A Folha dos Valentes - Julho/Agosto 2012

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Julho/Agosto 2012 ANO XXXVI

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“dois passos” passos”da da GLÓRIA GLÓRIA 05. AA“dois 416 AFETOS 06. AFETOS Novo ARCEBISPO ARCEBISPO DEHONIANO DEHONIANO 11. Novo António GRITTI GRITTI 12. OO P.P.ee António CENTRO DEHONIANO DEHONIANO do do Porto Porto 15. OO CENTRO PADRE CUNHA: CUNHA: 100 100 anos anos de de vida vida ee 75 75 de de sacerdote sacerdote 22. PADRE NOVA IGREJA IGREJA em em Francos Francos 38. NOVA Família ee JUVENTUDE JUVENTUDE 43. Família Embarcas na na MISSÃO? MISSÃO? 44. Embarcas

PUBLICAÇÃO MENSAL DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

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sumário: da actualidade

FICHA TÉCNICA Director: Paulo Vieira Administrador: Ricardo Freire Secretária: Margarida Rocha Redacção: Magda Silva, Marco Costa, Romy Ferreira. Correspondentes: Maria do Espírito Santo (Açores), Amândio Rocha (Angola), André Teixeira (Madeira), Joaquim António (Madagáscar), Tiago Esteves (Lisboa). Colaboradores: Adérito Barbosa, Alícia Teixeira, Amândio Rocha, André Teixeira, António Augusto, Fátima Pires, Feliciano Garcês, Fernando Ribeiro, Florentino Franco, J. Costa Jorge, João Chaves, João Moura, José Agostinho Sousa, José Armando Silva, José Eduardo Franco, Juan Noite, Jorge Robalinho, Manuel Barbosa, Manuel Mendes, Natália Carolina, Nélio Gouveia, Olinda Silva, Paulo Cruz, Paulo Rocha, Rosário Lapa, Susana Teixeira. Colaboradores nesta Edição: André Matias, Beatriz Martins, Catarina Oliveira, Serafina Ribeiro, Quim Xavier, Filipa Freire, Paula Franco, Pedro, Rita Barbosa, Ricardo Freire, Rinaldo Paganelli, Grupo EMRC Duas Igrejas. Fotografia: Adérito Barbosa, António Silva, Paulo Vieira. Capa: Caminhada para as FM em Gandra, Paredes. Grafismo e Composição: PFV. Impressão: Lusoimpress S. A. - Rua Venceslau Ramos, 28 4430-929 AVINTES * Tel.: 227 877 320 – Fax: 227 877 329 ISSN – 0873-8939 Depósito Legal – 1928/82 ICS – 109239 Tiragem – 3500 exemplares

03 > alerta! > Férias Solidárias 04 > digo eu... > Dos nossos leitores 05 > recortes do Mundo > A “dois passos” da glória 06 > sal da terra > Solicitude em férias 07 > cantinho poético > Afeto da família dehoniana

08 > recortes dehonianos > Notícias SCJ 09 > entre nós > Família Dehoniana na Espanha 11 > com Dehon > Novo arcebispo dehoniano 12 > memórias > Recordando o padre António Gritti 15 > comunidades > O Centro Dehoniano do Porto dos conteúdos

18 > vinde e vereis > Tecendo a trama da nossa vida 19 > onde moras > Pensar a escolha vocacional 20 > doses de saber > A Ordem dos Templários (II) 22 > pedras vivas > P.e Cunha: 100 anos de vida e 75 de padre 24 > espaço escola > Férias escolares (I) 26 > leituras > Adriano Moreira em ação da ALVD 28 > sobre a bíblia > Entre a bondade e a felicidade 30 > reflexo > Férias preenchidas e enriquecedoras 32 > sobre a fé > O Coração em Santo Agostinho (II) 34 > palavra de vida > Vinde comigo e descansai um pouco

Associação de Imprensa de I nspiração Cristã

Redacção e Administração: Centro Dehoniano Av. da Boavista, 2423 4100-135 PORTO – PORTUGAL Telefone: 226 174 765 - E-mail: valentes@dehonianos.org Proprietário e Editor: Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos) * Rua Cidade de Tete, 10 - 1800-129 LISBOA Telefone: 218 540 900 - Contribuinte: 500 224 218

do mundo

34 > planeta jovem > Acreditar no sonho é acreditar na vida 35 > outro ângulo > O que nãos nos dizem no casamento 38 > nuances musicais > Os festivais de verão da juventude

Ajude a revista de acordo com as suas possibilidades!

Envie o seu donativo (cheque ou vale) para: Ce nt ro D e h o n i a n o Av. da Boavista, 2423 — 4100-135 PORTO Tel.: 226 174 765 — E-mail: valentes@dehonianos.org

ou faça transferência bancária para:

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39 > partilha > Encontro Anual da EMRC 40 > partilha > Nova igreja em Francos 41 > partilha > Novo postulante em Angola 42 > partilha > 500 anos da diocese do Funchal 43 > partilha > Família e juventude 44 > jd-Porto > Embarcas na missão? 46 > agenda-JD > Calendário de actividades 47 > tempo livre > Passatempos 48 > imagens > Exposição Missionária em Fátima

IBAN: PT50 0010 0000 1240 8400 0015 9 SWIFT/BIC: BBPIPTPL http://www.dehonianos.org/valentes/index.html . http://www.dehonianos.org/juventude/ http://www.facebook.com . http://valentes.hi5.com valentes_2012_07-Julho.indd 2

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da actualidade

alerta! –

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FÉRIAS SOLIDÁRIAS Cá está A Folha dos Valentes para julho e agosto. Vem novamente carregada da generosidade dos articulistas, com notícias reflexões e outras propostas que cremos serem de apreciar! É tempo de avaliação e programação. Tempo de descanso e mudança de atividade. Tempo que pode ser muito rico e proveitoso em termos de futuro. Mas também pode ser tempo perdido e vazio. Há que escolher e aproveitar! Depois de um ano certamente laborioso e cheio de empenhos faz falta um tempo de retemperar energias e direcionar bussolas para rumos da próxima de trabalho, de estudo, de pastoral. Há tempo para Férias Missionárias, voluntariado da ALVD em Moçambique e Angola e para o que pudermos e quisermos fazer pelos outros... Para comemorar os 50 anos do início do Concílio Vaticano II, o Papa Bento XVI propôs o “Ano da fé” que começará no dia 11 de outubro de 2012, na festa de Cristo Rei, e terminará no dia 24 de novembro de 2013. Também em 2012, no mesmo contexto, de 7 a 28 de outubro, vai ter lugar a 13.ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, dedicada ao tema “A nova evangelização para a transmissão da fé cristã”. Seguindo a proposta feita a toda a Igreja, a Juventude Dehoniana em Portugal prepara-se para iniciar um ano pastoral em que inicia um itinerário de cinco anos, depois do dos 5 valores, precisamente focando-se na fé. O grande tema, a “carimbar” com a marca de cada Centro, é “Acreditar + (mais) – Jovens Dehonianos com fé”. Com a Jornada Mundial da Juventude do próximo ano no Rio de Janeiro no horizonte, estamos já a planear o Encontro Europeu da Juventude Dehoniana, para Agosto de 2014. Que não nos faltem o entusiasmo, o empenho, o tempo, porque… Deus não vai faltar! Boas, proveitosas, ricas, preenchidas e solidárias férias!

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Paulo Vieira

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04 – digo eu... da actualidade

Amigos e leitores escrevem-nos

Muito bom!

Caros amigos dehonianos, (...) Já sentia saudades de ler A Folha dos Valentes, meditar e rezar... ver como a Família Dehoniana cresce entre os jovens, seminaristas, padres, famílias. É Bom! Muito bom! Envio a minha contribuição (...) Que Deus vos abençoe! Depeço-me de todos vós com um poema:

Vida Divina

Vida divina, Nascida da água e do Espírito. Força bendita e coração contrito, na fé em Jesus Cristo. Aspiro, Senhor, a esta vida de intimidade, onde no céu estarie na amizade presente, em Cristo Jesus, fonte de toda a luz. escuridão que não se apaga, vida iluminada na paz e no Espírito. Quero viver, Senhor, sempre contigo!

Maria Inês – Moita

Bela e sempre a crescer

Querida Folha dos Valentes, Sempre grata por te receber e por me ajudares a aprofundar a fé e a dar-me conta da dinâmica que o Coração de Jesus imprime nos jovens, nos missionários e em toda a Família Dehoniana, venho trazer a minha insignificante colaboração (...) para que te mantenhas bela e sempre a crescer. Gostava de inscrever (...) nas Missas Perpétuas, para que haja sempre alguém que reze por eles. Que o Bom Deus vos abençoe sempre: Graça – Carvoeiro

Agradecemos aos nossos amigos que nos têm enviado donativos, neste tempo difícil para todos. Lembramos que cheques e vales devem ser endereçados a Centro Dehoniano. A transferência bancária para o NIB indicado na página 2 é uma forma cómoda e segura. Muito obrigado!

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Paulo Vieira

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da actualidade

recortes do mundo – A final do Euro 2012 até nos ficava bem

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A “DOIS PASSOS” DA GLÓRIA

Não fomos à final, como esperávamos e merecíamos, mas a nossa seleção “caiu de pé”, com toda a dignidade. Um pequeno e periférico país, com todas as limitações inerentes e circunstanciais, bateu-se de igual para igual com gigantes europeus. Depois de perdermos imerecidamente com a Alemanha, vencemos à Dinamarca, à Holanda, à República Checa… Na lotaria das penalidades a sorte não nos sorriu e sucumbimos frente à Espanha e a final, que até nos assentava bem, escapou-se. A humildade, o espírito de equipa, a garra, a entrega total e o génio de muitos dos nossos atletas uniu de tal forma os portugueses à volta da nossa seleção que surpreendeu a todos,

depois de uma fase anterior em que os resultados tinham gerado descrença. Na final estivemos representados pelo árbitro Pedro Proença que nãos nos deixou ficar mal. Agora começa a preparação do Mundial de 2014, no Brasil, e é de esperar que se mantenha o que se deve manter e se renove o que for necessário para mantermos o orgulho e a dignidade. O espírito com que se desenrolou este Euro 2012, da nossa parte, podia servir para alentar as situações das nossas vidas pessoais e da nossa situação social, no sentido de percebermos que, mesmo sendo “pequenos e pobres”, podemos ir longe. Parabéns à nossa seleção!

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Quim Xavier

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06 – sal da terra da actualidade

O seu agir descreve-se por entrega, dádiva...

SOLICITUDE EM FÉRIAS Uma perspetiva sobre férias a partir de um episódio bíblico. Ele é recordado num dos domingos de julho, deste ano. E mostra Jesus a querer descansar, com os Apóstolos. Leiam o capítulo 6 do evangelista Marcos: o texto mostra Jesus rejeitado em Nazaré, na sua terra; depois descreve o envio dos 12 Apóstolos, que partem em missão, promovem a reconciliação e curam muitos doentes. Quando regressam para junto do Mestre, Ele convida-os a descansar. Diz o texto que, “de facto, havia sempre tanta gente a chegar e a partir que eles nem tinham tempo de comer” (v. 31). Neste contexto, é imediata a ideia do direito ao justo descanso, sem qualquer tipo de incómodo ou interrupção. Mas não terá sido propriamente assim: diz o texto que as populações não deixaram Jesus e, percebendo o local escolhido para o repouso, rapidamente acorreram para junto do Mestre e dos Apóstolos. Chegaram mesmo antes deles, esperando-os… “Estou de férias!” “Estamos em retiro!” “Queremos ficar sós!” Estas seriam respostas possíveis… Ou pouco prováveis para quem passou toda a vida a dar-se. De facto, Jesus compadeceu-se da multidão. Diz que “eram como ovelhas sem Pastor”, tinham fome, estavam sedentas, de água e da mensagem de Jesus, que os ensinou e alimentou. O texto segue com a narração do milagre da multiplicação dos cinco pães e dois peixes, que permitiu alimentar “cinco mil homens” tendo sobrado doze cestos… Se o milagre de Jesus é impressivo, ainda mais a atitude revelada nesta como em todas as ocasiões: Jesus é sempre solícito! Esta atitude transparece em todos os seus atos. O seu agir descreve-se por entrega, doação, dádiva… Ela confirma-se e atinge plenitudes inumanas no horizonte da cruz, na oferta completa e em abandono total da própria Pessoa. E concretiza-se em inúmeros gestos daqu’Ele que quer saber quem lhe toca nas vestes, que dá atenção a quem sobe o sicómoro para o ver, àquela que lhe lava os pés… Em todos os momentos Jesus é solícito. Também quando resolveu “tirar férias”, descansar com os Apóstolos. É em “tempo de férias” que Cristo faz um milagre que permite alimentar uma multidão. Porque a Sua solicitude nunca “tira férias”… Outro exemplo do Mestre…

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Paulo Rocha

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da actualidade

poesia –

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AFETO Afeto és tu, sou eu, somos nós Tu que sorris Escutas este poema Valorizas meu ser Guardas no peito Afeto Afeto é cruzar na rua com um amigo Que há muito tempo não vias Ficar com os olhos molhados Lágrimas tímidas De emoção Sentir afeto Afeto é olhar as estrelas Calado… em silêncio… Sentir afeição No mistério Da noite Ao luar do afeto Afeto é caminhar na areia Numa noite sem lua com minha mão na tua sentir a areia molhada a alma aconchegada no mar do afeto Afeto é beijar uma flor Regar o jardim Dar ao belo a beleza que tem Contemplar o além Ser pessoa Com afeto Afeto é educar para a liberdade Para a verdade de si mesmo É estimular a crescer A Ser Sentir-se sujeito de dignidade Capaz de afeto

Afeto é a escola Como regaço de mãe No dar e receber O que não é de vender Nem comprar Afeto. Afeto é ficar curado E ir visitar a máquina a que esteve ligado Agradecer a quem tratou, Cuidou com amor, E sentir-se vivo E reconhecido com afeto Afeto é apertar a mão Dar um abraço Sorrir, brincar Fazer bonecos de neve E jogá-los a rir, com afeto Afeto é o cruzar de um olhar Que te deixa a pensar Vibrar de energia Sentires-te especial E dizer: cativa-me Espero-te com afeto Afeto é ouvir a voz do ser “Já que podes fazer tudo Mas nem tudo te convém” Amar é uma aprendizagem Que só tu podes fazer E viver o afeto.

