Revista Estilo Zaffari - Edição 68

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Ano 12 N0 68 R$ 4,95

LAZER

UMA CASA FEITA PARA CURTIR OS BONS MOMENTOS

PORTO ALEGRE

AS CRIATIVAS E VARIADAS ATRAÇÕES DO DISTRITO C

68 9 779771 41568 9

ISSN 1415-3637

TECNOLOGIA A GASTRONOMIA APAIXONANTE DE CAROL E WILLEM

FOTOS DIGITAIS, O QUE VOCÊ FAZ COM AS SUAS?






Milene Leal milene@contextomkt.com.br

EDITORA E DIRETORA DE REDAÇÃO REDAÇÃO Cris Berger, Flavia Mu, Gustavo Mini, Loraine Luz, Milene Leal REVISÃO Flávio Dotti Cesa DIREÇÃO E EDIÇÃO DE ARTE Luciane Trindade ILUSTRAÇÕES Moa FOTOGRAFIA Letícia Remião, Carin Mandelli, Glauco Arnt COLUNISTAS Carla Pernambuco, Celso Gutfreind, Cherrine Cardoso, Fernando Lokschin, Lenice Zarth Carvalho, Luís Augusto Fischer, Roberta Gerhardt, Tetê Pacheco EDITORA RESPONSÁVEL Milene Leal (7036/30/42 RS)

Izabella Boaz izabella@contextomkt.com.br

DIRETORA DE ATENDIMENTO A revista Estilo Zaffari é uma publicação trimestral da Contexto Marketing Editorial Ltda., sob licença da Companhia Zaffari Comércio e Indústria. Distribuição exclusiva nas lojas da rede Zaffari e Bourbon. Estilo Zaffari não publica matéria editorial paga e não é responsável por opiniões ou conceitos emitidos em entrevistas, artigos e colunas assinadas. É vedada a reprodução total ou parcial do conteúdo desta revista sem prévia autorização e sem citação da fonte.

TIRAGEM 25.000 exemplares IMPRESSÃO Gráfica Pallotti

ENDEREÇO DA REDAÇÃO Rua Cel. Bordini, 487/40 andar – Porto Alegre/RS – Brasil – 90440 000 (51) 3395.2515 (51) 3395.2404 (51) 3395.1781 estilozaffari@contextomkt.com.br

FOTO: LETÍCIA REMIÃO


N OTA

D O

E D I TO R

Rima poderosa Sabor sempre rimou com amor. Mas de uns tempos pra cá parece que as pessoas começaram a perceber que, de fato, essa é uma rima poderosa. Quem vive de cozinhar sabe o quanto de afeto e doação é preciso colocar em cada receita, em cada prato. Seja em casa ou na cozinha de um restaurante. Nesta edição da Estilo Zaffari resolvemos ir ainda mais fundo na rima: sabor + amor + cor. Afinal, é Primavera lá fora e as cores têm o poder de conferir mais encanto a tudo que nos cerca, inclusive à comida. Para a pauta de culinária desta edição convidamos uma dupla de chefs que anda fazendo sucesso em Porto Alegre com suas receitas, que, além de deliciosas, são muito lindas, expressões perfeitas do “design gastronômico”. Carol, gaúcha, e Willem, belga, se conheceram na Europa trabalhando, se apaixonaram (!) e resolveram fixar residência no Brasil. Criativos e preocupados em descobrir o que há de melhor em cada ingrediente, eles elaboram pratos que são verdadeiras surpresas, tanto para o paladar como para os olhos. Ainda mais quando fotografados pela mestra Letícia Remião... puro deleite! Primaveril e colorida, esta edição também está cheia de descobertas e dicas muito úteis para nossos leitores. Nossa repórter viajante Cris Berger está de volta, e tem novidades: a coluna “Sampa”, onde ela vai revelar suas melhores descobertas na capital paulista e arredores. Este é um território que Cris começou a dominar em 2012, quando fixou residência em São Paulo, caiu de amores pela cidade e passou a percorrer seus mais diversos bairros em busca dos endereços mais interessantes. Na edição de estreia da coluna, Cris ajustou seu foco para a praia da Baleia, no charmoso litoral paulista, classificada por ela como “escapada perfeita”. Nas páginas a seguir você vai viajar também pela Austrália, na área da Grande Barreira de Corais, pelo novo e criativo Distrito C, em Porto Alegre, pelo vibrante bairro de Pinheiros, em São Paulo, e até dar um pulinho à Serra gaúcha para conhecer uma casa criada para proporcionar relax, lazer, convívio e contato com a natureza. Dá vontade de colocar o pé na estrada imediatamente. Divirta-se! OS EDITORES


Correio RECADINHOS QUERIDOS QUE A ESTILO ZAFFARI 67

Que capa linda! PÂMELA ABREU

Que maravilha! Quero umaaaaaaaaaa! INES SCHERTEL

RECEBEU PELO FACEBOOK NA CHEGADA DA EDIÇÃO ÀS LOJAS:

Gurias, comprei e devorei a minha ontem! Linda, saborosa e cheia de dicas bacanas. Parabéns! LÀURA SCHIRMER

Parabéns, Izabella Truda Boaz, acho excelente a qualidade da revista, as matérias são superinteressantes. SANDRA ARIOLI

Jesusssssssssss, esta capa está de chorarrrrrrr. É a capa mais bela da Estilo. Mistura tradição, ao mesmo tempo que é megacontempôranea. Linda, linda. ISMAEL GOLI

Milene Leal, esta edição ficou magnífica em tudo: Fotos da Letícia Remião geniais como sempre, Carla Pernambuco e sua Porto Alegre... amo! E belas descobertas que fiz com a matéria de Flavia Mu!!! CARMEM GAMBA

Izabella Truda Boaz, Milene Kraemer Leal, a revista ficou show, tá linda e muito inspiradora!!! Beijão HELENA ROSEK

Louca para ver!! Capa lindaaaa.

ALEXANDRA ARANOVICH

Linda revista e eu adoro pinhãããão! JOHNNY MAZZILLI

Saudades da minha revista preferida. Eu já amava sem nem ter ideia que eram vocês que a faziam. MARISOL ESPINOSA (DE NY)

Bahhhh showwww! Arrasaram !!! Puro talento, o seu Zaffari tem sorte em contar com vocês... Bjsss UBIRATAN FERNANDES

Oi, queridas. Li a revista. Está ótima, como sempre. BETE DUARTE

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Gurias, realmente lindíssima. Não só a capa como toda a revista está louca de especial!!! DANIELA VICENTE DA COSTA

Ótima surpresa no rancho de hoje! Parabéns, Flavia Mu! KARIN FIORI HAGEMANN

Beleza de capa. RONALDO LOPES LEAL

Está linda... Competência e tudo de bom, como você, Izabella Truda Boaz. Bjs DENISE MAIA L. S. MAZZOLA

Muito, muito feliz!!! A Tanzânia foi um destino que me encantou... Ver 10 páginas com as minhas impressões e minhas fotos na Estilo Zaffari deste mês foi emocionante. Milene Kraemer Leal e equipe Contexto Editora, Ana Guerra, MUITO OBRIGADA! LUCIANE GARCIA

Super, super, superfeliz! Essa edição tá linda, quentinha, delícia! FLAVIA MU

Já tenho a minha, tá maravilhosa mesmo. LETÍCIA MELO

Simplesmente fabulosa essa capa!!! Que beleza, parabéns! Beijão, gurias!!! VERA MOREIRA

Parabéns! Linda como sempre. DANIELA SANTAROSA

Excelente capa. BETO SALVI

Ainda não tenho a minha, mas essa capa está demais!!! Já deu vontade de ir buscar! SIMONE MICHEL

Adoro fotografar para essa revista! Sempre linda e cheia de receita gostosas! Louca pra ver!!! CARIN MANDELLI



Cesta Básica

12

Me Gusta

44

Viagem

48

Criaturas Humanas

54

Coluna Equilíbrio

63

Coluna Vida

64

Tecnologia

66

Junto à natureza da Serra, uma casa concebida para o relax e o convívio

O Sabor e o Saber

72

Coluna Comer, Comer

84

76

Garimpo: Bairro Pinheiros

86

Moda

94

Palavra

98

PARA CURTIR OS MOMENTOS DE LAZER

NOVA COLUNA Agora paulistana convicta, Cris Berger revela segredos e dicas da capital paulista e arredores

70


AMOR + SABOR + COR Um jovem casal de chefs e sua culinária cheia de detalhes, inspiração, sabores e cores

30

DISTRITO C: CRIATIVO POR VOCAÇÃO As novas, variadas e superinteressantes atrações do bairro Floresta, em Porto Alegre

56


Cesta básica

LUXO E AVENTURA NESTA SEÇÃO VOCÊ ENCONTRA DICAS E SUGESTÕES PARA CURTIR O DIA A DIA E SE DIVERTIR DE VERDADE: MÚSICA, MODA, LITERATURA, ARTE, LUGARES, VIAGENS, OBJETOS ESPECIAIS, PESSOAS GENIAIS, COMIDINHAS, PASSEIOS, COMPRAS. BOM PROVEITO!

T E X TO S

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P O R

LO R A I N E

LU Z

Região propícia a muitas aventuras, a Ilha Grande de Chiloé faz parte do arquipélago de mesmo nome, composto por cerca de 30 ilhas ao norte da Patagônia Chilena. O grupo Tierra Hotels acaba de inaugurar o Tierra Chiloé Hotel & Spa por lá, na pitoresca cidade de Castro, capital da Província de Chiloé. O empreendimento é o terceiro da rede e opção para turistas em busca de aventura e conforto no sul do Chile. O Tierra Chiloé Hotel & Spa tem arquitetura arrojada, que se integra ao entorno, valoriza a cultura e os materiais locais e preza pela sustentabilidade. Em frente à baía de Rilán e com vista para o pantanal de Pullao, o hotel conta com 12 apartamentos exclusivos com vista para o mar, amplos e acolhedores salões com lareiras, salas de leitura, terraço com vista deslumbrante, restaurante e um spa equipado com jacuzzi, saunas seca e úmida e sala de massagens. São do mesmo grupo o acolhedor Tierra Patagonia Hotel & Spa, localizado mais ao sul, na entrada do famoso Parque Nacional Torres del Paine, e o surpreendente Tierra Atacama Hotel & Spa, ao norte do país, no município de San Pedro de Atacama, em meio ao mítico Deserto do Atacama. Os três hotéis têm em comum o conceito de Spa Aventura, em que os hóspedes exploram as belezas de seus destinos de forma ativa para depois serem recebidos de volta ao hotel com variadas opções para relaxar. A rede Tierra Hotels oferece sistema all inclusive.

TIERRA CHILOÉ HOTEL & SPA I WWW.TIERRAHOTELS.COM


DO MAR PARA A SALA DE CASA

CARPETES FEITOS DE REDE DE PESCA WWW.INTERFACE.COM.BR

Pequenas aldeias vivem da pesca nas Filipinas. As redes atiradas no mar – e que lá ficariam ameaçando o ecossistema – ganham vida nova em carpetes assinados pela Interface, empresa norte-americana líder de mercado. A coleção Net Effect é um manifesto elegante em favor do meio ambiente: carpetes feitos com fios das redes reaproveitados como matéria-prima do revestimento. Os pescadores, agora mais conscientes e motivados, recolhem e vendem as redes velhas, que são enviadas para uma empresa na Eslovênia especialista em reciclagem de fios. Manualmente, o nylon é separado dos “remendos” feitos pelos pescadores. A matéria-prima é repassada para uma das fábricas da Interface pelo mundo que produz os carpetes. Só no projeto-piloto, mais de uma tonelada de redes de pesca foi recolhida para a fabricação das peças, envolvendo e remunerando 280 famílias. A Interface pretende substituir em 100% o uso de matéria-prima nova por usada na fabricação dos seus produtos. O desafio da empresa é eliminar todo o impacto negativo que possa causar ao meio ambiente até 2020. Por isso, investe em tecnologias mais verdes para reciclar os carpetes usados e transformá-los em carpetes novos.

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Cesta básica

GRIFE ITALIANA COM EXCLUSIVIDADE

Inovadores, incomuns e para ambientes sofisticados, os tecidos, as almofadas, as mantas, os pufs e as velas da marca da Missoni Home podem ser encontrados na Manjabosco Décor. A empresa traz direto da Itália a Coleção 2014 com exclusividade para a Região Sul. “Os produtos Missoni Home são genuínos e repletos de personalidade. A grife italiana chega para ampliar e impulsionar ainda mais o nosso segmento de luxo”, afirma a diretora de novos negócios da Manjabosco Decor, Natália Schapke. A Missoni foi fundada em 1953 pelo casal Rosita e Ottavio, que apostaram no ramo de costura e tecelagem. A Missoni Home nasceu em 1983, quando a grife começou a investir também em decoração e design. A Manjabosco Decor é o resultado de mais de duas décadas de dedicação. Hoje, trabalha com produtos industrializados e artesanais como: tapetes, revestimentos de parede, tecidos, confecção própria, cortinas, persianas, toldos, brises e revestimentos.

MANJABOSCO DÉCOR R. CASEMIRO DE ABREU, 505 BAIRRO BOA VISTA (51) 3330-9096 WWW.MANJABOSCO.COM.BR

AMOR E LUXO Os eternos namorados ganharam uma nova casa em Porto Alegre. Trata-se da L’amant, uma boutique sensual que conta com produtos e serviços exclusivos. A proprietária, Katia Formagio, 42 anos, fez uma extensa pesquisa, participou de cursos e feiras do segmento e, ao lado da designer e arquiteta Paula Posser, criou o conceito da L’amant. O nome remete às palavras amante e diamante, aliando os pilares da loja: amor e luxo. É uma empresa multimarcas, com etiquetas de padrão norte-americano e que aliam sensualidade e conforto. Entre elas, destacam-se: Luxe ZaZa, Lacelab Intimates, Janiero Body of Colours, Karol Martins, Fruit de la Passion, De Chelles, BoveLove e Kimonos e Maria Sanz. Nos fundos da loja há uma seção com produtos eróticos, de marcas como Lelo, Intt, Secret Play, Intimate, KamaShastra e Santo. Bijoux de corpo e acessórios também farão parte do mix de produtos. Uma consultora especializada está à disposição para tirar todas as dúvidas e dar dicas para as compras, tudo com muita discrição. Uma galeria com arte erótica faz parte do espaço e receberá exibições temporárias. A L’amant contará com um calendário de eventos, incluindo workshops sobre sensualidade, cursos de pole dance e pompoarismo. Há também espaço para realização de aniversários e chás de lingerie.

L’AMANT RUA VISCONDE DO RIO BRANCO, 721 BAIRRO FLORESTA I 51 3093.1552 WWW.LAMANT.COM.BR 14

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O MELHOR DE MARTHA MEDEIROS São 20 anos e 11 títulos publicados que a L&PM Editores e a escritora Martha Medeiros celebram com o seguinte lançamento: três livros temáticos reunindo crônicas selecionadas ao longo dessas duas décadas. Cada um deles foca em um tema recorrente na produção da escritora gaúcha. Desde seus primeiros textos, Martha sempre se interessou pelo mistério dos sentimentos humanos. Esse é o conteúdo de “Paixão crônica”. O amor existe ou é uma convenção? O que leva alguém a amar outro alguém – e a desamar? Que lugar a paixão e o sexo têm na vida das pessoas? Na pena da autora, esses e outros temas perenes ganharam um sabor todo novo. Martha se mostra uma incansável, irredutível e incorrigível caçadora de felicidades. Pois trata-se de um assunto muito sério, embora possa não parecer. A

felicidade (ou as felicidades, já que ela se apresenta sob várias formas) exige dedicação, disposição, respeito. Aí está um pouco do que se encontra nas páginas do volume “Felicidade crônica”. Por fim, “Liberdade crônica” fala da mulher contemporânea a livros, filmes e músicas. Ficam evidentes as bem-humoradas e espirituosas reflexões da autora. “Lá se vão 20 anos, e revendo o que produzi nessas duas últimas décadas, fica evidente a minha inclinação em defender pontos de vista menos estressados, mais condescendentes com o que não temos controle, e também a minha busca por vias simplificadas a fim de não sobrecarregar o cotidiano”, comenta Martha no prefácio. Os três livros podem ser adquiridos em conjunto na Caixa Especial Martha Medeiros – Crônicas por R$ 89,70.

