A CIÊNCIA COMO INSTRUMENTO DE LEITURA PARA EXPLICAR AS TRANSFORMAÇÕES DA NATUREZA1,2 Attico Chassot
Como prelúdio Quando olhava a minha agenda desse final de ano e via que em menos de um mês estaria em seis universidades diferentes, não posso deixar de reconhecer que essa é a fala que mais me mobilizou. Isso se dá em duas dimensões: a primeira é a de estar falando na minha universidade; vou ser pretensioso, recordando que em uma situação se disse algo que vocês poderiam dizer de mim agora: “não é esse o filho de Maria e do carpinteiro”, e nisso não haveria equívoco, mas acrescentem: “e o que um professor do Programa de Pós-Graduação em Educação pode ter a dizer no Segundo Ciclo de Estudos Desafios da Física para o Século XXI: um diálogo desde a Filosofia?”. Vocês de novo estão certos. Quando olhei os nomes que já estiveram nesse evento, dos quais alguns tive o privilégio de vir aqui aprender, reconheço que fui temerário em aceitar o convite. A segunda dimensão é a mobilização intelectual que me envolveu nas últimas semanas a preparação dessa fala. Não é trivial, falando na própria casa, dar conta das expectativas que estão nas justificativas deste Ciclo de estudo que, há algumas quartas-feiras, têm envolvido estudiosos, nesse simpático horário pré-turno da noite.
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Uns meses depois de 29 de novembro de 2006, quando fiz uma fala no Segundo Ciclo de Estudos Desafios da Física para o Século XXI: um diálogo desde a Filosofia, foi-me solicitado um texto escrito. Este parece ter sido acordado por ocasião do convite, mas devo ter olvidado. Quase quis fugir do assumido. Na opção de ter que (re)produzir um texto, optei por, consultando a apresentação que preparara, reescrever a fala. Também foi fonte para essa releitura a entrevista que concedi à IHU On-Line e publicada em sua edição nº 206 de 27 de novembro de 2006. Assim, peço aos leitores e às leitoras temporãos que relevem o tom coloquial e talvez até intimista que dou a esse texto, pois reproduz o que penso ter falado então. Em função do que está na nota anterior, há algumas partes desta fala que me servi de excertos de outros textos que já escrevera, alguns dos quais já publicados. A fonte mais recorrente é meu último livro Uma brecha entre o passado e o futuro, que já foi aprovado para edição pela editora Cortez, cujos excertos necessariamente não aparecem identificados neste texto.