Aprendizagem Móvel e Recursos Educativos Digitais do Futuro John Traxler – Learning Lab, Universidade de Wolverhampton, Reino Unido
1. Introdução O presente artigo baseia-se numa apresentação feita à DGDCI no passado mês de junho de 2011, em Lisboa, e que consistiu numa avaliação dos avanços mundiais ao nível da aprendizagem móvel e numa tentativa de identificar os progressos alcançados até à data, como forma de estabelecer o seu potencial e as oportunidades em Portugal. A apresentação integrava-se num seminário sobre o tema dos recursos educativos digitais do futuro (que, como é do conhecimento geral, chegaram, mas estão mal distribuídos). Na última década, a comunidade mundial de investigação sobre a aprendizagem móvel, principalmente os investigadores europeus, tem definido, em termos gerais, os recursos digitais não só como os conteúdos publicados, transmitidos e consumidos, mas também como as comunidades digitais, a conetividade digital, o discurso digital e os conteúdos gerados pelos utilizadores resultantes de contextos gerados pelos utilizadores. A comunidade europeia está mais enraizada na aprendizagem informal e contextualizada, assim como na aprendizagem situada e autêntica, e não tanto na sala de aula ligada. Talvez os conceitos e definições de recursos sejam diversos e uma determinada comunidade, no caso em apreço os educadores portugueses de todos os setores formais, deva refletir sobre as suas próprias tradições, circunstâncias, definições e ideias. Em artigos anteriores a este (Traxler 2007), resumimos de forma não crítica os progressos da comunidade da aprendizagem móvel nos últimos anos. A comunidade já demonstrou ser capaz de levar a aprendizagem a pessoas, comunidades e países que antes estavam demasiado afastados para poderem beneficiar de outras iniciativas educativas. A comunidade tem provado, igualmente, que pode reforçar e enriquecer o conceito e as atividades de aprendizagem, para além das conceções anteriores, através de experiências de aprendizagem que são mais personalizadas, autênticas, situadas e sensíveis ao contexto do que alguma vez foram. A comunidade tem dado mostras de ser capaz de desafiar e alargar teorias de aprendizagem consagradas, defendendo com frequência que a aprendizagem móvel aumenta a motivação, principalmente dos alunos que seriam normalmente apelidados de distantes, desligados ou desinteressados. A comunidade de investigação sobre a aprendizagem móvel concentrou-se primeiro nos desafios da tecnologia e posteriormente nos desafios pedagógicos, tendo, no entanto, descurado questões ligadas à escala, à sustentabilidade e à integração de práticas e tecnologias de aprendizagem móvel nos sistemas, organizações e instituições.
2. Primeiro avanço – Melhorar a aprendizagem A comunidade de aprendizagem móvel tem provado ser capaz de reforçar, alargar e enriquecer o conceito e a própria atividade de aprendizagem, bem como desafiá-la e provocá-la, designadamente no que se refere a aspetos como: Aprendizagem e ensino móvel contingente, em que os alunos podem reagir e responder ao seu ambiente e às suas experiências em mudança, em que a aprendizagem e o ensino já não são pré-determinados, inflexíveis e fixos. Os alunos podem, por exemplo, recolher e tratar dados de campo in loco e em tempo real durante as suas viagens de estudo e depois dar continuidade a estes dados, fazendo pesquisas com base na sua intuição ou
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