita ordem, com os teus maquinários funcionando a todo vapor em harmonia com a beleza da natureza e os pescados que te esperam.
E
ntão contemplaríamos as tuas câmaras frigoríficas repletas
do que o mar reserva para cada um dos teus exímios pescadores. Ressurge do cais que te aporta e da inércia que te acorrenta e retorna as límpidas águas do alto mar.
A
cabine equipada com aparelhos de tecnologia avançada
levarias o timoneiro rumo aos nossos sonhos de tornar-te Navio Escola para aqueles que almejam aprender nas cartas naúticas navegar em trajetórias das novas histórias a serem vivenciadas.
L
utaremos pra te ver ativo e operante,
pois tens muito para contribuir com os pescadores FOTO: Ticiano Alves
que almejam a inclusão social para que de forma digna, possam usufruírem dos mistérios das águas profundas e sagradas que presenteia-nos com o tesouro imerso: a pesca marítima. n ________________________________ Professora Esp. Neyr Muniz Barreto CRPNM / IFPB
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FILMES & LIVROS
CULTURA MARÍTIMA
AS AVENTURAS DE PI Título Original: Life of Pi ANO: 2012
SINOPSE:
GÊNERO: Aventura, Drama
ScliarPi Patel (Suraj Sharma) é filho do dono de um zoológico loca-
DURAÇÃO: 127 minutos
lizado em Pondicherry, na Índia. Após anos cuidando do negócio,
DIREÇÃO: Ang Lee
a família decide vender o empreendimento devido à retirada do
ROTEIRO: Yann Martel (romance), David Magee (roteiro)
incentivo dado pela prefeitura local. A ideia é se mudar para o
REALIZAÇÃO: Richard Fleischer, Richard Fleischer
Canadá, onde poderiam vender os animais para reiniciar a vida.
ATOR/ATRIZ: Suraj Sharma, Irrfan Khan, Adil Hussain.
Entretanto, o cargueiro onde todos viajam acaba naufragando
PRÊMIOS: 01 Globo de Ouro e 04 Oscars
devido a uma terrível tempestade. Pi consegue sobreviver em um bote salva-vidas, mas precisa dividir o pouco espaço disponível
SOBRE O FILME:
com uma zebra, um orangotango, uma hiena e um tigre de ben-
O filme As aventuras de Pi, título original “Life of Pi”, é baseado
gala chamado Richard Parker.
em um roteiro escrito por David Magee. O roteiro é adaptado do romance de 2001, de mesmo nome, escrito por Yann Martel, que por sua vez se baseou no livro brasileiro Max e Os Felinos, escrito por Moacyr. O filme recebeu onze indicações ao Óscar, incluindo Melhor Filme, tendo vencido os prêmios de Melhor Diretor (Ang Lee), Melhor Trilha Sonora, Melhor Fotografia e Melhores Efeitos Visuais.
MAX E OS FELINOS
AUTOR: MOACYR SCLIAR
Editora: L&pm Edição: 2001
SOBRE A POLÊMICA COM O AUTOR DE “LIFE
se envolveu em uma polêmica com o escritor
OF PI”:
canadense Yann Martel, cujo famoso romance
O escritor Moacyr Jaime Scliar nasceu no dia 23
A Vida de Pi, vencedor do prêmio Man Booker,
de março de 1937, na cidade de Porto Alegre
foi acusado de ser um plágio da sua novela Max
(RS). Formado em medicina, trabalhou como
e os felinos(2001), catalogo da Coleção L&PM
médico especialista em saúde pública e pro-
Pocket (1981). O escritor gaúcho, no entanto,
fessor universitário. Sua prolífica obra consiste
diz que a mídia extrapolou ao tratar do caso,
de mais de 80 livros, entre contos, romances,
e que ele nunca teve o intuito de processar o
ensaios e literatura infanto-juvenil, além de
escritor canadense. Em 2003, foi eleito membro
possuir textos adaptados para cinema, teatro,
da Academia Brasileira de Letras.
tevê e rádio, inclusive no exterior. Em 2002 ele
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CRÍTICA CULTURA MARÍTIMA A lenda dos nativos peruanos, que trata do deus Kon-Tiki, expul-
A aventura foi transformada em um documentário que rece-
so do Peru e refugiado nas ilhas do Pacífico, serviu de inspiração
beu o Oscar em 1951. Este ano foi lançado no Brasil o livro A
para a viagem e deu nome ao barco e à expedição do explora-
expedição Kon-Tiki ( José Olímpio) escrito pelo próprio Thor
dor e pesquisador norueguês Thor Heyerdahl (1914-2002).
