Semmais 29 agosto 2015

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Sábado 29 | Agosto | 2015

Diretor Raul Tavares Semanário | Edição 867 | 9ª série Região de Setúbal Distribuído com o Expresso Venda interdita

CERIMÓNIA DE ORDENAÇÃO DO NOVO BISPO VAI REPETIR A DE HÁ QUARENTA ANOS O novo bispo de Setúbal, D. José Ornelas Carvalho, vai ser ordenado a 25 de Outubro, numa cerimónia que se realizará na Sé Catedral, onde o primeiro prelado sadino, D. Manuel Martins, deu corpo à criação da Diocese. A grande incógnita está em saber se D. Gilberto Canavarro dos Reis permanecerá em terras de Setúbal ou se seguirá para o norte, de onde é oriundo.

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O presidente da Secção Sul da Ordem dos Enfermeiros, Alexandre Tomás, alerta ao Semmais para a «elevada carência» de profissionais na região, que diz ser a «mais afetada do país». E afirma que no que diz respeito ao Litoral Alentejano é preciso fazer uma grande aposta nos cuidados domiciliários.

Cerca 25 por centos dos alunos que estudam no distrito chumbaram ao desistiram de estudar, colocando a região entre as que mais exibiram rácios de insucesso escolar entre 2009/2010 e 2012/2013. É no 12.º ano que se registam maiores dificuldades, com percentagens alarmantes acima dos 40 por cento.

ENFERMEIROS ARRASAM SITUAÇÃO DO SETOR NO DISTRITO

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ALUNOS DA REGIÃO NO TOPO DOS CHUMBOS E DESISTÊNCIAS

ESPECIAL VINDIMAS PÁGINAS 14 A 19

Arranca a 3 de Setembro a 53.º edição das Festas das Vindimas, um dos eventos mais consagrados do distrito e que arrasta multidões. Com um orçamento de cerca de 180 mil euros, a presidente da associação promete algumas alterações, sem perder de vista a grande tradição dos festejos.


ABERTURA D. GILBERTO CANAVARRO DOS REIS JÁ SÓ ESTÁ EM ‘GESTÃO’ E NÃO SE SABE SE FICA OU SE PARTE PARA O NORTE, DE ONDE É ORIUNDO

Cerimónia de ordenação de D. José Ornelas Carvalho vai repetir a de há quarenta anos atrás Semmais uma fonte ligada à Igreja sadina. E assim é, D. José Ornelas Carvalho é especialista em Ciências Bíblicas, com o grau de doutor em Teologia Bíblica pela Universidade Católica Portuguesa, onde chegou a ser um proeminente docente, entre 1983-1992 e 1997-2003. A missão em África que ficou pelo caminho havia sido solicitada a seu pedido, uma vez que o bispo português pretendia continuar a sua missão pastoral onde sentia, segundo a mesma fonte, «mais necessidade» de intervir.

Era uma nomeação esperada e o nome do novo bispo de Setúbal foi bem aceite. D. José Ornelas Carvalho, tem 61 anos de idade e era o antigo superior geral dos Dehonianos. A grande incógnita é se D. Gilberto Canavarro dos Reis regressa ao norte ou fica por cá. E a ordenação vai repetir a cerimónia de há 40 anos atrás.

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dia 24 de Agosto marcou o ‘fumo branco’ na escolha do novo bispo da diocese de Setúbal, após a renúncia de D. Gilberto Canavarro dos Reis, que resignou, ao abrigo do Direito Canónico, por limite de idade, a 27 de Maio, conforme o Semmais anunciou em primeira mão. E espera-se um «bom sinal» com a cerimónia de ordenação aprazada para 25 de Outubro que, segundo apurou o Semmais, «vai repetir a que se reali-

A incógnita sobre se D. Gilberto fica ou vai para o Norte

zou há quarenta anos, quando o primeiro bispo de Setúbal, D. Manuel Martins, tomou posse do cargo, em plena Catedral de Setúbal. A escolha do Papa Francisco, comunicada pela Nunciatura Apostólica, em Lisboa, embaixada do Vaticano, recaiu sobre D. José Ornelas Carvalho, um religioso oriundo da Madeira, com 61 anos de idade. Esteve na calha para uma missão em terras africanas, mas foram-lhe trocadas

as voltas. É o próprio que conta na sua primeira mensagem aos cristãos sadinos. “O Papa Francisco, que tive ocasião de encontrar pessoalmente, mudou estes planos, quando me deu a alegria de encontrá-lo e disse-me: “Não te imponho, mas peço-te que vás para como bispo para Setúbal… mas irás como missionário, a Europa tem necessidade de redescobrir a sua missão missionária. E aqui estou, para assumir convosco esta

missão eclesial”, escreveu D. Ornelas Carvalho. O novo bispo foi Superior Geral dos Dehonianos, Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus e foi ordenado padre no Porto de Santa Cruz, Madeira, a 9 de Agosto de 1981. «É um teólogo e docente com muita experiência, vem acrescentar valor ao que o Papa Francisco pretende com esta nova dimensão eclesial para a Diocese e para a Europa», disse ao

DIOCESE CRIADA HÁ QUARENTA ANOS COM 55 COMUNIDADES LOCAIS A diocese de Setúbal foi criada há 40 anos, através da bula (documento oficial) “Studentes Nos”, por Paulo VI. Segundo dados recentes, a população católica da região está distribuída por 55 comunidades paroquiais, tendo a diocese uma superfície de 1500 quilómetros quadrados e 717 mil habitantes, em nove concelhos, que corresponde à Península de Setúbal e exclui os quatro concelhos do distrito pertencentes ao litoral alentejano. Abrange ainda três parcelas que integram a paróquia da Comporta, uma parcela da freguesia de Santa Maria do Castelo, ambas pertencentes ao concelho de Alcácer, e Tróia, pertencente à freguesia do Carvalhal, concelho de Grândola.

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Ainda sendo cedo para perceber a dimensão e o cariz que o novo bispo quer imprimir em terras de Setúbal, para já fica certo a sua vontade de querer continuar a contar com os seus dois antecessores, D. Manuel Martins, fundador da Diocese em 1975, que exerceu o magistério até 1998, num período de grande turbulência política e social, e D. Gilberto Canavarro dos Reis, nomeado bispo no mesmo ano até à data. «É uma postura de louvar, porque vai certamente manter um rumo e um conhecimento mais adequado do que é a nossa diocese e preparar o seu caminho e o seu futuro», explicitam fontes ligadas à Diocese. Para já a grande incógnita é o que vai fazer D. Gilberto Canavarro dos Reis. Numa entrevista recente ao Semmais, o bispo dizia ter vontade de regressar ao norte, sua zona de origem, mas pode muito bem ficar por cá. «Um bispo é bispo para sempre e tem três missões específicas: a de ensinar, santificar (presidir a liturgias) e a de governar, pelo que só a última ficou comprometida com a sua sucessão», explicam as mesmas fontes. Até 25 de Outubro, D. Gilberto, agora bispo emérito, permanece na diocese apenas como uma espécie de gestor, à espera da chegada do novo administrador-apostólico, o seu sucessor D. José Ornelas Carvalho.

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SOCIEDADE ALEXANDRE TOMÁS PRESIDENTE DA SECÇÃO SUL DA ORDEM DOS ENFERMEIROS, EM ENTREVISTA, FAZ ALERTAS URGENTES

Região precisa de mais enfermeiros para garantir cuidados domiciliários

O alerta parte do presidente da Secção Sul da Ordem dos Enfermeiros, Alexandre Tomás, após a jornada de luta que marcou o mês de agosto entre os profissionais do sector: há concelhos na região de Setúbal que não têm enfermeiros suficientes para pôr em marcha os cuidados domiciliários que a população mais envelhecida precisa. Eis uma das reivindicações que esteve em foco durante os protestos dos enfermeiros das unidades de saúde do distrito. ENTREVISTA ROBERTO DORES FOTOS SM

A contestação dos profissionais tem subido de tom. Quais são as principais lacunas? Temos que ser pragmáticos. Os serviços estão com uma elevada carência de enfermeiros e esse é um dado que apurámos na zona Sul do País. No distrito de Setúbal o Litoral Alentejano é o mais afetado, tratando-se de uma preocupação que percorre toda a região, com uma carência efetiva de profissionais. Isso faz com que alguns direitos dos trabalhadores possam não estar a ser garantidos. A prestação de cuidados de saúde à população sai muito afetada?

Sobretudo, entre a população com mais necessidades de cuidados de saúde. À medida que as equipas vão estando mais carenciadas, mais dificuldades vão tendo para responder às necessidades dos utentes.

munidade dos centros de saúde que estão descapitalizadas.

E qual é a realidade neste distrito?

Sim, porque não é um centro urbano, onde o tempo de deslocação é totalmente diferente. O Alentejo tem muita população isolada, que é carenciada. Era preciso um sistema de saúde que apostasse nas equipas de intervenção comunitária no apoio domiciliário, com enfermeiros e enfermeiros especialistas.

Mais uma vez o Litoral Alentejano tem um conjunto de características que são muito próprias, porque a população está cada vez mais envelhecida, carenciada e muito dispersa. Nós precisávamos de fazer uma aposta muito importante nos cuidados domiciliários, mas está complicado, devido à falta de enfermeiros. As unidades que têm essa responsabilidade são, sobretudo, unidades de cuidados na co-

Ou seja, sendo uma região com características próprias, o Litoral Alentejano precisava de medidas muito concretas?

Mas nem há a perspetiva dessa aposta vir a ser feita? Para já não foi feita, além de que nós sentimos que a região

tem unidades hospitalares que também têm dificuldade em fixar os profissionais. A região tem ainda uns cuidados de saúde primários com dificuldade em responder a toda a população. É uma situação que muito nos preocupa. Ou seja, não é abusivo dizer-se que está criado um clima de grande descontentamento? Sim, claro. Temos que ter a noção de que há um conjunto de alterações que ocorreram na administração pública nos últimos anos devido ao resgate da troika. Estamos a falar do congelamento na progressão nas careiras, estamos a falar na alteração de 35 para 40 horas. São questões que em algumas profissões, particularmente na

enfermagem, têm as suas particularidades. Pode dar exemplos dessas especificidades? Um enfermeiro que está a fazer 35 horas e passa a fazer 40 não está só a fazer mais uma hora no seu dia de trabalho. Ele passa a ter menos uma folga por semana, porque, somando as horas, vai trabalhar mais um dia. Quando são aplicadas medidas a toda a administração pública de forma cega, isso depois tem impacto nos serviços. Nós, que estamos nos serviços, vemos que as pessoas têm mais necessidades e não temos os recursos para poder acudir a tudo o que é solicitado. E isto foi sendo progressivamente mais grave.

SECRETÁRIO DE ESTADO ADJUNTO DO MINISTRO DA SAÚDE INAUGUROU NOVA UNIDADE NO HOSPITAL DE AZEITÃO

Hospital Nossa Senhora da Arrábida ganha camas para cuidados paliativos

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secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa, inaugurou, terça-feira, a unidade de cuidados continuados do Hospital Nossa Senhora da Arrábida, em Azeitão. A unidade hoje inaugurada pelo governante faz parte da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados e da Rede de Cuidados Paliativos, tendo entrado ao serviço em Abril passado. O Hospital Nossa Senhora da Arrábida disponibiliza 42 camas nas valências de cuidados palia-

tivos, cuidados de média duração e recuperação e cuidados de longa duração e manutenção, ajudando a colmatar uma grande carência existente na Região de Lisboa e Vale do Tejo, neste setor. O Hospital do Grupo Visabeira e da Misericórdia de Azeitão, inaugurado em Abril de 2014, possui um total de 101 camas, um centro de fisioterapia de excelência e uma equipa multidisciplinar altamente qualificada, disponibilizando consultas de ambulatório com dezenas de especialidades médicas.

Para além de receber utentes externos, a unidade de saúde serve de retaguarda aos utentes das Residências Assistidas, um projeto único do género a nível nacional O Hospital Nossa Senhora da Arrábida e as Residências Assistidas Porto Salus, cujo investimento rondou os 23 milhões de euros, resultam de uma parceria entre o Grupo Visabeira e a Santa Casa da Misericórdia de Azeitão, constituindo uma das mais recentes apostas do grupo empresarial no setor sénior e da saúde.

