Projeto Identidade

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Suplemento Especial Comemorativo aos 55 anos do Jornal Município Dia-a-Dia - Edição 01 - Fevereiro/2009

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Itajaí-Mirim Histórias de um rio que faz parte do nosso dia-a-dia


.01 | Itajaí Mirim 03

Bacia

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HISTÓRIA

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Nascente

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Agricultura

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Berço

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Afluentes

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Consciência

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Ação

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Botuverá / Ribeirinho

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Cristal

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Contaminação

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Captação

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Limpeza natural

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Pesca

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Memórias e alimentação

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Guabiruba

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Rio Vivo

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Chuvas

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Destruição

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CHEIAS

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Itajaí

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Foz

PROJETO IDENTIDADE

Jornal Município Dia a Dia Rua Felipe Schmidt, 31 - sl. 01 Centro - Brusque - SC Fone: (47) 3351-1980 www.municipiodiaadia.com.br municipiodiaadia@municipiodiaadia.com.br comercial@municipiodiaadia.com.br

Diretor: Cláudio José Schlindwein Editora-Chefe: Letícia Schlindwein Edição e redação: Guédria Baron Motta

(Palavra e Cia - Agência de Comunicação)

Fotografia: Maicon Schlindwein Projeto Gráfico e Diagramação: Paulo Morelli | Chess Design Gráfico Impressão: Gráfica Tipotil

Colaboradores e Agradecimentos: A primeira edição do projeto Identidade contou com o apoio e a informação de muitas pessoas. Para elas, que guardam conhecimentos tão importantes sobre Brusque, nossa gratidão e respeito: arquiteto e mestre em Engenharia Ambiental, Jorge Bonamente, escritor Saulo Adami, operador da Estação de Tratamento da Casan de Vidal Ramos, Leandro Gerônimo Lyra, secretária executiva do Comitê do Itajaí, Beate Frank, gerente regional da Epagri em Brusque, Edegar Becker, diretor da empresa Rio Vivo Engenharia Ambiental, Guilherme Ennes, relações públicas do Serviço Municipal de Água, Saneamento Básico e Infra-Estutura (Semasa) de Itajaí, Natália Simões Pires, Funcionário do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) de Brusque, Juliano Montibeller e o historiador Honório Bertoline.


BACIA

A Bacia (ou sub-bacia) Hidrográfica do Rio Itajaí-Mirim localiza-se nas coordenadas 26º53’17,1” e 26º56’05,1” Sul de latitude e 48º40’57,8” e 48º44’12,4” Oeste de longitude. O rio integra a Bacia Hidrográfica do Rio Itajaí, considerada a segunda maior do Estado, com 15 mil quilômetros quadrados. Desde a nascente até sua foz, o principal leito do Itajaí-Mirim tem cerca de 170 quilômetros e corta os municípios de Vidal Ramos, Botuverá, Brusque e Itajaí.


História

Da mesma forma que o Rio Itajaí-Mirim corta a cidade de Brusque, também é elemento indispensável da história do município. Foi desbravando suas águas que, em 1856, Pedro Werner chegou aqui, onde construiu um grande engenho de farinha. Quatro anos mais tarde (1860), com a chegada de 55 colonos alemães, provenientes do Grão Ducado de Baden, sul da Alemanha, foi fundada a “Colônia Itajahy”, dirigida por Maximilian von Schneeburg, futuramente denominada “Brusque”. Em documento preservado nos arquivos da Sociedade Amigos de Brusque (SAB) há dados fundamentais sobre o Mirim: “Pode ser navegado na extensão de ilha e meia por navios costeiros. Mais adiante, onde só pode ser usado por canoas e lanchas, por ser de pouca profundidade, ainda mantém seu curso calmo por horas, dobrando-se em inúmeros meandros”.


Vidal Ramos tem cerca de 7 mil habitantes e é lá, a 28 quilômetros do centro urbano do município, e a mais de 1 mil metros acima do nível do mar (na Serra dos Faxinais, localidade de Rio dos Portos), que surgem os primeiros filetes de água do Rio Itajaí- Mirim. Considerada bem público pelo benefício coletivo, a nascente emerge de um terreno particular, que pertence a uma empresa de celulose.