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Serafina Ribeiro

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08 – recortes dehonianos da família dehoniana

Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos) NOVO BISPO DEHONIANO

O Papa Bento XVI nomeou o Padre Cláudio Dalla Zuanna como arcebispo da Beira (Moçambique). O Padre Cláudio era o Vigário Geral da Congregação, cabendo-lhe igualmente o acompanhamento da Província Portuguesa. Passou grande parte da sua vida como missionário em Moçambique, antes de ir para Roma como Conselheiro Geral em 2003.

CELEBRAÇÕES DO CORAÇÃO DE JESUS A meio do mês do Coração de Jesus aconteceu a grande Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, festa maior da nossa Congregação. Todas as paróquias, seminários, colégios e obras celebraram condignamente este dia, com a presença de quase todos os bispos das sete dioceses onde nos encontramos. Nesse dia 15 de Junho em Alfragide, o David Mieiro foi instituído no ministério dos Acólitos, em solene Eucaristia presidida pelo Superior Provincial.

Casa do Sagrado Coração – Aveiro

Colégio Missionário – Funchal

EQUIPAS FORMADORAS E EDUCADORAS 25 de Junho em Alfragide. Estiveram reunidas as equipas educadoras dos Seminários de Coimbra, Porto e Funchal, assim como as equipas formadoras do Postulantado (Centro Dehoniano, Porto), do Noviciado (Aveiro) e do Escolasticado (Alfragide). A manhã foi preenchida com um tempo de formação, a cargo do Padre Manuel Barbosa, sobre os dinamismos do Concílio Vaticano II hoje e sua incidência na nossa acção formativa e educativa. A tarde foi dedicada a um importante tempo de partilha, avaliação e programação do próximo ano.

CONSELHO PROVINCIAL TOMOU POSSE 1 de Julho, em Alfragide. Na celebração das Vésperas, o P. Zeferino Policarpo tomou posse como Superior Provincial para mais três anos, assim como os novos conselheiros provinciais, padres Joaquim Garrido Mendes, António Loureiro, Humberto Martins e Roberto Viana. Da sua longa homilia ficou a ideia do lema para os próximos três anos: renovar. Recordo que nestes três anos andámos no dinamismo do reavivar. Agora, do reavivar ao renovar, há que intensificar o viver (na fé).

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Manuel Barbosa

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da família dehoniana

entre nós – Encontro de Leigos Dehonianos da Espanha em Salamanca

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SECRETARIADO DA FAMÍLIA DEHONIANA NA ESPANHA Os desígnios de Deus são misteriosos, e não os devemos questionar. Foi neste espírito, que aceitei o convite que me foi feito, um pouco inesperadamente, de integrar o grupo de representantes portugueses da Família Dehoniana, no encontro de “Laicos Dehonianos” de Espanha, que se realizou nos dias 2 e 3 de Junho, em Salamanca.

Parti de Lisboa com o Pe Adérito Barbosa e juntámo-nos no Porto ao Pe Paulo Vieira e à Inês Pinto da JD do Porto, ao José Luís e à Rosa Freire, dos casais Dehonianos e à Serafina da Companhia Missionária, todos do Secretariado Nacional da Família Dehoniana. À chegada a Salamanca, calor que se fazia sentir não nos fez esmorecer, e partimos à descoberta desta bela cidade, com as suas duas catedrais, parando na Plaza Mayor para nos refrescarmos com um gelado e uma “caña” fresquinha, que alguns pensaram ser “sumo de cevada”!

De regresso ao Postulantado-Noviciado e Escolasticado de Salamanca, onde ficámos, celebrámos a missa, em português só para o nosso grupo, com algumas atrapalhações nas leituras, pois os textos estavam em espanhol. Após o jantar, esperava-nos um agradável convívio, onde os espanhóis nos presentearam com a sua hospitalidade, com canções, poesia, muita brincadeira e alguns doces espanhóis e portugueses acompanhados, como não podia deixar de ser, por Vinho do Porto. De Espanha, estavam presentes, neste encontro, os grupos de Puente de la Reina, Novelda, Madrid, Alba de Tormes e de Salamanca. No Sábado, começaram os trabalhos. Após a oração das laudes, seguiu-se a apresentação da Família Dehoniana Portuguesa. Durante uma hora e meia, demos conta a “nuestros hermanos” de quem somos e como nos organizamos em Portugal. As dificuldades de compreensão foram ultrapassadas por um expedito tradutor (Pe Adérito), e por uma comunicação mais visual e expressiva, que culminou com a apresentação da Juventude Dehoniana, com um curto filme montado pela Inês.

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Seguiu-se um momento de esclarecimentos, após o que ouvimos os testemunhos das “Laicos Dehonianos”, onde se partilharam as experiências e actividades de cada grupo. Todos os grupos reúnem-se de 15 em 15 dias, em encontros onde a oração tem uma papel importante, assim como a partilha das dificuldades do dia-a-dia. Foi realçado o papel dos Sacerdotes do Coração de Jesus, para a orientação espiritual destes grupos e o apoio espiritual mútuo. À pergunta de como tinham aderido a estes grupos, uma das respostas foi: “pela vontade de seguir Jesus com a comunidade que o tornou presente na nossa vida.” Foram muito ouvidas palavras como: partilha, participação, compromisso e família. “Queremos ser cristãos comprometidos, sentimo-nos bem, sentimo-nos Dehonianos...”. Este foi um dos testemunhos que ouvimos. A este propósito, foi ainda citado o Padre Dehon: “Os leigos devem ser o sal da terra e a luz da vida social”. No espaço de diálogo que se seguiu, ficaram à vista algumas dificuldades de integrar nos grupos de “Laicos Dehonianos” existentes, os jovens que fazem a caminhada no grupo de jovens. Sentiu-se alguma tensão, e apesar da receptividade a que os jovens expressassem as suas necessidades para integrar e revitalizar os grupos, muitos continuam a “desaparecer” após esta etapa. Após o almoço, organizaram-se 5 grupos que reuniram para reflectir sobre uma questão:

“Que aspectos nos podem ajudar a repensar o futuro e como dinamizar os grupos”, colocada pelo Pe. Ramon scj, delegado nacional dos “Laicos Dehonianos”.

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10 – entre nós

da família dehoniana

Encontro dos Leigos Dehonianos da Espanha (Continuação)

Ficaram expressas as seguintes sugestões e preocupações: Grupo 1 A necessidade de estruturar todos os grupos de uma forma mais unificada, de modo a chegar à “Família Dehoniana”. Pede-se aos jovens de que sejam criativos. Grupo 2 A necessidade de corresponsabilidade entre religiosos e leigos; que os grupos sejam “abertos”, de modo a ter continuidade, que todos se sintam bem e se sintam parte da Família. Grupo 3 A metodologia de trabalhos dos grupos deve ser activa, com uma maior participação de todos, com compromisso, devendo-se celebrar nos grupos a vida e a união; a diferença entre gerações não deve ser impeditiva de que se saiba ir ao encontro de diferentes modos de vida e de espiritualidade. Grupo 4 Deve-se procurar o encontro entre os jovens e os mais velhos, nos momentos de comunhão, como a quaresma e o advento, onde se deve aprofundar a palavra de Deus. Grupo 5 Este grupo demonstrou uma grande preocupação com a intervenção social, do próprio grupo, em resposta aos problemas da sociedade, deixando, no entanto, claro que se deve ter uma atitude prudente, propondo amparar dentro das suas possibilidades. Dever-se-á seguir uma nova orientação sócio-cristã de apoio aos semelhantes, “chegando até onde o Senhor nos permita”. Após a apresentação destas conclusões, o delegado nacional dos “Laicos Dehonianos”, Pe Ramon scj, deixou no ar a conclusão de que: “o que pensamos para o futuro é o que somos hoje, cada grupo deve traçar o seu caminho”. Seguiram-se os testemunhos de alguns jovens e a leitura de outros que não puderam estar presentes. Apercebemo-nos que a pastoral juvenil em Espanha, pede aos jovens que, após este processo de amadurecimento da fé, façam um discernimento vocacional do caminho que querem seguir, assumindo as suas responsabilidades. Os testemunhos que ouvimos, foram diversificados, mas todos manifestaram o desejo de continuarem a ser dehonianos, o espírito de missão e dedicação ao Coração de Jesus. “Os dehonianos lançam pontes; proporcionam-nos uma experiência heterogénea e enriquecedora”. Foram alguns dos testemunhos que ouvimos. Apesar de estes sentimentos comuns, alguns jovens como o espanhol Jaime, sentem a necessidade de uma maior pluralidade e diversidade de modo a responder às necessidades de cada um e procuram o seu caminho fora dos grupos existentes. Foi sugerido

aos jovens que se definam pela positiva e não pela negativa. Só encontrarão o seu caminho, quando souberem “o que querem” ao invés de “o que não querem”. Após o jantar, seguiu-se um passeio nocturno pela cidade de Salamanca, onde, apesar da chuva, todos queriam ver os pontos mais belos da cidade. No domingo de manhã, celebrou-se a missa da Santíssima Trindade. Uma celebração que foi o culminar deste encontro de testemunhos, partilha e reflexão, onde todos nos sentimos parte da mesma família. Viveram-se momentos bastante intensos, e cada um de nós viveu-os de forma diferente. O que aqui fica, é só um resumo do que os “Laicos Dehonianos” espanhóis nos proporcionaram. Em aberto, ficaram futuros momentos de partilha, pois mais forte dos que as fronteiras que nos separam, é aquilo que nos une a todos, sentirmo-nos parte da mesma família, a família Dehoniana. “Dá-nos segurança saber que há outros em sintonia connosco e unidos no mesmo caminho”, como testemunhou Magda, de Novelda, Alicante. Impressionou-nos a intensidade e seriedade com que estes grupos vivem a sua fé, e muitas das suas inquietudes são fruto dessa entrega, ao mesmo tempo que uma enorme alegria e sincera partilha do dia-a-dia.

O encontro foi enriquecedor para todas as partes envolvidas, e proporcionando-nos também vários pontos de reflexão, de que esperamos ter deixado aqui algumas pontas soltas. Partimos, ficando a ecoar nos nossos ouvidos as palavras de agradecimento do coordenador nacional da família dehoniana de Portugal: agradeceu o convite e a hospitalidade da Província SCJ espanhola, na pessoa do Pe. Ramon. Realçou ainda que todos trilhamos este caminho da espiritualidade dehoniana baseada no coração trespassado, no lado aberto, no ecce venio e no Deus Amor. Fez votos para que possamos ter outros momentos comuns em ordem à concretização destes sublinhados do evangelho.

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Paula Franco

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da família dehoniana

com Dehon – O Padre Cáudio Dalla Zuana, Vigário Geral da Congregação foi nomeado Arcebispo da Beira, em Moçambique

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DEHONIANO, NOVO ARCEBISPO DA BEIRA O Santo Padre nomeou na manhã do dia dia 29 de junho, solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, o Pe. Cláudio Dalla Zuanna arcebispo da Beira (Moçambique), atualmente Vigário Geral da Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus. O Pe. Cláudio nasceu em Buenos Aires (Argentina) a 7 de Novembro de 1958, de pais italianos. Ainda criança, veio para Itália e com a família foi viver em S. Nazário, município da província de Vicenza, pertencente à diocese de Pádua. Fez os seus estudos nas casas de formação dos Sacerdotes do Coração de Jesus. Fez os estudos iniciais e unificados em Trento e em Pádua, terminando os complementares em Monza. Fez o noviciado em Albisola Superiore onde emitiu a primeira profissão a 29 de Setembro de 1978. Em Bolonha, no Studentato delle Missioni completa os seus estudos e é ordenado sacerdote a 23 de Junho de 1984. Depois de uma breve experiência na Escola Missionaria de Pádua, a 2 de Dezembro de 1985 parte como missionário para Moçambique e aí permanece até Maio de 2003. Durante este período, exerce o cargo de superior local em Maputo de 1 de Dezembro de 1993 até a 1 de Dezembro de 1996. De 1 de Março de 1997 a 25 de Maio de 2003 è superior local da comunidade de Milevane. A 14 de Fevereiro de 1998 passa da província da Itália do Norte (ITS) à província de Moçambique (MOZ). A 18 de Abril de 2001 è nomeado primeiro conselheiro provincial. Participa no XXI capítulo geral e é eleito quarto conselheiro a 29 de Maio de 2003; é reeleito conselheiro a 27 de Maio de 2009, no XXII capítulo geral, e a 1 de Novembro de 2009 é nomeado vigário geral da Congregação. A diocese da Beira, que o Pe. Cláudio vai servir, foi ereta a 4 de Setembro de 1940 pela bula Sollemnibus Conventionibus do papa Pio XII, com território da prelatura territorial de Moçambique. Contextualmente a prelatura territorial de Moçambique foi elevada a arquidiocese com o nome de Lourenço Marques (hoje arquidiocese de Maputo) e a diocese da Beira tornou-se sua sufragânea.

A 6 de Outubro de 1954 e a 6 de Maio de 1962 cedeu porções do seu território para ereção das dioceses de Quelimane e de Tete. A 4 de Junho de 1984 foi elevada a arquidiocese metropolitana pela bula Quo efficacius do papa João Paulo II. A 19 de Novembro de 1990 cedeu outra porção do seu território para ereção da diocese do Chimoio. A diocese tem uma superfície de 78 000 Km quadrados, com uma população de 1 422 000 habitantes; os católicos são 833 000, cerca de 58% do total; há 33 paróquias, 29 sacerdotes diocesanos, 49 membros de institutos religiosos masculinos, e 84 religiosas. A Beira é a segunda cidade de Moçambique e capital da província de Sofala. A cidade está situada na costa do Oceano Índico perto da foz do rio Pungoè no centro do país. O porto da Beira tem enorme importância para o interior de Moçambique e mais ainda para o Malawi, a Zâmbia e o Zimbabwe que não têm acesso ao mar. Uma linha ferroviária, uma estrada e um oleoduto ligam o Zimbabwe ao porto da Beira através do chamado Corredor da Beira.

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Rinaldo Paganelli

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12 – memórias

da família dehoniana

Delicado, atencioso, fino reservado, grande animador musical e recreativo.

