Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis, de 25 a 28 de agosto de 2008
O Desemprego, Feminino e Plural: Avanços e Recuos de uma Investigação Exploratória em Território Português Ana Isabel Teixeira1 (Universidade de Coimbra) Palavras-chave: Desemprego; Género; Desigualdade. ST 29 – Relações de Poder e Género A relação entre os processos de mudança social, globalização, capitalismo na era moderna, pobreza e exclusão social têm constituído tema recorrente de reflexões e produções científicas diversas (Cf., p.e. FEATHERSTONE, 1990; GIDDENS, 1990). Tal como Santos constata com perplexidade, “o nosso tempo é um tempo paradoxal. (...) Se, por um lado, parecem hoje, mais do que nunca, reunidas as condições técnicas para cumprir as promessas da modernidade ocidental, como a promessa da liberdade, da igualdade, da solidariedade e da paz, por outro lado é cada vez mais evidente que tais promessas nunca estiveram tão longe de ser cumpridas como hoje” (SANTOS, 2003: 25). Para este trabalho, surge com particular evidência a importância da esfera económica, enquanto mecanismo potencialmente produtor e reprodutor de exclusão, a partir de um fenómeno específico: o desemprego. Assim, os contornos da actual morfologia das desigualdades sociais também se traçam com o risco do desemprego. Trata-se de linhas que engrossam, na exacta medida em que as taxas de desemprego aumentam; de sulcos que se vincam, com especial incidência junto de grupos sociais específicos; de traços progressivamente assumidos como estruturais para a actual arquitectura económica e, portanto, de riscos desenhados a tinta que (ameaça) ser permanente.2 Estas transformações tendem a assumir configurações diferenciadas em função dos constrangimentos de índole social existentes, ou seja os “distintos tipos de práticas de emprego adoptadas e o maior ou menor peso do Estado nas políticas de emprego; as diversidades de amplitude e de formato (público ou privado) dos sistemas de relações industriais e as consequências que dele resultam para as negociações salariais e para as relações profissionais, além de determinantes de ordem cultural mais ampla” (GUIMARÃES, 2002: 105). Assim, o peso das estruturas e instituições sociais não se dissipa, reconfigura-se adoptando formatações mais flexíveis e híbridas. A valorização da identidade pessoal e a sua autonomização relativa face às estruturas sociais em que os indivíduos estão inseridos, como a família, a comunidade ou o contexto profissional, convida a abordar as identidades e biografias como intensamente individuais, reflexivas e complexas. Não obstante, alguns autores têm defendido que o processo de