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SOCIEDADE AUTARCAS, MORADORES E AUTOMOBILISTAS QUEREM VER SE É DESTA QUE A REQUALIFICAÇÃO DA VIA AVANÇA E CHEGA AO FIM

Obras voltaram à estrada entre Sines e Santo André após cinco anos de luta e de protestos Após um impasse de cinco anos, as máquinas voltam a avançar. O presidente da Câmara de Santiago do Cacém, Álvaro Beijinha aplaude, mas lamenta não ter sido informado. Os protestos, agora, podem recuar. TEXTO ROBERTO DORES FOTOS SM

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s obras foram retomadas na Estrada Regional (ER 261-5), entre Sines e Vila Nova de Santo André e na Autoestrada 26, após um impasse de quase cinco anos, segundo avan-

çou a empresa Infra-estruturas de Portugal (IP), ex-Estradas de Portugal. No terreno voltou a haver movimento de máquinas, como documenta a fotografia, mas os polémicos pinos que separam as vias continuam por lá, enquanto a sinalização vertical se mantém coberta por plásticos. Alguns já degradados.

Daí que autarcas, moradores e automobilistas afirmem que o reinício das obras é positivo, apesar de coincidir com a época de férias, o que implica mais movimento na estrada, mas querem ver se é desta que a requalificação da via chega ao fim. Ao longo destes anos de impasse somam-se os relatos de

automobilistas que levaram pinos pela frente, com ultrapassagens arriscadas, tendo as obras sido suspensas em 2011 por falta de financiamento. Não faltaram manifestações e até recurso aos tribunais, mas a falta de verbas impediu o recomeço dos trabalhos. Perante o regresso das máquinas à estrada, Álvaro Beijinha, presidente da Câmara de Santiago do Cacém, assume a notícia como «positiva», embora lamente não ter sido informado oficialmente do retomar das obras. «A constatação foi feita pela câmara no terreno e a partir de um contacto do presidente da autarquia com a empresa que está a executar a obra», diz. Há cerca de dois anos, recorde-se, o atual Governo ainda chegou a anunciar ter negociado com as Estradas da Planície (concessionária da via) a conclusão dos troços entre Santo André e Sines, entre Sines e Relvas Verdes (Santiago do Cacém), até ao troço de Santa Margarida (Ferreira do Alentejo).

Lanços existentes vão manter conservação corrente Ao Semmais a empresa Infra-estruturas de Portugal garante que «as obras na A26/IP8 integrada na subconcessão do Baixo Alentejo já foram reiniciadas». Já quanto aos lanços existentes, assume que «a subconcessionária mantém a sua conservação corrente, de acordo com estipulado no contrato de subconcessão». Já este ano uma manifestação de 350 automóveis tinha exigido a retirada dos pinos da via, através de uma marcha lenta. «Há trinta anos que utilizamos esta estrada e nunca tivemos problemas. Agora que colocaram estes pinos começaram os acidentes», sublinhou o porta-voz do movimento Nuno Damas. A morte trágica de um motociclista duas semanas antes levou os utentes a agudizar os protestos. Foi a segunda marcha lenta no espaço de um ano que havia de provocar uma fila superior a três quilómetros e que serviu ainda para homenagear o jovem que perdeu a vida num despiste.

Paróquia de Nossa Senhora da Conceição inaugura Clínica Social Dentária Projeto de intervenção social pretende que os mais carenciados voltem a sorrir. A iniciativa conta com 32 dentistas voluntários e o consultório deverá abrir portas em setembro.

TEXTO CAROLINA BICO FOTOS SM

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paróquia de Nossa Senhora da Conceição em Setúbal inaugurou a sua primeira clínica social dentária. O projeto de intervenção social partiu das elevadas carências de higiene oral dos paroquianos detetadas pelo pároco Constantino Alves. A sessão solene de inauguração iniciou-se com a atuação do gru-

po Coral Mãos Dadas, que interpretou vários temas alentejanos. Em seguida, a cerimónia prosseguiu com o discurso de abertura do grande impulsionador do projeto, o pároco Constantino Alves, que frisou que o objetivo será «lutar pela dignidade da pessoa humana numa cultura de indiferença, que não deixa os mais pobres sorrir». Nesse sentido, o projeto será aberto a todos os que preencham os requisitos em termos de rendimento social de inser-

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ção, sendo «uma clínica de intervenção social e não uma almofada do poder», explicou o líder do projeto. Na sua comunicação, o sacerdote alertou ainda para os problemas associados à falta de cuidados dentários, como a falta de autoestima e as dificuldades no acesso ao mercado de trabalho, que considera serem minimizados com a abertura da clínica. As prioridades nesta primeira fase serão a educação dos beneficiários para a saúde oral e a

prestação de serviços de qualidade oferecidos por um corpo de 32 voluntários orientados pelo cirurgião José Rafael, diretor clínico do consultório médico. De acordo com as palavras de Eugénio da Fonseca, presidente da Cáritas, «nós almejamos um mundo diferente, mas é preciso que alguém se assuma como um condutor da justiça», felicitando o sacerdote pelo projeto. Já para Pedro Pina, vereador da cultura da Câmara Municipal de Setúbal (CMS), «o executivo au-

tárquico não podia deixar de se congratular por esta ação tão arrojada e pela qual tantas pessoas se solidarizaram». D. Gilberto Canavarro dos Reis, bispo de Setúbal deixou ainda o apelo para que «o Serviço Nacional de Saúde e o Governo olhem para estas ‘feridas’ da sociedade e encontrem políticas ajustadas aos mais pobres». O final da inauguração destinou-se à visita às instalações da nova clínica, seguido de um lanche de convívio.


SOCIEDADE SITUAÇÃO É PREOCUPANTE, COM 25 POR CENTO DOS ALUNOS INSCRITOS NO SECUNDÁRIO SEM CONCLUÍREM OS TRÊS ANOS DE ESCOLARIDADE

Setúbal é o distrito onde mais alunos chumbam

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Um quarto dos alunos da região, chumbaram ou desistiram de estudar entre 2009/2010 e 2012/2013, colocando o distrito entre os que registam maior insucesso escolar. E é no 12.º ano que se colocam as maiores dificuldades, com reprovações acima dos 40 por cento.

s 25% de alunos que chumbaram ou desistiram de estudar no ensino secundário no distrito de Setúbal, entre 2009/2010 e 2012/2013, colocam a região entre as que exibem o maio insucesso escolar, apenas ao lado do Bragança e Faro, de acordo com os dados oficiais agora divulgados pelo Ministério da Educação e Ciência. É no 12º ano que se registam mais dificuldades, com o distrito a exibir dados preocupantes, atingindo uma média de reprovações de 41%, ficando Faro em segundo lugar com 40%, enquanto a média nacional se fixou nos 35 pontos percentuais Somando as médias dos municípios, conclui-se que os 25% dos alunos do secundário inscritos em cursos cientifico-humanísticos da região não conseguiram fazer os três anos de escolaridade no tempo previsto, ficando três pontos acima da média do país relativamente à taxa de retenção ou desistência. Uma taxa que mostra a percentagem de alunos que não transi-

ta para o ano seguinte, misturando os casos de quem reprova com aqueles que anulam a matrícula, por várias razões, como desistirem de estudar ou abandonar o país. A Escola Secundária da Baixa Banheira, no Vale da Amoreira (Moita) está entre os estabelecimentos de ensino que apresentam resultados mais negativos no país, com 47% de retenções ou desistências entre 10º, 11º e 12º anos, sendo que só no 12º a percentagem sobe para os 61%, remetendo a escola para a quarta pior classificação de Portugal, apenas atrás de dois estabelecimentos da Amadora e um de Lisboa. Ainda assim, relativamente apenas ao ano letivo de 2013 e 2014, o mais atual, os dados disponíveis no site www.infoescolas. mec.pt, os resultados a Matemática até estão nos 25 % melhores do país, registando uma progressão superior à média nacional, sendo que em Matemática a região consegue igualar a média nacional, depois de em 2011 e 2012 estar uns furos abaixo.

Olhando para a evolução ao longo dos três anos percebe-se que os alunos têm algumas dificuldades quando chegam ao 10º ano (17% dos estudantes não passam ou desistem), mas no 11º ano a situação melhora um pouco (taxa de retenção é de 13%). No entanto, nos últimos anos, o insucesso escolar no 10º ano diminuiu (de 18% para 16%), mas no 11º ano verificou-se a tendência oposta, com a taxa de retenção a subir de 12% para 14%. Região fora dos testes ao municipalismo na educação O distrito de Setúbal não tem qualquer concelho entre os 15 municípios portugueses que aceitaram assumir a área da educação, no âmbito da assinatura dos contratos intermunicipais de delegação de competências. Um tema que está a gerar muita polémica no país, tratando-se de um projeto-piloto em que cada autarquia recebe as verbas calculadas em função das despesas com a educação nos respetivos agrupamentos escolares em 2014.

Às verbas publicadas em Diário da República acrescem ainda os fundos comunitários a que as autarquias se podem candidatar, naquilo que são os chamados ajustamentos à despesa real. Se algumas das câmara pretender reduzir as despesas com a educação, será também financiado 50% dessa redução. No âmbito deste projeto-piloto que agora avança na educação, as câmaras ficam encarregues das áreas de políticas educativas, administração educativa, gestão e desenvolvimento do currículo, organização pedagógica e administrativa, ­ gestão de recursos e relação escola- comunidade. Entre outras despesas, com as verbas atribuídas, os municípios pagam os salários ao pessoal não docente e gerem as infraestruturas das escolas. Uma das competências atribuídas pelo Ministério da Educação e Ciência às autarquias é a contratação de pessoal docente para projetos educativos de carácter local.

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SOCIEDADE CEIA DA SILVA LIDEROU PÉRIPLO PELAS PRAIAS DO LITORAL ALENTEJANO NUMA INICIATIVA INÉDITA

Operação charme nas praias do litoral agradece vinda de mais turistas A Turismo do Alentejo andou pelas praias do litoral numa operação de charme. O presidente Ceia da Silva, acompanhado por autarcas, foi o rosto da acção, de distribuição de chapéus-de-sol com a marca da região. Um êxito, a testemunhar um novo perfil de turista. TEXTO ANABELA VENTURA FOTOS SM

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stá ainda ali um caixa», atira Ceia da Silva para um colaborador da Turismo do Alentejo, à entrada da praia do Carvalhal, concelho de Odemira, uma das mais belas de Portugal, naquela que foi a última acção de distribuição de chapéus-de-sol com a marca da região. A comitiva é curta. Apenas operacionais e a presença especial do presidente da câmara, José Alberto Guerreiro, que vai acompanhando o passo mais acelerado de Ceia da Silva. Parece que está em campanha

eleitoral, mas não desse tipo: «Isto tem sido fantástico e as redes sociais têm tido um impacto brutal, veja que algumas pessoas até já estão à nossa espera», explica ao Semmais. No areal, prendido pela falésia do Parque Natural, já se nota o azul forte dos ‘brindes’ que se espraiam por entre os turistas. Os dois presidentes criam ambiente, conversam com os banhistas e tiram fotos. «O que queremos dizer às pessoas não é propriamente que venham ao Alentejo, mas sim agradecer-lhes por terem vindo. E isso faz a diferença nesta acção de charme», acentua o líder do Turismo do Alentejo.

Planos operacionais prontinhos já em Outubro A iniciativa, arrancada da cabeça de líder do turismo alentejano, é a primeira do género e «vai continuar», sugerem alguns colaboradores, que confirmam a adesão dos turistas e o sucesso da jornada. Mas Ceia da Silva tira outras conclusões. «Com esta iniciativa e pela forma como decorreu quase que podíamos fazer o perfil do turista que nos procura atualmente, e a mudança é clara, pela voz dos responsáveis pelos apoios de praia, restaurantes e unidades hoteleiras: mais exigente, bem informado, com maior poder de compra e com

mais tempo de estadia. E muitos espanhóis e franceses», informa o presidente da Turismo do Alentejo. São dados relevantes para que alinhavar as bases dos planos operacionais que serão apresentados já em Outubro ou para acrescentar colorido ao marketing territorial e de destino que a região de turismo tem perseguido. «Na verdade, como sempre digo, o caminho faz-se caminhando, passo a passo, para continuarmos a cimentar a excelência e a qualidade, não queremos é a massificação, nem jamais permitiremos isso, no que depender das nossas capacidades e competências», sustenta o presidente.

PRESIDENTE DE ODEMIRA ATRIBUI FATIA DE CRESCIMENTO AOS AGENTES DO TURISMO O presidente da Câmara de Odemira, José Alberto Guerreiro, enaltece a iniciativa de Ceia da Silva e diz que «o Alentejo não é só interior». O autarca, que reafirma o crescendo de turistas no seu concelho, está ao lado das entidades do turismo no sentido da promoção de «uma estratégia integrada de valorização deste litoral, com praias magníficas e em contacto direto com a natureza, num parque natural com circuito pedonal único». Para o edil, tanto a entidade regional como a agência de turismo do Alentejo têm feito «um trabalho excelente», em programação, preparação da gestão dos fundos comunitários e na internacionalização do mercado. «O crescimento do nosso destino tem muito a ver com a experiência destes profissionais, ao lado das autarquias e dos agentes económicos», afirma o edil. No caso de Odemira, estão a ser resolvidos atrasos na concretização do Polis mas, segundo José Alberto Guerreiro, «dentro de um ano ainda estaremos mais preparados e qualificados para continuar a receber os nossos turistas».