RECORDANDO O PADRE ANTÓNIO GRITTI

Na galeria dos religiosos, já falecidos, que marcaram os inícios da presença dehoniana em Portugal e que são recordados nesta rubrica da revista, há lugar também para os que vieram cheios de sonhos e entusiasmo, mas que acabaram por regressar à Itália, mesmo optando por uma saída do Instituto. Ao menos os anos que dedicaram à Obra dehoniana em Portugal merecem consideração e memória. Falarei do Padre António Gritti, irmão do Padre Júlio Gritti, que ainda vive entre nós – este último – e foi um dos pioneiros dessa Obra. António Gritti nasceu em Cologno al Serio, Bérgamo (Itália), a 21 de dezembro de 1926. Entrou jovem na vizinha Escola Apostólica de Albino, onde o dito irmão, Júlio, dois anos mais velho, se encontrava com o mesmo objectivo de vir a ser religioso e padre dehoniano. A família era profundamente religiosa; duas irmãs dos jovens seminaristas ingressaram também elas na vida religiosa: uma nas Salesianas e outra no Instituto de Maria Bambina. Com 18 anos, a 29 de setembro de 1944, fez a Profissão Religiosa. Tirou o curso de filosofia e teologia em Foligno e Bolonha; fez estágio de vida religiosa – prefeito – nos seminários menores de Albino e Vitorchiano, de 1948 a 1951, e foi ordenado sacerdote a 25 de Junho de 1954, completando o curso em 1955, ano em que foi destinado pelos Superiores para a Região Portuguesa, concretamente para o Colégio Missionário da Madeira. O órgão oficial da Província da Itália, Cor Unum, informa, no seu número de dezembro de 1955, sob o título Chegadas e Partidas, que “para Portugal partiram os Rev.dos Padres José Brambilla (missionário destinado a Moçambique), Emílio Crisetig e António Gritti, os confrades estudantes (prefeitos) Bernardino Bacchion e Luciano Michelli e os Irmãos Coadjutores (portugueses que tinham terminado o Noviciado em Albissola, Savona) José Agostinho Lira, Francisco António Carvalho e João da Silva de Brito. Era uma remessa que não poria raízes na nova presença

O P.e António Gritti com o acordeão e um grupo de “bailarinos” na festa do Superior, no Colégio Missionário, em 1956.

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Padre António Gritti 1926-2011

da Congregação: os dois prefeitos, como previsto, deveriam ficar apenas dois anos; o P.e Brambilla seguiria, tempos depois, para Moçambique; os três irmãos acabariam por abandonar a vida religiosa, e os outros dois padres regressariam à Itália; o P.e António Gritti em 1961 e o P.e Emílio Crisetig, dois anos mais tarde, em 1963. Vinham todos eles, porém, cheios de esperança e bons propósitos. A crónica do Colégio Missionário reza que, a 24 de setembro de 1955, desembarcavam no Funchal, de bordo do navio Santa Maria, o P.e António Gritti e o Prefeito Michelli. Os outros dois – o P.e Emílio e o Prefeito Bacchion – chegariam a 5 de outubro no bem mais modesto cargueiro Gorgulho. Era eu aluno, novato, do Colégio Missionário, e recordo bem a chegada destes novos formadores. O P.e António Gritti não tinha a linda voz de tenor do

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O P.e António Gritti, com os professores e alunos do Colégio Infande D. Henrique no Ano Letivo 1959-1960, na primeira fila, ao centro, ladeado pelo P.e Ângelo Caminati e pelo P.e Adriano Pedralli.

irmão, P.e Júlio Gritti, mas tinha a grande habilidade de tocar instrumentos musicais, nomeadamente órgão e fisarmónica. Será ele, de facto, que animará a parte musical, religiosa e recreativa, do Colégio Missionário; o seu acordeão acompanhará os programas de variedade nas festas do Colégio, de que recordo o número Províncias Portuguesas das salesianas Rapaziadas Teatrais; e na capela era exímio organista, deliciando a assembleia com as suas tocatas e marchas, entre as quais a Marcha Heróica de Schubert e Marcha Solene de Mendelsshon, com que, a nosso pedido, finalizava as missas solenes. Este seu gosto de contentar nesse pormenor os alunos revela bem a sua cordialidade e desejo de agradar. No fazer assistência durante as refeições, nem sempre lhe era fácil impor o silêncio, e daí o fácil recurso ao castigo, e mesmo à bofetada, no que em geral primavam os padres e prefeitos recém-chegados, incapazes de se imporem de outra forma, até pelo handicap da língua. Esse rigor do Padre António Gritti contrastava com o seu feitio sorridente e alma musical. Recordo uma vez que a mão foi pesada demais ou maldestra, magoando deveras o aluno, e nós, atónitos, sem saber de quem ter mais dó e compaixão: se do colega desfeito em lágrimas

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ou do assistente, que mais tarde, no recreio, procurará remediarlhe o agravo com rebuçados e caramelos. Foi uma das cenas que mais me ficaram gravadas dessas refeições que tomávamos em silêncio e que eram um tormento para os assistentes inexperientes e habituados a uma convivência alegre e serena connosco noutros momentos e ambientes. O P.e António Gritti deu-nos, nesses anos de 1955 a 1957, aulas de francês. Colaborava também na pastoral, prestando assistência religiosa sobretudo no Colégio Santa Teresinha das Irmãs Vitorianas, então sediado no Caminho do Monte, em frente do antigo Seminário diocesano. Foi também assistente espiritual do ART (Adveniat Regum Tuum, nome dado ao Apostolado da Reparação) e da LUC (Liga dos Universitários Católicos) feminina, um ramo da Acção Católica. Mas a atividade que mais identificará a passagem do P.e António Gritti na então Região Portuguesa dos Dehonianos foi a de superior da nova obra aberta em setembro de 1957 na Madeira: o Colégio Infante Dom Henrique. Quem melhor que ele para superintender os inícios dessa obra, nova e exigente, da educação de jovens não destinados à vida religiosa e sacerdotal? Ele, capelão do Colégio Santa Teresinha e assistente espiritual das Universitárias Católicas teria certamente sensibilidade e bagagem para a nova aventura pastoral dos Dehonianos na Madeira. Os inícios do Colégio Infante, primeiro na Quinta Favilla, nas proximidades da citadina Avenida do Infante, donde o nome dado ao colégio e, depois, na sede definitiva, no Hotel Belmonte da freguesia do Monte, estão marcados pela presença e atuação do P.e António Gritti. Para a nova obra foram destinados precisamente o P.e António Gritti como Superior Delegado do Colégio Missionário, o P.e Angelo Caminati como responsável dos estudos e o jovem religioso Manuel Fernando Ribeiro como assistente de disciplina ou prefeito. Este último, único sobrevivente do trio, reconhece e confirma as dificuldades desses inícios, quando era necessário estabelecer toda a es

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Paró


14 – memórias

da família dehoniana

P.e António Gritti (continuação)

trutura, assegurar a vida e a escola e demais condições de funcionamento de um estabelecimento de ensino, criado do nada. Foram tempos difíceis, mas também de entusiasmo, como os de qualquer fundação. Teve aí o seu mérito também o P.e António Gritti. Os primeiros anos da presença do Colégio Infante, no Monte, foram de estruturação e consolidação; havia que assegurar as três modalidades que se ofereciam – o internato, o semi-internato e o externato – e organizar e preencher ciclos e turmas. O ensino primário depressa se estenderia ao ciclo preparatório, com o propósito de abranger também os dois ciclos liceais, meta alcançada com o alvará de julho de 1961. Já em 1958, o estagiário Fernando Ribeiro fora substituído pelo P.e Adriano

O P.e António Gritti, conduzido pelo P.e Giambattista Carrara de visita a benfeitores, como na foto acima.

Pedrali; em 1960 viria o reforço do jovem sacerdote Eugénio Borgonovo e, no verão de 1961, já em substituição do P.e António Gritti, viria o dinâmico P.e Mário Casagrande. A relação e colaboração entre o Superior do Colégio, P.e António Gritti, e o Director escolástico, P.e Angelo Caminati, nunca foram fáceis, mais por questões temperamentais e mentalidades de ambos do que por outras razões; também a dependência jurídica do Colégio Missionário era fonte de tensões e incompreensões, o que foi desgastando o Superior Delegado, aconselhando os Superiores a considerar uma sua substituição. Em outubro de 1959 chegou-se a propor a nomeação do P.e António Gritti para Superior da Casa de Aveiro, então incipiente Noviciado da Região Portuguesa dehoniana. A mudança não se concretizaria, mas também a situação na direção do Colégio não melhoraria, pelo que no fim do seu mandato de Superior Delegado, no verão de 1961, o P.e António Gritti optou por regressar à Itália. Talvez a desilusão levá-lo-á a pedir, pouco depois, a exclaustração e incardinação na diocese de Tortona, onde servirá de pároco por trinta anos. Veio a falecer a 22 de julho de 2011, na sequência de um acidente rodoviário. Pouco antes viera visitar ao irmão, P.e Júlio Gritti, então gravemente enfermo na comunidade de Massamá da Congregação por este fundada. Quem dele se lembrava e o visitou na altura, encontrou o P.e António Gritti de sempre: delicado, atencioso, fino e reservado. Nas perguntas que fez sobre pessoas e situações mostrava nunca se ter esquecido nem desinteressado da Obra que ajudara a consolidar. Também com pessoas como ele, ela crescera e se consolidara. Na memória que fazemos do P.e António Gritti fique o preito agradecido dos que hoje beneficiam da dedicação e sacrifício dos confrades que, como ele, vieram da Itália e, por qualquer razão, acharam por bem a ela regressar. Também com o seu esforço se construiu a Obra Dehoniana em Portugal.

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João Chaves

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da família dehoniana

comunidades – Centro Dehoniano: casa do Postulantado e centro coordenador da Pastoral Juvenil Dehoniana em Portugal

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Como no processo geracional da vida, de uma obra nasce outra. Assim, do seminário da Rua Azevedo Coutinho nasceu a paróquia da Boavista e, num certo sentido, nasceria desta o atual Centro Dehoniano da homónima Avenida, pois foi para construir aquela que este encontrou a sua sede.

O CENTRO DEHONIANO DO PORTO

Razão e visão tivera o Padre Colombo, quando trocara Aveiro pelo Porto: o campo do Douro Litoral, Alto Douro e Trás-os-Montes, para não falar do Minho, era fértil de vocações, mais que outros do Centro e Sul do país. Era portanto lá que conviria ter o seminário menor dehoniano do Continente. Era um campo realmente fértil, mas havia que cultivá-lo, donde a preocupação da promoção vocacional. Não se tratava apenas de formar os candidatos entrados no seminário; havia que procurá-los e sobretudo, dada a abundância, seleccioná-los. Seria mais uma vez o Padre Colombo, apesar da sua idade, a dar novo impulso a uma pastoral vocacional abrangente, que se tornaria uma nova valência do seminário da Rua Azevedo Coutinho.

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16 – comunidades

da família dehoniana

Centro Dehoniano (continuação)

O seminário transferir-se-á para a Portelinha de Fânzeres, em Gondomar, mas a pastoral vocacional manter-se-á, com outras atividades, no edifício da Rua Azevedo Coutinho. Chegado, porém, o momento de construir a igreja paroquial da Boavista e dotá-la de estruturas, eis uma das compensações pela demolição do seminário: uma vivenda próxima, no n.º 2423 da Avenida da Boavista, a chamada “Casa do Pinto Espanhol”, propriedade da Sociedade empenhada na construção do Parque Residencial da Boavista e respetiva igreja. Foram porém tantas as vicissitudes e dificuldades entre a aquisição da vivenda e a transferência para ela: cedida em 1972, a passagem da comunidade religiosa só se faria nos finais de 1976, de uma forma um tanto precipitada para evitar a ocupação selvagem de terceiros, tão de moda nesse conturbado pós25 de abril. O nome que inicialmente foi dado à essa nova presença dehoniana na Avenida da Boavista foi “Centro Padre Dehon”. Para lá se mudaram, em Outubro de 1976, com bagagens e muitas esperanças e projetos, os religiosos da Rua Azevedo Coutinho, à excepção do Padre Júlio Carrara, que preferiu continuar no antigo seminário, convencido de que aí serviria melhor o projeto da nova paróquia, a que se dedicava com entusiasmo. Se a mudança não fora fácil, também não o será pôr a nova nau a navegar. A pastoral vocacional da área nortenha, tão rica de vocações, tinha nova sede e uma comunidade religiosa que a ela se dedicaria prioritariamente. O Capítulo Provincial de 1978 estabelece como finalidade do já intitulado “Centro Dehoniano” a promoção vocacional, que se desejava em moldes mais inovadores e abrangentes. Nele fora colocado o jovem e dinâmico sacerdote Ivo Nunes, acabado de se especializar em Roma no ramo da educação, mas que depressa abandonará o sacerdócio. O projecto irá patinando, com as remodelações da comunidade religiosa do Centro Dehoniano a se sucederem e, com elas, agregando-se novas atividades, como a pastoral missionária.

O Centro Dehoniano antes e depois das obras de remodelação inauguradas em outubro de 2011.

