gota Almanaque
Expediente Isadora Padoa editora-chefe
Sara Santiago texto
Aline Ely fotografia
Bárbara Brasil texto
Júlia Fernandes diagramação
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O projeto gota A
interação da criança com o meio aquático ocorre desde antes do seu nascimento, e talvez por isso seja tão complicado afastá-los da água. No entanto, para preservá-la, é preciso ensinar aos pequenos sobre sua importância, uma vez que se trata de um elemento fundamental para o funcionamento de qualquer coisa no mundo. Se o assunto é educação, quanto mais cedo, melhor. Cada vez mais, o mundo volta sua atenção para a sustentabilidade do planeta. Com essa construção de pensamento, empresas estão alinhando suas estratégias em prol dos menores. Afinal, as crianças ocupam um papel de destaque como consumidores - e construtores - do futuro. Partindo do pressuposto de que a criança se molda através da brincadeira, pode-se dizer que é por meio do ato em si que ela diferencia o certo do errado. Divertir-se é próprio do universo infantil. O ato de brincar ajuda a
criança a ter uma compreensão de mundo, bem como qual é o seu papel nele. Dessa forma, ao levar um assunto dessa seriedade e relevância aos menores, é importante oferecer produtos não só educativos, como também atraentes e interativos. A infância é compreendida como um momento de lazer, jogos e entretenimento: do lúdico como formação das primeiras experiências de aprendizado. Para os pais e educadores que desejam incluir esse conceito na educação dos baixinhos, o almanaque do Projeto Gota conta com atividades sobre o uso consciente da água em ambientes domésticos, histórias educativas em quadrinhos e pequenas dicas para acrescentar o conhecimento ao dia a dia dos pequenos. As crianças e os adolescentes de hoje em dia devem estar preparadas e munidas para incentivar as mudanças de hábitos que, de fato, moldarão o futuro não só do Brasil, mas de todo o mundo.
mural
Pátio da escola é cercado por árvores e plantas para que crianças convivam com a natureza. /Foto: Aline Ely
As
crianças levam o que aprendem na escola para a vida inteira
Tudo o que a criança aprende com pouca idade, transmitido por meio de uma mensagem alegre e lúdica, vai ficar grudado na memória.
A
s experiências vivenciadas pelas crianças nas escolas são essenciais, tanto para seu desenvolvimento quanto para sua estrutura pessoal e profissional no futuro. Por
Por: Sara Santiago
isso, é tão importante a existência de instituições que compreendam o aluno em sua plenitude, e que se preocupem com os efeitos que a educação terá na formação de sua personalidade. Uma dessas escolas é a Amigos de Verde, nascida em 1984 com uma proposta pedagógica que visa a uma educação para o futuro dos alunos. De acordo com a auxiliar de coordenação Giany Bortolozo, a escola se diferencia das outras pelas abordagens trabalhadas
com as crianças, que são a inclusão (apoio aos seus alunos) e a ecologia (proposta naturalista). Pensando nisso, procura garantir que os alunos tenham a liberdade para se expressarem em suas práticas educativas, lado a lado com conteúdo focado em temas ecológicos. Essas didáticas se baseiam inicialmente em teóricos como Piaget, Freinet, Emília Ferreiro, entre outros. O principal objetivo é desenvolver uma aprendizagem equilibrada entre as áreas
5 cognitiva e afetiva, ou seja, que visem principalmente entender os diferentes estágios de desenvolvimento infantil e compreender como os padrões de aprendizagem e pensamento evoluem ao longo da infância. O ambiente implementa novas formas de aprendizagem nas quais os próprios alunos, através de um mapa mental, expõem os seus desejos, demandas e inquietudes sobre o que que querem aprender. A partir de consenso entre o professor e o grupo, são selecionados os conteúdos que podem ser implementados no cronograma das aulas. “Temos uma percepção da educação mais libertária, mas também estabelecemos limites”, diz Bortolozo. Também está entre os objetivos de escola ser autossustentável. Para isso, implementam medidas como a criação de espaços pelos próprios funcionários, professores, estudantes e seus familiares. Um deles é a estufa, onde plantas são cultivadas pelos alunos. Também há uma composteira, para onde vão resíduos como as cascas de fruta do lanche, por exemplo.