Gastronomias Atlânticas na marginal de Sines para turista ficar com água na boca

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avenida atântica de Sines recebeu, entretanto, a primeira edição do “Gastronomias Atlânticas”, promovida pela Turismo do Alentejo, em parceria com a câmara municipal. A iniciativa contemplou a realização de showcookings com chefs de renome, degustações gastronómicas, provas de alguns dos melhores vinhos da região e a exposição e venda de produtos endógenos, como por exemplo queijos, enchidos, doces conventuais, licores ou compotas. Ceia da Silva, o presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo/Ribatejo fez questão de salientar a importância do evento virado para os produtos regionais. «É o primeiro a realizar com este sinal atântico em todo o país. O turismo não é de

monoproduto, tem outras componentes fortes, como este da nossa gastronomia, pelo que não fazia sentido que olhássemos para esta costa, que tanto nos dá». Para além, do peixe e mariscos, estiveram presentes o mel, as compotas, as ervas aromáticas tão características da zona. Para Ceia da Silva é orgulho verificar que há dois anos apenas «existiam pouco mais de cem pequenas empresas nestes nichos em todo o litoral e agora são 260». O presidente anunciou ainda a edição e apresentação de um “Guia da Gastronomia Mediterrânica” e a continuar com as políticas de certificação. Já o presidente da Câmara de Sines, Nuno Mascarenhas, afirmou a importância do evento, como «mais uma grande con-

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quista para o concelho, que tem aposta forte no cluster turístico». O edil, lembrou o crescimento do turismo em todo o Alentejo Litoral, e em Sines em particular, com quase 100 por cento de ocupação das unidades hoteleiras.

Com a baia de Sines a servir de cenário natural, os turistas e visitantes tiveram oportunidade de aprender a confecionar verdadeiras iguarias, degustar a excelência da colunária alentejana, e saborear a qualidade de diferentes produtos produzidos na região.

O evento, que contou também com a colaboração da Docapesca e da Associação de Armadores da Pesca Artesanal e do Cerco do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, constituiu também uma importante ação promocional da marca turística Alentejo.


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POLÍTICA COM MINISTRA DAS FINANÇAS À CABEÇA, COLIGAÇÃO DO GOVERNO CONFIA NO RESULTADO DAS SUAS POLÍTICAS E GARANTE CAMPANHA AGUERRIDA

Candidatos de “Portugal à Frente” querem consolidar políticas e mostram confiança TEXTO ANTÓNIO LUÍS FOTOS SM

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Muitas lembranças do passado como tecla eleitoral e tónica na ideia de que o governo salvou o país, com resultados já muito visíveis. Maria Luis Albuquerque e os líderes distritais do PSD e do CDS/PP são os rostos da lista de deputados.

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s cabeças de lista do PSD e do CDS-PP da coligação “Portugal à Frente” pelo distrito, Maria Luís Albuquerque e Nuno Magalhães, sublinharam quarta-feira na apresentação dos candidatos a deputados a importância de dar a oportunidade a esta aliança para «consolidar o resultado das politicas que levaram Portugal a ultrapassar as dificuldades herdadas do passado e cujos resultados já começam a ser visíveis, como na recuperação da economia e na criação de emprego». Maria Luís Albuquerque lembrou que as propostas do PS levaram Portugal ao colapso económico e social. «É inconcebível que o PS volte a prometer as mesmas medidas que falharam rotundamente. Depois de um resgate duríssimo, querem aplicar a mesma receita que nos levou à pré-bancarrota», destacou. A cabeça-de-lista sublinhou ainda que é necessário continuar com políticas credíveis e realistas, que permitam uma melhoria sustentada e contínua da economia,

da recuperação dos salários e da qualidade de vida das pessoas. Líderes distritais lembram «herança» socialista Nuno Magalhães salientou que o Governo realizou obras fundamentais no distrito, dando como exemplo os apoios à inovação e ao investimento de inúmeras PME e IPSS. Falou também das melhorias na área da saúde, onde o número de habitantes com acesso a médico de família ou isentos do pagamento de taxas moderadoras «aumentou significativamente»,

bem como a construção de novas unidades de saúde. O presidente da distrital do PSD e candidato pela coligação, Bruno Vitorino, salientou as provas dadas pelos nomes que compõem a lista. «Temos uma lista de gente séria e capaz, que gosta de fazer política de proximidade», sublinhou, alertando os cidadãos que «se o PS ganhar as eleições, o esforço feito durante os últimos quatro anos não servirá para nada. Não queremos de regresso as más políticas que nos trouxeram a bancarrota, a troika, o memorando e a austeridade».


POLITICA

Festa do “Avante!” com muita música e críticas ao Governo de Passos Coelho

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ecorreu, na passada quinta-feira, na Quinta da Atalaia, na Amora, Seixal, a conferência de imprensa de apresentação do programa integral da Festa do Avante! 2015, que tem lugar de 4 a 6 de Setembro na Quinta da Atalaia, Amora, Seixal. A apresentação do programa contou com a presença de Alexandre Araújo, membro do secretariado do Comité Central; Rúben de Carvalho, membro do Comité Central e da direção da festa e Alma Rivera, membro da direção nacional da JCP. Alexandre Araújo sublinhou que, além das lutas e aspirações da

população e dos trabalhadores, a «qualidade, diversidade e o nível» da programação cultural da festa, conta com «uma grande oferta de debates, gastronomia, música, teatro e cinema, inserido numa grande dimensão humana de convívio, fraternidade e camaradagem que caracteriza esta festa». Na música, o destaque vai para o concerto “A Festa vai ao cinema”, que na sexta-feira sobe ao principal palco da Festa do “Avante!”, onde se vai poder ouvir os grandes mestres de todos os tempos do cinema, mas também para a atuação dos Xutos & Pontapés, de António Chainho,

com o espetáculo “Cumplicidades”, que conta com a participação de Paulo de Carvalho, Ana Bacalhau, Hélder Moutinho, Raúl D’Oliveira e o Grupo Coral e Etnográfico da Casa do Povo de Serpa, dos norte-americanos The Last Internationale e dos italianos Banda Bassotti. Os amantes da boa música não podem ainda perder Expensive Soul com Tocá Rufar, Fausto, Brigada Victor Jara com Segue-me à Capela, Capicua, Dead Combo, Eneida Marta, entre outros nomes que integram o cartaz do maior evento politico-cultural do país.

FRANCISCO CARRIÇO, EMPRESÁRIO E LÍDER DOS COMERCIANTES DO DISTRITO É O CABEÇA DE LISTA

“Nós Cidadãos” vai a votos nas legislativas pelo Círculo Eleitoral de Setúbal Setúbal é um dos quatro distritos em que o movimento vai contar com lista de candidatos. O empresário Francisco Carriço é o cabeça de lista. No país querem eleger um mínimo de quatro deputados. TEXTO RITA MATOS* FOTOS SM

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“Nós Cidadãos” surgiu da maior manifestação popular de cidadãos independentes que ficará para a história do país e que teve lugar a 15 de Setembro de 2012. Um protesto que juntou mais de um milhão de pessoas na Praça do Comércio, em Lisboa e, paralelamente, largas centenas noutras cidades do país. Depois desta manifestação, e na tentativa de salvar o país da «ditadura fiscal», os vários grupos foram-se organizando e deram origem ao partido formado há cerca de dois meses. A tempo de concorrer às próximas legislativas o “Nós Cidadãos” conta já com quatro polos constituídos: Porto, Lisboa, Setúbal e Algarve e há ainda um polo emergente a surgir na cidade de Braga. Embora seja um partido muito recente, as espectativas para estas eleições são elevadas. «Esperamos conseguir chegar aos

portugueses, passando a mensagem de que há uma alternativa aos partidos institucionais. Somos pela mudança. Estamos há 40 anos com as mesmas políticas. É preciso que os abstencionistas deste país saibam que há um partido que os representa», afirma Francisco Carriço, cabeça-de-lista pelo círculo de Setúbal e mandatário da campanha. No dia 4 de outubro o “Nós Cidadãos” espera eleger, no mínimo, cinco deputados no país. E para que haja uma «reviravolta» no país, os responsáveis do consideram «urgente» adotar uma nova estratégia nacional. Na área da segurança social, Francisco Carriço, afirma que são as micro, pequenas e médias empresas as mais prejudicadas. «As empresas devem pagar a segurança social por volume de faturação e não por número de trabalhadores. Se isto for feito assim acaba-se com certos escândalos em Portugal, como é o caso da EDP e de muitos hipermercados que, para fugirem à segurança social, pagam ordenados ridículos a trabalhadores

a part-time», afirma. Para além disso, acrescenta, é preciso que as grandes empresas paguem os impostos em Portugal. «Das empresas do PSI 20, dezanove têm sede no estrangeiro e fogem aos impostos em Portugal. Isto é um escândalo. As micro empresas é que estão a pagar a fuga aos impostos que os grandes grupos fazem», critica. A criação de emprego é outra das grandes lutas do novo partido que acusa o atual governo de esconder a taxa real de desemprego. «São as micro, pequenas e médias empresas que criam emprego e estas estão a sofrer uma perseguição numa ditadura fiscal sem precedentes. Em 2014, mais de 47 mil empresas abriram falência. O desemprego em Portugal está acima dos 20 por cento e há verbas desperdiçadas no IEFP», afirma Francisco Carriço. «Para reduzir despesa da função pública basta não contratar» Para tirar o país da situação em que se encontra, o “Nós Cidadãos” parece ter soluções. Um

dos passos a dar passa por garantir uma maior ajuda às pequenas e médias empresas, através dos fundos comunitários, cujas verbas, garante, o movimento de cidadãos, estão a ser retidas. «O QREN está parado. Em 2014 não houve verbas a sair para o mercado, e este ano o governo prevê um número otimista de 5 por cento de verbas utilizadas. As verbas do QREN, numa primeira fase, são absolutamente necessárias para ajudar as pequenas e médias empresas em todos os sectores de atividade do país e para ajudar a classe média a ter maior poder de compra. Só assim conseguiremos levantar esta espiral negativa e alavancar a economia portuguesa». Outras das medidas fundamentais a implementar passa por reduzir as despesas com a função pública. «Não é preciso baixar salários e cortar nas reformas. Isso é uma traição aos portugueses. Basta não contratar funcionários durante dois ou três anos». Além disso, vinca Francisco Carriço, «há um número muito elevado de governantes. Os políticos não se consideram funcionários públicos, não houve redução de salários nem dos políticos, nem dos assessores, nem dos deputados, nem dos autarcas. Temos políticos a país e estadistas a menos». Dois investimento para o distrito de Setúbal Concretamente para o distrito de Setúbal, há dois investimentos que o “Nós Cidadãos” considera prioritários. Um dos projetos prende-se com a construção da Marina de Recreio do Porto de Setúbal. «A marina é importante para toda a península de

Setúbal. Uma marina com capacidade para atrair mais turistas portugueses e estrangeiros» O outro investimento é a criação de um parque temático em Poceirão. «Esta ideia tem estado adormecida. Portugal não tem um único parque de diversões. Este investimento no Poceirão teria repercussões enormes no desenvolvimento turístico de toda a região», afiança o cabeça de lista. *rita.matos@comboiodaspalavras.pt

NÓS CIDADÃOS Lista de candidatos pelo Círculo de Setúbal 1. Francisco Carriço 2. Célia Feijão 3. Carlos Fernando Rodrigues 4. Carlos Martins 5. Maria Isabel Rufino Rodrigues 6. David Luís Duarte Pires 7. David Rocha 8. Luísa Borges 9. Albertino José da Rocha Vieira Figueira 10. José Filipe Teles de Matos 11. Rosa Matos 12. Pedro Mota 13. João Jacques Madeira Senusson Valente 14. Sandra Isabel de Jesus Serro 15. Joaquim Gouveia 16. José Casimiro Guerreiro Gonçalves 17. Cira Alexandra dos Santos Cardoso 18. Fernando Andrade Presidente da Comissão Política Nacional: Mendo Castro Henriques