Continuava a sentir-se a necessidade de uma pastoral vocacional abrangente, a partir do Centro. O problema não era só o do pessoal, mas também a estrutura física, que não reunia condições para o efeito. E foram surgindo várias soluções, desde o seu fecho e procura de nova sede à sua adaptação. A indefinição mantém-se durante a década de oitenta, com a promoção vocacional a processa-se em parte no Seminário Missionário Padre Dehon. Abre-se a década de noventa a discutir sobre o futuro do Centro Dehoniano: se transferir os seus serviços para o dito seminário ou mesmo para a Obra ABC, para uma estrutura ali existente, mas a remodelar e ampliar para o efeito. Chega essa a ser a solução do Conselho Provincial; só que, em 1994, arranca o projeto Açores e será o empenho financeiro nesse projeto e dificuldades em desalojar uma inquilina no terreno previsto para a ampliação a pôr de lado a abertura de obras no ABC para acolher o Centro Dehoniano. E eis uma novidade que terá reflexos no debate em questão: em agosto de 1994 apresenta-se a perspectiva de abrir uma outra obra em Duas Igrejas de Paredes, concretamente na Quinta dos Palhais, o futuro Centro de Espiritualidade Betânia. Contemporaneamente surge uma outra oportunidade semelhante, em Famalicão da Serra, na Guarda, oferta esta que, sobretudo pela distância, é posta de lado. A aceitação da Quinta dos Palhais redimensionará a utilidade do Centro Dehoniano da Avenida da Boavista, que, por decisão do Conselho Provincial de 1995, se destinará a acolhimento pontual de candidatos mais crescidos – o Seminário da Portelinha acolheria os mais jovens – e servindo Betânia de casa de retiros. Construído o Centro de Espiritualidade Betânia, volta a pôr-se em questão a necessidade do Centro Dehoniano, cuja estreiteza de espaços e estado de conservação do edifício constituem handicaps para

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assegurar os serviços previstos. A sua proximidade da Universidade Católica jogava porém a favor da sua conservação, até como eventual casa de acolhimento de jovens vocacionados, nomeadamente universitários. E eis, em 2001, a ideia de fazer obras no dito Centro, possivelmente comprando terreno a um vizinho. Mas as soluções alternativas continuam a surgir, sinal de pouca convicção ou determinação: surge a ideia de construir um novo Centro Dehonano no Bairro de Francos, numa propriedade dos Carmelitas. Verificando-se inviável a proposta, mantém-se a solução da compra do terreno do vizinho, solução também esta inviabilizada peVista do novo auditório no piso térreo do antigo edifício lo preço e dificuldade de desalojar o inquilino. para o cláustro da parte nova. No ano 2001-2002 acolhem-se no Centro Dehoniano alunos em discernimento vocacional e fazem-se projetos de obras de restruturação do mesmo. As dificuldades porém de os aprovar na Câmara, voltam a baralhar a situação: pensa-se de novo na solução ABC e inclusive na transferência dos serviços do Centro Dehoniano para o Seminário Missionário Padre Dehon ou para Betânia. Nem o Capítulo Provincial de novembro de 2002 nem uma consulta feita à Província em dezembro sucessivo dão uma indicação consensual. Na reunião de janeiro de 2003, o Conselho Provincial opta por transferir e construir o Centro Dehoniano no terreno da Obra ABC, deixando a decisão para a Administração Provincial que seria nomeada no verão do mesmo ano. Dão-se em 2003 importantes alterações na composição das comunidades quer do Centro Dehoniano quer de Betânia, com a substituição, respetivamente, do Padre Jacinto Jardim – que entretanto também abandonara o Instituto e o exercício do ministério sacerdotal – pelo atual Superior Provincial, Pe. José Zeferino Policarpo Ferreira, e do Pe. Abel Joaquim Martins Maia – que também se orientará para a incardinação numa diocese – pelo Pe. António Augusto Teixeira de Sousa. As mais-valias do primeiro na pastoral juvenil e vocacional e do segundo na animação missionária acabarão por marcar a finalidade apostólica das duas obras: o Centro Dehoniano da Boavista virado para a pastoral juvenil e vocacional e futura Casa do Postulantado, e Betânia para Centro de Espiritualidade e animação missionária. O novo Conselho Provincial, na sua reunião de janeiro de 2004 decide pela continuação do Centro Dehoniano na Avenida da Boavista, decisão que o Capítulo Provincial de 2008 viria confirmar. E o projeto de obras de restruturação do Centro Dehoniano avançará, já com a criação de um grupo de acompanhamento das mesmas, que a Câmara porém tardará a aprovar: só o fará em 2008. Entretanto, inicia-se a restruturação do Seminário Nossa Senhora de Fátima de Alfragide, cuja despesa inviabilizará o começo das obras do Centro Dehoniano. Encarregar-se-á a Providência de dar uma solução com uma conspícua herança recebida de uma benfeitora. As obras finalmente arrancarão no fim do verão de 2010, sendo o novo Centro Dehoniano inaugurado a 1 de outubro do ano seguinte. Eis finalmente o Centro Dehoniano com a sua fisionomia e finalidade claras e definidas: centro de animação da pastoral juvenil e universitária e Casa de Postulantado, com a tradicional promoção vocacional a continuar a fazer-se a partir do Seminário Missionário Padre Dehon da Portelinha. Se na Província Dehoniana portuguesa houve uma obra de prolongada e difícil gestação, o Centro Dehoniano da Avenida Boavista foi uma delas. Custou a nascer, mas espera-se que a criança cresça robusta e se torne adulta, constituindo uma modalidade do que poderá vir a ser um lar vocacional substitutivo dos tradicionais seminários menor e médio. Deus sabe e o futuro dirá. O novo oratório do Centro Dehoniano.

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– recortes dehonianos – vinde e vereis 18 08 dos conteúdos

Para onde caminhamos?

TECENDO A TRAMA DA NOSSA VIDA Também em tempo para muitos de férias ou pelo menos de alguma desaceleração no ritmo das suas vidas, é oportuno prestar atenção Àquele de quem provêm os muitos “Vinde” que preenchem a nossa caminhada. De alguns conseguimos ter consciência, mas de muitos outros nem por isso. E é pena. É pena, porque todos os “vinde” contêm, de forma pelo menos implícita, uma promessa: “Vereis”. Com muita facilidade avançamos na vida esquecendo de onde viemos, ao que viemos e para onde vamos. De onde viemos, sabemos todos. A nossa fé no-lo ensina. E nós percebemos que está aí a base da nossa grandeza e da nossa dignidade. Mas não deixa de ser determinante, para a forma como vamos encaminhando os nossos passos, a consciência de que, mais do que simples criaturas, quis a bondade de Deus e o seu amor por nós que fôssemos seus filhos muito amados. E é exatamente porque filhos, que “somos herdeiros”, como nos recorda S. Paulo: “herdeiros de Deus e herdeiros com Cristo”. Percebemos, mesmo sem grandes considerações, de que herança se trata. É também S. Paulo que numa das suas Cartas (II Cor. 4) nos esclarece: ”Nós não olhamos para as coisas visíveis, olhamos para as invisíveis: as coisas visíveis são passageiras, ao passo que as invisíveis são eternas”. E acrescenta: “Bem sabemos que se for desfeita esta tenda em que habitamos, que é o nosso corpo terrestre, … recebemos uma morada eterna”. Não há dúvida de que o conhecimento deste nosso destino e a consciência desta mesma realidade dão sentido àquilo que somos e àquilo que somos chamados a ser, em toda e qualquer circunstância, mas de modo particular nos momentos menos fáceis por que todos mais tarde ou

mais cedo, de uma ou de outra forma, acabamos por passar, porque fazem parte da nossa condição humana. A propósito, é ainda S. Paulo que nos ensina: “A ligeira aflição de um momento prepara-nos, para além de toda e qualquer medida, um peso eterno de glória”. Mas fica ainda a pergunta: “Ao que viemos?” E esta tem a ver com a forma como vamos “tecendo a trama da nossa vida”, ou, por outra, como vamos realizando o projeto de Deus a nosso respeito. Cabe aqui, além do mais, a questão da vocação pessoal, que é a forma concreta como Deus Pai quer que sejamos seus filhos e vivamos como tais. Quem já tomou decisões para o resto de vida não quer dizer que tenha a questão resolvida. Falta-lhe a questão da fidelidade, aliada à forma coerente e empenhada como ela é conseguida. Quem é mais novo, como são muitos dos destinatários de AFV, cumpre a obrigação do discernimento vocacional. Como quer Deus que eu viva a minha vida humana e cristã? Entre os muitos caminhos que se colocam à minha frente, qual é o que Ele me convida a percorrer? Também (e talvez mesmo) em tempo de mais acalmia como são as férias, a questão tem o seu lugar. E talvez o apelo de Mestre se torne mais insistente e perturbador. Assim o queira cada um entender e atender!

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Fernando Ribeiro

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onde moras –

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Férias: tempo para interiorizar a presença de Deus e interrogar-se

PENSAR A ESCOLHA VOCACIONAL Chegou o fim de mais um ano letivo. Para alguns é tempo de avaliar mais um ano de estudos, de interiorização de novos conhecimentos, de fazer novas experiências. Para outros aproxima-se o tempo de férias, depois de um ano de trabalho. De um ou de outro modo a época de verão é geralmente um tempo muito desejado para retemperar forças. É verdade, a vida é exigente e por vezes nos sentimos fisicamente cansados. É bom conviver, relacionar-se, estar com os amigos. No entanto as relações humanas, embora sejam importantes, não são suficientes para uma relação plena. Deus Pai infinitamente misericordioso, ama sem limites, Ele quer dar-se totalmente a cada um de nós, numa relação íntima e profunda de amor. A história da Salvação, é repleta de casos concretos onde a manifestação de Deus se dá de forma extraordinária, provocando a adesão humana. Em Cristo Deus dá-se em plenitude, fomos redimidos pela Sua paixão, morte e ressurreição. Jesus Cristo através dos sacramentos torna-se vida em nós. Tempo de férias é também tempo para interiorizar a presença de Deus na nossa vida, estamos mais disponíveis para tomarmos consciência da presença de Deus que sempre nos protege e acompanha. Ele é o Pastor que nos conduz, que nos faz descansar em prados verdejantes, que nos leva às águas refrescantes e nos reconforta. É Ele o criador de tudo o que existe. Ele nos conhece profundamente. Então Ele tem de estar sempre connosco, mesmo em tempo de férias. E tu que és jovens, tu que tens um futuro a construir, aproveita este tempo para pensar seriamente na tua escolha vocacional. Importa estar atento, escutar Deus que chama e estar pronto e disponível a responder sim. Jesus passa pela nossa vida como passou pela dos discípulos. Como? Chama a quê? Para quê? Para onde? Só percebemos se fazemos silêncio no mais íntimo do nosso ser. Implica fazer escolhas, optar, discernir bem para escolher o melhor para o Reino de Deus. Quando queremos o que Deus quer estamos bem, Ele quer o nosso bem. Boas férias! Mas não te esqueças que Jesus Cristo é o Amigo que quer estar em férias contigo. Deixa-te acompanhar por Ele! Deixa que Ele entre na tua vida! Deixa que Ele faça parte do teu projeto de vida!

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Fátima Pires

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20 – meias doses de saber dos conteúdos

Sobrevivência e papel decisivo em Portugal

A ORDEM DOS TEMPLÁRIOS (II)

O processo anti-templário foi liderado pelo Rei de França, Filipe, o Belo, que conseguiu a conivência do Papa de então, Clemente V, para considerar a Ordem do Templo culpada de desvios e faltas graves. De tal modo que o monarca francês logrou, embora hoje sem sabermos com certeza se com provas justas, obter do Papa a extinção desta Ordem e até a condenação das suas mais importantes lideranças, culminando com a morte na fogueira do seu último Grão Mestre, Jacques de Molay, em 1314. Mas o processo tinha começada em 1308 com uma bula papal enviada aos príncipes cristãos para clarificar a situação dos Templários e declarar a necessidade da sua extinção, seguida de outra bula, emitada em 1309, a ordenar a prisão dos Freires de Cristo e, finalmente, da bula Ad Providum, de Março de 1312, a decretar a anexação dos significativos bens desta Ordem e a transferi-los para a posse da Ordem do Hospital. No entanto, o rei de D. Dinis, que então presidia ao trono de Portugal, resistiu a aceitar a diretiva papal que mandava extinguir a Ordem do Templo, consciente do relevantíssimo serviço que tinha prestado e continuava a prestar na defesa e povoamento do território português. Através de uma ação diplomática bem sucedida conseguiu obter do Papa uma solução para acatar a extinção, não extinguindo de facto esta Ordem de elite, cuja dispensa não convinha à estratégia política do Reino de Portugal. A solução passou por comutar o nome. Mantiveram-se os mesmos efetivos, os mesmos bens e a estrutura organizativa, mas mudou-se o nome da Ordem. A Ordem passou a chamar-se Ordem de Cristo. Assim, com esta jogada de diplomacia, D. Dinis salvou os Templários que passaram a ser integrados na Ordem de Cristo, no fundo, o nome novo da Ordem do Tempo ou dos Cavaleiros de Cristo. Sabemos hoje quão importante e decisivo foi este empenho político de D. Dinis em evitar a extinção dos Templários em Portugal. Mais tarde, a sucedânea Ordem de Cristo liderará a promoção de uma das empresas mais importantes e significativas de toda a História de Portugal: as viagens

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marítimas de descobrimento. Através da liderança de um dos mais famosos Grão Mestres da Ordem de Cristo, o Infante D. Henrique, Portugal ficou na história universal como o primeiro império global da Milagre humanidade e o pioneiro da construção da de Ourique (António J. Pereira, c. 1880-1890) globalização. A Ordem de Cristo tutelou, no século XV, todo o processo de descobrimento de novos caminhos marítimos e de novos territórios e povos desconhecidos oficialmente, como consequência da política expansionista extra-europeia promovida pela Dinastia de Avis fundada pelo Rei D. João I. Depois da conquista de Ceuta em 1415, o primeiro território descoberto oficialmente no Atlântico foi o Arquipélago da Madeira em 1419/20, ao qual sucedeu uma série de viagens que culminaram com a navegação de toda a costa africana, a passagem do temível Cabo das Tormentas, a chegada à índia por via marítima (1498) e a descoberta oficial do Brasil em 1500. Estas viagens permitiram estabelecer a primeira grande rede imperial moderna sob domínio português em concorrência com aquilo que empreendia Espanha. Esta concorrência foi regulamentada sob os auspícios da Santa Sé e consagrada no Tratado de Tordesilhas em 1494 com a divisão do mundo em duas partes, à luz da teoria do Mare Clausum, de forma a conciliar as duas monarquias cristãs no que respeitava à superintendência dos territórios descobertos e a descobrir por estas duas grandes potências europeias.

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O ideal de universalização do Cristianismo teve sempre na base motivadora e legitimadora fundamental, dita pelos documentos, de todo este processo de expansão terrestre e marítima.

O ideal de universalização do Cristianismo teve sempre na base motivadora e legitimadora fundamental, dita pelos documentos, de todo este processo de expansão terrestre e marítima. A construção do império era acompanhado, como sabemos, pela concomitante edificação das bases da Igreja Católica nos novos

mundos descobertos através da ação dos missionários de várias ordens. A Ordem de Cristo ficou durante muitos anos com a tutela deste processo de edificação da Igreja nos novos territórios, tendo sido a Madeira erguida como primeira grande rampa de lançamento desta política expansionista. De tal modo, que em 1514 se edificou a primeira diocese bem sucedida em território ultramarino sob domínio português: a Diocese do Funchal. Esta que foi a maior diocese do mundo aquando da sua criação e durante poucas décadas, dependia da Ordem de Cristo e detinha jurisdição sobre todos os territórios descobertos e a descobrir, isto é, envolvia três continentes. Assinalamos, pois, entre este ano de 2012 e o ano de 2014 um ciclo de acontecimentos da maior relevância para a história portuguesa e para o processo de universalização do Cristianismo, ao qual a medieval e polémica Ordem do Templo está umbilicalmente ligada.(Continua no próximo número)

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Eduardo Franco

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22 – pedras vivas dos conteúdos

Homem profundamente realizado; via-se que gostava mesmo de ser padre!

