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COMEÇA EM DURBAN, NA ÁFRICA DO SUL, TERCEIRA CONFERÊNCIA DA ONU CONTRA O RACISMO Com o objectivo de iniciar um combate global nunca visto contra o racismo, começa hoje em Durban, na África do Sul, a terceira Conferência das Nações Unidas sobre esta questão, com conclusão prevista para 7 de Setembro. Conhecido formalmente por Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e a Intolerância Conexa, o evento é uma oportunidade para o mundo se empenhar, pela primeira vez na era pós -apartheid, num vasto programa de combate ao racismo e questões conexas. Como todos os países têm de enfrentar questões de racismo e xenofobia, os governos terão oportunidade de demonstrar que reconhecem esse facto e estão determinados a melhorar a situação. Os objectivos da Conferência são produzir uma declaração que reconheça os danos causados pelas expressões passadas de racismo e que reflicta uma nova consciência, a nível mundial, das formas modernas de racismo e xenofobia; chegar a acordo sobre um programa de acção forte e prático e forjar uma aliança entre os governos e a sociedade civil para iniciar uma renovada e vigorosa etapa na luta contra o racismo. Numa declaração feita durante a série final de discussões preparatórias em Genebra, a 9 de Agosto, a Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Mary Robinson, que é também a Secretária -Geral da Conferência, disse que importantes disposições do projecto de declaração e do projecto de programa de acção já haviam sido objecto de acordo. Estavam ainda em curso processos informais para tratar de questões difíceis relacionadas com a escravatura, a identificação das vítimas do racismo e o Médio Oriente. Vítimas da desigualdade e da injustiça, vindas do mundo inteiro, iriam expor os seus casos na Conferência, disse. Tinham sido conseguidos importantes avanços nas intensas discussões com vista a identificar as vítimas. “O que está em causa aqui é identificar as vítimas cuja situação difícil exige o reconhecimento e a cooperação internacionais”, acrescentou. Sobre questões relacionadas com o Médio Oriente, fonte de muita discussão antes da Conferência, Mary Robinson disse que se começava a notar flexibilidade na procura de uma linguagem de compromisso. “Uma coisa que gostaria de reafirmar é que há a noção clara de que se acabou com a formulação ‘sionismo igual a racismo’”, disse. O Secretário-Geral das Nações Unidas, Kofi Annan, profundamente consciente do carácter sensível de todas as questões, disse, a 30 de Julho: “Precisamos de uma Conferência e de uma Declaração que olhem com firmeza para todas as sociedades do mundo e para todas as deficiências que exacerbam, em vez de eliminar, os conflitos com origem na raça e na etnia.” Salientou que, se a Conferência quiser ser um êxito, “deve ajudar a sarar velhas feridas sem as reabrir; deve enfrentar o passado, mas, o que é mais importante, deve definir uma nova linha de acção contra o racismo no futuro.” Espera-se que mais de 15 Chefes de Estado e de Governo e mais de 12 000 representantes de 194 Estados e organizações governamentais participem na Conferência, embora a maioria dos países esteja representada por Ministros ou outros altos funcionários governamentais. Os organismos especializados e as comissões da ONU e as organizações regionais e não governamentais também ali estarão representados. No período que antecedeu a Conferência, realizou-se na Europa, Ásia, África e Américas uma série de reuniões a nível regional e seminários de peritos, a partir de Julho de 2000. O Comité Preparatório realizou três sessões em Genebra, de Maio a Agosto deste ano. Centro de Informação das Nações Unidas em Portugal www.onuportugal.pt

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