L&PM EDITORES I WWW.LPM.COM.BR

É FRANCESA

Forte apelo visual, cores atraentes e design sofisticado de produtos marcam a Le Creuset, que acaba de lançar a linha Mate à Croquer em todo o país. A novidade é o acabamento fosco em produtos de cerâmica, ferro fundido e silicone, disponíveis nas cores cotton, azul mineral, ametista e sisal, para atender os mais diversos estilos de cozinha. A linha de Ferro Fundido da Le Creuse é o destaque desta coleção. O ferro fundido é estável, durável e assegura a longevidade do produto. Além disso, garante a distribuição uniforme do calor sem deixar pontos quentes. São peças únicas, que não apresentam ponto de solda, e as tampas das panelas possuem pegadores resistentes a altas temperaturas. Além da novidade com a linha Mate, o portfólio da marca no Brasil conta com panelas de ferro fundido esmaltado, linha aço inox, cerâmica stoneware, bakeware, non-stick, têxtil, chaleiras, stock pot, acessórios para vinho e utensílios de silicone para cozinha. Há 89 anos no mercado, a empresa francesa tem uma ampla linha de produtos e utensílios de cozinha reconhecidos mundialmente por sua alta qualidade, inovação e design sofisticado. Presente em mais de 70 países, a marca chegou ao Brasil em 1997 e pode ser encontrada pelo site: www.lecreuset.com.br

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Cesta básica

NOITES NO CASARÃO

MAGNÓLIA – CINE GASTRÔ BAR RUA DONA CARLINDA, 255 CENTRO DE CANELA 54 3278.0102

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Bar, restaurante e cinema, tudo na mesma noite, sem trocar de endereço e circulando por diferentes ambientes. Eis a proposta do Magnólia Cine Gastrô Bar, aberto em um casarão dos anos 1950, em Canela. A construção teve preservados seus aspectos arquitetônicos, como as colunas jônicas e as lajotas hexagonais de cor magenta da fachada, o pé-direito alto, as grandes janelas basculantes e a escadaria de madeira marchetada. O interior ganhou decoração vintage. Os azulejos de cor azul e as louças cor de rosa do banheiro e o piso de parquet são originais. Os papéis de parede de padrão geométrico ou psicodélico, poltronas capitonê de veludo cor cereja e toalhas rendadas de tom nude têm inspiração retrô. São sete ambientes diferentes. No bar, drinks e petiscos gourmets elaborados para deixar mais prazerosa e acolhedora a reunião com os amigos. Destaque para as seis torneiras que oferecem cervejas importadas e artesanais alternadas sazonalmente. Também se pode brindar bons momentos com a família em um dos três salões que oferecem cardápio para jantar. Ou reunir todas as pessoas queridas na sala de cinema, com poltronas confortáveis e programação voltada para filmes cult. Os ambientes têm móveis e objetos curiosos garimpados em antiquários da região e do Uruguai ao longo dos anos – um hobby dos proprietários Alan Togni, Fernanda Chies e Rafael Kroeff, também donos do Empório Canela. A casa ainda oferece espaço kids e sala para eventos. O cinema pode ser reservado antecipadamente.


PARA COMEMORAR, MUDANÇAS A B Design chega à maioridade em 2014. São 18 anos de atuação no mercado de joias e não faltam motivos para comemorar. Como parte dos festejos, a marca muda, passa a se chamar Betinha Schultz Jewelry e acaba de ganhar uma nova identidade visual. Somam-se aí um site e os perfis nas redes sociais. As novidades foram apresentadas durante coquetel de celebração, no Porto Alegre Country Club, em agosto. A convidada superespecial do talk show foi Glória Kalil, especialista em moda e mercado de luxo. Beti Fleck Schultz, fundadora da empresa, reuniu clientes, colaboradores e parceiros. Gastronomia, música, informação de moda e estilo, boa conversa e, claro, as últimas tendências do mercado marcaram o evento. Para garantir joias de qualidade, Beti Schultz viaja para as principais feiras do mundo e realiza pessoalmente todas as compras, escolhendo os melhores fornecedores nacionais e internacionais. Em uma confortável e bem localizada maison, os clientes desfrutam de privacidade, conforto, tranquilidade e segurança para escolher as peças.

WWW.BETINHASCHULTZ.COM.BR

INGLÊS NÃO TEM IDADE Difícil encontrar estudantes mais animados e capazes de encontrar prazer no aprendizado da língua estrangeira do que aqueles que vêm compondo as turmas do “Inglês Depois dos 50”. É o que estão comprovando os proprietários da escola Master English. Maurício Seibel Luce, mestre em Aquisição de Inglês como Língua Estrangeira, e Rafael Carvalho Meireles, mestre em Literaturas de Língua Inglesa, investem nesta faixa etária desde 2011. Segundo eles, o perfil do aluno maduro é diferente. “São pessoas que, muitas vezes, têm somente noções básicas de inglês, aprendidas na época do colégio, e hoje, aos 50, 60, 70 anos, e até mais, estão buscando realizar atividades de lazer e cultura e com foco em viagens”, diz Maurício, comentando ainda que esse público não raramente se sentia desconfortável ao estudar em meio a uma maioria de jovens universitários ou até mesmo adolescentes. As turmas “depois dos 50” são sempre pequenas, entre cinco e oito alunos. As aulas incluem atividades dinâmicas, interativas e, muitas vezes, lúdicas. Trabalha-se a comunicação desde o nível básico até o avançado, por meio de música, cinema, aulas temáticas e entrevistas de estrangeiros em visita ao país. Com forte ênfase na conversação, o “Inglês Depois dos 50” é, também, um canal para fazer amigos e, não raro, participar de um grupo com interesses comuns. A escola também oferece Inglês para Negócios, bem como os cursos preparatórios para os exames do TOEFL e IELTS e para o Instituto Rio Branco, este último prestado por aqueles que desejam seguir carreira diplomática.

MASTER ENGLISH RUA MOSTARDEIRO, 333/113 MOINHOS DE VENTO 51 3072.7278 WWW.MASTERENGLISH.COM.BR


Cesta básica

BALLET VERA BUBLITZ: 35 ANOS DE MUITO TRABALHO E EMOÇÃO Tradicional e reconhecida escola de Porto Alegre/RS, o Ballet Vera Bublitz completa 35 anos em 2014, trajetória que é motivo de orgulho para a equipe da Escola. “Só temos a agradecer pelo aprendizado cotidiano”, diz Vera Bublitz, 70 anos, criadora e diretora-geral do Ballet. Para Carlla Bublitz, 50, professora e coreógrafa, a dança é uma escolha de vida. Mãe e filha são unânimes em relação ao assunto. “Somos movidas pela paixão e pelas possibilidades que o balé clássico, com sua técnica, oferece para o aprimoramento pessoal e profissional, contribuindo de forma positiva para a vida, no palco e fora dele.” “É emocionante ver os frutos de um trabalho feito passo a passo, com profissionalismo, sensibilidade, disciplina e concentração, que jamais se perde”, afirma Vera. O trabalho

WWW.BALLETVERABUBLITZ.COM.BR

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realizado cotidianamente na Escola sempre é sintetizado em um grande espetáculo, aberto ao público, apresentado a cada final de ano. Entre os destaques recentes da Escola estão as jovens Mariana Gasperin, Isabela Greggianin e Bruna Webber, alunas premiadas que atualmente estudam no exterior. Carla Korbes, hoje primeira bailarina do Pacific Northwest Ballet, saiu do Ballet Vera Bublitz para o mundo. E muitas estrelas internacionais da dança já se apresentaram em Porto Alegre a convite da Escola ao longo desses 35 anos, como Fernando Bujones, bailarino norte-americano, já falecido; Peter Boal e Albert Evan, primeiros bailarinos do New York City Ballet; Johan Renval, do American Ballet, e Nikolay Hübbe, primeiro bailarino do New York City Ballet.



Cesta básica BOUTIQUE DE PRESENTES ÚNICOS

MULTIGASTRÔ

Que tal experimentar pratos típicos da culinária peruana, tailandesa, brasileira e italiana em um mesmo lugar? Curioso? Então, seu destino para o próximo jantar é o Bistrô Babel. A diversidade de aromas e sabores é assinada pela chef Sabrina Rossi, que está de volta ao Brasil após uma temporada de cinco anos na Europa. O conceito da casa é resultado da experiência do seu idealizador, o publicitário Caco Thys. Apaixonado por gastronomia, atuou como cozinheiro nos Estados Unidos e na Austrália e viajou para países como Peru e Tailândia para pesquisar sobre sua cultura e culinária. Caco é cozinheiro graduado pela Escola de Educação Profissional de Gastronomia Aires Scavone. Toda essa trajetória foi acompanhada pelo olhar atento do seu mentor, o chef gaúcho Marcelo Jacobi. A chef Sabrina Rossi está acostumada com uma culinária rica e diversa. Em seus cinco anos de carreira, já trabalhou na Galícia, na Espanha e na Inglaterra. Em Londres, terminou sua jornada britânica como sous chef no Gaucho. O Bistrô Babel agora é a vitrine dessas experiências de Caco e de Sabrina. O resultado também pode ser conferido nos eventos mensais denominados Volta ao Mundo dos Sabores, em que chegam às mesas pratos de países como Grécia, Estados Unidos, Espanha, Índia e Alemanha. São 74 lugares, mas há também espaço para eventos particulares. Sempre de terça-feira a sábado, das 19h às 23h.

BISTRÔ BABEL RUA FREI HENRIQUE GOLLAND TRINDADE, 305 BAIRRO BOA VISTA I 51 3062.8566

A inspiração vem das pequenas coisas da vida, vistas com lente de aumento e originalidade. O resultado: presentes e mimos exclusivos, carregados de significado, fazendo com que quem os recebe se sinta especial. Após 20 anos atuando como executiva de grandes empresas, Cláudia Letícia Barbosa, 42 anos, largou a carreira para abrir a Nomedeiro, uma boutique de personalização que produz presentes criativos, originais e únicos. Tudo pode ser personalizado. As opções são muitas: carimbos, chancelas, relógios de parede, acessórios de cozinha e decoração, papelaria, cartões de visita com monogramas, mimos para crianças, agendas, caixas para joias, etc. Caso o cliente não encontre por lá o presente que procura, a equipe o desenvolve. Um dos mimos é o livro Um Dia Memorável. Criado e produzido pelo paulista Flávio Orsini Filho, é vendido com exclusividade pela Nomedeiro na região sul do país. O livro conta o que estava acontecendo no mundo no dia do nascimento do bebê. Se fazia sol ou chovia, quanto custava o cafezinho, manchetes do jornal, e um completo mapa astral da criança. É um presente único, carinhoso e totalmente pessoal, como tudo que é feito por lá. A Nomedeiro fornece alternativas criativas e inteligentes para expressão de uma marca pessoal ou institucional, ou seja, soluções para pessoas físicas e jurídicas. O atendimento ocorre apenas com agendamento prévio.

NOMEDEIRO BOUTIQUE DE PERSONALIZAÇÃO RUA CURUPAITI, 751 I BAIRRO CRISTAL 51 3573.3505 I WWW.NOMEDEIRO.COM


COZINHA DE AUTOR COM NOVO CARDÁPIO Comece pelos pães artesanais acompanhados de azeite aromatizado com especiarias, o já consagrado patê de foie do chef e a manteiga RAR. Em seguida, se delicie com a releitura da sopa de cebola: com caldo de frango e cebolas douradas, coberta com torradinhas e queijo gruyère gratinado. Como prato principal, que tal Filé ao Forestier, acompanhado de raviólis de gorgonzola e ricotta? Para finalizar, gâteau de chocolate: um semifredo de framboesa e chocolate belga 70%, servidos com ganache suprema ao leite e tuilles crocantes. Aí estão alguns dos destaques do novo cardápio de Floriano Spiess. Do couvert à sobremesa, está tudo tentador. Floriano, que introduziu frases no cardápio comentando alguns pratos, conta sobre o creme de haddock defumado, outra opção de sopa: “Aprendi esta receita dentro de um barco de pescadores no revolto mar do Norte”. Ele se refere a uma viagem, em 2012, para a Escócia e a França. Difícil, ainda, resistir ao creme thai de cabotiá, uma sopa cremosa de abóbora com leite de coco e curry vermelho. Os clássicos em Entradas ganham um parceiro bem brasileiro: dados de tapioca com melado de cana e nuts. Diz o chef no Menu: “Do fusion internacional para o fusion tupiniquim, Nordeste e Sul nesta entradinha!”. Vitela a bourguignon, um risoto de camarão ao camembert e alho-póro e um penne com escalope de peito de frango ao molho de curry indiano estão entre os pratos recomendados pelo chef. Para as sobremesas, Floriano elaborou uma especialmente para aqueles que desejam ou precisam evitar o açúcar: parfait de frutas, um mix de frutas da estação ao molho de iogurte natural e hortelã, servidos em cesto crocante, e acompanhados de supreme de laranja. Para quem não tem qualquer restrição, que tal duo de brûlées, nas versões tradicional de baunilha e regional de bergamota? Ou Panna Cota de baunilha com calda de morango?

FLORIANO SPIESS COZINHA DE AUTOR PRAÇA JAPÃO, 155 RESERVAS: 51 3237.7601

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Cesta básica

BELEZA GLACIAL

CULTURA MILENAR

Um hotel projetado para que, de onde quer que se esteja, no lounge, no spa ou nos quartos, o visitante possa admirar e se abobar diante dos cenários naturais incríveis da região. Na Patagônia chilena, na cidade de Puerto Natales, o Noi Indigo está localizado entre as montanhas e o mar. Foi inaugurado em 2006, mas há três anos está sob o comando da Noi Hotels, cadeia chilena de alto padrão na qual se destaca a sintonia exata entre tecnologia, sustentabilidade, sofisticação e conforto. O Noi Indigo é um paraíso para os sentidos. Grandes janelas permitem que a luz natural ilumine espaços decorados de forma acolhedora e elegante. Tudo obra do arquiteto chileno Sebastian Irarrázaval, cujo trabalho mostra sensibilidade para conjugar construções e natureza. Do SPA, opção irresistível após o trekking pelos arredores, se pode admirar o fiorde Ultima Esperanza, glaciares imponentes, e a despedida do sol no final da tarde na Patagônia. Há piscinas interiores e exteriores, de hidromassagem também, sauna grande e sala de massagem. No ambiente descontraído do Lounge Bar, a vista é para Puerto Natales. O restaurante é o lugar ideal para desfrutar da cozinha local, caracterizada por produtos naturais. Todos os quartos contam com lençóis de 400 fios, travesseiros de plumas e penas de ganso, serviços ecológicos, aquecimento central e wi-fi.

Em fevereiro de 2015 vai partir de Porto Alegre o Grand Tour MYANMAR do STB, que comemora 20 anos de viagens de imersão cultural pelo planeta. O roteiro começa pela dinâmica Bangkok e percorre a região tribal das montanhas do norte da Tailândia, desvendando diversos povoados. Continua por um dos segredos mais bem guardados do Sudeste Asiático: Myanmar, a antiga Birmânia. Um dos destinos mais belos e misteriosos do mundo, com sua cultura milenar intacta. É uma oportunidade única para desvendar os fantásticos templos budistas de Yangon e Bagan, Mandalay, às margens do rio Ayeyarwady, e a beleza de Inle Lake. O circuito termina nas ilhas paradisíacas do sul da Tailândia, com retorno ao Brasil via Golfo Pérsico, visitando toda a modernidade de Abu Dhabi. Uma viagem espetacular. Acompanhamento integral de Beto Conte e de Bryan Parsley, guia inglês especialista em Sudeste Asiático que viaja anualmente à região. Confira o itinerário completo: http://www.stbrs.com/grand-tours/myanmar-2015/

WWW.NOIHOTELS.COM

GRAND TOUR MYANMAR STB I 51 4001.3000


TERRITÓRIO LIVRE Mistura da loira e da morena, do clássico e do moderno, do caro e do barato. Um espaço digital onde se compartilham ideias, inspirações e experiências, looks do dia, dicas de moda e beleza, usando como mídia o Instagram. Assim é o Gurias de Cá, criado por Fernanda De Franceschi e Laura Bercht Ferreira. O Gurias de Cá está presente no Instagram com um post diário e lá tudo vale e tudo é possível, desde que seja “real, diferente e autêntico”. Fernanda e Laura querem, afinal, falar com mulheres de verdade, que tenham rotinas, questões dúvidas e problemas também de verdade. Laura é formada em Educação Física, morou em Londres e estuda Coordenação e Criação de Moda no Curso Técnico do Senac. Fernanda largou a advocacia em 2009 e passou a fazer o que mais gostava: costurar. Fez cursos no Senai Moda e Design, desenho na CoutureLab. Trabalhou como estilista na fábrica de camisas Ghola, onde teve início a amizade com Laura.

@GURIASDECA




Cesta básica

PAREDE VERDE Espaços menores, mas não menos verdes. A Landscape Sul, do arquiteto André Krebs, busca soluções paisagísticas para casas contemporâneas. O green wall é uma das novidades do escritório de paisagismo gaúcho. “Observamos uma diminuição dos espaços disponíveis nos grandes centros urbanos e uma crescente preocupação ambiental. Conviver com o verde traz mais qualidade de vida. E, neste contexto, nasceu um novo conceito de jardim”, explica. A moderna técnica de “jardim vertical” está entre as mais difundidas no mundo, por meio do trabalho do botânico francês Patrick Blanc, responsável pela inovação e pela popu-

larização do jardim vertical. A Landscape projeta green walls tão leves que podem ser instalados em qualquer parede. O processo de desenvolvimento considera o espaço, a iluminação, o vento, entre outros fatores. O jardim requer, pelo menos, um metro de largura e 1,60 m de altura, e as espécies plantadas na parede verde podem variar, dependendo da luz. A manutenção é simples e a tecnologia pode ajudar, com irrigação automatizada e iluminação artificial se necessário. “Além da beleza, promove conforto térmico, redução da poluição e do ruído externo”, comenta o arquiteto paisagista.