PADRE CUNHA: 100 ANOS DE VIDA E 75 DE SACERDÓCIO No dia 8 de Julho completou 100 anos o P.e Joaquim Pereira da Cunha, emérito pároco de Tabuado e de Rio de Galinhas, no Marco de Canaveses. E a 8 de Agosto fará 75 anos de Padre. Aos 97 anos ainda era Pároco. Atualmente reside na Casa Sacerdotal da Diocese, na Rua Júlio Dinis, no Porto. Já falei dele nesta minha rubrica por duas ocasiões. Mas desta também o não posso esquecer. A primeira vez que contatei com ele era eu um inexperiente padre, a dar os meus primeiros passos na vida sacerdotal. Fui pregar a Tabuado, para a festa do Coração de Jesus, que ele gostava de fazer num dos primeiros domingos da Quaresma, para que se experimentasse, pelo sacramento da reconciliação, a ternura do Coração Misericordioso do nosso Deus. O P.e Joaquim Pereira da Cunha, homenageado aos 97 anos.

Confesso que o primeiro impacto não foi muito positivo. Achei-o duro e até antipático. Porquê? Porque eu cheguei, como o tinha prevenido um pouco depois das 18h30, hora a que ele rezava o terço, para se lhe seguir a celebração da missa. Ora eu nunca lá tinha ido, não o conhecia nem ele a mim. Entrei pela porta do fundo e fui andando devagarinho pela igreja acima. Ouvi então um tremendo raspanete: – O cavalheiro pare. Enquanto se reza, não se passeia. Como não ninguém se mexia, percebi que era para mim. O terço estava no segundo mistério. Fiquei quieto, mas a matutar em como chegar à sacristia, sem o irritar de novo. E no fim do 3º mistério, parecendo-me que ele estava a olhar para outro lado, aventurei mais uns passos. Mas ele estava atento (aliás, vim a perceber depois, não lhe escapava nada!): – O cavalheiro é malcriado. Não vê que estamos a rezar? E senti o olhar reprovador de toda aquela gente… E apesar de ter que ir para a sacristia, não voltei a mexer-me. E no fim do 5º mistério, ele disse: – Vamos rezar a ladainha e depois o Armando vai ensaiar os cânticos até chegar o senhor padre pregador, que vem duma pregação em Ribeira de Pena… Depois começa a missa. Com essa deixa, tive mesmo que falar: – Ó senhor padre, se me deixar ir para a sacristia, começa já! Gargalhada geral. O homem olhou para o jovem que lhe tinha indicado o meu nome, ele acenou que sim e ele disse-me: – Ó colega, desculpe lá, mas não tem cara de padre…

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A partir daí, não houve festa em Tabuado nem em Rio de Galinhas a que eu não tivesse ido pregar, sempre que pude. Tantas vezes que a certa altura lhe disse que talvez fosse bom convidar outros, porque o povo já estaria cansado de me ouvir… – Está nada. Então se estivesse consigo, o que estaria comigo?!... E fui conhecendo o HOMEM! Homem de palavra. Homem de caráter. Homem generoso. Homem informado e culto. Homem de uma delicadeza inexcedível. Uma vez insisti para que ele se servisse primeiro à mesa e jurei nunca mais o fazer: – Em minha casa mando eu. Portanto sirva-se, ou não tem voto de obediência? E também fui conhecendo o PADRE!

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Igreja paroquial de São Salvador de Tabuado, onde o P.e Cunha serviu durante mais de 70 anos.

Padre profundamente realizado. Via-se que gostava mesmo de o ser! Padre com um fervor eucarístico impressionante. Padre com uma profunda devoção mariana (Coração Imaculado de Maria!) e a S. José. Padre sempre com tempo para atender e dialogar com os seus paroquianos. Padre capaz de conversas muito cultas e de conversas muito simples com a gente simples da terra, com os jovens e com as crianças. Padre muito preocupado com a formação catequética e espiritual. Padre muito organizado e inovador na Pastoral. Padre que aceitava as iniciativas que se lhe propusesse, mas só depois de as analisar e de refletir sobre elas…

Já lá vão mais de 30 anos, mas já nesse tempo me dizia: – Venho pedir-lhe o favor de vir ajudar mais uma vez, este velho pároco. E na despedida: – Para o ano, se ainda for pároco, já sabe que conto consigo. E eu recordava o aforismo: “As árvores morrem de pé!”. Ainda não morreu e desejo que possa viver ainda muito tempo, porque sei que continua a ser quem sempre foi. UM GRANDE HOMEM, UM GRANDE PADRE, UM GRANDE AMIGO. Parabéns, senhor vigário! Era assim que lhe chamava o povo, foi sempre assim que o tratei, depois de o saber... E MUITO OBRIGADO por ser um dos padres que, talvez logo a seguir ao padre Aires Batista Moreira (o padre que me batizou e seu grande amigo), me ensinou a ser padre!

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António Augusto

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– recortes dehonianos – espaço escola 24 08 dos conteúdos

Descansar e manter hábitos de leitura e trabalho

FÉRIAS ESCOLARES (I)

Após meses de trabalho na escola, estarão as crianças e os jovens preparados para manter hábitos de estudo em tempos de descanso? O período de férias será suficiente para os alunos dedicarem momentos de descanso e, simultaneamente, se dedicarem a ler, pelo menos umas horas diárias para não esquecerem o que estudaram? O objetivo é o de manter os hábitos de estudo e não esquecerem o que já estudaram. Preparar-se para o novo ano letivo, não é propriamente o lema, importante é não esquecer o que já sabem. Os mais novos não se queixarão. Pelo contrário, não querem deixar de ler e desenhar, brincar e escrever e decorar lengalengas já aprendidas, desenhar, inventar jogos e textos de pequenos teatros divertidos. Desafiar outros amigos sempre que têm horas vagas é ganhar em não esquecer o que aprendeu na escola. Terminaram as aulas, mas, em pleno período de férias ainda é possível encontrar jovens a dedicar duas ou mais horas do dia à leitura, à escrita e ao estudo. Tal acontece em certos centros de estudo ou, mesmo, em casa, com colegas e amigos, onde continuam a manter a prática da leitura, embora de forma mais reduzida. e os hábitos de estudo. Brincadeiras também não faltam, não fossem as férias convidativas à diversão. Realizar trabalhos de casa e preparar ou ensaiar, inventar jogos, canções, teatros e passeios justificam, nas horas matinais ou mesmo encontros e passeios, na praia e no cinema, que os amigos frequentam, convidando colegas para encontros e diversões. sob o olhar atento dos pais e irmãos de manhã ou de tarde, reservando as horas, mais convenientes para a diversão com jogos, brincadeiras ao ar livre e saídas lúdicas até ao parque, a praia, o bosque, a casa de uns ou de outros, em grupo, utilizando a imaginação para viverem, saboreando as férias, o mais alegremente possível e desejam. Embora, o facto de não poderem ficar em casa sozinhos, a isso obrigue, a constatação é de que todos querem continuar a frequentar as amigas, os amigos. Pequenos e graúdos são unânimes nos elogios dirigidos ao espaço e muito mais à imaginação que cada um tem para a invenção e admiração, ao ponto de saberem aproveitar aquilo que cada um, com a sua imaginação, consegue inventar sem problema. Numa simples visita pelo espaço da casa de cada um ressaltam os afetos e a cumplicidade entre todos. Aparecem, às horas que querem… Os mais crescidos, aqueles que já receberam “carta branca” para ocupar as férias de outra forma, a esses o abraço efusivo e a palavra de carinho. Uns vão ficando, outros passam de relance. A porta de casa de cada um, primos, amigos e colegas, está sempre aberta nas férias para toda a família e amigos… Funcionam como de familiares se tratasse. São, sobretudo os mais pequenos que, nas férias, permanecem no centro das atenções. A presença justifica-se com os empregos dos pais que tardam em lhes dar descanso. Mas, nem por isso se mostram insatisfeitos. Pelo contrário, a maioria chega a dizer que “nunca mais quer que as férias acabem”.

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Os meninos e jovens de sete e oito anitos, e menos, gostam de brincar com os de seis e sete, dando certa graça às brincadeiras e não querendo arredar pé. “Para além do estudo, objetivo é preciso, também, dar formação de valores a estas crianças”. Aos pais e irmãos mais velhos, cumpre conversar muito, dando conta da preocupação “em formar crianças e jovens responsáveis”! É uma tarefa prioritária!

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Manuel Mendes

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PENSAR

• Lê muito durante as férias. • Goza-as com alegria. • Aproveita-as e escreve o teu diário. 06-07-2012 02:10:58


26 – leituras

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Um sábio em Carnaxide, numa ação da ALVD

ADRIANO MOREIRA NA PREPARAÇÃO D Desta vez, não vamos escrever sobre um livro, muito menos sobre o último livro do professor Adriano Moreira – A Espuma do Tempo. Memórias do Tempo de Vésperas. Além de prestigiado professor, foi um político e estadista de renome e continua a ser o presidente da Academia Real das Ciências. É um sábio. Alguém dizia: é um outro Agostinho da Silva que defende Portugal de unhas e dentes. O próprio professor Adriano Moreira contou que um dia estava em Brasília (Brasil) e que o Professor Agostinho da Silva tinha-o convidado para ir almoçar com ele. Levaram-no a casa de Agostinho da Silva. Quando chegou, viu um grande terreno e ao fundo lá encontrou uma pequena barraca, onde dizia: aqui cabem 10 pessoas ou 1000 kilos. Aí dentro vivia Agostinho da Silva. O Professor Adriano Moreira foi almoçar com ele aí mesmo nessa barraca. Ao perguntar ao Professor Agostinho da Silva o porquê daquela situação, ele respondeu que o governo português tinha prometido fazer ali um centro da cultura e da língua portuguesa. Como não tinha feito ainda nada estava à espera que o governo português cumprisse a sua promessa e ele estava ali a guardar o terreno.

Na paróquia de Carnaxide, com o pároco dehoniano P.e Luciano Vieira, estão a preparar-se três grupos para fazerem voluntariado em Moçambique no próximo mês de Agosto de 2012: um grupo para Cóbue (Niassa), um grupo para Metangula (Niassa) e um grupo para o Gurué (Zambézia). Estes três grupos irão intervir na área da formação, da educação, da informática, da agricultura e da evangelização. Como uma unidade de formação, convidaram o Professor Adriano Moreira a proferir uma conferência sobre a Europa na África, mais concretamente: caminhos de África. Do passado ao futuro pelos territórios do interior, das almas e da fraternidade estratégica da cristandade.

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Diante de 150 pessoas presentes, o professor Adriano Moreira, observador arguto e inteligente, deu-nos a sua visão do nosso Portugal, desde o seu nascimento, remontando ao primeiro império até aos nossos dias, hoje na busca do quinto império, um império que procura a paz e a estabilidade. Portugal, país habituado a olhar o mar como local de esperança, particularmente desde o séc. XIX procura em África matérias primas, energia e mercados para o escoamento da sua produção. A África tem recursos para muitos projetos, mas infelizmente não tem projetos para os seus recursos. Muitos países africanos herdaram dos seus colonizadores governações que estão longe das práticas democráticas e do respeito pela igualdade entre os seres humanos. Apesar das fronteiras que os definem, não conseguem erguer-se como nação. É que a fidelidade dos povos olha mais para a etnia do que para as populações em geral. A Igreja destaca-se como um “tecido” que através do trabalho dos seus missionários, particularmente nos países de língua portuguesa, une as populações na busca de melhores condições de vida, procurando, pela literacia e cultura, proporcionar um olhar mais centrado no que cada um pode fazer pela sua comunidade e para a construção do bem comum. “África precisa de ser nação para se poder projetar num futuro melhor para as suas populações.” A língua portuguesa, particularmente nos PALOP, deve ser cultivada, onde o movimento dos missionários/voluntários levam a cultura e a história comum ao desenvolvimento, de modo que possam olhar a língua portuguesa como uma língua que também é deles.

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O DE VOLUNTÁRIOS DEHONIANOS

Como dizia Paulo VI, o novo nome da paz é “desenvolvimento”. Acrescentou a voluntária Maria de Lourdes que é este também o lema que move a Associação de Leigos Voluntários Dehonianos (ALVD). Neste sentido, a mesa além de ter como figura principal o professor Adriano Moreira, tinha o moderador Paulo, a professora Raquel e o presidente da ALVD que enquadrou esta intervenção na formação e nos projectos da ALVD em África. Depois das intervenções, deu-se início a um debate de ideias, destacando-se as questões do Prof. Dr. António Matos da Universidade de Ciências de Lisboa, e o Prof. Dr. António Luís Marques da Universidade Lusófona, entre outros. Aqui vai este apontamento quem sabe para interpelar outras pessoas a disporem-se a fazer voluntariado quer em Portugal quer noutros continentes, a darem um pouco de si a quem muito preciso de si.

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Adérito Barbosa

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– recortes – sobre a bíbliadehonianos 28 08 dos conteúdos

Existe um paralelismo entre a bondade, a justiça e a felicidade

ENTRE A BONDADE E

Depois da benignidade, vem a bondade enquanto obra do Espírito Santo nos crentes. Salta a pergunta: qual poderá ser a diferença entre benignidade e bondade? Poder-se-ia enveredar por uma distinção filológica e mesmo de distinção, a que se prefere, aqui, a linha de continuidade ou complementaridade entre ambas. Se a benignidade traz consigo a ideia de bem, já a bondade traz a ideia do bom; o bem como característica do inato, o bom como característica daquilo que, na pessoa humana, vai nascendo de bom.