Várias dessas iniciativas podem ser implantadas em casa. Afinal, o aprendizado não é apenas das crianças, mas também dos familiares. Cada vez mais, a escola procura que os pais participem nas atividades que propostas aos filhos. De acordo com a coordenadora pedagógica da escola, Cristiane Schardong, a ajuda das famílias é importante em todo o processo educativo. “Não compramos brinquedos para brincar na areia, por exemplo: utilizamos panelas velhas ou potes de sorvete. Vamos aproveitando as coisas que as famílias vão trazendo”, explica. Na Amigos do Verde, os alunos não só ganham habilidades e conhecimento como também sensibilidade, valores, capacidade de percepção e de relacionamento. Por mais que as atividades e os jogos propostos pelos professores pareçam despretensiosos, eles trazem várias lições que são levadas para toda a vida. A escola aplica conscientização constante sobre a água e a sua conservação no cotidiano de seus estudantes.
Relação da escola com a água Apenas 2,5% da água existente no Planeta Terra é doce. Desse número, 1,8% está retida em geleiras, não estando disponível para uso humano. Segundo o Conselho Nacional da Água (CNA), as necessidades de humanidade têm de ser satisfeitas com base nos restantes 0,7%, que totalizam cerca de 10,7 milhões de quilômetros cúbicos. Por isso, o simples fato de abordar a ecologia nas escolas amplia a convivência social e a percepção da necessidade que se precisa no uso consciente da água. Desse modo, a criança passa a ter uma compreensãda existência do “eu” e do “outro”. Um exemplo são as cisternas presentes em toda a escola. Há captações que se interligam pelos prédios, apanhando e conduzindo água de chuva. Mais tarde, o recurso é utilizado para lavagem de objetos e descarga, por exemplo, como explica Carlos, o responsável pela construção dessa iniciativa. “Nós fizemos uma adaptação bem grosseira, mas ativa”, afirma.
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Papo de gente grande com gente pequena Por: Bárbara Brasil
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esmo o Planeta Terra sendo constituído por aproximadamente 70% de água, apenas 0,7% é própria para consumo. Mas por que esse elemento e a crise da água potável são tão importantes assim? É simples. O que você, as árvores e um cachorro têm em comum? Vocês todos precisam de água. São todos seres vivos: aqueles que nascem, crescem, se reproduzem e morrem, como os humanos, os animais ou até mesmo uma planta em um pote no canto da casa. Sem água, não viveriam. Mas por quê? Nosso corpo tem múltiplas funcionalidades e áreas, e a água é necessária para que se realize muitas dessas. O sangue, por exemplo, contém muita água e é responsável pelo transporte de oxigênio para todas as células do organismo. Sem o elemento, essas células morreriam e nosso corpo pararia de funcionar.
A água também se faz presente na linfa, um líquido que faz parte do nosso sistema imunológico, responsável por combater as doenças. Necessitamos dela na digestão e ao eliminarmos o lixo pelo xixi ou cocô. E, claro, acho que não é preciso dizer que a água é o ingrediente principal da transpiração, que ajuda a regular a temperatura de nosso corpo, certo? Não satisfazemos todas essas áreas de funcionamento do corpo humano apenas com da água potável. Qualquer líquido que bebemos contém água, e a maioria dos alimentos também. Aliás, quem nunca mordeu uma fruta e sentiu o suco escorrendo pelo queixo? Além disso, se você ainda não sabe o quanto de água utilizam as indústrias, a pecuária e a agricultura, com certeza irá se espantar com os índices. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimenta-
ção e Agricultura (FAO), elas são responsáveis por 94% do consumo de água do mundo.