LANDSCAPE SUL AV. BORGES DE MEDEIROS, 2105/1608 I PRAIA DE BELAS I PORTO ALEGRE I RS 51 3093.1504 I 53 3027.4303 I CONTATO@LANDSCAPESUL.COM.BR I WWW.LANDSCAPEJARDINS.COM.BR

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ÁGUA DE ARCANJO Produzida em Maquiné – RS, a cachaça Água de Arcanjo integra o segmento premium e apresenta um novo conceito para quem aprecia a bebida. O produto promete oferecer uma experiência única, que transcende o sabor característico da cachaça, proporcionando um toque suave à bebida. “Iniciamos as pesquisas e testes em 2003 e agora chegamos ao mercado com um produto diferenciado. Para atingirmos o resultado, são inúmeros detalhes ao longo de todo o processo, desde a escolha da cana e época da colheita, tempo de moagem e de fermentação, forma de destilação, escolha dos tonéis para o envelhecimento, até chegar ao engarrafamento”, salienta a diretora de Marketing da Água de Arcanjo, Patrícia Neres. O design da garrafa é uma atração à parte. Com duas garrafas de vidro, nas opções Gold e Silver, a embalagem tem formato da asa de um anjo, remetendo ao nome da marca. Além disso, outro diferencial da garrafa é a fabricação com matéria-prima 100% reciclada. “O design foi desenvolvido para que o consumidor tenha não apenas um produto de qualidade, mas sim um item que, após o consumo, ainda possa ser guardado, até mesmo como objeto de decoração”, explica a profissional. A Água de Arcanjo conta com processo totalmente artesanal, sem uso de agrotóxicos e conservantes. Seu sabor suave é oriundo do processo de destilação fracionada e do envelhecimento em barris de carvalho, com fermentação em leveduras da própria cana-de-açúcar, o que torna a elaboração mais demorada, porém mais exclusiva.

WWW.AGUADEARCANJO.COM.BR

PETITES DÉLICES NO PARCÃO O Moinhos de Vento ganhou mais uma deliciosa opção para lanches e happy hours. A Petites Délices inaugurou sua terceira loja em Porto Alegre, na Comendador Caminha, 358, em frente ao Parcão. O ambiente, que pode receber até 80 pessoas, conta com espaços diferenciados como o deck, para aproveitar os dias ensolarados, e um segundo piso para eventos, além de um ambiente fechado exclusivo para reuniões de trabalho com vista para o parque e total privacidade. Ótima para o momento do “café + docinho”, a nova unidade recebe ainda a primeira vitrine de sorvetes artesanais da marca, a Mia Gelateria. Diariamente são expostos 10 sabores do tradicional “gelato italiano”. Assim como os doces da Petites Délices, os sorvetes também não levam gordura trans. Entre as opções, alguns sabores são sem lactose e zero gorduras. O sorvete artesanal é ideal para acompanhar o petit gâteau da casa, oferecido em três sabores: Chocolate, Doce de Leite e Damasco.

COMENDADOR CAMINHA, 358 MOINHOS DE VENTO I PORTO ALEGRE 51 3264.4100 I DAS 9H ÀS 21H E AOS DOMINGOS DAS 11H ÀS 19H


Cesta básica 3 CHEFS, 3 SÁBADOS, 3 OPORTUNIDADES EM GRAMADO

TEMPEROS DE PRIMAVERA

O sabor da primavera com todo o frescor que a estação merece já está à mesa na Estalagem La Hacienda de Gramado. É que para comemorar a chegada da estação mais florida do ano, o La Hacienda colocou um temperinho a mais de personalidade nos seus almoços de sábado. Durante 3 finais de semana de outubro, três chefs queridos entre os porto-alegrenses se revezam nas panelas diante de uma das paisagens mais charmosas da Serra gaúcha. Reservas são imprescindíveis. No dia 11/10, o almoço será orquestrado por Marcelo Gonçalves (Pâtissier). No dia 18, por Cesar Sperotto (Bistrô Quintal Orgânico). E no dia 25/10, por Vico Crocco. O menu já está disponível no site do La Hacienda e promete surpreender com toques de ingredientes regionais e orgânicos.

VALOR: R$ 140 POR PESSOA CARDÁPIO KIDS (MENORES DE 10 ANOS): R$ 35 RESERVAS: LAHACIENDA@LAHACIENDA.COM.BR I 51 9243.5794 E 9243.3253

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FOTOS: LETÍCIA REMIÃO

MARCELO GONÇALVES

CESAR SPEROTTO

VICO CROCCO

11 DE OUTUBRO

18 DE OUTUBRO

25 DE OUTUBRO

RECEPÇÃO

RECEPÇÃO

RECEPÇÃO

CONSOMMÉ DE FRANGO COM GENGIBRE E CAPELETTI LA HACIENDA

PÃES ORGÂNICOS, QUEIJOS, SALAMES E CAPELETTI DA SERRA

PÃES, QUEIJOS, SALAMES E CAPELETTI NA CANECA

ENTRADA SALADA DE TODOS OS VERDES, FLORES E VINAGRETE DE MEL

PRIMEIRO PRATO RISOTTO COM RADICCHIO DE VERONA E ALECRIM TOSTADO

PRINCIPAL ASSADO DE PALETA DE CORDEIRO E POLENTA MOLE

SOBREMESA

ENTRADA

PRIMEIRO PRATO

SALADA DE QUINUA ORGÂNICA, MINICAMARÕES MARINADOS, DAMASCOS, CITRONETTE DE LIMÃO GALEGO E FAROFA DE CASTANHAS

TRUTA COM VINAGRETE DOCE DE RAIZ FORTE E ABÓBORA

PRINCIPAL

CONFIT DE PATO AO MOLHO DEMI GLACE, SOBRE MUSSELINE DE AIPIM, LEGUMES DA HORTA E FAROFA

ATUM FRESCO COM RISOTTO DE CATETO ORGÂNICO E FUNGHI TRIFOLATI

PRINCIPAL

SOBREMESA

SOBREMESA

SORVETE DE QUEIJO ORGÂNICO, CALDA DE GOIABADA E TUILE DE AMÊNDOAS

BROWNIE DE CHOCOLATE 100%, CREME E CRUMBLE DE AVELÃS

500 FOLHAS COM DOCE DE LEITE VANILLÉE

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Sabor

P O R

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F L AV I A

M U

F OTO S

L E T Í C I A

R E M I Ã O


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Sabor

Willem Vandeven estava completamente focado na carreira quando, em 2008, o sorriso largo da então nova estagiária do Michel Bras, em Laguiole, na França, desconcentrou o chef belga, que começava a ascender profissionalmente. Carol Albuquerque estava recém chegando à Europa para um estágio naquela temporada do restaurante, que fica cinco meses do ano fechado pelos riscos de nevasca na região. Sorte de Willem: Carol foi destinada para sua equipe, que cuidava dos legumes, ervas e temperos. “E aquela generosidade do Willem na cozinha, que presta a atenção e tenta ajudar todo mundo, é encantadora”, derrete-se Carol. Depois da experiência na França e das idas e vindas de Carol para o Brasil, o casal resolveu que deveria ficar junto – aonde quer que fosse. Até porque – depois de um ano inteiro longe, quando Carol veio para concluir a faculdade de Gastronomia na Unisinos – não dava mais para ficar sem aquela rotina de total companheirismo. Uma combinação que deu certo dentro e fora da cozinha. Passaram pela Bélgica, onde viveram juntos importantes experiências em restaurantes conceituados, como L’Annexe, na Bélgica, e C-Jean, em Gent. Depois das jornadas difíceis e puxadas em cozinhas de grandes restaurantes – e lá é bastante comum trabalhar horas e horas sem intervalo –, liberdade para criar: uma experiência inesquecível de Carol no KitchenArt – Traiteur – uma “loja de comida”, conceito ainda novo no Brasil, já que vende no balcão alimentos frescos e preparados na hora. Lá, pôde colocar em prática a criatividade em comidas simples, mas deliciosas. Durante a temporada na Europa, aproveitou para, além de aprimorar os conhecimentos na cozinha, mergulhar no universo dos vinhos. “A experiência gastronômica deve ser completa. Além de boa comida, valorizo a harmonização, o ambiente, a escolha das louças, o atendimento”, comenta. Por isso, fez formação de sommelier na L’Universite du Vinm no sul da França. Em 2014, Willem aceitou o desafio de

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deixar a Europa e uma carreira consolidada e reconhecida na Bélgica para, ao lado de Carol, aventurar-se no cenário gastronômico gaúcho. Traz na bagagem as experiências no francês Les Jardins des Sens e nos belgas Hof Van Cleve e L’Auberge du Pecheur.

PAIXÃO COMPARTILHADA

A afinidade, presente desde o primeiro encontro, é a marca da cozinha da dupla, que hoje se comunica quase que no olhar. “Temos uma relação bem intensa. Estamos sempre juntos”, comenta Carol. E o mesmo equilíbrio que faz funcionar o relacionamento – Willem, fácil e sempre faceiro combina com o temperamento forte de Carol – está nos pratos elaborados pelo casal. A cozinha de Carol e Willem é fresca, cheia de cores e sabores surpreendentes. A empolgação ao descrever os ingredientes e suas inúmeras possibilidades é contagiante e transmitida por meio da gastronomia autoral. A preferência e os preparos cuidadosos e diferentes, especialmente, dos legumes, legado do Michel Bras, ficam evidentes em cortes, texturas e sabores presentes num mesmo prato. “Queremos leveza e frescor. Um gostinho cítrico, um toque especial de ervas e temperos que transformem. O segredo, acredito, é o equilíbrio”, afirma Carol. E completa: “Acho incrível a maneira como o Willem consegue visualizar o que quer servir, inclusive, esteticamente. Ele pensa no gosto, mas surpreende na apresentação”, reconhece. Para Willem, é preciso dar atenção ao produto para aproveitá-lo em sua totalidade. “Há uma cultura do ‘ingrediente nobre’. Eu gosto do desafio de fazer uma boa comida aproveitando tudo ao máximo dos legumes, mas também das carnes. Se prestarmos atenção e prepararmos com dedicação, uma bochecha e um pé de porco ou uma barriga de vitelo, entre tantas outras partes que iriam fora, podem ser ótimas. Tenho o maior prazer nisso!”, garante Willem.


COM AÇÚCAR, SAL, TEMPERO. COM AFETO. O EQUILÍBRIO PERFEITO DE CAROL E WILLEM, NO AMOR E NA COZINHA

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Sabor

Salada de Abacate ABACATE NO PONTO CEBOLA ROXA MAÇÃ VERDE TOMATE-CEREJA CONFIT* RABANETE COENTRO HORTELÃ MOLHO DE IOGURTE NATURAL* AZEITE DE OLIVA LIMÃO – SUCO E RASPINHAS SAL

TOMATINHOS-CEREJAS CONFIT:

Em uma forma, levar os tomates ao forno a 120°C e temperá-los com azeite de oliva, açúcar mascavo e sal. Quando eles estiverem levemente desidratados e cozidos, estarão prontos!

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IOGURTE NATURAL:

Temperar o iogurte natural com azeite de oliva, suco de limão, raspinhas de limão, sal e pimenta. Esse é um molho superleve e saboroso, que pode acompanhar muitas saladas!

MODO DE FAZER:

Não colocamos as quantidades, pois tu podes variar conforme o teu gosto! O importante é a combinação dos ingredientes e o cuidado na hora de cortá-los, para que a salada ganhe com as diferentes texturas e volume na hora de montar o prato! O abacate deve estar no ponto: nem muito maduro, nem verde. Cortar os rabanetes em finas lâminas. Cortar a maçã verde em juliennes (bastõezinhos). Assar os tomatinhos-cereja, como na receita de quinoa. Cortar a cebola roxa em lâminas mais grossas. Deixá-las marinando em: 90 g de vinagre de sushi + 90 g de vinagre de vinho tinto + 100 g de água + 25 g de açúcar + 4 g de coentro em grãos + 1 folha louro e uma pitada de sal. Levar à ebulição e depois esfriar na geladeira. Quando a marinada estiver fria, acrescentar às cebolas cortadas. Coentro e hortelã finamente cortados. O molho de iogurte, como na salada de quinoa. Dispor todos os ingredientes em um prato grande. Aproveitar as diferentes formas e cores para deixar a criatividade falar alto e montar uma salada que ganha vida no prato! Finalizar com as ervas, o molho de iogurte, o azeite de oliva, o suco de limão, suas raspinhas e sal!


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Sabor


Salada de Quinoa 200 G DE QUINOA 10 MINICENOURAS ORGÂNICAS 200 G DE TOMATINHOS-CEREJA 1 ABOBRINHA 1 PIMENTÃO VERMELHO 1 CEBOLA ROXA 6 MINICEBOLAS COENTRO HORTELÃ 400 G DE IOGURTE NATURAL AZEITE DE OLIVA LIMÃO

PARA 5 PESSOAS ABOBRINHA E PIMENTÃO VERMELHO:

Cortá-los em pequenos pedaços. Podem ser cortados em tiras, em cubos, em diagonal... vai do gosto de cada um! O importante é que sejam cortados de forma regular, para que cozinhem ao mesmo tempo. Em uma frigideira bem quente, colocar um fio de azeite de oliva, e salteá-los de forma que fiquem bem douradinhos e crocantes. Temperá-los com sal. É importante cozinhar a abobrinha e o pimentão separados: eles cozinham em tempos diferentes.

MINICENOURAS ORGÂNICAS E MINICEBOLAS:

As cenouras orgânicas pequenas são muito mais saborosas! Em uma panela grande, colocar água e sal. Quando a água ferver, acrescentar as cenouras. Baixar o fogo e deixá-las cozinhando, mas não muito tempo, é importante que elas permaneçam crocantes! Cortar as cenouras ao meio. Em uma frigideira bem quente, colocar um fio de azeite de oliva e todas cenouras viradas para baixo, para que fiquem bem douradinhas! Esse mesmo processo pode ser feito com as minicebolas.

QUINOA:

Em uma panela, colocar 600g de água, a quinoa e o sal. Levar à ebulição. No momento em que a água ferver, baixar o fogo e cozinhá-la em fogo brando. Contar aproximadamente 12 minutos. A quinoa deve estar cozida, mas ainda crocante, para que os grãos fiquem soltinhos. Escorrer a água e reservar a quinoa, em um recipiente grande o suficiente para que ela esfrie.

TOMATINHOS-CEREJA CONFITS:

Em uma forma, levar os tomates ao forno a 120°C, e temperá-los com azeite de oliva, açúcar mascavo e sal. Quando eles estiverem levemente desidratados e cozidos, estarão prontos!

IOGURTE NATURAL:

Temperar o iogurte natural com azeite de oliva, suco de limão, raspinhas de limão, sal e pimenta. Esse é um molho superleve e saboroso, que pode acompanhar muitas saladas!

MONTAGEM:

Misturar a quinoa com todos os legumes salteados + a cebola roxa cortada finamente + o coentro e a hortelã frescas picadas. As ervas são muito importantes para dar um toque fresco! Temperar a salada com azeite de oliva, suco e raspas de limão, sal e pimenta preta fresca. O molho de iogurte é bom para servir à parte!

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Sabor

Carré Bovino

PARA 2 PESSOAS

Este é um prato feito na brasa, inspirado nos nossos churrascos gaúchos! Temperar o carré com sal grosso e fazer um fogo com carvão e nó-de-pinho. É importante começar com o fogo alto, para criar uma crosta bonita, bem dourada e uniforme! Depois de dourar a carne, colocá-la em um canto da churrasqueira onde o fogo esteja mais brando, para terminar lentamente o cozimento. Quando ela estiver no ponto desejado, colocá-la no alto da churrasqueira, coberta com um papel-alumínio para que a carne “descanse”, durante uns cinco minutos. Esse processo é importante para que os sucos se repartam de forma homogênea, o cozimento fique parelho e a carne, macia e suculenta! Na hora de servir, pode baixá-la novamente para um fogo mais forte, para dar uma aquecida!

limão. Acrescentar um queijo fresco temperado, como uma ricota ou um quark, também fica uma delícia!

CREME LEVE DE BATATAS: 240 G DE BATATAS COZIDAS 200 G DE CREME DE LEITE FRESCO 150 G DE LEITE SAL E NOZ-MOSCADA Bater todos os ingredientes no liquidificador, para que fique um creme liso. Colocar em uma garrafa de chantilly com dois cartuchos de gás.

CRUMBLE DE CEBOLAS: REPOLHO CORAÇÃO DE BOI:

Escolher um repolho pequenino. São mais macios e saborosos. Colocá-lo na churrasqueira inteiro. Deixar as folhas externas ficarem bem queimadas. Dá um gosto defumado muito saboroso. Quando o repolho estiver cozido, retirar as folhas externas e utilizar somente as internas.

JOVEM ALHO-PORÓ: 3 ALHO-PORÓS

Branqueá-los em água salgada. Colocá-los na churrasqueira para grelharem.