É interessante notar a forma como uma tradução moderna e muito conceituada, a Bíblia de Jerusalém (ed. 1973), traduz a palavra “bondade” com uma expressão: “bons sentimentos” (Rm 15,14; e em português, o tradutor da Difusora Bíblica utilizaria também ele uma expressão: “boa vontade”). Já à partida se verifica que a palavra bondade traz consigo algo mais, para além da característica de alguém que tem um coração magnânime. Como noutros temas desenvolvidos anteriormente, o livro dos Salmos, no caso do Antigo Testamento, é importante para se poder definir o conceito, de certa forma abstracto, que aqui se propõe. Pensa-se concretamente no Sl 52,5; onde se lê: “Preferes o mal ao bem e a mentira à verdade”, a tradução grega dos Setenta tinha lido: “Preferiste a maldade à bondade, a injustiça a falar justiça”. Pelo facto de a bondade ser oposta à maldade, a justiça à injustiça, verifica-se também um certo paralelismo existente entre a maldade e a injustiça, a bondade e a justiça. Se se tem em conta que, no Antigo Testamento, a palavra justiça carrega a dimensão alargadíssima de santidade, mas também a prática da esmola, entende-se que a bondade em causa é verdadeiramente a que sai do coração. Na já citada tradução grega do Antigo Testamento, a Setenta (LXX), constitui um caso curioso que a palavra bondade (agathôsynê) é utilizada praticamente em textos mais tardios, de que sobressai o livro de Qohelet (ou Eclesiastes). No contexto muito concreto do livro em questão, a palavra carrega consigo também a dimensão da felicidade. Pode dizer-se que é verdade que a felicidade é talvez um dos bens que mais se procura. Sucedem-se casos de injustiça, quando se arruinam famílias, quando às criaturas não se dá o devido lugar e sobretudo quando a Deus não se dá o devido lugar. Ora, Qohelet, como próprio nome indica, é um pregador, fazendo ressoar, porém, o convite a viver a felicidade na terra. É interessante verificar que, para dizer a felicidade, este “filósofo” bíblico se tenha servido de um conceito grego que significa a “bondade”.

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E A FELICIDADE Na base da bondade, da justiça e da verdade, está a decisão pela vida cristã.

Impõe-se, a este ponto, uma reflexão sobre a bondade enquanto fruto do Espírito Santo. Dizia-se – e isso verifica-se – que toda a gente almeja por felicidade e todos dizem saber qual o caminho para a encontrar. Do ponto de vista paulino, porém, as coisas não se colocam a partir desse prisma: para construir a felicidade, é necessário que a vida passe por um diálogo com Deus, deixar-se guiar pelo Espírito Santo. Ora, é nesta perspectiva que se pode entender a bondade como um fruto da obra do Espírito em nós. A bondade aparece ainda, a par da justiça e da verdade, como o fruto da luz (Ef 5,9). O passo da Carta aos Efésios éclaro numa identificação de fronteira entre o que os Efésios eram e o que são, no momento em que a Carta lhes é escrita. Antes, eram filhos das trevas, mas agora são filhos da luz. No fundo, na base da bondade, da justiça e da verdade, que Paulo pretende dos Efésios, está a decisão pela vida cristã. Se conjugamos o que se diz agora com a ideia de bondade como felicidade com esta outra ideia, verificamos que o cristianismo não pode pretender a infelicidade das pessoas; se a bondade é equiparada à felicidade, essa só é possível pela adesão a uma pessoa, Jesus Cristo.

Deixemos que a vida de Jesus Cristo actue e faça de nós uma morada digna do Espírito, para que, pelo mesmo Espírito, possamos ser pessoas benignas e boas. Para que a nossa felicidade possa brotar da nossa vida em diálogo com o Criador, que nos criou para essa mesma felicidade.

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Ricardo Freire

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30 – reflexo

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Os jovens devem ser exemplo e estímulo para os adultos

Sabias que:

Estamos nos meses de férias. Este tempo é esperado e desejado por todos, em especial aqueles que estudaram ou trabalharam ao longo de um ano e estão a precisar de recuperar as forças. Nada melhor que umas merecidas férias para se recompor e depois recomeçar mais um ano de trabalho por empenho e forças renovadas. No tempo que vivemos, as férias são, também, um problema para muitas famílias. Nem sempre há disponibilidade económica para realizar as férias que se desejam. Depois há os mais novos que ficam dois meses e meio sem escola. Muitas instituições vão ajudando promovendo iniciativas de ocupação de tempos livres, que ajudam a resolver a ocupação das crianças, adolescentes e jovens. Cada vez há mais famílias a passar as suas férias “cá dentro”. O tempo de férias, só porque não se vai viajar, não pode ser visto como um tempo de tédio, de não fazer nada. Há muitas coisas que podem ocupar as férias de forma interessante e proveitosa, sem ter a sensação de não ter nada para fazer e ainda sem gastar muito dinheiro. Em casa haverá, certamente, mudanças, manutenção a fazer. Nem todos têm jeito para trabalhos em casa, mas podemos fazer alguns trabalhos, ao nosso gosto: pintar um quarto, mudar um móvel, colocar uns quadros. Muitas vezes basta mudar um pouco a decoração da casa, com o que já lá existe, para que ela fique diferente e mais acolhedora. Há sempre por perto um espaço de lazer, um quintal ou espaço público onde se possa praticar desporto. Uma caminhada com amigos e colegas, um jogo, ou mesmo algum tempo de descanso. As férias são um tempo bom para ler. Pode ser um livro que ao longo do ano não tivemos tempo para o fazer. Pode ser uma revista de estudo. O importante é que a leitura ajude a descontrair, mas que possa ser útil para projetos futuros. Porque não escrever, uma pequena história, elaborar um projeto de vida, pequenos poemas. Porque não dedicar as férias ajudando os outros? De acordo com os dados destes dias são cada vez mais as pessoas que dedicam as suas férias a ações de voluntariado, são milhares os que se dedicam a ajudar os outros. Muitas des-

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FÉRIAS P

tas ações são em países em desenvolvimento, promovendo projetos e iniciativas de curta duração, cerca de um mês. As áreas de intervenção são variadas e abrangem a educação, cultura, formação, saúde, pastoral, promoção social, criação de infraestruturas. Há, também, aqueles que o fazem junto de associações de solidariedade nos locais onde vivem. Ao participar em alguma iniciativa de voluntariado são desenvolvidas aspetos importantes a nível pessoal e comunitário, tais como: amor ao próximo, alegria, paz, paciência, delicadeza, bondade, fidelidade, humildade, domínio próprio. Vive-se experiência de profunda solidariedade, sentimento de ajuda, de caridade, de participação, de apoio, num compromisso responsável com as ações, e com as pessoas. Permite que se desenvolvam as capacidades de se adaptar a situações novas, previstas e imprevistas. Ajuda a saber discernir, criticar, censurar e reconhecer erros e acertos nas ações realizadas. Possibilita o trabalho em equipa. O Papa Bento XVI manifestou profunda gratidão aos que oferecem o seu tempo e esforço, de forma gratuita, em favor dos outros, destacando que, para os católicos, o trabalho voluntário não é meramente uma expressão de boa vontade, mas uma experiência pessoal de Cristo. “Somos chamados a servir os outros com a mesma liberdade e generosidade que caracteriza o próprio Deus. Assim fazendo, tornamo-nos instrumentos visíveis do seu amor num mundo que anseia por amor no meio da pobreza, da solidão, da marginalização e da ignorância que vemos à nossa volta”, disse o Papa no encontro com voluntários. O voluntariado católico não pode responder a todas as necessidades, facto que não deve desencorajar o trabalho de levar alívio aos necessitados. Nesse mesmo encontro o Papa Bento XVI frisou que o voluntariado se tornou um elemento da “cultura moderna”, reconhecido universalmente, com origem “na particular atenção cristã pela salvaguarda, sem descriminações, da dignidade da pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus”. O tempo de férias pode ser muito bom, mesmo que não seja passado longe de casa, em hotéis, praias, ou só em puro “nada fazer”.

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PREENCHIDAS E ENRIQUECEDORAS A Palavra de Deus diz: Lc 24, 46-53. Neste texto em que se relata a ascensão de Jesus, somos convidados a não estar a olhar só para o céu, mas a olhar para a terra, para os homens no meio dos quais somos chamados a dar testemunho das palavras e obras de Jesus Cristo. Os discípulos estavam cheios de alegria, e foram levar a boa nova de Deus a toda a parte. Estas devem ser as atitudes que marcam a nossa vida.

Faz silêncio e reza: Procura um local sossegado. Lê com calma a passagem do evangelho. Como vão ser as minhas férias? Já tenho algum programa elaborado? Porque não fazer algo pelos outros? Onde posso ser voluntário? Faz uma oração a Deus

Tenho de: Diz S. Lucas que os discípulos estavam em Jerusalém com grande alegria, e bendiziam a Deus. Estavam felizes porque Jesus está vivo, venceu a morte. Ao subir ao céu Jesus não foi para outro lugar, não se afastou, mas ficou com os homens. A sua maneira de estar presente já não é a mesma, mas está presente em toda a parte. Procura viver a alegria de ser cristão junto de quem mais precisa.

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Feliciano Garcês

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32 – sobre a fé dos conteúdos

Para sermos instruídos pelo Mestre, precisamos de ter um coração humilde, à imagem do Coração de Cristo

O CORAÇÃO E

No anterior artigo abordámos o tema do Coração em Santo Agostinho, no qual está e age o próprio Deus. Ele é o seu Criador. Mas, o coração humano não tem apenas um Autor, possui um Doutor, que é Jesus, o Mestre.

Um coração iluminado por Cristo, associado à sua Páscoa Deus nunca deixa de falar ao coração do homem. Agostinho recorda-o constantemente aos ouvintes do seu Comentário ao Evangelho de João (In. ev. tr. 22,1; 39,6; 40,5). Na sua ótica, o falar do pregador, daquele que tem por missão anunciar o Evangelho e exortar os irmãos, é um trabalho inútil e vão se a sua instrução não for acompanhada e apoiada pelo ensinamento interior de Cristo. Isto mesmo é também referido no seu Comentário à Epístola de S. João (Cf. ep. Io. tr. 3,13), quando afirma: “o ensinamento exterior é uma ajuda, um convite a prestar atenção. Está no céu, o Verbo feito carne que instrui os corações. É por isso que Ele diz no evangelho: ‘na terra não vos deixeis chamar por mestres: um é o vosso Mestre, o Cristo’. Que seja Ele a falar, portanto, no íntimo, onde nenhum homem pode entrar, porque mesmo se alguém está ao teu lado, ninguém está no teu coração! Não, não há ninguém no teu coração: então que Cristo esteja no teu coração, que a sua unção esteja no teu coração para que ele não se destrua no deserto por falta de fontes que lhe deem de beber. Portanto, é o Mestre interior que instrui, é Cristo quem instrui, é a sua inspiração que instrui. Onde não há inspiração e unção, é inutilmente que as palavras ressoem no exterior”.

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O EM SANTO AGOSTINHO Santo Agostinho serve-se de duas imagens para caracterizar o ensinamento do Mestre interior: a luz que ilumina o coração e a fonte em que nos saciamos. Tal como o sol resplandece para todos os homens, e uma pessoa vê e a outra, que é cega não vê, do mesmo modo, Cristo “está presente em todo o lugar porque a Verdade está em todo o lado, porque a Sabedoria está em todo o lado”, mas nem todos “têm os olhos do coração com os quais poderiam ver” (Io. ev. tr. 35,4; en Ps. 57,21-22). Para ver, isto é, para compreender, é necessário que o olho do coração seja são: “a humildade da carne” que o Filho, o Verbo de Deus, tomou é o “colírio” que pode curar (In. ev. tr. 2,16). Dito doutra forma é a fé na encarnação do Filho de Deus que purifica o olho do coração e abre o homem à compreensão da Palavra divina. Deixar-se instruir pelo Mestre interior é “beber na fonte”. Esta expressão é aplicada em particular ao evangelista S. João que, na Ceia de Despedida, “repousava sobre o peito do Senhor”, ou seja, compreendia, “atingia os segredos mais profundos no íntimo do seu coração” (Io. ev. tr. 18,1 e 1,7). Para o Bispo de Hipona, o Coração de Cristo, portanto, é a fonte em que o crente é convidado a beber. Deve notar-se, contudo, que este tema, esta abordagem agostiniana raramente está, explicitamente, associada ao comentário da passagem de Jo 19, isto é,

ao episódio do lado aberto, mas à passagem de Jo 13 ou de Jo 7 (“No último dia, o mais solene da festa, Jesus, de pé, bradou: ‘Se alguém tem sede, venha a mim; e quem crê em mim que sacie a sua sede! Como diz a Escritura, hão-de correr do seu coração rios de água viva.’ Jo 7,37-38). Neste sentido, afirma: “para levar a nossa boca à fonte de água que nunca se extingue”, é necessário “ser introduzidos no íntimo”. Aqui, neste exercício ou neste movimento espiritual, Santo Agostinho opõe ao orgulho, que empurra para o exterior e leva a cair, a humildade, que “introduz no íntimo” e é condição para nos mantermos “sempre em pé” (In. ev. tr. 25,7). Deste modo, só o coração, que não tem pretensão de ser autossuficiente, pode experimentar a alegria interior do escutar o Verbo de Deus. É portanto, impossível ser instruído pelo Mestre interior sem ter um coração humilde, à imagem do Coração de Cristo que por nós se fez “Mestre de humildade” (In. ev. tr. 25,7). Em suma, a iluminação do coração, através da Palavra que ilumina e rega, supõe a sua transformação, tornada possível pela “incorporação” em Cristo, ou seja, pela participação na sua Páscoa; isto é, só assumindo os sentimentos e as disposições interiores de Cristo, de obediência e de humildade, é que o coração humano não só se ilumina mas se fortalece, adquirindo assim aquele Espírito – que é próprio de Cristo – para poder enfrentar, com serenidade e determinação, as tribulações e canseiras inerentes à nossa condição de peregrinos.

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Nélio Gouveia

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34 – palavra de vida dos conteúdos

Há muia gente a salvar, mas também é preciso descansar

VINDE COMIGO E DESCANSAI UM POUCO Escrevo este texto numa manhã em que me encontro quase de abalada de Quito para Portugal. De todos os Evangelhos propostos para os diferentes Domingos de Julho e de Agosto, escolhi o do XVI Domingo Comum, 22 de Julho (Mc 6, 30-34). Estando em terra de missão e de partida para uns dias de celebrações e de descanso em Portugal, nada melhor do que olhar para os caminhos da missão de Jesus e dos Apóstolos.

A missão de Jesus e a missão dos discípulos Jesus tinha enviado os discípulos em missão, dois a dois. Havia-lhes recomendado que fossem completamente livres e disponíveis, que não levassem nada que lhes atrapalhasse a missão de anunciar a Boa Nova do Reino. Enviara-os também com o poder de perdoar pecados e de expulsar toda a espécie de males e de enfermidades. Os discípulos foram e chegam agora entusiasmados e com muito para contar a Jesus e uns aos outros. Jesus tinha-lhes transmitido o zelo pela missão e os discípulos estão entusiasmados por poder participar na construção do Reino. Mas Jesus não quer que eles se deixem levar por um ativismo desmesurado, lembrando-lhes que há mais vida para além do envolvente e desgastante anúncio do Reino. Há muito mal a combater, muitos pecados a perdoar, muita gente para salvar, mas é também preciso descansar, é preciso cuidar de si.

