Zama, entre 'Cem Anos de Solidão' e a 'A náusea' de Sartre cartacapital.com.br/revista/997/zama-entre-cem-anos-de-solidao-e-a-nausea-de-sartre
O brasileiro Matheus Nachtergaele (Vicunã) e o mexicano Daniel Cacho (Zama), num duelo de gigantes Dolorosa alegoria da relação entre colonizadores e colonizados, o filme argentino Zama estreia no Brasil no dia 29 com uma evocação de grandes aventuras do cinema e da literatura. Há um tanto de Cem Anos de Solidão e do Quixote. Outro tanto de Aguirre, a Cólera dos Deuses. Algumas cenas podem lembrar Fitzcarraldo. Tem até certo sabor de O Incrível Exército de Brancaleone. Mas a indiferença e a apatia do personagem principal, Diego de Zama, puxado de um romance do escritor argentino Antonio di Benedetto, de 1956, parecem mais conectadas a "A náusea" de Jean-Paul Sartre. Vida em suspenso em um território de vidas em suspenso, a existência de Diego de Zama é o veículo ideal para o quarto filme da provocadora e rebelde cineasta argentina Lucrecia Martel, diretora dos premiados O Pântano (2001), A Menina Santa (2004) e A Mulher Sem Cabeça (2008). Zama acaba de ganhar o grande prêmio da 30ª edição do festival Cinélatino de Toulouse (sul da França) e foi aclamado no Festival de Veneza. Longe de ser uma artista moralista, Lucrecia não lança um olhar sociológico ou histórico específico sobre a América do Sul colonial e a saga de Zama. Sua opção é pelo existencialismo. Ela constrói cenas de fabulosa dramaticidade, insemina significados e 1/4