Cortar uma cebola em brunoise (pequenos cubinhos). Colocar “a olho” um pouco de amido de milho e farinha de trigo. A cebola deve ficar sequinha, encoberta pelas farinhas. São elas que vão fazer com que a cebola fique bem douradinha. Em uma panela, encobrir a cebola picada com um óleo vegetal. Na verdade, a gente vai fritar a cebola mexendo sempre para não queimar! Essa operação demora um pouquinho. É preciso prestar atenção, porque no momento em que ela começar a ficar dourada, ela cozinha muito rápido e pode queimar. Deixar separado um recipiente com uma peneira, para recuperar apenas a cebola. Colocá-la em uma forma com papel-toalha, para que ela fique bem sequinha. Temperar com sal.

MONTAGEM:

Misturar as folhas de repolho, ainda quentes, com o alho-poró e as folhas de salada mizuna. O calor dos legumes vai cozinhar levemente a salada. Temperar com azeite de oliva, sal, folhas de manjericão e raspinhas de

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MONTAGEM:

Colocar o creme de batatas em um prato pequeno fundo. Colocar as minicebolas grelhadas e o crumble de cebolas!



Sabor


Crocante de Açúcar Mascavo 40 G DE MANTEIGA 100 G DE AÇÚCAR MASCAVO 50 G DE CLARA DE OVO 30 G DE FARINHA MODO DE FAZER:

Misturar todos os ingredientes até que fique uma “massa” bem homogênea. Deixá-la repousar na geladeira, de um dia para o outro. Em um papel-manteiga, espalhar essa massa em tiras longas, com aproximadamente 3 cm de largura cada. É importante que a espessura seja a mesma, em toda a superfície... essa camada de massa deve ser bem fininha. Levar ao forno, em uma forma, a 170°C. Quando as tiras estiverem cozidas, retirá-las do forno. Tu vais precisar de um cilindro, largo o suficiente para enrolar as tiras e dar a forma semelhante à da foto. Pode-se usar uma garrafa de vinho ou um vidro de conserva vazio! É importante colocá-las aos poucos para assar, pois a gente só consegue enrolar as tiras enquanto elas estão quentes... Elas esfriam e endurecem, no momento em que as enrolamos!

BISCUIT DE AMÊNDOAS: 200 G DE FARINHA DE AMÊNDOAS 34 G DE FARINHA DE TRIGO 80 G DE AÇÚCAR DE CONFEITEIRO 240 G DE CLARA DE OVO 134 G DE AÇÚCAR Em um recipiente, colocar a farinha de amêndoas, a farinha de trigo e o açúcar de confeiteiro. Em uma batedeira, bater as claras e acrescentar o açúcar aos poucos, para que elas fiquem bem firmes. Misturar delicadamente as claras batidas com a mistura de farinhas e açúcar. Em uma forma com papel-manteiga, espalhar esta massa de maneira uniforme. Assá-la no forno a 170°C, por aproximadamente 17 minutos. Deixá-la esfriar e, com a ajuda de um aro, cortar círculos com o mesmo diâmetro dos crocantes de açúcar mascavo.

CREME DE BERGAMOTA: 60 G DE LEITE 60 G DE CREME DE LEITE FRESCO 46 G DE GEMA DE OVO 11 G DE AÇÚCAR 174 G DE SUCO DE BERGAMOTA 2 FOLHAS DE GELATINA

Colocar as duas folhas de gelatina em um recipiente com água gelada. Em um recipiente, bater as gemas com o açúcar, até que

PARA 8 PESSOAS

este se dissolva e se misture bem. Em uma panela, colocar o leite, o creme de leite e o suco de bergamota. Levar à ebulição. Acrescentar um pouco às gemas de ovo. Misturar. Acrescentar o restante, misturar, e colocar novamente esse todo na panela. Cozinhar em fogo brando, até que esta mistura adquira uma consistência mais espessa. Isso acontece quando a temperatura atinge 82°C. Se tu não tiveres um termômetro, não tem problema. Tu irás perceber a mudança de textura... é importante, apenas, que as gemas não cozinhem! Retirar a panela do fogo. Acrescentar raspinhas de bergamota, para acentuar o sabor! Acrescentar as folhas de gelatina e misturar bem. (No momento em que tu retirares as folhas de gelatina da água, retirar todo o excedente de água com as mãos.) Caso tu tenhas um mixer em casa, mixar o creme para que ele fique bem liso. Despejar o creme de bergamota em uma forma, de maneira que ele fique com uma boa espessura. Aproximadamente 1 cm. Cortar como o biscuit de amêndoas, em círculos com o mesmo diâmetro. O objetivo é fazer diferentes camadas dentro do crocante de açúcar mascavo!

LARANJINHA KINKAN CONFIT: 200 G DE LARANJINHA

Colocar as laranjinhas em uma panela com água. Quando a água ferver, descartá-la, e repetir esta operação. Fazemos isso para retirar um pouco do amargor e outros sabores mais intensos da casca. Fazer uma calda com 1 litro de água, 600 g de açúcar. Cozinhar as laranjinhas nesta calda, em fogo brando, por aproximadamente 1h.

LARANJA DE UMBIGO: 1 LARANJA DE UMBIGO CORTADA EM PEDACINHOS. CHANTILLY DE IOGURTE NATURAL: 400 G DE IOGURTE NATURAL 100 G DE CREME DE LEITE FRESCO 30 G DE AÇÚCAR

Em um recipiente, misturar bem todos os ingredientes. Colocar esta mistura em uma garrafa de chantilly, com dois cartuchos de gás.

MONTAGEM:

Dentro dos “aros” de mascavo: colocar o biscuit de amêndoas, o creme de bergamota, as laranjinhas kinkan confits cortadas em pedaço, laranja de umbigo cortada em pedacinhos. Cobrir com o chantilly de iogurte. Finalizar com o pozinho de laranja e as florzinhas secas, que a gente encontra em casa de chás.

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Sabor

Cone Crocante de Beterraba MASSA PHILO MANTEIGA 2 BETERRABAS ORGÂNICAS 1 LARANJA CIBOULETTE

MODO DE FAZER:

Em uma panela, cozinhar as beterrabas com casca na água, com um pouco de sal. Quando elas estiverem cozidas, mas ainda tenras, passá-las na água fria para interromper o cozimento. Descascá-las e cortá-las em uma pequena brunoise. Temperar com azeite de oliva, vinagre balsâmico, raspinhas de laranja, sal e a ciboulette finamente picada.

VINAGRE BALSÂMICO AZEITE DE OLIVA MOLHO DE IOGURTE NATURAL* LIMÃO FLOR SININHO IOGURTE NATURAL:

Temperar o iogurte natural com azeite de oliva, suco de limão, raspinhas de limão, sal e pimenta. Esse é um molho superleve e saboroso, que pode acompanhar muitas saladas! Dica: se tu quiseres um iogurte mais consistente, para que ele não umedeça a massa philo, colocá-lo em um pano de prato limpo, sobre uma peneira, e deixar escorrer um pouco da água do iogurte.

CONES DE MASSA PHILO:

É necessário ter esses cones especiais, para que a gente possa dar a mesma forma que aparece na foto. Tu podes improvisar e fazer de outra maneira com utensílios que tu tenhas em casa, e que possam também ir ao forno. Outra alternativa é apenas cozinhar a massa philo aberta, pincelada com manteiga, para que ela fique crocante e douradinha. É melhor colocar uma massa philo, pincelar com manteiga, colocar outra em cima e pincelar novamente! Levar ao forno a 170°C, em uma forma com papel-manteiga, até que elas fiquem bem douradas! No caso de fazer a receita como na foto, é preciso ter os cones de alumínio. Pincelar os cones com manteiga derretida. Colar duas “folhas” de massa philo com manteiga. Ficará uma folha dupla. Cortá-la em círculos, com os diâmetros semelhantes ao cumprimento dos cones. Cortar estes círculos em quatro partes iguais. Enrolar cada ¼ de círculo em um cone de alumínio. Assar no forno a 170°C até que eles fiquem dourados.

MONTAGEM:

Dentro dos cones, colocar a saladinha de beterraba. Cobrir com o molho de iogurte natural* e finalizar com o pozinho de beterraba e uma pétala da flor sininho.

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CARLA

PERNAMBUCO

NA BATIDA DA CIDADE BAIXA Chegar à Cidade Baixa pode ser o resultado de uma simples caminhada de sábado à tarde mas também pode ser um esperado encontro marcado. Seja como for, de longe esse bairro já nos seduz com suas calçadas arborizadas preenchidas por mesas e cadeiras e pessoas de todos os tipos. Crianças, casais, jovens, idosos, qualquer um e ainda seus fiéis amigos bichos. O encontro é por um chá, um lanche, almoço, jantar ou a clássica noite que não acaba mais. O que for é bom, tem gosto de vizinhança, de reencontro mesmo quando é a primeira vez. Chegar à Cidade Baixa é adentrar um tipo de universo particular que faz bater mais forte o coração e acordar vontades da alma. Um bairro simpático, agitado, é verdade, mas sempre agradável. Preocupado em contemplar, se não todos os gostos, grande parte deles. Um verdadeiro produto das relações que brotam pelas ruas, praças, casas, botecos, restaurantes. Calçadas. Célebres calçadas. A pedida mesmo é pelo bis, a ilusão de que algo tão bom nunca venha a ter fim.

FOTO: GLACUCO ARNT

THE RAVEN

Oásis 44

Mais do que opções para celebrar, curtir, comer, se divertir ou apenas casualmente encontrar pessoas, amigos, namorados, cúmplices de um futuro que nem importa querer prever. A Cidade Baixa parece ter a responsabilidade de evocar a cultura do presente; urgência de agora. O passado a gente deixa em casa... o amanhã é coisa pra se ocupar outra hora. Cidade Baixa pra mim tem o gosto DOCE da VIDA que ficou cristalizado no tempo da turma de um bar homônimo que sediou reencontros e trocas como as melhores descobertas da década de 80: a da arte e dos amantes de uma boa comida e a felicidade de compartilhar andanças que depois chamamos cultura ou história. Desfrutar da Cidade Baixa é cair na gandaia, é fazer do trivial e do estranho o cult, sem nunca cometer a gafe de ser algo diferente do “normal” que só cada um sabe ser. Depois a gente aprende que liberdade tem o gosto doce de saber pelo que vale a pena viver. Mas antes sempre é necessário permitir a si mesmo perder-se no desejo de viver com muito gosto e nada mais.

Estilo Zaffari

A Cidade Baixa vive de novidades. Cada rua um boom, cada par de anos uma moda, um tema, uma história e casas novas. Algumas passageiras, outras com força e dom para resistir e cumprir com a árdua missão de bem servir. Parece ser o caso do The Raven, na Sarmento Leite, 969. O lugar traz o estilo taverna com muito bom gosto. Atende com destaque e serve com muito sabor. Quatro amigosadministram juntos o negócio para que tudo siga impecável e o chef Julio Cefis possa executar com singularidade a sua arte. Melhor fazer reserva. O cardápio à la carte está sempre com novidades, mas o filé ao vinho cumpre com facilidade a tarefa de conquistar, e é inevitável querer voltar. Pra ficar redondo, um Merlot argentino para acompanhar e um Creme Brulee Siciliano para finalizar. Abre de terça a domingo com uma justificada espera nos finais de semana.


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FOTO: DIVULGAÇÃO

então me passa um e-mail, indicando o teu endereço secreto e preferido da mesa porto-alegrense (carlota@carlota.com.br)

Fast food

CAVANHAS, DONA NEUSA, APOLINÁRIO, OSSIP, TOCA DA CORUJA Casas de lanches rápidos povoam a Cidade Baixa. Desde clássicos populares como o Cavanhas e o Speed até bares mais inspirados como Dona Neusa e Apolinário. A Cidade Baixa atende um público sempre variado. Entre os destaques que já fazem história, o Ossip – Rua da República 677 – e a Toca da Coruja – General Lima e Silva, 255 – oferecem cerveja de marca com pratos à altura de fomes rápidas mas exigentes. Os melhores não são tão fast, mas boas opções de food.

Achado MANDARINIER

E se a Cidade Baixa tem se assumido cada vez mais como uma referência tanto na gastronomia como na arte, nada melhor do que combiná-las. Na Alberto Torres, 228, os chefs Leonardo Magni e Liliana Andriola servem refeições de qualidade ainda assim acessíveis. Pão, sorvete, massas, tudo é produzido por eles localmente. A parceria com o StudioClio só deixa mais estreita a relação com a arte. Almoço de quarta a sábado, na sexta à noite, jantar. O cardápio é divulgado às terças-feiras pelas redes sociais e mantém a clientela sempre conectada.

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PERNAMBUCO

Drinks DIRTY OLD MAN No bairro boêmio da cidade um item não pode faltar a nenhum cardápio ou casa que pretenda agradar: a bebida. Entre tantas opções de casas que oferecem o básico, algumas ganham destaque por prezar pela arte da embriaguez como um ofício a ser levado a sério. Em homenagem ao poeta e romancista Charles Bukowski, Dirty Old Man faz um Tom Collins excelente e muitos outros drinks que marcaram época. Ainda com boas opções de destilados e cervejas artesanais. O ambiente intimista pode funcionar como um convite ao luxo da embriaguez. Pra quem pode, na Lima e Silva, 956

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Étnico DAMASK Na Cidade Baixa pequenas ruas escondem grandes tesouros. Na Sofia Veloso, 61, o Damask cumpre a missão de oferecer o étnico de um jeito familiar. A casa serve comida árabe de excelente qualidade com destaque para okebab. O cardápio à la carte sai das mãos do chef palestino Zuhair Qumsieh. De segunda a sábado para o jantar.

Forno e farinha PIZZA EM FATIAS Quanto o foco está na diversão, comer precisa ser prático. Na Sarmento Leite, 929, pizzas em fatias resolvem fomes emergenciais sem deixar de lado o sabor. Além das pizzas, clássicas e práticas, saladas frescas, leves e nutritivas. Se você está de regime e o namorado não, é uma boa opção para não se perder.


FOTOS: GLACUCO ARNT

Na calada da noite VAN GOGH

Na República, 14, resiste um dos primeiros bares da Cidade Baixa. A casa vem de uma época em que ele não era muito mais do que um boteco. O lugar foi ganhando a fama porque ficava aberto durante a madrugada servindo sopa de capeletti. Rebelde, foi notificado por não respeitar a Lei do Recolhimento das mesas e segue incólume na arte de socorrer enquanto tudo mais na cidade dorme. A gente nunca sabe quando vai precisar.

SPINA

Pasta

A qualquer momento, mas principalmente naquelas conhecidas noites frias de Porto Alegre, um bom prato de massa nos aquece com o conforto do alimento preparado com cuidado, como aquele que nossas nonas costumavam fazer. Já entre os clássicos, o Spina serve sempre muito bem. Um italiano típico excelente. A lasanha de espinafre é top e o Parmigiana também, È Vero! Na Lima e Silva, 1244.

Doce que te quero gelado SORVETERIA JOIA

Porto Alegre no verão é quente e pede refresco constante, e isso parece explicar a delícia da Sorveteria Joia, República, 441. Mas a verdade é que qualquer hora é hora e qualquer raio de sol num domingo convida a um passeio na Redenção tanto quanto justifica uma passadinha na Joia. Básica no interior, com fachada linda, tem a alma clássica. Na dúvida prefira os sorvetes de fruta, como o de banana hummmm.

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Viagem


Austrรกlia

Qualia Resort, Hamilton Island F OTO S

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Viagem

Em nosso Grand Tour STB Austrália no verão de 2014 exploramos a Grande Barreira de Corais a partir de Hamilton Island. Foi perfeito. Ficamos no Qualia Great Barrier Reef Resort – localizado em uma área privativa na ponta isolada mais setentrional de Hamilton Island, rodeada de todo esplendor da Grande Barreira de Corais Australiana. Trata-se de um exclusivo resort boutique, categoria 5 estrelas, afiliado à rede Relais & Chateaux e eleito o melhor resort do mundo em 2012 no Condé Nast Traveler Readers’ Choice Award. Ficamos três noites nessa ilha tropical circundada por águas límpidas, com intensa vida marinha e formações de corais policromáticas e multiformes – um verdadeiro paraíso para mergulhadores. Afinal, a Grande Barreira de Corais(Great Barrier Reef) é a maior estrutura de corais do mundo. Tem 2.000 km de comprimento e mais de 400 tipos de corais, 1.500 espécies de peixes e 4.000 tipos de moluscos (caracóis, mariscos, etc.). A maioria dos corais tem 2 mil anos de idade, e parte deles data de 18 mil anos atrás. Este é um dos melhores lugares do mundo para mergulhar, com exuberante diversidade de cores e raras espécies marinhas. A partir do Qualia Resort é possível fazer passeios de barco ou helicóptero aos mais diversos pontos exclusivos de mergulho, com todo esse universo marinho intocado. Retornando ao final do dia para o conforto e o atendimento

personalizado do Qualia – eleito o melhor resort das ilhas da Grande Barreira de Corais no Trip Advisor Travellers’ Choice 2012 e 2013. No resort, um spa com tratamentos energizantes e aulas de yoga sob palmeiras, com a brisa refrescante do mar. Superastral! Para manter o clima de relax não circulam veículos pelo resort, apenas carrinhos elétricos de golfe, impondo um ritmo mais tranquilo e sustentável. Como cada “villa” está envolta em vegetação – sempre com vista para o mar, em diferentes níveis ao longo da colina que compõe a península e pequenas baías do resort –, você tem total privacidade e a sensação de ter a ilha só para você. As “casinhas”, feitas com muito vidro e madeira, interagindo com o entorno, e o estilo que combina sofisticação e despojamento resultam em ambientes amplos e aconchegantes. As opções com piscina privada são uma pequena extravagância que vale a pena. As refeições são outros momentos de prazer, tanto o café da manhã no alto do Long Pavilion Dining, com uma supervista, como o jantar no Pebble Beach Dining, junto à praia, com o agradável som do mar. Também é possível ter uma experiência intimista com jantar privado nos gazebos dos jardins bem cuidados. Caso esteja em ritmo mais acelerado, você pode gastar energias na piscina com borda infinita, na academia de ginástica ou velejando, sempre uma ótima oportunidade para conferir as belezas da ilha a partir do mar.