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Vinde comigo para um lugar isolado No tempo de Jesus, como no nosso tempo, há multidões famintas e sedentas, não só de pão, mas também de vida, de sentido para a vida. Com a força que Jesus lhes transmite, os discípulos sentem que podem fazer muito bem, ajudar as pessoas a ter vida melhor. Mas é preciso dosear esforços, lembra-lhes Jesus. Sem tempo para retemperar energias, dificilmente se consegue ter força e presença de espírito que permitam continuar a missão. Jesus convida os discípulos para descansar, num lugar isolado. Sabemos como Jesus fazia esse descanso: encontrava-se silenciosamente com o Pai na intimidade da oração. É para este encontro de amor e de fé que Jesus continua a convidar os seus discípulos hoje. A vida não pode ser feita apenas de azáfama e de atividade sem fim, por muitas que sejam as solicitações e as necessidades. Contudo, os planos de Jesus saem frustrados, porque as multidões interrompem essa necessidade de descanso, de silêncio e de tranquilidade, indo de novo ao seu encontro. Jesus enche-se de compaixão de toda aquela gente que eram como ovelhas sem pastor e começa a ensinar-lhes muitas coisas… Vemos assim como a reconhecida necessidade de descanso dá lugar a um redobrado zelo apostólico. Julho e Agosto são habitualmente meses que servem para abrandar o ritmo, para retemperar forças, para descansar. E é necessário procurar esse tempo para o descanso e para o encontro pessoal com o Pai, no silêncio e na tranquilidade. Mas essa necessidade não pode alhear-nos da eventual premência da missão, se ao nosso encontro vier gente faminta e sedenta de Deus e de sentido para a vida. Que no encontro tranquilo com Deus descubramos a luz que nos permita viver em justo equilíbrio entre a urgência de agir e a necessidade de parar. Boas férias, bom descanso!

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José Agostinho Sousa

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36 – planeta jovem do mundo

“A borboleta azul”: um filme de Léa Pool que merece ser visto

ACREDITAR NO SONHO É ACREDITAR NA VIDA! Inspirada numa história verídica, Léa Pool realizou um filme chamado “A Borboleta Azul”. Este filme apresenta-nos de um menino com um tumor cerebral. O menino de nome Pete encontra-se numa cadeira de rodas devido à falta de equilíbrio. Tendo os médicos dado poucos de meses de vida a Pete, este decide concretizar o seu maior sonho, apanhar a borboleta azul, mas esta encontra-se nas florestas da América Central e só com a insistência da mãe, dedicada e companheira, conseguem convencer um entomólogo, o ídolo de Pete, a levá-los ao local da borboleta. Os vários momentos de aventura ou de alegria são acompanhados por uma bela banda sonora. Gostei da relação entre estes pois houve uma boa conjugação entre os momentos e ocorridos e os sons produzidos pela banda. O filme mostra-nos uma misturar de sentimentos visto que está presente a solidariedade por parte das pessoas que posteriormente ajudarão o Pete. Mostra-nos também a disponibilidade do entomólogo por levar o Pete sua mãe para as florestas virgens da América Central. Acho os sentimentos importantes porque eles ajudam-nos a ser melhores cidadãos, que demonstram preocupação por construir uma melhor sociedade. Também senti necessidade de refletir depois de ver o filme visto que quando o menino regressa a casa encontra-se curado. Achei um bom filme porque nele está bem presente o verbo acreditar e o valor que é a esperança, pois desistir de um sonho é como desistir da própria vida. Aconselho-vos a ver “A Borboleta Azul”.

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Beatriz Martins

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outro ângulo – Identifiquem-se! Deixem a vossa marca!

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O QUE NÃO NOS DIZEM NA PREPARAÇÃO DO CASAMENTO “Isto agora só casa quem tem dinheiro”… Nunca ouviu ou fez este comentário? Como se de um luxo se tratasse. Não estou a criticar quem mantém um relacionamento saudável e que, em casal, opta simplesmente por não casar, mas sim aqueles que arranjam mil e umas desculpas esfarrapadas para não dar este passo tão importante na vida de um homem e de uma mulher. Nunca foi meu sonho de menina casar numa igreja, mas neste relacionamento senti, sentimos, que era exatamente isso que queríamos. Estou casada de fresco e a decisão/necessidade/vontade de nos unirmos na presença de Deus e Maria foi o aspeto mais fácil. Mas vamos rebobinar uns mesitos atrás? Quando iniciámos os preparativos, comecei a pesquisa para planear “o grande dia”. Para grande tristeza minha, ou se calhar inocência, vim a aperceber-me que está enraizada a ideia de que esse grande dia deverá seguir sempre os mesmos moldes: os pais têm que contribuir. O vestido de noiva quem paga é a mãe da noiva. O fato do noivo, a mãe do noivo. As alianças oferecem os padrinhos. A igreja e/ ou lugar do copo d´agua deverá ser enfeitado como se de um jardim botânico se tratasse…”fica bem isto”, “é de bom tom aquilo”! Ah claro! A noiva tem de ser o centro das atenções! Impensável fazer diferente! Criam-se mitos de contos de fadas, pressão no futuro casal em questões que nada tem a ver com o maravilhoso passo que em breve darão juntos (e não a noiva!)! Confesso, que foram várias as vezes que recuamos em fazer a tal festa, pois não tínhamos dinheiro para “essas coisas”. Nessa altura adorava ter encontrado um artigo que me desse as seguintes dicas: 1.º Este dia é vosso, assim como o resto das vossas vidas. Prepare-se para ignorar muitos “teóricos de café” (mais próximos do que você imagina). Toda gente sabe de tudo, mas ninguém quer saber qual é o vosso orçamento. 2.º Terá de “picar muita pedra” até os serviços que contratar (flores, restauração, fotografia) e os seus familiares entenderem que é um momento especial para os dois…e nada de glamour não é crime…. nem agoira a felicidade do casamento (quer dizer, acho eu!) 3.º É possível realizar com pouco dinheiro (os preços que me indicavam, eram absurdos e apostei comigo própria que faria por metade…ainda conseguimos fazer por menos!). Isto, se tiver amigos verdadeiros como nós, ou for bem persistente como eu. 4.º Se acredita que para casar com a pessoa que ama “deve ter tudo o que tem direito” e que o vestido/fato tem de custar 1500€ (ou mais)…não se case! 5.º Não pense que os seus “papás” têm que lhe pagar o que quer que seja! Este é o primeiro passo enquanto casal (pense bem e verá que tenho razão). 6.º Convidem única e exclusivamente as pessoas que fazem realmente sentido (só sobre este tópico tenho pano, não para mangas, mas para um vestido de noiva!)! 7.º Organize o dia como mais gostar. Esqueça que no casamento da prima tal, fizeram assim ou assado…identifiquem-se, deixem a vossa marca.

Após mentalizar estas dicas, posso garantir-vos que realizámos tal e qual desejámos! E no meio de tanto pormenor, qual foi o momento inesquecível? Aquele terno beijo e abraço do meu marido!

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Alícia Teixeira

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38 – nuances musicais do mundo

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A palavra rock vende, independentemente do cartaz

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Se nos esquecermos ou deixarmos de seguir, quais fãs dedicados, a presença por terras de Portugal dos nos nossos artistas favoritos, a publicidade dos festivais encarrega-se disso. No entanto, nos extensos cartazes dos festivais de verão podem estar ausentes um, dois ou mais artistas que faça não compensar a deslocação e o preço do bilhete. Para os organizadores dos festivais impõe-se a tarefa de conseguir conjugar artistas que garantam público, orçamentos, coerência de estilos e acima de tudo qualidade geral.

Certo é que nem sempre a qualidade atrás referida se concerne apenas à parte musical, porque se vai muita gente à procura de música, vai também muita à procura de diversão, e aí já implica toda a logística de entretenimento nas áreas dos referidos eventos. Sim, porque já me deparei com assíduos frequentadores de festivais que não estão propriamente interessados num cartaz que valha apena no seu todo, ou seja, que tenha musica sim, mas sem grande exigências a nível de qualidade, o que procuram afinal de contas é bom entretenimento e sentir toda aquela “vibração” do festival.

Este ano não estive nem vou estar presente em nenhum festival. No entanto, já pude assistir confortavelmente no sofá a partes de um pela televisão, pois a organização cedeu gentilmente a transmissão de umas partes em direto. Outros, fiz uma ronda pelos cartazes e tirei algumas conclusões, não que valham de muito, mas há factos curiosos. Um dos factos é, como já referi noutro artigo, a palavra rock vende independentemente do cartaz ser essencialmente de rock ou não. Uma outra curiosidade é que existem bandas estrangeiras que vêm inúmeras vezes a Portugal num curto espaço de tempo. E acentuo este exagero apesar de serem bandas que estão no leque das minhas preferidas. É curioso também as enchentes que se notam apesar da crise, o que é bom, porque os festivais dão emprego e há que lutar contra ela. Agora, a nível de coerência de cartaz, nem sempre tem sido a mais feliz, visto que, por vezes a qualidade é posta em causa em prole da quantidade e existem os artistas que “caem de paraquedas” no cartaz de certos festivais. Mas tenho um exemplo positivo a realçar que é o festival Paredes de Coura deste ano. Para demonstrar a isenção do que digo, nenhuma das bandas ou artistas do festival está entre o leque dos meus favoritos. No entanto, há uma coerência de estilos com boas bandas sem que sejam de grande projeção comercial. Aí está um festival que, para quem gosta do estilo, não deve perder.

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Florentino Franco

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partilha – A Escola EB 2,3 de Cristelo participou

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ENCONTRO ANUAL DA

EMRC

No dia 25 de Maio, sexta-feira realizou-se o X encontro anual de alunos de EMRC no parque da cidade do Porto. A nossa escola fez-se representar por 77 alunos do 7.ºano que à chegada deram o seu contributo solidário na entrega de bens alimentares para as famílias mais carenciadas da diocese e que fez com que este encontro se tornasse mais solidário. Na passagem pelo palco fomos recebidos com um forte aplauso, que foi muito dirigido à Professora Serafina, que apesar de estar aposentada, marcou presença neste dia inesquecível. A meteorologia não previa um dia de muito calor, o que se veio a tornar ótimo, porque quando marcamos o nosso espaço a multidão já era tanta, que as zonas de sombras já estavam todas ocupadas. O verde da relva deu a lugar a milhares de cores, trazidas pelos milhares de alunos provenientes das diversas escolas da diocese do Porto, que fizeram do parque da cidade um jardim florido de diversidade, de alegria e de muita felicidade. Na hora de almoço tivemos uma sobremesa que a todos surpreendeu pela positiva, que dignifica e autentifica o lugar da disciplina de EMRC na escola, a presença da direção que confraternizou connosco durante este momento. A tarde foi preenchida por jogos de grupo, atividades radicais, pelo momento do gelado e com a

presença eletrizante do cantor Edmundo que pôs a plateia em euforia. Mais do que tudo, este dia foi a prova de que a disciplina de EMRC está bem viva e é capaz de marcar nos alunos e nos professores que educar também passa pela prática de valores como a alegria, a cidadania, o respeito e a partilha.

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Grupo EMRC

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40 – partilha da juventude

Dedicada no dia 17 de junho, por D. Manuel Clemente

NOVA IGREJA EM FRANCOS Foi no domingo, 17 de Junho, que, com o rito da dedicação da igreja e do altar, foi inaugurada e votada ao culto cristão a igreja dos Pastorinhos, em Francos, lugar da Paróquia de Nossa Senhora da Boavista, no Porto. Presidiu à celebração o Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, tendo concelebrado vários sacerdotes. A comunidade paroquial empenhou-se, em diversos modos, na concretização da grande festa deste dia, seja pela preparação atempada da liturgia, a nível de cânticos e serviços de acolitado, seja pelos acabamentos de arranjos exteriores que contaram, em muito, com a presença e a dedicação das populações locais, seja mesmo pela massiva presença no dia da festa propriamente dita.

“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”. Com esta frase de Pessoa bem se poderia resumir a obra da nova igreja de Francos, intitulada aos Pastorinhos de Fátima, Beatos Francisco e Jacinta Marto. Não foi com estas palavras, mas com o mesmo sentido que o Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, se referiu à obra da nova igreja. De facto, nos seus agradecimentos, o prelado teve palavras de apreço para com o P.e Giulio Carrara e todos aqueles que, de perto, colaboraram para que a obra viesse à luz. Salientava assim adinâmica comunitária que rege a vida eclesial e, por isso, também a vida paroquial de Nossa Senhora da Boavista.

A igreja dos Pastorinhos é, de facto, um sonho tornado realidade. Foi querida e pensada durante gerações anteriores, mas só este ano se concretizou. Representa uma grande mais-valia para a celebração do culto cristão na zona de Francos. Construída com linhas muito simples, que não deixam de exaltar a nobreza do espaço litúrgico, a nova igreja pretende favorecer o encontro com Deus e com os irmãos, apostando na proximidade às populações. De certa forma, vem de encontro à história da celebração do culto cristão naquela zona, dando seguimento aos sonhos e exigências de outros tempos, tão bem recordados pelo P.e Carrara, no momento dos agradecimentos, no dia da festa.

Por tudo isto e muito mais, fica um grande sentido de gratidão e de louvor a Deus e uma saudação de parabéns para a Paróquia de Nossa Senhora da Boavista que vê, assim, alargado o espaço dedicado a Cristo no seu território.

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Ricardo Freire

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do mundo

partilha – Festa e Alegria nas comunidades dehonianas em Angola

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NOVO POSTULANTE DEHONIANO EM ANGOLA No dia 15 de Junho, dia da Solenidade do Coração de Jesus, mais um jovem deu um passo na consagração à vida religiosa na congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus. Fica aqui o seu testemunho.