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PUBLIREPORTAGEM

S. Filipe enriquece creche e ensino pré-escolar No Colégio S. Filipe, em Setúbal, a creche é o precioso degrau de uma longa escada para a formação da geração futura e o estabelecimento de ensino está a postos para o ano lectivo

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Colégio S. Filipe, em Setúbal, aposta, de forma ímpar, na formação dos seus alunos. E porque os valores devem ser incutidos desde cedo, tal como a aprendizagem deve ser continua e progressiva, é na creche e no pré-escolar que se vai moldando a geração futura. Com os profissionais especializados e as instalações preparadas para acolher os mais pequeninos, o Colégio S. Filipe vai iniciar o próximo ano lectivo com as salas de 1 e 2 anos. «Este ano verificámos um aumento da procura desta valência. Nós temos os espaços e os profissionais disponíveis», afirma a educadora de infância e coordenadora, Ana Rita Mourão. A relação entre a escola e a família No Colégio S. Filipe é valorizada a relação entre a escola e a família. «A colaboração dos pais e da comunidade no processo educativo, com os seus saberes e competências, é um meio de alargar e enriquecer as situações de aprendizagem», considera a educadora de infância, explicando a importância do apoio da família logo na fase de entrada da criança na creche. «A creche é o prolongamento de casa, por isso é necessário que haja uma boa comunicação entre os pais e a escola. Quando a adaptação de alguma criança é difícil, nós propomos regimes de transição lenta e gradual. Aos poucos, a criança vai-se habituando a esta nova realidade. O essencial é que a criança nunca se sinta abandonada, pelo facto de ser entregue aos cuidados de desconhecidos». No Colégio S. Filipe as actividades em sala de aula, nesta valência, são desenvolvidas de uma forma motivadora. «Muitas das actividades que propomos levam a criança a explorar a sua própria criatividade, principalmente nas expressões plásticas, musicais, motoras e corporais, que estimulam a forma de comunicar e de se exprimir». Para além destas áreas, os mais pequeninos têm ainda a oportunidade de participar nas actividades da Quinta Pedagógica da escola, «um espaço para plantar, semear, regar e cuidar, com animais que vemos nascer e crescer...». Currículo dinâmico A partir dos 3 anos (e até os 5, 6 anos) as crianças entram no ensino pré-escolar, um local de transição entre a família e a escola. Este espaço educativo é «pensado e organizado em função da criança e das suas necessidades, oferecendo condições que lhe permitem descobrir e relacionar-se com o mundo à sua volta». O projecto educativo para o pré-escolar assenta em áreas como: Formação Pessoal e Social, Expressão e Comunicação e Conhecimento do Mundo. Este ano, uma das novidades é o apoio directo de terapeutas em áreas, como psicomotricidade, psicologia e terapia da fala. O colégio complementa o seu currículo com áreas de desenvolvimento como o inglês, a psicomotricidade, a natação, a música, a dança (este ano com a introdução da “yoga dance”), a quinta pedagógica e a informática. Meditação: uma ajuda valiosa no desenvolvimento infantil Este ano, uma das grandes novidades no Colégio S. Filipe é a introdução da meditação para crianças, no pré-escolar e no 1º ciclo. Uma “disciplina” que, nesta escola, assume como principal objectivo «habituar as crianças a focarem-se naquilo que lhes poderá trazer bem-estar e ensiná-las a lidar, de uma forma ponderada, com os problemas que vão surgindo», sublinha Susana Alves, responsável de imagem e comunicação do Colégio. A meditação estimula a criatividade, ajuda crianças com hiperatividade, défice de atenção, mau aproveitamento escolar, crianças que comem ou dorme mal, ou que passam por algum problema a nível familiar. Ajuda, ainda, a criança a reforçar a paz de espírito, a respirar em situações de stress, a levantar a auto-estima e a desinibir-se. «A meditação não resolve os problemas de uma forma imediata, daí a necessidade de uma aprendizagem estruturada e contínua», salienta Susana Alves, acrescentando que a meditação será realizada praticamente todos dos dias da semana.

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CULTURA

Festa do Teatro sonha com melhor reconhecimento financeiro EDIL SADINA PEDE REUNIÃO AO GOVERNO

A XVII Festa do teatro, organizada pelo Teatro Estúdio Fontenova, prossegue até 5 de setembro, com uma programação eclética proporcionada por projetos nacionais e estrangeiros. Para engrandecer a festa, faltam mesmo mais recursos financeiros. TEXTO ANTÓNIO LUÍS FOTOS SM

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raziela Dias, da organização, realça que o apoio logístico e recursos humanos «aumentou consideravelmente», o que representa «um enorme esforço na tentativa de suprimir as lacunas do parco apoio financeiro perante a magnitude e qualidade do festival». A mesma fonte acrescenta que a programação «é uma mostra do melhor que se fez a nível nacional este último ano», sublinhando que o grande sonho da festa passa por um «reconhecimento financeiro mais digno, dada a qualidade artística e profissional que tem demonstrado, para que se pudesse fazer mais e melhor».

Graziela Dias vinca: «Queremos continuar a manter o exigente reconhecimento do público, que tem transformado o festival num evento de relevo nacional, e dos pares na excelência da programação e sua qualidade artística. Apostamos numa programação eclética de estéticas e geografias diferentes, dando primazia à excelência artística». Com um orçamento «muito inferior» ao do ano transato, dado que até ao fecho de edição ainda não era conhecido o apoio da DGArtes ao evento, a organização da Festa do Teatro «recusa-se a cruzar os braços e reinventa e procura sempre novas soluções, sempre com uma equipa exigente, tanto a nível artístico como profissional».

O Fontenova, que está a comemorar 30 anos de existência, estreou a peça “Carne Viva”, de Lucianno Maza, na passada quarta-feira, com encenação do próprio autor, com nacionalidade afro-brasileiro. É a primeira vez que um autor estrangeiro encena uma peça do TEF. A programação inclui ainda as estreias de “Quem me dera ser onda”, da companhia João Garcia Miguel; “Não Corpo”, de Tiago Cunha Bôto e Wagner Borges; “Cor Po”, de Paula Moita e Ricardo G. Campos; “A Menina Má”, pelo Colectivo Sophiemarie; e “Café Simétrico, visto pela assimetria dos pensamentos dela”, de Tânia Alexandre. Prossegue a secção of “Mais Festa”, a qual pretende descobrir novos talentos, e é lançado o

Festas da Atalaia cumprem tradição

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té dia 31, as festas em honra a N.ª Sr.ª da Atalaia voltam a trazer a festa, a religiosidade e as tradições a esta localidade do concelho do Montijo. Como habitualmente, a procissão em honra da padroeira, no dia 30, às 18h30, é o ponto alto da festividade. A festa, conhecida por Festa Grande, tem uma grande componente religiosa devido aos vários círios que acorrem à localidade da Atalaia para demonstrarem a sua fé em N.ª Sr.ª da Atalaia. Espetáculos de música popular, bailes, largadas de touros, charangas, um festival de folclore com grupos provenientes de várias regiões do país fazem parte do programa das festas. A

concurso “Cenas Escritas” para novos textos dramáticos, sob o tema “Afrodescendência e luso-africanidade”. É ainda novidade a extensão da festa a Sesimbra, com a apresentação de dois espetáculos no teatro João Mota. «Esta extensão permite-nos levar espetáculos também à população de Sesimbra, facto que nos orgulha no crescimento sustentado que temos trilhado, realça Graziela Dias, que relembra, ainda, o apoio este ano da Fundação Buehler-Brockaus, o que permite acrescentar «mais qualidade internacional à programação». Além das artes cénicas, a Festa do Teatro conta com palestras, lançamento de livros, debates, concertos, mostras de curtas, cinema ao ar livre e performances.

A presidente do município, Dores Meira, anunciou, na abertura da festa que vai pedir reunião urgente com o diretor-geral das Artes para uma clarificação sobre a falta de apoios a projetos culturais no concelho. A edil salientou que atingiu o limite com a decisão do Governo em colocar de fora dos apoios estatais a Festa do Teatro, depois de também terem visto subsídios cortados ou substancialmente diminuídos outros projetos, como o TAS e o Festroia, que este ano, por esse motivo, não se realizou pela primeira vez em 30 anos.

Feira medieval de Palmela abre inscrições

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grande atração musical deste ano é o grupo Ricardo e Henrique, no dia 31. A festa é uma romaria popular que remonta a 1507, aquando da promessa então feita pelos

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funcionários da Alfândega de Lisboa, que devido à peste constituíram um círio, tornando-se pioneiros desta peregrinação, generalizando o culto à N.ª Sr.ª de Atalaia.

e 25 a 27 de setembro, o castelo e o centro histórico de Palmela viajam no tempo e são palco da 2.ª Feira Medieval. As relações culturais entre cristãos, muçulmanos e judeus, que marcaram o quotidiano da vila na Idade Média, servem de base ao imaginário que o município e a Alius Vetus - Associação Cultural História e Património irão recriar, destacando o período áureo da Ordem de Santiago, que esteve sediada no castelo da vila desde o século XV até à sua extinção. A organização já tem abertas as inscrições para os agentes económicos que queiram parti-

cipar na feira, animando o espaço com os seus produtos. As inscrições devem ser formalizadas até 31 de agosto.


CULTURA

AGENDA SEIXAL

29SÁBADO22H XUTOS DÃO CONCERTO Quinta da Marialva

Os Xutos & Pontapés prometem um concerto explosivo nas tradicionais Festas de Corroios, que culminam já este domingo, com outro concerto interessante, o dos Azeitonas. A banda de Tim recorda os seus grandes êxitos, tão populares aos ouvidos de todos.

SESIMBRA

29SÁBADO22H FESTA DO TEATRO PASSA POR SESIMBRA Teatro João Mota

O Festival de Teatro de Setúbal passa, pela primeira vez, por Sesimbra, com a peça “4 Estações”, de Vinícius Piedade. O ator brasileiro “veste a pele” de um publicitário que sofre uma amnésia repentina justamente quando assina contrato com uma empresa de sabão em pó para uma campanha publicitária.

GRÂNDOLA

29SÁBADO22H15 ROCK ALTERNATIVO NA FEIRA DE AGOSTO Palco da Feira de Agosto

A banda portuguesa de rock alternativo, Os Azeitonas, promete boa música e muita animação aos visitantes de mais uma edição da Feira de Agosto. Divirta-se e cante, em uníssono, as melodias de um dos mais populares grupos nacionais.

SETÚBAL

29SÁBADO23H30 BLUES, FOLK E WORLD MUSIC Largo da Ribeira Velha

Concerto do duo setubalense, Kalafate, que interpreta temas instrumentais com fortes influências no blues, folk e world music, complementado com recurso ao vídeo e levando o espetador numa viagem pelo imaginário da alma lusitana. Iniciativa da XVII Festa do Teatro.

ANTÓNIO MATOS VEREADOR DA CULTURA DA CÂMARA DE ALMADA:

O Sol da Caparica é um festival único no panorama nacional TEXTO ANTÓNIO LUÍS FOTOS SM

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segunda edição do festival O Sol da Caparica registou 75 mil pessoas, o que representa um aumento de 10 mil pessoas em relação a 2014, o que para o município «é motivo de grande satisfação», sublinha o vereador António Matos. Para o autarca, o balanço é «muito positivo», na medida em que se trata de «um festival que se afirmou, desde a sua primeira edição, como único no panorama nacional, uma vez que homenageia a língua portuguesa». O autarca conclui: «A aposta do município está ganha. Além de proporcionar grandes momentos de diversão aos milhares de visitantes, este festival traduz-se igualmente num enorme contributo para a afirmação da Costa da Caparica enquanto destino turístico. Além disso, contribui para a dinamização do comércio local, da restauração e da hotelaria, entre outros sectores de atividade». Foram quatro dias intensos, com vários estilos de música, tocando diferentes públicos e unindo gerações no jardim urbano da Costa de Caparica. Logo no primeiro, 18 500 pessoas entraram no recinto para acompanhar os

vários concertos previstos. Mimicat, Dengaz, HMB, The Legendary Tigerman e os UHF tocaram no palco Blitz, que foi adensando, concerto após concerto, o público em redor. No palco SIC/RFM, os sons continuaram com o fadista Camané, os Resistência, Carlão, Richie Campbell e o DJ Marfox, já de madrugada. O segundo dia, mais eclético, começou com Dino d’ Santiago, Brigada Vitor Jara, Oquestrada, Paus e Linda Martini, no primeiro palco, seguindo com Paulo Flores, Vitorino & Son Habanero, Tim, Jorge Palma, Paulo Gonzo e, a rebentar com a noite, o DJ Mastiksoul. Na terceira noite, 25 mil pessoas lotaram o festival. Berg fez encher o palco Blitz, que continuou com Tiago Bettencourt, Agir, e Regula, com ondas de braços no

ar a acompanhar os ritmos. No palco SIC/RFM já soavam as músicas de Tito Paris, seguindo-se Luís Represas, Miguel Araújo, Batida, o concerto mítico dos Xutos & Pontapés e, a rematar a noite, o DJay Rich e António Mendes. Cinema de animação, gastronomia, curtas-metragens, surf, windsurf, skate e muitas outras atividades fizeram também parte da receita de sucesso deste festival, que dedicou mais um dia às famílias. Por isso, milhares de crianças e famílias divertiram-se à grande no dia 16, com a música do Avô Cantigas e de Luísa Sobral, com castelos, torres e escorregas insufláveis. No final, o presidente do município, Joaquim Judas, anunciou que em 2016 o Sol vai voltar a brilhar na Costa da Caparica, pois este ano foi «um êxito».