NASCENTE


AGRICULTURA

Na manhã de sábado, o agricultor Mário Hammes, 56 anos, e o filho Marcelo, 15, trabalham no terreno de casa, na localidade de Fazenda Bonita, em Vidal Ramos. Para oferecer preços competitivos ao mercado, pai e filho fazem uso do agrotóxico nas plantações de milho, feijão, cebola e fumo. A família, no entanto, torce pela eficácia das atuais experiências com produtos orgânicos, que não agridem o meio ambiente e, tampouco, poluem os lençóis freáticos. “Hoje, o que está matando o povo é o veneno”, analisa Mário.


BERÇO

Na frente da Prefeitura de Vidal Ramos, uma placa talhada em madeira, ressalta a vocação do município, como berço do Rio Itajaí-Mirim. A citação é meramente simbólica, já que a cidade não depende deste rio para o próprio abastecimento. Lá, a água que chega às casas e empresas é proveniente de uma região conhecida como Chapéu das Águas, cuja captação acontece no centro de Vidal Ramos. A escolha está diretamente ligada à qualidade dos mananciais, já que o Itajaí-Mirim sofre a interferência humana no início do seu curso, poluído com agrotóxicos utilizados nas plantações de fumo e cebola.


AFLUENTES

Os primeiros significativos afluentes do Rio Itajaí-Mirim estão ainda em Vidal Ramos. Santa Luísa e Garrafão (foto), no centro da cidade, são os principais mananciais que incorporam suas águas. Mas, antes de chegar ao seu destino final, o Itajaí-Açu, o Mirim ainda vai se encontrar com dezenas de outros rios e ribeirões.


Apesar de não depender das águas do Rio Itajaí-Mirim para abastecimento, os moradores de Vidal Ramos estão preocupados com sua preservação. Prova disso é que, desde 1997, eles integram o Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Itajaí, denominado simplesmente de Comitê do Itajaí, formado por 50 municípios com afinidades hidrológicas. A entidade é composta por organizações públicas e privadas, com um desejo em comum: preservar e orientar o uso consciente destas águas. O principal instrumento de trabalho é o Plano de Bacia, que está sendo construído desde 2005 e deve ser concluído em 2009.

CONSCIÊNCIA


AÇÃO

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Além de integrar a construção do Plano de Bacia, moradores de Vidal Ramos fundaram um programa de recuperação da mata ciliar, que consiste na plantação de árvores nativas nas margens e proximidades do rio, contribuindo para a conservação do leito. Os protagonistas do projeto são cerca de 600 crianças, matriculadas na Escola de Música Evaldo Böing. Enquanto alguns remexem a terra para o depósito da semente, outros impulsionam o trabalho com música, extraindo as mais belas notas do violino.


BOTUVERÁ

Em Botuverá, a interferência humana continua, sobretudo, pelo uso de agrotóxico nas plantações. A venda do produto é legal no Brasil, mas só pode ser efetivada mediante apresentação do receituário. Além disso, depois da utilização, o agricultor precisa devolver a embalagem no local de compra, impedindo que resquícios do agrotóxico continuem poluindo o meio ambiente. O grande risco trazido pela água contaminada não está ligado diretamente aos coliformes fecais e outros organismos. Isso é facilmente tratado com a dose certa de cloro e outros químicos. O que preocupa mesmo são os metais pesados, contidos nos agrotóxicos, nem sempre detectados em análises da água e que, no futuro, podem provocar doenças renais.

RIBEIRINHO

Chapéu de palha, roupa rasgada, alguns dentes de ouro e barro embaixo das unhas. Alício Nécio Lira, 77 anos, vive às margens do rio, na localidade de Barra da Areia, em Botuverá. Simpático e conversador, gosta de contar histórias sobre a colonização do lugar. Quando questionado sobre o rio, ele se recorda da época em que não era possível atravessá-lo sem um barco. Para Alício, o atual cenário, marcado pelo baixo volume de água, é apenas o resultado da interferência humana. 11


CRISTAL

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Cristalina é a primeira localidade banhada pelo Rio Itajaí-Mirim, em Brusque. Lá, a água chega sem tratamento, mas, mesmo assim, ainda é mais limpa do que quando deixa a cidade, rumo a Itajaí. No local, a composição apresenta resquícios de agrotóxicos e esgoto doméstico, provenientes das áreas rurais que corta, em Botuverá e Vidal Ramos.


