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ESCOLIOSE EM FOCO
Associado, você sabe o que é escoliose? De acordo com Eleonora Freitas de Paula, associada do Paineiras que trabalha como especialista em Deformidades da Coluna na Barcelona Scoliosis Physical Therapy SchoolBSPTS, escoliose é um termo genérico, que engloba um grupo heterogêneo de desvios da coluna vertebral. A imagem característica que se vê em um exame de raio X, é uma curva em ”S” ou em “C”.
“Esta alteração é causada pelo fenômeno conhecido por “torção mecânica e geométrica”, que modifica a imagem retilínea vista em uma coluna alinhada, por uma imagem de coluna torcida trazendo assimetrias não só para o eixo da coluna, bem como para o tronco e tórax, o que afeta a postura como um todo”, detalha a fisioterapeuta, que também é sóciafundadora da Clínica Elth, além de atuar como fisioterapeuta da USP e especialista em Gerontologia na UNIFESP.
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Detectando O Problema
Segundo Eleonora, outra forma de detectar a escoliose é o exame de flexão anterior do tronco ou Teste de Adams, teste padrão ouro que é feito em consultório por profissionais treinados. “O teste nos mostra as possíveis assimetrias do tronco, como costelas mais proeminentes de um lado e mais planas do outro”, indica.
Entretanto, a fisioterapeuta aponta que existem sinais que sugerem desvios de coluna. Ela sugere que pais e familiares fiquem atentos a assimetrias como: ombros desnivelados, escápulas assimétricas ou cinturas mais marcadas de um lado do que de outro. ”A avaliação clínica tem enorme valor na confirmação deste diagnóstico, pois podemos visualizar se há ou não rotações no tronco da pessoa, sendo de vital importância para um diagnóstico diferencial”, acrescenta.
Dentre os vários tipos de escolioses a mais comum é a escoliose idiopática (cerca de 80%), sendo esta a mais frequentemente encontrada entre os adolescentes.
A Import Ncia Do Diagn Stico Precoce
Eleonora explica que a escoliose idiopática pode se desenvolver em qualquer momento durante a infância ou adolescência e aparece mais comumente nos períodos de picos de crescimento. O período mais acelerado de crescimento, conhecido por “estirão de crescimento”, se dá na puberdade, entre 11 e 14 anos de idade. “Quanto mais cedo a escoliose for diagnosticada, mais rapidamente é possível atuar na tentativa de barrar a progressão da curva e evitar que esta chegue em níveis cirúrgicos”, enfatiza.
Para que o diagnóstico aconteça precocemente, é fundamental que a avaliação seja feita por profissionais especializados em deformidades da coluna, como médicos ortopedistas e fisioterapeutas. “Eles podem diferenciar entre uma escoliose funcional, ou seja, aquela causada por uma má postura e gerada por maus hábitos ou fraqueza muscular, de uma escoliose estrutural”, exemplifica a fisioterapeuta.
Tratando A Escoliose
Após o diagnóstico e as devidas confirmações, é hora de partir para o tratamento. As opções podem seguir dois caminhos: o conservador ou cirúrgico. “O tratamento conservador oferece os exercícios fisioterapêuticos específicos para escoliose associado ou não ao uso de coletes. A cirurgia é escolhida quando por um consenso entre médico e família, conclui-se que a qualidade de vida e saúde pode ser afetada a médio ou longo prazo. Para a cirurgia leva-se em consideração alguns critérios clínicos, radiológicos e psicológicos”, descreve Eleonora.
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Fisioterapia Espec Fica
Já no tratamento conservador, a fisioterapia específica tem um papel fundamental para se alcançar esses objetivos, principalmente na manutenção da qualidade de vida e correção estética do paciente.
“Os exercícios podem estar ou não associados ao uso de coletes para correção da curva. Para isso usamos uma rotina de exercícios corretivos que trabalham com posturas específicas e usa do mecanismo respiratório para remodelar o corpo de forma ativa”, esclarece a fisioterapeuta.
Eleonora explica que, nesse tipo de tratamento, o paciente é ensinado, pouco a pouco, a se tornar autônomo para com os cuidados de seu próprio corpo e coluna e assim, desde cedo, o papel coparticipativo já é estimulado.
“Podemos dizer que o paciente e sua família são o centro do tratamento, pois buscamos sempre um modelo de trabalho integral que engloba uma visão biopsicossocial”, destaca.
Atualmente, há sete escolas reconhecidas pela Sociedade Científica Internacional de Ortopedia, Tratamento e Reabilitação em Escoliose - SOSORT que atuam especificamente em escoliose.
Dentre elas, está a BSPTS - Conceito Rigo, onde Eleonora trabalha. Manuel Rigo, médico e pesquisador, desenvolveu a avaliação clínica com correspondência radiológica, que possibilita uma classificação de tipos e subtipos de curvas, contribuindo enormemente para o avanço do tratamento.
Segundo a Organização Mundial de Saúde - OMS a escoliose acomete 3% da população de 0 a 18 anos. O chamado Junho Verde é o mês de conscientização sobre a patologia. “É importante trazer luz ao tema, já que a informação facilita o diagnóstico precoce e permite o encaminhamento para o tratamento mais adequado”, finaliza Eleonora.
É importante saber que a escoliose, acima de tudo, é uma condição benigna, ou seja as pessoas com escoliose podem ter uma vida normal: estudar, praticar esportes, casar, ter filhos. O importante é um diagnóstico preciso e um encaminhamento correto.