GANHE CONVITES PARA “NOITE DAS MIL ESTRELAS” “A Noite das Mil Estrelas”, em cena no Casino Estoril, é um musical de Filipe La Féria que conta a história do Casino Estoril e da Costa do Sol desde as suas origens à atualidade. O musical faz reviver no palco os grandes artistas que ali atuaram, como Amália, Maysa Matarazzo, Charles Aznavour, Nina, Simone, José Carreras, Montserrat Caballé, Liza Minelli, Ray Charles, Elton John, entre centenas de estrelas que brilharão no céu do Estoril neste grande espetáculo de La Féria. Alexandra, Gonçalo Salgueiro, Vanessa, Pedro Bargado, Dora, Rui Andrade, Cláudia Soares, João Frizza, Catarina Mouro, David Ripado e Inês Herédia são os protagonistas do espetáculo que apresenta um sensacional corpo de baile, coreografado por Marco Mercier, e três magníficos acrobatas. Para se habilitar aos convites basta ligar 969 431 0 85.

MONTIJO

31SEGUNDA23H MÚSICA E FOGO DE ARTIFÍCIO A dupla portuguesa Ricardo & Henrique vai animar o último dia das tradicionais festas em honra a Nossa Senhora da Atalaia, antes da sessão de fogo-de-artifício, que encerra um dos certames mais populares da região.

GANHE CONVITES PARA AS ESCULTURAS NA AREIA O 13.º Festival Internacional de Escultura em Areia continua a decorrer até 20 de outubro, em Pêra, no Algarve. Trata-se da maior exposição de escultura em areia já construída e realiza-se desde 2003, atraindo, anualmente, milhares de visitantes. A presente edição, alusiva ao tema “Música”, conta com cerca de cem cenas em areia que retratam, de forma criativa, músicos, instrumentos e culturas musicais de várias partes do mundo. Para se habilitar aos convites duplos, basta ligar 918 047 918.

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ESPECIAL VINDIMAS

Palmela brinda aos néctares de excelência e aos extensos jardins de vinhas Com algumas novidades na manga, a Festa das Vindimas volta a apostar nas tradições e na prata da casa. Com um novo modelo de cortejo, o evento serve, acima de tudo, para promover o vinho de excelência, que não para de ser distinguido em Portugal e no estrangeiro, bem como o salutar convívio entre as gentes de Palmela e não só.

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TEXTO ANTÓNIO LUÍS FOTOS SM

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rçada em cerca de 178 mil euros, a 53.ª edição da Festa das Vindimas, que foi apresentada quarta-feira em conferência de imprensa na Casa Mãe de Vinhos, em Palmela, vai decorrer de 3 a 8 de Setembro, com algumas novidades em termos de disposição dos espaços. Susana Ciríaco, presidente da associação da Festa das Vindimas, revelou que a localização dos pavilhões das adegas vai sofrer «grandes altera-

ções» no Largo de S. João, para dar lugar a zonas destinadas à prática de aulas de zumba. Este ano há a registar a presença da adega da Herdade de Rio Frio, o que sobe para doze o número de adegas presentes no recinto. Por outro lado, o palco montado no largo de S. João, junto ao jardim, vai ser transferido para junto da escadaria da igreja para «atuações ligeiras» de alguns grupos. O palco da Praça dos Sabores, por protesto dos moradores, por «causa do ruído», vai ficar no sentido inverso, ou seja, de costas para Lisboa. Por «questões de segurança», o acesso à zona infantil será «restrito». «Cortejo vai ser uma boa surpresa» Susana Ciríaco deposita as «melhores expetativas» na edição deste ano e realça, entre as novidades, o cortejo de carros de 13 carros alegóricos. «Acho que o cortejo vai ser uma boa surpresa e uma grande novidade. Estava na hora de mudar de projeto. Debati e apresentei as ideias e foram aceites. Este é o meu segundo e último mandato nas festas e quero deixar o meu cunho pessoal. Estava na altura de apresentarmos ao público ideias novas», argumenta a líder das festas. O autor do cortejo deste ano, intitulado “Uvas são Vinho”, é José Condeça, que está de volta, após vários anos de ausência. «O José Condeça está a fazer um trabalho fantástico. Espero que gostem», sublinha Susana Ciríaco, que anunciou ainda que a madrinha da marcha é Sara Coelho, a eterna madrinha da marcha popular do Grupo Desportivo “O Independente”, de Setúbal. Vai cantar “Uvas são Vida”, da autoria de José Condeça (letra) e Rui Terrinha (música). O cortejo sai à rua nos dias 6 e 8, às 17 e 23 horas, respetivamente. Por seu turno, José Condeça, que não divulgou os moldes do novo cortejo, para manter surpresa, prometeu um cortejo «muito palmelão». Para o cortejo, José Condeça conta com o grande apoio do seu amigo Amílcar Caetano, conhecido

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mentor de várias marchas populares sadinas, estando nos últimos anos ligado à marcha do Bairro Santos Nicolau. O festival de ranchos folclóricos, com grupos do concelho, está de regresso às festas, bem como o cante alentejano. No que se refere a concertos, a aposta recai nos artistas locais, à exceção de Mónica Sintra e dos Corvos. «Temos bons artistas e músicos e boas coletividades e Palmela gosta do que tem», vinca a presidente das festas. «Município aposta forte nesta parceria» O presidente do município, Álvaro Amaro, afirmou que a Festa das Vindimas é «única» e «renova-se de ano para ano» graças ao apoio de gente voluntária. «As festas renovam-se de ano para ano mas as tradições mantêm-se graças ao trabalho do grupo de pessoas dedicadas», acrescentando que a Câmara aposta «forte nesta parceria, com um investimento financeiro direto que ultrapassa os 50 mil euros». O autarca, que apelou ao consumo moderado de álcool e à bênção de S. Pedro, para que não chova, deposita expetativas «elevadas» nas festas, fez votos para que todos provem, os vinhos e os moscatéis de «excelência» da região. O espetáculo de eleição da Rainha das Vindimas e das suas Damas de Honor e Miss Simpatia, que também aposta em algumas inovações, tem lugar no dia 2, a partir das 21h30, no teatro S. João. Concorrem ao tão apetecido trono 15 jovens naturais ou residentes no concelho. Atua a orquestra das Vindimas, com direção de Armindo Neves e as vozes de Carmen Matos, Ivo Soares, Rute Pericão, Paulo Machado e Diana Cravo. No último dia das festas, e como manda a tradição, o fogo preso é lançado do Castelo e o fogo solto sai do terraço do Teatro S. João. Como pontos altos da programação, é de realçar também a Pisa da Uva e a Benção do 1.º Mosto e o cortejo dos Camponeses.


ESPECIAL VINDIMAS

FERNANDO BAIÃO PRESIDENTE DA JUNTA DE FREGUESIA DE PALMELA

Festa das Vindimas exalta o espírito palmelão

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presidente da Junta de Freguesia de Palmela, Fernando Baião, realça que a Festa das Vindimas é, sem dúvida, o maior evento cultural do concelho de Palmela, onde se «convocam emoções, exaltam paixões e honram tradições». Para Fernando Baião, durante a Festa das Vindimas, os palmelenses festejam «efusivamente, a história,

a memória, a cultura e a tradição». Além de promover «encontros e aproximações», a festa, pela sua diversidade, exalta ainda o «espírito palmelão». O autarca termina deixando um agradecimento a todos aqueles que, por amor às suas raízes, têm contribuído para a realização de mais uma edição da Festa das Vindimas.

HENRIQUE SOARES PRESIDENTE DA CVRPS

Momento alto da promoção dos vinhos de excelência

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enrique Soares, presidente da Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal (CVRPS), considera que a Festa das Vindimas é uma tradição bem popular, que está enraizada na cultura e economia da comunidade, e constitui um momento alto na promoção dos vinhos de excelência da região. «É uma tradição que se reno-

va por si própria e que é muito importante para as gentes de Palmela e forasteiros, bem como para a promoção dos vinhos de Palmela». O líder da CVRPS afirma que, entre 3 e 8 de Setembro, Palmela e as suas gentes «vivem um momento alto, na medida em que a vila está debaixo dos holofotes da região, do país e até do estrangei-

ro que se deslocam às festas para provar e adquirir os nossos vinhos de excelência». Como ponto alto das festas, Henrique Soares destaca a Pisa e a Benção do 1.º Mosto, agendada para dia 6, às 11 horas, um momento «muito importante» para os produtores de vinho, pois é neste dia que se fica a saber a qualidade do vinho que vamos ter.

Adega de Pegões dá a provar os seus moscatéis e espumantes famosos A

Cooperativa Agrícola de Santo Isidro de Pegões vai dar a provar aos visitantes da Festa das Vindimas os seus famosos moscatéis e os espumantes, vinhos esses que são ótimos para animar o convívio de amigos e familiares. Na semana passada, a empresa orgulha-se de ter ganho o prémio da melhor empresa portuguesa produtora de vinhos regionais, no” New York wine Challange”, nos Estados Unidos, mas, há um mês atrás, já havia ganho o prémio da empresa mais premiada da Europa, no concurso “Selecciones del Sindaco 2015 ”, de Itália, que este ano se realizou em Oeiras. Trata-se do concurso dos concelhos de Europa que produzem vinhos e pelo qual Palmela já foi eleita “Cidade

Europeia do Vinho”. Segundo Jaime Quendera, o enólogo, este ano está ser, novamente, o «melhor de sempre para a Adega de Pegões, pois já vamos com mais de 170 prémios em todo o mundo». Para o enólogo, os prémios que a adega recebe são «um reconhecimento claro da nossa qualidade por todo o mundo, o que ajuda bastante as nossas vendas». Com o negócio da empresa a decorrer «muito bem», Jaime Quendera deposita «boas expetativas» nas festas deste ano. «Esperamos que as festas sejam ainda melhores do que no ano anterior», vinca, acrescentando que a Festa das Vindimas é «uma excelente montra de promoção da empresa, o momento mais alto do concelho e o tributo aos

vinhos que todos os anos se celebra, cada vez com mais apreciadores e com melhor nível». O produto mais medalhado e procurado da empresa, apesar de todos serem medalhados, desde os espumantes, moscatéis, tintos ou brancos, são os varietais, o touriga nacional - eleito o 3.º melhor vinho de Portugal em 2014, pela Associação Mundial de Jornalistas e Escritores de Vinhos e Licorosos em 2014 -, mas também o Syrah ou o Adega de Pegões, colheitas selecionadas, tinto e branco, que todos «conhecem bem». Em breve, a Adega de Pegões tenciona lançar um tinto novo de topo, enquanto a nova adega é inaugurada no final do corrente ano, «se tudo correr dentro do previsto».