Contaminação

Em Brusque, o primeiro ponto relevante de contaminação da água é o bairro Dom Joaquim, seguido por Rio Branco. As áreas, extremamente populosas, estão marcadas pela proliferação de loteamentos e grandes indústrias. A descarga para o crescimento urbano, neste caso, continua sendo o rio. De acordo com o Estudo de Regionalização Hidrológica, da Secretaria de Estado da Agricultura e Desenvolvimento Regional e do Comitê do Itajaí, o mesmo rio que abastece Brusque, também carrega expressivos índices de turbidez. Isto ocorre, sobretudo, pela densidade de urbanização e pelo elevado número de indústrias, além da excessiva quantidade de material suspenso e argilas, de origem natural.

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CAPTAÇÃO

A captação da água, que abastece 75% do município de Brusque, acontece no bairro Guarani. É lá que o Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) mantém o posto de trabalho, capaz de processar 1 milhão de litros por hora. O número corresponde a 0,9% da vazão do manancial e é o que movimenta a vida na cidade: desde o uso domiciliar até o funcionamento de grandes empresas.

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Limpeza natural

Na margem direita do Rio Itajaí-Mirim, próximo do ponto de captação do Samae, foram depositadas grandes pedras, responsáveis pelo processo de autodepuração da água. A carga orgânica trazida pelo manancial se choca contra a barreira e inicia a técnica de limpeza natural, através da oxidação.

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PESCA

Márcio Kreidlow, 34 anos, não se considera um exímio pescador. Vai até a margem do rio Itajaí-Mirim, no bairro Cristalina, apenas quando sobra tempo. Ali, solitário, ele já fisgou Carpa e Jundiá. “Faço apenas por prazer. O que pesco, distribuo entre os vizinhos”, afirma. Já Eris Gugihi, 48 anos, exibe com orgulho os primeiros peixes capturados por seu anzol, em uma tarde nublada de domingo, próximo da Ponte Estaiada Irineu Bornhausen. História de pescador ou não, ele garante que já viu amigos fisgarem Carpas de até 22 quilos, neste mesmo local. “Pesco apenas por prazer, mas não me alimento destes peixes que, possivelmente estão contaminados pela água”, analisa. Segundo o biólogo Fabrício Ulber, os principais peixes que habitam o Rio Itajaí-Mirim são Cascudo, Cará, Piava e Jundiá. Ainda podem ser encontradas Carpas e Tilápias que, apesar de não serem nativas, certamente se desprenderam de alguma lagoa e se reproduziram no local.

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Memórias e alimentação

O pescador João Pavesi, 48 anos, também não se alimenta dos peixes do Mirim. Mas isso não impede que ele passe horas em silêncio às suas margens, ansioso pela fisgada do anzol. Enquanto isso, lembra dos tempos de menino, quando tomava banho e bebia a água direto do leito, sem qualquer tratamento. “Hoje, dá medo até de entrar”, brinca. O amigo Fábio Luchini, 40 anos, mais conhecido como Pelé, diz que já experimentou os peixes destas águas. “Mal não faz. Nem ganhei dor de barriga”, ressalta, aos risos. E para os audaciosos, ele dá a dica de preparo: “É só limpar o peixe com limão, tirar a pele e colocar na brasa”, completa.

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GUABIRUBA

Cerca de 500 metros depois do ponto de captação de água do Samae, o Itajaí-Mirim se encontra com o Rio Guabiruba. O córrego vizinho chega em Brusque sem nenhum tratamento de efluentes e, por conseqüência, é mais poluição lançada no leito. O peso industrial começa a aparecer e a carga maior de poluição está atrelada à ocupação urbana e à falta de tratamento de esgoto sanitário de efluentes domésticos, cujo tratamento primário (quando existe) é feito por fossas e filtros, para posterior despejo nos cursos secundários e na rede de drenagem pluvial, que conduz ao Itajaí Mirim. Outro fator de poluição relevante são os efluentes industriais, resultado principalmente daquelas atividades que utilizam água em seu processo produtivo e que os lançam tratados ou in natura, agravando o quadro poluidor.

