VIVACIDADE JULHO 2013
27
Entrevista: Valentim Loureiro
Se perguntar quem é “o Major” em qualquer lado, dirão que sou eu, quando há umas centenas de majores no país Valentim Loureiro vai deixar o executivo da Câmara de Gondomar já em setembro. Sem papas na língua, falou sobre os mais variados assuntos que marcaram o seu mandato e a sua pessoa. À conversa com o Vivacidade, o major deixa o cheiro a despedida e faz uma retrospetiva dos seus 20 anos à frente da autarquia. Entrevista: Ricardo Vieira Caldas Joana Isabel Nunes Pedro Santos Ferreira Fotos: Joana Isabel Nunes
É conhecido como Major Valentim Loureiro. O cargo militar diz muito sobre a sua pessoa ou a robustez da profissão nada tem a ver consigo atualmente? Eu fui educado numa escola militar [Academia Militar] - depois de ter passado pela Escola Comercial e Industrial de Viseu e pelo Instituto Comercial no Porto - e tirei o curso superior de Administração Militar. Portanto tem tudo a ver com isso. Continuo a ser militar, mas estou reformado e agora não recebo qualquer pensão. Depois derivei para a área empresarial e o futebol tornou-me público, no Boavista. O Major Valentim Loureiro é conhecido por isso. É evidente que se perguntar quem é “o Major” em qualquer lado, dirão que sou eu, quando há umas centenas de majores no país. Estou muito identificado com o termo “major”. Aqui há tempos, ouvi umas críticas de que para liderar Gondomar era preciso uma pessoa da terra. De facto eu não era da terra mas fui muito requisitado para vir para cá. E a verdade é que, tendo vindo para aqui, acabei por dar nome e expressão a Gondomar.
Vai ter pena de deixar de ser o presidente da Câmara? Vou. Sabe que são 20 anos. É uma vida. Trabalhei muito para Gondomar e para os gondomarenses e recebi de Gondomar e dos gondomarenses carinho, amizade, apoio e estou ligado aos gondomarenses e tenho a certeza de que eles, na sua maioria, também estão ligados a mim. 20 anos passaram depressa ou devagar? Correram ao ritmo normal.
Cinco eleições, cinco vitórias. Umas mais expressivas, outras menos. O ditado “quem corre por gosto não cansa” aplica-se bem ao seu percurso diário casa-trabalho ou chegou a uma fase em que já está cansado? Aplica. É evidente que já vou tendo uma idadezinha, alguns problemas de saúde. Tive tuberculose aos 20 anos, uma doençazinha ou outra, mas não sou uma pessoa doente. Ainda há três anos correu
o boato de que tinha morrido mas estou aqui que nem um pêro. Estamos a entrevistá-lo numa quinta-feira. Mas nos seus discursos afirma muitas vezes que, no plano pessoal, as sextas-feiras são muito importantes para si. Porquê? Sexta-feira é um dia como os outros mas, do ponto de vista familiar, é o dia em que os meus filhos e os meus netos vão jantar a minha casa. Também numa sexta-feira treze, há 20 e tal anos, saiu-
-me o primeiro prémio na lotaria de Santo António, 130 mil contos. Gosto das sextas-feiras como gosto dos sábados ou dos domingos mas, de facto, a ida dos meus filhos e dos meus netos a minha casa em que temos oportunidade de conversar e limar algumas arestas – é um dia especial para mim. Eu sou um homem de família. Tenho seis filhos e onze netos. A partir de setembro vai dedicar mais algum tempo à sua família? Seguramente, a partir de 29 de setembro, vou ter mais tempo porque deixo a função executiva. As críticas ao facto de a sua filha ser vereadora na Câmara incomodam-no? A minha filha foi vereadora por um acaso. Porque nas eleições de há oito anos – em que elegi oito membros – ela ia em nono lugar. Portanto não era para entrar, era para preencher. Por acaso, o candidato a vereador que foi em quarto ou quinto desistiu mal nós fomos eleitos. E, portanto ela subiu por causa disso. E ela como estava na lista ficaria mal não aceitar. Mas nunca previ que fosse entrar. Mas apesar de ser minha filha é vereadora, faz o papel dela. Na Câmara não há familiaridades, ela cumpre o dever dela, eu cumpro o meu.