CRÔNICAS vol. I
VALDEZ JUVAL ed. lemos
Vamos direto ao assunto. Não teremos prefácio. A intenção é reunir publicações de minha autoria em várias edições no formato e_book. Mais precisamente para um registro, não dispensando a participação do leitor. Estamos ao inteiro dispor. Desculpem as mal traçadas linhas. Abraços. Valdez Juval
CRÔNICAS vol. I
INDICE
AMOR PLATÔNICO.............................fls. 09 A CRIANÇA E SEU CÃO ...................fls. 15 TRISTES VERSOS LINDOS................ fls.21 AGUA VIVA..........................................fls.27 A ESCOLHA ..........................................fls.31
AMOR PLATÔNICO 9
Os dois se amam. Quer dizer, um pensa que ama o outro e vice-versa. São amores embutidos, não revelados, que talvez nem existam. É que eles criam fantasias para povoarem os seus mundos. Incrível! Paixão de verdade. Verdadeiro amor platônico, inconcebível, mas ardente, misterioso.
Até que um dia se conheceram pessoalmente. Inesperadamente. Destino? Quis a coincidência que ambos participassem de uma quadrilha junina. Foram apresentados pela anfitriã da festa. Sequer suas mãos se tocaram, ambos sentiram ao se olhar, um raio violento indo e vindo de seus olhos. No mesmo instante um choque estremeceu os corpos dos dois imagináveis amantes. Ela, mais recatada, pudica, deu um muxoxo, acompanhado de
uma interjeição, visível sinal de desprezo ou desdém. Era uma declarada repreensão. Deveria ele se considerar culpado sozinho? Tencionava descrever os detalhes finais desta crônica mas não teria mais o que dizer. Ela se desculpou, alegando motivo superior e se separaram. Tudo faz crer que continuarão infelizes para sempre.
A CRIANÇA E SEU CÃO
15
Marilda estava muito feliz. Havia chegado do consultório médico e seu ginecologista lhe anunciou que tudo corria bem com sua gravidez de três meses e que a criança seria do sexo masculino. Era o que ela e seu marido desejavam. A sua primogênita, orgulho deles, já completaria quatro anos de idade, no próximo mês. Marilda, sempre muito entusiasmada, alisava constantemente a barriga que estava ligeiramente crescida,
dando espaço para o fruto de seu amor. Sua filha, Mary, estava ao seu lado, no sofá, acariciando o seu cão que ficava preguiçosamente sonolento. - Filha, de quem você gosta mais? Do seu cachorro ou de seu irmãozinho? – perguntou Marilda inopinadamente e ficou esperando o resultado da indagação. Mary, menina inteligente, muito viva, demorou um pouco para responder, forçando sua mãe a repetir a pergunta já ansiosa e um pouco impaciente:
- Hein, filha? De quem você gosta mais? É do seu irmãozinho ou do cachorro? Desta feita Mary não titubeou Que pergunta, mãe! Mas lhe repondo: do meu cão. Ainda não tenho irmão, não é?
LINDOS VERSOS TRISTES 21
Já é fim de semana. Poxa! Como o tempo está com pressa! Toda essa rapidez se contrapondo à minha inércia, não pode terminar em boa coisa. Vou até o jardim, apanhar uma rosa. Tem rosa de várias cores: branca, amarela, rosa... Preferi a cor de rosa. Uma rosa, rosa. Minha mãe chamava-se Rosa. Lembrei-me dela.
Fiquei instantes parado, pensando nela. Minha mãe Rosa! Quanta saudade! Tive vontade de chorar... E chorei. Extravasei o sentimento que se apoderou de mim e sufocando as lágrimas, com a Rosa minha mãe envolvendo o meu espírito e a rosa flor em minha mão, todo passado foi revivido e amado. É um sentimento constante que, mesmo sofrendo, gosto de reviver. Está próximo o meu reencontro!
Não quero, contudo, que este tempo de espera não se pareça com o resto de vida que teve a minha flor.
A ÁGUA VIVA 27
Caminhava descalço pela praia e me distrai fazendo zigue-zague para fugir da onda que seu vai e vem teimava em molhar meus pés. Tão distraído estava que não observei uma vaga mais ligeira trazer para terra,uma “caravela”. Por que mata-la? Não matarás, diz o mandamento. E a ameaça que ela causa? É um animal danoso! Enquanto estou nessas
conjecturas, uma marĂŠ mais alta lavou a areia e levou a ĂĄgua-viva de volta ao mar.
A ESCOLHA 31
Não sou triste por envelhecer. A tristeza que sinto é que ela, a velhice, se juntou à saudade e incomoda a minha existência. Não consegui ainda remover montanhas e confesso não ter tanta fé. Não quero trocar o certo pelo duvidoso. Contaram-me da existência do céu, do inferno e de um purgatório.
Além de deixar todos por aqui, o destino de minha viagem é incerto. Não terei o direito de escolha.