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RIO VIVO

O nome da empresa de engenharia ambiental, localizada no bairro Steffen, é bastante sugestivo para quem deixa, todos os dias, 50 toneladas de resíduos sólidos para trás. Ali são tratadas águas vindas de 16 empresas brusquenses, em uma rede de 34 quilômetros. Além disso, outros 30 empreendimentos menores também canalizam seus recursos hídricos para lá. Depois de passar por tratamentos biológicos, químicos e físicos, a água volta ao Rio Itajaí-Mirim. Já as toneladas de lodo seguem para o aterro sanitário da empresa, construído na rodovia entre Brusque e Gaspar. De acordo com levantamento da prefeitura, existem atualmente na cidade 39 estamparias, 16 tinturarias e 15 lavanderias.

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CHUVAS

Em novembro de 2008, Brusque e região demonstraram o quanto ainda são frágeis diante das intempéries naturais. Choveu muito. A estação meteorológica da Epagri/FURB localizada em Blumenau, por exemplo, registrou em torno de 1.000mm (equivalente a 1.000 litros/m²), para uma média climatológica mensal de 150mm. No mesmo local, o recorde até então era de 2006, quando o número obtido chegou a 167,2mm. Já o máximo que a Agência Nacional de Águas (ANA) havia registrado na região era de 281,8mm, em novembro de 1961. De acordo com dados da Defesa Civil de Brusque, a destruição poderia ser maior, caso o volume de água aumentasse na cabeceira do Mirim, em Vidal Ramos. Desde a nascente, são quase oito horas de percurso até Brusque, onde a estação telemétrica da Defesa Civil, instalada na Praça dos Imigrantes de Karlsdorf, chegou a marcar vazão de nove metros e meio.

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Segundo relatório da Defesa Civil de Brusque, as chuvas de novembro atingiriam 94.962 habitantes, ou seja, todos os moradores de Brusque. Quem não teve a casa invadida por água ou qualquer dano provocado pelos deslizamentos de terra, permaneceu durante determinado tempo isolado, sem água, luz e telefone. Até o início de janeiro de 2009, a Defesa Civil do município cadastrou 3.840 pessoas desalojadas, 645 desabrigados, 56 pessoas levemente feridas, 10 gravemente feridas e uma morte.

Destruição

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CHEIAS

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A primeira grande enchente, que destruiu casas e plantações em Brusque, aconteceu em 7 de outubro de 1862, quando o barão Maximilian von Schneéburg relatou em carta, ao Governo do Estado, que as águas do Mirim haviam subido 25 palmos. Dois anos mais tarde, uma nova cheia provocou prejuízos ainda maiores. Em setembro de 1880, Brusque permaneceu três dias inundada, embora a enchente mais violenta tenha sido registrada em 1911. Também foram registradas cheias em 1961, 1983, 1984, 2001 e 2008.


Simplesmente reto, a ponto de se perder de vista. Na década de 1960, quando as sinuosidades que compunham o leito original do Rio Itajaí-Mirim passaram a ocasionar constantes enchentes na região, um trecho de 12 quilômetros foi retificado e aumentou a vazão na área urbana de Itajaí. Hoje, é exatamente neste percurso que acontece a captação da água, feita pelo Serviço Municipal de Água, Saneamento Básico e Infraestrutura (Semasa), a 4,5 quilômetros acima da desembocadura do Mirim no rio Itajaí-Açu. A empresa abastece toda a população de Itajaí e Navegantes (cerca de 220 mil habitantes).

ITAJAÍ

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FOZ

Depois de percorrer 170 quilômetros e se encontrar com dezenas de efluentes, o Itajaí-Mirim chega ao seu destino final: as águas do Itajaí-Açu. A foz é visível e facilmente identificada, através da ponte construída na rua Reinaldo Schmitthausen, em Itajaí. A montante dessa ponte, corre o Itajaí-Mirim e, a jusante da ponte, o Itajaí-Mirim deságua no Itajaí-Açu.

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