CONFIRA NO WWW.QUALIA.COM.AU I RESERVAS ATRAVÉS DO STB TRIP & TRAVEL: 51 4001.3000

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A PISCINA COM BORDA INFINITA É UMA DAS BELEZAS DO QUALIA RESORT, QUE FICA NA PONTA MAIS EXCLUSIVA DA HAMILTON ISLAND, DIANTE DA GRANDE BARREIRA DE CORAIS Estilo Zaffari

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Humanas criaturas T E T Ê

PAC H E C O

TUDO O TEMPO TODO

Não sei de vocês, mas eu, euzinha, estou lotada. Não cabe mais nada no meu dia. Coitada, não tem com quem dividir as tarefas? Tenho sim. Mas até para dividir preciso de mais tempo. Há quem diga que falta de tempo é arrogância, pode ser, mas até para arrogância estou sem tempo. Para ser arrogante precisaria talvez parar e fazer um plano bem maquiavélico, serei arrogante!, mas não, não dá. Tenho que ser também boa companhia, planejada, justa, ousada, amiga de todas as horas, mãe atenta, motorista boa, atleta, profissional impecável, pontual, todas questões que brotam do interior e ganham o exterior com uma força dos infernos. Neste momento em minha caixa postal tenho 3 mensagens que saltam em negrito: 1. Falou com ela? 2. E aí? 3. Vou ter que fechar a Estilo Zaffari sem você. Percebem, todas as 3, só li as três primeiras, são inquisições. Estou meio cansada da vida desse jeito. Vocês não? Duvido que esse seja um problema só meu. Deve ter mais gente e coisas obedecendo a essa novaordemsemtemponempa usa. Sabe que coisas me chamam atenção em primeiro lugar? As frutas. Elas mesmas, tadinhas. Não podem mais obedecer à pausa das estações, a ordem natural de plantio e colheita. Elas precisam dar o ano inteiro, pois o ano inteiro somos ávidos por frutas da estação. Hoje no mercado, de manhã, me deparei com uma pilha de panetone de chocolate. Cheguei a ficar confusa, pensando se já era Páscoa, mas aí me dei conta de que estamos em setembro ainda e que a data a ser

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comemorada nessa época é o Natal. Ele mesmo. Esperem as vitrines do começo de outubro. Quando essa revista estiver nas suas mãos, você já vai estar ouvindo ho-ho-ho em alguma vitrine. A vida está ridícula. Nosso hábitos estão patéticos. E sequer temos (sim, no plural, gente!) o bom senso de mudar. Parar tudo. Dar um tempo. O pior sintoma da falta de tempo em nós é a consciência e a noção, que vão se esvaindo. Bradamos como papagaios tropicais sobre questões climáticas mas a notícia do dia conta que o planeta atingiu os maiores níveis de emissão de gases de todos os tempos. Odiamos passar a vida com a bunda dentro de um carro, aliás, hoje é o dia mundial sem carro, e daqui da minha janela vejo um congestionamento. Não gostamos dos que governam, mas também não gostamos dos que se candidatam a nos governar. Enquanto isso, não conseguimos sequer separar nosso próprio lixo. Nos lambuzamos de vaidades de todos os tipos, irradiadas através de redes sem fim e buscamos likes, likes, likes. Como buscamos likes para esse tipo de vida? Seriam os likes confirmações que viriam a contrariar nossa própria percepção de que não estamos gostando de nada? E se estivéssemos gostando disso tudo, precisaríamos que os outros gostassem por nós? Esperança: se você teve tempo de ler este desabafo aqui, quem sabe tem um minitempinho para hoje, só hoje, não se deixar cobrar por nada. Nem por você mesmo. Ah, se fosse possível isso, talvez, meu tempo dedicado a estas breves linhas não tenha sido em vão. É uma hipótese.



Estilo

Criativo por

vocação

Quem passa pelo bairro Floresta, em Porto Alegre, talvez nem imagine a quantidade de empreendedores criativos que escolheram a região para fixar ali o seu lugar de criar. Em prédios comerciais ou em casas de arquitetura antiga é possível encontrar músicos compondo suas canções, escritores trabalhando num novo livro ou artistas criando peças utilizando as mais diferentes técnicas. O espaço, compreendido entre a Rua Félix da Cunha e o Shopping Total (quase no Centro) e as avenidas Cristóvão Colombo e Farrapos começa a ganhar vida nova com a criação do Distrito Criativo, concebido e organizado pela agência de inovação social UrbsNova Porto Alegre – Barcelona. A nova fase é a marca da renovação da região. Afinal, até pouco tempo, a área era caracterizada pelo abandono: sofreu um processo de industrialização; depois, as empresas foram embora e, consequentemente, o bairro entrou em decadência. Em Barcelona, uma história parecida: o antigo bairro operário, o Poblenou, entrou em crise econômica e urbana nos anos 1970, após décadas de crescimento industrial.

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Estilo Em 2000, a prefeitura criou ali o 22@Barcelona, um distrito de inovação para atrair empresas na área de tecnologia da informação e da comunicação. Em Berlim, o Mitte, o bairro do centro que ficava no antigo lado oriental, tornou-se point de inovações criativas após a queda do Muro. Hoje é a zona de turismo, que reúne todas as lojas bacanas de estilistas consagrados e hotéis. “Existem bairros assim no mundo todo. É uma combinação de artes, educação, gastronomia e turismo. O bairro Floresta, de maneira muito natural, tem reunido as economias criativa, do conhecimento e da experiência”, comenta Jorge Piqué, idealizador do projeto. Artistas plásticos, artesãos, poetas, músicos, atores, designers, arquitetos, galerias de arte, lojas de antiguidades, por exemplo, integram a economia criativa. Editoras, cursos de artes e música, faculdades fazem parte da economia do conhecimento. E tudo que está relacionado ao turismo, gastronomia ou esporte é economia da experiência. Atualmente, quase 60 empreendedores criativos integram o Distrito C. Ou seja: tem muita gente querendo fazer mais pelo bairro. As atividades movimentadas pela UrbsNova estão ligadas à cultura, mas também à inclusão social, revitalização, organização e limpeza do bairro e ao desenvolvimento do turismo criativo. A empresária Elizabeth Schmidt, da loja de antiguidades Garimpo, acompanha a evolução do bairro há mais de dez anos. “A reunião dos criativos no bairro é um fenômeno. Não existe uma explicação para esse encontro de tanta gente com interesses parecidos”, comenta. Entre os diferenciais, Elizabeth destaque a proximidade do bairro Moinhos de Vento, que é uma região valorizada da cidade e que ainda preserva a característica residencial, e também do Centro e de seus pontos turísticos. “Acredito que o Floresta tem tudo para crescer. Temos enorme potencial turístico. Quando viajo, procuro sempre lugares assim, que sejam culturais e com pessoas interessantes”, garante.

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ANTIGA BOATE MADRIGAL LOJA GARIMPO PORTO ALEGRE HOSTEL BOUTIQUE CC>100

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MOINHOS DE VENTO

QUAIS OS OBJETIVOS DAS AÇÕES REALIZADAS NO DISTRITO CRIATIVO? REVITALIZAÇÃO URBANA: promover ações de melhoria nas condições dos espaços públicos e compartilhados pelas pessoas que frequentam o bairro e sua manutenção – iluminação, limpeza, conservação, segurança, mobilidade e preservação do meio ambiente. INCLUSÃO SOCIAL: identificar grupos sociais em situação de vulnerabilidade, como papeleiros, dependentes de álcool e drogas, envolvendo os integrantes do Distrito C com as ações humanitárias realizadas no entorno. DESIGN DE TERRITÓRIO: criar uma identidade própria que caracterize e diferencie o Distrito C na cidade – sinalização, eventos, grafites, exposições, fotografia, escultura, calçadas com arte.

FLORESTA

INTEGRAÇÃO: conectar pessoas, trazendo o sentimento de pertencimento ao grupo e ao bairro e promovendo networking, divulgar o trabalho e cultura, preservar a memória e a história do bairro. TURISMO CRIATIVO: colocar o Distrito C no roteiro dos turistas – que vêm para Porto Alegre e também os que moram na cidade, promovendo o encontro com os criativos, mostrando a vida cotidiana do bairro, promovendo experiências com conhecimento.

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Estilo O Porto Alegre Hostel Boutique está instalado em um casarão histórico do bairro, bem pertinho do Shopping Total. A aposta de Carlos Augusto Silveira Alves, proprietário e presidente da associação Refloresta, é mudar a cara da região. “Por dez anos morei em Santo Ângelo e tinha hostel nas Missões. Por insistência da minha filha, viemos para Porto Alegre. Encontrei no bairro Floresta uma casa pela qual me apaixonei e com um ótimo valor. Naquela época, em 2010, nem imaginava que o bairro tivesse esse potencial para a criatividade. Foi um desafio: criar um novo ponto na cidade, convivendo inclusive com a prostituição que é característica do bairro. E estamos conseguindo: tenho 30 hóspedes por dia das mais diversas nacionalidades e cheios de curiosidade”, comenta Carlos Augusto Silveira Alves. O CC>100, na Avenida Cristóvão Colombo, é uma das novidades do Distrito C: um prédio comercial com salas e lojas para locação e espaço multiuso para palestras, workshops, oficinas e eventos, pensado especialmente para pessoas da indústria criativa. O empreendimento, inicialmente pensado para o Centro de Porto Alegre, na época aproveitando a ideia da revitalização do centro histórico, encontrou seu lugar no bairro Floresta. “Chegamos até o prédio da Cristóvão Colombo, através de uma página de classificados. Assim, nos deslocamos um pouco. Na região, existe ainda uma relação de bairro. Os vizinhos se conhecem e cooperam entre si. Sou um grande crítico da forma de habitação predominante hoje na Capital, onde impera o afastamento da vida citadina. Cada cidadão é um agente de segurança em potencial, mas, no momento em que tiramos nosso olhar da calçada, deixamos a ação marginal acontecer. O que me agrada no Distrito C, em especial no Floresta, é que ainda existe a condição de manter essa dinâmica de “olhos na rua”, manutenção de parques, criação de espaços de lazer, curtição, circulação de pessoas nas ruas”, comenta Auber Oliveira, do CC>100.

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BOLSA DE ARTE VILA FLORES CASA CULTURAL TONY PETZHOLD FAMIGLIA FACIN VERDI DESIGN

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INVESTIMENTO QUE RETORNA PARA O BAIRRO

FLORESTA

O novo projeto da UrbsNova é um novo modelo de aquisição de imóveis com desconto especial para empreendedores criativos. “Uma parte do valor descontado é investido em intervenções criativas no local. Assim, um imóvel destinado para a economia criativa terá parte do seu próprio valor investida no bairro. E o melhor: a pessoa que vende não terá nenhum prejuízo financeiro”, explica Jorge Piqué. Nestes casos, um percentual de 1 a 2% será deduzido do valor da corretagem. O prédio da antiga boate Madrigal, na Avenida Farrapos, está à venda e pode ser comprado nestes moldes. “Se quem comprar o imóvel e for utilizá-lo para economia criativa, receberá um desconto de quase R$ 100 mil. E o bairro um investimento de R$ 1.000 para atividades locais”, explica.

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SERVIÇO Av. Farrapos, fundos Rua São Carlos I ANTIGA BOATE MADRIGAL

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Rua Câncio Gomes, 659 I LOJA GARIMPO

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Rua São Carlos, 545 I www.hostel.tur.br I PORTO ALEGRE HOSTEL BOUTIQUE

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Av. Cristóvão Colombo, 100 I www.cc100.com.br I CC>100 www.bolsadearte.com.br I Rua Visconde do Rio Branco, 365 I BOLSA DE ARTE www.vilaflores.net I Rua São Carlos, 753 I VILA FLORES casaculturaltonypetzhold.wordpress.com I Av. Cristóvão Colombo, 400 I CASA CULTURAL TONY PETZHOLD www.famigliafacin.com.br I Av. Cristóvão Colombo, 545 I FAMIGLIA FACIN www.verdi.com.br I Rua Félix da Cunha, 768/305 I VERDI DESIGN

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Equilíbrio C H E R R I N E

C A R D O S O

A INCRÍVEL ARTE DE DESAPEGAR

Aproveitando alguns dias de descanso, os quais todos deveriam se dar vez ou outra, me pego em frente ao mar, num fim de tarde daqueles espetaculares com céu limpo e já alaranjado devido ao pôr do sol, e penso em como somos presenteados todos os dias com essas riquezas da natureza. Bastam alguns minutos vivenciando este tipo de encontro para perceber que o verdadeiro sentido da vida está realmente nos pequenos detalhes. O ano passa tão rápido, as estações migram umas através das outras sem que nem as percebamos por estarmos imersos na rotina insana do nosso dia a dia, dias que nem parecem ter as 24h, pois parece não sobrar tempo para as coisas que realmente gostamos de fazer, etc. Nesses momentos surgem perguntas como: por que eu tenho que gastar tantas horas da minha vida no trânsito? Por que eu trabalho com algo que não me dá prazer? Por que me estresso com meus filhos? Por que aquele companheiro de trabalho consegue me tirar tanto do sério? Por que eu não tenho coragem de mudar e fazer tudo diferente? Talvez por medo, talvez por apego. Apego a tudo o que o comodismo nos proporciona. O poder da escolha nos foi dado, mas nem sempre temos disposição suficiente para usá-lo. Nos acorrentamos na nossa zona de conforto porque mudar dá preguiça. Nos justificamos com aquela voz interna que diz: já que está dando certo assim, por que começar tudo outra vez?. Mas sabe, mudar é bom! Mudar faz com que você passe a conhecer uma outra versão de si mesmo. Faz você colocar em prática o verdadeiro sentido do desapego. “O apego é uma âncora, que mantém você preso onde está agora” já dizia o escritor Carlos Hilsdorf. E ele tem razão. Por medo de mudar algo, que há muito talvez

não esteja dando certo, sua vida se estagna e você perde a energia que precisaria para fazer novas conquistas, viver novos destinos e até mesmo se apaixonar novamente, por algo, por alguém e até mesmo pela sua vida! Quando não nos permitimos as mudanças, que propositalmente a vida nos apresenta, perdemos a oportunidade de construir novos paradigmas. Acredito que o que Hilsdorf quer dizer quando traduz apego como uma âncora é isso. Estar apegado a algo, a alguém, a uma situação, faz com que limitemos a nossa própria evolução. Na minha opinião a forma mais sensata de vivenciar um progresso na vida é se dando a oportunidade de desapegar. Uma outra forma de encarar a realidade do desapego é entender que você está neste mundo e vivendo esta vida com um propósito e que todas as pessoas que passarem por você nesta jornada fazem parte do contexto daquilo que você precisa viver e aprender, mas não significa que elas estarão para sempre ao seu lado. Tal como tudo aquilo que você conquistar, ainda mais se tratar-se de bens materiais. Estes ficarão, em qualquer que for a sua partida. Relações se desfazem, muitas amizades e amores se transformam, desejos não são imutáveis. Hoje você vive uma realidade e amanhã pode estar diante de um novo começo. Se permitir vivenciá-lo depende exclusivamente de você! Esta é a verdadeira arte de desapegar. Você pode começar agora. FORMADA EM JORNALISMO PELA UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI, FEZ ESPECIALIZAÇÃO EM PUBLICIDADE & PROPAGANDA E MARKETING. HOJE ATUA COMO INSTRUTORA DE ALTA PERFORMANCE DO MÉTODO DEROSE EM PELOTAS, DIFUNDINDO UMA PROPOSTA DE LIFE STYLE COACHING, UM JEITO DIFERENTE DE SE CUIDAR E DE VIVER. ACESSE WWW.METODODEROSEPELOTAS.COM

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Vida C E L S O

G U T F R E I N D

HONRA AO MÉRITO

“O mal da epopeia é sem remédio: Seu principal ingrediente é o tédio.” Lord Byron1

Há em Alice no País das Maravilhas a menção a uma aula que se chama, se não me falha a memória, “lição de ficar feio”. No embalo de Lewis Carroll, se eu fosse convidado para dar um curso numa escola infantil, eu proporia para as crianças o curso de “não fazer nada”. A ideia não é rivalizar com as noções iniciais da matemática, língua portuguesa, geografia, música, teatro ou mesmo as primeiras palavras de uma língua estrangeira. A ideia de fato não tem muita ideia e propõe justamente o seu esvaziamento. Gostaria simplesmente de oportunizar as crianças momentos de realmente não fazer nada. Como o nada, segundo certa filosofia, não existe... E, como vemos na armadilha de nossa própria construção linguística, o nada acaba produzindo alguma coisa, as crianças logo estariam afastadas dele e confrontadas com algo. Algo não seria estudar. Mas também não recreação. Não seria sequer brincadeira. Não seria nada e na culatra deste nada as crianças teriam a oportunidade de sentir um pouco de tédio na companhia de um adulto meio atento e meio desatento. O curso seria intensivo, mas não de todo breve, de forma que o tédio encontraria a oportunidade de crescer. Se tudo desse certo, ele encontraria a

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angústia e, se for ainda mais bem-sucedido, a tristeza. Tristeza e angústia. Este curso nada empírico teria objetivos bem definidos, como ensinar a criança a se sentir triste, entediada e angustiada sem que um adulto venha logo acabar com isso. Ao final, estariam aprovados os alunos que aprenderam a esperar e a frustrar-se sem que alguém precisasse vir logo apagar a chama do seu sofrimento. Estes sim entenderiam que os adultos, hoje em dia, na maior parte do dia, estão omitindo o verdadeiro ritmo da vida: ganhar, perder, frustrar-se, gratificar-se, esperar, procurar, ganhar e perder novamente. Tivesse oportunidade, ofereceria o mesmo curso, em caráter extracurricular ou em pós-graduação, para os adultos. Também poderia ser um supletivo, o formato pouco importa. O objetivo principal seria novamente recuperar a capacidade de parar. E perder. Parar e perder simplesmente. Perder, mas também ganhar a ilusão de que o que se perdeu pode ser recuperado horas, dias, anos depois. Ou não, tornando-se necessário o convívio com a perda. Com a perda e com a esperança. Aqueles que aprendessem a suportar com esperança o irrecuperável seriam dispensados da avaliação final e liberados antecipadamente para as férias. Com honra ao mérito. 1 Tradução de Décio Pignatari

CELSO GUTFREIND É PSIQUIATRA E ESCRITOR, ESPECIALISTA EM PSIQUIATRIA DA INFÂNCIA E DA ADOLESCÊNCIA



Tecnologia

Mural na parede ou

no facebook?

