Portugal - Perspectivas Económicas da OCDE 2019

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Portugal O crescimento económico abrandará ligeiramente para 1,7 % em 2021. O crescimento do consumo deverá desacelerar devido ao menor aumento dos salários. O crescimento das exportações será sustentado por ganhos de competitividade, apesar das condições externas adversas. A absorção dos fundos estruturais da UE e as restrições de capacidade produtiva deverão manter o investimento. A taxa de inflação deverá permanecer baixa, e prevê-se uma ligeira descida do desemprego. Espera-se que a orientação da política orçamental em 2020-21 seja globalmente neutra, o que se afigura oportuno dadas as restrições de capacidade produtiva na economia, enquanto o rácio da dívida pública manterá a trajetória descendente. As políticas estruturais poderiam contribuir para impulsionar ainda mais o crescimento da produtividade. São essenciais, para este efeito, uma maior simplificação do quadro regulamentar, o reforço da concorrência nos mercados de produtos – especialmente no setor das profissões liberais e das indústrias de redes – e uma melhoria nas qualificações. A procura interna é o principal motor do crescimento A atividade económica permaneceu dinâmica no primeiro semestre do ano. O consumo privado beneficiou do modesto crescimento dos salários induzido pela efervescência no mercado de trabalho, bem como da baixa inflação. A procura interna foi impulsada pelo forte investimento das empresas. Mais recentemente, o crescimento das exportações abrandou ligeiramente, e a confiança da indústria deteriorou-se na segunda metade do ano, refletindo a crescente incerteza quanto às condições externas e às tensões comerciais. No entanto, os indicadores de confiança dos consumidores nos serviços e na construção estabilizaram, revelando uma certa capacidade de resiliência aos desenvolvimentos externos negativos.

Portugal As condições do mercado de trabalho permanecerão apertadas % da força de trabalho 18

O saldo fiscal está melhorando

Índice, 1T2007 = 100 120

15

115

12

110

9

105

6

100 ← Taxa de desemprego Taxa salarial →

3 0

2007

2009

2011

2013

95

2015

2017

2019

2021

1. Definição de Maastricht. Fonte: Base de dados Perspectivas Económicas 106 da OCDE.

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90

% do PIB 160 140

% do PIB 2

Saldo do orçamento →

0

← Dívida pública¹

120

-2

100

-4

80

-6

60

-8

40

-10

20

-12

0

2007

2009

2011

2013

2015

2017

2019

2021

-14


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Portugal: procura, produção e preços 2016

Portugal PIB a preços de mercado Consumo privado Consumo das administrações públicas Formação bruta de capital fixo Demanda interna final Variação de existências¹ Demanda interna total Exportação de bens e serviços Importação de bens e serviços Exportações líquidas¹

2017

Preços correntes, em EUR bilhões

186.5 122.0 32.8 28.9 183.7 0.6 184.3 75.0 72.8 2.1

Itens de relatório Deflator do PIB _ Índice harmonizado de preços no consumidor _ Índice harmonizado do núcleo de inflação² _ Taxa de desemprego (% da força de trabalho) _ Rácio de poupança líquida das famílias (% do rendimento disponível) _ Saldo financeiro das administrações públicas³ (% do PIB) _ Dívida bruta do governo geral (% do PIB) _ Dívida bruta do governo geral, definição de Maastricht (% do PIB) _ Saldo da conta corrente (% do PIB) _

2018

2019

2020

2021

Variação percentual, volume (preços de 2016 )

3.5 2.1 0.2 11.5 3.2 0.1 3.4 8.4 8.1 0.2

2.4 3.1 0.9 5.8 3.2 0.1 3.3 3.8 5.8 -0.8

1.9 2.1 0.5 6.9 2.7 0.2 2.9 2.7 4.9 -0.9

1.8 2.2 0.6 1.2 1.7 0.2 1.9 1.1 1.4 -0.2

1.7 1.7 0.6 4.3 2.0 0.0 1.9 2.2 2.6 -0.2

1.5 1.6 1.1 0.5 1.0 1.6 1.2 0.3 0.5 1.0 1.2 0.8 0.5 0.6 1.0 8.9 7.0 6.5 6.4 6.3 -2.2 -2.4 -2.7 -2.7 -2.7 -3.0 -0.4 -0.1 0.0 0.1 145.9 139.2 136.3 134.1 131.3 126.0 122.2 119.3 117.1 114.3 0.4 -0.6 -1.2 -1.0 -1.2

1. Contribuição para variações no PIB real, valor atual na primeira coluna. 2. Índice harmonizado de preços no consumidor, excluindo alimentos, energia, álcool e tabaco. 3. Com base na definição de contas nacionais. Fonte: Base de dados Perspectivas Económicas 106 da OCDE.

A consolidação orçamental reduzirá a dívida pública Espera-se que a política fiscal se mantenha prudente, com uma situação orçamental próxima do equilíbrio em 2019 (-0,1 % do PIB) e um excedente de 0,1 % em 2021, o que equivale a uma orientação orçamental globalmente neutra. Em relação ao PIB, a dívida pública deverá manter a trajetória descendente. Mais eficiência na despesa pública ajudaria para criar o espaço orçamental necessário para amortecer possíveis choques não antecipados, assim como os efeitos orçamentais do envelhecimento da população. As condições financeiras deverão manter-se favoráveis. Do lado da oferta, as instituições de crédito alcançaram progressos significativos na consolidação dos respetivos balanços e na redução do rácio de crédito malparado, sustentando o crescimento do crédito e o consumo. Do lado da procura, depois de um período de desalavancagem empresarial e de melhoria da rentabilidade, as empresas estão a efetuar investimentos, sustentadas pelas baixas taxas de juro e pelas limitações na capacidade instalada. A melhoria da eficiência do sistema judicial, bem como a redução das barreiras regulamentares nas indústrias de rede e nas profissões liberais permanecem fatores essenciais para estimular ainda mais o investimento produtivo. Além disso, Portugal tem de continuar a aumentar os níveis de qualificações. Apesar da melhoria contínua do rendimento escolar, a percentagem de trabalhadores menos qualificados mantém-se elevada. Um aumento da qualidade do ensino e da formação nas escolas profissionais poderia contribuir para ajustar as qualificações às necessidades das empresas e para alcançar um crescimento inclusivo. Outro fator essencial é a melhoria da eficiência judicial e a redução dos processos pendentes.

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As previsões apontam para um abrandamento do crescimento económico O crescimento do PIB deverá desacelerar para 1,7 % em 2021. Apesar da baixa taxa de inflação e das condições financeiras favoráveis, a despesa das famílias deverá abrandar devido ao crescimento mais moderado do emprego e à estabilização do crescimento dos salários. Apesar da fraca procura externa, as exportações continuarão a crescer, impulsionadas pelos ganhos de competitividade e pelo crescimento moderado dos custos unitários do trabalho. O investimento aumentará em 2021, sustentado pela absorção crescente dos fundos estruturais, o que impulsionará as importações. Os riscos de revisão em baixa advêm de uma nova deterioração das perspetivas de crescimento na União Europeia. Incertezas continuas associadas a Brexit poderiam afetar o comércio e o turismo. O setor bancário continua vulnerável a choques financeiros devido aos elevados rácios de empréstimos malparados. Os riscos de revisão em alta decorrem da melhoria do desempenho do mercado de trabalho e da competitividade das exportações portuguesas com a continuação das reformas estruturais.

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