A decodificadora – Fragmentos. Novembro/2012 – Boston- EUA.
As vozes se alternavam dentro do recinto indo e vindo desordeiramente dentro da sua mente pesada. Bárbara tentou se situar e teve dificuldades para se lembrar do que tinha acontecido. Foi tudo tão rápido que ela ainda se perguntava o que tinha acontecido. Talvez alguém tivesse colocado algo na bebida do fim de noite, porque ela se lembrava apenas de ter se sentido tonta e de alguém a segurando antes dela apagar. Tentou se mover e percebeu que suas mãos estavam atadas. Uma venda cobria seus olhos e tudo que ela podia sentir era a presença de algumas pessoas na sala ou onde quer que ela estivesse. -Está acordando. A voz masculina era rouca e baixa. Alguns passos e o barulho da maçaneta indicou que seja quem for que estivesse ali tinha saído. Uma mão fria e macia tirou sua venda. Ela sacudiu a cabeça tentando fazer com que seus olhos se adaptassem à luz. Sentada à sua frente uma moça ruiva e de traços bonitos a olhava cuidadosamente. -Como se sente? Bárbara a encarou confusa. Jesus, ela estava falando em inglês? Era isso mesmo? Ela não se deu o trabalho de responder. Estava mais que apta a falar e compreender o idioma e na verdade o fazia com fluência, mas foi pega de surpresa. Assim continuou muda. A ruiva fez uma nova tentativa. -Você está bem Babi? Babi? Esse era um apelido muito particular. Apenas algumas pessoas mais íntimas a chamavam dessa maneira e essa moça de maneira alguma era sequer uma conhecida, quanto mais uma amiga. De fato, Bárbara tinha uma idéia do que podia estar acontecendo. Olhou a sua volta. Estava em uma sala de interrogatório em algum departamento de polícia. Ambiente frio e cinzento. A ruiva a encarava sem muita expressão embora os olhos denunciassem certa preocupação. -Poderia desamarrar minhas mãos? Ela falou em português porque precisava ter certeza que a estranha compreendia ambas as línguas. A ruiva deu um sorriso contido e falou novamente em inglês. -Não posso compreender sua língua. Fale em inglês, eu sei que você pode.