Sou o André Gromico Cristóvão Matias e nasci no dia 04 de Março de 1986 na Província do Cuanza Norte. A minha vocação surgiu da seguinte maneira. Em 1998 fui convidado a acolitar por ocasião da abertura do ano académico no Seminário Médio de Ndalatando, e no momento da apresentação dos novos seminaristas na Sé Catedral senti a primeira inquietação. O que significava aquilo não compreendia bem, só me lembro que fiquei muito emocionado. Uma segunda ocasião foi em plena catequese. Lembro-me do meu catequista, o irmão Jorge, pertencia a Congregação dos Irmãos Maristas, numa das sessões de catequese ele afirmara que para se ser missionário era necessário deixar tudo e viajar pelo mundo e anunciar onde fosse necessário. A partir daí despertei para a possibilidade de um dia ser missionário e sacerdote. Passado alguns anos e depois de ter participado em reuniões de vocacionados na minha Paroquia de origem, S. João Baptista em Ndalatando, vim para Luanda e assim no ano 2007 conheci os padres dehonianos. A princípio fiquei curioso pelo nome, fiz alguns estudos aprofundados e percebi que não era o nome que verdadeiramente me estava atrair mas sim o seu carisma e comecei a participar nas adorações com santíssimo exposto e a perceber que Cristo está visivelmente presente no sacramento da eucaristia, na adoração. Em 2008, tentei contactar um padre dehoniano, e por intermédio de duas irmãs pertencentes às Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição (Ir. Sandra e Ir. Edvalda) cheguei ao P.e Domingos Pestana. Dou graças a Deus por o ter colocado no meu caminho e com ele aprendi os primeiros passos e sinais da Vida Dehoniana. No ano 2010 comecei a participar nos encontros vocacionais scj que se fa-

ziam e fazem uma vez por mês na Casa Padre Dehon. Aí fui sabendo mais e aprofundado a vida Dehoniana e dos Sacerdotes do Coração de Jesus. No final do ano de 2010 fizeram-me o convite para ingressar no Seminário Casa Padre Dehon. Parecia viver um sonho e percebi que deveria agradecer em todas as minhas orações ao Coração de Jesus que é a fonte da nossa vida e aspiração para todos aqueles que, como eu, O querem seguir mais de perto. Assim no dia 30 de Janeiro de 2011 dei entrada ao Seminário. Lembrar-me-ei sempre deste dia e deste ano, considerado por mim como o ano da graça, onde com algumas dificuldades fui caminhando, mas Deus e, em especial, o Coração de Jesus deu-me sempre força, consolou-me, refrescou-me em cada cansaço. No ano de 2012 fui convidado, pela graça do Coração de Jesus a começar a minha caminhada como Postulante na Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus. É com muita alegria que o meu pobre coração acolheu este convite em poder fazer uma caminhada mais séria rumo ao sacerdócio. E teve lugar no dia 15 de Junho na nossa Paróquia de N.ª Sr.ª do Rosário, em Viana, Solenidade do Sagrado Coração de Jesus. Como postulante gostaria pedir a oração a todos os articulistas da AFV, Dehonianos e Família Dehoniana, não só mim, mas também pelos que querem abraçar a espiritualidade Dehoniana, sob a proteção do Sagrado Coração de Jesus. E para que Ele continue a iluminar a mente de muitos jovens que se querem consagrar a Cristo, sem esperarem nada em troca, senão o amor que o mesmo Coração nos dá.

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André Matias

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42 – partilha do mundo

A primeira Diocese Global: História, Cultura e Espiritualidades

500 ANOS DA DIOCESE DO FUNCHAL Congresso Internacional 18, 19 e 20 SETEMBRO 2014 Funchal – Madeira

Casino Park Hotel Reitoria da Universidade da Madeira Auditório do Centro de Estudos de História do Atlântico

1514

2014

Mais informação: http://www.congressodiocesefunchal500anos.org/

A Diocese do Funchal foi a primeira diocese portuguesa da Igreja Católica instituída fora da Europa, na sequência das viagens marítimas de descoberta que potenciaram a experiência de globalização. Esta diocese pioneira, que se estruturou (e que perdurou até hoje, pois outras houve que se revelaram inviáveis e não perduraram) no contexto da expansão portuguesa, foi erigida na capital do Arquipélago da Madeira, o primeiro território ultramarino a ser descoberto oficialmente pelos portugueses. A Madeira viria a tornar-se uma plataforma estratégica da expansão ibérica para os mundos que então se abriam como novos aos olhos da Europa Cristã. Sediada num dos pontos gravitacionais do processo de globalização comercial, cultural e religiosa em curso, a Madeira afirmar-se-ia como um ponto nevrálgico do concomitante processo de universalização do Cristianismo que as viagens de descoberta proporcionaram à Cristandade europeia. A diocese ali fundada em 1514 transformar-se-ia numa base importante para a construção da igreja missionária ultramarina. Embora por um período breve, à Diocese do Funchal foi dada, nas primeiras décadas da sua existência, jurisdição canónica sobre a Igreja em implantação sobre todos os territórios descobertos e a descobrir sob a alçada do Reino de Portugal, o que a tornava então a maior diocese do mundo. No seu começo, a Diocese do Funchal era, portanto, a sede administrativa do processo de institucionalização da Igreja nos territórios africanos, asiáticos e americanos, sob a alçada do Padroado Português, tutelado pela coroa através da Ordem de Cristo. Nessa medida, a história da Madeira é cimentada sob a modelação fundamental do património da espiritualidade e

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da doutrina cristã católica, que dá sentido e ímpeto de participação na construção da Igreja universal em termos planetários. Além de uma cultura de cunho franciscano, marcada por uma espiritualidade de ligação profunda entre o homem, a natureza e Deus, a Igreja madeirense viria a tornar-se formadora de missionários que participaram de muitos modos da dinâmica da evangelização em diversos cenários do globo. Assim, o espírito de mobilidade que marca a história da Madeira não se revelou apenas na procura de uma vida melhor em outras paragens mais prósperas do mundo em nome de um melhoramento das condições materiais, mas também se manifestou na vocação de muitos para contribuir para o melhoramento espiritual do mundo. Ao longo da história multissecular desta diocese, pode-se observar uma cooperação estreita entre a Igreja e o projeto político de construção de uma sociedade organizada, num arquipélago que entronca, por sua vez, a sua história com a história de povos, culturas e religiões de vários pontos do mundo. É, portanto, a riquíssima história da Diocese do Funchal, enquanto instituição e polo de estruturação religiosa, social e cultural de um povo insular que cruza a sua história com a história de outros povos, que é constituída como objeto de estudo multidisciplinar em sede de congresso internacional. Esta reunião científica pretende, com o contributo de especialistas e investigadores de diversas áreas, assinalar a passagem do quinto centenário da fundação da Diocese do Funchal, contribuindo para o conhecimento aprofundado da sua história e perspetivando o seu futuro a partir da análise dos desafios do presente.

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da juventude

jd-Porto – Semana da Juventude em Besteiros – Paredes

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FAMÍLIA E JUVENTUDE Realizou-se uma semana da juventude, de 24 a 30 de junho, em Besteiros, Paredes, paróquia recentemente confiada aos Dehonianos, na pessoa do P.e João de Deus. Cerca de 50 jovens animaram-se e viveram uma semana de reflexão, convívio, trabalhos e muita música, pois eles gostam muito de cantar e fazem-no muito bem! Sendo “Família e Juventude” o tema, de acordo com a caminhada pastoral da diocese do Porto para este ano, estiveram bastantes famílias a acompanhar os jovens, particularmente na sexta-feira, dia dedicado à família. Fica aqui o texto das conclusões dos jovens.

Com um passo, os jovens da Paróquia de S. Cosme e S. Damião – Besteiros iniciaram a Semana da Juventude. Começámos por conhecer a nossa vivência da fé e, depois de uma análise, sabemos que alguns de nós estão um pouco distanciados da vida cristã. Por isso, nada melhor que termos começado por conhecer a família de Jesus Cristo, que viveu plenamente no amor de Deus. Para tentar compreender qual o sentido da nossa vida, debatemos vários temas que foram, de seguida, refletidos pelos vários grupos. No final de cada sessão, os grupos apresentaram os seus trabalhos de uma forma alegre e criativa. E com outro passo, acabámos esta semana que tornou-nos uns cristãos mais fortes, sem medo e vergonha de o demonstrar. E queremos viver a nossa fé na família, na comunidade cristã e na nossa vida pessoal!

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Filipa e Pedro

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44 – jd-Porto EMBARCAS NA MISSÃO?

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Caminhada para as Férias Missionárias 2012 em Gandra: Qual é a tua Missão?

No dia 10 de junho, realizou-se a caminhada de preparação das Férias Missionárias 2012, na paróquia de Gandra – Paredes. Pelas 14 horas, encontravam-se por volta de 40 jovens prontos para caminhar, rezar, divertir e claro, conviver. Reunidos em roda no adro da igreja foram feitas as apresentações e em seguida foi referido o que de importante se fazia naquela caminhada, ”qual será a nossa missão?”…. Iniciámos a caminhada em fila indiana um pouco, desordeira, em direção a primeira paragem aproveitamos para cantarolar, para conversar e ganhar novos laços de amizade. Chegados à primeira paragem ficámos a conhecer um pouco da história de Gandra e de todas as atrações que esta tem, refletindo também na segunda pergunta da nossa jornada. Depois de concluída a conversa e reflexão, seguimos a nossa caminhada em direção à praça onde encontraríamos numa árvore a terceira pergunta proposta para a nossa missão. Aí recebemos uma espada simbólica: a espada de S. Miguel, patrono da comunidade paroquial de Gandra. Continuámos o percurso até ao fim da nossa caminhada, onde nos deparámos com um magnífica cascata e onde nos deitámos na relva, para refletir. De seguida pudemos partilhar o farnel que cada um levou, com o objetivo de convivermos uns com os outros. De volta à igreja de Gandra, sentámo-nos na rotunda em volta de uma cartolina onde escrevemos qual será a nossa missão na semana missionaria em que íamos participar, terminando assim a nossa caminha. Cantámos “A vida não vai parar” enquanto recebíamos um “doce da festa” e o passaporte para as tao ansiadas Férias Missionárias. Nelas todos podem participar: uns estando a 100%; outros apoiando; outros visitando; e todos rezando pelo seu secesso! “Embarcas connosco na missão”?

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da juventude

jd-Porto –

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Rita barbosa e Catarina Oliveira

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46 – agenda

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» JD — Açores Julho

13 − Oração de Taizé no Centro Missionário. 27-29 − Campo de Férias (Ilhas).

» JD — Porto Julho

01 − Dia Solidário – Lar Pinheiro Manso. 02-07 − Semana da Juventude em Sobrosa. 21 − AdOração no Centro Dehoniano. 21-29 − Férias Missionárias 2012 em Gandra.

Agosto

05 − Dia Solidário – Lar Pinheiro Manso.

Setembro

02 − Dia Solidário – Lar Pinheiro Manso. 14-16 − Jornadas Missionárias 2012 – Fátima. 23 − Valentíadas 2012 – Betânia.

AdOração no Centro Dehoniano Um tempo com espaço para a interioridade com a oração tipicamente dehoniana aberto à Juventude Dehoniana, à Família dehoniana e a todos os amigos, jovens e menos jovens. Depois da adoração despedimo-nos com um chá.

19 de julho – das 21h às 22h00

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vêm aí: Férias Missionárias 2012 em Gandra! São todos bem-vindos! ... mas damos prioridade aos mais assíduos.

DEHUMOR

“O tempo passa depressa, sonhemos com a eternidade”.

(Padre Dehon)

E onde é que está o cartoon relacionado com a frase do Padre Dehon?

Não houve tempo para o fazer...

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Paulo Vieira

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tempo livre

passatempos –

TEM PIADA

insanidade temporária

O advogado não queria acreditar que o juiz tinha declarado o réu inocente e pergunta: — Mas como é possível que não o considere culpado? — Insanidade temporária. — E você vem nesse estado fazer um julgamento?

orar antes de comer

Ele ia jantar pela primeira vez em casa da namorada. Quando ia atacar a sopa, reparou no olhar severo da futura sogra, que lhe perguntou friamente: — Em sua casa não costumam orar, antes de começarem a comer? — Não, minha senhora — disse ele atrapalhado —. A minha mãe é muito boa cozinheira...

a mais linda do mundo

— O meu namorado diz a toda a gente que vai casar com a mais linda rapariga do mundo...

CURIOSIDADES

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pipocas saudáveis Quem é que não gosta de assistir a um bom filme enquanto come pipoca? A pipoca tem sido condenada por alguns nutricionistas, mas, quando preparada com os ingredientes certos, tem poucas calorias, faz bem ao coração e é nutritiva. Possui mais polifenóis (substâncias antioxidantes), do que as frutas e os vegetais. Os polifenóis já foram associados à diminuição das doenças cardíacas e de certos tipos de cancro. E, por se tratar de um alimento integral, a pipoca também é uma boa fonte de fibras, no entanto deve evitar a manteiga, o óleo de cozinha e o excesso de sal, que diminuem seus benefícios. Estudos revelam que, grande parte das pipocas vendidas nos cinemas, possuem demasiadas calorias, sal e gordura saturada, sendo quase a mesma coisa que comer um lanche em cadeias de fast food. A melhor opção é a tradicional pipoca de panela, feita em casa, com um pouco de azeite de oliveira.

Origem da pipoca

— Oh! O estúpido! E tu deixas que ele faça isso depois de andar contigo tanto tempo?

desejo cumprido

Um casal de namorados vai ao lago dos desejos. O rapaz atira uma moeda, debruça-se e formula o desejo. A rapariga prepara-se para fazer o mesmo que ele, mas debruça-se de mais e cai para dentro do lago. O rapaz, espantado, diz: — E não é que isto resulta mesmo?

A pipoca surgiu na América, há mais de mil anos. Os primeiros europeus que chegaram ao continente descreveram a pipoca, desconhecida por eles, como um salgado à base de milho, usado pelos índios, tanto como alimento, quanto como enfeite para o cabelo. Sementes de milho usadas para fazer pipoca foram encontradas por arqueólogos, não só no Peru, como também no actual Estado de Utah, nos Estados Unidos, o que sugere que ela fazia parte da alimentação de vários povos americanos.

quebra-cabeças sequência lógica Estes elementos têm algo lógico em comum: Qual dos próximos três elementos será o seguinte na mesma lógica?

Solução de junho Lembramos: 4 quadrados azuis, 3 vermelhos, 3 brancos, 3 verdes, 3 amarelos, e nenhuma cor aparece repetida em nenhuma linha ou coluna ou diagonal.

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Paulo Cruz

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!visita :n達o percas a oportunidade: visita! valentes_2012_07-Julho.indd 48

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