O lugar de nossas memórias visuais na era digital P O R

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G U S TAVO

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I LU S T R A Ç Õ E S

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Tecnologia HOJE TIRAMOS MAIS FOTOS, COM MELHOR QUALIDADE, E PODEMOS VER RAPIDAMENTE O QUE REGISTRAMOS. MAS É CADA VEZ MAIS INCERTO QUANDO OLHAREMOS DE NOVO ESSAS IMAGENS Dois anos atrás, quando meu filho nasceu, minha mãe tomou uma decisão interessante: deixou aqui em casa dois álbuns de fotos da minha infância. Os álbuns são daqueles antigos, do tamanho de um jornal tabloide, com páginas de papel rígido e espesso, sobrelâminas de plástico para proteger as fotos, espiral e capa dura. Quando chegaram, após algumas semanas de escrutínio, os álbuns foram depositados numa mesa ao lado do sofá, onde permanecem para consultas e piadas constrangedoras durante jantares com amigos e almoços de família. Não são usados com frequência, mas sua presença é flagrante e declarada: ali está um consolidado visual da minha infância ao alcance de qualquer um em poucos segundos. Se você um dia for lá em casa, pode passear pelo meu nascimento, batizado, primeiro aniversário e primeiras viagens para a casa da minha vó no espaço de alguns minutos. Por outro lado, se você quiser ver as fotos do meu filho, o acesso é um pouco mais complicado. Não é preciso ser especialista em tecnologia para observar a mudança que as câmeras digitais, os celulares e a internet combinados produziram no registro visual de nossas memórias. Há quinze anos, as fotografias de eventos particulares e sociais eram naturalmente limitadas pelos recursos que se tinha à disposição. Câmeras simples de uso eventual, poucas poses, processo de visualização e acesso mais lento deram lugar a câmeras sofisticadas de uso constante que permitem centenas ou milhares de poses e um processo de vizualização instantâneo porém errático. Sim, hoje tiramos muito mais fotos, com melhor qualidade, podemos ver rapidamente o que registramos, mas é cada vez mais incerto quando olharemos de novo as imagens que resolvemos fixar. É como o álbum do meu filho que comentei antes: se você quiser vê-lo, eu vou ter que buscar o laptop em algum lugar da casa, ligar, colocar a senha, abrir o programa de visualização de imagens e mostrar pra você. Um processo bem menos prático e simpático do que navegar fisicamente por um álbum que você pode, que bonitinho, colocar no colo. Não faltam serviços digitais para que a gente conviva com nossas memórias fotográficas de forma mais presente, mas eles ainda não são parte da nossa vida de maneira natural e nem ganharam adeptos numa escala realmente coletiva. Por exemplo: o Facebook, pretensiosamente, tentou que organizássemos nossos registros na linha do tempo que caracteriza sua interface, mas apenas as timelines de alguns usuários mais dedicados conseguem realmente ser representativas de suas trajetórias. De qualquer forma, os eventos postados no presente e não no passado continuam sendo os que atraem amigos e conhecidos para a timeline de alguém. 68

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Outro exemplo: além das redes sociais, o celular é outro ponto de interação com fotos bastante popular, mas em geral eles também carregam apenas nossa história mais recente e é isso que mostramos para os amigos e familiares. É raro você ver alguém mostrando no celular um álbum de sua infância. Será que nossas memórias visuais digitais estão fadadas ao ostracismo dos HDs e do armazenamento na nuvem? Uma rápida sondagem junto aos mais de 3 mil contatos que tenho no Facebook, ainda que não muito científica, revela indícios de uma certa tendência sobre como lidar com esse tema: as paredes e as estantes são o novo álbum de fotos. É nelas, em murais, quadrinhos e porta-retratos, que nossas memórias visuais mais relevantes parecem estar fixando residência. Não que esses recursos não existissem antes, mas eles eram um apêndice dos álbuns físicos, que se tornaram um hábito de pessoas dedicadas e organizadas. Hoje, é mais fácil ver fotos significativas em porta-retratos e molduras do que em um álbum. Mais do que isso, abundam nas lojas de decoração e de presentes suportes criativos para parede e estante nos formatos mais inusitados para se colocar as poucas fotos que ganharam o direito de viver conosco no mundo físico. Ironicamente, alguns dos modelos mais populares de portaretratos e quadrinhos imitam murais de Facebook e telas de smartphone. Também já é possível imprimir fotos diretamente do computador ou das redes sociais em canecas, calendários, ímãs de geladeira, babador, avental, pôster e livretos. Mas nenhum desses objetos decolou em grande escala por enquanto. O fato de passarmos tanto tempo olhando para as telas dos nossos computadores, smartphones e tablets dá um novo sentido à importância das fotos em paredes e estantes na nossa vida. Elas são poucas e menos encadeadas do que as narrativas que montávamos nos álbuns. Também são menos atuais do que as imagens que saltam alegres nas redes sociais. Mas, por outro lado, têm o predicado de fazerem parte da rotina da casa. Na maior parte do tempo, nos esquecemos delas, tornam-se paisagem, mas estão inegavelmente presentes e, de vez em quando, tarde da noite, paramos sonolentos entre o quarto e o banheiro, fisgados por um segundo onírico por aquele naco congelado de vida que produz internamente um jato de sensações, lembrando que nem nós nem certas imagens merecem ficar presos dentro de telas e discos rígidos de computador. O que confirma as palavras da escritora americana Susan Sontag, que publicou em 1977 na coletânea de ensaios On Photography: “A fotografia é talvez o mais misterioso dos objetos, o que cria e aprofunda o ambiente que reconhecemos como moderno”.



Sampa C R I S

B E R G E R

VERDE POR TODOS OS LADOS

CATEGORIA: ESCAPADA A capital paulista é superlativa em todos os sentidos. Tem muita gente, carro, trabalho, opções legais para ver e curtir, oportunidades e também muito concreto… Por isso, é saudável e recomendável, de tempos em tempos, migrar para o litoral norte e deixar a brisa marinha, o barulhinho do mar e o verde da Mata Atlântica reabastecerem você! Se nos meses de verão o trânsito pode ser pesado, entre março e dezembro as escapadas acontecem de forma razoável. Quem mora fora de Sampa e tem a oportunidade de conhecer as praias de São Sebastião, não demora para colocar este pedacinho da costa brasileira no seu habitual

roteiro de viagem. São Paulo é tão grande que, dependendo do em bairro que você morar, será melhor pegar uma determinada estrada. Eu costumo descer a serra pela Bandeirantes e vou cantando “pelas curvas da estrada de Santos” de Roberto Carlos. Duas horas depois estou no paraíso. Faço meu check-in na praia da Baleia e me hospedo na charmosa pousada Azul Maria. Juro que não me importo se vai fazer sol ou se vai chover. Se estará frio ou calor. Ali, encontro diversão para qualquer condição meteorológica e estado de espírito. E jamais perco a oportunidade de dar um pulinho no delicioso e lindo restaurante Manacá.

SERVIÇO: Avenida Deble Luísa Derani, 2156 I Tel.:12 3863.6454 I www.azulmaria.com.br

A JACUZZI Os quartos do piso superior (suítes Maries) têm jacuzzi na varanda. Adoro a suíte número 14, que está na ponta e oferece ainda mais privacidade. Além de ter o charmoso telhado em V. No final do dia de praia, relaxar dentro dela é maravilhoso! Quando chove e está friozinho, fica melhor ainda!

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CHEGADA NA PRAIA Pegar a rua de areia que leva para a praia é um ritual típico deste pedaço do litoral. Adoro cumprir este trajeto. Em dois minutinhos se chega à beira do mar.

A MASSAGEM Agende uma massagem e relaxe...

O CAFÉ DA MANHÃ O café da manhã é completo e delicioso. Aqui, esqueça da dieta, tá? Peça as tapiocas de queijo coalho com tomate e de doce de leite. Os pães são caseiros e os sucos, naturais. E ainda tem água de coco na fruta!

Observe a abundância de verde por todas as partes. O paisagismo assinado por Irene Cisneros transforma a Azul Maria em um grande e lindo jardim.

SERVIÇO DE PRAIA Usufrua do carinho do Antonio, ele é o fiel escudeiro da pousada, e vai mimá-lo montando sua cadeira, abrindo o guarda-sol, lhe trazendo toalhas e o cardápio. E que cardápio!

PARA MOVIMENTAR O CORPO Uma vez com o pé na areia, dê um caminhada de uma ponta à outra da praia. No final de tarde, arrisque uma corridinha. A turma das praias vizinhas costuma ir à Baleia para fazer exercício justamente pelas boas condições do solo: areia firme e retinha que não machuca as articulações.


MANACÁ Claro que os peixes e os frutos do mar vão encantar seu paladar, não há dúvidas! A cozinha do chef Edinho Engel, que tem a Maria Ferreira como braço direito e esquerdo, é de primeira. Mas a chegada será uma parte importante na sua experiência. O Manacá está em cima de charmosas palafitas, elas foram construídas para preservar a restinga e o rio Cambury que passa ao lado. O restaurante está dentro da mata nativa, é verde para todos os lados. O ambiente mistura a rusticidade do cenário natural com copos de cristal, toalhas brancas, garçons superprestativos e uma caprichada carta de vinhos e de caipirinhas. Peça pelo clássico e delicioso peixe da estação embrulhado na folha de bananeira recheada com farofa de camarão, banana e alcaparra. Como sobremesa, dê tiro certeiro e saboreie a mousse com baba e chips de coco. SERVIÇO Rua Manacá, 102 Tel.: 12 3865.1566 www.restaurantemanaca.com.br

PARA TODAS AS TRIBOS A praia agrada à tribo do surf e a quem gosta de mergulhar sem se preocupar com ondas grandes e fortes. Na beirinha, é possível aproveitar o mar sem medo de fazer cambalhota forçada. Perfeito para levar as kids! Em tempo: a água é quente e clarinha!

CRIS BERGER É JORNALISTA E ESCRITORA crisberger@crisberger.com

COZINHA NOTA 10 Pelo menos uma noite, jante no hotel. Opte pela varanda da sua suíte ou pela sacada do restaurante que é cercada de verde. Peça a caldeirada Azul Maria.

O CAMARÃO EMPANADO Escolha o camarão empanado com coco. É de pedir bis!

BOIE VENDO AS ESTRELAS Mergulhe à noite na piscina: ela é aquecida e iluminada.

PET FRIENDLY Ela é pet friendly! Leve seu melhor amigo! O meu cocker spaniel, o Cozumel, é cliente cativo.

KIDS FRIENDLY Aceita crianças e elas adoram a piscina.

O ACERVO DE FILMES Passe na recepção e leve algumas fitas de DVD para o quarto. Faça um “vale a pena ver de novo” daqueles filmes clássicos e adorados, bem esparramado na sua cama ultraconfortável.


O sabor e o saber F E R N A N D O

LO K S C H I N

A ITÁLIA E A COMIDA, TALISMANO

Onde está a glória da Itália, em Dante, Michelangelo e Verdi ou no macarrão? Está em Vitorio de Sica, em Mario Monicelli ou no Brunello de Montalcino? Em Cesar, nas suas legiões ou no pommodoro San Giovanni? Dá para escolher entre Florença ou pizza, Veneza ou nhoque, Milão ou mortadela? Qual o prazer maior, assistir a um spaguetti western – Sergio Leone ao som de Enio Morriconi – ou comer o próprio espaguete? Como optar entre olhar uma Masseratti, vespar uma Piaggio, descansar num Maralunga ou jantar na trattoria atrás da esquina? O fato é que uns não existiriam sem os outros, o gênio e a culinária italiana compõem o mesmo universo, são passos da mesma bota. Leonardo da Vinci morreu frustrado consigo mesmo, o talento maior da humanidade queria mesmo era ser cozinheiro. Sofia Loren definiu suas curvas como mero subproduto do macarrão. Visconti recusou Marcelo Mastroianni como o astro de Morte em Veneza; o sorriso do ator frente a um pão com vinho seria incompatível com a melancolia que o diretor queria impor ao set de filmagem. Escolheu o taciturno Dirk Bogarde que comia como comem os ingleses. Hugo Tognazzi dizia ser ator como hobby e cozinhar para ganhar a vida, sentia-se vivo frente a uma panela. Stanley Tucci honrou a origem calabresa com dois livros de receitas e um dos mais belos filmes sobre comida, ‘A grande Noite’, um jantar crucial para um restaurante italiano no Brooklin. Anos depois, prestes a filmar a biografia de Julia Childs, a primeira chef celebridade da TV, Tucci propôs à Meril Streep que ensaiassem cozinhando, em vez de câmara e ação, o fogão. Num exemplo caricato, após um churrasco em Porto Alegre (1998), Luciano Pavarotti se recolheu ao hotel carregando sob a axila – sem embalagem! – uma picanha inteira para merenda noturna. A bulimia e o smoking engordurado do tenor deixaram nauseados os convidados, incluindo seu companheiro de show Roberto Carlos, de voz e silhueta bem mais delgadas, na época vegetariano.