Cuidado com a água é um dos valores
Com essas informações, percebe-se claramente porque a crise hídrica preocupa o mundo inteiro: sem a água, não temos vida ou oxigênio no planeta. Há décadas, diferentes decisões têm sido tomadas e caminhos trilhados para reverter essa situação. Mas a tarefa não é fácil. Diminuir o consumo da água que estamos acostuma-
7 dos a gastar em casa é extremamente complicado, e atingir a consciência das pessoas também. Mas, pense por um segundo: não seria mais fácil se nosso piloto automático já fechasse o registro sempre que escovamos os dentes ou ensaboamos o corpo?
passados pela escola. /Foto: Aline Ely
Ou se desligássemos as luzes sempre que deixássemos um ambiente? Ou reaproveitássemos a água da chuva para lavar a calçada e os carros? Quando o assunto é educação, quanto mais cedo, melhor; nesse caso, nos acostumamos com o correto e os hábitos tomam conta do resto. Cada vez mais, precisamos melhorar o cenário
de sustentabilidade do planeta, e o foco tem sido nos mais novos. Afinal, as crianças ocupam um papel de destaque nos consumidores do futuro. Divertir-se é a maior característica do universo infantil, e brincar ajuda a criança a ter uma compreensão do mundo e seu papel nele. Ao trazermos a consciência socioambiental para esse mundinho, é importante que façamos de maneira interativa, atraente e educativa. Angela Borba e Maria Inês Delorme, do Papo de Pracinha (um site repleto de experiências compartilhadas sobre crianças, dicas e reflexões), publicaram um artigo analisando os múltiplos efeitos que brincar com a água pode ter no desenvolvimento dos pequenos, desde a descoberta sensorial do corpo até a fixação da noção da importância dos elementos naturais. Cabe ao educador proporcionar uma maneira inovadora de aprender e um jeito mais divertido de ensinar. Com isso, surgiu a abordagem da necessidade
dos ambientes de aprendizagem, substituindo as tradicionais salas de aula quando o assunto é ecologia. São espaços diferenciados em que ensinar e aprender se desenvolvem de uma maneira mais alegre e divertida, através de jogos, brincadeiras, atividades lúdicas e arte. Quem sabe esse seja o início de uma concepção educacional em que a arte e a brincadeira deixam de ser mero pano de fundo para tornarem-se eixo norteador, e na qual o espaço físico tem importante papel também, propondo ludicidade, aprendizagem significativa e a exploração de variados estímulos.
Incentivo aos alunos. /Foto: Aline Ely
Atividades Use os números para descobrir os três estados em que a água pode ser encontrada:
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Encontre no caça-palavras as atividades econômicas relacionadas ao grande consumo de água:
pecuaria agricultura
industria construcao
comercio
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Calcule quanto você gasta de água por semana. Escolha uma alternativa e depois some os resultados.
Quanto tempo você demora no banho? a) 5 minutos (525 litros) b) 10 minutos (1050 litros) c) 15 minutos (1575 litros)
Você escova os dentes com a torneira aberta ou fechada? a) Aberta (630 litros) b) Fechada (210 litros)
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Você lava o carro com mangueira ou balde? a) Mangueira (560 litros) b) Balde (40 litros)
Você deixa a torneira gotejando? a) Sim (280 litros) B) Não (0 litros)
Quantas vezes por dia você dá descarga? a) 4 (280 litros) b) 5 (350 litros) c) 6 (420 litros)
Cálculo:
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6 dicas do 'gota' para não desperdiçar água Evite banhos demorados. Um banho de 15 minutos em chuveiro consome até 144 litros de água.
Ao escovar os dentes, feche a torneira e Reabra apenas para enxaguar a boca e lavar a escova.
Diga ao papai ou mamãe para lavarem o carro com balde, pois são gastos apenas 40 litros de água.
Cobrir a piscina com material de plástico faz com que a água evapore 90% menos
Reutilize a água, quando possível, em processos diferentes.
Lave as frutas e verduras numa vasilha com água e vinagre. Deixe a torneira fechada.
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Gabarito das atividades caรงa-palavras
estados da รกgua l
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Produção em Jornal