Heyerdahl, como também um filme foi produzido, homônimo ao livro, que foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro.
Thor Heyerdahl, especializado em zoologia e que mal sabia nadar, juntamente com seus companheiros de aventu-
Vale a pena conferir o filme, pois permite que nos aventuremos
ras Herman Watzinger, Knut Haugland, Torstein Raaby, Erik
junto com Thor e os cinco navegantes, enfrentando e sobre-
Hesselberg, e o sueco Bengt construíram uma jangada, também
vivendo a tempestades, pescando tubarões com uma técnica
chamada balsa, que foi uma cópia das utilizadas pelos índios
inédita e tendo que lhe dar com as dificuldades da navegação.
na costa do Peru e do Equador no momento em que o primeiro europeu chegou. E partiram numa expedição pelo Oceano
Se quiser saber mais sobre o trabalho de Thor Heyerdahl, você
Pacífico, partindo da América do Sul para a Polinésia, em abril
pode visitar o Museu Kon-Tiki, em Oslo. Existe uma exposição
de 1947, com intuito de demonstrar a possibilidade de que a
permanente sobre a expedição além dos arquivos especiais
colonização da Polinésia tinha sido realizada por via marítima
sobre Thor Heyerdahl. Os documentos da expedição que estão
por indígenas da América do Sul.
no Museu Kon-Tiki já foram incluídos na memória da UNESCO do cadastro do Mundo.
A expedição Kon-Tiki foi financiada através de empréstimos, e contou com doações de militares do exército dos Estados
Ficha Técnica:
Unidos. Heyerdahl viajou para o Peru, algum tempo antes, junto
Ano: 2012
com seus amigos e dentro do espaço previsto pelas autoridades
Gênero: Aventura, Drama
nacionais, se dedicava à construção da jangada. Para isso, foram
Duração: 127 minutos
utilizadas toras de madeira balsa e outros materiais nativos, e
Direção: Ang Lee
manteve o estilo de construção indígena.
Roteiro: Yann Martel (romance), David Magee (roteiro) Ator/Atriz: Pål Sverre Valheim Hagen, Anders Baasmo
No dia 28 de abril de 1947, a balsa Kon-Tiki foi rebocada para
Christiansen, Gustaf Skarsgård, Odd Magnus Williamson,
fora do porto de Callao, no Peru, e ficou à deriva na corrente de
Tobias Santelmann, Jakob Oftebro e Agnes Kittelsen.
Humboldt. Conduzido apenas pelas marés, correntes e força do
Indicações: Globo de Ouro e Oscar de Merlhor Filme em
vento, que é quase constante, na direção leste-oeste ao longo
Língua Estrangeira. n
do Equador. No entanto, a expedição dispunha de equipamentos como rádio, relógios, mapas, sextantes e facas, ainda que
________________________________________
os mesmos não fossem pertinentes ao tentar provar que uma
Professora Raphaella Belmont de S. Alves
jangada poderia fazer tal travessia. Cento e um dias depois, após atravessar 4300 milhas (8000 km)
Licenciatura Plena em Letras (UFPB) Referências:
do Pacífico, o barco foi levado até o recife Raroia bem dentro da
IMDb. <http://www.imdb.com/title/tt1613750>. Acessado: 12
Polinésia. Comprovando o que para muitos parecia impossível,
de Março de 2013.
pois além de navegar em uma balsa feita de troncos presos
THE KON-TIKI MUSEUM. <http://www.kon-tiki.no/e_aapning.
por cordas e conduzida, apenas, pelo vento, Thor e seus com-
php >. Acessado: 12 de Março de 2013.
panheiros demonstraram que antes dos europeus chegarem à Polinésia, esta foi habitada pelos povos pré-históricos da América do Sul.
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SALGARISCOS SABORES DO MAR Os “SALGARISCOS” são produtos de valor agregado a base de mariscos. Esse nome peculiar foi criado a partir de uma necessidade observada em utilizar o marisco de uma forma diversificada de consumo. A partir de então, foi elaborado, em 2012, um projeto através do Programa Institucional de Bolsas de Extensão - PROBEXT, ligado a Pró-reitora de Extensão do IFPB, que resultou numa cartilha. Os produtos contidos na cartilha foram elaborados com a participação dos alunos do curso de “Salgariscos” realizado no CRPNM / IFPB. CLIQUE AQUI E CONHEÇA A CARTILHA
MARISCO NA PALHA DO COQUEIRO Material
colorau, o vinagre e o azeite. Passar as verduras no liquidificador e
1 Kg de mariscos
acrescentar à mistura. Acrescentar 2 colheres de sopa de colorau.
