Em dia Especial com as línguas TLEBS Departamento de Línguas | Escola Superior de Educação | Instituto Politécnico de Setúbal
Janeiro 2007
O ensino da gramática e a terminologia Maria Helena Mira Mateus* | Jornal Público de 13/12/2006, Pág. 8
É bom que eles conheçam, também,
que permita ao aluno encontrar um emprego no fim da escolaridade. O ensino pretende mais do que isso. Pretende transmitir à nova geração o que se sabe e o que se vai sabendo à medida que os anos passam; pretende contribuir para o exercício de uma cidadania
alguns outros termos, para que não suceda como numa turma do primeiro ano da Faculdade em que ninguém sabia o que era uma palavra “esdrúxula”, nem nenhum
consciente; pretende impulsionar uma sociedade em direcção ao futuro. Assim se compreende, por exemplo, que a matemática hoje não seja exactamente a que aprenderam os pais dos alunos, o mesmo se dizendo da física ou da astronomia, da filosofia e da literatura. Nesta perspectiva, o que se espera do ensino da língua portuguesa? Para além das competências comunicativas e estéticas, e para benefício delas, espera-se naturalmente que os alunos aprendam como funciona a língua que utilizam, ainda que já a falem quando começam a estudá-la. Mas não é assim com a respiração, embora aprendam o aparelho respiratório? Com a alimentação, embora aprendam o aparelho digestivo? Para que aprendam o
aluno português conseguia classificar a palavra café quanto ao acento tónico A discussão que se estabeleceu em torno da TLEBS tem por detrás qualquer coisa de muito mais importante que deve ser referido nesta ocasião: o lugar e o mérito do ensino da gramática. Sendo claro que a terminologia decorre da gramática que se ensina, e não o oposto, e sendo certo que a gramática de uma língua é constituída pelo conjunto de regras a que obedece o seu funcionamento, é evidente que à medida que se vai aprofundando o conhecimento desse funcionamento a gramática vai sofrendo alterações e alguns dos termos que dela decorrem também vão sendo substituídos. Assim sucede com todo o conhecimento, quer o que diz respeito ao comportamento e à produção intelectual do homem (psicologia, sociologia, matemática), quer o que diz respeito a todos os aspectos da natureza (biologia, física, química). O estudo da língua portuguesa tem acompanhado o progresso no conhecimento do funcionamento das línguas e, naturalmente, esse progresso temse reflectido no ensino do português. Este percurso acontece com todas as áreas de conhecimento e justifica os currículos escolares do ensino obrigatório e os respectivos conteúdos. Na verdade, o ensino básico e o ensino secundário não têm como finalidade apenas levar à obtenção de um certificado ou diploma