Três filmes para ver esta semana observador.pt/2020/01/23/tres-filmes-para-ver-esta-semana-136
“Bombshell – O Escândalo” E cá temos aquele que é um fortíssimo candidato a filme politicamente tendencioso e intelectualmente desonesto do ano, em representação da Hollywood “progressista”. Escudado na descrição das (comprovadas) práticas de assédio sexual do falecido Roger Ailes, consultor de media do Partido Republicano e de vários presidentes dos EUA, e antigo “patrão” da Fox News, e da alegada cultura de ocultação e silenciamento das mesmas, esta fita de Jay Roach tem implicado que tomemos a parte pelo todo. Ailes era um conservador, a Fox News é um canal conservador, logo os pecados apontados a estes são comuns a todo o espectro político, mediático e intelectual do conservadorismo e da direita nos EUA. O filme nem recua perante criar personagens fictícias, como a da jornalista interpretada por Margot Robbie, uma republicana cristã tontinha esterotipada, e misturá-la com as personagens reais de Charlize Theron e Nicole Kidman; ou a de Kate McKinnon, que é lésbica e admira Hillary Clinton, mas não revela nada disto na redação para não perder o emprego. John Lithgow é um Roger Ailes pesadamente maquilhado para parecer um Jabba the Hut direitista e molestador sexual, coisas sinónimas, segundo “Bombshell — O Escândalo”. Para os hipócritas autores deste filme, Bill Clinton deve ser apenas um simpático malandreco, Harvey Weinstein, apoiante dos Clinton e de Barack Obama, é com certeza vítima de uma cabala e o escândalo de assédio sexual na “liberal” NBC com o pivô Matt Lauer um equívoco.
“O Filme do Bruno Aleixo” Em que outro filme senão um com Bruno Aleixo, o Homem do Bussaco, o Busto e um Monstro da Lagoa Negra chamada Renato Alexandre, um produtor se poderia interessar em fazer um filme sobre a vida do dito Bruno? E haver um café onde o clube em destaque é o União de Coimbra, a tampa de uma sanita decapitar pessoas, atores queridos do grande público como Adriano Luz, Rogério Samora, Gonçalo Waddington ou João Lagarto interpretarem o dito quarteto com as respetivas vozes, Fernando Alvim ser assassinado por uma esfregona e uma sequência ser feita em desenhos animados saídos da mão de um aluno da primária? Escrito e realizado por João Moreira e Pedro Santo, os “pais” do cão/Ewok da SIC Radical, “O Filme do Bruno Aleixo” tem tudo isto e muito mais — um ninja espalhafatoso, bastante conversa fiada sobre cinema, “flashbacks” perfeitamente arbitrários para a Coimbra universitária dos anos 80, um vilão inesperado, uma participação especial do Jaca em direto do Brasil, um anúncio da Mister Cimba — para grande deleite e hilariedade dos ferrenhos do programa mais bizarro, absurdo, pobretanas e 1/2