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Se o item mais furtado nos supermercados do Brasil são chinelos de dedo, na Itália o objeto do desejo é o escudeiro da massa, o queijo parmesão. ‘Mangia que te fa biene’, esta obsessão especial com o comer está na raiz da cultura italiana, é extensão direta da nona, a chefe da cozinha, núcleo em torno de quem orbitam o indivíduo, a família e a comunidade. Mais que linhagem e linguagem, o vínculo com o alimento traduz a nacionalidade; os bolognesi, torinesi ou milanesi divergem em tudo, são rivais eternos que se unem no amor a comida, especialmente a massa. Os italianos mastigam patriotismo, saboreiam identidade. Se sofremos futebol, se os ingleses falam do tempo e os norte-americanos nos surpreendem com a indagação “quanto dinheiro você ganha?”, os italianos perguntam a qualquer um a todo o momento, “O que você comeu hoje?, Estava bom o seu almoço?”. O alimento é uma das formas favoritas de iniciar e manter a interação social. E também interromper. É comum que o telefonema se interrompa com a frase “Tenho de desligar, a água da massa está fervendo.” As refeições tendem a terminar no planejamento da próxima. O assunto do bairro às vésperas de uma festividade é a refeição a ser servida e, nos dias que se seguem, como estava a comida. No cotidiano das feiras e mercados, vendedores e fregueses discutem acaloradamente tanto a qualidade das mercadorias como as formas de preparo. Garibaldi afirmou que o verdadeiro unificador da Itália foi o macarrão. Ao entregar ao rei Vitor Emmanuel uma nação consolidada em 1860, ‘o primeiro italiano’ retirou-se para a ilha de Caprera declinando título nobiliário e pensão vitalícia mas levando consigo “um suprimento de massa suficiente para um ano”. Haveria honraria maior? Tudo começou com um brado retumbante, Viva L’Italia!. O eco do brinde num jantar da Associação Agrária Subalpina em 1846 pôs em marcha a unificação do país. Não surpreende a história da Itália demarcada por refeição – o próprio marco


DELLA FELICITAT fundador de Roma é o aleitamento de Romulo e Remo por uma loba –, surpreende é que o jantar inaugural do ressurgimento fosse estrangeiro, um menu em forma e conteúdo francês. No esboço de nação não havia gastronomia italiana, ambas nasceram e cresceram juntas, são gêmeas como Romulo e Remo. Na Roma Imperial, a mais importante construção era o Coliseu, um matadouro de gente e bichos capaz de alojar 80.000 espectadores. Se o circo era sangue derramado, o pão dependia de classe. O pobre se mantinha com a bolsa pão, plebs frumentum, o rico com banquetes de ubres de porcas prenhas, lampreias e línguas de flamingo. As iguarias romanas ajudam a entender que o It. squisito, ‘delicioso’, tenha no português o sentido de ‘bizarro, estranho’. Mas a dieta que brotou da Itália é plebeia, uma cucina povera, tem raízes na cozinha improvisada do pobre, no tempero da Signora Appetito. A fome ensina a comer e cozinhar. Península de solo não bem fértil, banhada por dois mares não bem piscosos, a Itália se manteve primeiro pela conquista e depois pela adaptação, um outro nome para criatividade. A Itália reflete duas realidades que se contrapõem. Descendente da última potência imperialista do mundo antigo, o Império Romano, um superpoder burocrático e centralizador, mas também é soma de quase uma dezena de cidades-estado, pequenas repúblicas ou reinados rivais e autônomos. Por um lado um gigante baseado na engenharia e militarismo, por outro uma constelação de microcosmos de mercantilismo e agilidade. Não só as sabinas foram raptadas. Se o Império se apossou do trigo do Egito, do sal da Judeia, da madeira da Gália e do ferro da Hispania, Florença, Genova e Veneza comercializaram as especiarias do Oriente e riquezas da América. Mercúrio, deus romano do comércio, era viajante, tinha asas nos pés. Marco Polo, Américo Vespúcio, Antonio Pigafetta e Cristovão Colombo eram italianos e viajantes. Enquanto Portugal e Espanha impunham extrativismo e cristianismo, as cidades italianas faziam trocas comerciais. Desde

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O sabor e o saber F E R N A N D O L O K S C H I N

OS ITALIANOS CRIARAM A GASTRONOMIA DE MAIOR ABRANGÊNCIA DO MUNDO A PARTIR DE QUATRO ÚNICOS INGREDIENTES: AZEITE, TRIGO, TOMATE E MOZARELA. TUDO SIMPLES E À MÃO cedo a Itália se revestiu do especial, pimenta, noz-moscada, canela, cravo, cacau, café, açúcar e outras especiarias. Daí o legado da gravata de seda chinesa, do tomate de sementes andinas, do expresso de grãos colombianos, do chocolate de cacau africano. O interessante é que os italianos criaram a gastronomia de maior abrangência no mundo a partir de quatro únicos ingredientes: azeite, trigo, tomate e mozarela. Tudo simples e à mão: A oliva tem raízes na pré-história mediterrânea e o trigo foi das primeiras importações, o cerne dos clássicos de agricultura em latim. É um mistério como o búfalo foi parar na Europa, mas a mussarela de seu leite, o ‘ouro branco da mina negra’, tornou-se símbolo italiano. Viajando junto com a sífilis, o tomate chegou do Peru no porto de Nápoles no início do Séc. XVI, ambos se aclimataram. Muitos europeus pensam que o tomate seja na origem, pommodoro. Se atentarmos bem, massa, pizza e bruscheta são variações sobre o mesmo tema, diferentes estados da mesma matéria: trigo, tomate, oliva e mussarela. E na busca de alternativas mais baratas, trocando o trigo pelo arroz temos risoto, trocando pela batata temos nhoque, trocando pelo milho temos polenta. Espaguete, lasanha, mortadela, tartufo, pesto, capeleti, tortele, galeto são palavras italianas. De poucos ingredientes nasceu uma variedade que premia todos os gostos. Somente de massas há mais de 350 formatos, alguns inspirados como vermicelli, ‘pequenos vermes’, rachette, ‘raquetes’, farfala, ‘borboleta’ ou ainda pene, ‘pênis’. Um dos nhoques mais famosos é o strozzapestri, ‘sufoca padres’, tão deliciosos que os frades se engasgariam ao engoli-los avidamente. O molho é o disponível, seja o vermelho do peperone ou o verde do zuchini, do branco do polvo ao preto da sua tinta. E nos recheios está a arte da reciclagem das sobras: carne, gordura, nozes, castanhas, queijo e verduras, etc. Não é coincidência que orégano e manjericão, os temperos principais, sejam as ervas aromáticas nativas mais abundantes na região. E o italiano manteve o nome basilico (<G. basilikus), ‘rei’, o rei dos temperos, enquanto o português adotou manjericão na alusão presumida de manjar, ‘comer’. Presença nos molhos não cremosos, a salsa chama-se em italiano pressemole (<petromole)

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o ‘aipo das pedras’ e a salvia deriva do L. salve, o cumprimento do encontro ocasional e invocação aos benefícios à saúde. O italiano se descreve como um mangiafolie, ‘comedor de folhas’. Montaigne, em visita à Itália em 1851 se surpreendeu com a escassez de carne. Diferente da França ou Inglaterra, a carne raramente estava na mesa; cereais e legumes não eram coadjuvantes mas prato principal. A caça dos grandes animais, vista por germânicos e saxões com a aura do poder e da guerra, não era valorizada em Roma; ursos, alces ou javalis não estrelavam o banquete. O pássaro menor é o que tinha valorização maior. A agricultura deu sustentação ao Império, daí o outro sentido da palavra ‘cultura’. Da terra cultivada brotava civilização, na floresta junto aos animais selvagens viviam os bárbaros. Ingredientes simples e preparo fácil, a gastronomia italiana se contrapõe a haute cuisine francaise, quase pedante, saturada de regras e mistérios, própria de um chef engalanado e inacessível ao noviço. Daí tantas mais tratorias que bistrôs, daí seus pratos fartos a preços razoáveis. Os restaurantes italianos tendem a ser mais iluminados, barulhentos, alegres, informais do que os de outras nacionalidades. A obsessão pelo comer tem abrigado a Itália das redes de fastfood, das tele-entregas, dos congelados industriais e até mesmo das cadeias de pizza. Não surpreende que a Itália seja o berço do movimento slowfood, o antídoto do fastfood, criado em 1986 por Carlo Petrini em resistência ao desembarque do McDonald’s na Piazza Di Spagna, coração e estômago de Roma, de escadarias usadas tradicionalmente para picnics. Não há gastronomia sem vinho. Para obter tanto com tão pouco, os italianos tiveram a inspiração de sua tradição vinícola, emblematicamente própria do solo semiárido. No sentir italiano, a mesa sem vinho é céu sem sol, beijo sem paixão. O poeta Martins Fontes (1921) dizia não haver nada mais triste que duas pessoas sentadas numa mesa compartilhando uma garrafa de água mineral Caxambu. Já um Sassicaia... FERNANDO LOKSCHIN É MÉDICO E GOURMET fernando@vanet.com.br


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PERFEITA PARA DIAS DE SOSSEGO E PARA DESCANSAR PERTO DA NATUREZA, A CASA É UM REFÚGIO DE FINAL DE SEMANA, UM SONHO CONSTRUÍDO EM CADA DETALHE POR SEUS PROPRIETÁRIOS Uma casa de lazer vira um refúgio para os finais de semana. Descansar perto da natureza renova as energias. Fora da cidade grande, o tempo parece passar mais arrastado. É suficiente para curtir cada minuto. Um recanto rústico, porém charmoso, parece ser o ambiente perfeito para dias assim: de sossego. A “casa de estar”, assinada pela designer de interiores Lisia Sclovsky, em parceria com o engenheiro Ricardo Peccin, recebe com aconchego e integração total à paisagem de verdes encantadores da Serra gaúcha. Já pensou que delícia poder tomar um vinho na varanda, ouvindo um bom jazz, enrolada num cobertor nos dias de frio ou sentindo aquela brisa fresquinha no rosto num fim de tarde de verão? E tudo isso num lugar especial.

A casa tem identidade. Afinal, é um “sonho construído” por seus proprietários, que pensaram bem em todos os detalhes para colocar personalidade na decoração, reunindo objetos de viagens comprados para a casa, trazidos da Argentina e do Uruguai. A decoração é uma mistura bem equilibrada de peças antigas e outras mais moderninhas. O piso é herança de um salão de baile do interior do Rio Grande do Sul, fazendo contraponto com as luminárias e cadeiras com design atual. Um dos xodós é a estante da sala, onde ficam os livros e as fotos da família, que ganha iluminação de LED à noite. A madeira, combinada com pedras, e as memórias afetivas do interior ajudam a aquecer os ambientes e dar vida para a casa de lazer.

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A ARQUITETURA PRIVILEGIA AS BOAS CONVERSAS: AMBIENTES INTEGRADOS, INFORMALIDADE E MUITO CONFORTO. A CASA FOI PROJETADA PARA SEMPRE ESTAR CHEIA

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“A proprietária sempre frequentou Gramado, pois seu pai tinha paixão pela cidade. Quando o marido passou a viajar com frequência para a Serra em função do trabalho, eles redescobriram o lugar e encantaram-se pela região”, revela Lisia.

FEITA PARA RECEBER

Os finais de semana tornaram-se o momento da família curtir em volta das panelas e das mesas. “Há uma grande bancada na cozinha para que os moradores possam fazer suas receitas de pães e bolos. Na hortinha, a família cultiva temperos e hortaliças usadas em casa”, conta Lisia. A arquitetura privilegia as boas conversas: o living integra a sala de estar e a sala de jantar e também, dependendo da situação, o espaço gourmet, que tem portas que permitem deixar a cozinha exposta ou não. “Os donos da casa adoram receber os


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A PAISAGEM DO ENTORNO ESTÁ SEMPRE PRESENTE E PROPORCIONA AOS ADULTOS UMA FUGA DAS PREOCUPAÇÕES DIÁRIAS. PARA OS PEQUENOS, A NATUREZA É PURA DIVERSÃO 82

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amigos. A casa já foi projetada para estar sempre cheia”, comenta. E não falta espaço para acomodar os convidados. A casa possui quatro suítes: uma para o casal, uma para o filho adolescente e outra para a caçula. “A família é enorme! Por isso, um quarto de hóspedes virou exigência. A proprietária costuma dizer que tem uma lista de espera de visitas!”, brinca. Os banheiros das suítes ganharam destaque e muito espaço, tornando-se verdadeiros quartos de banho. “Os proprietários gostam muito de madeira e concreto. Num espaço amplo, tivemos a oportunidade de projetar algo diferenciado. O inverno é rigoroso na Serra. Para aproveitar a casa o ano todo, não podem faltar piso e toalheiro aquecidos e calefação. Assim, fica uma temperatura agradável no banheiro”, afirma. Para os adultos, perder-se admirando a paisagem – na varanda ou através dos janelões da sala – é uma fuga das preocupações diárias. Já para os pequenos, um convite à aventura: a turma do condomínio na Serra gaúcha, onde está localizada a casa, faz explorações e brinca bem perto da natureza, numa vivência diferente da rotina na cidade.

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Comer, comer L E N I C E

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C A R VA L H O

PRIMAVERA, VERÃO CHEGANDO! Sou veemente quando falo que a saúde deve estar acima de qualquer estação do ano. Nada de descuidar no inverno e correr atrás do prejuízo até o verão. Mas devo reconhecer que a primavera nos estusiasma, nos põe pra cima. Acho que é coisa de gaúcho. Nos recolhemos no inverno, buscamos comidas quentes, por vezes mais pesadas (não necessariamente) e nem todos mantêm suas atividades físicas, principalmente ao ar livre. Assim, é claro que o início do calor, mesmo não tendo sido um inverno rigoroso, nos estimula a consumir alimentos frios, leves, frescos. Vegetais crus e frutas retornam à cena no lugar dos cremes quentes, massas e molhos. Tudo tem seu tempo. Alimentos de verão também podem ser inadequados à saúde, é só lembrar do excesso de sorvetes, frituras em happy hours, cerveja, etc. Não vamos pensar que estamos protegidos no verão. A coerência deve prevalecer sempre. O que determina os alimentos que deve-

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mos ingerir é nossa saúde e nossa rotina. Para alguns indivíduos, até fruta demais pode ser contraindicado, sucos também, enquanto para outros, um macarrão ao sugo pode ser recomendado. Qual é o seu caso? Em que grupo se encontra? Saudável? Sedentário? Com doenças e excesso de peso? Para acabar de vez com as suspeitas, sugiro comer com prazer, comer com os olhos, apreciar o visual e o paladar. Comendo assim, o prazer é maior e a porção, menor. O excesso vem da voracidade, do impulso, do descuido. Comer não pode ser o único prazer! Como conquistar o corpo e a saúde desejada sem esforço? Sem tempo? Sem prestar atenção na rotina? Deixando o cuidado pra depois? A primavera pode não ser o tempo suficiente para nossas conquistas.

LENICE ZARTH CARVALHO É NUTRICIONISTA


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Garimpo

Na palma da minha

T E X TO

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B E R G E R

São Paulo sempre cruzou o meu caminho. E toda vez que eu chegava à cidade grande, aterrissando no aeroporto de Congonhas, via pela janelinha do avião aquele mar de prédios e suspirava. Quando o táxi, mais uma vez, entrava na Avenida 23 de Maio, eu ficava assustada com a enorme quantidade de carros. Em maio de 2014, fui ao Rio de Janeiro produzir mais um livro da coleção 101 Lugares e embarquei por Congonhas. Pela primeira vez olhei para baixo e pensei: eu te conheço, Sampa, te tenho na palma da minha mão. Claro que eu não tenho coisa nenhuma. Ninguém realmente conhece uma das maiores cidades do mundo, nem mesmo eu, que já escrevi 12 livros sobre ela com 101 lugares em cada um. Ufa, como fiz isso? Bem, devo agradecer ao meu confortável par de tênis, à minha curiosidade nata, ao meu faro de repórter e à Even Construtora, que encomendou esse garimpo. O livro do bairro de Pinheiros foi o começo de tudo, em 2012. Dois anos depois, voltei às ruas de um dos bairros mais antigos da capital paulista para eleger meus novos 101 lugares. Que dificuldade! Este bairro merece 1001 lugares, isso sim! Se escolher 101 foi uma tarefa ingrata, pinçar 10 é ainda pior. Por isso, querido leitor, saiba que você está prestes a ler uma seleção muito criteriosa do bairro mais artístico de SP, onde estão as melhores hamburguerias e uma vida noturna altamente qualificada.

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São Paulo sempre cruzou pelo meu caminho. E toda vez que eu chegava na cidade grande, aterrisando no aeroporto de Congonhas, via pela janelinha do avião aquele mar de prédios e suspirava. Quando o táxi entrava na Avenida 23 de Maio, novamente, ficava assustada com a enorme quantidade de carros. Em maio de 2014, fui ao Rio de Janeiro produzir mais um livro da coleção 101 Lugares e embarquei por Congonhas. Pela primeira vez olhei para baixo e pensei: eu te conheço Sampa, te tenho na palma da minha mão. Claro que eu não tenho coisa nenhuma. Ninguém realmente conhece uma das maiores cidade do mundo, nem mesmo eu que já escrevi 12 livros sobre ela com 101 lugares em cada um. Ufa, como eu fiz isso? Bem, devo agradecer ao meu confortável par de tênis, a minha curiosidade nata e ao meu faro de repórter. Dito isso, vamos aos fatos! O livro do bairro de Pinheiros foi o começo de tudo em 2012. Dois anos depois, voltei às ruas de um dos bairros mais antigos da capital paulista para eleger meus novos 101 lugares. Que dificuldade! Este bairro merece 1001 lugares, isso sim! Se escolher 101 foi uma tarefa ingrata, pinçar 10 é ainda pior. Por isso, querido leitor, saiba que você está prestes a ler uma seleção muito criteriosa do bairro mais artístico de SP, onde estão as melhores hamburguerias e uma vida noturna altamente qualificada.