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ESPECIAL VINDIMAS

Adega de Palmela festeja 60 anos com lançamento de reserva A

Adega de Palmela vai festejar os 60 anos de atividade com o lançamento, em plena Festa das Vindimas, do Adega de Palmela Reserva 2013 60 anos. Além disso, a empresa aposta numa nova estratégia de marketing, através de uma imagem renovada do stand alusiva a esta efeméride e de muitas surpresas. Trata-se de um néctar de «reserva especial e edição limitada», que foi elaborado a partir das melhores uvas das castas Castelão, Syrah, Aragonês e Cabernet Sauvignon. Depois de uma maceração prolongada em cubas de inox com temperatura controlada. Estagiou em barricas de carvalho francês e americano durante 8 meses. «Tudo isto para garantir um vinho de qualidade única. É ideal para

acompanhar todos os pratos de cozinha tradicional portuguesa, carnes grelhadas, caça, queijos curados e bacalhau», explica o enólogo Luís Silva. A Festa das Vindimas, no entender do enólogo, continua a ser «uma excelente forma de promoção e divulgação dos nossos produtos», reconhecendo, por outro lado, que as festas atraem «milhares de pessoas da região e não só, o que permite uma ótima forma de promoção da empresa e uma boa divulgação dos nossos produtos». Para Luís Silva, a AP está a atravessar um período «próspero e estável» dado que os seus produtos encontram-se à venda em todas as superfícies comerciais e nos distribuidores nacionais e internacionais. O Vale de Barris branco, que

nos últimos quatro anos conquistou 10 medalhas de ouro e 12 de prata, em concursos nacionais e internacionais, é o produto mais medalhado e procurado da empresa. De relembrar que este ano a AP já conquistou com o Vale de Barris branco 2014, três medalhas de ouro, em França e Bruxelas. Conquistou ainda uma medalha de ouro, no concurso da CVRPS, com o Vale de Barris Syrah 2013. O moscatel de Setúbal 2013 DO arrecadou prata num concurso de França. «Sentimo-nos orgulhosos e satisfeitos», porque estes prémios são o resultado de «muito trabalho e a prova de que estamos numa região de excelência para a produção de grandes vinhos tintos, brancos e generosos», argumenta Luís Silva.

Venâncio da Costa Lima lança tinto e abre adega ao Enoturismo A

adega Venâncio da Costa Lima, localizada em Quinta do Anjo, acabou de lançar um novo vinho. Trata-se do tinto Palmela DO designado de 4.ª Geração – 4G, que comemora «a nossa história e a nossa identidade familiar sempre ligada ao vinho, dado que somos uma empresa familiar que já vai na quarta geração», realça Joana Vida, representante da empresa, que acrescenta: «É um grande vinho e que com certeza valerá a pena experimentar». O novo néctar resulta de uma escolha criteriosa das melhores uvas de Castelão e Syrah. Apresenta cor granada, aroma intenso com notas de amora, groselha e especiarias. Na boca é envolvente e encorpado. Acompanha carnes vermelhas, queijos ou massas.

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Com a nova adega já a funcionar, onde se inclui a loja de vinhos, a VCL arrancou recentemente com o seu projeto de Enoturismo. «Associar as belezas naturais e a riqueza histórica da nossa região à gastronomia e ao vinho é quase que natural e intuitivo», refere Joana Vida, que acrescenta que «agora já é possível visitar a nossa adega, conhecer a nossa história e provar os nossos vinhos. Aqui o enoturista fica a conhecer todo o percurso da elaboração do vinho e pode visitar a zona de produção». As visitas para o público realizam-se às segundas às 16 horas e, de terça a sábado, às 11 e às 16 horas. Não é necessária marcação para visitas só com prova de vinhos, mas se os inte-

ressados quiserem melhorar ainda mais esta experiência podem optar por uma prova com vinhos e excelentes produtos regionais como por exemplo o queijo de Azeitão, pão e até doçaria para acompanhar um belíssimo Moscatel. Os preços das visitas começam nos três euros por pessoa. Para Joana Vida, a Festa das Vindimas permite «reunir num único espaço todos os nossos vinhos. Embora nas horas de maior afluência, o contacto personalizado seja mais difícil, a festa também permite um contacto mais direto com o público. Na Festa das Vindimas fala-se e respira-se vinho e isso é bom para a promoção da nossa região».


ESPECIAL VINDIMAS

Sivipa, em grande, apresenta os seus moscatéis de excelência A

Sivipa vai dar a provar os seus moscatéis de excelência – o de Setúbal e o Roxo - no stand montado na Festa das Vindimas. As expetativas para a edição deste ano são «boas», começa por dizer o enólogo e administrador Filipe Cardoso, que encara o certame como «uma montra importante» da empresa, uma vez que «une todos os produtores num espaço com o objetivo de promover os vinhos da região», mas, também, festas «únicas» que proporcionam «momentos agradáveis de convívio». Estamos perante o melhor «ano de sempre» da empresa, com a obtenção de prémios de «extrema importância». No global, a Sivipa ganhou cerca de 40 prémios nos mais diversos concursos nacionais e internacio-

nais, sendo os mais importantes a Grande Medalha de Ouro no concurso mundial de Bruxelas 2015, com o Ameias Syrah 2015 Tinto; no Trophy Moscatel de Setúbal e Trophy Portuguese Moscatel 2015, a Sivipa conquistou 2 Trophies; e no concurso da CVRPS conquistou 9 medalhas de ouro, onde se inclui o melhor tinto da região, com o Veritas tinto 2013, e melhor rosado, com o Terras do Sado 2014. Filipe Cardoso realça que o negócio está a correr «muito bem», registando-se um «aumento de vendas de cerca de 10 por cento», o que é «ótimo em tempo de crise». Perante estes resultados, afirma: «Sentimos orgulho grande, pois o trabalho tem sido feito de forma consistente. Os prémios são um incentivo extra para a equipa rumar a bom porto».

O vinho mais medalhado da firma é o Ameias Syrah e o mais vendido é o Terras do Sado, que obteve também uma medalha de ouro no concurso mundial de Bruxelas, sendo que ambos apresentam uma «excelente» relação qualidade/preço. «O Ameias Syrah tem ganho todos os anos medalhas importantes, sendo de destacar, no ano passado, o título de melhor tinto da Península», sublinha Filipe Cardoso, que acrescenta que a Sivipa este ano «também conquistou o título de melhor vinho com o Veritas tinto, e em 2005 o moscatel 1996 foi considerado o melhor moscatel de Setúbal da região». A Sivipa tenciona lançar um vinho espumante rosado e um moscatel roxo com 10 anos, no próximo ano.

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ESPECIAL VINDIMAS

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ESPECIAL VINDIMAS

Cabernet Sauvignon da Casa Ermelinda Freitas eleito o melhor vinho de Portugal C

om a inauguração da nova adega prevista para Outubro, Casa Ermelinda Freitas orgulha-se de ver, recentemente, o Cabernet Sauvignon 2011 eleito o melhor vinho de Portugal pela Associação Mundial de Jornalistas e Escritores de Vinhos e Licores. Além disso, este ano, a empresa foi considerada a 3.ª melhor empresa em Portugal e a 24.ª no ranking mundial desta associação. Esta eleição, entre milhares de vinhos, é feita através de prova cega decorri-

da nos mais importantes concursos de vinho internacionais e de provas de jornalistas durante 2014 em todo o mundo. Recorde-se que em 2014 a empresa foi, também, distinguida pela mesma associação com o título de melhor vinho de Portugal, com o moscatel superior. Leonor Freitas, a gerente, sublinha que a empresa tem vindo a destacar-se na última década como «uma empresa de referência na área dos vinhos em Portugal, tendo alcançado mais de 600

prémios nacionais e internacionais, resultado da sua consistência e qualidade em todos os vinhos que coloca no mercado. Este ano, na Festa das Vindimas, a Casa Ermelinda Freitas vai fazer uma forte promoção à mais recente novidade da casa, o Casa Ermelinda Freitas Alvarinho, o qual foi produzido nas terras arenosas da Península de Setúbal. «É um produto de uma casta que se está a tornar global, oriunda da região do Minho, Melgaço e Monção, que achamos ter um grande

potencial na Península de Setúbal devido às suas características únicas», explica a empresária, que acrescenta que o novo néctar é «refrescante e elegante». O produto mais medalhado da empresa é o Leo d´Honor. Além de ser um vinho de topo da casa, é, também, um ícone de referência do Castelão de Palmela. É produzido com vinhas com mais de 65 anos, situadas em Fernando Pó. Todavia, o Casa Ermelinda Freitas Syrah é a grande referência da firma, uma vez que 2008, em prova

cega, ganhou o primeiro de o melhor vinho tinto no concurso Vinalies Internacionales, onde estiveram presentes mais de 3 mil vinhos de 36 países. «É um marco superior, porque nunca um vinho da nossa Península tinha ganho um tão elevado prémio num concurso internacional», vinca Leonor Freitas. A próxima grande aposta da Casa Ermelinda Freitas é o moscatel roxo, que pretendemos que seja «mais um reforço de uma bebida única numa região única».

O Executivo da Junta de Freguesia de Palmela, saúda todos os fregueses e visitantes pela passagem da 53.ª edição da Festa das Vindimas e apela à sua participação nestes festejos.

O Executivo da Junta de Freguesia de Palmela

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Nós, Jovens, Também Somos Agentes de Desenvolvimento!

O

Parlamento Europeu e o Conselho da União Europeia proclamaram 2015 o Ano Europeu para o Desenvolvimento, sob o mote “O nosso mundo, a nossa dignidade, o nosso futuro”. No horizonte está 2030 e os novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que sucedem aos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio. O termo “Desenvolvimento” pode ser usado nos mais diversos contextos e é alvo das mais variadíssimas interpretações, mas encontra-se eminentemente associado a uma ideia de futuro! A construção de um futuro mais próspero não é um exclusivo da juventude, mas os jovens serão, sem dúvida, os principais beneficiários do futuro que se pretende construir. É por este motivo que vemos como fundamental o reconhecimento dos jovens, enquanto importantes agentes deste

processo de desenvolvimento. A ONU já reconhece os jovens enquanto agentes de mudança social desde há várias décadas. Porém, são ainda muitos os obstáculos com que os jovens se deparam no que concerne a uma participação plena, efetiva e construtiva na sociedade. É neste sentido que o empoderamento dos jovens constitui uma das principais linhas de atuação do Conselho Nacional de Juventude, a plataforma que representa a voz da juventude em Portugal e que celebra 30 anos de existência em 2015. Cremos que o empoderamento dos jovens é uma aposta que trará benefícios a longo prazo. No entanto, a ideia de que o empoderamento dos jovens consiste, apenas, em envolvê-los nos processos de discussão e tomada de decisão de políticas de juventude é redutora. Temas como a educação ou o acesso ao

emprego digno surgem frequentemente como temas do interesse dos jovens. Contudo, negligenciar o papel dos jovens na discussão de outros temas, como por exemplo, a saúde ou a justiça, é negligenciar contributos que podem ser tão igualmente válidos e relevantes quanto os de outros atores sociais. Por conseguinte, no âmbito da construção de um futuro que se pretende mais próspero, acreditamos que os jovens devem ser encarados como participantes plenos do processo de desenvolvimento e os objetivos estabelecidos para 2030 devem, assim, ser alvo de uma abordagem holística e transversal. A participação dos jovens deve, contudo, ser encarada ela própria como um processo que necessita ser pensado e devidamente estruturado. São várias as iniciativas que têm vindo a ser desenvolvidas neste sentido

ACTUALIDADES SAMUEL CAETANO VILELA

CONSELHO NACIONAL DE JUVENTUDE

e o empoderamento dos jovens tem sido um tema constante na agenda europeia. Ainda assim, como base deste processo de empoderamento, é crucial o aumento do investimento na educação formal, assim como o reconhecimento e a validação da educação não-formal. Independentemente dos diferentes contextos socioeconómicos em que se encontrem inseridos, os jovens aspiram a uma participação plena, efetiva e construtiva na sociedade. Porém, para que tal seja possível, o desenvolvimento das capacidades dos jovens,

nomeadamente do seu pensamento crítico, é fundamental. Jovens educados, sensibilizados, conscientes, autónomos e saudáveis serão sempre agentes positivos de mudança. Um novo ímpeto à delineação e implementação de políticas e programas de juventude, a todos os níveis, irá influenciar positivamente as condições sociais e económicas e o bem-estar presentes, mas também futuros. Construir um futuro mais próspero é algo que implica todos e todas e nós, jovens, fazemos questão de participar!