2 cocos ralados
Levar ao fogo brando para cozinhar e espera secar um pouco.
tomates, cebolas, pimentão, coentro,
Em seguida pegar o coco ralado e espremer com a mão até sair
5 dentes de alho
o máximo do suco. Deixar por 5 minutos no fogo e em seguida
2 colheres de vinagre
acrescentar o coco espremido. Depois se tritura o milho verde, o
1 colher de chá de pimenta do reino
coentro e o creme de leite e acrescenta a mistura e deixa cozinhar
4 colheres de sopa de colorau
até que fique com pouco líquido.
2 colheres de sopa de azeite 1 lata de milho verde
Etapa de Limpeza das Palhas de Coqueiro
1 lata de creme de leite sem soro
Lavar bem as palhas de coqueiro com água abundante e deter-
Tempero em pó (2 sachês)
gente neutro, cortando as extremidades com uma tesoura, em
½ colher de sopa de sal
seguida mergulhar em solução clorada (imersão em solução em 1
Palha de coqueiro larga
litro de água para 1 colher de sopa de água sanitária) por cerca de 20 minutos. Depois se lava a palha e deixa reservada.
Modo de Preparo Limpe bem o marisco em água abundante e deixe os resíduos
Recheio das palhas e assado em forno
sólidos decantarem (3 vezes). Depois pegue seguidas porções do
Pegue uma palha já limpa e cortada e recheie com o marisco, em
marisco e espremendo levemente e colocando em uma vasilha.
seguida feche com outra cobrindo, dobre as pontas e amarre. Leve
Tempere o marisco com alho amassado, o sal, o tempero em pó, o
ao forno por cerca de 20 minutos.
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QUICHE DE MARISCO Massa Ingredientes 1 Kg de farinha de trigo sem fermento 1 margarina de 500 g 1 copo de água 1 copo de óleo 1 colher de chá de sal Modo de preparo Misture todos os ingredientes, deixe a massa descansar por 10 minutos e modele as formas de quiche
Recheio Ingredientes 1 Kg de marisco 1 tomate picado 1 cebola picada 1 pimentão pequeno picado ½ maço de coentro 1 pimenta de cheiro 3 dentes de alho amassados 1 colher de chá de pimenta do reino 2 colheres de sopa de extrato de tomate 1 colher de chá de colorau Sal a gosto 1 lata de creme de leite Modo de Preparo Limpe bem o marisco, coloque o sal, depois misture todas as verduras e os temperos secos de 15 a 20 minutos em fogo brando. Desligue o fogo, deixe baixar a fervura, adicione o creme de leite e engrosse com farinha de trigo.
Modelagem do Quiche Após colocar a massa nas formas próprias para quiche, coloque o recheio, cubra com molho branco, polvilhe com queijo parmesão ralado e leve ao forno por cerca de 20 minutos. Em seguida aguarde um pouco para esfriar e desenforme. n
_________________________________________________ PROFESSORA D.SC. MARGARETH ROCHA DIRETORA DO CRPNM / IFPB OLGA SUELI BEZERRA COORDENADORA DE ACOMPANHAMENTO DAS ATIVIDADES DE EXTENSÃO DA PROEXT DEMISON XAVIER FERREIRA BOLSISTA DO PROBEXT - CRPNM / IFPB
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CONHEÇA-NOS VENHA SER UM PROFISSIONAL DO MAR
Qualificar homens e mulheres para o trabalho no mar, através da aplicação do conhecimento teórico e do aperfeiçoamento dos saberes, é um desafio constante do CRPNM. Para isso oferecemos cursos nas mais diversas áreas. E ao trabalhar nossas ações de forma dinâmica e inovadora, o CRPNM dá às famílias que do mar tiram o seu sustento a oportunidade de se inserirem no mundo do trabalho. Te l e f o n e ( 8 3 ) 3 2 4 8 - 5 4 1 7 o u v i s i t e w w w . i f p b . e d u . b r / c r p n m
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FOTO: Hermin Abramovitch
Site do Programa Sagres