Garimpo GALERIA DOC

Uma galeria especializada em fotografia. No livro, eu escrevi que ela parece a casa da árvore, pois para chegar na sala de exposições tem que subir uma grande escada. E toda a casa construída em cima de uma árvore é divertida, mágica e lúdica. Bem do jeitinho da DOC. Ela representa alguns dos bons nomes da fotografia brasileira, entre eles o gaúcho Eduardo Monteiro. Créditos para a Mônica Maia e para o fotógrafo Fernando Costa Netto. RUA ASPICUELTA, 662 TEL.: 11 3938.0130 www.docgaleria.com.br

ESTÚDIO MANUS

Esta loja é indicada para quem gosta (não, ama!) decoração. Mas seria muito simplista apenas dizer isso. Ela expõe bem mais do que peças lindíssimas, ali está o trabalho de dois designers extremamente talentosos que criam peças limitadas e produzidas por artesãos e pequenas indústrias. No meio das luminárias, dos budas, das xícaras e dos pinguins estão objetos garimpados ao redor do mundo pelo Caio e pela Daniela. Meu conselho: chegue, fique e encanta-se. RUA GIRASSOL, 310 TEL.: 11 98971.8682 www.estudiomanus.com

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HIDEKI

SP tem a fama (mais do que justa!) de oferecer os melhores restaurantes do país. Considerando a forte colônia de imigrantes japoneses na cidade, nada mais óbvio do que esperar que aqui estejam os grandes endereços gastronômicos de comida oriental. Quer saber onde está um dos melhores? Na Rua Pinheiros. O Hideki foi fundado em 2002. O Hideki Fuchikami é quem comanda o espetáculo. Filho de japoneses, passou 10 anos no Japão cozinhando em diversos restaurantes e regiões do país, até achar que estava pronto para abrir a sua casa no Brasil. Os peixes são incrivelmente frescos e os cortes, incríveis. Hideki faz arte. RUA DOS PINHEIROS, 70 TEL.: 11 3086.0685 hidekisushi.com.br/mobile/pinheiros.html

COFFEE LAB

De cada 10 paulistanos, 11 amam o Coffee Lab. Não errei, não. Quis mesmo ser exagerada. A barista Isabel Raposeiras pegou uma paixão nacional, o café, criou blends fabulosos e gourmets, montou uma cozinha que fica junto do restante da casa, colocou baritas para prepará-los e orientar os clientes, e criou dependência nos seus “usuários”. Ele é point obrigatório para começar o dia, tocar o dia, finalizar o dia, fazer reuniões, encontrar amigos ou qualquer outro motivo. O ambiente é descolado, moderno, aconchegante e bom de estar.

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RUA FRADIQUE COUTINHO, 1.340 TEL.: 11 3375.7400 www.coffeelab.com.br

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MINATO

Ele é uma grata surpresa! Fui porque me disseram que havia aberto um boteco japonês na Rua dos Pinheiros. Achei curioso. Quando entrei, meu queixo caiu. Já comecei fotografando o sushiman que fica na ponta dos dois balcões que tomam conta do pequeno bar. São dez lugares de um lado e mais dez no outro. No meio deles, passam os atendentes que voltam da cozinha com os melhores petiscos dos últimos tempos. Lembro, como se fosse hoje, do shitake com alho-poró, algo dos deuses! Tudo parece bom. Não, tudo é ótimo no cardápio escrito à mão. Chegue cedo, pois ele é o hit do momento.

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Rua dos Pinheiros, 1308 Tel.: 11 3814.8065 https://www.facebook.com/minatoizakaya

SÃO CRISTOVÃO

No meio das dezenas de bares de Pinheiros e Vila Madalena meu voto vai para ele, sem pestanejar! O São Cristovão tem tudo que um bar precisa para você chamar de seu! Tradição, afinal, boteco bom tem certidão de nascimento antiga. Chope gelado e com o colarinho na medida certa, destes que fazem cosquinhas nos lábios. Histórias nas paredes que são revestidas de camisetas, flâmulas e bandeiras de todos os times de futebol do Brasil. Tem um cardápio respeitável e faz parte da cultuada Rua Aspicuelta!

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Rua Aspicuelta, 533 Tel.: 11 3097-9904 www.facebook.com/saocristovao.bar

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SURI

O Suri me convence do início ao fim. Como com gosto a entradinha de chips, guacamole e molho picante. Morro de amores pelo ceviche bem temperado e pelos delicados tiraditos. Quando o dia está frio, há ótimas opções quentes no cardápio. E o pisco sour! Ah, como resistir… nunca saio de lá sem tomar pelo menos dois, porque um chega a ser falta de educação. Para completar, sou louca pela trilha sonora com ritmos latino-americanos! Suri está no topo da minha lista dos melhores restaurantes de SP. Rua Mateus Grou, 488 Tel.: 11 3034-1763 https://www.facebook.com/suricevichebar

JAZZ NOS FUNDOS

Sua reputação é memorável. Quem sobe no seu palco é porque faz uma música instrumental da melhor qualidade. No clima das casas clandestinas da época da Lei Seca americana, a noite se passa entre cervejas e belos acordes. Chegar nele é divertido e inusitado, pois fica nos fundos de um estacionamento. Nos fundos, mesmo. Entre sem medo. Escurinho, low profile, com alguns sofás e mesas perto do palco, público seleto e a garantia de fazer bem aos seus ouvidos e à sua alma.

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João Moura, 1076 Tel.: 11 3083.5975 http://jazznosfundos.net

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Garimpo ARO 27

Ela se instalou quase dentro da estação de trem e do metrô. Fica no que eu chamo de baixo Pinheiros, em uma área do bairro que vem sendo revitalizada nos últimos anos, algo como Meatpacking District, em NY, de anos atrás. Especialidade? Bicicletas. Você imagina que vai encontrar bikes para vender, uma oficina mecânica e um café. Acertou, até aqui. O que você não imagina, eu garanto, é que ela também oferece um serviço que ganhou o nome de parking and shower. Sim, senhor! Quem decidiu, sabiamente, trocar o carro pela bike + o transporte público tem o suporte da Aro para guardar sua magrela e ainda tomar um banho para se recompor e seguir ao trabalho. Os paulistanos estão adorando e o mundo vai ficando mais sustentável. RUA EUGÊNIO DE MEDEIROS, 445 TEL.: 11 2537.1918 www.facebook.com/aro27bikecafe

MEATS

Como eu disse lá em cima, a Rua Pinheiros se tornou a rota das boas hamburguerias da cidade. A antiga Oregon, a vizinha Meat Chopper, o Z Deli e ela recheiam ainda mais este polo gastronômico. A Meats é moderninha e clean. Os burguers são criativos e os ingredientes podem pular de um prato para outro, ou seja, as pimentas do XX podem vir parar na opção vegetariana, que eu devorei e lambi os dedos. Rua dos Pinheiros, 320 Tel.: 11 2679-6323 www.facebook.com/MEATS320?filter=1

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SERVIÇO CRIS BERGER DESBRAVA SÃO PAULO DESDE 2012, A PEDIDO DA EVEN CONSTRUTORA. A GERENTE DE MARKETING DA EMPRESA, AMANDA PIMENTA KNIJNIK, ENCOMENDOU A CRIS UM GARIMPO COMPLETO E EXCLUSIVO DE CADA REGIÃO PAULISTANA, O QUE RESULTOU NA SÉRIE DE LIVROS 101 LUGARES, QUE JÁ CONTA COM 12 EXEMPLARES.

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Ser & Vestir R O B E R TA

G E R H A R D T

PARA ATUALIZAR O LOOK E RENOVAR O ESTILO Nesses gratos 11 anos de trabalho ininterruptos como Personal Stylist, descobri, entre tantos aprendizados, que o guarda-roupa invariavelmente reflete exatamente o momento de vida da pessoa. Sim… os homens, assim como as mulheres, também passam por fases. Há etapas de vida onde se está mais focado no trabalho e na carreira, motivando um investimento maior em um guarda-roupa bem pontual e que atenda a essas necessidades. Há outras épocas em que a atenção está totalmente voltada à vida social, relacionamentos, criando desejos de consumo bem específicos para essa demanda. E chega uma fase onde o homem observa que está precisando renovar seu estilo, consertar velhos hábitos, rejuvenescer, se atualizar ou até mesmo encontrar seu jeito único de vestir. Então, para ajudar a inspirar homens de todas

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as idades e estilos, aqui vão algumas dicas sobre algumas tendências para atualizar seus looks. Sandálias em couro com tiras grossas parecendo chinelos são a pedida para os dias quentes. Você pode combiná-las com bermudas longas no estilo alfaiataria e com calças largas de tecido claro e leve, como um linho branco. A ideia é dar um ar super informal com um toque elegante para os momentos casuais. As pastas executivas estão em desuso, pois com a quantidade de gadgets ficou mais prático optar por bolsas. Sim, bolsas masculinas estão com tudo! Em modelos bem limpos, cores neutras, formatos retangulares e em couro da mais alta qualidade. As tiracolos são um clássico. As mochilas, tão práticas e tão in para o guarda-roupa feminino, surpreendentemente não aparecem com esta força toda para os homens nesta temporada.

SANDÁLIAS MASCULINAS EXIGEM PÉS E UNHAS BEM TRATADOS. E VOCÊ SÓ DEVE USAR SANDÁLIAS FORA DO AMBIENTE DE TRABALHO, AINDA QUE VOCÊ TRABALHE EM UM LOCAL EXTREMAMENTE DESCONTRAÍDO E QUENTE. SEMPRE VALE A REGRA DA ETERNA ELEGÂNCIA NO TRABALHO: PÉS NUNCA À MOSTRA, OK?

SANDÁLIAS DE TIRAS EM COURO COMBINAM COM CHAPÉUS E LINDOS ÓCULOS. O CLÁSSICO MODELO PANAMÁ PERMANECE FIRME E FORTE PARA ESTE VERÃO. E OS ÓCULOS DA TEMPORADA SÃO EM ACETATO, COM HASTES MAIS LARGAS E SUPERCOLORIDOS. APOSTE.

PEGANDO CARONA NO ESTILO TÊNIS+TERNINHO, TEM GENTE APOSTANDO EM SANDÁLIA MASCULINA+TERNINHO PARA O VERÃO. NÃO RECOMENDO. ALÉM DE NÃO VALORIZAR O TIPO FÍSICO, TENDE A DEIXAR O LOOK CARICATO.


AINDA QUE AS FLATS ESTEJAM NA MODA, SE VOCÊ TEM TRONCO LONGO E PERNAS CURTAS OU MUITO QUADRIL, EVITE SAPATOS BAIXOS. SEMPRE! OPTE POR UM SALTINHO, MESMO QUE BAIXO. ELE É OBRIGATÓRIO PARA CRIAR UMA SILHUETA PROPORCIONAL.

OS ACESSÓRIOS PODEM ATUALIZAR O SEU VISUAL A alta costura parisiense é sem dúvida a mais incensada instituição deste incrível universo da moda, pois é a inspiração garantida para as futuras tendências no mundo todo. Pensando nisso, trago algumas dicas quentes das passarelas desta última temporada, para que você possa, desde já, se inspirar e renovar seus looks. Acessórios são sempre interessantes de acompanhar as tendências com bastante atenção. Quando você se sente à vontade no estilo proposto pela passarela, você pode aderir sem medo, pois eles podem dar uma ótima incrementada naquelas roupas bem básicas e eternas do seu guarda-roupa, criando looks totalmente novos. Acessórios atualizam as roupas antigas sem muito investimento, permitindo que você tenha uma atitude responsável e sustentável. Nada mais atual. Então, neste quesito acessórios, sem dúvida, o ponto alto das tendências foi dado pela Chanel, sob a direção criativa de Karl Lagerfeld, que propôs o retorno da bolsa carteiro – uma espécie de

bolsa traspassada no corpo. Nesta nova versão, ela vem ricamente bordada, tanto quanto o vestido que o acompanha. Aliás, bordados de fios dourados em roupas em tons claros estão com tudo. Assim como os botões dourados voltaram nas roupas. Pode apostar! Flores em relevo ornam tops e vestidos na coleção de Giambattista Valli. Você pode entrar nessa tendência no seu dia a dia vestindo broches de flores junto ao seu clássico terninho ou à camisa branca de trabalho, por exemplo. Super in! Tiras de couro cruzadas sobre o busto fazem uma composição interessante no vestido de tule rebordado de Valentino, uma boa ideia para os looks festas nesta próxima temporada. E por fim, mas não menos importante: sapatos baixos são o que há de mais atual! Muitas flats com amarrações nas canelas acompanhando casacos pesados… Paradoxos da moda que se traduzem em sucessos estrondosos pelo mundo todo.

SE VOCÊ TEM PERNAS GROSSAS EVITE SANDÁLIAS GLADIADORAS. ASSIM COMO QUEM TEM TORNOZELO GROSSO NUNCA DEVE VESTIR SAPATOS COM DETALHES QUE “PRENDAM” ESTA REGIÃO. OPTE POR SAPATILHAS, E SANDÁLIAS BEM DECOTAS DE TONS NEUTROS.

A BOLSA CARTEIRO QUANDO VESTIDA ADERE À SILHUETA. ENTÃO MUITO CUIDADO ANTES DE SAIR COM ELA. GERALMENTE ELA AUMENTA QUADRIL OU ABAIXA. PESSOAS DE POUCA ESTATURA DEVEM EVITAR. É UM ACESSÓRIO QUE EXIGE BASTANTE ATENÇÃO, POIS PODE ACABAR COM O LOOK. E ANTES DE ANDAR NA MODA, VOCÊ DEVE ANDAR BONITA! SEMPRE!

ROBERTA GERHARDT É CONSULTORA DE MODA E ESTILO E COMPORTAMENTO

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Palavra LU Í S

AU G U S TO

F I S C H E R

NÃO CONHECER PARIS

A cidade que vemos depende da cidade que já conhecemos. Só enxergamos o novo a partir do que já experimentamos. Quando menos, ocorre que modulamos o novo pelo velho – só entra no nosso radar algo que de alguma maneira tenha já registro no nosso HD. Todo mundo conhece histórias exemplares dessa verdade. Gente que chega em lugares nunca antes frequentados e compara com sua terra natal. Não faz muito, minha amiga Heloísa Netto me contou de uma senhora de Bagé que, tendo estado em Paris pela primeira vez, assim que desembarcou de volta na terra natal foi indagada sobre a capital francesa, e não titubeou: “Adorei, cheia de gente de Bagé!”. Até as pedras do calçamento das ruas, quero crer, lhe pareceram a mesma coisa! De minha parte, não achei Paris a cara de Porto Alegre – a comparação seria difícil, claro –, mas ela desde logo me pareceu quase irmã de Buenos Aires, e assim passei a viver na capital francesa com meu conhecimento da grande cidade do Prata. Certo, a capital portenha tem muito da capital francesa, e não só no metrô centenário, na arquitetura e no urbanismo: sem ir mais longe, ambas são cidades-sede do poder federal de seus países e, por isso, monstros muito maiores do que qualquer outra cidade do país – gigantismo que marca sua vida. São o que são por serem megaconcentracionistas. Em Buenos Aires ou em Paris, por exemplo, o cara anda de metrô até o fim da linha e, quando desce, dá de cara com um bairro bem igual a outro bem mais central, com bons edifícios e comércio ativo, ruas semelhantes, um bom café para sentar e ler. (O Brasil tem pelo menos duas cidades desse mesmo porte, São Paulo e Rio de Janeiro, mas nenhuma com tanta homogeneidade. A sede do poder variou historicamente em nosso país quatro ou cinco vezes – Salvador, Rio e São Paulo e finalmente Brasília, com o possível acréscimo de Ouro Preto entre as duas primeiras, num processo que espalhou bastante a história pela geografia.) Buenos Aires e muitas outras grandes cidades ocidentais, incluindo Porto Alegre, sofreram enorme influência de Paris. O que ocorria nela vira-

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va mandamento para as outras: abriam-se bulevares nela, toca a abrir nas outras; expulsavam os pobres do centro, pobres eram expulsos na periferia; art nouveau em Paris, art nouveau na cidade periférica. O Barão Haussmann fez na capital francesa aquelas imensas reformas lá por 1850, e elas em parte se aclimataram da reforma Pereira Passos no Rio de 1900, e um eco distante disso alcançou a Porto Alegre de Otávio Rocha e Alberto Bins nos anos 1920 e 1930. Mas convivendo mais com Paris a semelhança com Buenos Aires vai se esfumando, por mais que algumas semelhanças restem. É o tempo que faz a distinção: a sedimentação da experiência que o tempo proporciona. Não à toa uma aglomeração urbana tem milhares de anos – restos de uma aldeia na futura Paris foram datados de 2400 anos, em contraste com os menos de 500 anos de vida ocidental em Buenos Aires e os nem 250 de Porto Alegre. O tempo vai decantando a coisa, obrigando as pessoas a encontrarem termos de convivência entre si e com o ambiente. Por cima de tudo, a Paris de nossos dias é uma cidade sem decadência – praticamente não há prédio abandonado, nem terreno vazio para especulação e mato crescendo nele, nem espaço comercial desaproveitado. Na capital francesa, as quadras quase nunca são ortogonais e regulares, e a linha do meio-fio ou dos prédios recua e avança à toa, conferindo a cada canto da cidade uma cara particular – enquanto isso, a cidade de Jorge Luis Borges tem uma monotonia notável, por vezes exasperante, que chegou a sugerir ao famoso escritor, quando jovem ainda, ser a cidade uma espécie de labirinto com sendas tão iguais que confundiam. Em Paris, praticamente não há um entroncamento, um cruzamento igual ao outro – e nisso, guardadas as proporções, Porto Alegre é mais parisiense do que Buenos Aires. Por isso é que a consigna “conhecer Paris” é, no fundo, apenas uma forma de nos defender de sua infinita variedade, um consolo, uma lorota que contamos para limitar nossa percepção a parâmetros reconfortantes. LUÍS AUGUSTO FISCHER, PROFESSOR DE LITERATURA E ESCRITOR




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