CFS – COMPLEXO FÚNEBRE DE SETÚBAL

MODERNO, ACESSÍVEL E RIGOROSO Situado no Cemitério da Paz, na Estrada de Algeruz - mesmo à saída da auto-estrada para Setúbal, desde Lisboa, Barreiro ou Alentejo -, o Complexo Fúnebre de Setúbal (CFS) pretende, através do rigor e discrição, auxiliar as famílias nos momentos mais difíceis, que ocorrem com o falecimento de um familiar. Com um leque de serviços que vão desde um jardim da memória, à cremação, ao transporte de cinzas fúnebres e às salas de velação, o CFS disponibiliza ainda duas lojas de floristas e uma de marmoristas, dispondo ainda de posto médico e sala de crianças. Estrada de Algeruz – Cemitério da Paz Tlf. 265 724 043 Fax. 265 724 045 M. 932 710 145 Nºverde 800 209 445 geral@complexofunebredesetubal.pt www.complexofunebredesetubal.pt

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DESPORTO ÂNGELO PAIS, DE 22 ANOS, GANHOU OURO NOS SPECIAL OLYMPICS WORD GAMES, EMLOS ANGELES, NOS ESTADOS UNIDOS

Jovens da APPACDM de Setúbal brilham em competição mundial

Â

O jovem atleta da APPACDM tem 22 anos de idade e pratica pentatlo. Em 2011, conquistou a sua primeira medalha, desta feita bronze na mesma modalidade. A APPACDM conta ainda com outros atletas que começam a despontar.

ngelo Pais, jovem desportista da delegação de Setúbal da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental, com 22 anos de idade, conquistou a medalha de ouro no pentatlo nos Special Olympics World Games 2015. O jovem confessou ao Semmais Jornal que se sente muito contente por ter ganho este troféu. «Esta medalha é muito importante para mim. Não estava à espera. Foi uma grande surpresa. Os colegas eram muito fortes e eu estava com receio de não ficar no pódium», sublinhou, acrescentando que «vai continuar a dedicar-se ao pentatlo». Recorde-se que em 2011 Ângelo Pais conquis-

tou a sua primeira medalha, mas de bronze, na mesma competição, que teve lugar na Grécia, nos 800 metros e no salto em comprimento. Ângelo Pais, que está a trabalhar na empresa Flores da Arrábida, em Setúbal, na área da jardinagem, tem como treinador José Salazar. O jovem treina uma vez por semana, durante uma hora e meia, no campo municipal de Vale da Rosa. Câmara sadina atribui voto de louvor Além de Ângelo Pais, outros dois jovens da mesma instituição brilharam nesta competição. Filipe Ferreira arrebatou a medalha de prata no salto em comprimento e o 4.º lugar nos

800 metros de corrida, e Miguel Fajardo conquistou o 7.º lugar na competição de equitação, a concorrer na categoria B1. Esta competição realizou-se de 25 de julho a 2 de agosto em Los Angeles, nos Estados Unidos, e contou com uma representação nacional na qual estavam envolvidos três jovens desportistas da delegação de Setúbal da APPACDM. O evento envolveu 6 500 atletas em representação de 165 países. Este feito levou o município a aprovar, no dia 19, em reunião pública, um voto de louvor pelos «excelentes resultados» alcançados por estes três jovens setubalenses que «muito orgulha todos os setubalenses».

A Grande Invasão CARTÓRIO NOTARIAL DE SETÚBAL

NOTÁRIA MARIA TERESA OLIVEIRA Sito na Avenida 22 de Dezembro nº 21-D em Setúbal Certifico, para efeitos de publicação que no dia catorze de agosto de dois mil e quinze, neste Cartório, foi lavrada uma escritura de Justificação, a folhas 72 do livro 283 – A, de escrituras diversas, na qual: Cesaltina Fernanda de Jesus Ângelo Chainho, casada sob o regime de comunhão de adquiridos com António Jacinto Sobral Chainho, residentes em Foros da Quinta, CCI 1980, Santo André, em Vila Nova de Santo André, contribuinte número 103408070, justificou a posse, invocando a usucapião, do seguinte imóvel: Prédio Rústico, sito no Faralhão, freguesia do Sado, concelho de Setúbal, composto de terras de semeadura e árvores de fruto, com a área de três mil oitocentos e sessenta e quatro metros quadrados, que confronta do norte com Estrada da Chamburguinha, do sul Américo da Cruz Ângelo e outros, do nascente com José António Dias Ângelo e do poente com Arménio de Jesus Ângelo, inscrito na respectiva matriz sob parte do artigo 173, da secção H da freguesia do Sado, (anteriormente artigo 24 da Secção H da freguesia de São Sebastião), a desanexar do prédio descrito na Segunda Conservatória do Registo Predial de Setúbal sob o número dois mil e cinquenta e três, da freguesia do Sado. Está conforme. Cartório Notarial sito na Avenida 22 de Dezembro número 21-D em Setúbal, 14 de agosto de 2015 A Notária, Maria Teresa Oliveira

C

ansando uma certa estranheza, os noticiários mundiais de todo o mundo, têm vindo a sublinhar o facto de a ter reclamado economia chinesa ter perdido 7,4% desde há pouco tempo. Todavia, todo o poderoso asiático (leia-se China) tem vindo a fazer-se sentir como é o caso actualíssimo da compra do Novo Bes, com 2 candidatos muito fortes baseados em Pequim (Beijing). Como se tal não bastasse, os investimentos extra-nacionais da China vão acontecendo tais como, por exemplo, os já próximos “mundiais” de Atletismo (Portugal lá estará com 16 participantes) e as candidaturas sancionadas pelo COI quanto aos próximos J.O. de Inverno e de Verão, após Rio de Janeiro. E quem é que entende essa tal quebra dos 7,4%? Resta saber se um dos poderosos Bancos Chineses será o vencedor do Concurso de venda oficial no novo BES… Mas a grande invasão que escolhemos para título desta crónica tem outros contornos, também à escala de muitos cifrões. No âmbito do futebol proliferam os magnatas/ empresários que compram jogadores e clubes sem olhar a gastos como

QUATRO LINHAS DAVID SEQUERRA

Colaborador

sucedeu em Sheffield onde os endinheirados irmãos Sansary, da Tailândia, investiram em “material” português, nomeadamente o Técnico Carlos Carvalhal, de reconhecida qualidade, que logo “pescou” dois compatriotas de provas dadas – os atacantes Mário Matias e J. João, vindos de Guimarães e do Funchal. Forte investimento Tailandês como vai sucedendo com outros magnatas da Malásia, de Hong-kong, de Madagáscar, Coreia do Sul, etc., uma nova faceta de cada vez mais complexo futebol “pro”. E é a partir de muito dinheiro a correr que, no que toca a Portugal, a grande invasão acontece. Chegar aos magotes, da América do Sul (Colômbia, Uruguai, Argentina, Brasil, Chile, etc) e de outros continentes de menores capacidade económicas. Já ronda a meia centena a quantidade de “craques” recrutados por clubes portugueses, dos “Regionais” aos de topo. E há também saídas para a

Europa tais como a do brasileiro Wallyson para o Nice, Ivan Cavaleiro e H. Costa, para o Mónaco, Miguel Lopes, para o Granada e mais uns quantos para Chipre, Roménia e Polónia. Há intermediários e empresários a “engordarem” as suas contas bancárias e apostas meio-suicidas em jovens bem reclamados mas não mais do que isso. E vem a propósito recordar que o negócio da pré-época ocorreu com a vultuosa transferência de Jackson do F.C. Porto para o Atlético de Madrid, na “casa” dos 70 milhões de euros, tranquilizando o equilíbrio financeiro do F.C. Porto. Um bom negócio tanto mais que, por estranho que pareça, o ex-“dragão”, agora em Manzanares nem sequer é o titular da selecção do seu país, a Colômbia, superado por outros 2 “pontas-de-lança” a jogar na Europa – o Sportinguista Réo Guitierrez e o ex-Sevilhista Bacco, agora em Milão. A “ grande invasão” em boa verdade, vai dando para tudo.

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EDITORIAL

OPINIÃO

O dra(c)ma grego

P

Raul Tavares Diretor

O novo bispo e os seus antecessores

A

s mudanças na diocese de Setúbal, com a renúncia legitimada por limite de idade de D. Gilberto Canavarro dos Reis, que muito prezo, enquanto pessoa e sacerdote de estirpe, abre inevitavelmente um novo ciclo. São quarenta anos de diocese e o novo bispo, D. José Ornelas de Carvalho, é apenas o terceiro da sua história. O Bispo Emérito D. Gilberto cumpriu a sua missão, difícil, diga-se, porque ocupou o lugar deixado vago por um antecessor que deixou uma marca forte, na gestão da sua Igreja num período particularmente difícil. Na igreja cristã, tal como em todos os outros patamares institucionais da nossa vida em sociedade, os protagonistas têm personalidades diferentes. D. Manuel Martins e D. Gilberto Canavarro dos Reis demonstraram isso à saciedade. Um mais atuante, mais visível no espaço público, e talvez ‘mais político’, outro mais recatado. Mas ambos fizeram a sua obra, ao seu jeito. O novo Bispo é uma incógnita no que diz respeito ao seu carácter. Diz-se que é mais teólogo e mais professoral, devido à sua formação. Veremos no espaço terreno. Mas começou bem, ao afirmar, numa nota pública que contaria com os seus dois antecessores e essa postura é de elogiar.

ara além dos mais conhecidos movimentos a que o nosso planeta está sujeito - o de rotação e o de translação – existem pelo menos mais dois – a ‘Precessão dos Equinócios’ e a ‘Nutação’ – sendo aquele particularmente importante. A Precessão dos Equinócios é um movimento cónico que a Terra descreve em torno do seu eixo de rotação, tal como um peão quando começa a perder velocidade. Um dos efeitos visíveis deste fenómeno resulta no facto dos pólos da Terra não apontarem sempre para o mesmo ponto do céu, fazendo com que cada um descreva uma circunferência, ao percorrerem os doze signos zodiacais durante cerca de 25.926 anos. Portanto, 2.160 anos e 6 dias por signo, ou Era! É disto que se trata quando falamos que saímos da Era de Peixes – marcada pela vinda de Cristo – e entrámos na Era de Aquário, prenunciadora de um forte impulso espiritual e civilizacional que alegadamente atingirá a sua plenitude dentro de uns 600 anos, após conturbados momentos que estamos começando a viver e que são ‘normais’ nas mudanças de ciclo. É que o IV Império, nascido com a Era de Peixes, começou precisamente com a civilização greco-romana que, no seu apogeu, estabeleceu a matriz do nosso modelo civilizacional. E se a mitologia se pode considerar como o repositório das metáforas e paradigmas da Sabedoria Antiga que se fixou nos protagonistas que habitavam o

território a que chamamos Grécia, o sopro civilizacional que dele emergiu não desapareceu e poderá reacender-se, assumindo novas expressões (…”todo o mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades”). Defendem alguns que o percurso da civilização acompanha o ‘movimento’ do Sol, de oriente para ocidente, e que este sopro ‘vital’ utiliza as formas humanas mais adequadas à sua manifestação para depois as ‘abandonar’ e progressivamente ir ocupando outras que melhor possam cumprir os seus desígnios. Mas sempre através da Humanidade! A complexidade e brutal desproporção entre aquilo que de melhor conseguimos fazer e a imutabilidade da infinita Sabedoria, do Poder Criativo e da Harmonia e Beleza que a Natureza nos concede e proporciona deveria constituir o bastante para nos sentirmos obrigados a cooperar e tentar compreender melhor (não só em termos científicos) a ‘grande máquina do mundo’, no dizer de Camões. Os antigos Gregos ‘inventaram’ a democracia (…atenção, só para alguns, os escravos não votavam, ao contrário dos de hoje…) e um dos seus filósofos até disse que a política era a mais nobre de todas as artes. Não a politiquice maniqueísta, estereotipada e simplista do ‘mundo a preto e branco’, da ‘esquerda e da direita’, dos ‘maus (os ricos do norte) contra os bons (os pobres do sul) ‘, da putativa superioridade moral de uns em relação a outros – quando, na prática, são todos

PENSO, LOGO INSISTO. FERNANDO RAIMUNDO COLABORADOR

Os antigos Gregos ‘inventaram’ a democracia (…atenção, só para alguns, os escravos não votavam, ao contrário dos de hoje…) e um dos seus filósofos até disse que a política era a mais nobre de todas as artes. muito parecidos, atendendo aos exemplos constactáveis – mas sim da organização da Pólis, da cidade, do território, em suma do ordenamento físico e, já agora, também do mental. Se a Política é a Ideologia posta em prática, se a Ideologia é a Filosofia posta em prática, se a Economia deveria estar ao serviço da Política e as Finanças ajustadas à Economia, não terá chegado a altura, já que todos reconhecem existir uma certa crise (… e muitos a sentem) para discernir o cerne do problema, baralhando e dando de

novo? Cumprindo os ‘serviços mínimos’, claro, porque o mundo não para nem os ditos ‘progressos civilizacionais’ adquiridos se interrompem, por vontade própria. Penso, um pouco na linha de Wittgenstein, que a Filosofia se deixou ultrapassar demasiado pela Ciência. Ou seja, julgo que o problema nem sequer é (só) da Economia, ‘seu estúpido’! Nem da Política! Sendo também, e muito, destas ciências está longe de nelas se esgotar. É sobretudo da falta de Filosofia, do saber pensar, é dos valores, da capacidade e prorrogativa que o ser humano tem de, pela inquietação, tentar ultrapassar-se a si próprio, começando por fazer a sua revoluçãozinha cívica interior, a benefício de uma melhor cidadania. Sem estar à espera que outros a façam por ele. Porque bem sabemos que ninguém o fará … ou fazendo, é para manter tudo muito parecido. E o que é que a ‘precessão dos equinócios’ tem a ver com tudo isto? A Transdisciplinaridade ensina-nos que tudo tem a ver com tudo (acredita na Serendipidade?) e que o Todo é sempre maior que a soma das partes. Mas isso é tema para outra abordagem…

Paris arde?

