Resenha
de
Prefácio
Interessantíssimo
de
Mário
de
Andrade
RODRIGUES, A. Medina (et al). Antologia da Literatura Brasileira: Textos Comentados.
São
Paulo:
Marco,
1979.
Vol
2.
p.
28-32.
Mário de Andrade nasceu em São Paulo, capital, em 9 de outubro de 1893. Em 1911 ingressou no Conservatório de Música e formou-se em piano. No ano de 1917, quando seu pai morreu, passou a ministrar aulas de piano onde teve convivência com os artistas da época. Em 1921, integrou a Sociedade de Cultura Artística. Na semana de Arte Moderna, Mário de Andrade foi nomeado professor catedrático do Conservatório de Música e integrou o grupo que fundou a revista Klaxon – período em que o autor viajou pelo Brasil em busca de uma linguagem nacional própria. Além disso, foi funcionário público, professor de Filosofia e História da Arte e atuou como crítico em revistas e jornais. Faleceu em 25 de fevereiro de 1945 em São Paulo. Em Prefácio Interessantíssimo o autor apresenta o processo de criação de Paulicéia Desvairada a fim de justificar os versos que estão por vir. Fazendo-se valer como um verdadeiro Manifesto do Modernismo Brasileiro. Está fundado o Desvairismo! Assim inicia, Mário de Andrade, o Prefácio Interessantíssimo. Frase que rompeu com as estruturas do passado com seu primeiro livro de poemas modernistas. Nele, há uma descrição dos processos de estilo que conferem a obra e ideias a respeito da poesia demonstrando uma afinidade com a escrita automática atrelada aos seus conhecimentos de harmonia e ritmo musical. Usando de uma linguagem simples, desafia correntes até então dominantes, pregando o verso livre e celebrando o experimentalismo. Sempre se posicionando de forma crítica e um tanto quanto irônica, Mário de Andrade questiona os movimentos colocados na Semana de 22 e o conceito de belo, fazendo contato com o leitor constantemente provocando momentos de reflexão que possibilita uma maior interação com o texto. Mário de Andrade caracterizou os modernistas chamando-os de “primitivos de uma nova era” onde “bebia no copo dos outros”, assim como de
Marinetti, Homero, Virgílio, Verhaeren, citados no seu texto, buscando ênfase na
expressividade,
na
síntese, na
espontaneidade
e
na
inspiração,
apresentando assim, traços surrealistas, obedecendo a seguinte fórmula: lirismo + arte = poesia. No texto contém erros propositais, na busca de uma linguagem nacional e autônoma aproximando a poesia da vida. Por fim, o autor encerra o movimento “Desvairismo” recém-inaugurado e explica: “Em arte: escola = imbecilidade de muitos para a vaidade de um só”.