As
mulheres podem fazer mais
D
epois do casamento no Rio de Janeiro, a vida a dois começava no bairro Ipiranga, em São Paulo, e a família foi crescendo até completar 10 filhos. Antônio Melo e Aracy viam a cidade quase dobrar de tamanho com a chegada de imigrantes, especialmente os nordestinos, atraídos pela expansão do setor industrial e da construção civil, ocorridos na década de 1950. A indústria automobilística puxava o crescimento da economia e, na oficina de funilaria, Antônio lutava para vencer uma guerra pessoal que causava muito transtorno à família: o alcoolismo. Vencido pelo vício, não conseguia trabalhar o suficiente para sustentar a prole, e a renda familiar precisava ser completada pelo esforço da esposa, lavando à mão uniformes de jogadores de futebol. As artes já encantavam a menininha Arlete, a terceira da família. Como que para escapar da visão do pai caído, bêbado e sujo no chão, ela sonhava com os palcos, onde atuaria como cantora, e com as aquarelas que fariam sucesso em grandes exposições. A luta da grande família não passava despercebida da comunidade, que auxiliava com alimentos e roupas. Foi assim que Abigail, uma vizinha, se aproximou do casal para oferecer tratamento de desintoxicação do álcool e tabaco para Antônio, em uma associação coordenada pelos adventistas do sétimo dia com a participação de profissionais de saúde, que tinha excelentes resultados na recuperação de dependentes. O relacionamento iniciado pelo campo social aprofundava cada vez mais, findando na ação missionária que consistia em promover uma Escola Sabatina filial onde toda a família pudesse aprender sobre Jesus, e onde Arlete e os irmãos se sentiam muito felizes em estar. A aproximação com os adventistas aos poucos foi mudando a vida da família. Eles foram morar no extremo sul da cidade, próximo da represa Billings, local que, poucos anos depois, foi palco de um acidente que ceifou a vida de um dos filhos, Antônio, episódio que levou Arlete à depressão.
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