N

ão sei se é do tempo em questão a crueldade acometida a Truman de se inspirar em Hitler, aquele que perguntou: “Paris já arde?”. Na História poderá haver eventualmente, assim apareça, um advogado de defesa que demonstre que ao final do dia de 6 de Agosto de 1945, lançadas as primeiras bombas atómicas sobre Hiroxima, ele não perguntou: – “Mas porquê esperar três dias?” A 9 caíram sobre Nagasaki. Os 70 anos passados sobre estes crimes vão ser tema central na Festa do Avante!, de par com os 65 do Apelo de Estocolmo contra as armas nucleares e os 40 da Acta de Helsínquia, pelo reforço da Paz e da Cooperação entre os povos. Vem isto também a propósito da figura maior que foi na Festa do Avante!, no Centenário do seu Nascimento, Soeiro Pereira Gomes. Comunista escritor, trabalhador dos cimentos de Alhandra, foi

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eleito no Congresso clandestino de 1946, na Lousã, na região de Coimbra, para o Comité Central do PCP, a partir do qual lhe foram confiadas lutas de morte. Em «Quarto Crescente» («A Ficção da Verdade», em subtítulo), de 2001, Mário Ventura dedica um capítulo de seis páginas a Esteiros, livro que primeiramente leu no Portugal clandestino numa edição francesa, de «êxito invulgar», pela mão de Veríssimo Serrão, capaz de lhe provocar «uma espécie de pancada» e fazer perfilar, pela sua pena, Ferreira de Castro, Steinbeck, Aquilino Ribeiro, Eça, Garrett, Camilo, Balzac, Zola, Vítor Hugo, Alexandre Dumas, Júlio Verne, Dino Buzatti, «os alemães como Thomas Mann», Walter Scott, Dickens, Dostoievsky, Guerra e Paz, Os Lusíadas, Erico Veríssimo. Desconheço se tem paradeiro a curiosidade que pelo menos se anunciava no etéreo, pela antiques.gift, da existência dos “Esteiros” assim circunstanciada: com desenhos de Álvaro

POLITICA E CULTURA VALDEMAR SANTOS MILITANTE DO PCP

Cunhal, “a encadernação em capa dura conserva as capas de brochura bem como a contracapa. No entanto, foi encadernado em conjunto com um livro francês, em língua francesa de Audie Murphy e com o título ‘L’Énfer des Hommes’. Curioso”. Mais razão contudo para caber a Salazar possuir tempo de mais para, dia sim, dia não, também perguntar: – “Afinal, quando arde?” Foi lá, na Sorbonne, que se doutorou com uma tese sobre a produção da cortiça em Portugal o Engenheiro Silvicultor Jaime Salazar Sampaio, bem cedo homem de Letras, apaniguado de Luís Pacheco, com obras cobiçadas pelos antecessores em serviço da PIDE.

Foi lá que Álvaro Cunhal escreveu a meio do século “As Lutas de Classe em Portugal no Final da Idade Média”, essa obra-prima editada outra vez em francês e logo a stencil!!! pelo Centro de Estudos e Pesquisa Marxistas em 1967 (o Nº 56 dos “Cahiers”, Paris), E ainda foi lá que escreveu o que deixou de ser inédito este ano em Portugal, por iniciativa do GEM, Grupo de Estudos Marxista (agora falamos do nosso país), “Os Fragmentos de Ideologia”, de Vasco de Magalhães-Vilhena (apontamentos de 1960). Assim me limito à propaganda por estes, para evitar um exagero, que alguém haverá a achar ... imperdoável!


OPINIÃO

PSD e CDS – espinhos em lugar de rosas !

O

Presidente da República esticou o mandato do atual governo até ao limite. Fê-lo contra a generalidade dos comentadores, inclusive os afetos à própria maioria. Agudizou assim fatores de instabilidade para o futuro. É que as eleições deveriam ter ocorrido em Junho, por forma a que o orçamento para 2016 fosse elaborado em tempo e não houvesse quase sobreposição dos processos eleitorais para a Assembleia da República e para a Presidência da República. O mandato do atual governo caracterizou-se pela aplicação cega de políticas de austeridade que conduziram ao empobrecimento, à venda de empresas estratégicas, ao esvaziamento do papel de Portugal no mundo e ao desmantelamento das funções essenciais do estado, segundo uma lógica neoliberal. A coligação de direita que quer o agravamento delas – esconde o que se prepara para fazer se continuasse no governo, responsabilizando o passado pela situação a que se chegou como se Portugal, com mais de oito séculos de existência, se

tivesse iniciado com o governo atual e jamais o PSD tivesse participado antes no que quer que fosse. Convém recordar que, sob o atual quadro democrático, foi o PS – logo após a implementação da democracia – que assumiu a luta contra toda a sorte de totalitarismos, erguendo bandeiras de liberdade e tolerância e contribuindo para a estruturação constitucional do regime. Coube ainda à direção do PS, entre 1983-1985, assumir a coordenação do governo do bloco central com um PSD então com uma direção verdadeiramente social-democrata, no caso de Mota Pinto, que retirou não só o país da bancarrota como possibilitou a adesão de Portugal à atual U.E., em escassos dois anos! Iniciado um período de expansão e crescimento – a partir de 1985 mercê da ação anterior do PS –o governo seguinte, de Cavaco Silva, fez o que se sabe – a maior despesa pública primária de que há memória (15%) agravando a situação da Segurança Social pela concessão aos beneficiários do direito

a “comprarem” a própria antiguidade contributiva e desbaratando avultados apoios da U.E., de tal forma que a agricultura e as pescas foram então “trocadas” por contribuições financeiras, assim se hipotecando parte do futuro neste domínio. É deste passado que o PSD fala? No que respeita ao mais recente, imediatamente anterior à eleição de Passos Coelho e Portas, é sabido que a situação financeira internacional deu lugar a uma crise estrutural mundial cujos efeitos conduziram ao que vivemos e se repercute ainda hoje em países como a Grécia, a Espanha, a Islândia, a Itália, o Chipre, a França na dimensão que é conhecida, para só se falar de alguns países da Europa. Por favor – o PS foi o responsável pela atual crise mundial ou essa invocação só conduz em linha direta a que se façam dos eleitores ignorantes? É ou não certo que então os países foram induzidos a aumentarem a despesa pública para colmatarem os riscos de crise? Para o PS e para o CDS nada

POLÍTICA MESMO VITOR RAMALHO

ADVOGADO

disto ocorreu! E na ânsia oportunista de conservarem o poder a qualquer preço não se coíbem de, conscientemente, faltarem à verdade ou omitirem o projeto que têm para o futuro, como aliás sucedeu nas últimas eleições legislativas em que anunciaram rosas mas acabaram por impor espinhos. Perante os desafios que Portugal tem agora pela frente, de duas uma – ou defraudamos o futuro persistindo numa queda ainda maior para o abismo a que nos conduziu o atual governo ou o país muda de políticas e de rumo. Mudar de rumo impõe que concentremos os votos no único partido que pode protagonizar a alternativa, conscientes que o que está em causa é antes de mais a eleição de um primeiro-Ministro que possa

dialogar e aprofundar a relação com os representantes da maioria sociológica do país. Esta maioria é de cerca de 2/3 do eleitorado, uma vez que, no limite, a atual coligação beneficiará no máximo de um resultado à volta de 36%, como todos os estudos de opinião evidenciam. É com esta percentagem e contra a esmagadora maioria do povo português e dos seus representantes que a direita quer continuar a governar? Face a esta impossibilidade, esses mesmos estudos de opinião demonstram que os eleitores não hesitam sobre quem querem para primeiro-Ministro, nem hesitam na resposta sobre que partido vai ganhar as eleições, preferindo o PS. Espinhos em lugar de rosas não!

Agosto é sinónimo de verão e algo mais neste ano

N

semmais

a Europa, ou melhor, a norte do Equador este mês corresponde ao verão e ao normal período de férias. Há anos atrás (não havendo as vantagens e inconvenientes da mediatização), muitos milhões de pessoas praticamente descansavam das atividades rotineiras dos restantes dias do ano. No tempo presente, por vezes mudamos pouco alguns hábitos, se nos abstrairmos das questões profissionais. Neste período ocorrem muitas romarias, festas populares e tradicionais, espalhadas pelo país onde por exemplo, na região ribatejana de Setúbal uma das maiores referências são as Festas do Barrete Verde e das Salinas. Ambiente acolhedor a muitos milhares de visitantes e que neste ano comemoram os cinquenta anos do Grupo de Forcados com mesmo nome. Parabéns a todos que têm feito História! Normalmente no mês de Agosto e para descontração dos amantes do futebol, inicia-se uma nova época em que todos depositam esperanças de vitórias e sucessos no ano

seguinte. Este ano surge uma esperança renovada para as bandas de Alvalade porque o efeito psicológico está em pleno com a contratação do JJ; já se fala do antes e do depois de JJ. O tempo dirá sobre a profecia! Mas, começar a época a ganhar um troféu já com tradição perante o principal rival é um tónico especial, por vezes com efeitos superiores a muitos “viagras” do futebol. Por muito que os portugueses possam dizer de uma forma genérica que estão fartos de políticos e dos partidos, até ver, este é o sistema mais justo de “governance”, os cidadãos neste ano têm a responsabilidade em estarem atentos às palavras dos agentes políticos e principais candidatos à governação de Portugal no período pós 4 de Outubro. Em consciência todos sabem que há diferenças insanáveis entre os partidos políticos e maior entre muitos dos principais dirigentes políticos. Não me pronunciarei sobre políticos e partidos que estão numa margem e num irrealismo de governação que só a demagogia e as falsidades que apregoam lhes permitem ainda

subsistir, nomeadamente no poder local e em especial nesta região de Setúbal. Porque, fingem ter práticas de igualdade e de combate a certos poderes económicos, mas aplicam taxas municipais e outros encargos às pequenas e micro empresas sem olharem para o programa eleitoral que apregoam. Por outro lado, apenas procuram dar mais empregos a quem podem e com salários baixos, porque 1 trabalhador autárquico pode representar 3 votos nas eleições autárquicas. Voltaremos a este tema noutra ocasião! A preocupação dos portugueses centra-se nas escolhas futuras para o Governo do país, porque há um passado para comparar e um presente que se apresenta digno de merecer a confiança de futuro. A atual coligação (“Portugal à Frente”), governou Portugal com um programa que na sua maioria foi-lhe imposto por quem levou a país quase bancarrota (parecia grego!!) e que hoje felizmente está limitado nos movimentos. Mas, os portugueses não deveriam esquecer certos momentos no passado de alguns agentes políticos. Por acaso lembram-se

ESPAÇO ABERTO E LIVRE ZEFERINO BOAL

CONSULTOR DA SITEL PORTUGAL

que durante anos o Secretário-geral do PS foi assessor do então Presidente da República Jorge Sampaio e lembram-se porque saiu? Também é bom recordar que António Costa era o número dois do Pinto de Sousa que foi Primeiro-ministro; ainda estão por explicar as razões que o levaram a sair do Governo para a governação da capital do país. Recentemente acordou com o então líder do PS que estaria com ele para os combates que o partido iria ter no futuro e de repente como uma “jiboia” do mato ataca de surpresa. Neste verão quente de fogos e no lazer os portugueses devem estar suficientemente atentos às mensagens dos políticos porque há aqueles que prometeram um programa de sacrifício e metas a cumprir, sempre afirmando que o Portugal destruído em pouco anos, não se reconstruia em

apenas 4 anos. Na retoma deste país do progresso e o crescimento sustentável, não se pode regressar a politicas que se dizem socialistas mas no fundo são marxistas mascaradas, porque continuam a estar a favor do desenvolvimento económico assente no esforço maioritário do Estado. Uma geração de portugueses foi prejudicada pelas más decisões da política, pelas ações da corrupção e por decisões a pensar nos efeitos mediáticos a curto prazo. O oposto verifica-se quando à frente do país está um Estadista. Mesmo que muitos cidadãos “estejam a banhos” para refrescar ideias, a História de Portugal tem demonstrado que os portugueses sabem fazer escolhas acertadas quando se atravessam momentos críticos nos quais a União é mais importante que os poderes individuais.

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SEMMAIS | SÁBADO | 29 DE AGOSTO | 2015 | 23



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