Entrevista a Petra Costa e Lea Glob, realizadoras de «Olmo e a Gaivota» c7nema.net/entrevista/item/45359-entrevista-a-petra-costa-e-lea-glob,-realizadoras-de--olmo-e-a-gaivota.html
Hugo Gomes
Por entre a realidade filmada em jeito documental e a encenação não como um dispositivo fictício, mas antes uma ferramenta para compreender esse mesmo veio de veracidade, Olmo e a Gaivota [ler crítica] é um dos filmes mais fascinantes a chegar aos nossos cinemas este ano. As autoras desta obra, a brasileira Petra Costa e a dinamarquesa Lea Glob, falaram com o C7nema sobre esta colaboração não voluntária que resultou numa catarse sobre o cinema propriamente dito, sem limitações a géneros nem estilos. No seio de Olmo e a Gaivota esconde-se ainda temáticas a merecer da nossa consideração, algumas delas fazendo parte da luta de Petra, os direitos das mulheres e a soberania destas pelo seu próprio corpo.
Começo com a pergunta mais básica, como surgiu este projeto?
Petra Costa: Este projeto surgiu através do Dox Lab, num festival da Dinamarca. Todo os anos são convidados dez realizadores não-europeus para codirigir com dez europeus. Eu fui convidada para trabalhar com a Lea, tinha até um certo interesse no cinema dinamarquês e queria conhecer um pouco mais sobre ele. Tínhamos uma semana para decidir que tipo de filme iríamos conceber, mesmo antes de conhecer-nos pessoalmente. Vim com dez ideias que tinha guardado desde então, uma delas era a documentação de um dia na vida de uma mulher onde nada acontece, mas que tudo acontece na sua cabeça. Entretanto, a Lea sugeriu: "e que tal pegasse-mos numa mulher real". Ela estava mais interessada em fazer documentário e no meu caso, ficção. Ela queria ir para a Amazónia e eu para Dinamarca.
"Sim, vamos pegar numa mulher real, mas se for atriz, pegaríamos na vida real dela, e eu conheço uma atriz ". A atriz que falava era Olivia Corsini, que estava no momento a fazer uma turneê no Brasil através da companhia
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